domingo, dezembro 28, 2008

Máquina do Tempo II


Há coisas que não ficam arrumadas durante muito tempo, e esta secretária tem um "je ne sais quoi" que atrai cromos, gromitis, balões, pilhas, chaves, moedas, envelopes e embalagens de flocos para peixes.

Máquina do Tempo I

O saco do ikea atulhado com os meus últimos 8 anos de trabalho naquele cliente, conferiu a urgência de arrumar a secretária cá de casa. Fora o que lá deixei e distribuí pelos meus colegas, numa sessão de partilhas, trouxe dossiers, contratos, formações, propostas, música, isqueiros, fotos, cartões de memória, memórias para lá das fronteiras de um cartão. O saco do ikea pesava uns trinta quilos e a secretária não parecia ter espaço para tamanho encargo. Uma arrumação a sério, que o fecho do ano se presta a estas coisas, esvaziar gavetas, revirar todos os papéis, decidir o que fica e o que não faz falta. E das gavetas, como do chapéu do ilusionista, surgem surpresas, que num repente nos fazem passageiros da máquina do tempo. O cartão de ginasta federado, um caderno da segunda classe, fotografias da recruta em Mafra e do resto da tropa em Beja, uma filofax com os números de telefone de sete algarismos e números de telemóvel começados por 0936 ou 0931, cartões de visita, convites de casamento, cartão de socorrista, fotografias das férias com amigos na autocaravana, um cheque de 30000 euros que o BES me enviou com uma proposta de crédito (tinha alguns 100 envelopes do BES, da CGD, da ZON, da Clix por abrir).
Ficam aqui três coelhos tirados desta cartola. O cartão militar, uma foto do Lido em Veneza (a ilha e praia da Morte em Veneza) tirada na viagem de auto caravana e uma pagina de um caderno da segunda classe (a Dona Inês bem dizia que a forma como um aluno desenha uma árvore, nos dá fortes indícios sobre a sua inteligência, e suspeito que a minha fique aquém das expectativas).





sexta-feira, dezembro 26, 2008

Eu quero uma casa no campo

... onde eu possa possa plantar meus amigos, meus discos e livros e nada mais.

De: Zé Rodrix e Tavito

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
Meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais


segunda-feira, dezembro 22, 2008

Risco

Este ano só há Natal lá em casa se o Benfica, esta noite, ganhar ao Nacional da Madeira. Se por uma infelicidade, semelhante à que aconteceu ao Sporting e Porto, o Benfica não amealhar os 3 pontos, o Natal é passado no you-tube a ver as emissões do parlamento de sua majestade Alberto João.
E mai'nada

domingo, dezembro 21, 2008

Época


A presente é farta em jantares, à conta da ocasião. Eu que regra geral sou fiel ao princípio de não festejar aniversários antecipadamente porque pode dar galo, abro uma excepção para este aniversariante que tem o mesmo nome do arrumador de automóveis cá da rua, e vai daí que vou a um ou outro jantar de Natal, a dar alguma coisa há-de ser peru e bacalhau. Ora na passada sexta, além do jantar, vai de armar-me em puto xarila e rumar ao salão, vestido como se fosse andar de skate, ver ouvir e dançar, ou lá o que é que se faz com a actuação dos DJ's, ao som de um tal de Kid Loco que eu não faço puto ideia quem seja. E olha que gostei. Não sei se foi do Gin Tónico, se foi das gaiolas que penduraram por cima da pista com umas miúdas saídas da capa do disco dele, se foi mesmo da batida, mas gostei.
Passados poucos minutos de me enfiar na cama, tinha uns kids loucos aos pulos em cima de mim, e já não havia senhas para mais Gin.
Passei o resto do fim de semana a tentar recuperar dos exageros.

