Com o início da quaresma chegaram várias tarefas urgentes e importantes para fazer, que insistem em preencher-me quotidiano. Nem o Benfica eu vi jogar, e as noitadas de trabalho duram desde Segunda Feira.
Aproveito esta janela de oportunidade para escrever umas linhas.
Necessito de melhorar urgentemente a competência “Saber Dizer Não – faça-o com um sorriso, justifique a sua recusa e prontifique-se a encontrar alternativa a quem lhe solicita alguma tarefa”
Agora que penso na arte de dizer Não, reparo que há pouca gente que o saiba fazer com a elegância necessária. Uns porque dizem Sim e não conseguem contraria esta tendência para a nega, e outros porque dizem Não, mas à bruta. Fazem-no muito na linha “Não me chateies”, “Temos pena” ou “Tu deves ser atrasado mental”
Este, já se vê, devia ser um tema abordado logo antes da adolescência: “A arte da tampa”. Evitava tanta chatice entre os 13 e os 20 anos. Esta é a idade em que mais precisamos de dizer Não, não tendo porém estatuto para o fazer:
- André para a rua
- Stor, peço imensa desculpa mas neste momento é-me completamente impossível fazê-lo. Podemos adiar esta falta a vermelho para a semana que vem ? É que hoje não me calha nada bem.
- Está-se a rir de quê?
- Estou a sorrir stor. Para lhe demonstrar que não se trata de uma questão pessoal, antes de uma real impossibilidade. Se reparar até lhe estou a dar uma alternativa, não obstante o facto de estar a recusar a sua solicitação.
- Foi uma ordem.
- Compreendo, mas sinceramente, hoje não o posso fazer. Talvez o Carlos possa. Carlos, importas-te de atender a um pedido do professor, que eu hoje não tenho a menor hipótese de aceder.
- Desculpe lá Carlos, o André está aflito, tenho que recorrer a si. Rua.
- Por mim tudo bem. Eu sei que não é a mesma coisa, mas tudo bem.
E com os namoros, a coisa também prometia ser interessante ...
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
La fontaine
JM - Pai conta-me uma história para eu adormecer
Eu – João, são quase onze da noite.
JM – Uma muito pequenina. Vá lá pai.
Eu – Era uma vez um gato que ia atravessar uma rua, e quando estava a meio veio um carro e matou-o
JM – Ohhh Pai.
Eu – Era uma vez um gato que ia atravessar uma rua, e vinha lá um carro. Também estava lá um cão muito esperto que percebeu que o gato ia ser atropelado. O cão que sabia que os gatos se assustam com os cães, resolveu ladrar e correr na direcção do gato para ele fugir do carro com o susto. Foi então que o carro os atropelou aos dois.
JM – Ohhh pai, essa história não presta (risos).
Eu - Era uma vez um gato que ia atravessar uma rua, e vinha lá um carro. Também estava lá um cão muito esperto que percebeu que o gato ia ser atropelado. O cão que sabia que os gatos se assustam com os cães, resolveu ladrar e correr na direcção do gato para ele fugir do carro com o susto. O elefante que tinha uma tromba que adivinhava, viu logo que aquilo ia dar asneira e resolveu correr para lhes dar com a tromba e eles assim não eram atropelados. Quando o carro estava quase a apanhar o gato e o cão, deu-lhes uma grande trombada (eh eh eh) e eles voaram até à outra faixa e não foram atropelados. Fizeram uma grande festa e deram um abraço ao elefante. Foi aí que apareceu um autocarro e atropelou os três. (muitos risos)
JM- Amanhã juntamos um tiranossauro rex e o king kong.
O patrão do moço da cruz anda demasiado atento, porque hoje à saída da escola ia sendo atropelado por uma carrinha de bolos. Ainda bem que não fui porque estou com umas cuecas de super homem (prenda de natal do Manel Maria) e ia ser motivo de grande galhofa nos politraumatizados de São José.
Eu – João, são quase onze da noite.
JM – Uma muito pequenina. Vá lá pai.
Eu – Era uma vez um gato que ia atravessar uma rua, e quando estava a meio veio um carro e matou-o
JM – Ohhh Pai.
Eu – Era uma vez um gato que ia atravessar uma rua, e vinha lá um carro. Também estava lá um cão muito esperto que percebeu que o gato ia ser atropelado. O cão que sabia que os gatos se assustam com os cães, resolveu ladrar e correr na direcção do gato para ele fugir do carro com o susto. Foi então que o carro os atropelou aos dois.
JM – Ohhh pai, essa história não presta (risos).
Eu - Era uma vez um gato que ia atravessar uma rua, e vinha lá um carro. Também estava lá um cão muito esperto que percebeu que o gato ia ser atropelado. O cão que sabia que os gatos se assustam com os cães, resolveu ladrar e correr na direcção do gato para ele fugir do carro com o susto. O elefante que tinha uma tromba que adivinhava, viu logo que aquilo ia dar asneira e resolveu correr para lhes dar com a tromba e eles assim não eram atropelados. Quando o carro estava quase a apanhar o gato e o cão, deu-lhes uma grande trombada (eh eh eh) e eles voaram até à outra faixa e não foram atropelados. Fizeram uma grande festa e deram um abraço ao elefante. Foi aí que apareceu um autocarro e atropelou os três. (muitos risos)
JM- Amanhã juntamos um tiranossauro rex e o king kong.
O patrão do moço da cruz anda demasiado atento, porque hoje à saída da escola ia sendo atropelado por uma carrinha de bolos. Ainda bem que não fui porque estou com umas cuecas de super homem (prenda de natal do Manel Maria) e ia ser motivo de grande galhofa nos politraumatizados de São José.
Proposta de alteração à lei do referendo
A partir de hoje, todos os referendos devem acrescentar ao assunto a ser referendado, algumas das seguintes perguntas:
"Qual o seu clube de futebol?"
"Qual o homem mais bonito portugal?"
"Qual a mulher mais bonita de portugal?"
"Qual a próxima tatuagem de Elsa Raposo?"
"O que leva Bárbara a ir para o Carrilho?"
"Cozido à portuguesa ou feijoada?"
"Vinho ou Cerveja?"
"Sagres ou Super Bock ?"
"Zara ou H&M?"
"Marina Mota, Herman ou Gato Fedorento?"
"Novelas nacionais ou brasileiras?"
Isto sim, são temas pelos quais existem um verdadeiro interesse nacional que levariam a abstenção a valores miseráveis.
"Qual o seu clube de futebol?"
"Qual o homem mais bonito portugal?"
"Qual a mulher mais bonita de portugal?"
"Qual a próxima tatuagem de Elsa Raposo?"
"O que leva Bárbara a ir para o Carrilho?"
"Cozido à portuguesa ou feijoada?"
"Vinho ou Cerveja?"
"Sagres ou Super Bock ?"
"Zara ou H&M?"
"Marina Mota, Herman ou Gato Fedorento?"
"Novelas nacionais ou brasileiras?"
Isto sim, são temas pelos quais existem um verdadeiro interesse nacional que levariam a abstenção a valores miseráveis.
domingo, fevereiro 11, 2007
Não vinculativo
Ainda não se conhecem os resultados, apenas se projecta uma abstenção vencedora. Deixa andar, não é comigo, tenho mais do que fazer é a lógica de um país de memória curta. Aos que durante décadas, lutaram pela liberdade e pelo direito ao voto livre (e pela liberdade à inconsciência de não votar) as desculpas por esta abstenção.
Senhor Sócrates tenha tomates, e mude a lei no parlamento (há aqui qualquer coisa que me ultrapassa. O sr primeiro ministro no congresso do PS, não respondeu a Helena Roseta que, se o referendo não fosse vinculativo, tudo ficaria como até agora ?).
Senhor Sócrates tenha tomates, e mude a lei no parlamento (há aqui qualquer coisa que me ultrapassa. O sr primeiro ministro no congresso do PS, não respondeu a Helena Roseta que, se o referendo não fosse vinculativo, tudo ficaria como até agora ?).
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
O regresso às aulas
Logo pela manhã, à primária (minha querida D. Inês, grande professora e grandes reguadas). A contas com alguma dificuldade em explicar ao João, contas de dividir com mais que dois algarismos no divisor.
- Professora Marta, desculpe a interrupção, mas preciso de ajuda nas contas de dividir quando o denominador tem mais que dois algarismos
- O divisor
- Pois o divisor
- Já esqueceu como se faz, portanto
- Não. Mas não sei qual o algoritmo que usa para explicar aos selvas (eu formei-me em matemática aplicada, sei mais do que imaginas espertinha)
- Como assim ?
- Como é que se explica isto ?
- Vamos ao quadro
- Vamos lá então
- 192746 : 45
- Muito bem e agora. Como é que os faz chegar ao quatro ?
- Qual quatro ?
- O quatro que vai por ali debaixo do 45
- Ah esse. Então temos 19 e 45. Como 19 < 45 temos que ir pedir ajuda ao 2. Fica então 192 e 45. Vai daí o 5 trata do 2 enquanto o 19 trata do 4. Ora 19:4 dá 4. Vamos tentar o 4. Se der dá se não der temos que tentar com 3. Muito bem 4 x 5 são 20, 20 para 2 não chega temos que pedir uma dezena emprestada ao 19, 20 para 12 também não chega temos que pedir outra dezena emprestada ao 19, 20 para 22 são 2, colocamos o 2. 4 vezes 4 são 16, quantas dezenas pedimos ao 19 ?
- Duas.
- Muito bem, então 4 vezes 4 são 16, mais as duas são 18. Para dezanove vão
- Um
- Cá está. Baixa-se o 7. Ainda precisa que continue ?
- Já agora. É que fiquei curioso em ver o resultado.
- Muito bem. 127 a dividir por 45. O 7 trata do 5 e o 12 do 4...
- Estava a brincar. Podemos ficar por aqui. Obrigado.
- Não custou nada.
João Maria nem sabes o que te espera hoje à noite:
72816459726152923784698 : 83
- Professora Marta, desculpe a interrupção, mas preciso de ajuda nas contas de dividir quando o denominador tem mais que dois algarismos
- O divisor
- Pois o divisor
- Já esqueceu como se faz, portanto
- Não. Mas não sei qual o algoritmo que usa para explicar aos selvas (eu formei-me em matemática aplicada, sei mais do que imaginas espertinha)
- Como assim ?
- Como é que se explica isto ?
- Vamos ao quadro
- Vamos lá então
- 192746 : 45
- Muito bem e agora. Como é que os faz chegar ao quatro ?
- Qual quatro ?
- O quatro que vai por ali debaixo do 45
- Ah esse. Então temos 19 e 45. Como 19 < 45 temos que ir pedir ajuda ao 2. Fica então 192 e 45. Vai daí o 5 trata do 2 enquanto o 19 trata do 4. Ora 19:4 dá 4. Vamos tentar o 4. Se der dá se não der temos que tentar com 3. Muito bem 4 x 5 são 20, 20 para 2 não chega temos que pedir uma dezena emprestada ao 19, 20 para 12 também não chega temos que pedir outra dezena emprestada ao 19, 20 para 22 são 2, colocamos o 2. 4 vezes 4 são 16, quantas dezenas pedimos ao 19 ?
- Duas.
- Muito bem, então 4 vezes 4 são 16, mais as duas são 18. Para dezanove vão
- Um
- Cá está. Baixa-se o 7. Ainda precisa que continue ?
- Já agora. É que fiquei curioso em ver o resultado.
- Muito bem. 127 a dividir por 45. O 7 trata do 5 e o 12 do 4...
- Estava a brincar. Podemos ficar por aqui. Obrigado.
- Não custou nada.
João Maria nem sabes o que te espera hoje à noite:
72816459726152923784698 : 83
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
Pra cima pra baixo ao som do contrabaixo
Surpreende-me a quantidade de telemóveis que são vendidos neste país. Pergunto-me o que leva cada Português a adquirir o seu 5º ou 6º telemóvel. O que é que fazem aos que ficam para trás?
