domingo, dezembro 28, 2008

Máquina do Tempo II


Há coisas que não ficam arrumadas durante muito tempo, e esta secretária tem um "je ne sais quoi" que atrai cromos, gromitis, balões, pilhas, chaves, moedas, envelopes e embalagens de flocos para peixes.

Máquina do Tempo I

O saco do ikea atulhado com os meus últimos 8 anos de trabalho naquele cliente, conferiu a urgência de arrumar a secretária cá de casa. Fora o que lá deixei e distribuí pelos meus colegas, numa sessão de partilhas, trouxe dossiers, contratos, formações, propostas, música, isqueiros, fotos, cartões de memória, memórias para lá das fronteiras de um cartão. O saco do ikea pesava uns trinta quilos e a secretária não parecia ter espaço para tamanho encargo. Uma arrumação a sério, que o fecho do ano se presta a estas coisas, esvaziar gavetas, revirar todos os papéis, decidir o que fica e o que não faz falta. E das gavetas, como do chapéu do ilusionista, surgem surpresas, que num repente nos fazem passageiros da máquina do tempo. O cartão de ginasta federado, um caderno da segunda classe, fotografias da recruta em Mafra e do resto da tropa em Beja, uma filofax com os números de telefone de sete algarismos e números de telemóvel começados por 0936 ou 0931, cartões de visita, convites de casamento, cartão de socorrista, fotografias das férias com amigos na autocaravana, um cheque de 30000 euros que o BES me enviou com uma proposta de crédito (tinha alguns 100 envelopes do BES, da CGD, da ZON, da Clix por abrir).
Ficam aqui três coelhos tirados desta cartola. O cartão militar, uma foto do Lido em Veneza (a ilha e praia da Morte em Veneza) tirada na viagem de auto caravana e uma pagina de um caderno da segunda classe (a Dona Inês bem dizia que a forma como um aluno desenha uma árvore, nos dá fortes indícios sobre a sua inteligência, e suspeito que a minha fique aquém das expectativas).





sexta-feira, dezembro 26, 2008

Eu quero uma casa no campo

... onde eu possa possa plantar meus amigos, meus discos e livros e nada mais.

De: Zé Rodrix e Tavito

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
Meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais


segunda-feira, dezembro 22, 2008

Risco

Este ano só há Natal lá em casa se o Benfica, esta noite, ganhar ao Nacional da Madeira. Se por uma infelicidade, semelhante à que aconteceu ao Sporting e Porto, o Benfica não amealhar os 3 pontos, o Natal é passado no you-tube a ver as emissões do parlamento de sua majestade Alberto João.
E mai'nada

domingo, dezembro 21, 2008

Época


A presente é farta em jantares, à conta da ocasião. Eu que regra geral sou fiel ao princípio de não festejar aniversários antecipadamente porque pode dar galo, abro uma excepção para este aniversariante que tem o mesmo nome do arrumador de automóveis cá da rua, e vai daí que vou a um ou outro jantar de Natal, a dar alguma coisa há-de ser peru e bacalhau. Ora na passada sexta, além do jantar, vai de armar-me em puto xarila e rumar ao salão, vestido como se fosse andar de skate, ver ouvir e dançar, ou lá o que é que se faz com a actuação dos DJ's, ao som de um tal de Kid Loco que eu não faço puto ideia quem seja. E olha que gostei. Não sei se foi do Gin Tónico, se foi das gaiolas que penduraram por cima da pista com umas miúdas saídas da capa do disco dele, se foi mesmo da batida, mas gostei.
Passados poucos minutos de me enfiar na cama, tinha uns kids loucos aos pulos em cima de mim, e já não havia senhas para mais Gin.
Passei o resto do fim de semana a tentar recuperar dos exageros.

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Cromo

O Sirenes chega-me à cozinha com três embalagens de pensos higiénicos na mão e diz:
- Pai Pai. Vês a mãe também tem carteiras de cromos.
- Pois tem António, pois tem.
O café que me saiu pelo nariz, ajudou-me a resistir à tentação de lhe perguntar pela caderneta.

terça-feira, dezembro 16, 2008

15 minutos

antes do costume, se costumas à hora certa, é certo que hoje lhe tirei um quarto, e no quarto, conforme acordado, ainda estremunhado acordo em contra mão. A mão pesada e súbita sobre uma tecla qualquer, qualquer dia ainda se parte. Parto à descoberta do dia, 14 minutos antes da hora, está na hora dos preparos, não pares! Não, não paro. 13 minutos. Bom dia, bom dia, faço a barba, apresso o outro, e um beijo de bons dias às pressas. Depressa pai que o xixi ganhou à fralda, troco os planos, troco as mãos, e siga as vestes, vê se te vestes, não é já vou, é mesmo agora. O que é agora ? A pasta de dentes, dantes não te metias nessas coisas. Já passou pela hora dentro. Entro no duche, e entra uma canção no rádio, o boletim meteorológico, vai estar um frio do caneco, a caneca é que entornou, eu não tive a culpa, culpa-se a pressa pois então. Então essa mochila ? Já tem tudo ? Telefone, cartão e o lanche? Olha que está quase a tocar, não te esqueças de telefonar, basta um toque. Não toques aí, vai-te pentear. Sim sirenes, o teu cabelo está lindo. Lindo serviço na cozinha, o que descongelamos para o jantar ? Qualquer coisa a correr. Corre que se faz tarde. Não tarda, não arranjo lugar. Vamos embora, isso agora não, noutro dia. Tem um dia bom e um beijo. Meninos o beijo da mãe? Então vá até logo. Logo se vê isso dos cromos. Vamos embora, vamos, vamos, vamos. Não quero frenesim nas escadas, não passes à frente do teu irmão, que ele se põe logo a berrar. Sim chatum, vais ser tu outra vez a ganhar.

segunda-feira, dezembro 15, 2008

A importância da fada dos dentes no negócio das próteses dentárias

- O que estás a fazer ?
- Estou aqui a fazer uma cruz no dente que caiu (por acaso foi arrancado). É que vai para debaixo da almofada, e o João disse-me que a fada dos dentes usa os dentes para fazer dentaduras. Como o avô vai ter uma dentadura nova, pode ser que este lá vá parar e assim se encontrar uma cruz, é porque é o meu.
Acho que vou vomitar

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Mudam-se os tempos ...

muda-se de operadora de telefone e internet. Decido concentrar tudo numa só. Agora além de televisão, o telefone e a net vêm no mesmo cabo. Zon. Será a melhor decisão ?

Regresso

Uma mulher assim não pode ficar tanto tempo sem porto seguro onde lançar amarras, onde se sinta por inteiro, e cada pedra, cada banco, cada vaga abraçada seja uma história de infância ou de amor. Uma mulher bonita de luz, tem que abraçar um cais de sonhos, para que o tempo não se conte às voltas de um só eixo, antes as horas de navios no horizonte e os minutos de voos picados de gaivotas.
Preenchem-te das mesmas novas sombras o cais, e a praça vazia se faz de gente, comércio de emoções e ímpar este par, amantes sem pressas, passo ante passo, regressam as colunas ao Terreiro de Paço.

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Satizfaz muito pouco

A C. foi minha professora de história do 7º e do 9º ano. Nunca foi uma disciplina dos meus encantos, mas a C animava as aulas e convidava-nos a participar. No final do 9º ano tive alguma pena de deixar de ter esta disciplina.
O F foi meu professor de Matemática do 8º ano. Já podia estar reformado, mas insistia em dar aulas. Infelizmente pensava eu, à conta do seu estilo austero e autoritário. Nunca tive uma nota positiva num teste feito por ele, mas aprendi tudo o que havia para aprender da matemática do 8º ano.
A M. foi minha professora de economia do 10º ano. Desinteressante a matéria e a forma como era dada. Sabendo os conceitos e definições, era tão fácil ter boa nota. A M. tinha uma assiduidade precária e um mestrado para acabar.
O C. foi meu professor de trabalhos oficinais do 8º ano. Organizou visitas de estudo para que víssemos fora da sala de aulas, aquilo que ele nos ensinava no quadro e nas oficinas. Nunca tive grande nota a trabalhos oficinais, graças à minha apuradíssima destreza manual, mas lembro-me bem deste professor.
A D. foi minha professora de português do oitavo ano. Fácil de enganar. Uma redacção com alguma imaginação e o cinco era garantido. A paixão não existia, e se existisse não passava.
A F. foi a minha professora de matemática do 11º ano. Chata como tudo, parecia a madame Castafiori do Tintin e dizia “Se tiverem dúvidas, não se coíbam de perguntar”, e nós não nos coibíamos. Foi das professoras que mais me ensinou matemática e a gostar ainda mais de matemática. É daqueles casos que eu acredito ter tido sorte em tê-la como professora.
A M. foi minha professora de Ciências da Natureza do 9º ano. Sabia tanto que dava gosto, ouvi-la apesar da presença quase frágil lá à frente. Nunca fui grande aluno de Ciências da Natureza, mas adorava as aulas dadas por ela.
Podia escrever aqui sobre muitos mais professores porque grande parte deles me marcou de uma ou outra forma. Lembro-me de quase todos, e com toda a certeza que me lembro dos muito bons e dos muito maus. Dos que nos ensinavam com paixão, dos que nos ensinavam e educavam, dos que nos toleravam, dos que aprendiam connosco, e dos que nem por isso. Não me lixem, de todos os que estiveram à minha frente, é-me fácil identificar mérito e demérito, competências e incompetências. Só vejo virtudes num modelo que premeie o mérito e as competências dos que as têm e que distinga aqueles que as não têm, identificando acções que permitam que quem as não tem, possa passar a tê-las.
A minha sugestão é que se entendam neste princípio e que trabalhem em conjunto sobre a melhor forma de o fazer. A suspensão é só uma forma de empurrar com a barriga um problema sério.

terça-feira, dezembro 09, 2008

Centenário

Depois dos centenários do Benfica e do Sporting, eis que se aproxima o de Manoel de Oliveira. Pelo sim pelo não, a MultiOpticas suspendeu a campanha que oferecia, nas armações, uma percentagem de desconto igual ao da idade do cliente. Maricas.

