quinta-feira, julho 08, 2004

Pasme-se

O Mundo ás avessas. Fazem quatorze anos de casado, e quem se esquece da data é a cônjuga. Ora esta merda, no meu tempo, seria razão suficiente para o resto da vida de maus tratos e escravidão sexual. Em vez disso o homem vai levá-la a jantar a um restaurante no Guincho.
Até aposto que há quatorze anos atrás, esteve pelo menos vinte minutos, à espera que a donzela se dignasse a aparecer na cerimónia. Vinte minutos inteirinhos, vestido de uma maneira meio estranha, de pé no altar, e pior de tudo, com uma flor paneleirosa na lapela, virado para pelo menos umas cem pessoas. Que constrangedor.
A verdade é que depois do casamento, um gajo nunca espera vinte minutos, é tudo para cima de três quinze dias. Não é à toa que existem relógios diferentes para homens e mulheres. Certamente o número de segundos de cada minuto é diferente. Tá certo que a malta as engana com a história dos centímetros, mas nada se compara ao que somos enganados em minutos.
Estou pra ver a ida para o Guincho. Ás tantas, ainda vai ter que ser o desgraçado a conduzir a viatura e a pagar a conta. Se fosse comigo, ia de barco a remos até ao Guincho, ou à Ericeira, e não ia com certeza ser eu a remar. Pobre Turco amigo.
Que estranho. Estou cá com uma sensação que hoje vou ser impedido de entrar em casa. Mas nada que me preocupe, peço abrigo aos noivos. Estou certo que não me vão deixar ao relento e me recebem de braços abertos.

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