Uma bomba de gasolina tem, genericamente, memória. Quer isto dizer que consegue registar e guardar os vários abastecimentos que realiza. Além disso tem alguma inteligência. Consegue saber, para cada abastecimento, quais os que foram pagos e quais os que ainda não foram.
Considerando estes postulados, existirá uma razão óbvia para, depois de abastecer a respectiva viatura, deixá-la em frente à bomba obrigando as pessoas que se seguem a esperar pelo regresso do condutor à mesma após ter efectuado o pagamento, tomado o café e o pastel de nata e consultado as gordas da imprensa? Mesmo quando há lugares vazios para os condutores que já abasteceram, estacionarem as respectivas viaturas ?
È tão triste ter um QI inferior ao de uma bomba de gasolina.
quarta-feira, fevereiro 08, 2006
terça-feira, fevereiro 07, 2006
5 hábitos estranhos
A convite daiaNa, aqui estão, cinco dos meus hábitos estranhos
- ao pequeno almoço e ao lanche não intercalar comida com bebida. Primeiro o leite até ao fim e depois a sanduiche. Ou vice versa. Aquela história de uma dentadinha e a seguir um golinho, é coisa de larilas.
- adormecer na fronteira do colchão. Metade do corpo (mais uma percentagem difícil de precisar) em cima da cama e o restante pendurado.
- escolher trajectos em função dos termómetros que estão espalhados pela cidade. Adoro termómetros.
- ler jornais do fim para o início. Acho que este é capaz de não ser estranho porque já ouvi dizer que um jornal imprimiu uma edição da última para a primeira página, por saber que muitas pessoas os lêem assim.
- enrolar o fio do telefone até ficar tipo renda de bilros.
- escolher a caixa do supermercado pela copa do soutien da operadora. Normalmente coincide com a caixa onde as pessoas à minha frente escolheram produtos sem código de barras, ou pretendem facturas separadas para cada produto, ou só têm saldo na conta do 10º cartão Multibanco.
- exceder-me sempre nas respostas.
O meu convite vai direitinho para a Carlota, para o Giz, para a Dina, para a Bree e para a M&M.
- ao pequeno almoço e ao lanche não intercalar comida com bebida. Primeiro o leite até ao fim e depois a sanduiche. Ou vice versa. Aquela história de uma dentadinha e a seguir um golinho, é coisa de larilas.
- adormecer na fronteira do colchão. Metade do corpo (mais uma percentagem difícil de precisar) em cima da cama e o restante pendurado.
- escolher trajectos em função dos termómetros que estão espalhados pela cidade. Adoro termómetros.
- ler jornais do fim para o início. Acho que este é capaz de não ser estranho porque já ouvi dizer que um jornal imprimiu uma edição da última para a primeira página, por saber que muitas pessoas os lêem assim.
- enrolar o fio do telefone até ficar tipo renda de bilros.
- escolher a caixa do supermercado pela copa do soutien da operadora. Normalmente coincide com a caixa onde as pessoas à minha frente escolheram produtos sem código de barras, ou pretendem facturas separadas para cada produto, ou só têm saldo na conta do 10º cartão Multibanco.
- exceder-me sempre nas respostas.
O meu convite vai direitinho para a Carlota, para o Giz, para a Dina, para a Bree e para a M&M.
sexta-feira, fevereiro 03, 2006
Ainda
... sobre o mesmo assunto.
Os dinheiro que gasto no Euro Milhões, é largamente compensado com a proliferação das conversas, das risotas, dos sonhos e da imaginação sobre uma eventual partida da sorte.
A carta de demissão enviada antecipadamente, para poupar no tempo que se deve dar à empresa, tem escrito no envelope:
“Só abrir este envelope se a chave do concurso do euromilhões for * * * * * + * *
Srs Palhaços:
(...)”
A conversa com o director de pessoal no caso de perca do boletim:
- Mas repare que o termo palhaços com que começa a carta é no melhor dos sentidos. Palhaço no sentido de pessoa que transmite alegria aos outros. Boa disposição contagiante (...)
Os dinheiro que gasto no Euro Milhões, é largamente compensado com a proliferação das conversas, das risotas, dos sonhos e da imaginação sobre uma eventual partida da sorte.
A carta de demissão enviada antecipadamente, para poupar no tempo que se deve dar à empresa, tem escrito no envelope:
“Só abrir este envelope se a chave do concurso do euromilhões for * * * * * + * *
Srs Palhaços:
(...)”
A conversa com o director de pessoal no caso de perca do boletim:
- Mas repare que o termo palhaços com que começa a carta é no melhor dos sentidos. Palhaço no sentido de pessoa que transmite alegria aos outros. Boa disposição contagiante (...)
quarta-feira, fevereiro 01, 2006
Não se enerve
(ou resposta atrasada a um post bimbystico da meia-volta)
O meu casamento sobreviveu a aventura igual: ficar em casa a fazer uma sopa na Bimby, e venham cá os anti heterosexuais dizer que isto não é um casamento que eu mando-os para o raio que os parta.
Acontece que perante a acusação de que faço sempre meia bimby de sopa, resolvi descascar tudo o que era legume disponível. Foi um festival de verduras. Era ver, a cada volta das pás, batatas, cenouras e alho francês a saltar cá para fora. Cosa ma' linda, parecia um vulcão de leguminosas. Para evitar que saltasse tudo cá para fora, tive que tirar quase toda a água que tinha posto. No fim, deu quase 3 litros de concentrado de sopa, a nossa Bimby.
Cada concha, após adicionar água, dava para quatro doses bem aviadas. Um festim.
O meu casamento sobreviveu a aventura igual: ficar em casa a fazer uma sopa na Bimby, e venham cá os anti heterosexuais dizer que isto não é um casamento que eu mando-os para o raio que os parta.
Acontece que perante a acusação de que faço sempre meia bimby de sopa, resolvi descascar tudo o que era legume disponível. Foi um festival de verduras. Era ver, a cada volta das pás, batatas, cenouras e alho francês a saltar cá para fora. Cosa ma' linda, parecia um vulcão de leguminosas. Para evitar que saltasse tudo cá para fora, tive que tirar quase toda a água que tinha posto. No fim, deu quase 3 litros de concentrado de sopa, a nossa Bimby.
Cada concha, após adicionar água, dava para quatro doses bem aviadas. Um festim.
T11
Hoje sonhei com a compra de uma casa. Mais uma vez ideia tua, pois claro, e como tal, uma casa em segunda mão. Comprámo-la à Marta, a mãe da Rita e amiga da Teresa. Era uma imensa moradia em Lisboa, com alguns 10 quartos. Lembro-me que tinha coisas horríveis. Tecto falso de lã de fibra de vidro, como o da faculdade, paredes tartaruguinha, e chão de madeira muito escura, naqueles tacos ínfimos. A fechadura da porta parecia um tubo de escape preso a uma corrente. Por outro lado tinha uma sala gigante e um jardim infinito. Foi o jardim que me fez concordar com a compra. Era o jardim da Gulbenkian e portanto tínhamos que deixar passar toda a gente na alameda de árvores e relva (que não existe mas existia no sonho). Não cheguei a perceber se tínhamos lugar para o carro, mas suponho que podíamos estacionar no parque da Gulbenkian.
Raios partam o Noddy
Depois do Chapi-Chapo que consumi em pequeno, e dos Teletubbies que o Maria mais velho também consumiu, tinha eu em crer que possuía anticorpos para qualquer série infantil.
Pois é mentira. Cada vez que vejo o Noddy, sobe-se-me uma irritação pela espinha acima, instala-se-me uma camada de nervos a toda a volta e incham-se-me as glândulas alérgicas, que só consigo acalmar desligando a televisão e espetando um pontapé no Noddy de peluche que está lá por casa.
O boneco, que até cheguei a considerar simpático, está cheio de brilhos e de animação por computador. Está mais parvo que nunca, e é insistentemente ingénuo. Não é nada ingénuo, ele é mas é parvo. É burro. Há anos que o boneco é enganado pelos vilões, e não há forma de aprender a não lhes dar ouvidos. E ouvidos e orelhas é coisa que não falta na porcaria da série. Por amor de Deus. O boneco do chapéu do guizo nada deve à inteligência, e ameaça transformar a geração dos meus filhos, não na geração rasca, mas na geração mosca morta. É muito triste.
Agora, quando começa um episódio, já cantamos todos em coro:
“Raios parta o Noddy, já não posso ouvir o Noddy ....”
A seguir, desligamos a televisão.
Pois é mentira. Cada vez que vejo o Noddy, sobe-se-me uma irritação pela espinha acima, instala-se-me uma camada de nervos a toda a volta e incham-se-me as glândulas alérgicas, que só consigo acalmar desligando a televisão e espetando um pontapé no Noddy de peluche que está lá por casa.
O boneco, que até cheguei a considerar simpático, está cheio de brilhos e de animação por computador. Está mais parvo que nunca, e é insistentemente ingénuo. Não é nada ingénuo, ele é mas é parvo. É burro. Há anos que o boneco é enganado pelos vilões, e não há forma de aprender a não lhes dar ouvidos. E ouvidos e orelhas é coisa que não falta na porcaria da série. Por amor de Deus. O boneco do chapéu do guizo nada deve à inteligência, e ameaça transformar a geração dos meus filhos, não na geração rasca, mas na geração mosca morta. É muito triste.
Agora, quando começa um episódio, já cantamos todos em coro:
“Raios parta o Noddy, já não posso ouvir o Noddy ....”
A seguir, desligamos a televisão.
terça-feira, janeiro 31, 2006
Pista Cerrada
Vesti as calças de alças, o blusão e calcei as botas. Cada uma deve pesar alguns 2 quilos. Não fazem vocês ideia o que é descer um terceiro andar com aquelas botas calçadas. Peguei nos esquis e subi até ao cimo da Alameda. Lá em cima, apertei as botas, calcei os esquis e as luvas. Depois esperei que a neve cobrisse a relva e a estrada. Esperei, esperei,... e tornei a esperar Hoje de manhã, acabei por desistir.
segunda-feira, janeiro 30, 2006
Etiqueta e boas maneiras
Se há coisa que realmente me enerva, é a má criação. É ainda pior que a falta de educação, simplesmente porque, esta última, tratando-se de uma carência, pode ser resultado de uma vida deficitária em quase tudo.
Pelo contrário, a má criação, é o resultado de uma intenção explícita de educar mal, ou de ser mal criado. E os mal criados irritam-me profundamente.
Não concebo que alguém, no seu juízo perfeito, organize um jantar em casa, prepare a refeição, ponha a mesa, sirva as entradas e os aperitivos, e que, na altura de se sentar com os convidados para a refeição, resolva dizer que afinal não lhe apetece jantar e nem sequer se digne a sentar-se à mesa.
Foi isso mesmo que o Benfica fez no Sábado ao Sporting. Resolveu não jantar e assim que terminou o aperitivo, desapareceu sem dar cavaco (ai Jesus que este nome me faz arrepios). Os convidados, coitados, perante tal cenário, atiraram-se à sopa, ao prato e à sobremesa como se não houvesse amanhã. Chafurdaram no creme de alho francês, raparam as travessas de bacalhau espiritual, e encheram o bandulho de profiterolles. Aguados, comeram de boca aberta, bolo alimentar exposto a quem o quisesse ver, enfiaram as mãos alarves em travessas e pratos, babaram-se e arrotaram como javardos. Deliciados e cegos com a fartura do repasto. O dono da casa, ausente, nem se dignou a fazer-lhes companhia. Má criação. Pura e lamentável má criação.
Agora é vê-los inchados, ainda a esfregar a barriga de satisfação, tal a sofreguidão com que se entregaram ao mata bicho. Que vergonha, olhe para aquelas almas Sr Benfica, ainda esquecidas da miséria recente, das refeições mendigadas garante da sobrevivência, alheias, porque de estômago cheio, às dificuldades que se avizinham. Vá lá pedir-lhes desculpa e ofereça-lhes uma refeição quente, quando a fome lhes voltar a colar as paredes do estômago. Desta vez, aproveite e sente-se à mesa também. Até lá aprenda as boas maneiras.
Pelo contrário, a má criação, é o resultado de uma intenção explícita de educar mal, ou de ser mal criado. E os mal criados irritam-me profundamente.
Não concebo que alguém, no seu juízo perfeito, organize um jantar em casa, prepare a refeição, ponha a mesa, sirva as entradas e os aperitivos, e que, na altura de se sentar com os convidados para a refeição, resolva dizer que afinal não lhe apetece jantar e nem sequer se digne a sentar-se à mesa.
Foi isso mesmo que o Benfica fez no Sábado ao Sporting. Resolveu não jantar e assim que terminou o aperitivo, desapareceu sem dar cavaco (ai Jesus que este nome me faz arrepios). Os convidados, coitados, perante tal cenário, atiraram-se à sopa, ao prato e à sobremesa como se não houvesse amanhã. Chafurdaram no creme de alho francês, raparam as travessas de bacalhau espiritual, e encheram o bandulho de profiterolles. Aguados, comeram de boca aberta, bolo alimentar exposto a quem o quisesse ver, enfiaram as mãos alarves em travessas e pratos, babaram-se e arrotaram como javardos. Deliciados e cegos com a fartura do repasto. O dono da casa, ausente, nem se dignou a fazer-lhes companhia. Má criação. Pura e lamentável má criação.
Agora é vê-los inchados, ainda a esfregar a barriga de satisfação, tal a sofreguidão com que se entregaram ao mata bicho. Que vergonha, olhe para aquelas almas Sr Benfica, ainda esquecidas da miséria recente, das refeições mendigadas garante da sobrevivência, alheias, porque de estômago cheio, às dificuldades que se avizinham. Vá lá pedir-lhes desculpa e ofereça-lhes uma refeição quente, quando a fome lhes voltar a colar as paredes do estômago. Desta vez, aproveite e sente-se à mesa também. Até lá aprenda as boas maneiras.
quinta-feira, janeiro 26, 2006
terça-feira, janeiro 24, 2006
E agora ?
E agora o teu corpo entregou-se, fulminante, ao fim. Preso à máquina que respira por ti, que te mantém o corpo quente.
Agora é que não sei mesmo responder à tua pergunta. Sei lá eu agora, quanto tempo. Agora o tempo só conta, se se invertesse na marcha. Agora só conta o que serás em nós, na tua filha, nos teus netos (não consigo explicar-lhes porquê), no teu príncipe. Ele aguenta-se, que nós não deixamos que seja diferente. O teu sorriso ainda está por revelar dentro da máquina fotográfica. Há-de andar sempre por aqui perto.
Vais-nos fazer tanta falta. Antes de partires tenta explicar a alguém que ainda é muito cedo. Que deve tratar-se de um engano. Não tenhas vergonha. Eu sei que tu não gostas nada destas coisas mas tenta explicar-lhes que é de certeza um lapso.
Agora é que não sei mesmo responder à tua pergunta. Sei lá eu agora, quanto tempo. Agora o tempo só conta, se se invertesse na marcha. Agora só conta o que serás em nós, na tua filha, nos teus netos (não consigo explicar-lhes porquê), no teu príncipe. Ele aguenta-se, que nós não deixamos que seja diferente. O teu sorriso ainda está por revelar dentro da máquina fotográfica. Há-de andar sempre por aqui perto.
Vais-nos fazer tanta falta. Antes de partires tenta explicar a alguém que ainda é muito cedo. Que deve tratar-se de um engano. Não tenhas vergonha. Eu sei que tu não gostas nada destas coisas mas tenta explicar-lhes que é de certeza um lapso.
segunda-feira, janeiro 23, 2006
An(n)us Horribilis
Tendo em conta que os mandatos presidenciais, neste país, são de dez anos, verifico preocupado que, no final da legislatura de Cavaco estarei a aproximar-me perigosamente dos cinquenta anos. Neste contexto, nos dez anos que se seguem, terei que fazer alguns exames à próstata.
O povo diz, e é verdade. Uma desgraça nunca vem só. Além de ter Cavaco como Presidente, vou-me deparar, de quando em vez, com um médico a calçar uma luva de cirurgia, besuntá-la de vaselina a dizer com um ar sarcástico “Então vamos lá ver essa próstata”.
O povo diz, e é verdade. Uma desgraça nunca vem só. Além de ter Cavaco como Presidente, vou-me deparar, de quando em vez, com um médico a calçar uma luva de cirurgia, besuntá-la de vaselina a dizer com um ar sarcástico “Então vamos lá ver essa próstata”.
sexta-feira, janeiro 20, 2006
Mudanças
- Mariiiiaaa
- O que foi Aníbal ?
- Tu estás doida? O que é que são estes caixotes?
- São umas coisinhas que eu separei para levarmos. Os turcos e os tapetes da casa de banho, os resguardos da nossa cama, o serviço Bordalo Pinheiro que a minha mãe nos deu e ...
- E coisa nenhuma Maria. Tu não vês que eles nos dão tudo isso. E o serviço são pratos que parecem couves portuguesas. Achas que vais servir jantares nesse serviço. Toma tino mulher. Nós vamos servir em serviços de porcelana do palácio.
- O serviço da minha Mãe vai Aníbal. O serviço da minha mãe vale menos que um qualquer serviço de porcelana, da companhia dos indíos ou lá o que é isso ? É isso que me estás a dizer Aníbal Cavaco? E os resguardos da cama também. Nós já não vamos para novos e a retenção de líquidos não é propriamente o teu forte. Ai, e também levo o ferro para queimar o leite creme. Aposto que enchem o leite creme com aquele caramelo de frasco.
- Queres saber ? Não me chateies e leva o que quiseres. O que não couber no porta-bagagens do carro não vai.
- Não sejas esquisitinho. Nós vamos no banco de trás. Ainda cabe muita coisa aos nossos pés e ao lado do motorista. Estava aqui a pensar se levo o tapete de entrada...
- Eu vou telefonar ao STAPE, para eles contarem os votos outra vez. Está-me cá a apetecer uma segunda volta antes que isto dê para o torto.
- O que foi Aníbal ?
- Tu estás doida? O que é que são estes caixotes?
- São umas coisinhas que eu separei para levarmos. Os turcos e os tapetes da casa de banho, os resguardos da nossa cama, o serviço Bordalo Pinheiro que a minha mãe nos deu e ...
- E coisa nenhuma Maria. Tu não vês que eles nos dão tudo isso. E o serviço são pratos que parecem couves portuguesas. Achas que vais servir jantares nesse serviço. Toma tino mulher. Nós vamos servir em serviços de porcelana do palácio.
- O serviço da minha Mãe vai Aníbal. O serviço da minha mãe vale menos que um qualquer serviço de porcelana, da companhia dos indíos ou lá o que é isso ? É isso que me estás a dizer Aníbal Cavaco? E os resguardos da cama também. Nós já não vamos para novos e a retenção de líquidos não é propriamente o teu forte. Ai, e também levo o ferro para queimar o leite creme. Aposto que enchem o leite creme com aquele caramelo de frasco.
- Queres saber ? Não me chateies e leva o que quiseres. O que não couber no porta-bagagens do carro não vai.