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Cromo

O Sirenes chega-me à cozinha com três embalagens de pensos higiénicos na mão e diz:
- Pai Pai. Vês a mãe também tem carteiras de cromos.
- Pois tem António, pois tem.
O café que me saiu pelo nariz, ajudou-me a resistir à tentação de lhe perguntar pela caderneta.

terça-feira, dezembro 16, 2008

15 minutos

antes do costume, se costumas à hora certa, é certo que hoje lhe tirei um quarto, e no quarto, conforme acordado, ainda estremunhado acordo em contra mão. A mão pesada e súbita sobre uma tecla qualquer, qualquer dia ainda se parte. Parto à descoberta do dia, 14 minutos antes da hora, está na hora dos preparos, não pares! Não, não paro. 13 minutos. Bom dia, bom dia, faço a barba, apresso o outro, e um beijo de bons dias às pressas. Depressa pai que o xixi ganhou à fralda, troco os planos, troco as mãos, e siga as vestes, vê se te vestes, não é já vou, é mesmo agora. O que é agora ? A pasta de dentes, dantes não te metias nessas coisas. Já passou pela hora dentro. Entro no duche, e entra uma canção no rádio, o boletim meteorológico, vai estar um frio do caneco, a caneca é que entornou, eu não tive a culpa, culpa-se a pressa pois então. Então essa mochila ? Já tem tudo ? Telefone, cartão e o lanche? Olha que está quase a tocar, não te esqueças de telefonar, basta um toque. Não toques aí, vai-te pentear. Sim sirenes, o teu cabelo está lindo. Lindo serviço na cozinha, o que descongelamos para o jantar ? Qualquer coisa a correr. Corre que se faz tarde. Não tarda, não arranjo lugar. Vamos embora, isso agora não, noutro dia. Tem um dia bom e um beijo. Meninos o beijo da mãe? Então vá até logo. Logo se vê isso dos cromos. Vamos embora, vamos, vamos, vamos. Não quero frenesim nas escadas, não passes à frente do teu irmão, que ele se põe logo a berrar. Sim chatum, vais ser tu outra vez a ganhar.

segunda-feira, dezembro 15, 2008

A importância da fada dos dentes no negócio das próteses dentárias

- O que estás a fazer ?
- Estou aqui a fazer uma cruz no dente que caiu (por acaso foi arrancado). É que vai para debaixo da almofada, e o João disse-me que a fada dos dentes usa os dentes para fazer dentaduras. Como o avô vai ter uma dentadura nova, pode ser que este lá vá parar e assim se encontrar uma cruz, é porque é o meu.
Acho que vou vomitar

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Mudam-se os tempos ...

muda-se de operadora de telefone e internet. Decido concentrar tudo numa só. Agora além de televisão, o telefone e a net vêm no mesmo cabo. Zon. Será a melhor decisão ?

Regresso

Uma mulher assim não pode ficar tanto tempo sem porto seguro onde lançar amarras, onde se sinta por inteiro, e cada pedra, cada banco, cada vaga abraçada seja uma história de infância ou de amor. Uma mulher bonita de luz, tem que abraçar um cais de sonhos, para que o tempo não se conte às voltas de um só eixo, antes as horas de navios no horizonte e os minutos de voos picados de gaivotas.
Preenchem-te das mesmas novas sombras o cais, e a praça vazia se faz de gente, comércio de emoções e ímpar este par, amantes sem pressas, passo ante passo, regressam as colunas ao Terreiro de Paço.

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Satizfaz muito pouco

A C. foi minha professora de história do 7º e do 9º ano. Nunca foi uma disciplina dos meus encantos, mas a C animava as aulas e convidava-nos a participar. No final do 9º ano tive alguma pena de deixar de ter esta disciplina.
O F foi meu professor de Matemática do 8º ano. Já podia estar reformado, mas insistia em dar aulas. Infelizmente pensava eu, à conta do seu estilo austero e autoritário. Nunca tive uma nota positiva num teste feito por ele, mas aprendi tudo o que havia para aprender da matemática do 8º ano.
A M. foi minha professora de economia do 10º ano. Desinteressante a matéria e a forma como era dada. Sabendo os conceitos e definições, era tão fácil ter boa nota. A M. tinha uma assiduidade precária e um mestrado para acabar.
O C. foi meu professor de trabalhos oficinais do 8º ano. Organizou visitas de estudo para que víssemos fora da sala de aulas, aquilo que ele nos ensinava no quadro e nas oficinas. Nunca tive grande nota a trabalhos oficinais, graças à minha apuradíssima destreza manual, mas lembro-me bem deste professor.
A D. foi minha professora de português do oitavo ano. Fácil de enganar. Uma redacção com alguma imaginação e o cinco era garantido. A paixão não existia, e se existisse não passava.
A F. foi a minha professora de matemática do 11º ano. Chata como tudo, parecia a madame Castafiori do Tintin e dizia “Se tiverem dúvidas, não se coíbam de perguntar”, e nós não nos coibíamos. Foi das professoras que mais me ensinou matemática e a gostar ainda mais de matemática. É daqueles casos que eu acredito ter tido sorte em tê-la como professora.
A M. foi minha professora de Ciências da Natureza do 9º ano. Sabia tanto que dava gosto, ouvi-la apesar da presença quase frágil lá à frente. Nunca fui grande aluno de Ciências da Natureza, mas adorava as aulas dadas por ela.
Podia escrever aqui sobre muitos mais professores porque grande parte deles me marcou de uma ou outra forma. Lembro-me de quase todos, e com toda a certeza que me lembro dos muito bons e dos muito maus. Dos que nos ensinavam com paixão, dos que nos ensinavam e educavam, dos que nos toleravam, dos que aprendiam connosco, e dos que nem por isso. Não me lixem, de todos os que estiveram à minha frente, é-me fácil identificar mérito e demérito, competências e incompetências. Só vejo virtudes num modelo que premeie o mérito e as competências dos que as têm e que distinga aqueles que as não têm, identificando acções que permitam que quem as não tem, possa passar a tê-las.
A minha sugestão é que se entendam neste princípio e que trabalhem em conjunto sobre a melhor forma de o fazer. A suspensão é só uma forma de empurrar com a barriga um problema sério.