As operadoras justificam este fenómeno pela adesão às novas tecnologias. A fotografia, o vídeo, o 3G, os toques polifónicos e os MPMuitos. Não acredito que seja pela tecnologia. Os portugueses dão-se mal com essa coisa da tecnologia. Por regra dão-se muito mal. Os elevadores são disso exemplo. Os portugueses não gostam de elevadores. Aquilo de carregar num botão para chamar o elevador não é coisa fácil. Para já, os elevadores modernos têm dois botões e para que não haja dúvidas o melhor é carregar nos dois. Aquilo de carregar para baixo se se quer ir para baixo e carregar para cima se se quer ir para cima é uma prática ditatorial. Então eu antes de entrar no elevador tenho que saber se quero subir ou descer ? Tenho que ter um plano de deslocação ? Nããããã. Eu cá só decido à posteriori. E se a luz de chamada já estiver acesa ? A bem a bem, o melhor, é carregar novamente para o caso do elevador se ter esquecido. E depois quando o elevador chega, como é que eu sei se o bendito vai para baixo ou para cima ? Não sei. Ele tem lá umas flechas luminosas, mas todos sabemos que as luzes não querem dizer nada. O meu microondas também tem uma luz e isso em princípio não me dá qualquer informação. Pelo sim pelo não entro no elevador e só depois é que carrego no meu destino. A probabilidade de ir na direcção correcta é 0,5, e nada de mal me há-de acontecer se for no sentido contrário. Depois há aquela mariquice de ter que esperar que os outros saiam para entrar. Isso não é comigo. Primeiro há que entrar e depois logo se vê quem é que consegue sair. Uma vez lá dentro, é rezar para que a viagem chegue ao fim e assistir a pelo menos a três inversões de marcha, duas paragens por excesso de peso e ouvir alguém a peidar-se uma vez. Há poucas coisas melhores que o peido no elevador.
Os elevadores são um ícone do apreço que os portugueses têm pelas tecnologias. Não me venham portanto dizer que compram telemóveis uns atrás dos outros pelo fascínio que têm por tecnologia. O anda por trás deste mistério ? Onde andam os outros aparelhos abandonados ? Será um mistério parecido ao dos pares das peúgas ? Será que existe um planeta onde vão parar todos os telemóveis que já não usamos? Será Deus que os usa para telefonar à Alexandra Solnado ? Se sim, qual o operador ? Com que tarifários ?
As operadoras justificam este fenómeno pela adesão às novas tecnologias. A fotografia, o vídeo, o 3G, os toques polifónicos e os MPMuitos. Não acredito que seja pela tecnologia. Os portugueses dão-se mal com essa coisa da tecnologia. Por regra dão-se muito mal. Os elevadores são disso exemplo. Os portugueses não gostam de elevadores. Aquilo de carregar num botão para chamar o elevador não é coisa fácil. Para já, os elevadores modernos têm dois botões e para que não haja dúvidas o melhor é carregar nos dois. Aquilo de carregar para baixo se se quer ir para baixo e carregar para cima se se quer ir para cima é uma prática ditatorial. Então eu antes de entrar no elevador tenho que saber se quero subir ou descer ? Tenho que ter um plano de deslocação ? Nããããã. Eu cá só decido à posteriori. E se a luz de chamada já estiver acesa ? A bem a bem, o melhor, é carregar novamente para o caso do elevador se ter esquecido. E depois quando o elevador chega, como é que eu sei se o bendito vai para baixo ou para cima ? Não sei. Ele tem lá umas flechas luminosas, mas todos sabemos que as luzes não querem dizer nada. O meu microondas também tem uma luz e isso em princípio não me dá qualquer informação. Pelo sim pelo não entro no elevador e só depois é que carrego no meu destino. A probabilidade de ir na direcção correcta é 0,5, e nada de mal me há-de acontecer se for no sentido contrário. Depois há aquela mariquice de ter que esperar que os outros saiam para entrar. Isso não é comigo. Primeiro há que entrar e depois logo se vê quem é que consegue sair. Uma vez lá dentro, é rezar para que a viagem chegue ao fim e assistir a pelo menos a três inversões de marcha, duas paragens por excesso de peso e ouvir alguém a peidar-se uma vez. Há poucas coisas melhores que o peido no elevador.
Os elevadores são um ícone do apreço que os portugueses têm pelas tecnologias. Não me venham portanto dizer que compram telemóveis uns atrás dos outros pelo fascínio que têm por tecnologia. O anda por trás deste mistério ? Onde andam os outros aparelhos abandonados ? Será um mistério parecido ao dos pares das peúgas ? Será que existe um planeta onde vão parar todos os telemóveis que já não usamos? Será Deus que os usa para telefonar à Alexandra Solnado ? Se sim, qual o operador ? Com que tarifários ?
quarta-feira, janeiro 31, 2007
A evitar
Este artefacto permite ligar ao sonoro da viatura qualquer aparelho que tenha uma saída comum para headphones.
O meu bólide agora possui uma destas coisas, o que provocou a duplicação do seu valor. Aquele clio que tem lagos naturais e cogumelos, vale agora para cima de 20 euros o que é bestial.
No extremo oposto da cassete está ligada a PSP com centenas de músicas, respeitando todos os princípios dos direitos de autor. Os marias aderiram à tecnologia e a viagem para a escola foi de uma alegria contagiante. Além da companhia habitual da Maria Rita, ainda ouvimos Clã e Pedro Abrunhosa.
Raínha Ana:
Pelo sim pelo não, convém nas próximas semanas, evitar perguntas do estilo "O que é que vamos fazer ?" ou "O que é que querem fazer ?". É que o Pedro Abrunhosa tem umas respostas estranhas para esta pergunta que deixaram o João Maria estupefacto com o palavreado e o Manel Maria curioso sobre o significado do verbo foder.
quinta-feira, janeiro 25, 2007
Entrou no berçário e comeu 12 dos 17 recém nascidos
Como é que o mundo há-de ser um lugar de paz, se nem no meu aquário consigo estabelecer a ordem ?
Comentários:
João Maria - Pai, acho que devíamos condenar à morte o peixe que comeu os bebés.
Manel Maria - A culpa é do vermelho, que não tinha nada que ter 17 filhos.
Conclusão
Dos meus três filhos, um defende a pena de morte, outro defende o planeamento familiar e o terceiro anda na onda do “Não sabe/Não responde”.
Comentários:
João Maria - Pai, acho que devíamos condenar à morte o peixe que comeu os bebés.
Manel Maria - A culpa é do vermelho, que não tinha nada que ter 17 filhos.
Conclusão
Dos meus três filhos, um defende a pena de morte, outro defende o planeamento familiar e o terceiro anda na onda do “Não sabe/Não responde”.
quinta-feira, janeiro 18, 2007
O voto de Judas
Muito se escreve e muito se diz sobre a questão do aborto e já aqui escrevi pelo menos duas vezes sobre o assunto. Das campanhas e dos argumentos, fica-me a sensação de guerrilha. Na trincheira, cada defensor, parece achar-se o justo e único detentor do bem, da verdade e da razão. O bem de um lado e o mal do outro. Ao sinal de fogo sobre o inimigo, lançam-se argumentos para o lado oposto. E como de uma verdadeira guerra se tratasse, dá-se um pontapé na ténue linha que separa o admissível e o inadmissível.
Sou contra o aborto. Optar por colocar fim a uma promessa de vida ou a uma vida é, na minha humilde opinião, um sinal externo de desespero, de egoísmo, de ignorância, de miséria humana e de estupidez. No contexto desta opção de uma mulher, de um casal ou de uma família, surge um destes factores isolado, ou uma combinação de vários. E se ao egoísmo e à estupidez, pouco há fazer, aos restantes factores há muito onde gastar energias. E se do egoísmo e da estupidez não nos podemos sentir culpados, do desespero, da ignorância e da miséria humana somos os maiores responsáveis. A haver alguém a ser julgado, seremos todos os que dormimos no conforto de acreditar que cada promessa de vida brutalmente interrompida, não tem a nossa assinatura por baixo.
Pior que pouco ou nada fazer a montante da interrupção, é nada fazermos a jusante de cada não interrupção. Assistimos com a confortável distância dos inimputáveis à miséria das crianças abandonadas, maltratadas ou esquecidas até à idade adulta em qualquer instituição. As crianças que vivem a adolescência a sonhar uma mãe e um pai em cada estranho que lhes sorri. Assistimos impávidos, quase serenos, aos casos que nos chegam pelo sensacionalismo mediático, com o mesmo olhar com que vemos um episódio de uma ficção que nos comove. Um guião de fantasia que não nos envolve.
É neste conforto ridículo que se gastam centenas de milhares de euros e centenas de horas a proclamar a defesa do valor da vida. A intenção é boa, mas o erro de paralaxe é grosseiro. Atenuamos a nossa culpa enfiados em t-shirts do banco alimentar contra a fome ou a entregar brinquedos a quem os não tem, sobras de um Natal de excessos quase pornográficos.
Vamos legalizar um crime só porque há quem o pratique? Que raio de local é este que se permite a criar condições para que alguém pense em interromper uma gravidez, e depois se julgue e se condene quem o faz? Estão as nossas mãos assim tão imaculadas? Vamos dar o peixe ou ensinar a pescar ? (Neste caso vamos penalizar a miséria ou vamos criar as condições para que ela não exista ?). Estamos perante Maria Madalena, e o que apregoamos alto e bom som, orgulhosos dos nossos ensinamentos de fé, é: “Apedrejemos a puta.”
Sou pela vida e sou católico, e é também a minha vivência de fé que me faz votar sim. Tenho a convicção que se Jesus Cristo fosse vivo, votava sim. Ele e os seus apóstolos. Bem, pensado melhor, aquele Judas era bem capaz de a troco de algumas moedas …
Sou contra o aborto. Optar por colocar fim a uma promessa de vida ou a uma vida é, na minha humilde opinião, um sinal externo de desespero, de egoísmo, de ignorância, de miséria humana e de estupidez. No contexto desta opção de uma mulher, de um casal ou de uma família, surge um destes factores isolado, ou uma combinação de vários. E se ao egoísmo e à estupidez, pouco há fazer, aos restantes factores há muito onde gastar energias. E se do egoísmo e da estupidez não nos podemos sentir culpados, do desespero, da ignorância e da miséria humana somos os maiores responsáveis. A haver alguém a ser julgado, seremos todos os que dormimos no conforto de acreditar que cada promessa de vida brutalmente interrompida, não tem a nossa assinatura por baixo.
Pior que pouco ou nada fazer a montante da interrupção, é nada fazermos a jusante de cada não interrupção. Assistimos com a confortável distância dos inimputáveis à miséria das crianças abandonadas, maltratadas ou esquecidas até à idade adulta em qualquer instituição. As crianças que vivem a adolescência a sonhar uma mãe e um pai em cada estranho que lhes sorri. Assistimos impávidos, quase serenos, aos casos que nos chegam pelo sensacionalismo mediático, com o mesmo olhar com que vemos um episódio de uma ficção que nos comove. Um guião de fantasia que não nos envolve.
É neste conforto ridículo que se gastam centenas de milhares de euros e centenas de horas a proclamar a defesa do valor da vida. A intenção é boa, mas o erro de paralaxe é grosseiro. Atenuamos a nossa culpa enfiados em t-shirts do banco alimentar contra a fome ou a entregar brinquedos a quem os não tem, sobras de um Natal de excessos quase pornográficos.
Vamos legalizar um crime só porque há quem o pratique? Que raio de local é este que se permite a criar condições para que alguém pense em interromper uma gravidez, e depois se julgue e se condene quem o faz? Estão as nossas mãos assim tão imaculadas? Vamos dar o peixe ou ensinar a pescar ? (Neste caso vamos penalizar a miséria ou vamos criar as condições para que ela não exista ?). Estamos perante Maria Madalena, e o que apregoamos alto e bom som, orgulhosos dos nossos ensinamentos de fé, é: “Apedrejemos a puta.”
Sou pela vida e sou católico, e é também a minha vivência de fé que me faz votar sim. Tenho a convicção que se Jesus Cristo fosse vivo, votava sim. Ele e os seus apóstolos. Bem, pensado melhor, aquele Judas era bem capaz de a troco de algumas moedas …
sexta-feira, janeiro 12, 2007
G#
A prima Rita ofereceu uma viola ao João Maria. Pequena, como ele, mas séria.
Lembro-me bem do Natal, em que a viola apareceu.
Parece um golpe de sorte, porque a prima correu a pequenada toda com instrumentos, e a bateria ficou noutro agregado familiar. Já a percussão ficou entregue ao Manel. Menos mal, tirando a pandeireta.
O João afeiçoou-se à viola e comecei por lhe ensinar a escala. Os dedos a pisar as cordas nas casas certas, viajantes no braço, a outra mão a fazer vibrar cada corda. Que saudades. Não tardou até conseguir levar lá para casa uma viola emprestada. Obrigado pá. A ideia é ensinar-lhe o pouco que sei, e matar as tantas saudades.
A rainha lá de casa mostra alguns sinais de desconforto, mas estou certo que se há-de habituar. Já está. Um projecto 2007. Eu e o João vamos saber tocar muito melhor que agora.