- Não sejas esquisitinho. Nós vamos no banco de trás. Ainda cabe muita coisa aos nossos pés e ao lado do motorista. Estava aqui a pensar se levo o tapete de entrada...
- Eu vou telefonar ao STAPE, para eles contarem os votos outra vez. Está-me cá a apetecer uma segunda volta antes que isto dê para o torto.
quinta-feira, janeiro 19, 2006
Socorro
- Pai. O que é um homonossexual?
- Não sei.
- E um honossexual.
- Também não sei. Só sei o que é um homossexual.
- Isso também sei. É um Gay. Mas o João Silva diz homonossexual.
- Um homossexual é uma pessoa que gosta de pessoas do mesmo sexo. Um homem que gosta de homens ou uma mulher que gosta de mulheres.
- Uma mulher que gosta de mulheres é uma lésbica pai.
- Mas também é homossexual.
- Não não. Os homossexuais gostam de homens. A mãe gosta de homens. Portanto é homossexual.
- A mãe não é homossexual. É heterossexual porque gosta de pessoas do sexo oposto. Os homossexuais gostam de pessoas do mesmo sexo.
- Mas se gosta de homens, é homossexual.
- João vai já lavar os dentes que se está a fazer tarde. ANNNNNAAAAAAAAAAAA. Dás-me aqui uma ajuda se faz favor. Eu ainda não tenho maturidade para ter certas conversas, e o teu filho tem aqui umas dúvidas que precisa de esclarecer contigo.
quarta-feira, janeiro 18, 2006
Detector de Mentiras
Depois de questionado sobre as declarações de Santa Lopes, Cavaco fez esta expressão.

De seguida respondeu que desconhecia o conteudo das mesmas.
Cavaco sofre de uma terrível doença de alergia à aldrabice. Quando começa a pensar em aldrabar, o maxilar inferior precipita-se abruptamente na direcção oposta à do crâneo e as sobrancelhas tentam acompanhá-lo.
Sempre que virem o futuro presidente nesta figura, esqueçam o conteúdo das frases subsequentes. É tanga.
Os meus agradecimentos ao espreitador onde consegui a imagem que tenho procurado incansavelmente.

De seguida respondeu que desconhecia o conteudo das mesmas.
Cavaco sofre de uma terrível doença de alergia à aldrabice. Quando começa a pensar em aldrabar, o maxilar inferior precipita-se abruptamente na direcção oposta à do crâneo e as sobrancelhas tentam acompanhá-lo.
Sempre que virem o futuro presidente nesta figura, esqueçam o conteúdo das frases subsequentes. É tanga.
Os meus agradecimentos ao espreitador onde consegui a imagem que tenho procurado incansavelmente.
O meu nome é Magno ...
... Carlos Magno. Este homem não tem opinião sobre os assuntos, tem uma colecção de registos e de frases que vai disponibilizando de forma aleatória, informando sempre a sua origem, não sem antes desafiar os seus interlocutores a descobrir a autoria das pérolas que vai citando.
Quando arrisca a formular algo parecido com uma opinião, produz pérolas como:
“A direita não tem candidato. Cavaco Silva está mais à esquerda que muitos dos candidatos que se reclamam de esquerda.”
Olha se tivesse ....
Quando arrisca a formular algo parecido com uma opinião, produz pérolas como:
“A direita não tem candidato. Cavaco Silva está mais à esquerda que muitos dos candidatos que se reclamam de esquerda.”
Olha se tivesse ....
A santíssima trindade
Apresento-vos um milagre, só possível ao homem que nunca se engana e raramente tem dúvidas. Porto, Sporting e Benfica reunidos em harmonia numa só pessoa.
Cavaco consegue reunir as qualidades dos três grandes. Possui a humildade de Pinto da Costa, a lucidez de Dias da Cunha e a cultura de Luis Filipe Vieira.
Cavaco consegue reunir as qualidades dos três grandes. Possui a humildade de Pinto da Costa, a lucidez de Dias da Cunha e a cultura de Luis Filipe Vieira.
terça-feira, janeiro 17, 2006
Count Down
Já falta menos de um mês para o dia dos namorados e a Blogotinha ainda não se começou a agitar.
Algo de estranho se passa na blogosfera.
Este ano o dia dos namorados é uma semana antes do Benfica - Liverpool. Era só uma ideia ... sempre podes argumentar que tentaste arrajar bilhete, mas já estavam esgotados.
Algo de estranho se passa na blogosfera.
Este ano o dia dos namorados é uma semana antes do Benfica - Liverpool. Era só uma ideia ... sempre podes argumentar que tentaste arrajar bilhete, mas já estavam esgotados.
Ikealândia
segunda-feira, janeiro 16, 2006
Descoberta
O que é que me une à Ana da Meia Volta?
As nossas gajas têm uma Bimby e parecem felizes com esse facto. Entenda-se "gaja", como uma expressão carinhosa.
As nossas gajas têm uma Bimby e parecem felizes com esse facto. Entenda-se "gaja", como uma expressão carinhosa.
Passatempo
Relacione as seguintes realidades com os seus protagonistas:
Realidades:
(a) Cantar em campanha a Grândola Vila Morena
(b) Encher o Pavilhão Atlântico
(c) Propor um debate a seis
(d) Homenagear Álvaro Cunhal
(e) Atacar a candidatura de Cavaco
(f) Recusar um debate a seis
(g) Ocupar o 3º Lugar nas Sondagens
(h) Defender um ambiente de harmonia Governo / PR
(i) Acusar a Comunicação Social de parcialidade
(j) Não apoiar Soares no caso deste passar à segunda volta
(k) Aceitar um debate a seis
(l) Declarar que a sua campanha é financiada por particulares
(m) Criticar o governo
(n) Recear a criação de um ambiente de guerrilha institucional
(o) Homenagear Sousa Franco
Protagonistas:
1. Manuel Alegre
2. Garcia Pereira
3. Jerónimo Sousa
4. Mário Soares
5. Aníbal Cavaco Silva
6. Francisco Louçã
7. Santana Lopes (não é candidato mas faz parte das soluções)
E eu a achar que esta campanha não traria grandes novidades. Na realidade está a produzir mais milagres que a Nossa Senhora de Fátima.
Por mim, ficávamos nisto mais uns mesitos. Talvez pudéssemos assistir a Cavaco em comício animado em Beja, de cravo vermelho ao peito e punho erguido, a cantar o “Avante Camarada”, com a Maria ao lado, a trajar de ceifeira do Alentejo.
Realidades:
(a) Cantar em campanha a Grândola Vila Morena
(b) Encher o Pavilhão Atlântico
(c) Propor um debate a seis
(d) Homenagear Álvaro Cunhal
(e) Atacar a candidatura de Cavaco
(f) Recusar um debate a seis
(g) Ocupar o 3º Lugar nas Sondagens
(h) Defender um ambiente de harmonia Governo / PR
(i) Acusar a Comunicação Social de parcialidade
(j) Não apoiar Soares no caso deste passar à segunda volta
(k) Aceitar um debate a seis
(l) Declarar que a sua campanha é financiada por particulares
(m) Criticar o governo
(n) Recear a criação de um ambiente de guerrilha institucional
(o) Homenagear Sousa Franco
Protagonistas:
1. Manuel Alegre
2. Garcia Pereira
3. Jerónimo Sousa
4. Mário Soares
5. Aníbal Cavaco Silva
6. Francisco Louçã
7. Santana Lopes (não é candidato mas faz parte das soluções)
E eu a achar que esta campanha não traria grandes novidades. Na realidade está a produzir mais milagres que a Nossa Senhora de Fátima.
Por mim, ficávamos nisto mais uns mesitos. Talvez pudéssemos assistir a Cavaco em comício animado em Beja, de cravo vermelho ao peito e punho erguido, a cantar o “Avante Camarada”, com a Maria ao lado, a trajar de ceifeira do Alentejo.
domingo, janeiro 15, 2006
Lacuna
Não tenho qualquer explicação para este facto, mas o Manel não passou pela idade dos porquês. Normalmente já tem uma teoria que sustenta as suas dúvidas.
Ontem, a passar por uma pedinte que estendia um copo de plástico a quem passava, perguntou-me.
"Pai, aquela senhora quer que lhe encham o copo com mais Coca-Cola, não é?"
"É sim Manel."
Ontem, a passar por uma pedinte que estendia um copo de plástico a quem passava, perguntou-me.
"Pai, aquela senhora quer que lhe encham o copo com mais Coca-Cola, não é?"
"É sim Manel."
sexta-feira, janeiro 13, 2006
Desta vez ...
... ajam em conformidade.
Cinco números: 14 18 24 28 50
Duas estrelas: 2 7
Encontramo-nos nos Alpes Suiços.
Cinco números: 14 18 24 28 50
Duas estrelas: 2 7
Encontramo-nos nos Alpes Suiços.
quinta-feira, janeiro 12, 2006
Estamos na Europa Civilizada ...
Agora que é proibida a utilização de galheteiros na restauração, estando todo o estabelecimento obrigado a recorrer a saquetas individuais ou a garrafas de azeite invioláveis (alguém me há-de explicar esta questão), o que fazer se sairmos de casa com os azeites ?
Entregamo-nos na esquadra mais próxima, à DECO, ou a algum Ministério específico ?
Entregamo-nos na esquadra mais próxima, à DECO, ou a algum Ministério específico ?
Jardim Escola de Alvalade
A professora do 4º Ano da escola dos Marias foi convidada a dirigir uma outra escola da mesma Instituição. Resultado, os finalistas da escola de Alvalade vêem-se a braços com uma espécie de orfandade pedagógica no início do 2º período, e preparam-se para ser conduzidos por uma nova piloto nos restantes dois terços do ano lectivo.
Os pais destas crianças têm vindo a organizar algumas iniciativas, entre as quais a criação de um blog, para desabafos, opiniões, insultos, e exclamações. Enfim, o tal direito à indignação do qual só nos lembramos muito a espaços.
Aqui fica o link, que isto da blogosfera é também solidariedade nalgumas causas.
quarta-feira, janeiro 11, 2006
Maria Rita Mariano
Desta vez levámos o João Maria. Cliente habitual das canções nas viagens até à escola. Acha graça e cantaroleia
“(...)
Nem toda a feiticeira é corcunda
Nem toda a brasileira é bunda
Meu bem
tu não é de silicone
sou mais macho que muito homem”
Os olhos e a voz da morena bonita encheram a sala preferida, aqueceram e espantaram frios de inverno. Não sobrou espaço para tanto som, para tanta alma. A graça e a raça, a força e a manha de uma Maria. Não de uma qualquer Maria. Maria Rita. Plena e entregue e vice e versa. Sobre todas as coisas, Santa chuva, Todo carnaval tem seu fim, Recado. Memoráveis. Conversas, cumplicidades, gozo e provocações ao público. Enorme esta mulher.
“Melhor ainda é poder voltar quando quero”. Volta depressa, filha da Mãe.
“(...)
Nem toda a feiticeira é corcunda
Nem toda a brasileira é bunda
Meu bem
tu não é de silicone
sou mais macho que muito homem”
Os olhos e a voz da morena bonita encheram a sala preferida, aqueceram e espantaram frios de inverno. Não sobrou espaço para tanto som, para tanta alma. A graça e a raça, a força e a manha de uma Maria. Não de uma qualquer Maria. Maria Rita. Plena e entregue e vice e versa. Sobre todas as coisas, Santa chuva, Todo carnaval tem seu fim, Recado. Memoráveis. Conversas, cumplicidades, gozo e provocações ao público. Enorme esta mulher.
“Melhor ainda é poder voltar quando quero”. Volta depressa, filha da Mãe.
terça-feira, janeiro 10, 2006
Longo Prazo
Segundo a douta opinião do actual ministro das finanças, dentro de 10 anos não haverá dinheiro na Segurança Social para pagar as reformas.
Então o homem agora preocupa-se com uma coisa que vai acontecer daqui a dez anos ? Olhe lá senhor, daqui a dez anos já o governo conseguiu reduzir o défice para valores insignificantes, o choque tecnológico já fez efeito e todos trabalhamos em empresas modernas e competitivas, já temos a Ota e o TGV, a oferta de emprego é maior que a procura, a inflação é negativa, as pessoas manifestam-se na rua contra a redução dos impostos, a gasolina é energia fora de moda, andamos todos em viaturas movidas a água e todos temos um moinho de vento na varanda capaz de gerar energia para a nossa casa e para a casa do vizinho, vendemos electricidade para a europa e para o estados unidos, a investigação em portugal já é mais conceituada que a de qualquer outro país, os sindicatos revoltam-se contra o exagero do 28º mês e contra os aumentos sistematicamente a quadriplicar o valor da inflacção, a educação dos nossos filhos é um exemplo para todo o mundo, a polícia anda sem nada para fazer porque o crime foi completamente irradicado e portanto anda a ajudar a atravessar velhinhas, a regar os jardins públicos, e a mostrar o país aos estrangeiros, os tribunais resolvem os processos da manhã para a tarde, e ninguém tem vontade sequer de pensar em se reformar.
O senhor esqueceu-se que o nosso próximo presidente é o José Mourinho da política, e que daqui a dez anos está a concluir o seu segundo mandato ? Deixe-se de disparates e ponha-se a trabalhar, senão voçê é o único que não vai ter reforma. Nessa altura, quem disser disparates desse calibre, é imediatamnente enviado para o hospício.
É tolo o homem.
Então o homem agora preocupa-se com uma coisa que vai acontecer daqui a dez anos ? Olhe lá senhor, daqui a dez anos já o governo conseguiu reduzir o défice para valores insignificantes, o choque tecnológico já fez efeito e todos trabalhamos em empresas modernas e competitivas, já temos a Ota e o TGV, a oferta de emprego é maior que a procura, a inflação é negativa, as pessoas manifestam-se na rua contra a redução dos impostos, a gasolina é energia fora de moda, andamos todos em viaturas movidas a água e todos temos um moinho de vento na varanda capaz de gerar energia para a nossa casa e para a casa do vizinho, vendemos electricidade para a europa e para o estados unidos, a investigação em portugal já é mais conceituada que a de qualquer outro país, os sindicatos revoltam-se contra o exagero do 28º mês e contra os aumentos sistematicamente a quadriplicar o valor da inflacção, a educação dos nossos filhos é um exemplo para todo o mundo, a polícia anda sem nada para fazer porque o crime foi completamente irradicado e portanto anda a ajudar a atravessar velhinhas, a regar os jardins públicos, e a mostrar o país aos estrangeiros, os tribunais resolvem os processos da manhã para a tarde, e ninguém tem vontade sequer de pensar em se reformar.
O senhor esqueceu-se que o nosso próximo presidente é o José Mourinho da política, e que daqui a dez anos está a concluir o seu segundo mandato ? Deixe-se de disparates e ponha-se a trabalhar, senão voçê é o único que não vai ter reforma. Nessa altura, quem disser disparates desse calibre, é imediatamnente enviado para o hospício.
É tolo o homem.
segunda-feira, janeiro 09, 2006
O Restaurante no Fim do Universo (*)
... parece-me ter sido o cenário escolhido para o jantar de ontem. No início nada fazia prever que aquele restaurante fosse sofrendo mutações ao longo do jantar, mas na realidade, acabei por sair de um restaurante que nada tinha a ver com aquele onde tinha entrado.
Em princípio não seria mais que um dos restaurantes da moda em Lisboa. Quando entrámos, por volta das 21:30, havia casais com crianças e famílias a saborearem a refeição. Sentámo-nos na mesa redonda e fomos tratanto das escolhas e de colocar conversas em dia. O primeiro sinal, que nunca relacionei com a mutação, vinha da lareira que estava com tremenda dificuldade em escoar o fumo. Volta não volta a sala era invadida por uma espessa nuvem de fumo, capaz de camuflar todas as alterações que ocorriam à nossa volta.
Quando demos por nós as crianças e as famílias tinham sido eliminadas. Agora as mesas eram ocupadas por grupos de seres tendencialmente vestidos de preto e quase todos pareciam perder bastante tempo a arranjar as sobrancelhas. Foi então que nos lembrámos que a dada altura, a música tinha estado muito alta ao ponto de ser difícil manter a conversa na nossa mesa. A haver algum ataque teria sido nessa altura. Os empregados que inicialmente nos atenderam foram dizimados e substituidos por outros exactamente iguais, mas que comunicavam entre si através de sons iguais a beijos repenicados.
Há quem defenda que o som do beijo repenicado, é dos que melhor se ouve, em ambientes ruidosos. Esta teoria chegou à nossa mesa durante a sobremesa, e desatámos a emitir sons de beijos repenicados, o que deixou os empregados em completo reboliço. Sem qualquer intenção, tínhamos pedido uma dose de morcela com grelos e outra de bacalhau à zé do pipo e estes pratos estavam longe de pertencer à ementa e à linha editorial do restaurante. Empregados e cozinheiros não sabiam o que fazer e caos tinha-se instalado.
No meio desta confusão, alguém da nossa mesa comentou o facto, que naquele restaurante, acabava sempre por aparecer alguém conhecido. Foi aí que olhámos em volta e já havia sósias do Herman José e do Paulo Portas espalhados por tudo o que era mesa. Não demorou um minuto até surgirem pessoas que conhecíamos do nosso local de trabalho e que nos comprimentavam efusivamente. Por fim apareceram jornalistas de televisões privadas.
Não havia tempo a perder, tínhamos que sair dali e depressa, antes que já não estivessemos na nossa galáxia ou, pior que tudo, antes da previsível chegada das drag queens. O fumo da lareira, que não parava de invadir a sala, acabou por nos ajudar na fuga. Ainda estávamos na Via Látea e melhor ainda, ainda estávamos no sistema solar.
O regresso foi tranquilo. Uma paragem num bar para um gin tónico e conseguir recuperar alguma tranquilidade.
Se estiverem num restaurante, e se num repente, a música ficar muito alta e muito diferente, estão perante um de dois cenários.
1º Cenário: Foi parar a um restaurante com Karaoke e teve o tremendo azar de marcar jantar para o mesmo dia do Jantar de Natal dos patinadores do feira nova. Uma das patinadoras resolveu cantar "Quando cai a noite na cidade" ou "Fado".
2º Cenário: Encontra-se num restuarante mutante. Mantenha a calma e saia depressa para o bar mais próximo. Evite sentar-se nas mesas do bar, mais vale deitar-se numa qualquer cama que encontre por lá.
(*) este é o título do segundo de quatro volumes da triologia de Douglas Adams - "O Guia Galáctico do Pendura"
Em princípio não seria mais que um dos restaurantes da moda em Lisboa. Quando entrámos, por volta das 21:30, havia casais com crianças e famílias a saborearem a refeição. Sentámo-nos na mesa redonda e fomos tratanto das escolhas e de colocar conversas em dia. O primeiro sinal, que nunca relacionei com a mutação, vinha da lareira que estava com tremenda dificuldade em escoar o fumo. Volta não volta a sala era invadida por uma espessa nuvem de fumo, capaz de camuflar todas as alterações que ocorriam à nossa volta.
