sexta-feira, setembro 22, 2006

Al dente

Ontem experimentei o meu novo espremedor de alhos. De fino recorte técnico, cinco euros, única compra da minha primeira visita a um shopping suburbano da margem sul. Bem catita.
Azeite quente para alourar três dentes de alho espremido. Uma dúzia de gambas descascadas lá para dentro. Sal. Na panela ao lado tagliatelli cozido al dente (al dente demais, um minuto mais não faria mal) e acabadinho de escorrer. Quando as gambas estão bem fritas sem estarem secas, deitar tudo por cima do tagliatelli e em lume brando misturar bem o azeite, o alho, o tagliatelli e as gambarolas. Antes de servir e já de lume apagado, um salpico de manjericão.
As coisas que um espremedor de alhos consegue fazer.  Ainda falam da Bimby.

quarta-feira, setembro 20, 2006

Apito Coisado

Vamos lá a ver se nos entendemos. O futebol não se dá bem com estas coisas da transparência. Nem nunca vai dar. Isso da transparência é cena para o Badminton , o Ténis de Mesa e para aquela coisa dos OVNIS e das esfregonas em cima do soalho deslizante. O futebol tem árbitros, presidentes, ligas, federações, jogadores, transmissões televisivas, publicidade, espectadores, orçamentos e patrocínios. Uma actividade com tanto peso num prato da balança, não se consegue equilibrar com a verdade desportiva. Não há como.  
Ninguém, no seu juízo perfeito, se surpreende e muito menos se indigna com as influências trazidas a lume pelo apito coisado.  É inimaginável pensar que não existem cordelinhos para puxar. O futebol tem tanto cordelinho que mais parece uma renda de bilros. A única novidade está na ponta solta que passou cá para fora. Não nos iludamos, a prática é tão corrente, tão corriqueira, tão tipicamente Portuguesa, tão na onda do “faz-me lá um jeitinho“, que não passa pela cabeça de ninguém fazer rolar cabeças apenas e só pela prática do nacional porreirismo.
Sugiro que façamos tudo à luz do dia, que a renda de bilros seja montra para todos nós. Peço veementemente que se realizem, em vez de sorteios, leilões de árbitros. Cada Clube oferecia o que podia por determinado árbitro e quem oferecesse mais levava o árbitro para o seu jogo. Até se podiam abrir os leilões a particulares, garantir transmissões televisivas, votar por SMS, ter números de variedades a intercalar cada árbitro. Ainda podiam doar parte dos lucros a instituições de caridade, e que bem que ficava um gesto destes.
Pensem nesta sugestão e deixem-se dessa mariquice de se sentirem enganados quando  pagam dinheiro para ver um jogo de futebol ou uma transmissão codificada.

Tempestade em Copo de Gin

O Gordon sempre chega ao arquipélago. Atrasado e diminuído. Ironicamente, este furacão tem nome de gin, tónica dominante do Peter’s. Não conheço o bar nem nenhuma das ilhas de qualquer grupo. Conheço-lhe o Gin Tónico. Peter’s. Mais uma vez o Trovante e o último disco ainda por digerir, as minhas próprias tempestades
“Há quem tema por nós assim
Quando os barcos partem por fim
Há quem tenha os braços fechados
Com beijo jurado
Eu voltarei pra ti”
O Gordon vai chegar discreto ao continente, quase brisa. Nunca vou entender o meu fascínio por tempestades de chuvas e ventos. Mas gosto de as ver passar. Talvez aqueles dois dias sem escola quando os ventos desalinharam a cidade, e o mar despenteou Cascais, fazendo-a perder a compostura. Uma vila costeira no atlântico não deve andar sempre de saltos altos.

segunda-feira, setembro 18, 2006

Agulha no Palheiro

Hoje, pela hora de almoço, recebi um telefonema de um amigo que me relatou que no programa da manhã da SIC, a Caixa de Costura tinha sido mencionada, por motivos pouco abonatórios, a propósito deste post sobre a mãe do rock português.
É preciso ter azar. Eu escrevo rores de artigos sobre coisa nenhuma, e a Caixa de Costura lá muito sossegada no seu cantinho. Cada vez que aproximo da fronteira do razoável, sou logo descoberto.
Nããããã. Se calhar era o meu amigo a entrar comigo e no programa da Fátima Lopes não falaram sobre este Caixote do Lixo.
Pelo sim pelo não, cabe aqui dizer que chamei poeta zarolho ao José Cid com o mesmo carinho com que chamo pequenas bestas aos meus filhos a quem tanto amo (Marias, se alguma vez lerem isto, o pai depois explica a história das pequenas bestas).