Sabes aquele som do indicador a deslizar sobre as cordas ? É disso tudo que sinto falta.
"Foi a saudade do teu braço e olhar que já da luz me dói ..." Desafino o mi para conseguir tocar esta.
Lembro-me bem do Natal, em que a viola apareceu.
Parece um golpe de sorte, porque a prima correu a pequenada toda com instrumentos, e a bateria ficou noutro agregado familiar. Já a percussão ficou entregue ao Manel. Menos mal, tirando a pandeireta.
O João afeiçoou-se à viola e comecei por lhe ensinar a escala. Os dedos a pisar as cordas nas casas certas, viajantes no braço, a outra mão a fazer vibrar cada corda. Que saudades. Não tardou até conseguir levar lá para casa uma viola emprestada. Obrigado pá. A ideia é ensinar-lhe o pouco que sei, e matar as tantas saudades.
A rainha lá de casa mostra alguns sinais de desconforto, mas estou certo que se há-de habituar. Já está. Um projecto 2007. Eu e o João vamos saber tocar muito melhor que agora.
Sabes aquele som do indicador a deslizar sobre as cordas ? É disso tudo que sinto falta.
"Foi a saudade do teu braço e olhar que já da luz me dói ..." Desafino o mi para conseguir tocar esta.
quinta-feira, janeiro 04, 2007
quarta-feira, janeiro 03, 2007
Genesis
Segundo o Guia Galáctico do Pendura (uma obra essencial), a humanidade, tal qual nós a reconhecemos, surge de um acidente.
Perante a necessidade de uma evacuar um planeta, os seus habitantes foram colocados em naves, segundo a sua posição social. Na base dessa pirâmide estavam as Manicuras e os Higienistas Telefónicos (andavam de cabine telefónica em cabine telefónica com um algodão branco a limpar o auscultador) . Foram precisamente três naves de Manicuras e Higienistas Telefónicos que se desviaram da frota de evacuação e acabaram por chocar contra um planeta habitado por seres inteligentes (golfinhos e ratinhos brancos). Esse planeta chama-se Terra e todos nós descendemos, não do macaco, mas de Higienistas Telefónicos (os mais afortunados) e Manicuras (os menos afortunados).
Acredito serem os descendentes de Manicuras que invadem os centros comerciais da periferia fardados de fato de treino, conjugam mal os verbos na segunda pessoa do singular e exibem o bolo alimentar durante a refeição. Acontece que ontem fui confrontado com um novo adereço a ser usado pelos mesmos. Umas meias especiais compatíveis com o uso de Havaianas. São umas meias que têm um separador para o dedo grande do pé permitem o encaixe da meia na presilha da havaiana. Sabe-se que o uso de meias com sandálias é um problema de difícil resolução, mas este novo artefacto vem resolver este flagelo. Agora é esperar que o produto entre na rota das Manicuras e ver, logo abaixo do fato de treino, a meia havaiana e a respectiva havaiana.
Mal posso esperar.
Perante a necessidade de uma evacuar um planeta, os seus habitantes foram colocados em naves, segundo a sua posição social. Na base dessa pirâmide estavam as Manicuras e os Higienistas Telefónicos (andavam de cabine telefónica em cabine telefónica com um algodão branco a limpar o auscultador) . Foram precisamente três naves de Manicuras e Higienistas Telefónicos que se desviaram da frota de evacuação e acabaram por chocar contra um planeta habitado por seres inteligentes (golfinhos e ratinhos brancos). Esse planeta chama-se Terra e todos nós descendemos, não do macaco, mas de Higienistas Telefónicos (os mais afortunados) e Manicuras (os menos afortunados).
Acredito serem os descendentes de Manicuras que invadem os centros comerciais da periferia fardados de fato de treino, conjugam mal os verbos na segunda pessoa do singular e exibem o bolo alimentar durante a refeição. Acontece que ontem fui confrontado com um novo adereço a ser usado pelos mesmos. Umas meias especiais compatíveis com o uso de Havaianas. São umas meias que têm um separador para o dedo grande do pé permitem o encaixe da meia na presilha da havaiana. Sabe-se que o uso de meias com sandálias é um problema de difícil resolução, mas este novo artefacto vem resolver este flagelo. Agora é esperar que o produto entre na rota das Manicuras e ver, logo abaixo do fato de treino, a meia havaiana e a respectiva havaiana.
Mal posso esperar.
domingo, dezembro 24, 2006
Feliz Natal
quarta-feira, dezembro 20, 2006
Arco-Íris

E de repente a imensa curva das cores, brincadeira de luz a desdobrar-se nas gotas d’ água. Tentou alcançá-la, já ela sábia, se escapava à proximidade dos gestos. “Anda alguém atrás da ponta do arco-íris, para me fugir assim” pensou.
Conta-lhe se eras tu em busca do fim da gigante roda de luz. Numa outra roda, gigante círculo de risos e música de acordeão, tangente ao chão e às nuvens, os mesmos tesouros impossíveis, o mesmo pote de sonhos, à inatingível chegada.
Estremunhado regressa à realidade, e quando novamente olhou o céu, já a magia de cor se dissipara.
segunda-feira, dezembro 18, 2006
A estante
A estante da sala dos meus pais desapareceu.
Aquela estante que estava lá desde que me conheço e que me acompanhou durante quase trinta anos. Mais ou menos até aqueles dias em que, com 28 anos, já tinha vergonha de pôr a chave à porta, sempre à espera que um deles acabasse por perguntar “Ainda moras aqui ? Sabes que com a tua idade já estávamos casados e com filhos?”. A verdade é que as candidatas eram muitas e o processo de selecção foi complicadíssimo, pelo que só após longos anos de triagem acabei por optar por aquela que tinha as mamas maiores (cheira-me que hoje vou dormir no sofá).
Falava eu da estante, que desapareceu por troca de um plasma que ainda não conheço. Essa estante, que ao que parece foi desenhada pelo meu pai, foi desde sempre cúmplice da minha infância e adolescência. Uma lista de memórias misturadas nas prateleiras de livros, nas gavetas de fotos e nos armários de bebidas. A saber:
- os livros da Mafalda, daqueles mais compridos que altos, de várias cores e com duas tiras por página
- o livro dos anarcas, que tinha frases como “Portugal é um país geométrico, resolvem-se problemas bicudos, em mesas redondas, com bestas quadradas”, “Pratique desporto, faça tiro ao Álvaro” e “Soares tem a tripa cagueira ligada ao cérebro, quando fala, fala merda, quando caga, caga sentenças.”
- as fotos da ida à serra da Estrela e dos verões com as primas Rita e Sara em Tibaldinho
- uma garrafa de fazer soda que tinha umas recargas de gás, capazes de colocar qualquer bisnagas de carnaval a um canto. Essencial portanto para a consolidação da posição social, na escola da Câmara lá do Bairro.
- a Araldite em duas bisnagas, cujo o conteúdo se misturava para fazer cola, mas que por uma razão ou por outra nunca funcionava e aquilo que eu partia acabava sempre por ser descoberto
- o atlas verde e o guia da vida saudável que tinha umas páginas geni(t)ais sobre a vida sexual
- os livros do “Pão com Manteiga” e as “Crónicas de um bom malandro” que, não sei porquê, estão na mesma área do meu cérebro
- a primeira televisão a cores lá de casa (a segunda também). A prateleira que sobrou com a entrada da televisão e que nos braços do sofá, serviu para tantas horas de estudo
- uns maços de cigarro Português Suave com filtro dos tempos em que a minha mãe fumava um cigarro por semestre, e que eu roubava para fumar às escondidas
- as garrafas de bebidas que eu e os meus colegas de faculdade quase limpámos quando fizemos uma festa lá em casa durante umas férias dos meus pais. Acabámos por ser expulsos pela minha irmã, que tinha exame de anatomia nessa semana e não estava para nos aturar bêbados em casa (foi uma injustiça porque a bebedeira foi-se construindo à volta de tão nobre motivo – brindávamos ao general Kadafi pela forma como resistia e afrontava o poder autoritário do imperialismo Americano).
Outras memórias estão presas aquela estante, mas por um motivo ou outro, ou simplesmente porque a memória é selectiva, são estes que aqui escrevo.
A madeira que desapareceu da casa de Campo de Ourique não é importante, a estante e as prateleiras de memórias, ainda existem assim, meias desarrumadas e dispersas. Mas também o arrumo e a organização, nunca persistiu na dita estante. Felizmente.
Aquela estante que estava lá desde que me conheço e que me acompanhou durante quase trinta anos. Mais ou menos até aqueles dias em que, com 28 anos, já tinha vergonha de pôr a chave à porta, sempre à espera que um deles acabasse por perguntar “Ainda moras aqui ? Sabes que com a tua idade já estávamos casados e com filhos?”. A verdade é que as candidatas eram muitas e o processo de selecção foi complicadíssimo, pelo que só após longos anos de triagem acabei por optar por aquela que tinha as mamas maiores (cheira-me que hoje vou dormir no sofá).
Falava eu da estante, que desapareceu por troca de um plasma que ainda não conheço. Essa estante, que ao que parece foi desenhada pelo meu pai, foi desde sempre cúmplice da minha infância e adolescência. Uma lista de memórias misturadas nas prateleiras de livros, nas gavetas de fotos e nos armários de bebidas. A saber:
- os livros da Mafalda, daqueles mais compridos que altos, de várias cores e com duas tiras por página
- o livro dos anarcas, que tinha frases como “Portugal é um país geométrico, resolvem-se problemas bicudos, em mesas redondas, com bestas quadradas”, “Pratique desporto, faça tiro ao Álvaro” e “Soares tem a tripa cagueira ligada ao cérebro, quando fala, fala merda, quando caga, caga sentenças.”
- as fotos da ida à serra da Estrela e dos verões com as primas Rita e Sara em Tibaldinho
- uma garrafa de fazer soda que tinha umas recargas de gás, capazes de colocar qualquer bisnagas de carnaval a um canto. Essencial portanto para a consolidação da posição social, na escola da Câmara lá do Bairro.
- a Araldite em duas bisnagas, cujo o conteúdo se misturava para fazer cola, mas que por uma razão ou por outra nunca funcionava e aquilo que eu partia acabava sempre por ser descoberto
- o atlas verde e o guia da vida saudável que tinha umas páginas geni(t)ais sobre a vida sexual
- os livros do “Pão com Manteiga” e as “Crónicas de um bom malandro” que, não sei porquê, estão na mesma área do meu cérebro
- a primeira televisão a cores lá de casa (a segunda também). A prateleira que sobrou com a entrada da televisão e que nos braços do sofá, serviu para tantas horas de estudo
- uns maços de cigarro Português Suave com filtro dos tempos em que a minha mãe fumava um cigarro por semestre, e que eu roubava para fumar às escondidas
- as garrafas de bebidas que eu e os meus colegas de faculdade quase limpámos quando fizemos uma festa lá em casa durante umas férias dos meus pais. Acabámos por ser expulsos pela minha irmã, que tinha exame de anatomia nessa semana e não estava para nos aturar bêbados em casa (foi uma injustiça porque a bebedeira foi-se construindo à volta de tão nobre motivo – brindávamos ao general Kadafi pela forma como resistia e afrontava o poder autoritário do imperialismo Americano).
Outras memórias estão presas aquela estante, mas por um motivo ou outro, ou simplesmente porque a memória é selectiva, são estes que aqui escrevo.
A madeira que desapareceu da casa de Campo de Ourique não é importante, a estante e as prateleiras de memórias, ainda existem assim, meias desarrumadas e dispersas. Mas também o arrumo e a organização, nunca persistiu na dita estante. Felizmente.
quinta-feira, dezembro 14, 2006
Saúde Publica
Certo e sabido que comer doces fora de prazo é um convite à intoxicação. Pinto da Costa veio provar que o perigo também existe com Salgados.
sexta-feira, dezembro 08, 2006
Frase da Semana
"O Paulo Bento, de castigo, devia ser obrigado a usar risco ao lado durante 3 meses."
Também, caramba, não é caso para tanto. Afinal o advento nunca foi amigo do leão.