Quando demos por nós as crianças e as famílias tinham sido eliminadas. Agora as mesas eram ocupadas por grupos de seres tendencialmente vestidos de preto e quase todos pareciam perder bastante tempo a arranjar as sobrancelhas. Foi então que nos lembrámos que a dada altura, a música tinha estado muito alta ao ponto de ser difícil manter a conversa na nossa mesa. A haver algum ataque teria sido nessa altura. Os empregados que inicialmente nos atenderam foram dizimados e substituidos por outros exactamente iguais, mas que comunicavam entre si através de sons iguais a beijos repenicados.
Há quem defenda que o som do beijo repenicado, é dos que melhor se ouve, em ambientes ruidosos. Esta teoria chegou à nossa mesa durante a sobremesa, e desatámos a emitir sons de beijos repenicados, o que deixou os empregados em completo reboliço. Sem qualquer intenção, tínhamos pedido uma dose de morcela com grelos e outra de bacalhau à zé do pipo e estes pratos estavam longe de pertencer à ementa e à linha editorial do restaurante. Empregados e cozinheiros não sabiam o que fazer e caos tinha-se instalado.
No meio desta confusão, alguém da nossa mesa comentou o facto, que naquele restaurante, acabava sempre por aparecer alguém conhecido. Foi aí que olhámos em volta e já havia sósias do Herman José e do Paulo Portas espalhados por tudo o que era mesa. Não demorou um minuto até surgirem pessoas que conhecíamos do nosso local de trabalho e que nos comprimentavam efusivamente. Por fim apareceram jornalistas de televisões privadas.
Não havia tempo a perder, tínhamos que sair dali e depressa, antes que já não estivessemos na nossa galáxia ou, pior que tudo, antes da previsível chegada das drag queens. O fumo da lareira, que não parava de invadir a sala, acabou por nos ajudar na fuga. Ainda estávamos na Via Látea e melhor ainda, ainda estávamos no sistema solar.
O regresso foi tranquilo. Uma paragem num bar para um gin tónico e conseguir recuperar alguma tranquilidade.
Se estiverem num restaurante, e se num repente, a música ficar muito alta e muito diferente, estão perante um de dois cenários.
1º Cenário: Foi parar a um restaurante com Karaoke e teve o tremendo azar de marcar jantar para o mesmo dia do Jantar de Natal dos patinadores do feira nova. Uma das patinadoras resolveu cantar "Quando cai a noite na cidade" ou "Fado".
2º Cenário: Encontra-se num restuarante mutante. Mantenha a calma e saia depressa para o bar mais próximo. Evite sentar-se nas mesas do bar, mais vale deitar-se numa qualquer cama que encontre por lá.
(*) este é o título do segundo de quatro volumes da triologia de Douglas Adams - "O Guia Galáctico do Pendura"
Não me agradeçam
... conforme podem verificar no post anterior, a chave fornecida acabou por sair. A Caixa de Costura ainda tem menos leitores do que eu imaginava dado que, por incrível que pareça, não há nenhum apostador totalista.
Também eu acabei por apostar noutra chave, porque o projecto da estância de esqui na serra dos candeeiros era demasiado ambicioso, e não se prestava a divisões de prémios.
Fica então tudo adiado uma semanita.
Também eu acabei por apostar noutra chave, porque o projecto da estância de esqui na serra dos candeeiros era demasiado ambicioso, e não se prestava a divisões de prémios.
Fica então tudo adiado uma semanita.
sexta-feira, janeiro 06, 2006
Excêntricos
Lá marquei cinco números e duas estrelas. Eu e Portugal inteiro a braços com esta possibilidade de alargar os horizontes materiais.
Tratando-se de tanto dinheiro e uma vez que a Caixa de Costura, não tem assim tantos leitores (uma aposta clara na qualidade), resolvi partilhar a chave que vai sair logo à noite, para que todos possamos melhorar um pouco as nossas vidas. Ora então cá vai:
Números: 2 6 9 14 26
Estrelas: 4 e 5
A propósito destes desvarios, deixei o João sem respirar quando lhe disse que se ganhássemos o Euro Milhões podíamos fazer a próxima festa de anos na Euro Disney e convidar todos os meninos da escola.
Nota: A Caixa de Costura não se responsabiliza pelo eventual desvio das bolas do sorteio em relação à linha editorial deste artigo.
Tratando-se de tanto dinheiro e uma vez que a Caixa de Costura, não tem assim tantos leitores (uma aposta clara na qualidade), resolvi partilhar a chave que vai sair logo à noite, para que todos possamos melhorar um pouco as nossas vidas. Ora então cá vai:
Números: 2 6 9 14 26
Estrelas: 4 e 5
A propósito destes desvarios, deixei o João sem respirar quando lhe disse que se ganhássemos o Euro Milhões podíamos fazer a próxima festa de anos na Euro Disney e convidar todos os meninos da escola.
Nota: A Caixa de Costura não se responsabiliza pelo eventual desvio das bolas do sorteio em relação à linha editorial deste artigo.
terça-feira, janeiro 03, 2006
A Nova República
Meus senhores. De uma vez por todas, vejam se entendem, o Presidente da República não é o timoneiro deste navio. Na realidade não se trata de um navio, antes uma embarcação que na maioria das vezes está submersa e que raras vezes se digna a flutuar. Se Portugal fosse um navio, a sua história era mais triste que a do Titanic. Um passado distante cheio de glória, actualmente um trambolho dentro de água, com tiques de novo riquismo à tona. A saber, quem nos visse à superfície ia encontrar a mais alta árvore de natal da Europa, o maior centro comercial da Península Ibérica, e os estádios do Euro 2004. Símbolos da nossa tendência para ser os melhores na categorias das “coisas que não servem rigorosamente para nada”.
Dizia eu, que o PR não determina o rumo desta embarcação. A ser alguma coisa o PR será figura de proa. Adorna a embarcação e leva nas trombas com as águas agitadas pelas quais vamos navegando. Faz tudo isto com cara alegre e sem mudar de expressão.
Se na parte de não mudar a expressão Cavaco é imbatível, já na cara alegre, poucos haverá piores que ele. Talvez o General Eanes lhe faça alguma concorrência neste ponto, mas sejamos francos, foi uma década bem sisuda. Nesses tempos, as poucas alegrias vindas de Belém eram todas asseguradas pela performance da Manuela nas aparições públicas. Mas nem sobre a primeira dama devemos acalentar grandes esperanças. A Maria é menos espampanante e será com certeza, mais discreta. O que nos resta então? Uma figura de proa que não conhece nada a menos de rácios e indicadores financeiros, que confunde cultura com o Filipe la Féria e que acha que, no fundo, o Bush é um gajo porreiro.
A solução, meus caros, está na Endemol. Ponham a Endemol a produzir estas eleições e o resultado será com certeza outro. Primeiro de tudo, isolavam os candidatos do mundo, juntavam-nos na mesma casa e transmitiam-nos um resumo de uma horita sobre os acontecimentos do dia anterior. Transformavam os tempos de antena, em idas a um qualquer confessionário, para desabafarem com a Júlia Pinheiro e com a Constança Cunha e Sá. Aí confessariam as suas angústias, os seus amores e desamores. Podiam-lhes arranjar provas a superar. A preparação de uma recepção a uma comitiva Chinesa, a comemoração do Vinte e Cinco de Abril, o discurso de Ano Novo, uma audiência com um Primeiro Ministro corrupto, a recepção da notícia da tomada da Madeira pelos espanhóis e a necessária conversa com o Alberto João.
Posto isto e perante o sucesso televisivo, haveria que garantir uma segunda volta. Use-se então a receita do costume. As pessoas votavam naqueles que queriam ver eliminados e não nos que quisessem eleger. Cavaco por ser o inimigo de todos os outros, Soares por ser o inimigo do Cavaco, Alegre por ser o inimigo do PS e Louçã por ser o inimigo do PCP estavam decididamente condenados a ficar pelo caminho. Resultado: a finalíssima era disputada entre Jerónimo de Sousa (no final de contas, foi quem melhor recebeu os Chineses) e Garcia Pereira (está sempre a refilar e a atacar o Moniz mas no fundo é a alma do programa). O fim destas eleições seria com certeza uma surpresa para todos nós e para o mundo. Seríamos notícia de abertura em todas as cadeias televisivas internacionais. Não pela maior árvore de natal, ou pelo imenso centro comercial, ou pelos incêndios de verão, mas pela descoberta de um sistema claramente melhor que a democracia, que não o sendo, parece ser fiel aos seus princípios. Viva a Endemol. Viva Portugal.
Dizia eu, que o PR não determina o rumo desta embarcação. A ser alguma coisa o PR será figura de proa. Adorna a embarcação e leva nas trombas com as águas agitadas pelas quais vamos navegando. Faz tudo isto com cara alegre e sem mudar de expressão.
Se na parte de não mudar a expressão Cavaco é imbatível, já na cara alegre, poucos haverá piores que ele. Talvez o General Eanes lhe faça alguma concorrência neste ponto, mas sejamos francos, foi uma década bem sisuda. Nesses tempos, as poucas alegrias vindas de Belém eram todas asseguradas pela performance da Manuela nas aparições públicas. Mas nem sobre a primeira dama devemos acalentar grandes esperanças. A Maria é menos espampanante e será com certeza, mais discreta. O que nos resta então? Uma figura de proa que não conhece nada a menos de rácios e indicadores financeiros, que confunde cultura com o Filipe la Féria e que acha que, no fundo, o Bush é um gajo porreiro.
A solução, meus caros, está na Endemol. Ponham a Endemol a produzir estas eleições e o resultado será com certeza outro. Primeiro de tudo, isolavam os candidatos do mundo, juntavam-nos na mesma casa e transmitiam-nos um resumo de uma horita sobre os acontecimentos do dia anterior. Transformavam os tempos de antena, em idas a um qualquer confessionário, para desabafarem com a Júlia Pinheiro e com a Constança Cunha e Sá. Aí confessariam as suas angústias, os seus amores e desamores. Podiam-lhes arranjar provas a superar. A preparação de uma recepção a uma comitiva Chinesa, a comemoração do Vinte e Cinco de Abril, o discurso de Ano Novo, uma audiência com um Primeiro Ministro corrupto, a recepção da notícia da tomada da Madeira pelos espanhóis e a necessária conversa com o Alberto João.
Posto isto e perante o sucesso televisivo, haveria que garantir uma segunda volta. Use-se então a receita do costume. As pessoas votavam naqueles que queriam ver eliminados e não nos que quisessem eleger. Cavaco por ser o inimigo de todos os outros, Soares por ser o inimigo do Cavaco, Alegre por ser o inimigo do PS e Louçã por ser o inimigo do PCP estavam decididamente condenados a ficar pelo caminho. Resultado: a finalíssima era disputada entre Jerónimo de Sousa (no final de contas, foi quem melhor recebeu os Chineses) e Garcia Pereira (está sempre a refilar e a atacar o Moniz mas no fundo é a alma do programa). O fim destas eleições seria com certeza uma surpresa para todos nós e para o mundo. Seríamos notícia de abertura em todas as cadeias televisivas internacionais. Não pela maior árvore de natal, ou pelo imenso centro comercial, ou pelos incêndios de verão, mas pela descoberta de um sistema claramente melhor que a democracia, que não o sendo, parece ser fiel aos seus princípios. Viva a Endemol. Viva Portugal.
sexta-feira, dezembro 30, 2005
Matemática
Não sei porquê, mas o Mário Soares faz-me lembrar o meu professor de Matemática do 8º ano. Talvez porque era uma raposa velha de bochechas. Sim, acho que é por isso.
Há professores que não se esquecem. Por boas ou más razões, acaba por haver professores que nos marcam, e aqueles que nos esquecemos provavelmente não foram felizes na escolha da sua profissão. Agora que digo isto, descubro que não me lembro da professora de matemática do 9º ano. Estranho. Lembro-me de todos os outros, mas a do 9º não estou a ver quem era.
Sobre este professor do 8º ano ainda não percebi se não o esqueço por boas ou por más razões. O senhor era autoritário mas acabava por ter um ar simpático.
Eu nunca tive problemas com esta disciplina e nada fazia crer que alguma vez viesse a ter. Tudo se alterou na entrega dos primeiros testes. Um imenso balde de água fria. Chegou à sala, tirou os pontos corrigidos da mala de pele, e anunciou quase divertido:
"18 alunos tiveram 0 e dos restantes as melhores notas foram do Gonçalo e do André. Tiveram 40 %"
Eu e o meu primo Gonçalo olhámos um para o outro e encolhemos os ombros, atónitos com a notícia. Durante o resto do ano, nunca tive um ponto com positiva e o Gonçalo teve um 50%. Na outra turma, era o Nuno Galopim quem arrancava as melhores notas, mas raras foram as positivas.
A matéria do 8º ano incluía, entre muitas coisas, o algoritmo para achar a raiz quadrada de um número, e a resolução de problemas com duas equações e duas incógnitas. Nos testes, os números para calcular a raiz quadrada tinham uma dezena de dígitos, e os problemas aproximavam-se do impossível. Nunca me esqueci deste, que ainda hoje não acho ser de resolução imediata:
"Um automóvel viaja a velocidade constante e passa por um marco de estrada com dois algarismos. Meia hora depois encontra outro marco com os mesmos algarismos, mas na ordem inversa. Meia hora depois encontra um terceiro marco com os algarismos iniciais separados por um zero. Calcule a velocidade do automóvel e os algarismos dos marcos."
Durante o ano, os encarregados de educação faziam fila para falar com o director de turma sobre o professor de matemática e os seus métodos de avaliação. A velha raposa passou ao lado de tudo isso e nunca alterou a sua postura.
A verdade é que, no final do ano, o essencial estava feito. A matéria dada foi claramente apreendida pelos alunos, e não me parece que alguém tenha deixado ficar o seu gosto pela matemática no caminho do 8º ano.
Estupor do velho. Dava-me sempre 4 no fim do período, mas nunca lhe consegui arrancar uma positiva num teste.
Há professores que não se esquecem. Por boas ou más razões, acaba por haver professores que nos marcam, e aqueles que nos esquecemos provavelmente não foram felizes na escolha da sua profissão. Agora que digo isto, descubro que não me lembro da professora de matemática do 9º ano. Estranho. Lembro-me de todos os outros, mas a do 9º não estou a ver quem era.
Sobre este professor do 8º ano ainda não percebi se não o esqueço por boas ou por más razões. O senhor era autoritário mas acabava por ter um ar simpático.
Eu nunca tive problemas com esta disciplina e nada fazia crer que alguma vez viesse a ter. Tudo se alterou na entrega dos primeiros testes. Um imenso balde de água fria. Chegou à sala, tirou os pontos corrigidos da mala de pele, e anunciou quase divertido:
"18 alunos tiveram 0 e dos restantes as melhores notas foram do Gonçalo e do André. Tiveram 40 %"
Eu e o meu primo Gonçalo olhámos um para o outro e encolhemos os ombros, atónitos com a notícia. Durante o resto do ano, nunca tive um ponto com positiva e o Gonçalo teve um 50%. Na outra turma, era o Nuno Galopim quem arrancava as melhores notas, mas raras foram as positivas.
A matéria do 8º ano incluía, entre muitas coisas, o algoritmo para achar a raiz quadrada de um número, e a resolução de problemas com duas equações e duas incógnitas. Nos testes, os números para calcular a raiz quadrada tinham uma dezena de dígitos, e os problemas aproximavam-se do impossível. Nunca me esqueci deste, que ainda hoje não acho ser de resolução imediata:
"Um automóvel viaja a velocidade constante e passa por um marco de estrada com dois algarismos. Meia hora depois encontra outro marco com os mesmos algarismos, mas na ordem inversa. Meia hora depois encontra um terceiro marco com os algarismos iniciais separados por um zero. Calcule a velocidade do automóvel e os algarismos dos marcos."
Durante o ano, os encarregados de educação faziam fila para falar com o director de turma sobre o professor de matemática e os seus métodos de avaliação. A velha raposa passou ao lado de tudo isso e nunca alterou a sua postura.
A verdade é que, no final do ano, o essencial estava feito. A matéria dada foi claramente apreendida pelos alunos, e não me parece que alguém tenha deixado ficar o seu gosto pela matemática no caminho do 8º ano.
Estupor do velho. Dava-me sempre 4 no fim do período, mas nunca lhe consegui arrancar uma positiva num teste.
sexta-feira, dezembro 23, 2005
quinta-feira, dezembro 22, 2005
Carta Aberta aos Marias
Marias:
Como sabem, e na sequência dos acontecimentos do ano passado, em que o António, no dia 24 à noite, resolveu desenvolver uma infecção no aparelho urinário, este é potencialmente o primeiro Natal a cinco lá em casa. É precisamente para garantir esta cardinalidade que vos escrevo este pequeno conjunto de restrições adicionais.
1º O senhor António Maria, que anda a experimentar os primeiros passos, deve evitar as mesas com arestas vivas. Pelo sim pelo não a partir da meia noite de hoje é obrigatório o uso do capacete de bicicleta do Mickey que está no carro da mãe.
2º O senhor António Maria está proibido de fazer a ronda matinal à cata dos restos de comida inadvertidamente abandonados pelos seus irmãos no jantar da véspera debaixo da mesa da cozinha. Perante a inexistência de restos, não deve desatar a guinchar ou tentar comer as pastilhas de detergente da SUN. Se guinchar arrisca-se a levar uma biqueirada que já ninguém tem paciência para o ouvir. Se comer as pastilhas vai ser obrigado a engolir a loiça de duas refeições e arranjar uma forma dela sair toda seca e a brilhar. Não sei se sabe mas o detergente para a máquina é muito dispendioso.
3º Os senhores João Maria e Manel Maria estão rigorosamente proibidos de deixar cair comida durante todas as refeições.
4º O senhor Manel Maria não pode atirar objectos contundentes à cabeça do seu irmão mais velho. Além de se arriscar a levar um sopapo, pode abrir-lhe um lenho no crânio o que contraria as intenções do Natal a cinco.
5º O senhor Manel Maria deve evitar espalhar os vário bólides pela casa. Qualquer um está sujeito a pôr-lhes um pé em cima e partir uma perna ou um braço.
6º O senhor João Maria está impedido de manusear tesouras, furadores e agrafadores durante estes dias. Por muito que as suas actividades escolares o permita, o senhor insiste em não os arrumar e já de deu o caso de quase se agrafar.
7º A PSP que existe lá em casa é para uso exclusivo do pai. Devem todos os restantes elementos do agregado, assegurar uma distância mínima de cinco metros da mesma. O manuseamento, por parte de estranhos, da supra referida consola de jogos pode ser, em situações limite, a gota de água, o caldo entornado, a burra nas couves. Não mexam na dita.
8º A partir de hoje e nos próximos 5 dias existe distribuição de 5 ml de Benuron de 8 em 8 horas. Sempre que necessário serão administrados os seguintes complementos fármacos: Actifed para os ranhos, Ventilan e Atrovent (em aerosol) para a dificuldade respiratória, Ultra Levur para os desarranjos intestinais, e Brufen para SOS intervalado com o Benuron sempre que necessário.
É convicção da administração cá de casa que a adopção destas medidas será suficiente para garantir a tão almejada cardinalidade natalícia.