sexta-feira, setembro 15, 2006

Obrigados

A inteligência emocional anda na moda, a ponto da revista Sábado juntar à sua edição semanal sete livros dedicados ao tema. Um dos sinais externos de inteligência emocional é a auto estima, e neste ponto cabe-me aqui expressar admiração e homenagear três classes, que batem qualquer uma das outras aos pontos. A classe política, a classe arbitral e a classe dos colaboradores da TV Cabo. Se houvesse um Nobel da auto estima, os indivíduos destas classes batiam qualquer concorrente com larga vantagem.
Esta gente vê o seu nome constantemente a ser arrastado na lama, são diária e publicamente enxovalhados, as mães deles são insultadas dezenas, centenas, milhares de vezes por dia, e isso não os impede de todos dias se levantarem cheios de energias para enfrentar mais uma jornada. Sabem que vão durante as várias horas que se seguem vão poder ler e ouvir palavras nada amigáveis, dirigidas a si e à classe que representam. Esta gente enfrenta a vida de peito feito e chega a casa com a sensação do dever e da missão cumprida. Estas mulheres e estes homens são heróis da nação e da auto estima. Qualquer variação nos elevados níveis de auto estima os faria saltar da ponte abaixo, mas eles insistem a fazer orelhas moucas ao insulto gratuito, e transformam cada adversidade numa verdadeira oportunidade.
É por tudo isto que os nossos políticos ocupam os mais distintos cargos na cena internacional, que os nossos árbitros estão em todas as competições internacionais até à final e que a TV Cabo é um exemplo para qualquer prestadora de serviços no mundo. É por isto que se a Maria Gracinda da Assistência a Clientes fosse presidente da Câmara de Felgueiras, se o Bruno Paixão fosse atender clientes de humor alterado e se a Fátima Felgueiras fosse arbitrar derbys, ninguém ia dar muito pela diferença.
Uma última palavra para a coragem dos colaboradores da TV Cabo, ao contrário dos outros dois, esta gente, quando se desloca em viaturas oficiais, fá-lo sempre em viaturas devidamente identificadas com o nome TV-Cabo visível a mais de 100 metros. Auto estima e coragem. Proponho que no próximo 10 de Junho, esta rapaziada seja condecorada com a Grã Cruz da Ordem de Cristo.

quinta-feira, setembro 14, 2006

Parabéns

Atrasados a este blog, que perfez 3 primaveras.
Como o seu autor, também este blog é virgem.

quarta-feira, setembro 13, 2006

SMS

Não te tenho em grande conta Aníbal, mas, a ser da tua autoria, ainda mais genial se torna a frase “(...) a segurança é a torre gémea da liberdade.” A frase faz parte da mensagem enviada para o Bush, no passado 11 de Setembro.
Duvido que o inteligente do lado de lá consiga percebê-la.
“Security is the twin tower of liberty ???? This Portuguese must be crazy. The twin tower was the other tower, right? … let me see  … the liberty is a state in the small island. One must catch the ferry to get there. This guy is nuts. Let me see his name. Hannibal? Somehow this name remembers me something … Hannibal … Hannibal”

terça-feira, setembro 12, 2006

Onze do nove

Passados cinco anos, as mesmas imagens a forçar entrada, sala dentro. Desfazem-me o conforto do sofá. Parem com isso. Dão-me sempre que pensar as imagens. No desespero das pessoas, no medo, e naquela mescla de tanta gente que, num repente, se une na cicatrizarão da gigante ferida. De Nova Iorque sempre pensei “Qualquer que seja a pessoa que se imagine, por estranha, peculiar ou maravilhosa que seja, consegue-se encontrar nesta cidade”. Foi isso que me impressionou. O mundo inteiro, numa só ilha. Uma espécie da Terra do Nunca.
Sempre a mesma história na minha cabeça quando penso no 11 de Setembro. A das crianças que ao fim da tarde, não tinham nenhum dos pais para as ir buscar à creche ou ao infantário.
O discurso do presidente faz-me olhar para a outra América. A América de Bush e da sua Administração. A polícia arrogante, autoritária e provinciana do mundo, esse enorme Texas. A América da hipocrisia moral. A América incapaz de olhar o próprio umbigo de ver os próprios pés. De tão obesa, de tão imóvel, tão cheia de escaras. O mundo seria um lugar tão melhor se a gorda decadência invertesse o foco para dentro com a mesma energia com que o faz para fora.