Também, caramba, não é caso para tanto. Afinal o advento nunca foi amigo do leão.
terça-feira, dezembro 05, 2006
MPB.pt

Carlos Vaz Marques
... à conversa com a música do Brasil. Ney, Bethânia, Chico, Caetano, Marisa, Carolina, Rita na certa, muitos outros que não lembro agora. E estas conversas derramadas nas páginas de um livro, escancaradas aos nossos olhos, de certeza pausadas como as conversas de um grande conversador. Razões, memórias, risos, angústias e paixões, extraídas da alma de entrevistados, como o minério se extrai da mina. A mãe na memória de Maria Rita “Maria Rita vá escovar seus dentes”, não esqueço. Pessoais e transmissíveis, estas conversas acompanham-me nos regressos a casa. Fim de tarde. São o separador dos meus mundos, como um separador de televisão. Como um separador de rádio. Esvaziam-me a mente do frenesim, dos prazos, das tarefas e do faz de conta, calibram-me as emoções para o abraço dos filhos, o beijo da mulher, o conforto do serão.
[lançamento do livro hoje na FNAC do Chiado às 21:30]
quarta-feira, novembro 29, 2006
Mea culpa
Hoje vou levar o João a confessar-se, actividade inserida no PPCDEJVT (programa primeira comunhão dezembro e já vai tarde) do mais velho dos marias. Espero que o facilitador desta conversa com Deus (vulgo prior lá da paróquia), não me convide a fazer o mesmo. Se o fizer, é coisa para durar até aos reis. Um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo para todos vós.
Eu vou, eu vou ...
- Ainda bem que o vejo, precisava de falar consigo sobre o Manel, ele ...
- Passa-se alguma coisa com o Manel? O que é que ele partiu ? Bateu em quantas pessoas ? Atirou o quê janela fora ? Mordeu em professores ? Cuspiu na sala de aula ? Eu já o avisei que esta mania de cuspir é muito feia... não sei onde é que ...
- Ele está muito entusiasmado por ir ser anão na festa. Por certo já falou lá em casa que ia ser um dos anões.
- Desculpe ?
- Vai ser anão na festa de Natal. Como os anões da branca de neve. Anda tão contente.
- Acho que não disse nada em casa.
- É estranho ele anda tão feliz.
- Por acaso agora que fala nisso, ele disse qualquer coisa sobre anões, mas levou logo um chapadão para aprender a não fazer pouco dos deficientes. Ah então era isso, um dos anões da branca de neve.
- Sim. O que eu queria falar é da indumentária. Umas peças de roupa com as cores parecidas com a dos anões da branca de neve, umas botas e um gorro de anão.
- Algum anão em especial ? Talvez o rezingão lhe fique bem, ou o Atchim já que ele anda sempre com as alergias. Se a senhora professora lhe der uma fatia de fiambre uma hora antes do início da peça, vai ver que ele fica fantástico como Atchim.
- Então pronto. Fica combinado, se precisar de alguma ajuda diga-me. Há uns gorros à venda por 70 cêntimos que bem conversadinhos, bem conversadinhos fazem de gorro de anão ...
- Com certeza. Obrigado Branca de Nev ... digo senhora professora.
- Passa-se alguma coisa com o Manel? O que é que ele partiu ? Bateu em quantas pessoas ? Atirou o quê janela fora ? Mordeu em professores ? Cuspiu na sala de aula ? Eu já o avisei que esta mania de cuspir é muito feia... não sei onde é que ...
- Ele está muito entusiasmado por ir ser anão na festa. Por certo já falou lá em casa que ia ser um dos anões.
- Desculpe ?
- Vai ser anão na festa de Natal. Como os anões da branca de neve. Anda tão contente.
- Acho que não disse nada em casa.
- É estranho ele anda tão feliz.
- Por acaso agora que fala nisso, ele disse qualquer coisa sobre anões, mas levou logo um chapadão para aprender a não fazer pouco dos deficientes. Ah então era isso, um dos anões da branca de neve.
- Sim. O que eu queria falar é da indumentária. Umas peças de roupa com as cores parecidas com a dos anões da branca de neve, umas botas e um gorro de anão.
- Algum anão em especial ? Talvez o rezingão lhe fique bem, ou o Atchim já que ele anda sempre com as alergias. Se a senhora professora lhe der uma fatia de fiambre uma hora antes do início da peça, vai ver que ele fica fantástico como Atchim.
- Então pronto. Fica combinado, se precisar de alguma ajuda diga-me. Há uns gorros à venda por 70 cêntimos que bem conversadinhos, bem conversadinhos fazem de gorro de anão ...
- Com certeza. Obrigado Branca de Nev ... digo senhora professora.
quinta-feira, novembro 23, 2006
Pontaria
A IVM, na sua imensa saveforia criou um afaptafor fo rato que permite a quem pafeça fe tremor essencial, acertar com a porcaria fo rato nos minúsculos icons que permitem interagir com esta coisa.
É verfafe que estremeço fas mãos, às vexes mais, outras vexes menos. Às vexes é um hanficap, outras vexes uma tremenfa vantagem. Faxer maionese, misturar o café e o açúcar, ou mesmo para a técnica fo esponjafo, o tremor essencial coloca-me no topo fa competência. Já na electrónica, na neurocirurgia e na ginecologia pofia conferir-me uma fama que eu não acho que não iria querer.
Ora a IVM lançou esta magnífica invenção para ajufar os meus parceiros oscilantes no manuseamento fo ponteiro fo rato: “Desenvolvido pela IBM, o novo adaptador para ratos de computador regula os movimentos involuntários dos utilizadores que sofrem de tremuras nas mãos, permitindo-lhes desempenhar todo o tipo de tarefas com facilidade..”
Vai faí eu queria aproveitar para sugerir à IVM que invente uma merfa qualquer que permita que o mesmo universo fe pessoas acerte à primeira nas ínfimas teclas fos portáteis.
Cumprimentos
Or' olha
Estou nomeado para o melhor blogger masculino. Foi a Catilu que tratou da minha nomeação. A Catilu tem sentimentos maternos, legítimos, sobre este blog e vai daí, nomeou-o para a categoria de "Melhor blog masculino".
Acontece que este blog tem trejeitos de blog feminino, o que a deve fazer sentir-se como o Néné no dia em que estava à espera do filho para jantar e lhe apareceu a Filipa Gonçalves.
Este blog é lamechas, fala de bimby's, é cusco e bisbilhoteiro, fala de patermaternidade e volta não volta até revela alguns segredos de culinária. Este blog não é blog de gajo, mais parece blog de roto. Gajo que é gajo não se comove com umas coisas que eu para aqui escrevo. Gajo que é gajo comove-se a ver a sua equipa levar três secos em Braga. E comove-se muito. A ponto de partir o plasma a meio e espancar o mulher, filhos, e mais os filhos dos amigos que por acaso cá estavam a jantar. E porrada na mãe dessas criancinhas que também não é do Benfica. Gajo que é gajo vê o glorioso levar três secos, mas distribui oito biscoitos para compensar. Mas já nem isso me comove, ninguém levou nos cornos e o plasma está intacto, que nem sequer é plasma, é uma daquelas televisões que tem um rabo maior que o pavilhão atlãntico.
Este blog deveria estar nomeado ? Sim, claro que devia. Mas na categoria Melhor Blog de Roto. De qualquer das formas, Catilu, os meus sinceros agradecimentos.
Acontece que este blog tem trejeitos de blog feminino, o que a deve fazer sentir-se como o Néné no dia em que estava à espera do filho para jantar e lhe apareceu a Filipa Gonçalves.
Este blog é lamechas, fala de bimby's, é cusco e bisbilhoteiro, fala de patermaternidade e volta não volta até revela alguns segredos de culinária. Este blog não é blog de gajo, mais parece blog de roto. Gajo que é gajo não se comove com umas coisas que eu para aqui escrevo. Gajo que é gajo comove-se a ver a sua equipa levar três secos em Braga. E comove-se muito. A ponto de partir o plasma a meio e espancar o mulher, filhos, e mais os filhos dos amigos que por acaso cá estavam a jantar. E porrada na mãe dessas criancinhas que também não é do Benfica. Gajo que é gajo vê o glorioso levar três secos, mas distribui oito biscoitos para compensar. Mas já nem isso me comove, ninguém levou nos cornos e o plasma está intacto, que nem sequer é plasma, é uma daquelas televisões que tem um rabo maior que o pavilhão atlãntico.
Este blog deveria estar nomeado ? Sim, claro que devia. Mas na categoria Melhor Blog de Roto. De qualquer das formas, Catilu, os meus sinceros agradecimentos.
quarta-feira, novembro 15, 2006
Mudanças
- O Senhor faz favor de ter cuidado com esse sofá. Comprei-o há dois anos na Moviflor a 48 meses e não quero que o estrague (…) atenção a essa natureza morta, esse quadro não tem preço, vocês acondicionem isso como deve ser. Parece impossível. Se isto é maneira de tratar das mudanças de uma pessoa.
- Sr José Veiga.
- Sim.
- Somos jornalistas e pedíamos para comentar a execução destes seus bens.
- A quantas?
- A acção judicial que determinou a execução dos seus bens.
- Com licença. ATENÇÃO AO PLASMA. ATENÇÃO AO PLASMA. O meu amigo acha que isso é forma de transportar um televisor. Faça favor de voltar para trás que isso não pode seguir fora da esferovite. Diga lá o que é que quer que comente?
- A execução destes bens por causa de um milhão de euros reclamados por um banco do Luxemburgo.
- Vocês são mesmo vampiros. Estes jornalistas. De certo enviados pelo sr Pinto, já se vê. Então eu estou a mudar umas coisinhas para a minha casa de campo e vocês vêm filmar uma acção judicial? Que cambada.
- O sr Veiga desculpe. Mas trata-se na realidade de um arresto de bens. Diga-me lá porque é que são polícias a fazer a mudança?
- Parecem polícias não parecem? Mas não são. É uma empresa que eu contratei para fazer a mudança, mas não sei porquê, vestem-se desta maneira. Eu por mim não me importo, desde que não venham às riscas azuis e brancas, tanto me dá. Agora fora daqui que eu não tenho culpa que não tenham notícias para o jornal da noite. Vão mas é filmar o César Peixoto a mudar a fralda ao filho e não me chateiem. NÃÃÃÃOOOOOOOOOO. O DRAGÃO de OURO NÃO. Ó xor guarda, não me leve a estatueta. Tudo menos isso. Quer dizer. Ó senhor da empresa das mudanças, se reparar na lista de bens, de mobiliário a transportar, verá que não consta o Jorge Nuno, a minha réplica do Dragão de Ouro que apesar de tão merecida, nunca me foi atribuída. Tudo menos isso.
- Sr José Veiga.
- Sim.
- Somos jornalistas e pedíamos para comentar a execução destes seus bens.
- A quantas?
- A acção judicial que determinou a execução dos seus bens.
- Com licença. ATENÇÃO AO PLASMA. ATENÇÃO AO PLASMA. O meu amigo acha que isso é forma de transportar um televisor. Faça favor de voltar para trás que isso não pode seguir fora da esferovite. Diga lá o que é que quer que comente?
- A execução destes bens por causa de um milhão de euros reclamados por um banco do Luxemburgo.
- Vocês são mesmo vampiros. Estes jornalistas. De certo enviados pelo sr Pinto, já se vê. Então eu estou a mudar umas coisinhas para a minha casa de campo e vocês vêm filmar uma acção judicial? Que cambada.
- O sr Veiga desculpe. Mas trata-se na realidade de um arresto de bens. Diga-me lá porque é que são polícias a fazer a mudança?
- Parecem polícias não parecem? Mas não são. É uma empresa que eu contratei para fazer a mudança, mas não sei porquê, vestem-se desta maneira. Eu por mim não me importo, desde que não venham às riscas azuis e brancas, tanto me dá. Agora fora daqui que eu não tenho culpa que não tenham notícias para o jornal da noite. Vão mas é filmar o César Peixoto a mudar a fralda ao filho e não me chateiem. NÃÃÃÃOOOOOOOOOO. O DRAGÃO de OURO NÃO. Ó xor guarda, não me leve a estatueta. Tudo menos isso. Quer dizer. Ó senhor da empresa das mudanças, se reparar na lista de bens, de mobiliário a transportar, verá que não consta o Jorge Nuno, a minha réplica do Dragão de Ouro que apesar de tão merecida, nunca me foi atribuída. Tudo menos isso.
domingo, novembro 12, 2006
Novo Canal
... de comunicação com o João Maria ou o primeiro sinal exterior de adolescência.
[18:48] a_f: Olá João
[18:49] a_f: Joãããããoooooooooooooooooooooooo
[18:49] a_f: Fala com o pai JÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ
[18:53] a_f: ainda não recebi nada
[18:56] a_f: continuo sem receber nada !!!!!
[18:56] João Maria: anda para casa brincar
[18:56] a_f: isso é um recado da mãe?
[18:56] João Maria: não
[18:57] a_f: O que é que o Nhó está a fazer?
[18:57] a_f: e o Antum ?
