professores me passavam às cadeiras para acelerar o meu percurso na faculdade, só para se livrarem dos meus concertos. Será ? Não havia canção que não soubesse de cor, arranjo, 1ª voz, 2ª voz, entrada de instrumento, fífia dada em determinado concerto, variação, alinhamento de concerto. Eu sabia de cor e fazia questão de praticar muito. Se houve um grupo do qual eu fui fã foi do Trovante. Porque descobri o grupo antes de quase toda a gente, porque muito provavelmente os ouvi na 1ª festa do avante em 1976 na FIL, porque o single “Nuvem negra” – a canção com que eles participaram no festival de Cuba – foi parar lá a casa, porque estive na “Festa do7” quando a Valentim de Carvalho lhes acenou com o contrato para o Baile do Bosque, porque fui vezes sem conta ao Happening e depois ao Xafarix, porque estive no Loucuras a vê-lo cantar as canções do Max, porque estive na Aula Magna quando ele partiu um pé em palco, porque estive em 84 no Coliseu,
e porque depois desses estive em tantos e tantos momentos do Trovante e do Luís, e é por tudo isso que sim, talvez eu possa receber uns pêsames na mesma proporção que recebia mensagens a dizer “Ontem lembrei-me de ti. Os Trovante foram à televisão e lembrei-me”. Eu, irritante, respondia “Trovante é singular: O Trovante!”. Sim, por isso ontem fui à basílica da Estrela para chorar perante uma urna com o bandolim pousado sobre ela.
Sim ontem fui lá para te agradecer e para te chorar, para saber se alguém cumpriu o mar, para ver os lugares onde o espaço é quase tudo e tempo quase nada, pelo repouso de aventureiro, para chorar a saudade de alguém que nos faz falta, por cada uma das sete estrelas que se apagaram, para convocar os palhaços e chamar os acrobatas, e as lembranças de todos os momentos que são os sorrisos que quero rever devagar. Ontem fui lembrar-me de não ligar a coisas de nada como te ouvi numa canção, e fui reclamar de nos terem roubado um sorriso e também fui em nome da lua que veio beijar sei lá o quê, ou que te amava nas noites de pouca terra, fui pelo sonho pela vida pela poesia, fui para saber qual era o nome dessa moda, fui reclamar com Deus que leva os que ama. Fui protestar por só Deus ter os que mais ama. Sim Represas, guardo o teu sorriso fechado na minha mão, a contrastar com o siso que trago no coração.
Só mais um recado, se houver próxima vez, a sério, não vás.



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