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Retratos

Há domingos assim, cheios de retratos. Há Domingos cheios de chuvas matinais para animar a ida ao Jardim Zoológico que, pelos convites, tinha de ser nesse e só nesse dia. Os animais não se importam com a chuva e nós também não, e foi girafas e riscorontes e pavões e gorilas e leões e tigres e corcodilos. Todos retratados. Depois pela tarde, enquanto o sirenes ia a uma festa no centro cultural de belém, levámos os mais velhos a um atelier sobre a exposição de retratos do museu Berardo. Como ir com duas crianças não dá muita pica, resolvemos levar os filhos de amigos. Levámos cinco para dar luta. Vimos a exposição com pistas para descobrir, com tempo para nos sentarmos e falar sobre os retratos, com eles a fazerem legendas para poses e instantâneos. Ainda houve lugar a criar personagens, com cenários, adereços, vestuário e maquilhagem a condizer, para, desta vez, serem eles (e nós) os retratados. Bem animados estes ateliers do museu Berardo, apesar da peruca não me ter ficado bem, tenho dificuldade em lidar com excesso de cabelo. Assim de repente, vieram-me à memória as festas de Carnaval de uma certa embaixada, sempre fora de época, mas sempre animadas.
Nos retratos da noite, um jantar com amigos no Sacramento do Chiado. Gosto do Chiado e deixa-me um sorriso no retrato sempre que o vejo animado, longe dos tempos cinzas de retratos a preto e branco. Se já em casa eu tinha feito explodir uma garrafa de margarina liquida sobre mim, no restaurante foi o senhor do bar quem se encarregou de entornar dois gins tónicos por cima. Mal empregados. No retrato de fim de noite e ainda no chiado, no Silk. Não percebi o ADN daquele local onde se entra por guest list, mas tem um retrato fabuloso sobre os telhados de Lisboa, como um retrato de Maluda.
Só pode dar em sorrisos um dia tão cheio de retratos de família, a dois e com amigos. Olha o passarinho.

domingo, dezembro 07, 2008

Taxímetro 4,80 € Gorja 0,20€

- Bom dia
- Bom dia
- Basílica da Estrela por favor. Eu sei que estamos perto, mas com esta chuva, só mesmo de taxi.
- É o tempo dela.
- Pois, pois é. Mas podia ter esperado pela hora de almoço. Já estou atrasado para a missa de corpo presente da minha Tia Elvira.
- Os meus sentimentos.
- Já não fazia nada por cá. A não ser dar trabalho e ralações aos meus primos. 92 anos de idade, surda como um calhau o raio da velha. É como lhe digo, um estorvo nos dias que correm.
- Acabamos todos por ser.
- Eu cá, se chegar a essa idade, prefiro que me metam num lar. Sempre hei-de ter quem de mim trate sem andar a complicar a vida dos outros. Tou pra ver o que é que vão fazer à tralha que tinha lá para casa. Guarda fatos cheios de roupas comidas pelas traças e fotografias espalhadas em gavetas. Sacana da mulher, nunca foi de poupar. Doida por casinos. Enquanto as pernas deixaram, ia até ao Estoril. Depois disso, lá conseguiu que um amigo fosse lá a casa explicar-lhe isto dos casinos na net. Desde essa altura sempre agarrada ao Poker e às Slot Machines. Trabalhar com a máquina da roupa era muito complicado, mas quando precisou de trabalhar com o computador, passaram-lhe logo as complicações. Cabra.
- Senhora moderna.
- Se fosse a minha mãe eu dava-lhe a modernice. Levava com o teclado goela abaixo, a única aposta que fazia era se ia o engolia por inteiro ou letra a letra. Olhe, deixe-me já aqui que parou de chover.
- São quatro euros e oitenta.
- Aqui tem fique com troco.
- Adeus bom dia. E mais uma vez os meus sentimentos.
- hum estupor da velha bem que se podia ter baldado num dia de sol.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Natal

Ao almoço, levantou-se a suspeita se o Natal não seria algo determinado por seres de inteligência superior, que algures noutro planeta teriam decidido, no meio de uma bebedeira, divertir-se às nossas custas:
- Vamos brincar com os humanos e inventar uma coisa estranha para eles fazerem antes do fim do ano
- Podia ter renas
- Lá vem este e as renas. Deixa lá as renas em paz.
- Com canções com sinos.
- Sim e estrelas e ...
- E renas.
- Larga as renas. E umas luzes.
- E uma marca de refrigerantes que inventasse um gordo de barbas puxado num trenó, por cães.
- Por elefantes
- Não, por animais que se dêem bem com o frio. Leões marinhos.
- Pinguins.
- Renas, por renas.
- Deslarga-me com as renas. Por ursos polares.
- E as pessoas ficavam muito mais boazinhas umas para as outras.
- Por causa das Renas
- Não por causa do frio
- Não, por causa do fim de ano
- Não. Por causa do Jesus.
- Quem, o arrumador de carros?
- O treinador do Braga?
- Não pá, o filho do barbudo.
- O gordo do trenó ?
- Não o outro, o grandalhão com ar de nuvem.
- Eh páááá. Com esse é melhor não brincar, mais vale as renas.
- Eu sabia. As minhas renas.
- Pronto põe lá renas no trenó, mas não se metamn com o Barbas.
- O do Benfica?
- Não. O grandalhão com cara de nuvem.
- Combinado, aquilo fica por conta do filho do barbas, mas os humanóides hão-de distrair-se com isso. O tipo tipo também está sempre ocupado, não há-de dar por ela.
- Boa. Inventamos programas de televisão alusivos à época.
- Com renas e o Eládio Clímaco
- E o Toy mas sem renas
- E o banco alimentar.
- E uns barbudos insufláveis de 30 cms agarrados a uma corda para pôr nas varandas.
- Com umas renas às costas.
- Se voltas a falar de renas, elas saem do trenó.
- Não pá, eu não insisto, fica com um saco de prendas às costas.
- Boa. Prendas, vão andar a dar prendas até 5 euros em jantares de confraternização e com amigos secretos.
- E oferecem meias e cuecas uns aos outros. E jantam juntos ...
- E comem renas ...
- Não comem renas nada, comem bacalhaus e vamos inventar uns frangos qaue não caibam nos fornos.
- Chamemos-lhes Perús - o frango que não cabe no forno.
- Olha quem vem lá. A nossa drag queen. Anda cá estamos aqui a combinar uma coisa muito gira para fazer ali com os humanos.
- Olha que ela ainda aceita e isto acaba tudo com fitas e bolas às cores, brilhantes e purpurina.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Telefonema

- Olá Pai, quando chegares a casa podes trazer o Tamagochi que ficou no carro da mãe?
- Claro. E diz-me lá, onde é que a mãe estacionou o carro?
- Em frente à Sex Shop
- DESCULPAAAA????
- Em frente à Sex Shop, a Erotika
Desliguei o telefone e atirei-me para o chão algures entre o ataque de riso e o desespero.

domingo, novembro 30, 2008

Delírio

Deve-me ter dado uma travadinha, o loiro anda há séculos a chatear que quer que eu o leve a ir ver o Sporting, e hoje de manhã insinuei que podíamos ir.
Vamos ao jogo e eu estou com aquela sensação de só não sei porque é que não fiquei em casa. Vai estar frio, e se o resultado me animar, o loiro fica com os azeites. Mais vale que ganhem os verdes e brancos.
A juntar a isto esgotei o meu plafond de leões do ano inteiro. Madagascar II. Neste caso, o final feliz para o leão, estava desde logo assegurado.
Corolário do post: A todos os sportinguistas que querem garantir um final feliz para o leão, aconselho uma matine de animação infantil.

sábado, novembro 29, 2008

Caixa de Música

No fundo da caixa de costura, aos pés, coloquei a Caixa de Música. Estreia com Ana Carolina e a versão de Beatriz, obra prima de Chico Buarque e Edu Lobo. Porque aqueles símbolos a viajar naquelas cinco linhas, fazem tantas vezes levantar os pés do chão.
Coltrane por fazer parte das My Favorite Things
Elis Regina porque este blog tem tanto dela
José Mário Branco um dos melhores compositores portugueses

quinta-feira, novembro 27, 2008

Cincaum


Depois do seisadois da semana passada com o Brasil, hoje à noite este desgraçado sofreu mais cinco golos. O que nos reserva o fim de semana ? Um Quim_da surpresa

Então


é assim que as cervejas se sentem dentro do frigorífico? Porra que barbeiro.

quarta-feira, novembro 26, 2008

Siras

Ainda que largues a chucha, e a fralda imunda adjacente, vais ser sempre o bebé da casa. Ainda que a tua voz deixe de ser maior que tu, hás-de ser sempre o mais pequeno dos selvas. Ainda que já saibas escrever o teu nome, assento e tudo, serás sempre o infinitésimo da família. Tens uma espécie de imunidade que te safa quando asneiras, tens uma espécie de charme que te livra de umas palmadas, tens uma espécie de encanto que me desarma quando me zango com os teus irmãos e te oiço perguntar se estás a ser lindo, tens uma espécie de magia quando te abraças a mim a dizer "paizinhoooo" mesmo antes de me pedir alguma coisa, tens uma espécie de fascínio que faz com que os outros dois te disputem para te ler histórias à noitinha.
Agora, doce sirenes, estes predicados podem nem sempre te valer, sobretudo se dizes aqueles palavrões, se destróis os legos que demoraram horas a montar, se rasgas os cromos dos teus irmãos, se riscas as paredes e os móveis, ou se pescas os peixes do aquário.
Parabéns meu amor. Já agora, podes se faz favor, enquanto tens quatro anos, deixar fraldas nocturnas e chuchas, mas continuar a dizer riscoronte? É para não cresceres muito assim num repente.

segunda-feira, novembro 24, 2008

Arroz de Pato

à moda da Caixa de Costura
1. Separar umas peles gordas, as pontas das asas, o pescoço do resto do pato
2. O resto do animal para dentro da panela de pressão 40 minutos a ferver com sal. Não deitar fora o caldo.
3. Refogar em cebola, alho, azeite, e cubos de bacon as peles gordas, pontas de asas e o pescoço durante uma hora. Entretanto o resto do pato já ferveu, saiu da panela de pressão e já está desossado.
4. Retirar as pontas das asas, as peles gordas, e o pescoço e usar o refogado para refogar o arroz. Deixar fritar bem o arroz e colocar o pato desfiado ao barulho. Uma volta ou duas com o pato no refogado. Aqui exageros levam a que o pato fique demasiado desfiado. A evitar portanto.
5. Juntar ao arroz e ao pato quase o dobro (da quantidade de arroz) do caldo da cozedura do pato, juntar novamente sal e deixar ferver em lume baixo durante 8 minutos. O caldo não vai desaparecer todo. Colocar tudo num pirex. O fim da cozedura do arroz é no forno.
6. Cobrir (salvo seja) com fatias de bacon e rodelas de chouriço.
7. Colocar no forno previamente aquecido durante 20 minutos (uns 200 graus chegam)
PS: O pato já está morto, depenado e sem barbatanas e sem cabeça.
PS2: Normalmente dentro da barriga do pato, está uma mochila de plástico, onde ele transporta alguns orgãos outrora vitais mas, que na situação em que se encontra, não lhe servem para nada.

sexta-feira, novembro 21, 2008

Simulacro

Já começou ? Alguém me sabe dizer se já começou ? Mas afinal a terra sempre estremece ?
É que eu conto com isso. Eu que tremelico das mãos, estou doido para, pela primeira vez, o mundo e as minhas mãos, estarem síncronas.

