sábado, junho 04, 2011

Janela Indiscreta

A televisão e as redes sociais têm sido canal de divulgação de imagens da violência do nosso quotidiano. O espacamento entra-nos casa dentro em versão de adolescente de liceu, de soldado na recruta, de crianças na creche. A novidade não está na pancadaria, mas na possibilidade de ser filmada, e na divulgação das imagens. Não nos revoltamos com a educação que temos, só o fazemos quando nos esfregam na cara as miseráveis evidências das tantas falhas na nossa própria educação. E havemos de assistir chocados à mulher espancada pelo marido, ao aluno que agride o professor, à violência sexual sobre a empregada, e havemos de condenar em uníssono tamanhos horrores.
E é sempre educação. É sempre a educação que nos falta. Somos fraquinhos no que toca a educar. Eduquemo-nos e eduquemo-los pois melhor.
Quanto à senhora da creche, se me pudesse mandar um mail sobre a forma de os manter naquele modo Zen, eu agradecia. É que enquanto escrevia esta posta, fui interrompido à razão de 200 vezes por linha e dava-me jeito que eles se comportassem como monges tibetanos. Chegou a passar-me pela cabeça dar-lhes um correctivo, mas ainda era apanhado por alguma camera indiscreta e tenho um fim de semana complicado pelo que detenções e tribunal iam ser uma maçada.

1 comentário:

Clau disse...

E concordo com tudo isso e ainda mais um par de botas. O problema não é o facto destas situações acontecerem, porque sempre as houve e sempre as haverá. O problema é o facto de vivermos numa sociedade de tal forma ultra controlada pelas redes sociais, pelos telemóveis de última geração com câmaras de filmar incorporadas, com YouTubes à disposição de qualquer predador sexual, e nem sequer termos a consciência da violência que isso (realmente!) é. De resto só posso aconselhar o visionamento do filme Trust - Perigo Online, com Clive Owen que estreou na semana passada. Um aviso a todo e qualquer educador. Seja pai, professor... e a todos os outros que façam disto, disto que eu estou a fazer neste momento, utilizar recursos sociais online, uma outra forma de também se viver.