terça-feira, novembro 26, 2013

Noves fora tudo

Cheguei atrasado à natação para te apanhar e levar para casa. Já estavas de banho tomado, vestido e de cabelo mal seco. O progenitor de um outro miúdo perguntou-me se era eu o teu pai. Palavra de honra que pensei “Estupor do fedelho já asneirou. Ou se esticou no vernáculo com os amigos, ou foi malcriado com algum adulto.” Tenho-te em boa conta já se vê. Preparo-me então para o discurso evangelizador sobre o respeito com os outros, e eis que o pai do outro miúdo me dá os parabéns. Não pelo teu nono aniversário, mas pela ligeireza a resolver um problema de matemática, em que te mostraste lesto onde muitos adultos se atrapalham. Desarmei-me da pose autoritária, suspirei de alívio e inchei de orgulho, só não comentei o milagre da herança genética porque a modéstia fica quase sempre bem. Orgulho-me da tua agilidade com o raciocínio, orgulho-me dos teus nove anos, da tua persistência, da tua alegria, do teu sorriso, do teu mimo, da tua autonomia, da paciência com os teus irmãos e dessa deliciosa insistência em ser o eterno bebé da casa. Afinal ainda só tens nove anos, nem duas mãos completas para mostrar a tua idade. Desespero nos teus exageros, nas tuas birras, nos teus amuos, na tua autonomia, da falta de paciência com os teus irmãos e nessa estranha insistência em seres o bebé lá de casa. Afinal já tens nove anos, quase duas mãos completas para mostrar a tua idade. Afinal já sabes tanto, afinal já és tanto, afinal imenso. Afinal noves fora tu, noves fora tudo. Parabéns meu Amor.

3 comentários:

Andrea Diegues disse...

E pronto...cá estou eu de lágrima no olho. Parabéns ao filho e parabéns ao pai.

Obrigada pelas partilhas singelas...

Teresa Frazão disse...

A tua mãe, André, deixou de chorar. É assim.
Mas aqui sim, ...

Pelo António, por ti ...

Teresa Frazão disse...

O que eu quero dizer é

PARABÉNS
para o António
para ti

Não, lágrimas.