terça-feira, novembro 18, 2008

Nortada

À conta de umas reuniões e um congresso ou lá o que é nas Berças de Xima, estou a braços com os três selvagens.
É o primeiro que não apareceu no portão da escola à hora combinada, é o primeiro e o segundo no carro a embirrarem por causa do lugar à janela da porcaria do carro, é o terceiro que me adormece num percurso de 10 minutos, é o terceiro andar sem elevador com o estupor do terceiro que deve ter o intestino cheio de chumbo o raio do labrego do miúdo, é o segundo e o terceiro que fizeram um concurso de saltos na banheira e encharcaram a casa de banho, é o primeiro que é enxertado em corno de preguiça que demora duas horas para fazer um TPC que não leva mais que 15 minutos, é o terceiro que no concurso de saltos espetou as costas na torneira da banheira, é o segundo que resolveu secar a pila a secador e que se tivesse pintelhos os tinha queimado todos também era bem feito, é o primeiro que não estuda para o teste e está a babar-se em frente à televisão, é a costureira que resolve aparecer com a baínha das calças que eu rasguei a ir fumar à varanda e que ficaram presas, é os telefonemas de trabalho durante a confecção do jantar, é o segundo que enfia o pijama no prato da sopa, é o primeiro que graças a Deus tem dentes até ao olho do cú e quase não me deixa esparguete, é o terceiro que vai à casa de banho e resolve explodir dentro e fora da sanita, é a corda roupa que não desliza, afinal não é nada, é a camisola que ficou presa e que não a deixou deslizar e parece-me que se rompeu um bocadinho e até aposto que ainda vou ouvir à conta desta, é o primeiro o segundo e o terceiro que ainda é cedo para ir para a cama, é a roupa espalhada ainda por arrumar e a de amanhã que não faço puto ideia onde possa estar repetem a de hoje e quero lá saber.
Ufa, que camada de nervos. Acho que vou menstruar.

segunda-feira, novembro 17, 2008

Olha a bola Manuela

Manuela Ferreira Leite alertou para a responsabilidade da comunicação social, e sublinhou a necessidade de evitar que a comunicação seja sobrecarregada de tarefas. Os rapazes já se esforçam tanto na elaboração de conteúdos, que devia existir alguém eventualmente isento que tratasse daquela chatice da selecção e escolha dos mesmos.
Parece-me uma boa ideia e, no meu entender, podíamos alargar o universo dos auxiliados:
- uma comissão isenta para escolher os conteúdos de cada um dos blogs com mais de 150 visitas diárias (coloquei este limite porque eu, vá-se lá entender estas coisas, gosto de escolher o que publico)
- uma comissão isenta para escolha dos candidatos às eleições (todas sem excepção)
- uma comissão isenta para escolha dos jogadores da selecção (o Carlos Queirós é professor e está preocupado com as avaliações)
- uma comissão isenta para escolha das ementas dos restaurantes (acho estúpido o cozido à portuguesa estar presente de forma tão insistente à quarta e ao domingo deixando os restantes dias entregues ao arroz de pato ou à petinga com arroz de grelos)
- uma comissão isenta para escolha do canal de televisão de cada família (o tempo que se poupava em discussões estéreis)
- uma comissão isenta para gestão dos silêncios de Manuela Ferreira Leite

domingo, novembro 16, 2008

Hoje

Panquecas ao Pequeno Almoço
Praia ao Almoço
Estádio da Luz ao Jantar
Três pontos para mim e outros tantos para o Benfica.
PS Algumas das panquecas saíram com a forma da cabeça de um urso. Pensei chamar-lhes auto-retrato.

sexta-feira, novembro 14, 2008

Os Pochetes

A regra está bem definida: "Não se mexe na mala de uma senhora"
A pergunta que fica no ar é: Porquê?
A resposta é simples: Porque se corre o risco de não voltar.
As chamadas malas de senhora, pelas quais tanto sonham e anseiam e se detêm nas montras das lojas mais ou menos especializadas, não devem ser manuseadas por homens porque elas pertencem a um complexo mundo que só agora se começa a revelar.
Nada tem a ver o facto do mulherio guardar, nas ditas malas, objectos de índole pessoal, capazes de criar desconforto ou embaraço ao serem descobertos por um homem. Nada disso. Trata-se de algo realmente assustador. As malas das senhoras são portais para um espaço comum, partilhado por todas e habitado pelos pochetes. Os pochetes são uns seres capazes de ler as mentes das mulheres e encontrar um objecto em décimas de segundo e o enviar para a mão acabada de enfiar na mala. Todas as aberturas das malas vão dar a uma gigantesca sala, imagino que maior que o estádio da luz, onde caiem e são guardados todos os objectos que elas colocam na mala.
No processo inverso, quando elas querem algo da mala, sempre que a mão de uma mulher entra na respectiva abertura, acciona um alarme num pochete que lhe lê a mente, descobre o objecto que ela quer, vai buscá-lo e atira-o para a mão feminina.
Se os pochetes estão todos ocupados na altura em que uma mulher procura um objecto, o sinal que recebemos é uma frase do estilo:
"Adoro esta mala, mas não é nada funcional. Levo horas, cada vez que tento encontrar alguma coisa."
Se um pochete se engana na entrega:
"Tem graça, já nem me lembrava que tinha guardado isto e volta a enviá-lo para o espaço partilhado."
Caso não consigam disfarçar a surpresa, é possível ouvir:
"Mas o que é que isto faz na minha mala???"
Quando o sistema está em ruptura, por excesso de pedidos, inicia-se uma reacção em cadeia e os objectos são distribuídos por todas as malas. Estes momentos são perceptíveis, porque vemos uma mulher a virar a mala do avesso e a despejar uma quantidade inqualificável de tralha (a maior parte não lhe pertence) em cima da mesa ou da cama, ou de qualquer outro local.
Os pochetes, que habitam o espaço partilhado e sabem muito mais sobre as mulheres que nós, sofrem de intolerância à testosterona e se detectam uma mão masculina enfiada no portal tentam sugá-lo. Casos há de desaparecimentos atribuídos a outras causas que não foram mais que tentativas masculinas de procurar algo no portal do mulherio. Suspeita-se Marques Mendes, Luis Pereira de Sousa, Fernando Memede e Rui Guesdes tenham sido vítimas mais ou menos recentes dos pochetes.
Posto isto, meus caros, nunca se deixem levar por qualquer tentativa de irem buscar coisas à mala de uma mulher. A menos, claro, que queiram passar o resto da vida numa imensa piscina repleta de lenços, carteiras, pensos, tickets de desconto das gasolineiras e hipermercados, talões, batons, espelhos, pinças, tampões, escovas, telemóveis, pós, pincéis, telemóveis, frascos, óculos e eventualmente pares de meias suplentes.

quinta-feira, novembro 13, 2008

WLW

Windows Live Writer - Ferramenta Microsoft para publicar na rede - com direito a mariquices. Bóralá experimentar as tabelas:

Classificação

Equipa

Pontos

Benfica 15
Sporting 13
Porto 11

Pode vir a ser útil.

 

Boa Nova

Segundo o diário económico "A crise financeira deflagrada dos Estados Unidos vai arrastar todo o mundo desenvolvido para uma recessão".
Ainda há, portanto, uma esperança para nós, tanto mais que pelo calendário, devemos estar quase com aquele tique de país subdesenvolvido de criar a maior Árvore de Natal do mundo.
Desta vez sugiro que a coloquem na sede do BPN, ou no Ministério da Educação, ou no Parlamento da Madeira, ou no Banco de Portugal, ou no raio que os parta mais a maior árvore de Natal do mundo.

quarta-feira, novembro 12, 2008

Olho por olho ....

Sempre que passo nas prateleiras dos pensos higiénicos, lembro-me da minha aventura de há um ano atrás. Continua a acontecer-me. Cada vez que tenho que comprar pensos, lá me deparo eu com aquele exagero de opções e aposto que não há-de tardar muito até existirem uns ecológicos bio-degradáveis feitos com flocos de aveia ou com fibras de barbas de milho super absorventes. A propósito, o Manel no outro dia, perante a ausência de papel no rolo, resolveu limpar-se a um penso que enfiou na sanita. Foi o João que deu por ela, quando foi à casa de banho:
"Paiiiiii. Está um penso higiénico na sanita."
O meu espanto ficou repartido entre o João saber o nome do coiso, o Manel se ter limpo ao coiso, e o facto de ter usado o lado errado do coiso para se limpar.
Adiante. Na segunda feira fui comprar um acessório para a máquina de barbear do meu pai, e deparo-me com uma mulher a olhar para as prateleiras com a mesma cara de parva que eu ponho quando olho para as prateleiras dos pensos. Usar e deitar fora, ou de substituição de lâminas, uma, duas ou três lâminas, com ou sem vibracall, com ou sem faixa lubrificante, cabeça fixa ou adaptável, cabeça rija ou flexível. Fiquei a fingir que procurava um desodorizante, enquanto a mulher varria as prateleiras estupefacta com a variedade de combinações. Nisto, e em quase tudo o resto, são mais práticas que os homens. Pegou no telefone, marcou o número e com a delicadeza das mulheres apaixonadas que fazem tudo pelos seus homens, perguntou "Ouve lá, qual é a porcaria de máquina que queres que eu compre?". Passados dois segundos, tirou a máquina da prateleira e foi À vida dela. Homem nenhum telefonaria a perguntar que pensos é que a mulher quer. Se não quiser arriscar, pega numa caixa de cada e vai embora. Mesmo assim continuo a achar que os pensos são desafios mais difíceis que as máquinas de barbear. É que elas têm uma variante mais arredondada, de cor rosa ou azul bebé para se depilarem, e a única altura em que nós comprámos algo parecido a pensos higiénicos, foi precisamente pensos higiénicos. Na tropa, para reforçar as alças da mochila, ou forrar a parte interior do capacete porque aquilo magoa como um raio. E eram daqueles que pareciam umas fraldas.

terça-feira, novembro 11, 2008

Atendedor de Chamadas

Aqui há uns anos atrás, comecei a escrever um outro blog, o Atendedor de Chamadas. Perdi-lhe o interesse quando na minha cabeça a história chegou ao fim. Retirei todos os recados excepto os dois primeiros que actualizei agora ... a ver se desta a história chega a bom porto.

segunda-feira, novembro 10, 2008

Despertares

Número um
- Deixa-me ficar só mais um bocadinho. Está bem ?
Número dois
- A mãe ontem disse que depois de eu dormir podia ir brincar com os Legos. Posso pai ?
Número três
- O Sporting ganhou ?
Nenhum dos três gostou das respectivas respostas.

domingo, novembro 09, 2008

28 anos depois

hoje fiz isto.

Um acha que eu sou mágico, o outro que eu desmontei e voltei a montar e o último que eu fiz batota e fui ver à net como é que se fazia.
Ninguém coloca a hipótese de eu ter conseguido resolver o cubo sem ajuda.
De repente lembrei-me de uma canção da Lara Li "O rapaz do cubo mágico"

sexta-feira, novembro 07, 2008

Hoje...



ando atrás de horas extra.
A juntar ao dia de ontem que foi daqueles dias em que tudo correu pelo avesso. Se não fosse a vitória do glorioso a salvá-lo...

quarta-feira, novembro 05, 2008

E agora ...