terça-feira, dezembro 09, 2008

Centenário

Depois dos centenários do Benfica e do Sporting, eis que se aproxima o de Manoel de Oliveira. Pelo sim pelo não, a MultiOpticas suspendeu a campanha que oferecia, nas armações, uma percentagem de desconto igual ao da idade do cliente. Maricas.

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Retratos

Há domingos assim, cheios de retratos. Há Domingos cheios de chuvas matinais para animar a ida ao Jardim Zoológico que, pelos convites, tinha de ser nesse e só nesse dia. Os animais não se importam com a chuva e nós também não, e foi girafas e riscorontes e pavões e gorilas e leões e tigres e corcodilos. Todos retratados. Depois pela tarde, enquanto o sirenes ia a uma festa no centro cultural de belém, levámos os mais velhos a um atelier sobre a exposição de retratos do museu Berardo. Como ir com duas crianças não dá muita pica, resolvemos levar os filhos de amigos. Levámos cinco para dar luta. Vimos a exposição com pistas para descobrir, com tempo para nos sentarmos e falar sobre os retratos, com eles a fazerem legendas para poses e instantâneos. Ainda houve lugar a criar personagens, com cenários, adereços, vestuário e maquilhagem a condizer, para, desta vez, serem eles (e nós) os retratados. Bem animados estes ateliers do museu Berardo, apesar da peruca não me ter ficado bem, tenho dificuldade em lidar com excesso de cabelo. Assim de repente, vieram-me à memória as festas de Carnaval de uma certa embaixada, sempre fora de época, mas sempre animadas.
Nos retratos da noite, um jantar com amigos no Sacramento do Chiado. Gosto do Chiado e deixa-me um sorriso no retrato sempre que o vejo animado, longe dos tempos cinzas de retratos a preto e branco. Se já em casa eu tinha feito explodir uma garrafa de margarina liquida sobre mim, no restaurante foi o senhor do bar quem se encarregou de entornar dois gins tónicos por cima. Mal empregados. No retrato de fim de noite e ainda no chiado, no Silk. Não percebi o ADN daquele local onde se entra por guest list, mas tem um retrato fabuloso sobre os telhados de Lisboa, como um retrato de Maluda.
Só pode dar em sorrisos um dia tão cheio de retratos de família, a dois e com amigos. Olha o passarinho.