Com os melhores cumprimentos
Pai
Como sabem, e na sequência dos acontecimentos do ano passado, em que o António, no dia 24 à noite, resolveu desenvolver uma infecção no aparelho urinário, este é potencialmente o primeiro Natal a cinco lá em casa. É precisamente para garantir esta cardinalidade que vos escrevo este pequeno conjunto de restrições adicionais.
1º O senhor António Maria, que anda a experimentar os primeiros passos, deve evitar as mesas com arestas vivas. Pelo sim pelo não a partir da meia noite de hoje é obrigatório o uso do capacete de bicicleta do Mickey que está no carro da mãe.
2º O senhor António Maria está proibido de fazer a ronda matinal à cata dos restos de comida inadvertidamente abandonados pelos seus irmãos no jantar da véspera debaixo da mesa da cozinha. Perante a inexistência de restos, não deve desatar a guinchar ou tentar comer as pastilhas de detergente da SUN. Se guinchar arrisca-se a levar uma biqueirada que já ninguém tem paciência para o ouvir. Se comer as pastilhas vai ser obrigado a engolir a loiça de duas refeições e arranjar uma forma dela sair toda seca e a brilhar. Não sei se sabe mas o detergente para a máquina é muito dispendioso.
3º Os senhores João Maria e Manel Maria estão rigorosamente proibidos de deixar cair comida durante todas as refeições.
4º O senhor Manel Maria não pode atirar objectos contundentes à cabeça do seu irmão mais velho. Além de se arriscar a levar um sopapo, pode abrir-lhe um lenho no crânio o que contraria as intenções do Natal a cinco.
5º O senhor Manel Maria deve evitar espalhar os vário bólides pela casa. Qualquer um está sujeito a pôr-lhes um pé em cima e partir uma perna ou um braço.
6º O senhor João Maria está impedido de manusear tesouras, furadores e agrafadores durante estes dias. Por muito que as suas actividades escolares o permita, o senhor insiste em não os arrumar e já de deu o caso de quase se agrafar.
7º A PSP que existe lá em casa é para uso exclusivo do pai. Devem todos os restantes elementos do agregado, assegurar uma distância mínima de cinco metros da mesma. O manuseamento, por parte de estranhos, da supra referida consola de jogos pode ser, em situações limite, a gota de água, o caldo entornado, a burra nas couves. Não mexam na dita.
8º A partir de hoje e nos próximos 5 dias existe distribuição de 5 ml de Benuron de 8 em 8 horas. Sempre que necessário serão administrados os seguintes complementos fármacos: Actifed para os ranhos, Ventilan e Atrovent (em aerosol) para a dificuldade respiratória, Ultra Levur para os desarranjos intestinais, e Brufen para SOS intervalado com o Benuron sempre que necessário.
É convicção da administração cá de casa que a adopção destas medidas será suficiente para garantir a tão almejada cardinalidade natalícia.
Com os melhores cumprimentos
Pai
terça-feira, dezembro 20, 2005
Mundial 2006
A Alemanha prepara com todo o cuidado o Mundial de Futebol de 2006.
Neste contexto criou um sinal de trânsito que determina a proibição da actividade de prostituição para certas áreas das cidades.

Aqui está uma boa ideia dos alemães. Por cá faziam falta alguns sinais:
Proibição de insultar os outros condutores
Proibição de distribuição de publicidade aos condutores
Proibição de gestos obscenos
Proibição de cuspir no chão
Proibição de cães com dificuldades na retenção de fezes
Proibição de mastigar de boca aberta
Proibição de alimentar pombos
Proibição de palitar os dentes
Proibição de distribuir o Destak e o Metro
Neste contexto criou um sinal de trânsito que determina a proibição da actividade de prostituição para certas áreas das cidades.

Aqui está uma boa ideia dos alemães. Por cá faziam falta alguns sinais:
Proibição de insultar os outros condutores
Proibição de distribuição de publicidade aos condutores
Proibição de gestos obscenos
Proibição de cuspir no chão
Proibição de cães com dificuldades na retenção de fezes
Proibição de mastigar de boca aberta
Proibição de alimentar pombos
Proibição de palitar os dentes
Proibição de distribuir o Destak e o Metro
quinta-feira, dezembro 15, 2005
Socorro
Quem é que me mandou armar em esperto e apostar um testículo em como nunca foi utilizado o trema na língua Portuguesa ?
terça-feira, dezembro 13, 2005
domingo, dezembro 11, 2005
Presidenciais
No dia de hoje: "Ex-combatente insulta e agride Mário Soares."
O que me espanta é que este tipo de episódios são isolados. Sejamos francos. Quantas horas por ano perdemos nós a elogiar a classe política ? Uma no máximo e mesmo assim essa hora é dedicada a um ou dois políticos por quem, nutrimos alguma admiração. Dos restantes passamos a vida a dizer mal. A relembrar a sua mediocridade e incompetência no passado, a profetizar a imensa tragédia resultado de um eventual regresso ao activo, e a acusá-los de, no presente, nada fazerem, de serem todos iguais, de só pensarem no benefício próprio, de só se lembrarem do povo durante as campanhas eleitorais, de serem agentes do poder colorido, senhores das alavancas da corrupção, da lógica do compadrio. Isto tudo somadinho deve dar, no mínimo, umas 99 horas por ano a falar mal da dita classe.
Posto isto, num cenário optimista, 99% por cento da energia dos Portugueses dedicada à política é para insultar e apenas 1% é utilizada para o elogio, a gratidão e a homenagem. Perante tamanho desequilíbrio, estranho que as campanhas eleitorais não se pautem pelo tabefe e pelo insulto desmesurado. Mais me espanta que consigam encher recintos com milhares de entusiastas daqueles que passamos a vida a insultar.
Se compararmos com o fenómeno do futebol, a situação é ainda mais caricata. Os adeptos amam os seus clubes (ninguém sente por um partido político, o que um adepto sente pelo seu clube), são incapazes de trocar de clube (já trocar de partido não é assim tão invulgar, eu próprio já votei em pelo menos 5 partidos diferentes), pagam para ver o clube jogar (se os comícios fossem pagos pela assistência, eh eh eh), e se a coisa corre aquém de um bom resultado e de uma boa exibição insultam jogadores, técnicos, árbritos e dirigentes. Casos já houve em que adeptos agrediram jogadores, treinadores e dirigentes do próprio clube após uma prestação desastrosa da respectiva equipa. Se esta lógica vingasse na política, não havia sessão de parlamento que não acabasse com pelo menos 190 deputados nas urgências de São José. A classe política sente-se pouco valorizada pela opinião pública, mas se o povo lhes desse o valor que reclamam, não sobravam muitos para contar a história. A bem da verdade talvez sobrassem os que verdadeiramente fazem qualquer coisa por Portugal. É neste contexto, que apesar dos poderes limitados do Presidente da República, venho elogiar o seu desempenho. Deixa obra feita. Conseguiu reunir o Trovante o que é um feito do qual mais ninguém se pode gabar. Se o presidente tivesse mais poderes, aposto que era capaz de reunir os Sheiks, ou mesmo as Doce. Ah é verdade. Além de reunir o Trovante para um concerto, Jorge Sampaio conseguiu acabar com o governo do Santana Lopes, que é mais ou menos a mesma coisa que acabar com a novela Ninguém Com Tu da TVI. Sabemos que o fim está próximo, mas só o Eduardo Moniz é que sabe a data certa.
O que me espanta é que este tipo de episódios são isolados. Sejamos francos. Quantas horas por ano perdemos nós a elogiar a classe política ? Uma no máximo e mesmo assim essa hora é dedicada a um ou dois políticos por quem, nutrimos alguma admiração. Dos restantes passamos a vida a dizer mal. A relembrar a sua mediocridade e incompetência no passado, a profetizar a imensa tragédia resultado de um eventual regresso ao activo, e a acusá-los de, no presente, nada fazerem, de serem todos iguais, de só pensarem no benefício próprio, de só se lembrarem do povo durante as campanhas eleitorais, de serem agentes do poder colorido, senhores das alavancas da corrupção, da lógica do compadrio. Isto tudo somadinho deve dar, no mínimo, umas 99 horas por ano a falar mal da dita classe.
Posto isto, num cenário optimista, 99% por cento da energia dos Portugueses dedicada à política é para insultar e apenas 1% é utilizada para o elogio, a gratidão e a homenagem. Perante tamanho desequilíbrio, estranho que as campanhas eleitorais não se pautem pelo tabefe e pelo insulto desmesurado. Mais me espanta que consigam encher recintos com milhares de entusiastas daqueles que passamos a vida a insultar.
Se compararmos com o fenómeno do futebol, a situação é ainda mais caricata. Os adeptos amam os seus clubes (ninguém sente por um partido político, o que um adepto sente pelo seu clube), são incapazes de trocar de clube (já trocar de partido não é assim tão invulgar, eu próprio já votei em pelo menos 5 partidos diferentes), pagam para ver o clube jogar (se os comícios fossem pagos pela assistência, eh eh eh), e se a coisa corre aquém de um bom resultado e de uma boa exibição insultam jogadores, técnicos, árbritos e dirigentes. Casos já houve em que adeptos agrediram jogadores, treinadores e dirigentes do próprio clube após uma prestação desastrosa da respectiva equipa. Se esta lógica vingasse na política, não havia sessão de parlamento que não acabasse com pelo menos 190 deputados nas urgências de São José. A classe política sente-se pouco valorizada pela opinião pública, mas se o povo lhes desse o valor que reclamam, não sobravam muitos para contar a história. A bem da verdade talvez sobrassem os que verdadeiramente fazem qualquer coisa por Portugal. É neste contexto, que apesar dos poderes limitados do Presidente da República, venho elogiar o seu desempenho. Deixa obra feita. Conseguiu reunir o Trovante o que é um feito do qual mais ninguém se pode gabar. Se o presidente tivesse mais poderes, aposto que era capaz de reunir os Sheiks, ou mesmo as Doce. Ah é verdade. Além de reunir o Trovante para um concerto, Jorge Sampaio conseguiu acabar com o governo do Santana Lopes, que é mais ou menos a mesma coisa que acabar com a novela Ninguém Com Tu da TVI. Sabemos que o fim está próximo, mas só o Eduardo Moniz é que sabe a data certa.
quarta-feira, dezembro 07, 2005
Hoje à noite ...
este homem vai estar assim.

e este assim

Se esta confiança der para o torto, virem o écran de cabeça para baixo enquanto eu não apagar este post.

e este assim

Se esta confiança der para o torto, virem o écran de cabeça para baixo enquanto eu não apagar este post.
terça-feira, dezembro 06, 2005
Por mail
Soares e Cavaco falham casting para o “Levanta-te e Ri”
O que se levanta não se ri.
O que se ri não se levanta
O que se levanta não se ri.
O que se ri não se levanta
sexta-feira, dezembro 02, 2005
Banco Alimentar
Ao que parece, a campanha do passado fim de semana, do Banco Alimentar contra a Fome foi um tremendo sucesso. Quer pelo número de voluntários, quer pela quantidade de alimentos conseguidos, foram batidos todos os recordes e expectativas.
Pudera. A mim, estas campanhas, calham sempre num fim de semana em que eu vou umas dez vezes ao supermercado. E de cada vez que vou, lá estão uns miúdos betos, ou com cara de escuteiros, a acenar-me com os sacos brancos de letras azuis. Da primeira vez corre tudo muito bem, lá ponho uns leites meio gordos, e uns esparguetes, e azeitinho que faz tão bem. As restantes vezes vou comprar coisas que me esqueci da primeira. Um desodorizante, ou umas folhas de gelatina de culinária, ou lâmpadas para o candeeiro da sala. Entro esbaforido no supermercado a tentar desviar-me dos angariadores de feijão manteiga. Passei por 15 deles e nenhum deu por mim, estão ocupados com outras pessoas ou a transportar sacos de um lado para o outro. Já estou praticamente na área do super, já sou vejo o segurança e clientes. Caminho livre. Posso avançar. É nessa altura, que o segurança se transforma em voluntário e me estende um saquinho. Lá venho eu com um pacote de folhas de gelatina e seis litros de leite meio gordo. E depois com as lâmpadas e com o desodorizante, a mesma coisa. Uma vez resolvi dizer que já tinha lá estado e que já tinha contribuído. A senhora que me interpolou olhou-me com aquela cara de maisumegoístacomamesmadesculpadetantosoutros.
Sempre podiam fazer como noutros peditórios, em que colocam um autocolante minúsculo, em todos os que já foram solidários com a causa. Era simpático. Experimentem lá se faz favor. Obrigadinho.
Pudera. A mim, estas campanhas, calham sempre num fim de semana em que eu vou umas dez vezes ao supermercado. E de cada vez que vou, lá estão uns miúdos betos, ou com cara de escuteiros, a acenar-me com os sacos brancos de letras azuis. Da primeira vez corre tudo muito bem, lá ponho uns leites meio gordos, e uns esparguetes, e azeitinho que faz tão bem. As restantes vezes vou comprar coisas que me esqueci da primeira. Um desodorizante, ou umas folhas de gelatina de culinária, ou lâmpadas para o candeeiro da sala. Entro esbaforido no supermercado a tentar desviar-me dos angariadores de feijão manteiga. Passei por 15 deles e nenhum deu por mim, estão ocupados com outras pessoas ou a transportar sacos de um lado para o outro. Já estou praticamente na área do super, já sou vejo o segurança e clientes. Caminho livre. Posso avançar. É nessa altura, que o segurança se transforma em voluntário e me estende um saquinho. Lá venho eu com um pacote de folhas de gelatina e seis litros de leite meio gordo. E depois com as lâmpadas e com o desodorizante, a mesma coisa. Uma vez resolvi dizer que já tinha lá estado e que já tinha contribuído. A senhora que me interpolou olhou-me com aquela cara de maisumegoístacomamesmadesculpadetantosoutros.
Sempre podiam fazer como noutros peditórios, em que colocam um autocolante minúsculo, em todos os que já foram solidários com a causa. Era simpático. Experimentem lá se faz favor. Obrigadinho.
terça-feira, novembro 29, 2005
Há um ano atrás
segunda-feira, novembro 28, 2005
Primeiro
O primeiro choro, o primeiro beijo, o primeiro abraço. Agora o primeiro Ano. Cheio de estreias e de emoções como todos os primeiros anos. O primeiro banho, o primeiro dia em casa, o primeiro passeio. Que susto o primeiro susto, do primeiro febrão por alturas do primeiro Natal. A primeira ida de férias a cinco, as cadeiras de todos encastradas no banco de trás. Apertadas te tal maneira, que cada vez que aperto os cintos, parto dois ou três dedos. De tal maneira apertadas que quando fecho a porta do carro, tenho que o fazer com força, o que provoca sempre um salto ao desgraçado da ponta oposta. Nada a fazer, as cadeiras são largas e o banco só chega para 2,93.
Grandes aventuras portanto, senhor António. Há um ano atrás (leia-se 26 de Novembro 2004) estava eu naquela figura ridícula com a bata e touca verde já colocadas. Preservativos para os sapatos postos. Máscara prontinha nas orelhas, sentado à espera de entrar em campo. Tu e a tua mãe já lá estavam há algum tempo, e não havia maneira de me chamarem. O outro bébé já estava cá fora e o pai dele já tinha entrado há imenso tempo.
Nisto chamam-me:
“O Pai faça o favor de entrar”
Entro na zona só permitida a pessoal autorizado.Percorro o corredor e a enfermeira conduz-me à sala do fundo
“Estão a começar a cesariana, pode entrar na porta ao fundo”
Assim que entro está um sujeito fardado como eu, meio atrapalhado a sair da sala.
“Desculpa lá. Já ia para a tua cesariana. Ainda mal me estou a refazer da minha. Já sou pai. Ouvi alguém chamar pelo Pai, achei que era comigo e entrei na sala. Afinal era para ti. O meu já cá está. Boa sorte. Desculpa lá esta invasão”
“Parabéns então” Respondi-lhe
E lá fui eu assistir à cesariana. A primeira, a do João Maria, só vi a cara da mãe e a do João, quando nasceu. Havia um lençol a separar-me dos eventos. Na segunda, não me deixaram ir para o topo norte, porque estava lá o anestesista. Fiquei na bancada central mesmo em cima do acontecimento. Não achei piada nenhuma assistir a tanto corte e costura. Desta vez, contigo, senti alguma curiosidade e vi tudo com muita atenção. O médico até elogiou o estado de útero da tua mãe insinuando que ainda aguenta uma quarta jornada. A mim também me pareceu em bom estado, mas confesso-te que não faço a menor ideia como seria um em pior estado.
E lá chegaste. Lindo e desejado. Enfim. Com cara de joelho como todo o recém nascido que se preze. Pronto para o mundo. Pronto para nós os quatro que te esperávamos há tantos meses. Parabéns meu amor.
Só mais uma coisa António. Evita comer o sabonete do bidé. Não é higiénico, se bem que bem treinadinho, podias fazer bolas de sabão com os puns. Os teus irmãos iam achar o máximo.
Grandes aventuras portanto, senhor António. Há um ano atrás (leia-se 26 de Novembro 2004) estava eu naquela figura ridícula com a bata e touca verde já colocadas. Preservativos para os sapatos postos. Máscara prontinha nas orelhas, sentado à espera de entrar em campo. Tu e a tua mãe já lá estavam há algum tempo, e não havia maneira de me chamarem. O outro bébé já estava cá fora e o pai dele já tinha entrado há imenso tempo.
Nisto chamam-me:
“O Pai faça o favor de entrar”
Entro na zona só permitida a pessoal autorizado.Percorro o corredor e a enfermeira conduz-me à sala do fundo
“Estão a começar a cesariana, pode entrar na porta ao fundo”
Assim que entro está um sujeito fardado como eu, meio atrapalhado a sair da sala.
“Desculpa lá. Já ia para a tua cesariana. Ainda mal me estou a refazer da minha. Já sou pai. Ouvi alguém chamar pelo Pai, achei que era comigo e entrei na sala. Afinal era para ti. O meu já cá está. Boa sorte. Desculpa lá esta invasão”
“Parabéns então” Respondi-lhe
E lá fui eu assistir à cesariana. A primeira, a do João Maria, só vi a cara da mãe e a do João, quando nasceu. Havia um lençol a separar-me dos eventos. Na segunda, não me deixaram ir para o topo norte, porque estava lá o anestesista. Fiquei na bancada central mesmo em cima do acontecimento. Não achei piada nenhuma assistir a tanto corte e costura. Desta vez, contigo, senti alguma curiosidade e vi tudo com muita atenção. O médico até elogiou o estado de útero da tua mãe insinuando que ainda aguenta uma quarta jornada. A mim também me pareceu em bom estado, mas confesso-te que não faço a menor ideia como seria um em pior estado.
E lá chegaste. Lindo e desejado. Enfim. Com cara de joelho como todo o recém nascido que se preze. Pronto para o mundo. Pronto para nós os quatro que te esperávamos há tantos meses. Parabéns meu amor.