... que para escrever a tua idade precisas de mais um número? E agora, que não percebo os Tokio Hotel na tua lista de prendas (que raio João Maria, o vocalista parece o Sangoku do Dragon Ball e aquilo roça o fraquinho), e agora que te vejo na equidistância de bebé e menino, e agora João Maria? Para o que quer que seja, és o mais velho e o primeiro, e eu, que sei tanto disto como tu, não pesco nada desta coisa de pais e filhos. Contigo serão sempre caminhos por desbravar, primeiros passos, primeiras falas, primeiras falhas. Contigo é sempre novidade, bem que podes dar um desconto. Queres tanto ser o melhor cozinheiro do mundo como eu quero ser o melhor pai do mundo. É certo que por vezes, exageramos nos condimentos, ou nos falha a mão no sal, mas o resultado é quase sempre bem apurado. Parabéns bochechas, és um dos três melhores filhos do mundo.

terça-feira, novembro 04, 2008

Eu vou-me é deitar...

isto é como os óscares. Amanhã de manhã logo se confirma que o homem ganhou. O tal que é assim mais moreno. Ainda bem que ganha o mais morenito, porque os camones têm tiques de ser ligeiramnete resistentes à mudança:
- elegem à terça porque há duzentos anos os eleitores tinham que votar nas capitais de estado e a deslocação até à capital demorava mais que um dia e como Domingo era dia do Senhor, só conseguiam chegar à Terça;
- elegem com uma espécie de cartões perfurados e picotados;
- elegem em Novembro à conta do calendário agrícola.
É que não me faz sentido (o que eu embirro com esta expressão "não me faz sentido") deitar-me mais tarde para assistir ao resultado das eleições de um país que se rege pelas dicas do borda de água lá da terra: "water bordate".
Olhem lá o aspecto dos boletins de voto:

Na onda da depilação masculina

... a tatuagem feminina. Para equilibrar ...

segunda-feira, novembro 03, 2008

Hásdes Hásdes

A mulher cala-se, que não há quem a faça escrever uma linha sobre o que quer que seja. Nuns repentes, abre a matraca, e resolve questionar sobre depilação integral masculina. Droga-se.
As imagens que eu vi para encontrar estas ...



Porque aqui...

... se festeja e se fica feliz com as coisas boas que acontecem a quem se gosta. Parabéns.
A miúda ali ao lado está embarazada, e isso é genericamente cosiderado muito bom. Chibou-se finalmente.
Vais ficar uma panças tão gira ... irremediavelmente irritada, mas linda:
"Que chatice esta barriga, não consigo ver os pés, mas que coisa, ... agora pareço uma parva ao volante. Que raios ..."
Beijos e um abraço de parabéns ao desgraçado_que_te_vai_aturar_de_hormonas_aos_saltos_nos_próximos_meses_ que_com_as_gajas_sossegadas_já_é_o_que_é_fosga-se_não_queria_estar_na_pele_dele, quer dizer ao pai.

sexta-feira, outubro 31, 2008

Magalhócrates

Na intervenção de ontem na cimeira ibero-americana, o nosso primeiro, apresentou o Magalhães aos seus parceiros. Começou por o comparar ao Tintim, evidenciando a sua utilização dos 7 aos 77 anos, e acabou por afirmar que todos os seus assessores o usam.
Quanto à comparação ao Tintim, parece-me, além de triste para o herói de banda desenhada, tanga. Primeiro: Existe Tintim de capa mole e Tintim de capa dura, e que eu saiba o Magalhães só existe em capa dura. Segundo: o Tintim foi à Lua e o Magas só foi até à cimeira ibero americana. Terceiro: o Tintim está sempre acompanhado pelo Capitão Haddock conhecido por ter mau feitio, pouco tolerante, dizer palavrões que incluem caveiras e espirais e por abusar da bebida e o Magalhães está sempre acompanhado pelo Sócrates.
Quanto ao facto de todos os assessores de Sócrates usarem o Magalhães porque não precisam de outro, bem... , quer dizer ..., como é que eu hei-de colocar isto ... Pronto é verdade e até podiam usar só um Tamagochi que ninguém ia dar pela diferença.
Aqui está a foto do nosso primeiro exibindo o Magas.

quarta-feira, outubro 29, 2008

Expressão Oral

- Então João, esta história o que diz, para além da história em si ?
- Diga ?!!!!
- Já te contei a história, tu recontaste-me a história. Agora queria que me dissesses se achas que além da história, o autor quer ensinar alguma coisa a quem a lê.
- Quer de certeza, mas eu não sei bem o quê?
- Então vamos lá ver. A princesa estava com bom aspecto quando o rei a viu ?
- Não. Estava toda ensopada.
- E no entanto deixaram-na entrar e deram-lhe abrigo.
- Pois foi.
- E depois descobriram tratar-se de uma verdadeira princesa. Porquê?
- Porque era muito sensível, e só as verdadeiras princesas são assim sensíveis.
- Então. Às vezes fazemos juízos errados pelo aspecto das pessoas. Não é ? E no entanto elas têm valor, e são boas, e sensíveis e amigas.
- Como o Jesus.
- Achas que Jesus não tinha bom aspecto.
- Não tem lá muito.
- Por causa das barbas ? E de andar assim vestido com umas coisas estranhas. Isso era a forma como se vestiam há dois mil anos atrás.
- Não é esse pai. É o Jesus aqui da rua.
- Ahhhhh. O arrumador. Pois, esse não tem muito bom ar.
- E é boa pessoa e nosso amigo.
- Pois é.
- E simpático.
- Pois é. Bem meu menino, horas de ir deitar. Não te esqueças da mensagem dentro da história. "Não julgar os outros pela aparência"
- Como quando me chamam bolinha na escola ?
- Quem é que te chama bolinha ?
- Um menino do sexto ano, ele é meio parvo.
- Deve ser, tanto mais que já não estás assim tão bolinha.
- Não é de ser gordo. É das minhas bochechas.
- Nesse caso, não faz mal. Ele só não sabe é que essas bochechas são as melhores para dar beijos.
Ataque de beijos às bochechas do bolinha... e noites felizes.

A carga pronta e metida nos contentores


A Administração do Porto de Lisboa (APL) apresenta hoje em reunião pública da Câmara da capital o projecto de ampliação do terminal de contentores de Alcântara, contestado por um movimento de cidadãos apresentado esta semana.
Este movimento, que tem o original nome de "Lisboa é das pessoas. Mais contentores, não.", inclui nas suas fileiras, entre outros nomes sonantes o jornalista, escritor, vitima da informática, fumador, portista Miguel Sousa Tavares.
Faço aqui o apelo sincero:
"Por favor, não lixem a vida ao homem".
Mesmo bem disposto o homem parece estar com os azeites, se o chateiam fica com uns azedumes que ninguém o atura. Nem é tanto pela zona ribeirinha, mas mais pelo mau feitio do Miguel, deixem lá o terminal sossegadinho e não o enervem. Caramba, parece que gostam deste mau ambiente no país. No início do ano, a perseguição aos fumadores, o homem acabou de perder o conteúdo do disco ou o disco do computador, o Porto perdeu duas vezes consecutivas no Dragão, e ainda querem tapar o Tejo com contentores ? Mas não há quem perceba que o país só se anima se o homem não estiver dos avessos ? Não embirrem com o Miguel, deixem-no em paz. Parece que fazem de propósito. Xiça que é demais. Irrraaa.
Vou criar um novo movimento de cidadãos:"Portugal é dos Portugueses. Pelo amor da Santa, por tudo o que vos é sagradinho, não me enervem mais o homem."

segunda-feira, outubro 27, 2008

Derby

Chego à escola de futebol do Manel e no início do treino descubro que as escolinhas do Benfica estão de visita à escolinha do Sporting. Formam-se as equipas, levantom-me da bancada e grito lá para baixo:
- NHÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓ. Até deixo que sejas do Sporting, até te trago aqui aos treinos, mas se por um azar, uma infelicidade, acontecer marcares um golo a essa equipa, podes procurar outra família.
Ri-se e encolhe os ombros.
Marcou dois e eu, lá no fundo, todo feliz do meu Benfica ser goleado pelo eterno rival.

Verónica



A minha irmã, mais velha do que eu uns três anos e meio, proporcionava-me uma biblioteca que eu atacava de forma voraz. Além dos cinco e dos sete, mamava o colégio das quatro torres e as gémeas e mais tudo o que por lá parava. Acho que havia por lá umas Anitas, mas confesso que não lhes ligava patavina. Já o Diário de Verónica, a coisa tinha piada. Um cão bonifácio e um índio pigmeu que morava no fim do jardim, garantiam algumas horas de literatura muito bem passadas. Imagem e recordações encontrados neste blog da Sofia.

quinta-feira, outubro 23, 2008

Recado

Continua assim caladinha, a manter o suspense por muito mais tempo, e depois admira-te se eu me chibar aqui.

quarta-feira, outubro 22, 2008

Nhó

És de mim como eu sou de ti.
De que me importam os maus génios, se os sorrisos, de que me importa a cara cerrada se o abraço, de que me importa rezingão se principezinho, se é tua a ternura, se é teu o sorriso cúmplice, se são nossas as brincadeiras, se são nossos os momentos, as risadas, as escondidas e apanhadas e as fintas de bola bem junta ao pé. E se me fintas traquinas, também me fintas olhos doces e me desarmas. E se eu me armo em pai, é que também tropeço nos pés, nos nós da minha gravata, nos dias mais “não presta”, nos cansaços meios parvos. E se rasgas o riso na cara, e se a magia do teu beijo que sabe bem e faz barulho, me marca de feliz todo o dia.
És de mim filho como eu sou de ti pai. És de amor, daquele em tons de incondicional.
Parabéns muitos e tantos loiro dos caracóis.

terça-feira, outubro 21, 2008

PSD

Acredito que um mau governo merece uma má oposição, mas também não é caso para tanto empenho por parte do PSD. A Manela refila do protagonismo Santana numa agenda que se devia preocupar com o Orçamento de Estado. Mas foste(s) tu Manela quem abriu as portas ao protagonista. E aosdepois se o orçamento chega numa pen drive vazia, a oposição parece apresentar-se sem sistema operativo.
Nestes propósitos, coloquei uma sondagem aqui ao lado.

segunda-feira, outubro 20, 2008

Pesadelo

O facto de ser loiro e de caracóis confere-lhe algum charme. A faceta sportinguista é algo com que tenho de aprender a viver. Um gajo habitua-se a quase tudo. Levá-lo duas vezes por semana, à escola do Sporting está no limiar da minha tolerância, que é rapidamente ultrapassado quando o oiço chamar mister a um gajo vestido de fato de treino verde e com sotaque espanhol sul americano:
- Ó mister, eu prefiro jogar nas alas.
O que quer que isto queira dizer não pode ser coisa boa.
Se o uruguaio é tratado por mister, eu quero passar a ser tratado por master:
- Bom dia master !!! O meu pequeno almoço pode ser leite branco e uma barra nesquik?
Não me soa mal. Já agora, jovem apendiz, em relação à pergunta feita durante a ida para a escola, hoje de manhã, a resposta é NÃO !!!
- Não, não podes. Quando o Barcelona te quiser para jogador, não podes dizer que só aceitas se o António também for.
Alguma dúvida ?

domingo, outubro 19, 2008

Caras

Depois desta alteração à Caixa de Costura, lembrei-me da tristeza com que assisti à aquisição, por parte dos livros dos cinco, de uma capa mais moderna. Eram mais brilhantes, com um ar teoricamente mais apelativo, mas não gostei da mudança.



