quarta-feira, janeiro 18, 2012

Ai Portugal Portugal


Era uma vez, há muitos anos atrás, um Navio muito muito grande. Não tinha grandes condições e por isso mesmo, o comandante desse navio recebeu muito dinheiro para o modernizar. Motores, leme e casco tinham que ser renovados e depois disso, mas só depois, deveria o dinheiro servir para melhorar os camarotes, as infra estruturas e dotar o navio de serviços de boa qualidade que atraíssem os futuros passageiros. Acontece que o comandante desse navio, preferiu gastar o dinheiro com o embelezamento do navio e fez uma sala de jantar enorme, e um centro cultural, e pintou muitas coisas e colocou marquises em tudo o que era varanda para o mar. Depois dele outros comandantes vieram. Uns investiram muito na educação e nos salários dos tripulantes, outros pediram mais dinheiro emprestado para promover o navio, outros acharam que o navio devia ser escoltado por dois lindos submarinos, outros continuaram a adornar o navio esquecendo-se que o leme, o motor e o casco, embora com bom ar, não conseguiam suportar grandes viagens.
Era uma vez uma ilha onde havia gente que queria ver o navio de perto, em especial uma gorda alemã e um anão francês. E pediram e exigiram e ordenaram que o navio se aproximasse da ilha e que para tal ser possível, o navio tinha que conseguir passar no estreito Deficit que tinha águas muito baixas e portanto o navio tinha que conseguir manobrar muito bem.
O comandante do navio aproximou-se da ilha e fez um rombo no casco. Para tornar o navio mais leve começou por atirar borda fora bens essenciais do navio. E fê-lo uma, duas, três vezes, e quando chegou a quarta vez foi ele próprio atirado borda fora e substituído por outro comandante. Este outro comandante ainda é mais bruto que o anterior e atira fora tudo o que encontra pela frente. A tripulação inclusive.
A embarcação não consegue navegar no estreito Deficit, o rombo no casco é imenso, o navio já tombou e com ele grande parte da tripulação. O motor está encravado, e o leme desgovernado. A gorda e o anão gritam ordens para o comandante que parece não saber o que fazer. Para ajudar, o bote salva vidas, vem-se a descobrir, tem um rombo proporcionalmente maior que o do navio e o comandante do bote parece ter perdido o discernimento, se é que alguma vez o teve.
Até hoje, nenhum dos comandantes do navio está acusado de coisa alguma ou em prisão domiciliária, e o primeiro até é comandante honoris causa da embarcação. Os outros operam em companhias estrangeiras em lugares de maior ou menor destaque e parece que um deles está na ilha ao lado da gorda e do anão a dar ordens para o navio.