sexta-feira, setembro 08, 2006

Hoje



Tu és, divina e graciosa
Estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada
E formada com ardor
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor
Se Deus me fora tão clemente
Aqui nesse ambiente de luz
Formada numa tela deslumbrante e bela
Teu coração junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado sobre a rósea cruz
Do arfante peito seu
Tu és a forma ideal
Estátua magistral oh alma perenal
Do meu primeiro amor, sublime amor
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração sepultas um amor
O riso, a fé, a dor
Em sândalos olentes cheios de sabor
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor
És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo resplendor da santa natureza
Perdão, se ouso confessar-te
Eu hei de sempre amar-te
Oh flor meu peito não resiste
Oh meu Deus o quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar em esperar
Em conduzir-te um dia
Ao pé do altar
Jurar, aos pés do onipotente
Em preces comoventes de dor
E receber a unção da tua gratidão
Depois de remir meus desejos
Em nuvens de beijos
Hei de envolver-te até meu padecer
De todo fenecer.

MÚSICA: Rosa
AUTOR: Pixinguinha

quarta-feira, setembro 06, 2006

Gosto de rimas, pois gosto

O futebol luso na Europa do Norte, o Filipão não acredita na sorte, aqui reina a confusão do sobe e desce de divisão, chamem a Fifa para conferir o peso da mão, o calor de quarenta graus está de partida, o Freddy faria 60 não fora a SIDA, os voos secretos da CIA, fazem estragos na aparente acalmia, da política nacional, Guantanamo no destino, a vergonha ocidental. Finalmente nasce menino, imperador no sol nascente, a Marisa Monte voltou, vou tê-la mesmo à frente, a cantar (quase e só) para mim. Fim.

terça-feira, setembro 05, 2006

Pontos de Vista

- Vamos embora
- Vamos. Vou trocar de fato de banho. Passa-me aí essa toalha.
- Estamos numa praia em que metade das pessoas são nudistas, não te vais pôr a trocar de fato de banho com toalhinha, pois não ?
Viro-me de costas para o grupo tiro o fato de banho e quando me inclino para apanhar o outro
- ENAAAA PÁÁÁÁÁÁÁÁÁ. O PAI TEM PÊLOS NO RABO

segunda-feira, setembro 04, 2006

O Império Contra Ataca


O café Império reabriu fez sexta-feira uma semana. Aparentemente, a pretensão da IURD de transformar a sala em mais um local de culto, não foi avante e eis que reabriu sob nova gerência. Parece que muitas vozes se levantaram para impedir a queda do Império, e que o resultado de tudo isso foi uma renovação do espaço, com alguns conceitos interessantes. Manteve-se algum pessoal da mesa e da cozinha, pelo que o bife à Império também. Juntaram-se mais empregados, renovou-se
cozinha e balcão, criou-se um espaço para Café_Bar_Concerto e outro para crianças. Os empregados, desacostumados de tanta gente, viam-se aflitos para dar conta do recado e comentavam entre si “Há quanto tempo, isto não tinha tanta gente”.
O espaço pareceu-me engraçado, mas desconfio que não pega, e não há-de tardar até retomar a agitação de há um ano atrás: mortiço excepto no almoço de Domingo (talvez me engane). O bife, confirmei-o, continua a ser o melhor de Lisboa.
Mais uma coisa. Se levar filhos pequenos, evite lugares junto à varanda para o piso inferior. Se não conseguir evitar os lugares, evite garrafas de água nas mãos dos seus filhos. Se não conseguir evitar a garrafa, evite que ela esteja cheia. Se não conseguir, evite que ele a poise no corrimão da varanda. Se mesmo assim não conseguir evitar tudo isto evite que ela caia em cima da senhora que está sequinha a almoçar tranquilamente lá em baixo. Eu só evitei a parte do “cair em cima” , substituindo-a por “explodir aos pés”.
É inacreditável a quantidade de adrenalina que as pessoas de idade ainda conseguem produzir.
Na foto do novo Império, a amarelo, está marcada a trajectória da garrafa.

quarta-feira, agosto 30, 2006

"As memórias


... são os sorrisos que queremos rever. Devagar"
Em casa dos meus pais existe um album, feito e oferecido pela minha mãe ao meu pai. Conta a história deles, que curiosamente é também a minha história e a da minha irmã. Já na segunda metade dessa história vem a página do meu 5º aniversário. A foto foi tirada há 34 anos.