Reflexão

... começo a ter a sensação que o meu cérebro, por vezes, também está instalado num servidor do Blogger.

quarta-feira, outubro 15, 2008

Liberté, égalité, fraternité

Vá lá ver então. Para acabar com as discussões de quem ainda resiste à ideia da partilha, cada um tem a sua caderneta Liga de Futebol 2008-2009. A coleção coloca o Quaresma na equipa do Porto, o que pode ser um argumento para uma queixa à DECO e outra à ASAE.
A regra evidente, é que não existem repetidos pessoais, só existem repetidos da casa. Um cromo só é considerado repetido se sair a quarta vez. 'xa lá fazer umas contas:
400 cromos cada caderneta
1200 cromos lá para casa
Dobro dos cromos por causa dos repetidos: 2400 cromos
6 cromos por carteira: 400 carteiras de cromos
40 cêntimnos por carteira: 160 euros em cromos
O QUÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ ?
Colecção da liga masé os tomates. A partir de agora, à primeira falha, hão-de ter o castigo que merecem "Acabou-se a caderneta e os cromos, tudo para o lixo"
O António há-se entornar sopa, o Manel vai levantar-se da mesa sem autorização, e se chamar o João baixinho, ele só vai ouvir à terceira ou à quarta.

terça-feira, outubro 14, 2008

JorgePalmear

Já não é novidade lá em casa, e vem do hábito de dar sempre a mesma resposta sempre que alguém pergunta por alguém lá em casa. Comecei por ser só eu a responder, mas quando eles perceberam que era tanga começaram também a fazê-lo. Vá lá ver. Se alguém pergunta pelo X todos respondemos "O X foi-se embora para nunca mais voltar". Isto em locais públicos causa algum sururu mas nós divertimo-nos à conta.
As idas ao Chiado dão normalmente uma separação: gajas para a H&M e gajos para a FNAC. Já no meio de livros, o António pergunta
"A mãe ?"
Todos em coro
"A mãe foi-se embora para nunca mais voltar"
Meia FNAC pára a olhar para o nós, e eis que o Sirenes desata a cantar Jorge Palma
"Mamã mamã. Onde estás tu mamã ? Nós sem ti não sabemos mamã, libertar-nos do mal"
Siras, és o maior.
A propósito, já consegui sacar a tua caderneta de futebol 2008 2009 para não ficares atrás dos outros dois. Agora que estás quase a fazer 4 anos, vais ter oportunidade de saber de cor o plantel do Trofense, com datas de nascimento e o peso de cada um dos jogadores. És o maior Siras.

segunda-feira, outubro 13, 2008

Míele

... ou a outra ideia para a milésima postagem.

1000Folhas

Esta é também a caixa do João, do Manel e do António, da Ana, da Catarina, da Rita, da Teresa, do Manel, da Maria, do Bernardo, do Paulo, do Francisco, do Pedro, da Tota, do Turco, da Titas, do João, da Elis, do Chico, da Filipa, da Teresa, da Cristina, do Caetano, da Marisa, da Fernanda, do Cal, do Kaka, do Ludgero, do Marco, da Maria Manel, do Gonçalo, da Gota, do Molico, da Duende, da Margarida, da Maria Rita, do Pires, da Lu, da Maria João, da Isabel, da Madalena, da Vera, da Ritinha, da Lua, da Miss, da Sandra, da mãe galinha, da Filipa, da Fátima, do Roberto, da D. Gata, do Sérgio, do Luís, do Francisco, do Zé Manel, do João, da Manuela, do Francisco, da Joana, da Mena, do Féfé, do Jorge, da Alecrim, da Dulce, da @na, dos anónimos anónimos, dos anónimos assim assim, e dos que me esqueci. Esta é uma caixa de brinquedos, de heróis de todas as aventuras, das histórias mesmo antes do adormecer, a caixa das risadas e das brincadeiras e surpresas, a de risos e dos sonhos, das cumplicidades, a caixa de músicas e canções, a caixa de concertos, caixa de ferramentas, a caixa dos meus tempos, da minha infância e de outras como a minha, caixa de rascunhos, de teclas e de cordas, de cozinhados, de aventais, da neve, dos locais onde estive, de Paris, de Nova Iorque, da neve, dos locais onde nunca fui, de Cuba, e de São Francisco, caixa de mar e estrelas, de praia no inverno, de sabores, de panquecas, de carpaccio, de pipocas, de magias, de tapetes mágicos, de cores, da quadros doces, da Eva, do futebol, da alegria de golos marcados, da falsa euforia de golos anulados, das palavras engraçadas como displicência e Caetanear, caixa de amor, de abraços encharcados, de gestos, de mãos entrelaçadas, de pares de galhetas, caixa de cinema, e de filmes, do Piano, da Laranja Mecânica, das laranjas no ar. Esta é a caixa do que me faz rir, do que me faz chorar, do que faz sentir o mundo todo, que me faz gargalhar. Esta é uma caixa de linhas tortas e escritas direitas, e de vice versas, de mil palavras, dos mil sons, dos mil sonhos e dos mil escritos. Mil folhas. Ai o que eu gosto de mil folhas !!!

sexta-feira, setembro 19, 2008

Noticiar

Foi revelado um estudo sobre as mortes e os custos associados ao tabaco e álcool no ano de 2005.
Segundo este estudo, o tabaco é responsável por custos em saúde de quase 700 milhões de euros e por 12000 mortes.
Bem sei que não existe preço para a vida e que fumar está a anos luz de ser uma prática inteligente, mas parece-me que alguém se esqueceu de revelar o valor de receitas de impostos sobre o tabaco relativo a esse mesmo ano. A saber, gerou uma receita de 1322 milhões de euros.
PS: Segundo o blogger, esta é o post 999 aqui do atelier de costura, acho que vou encravar na escrita do milésimo.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Aviso

De há uma semana a esta parte, que este blog é escrito no browser da Google: o Cromo.
Este navegador, tem coisas simpáticas:
- A barra de endereço é também barra de pesquisa Google
- A página inicial tem miniaturas com ligações às páginas mais visitadas
- E o porno_modo, que permite abrir uma página sem deixar qualquer vestígio sobre a subsequente visita. Nada mal pensado para visitas que envolvam compras na net, homebanking e consultas de webmail
Estou rendido. Este blog passa a ser o blog de um cromo.

quarta-feira, setembro 17, 2008

Serviço despertar

Não sei se foi alguma coisa que eu disse ontem à noite, talvez a promessa de irem ao café grande e aos peixinhos antes da escola. A bem da verdade ontem à noite, dei por mim a informá-los das prioridades matinais: tomar o pequeno almoço, vestir e lavar os dentes.
Esta informação, mais que sabida, mais que repetida, mais que relembrada, ontem causou-lhes um efeito estranho, sobretudo ao do meio. O tal loiro, sportinguista de caracóis, maufeitioslindos:
- Pai preciso que acertes o meu despertador e que ele toque às 7 da manhã.
- Mãe podes já preparar a minha roupa para amanhã ?
Estava demasiado entregue ao fim do dia para me deitar a advinhar a manhã seguinte e não me preocupei.
Estúpido.
Devia ter-me preocupado.
Hoje às 7 tudo o que podia tocar naquele quarto começou a tocar: 2 relógios, um rádio e o sirenes que foi acordado pelos irmãos.
Ainda eu estava a arrancar as ramelas dos cantos do olhos, já o bestial trio se encontrava na cozinha, meio vestido meio por calçar, a fazer voar pacotes de leite, cereais, cerelac, e a fazer novas experiências:
- Pai fui o primeiro cá de caja a primentar água de chocolate. Foi o Manel que inventou. Eu góto muito
Estupor do sirenes estava a beber suchard express com água.
Mal ou bem, a verdade, é que às sete e meia estavam prontos para ir até ao largo dos peixinhos já com saco com migalhas de panrico para os alimentar.
Hoje, pelo sim pelo não, deixo-lhes o pequeno almoço já adiantadinho. Só juntar leite. Ou água.

O Acelerador de Partículas

... parece já estar a funcionar, pelo menos na cabeça de alguns:
"JSD diz sim ao casamento entre pessoas do mesmo sexo", por outro lado parece estar ainda com alguns problemas. Na realidade, a notícia completa é "JSD diz sim ao casamento entre pessoas do mesmo sexo mas não à adopção".
Este tema está na fronteira da minha visão do mundo, e certamente já tive opinião contrária à que aqui expresso.
A adopção deve ser analisada do ponto de vista do interesse da criança, e nunca do interesse dos casais. A sexualidade de um casal determinar a sua exclusão em processos de adopção é, no meu parco entendimento do assunto, um luxo a que não se pode dar uma sociedade que deixa milhares de crianças crescer entre paredes de instituições sem poderem chamar pãe e mãe a ninguém durante toda a vida. Ou pai e pai. Ou mãe e mãe.
Atenção aos casais heterosexuais. As estatísticas demosntram que é no seio de famílias heterosexuais que são educados grande parte dos homosexuais.

domingo, setembro 14, 2008

PS

Ao gajo_armada_em_gaja_histérica do casal gay espanhol que acabou o seu passeio turístico logo a seguir a nós, e que na GoCar, não se calava com facto do mapa ser muito pequeno e não ter o nome das calles:
¿Por qué no te callas?

Surpresa

Já já alguns dias que se falava numa surpresa, que me estava reservada para Sábado à tarde. Nesta última semana, o assunto vinha à baila com uma insistência preocupante, acompanhado da necessidade de nos livrar-mos das crianças durante duas horas. Comecei a achar que o tema era a sério, a circunstância assim o pedia, e a menos do par de galhetas pelas ventas adentro, não estava a ver do que se poderia tratar.
No início da tarde, já de criançada devidamente distribuída por várias freguesias, lá sou quase arrastado para a supra citada surpresa. Rumamos em direcção à baixa, o que me permite afastar algumas das hipóteses formuladas: não ia fazer o baptismo de pára quedas onde por uma infeliz coincidência o dito não se iria abrir, e não ia estrear-me no Bungee Jumping de uma ponte qualquer a mais a maçada do elástico rebentar logo quando seria necessário que se mantivesse intacto. Postas estas hipóteses de lado, restava-me a vergonha de uma aula de danças de salão, uma sessão ainda mais embaraçante de massagens eróticas, ou um curso de marmoreados esponjados e dourados. Sou encaminhado para a rua dos douradores e num repente este último cenário ganha dimensões aterrorizantes. Suo das mãos e fumo dois cigarros em menos de três quarteirões. Finalmente chegamos quase ao fim da rua onde vejo dois locais candidatos à surpresa: uma porta tipo oficina e uma outra com um símbolo do tipo "ying yang".
"Estou tramado, vai-me pôr a levitar e vai transformar-me numa espécie de monge tibetano. O que é que lhe deu ?"
Afinal a surpresa era a porta tipo de oficina, e lá dentro um arsenal de veículos com ar de Espaço 1999. Amarelos, divertidos e apelativos. Além dos veículos, o que aquela porta guarda é uma ideia - GoCar. Uma ideia tão simples quão genial e divertida. Um veículo diferente, descapotável, de baixo consumo. Conduz-se como uma acelera, e tem um GPS que nos guia em tom de brincadeira por um ou mais percursos da cidade. Não explode quando nos baldamos à rota, tem passe para as zonas de trânsito condicionado do castelo e de Alfama, e num repente, transforma-nos no centro das atenções enquanto o guiamos cidade fora.
Não sei se dos capacetes, se do veiculo, se do GPS a gritar "Yupiiii" em cada descida alucinante, se do som de lambreta, mas em cada rua, em cada largo, somos apontados, fotografados e acenados. Rimo-nos e redescobrimos Lisboa em veículos do Espaço 1999. Uma hora e várias peripécias depois, regressamos à base. Hora de recolher os Marias. Por mim, tinha lá deixado o monovolume e vinha no bólide amarelo descapotável de três rodas, mas cheira-me que o transporte para o colégio podia alongar-se para lá do desejado.
Grande surpresa rainhas, e o meu banco nunca me ejectou a uma altura de 200 metros como cheguei a desconfiar que iria fazer. Da próxima vez levamos os Marias atados a uma corda para ajudarem nas subidas e para as marchas atrás.

quinta-feira, agosto 28, 2008

Estupidez

... ou o pânico de ser acusado de insuficiência testicular, vulgo falta de tomates.
As coisas estúpidas da afirmação pessoal. O que leva um homem a fazer algo que nem lhe apetece muito, só para não correr o risco de ser apelidado de menina.
Não sei que raio me passou pela cabeça, para o fazer num dia em que me revirava com dores musculares. Analgésico e relaxante muscular em cima, e vai disto
Que estupidez


sexta-feira, agosto 22, 2008

Dupla

Para a viagem e a semana que se advinha quase de férias, fui à FNAC e Simone e Zélia ...
Zélia é muito boa onda, Simone ao vivo transfigura-se e ganha outra dimensão.
Coitados dos marias, vão ficar fartinhos. Eh eh eh
A propósito, que concertos haverá na feira de São Mateus ?