Só mais uma coisa António. Evita comer o sabonete do bidé. Não é higiénico, se bem que bem treinadinho, podias fazer bolas de sabão com os puns. Os teus irmãos iam achar o máximo.
quinta-feira, novembro 24, 2005
quarta-feira, novembro 23, 2005
Nestialac
Tanto frenesim só porque o leite líquido das embalagens de cartão pode ter um bocadinho de tinta. Sinceramente não entendo. O António já deve ter bebido litros desse leite e o cocó nunca mudou de cor à conta do leite.
O mais novo dos Marias lambe as paredes, come terra, come o chão de madeira, come os livros e as revistas lá de casa, come as canetas dos irmãos, e em princípio parece desenvolver-se normalmente. Até já comeu a edição especial comemorativa do aniversário da Caras e a milésima Nova Gente sem que isso lhe afectasse o cérebro. Perante isto, haverá necessidade, de tanta agitação por causa do Nan I e II ?
Qual vai ser o próximo alarme ? “A Robialac retirou do mercado todas as latas de tinta Tartaruguinha – verdeazeitonadelvas depois de terem sido detectados indícios da presença de nestum mel na sua composição” ?
O mais novo dos Marias lambe as paredes, come terra, come o chão de madeira, come os livros e as revistas lá de casa, come as canetas dos irmãos, e em princípio parece desenvolver-se normalmente. Até já comeu a edição especial comemorativa do aniversário da Caras e a milésima Nova Gente sem que isso lhe afectasse o cérebro. Perante isto, haverá necessidade, de tanta agitação por causa do Nan I e II ?
Qual vai ser o próximo alarme ? “A Robialac retirou do mercado todas as latas de tinta Tartaruguinha – verdeazeitonadelvas depois de terem sido detectados indícios da presença de nestum mel na sua composição” ?
terça-feira, novembro 22, 2005
Início de Época
- PAI, PAI, PAI. Pode ...
- Calma. Ainda agora cheguei a casa. Nem recebi beijo de boa noite e já estou a ouvir pedidos.
- Chuuuuuaaaaaaaccc. Paiiii. Pode ir buscar a árvore de Natal ?
- Posso sim João. (nem imagino quem é que te encomendou esse pedido)
segunda-feira, novembro 21, 2005
Trocas
- Desculpe mas esta casa de banho é de senhoras.
- Também já me tinha passado essa ideia pela cabeça. Por causa do boneco com saias que está pespegado na porta. Mas este bebé tem um feitio tramado. Para já, resolveu fazer cocó na fralda, o que é inadmissível num rapaz de 11 meses, e depois quis porque quis vir ao fraldário trocar de fraldas, porque o cocó lhe faz impressão. Vejam lá se lhe fura a tripa. Eu também já lhe disse que não era suposto ele estar aqui, mas não o consigo convencer. Acho que o vou levar ao psiquiatra, não é normal um bebé desta idade insistir na casa de banho das senhoras, só porque a dos homens não tem muda fraldas.
- O senhor não viu que esta casa de banho é de senhoras ?
- Olhe minha senhora a casa de banho dos homens não tem este muda fraldas. Fazemos assim: Eu estou lá fora à espera e a senhora trata de lhe mudar a fralda. Boa? Está aqui o bebé, o creme, o sabonete liquido e a fralda nova. Tem que lavar o rabo com água e com o sabonete. Não pode usar toalhetes porque ele está tão assado que acaba por sangrar com os toalhetes. Até já.
- Esta casa de banho é dos homens?
- Não minha senhora. É das senhoras. Mas a dos homens não tem estas modernices para mudar a fralda aos bebés.
- Esteja à vontade. Eu é que pensei que me tinha enganado.
Foi o terceiro diálogo que aconteceu. Mesmo assim não custa nada colocar um muda fraldas na casa de banho dos homens.
sexta-feira, novembro 18, 2005
Bye Bye Lisboa
(a propósito desta semana parca em escritas e descaradamente como o bye bye Brasil)
O fim de semana a chegar
Nem sei p’ra onde me hei-de virar
O trabalho ainda vai aumentar
O projecto finalmente no ar
Não há isto que se lh’aponte
O Natal já está no horizonte
O ano prestes a terminar
Não vejo que isto tenda a acalmar
Os professores voltaram à greve
Este ano não vai dar para a neve
Eu sonho que estou a esquiar
Lamento vou ter que acordar
O almoço irreal sobre a família
Quero acalmar com chá de tília
O PIB foi revisto em baixa
Há tempos que não escrevo na Caixa
A confiança que volta a cair
Outras eleições estão pra vir
Quem vai pr’o palácio em Belém
Os putos não jogam nada bem
Por pouco falham o europeu
O preço do crude desceu
A carta do outro lado do mar
Quase a conseguir desarmar
De igual para igual já se vê
Gostei dessa forma de ser
As crianças andaram doentes
O mais novo com a história dos dentes
O Joao anda um cabeça no ar
Eu já lhe pedi pra mudar
Falhei a hora do Euromilhões
Outra vez a contar os tostões
Eu ontem fui desopilar
Beber uns copos no bar
Conversas, cigarros e o som
Rever os amigos é bom
Afinal o Simão vai jogar
O Braga no primeiro lugar
Morreu um sargento em Cabul
A chuva volta ao centro e ao sul
O fim de semana está aí
Nestes dias quase que fugi
não pude escrever como queria
a lufa lufa do dia a dia
Prometo voltar a postar
Assim que o ritmo abrandar
Agora eu quero é o abraço
Eu vou é matar o cansaço
Marquei uma mesa para dois
O descanso fica para depois.
Alguém vai ficar com os Marias
Adeus até daqui a dois dias
O fim de semana a chegar
Nem sei p’ra onde me hei-de virar
O trabalho ainda vai aumentar
O projecto finalmente no ar
Não há isto que se lh’aponte
O Natal já está no horizonte
O ano prestes a terminar
Não vejo que isto tenda a acalmar
Os professores voltaram à greve
Este ano não vai dar para a neve
Eu sonho que estou a esquiar
Lamento vou ter que acordar
O almoço irreal sobre a família
Quero acalmar com chá de tília
O PIB foi revisto em baixa
Há tempos que não escrevo na Caixa
A confiança que volta a cair
Outras eleições estão pra vir
Quem vai pr’o palácio em Belém
Os putos não jogam nada bem
Por pouco falham o europeu
O preço do crude desceu
A carta do outro lado do mar
Quase a conseguir desarmar
De igual para igual já se vê
Gostei dessa forma de ser
As crianças andaram doentes
O mais novo com a história dos dentes
O Joao anda um cabeça no ar
Eu já lhe pedi pra mudar
Falhei a hora do Euromilhões
Outra vez a contar os tostões
Eu ontem fui desopilar
Beber uns copos no bar
Conversas, cigarros e o som
Rever os amigos é bom
Afinal o Simão vai jogar
O Braga no primeiro lugar
Morreu um sargento em Cabul
A chuva volta ao centro e ao sul
O fim de semana está aí
Nestes dias quase que fugi
não pude escrever como queria
a lufa lufa do dia a dia
Prometo voltar a postar
Assim que o ritmo abrandar
Agora eu quero é o abraço
Eu vou é matar o cansaço
Marquei uma mesa para dois
O descanso fica para depois.
Alguém vai ficar com os Marias
Adeus até daqui a dois dias
terça-feira, novembro 15, 2005
Skyline
Vistos assim. Ao longe escancarados para o sol laranja. A lua descarada e cheia revela-se aos poucos atrás da silhueta. Subúrbios imensos da cidade grande. Vistos assim quase parece bonito. Quem lá vive? Quem dorme lá ? A quem dão guarita ? Que histórias encerram ? Rastilhos ...
Manual de Instruções
Não percebo a confusão e a irritação sobre o assunto. É só uma televisão que está lá em casa há imensos anos. A televisão tem um comando que liga e desliga. E que muda de canal. E que põe o som mais alto e mais baixo. E que muda o canal para o canal de Extensão1, onde está ligada a caixa da televisão digital. O que é bestial. Porque uma vez ligada a televisão e colocada no canal Extensão1 basta pegar no comando da caixa para mudar de canal e para tratar do som. Pode acontecer o comando da caixa estar a dar ordens à televisão e nesse caso é preciso carregar no botão que diz TV CABO do comando da caixa. Outras vezes, à conta dos arremessos dos Marias, as pilhas do comando da caixa desviam-se dos polos e o comando não faz nada nem à caixa nem à televisão. Nesse caso, é abrir o compartimento das pilhas do comando da caixa e acomodá-las devidamente. Nada mais simples. Depois há o DVD que ainda é mais simpático. Nem é preciso fazer nada à televisão. Ele apodera-se da emissão, a não ser que se ligue a televisão depois do DVD. E o som está espalhadinho pelos quatro cantos da sala. Chama-se surround e não morde a ninguém. Também se pode ouvir a televisão através do surround. Neste caso para ligar a televisão é no comando da televisão, para mudar de canal é no comando da caixa e para tratar do som é no comando do DVD. Simples não é? Então se é simples, para que é que te irritas com as coisas simples ? Guarda a irritação para coisas verdadeiramente complicadas, como as fraldas do António que andam com umas fugas para as costas que me deixam em ponto de rebuçado.
sexta-feira, novembro 11, 2005
Ó Faz Favor
Sr Provedor
dos calendários semanais:
Por motivos estritamente profissionais a segunda feira que vem só deverá aparecer dentro de dois dias de trabalho, não me parecendo viável a utilização de Sábado e de Domingo para o efeito. Neste enquadramento, solicito, com carácter excepcional, o adiamento do início do fim de semana por um período de 48 horas.
Com os melhores cumprimentos
dos calendários semanais:
Por motivos estritamente profissionais a segunda feira que vem só deverá aparecer dentro de dois dias de trabalho, não me parecendo viável a utilização de Sábado e de Domingo para o efeito. Neste enquadramento, solicito, com carácter excepcional, o adiamento do início do fim de semana por um período de 48 horas.
Com os melhores cumprimentos
quinta-feira, novembro 10, 2005
Oooohhhhhh
E logo hoje que ia ao encontro sobre blogues, a R., que ajuda nos banhos e na jantarada dos Marias, resolveu ficar doente. Resultado: baldo-me ao evento e vou para casa mais cedo.
Totobelém
Cavaco – 45%
Soares – 20 %
Alegre - 18 %
Jerónimo – 9 %
Louçã – 8 %
O que é que acham ? Qual é a vossa aposta ? Andem lá, digam qualquer coisa.
Soares – 20 %
Alegre - 18 %
Jerónimo – 9 %
Louçã – 8 %
O que é que acham ? Qual é a vossa aposta ? Andem lá, digam qualquer coisa.
quarta-feira, novembro 09, 2005
Geninha
Hoje, pela manhã, surpreso por ouvir Eugénia Melo e Castro. Música antiga em dueto com Ney Mato Grosso.
Ao que parece, a Eugénia prepara-se para perfazer 25 anos de carreira. Lembro-me do seu primeiro disco "Terra de Mel". O meu pai adorava-a. Eu e a Maria oferecemos-lhe o disco por alturas do Dia do Pai. Ficou babado e comovido. A minha irmã pegou nos títulos de cada uma das canções e escreveu-lhe um texto com todos eles. Eu não me lembro bem do que escrevi.
A Terra de Mel era um álbum muito bom, e avoz da Eugénia era clara. Cristalina sem pingo de rouquidão. Era uma miúda humilde e cheia de sonhos. Confesso que agora não a tenho em grande conta, mas continuo a achar que a Terra de Mel foi um grande álbum.
É desta Eugénia que me lembro, que me quero lembrar, e é esta Eugénia que deixava o meu pai com os calores.

COMEÇO DE MAR
Música: Yório Gonçalves
Letra: Eugénia Melo e Castro
No meio daquele reflexo de água
No centro de um repuxo de vento
Parada numa corrente de mar
Estou dentro do que quero estar
Há sempre uma gota de vento maré
Provoca a seca em que perco o pé
Entre um corpo que circula
Entre um ângulo que tem fim
A parede e o espaço
Entre um grito e um cansaço
está um som que reconheço
Está tão lento
Já não esqueço
Está tão velho
Recomeço
No meio deste reflexo de tempo
Entre um corpo que trabalha
Parada numa corrente de ar
Entre a parede e o cansaço
Estou no fim de um repuxo lento
Estou entre um passo que tem espaço
Dentro do que quero estar
Entre um grito e um começo de mar
está um som que reconheço
Há sempre uma gota de vento maré
Provoca a cheia em que ganho o pé
Ao que parece, a Eugénia prepara-se para perfazer 25 anos de carreira. Lembro-me do seu primeiro disco "Terra de Mel". O meu pai adorava-a. Eu e a Maria oferecemos-lhe o disco por alturas do Dia do Pai. Ficou babado e comovido. A minha irmã pegou nos títulos de cada uma das canções e escreveu-lhe um texto com todos eles. Eu não me lembro bem do que escrevi.
A Terra de Mel era um álbum muito bom, e avoz da Eugénia era clara. Cristalina sem pingo de rouquidão. Era uma miúda humilde e cheia de sonhos. Confesso que agora não a tenho em grande conta, mas continuo a achar que a Terra de Mel foi um grande álbum.
É desta Eugénia que me lembro, que me quero lembrar, e é esta Eugénia que deixava o meu pai com os calores.

COMEÇO DE MAR
Música: Yório Gonçalves
Letra: Eugénia Melo e Castro
No meio daquele reflexo de água
No centro de um repuxo de vento
Parada numa corrente de mar
Estou dentro do que quero estar
Há sempre uma gota de vento maré
Provoca a seca em que perco o pé
Entre um corpo que circula
Entre um ângulo que tem fim
A parede e o espaço
Entre um grito e um cansaço
está um som que reconheço
Está tão lento
Já não esqueço
Está tão velho
Recomeço
No meio deste reflexo de tempo
Entre um corpo que trabalha
Parada numa corrente de ar
Entre a parede e o cansaço
Estou no fim de um repuxo lento
Estou entre um passo que tem espaço
Dentro do que quero estar
Entre um grito e um começo de mar
está um som que reconheço
Há sempre uma gota de vento maré
Provoca a cheia em que ganho o pé
segunda-feira, novembro 07, 2005
Paris
Preocupa-me a leveza de espírito com que se olha para os trágicos acontecimentos de Paris. Como se de um fenómeno isolado se tratasse, ao qual fossemos completamente alheios. Mais uma vez, um insistente e autista olhar para a árvore sem se dar conta da floresta.
Lembro-me de uma tira da Mafalda, em que esta passeava pela rua com a Susaninha e cruzavam-se com um pobre que pedia esmola. A Mafalda dizia que, cada vez que via um pobre, sentia um nó garganta. A Susaninha concordava. Depois a Mafalda defendia que se devia tratar melhor dos pobres. Garantir-lhes alimentação, saúde, habitação e educação. A Susaninha responde-lhe:
Os governos preocupam-se muito com o défice e com a contenção de despesas, muito pouco com a criação de receitas, e praticamente nada com o aumento do desemprego, o crescimento da miséria, a exclusão social e o desrespeito pela natureza humana.
A nós, a cada um de nós, chateiam-nos os pedintes que nos interrompem o café na Mexicana, a quem damos uma moeda para que aquela interrupção acabe depressa mais do que pela intenção de ajudar. A nós chateiam-nos os shoppings cheios de grupos de pretos, capazes sabe-se lá do quê, e os ciganos que nos semáforos nos querem encher os vidros de um detergente que tresanda a pobreza. Mais a merda dos pensos rápidos ou dos lenços de papel que compramos 10 vezes mais caros que no super, só para nos livrarmos rapidamente do problema que é, para nós, ter aquele clandestino do Leste por perto. Queremos lá saber da sua miséria, se não têm emprego, se são ilegais, se não têm dinheiro, se não têm futuro nem no futuro o irão alguma vez ter. Têm tão bom corpo para trabalhar, nem percebo o que é que ali andam a fazer. Há aí tanta obra a precisar de força bruta, tanta escada por lavar. Queremos é que não nos chateiem, e sobretudo, que os filhos deles se afastem dos nossos. Se eles não se confinarem aos guetos, criamos guetos só para nós. Bairros onde se possa respirar à vontade. Melhor ainda, condomínios fechados.
Somos Susanas insuportáveis que exclamam de horror, indignados perante a atrocidade que cometem na cidade luz. No coração da velha e sábia Europa. Perguntamo-nos o que querem, o que ganham com toda aquela violência. Pergunto-me o que é que têm a perder? O que têm a perder aqueles que, mais do que arredados do sonho, lhes é negada a possibilidade de algum dia poderem sonhar ?
Criamos continuamente barris de pólvora à nossa volta, deixamos que os rastilhos se espalhem à nossa volta e soltamos exclamações sonoras quando um destes barris explode. A Europa Social não existe, estamos numa Europa obcecada pelas casas decimais dos rácios económicos, pelo défice, pela normalização dos bidés e pela proibição da colher de pau nas cozinhas dos restaurantes. Vivemos uma paz social podre e, pior que isso, uma paz interior em putrefacção.
A propósito do que se passa em França, mas que era possível passar-se em quase toda a dita civilização dita ocidental, li hoje uma frase que me levou a esta escrita.
“Quando a ordem é injusta, a desordem é, por si só, um factor de justiça.”
Lembro-me de uma tira da Mafalda, em que esta passeava pela rua com a Susaninha e cruzavam-se com um pobre que pedia esmola. A Mafalda dizia que, cada vez que via um pobre, sentia um nó garganta. A Susaninha concordava. Depois a Mafalda defendia que se devia tratar melhor dos pobres. Garantir-lhes alimentação, saúde, habitação e educação. A Susaninha responde-lhe:
- P’ra quê tudo isso? Basta escondê-los.
Os governos preocupam-se muito com o défice e com a contenção de despesas, muito pouco com a criação de receitas, e praticamente nada com o aumento do desemprego, o crescimento da miséria, a exclusão social e o desrespeito pela natureza humana.
A nós, a cada um de nós, chateiam-nos os pedintes que nos interrompem o café na Mexicana, a quem damos uma moeda para que aquela interrupção acabe depressa mais do que pela intenção de ajudar. A nós chateiam-nos os shoppings cheios de grupos de pretos, capazes sabe-se lá do quê, e os ciganos que nos semáforos nos querem encher os vidros de um detergente que tresanda a pobreza. Mais a merda dos pensos rápidos ou dos lenços de papel que compramos 10 vezes mais caros que no super, só para nos livrarmos rapidamente do problema que é, para nós, ter aquele clandestino do Leste por perto. Queremos lá saber da sua miséria, se não têm emprego, se são ilegais, se não têm dinheiro, se não têm futuro nem no futuro o irão alguma vez ter. Têm tão bom corpo para trabalhar, nem percebo o que é que ali andam a fazer. Há aí tanta obra a precisar de força bruta, tanta escada por lavar. Queremos é que não nos chateiem, e sobretudo, que os filhos deles se afastem dos nossos. Se eles não se confinarem aos guetos, criamos guetos só para nós. Bairros onde se possa respirar à vontade. Melhor ainda, condomínios fechados.