[18:57] João Maria: está a brincar
[18:59] João Maria: e o António também
[18:59] a_f: Olha então agora eu vou desligar e sair para ir ter a casa e ainda vamos ter tempo para brincar com o BUZZZZ
[18:59] a_f: Boa?
[18:59] a_f: Beijos
[18:59] João Maria: sim
Vantagens do poder paternal:
Se te pões com histórias de eu ter publicado uma conversa tua no Messenger, levas um chuto no rabo que ficas encastrado na parede do quarto até ao Natal.
[18:48] a_f: Olá João
[18:49] a_f: Joãããããoooooooooooooooooooooooo
[18:49] a_f: Fala com o pai JÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ
[18:53] a_f: ainda não recebi nada
[18:56] a_f: continuo sem receber nada !!!!!
[18:56] João Maria: anda para casa brincar
[18:56] a_f: isso é um recado da mãe?
[18:56] João Maria: não
[18:57] a_f: O que é que o Nhó está a fazer?
[18:57] a_f: e o Antum ?
[18:57] João Maria: está a brincar
[18:59] João Maria: e o António também
[18:59] a_f: Olha então agora eu vou desligar e sair para ir ter a casa e ainda vamos ter tempo para brincar com o BUZZZZ
[18:59] a_f: Boa?
[18:59] a_f: Beijos
[18:59] João Maria: sim
Vantagens do poder paternal:
Se te pões com histórias de eu ter publicado uma conversa tua no Messenger, levas um chuto no rabo que ficas encastrado na parede do quarto até ao Natal.
sexta-feira, novembro 10, 2006
Usa
Se nos tempos do Clinton a América desabrochava, agora, aos poucos, desemBusha. Ir(r)aque alívio.
quarta-feira, novembro 08, 2006
Chico
“Para delírio das gerais
No coliseu
Mas
Que rei sou eu (...)“
O velho Francisco, de pose recta e figura esguia, olhos de um profundo azul. A dedilhar o violão em contador de histórias. Mulheres, censuras e futebol. Os sonhos e a "precisão das flechas nas folhas secas".
Ninguém te espera animal de palco, mas sábio. E sábio és. Não senti a falta de ouvir as que todos conhecem, antes atenção à palavra, à voz, aos arranjos. Uma mulher entre os músicos. Coisa tão rara. Também te emoldurou a voz. Dois nomes Chico Batera e Luis Cláudio Ramos serviram-me outros sons, passageiro da máquina do tempo.
Quase no fim, aquele recado enviado há tantos anos. Temo que o cravo tenha murchado pá. Tanto mar. Tanto amar.
No coliseu
Mas
Que rei sou eu (...)“
O velho Francisco, de pose recta e figura esguia, olhos de um profundo azul. A dedilhar o violão em contador de histórias. Mulheres, censuras e futebol. Os sonhos e a "precisão das flechas nas folhas secas".
Ninguém te espera animal de palco, mas sábio. E sábio és. Não senti a falta de ouvir as que todos conhecem, antes atenção à palavra, à voz, aos arranjos. Uma mulher entre os músicos. Coisa tão rara. Também te emoldurou a voz. Dois nomes Chico Batera e Luis Cláudio Ramos serviram-me outros sons, passageiro da máquina do tempo.
Quase no fim, aquele recado enviado há tantos anos. Temo que o cravo tenha murchado pá. Tanto mar. Tanto amar.
domingo, novembro 05, 2006
Rapaz
Chegas então aos oito anos. Rapazão ainda com cara de bebé. Muito por culpa dessas bochechas gigantes onde os óculos aterram. E depois não é só a cara, ainda és muito bebé mesmo. Ter uma crise de choro porque a fada dos dentes se baldou à favola da frente. E a história do baloiço na toalha de banho? Como é que te convenço que já não te consigo fazer aquilo. O António pesa uns 10 quilos, o Manel uns 16, é fácil embrulhá-los na toalha e baloiçá-los violentamente entre a casa de banho e o quarto, calcular as tangentes às ombreiras das portas e fazer a aterragem final em grande estilo no colchão da cama. Mas tu já tens quase 30 quilos. Quase que tens peso suficiente para entrar num desfile de moda de Madrid. Correu muito mal pois claro. Eu também já não vou para novo e a guinada na coluna não foi a fingir. Fiquei três dias quase sem andar. Tem paciência, mas vamos parar com essa brincadeira. Continuam as histórias ao deitar, as descomposturas aos semáforos vermelhos, a escolha do caminho para a escola (cessa também a história de passar por cima das poças de água enquanto eu não descobrir donde vem o lago que está dentro do carro), as jogatanas de playstation e os jogos de escondidas (cheira-me que também já não cabes no cesto da roupa). A idade tem destas coisas. Causa mixed feelings. Por um lado é bestial, mas atiram-se sempre outras para trás das costas. É melhor nem falar em costas que ainda lhes sinto as pontadas. Parabéns bochechas.
sexta-feira, novembro 03, 2006
Quem sou eu ...
... para dizer o que é que os outros hão-de escrever.
Deus me livre e guarde. Antes o poço da morte que tal sorte.
Moderar comentários não é comigo ... aos poucos é levantado o estado (cá) do sítio.
Deus me livre e guarde. Antes o poço da morte que tal sorte.
Moderar comentários não é comigo ... aos poucos é levantado o estado (cá) do sítio.
quinta-feira, novembro 02, 2006
Eu...
... que sou tendencialmente boa pesssoa, resolvi brindar os mais atentos leitores da Caixa de Costura, com a chave que amanhã vai sair no Euromilhões.
Têm toda a sexta feira para colocar esta chave nas vossas matrizes e transformarem a vossa vida num sonho doirado. Não têm que me agradecer. Apenas vos quero ver felizes e excêntricos.
11 13 24 44 49 Nas estrelinhas coloquem o 3 e o 9.
Agora é só esperarem pelo início da noite de amanhã.
Têm toda a sexta feira para colocar esta chave nas vossas matrizes e transformarem a vossa vida num sonho doirado. Não têm que me agradecer. Apenas vos quero ver felizes e excêntricos.
11 13 24 44 49 Nas estrelinhas coloquem o 3 e o 9.
Agora é só esperarem pelo início da noite de amanhã.
domingo, outubro 29, 2006
Fã
A contas com a campanha Caixa-Fã, fui assistir a um jogo da selecção nacional de Rugby. Um importantíssimo Portugal Rússia. Tratava-se da qualificação para o mundial de 2007.
O jogo parecia animar as hostes, mas confesso que passei toda a primeira parte a garantir que oito crianças não entravam campo dentro nem eram atropelados por nenhum daqueles senhores exagerados. No tempo livre que me restou passei os primeiros 40 minutos a tentar descobrir quem eram os portugueses e os russos, qual o resultado e o que levava aquela gente toda a encaixar a cara nas nádegas dos parceiros. O Rugby tem umas coisas engraçadas quando comparado com o futebol:
- um é jogado por Nélsons, Betos, Petits e Decos, o outro é jogado por Vascos, Gonçalos, Diogos e Salvadores
- no futebol não se promove o contacto físico e é vê-los a partir perónios e a fazer roturas de ligamentos. No rugby, promove-se o contacto físico mas as equipas médicas raramente entram nas quatro linhas
- depois de marcar um golo é natural que os companheiros de equipa se atirem todos para cima do jogador, ao tentar marcar um ensaio é natural que os adversários tentem todos atirar-se para cima do jogador
- a bola passar por cima da trave tem sabores antagónicos nos dois jogos
- a bola passar por baixo da trave também
- num, dada a forma da bola, é estranho que se falhem tantos passes, no outro, dada a forma da bola, é estranho que se acertem tantos
Enfim, algumas diferenças entre “um jogo de cavalheiros jogado por animais e o jogo de animais jogado por cavalheiros”. A coisa acabou bem, Portugal venceu os Russos por 26 a 23 e a criançada passou o resto do fim de semana a ensaiar placagens e ensaios.
O jogo parecia animar as hostes, mas confesso que passei toda a primeira parte a garantir que oito crianças não entravam campo dentro nem eram atropelados por nenhum daqueles senhores exagerados. No tempo livre que me restou passei os primeiros 40 minutos a tentar descobrir quem eram os portugueses e os russos, qual o resultado e o que levava aquela gente toda a encaixar a cara nas nádegas dos parceiros. O Rugby tem umas coisas engraçadas quando comparado com o futebol:
- um é jogado por Nélsons, Betos, Petits e Decos, o outro é jogado por Vascos, Gonçalos, Diogos e Salvadores
- no futebol não se promove o contacto físico e é vê-los a partir perónios e a fazer roturas de ligamentos. No rugby, promove-se o contacto físico mas as equipas médicas raramente entram nas quatro linhas
- depois de marcar um golo é natural que os companheiros de equipa se atirem todos para cima do jogador, ao tentar marcar um ensaio é natural que os adversários tentem todos atirar-se para cima do jogador
- a bola passar por cima da trave tem sabores antagónicos nos dois jogos
- a bola passar por baixo da trave também
- num, dada a forma da bola, é estranho que se falhem tantos passes, no outro, dada a forma da bola, é estranho que se acertem tantos
Enfim, algumas diferenças entre “um jogo de cavalheiros jogado por animais e o jogo de animais jogado por cavalheiros”. A coisa acabou bem, Portugal venceu os Russos por 26 a 23 e a criançada passou o resto do fim de semana a ensaiar placagens e ensaios.
quinta-feira, outubro 26, 2006
As Homilias do Bispo Vieira
Fui educado com alguns cuidados, a menos daquela questão de oferecer o lado de dentro do passeio às senhoras, sem que nunca me explicassem o que fazer no caso de um piano ou de um cofre cair do lado de dentro esmigalhando a respectiva e deixando-me intacto mas sem companhia.
Neste processo cognitivo, aprendi, penso eu, a saber ganhar com modéstia e perder com sabedoria (o Benfica tem contribuído muito neste último aspecto). Mais ainda, aprendi que, em competição, devemos com cuidado, evitar ruídos desnecessários focando-nos no essencial, sem subestimar nem sobrestimar o nosso valor ou o valor do adversário. A arrogância, o cantar de galo, o excesso de confiança, a desculpa de mau perdedor e a fanfarronice do mau vencedor dão, regra geral, mau resultado. Para não dizer que são características dos estúpidos, diria que o são dos pouco inteligentes, de visão turva e enevoada pela vontade de vencer. Vencer ou perder com postura são atitudes que, são tão simples quanto sábias.
Por um tremendo azar o presidente do Benfica assim não pensa. Faz do presidente do Porto o seu cavalo de batalha sem se focar nos seus verdadeiros problemas. E quando faz isto garanto-lhe que envergonha muitos Benfiquistas, por muitas e boas razões que me atrevo a recordar:
- O presidente do Porto não diz “hã” nem “hum”, no meio de cada frase;
- O presidente do Porto consegue ser mais irónico, mais acutilante e venenoso, mais sarcástico e tem muito mais razões para actualmente estar satisfeito com a equipa que o senhor presidente do Benfica;
- O presidente do Porto não concorre à presidência do Benfica;
- Não se conseguem contrariar frases do estilo “o Benfica está cheio de incompetentes porque esta época já perdeu quatro vezes por 3-0, tem um quarto da equipa lesionada e os restantes três quartos divertem-se a acumular cartões amarelos e vermelhos, está prestes a ser eliminado da liga dos campeões e nem consegue calcular um deadline para a solicitação de bilhetes ao adversário”.
- Os verdadeiros cavalos de batalha do Benfica devem ser a indisciplina, a falta de ambição, a irregularidade, o desequilíbrio do plantel, o departamento médico, o passivo gigantesco, a falta de pontos na liga dos Campeões e o preço exagerado dos bilhetes;
Posto isto sugiro ao Luís Filipe Vieira alguma contenção verbal, e muito, mas muito maior elegância na postura. Nestas condições, sr Filipe Vieira, asseguro-lhe que, no caso de vitória, esta saberá exactamente ao mesmo e que na eventualidade de uma derrota a amargura nunca será tanta. E a atitude é certamente muito mais sábia e educada e diatante da do Sr Pinto da Costa.
Já me basta ser católico, e ouvir, de vez em quando, as barbaridades que ouço, ditas por quem tem sérias responsabilidades. Poupe-me lá a sentir o mesmo nesta Catedral.