terça-feira, agosto 29, 2006

Momentos II

Um fecho de férias, já a braços com uma semana de trabalho, como que a guardar o ultimo trago no fundo do copo para saborear depois. E foi um despertar de sentidos que me trouxe o vale, em sons, em cheiros, em tons e cadências certas para silêncios. A longa varanda, camarote central sobre mar de cores, faz-se às conversas de entardecer, e estende-se pela noite em risadas e brindes a outras tantas. O último cigarro já só as rãs e os grilos, entre estrelas de brilho descarado e luzes a ziguezaguear encostas. Soubesse eu escrever nas cinco linhas, fazia como o Pedro, que compôs sobre aquele Douro, saboreado a partir da mesma varanda.

segunda-feira, agosto 28, 2006

Contas parvas

Não serve para nada, saber isto. Ainda mais porque leitores desta Caixa são algumas dezenas, mas se cada visita ocupasse um lugar no estádio da Luz, estávamos perante lotação esgotada.

quarta-feira, agosto 23, 2006

Casa não casa

Ás tantas, as conversas de almoço, chegam a atingir dimensões gigantescas:
“Casar é contra-natura. O instinto animal leva-nos para caminhos diferentes do compromisso e da monogamia. Resistir a esses instintos é uma luta desgastante e é capaz de transformar a vida de qualquer um num inferno.”
“O instinto animal também nos leva a cagar e a mijar quando se tem vontade. Não obstante, conseguimos esse feito heróico de esperar até ao próximo encontro com uma casa de banho. No fundo se seguíssemos todos os nossos instintos animais o mundo era uma imensa casa de banho. Do ponto de vista do instinto animal, a opção de não casar é semelhante à de usar fraldas Lindor para adultos incontinentes.”
Este texto é um excerto da conversa de almoço, que foi, obviamente, bastante animado.

segunda-feira, agosto 21, 2006

Filarmónica

Já a noite se fazia ao céu, nuvens em contraluz, quando cheguei a São Martinho. O entusiasmo deles, para lá do meu regresso, vinha do concerto da filarmónica Gil, ali mesmo encostado ao areal e às embarcações. Jantámos as empadas feitas durante a tarde a várias mãos, adormecemos o António que ficou com o avô (ainda não tem estatuto para estas aventuras) e descemos desde o cruzeiro até ao Cais, já o som nos dizia que perdemos o início.
Depois foram três quartos de hora de novas emoções. Os acordes, o entusiasmo, as luzes, a dança, uma ou outra canção reconhecida. O João Às vezes atentos ao cenário montado, outras vezes dispersos nas brincadeiras entre os barcos. Palmas, sempre palmas.
O homem da Filamórnica – “Não vale a pena dizer certas coisas em campanhas politicamente correctas. A droga é mesmo uma merda. É uma merda.”
Risos do João e do Manel Maria
- Paiiiiiiiiiii. Ele disse merda. Disse que eu ouvi.
- Eu também ouvi. Disse meda.
- Disse porque está a falar de uma coisa tão má e tão feia, que nesses casos e só nesses casos, os adultos podem dizê-lo.
O concerto assim seguiu e fluiu. Deve ser difícil gerir a relação com um público acidental. O regresso ao palco para só mais uma e em jeito de brincadeira o “Postal”.
Roubei o alinhamento aqui nos desabafos do vizinho Gil. Não leves a mal pá.

quinta-feira, agosto 17, 2006

Verão Quente

A restante família Real continua de férias. Pobre Rainha às voltas com os três príncipes selvagens, e tão preocupada com a sua Bimby, que na passada semana sofreu uma hemorragia de creme de alho francês. Ainda hoje se está para ver se foi um episódio clínico excepcional ou se configura alguma doença crónica. Se a Bimby adoece de vez, acaba a paz do reino.
Desde o internamento da Playstation 2 durante quinze dias numa clínica de Madrid, que a harmonia familiar não se encontra tão ameaçada.

quarta-feira, agosto 16, 2006

Regresso

... após três semanas e meia de férias. Algarve e São Martinho do Porto. Muita praia que me deixou bem passado. Trouxe a chuva comigo para o safanão não ser tão violento. A família da Caixa de Costura foi conhecer o Sopro do Coração num jantar na ilha de Faro. A M&M é fantástica e estragou-nos com mimos e com doces da região.
Olho para o outlook. Cruz credo. É inacreditável a quantidade de mails que tenho para ler. Os do Viagra e os das soluções milagrosas para aumentar a pila em não sei quantas polegadas (não sei como é que eles descobriram certas coisas pretensiosamente íntimas sobre mim) já foram para o lixo, os outros requerem uma leitura mais atenta. Faço-me a esta longa estrada.