quinta-feira, janeiro 05, 2012

Ainda 2012

Nunca houve um ano tão maltratado à nascença. Se Santana Lopes comentasse o início deste ano diria que era um bebé na incubadora, em que todos passavam por lá só para lhe espetar com um par de bofetadas nas fuças. Salvo raras excepções, todos se referem a este ano, com um dos que “mais vale que passe depressa que será de más memórias”. Ora caramba e só para embirrar vai ter um dia a mais que os passados três. Bem feito, é bissexto.
A vantagem de se nascer assim, feio e indesejado, vem da história do patinho feio. O que vier de bom será sempre um ganho, e às tantas dá cisne em 2012. Até parece que 2011 foi uma beleza. O Pedro foi para o lugar do José, e o Aníbal substitui-se a si próprio com o extra de comunicar por Facebook, não obstante passámos a ser governados pela gorda alemã e pelo anão francês, o Benfica não foi campeão, o verão começou em Setembro e acabou em Outubro, o Miguel Sousa Tavares publicou um livro, as empresas faliram, houve rádios que ainda passaram Delfins, o número de desempregados cresceu exponencialmente, Alcochete só vai ser conhecido pela Academia do Sporting e pelo Outlet, TGV continua a ser a sigla de Tequilla Gin e Vodka, a TVI continuou a fazer televisão TVI, a geração Diolinda indignou-se com a triste condição que já se previa há anos, os BRIC foram BRIC e os PIG foram PIG, não ganhámos o festival da canção, e o fado foi património imaterial esgotando o plafond de uma década da capacidade para ouvir fado.
Posto isto, não há razões evidentes para não inverter a derivada deste ano. 2012 há-de ser bom e não merece tanta falta de consideração. Um ano novo é isso mesmo. Novo. Por estrear. Fazê-lo melhor compete-nos a nós. Deolindos e não deolindos. Se os Maias previram o fim do mundo para 2012, deixo já a ressalva que a Maia (que pelo apelido deve ser familiar) também prevê muita coisa que não acontece. Ainda por cima, na altura dos Maias não havia silicone, pelo que não deviam ser grande espingarda no que toca a previsões.
Toca lá a fazer de 2012 um ano simpático antes que ele se transforme num ano trisexto, e antes que aumentam o IVA e acabem com dois feriados civis, dois religiosos e vendam mais cenas a empresas geridas por pessoas com olhos pequenos e semi cerrados.

2 comentários:

caminhante disse...

Adorei!

Um Feliz Ano Novo que vai ser muito bom mesmo... para quem se fizer à estrada!

Dulce disse...

Bora lá!