Neste processo cognitivo, aprendi, penso eu, a saber ganhar com modéstia e perder com sabedoria (o Benfica tem contribuído muito neste último aspecto). Mais ainda, aprendi que, em competição, devemos com cuidado, evitar ruídos desnecessários focando-nos no essencial, sem subestimar nem sobrestimar o nosso valor ou o valor do adversário. A arrogância, o cantar de galo, o excesso de confiança, a desculpa de mau perdedor e a fanfarronice do mau vencedor dão, regra geral, mau resultado. Para não dizer que são características dos estúpidos, diria que o são dos pouco inteligentes, de visão turva e enevoada pela vontade de vencer. Vencer ou perder com postura são atitudes que, são tão simples quanto sábias.
Por um tremendo azar o presidente do Benfica assim não pensa. Faz do presidente do Porto o seu cavalo de batalha sem se focar nos seus verdadeiros problemas. E quando faz isto garanto-lhe que envergonha muitos Benfiquistas, por muitas e boas razões que me atrevo a recordar:
- O presidente do Porto não diz “hã” nem “hum”, no meio de cada frase;
- O presidente do Porto consegue ser mais irónico, mais acutilante e venenoso, mais sarcástico e tem muito mais razões para actualmente estar satisfeito com a equipa que o senhor presidente do Benfica;
- O presidente do Porto não concorre à presidência do Benfica;
- Não se conseguem contrariar frases do estilo “o Benfica está cheio de incompetentes porque esta época já perdeu quatro vezes por 3-0, tem um quarto da equipa lesionada e os restantes três quartos divertem-se a acumular cartões amarelos e vermelhos, está prestes a ser eliminado da liga dos campeões e nem consegue calcular um deadline para a solicitação de bilhetes ao adversário”.
- Os verdadeiros cavalos de batalha do Benfica devem ser a indisciplina, a falta de ambição, a irregularidade, o desequilíbrio do plantel, o departamento médico, o passivo gigantesco, a falta de pontos na liga dos Campeões e o preço exagerado dos bilhetes;
Posto isto sugiro ao Luís Filipe Vieira alguma contenção verbal, e muito, mas muito maior elegância na postura. Nestas condições, sr Filipe Vieira, asseguro-lhe que, no caso de vitória, esta saberá exactamente ao mesmo e que na eventualidade de uma derrota a amargura nunca será tanta. E a atitude é certamente muito mais sábia e educada e diatante da do Sr Pinto da Costa.
Já me basta ser católico, e ouvir, de vez em quando, as barbaridades que ouço, ditas por quem tem sérias responsabilidades. Poupe-me lá a sentir o mesmo nesta Catedral.
terça-feira, outubro 24, 2006
Aborto - Teorema - Factor Z
1. Considere-se o esforço gasto em campanhas, em recolhas de assinaturas, em debates, em lançamentos de livros, no esgrimar de argumentos, em sessões parlamentares, em votações, em manifestações a favor e contra, em vigílias, em panfletos, em velas acesas nas janelas, em tempos de antena, em escritas de artigos, peças de televisão, notícias de rádio e escrita de posts de tantos blogs. Seja esse esforço = X
2. Considere-se o esforço gasto em julgamentos, defesas e acusações, denúncias, ministérios público, factos não são comprovados, audições e mais vigílias. Seja esse esforço = Y.
3. Seja Z igual à soma de X e de Y
4. Pegue-se em Z e em tanta gente cheia de energia para debater a questão e coloque-se toda essa gente tão enérgica, junto daqueles que por falta de condições, por excesso de condições, ou por pura estupidez, não têm acesso (ou tendo-o não o realizam) à educação sexual e ao planeamento familiar.
5. Talvez assim, recorrendo ao factor Z, a discussão e o referendo se tornem desnecessários.
Já aqui disse que ninguém é a favor do aborto, mas a verdade é que ele se pratica. Ninguém se coloca no meio desta discussão que não seja com boas intenções. Mas dessas está, obviamente, o inferno cheio.
sexta-feira, outubro 20, 2006
Prós e Contras
Fui aluno durante uns anitos. Durante dezoito anos tive, pelo menos, uma centena de professores. Há alguns que me marcaram para o resto da vida, por boas ou por más memórias. Outros houve com quem aprendi muito, e ainda outros que mal deixaram marca no meu conhecimento.
Ao que parece os professores andam com alguma insatisfação sobre o tema da progressão na carreira. Pessoalmente, faz-me confusão, a progressão depender, na sua essência, do número de anos de serviço. Avançar para o próximo nível era um corolário natural do tempo de serviço. Então e o valor efectivo do serviço prestado conta para quê? O que distingue um bom de um mau professor com trinta anos de carreira ? O que premeia o bom e o que penaliza o mau ?
Parte do que ganho depende da minha capacidade em atingir determinados resultados pré estabelecidos e negociados durante o primeiro trimestre do ano. Em caso de discórdia prevalece a opinião da pessoa que os define para mim. Estes objectivos, muito bem mensuráveis, não dependem em exclusivo da minha acção. Estou dependente das decisões, do orçamento e do calendário de terceiros. Consigo influenciar estes terceiros com maior ou menor eficácia, mas nunca consigo garantir a obtenção dos resultados finais. E se em alguns casos consigo atingir os objectivos, noutros fico aquém do que ficou estabelecido como meta. Pela regra dos grandes números compete-me garantir, que no final do ano, me encontro numa zona de conforto (que já aconteceu e também já aconteceu o contrário). A negociação dos objectivos é provavelmente uma das mais importantes fases de cada ano na gestão da própria carreira.
E se os professores tivessem objectivos definidos no início de cada ano ?
E se em vez de 1300 euros (imaginemos 1300 euros ) passassem a ganhar entre 1000 e 1500 no ano seguinte, dependendo do sucesso em atingir os objectivos estabelecidos?
Se o seu ordenado do ano seguinte dependesse da taxa de abstinência do presente ano ?
Se o seu ordenado do ano seguinte dependesse da taxa de abstinência dos alunos do presente ano ?
Se o seu ordenado do ano seguinte, para anos em que haja exames, dependesse da avaliação dos seus alunos nesses mesmos exames, ponderada com a média da escola ?
Se o seu ordenado do ano seguinte, dependesse da avaliação feita pelos pais dos alunos sobre o desempenho dos professores ?Já sei que existem casos em que estas regras não são aplicáveis, mas esses parecem-me dever ser excepção. Acho ser obrigação do professor, além de passar conhecimento, fazê-lo de forma eficaz, influenciando pais e filhos na condução do aluno aos melhores resultados. Qual será o problema em premiar quem tem capacidade para o fazer e em penalizar quem a não tem ?
Ao que parece os professores andam com alguma insatisfação sobre o tema da progressão na carreira. Pessoalmente, faz-me confusão, a progressão depender, na sua essência, do número de anos de serviço. Avançar para o próximo nível era um corolário natural do tempo de serviço. Então e o valor efectivo do serviço prestado conta para quê? O que distingue um bom de um mau professor com trinta anos de carreira ? O que premeia o bom e o que penaliza o mau ?
Parte do que ganho depende da minha capacidade em atingir determinados resultados pré estabelecidos e negociados durante o primeiro trimestre do ano. Em caso de discórdia prevalece a opinião da pessoa que os define para mim. Estes objectivos, muito bem mensuráveis, não dependem em exclusivo da minha acção. Estou dependente das decisões, do orçamento e do calendário de terceiros. Consigo influenciar estes terceiros com maior ou menor eficácia, mas nunca consigo garantir a obtenção dos resultados finais. E se em alguns casos consigo atingir os objectivos, noutros fico aquém do que ficou estabelecido como meta. Pela regra dos grandes números compete-me garantir, que no final do ano, me encontro numa zona de conforto (que já aconteceu e também já aconteceu o contrário). A negociação dos objectivos é provavelmente uma das mais importantes fases de cada ano na gestão da própria carreira.
E se os professores tivessem objectivos definidos no início de cada ano ?
E se em vez de 1300 euros (imaginemos 1300 euros ) passassem a ganhar entre 1000 e 1500 no ano seguinte, dependendo do sucesso em atingir os objectivos estabelecidos?
Se o seu ordenado do ano seguinte dependesse da taxa de abstinência do presente ano ?
Se o seu ordenado do ano seguinte dependesse da taxa de abstinência dos alunos do presente ano ?
Se o seu ordenado do ano seguinte, para anos em que haja exames, dependesse da avaliação dos seus alunos nesses mesmos exames, ponderada com a média da escola ?
Se o seu ordenado do ano seguinte, dependesse da avaliação feita pelos pais dos alunos sobre o desempenho dos professores ?Já sei que existem casos em que estas regras não são aplicáveis, mas esses parecem-me dever ser excepção. Acho ser obrigação do professor, além de passar conhecimento, fazê-lo de forma eficaz, influenciando pais e filhos na condução do aluno aos melhores resultados. Qual será o problema em premiar quem tem capacidade para o fazer e em penalizar quem a não tem ?
Cinco
“Eu sou o médio. O João é o mais velho e o António é bebé.”
E agora Manel Maria? É de mão aberta que mostras a idade, ou recorres ao x para dizer xinco? É já no Domingo. Mais um aniversário do meu príncipe dos cinco T’s. Traquina, Teimoso, Ternurento, Teatral, Tesouro.
Quando as mães dos amigos da escola te perguntam que prenda gostavas de ter, evita dizer um computador a sério e uma pistola a sério. Quereres o mundo todo também me parece um exagero. O furador de folhas parece-me bem, mas não é para fazer furos nas roupas. Logo se vê o que é que se arranja.Depois, atempadamente, dou-te um beijo de parabéns. Seu selva.
E agora Manel Maria? É de mão aberta que mostras a idade, ou recorres ao x para dizer xinco? É já no Domingo. Mais um aniversário do meu príncipe dos cinco T’s. Traquina, Teimoso, Ternurento, Teatral, Tesouro.
Quando as mães dos amigos da escola te perguntam que prenda gostavas de ter, evita dizer um computador a sério e uma pistola a sério. Quereres o mundo todo também me parece um exagero. O furador de folhas parece-me bem, mas não é para fazer furos nas roupas. Logo se vê o que é que se arranja.Depois, atempadamente, dou-te um beijo de parabéns. Seu selva.
quinta-feira, outubro 19, 2006
Algoritmo
a) mudar para a versão beta do blogger - isto impede-o de fazer comentários em blogs que ainda usem a antiga versão
b) deixar-se levar pela conversa das facilidades da gestão de temnplates e escolher um novo template de gestão em modo "arrasta e larga"
c) descobrir que tem um blog ainda mais feio, sem possibilidade de comentar e ficar com os nervos em franja
d) undo até b) o undo do a) não existe
e) cuspir com desprezo no monitor - evitar perdigotos no rato e no teclado
quarta-feira, outubro 18, 2006
Bem feita
... para não me meter com a porcaria do Blogger. Perdi os comentários e mais umas tantas coisas que ainda não me aprecebi...
Em princípio deixa de chamar janelas com publicidade e está carregadinho de aloe-vera.
Em princípio deixa de chamar janelas com publicidade e está carregadinho de aloe-vera.
Défice tarifário
Desde ontem que se ouve falar no défice tarifário. Um novo monstro dos nossos dias. A razão para um aumento de quase 16 por cento nas próximas facturas de electricidade. A lógica, mais uma vez a lógica, é simples. Ao que parece temos pago muito pouco pela electricidade. Nós os particulares e as empresas também. Já o aumento de 16 por cento, é só para os particulares porque as empresas têm que manter a competitividade.
Eu queria expressar aqui a minha necessidade vital de manter também a competitividade, pelo que , no meu caso, o aumento dever ser menor que os tais 16 % por cento.
Queria também denunciar alguns défices de que tenho sido vítima nos últimos anos, a começar pelo salarial. De há alguns anos para cá tenho cobrado muito menos à empresa onde trabalho do que aquele que é o meu real valor, pelo que em 2007 terei que compensar este défice.
Também tenho pago valores excessivos pela casa, seguros, gasolina, escolas, internet, telefone, água, gás, televisão e hipermercados pelo que, no decorrer de 2007, apenas pagarei metade do valor que me for facturado. Não é que eu queira, mas tenho que compensar o défice de despesas dos últimos anos. Assim já me parece estar em condições de reequilibrar o orçamento. Corte nas despesas à semelhança da lógica do engenheiro timoneiro.
Eu queria expressar aqui a minha necessidade vital de manter também a competitividade, pelo que , no meu caso, o aumento dever ser menor que os tais 16 % por cento.
Queria também denunciar alguns défices de que tenho sido vítima nos últimos anos, a começar pelo salarial. De há alguns anos para cá tenho cobrado muito menos à empresa onde trabalho do que aquele que é o meu real valor, pelo que em 2007 terei que compensar este défice.