Somos Susanas insuportáveis que exclamam de horror, indignados perante a atrocidade que cometem na cidade luz. No coração da velha e sábia Europa. Perguntamo-nos o que querem, o que ganham com toda aquela violência. Pergunto-me o que é que têm a perder? O que têm a perder aqueles que, mais do que arredados do sonho, lhes é negada a possibilidade de algum dia poderem sonhar ?
Criamos continuamente barris de pólvora à nossa volta, deixamos que os rastilhos se espalhem à nossa volta e soltamos exclamações sonoras quando um destes barris explode. A Europa Social não existe, estamos numa Europa obcecada pelas casas decimais dos rácios económicos, pelo défice, pela normalização dos bidés e pela proibição da colher de pau nas cozinhas dos restaurantes. Vivemos uma paz social podre e, pior que isso, uma paz interior em putrefacção.
A propósito do que se passa em França, mas que era possível passar-se em quase toda a dita civilização dita ocidental, li hoje uma frase que me levou a esta escrita.
“Quando a ordem é injusta, a desordem é, por si só, um factor de justiça.”
Estremunhado
Da minha janela logo pela manhã... o sol escancarado. O prédio em frente demasiado perto para o meu gosto.
Ó vizinha deixe-me fumar o meu cigarro em paz, não sei se sabe mas na primeira meia hora, gosto pouco de conversas, e se o tema é o dos seus filhos adolescentes e das suas desventuras, menos interessado eu estou. Eu quero lá saber dos seus filhos. Os meus vão ser sempre bebés e nunca me hão-de dar maçadas nem preocupações. Está com vontade de largar tudo e ir viajar sozinha ? Então vá e poupe-me à conversa. Ainda deixo de fumar à sua conta.
Ó vizinha deixe-me fumar o meu cigarro em paz, não sei se sabe mas na primeira meia hora, gosto pouco de conversas, e se o tema é o dos seus filhos adolescentes e das suas desventuras, menos interessado eu estou. Eu quero lá saber dos seus filhos. Os meus vão ser sempre bebés e nunca me hão-de dar maçadas nem preocupações. Está com vontade de largar tudo e ir viajar sozinha ? Então vá e poupe-me à conversa. Ainda deixo de fumar à sua conta.
sexta-feira, novembro 04, 2005
Partyland
A MTV fez a festa aqui, pá. Enche-se o pavilhão da gente, das estrelas da música, da televisão e do futebol. Cidadãos do mundo. Festejam a música. Enche-se o pavilhão de cúmulos e pasma-se o país de tanga com a tanga dos pedidos excêntricos. Das velas perfumadas, dos quilos de maquilhagem, das unhas e pestanas postiças, do champanhe aos milhares, dos quartos de hotel às centenas. A produção de encantar a megalomanizar desencantos. Tanto que se lhes é permitido. São os estrangeiros a festejar. E a nossa música, pá ? E o nosso som, vizinho? Nem um acorde para não destoar. Dêem-nos lá um rebuçado, um presente, um gift, que nós prometemos portar-nos bem. Um prémio para o melhor artista português ? Tá bem, fica descansado que não levamos o adufe. Postiços mesmo.
quinta-feira, novembro 03, 2005
quarta-feira, novembro 02, 2005
São Bernardo
Ontem foi dia de Todos os Santos. A tradição familiar sediada em casa dos Pais. Antes era na da avó Céu, mas depois do avô morrer e da avó evitar que as festas fossem lá na Estrela, a mãe pegou no dia de Todos os Santos.
A casa da avó Céu era o lugar predilecto para as reuniões de primos. Um quarto andar na última fila do anfiteatro de Lisboa. O Castelo, o Terreiro do Paço, a Baixa, o Rossio, Santos e Cais do Sodré. Tudo se via daquela marquise. Então se subíssemos ao ponto mais alto do telhado. O prédio tinha um túnel que lhe passava por baixo, e dava acesso às aventuras, tinha a nespereira boa de trepar e que se ficava pelo segundo andar, tinha os quintais cheios de muros mesmo ao nosso alcance. Tinha dois terraços, e todos os esconderijos estavam lá. E a caixa de ferramentas do avô ? Sempre arrumada à nossa chegada, e descaradamente caótica quando saíamos. A caixa de ferramentas do avô tinha tudo o que precisávamos para os carrinhos de rolamentos. Depois era pegar neles e descer do miradouro do Jardim da Estrela. Granda pintarola. E as idas à Baixa de eléctrico ? Sempre tão cheio, que quase não conseguia chegar ao Camões. Armazéns do Grandela para comprar brinquedos. Pistolas e fulminantes para os rapazes e bonecas para a Maria. Transformava-mos a casa no velho Oeste e as fitas de fulminantes marchavam todas. Depois apareceram as argolas que davam um estoiro enorme. E os avós aturavam-nos tudo isto. Santa pachorra.
Isto que estava para ser um post sobre o dia de Todos os Santos, transformou-se neste novelo de lembranças. Coisas da memória. Parece esparguete cozido sem gordura. Quando se puxa por uma ponta, vem o tacho todo atrás.
A casa da avó Céu era o lugar predilecto para as reuniões de primos. Um quarto andar na última fila do anfiteatro de Lisboa. O Castelo, o Terreiro do Paço, a Baixa, o Rossio, Santos e Cais do Sodré. Tudo se via daquela marquise. Então se subíssemos ao ponto mais alto do telhado. O prédio tinha um túnel que lhe passava por baixo, e dava acesso às aventuras, tinha a nespereira boa de trepar e que se ficava pelo segundo andar, tinha os quintais cheios de muros mesmo ao nosso alcance. Tinha dois terraços, e todos os esconderijos estavam lá. E a caixa de ferramentas do avô ? Sempre arrumada à nossa chegada, e descaradamente caótica quando saíamos. A caixa de ferramentas do avô tinha tudo o que precisávamos para os carrinhos de rolamentos. Depois era pegar neles e descer do miradouro do Jardim da Estrela. Granda pintarola. E as idas à Baixa de eléctrico ? Sempre tão cheio, que quase não conseguia chegar ao Camões. Armazéns do Grandela para comprar brinquedos. Pistolas e fulminantes para os rapazes e bonecas para a Maria. Transformava-mos a casa no velho Oeste e as fitas de fulminantes marchavam todas. Depois apareceram as argolas que davam um estoiro enorme. E os avós aturavam-nos tudo isto. Santa pachorra.
Isto que estava para ser um post sobre o dia de Todos os Santos, transformou-se neste novelo de lembranças. Coisas da memória. Parece esparguete cozido sem gordura. Quando se puxa por uma ponta, vem o tacho todo atrás.
segunda-feira, outubro 31, 2005
Pontos de Vista
O documento único automóvel – DUA começou hoje a ser emitido em Lisboa. Segundo Sócrates trata-se de um projecto emblemático. Desculpe lá, eu sei que a culpa nem é sua, mas emblemático é neste país existirem dois documentos para a porcaria do carro.
Fadas
O meu filho mais velho é uma criança precoce. A tal ponto que a uma semana de fazer sete anos ainda não lhe tinha caído o primeiro dente de leite, e teve que ir ao dentista para arranca-lo já que o definitivo se preparava para se sobrepor. Ora o dentista vira-se e diz:
- Não gosto nada de fazer isto a crianças, que depois ficam traumatizados. Ouve lá miúdo, puxa isso com força para sair. Isso assim. Tungas já está.
Resultado: Primeiro ritual da fada do dente lá de casa. Dente debaixo da almofada e na manhã seguinte uma prenda em troca do dente.
Tudo correria bem, não fosse o estupor do Manel Maria, logo pela manhã:
- Isso não foi nada a fada do dente que te deu. Eu fui com a mãe à loja dos brinquedos e compramos isso para ti João.
- Manel Maria, assim a fada zanga-se contigo. Voltas a dizer tamanha barbaridade e nem que ponhas o maxilar inteiro com cisos e tudo debaixo da almofada, te aparece uma prendinha que seja. Mau.
- Não gosto nada de fazer isto a crianças, que depois ficam traumatizados. Ouve lá miúdo, puxa isso com força para sair. Isso assim. Tungas já está.
Resultado: Primeiro ritual da fada do dente lá de casa. Dente debaixo da almofada e na manhã seguinte uma prenda em troca do dente.
Tudo correria bem, não fosse o estupor do Manel Maria, logo pela manhã:
- Isso não foi nada a fada do dente que te deu. Eu fui com a mãe à loja dos brinquedos e compramos isso para ti João.
- Manel Maria, assim a fada zanga-se contigo. Voltas a dizer tamanha barbaridade e nem que ponhas o maxilar inteiro com cisos e tudo debaixo da almofada, te aparece uma prendinha que seja. Mau.
sábado, outubro 29, 2005
Blogotinhices
... e eu claro agradeço.
Isto aqui era um banner mas deixou de aparecer e vai daí, que se lixe que também cheirava a postdencherchouriços. E o link para o fabricante de banners também leva um sumiço. E agora tenho um post que não serve mesmo para nada.
Quero lá saber. Não é o primeiro e não há-de ser o último.
Espera !!
Afinal já lhe arranjei uma justificação:
Parabéns caro Filipe, cumprimentos à esposa e à pequena Leonor e espero que as duas voltem para casa o mais depressa possível. Nós sabemos que as horas de visita no hospital são uma confusão e por isso passamos lá no palácio durante o fim de semana. Levamos os Marias, cert?
Isto aqui era um banner mas deixou de aparecer e vai daí, que se lixe que também cheirava a postdencherchouriços. E o link para o fabricante de banners também leva um sumiço. E agora tenho um post que não serve mesmo para nada.
Quero lá saber. Não é o primeiro e não há-de ser o último.
Espera !!
Afinal já lhe arranjei uma justificação:
Parabéns caro Filipe, cumprimentos à esposa e à pequena Leonor e espero que as duas voltem para casa o mais depressa possível. Nós sabemos que as horas de visita no hospital são uma confusão e por isso passamos lá no palácio durante o fim de semana. Levamos os Marias, cert?
sexta-feira, outubro 28, 2005
Um dia
Um dia todos os sonhos juntos a espicaçar a vida. O sabor das ondas do mar, o voo picado do louco pássaro, o arco das sete cores, tocar cada instrumento da imensa orquestra, o pico mais alto do mundo, os cem metros num segundo, todo o universo à vista desarmada, o golo impossível. Um dia ser Miró, Senna, Jobim, Coltrane e Bergman ao mesmo tempo. Falta-me o espaço para a sobra de euforia. Fazer a volta mais rápida à volta do teu beijo. Canto directo ao primeiro poste do coração. Um dia a tua mão. Um dia, há tanto tempo, ainda hoje, sempre tu.
quinta-feira, outubro 27, 2005
Calendário Gastronómico
Recebi um mail com imensa informação sobre marisco, valor nutricional, dicas e uma dúzia de receitas.
Então o marisco só deve ser comido em meses com R? janeiRo, feveReiro, maRço, abRil, maiRo, jRunho, jRulho, agRosto, setembRo, outubRo, novembRo e dezembRo.
Então o marisco só deve ser comido em meses com R? janeiRo, feveReiro, maRço, abRil, maiRo, jRunho, jRulho, agRosto, setembRo, outubRo, novembRo e dezembRo.
Dica do Dia
Hora de Inverno
Mais uma vez os relógios vão atrasar uma hora no próximo Domingo. Isso quer dizer que o fim de semana vai ter uma hora a mais o que pode ser considerado uma boa notícia.
Lá em casa estamos todos eufóricos já que o António Maria vai finalmente deixar de acordar às 6 e 15. Para passar a acordar às 5 e 15.
- É verdade senhor doutor, eles estão todos com uma alergia qualquer. E parece-me que é das graves. Quando é que eu posso passar aí para o senhor doutor receitar três frascos de Atarax?
Lá em casa estamos todos eufóricos já que o António Maria vai finalmente deixar de acordar às 6 e 15. Para passar a acordar às 5 e 15.
- É verdade senhor doutor, eles estão todos com uma alergia qualquer. E parece-me que é das graves. Quando é que eu posso passar aí para o senhor doutor receitar três frascos de Atarax?
quarta-feira, outubro 26, 2005
Senhores Pombos da Minha Rua:
Eu bem sei que os meus filhos vos costumam perseguir e assustar lá pela rua, mas isso não é razão para deixarem o vidro e o capot do meu carro naquela lástima. Podem argumentar que o carro não está num estado que se possa considerar impecável, mas também vos digo que, depois das chuvas, até estava com um ar quase civilizado. Não havia razão objectiva para aquilo.
Perante a quantidade de bostas com que bombardearam o carro, vi-me na obrigação de lhe dar uma mangueirada na bomba de gasolina mais próxima, e de limpar o excedente com toalhetes. Só depois me lembrei dos hagás-cinco-ene-uns que os ditos excessos podiam abrigar. Fiquei preocupado e queria que me esclarecessem alguns pontos:
Muito obrigado pela atenção.
Perante a quantidade de bostas com que bombardearam o carro, vi-me na obrigação de lhe dar uma mangueirada na bomba de gasolina mais próxima, e de limpar o excedente com toalhetes. Só depois me lembrei dos hagás-cinco-ene-uns que os ditos excessos podiam abrigar. Fiquei preocupado e queria que me esclarecessem alguns pontos:
- Vocês tem sentido dores no corpo, olhos lacrimejantes, pingo no bico e um estado febril geral?
- Têm espirrado com frequência ?
- Tem-vos apetecido ficar em casa de mantinha nas patas e chávena de chá ao lado ?
- Quando fizeram aquilo ao meu carro estavam poisados no candeeiro ou estavam a voar ? Se estavam a voar, a que altura ?
Muito obrigado pela atenção.
terça-feira, outubro 25, 2005
Cavaco Silva
segunda-feira, outubro 24, 2005
Prova Escrita
Preparação da primeira prova de avaliação do João.
A coisa começou logo mal porque a prova era hoje, e na sexta feira,a mochila do João não transportava o livro de português.
Eu, que não sou de me deixar abalar por insignificâncias, resolvo pegar na lista da matéria e ajudá-lo na preparação da sua estreia na avaliação escrita.
Ditado, interpretação, acentuação das palavras, translineação, divisão em sílabas, género e número dos substantivos, pontuação e composição.
Passadas duas horas, faltavam os dois últimos itens. Resolvi abreviar.
- João, faz uma composição em que uses o ponto final, o ponto de interrogação e o ponto de exclamação.
Resultado
O dia de anos do meu mano.
Ontem o meu mano Manel fez anos.
E quem é que faz anos daqui a quinze dias? Eu!
A propósito Manelinho. Parabéns.
A coisa começou logo mal porque a prova era hoje, e na sexta feira,a mochila do João não transportava o livro de português.
Eu, que não sou de me deixar abalar por insignificâncias, resolvo pegar na lista da matéria e ajudá-lo na preparação da sua estreia na avaliação escrita.
Ditado, interpretação, acentuação das palavras, translineação, divisão em sílabas, género e número dos substantivos, pontuação e composição.
Passadas duas horas, faltavam os dois últimos itens. Resolvi abreviar.
- João, faz uma composição em que uses o ponto final, o ponto de interrogação e o ponto de exclamação.
Resultado
O dia de anos do meu mano.
Ontem o meu mano Manel fez anos.
E quem é que faz anos daqui a quinze dias? Eu!
A propósito Manelinho. Parabéns.
Disse-se ...
... no programa elas sobre eles.
“Qualquer homem da classe média-alta ou alta, tem um fetiche sexual com uma cabeleireira do Cacém”
A verdade é que não conheço nenhuma. É o que dá pertencer à classe média, alguém dos segmentos A ou B me explica o que eu estou a perder.
“Existem muitas mulheres a fingir o orgasmo, porque existem muitos homens a fingir os preliminares.”
Nisso, peço desculpa, os homens são muito mais honestos. Não fingimos coisa nenhuma. “Deixa-te de lamechices e vamos ao que interessa.” não é propriamente fingir.
“Qualquer homem da classe média-alta ou alta, tem um fetiche sexual com uma cabeleireira do Cacém”
A verdade é que não conheço nenhuma. É o que dá pertencer à classe média, alguém dos segmentos A ou B me explica o que eu estou a perder.
“Existem muitas mulheres a fingir o orgasmo, porque existem muitos homens a fingir os preliminares.”
Nisso, peço desculpa, os homens são muito mais honestos. Não fingimos coisa nenhuma. “Deixa-te de lamechices e vamos ao que interessa.” não é propriamente fingir.
domingo, outubro 23, 2005
Domingo
segundo este artigo do DN, é o dia em os a maioria do homens morre.
Ora o Domingo por si só já só é meio dia. A partir das três da tarde começam as actividades de saldar a conta da semana que findou e preparar o arranque da que se inicia. A primeira conta que eu saldo sempre é a do sono, e raras serão as três da tarde de domingo que não esteja a passar pelas brasas, sob o pretexto de adormecer um dos Marias.
Isto tudo para dizer que o Domingo, a bem da verdade é só meio dia e havia logo de ser aquele em que os homens mais morrem. É certo que o facto deles terem natação às 9 da manhã pode ser, em determinadas circunstâncias, razão para o suicídio. Se pensar que a natação é no Alvalade XXI, o risco aumenta significativamente. Mas vejamos, também é um dia que tem coisas boas. Por exemplo tem o grande directo da 1ª Companhia, e o Herman Sic, e o Marcelo Rebelo de Sousa na RTP e a Corrente das Correntes aqui ao lado na Igreja Universal do Reino de Deus. Tem graça, parece que, de repente, o título do artigo já não me causa tanta estranheza.
Posto isto , e a partir de agora, a seguir ao Sábado vem outro Sábado.
Ora o Domingo por si só já só é meio dia. A partir das três da tarde começam as actividades de saldar a conta da semana que findou e preparar o arranque da que se inicia. A primeira conta que eu saldo sempre é a do sono, e raras serão as três da tarde de domingo que não esteja a passar pelas brasas, sob o pretexto de adormecer um dos Marias.
Isto tudo para dizer que o Domingo, a bem da verdade é só meio dia e havia logo de ser aquele em que os homens mais morrem. É certo que o facto deles terem natação às 9 da manhã pode ser, em determinadas circunstâncias, razão para o suicídio. Se pensar que a natação é no Alvalade XXI, o risco aumenta significativamente. Mas vejamos, também é um dia que tem coisas boas. Por exemplo tem o grande directo da 1ª Companhia, e o Herman Sic, e o Marcelo Rebelo de Sousa na RTP e a Corrente das Correntes aqui ao lado na Igreja Universal do Reino de Deus. Tem graça, parece que, de repente, o título do artigo já não me causa tanta estranheza.
Posto isto , e a partir de agora, a seguir ao Sábado vem outro Sábado.
sexta-feira, outubro 21, 2005
Presidenciais
Cavaco - Vou-me candidatar à Presidência da República
Soares – Tá giro. Ainda não me tinha lembrado dessa.
Louçã – Vai daí que era uma boa. A condescendência é a mãe de todos os males.
Jerónimo – Põe-te com merdas põe. Não tarda muito, está aí o Paulo a acusar-te de não saberes o que é ser mãe. Já foste mãe alguma vez?