Triatlo

A par da medalhada Vanessa, vou fazer o meu triatlo de verão. Este fim de semana, pego nos três Marias e levo-os até Tibaldinho. Verdade seja dita estas duas últimas semanas estive na paz de Lisboa, enquanto eles azucrinavam, vida e a cabeça materna. Calha-me a mim agora, que é para aprender.
Há tanto tempo que não vou até lá. O António nem conhece o lugar. Vamos divertir-nos e os avós vão ficar de rastos.
Quando era pequeno passava lá tantas férias. O atletismo, as jogatanas no campo da bola, brincar com um pau e um pneu de mota, ir aos pássaros com uma fisga, ou simplesmente ir de bicicleta até Tibalde de Baixo, conferiam-me sempre tempos bem passados. Com os primos e com os Geadas, fizemos concursos de galinhas voadoras, de subida aos pinheiros, e até ficámos uma tarde a chocar ovos na fé que os pintos nascessem. Não resultou, mas divertimo-nos sempre. Serão aqueles selvas capazes de se divertir como eu me divertia ? Quem dera sim ...

segunda-feira, agosto 18, 2008

Encontros de verão

Com o vendedor das bolas de berlim da praia
Nunca vou entender o fenómeno das bolas de berlim na praia. Parece que ganham outro sabor. Sabem bem que se fartam. Uma por dia parece-me justo. São eles que o avistam ao longe e fazem tamanho carnaval que o homem corre até nós, não vá qualquer brigada fiscal, do SEF, da ASAE ou de qualquer outra entidade dar pela transação. O azar daquele vendedor brasileiro foi o nome:
- Bom dia senhor
- Uma com creme e duas bolachas americanas se faz favor
- Como é que se chama?
- Oi?
- Ele está a perguntar o seu nome
- Ahhh. Eu me chamo Zé Carlos
- Pumba. Mesmo nas nádegas. Foi ou não foi Zé Carlos?
- Oi?
- PSh Cala-te
- De que eles estão rindo ?
- É um sketch com um personagem chamado zé carlos. O melhor é não ligar. Quanto lhe devo ?
- 4 euros senhor.
- PSh Cala-te
- Mesmo nas nágas. Mascala-te.
- Aqui tem.
- Muito obrigado senhor. Até amanhã.
- Foi ou não foi Zé Carlos ? Psh cala-te.
Curiosamente aquele vendedor nunca mais apareceu por aqueles lados.

Com um miúdo na piscina que foi ver os brinquedos do António
Perante o assédio, o Manel foi fazer guarda aos bonecos e o petiz olhava com um ar guloso para o homem aranha e para o super homem. O António começou logo a juntá-los certificando-se que não sobrava nenhum para brincadeiras com estranhos. O Manel tentou uma jogada mais diplomática:
- Querias brincar com os bonecos?
O miúdo encolhia os ombros por não entender as perguntas.
- Manel, o menino não percebe Português, deixa estar.
- És donde ?
O miúdo entendeu e respondeu:
- España
- Ai é ? Porque não te callas ?
- Manel, vamos ver se o João está no escorrega. Anda.
- Olá. Quiero um vaso de água, por favor. Porque não te callas?
- Maneeeeelll. Anda. Vamos embora.

sexta-feira, agosto 08, 2008

Fim...

... de férias.
Nesta altura já com sabor de fim de festa, tempo para ir a Altura visitar tios e primos, e tempo para ir a um outro Algarve, tão diferente na forma e nos sabores. Cacela a velha, a ria, petiscos na rua, ostras e conquilhas. É deste Algarve que tenho ganas, costas voltadas para aglomerados de cimento pintados a branco com uma muito típica chaminé espetada na tola. E como está caro este Algarve. Por este andar, cheira-me que, para o ano, praia de Algés e geladinhos de gelo que sabem muito bem.

PS. Hoje a dona da Leiraria faz anos. Parabéns Mãe.

terça-feira, agosto 05, 2008

Cócó

Não gosto particularmente de gaivotas. São um bocado porcas, comem lixo, e conseguem voar e evacuar ao mesmo tempo. As gajas são maquiavélicas, nenhum humano consegue voar e evacuar ao mesmo tempo, sobretudo porque o peso das sanitas não ajuda. Mas em compensação conseguimos efectuar actividades muito mais intelectuais.

quarta-feira, julho 30, 2008

Apontamentos

... de férias
1. Os mais velhos sobreviveram à semana de colónia de férias. Vinham com mais anticorpos e envoltos numa nuvem de pó e numa camada de sujidade própria destas coisas. Há um personagem do Charlie Brown que anda sempre com um nuvem de sujidade e mosquitos à volta. Num repente associei-os ao personagem.
2. "O André parece cada vez mais descapotável" ouvi hoje a um habitué aqui das férias. Pois claro que estou. Cortei o cabelo tão rente que até as sobrancelhas estão mais crescidas que o cabelo. É inacreditável conseguir ter as sobrancelhas mais despenteadas que o cabelo, mas é verdade. Estão a precisar de cuidados específicos, ou ainda me chamam de desgrenhado à conta delas.

domingo, julho 27, 2008

Soltas

Samba meu não é o meu disco de eleição, saltei-lhe o concerto. Pela primeira vez, à melhor de três, dou-lhe o espaço de a ver com todas as calmas em DVD no primeiro album, ou no segundo.



quinta-feira, julho 24, 2008

Clandestino


És o MAIOR Manel. Genial teres escondido o TMN Imaginarium na altura da entrega dos telemóveis à chegada ao campo de con... digo... à colónia de férias. Boa conseguires ligar aos pais, Às escondidas, para amainar as (nossas) saudades. Agora atreve-te a seres apanhado, levas com uma toalha molhada que magoa e não deixa marcas. Eh eh eh

quarta-feira, julho 23, 2008

Senhores Monitores e Monitoras

da colónia de férias da catequese, onde deixei os meus filhos mais velhos durante uma semana:
Serve a presente para vos informar de uma série de questões que me parecem importantes esclarecer:
Apesar de eles terem nascido quase há 10 e há 7 anos respectivamente, eles na realidade são muito pequenos e precisam dos mimos do pai, como do ar que respiram. E não coloco o pai com p maiúsculo para não me confundirem com o Pai sobejamente referenciado nas aulas de catequese. Por falar em pai e em Pai, não percebo porque é que lhes retiraram os telemóveis. Apesar de serem bebés, são muito precoces e já sabem atender telemóveis e precisam dos aparelhos para falar ao pai. Isto de regrar a comunicação com o pai é inadmissível. Também estão limitados nas conversas com o Pai? Aposto que não. E porque é que os meninos estão sem telemóveis? Porque não precisam de telemóvel para falar com Ele. Aposto que se o Pai fosse pioneiro da Optimus ou coisa que O valha, os meninos tinham obrigatoriamente que usar telemóvel e que Lhe mandar dezenas de sms’s e mms’s dia. Mas não, o Senhor embirrou que não havia de ter cartão SIM, nem PIN nem PUK e vai daí desata a falar e a ouvir toda a gente ao mesmo tempo, sem que a ANACON possa sequer opinar sobre o tema. Acho injusto e pouco equilibrado. Os meus príncipes precisam muito de mimos do pai (eu !!!) e de brincadeiras palermas, e de beijos antes de adormecerem, e de mimos do pai, e de histórias. Não se esqueçam de os adormecer com histórias. Eles gostam da história do crocodilo do jardim, do menino que queria andar de balão, da menina do trenó com (a)buzinadelas, dos leões que fogem do circo, da rã saltitona muito chata, do elefante distraído, enfim qualquer uma serve desde que tenham uma parte em que uma senhora manda um chapadão ao filho para ele não ser mentiroso. Exemplo para os senhores monitores e senhoras monitoras perceberem: “Os leões fugiram do circo e foram à procura do caminho para a selva. Na cidade escondiam-se atrás dos carros para não serem descobertos. Estava uma senhora com o seu filho a comer um gelado, e o menino viu os sete leões a passar e gritou – Mãe olha sete leões atrás daquele carro. E a mãe PUMBA pregou-lhe um chapadão – Toma que é para não seres mentiroso”. Eles só ouvem as histórias para se rirem muito nesta parte.). Portanto se lhes contarem histórias bíblicas, não se esqueçam sempre da parte do chapadão. É muito importante. E na bíblia até parece ser fácil:
- Ó mãe aquele barbudo multiplicou os papos secos
E a mãe PUMBA. – Toma que é para não seres mentiroso.
Além de histórias, precisam de mimos do pai, e de panquecas de manhã, ou croissants com fiambre. O loiro gosta de torradas com doce de morango mas não pode comê-las ao pé do bochechas porque o bochechas enjoa com o cheiro do doce, dos morangos, dos rebuçados, das pastilhas e da pasta de dentes de criança.
Ficam então estas recomendações e fico à espera de tratamento e atenção dada a todos os pais e Pais. Não sei se referi que eles precisam muito do mimo do pai, e de falar ao telemóvel. Devolvam-lhes os telemóveis se faz favor.
Obrigados.

segunda-feira, julho 21, 2008

Oceanário


Sábado. Mãe feirante no jardim da Parada. O jardim da Maria da Fonte e o paraíso do Manel Maria que em menos de uma hora, vendeu os seus colares e delirou com os lucros aparentemente fáceis. O que o preocupa agora, é a agenda das próximas feiras. A feira prolongou-se pela tarde, levei-os ao fresco do Oceanário. Estava bom para visitas preguiças nas zonas mais frescas. No final da visita, um pequeno auditório mostrava a vida dos oceanos. Correram para a primeira fila e brigaram para se instalar nos melhores lugares. O António sentou-se e disse: "Então agora, quem é que vai buscar as pipocas?".

sexta-feira, julho 18, 2008

Quente e frio

Por vezes, no meu local de trabalho, é isto que existe lá fora. Gosto de sentir o rio por perto, cheira a Lisboa. Cheira à mais moça das Lisboas. Cá dentro no fresco do ar condicionado, vejo nas pessoas, o calor que aperta lá fora. Depois se lhes leio as feições, nas que por aqui andam ao fresco, e nas que por lá andam no sufoco do calor. Sisos e risos. Parece que as pessoas aqui andam com um ar condicionado.

segunda-feira, julho 14, 2008

Éter

Ouvi-a à conversa na rádio sobre a Substância da Vida. Noventa e cinco ponto sete. Gosto de a ouvir falar sobre estes espaços, sobre palavras, sobre imagens, amores e ódios escancarados. Diz coisas bonitas de forma despretensiosa. Ó Laurinda linda linda, é mesmo por isso, vale a pena porque nos coloca uma caneta nas mãos, e o pensamento no que nos rodeia.