domingo, dezembro 07, 2008

Taxímetro 4,80 € Gorja 0,20€

- Bom dia
- Bom dia
- Basílica da Estrela por favor. Eu sei que estamos perto, mas com esta chuva, só mesmo de taxi.
- É o tempo dela.
- Pois, pois é. Mas podia ter esperado pela hora de almoço. Já estou atrasado para a missa de corpo presente da minha Tia Elvira.
- Os meus sentimentos.
- Já não fazia nada por cá. A não ser dar trabalho e ralações aos meus primos. 92 anos de idade, surda como um calhau o raio da velha. É como lhe digo, um estorvo nos dias que correm.
- Acabamos todos por ser.
- Eu cá, se chegar a essa idade, prefiro que me metam num lar. Sempre hei-de ter quem de mim trate sem andar a complicar a vida dos outros. Tou pra ver o que é que vão fazer à tralha que tinha lá para casa. Guarda fatos cheios de roupas comidas pelas traças e fotografias espalhadas em gavetas. Sacana da mulher, nunca foi de poupar. Doida por casinos. Enquanto as pernas deixaram, ia até ao Estoril. Depois disso, lá conseguiu que um amigo fosse lá a casa explicar-lhe isto dos casinos na net. Desde essa altura sempre agarrada ao Poker e às Slot Machines. Trabalhar com a máquina da roupa era muito complicado, mas quando precisou de trabalhar com o computador, passaram-lhe logo as complicações. Cabra.
- Senhora moderna.
- Se fosse a minha mãe eu dava-lhe a modernice. Levava com o teclado goela abaixo, a única aposta que fazia era se ia o engolia por inteiro ou letra a letra. Olhe, deixe-me já aqui que parou de chover.
- São quatro euros e oitenta.
- Aqui tem fique com troco.
- Adeus bom dia. E mais uma vez os meus sentimentos.
- hum estupor da velha bem que se podia ter baldado num dia de sol.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Natal

Ao almoço, levantou-se a suspeita se o Natal não seria algo determinado por seres de inteligência superior, que algures noutro planeta teriam decidido, no meio de uma bebedeira, divertir-se às nossas custas:
- Vamos brincar com os humanos e inventar uma coisa estranha para eles fazerem antes do fim do ano
- Podia ter renas
- Lá vem este e as renas. Deixa lá as renas em paz.
- Com canções com sinos.
- Sim e estrelas e ...
- E renas.
- Larga as renas. E umas luzes.
- E uma marca de refrigerantes que inventasse um gordo de barbas puxado num trenó, por cães.
- Por elefantes
- Não, por animais que se dêem bem com o frio. Leões marinhos.
- Pinguins.
- Renas, por renas.
- Deslarga-me com as renas. Por ursos polares.
- E as pessoas ficavam muito mais boazinhas umas para as outras.
- Por causa das Renas
- Não por causa do frio
- Não, por causa do fim de ano
- Não. Por causa do Jesus.
- Quem, o arrumador de carros?
- O treinador do Braga?
- Não pá, o filho do barbudo.
- O gordo do trenó ?
- Não o outro, o grandalhão com ar de nuvem.
- Eh páááá. Com esse é melhor não brincar, mais vale as renas.
- Eu sabia. As minhas renas.
- Pronto põe lá renas no trenó, mas não se metamn com o Barbas.
- O do Benfica?
- Não. O grandalhão com cara de nuvem.
- Combinado, aquilo fica por conta do filho do barbas, mas os humanóides hão-de distrair-se com isso. O tipo tipo também está sempre ocupado, não há-de dar por ela.
- Boa. Inventamos programas de televisão alusivos à época.
- Com renas e o Eládio Clímaco
- E o Toy mas sem renas
- E o banco alimentar.
- E uns barbudos insufláveis de 30 cms agarrados a uma corda para pôr nas varandas.
- Com umas renas às costas.
- Se voltas a falar de renas, elas saem do trenó.
- Não pá, eu não insisto, fica com um saco de prendas às costas.
- Boa. Prendas, vão andar a dar prendas até 5 euros em jantares de confraternização e com amigos secretos.
- E oferecem meias e cuecas uns aos outros. E jantam juntos ...
- E comem renas ...
- Não comem renas nada, comem bacalhaus e vamos inventar uns frangos qaue não caibam nos fornos.
- Chamemos-lhes Perús - o frango que não cabe no forno.
- Olha quem vem lá. A nossa drag queen. Anda cá estamos aqui a combinar uma coisa muito gira para fazer ali com os humanos.
- Olha que ela ainda aceita e isto acaba tudo com fitas e bolas às cores, brilhantes e purpurina.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Telefonema

- Olá Pai, quando chegares a casa podes trazer o Tamagochi que ficou no carro da mãe?
- Claro. E diz-me lá, onde é que a mãe estacionou o carro?
- Em frente à Sex Shop
- DESCULPAAAA????
- Em frente à Sex Shop, a Erotika
Desliguei o telefone e atirei-me para o chão algures entre o ataque de riso e o desespero.