Também tenho pago valores excessivos pela casa, seguros, gasolina, escolas, internet, telefone, água, gás, televisão e hipermercados pelo que, no decorrer de 2007, apenas pagarei metade do valor que me for facturado. Não é que eu queira, mas tenho que compensar o défice de despesas dos últimos anos. Assim já me parece estar em condições de reequilibrar o orçamento. Corte nas despesas à semelhança da lógica do engenheiro timoneiro.
domingo, outubro 15, 2006
Uma (outra) noite só
Há coisas que não se explicam ... e isto do Trovante é uma dessas coisas. Para perceberem melhor a dimensão, sou do Trovante como sou do Benfica. Talvez a senhora que esteve ao meu lado no concerto leia este post e me perdoe mais facilmente o facto de ter ido ver um concerto deles e meu e não um concerto só deles. Não me calei pois claro, também não tinha razões para o fazer, não os via jogar há sete anos. Teve azar a senhora, sentou-se ao lado de um diabo vermelho. Também já me aconteceu. É chato, mas não é o fim do mundo, minha senhora.
Juntam-se a pretexto de um evento institucional o que me provoca algumas cócegas. A mudança de imagem do Montepio. Juro que cheguei a temer o pior. Convites para os melhores clientes do banco, ou seja, uma plateia de contrutores civis, produtores de mármore, de importadores de automóveis borrifada com um ou outro excitadinho que tinha suado por um bilhete como eu. No máximo, cheguei a pensar, esta gente vai mexer-se na cadeira no refrão do Timor e pouco mais. Nada disso. Provavelmente a construção civil, a indústria do mármore e a importação de automóveis está muito diferente e quem não souber pelo menos a Balada das Sete Saias, a Saudade, a Outra Margem, a Travessa do Poço dos Negros, a Memória de Um Beijo, o Perdidamente, o 125 Azul e o Timor não consegue singrar nestas áreas.
Restava saber como é que os rapazes lá em cima do estrado iam encarar o evento e se se conseguiam divertir-se por aquelas bandas. Pegue-se no alinhamento do Pavilhão Atlântico de há 7 anos atrás e eliminem-se os riscos desnecessários. Chão Nosso, Aerograma, Linha das Fronteiras e Fim era esticar a corda. Saltam para fora pois então. De resto mantém-se a sequência. Quem lá tivesse estado ou alguma vez ouvisse o disco, ia lembrar-se de algo, à medida que os rapazes desembrulhavam as memórias.
A audiência foi-se deixando conquistar e os rapazes davam sinais de que estavam mesmo com saudades de tocar juntos. Cumplicidades estabelecidas. No palco e entre palco e plateia. Divertem-se todos (talvez a senhora ao meu lado continue de trombas sempre que a minha voz se adianta a uma entrada ou se ouve melhor que a do Luis). A vê-los estava também uma geração que nunca os tinha visto juntos. Os filhos deles e os Joões Marias que existiam entre a assistência. Quem disse que os álbuns de recordações não chegam para gargallhar?
Noite conquistada e o Luis consegue fazer um discurso quase institucional sobre a mudança de imagem. Isto sim é novidade. O homem adquire, ao fim de tantos anos, a competência da expressão oral. Também novidades nalguns arranjos ou improvisos em zonas mais instrumentais de icones de outrora. Refinaram a relação com os instrumentos ao longo destes anos, tocam cada vez melhor. Já com a voz é preciso sabedoria, e ali nunca faltou. Na esplanada, no namoro II e na saudade nota-se a defesa nos muito agudos, ora em forma de mudança de tom ora na gestão da distância entre o microfone e o aparelho vocal (muito bem feita que é para não acharem que as canções são para se cantar entre os 20 e os 30 anos. A esplanada raramente saía na perfeição, mas quem se rala com isso). O João Maria encantado, já canta quase todas as músicas para maior desespero da senhora do lado que certamente pensa - esta merda é hereditária raios os partam.
No fim de festa cabia agradecer a pachorra e a simpatia do João Gil em nos ter arranjado bilhetes. Camarins connosco. Aquela parte gaga de cair no meio de familiares e amigos próximos a provocar uma nesga para dizer obrigado, dar os parabéns e pedir uma assinatura num bilhete. Mas soube tão bem. O João Maria já meio em alfa de centauros, songamongas de sono a olhar por trás das lunetas para Luises e Joões e Manueis e Zés e Fernandos e Artures. No nosso bilhete abraços assinados pelo João Gil pois claro, Manuel Faria, e Luis Represas. Regresso a casa depois uma noite inesquecível.
Parafraseando Manuela Azevedo "Juntem-se mais vezes,..., se quiserem"
Saudades do futuro.
Juntam-se a pretexto de um evento institucional o que me provoca algumas cócegas. A mudança de imagem do Montepio. Juro que cheguei a temer o pior. Convites para os melhores clientes do banco, ou seja, uma plateia de contrutores civis, produtores de mármore, de importadores de automóveis borrifada com um ou outro excitadinho que tinha suado por um bilhete como eu. No máximo, cheguei a pensar, esta gente vai mexer-se na cadeira no refrão do Timor e pouco mais. Nada disso. Provavelmente a construção civil, a indústria do mármore e a importação de automóveis está muito diferente e quem não souber pelo menos a Balada das Sete Saias, a Saudade, a Outra Margem, a Travessa do Poço dos Negros, a Memória de Um Beijo, o Perdidamente, o 125 Azul e o Timor não consegue singrar nestas áreas.
Restava saber como é que os rapazes lá em cima do estrado iam encarar o evento e se se conseguiam divertir-se por aquelas bandas. Pegue-se no alinhamento do Pavilhão Atlântico de há 7 anos atrás e eliminem-se os riscos desnecessários. Chão Nosso, Aerograma, Linha das Fronteiras e Fim era esticar a corda. Saltam para fora pois então. De resto mantém-se a sequência. Quem lá tivesse estado ou alguma vez ouvisse o disco, ia lembrar-se de algo, à medida que os rapazes desembrulhavam as memórias.
A audiência foi-se deixando conquistar e os rapazes davam sinais de que estavam mesmo com saudades de tocar juntos. Cumplicidades estabelecidas. No palco e entre palco e plateia. Divertem-se todos (talvez a senhora ao meu lado continue de trombas sempre que a minha voz se adianta a uma entrada ou se ouve melhor que a do Luis). A vê-los estava também uma geração que nunca os tinha visto juntos. Os filhos deles e os Joões Marias que existiam entre a assistência. Quem disse que os álbuns de recordações não chegam para gargallhar?
Noite conquistada e o Luis consegue fazer um discurso quase institucional sobre a mudança de imagem. Isto sim é novidade. O homem adquire, ao fim de tantos anos, a competência da expressão oral. Também novidades nalguns arranjos ou improvisos em zonas mais instrumentais de icones de outrora. Refinaram a relação com os instrumentos ao longo destes anos, tocam cada vez melhor. Já com a voz é preciso sabedoria, e ali nunca faltou. Na esplanada, no namoro II e na saudade nota-se a defesa nos muito agudos, ora em forma de mudança de tom ora na gestão da distância entre o microfone e o aparelho vocal (muito bem feita que é para não acharem que as canções são para se cantar entre os 20 e os 30 anos. A esplanada raramente saía na perfeição, mas quem se rala com isso). O João Maria encantado, já canta quase todas as músicas para maior desespero da senhora do lado que certamente pensa - esta merda é hereditária raios os partam.
No fim de festa cabia agradecer a pachorra e a simpatia do João Gil em nos ter arranjado bilhetes. Camarins connosco. Aquela parte gaga de cair no meio de familiares e amigos próximos a provocar uma nesga para dizer obrigado, dar os parabéns e pedir uma assinatura num bilhete. Mas soube tão bem. O João Maria já meio em alfa de centauros, songamongas de sono a olhar por trás das lunetas para Luises e Joões e Manueis e Zés e Fernandos e Artures. No nosso bilhete abraços assinados pelo João Gil pois claro, Manuel Faria, e Luis Represas. Regresso a casa depois uma noite inesquecível.
Parafraseando Manuela Azevedo "Juntem-se mais vezes,..., se quiserem"
Saudades do futuro.
sexta-feira, outubro 13, 2006
Rapidinha
É que vão ter que esperar porque estou parco em energia e com excesso de tarefas e então vou ter que canalizar a que existe para as ditas. Continua em boa intenção o post sobre o concerto de ontem (ida aos camarins incluída).
quinta-feira, outubro 12, 2006
quarta-feira, outubro 11, 2006
Actualização (dos posts anteriores)
Hoje recebi muitos sms’s. Todos iguais provenientes do 4343:
“Lamentamos mas nao foi desta pode continuar a tentar a sua sorte, ate as 18 vamos oferecer 2 bilhetes por hora. Boa onda com a RR”
Boa onda os tomates, seus palhaços. Não só tive que ouvir os ABBA em Chiquitita, como gastei oquesóeueDeussabemosequeaAnanemdesconfiasenãoaindaapanhoemcasa a enviar sms’s para este número com a palavra “Trovante” escrita. Ingratos. O caso está muito mal parado. Já pensei na hipótese de ir amanhã roubar bilhetes para a porta do Campo Pequeno. Podia iniciar os Marias na técnica do gamanço. Amanhã uns bilhetes, depois de amanhã uns talões do Euromilhões e para a semana tratavam de limpar umas carteiras nos autocarros da carris.
Está decidido. Para a semana vamos passar a ir de autocarro para o colégio.
“Lamentamos mas nao foi desta pode continuar a tentar a sua sorte, ate as 18 vamos oferecer 2 bilhetes por hora. Boa onda com a RR”
Boa onda os tomates, seus palhaços. Não só tive que ouvir os ABBA em Chiquitita, como gastei oquesóeueDeussabemosequeaAnanemdesconfiasenãoaindaapanhoemcasa a enviar sms’s para este número com a palavra “Trovante” escrita. Ingratos. O caso está muito mal parado. Já pensei na hipótese de ir amanhã roubar bilhetes para a porta do Campo Pequeno. Podia iniciar os Marias na técnica do gamanço. Amanhã uns bilhetes, depois de amanhã uns talões do Euromilhões e para a semana tratavam de limpar umas carteiras nos autocarros da carris.
Está decidido. Para a semana vamos passar a ir de autocarro para o colégio.
terça-feira, outubro 10, 2006
Actualização
... do post anterior.
O concurso só dá convites aos primeiros 50 e eu devo ser o 50000
Até os primeiros oito da lista, que são artistas, parecem ter dificuldade em arranjar convites porque é um concerto à porta fechada ao qual só se vai por convite
Da rádio renascença chegam-me estas novas:
"Acabei de falar com o director da RR que me reafirmou o que lhe tinha dito : não há bilhetes. É um espectáculo à porta fechada e a RR tem muito poucos convites e são acima de tudo para os ouvintes. Ele que esteja atento à emissão de amanhã ( todo o dia ) e 5ª feira no programa do Paulino"
Logo amanhã que tenho reuniões de manhã e de tarde ... vou ter que pôr alguém a ouvir a Renascença. Quita Feira o Paulino não me escapa.
Se à hora do almoço de quinta feira ainda não tiver os convites na minha mão, vou ser abertura nos noticiários da noite
"Homem careca com quase quarenta anos, faz 10 reféns no Balcão da Baixa do Montepio Geral e exige convites para o concerto do Trovante (e já agora uma conta pelicano XXL - não sei se existe mas devia)"
O concurso só dá convites aos primeiros 50 e eu devo ser o 50000
Até os primeiros oito da lista, que são artistas, parecem ter dificuldade em arranjar convites porque é um concerto à porta fechada ao qual só se vai por convite
Da rádio renascença chegam-me estas novas:
"Acabei de falar com o director da RR que me reafirmou o que lhe tinha dito : não há bilhetes. É um espectáculo à porta fechada e a RR tem muito poucos convites e são acima de tudo para os ouvintes. Ele que esteja atento à emissão de amanhã ( todo o dia ) e 5ª feira no programa do Paulino"
Logo amanhã que tenho reuniões de manhã e de tarde ... vou ter que pôr alguém a ouvir a Renascença. Quita Feira o Paulino não me escapa.