Alegre – A presidência do inconformado, não se olha o dente a cavalo dado, ao PS não estou amarrado, recebo apoios em todo o lado.
Cavaco – Quero ajudar Portugal
Jerónimo – Eu é que quero ajudar Portugal contra o grande Capital e derrotar o Aníbal
Alegre – Se voltas a fazer verso vou ter que apresentar queixa na Comissão Nacional de Eleições
Soares – Eu também quero ajuda a TAP Air Portugal, que me leva de Espanha ao Nepal
Alegre – Ai ai ai ai ai, que já me estão a enervar. Aqui quem faz versos sou eu.
Louça – Eu vou liberalizar a presidência e ajudar a liberalizar Portugal e a droga e os homossexuais e as putas e o aborto e os furacões e as colheres de pau e os incêndios de verão, não quero um novo Cavaquistão.
Alegre – Mas que merda. Já vos disse que o poeta sou eu, rimar foi um dom que Deus me deu, indo eu indo eu, a caminho de Viseu, encontrei o meu amor, ai Soares que lá vou eu. Eu vou ajudar Portugal, Portugal eu vou ajudar, eu sou contra o eixo do mal, que a direita está a marcar.
Cavaco - Tenho plena consciência dos poderes e do papel do Presidente
Louçã – A consciência é a mãe de todos os males. O poder do presidente é o da liberalização e da despenalização.
Alegre – Não rimes palhaço.
Louçã – Tu sabes lá o que é ser palhaço. Tu já foste palhaço alguma vez ?
Soares – Eu já. E agora sei fazer pinturas faciais e bonecos com balões. Faço festas de anos e descontos em lares e centros de dia.
Jerónimo – Podes ir ao congresso da Juventude Comunista actuar ? Dava-nos jeito ter lá um jovem para animar o pessoal.
Alegre – Um presidente é um poeta, o presidente é um grito vermelho na seara dourada, a presidência é a porta aberta, para a reforma antecipada.
Soares – Ai nem me falem na reforma, ainda me falta tampo tempo. Estive no outro dia a fazer as contas, aquele moço, o Guterres deu-me uma ajuda. Só daqui a 70 anos é que tenho direito à reforma por inteiro.
Louçã – A culpa é do Sócrates que quer prolongar a idade da reforma.
Jerónimo – A culpa é do grande Capital, e da política imoral.
Alegre – Voçê parece que faz de propósito. Deixe-se de rimas. Maricas parasita.
Louçã – Mas o que é que você sabe sobre Maricas Parasitas? Alguma vez foi maricas parasita? É preciso ter lata, lá porque fizeram a revolução, já acham que sabem tudo.
Cavaco – Portugal tem 400 mil desempregados.
Jerónimo – São 500 mil. Para quem nunca se engana, não está nada mal não senhor. E se contar com o segurança do Hospital que foi despedido por não conhecer o primeiro ministro da altura, são 500 mil e um.
Louçã – Vamos lá acabar com isto. Aníbal manda lá os senhores para casa.
Cavaco – Viva Portugal.
Todos – Viva a eleição Presidencial.
Alegre – Não rimem.
Louçã – Liberalizem-se as rimas.
Soares – Tá giro. Ainda não me tinha lembrado dessa.
Louçã – Vai daí que era uma boa. A condescendência é a mãe de todos os males.
Jerónimo – Põe-te com merdas põe. Não tarda muito, está aí o Paulo a acusar-te de não saberes o que é ser mãe. Já foste mãe alguma vez?
Alegre – A presidência do inconformado, não se olha o dente a cavalo dado, ao PS não estou amarrado, recebo apoios em todo o lado.
Cavaco – Quero ajudar Portugal
Jerónimo – Eu é que quero ajudar Portugal contra o grande Capital e derrotar o Aníbal
Alegre – Se voltas a fazer verso vou ter que apresentar queixa na Comissão Nacional de Eleições
Soares – Eu também quero ajuda a TAP Air Portugal, que me leva de Espanha ao Nepal
Alegre – Ai ai ai ai ai, que já me estão a enervar. Aqui quem faz versos sou eu.
Louça – Eu vou liberalizar a presidência e ajudar a liberalizar Portugal e a droga e os homossexuais e as putas e o aborto e os furacões e as colheres de pau e os incêndios de verão, não quero um novo Cavaquistão.
Alegre – Mas que merda. Já vos disse que o poeta sou eu, rimar foi um dom que Deus me deu, indo eu indo eu, a caminho de Viseu, encontrei o meu amor, ai Soares que lá vou eu. Eu vou ajudar Portugal, Portugal eu vou ajudar, eu sou contra o eixo do mal, que a direita está a marcar.
Cavaco - Tenho plena consciência dos poderes e do papel do Presidente
Louçã – A consciência é a mãe de todos os males. O poder do presidente é o da liberalização e da despenalização.
Alegre – Não rimes palhaço.
Louçã – Tu sabes lá o que é ser palhaço. Tu já foste palhaço alguma vez ?
Soares – Eu já. E agora sei fazer pinturas faciais e bonecos com balões. Faço festas de anos e descontos em lares e centros de dia.
Jerónimo – Podes ir ao congresso da Juventude Comunista actuar ? Dava-nos jeito ter lá um jovem para animar o pessoal.
Alegre – Um presidente é um poeta, o presidente é um grito vermelho na seara dourada, a presidência é a porta aberta, para a reforma antecipada.
Soares – Ai nem me falem na reforma, ainda me falta tampo tempo. Estive no outro dia a fazer as contas, aquele moço, o Guterres deu-me uma ajuda. Só daqui a 70 anos é que tenho direito à reforma por inteiro.
Louçã – A culpa é do Sócrates que quer prolongar a idade da reforma.
Jerónimo – A culpa é do grande Capital, e da política imoral.
Alegre – Voçê parece que faz de propósito. Deixe-se de rimas. Maricas parasita.
Louçã – Mas o que é que você sabe sobre Maricas Parasitas? Alguma vez foi maricas parasita? É preciso ter lata, lá porque fizeram a revolução, já acham que sabem tudo.
Cavaco – Portugal tem 400 mil desempregados.
Jerónimo – São 500 mil. Para quem nunca se engana, não está nada mal não senhor. E se contar com o segurança do Hospital que foi despedido por não conhecer o primeiro ministro da altura, são 500 mil e um.
Louçã – Vamos lá acabar com isto. Aníbal manda lá os senhores para casa.
Cavaco – Viva Portugal.
Todos – Viva a eleição Presidencial.
Alegre – Não rimem.
Louçã – Liberalizem-se as rimas.
40000 visitantes
Ou me engano muito ou é hoje ....
A pessoa que demonstrar ser a 40 000 visitante, receberá um convite duplo para visitar as instalações da redacção da Caixa de Costura e um fim de semana grátis com os três Marias numa unidade familiar/ hoteleira junto à Alameda.
A pessoa que demonstrar ser a 40 000 visitante, receberá um convite duplo para visitar as instalações da redacção da Caixa de Costura e um fim de semana grátis com os três Marias numa unidade familiar/ hoteleira junto à Alameda.
Serviço Público
Deferimento – concessão
Exemplo: O Juiz deu deferimento à pretensão do advogado.
Diferimento – adiamento
Exemplo: O diferimento do jogo deveu-se ao mau tempo.
Doferimento – relativo ao ferimento quando a tecla de espaços não funciona
Odiferimentodofinaldojogodeve-seaotempoperdidoàcontadoferimentodoavançado.
Dofermento - relativo ao fermento quando a tecla de espaços não funciona
Obolocresceudaquelamaneiraestúpidaporqueaanormaldacozinheira
deixoucairalatadofermentonamassa.
Exemplo: O Juiz deu deferimento à pretensão do advogado.
Diferimento – adiamento
Exemplo: O diferimento do jogo deveu-se ao mau tempo.
Doferimento – relativo ao ferimento quando a tecla de espaços não funciona
Odiferimentodofinaldojogodeve-seaotempoperdidoàcontadoferimentodoavançado.
Dofermento - relativo ao fermento quando a tecla de espaços não funciona
Obolocresceudaquelamaneiraestúpidaporqueaanormaldacozinheira
deixoucairalatadofermentonamassa.
quinta-feira, outubro 20, 2005
Fora de época

Preocupava-me aquela presença. Quase constrangedor vê-lo a assar castanhas num Outono de 30 graus. “O que é que hei-de fazer? É o tempo delas.” Mas não havia maneira do tempo estar para elas. O guarda chuva guardava-o do sol, e o cheiro a castanhas assadas não batia certo com as mangas curtas ou com a vontade de gelados dos miúdos da secundária. Quando chegava a casa, pelo fim da tarde, cruzava-me com ele. Perguntava-lhe pelo negócio. Encolhia os ombros e reclamava mais frio e até alguma chuva.
De há uns dias para cá a coisa mudou e o céu abandonou aquele monótono e inapropriado azul. Ganhou todos os tons cinzas e encheu-se de cores no fim da tarde. Desconfio que ele também gosta dos novos tons e já o descobri sem mãos a medir para o negócio. Antes assim. Afinal de contas é Outono e as castanhas querem-se para aconchegar do frio e da chuva. Oxalá tenha vindo para ficar.
quarta-feira, outubro 19, 2005
Uma no cravo ...
Recebi este mail e resolvi divulgá-lo.
O Site do Cancro da Mama está com problemas por não ter o nº de acessos e cliques necessários para alcançar a quota que lhes permite oferecer 1 mamografia gratuita diariamente a mulheres desprivilegiadas.
Ir ao site e carregar na tecla cor de rosa que diz: Free Fund Mammograms, é uma questão de segundos.
Isto não custa nada e pelo n.º diário de pessoas que clicam os patrocinadores (Avon, Tupperware, etc....) oferecem a mamografia.
Depois fui até ao site e descobri que vendem roupa interior com o lacinho cor de rosa. Então não é que vendem cuecas e não vendem soutiens ? Que raio de mensagem de esperança querem passar ?
O Site do Cancro da Mama está com problemas por não ter o nº de acessos e cliques necessários para alcançar a quota que lhes permite oferecer 1 mamografia gratuita diariamente a mulheres desprivilegiadas.
Ir ao site e carregar na tecla cor de rosa que diz: Free Fund Mammograms, é uma questão de segundos.
Isto não custa nada e pelo n.º diário de pessoas que clicam os patrocinadores (Avon, Tupperware, etc....) oferecem a mamografia.
Depois fui até ao site e descobri que vendem roupa interior com o lacinho cor de rosa. Então não é que vendem cuecas e não vendem soutiens ? Que raio de mensagem de esperança querem passar ?
terça-feira, outubro 18, 2005
segunda-feira, outubro 17, 2005
Género
João – Deixa lá Manel.
Manel – Não. E não é deixa. É deixe. Porque eu sou rapaz, não sou menina.
Manel – Não. E não é deixa. É deixe. Porque eu sou rapaz, não sou menina.
sexta-feira, outubro 14, 2005
Ao gosto
do novo diccionário de língua portuguesa.
Por aí
Tanto trabalho na última actualização à direita e fui-me logo esquecer dos diários do tiaguinesperado que até, por acaso, tinha mesmo que ir para lá.
Por aqui
Tiaguinesperado - Cada post no diário inesperado escrito pelo Tiago.
Já lá está o linkário
Por aí
Tanto trabalho na última actualização à direita e fui-me logo esquecer dos diários do tiaguinesperado que até, por acaso, tinha mesmo que ir para lá.
Por aqui
Tiaguinesperado - Cada post no diário inesperado escrito pelo Tiago.
Já lá está o linkário
Sinto-me
quinta-feira, outubro 13, 2005
Guarda Chuvas
Existem há tanto tempo, e ainda não houve ninguém que inventasse algo mais prático para nos guardar da chuva.
Os que acabam em forma de bengala ainda servem para pendurar mochilas e sacos de ginástica, mas mesmo assim, quando chove, levá-los à escola, é sempre uma aventura com várias viagens entre o carro e o alpendre de entrada.
Os que acabam em forma de bengala ainda servem para pendurar mochilas e sacos de ginástica, mas mesmo assim, quando chove, levá-los à escola, é sempre uma aventura com várias viagens entre o carro e o alpendre de entrada.
quarta-feira, outubro 12, 2005
Actualizações
... na coluna da direita. É que estava farto de ir ao fundo da Caixa para vos ler. Obrigado pelos vossos escritos.
Futebol e Política
Por ocasião do seu 80º aniversário, Mário Soares reiterou permanecer afastado da vida política activa.

Este é um exemplo clássico, de que os jovens não pensam muito naquilo que dizem, e deixam escapar o primeiro disparate que lhes vem à cabeça. Passado algum tempo, acabam por amadurecer, e mostrar ao mundo o quanto estavam errados.
Vejamos outro exemplo.
Este é um exemplo clássico, de que os jovens não pensam muito naquilo que dizem, e deixam escapar o primeiro disparate que lhes vem à cabeça. Passado algum tempo, acabam por amadurecer, e mostrar ao mundo o quanto estavam errados.
Vejamos outro exemplo.
terça-feira, outubro 11, 2005
Álbum de Recordações
Feito a correr o álbum. A vida contada aos quadradinhos. Distribuir nas páginas, o que não se revela nas fotos. Ali estás tu ainda menino, ar de traquinas e quase sempre São Martinho. Ali naquela outra já mais velho, velhos amigos, saudades desses tempos, as brincadeiras, as partidas. Ainda te faz mossa a partida. Não te detenhas aí. Muda de página. Olha quem chega agora, a menina linda dos teus olhos. Também dos meus. Sempre princesa. É ela quem te abraça, em caso de emergência. Vem a seguir mais um sorriso, uma outra mão, um outro abraço. Aquilo que agora sentes, saiu do enquadramento, vem desfocado. Se olhos brilham não os escondas, que um homem também vacila. Ponham-se em fila vêm lá as fotos e as palavras de tantos amigos. Lembras-te de tudo isto ? Textos escritos nas cumplicidades, alegria, sorrisos e gargalhadas. Neste a lembrança é mais séria. Da porrada que levaste em Caxias. Histórias de embalar que escrevias à princesa, como se estivesses em Espanha. Anda lá mais um bocadinho para a frente. É que cada um de nós vai dizer o que sente, bem perto de uma imagem. A última foto tiro-a agora. Apanho-te no meio delas as duas, a folhear o álbum. Nesta, fica-te bem o sorriso. Havemos de cá estar para o que for preciso.
segunda-feira, outubro 10, 2005
Abusar da sorte
Já escrevi uma vez sobre isto. Sobre as pessoas que já esgotaram o plafond de sorte que lhes está destinado para a vida. Um gajo que sobrevive a um desastre de avião tem é que estar quietinho em casa, e rezar para que nada mais o importune. Não deve candidatar-se a coisa nenhuma, nem sequer à administração do condomínio. É que nestas coisas de eleições, a sorte, por vezes, também conta, e o meu amigo já esgotou o seu plafond.
De igual forma, uma pessoa cujo filho sobreviveu a um desastre de avião, tem é que ir para casa agradecer a todos os santinhos e deixar-se ficar no seu aconchego sem importunar as outras pessoas. Não abusem da sorte meus senhores.
Por fim, há quem acredite que, ao casar com a Bárbara, o Manuel Maria esgotou o seu plafond de sorte e que, nesta linha de raciocínio, se devia dedicar a ficar em casa e ser, para o resto da vida, um homem objecto. Eu não acho que seja propriamente a sorte grande, mas que o homem estava a pedir uma tareia, lá isso estava. Bem feita.
De igual forma, uma pessoa cujo filho sobreviveu a um desastre de avião, tem é que ir para casa agradecer a todos os santinhos e deixar-se ficar no seu aconchego sem importunar as outras pessoas. Não abusem da sorte meus senhores.
Por fim, há quem acredite que, ao casar com a Bárbara, o Manuel Maria esgotou o seu plafond de sorte e que, nesta linha de raciocínio, se devia dedicar a ficar em casa e ser, para o resto da vida, um homem objecto. Eu não acho que seja propriamente a sorte grande, mas que o homem estava a pedir uma tareia, lá isso estava. Bem feita.
Elas sobre eles sobre elas
Ontem à noite, provavelmente cansado da noite eleitoral, parei na SIC Mulher, num programa em que quatro pessoas do sexo feminino, falavam sobre os homens. Guida Maria, Luísa Castelo-Branco, Ana Marques e Solange F discutem alegremente as relações entre mulheres e homens num programa chamado “Elas sobre eles”. Parece existir um programa exactamente no mesmo formato em que eles falam sobre elas, mas esse nunca assisti.
Trata-se de dividir a humanidade em dois grandes conjuntos, e discutir premissas sobre cada um deles. Temos então conjunto das mulheres e o conjunto dos homens. E a partir daqui é generalizar:
Os homens pensam da cintura para baixo
Os homens são mais práticos
Os homens davam jeito porque sabem colocar buchas, parafusos o que permite pendurar algumas das tralhas que as mulheres gostam de ter em penduradas. Mas desde que inventaram os berbequins, as mulheres conseguiram dominar o mundo da bricolage e já não precisam dos homens para nada. Ainda há a questão da muda dos pneus.
Os homens são intermitentes e as mulheres são contínuas.
Há sete mulheres para cada homem. Elas caçam, eles escolhem.
Os homens não se aguentam muito tempo sozinhos. Depois de um divórcio ou de ficarem viúvos encontram logo uma nova mulher.
Mais vale ser esperta que inteligente. Os homens fogem da inteligência feminina. Se conhecerem uma mulher gira, boa, rica e inteligente fogem a setes pés.
Eu sei que estas alminhas estão a falar de estereótipos, mas mesmo assim ... que raio de homens é que terão conhecido, para insistir na divisão do mundo pelo tracejado dos sexos? A velha divisão entre índios e cowboys, os policias e ladrões, os bons e os maus, é tão mais sábia ...
Todo o século XX a convergir para a igualdade entre homens e mulheres e assim que se vêem com um canal de televisão nas mãos, a primeira coisa que fazem é marcar fronteiras, cavar fossos e marcar terreno ? Mas de que é que estávamos à espera ? Eu já sabia, isto o mulherio é todo igual, quem já viu uma já viu todas. Assim que lhes concedemos uma coisinha querem logo tudo. Mas quem é que disse que as mulheres devem ter um canal de televisão? As mulheres na televisão, só devem fazer duas coisas, locução de continuidade e limpar o pó ao aparelho. Vão mas é para casa, tratar das tarefas domésticas. Desavergonhadas. Ordinaronas. Ressabiadas.
Trata-se de dividir a humanidade em dois grandes conjuntos, e discutir premissas sobre cada um deles. Temos então conjunto das mulheres e o conjunto dos homens. E a partir daqui é generalizar:
Os homens pensam da cintura para baixo
Os homens são mais práticos
Os homens davam jeito porque sabem colocar buchas, parafusos o que permite pendurar algumas das tralhas que as mulheres gostam de ter em penduradas. Mas desde que inventaram os berbequins, as mulheres conseguiram dominar o mundo da bricolage e já não precisam dos homens para nada. Ainda há a questão da muda dos pneus.
Os homens são intermitentes e as mulheres são contínuas.