"(...)
Como tampouco sabia
que a casa que ele fazia
sendo a sua liberdade
era a sua escravidão
(...)"

O operário em construção
Vinicius de Moraes

domingo, julho 06, 2008

Está tudo ao contrário

(Ou o sol alentejano transforma o cérebro dos homens)

De que falariam(os) cinco homens após uma sardinhada, no meio do Alentejo:
- basicamente tem três funções: pesar, misturar e aquecer
- Mas também tritura ? Tem pás diferentes para misturar e triturar ?
- Não. São as mesmas, regulas as velocidade das pás em função do que precisas. Por exemplo, para a massa de piza, pões as pás a rodarem no sentido inverso para as lâminas não cortarem a massa.
- A lá de casa só roda num sentido.
- Mas tu tens um medelo mais velho que o cagar de cócoras. Este modelo roda nos dois sentidos.
- Mas não leva a piza ao forno?
- Não, forno é forno e isso ela não faz. Mas tem um acessório para cozinhar em vapor lá em cima. Pode fazer sopa no rés do chão e peixe no primeiro andar.
- E que aspecto tem ?
- Parece um copo misturador, mas com um ar mais arraçado.

Digam-me se isto é conversa de gajos ? Expliquem-me que eu não consigo. Um grupo de homens, de copo numa mão, cigarro na outra, à conversa sobre uma máquina de cozinha. E nenhum deles é capaz de dizer algo mais adequado ao contexto:
- Então e faz broches ? É que se não faz, prefiro manter a cozinheira.

quarta-feira, julho 02, 2008

Alguém me arranja um buraco onde eu me possa enfiar ?

Hoje na aula de música do António Maria com os pais a assistirem:

Colega do António, aponta para mim e desata aos berros:
- És careca, és careca, és careca
Eu, ainda meio extasiado com os problemas de visão da petiz, suficientemente baixo para ela não ouvir, suficientemente alto para as pessoas ao meu lado ouvirem:
- Vê lá, vê lá miúda, ainda te sujeitas a levar com a máquina fotográfica nos cornos
O senhor ao meu lado, dirigindo-se para ela:
- Ó filha isso não se chama ao Pai do António
Eu a imaginar a minha próxima deixa:
- Cornos no bom sentido. Como os touros, cheios de raça e de bravura. Eu pelo sim pelo não levava-a ao oftalmologista, a menina não deve andar a ver bem.

quinta-feira, junho 26, 2008

A Raínha...

... lá de casa faz anos hoje. A coisa genericamente agrada-me porque até final de Agosto temos a mesma idade e não há cá espaço para a piada absurda de "eu sou muito mais nova que tu". Neste caso em particular, e desde Agosto último, que a piada agudizou-se com a tónica na diferença na década "eu ainda tenho trintas e tu, lamento informar-te, já tens quarenta".
Mas como diz o povo, "Deus escreve directo, por trás das portas", eis que, quando acordo, se me deparo com uma mulher de quarenta anos na minha cama. Parece em tudo igualinha à tal dos trintas com quem me deitei, mas a bem a bem, é uma mulher de quarenta. Já avisámos os Marias que a canção oficial de verão é a Ternura dos Quarenta do Paco Bandeira e que, agora que os pais são, em conjunto, octogenários, eles vão ter que se dotar de uma imensa paciência e ser muito, mas muito bem comportados.
Baldas generalizadas a empregos e escolas, programas de família e verão sem horários e eis-nos regressados, cansados, sorridentes e ligeiramente dourados, a casa. Um regresso a umas horas mais ou menos tardias, que, já se sabe, a idade não ajuda. Parabéns Rainha.

Nota do Autor: Desde já aviso os leitores deste blog que, depois da festa de finalistas do João Maria, que acabou com duas dezenas de miudos de 10 anos a chorar por sairem da escola, a lamechice está esgotada e banida por estes lados até 2012.

terça-feira, junho 17, 2008

Holanda

No jogo Holanda - Itália, perguntava-me eu o que raio quer dizer van em Holandês:
- é que estes laranjas chaman-se todos van. Van der Sar, van Nistelrooy, van der Vaart, van Basten, van Bronckhorst.
- não tarda muito entra o Van essa, pai.

Tiveste alguma graça Manel.

segunda-feira, junho 16, 2008

Precisava de um destrava posts entalados

... e veio com este fim de semana.
Fui de comboio. O fuso horário entre Lisboa e Oeiras desfasou os feriados municipais, pelo que na sexta feira, ao fim da tarde, apanhei o comboio para me juntar a eles.
O tempo de uma viagem de comboio é sempre tempo ganho. Tempo de leituras, de músicas, ou só de olhar para a paisagem, ou só de olhar-me. Sem pressas, sem atrasos, somente à tabela. Gosto de observar os edifícios ao longo das paralelas linhas. Armazéns em ruínas, casas simples, casas senhoriais, ou pequenas casinhas para o guarda da passagem de nível. Janelas de vidros partidos ou janelas emolduradas em era bem cuidada. Pouca terra pouca terra que não tenho pressas.
Lembro-me da linha da beira alta, as viagens para Tibaldinho naquelas carruagens com compartimentos de meias dúzias. Fazia-me confusão metade do comboio ir para um lado e a outra metade para o outro. Donde vinha a certeza da carruagem certa ? Saíamos em Mangualde e depois ía-mos de táxi até Tibaldinho. Prefácio dumas férias sempre saboreadas.
Cheguei a Coimbra-B quase um par de horas depois da partida. Ouvi com atenção o último álbum da Maria Rita, ainda o não tinha feito. Não me entusiasma. Uma ou outra como excepção de uma regra que me irrita. Ajudei a mulher que tinha um braço estranho a carregar a mala para fora do comboio e olhei em volta. Lá estavam elas à minha espera. Demos umas voltas a mais numas rotundas de Coimbra que insistiam em levar-nos ao o centro da cidade, e por fim, a estrada pretendida.
A casa atrás do portão verde era imensa e um relvado gigantesco e uma simpatia ainda maior. Isto soa ao "review" dum turismo de habitação - " a senhora do turismo de habitação era muito simpática, solícita e conhecedora dos encantos da região ". Nada disso. A verdade é que nunca tinha convivido mais do que uma horas com a Catarina, e gostava dela por partilharmos a mesma mulher. Pouco mais do que isso. A verdade é que a Ana não se enganou. A Catarina é tendencialmente um gajo porreiro.
Fim de semana tal qual ela contou ali. Risadas, conversas, criançada por todos os lados, ping pong, piscina e matraquilhos. Príncipes e princesas felizes. Brincar aos cruzamentos e aos remates. Faço um centro ao segundo poste e eles voam todos para o golo. Falhamos todos, rimo-nos e insultamo-nos. "Nabo". "Palhaço". "Que zarolho, vê-se mesmo que és do Sporting". Cigarros, café, cerveja, petiscos, vinhos, comidas e risos. Ténias, polícias, ladrões, etiquetas, alarmes, pinceladas e quadros. Aquele barco ficou-me na retina. Se um dia comprar um barco, há-de ser um daqueles. E risos e cumplicidades e guincharia com os selvagens. Ainda a porcaria da alergia que se arrasta e que mantêm a Rainha de nariz e olhos vermelhos, mas de boas ondas. Muitas, tantas crianças para algumas mães, todas galinhas, e depois a própria, a genuína e verdadeira. Veio de pai, de princesas, de barrigas, de doces regionais e mais conversas a velocidades estonteantes. Parece que se aproxima uma primeira comunhão que envolve uma coreografia de ballet clássico e três dias de festa como os casamentos ciganos. Se assim não for, algo de parecido será. Que a força esteja contigo no próximo fim de semana (e a Singer também).
Soube tão bem e a pouco, que deixo pontas soltas. Os troncos de videira, e se calhar um pulinho à Mealhada, à conta dos porcos-bonsai.

QUAL FOI A PARTE DO "GOSTEI DE ESTAR LÁ E DE TI E DE TI E DE TI E SIM QUERO VOLTAR" QUE NÂO PERCEBERAM?

quinta-feira, maio 15, 2008

Asneirada

Bem sei que levaste com os ferros no sobrolho, quando o médico te tirava da barriga da mãe, mas isso não pode servir de desculpa para tudo. Arrancar parede da escola? Mas que raio de ideia. O que é que querias que eu dissesse à directora?
“Sabe lá. Aquilo lá em casa é um fartote de rir. Fazemos concursos a ver quem arranca o maior bocado da parede. O Manel estava a treinar, é natural. Mas fique descansada, não volta a acontecer. É que estamos a começar com um concurso de repuxos com as torneiras do lavatório.”
Ou então Manel, sempre posso usar a lógica Socrática:
“Eu peço imensa desculpa, mas a verdade é que ninguém lá casa sabia que era proibido arrancar bocados de parede da escola. Olhe, ele aproveita este mal entendido para deixar este vício de arrancar bocados de parede.”
Portanto Manel, como acredito que nenhum destes discursos tenha sucesso, a bem a bem, o melhor é tratares de arranjar tinta e pincel e pores mãos à obra. E não se trata só do bocado que arrancaste. É a parede toda para não se notar.

sexta-feira, maio 09, 2008

Festival da Canção

dos tempos em que era um evento para ver em família, a preto e branco no ecrã, a cores nas emoções e no entusiasmo.
No festival de 78, esta mulher veio cá pela última vez e cantou durante quase uma hora. Caramba, o que me impressionou a raça e a força e a manha. Ainda hoje...
Cartomante
Sinal Fechado e Transversal do Tempo
Deus lhe pague

quinta-feira, maio 08, 2008

Sr Ladrão

Espero que se encontre de boa saúde, e que os euros obtidos na venda do auto rádio do meu carro lhe tenham proporcionado algum conforto. Escrevo-lhe novamente porque pode dar-se o caso do senhor se encontrar nas imediações do Tagus Park e de eventualmente me poder ajudar aqui num problemazinho que me anda a apoquentar. É que, como sabe, o bólide que assaltou não tem fecho centralizado e vai daí as portas só fecham quando se põe o pinchavelho para baixo.
Acontece que hoje pela manhã, chegado ao emprego, cometi a proeza de fechar a porta com a chave lá lentro e agora não consigo chegar ao interior da viatura.
Tendo o senhor demonstrado tamanha destreza na abertura da porta do condutor naquele episódio do auto rádio, solicito-lhe que dê um saltinho até aqui para poder ajudar-me. Mais informo que auto rádios é o que não falta nas redondezas, e dos bons, pelo que a sua viagem nunca seria em vão.
Obrigadinho e desculpe o incómodo.