Há sete mulheres para cada homem. Elas caçam, eles escolhem.
Os homens não se aguentam muito tempo sozinhos. Depois de um divórcio ou de ficarem viúvos encontram logo uma nova mulher.
Mais vale ser esperta que inteligente. Os homens fogem da inteligência feminina. Se conhecerem uma mulher gira, boa, rica e inteligente fogem a setes pés.
Eu sei que estas alminhas estão a falar de estereótipos, mas mesmo assim ... que raio de homens é que terão conhecido, para insistir na divisão do mundo pelo tracejado dos sexos? A velha divisão entre índios e cowboys, os policias e ladrões, os bons e os maus, é tão mais sábia ...
Todo o século XX a convergir para a igualdade entre homens e mulheres e assim que se vêem com um canal de televisão nas mãos, a primeira coisa que fazem é marcar fronteiras, cavar fossos e marcar terreno ? Mas de que é que estávamos à espera ? Eu já sabia, isto o mulherio é todo igual, quem já viu uma já viu todas. Assim que lhes concedemos uma coisinha querem logo tudo. Mas quem é que disse que as mulheres devem ter um canal de televisão? As mulheres na televisão, só devem fazer duas coisas, locução de continuidade e limpar o pó ao aparelho. Vão mas é para casa, tratar das tarefas domésticas. Desavergonhadas. Ordinaronas. Ressabiadas.
domingo, outubro 09, 2005
Finalmente
Já reflecti e já decidi. Exactamente no dia destinado para o efeito. Amanhã (daqui a umas horas) voto.
sexta-feira, outubro 07, 2005
Teoria
Em três passos conhece-se qualquer pessoa do mundo.
Eu explico.
Imagine-se uma pessoa qualquer do mundo. Então conhecemos alguém que conhece alguém que conhece alguém que conhece essa pessoa.
Será verdade? Não sei.
Serve para alguma coisa ? Huuuumm provavelmente não.
Mas é engraçado como assunto.
Eu explico.
Imagine-se uma pessoa qualquer do mundo. Então conhecemos alguém que conhece alguém que conhece alguém que conhece essa pessoa.
Será verdade? Não sei.
Serve para alguma coisa ? Huuuumm provavelmente não.
Mas é engraçado como assunto.
Discurso Directo
“Quero fazer um apelo ao voto dos ‘gays’ em Manuel Maria Carrilho , que é um candidato que nos apoia, não só em palavras mas também em actos.”
António Serzedelo
Presidente da Opus Gay
Diário de Notícias de Hoje
António Serzedelo
Presidente da Opus Gay
Diário de Notícias de Hoje
quinta-feira, outubro 06, 2005
Museu de Cera
As sondagens em Lisboa dão vantagem a Carmona. O PS arrisca-se a ficar, mais uma vez, arredado da CML.
Também quem é que os manda escolher um candidato que mais parece uma estátua do Madame Tussot.
Também quem é que os manda escolher um candidato que mais parece uma estátua do Madame Tussot.
Aprende a nadar companheiro
Continuo a surpreender-me com as memórias associadas a alguns sentidos. No outro dia, o cheiro da cantina da escola dos príncipes, levou-me até ao “Formigueiro”, o meu colégio castelo. Não me lembro como era a cantina mas o cheiro dos pratos e copos de plástico, dos pudins às cores, era exactamente aquele. O que será feito da Ercília ?
Ontem lá em casa ouviu-se esta canção, mais uma máquina capaz de nos transportar no tempo, até às viagens à Beira Alta, com a minha avó. Como bons burgueses que éramos, ia-mos de táxi, mas não dispensávamos o cancioneiro revolucionário. Do cancioneiro, a maré, como a Beira, ia alta.
Aprende a nadar, companheiro
Aprende a nadar, companheiro
Que a maré se vai levantar
Que a maré se vai levantar
Que a liberdade está a passar por aqui
Que a liberdade está a passar por aqui
Que a liberdade está a passar por aqui
Maré alta
Maré alta
Maré alta
(ajuda a equilibrar o post anterior)
Ontem lá em casa ouviu-se esta canção, mais uma máquina capaz de nos transportar no tempo, até às viagens à Beira Alta, com a minha avó. Como bons burgueses que éramos, ia-mos de táxi, mas não dispensávamos o cancioneiro revolucionário. Do cancioneiro, a maré, como a Beira, ia alta.
Aprende a nadar, companheiro
Aprende a nadar, companheiro
Que a maré se vai levantar
Que a maré se vai levantar
Que a liberdade está a passar por aqui
Que a liberdade está a passar por aqui
Que a liberdade está a passar por aqui
Maré alta
Maré alta
Maré alta
(ajuda a equilibrar o post anterior)
terça-feira, outubro 04, 2005
Teatro
Aviso aos leitores: este é um post muito reaccionário.
Tema: A crise das companhias teatrais (essencialmente no Norte) por atrasos no processo de distribuição de subsídios por parte do ministério da cultura.
Este atraso na distribuição de verbas já cabimentadas tem vindo a provocar a suspensão ou cessação de actividade de algumas companhias de teatro nortenhas. De um modo genérico, o teatro em todo o país sofre de uma exagerada subsídio dependência. Não me parece que faça sentido que uma actividade esteja sobredimensionada para o mercado que tem, esperando a existência de subsídios para garantir a sobrevivência. A dura realidade é que não há público suficiente para tanta companhia de teatro e que, à semelhança do que se passa noutros mercados, a oferta vai ter que se dimensionar à procura. Isto implica necessariamente o desaparecimento de muitas destas companhias. As mercearias de bairro fecham, os cinemas de bairro fecham, as indústrias pouco competitivas fecham, as escolas sem alunos fecham, os clubes de vídeo fecham e as galerias de arte também. Porque estão no meio de lutas desiguais mas sobretudo porque não têm mercado e porque o que existe procura soluções mais económicas. Isto quer dizer que eu acho que o estado não deva subsidiar o teatro? Não. Acho que o deve fazer de forma a não criar relações de subsídio dependência.
Formam-se comissões independentes que avaliam os projectos e decidem quais as companhias a financiar. Isto é não é nada. Quem é que garante que uma comissão independente faz uma triagem válida, face ao público que vai, ou está disposto a ir, ao teatro. Para mim, fazia sentido que o estado comparticipasse ou financiasse as acções de divulgação das peças que as companhias colocam em cena, e que pagassem em função do número de espectadores que tivessem ou directamente aos espectadores que comprassem bilhetes para as peças. Seguramente a ida de escolas ao teatro deveria ser totalmente paga pelo estado para garantir a vertente educacional e criar de uma vez por todas os bons hábitos. Virtude desta ideia: a triagem é feita pelo público. Defeitos desta ideia: corre-se o risco de premiar a falta de qualidade, a ausência de conteúdos culturais e educativos, a versão pimba do teatro. Existiriam casos destes como existiria o contrário, ganhar-se-ia a garantia que só se financiavam projectos com aceitação do público. Não acredito no financiamento de Brancas de Neve. Problema da ideia: as companhias deixavam de ter capital à cabeça. Solução para o problema: teriam que procurar investidores ou recorriam a crédito bancário com taxas de juro bonificadas. E se o projecto corresse mal ? Se corresse mal, acontecia o mesmo que acontece a todas as pessoas que têm ideias brilhantes mas que não resultam, e que se vêm a braços com a necessidade de pagar um empréstimo que contraíram para as colocar na prática. O risco só pode estar do lado de quem quer levar a sua avante. É natural e desejável que assim seja.
O país está cheio de pessoas que não estão a fazer aquilo para o qual investiram toda a sua formação. Os actores, encenadores, figurinistas, técnicos de luz e técnicos de som não têm que estar imunes à crise que o país atravessa. A verdade é que face a uma crise financeira, uma família começa por cortar naquilo que é considerado actividade de recreio. É triste ? É duro ? Pois é. Mas é nessa área que as pessoas do teatro resolveram trabalhar. Não têm outra alternativa ? Deviam ter. Eu gosto muito de escrever e tenho paixão por cantar. Gostava muito de cantar. Pois claro que gostava (mas também acho que o mundo não tinha obrigação de me aturar as cantorias). Não tive coragem para viver da minha paixão ? Pois não tive, e admiro muito quem teve. Mas as escolhas pessoais são sobretudo isso. Pessoais. Quando se escolhe sabe-se o que é que se está a escolher e os riscos que se estão a correr.
Uma companhia de teatro só deve existir, se conseguir levar pessoas às suas peças e se conseguir gerar receitas que permitam suportar os custos que têm. Podem e devem, face à actividade que exercem, ser apoiadas. Nunca sustentadas. Confesso que me irrita ouvir dizer que o estado não está a cumprir com as suas obrigações quando estamos a falar de um apoio que devia ser encarado como uma ajudam, e é transformado no principal suporte do exercício da actividade.
Tema: A crise das companhias teatrais (essencialmente no Norte) por atrasos no processo de distribuição de subsídios por parte do ministério da cultura.
Este atraso na distribuição de verbas já cabimentadas tem vindo a provocar a suspensão ou cessação de actividade de algumas companhias de teatro nortenhas. De um modo genérico, o teatro em todo o país sofre de uma exagerada subsídio dependência. Não me parece que faça sentido que uma actividade esteja sobredimensionada para o mercado que tem, esperando a existência de subsídios para garantir a sobrevivência. A dura realidade é que não há público suficiente para tanta companhia de teatro e que, à semelhança do que se passa noutros mercados, a oferta vai ter que se dimensionar à procura. Isto implica necessariamente o desaparecimento de muitas destas companhias. As mercearias de bairro fecham, os cinemas de bairro fecham, as indústrias pouco competitivas fecham, as escolas sem alunos fecham, os clubes de vídeo fecham e as galerias de arte também. Porque estão no meio de lutas desiguais mas sobretudo porque não têm mercado e porque o que existe procura soluções mais económicas. Isto quer dizer que eu acho que o estado não deva subsidiar o teatro? Não. Acho que o deve fazer de forma a não criar relações de subsídio dependência.
Formam-se comissões independentes que avaliam os projectos e decidem quais as companhias a financiar. Isto é não é nada. Quem é que garante que uma comissão independente faz uma triagem válida, face ao público que vai, ou está disposto a ir, ao teatro. Para mim, fazia sentido que o estado comparticipasse ou financiasse as acções de divulgação das peças que as companhias colocam em cena, e que pagassem em função do número de espectadores que tivessem ou directamente aos espectadores que comprassem bilhetes para as peças. Seguramente a ida de escolas ao teatro deveria ser totalmente paga pelo estado para garantir a vertente educacional e criar de uma vez por todas os bons hábitos. Virtude desta ideia: a triagem é feita pelo público. Defeitos desta ideia: corre-se o risco de premiar a falta de qualidade, a ausência de conteúdos culturais e educativos, a versão pimba do teatro. Existiriam casos destes como existiria o contrário, ganhar-se-ia a garantia que só se financiavam projectos com aceitação do público. Não acredito no financiamento de Brancas de Neve. Problema da ideia: as companhias deixavam de ter capital à cabeça. Solução para o problema: teriam que procurar investidores ou recorriam a crédito bancário com taxas de juro bonificadas. E se o projecto corresse mal ? Se corresse mal, acontecia o mesmo que acontece a todas as pessoas que têm ideias brilhantes mas que não resultam, e que se vêm a braços com a necessidade de pagar um empréstimo que contraíram para as colocar na prática. O risco só pode estar do lado de quem quer levar a sua avante. É natural e desejável que assim seja.
O país está cheio de pessoas que não estão a fazer aquilo para o qual investiram toda a sua formação. Os actores, encenadores, figurinistas, técnicos de luz e técnicos de som não têm que estar imunes à crise que o país atravessa. A verdade é que face a uma crise financeira, uma família começa por cortar naquilo que é considerado actividade de recreio. É triste ? É duro ? Pois é. Mas é nessa área que as pessoas do teatro resolveram trabalhar. Não têm outra alternativa ? Deviam ter. Eu gosto muito de escrever e tenho paixão por cantar. Gostava muito de cantar. Pois claro que gostava (mas também acho que o mundo não tinha obrigação de me aturar as cantorias). Não tive coragem para viver da minha paixão ? Pois não tive, e admiro muito quem teve. Mas as escolhas pessoais são sobretudo isso. Pessoais. Quando se escolhe sabe-se o que é que se está a escolher e os riscos que se estão a correr.
Uma companhia de teatro só deve existir, se conseguir levar pessoas às suas peças e se conseguir gerar receitas que permitam suportar os custos que têm. Podem e devem, face à actividade que exercem, ser apoiadas. Nunca sustentadas. Confesso que me irrita ouvir dizer que o estado não está a cumprir com as suas obrigações quando estamos a falar de um apoio que devia ser encarado como uma ajudam, e é transformado no principal suporte do exercício da actividade.
segunda-feira, outubro 03, 2005
Diálogo
Aos berros no local de trabalho
- Carlaaaaa
- Sim
- Qual é o tema de hoje ?
- Humm. Masturbação feminina.
- Boa.
- É bom.
- Pois é.
Quebras
Estou fanhoso, de nariz entupido, não consigo assoar-me, tenho sono e uma preguiça imensa. Apetece-me sofá e filmes. Para acompanhar tudo isto, o meu cérebro também está entupido. Deve ser castigo pelo esforço feito a dissertar sobre disparates. O meu crânio está em lusco-fusco. A propósito.
Quem é que, pela manhã, se enganou e pôs uma lâmpada de 25 W no sol?
Quem é que, pela manhã, se enganou e pôs uma lâmpada de 25 W no sol?
domingo, outubro 02, 2005
Homens ... Senhoras
(continuação do post anterior)

Desde então que, até há uns dias atrás, andava com esta dúvida na cabeça. O mistério esclarece-se à conta de outro mito do mulherio. O mito das pontas espigadas. O que é isto dos cabelos terem as pontas espigadas? Porque raio de carga de água as pontas dos cabelos espigariam? Aparentemente este é um fenómeno como o da candidatura de Cavaco Silva à presidência, toda a gente fala dele mas a verdade é que não existe. Foi numa destas dissertações a propósito da inexistência de pontas espigadas que uma mulher se disponibilizou a demonstrar-me a sua existência. Eu confrontei-a com a delicadeza da situação, explicando-lhe que ela não ia achar muita graça se eu me disponibilizasse a mostrar-lhe uma ponta espigada, mas ela não se demoveu e entregou-se a uma infindável tarefa de procurar uma ponta espigada no meio de milhões de pontas. Dez minutos naquela tarefa e lá mostrou um sorriso vitorioso.
- Aqui está uma.
Exibe-me a ponta de um cabelo em forma bifurcada. Isto é que é uma ponta espigada? Um Y na ponta de um cabelo. É por isto que se vendem milhões de champôs ao dobro do preço. Porque causa dos Y’s? Então e os W’s, e os X’s e os S’s e os Z’s. Como se não bastasse, ela conseguiu separar o cabelo em dois, o que na realidade significa duplicar o cabelo. Ora isto põe-me a pensar que o que eu preciso é de um champô que me espigue as pontas. Pago 10 vezes o preço de um champô normal para duplicar os meus parcos cabelos. Isto é a solução para os meus problemas.
Não contente com a demonstração, aquela mulher resolveu encontrar outra ponta espigada para um colega meu, que entretanto se interessou pelo assunto. Mais dez minutos de intensas buscas e lá conseguiu encontrar a outra ponta em Y.
Isto fez-nos falar a todos sobre o assunto e chegar a meia dúzia de conclusões. As mulheres têm exactamente duas pontas espigadas no meio dos seus milhões de cabelos e sentem tremendas dificuldades para as encontrar. Precisam de ajuda para o fazer e fazem-no aos pares ou aos trios. Ajudar outra mulher a localizar as suas duas pontas espigadas, faz parte da conduta de honra do sexo feminino, mesmo que não se conheçam de lado nenhum. É um ritual provavelmente parecido ao catar dos piolhos dos macacos. Dão as costas, no caso o couro cabeludo, e o outro cata os piolhos. É isto que as leva em grupo à casa de banho. Vão catar as duas pontas espigadas que possuem nos cabelos. É um hábito social que deve ter regras muito próprias, ditar relações de poder, enfim um ritual de contornos bem definidos e que me falta aprofundar.
É natural que a esta descoberta seja negada com maior ou menor veemência. Mas a negação é tantas vezes o primeiro dos sintomas de tanta coisa...

Desde então que, até há uns dias atrás, andava com esta dúvida na cabeça. O mistério esclarece-se à conta de outro mito do mulherio. O mito das pontas espigadas. O que é isto dos cabelos terem as pontas espigadas? Porque raio de carga de água as pontas dos cabelos espigariam? Aparentemente este é um fenómeno como o da candidatura de Cavaco Silva à presidência, toda a gente fala dele mas a verdade é que não existe. Foi numa destas dissertações a propósito da inexistência de pontas espigadas que uma mulher se disponibilizou a demonstrar-me a sua existência. Eu confrontei-a com a delicadeza da situação, explicando-lhe que ela não ia achar muita graça se eu me disponibilizasse a mostrar-lhe uma ponta espigada, mas ela não se demoveu e entregou-se a uma infindável tarefa de procurar uma ponta espigada no meio de milhões de pontas. Dez minutos naquela tarefa e lá mostrou um sorriso vitorioso.
- Aqui está uma.
Exibe-me a ponta de um cabelo em forma bifurcada. Isto é que é uma ponta espigada? Um Y na ponta de um cabelo. É por isto que se vendem milhões de champôs ao dobro do preço. Porque causa dos Y’s? Então e os W’s, e os X’s e os S’s e os Z’s. Como se não bastasse, ela conseguiu separar o cabelo em dois, o que na realidade significa duplicar o cabelo. Ora isto põe-me a pensar que o que eu preciso é de um champô que me espigue as pontas. Pago 10 vezes o preço de um champô normal para duplicar os meus parcos cabelos. Isto é a solução para os meus problemas.
Não contente com a demonstração, aquela mulher resolveu encontrar outra ponta espigada para um colega meu, que entretanto se interessou pelo assunto. Mais dez minutos de intensas buscas e lá conseguiu encontrar a outra ponta em Y.
Isto fez-nos falar a todos sobre o assunto e chegar a meia dúzia de conclusões. As mulheres têm exactamente duas pontas espigadas no meio dos seus milhões de cabelos e sentem tremendas dificuldades para as encontrar. Precisam de ajuda para o fazer e fazem-no aos pares ou aos trios. Ajudar outra mulher a localizar as suas duas pontas espigadas, faz parte da conduta de honra do sexo feminino, mesmo que não se conheçam de lado nenhum. É um ritual provavelmente parecido ao catar dos piolhos dos macacos. Dão as costas, no caso o couro cabeludo, e o outro cata os piolhos. É isto que as leva em grupo à casa de banho. Vão catar as duas pontas espigadas que possuem nos cabelos. É um hábito social que deve ter regras muito próprias, ditar relações de poder, enfim um ritual de contornos bem definidos e que me falta aprofundar.
É natural que a esta descoberta seja negada com maior ou menor veemência. Mas a negação é tantas vezes o primeiro dos sintomas de tanta coisa...
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