terça-feira, maio 06, 2008

Festejos

É mais que sabido que a criançada gosta de celebrações. Lá em casa, o dia da Mãe é celebrado efusivamente com um moche à mãe e com prendas clonadas provenientes da escola. Este ano, foram uns blocos A76 com um lápis do ikea colados com muito amor a uma tábua de madeira decorada com muito amor e embrulhados com muito amor, e ainda com uma dedicatória e um poema. Tudo com muito amor.
Para adiantar serviço, a carne guisada do jantar já estava pronta de véspera, só precisava de um bocadinho mais de fogão para ficar tenrinha porque nós já não vamos para novos, e os marias não têm uma relação fácil com a carne rija.
Saímos de casa para almoçarada com as mães na casa da matriarca paterna, não sem antes, entregar os mais velhos no Banco Alimentar para o turno das 11 às 13. Não sei bem porquê, mas tenho uma certa embirração pelo Banco Alimentar. É muito cócó. Uma espécie de solidariedade fashion, solidariedade Gucci. Não gostei assim tanto de ver os fedelhos de queixo colado às caixas do supermercado na esperança de um saco de bens alimentares não perecíveis e de marca branca. Por muito pouco, mesmo por muito pouco, não me vi, eu próprio, a fazer o turno das 19 às 23.
Finda a solidariedade, super almoço do dia da Mãe a entrar tarde fora como convém nestas ocasiões.
Eis que num repente, para lá das 4 da tarde, veio-me à memória uma ponta solta:
"Apagaste o lume da carne ?"
"Sim, fui lá e vi que o tacho não estava no lume onde o tinhas posto. Não precisei apagar porque já o tinhas tirado do lume"
"Eu mudei para um bico do fogão mais pequeno, para não se pegar. Não o tirei do lume."
"Estou Lurdes ? Desculpe lá estar a incomodar, mas pode-me dizer se cheira a queimado na escada, é que o André não tem a certeza se deixou a carne ao lume e ,... COMO??? CHEIRA MUITO A QUEIMADO?????? "
Já saí muitas vezes à pressa de vários locais, mas garanto que desta vez caíram recordes.
Lembro-me mal da viagem até casa a menos de algumas frases soltas:
"Liga os quatro piscas e buzina pai, como quando eu parti a cabeça"
"Vai mais devagar, pior que a casa incendiada é ficarmos todos entrevadinhos e sem carro"
"Ai o meu porta moedas está no quarto dos brinquedos mesmo ao lado da cozinha. Estou tramado."
"... e os meus xapatos e os chinelos novos ... e ... e ...e ... o ómaranha"
"Pode ser que os meus trabalhos de casa já estejam todos queimadinhos. Dava jeito."
Larguei o carro à porta de casa, subi as escadas de 16 em 16 degraus e o cheiro, que no rés do chão era de apurado cozinhado, no segundo andar já era de churrascada de algo que não é suposto churrascar, estilo churrasco de pastéis de bacalhau.
Chave na porta e senhor nos acuda. Pelo nevoeiro parecia Londres, pelo cheiro parecia uma incineradora de pneus. Voei até à cozinha, e com toda a certeza, graças à ajuda que os Marias deram no Banco Alimentar, Deus protegeu-nos do incêndio, e os danos limitaram-se à carne, ao tacho e ao cheiro absorvido por tudo o que é roupa lá de casa.
O fim de tarde tranquilo a que nos propunhamos, acabou por ser farto em afazeres estranhos que envolveram velas acesas, vapores de água e canela, edredons e roupa a arejar na varanda. Ainda bem que o Benfica recuperou o segundo lugar, senão diria que se titnha tratado de um fim de tarde infernal. Ainda pensámos ir pedinchar uma janta ao Banco Alimentar, mas eu optei por fazer um frango assado no forno. Bem sei que a casa fica a cheirar, mas perdido por cem perdido por mil. Pior não haveria de ficar.
Acabei por não fazer o meu turno no BA, ficará para uma próxima oportunidade. Quem é que iria entregar um saco de bens alimentares não perecíveis, a uma pessoa que cheira a churrasco de pastéis de bacalhau ?

quarta-feira, abril 30, 2008

Sr Ladrão

É certo que aquela rua está mesmo a pedi-las. Deserta, quase sombria, com um ou outro sem abrigo quase ao relento, não fora a o prédio que se debruça sobre o passeio e lhes proporciona algo que se assemelha a um tecto. É certo também que o poderoso bólide de fabrico sul coreano não é um icone de protecção anti roubo, e que o rádio estava ali mesmo a acenar a quem o quisesse levar. É ainda certo que nutro alguma simpatia pelo seu modus operandi: sem quebra de vidros, sem fechaduras estragadas, o painel cuidadosamente desmontado para não causar grandes estragos. Felicito-o por isso e acho que mereceu o rádio que levou, tanto mais que a parte da frente, que era suposto eu levar sempre comigo, estava lá encaixada porque eu acredito nos robins dos bosques e nos zés dos telhados. Não sei se o rádio necessita do código, depois de desligado da bateria, mas se se der o caso de ser leitor deste blog, o código é 3872. Afinal é foleiro gamar-me o rádio e não conseguir dar-lhe algum uso. Merece o rádio sim senhor, fique lá com ele. Se quiser o manual e a garantia, deixe-me aqui uma mensagem que combinamos um dia e eu deixo a porta aberta e a documentação no porta luvas. Agradeço-lhe ainda não ter levado os patins da mala, porque são meus e comercialmente não têm qualquer valor. Talvez para investigação científica, por causa dos cogumelos que têm no fundo da bota, resultado da transpiração e da falta de ar renovado no seu interior.
Com tantos factores que me agradaram na sua actuação, senhor Ladrão, permita que lhe diga que o senhor foi um grande filho, enfim um grande palhaço, que não tinha nada que me levar os discos do Caetano Veloso e do Jorge Palma e ainda estou para ver se me levou o concerto em Colónia do Keith Jarrett. É que se for esse o caso, então terei que tomar medidas mais drásticas como dizer-lhe que o sr Ladrão é, na realidade, um palhaço da pior espécie, com todo o respeito que tenho pela nobre profissão abraçada por Alberto João.
Agradeço portanto que quando for buscar a documentação do rádio, tenha o cuidado de lá deixar os CD's que teve o descaramento de roubar. Palhaço.
Obrigados.

quinta-feira, abril 17, 2008

Caro Manel

Serve o presente para o informar, que na casa em que coabitamos, não são toleradas práticas de bruxaria ou de magia negra. Estão desta forma banidas as folhas de papel A5 cheias de autocolantes de jogadores vestidos às risquinhas verdes e brancas e com escritos de incentivo à equipa que dessa cor traja. A prática de esfregar essas folhas no ecrã da televisão será duramente punida, podendo o delinquente incorrer em castigos que podem ir do chapadão ao pagamento de multas de centenas de euros.

quarta-feira, abril 09, 2008

Miragem

Se algum líder do PSD consultar a página da metereologia, vai ter uma agradável surpresa. Tudo laranja de uma ponta a outra, parece a capa do expresso depois da segunda maioria avbsoluta de Cavaco o Silva.
Trata-se apenas da côr utilizada para sinalizar a existência de ventos fortes, e não ventos de mudança como seria da vontade do Meneses. A bem da verdade se o mapa representasse a agitação causada pelo líder laranja, nem uma brisa apareceria.
O PSD sofre do mesmo mal que o Benfica, historicamente é um adversário de respeito, mas não passa disso. Tem uma direcção miserável, um treinador condenado à saída e um plantel fraquinho...muito fraquinho.

segunda-feira, abril 07, 2008

Atmosferas


Gostei daquele apartamento. Sóbrio recto e muito boa onda. Atmosferas. Paredes meias com o Elevador da Glória, a vistas com a glória elevada do castelo, traseiras escancaradas para uma pensão de poucas estrelas, quase familiar e de águas correntes. Perto do Maxim's e do Hotclub (parabéns ao Hot que fez anos aqui há uns dias).
Gostei de encontrar as pessoas, do cartaz do MOMA's emoldurado, e do Hugo Pratt de alguns álbuns de BD (dos tempos em que BD queria dizer banda desenhada e não base de dados). O Expresso de Sábado perto da cedeira de design, e dentro do Expresso um gadget que me chamou a atenção. Uma janela_varanda desenhada e patenteada pela Hofman Dujardin Architects. Grande ideia, já reconhecida com um reddot design award (que desconhecia existir).
Cá em Portugal, a coisa faria mais sucesso, se se tratasse de uma Janela_Marquise_de_Alumínio, porque o conceito de varanda cheira sempre a espaço mesmo a pedir para ser transformado em marquise, e portanto, a bem a bem, o que eu gostava de saber, era da possibilidade de alterarem o projecto para o mercado português. Não querendo pedir demais, se fosse possível a marquise vir já alcatifada, porque as marquises são muito frias e uma alcatifa fica sempre bem. Parece-me.

Patinhas II

Ontem o Manel Maria pediu-me para lhe trocar as modas que tinha por uma nota de 5 euros. A conversa do dinheiro preocupa-me, mas o dia não lhe estava a correr bem. Estatelou-se a andar de bicicleta e esfolou a bochecha esquerda (“Com a cara tão encarnada, amanhã na escola vão pensar que estou apaixonado.”). Perguntei-lhe onde tinha arranjado as moedas. 2,5 € da semanada e 2,5 da aposta com o João.
- Como????
- Apostei em como lhe ganhava no pro evolution soccer. E ganhei.
A juntar às regras já existentes, estão desde então proibidos os jogos de azar, as apostas e qualquer actividade que envolva penalizações ou compensações financeiras. É melhor estender esta regra à escola também. Não deve ser preciso muito, para o loiro de caracóis e de bochecha esfolada, inaugurar na escola uma sala de jogo clandestino, com roleta, mesas de jogo, jogo do bicho, e banca de apostas.
Loiro, vamos lá a ver se nos entendemos. Isto de arranjar dinheiro é tradicional e (quase) exclusivamente da competência parental.
Tenho a sensação que se um dia descobres que se pode vender tralha na feira da ladra, acabas por limpar o já parco recheio lá de casa.

sexta-feira, abril 04, 2008

Andorra III

E vai um



E vão dois



E vão três



O sirenes está num monte de neve provocado pela avalanche que a guincharia provocou.

quinta-feira, abril 03, 2008

$$$$

O Manel é o tio Patinhas lá de casa. Só a ordem cronológica me convence que o personagem não foi inspirado nele.
Os dias de semanada são aguardados com contagem decrescente e quando o descaramento está solto, quase sempre, pede dinheiro a quem quer que seja. Há tempos, a recusa da avó, veio acompanhada de explicação:
"A avó não pode dar-te mais uma nota porque já deu na passada semana e o dinheiro tem que chegar para comprar tudo o que é preciso até ao fim do mês. É preciso ter muito cuidado e atenção quando se trata de gastar dinheiro."
"E é assim a vida toda ?"
"É sim Manel."
"O que é que hei-de fazer para ganhar dinheiro ? Estou tramado."
Em Andorra, depois de uns meses de poupanças, gastou as economias numa Nintendo DS prateada, colocando a zeros o saldo da sua carteira. A bem da verdade sobraram-lhe 2 euros mas ele não parece ter uma relação feliz com as moedas.
A ausência de fundo de maneio tem vindo a preocupá-lo e ontem a olhar desolado para o imenso vazio do porta moedas, comunicou-nos:
"- Vou ter que ir pedir dinheiro à saída da missa. Não estou a ver outra saída"
Se ele descobre que pode arrumar carros, ou baby siting, é capaz de nos dar uns dias difíceis.