Se à hora do almoço de quinta feira ainda não tiver os convites na minha mão, vou ser abertura nos noticiários da noite
"Homem careca com quase quarenta anos, faz 10 reféns no Balcão da Baixa do Montepio Geral e exige convites para o concerto do Trovante (e já agora uma conta pelicano XXL - não sei se existe mas devia)"
Carta (cunha) aberta ...
ao Luis
ao João
ao Manel
ao João Nuno
ao Fernando
ao Artur
ao Zé
ao outro Zé o mais novo dos caracóis (não sei porquê chamei-lhe Carlos na versão anterior do post)
ao Sampaio que uma vez os reuniu
à administração do Montepio Geral
ao António Sala que conhece umas pessoas da RR
era um convite duplo ou triplo para o concerto do Trovante na próxima Quinta Feira lá no Campo Pequeno. Este post fecha o capítulo "já fiz tudo o que estava ao meu alcance para ganhar um convite". Já escrevi, telefonei e participei em concursos. Se nada funcionar, resta-me este post. Eu porto-me bem e estou capaz de levar o Maria mais velho.
Obrigadinho.
ao João
ao Manel
ao João Nuno
ao Fernando
ao Artur
ao Zé
ao outro Zé o mais novo dos caracóis (não sei porquê chamei-lhe Carlos na versão anterior do post)
ao Sampaio que uma vez os reuniu
à administração do Montepio Geral
ao António Sala que conhece umas pessoas da RR
era um convite duplo ou triplo para o concerto do Trovante na próxima Quinta Feira lá no Campo Pequeno. Este post fecha o capítulo "já fiz tudo o que estava ao meu alcance para ganhar um convite". Já escrevi, telefonei e participei em concursos. Se nada funcionar, resta-me este post. Eu porto-me bem e estou capaz de levar o Maria mais velho.
Obrigadinho.
sexta-feira, outubro 06, 2006
A implica B não chega para dizer Não A implica Não B
Embrulhada no rol de notícias desta manhã, chegou-nos mais uma novidade sobre o partido que põe sempre a bola ao centro (“... mas quem melhor os fintar é que vai marcar o tento”).
“Luís Nobre Guedes não exclui a possibilidade de uma eventual candidatura à liderança do CDS-PP, no próximo Congresso.” Esta afirmação chega, pela TSF, ilustrada com um excerto da entrevista de ontem à noite a Judite Sousa. Segundo o que me apercebi era qualquer coisa do estilo
“Então não exclui a possibilidade de se candidatar à liderança do CDS – PP”
“Ó Judite, sabe que o futuro a Deus pertence “
“Sim, mas não exclui essa possibilidade”
“Bem, excluir excluir, não excluo”
Ar triunfante de Judite Sousa
“Quer dizer que vai ser candidato à liderança no próximo congresso do CDS-PP?”
“Eu não disse isso”
“Não disse de forma explícita, mas deixou entendido implicitamente”
Eu não sei bem quem é que ensinou os princípios da lógica a alguns jornalistas, mas fico pasmo com a capacidade de inferência de alguns. Se a rapaziada que desenha os Chip’s dos computadores implementassem esta lógica vaga, a electrónica estaria, nos dias de hoje, muito mais avançada do que na realidade está.
Apetecia-me que o Luís Nobre Guedes, por quem nem nutro grande estima, lhe tivesse proposto um exercício semelhante
“Imagine a Judite Sousa no papel de entrevistada. Perguntam-lhe se exclui a possibilidade de ser mãe, ao que, após algumas insistências, a Judite acabaria por responder que não exclui essa possibilidade.”. Seguindo a lógica dos factos implícitos, legitimar-se-ia a seguinte conclusão “Quer isto dizer que daqui a nove meses, vamos ter a Judite de Sousa numa sala de partos com contracções de 5 em 5 minutos e com meia dilatação feita???”
Usemos a lógica tradicional para analisar a conversa de Luís Nobre Guedes
Judite pergunta se LNG exclui a possibilidade de se candidatar ?
Reformulando:
1. Qualquer que seja o cenário, LNG não se candidata.
Verdadeiro ou Falso pergunta Judite
LNG responde que não exclui.
Reformulando, responde que é falsa a afirmação 1.
Negar a afirmação 1. é equivalente a dizer:
Existem cenários em que LNG se candidata
Judite instancia logo o cenário e conclui de forma brilhante
No próximo congresso, você é candidato.
Lembro-me do final do 9º ano em que a rapaziada com alergia às Matemáticas ia para as áreas das ciências humanas. Foi por aí que passaram muitos dos jornalistas, fazendo essa finta a Matemática. As operações lógicas eram, nesse tempo, ensinadas no 10º ano. Recorrendo-me da lógica dos factos implícitos, deduzo que se trata de um erro não ensinar lógica ao 9º ano.
“Luís Nobre Guedes não exclui a possibilidade de uma eventual candidatura à liderança do CDS-PP, no próximo Congresso.” Esta afirmação chega, pela TSF, ilustrada com um excerto da entrevista de ontem à noite a Judite Sousa. Segundo o que me apercebi era qualquer coisa do estilo
“Então não exclui a possibilidade de se candidatar à liderança do CDS – PP”
“Ó Judite, sabe que o futuro a Deus pertence “
“Sim, mas não exclui essa possibilidade”
“Bem, excluir excluir, não excluo”
Ar triunfante de Judite Sousa
“Quer dizer que vai ser candidato à liderança no próximo congresso do CDS-PP?”
“Eu não disse isso”
“Não disse de forma explícita, mas deixou entendido implicitamente”
Eu não sei bem quem é que ensinou os princípios da lógica a alguns jornalistas, mas fico pasmo com a capacidade de inferência de alguns. Se a rapaziada que desenha os Chip’s dos computadores implementassem esta lógica vaga, a electrónica estaria, nos dias de hoje, muito mais avançada do que na realidade está.
Apetecia-me que o Luís Nobre Guedes, por quem nem nutro grande estima, lhe tivesse proposto um exercício semelhante
“Imagine a Judite Sousa no papel de entrevistada. Perguntam-lhe se exclui a possibilidade de ser mãe, ao que, após algumas insistências, a Judite acabaria por responder que não exclui essa possibilidade.”. Seguindo a lógica dos factos implícitos, legitimar-se-ia a seguinte conclusão “Quer isto dizer que daqui a nove meses, vamos ter a Judite de Sousa numa sala de partos com contracções de 5 em 5 minutos e com meia dilatação feita???”
Usemos a lógica tradicional para analisar a conversa de Luís Nobre Guedes
Judite pergunta se LNG exclui a possibilidade de se candidatar ?
Reformulando:
1. Qualquer que seja o cenário, LNG não se candidata.
Verdadeiro ou Falso pergunta Judite
LNG responde que não exclui.
Reformulando, responde que é falsa a afirmação 1.
Negar a afirmação 1. é equivalente a dizer:
Existem cenários em que LNG se candidata
Judite instancia logo o cenário e conclui de forma brilhante
No próximo congresso, você é candidato.
Lembro-me do final do 9º ano em que a rapaziada com alergia às Matemáticas ia para as áreas das ciências humanas. Foi por aí que passaram muitos dos jornalistas, fazendo essa finta a Matemática. As operações lógicas eram, nesse tempo, ensinadas no 10º ano. Recorrendo-me da lógica dos factos implícitos, deduzo que se trata de um erro não ensinar lógica ao 9º ano.
terça-feira, outubro 03, 2006
Rasteira
Chateia-me encontrá-los assim. Acabei por rever alguns amigos e os meus primos a expensas da morte do meu tio Victor, o pai deles. À parte isso, é como se fosse Campo de Ourique da meninice outra vez. Como se nos encontrássemos todos os dias, se bem que os miúdos agora já estão quase do nosso tamanho. Os afectos, as conversas, as parvoíces. Fez-me falta rever o João. Tudo à tona num instante. Os telhados dos prédios dos Geadas onde fomos super heróis, os Put’s (que grande conjunto de rock aquilo teria dado – o rock do dentista – lembram-se do concurso em que ficámos à frente dos Band’Almôndega que agora são os Ena Pá 2000), as idas no carro da avó Fernanda para a lagoa de Albufeira (para horror dos pais quando souberam que íamos todos pendurados do lado de fora do carocha, assim que chegávamos à terra batida), os pombos correio Rui e Rita, os pinheiro e o rio de Tibaldinho.
É a máquina do tempo a fazer das suas, é o tempo a servir desculpas para só nos encontrarmos assim.
É a máquina do tempo a fazer das suas, é o tempo a servir desculpas para só nos encontrarmos assim.
sexta-feira, setembro 29, 2006
O 253º efectivo
Diz ali num jornal on-line que Portugal vai continuar a apoiar Timor-Leste. No desenvolvimento da notícia, refere-se o facto de Portugal passar a ter um contingente de 252 efectivos na actual Missão Integrada da Organização das Nações Unidas em Timor-Leste.
Tá bem que em 75 saímos de lá assim com a coisa mal resolvida, mas mal voltámos costas, começámos logo a apoiar Timor como se não houvesse amanhã. Apoiámos a Resistência, acolhemos os refugiados no Jamor, apoiámos o referendo, mandámos um barco cheio de jovens aventureiros para águas internacionais que inverteu a marcha assim que avistou a armada Indonésia, cantámos muitas vezes uma música do Trovante, atirámos flores aos riachos, fizemos uma data de minutos de silêncio, compramos café Delta para construir escolas. Caramba. Desde que me conheço que apoio Timor-Leste. Mas a paciência tem limites. Agora que se tornou uma nação independente, desatam todos ao estalo uns com os outros. Aquele povo de bigodinho penugem parece não se entender, nem querer fazer por isso.
Eu acho bem que os apoiemos mais uma vez, mas só mais uma vez, senão também é abuso. E para provar o que digo, acho que devíamos passar a ter um contingente, não de 252 efectivos, mas de 253. Portugal tem um engenheiro empreendedor a comandar os seus destinos, está na altura de nos ultrapassarmos no apoio à jovem nação e de cedermos a Timor Leste um engenheiro à altura do desafio que este povo tem pela frente. O 253º efectivo. O Engº Fernando Santos.
Tá bem que em 75 saímos de lá assim com a coisa mal resolvida, mas mal voltámos costas, começámos logo a apoiar Timor como se não houvesse amanhã. Apoiámos a Resistência, acolhemos os refugiados no Jamor, apoiámos o referendo, mandámos um barco cheio de jovens aventureiros para águas internacionais que inverteu a marcha assim que avistou a armada Indonésia, cantámos muitas vezes uma música do Trovante, atirámos flores aos riachos, fizemos uma data de minutos de silêncio, compramos café Delta para construir escolas. Caramba. Desde que me conheço que apoio Timor-Leste. Mas a paciência tem limites. Agora que se tornou uma nação independente, desatam todos ao estalo uns com os outros. Aquele povo de bigodinho penugem parece não se entender, nem querer fazer por isso.
Eu acho bem que os apoiemos mais uma vez, mas só mais uma vez, senão também é abuso. E para provar o que digo, acho que devíamos passar a ter um contingente, não de 252 efectivos, mas de 253. Portugal tem um engenheiro empreendedor a comandar os seus destinos, está na altura de nos ultrapassarmos no apoio à jovem nação e de cedermos a Timor Leste um engenheiro à altura do desafio que este povo tem pela frente. O 253º efectivo. O Engº Fernando Santos.
quinta-feira, setembro 28, 2006
SG (green)Light
Zapping. RTPN. Trio de Ataque. Painel de comentadores. Pelo Sporting. Sérgio Godinho. Quem ?
“Querem lá ver que os miúdos me avariaram a televisão?” Foi a minha primeira reacção. Foi uma dupla surpresa. O contexto genérico do desporto rei e a especificidade leonina. Sérgio Godinho rima com o Porto na origem, e com o Benfica no conteúdo. Pasme-se! O escritor de canções é do Sporting. Não lhe diminuo a admiração por este facto, apenas estranhei.
Nunca pensei que o “Espectáculo” tenha sido escrito com Alvalade como pano de fundo
“Quando
tu me vires no futebol
estarei no campo
cabeça ao sol
a avançar pé ante pé
para uma bola que está
à espera dum pontapé
à espera dum penalty
que eu vou transformar para ti
eu vou
atirar para ganhar
vou rematar
e o golo que eu fizer
ficará sempre na rede
a libertar-nos da sede
não me olhes só da bancada lateral
desce-me essa escada e vem deitar-te na grama
vem falar comigo como gente que se ama
e até não se poder mais
vamos jogar”
“Querem lá ver que os miúdos me avariaram a televisão?” Foi a minha primeira reacção. Foi uma dupla surpresa. O contexto genérico do desporto rei e a especificidade leonina. Sérgio Godinho rima com o Porto na origem, e com o Benfica no conteúdo. Pasme-se! O escritor de canções é do Sporting. Não lhe diminuo a admiração por este facto, apenas estranhei.
Nunca pensei que o “Espectáculo” tenha sido escrito com Alvalade como pano de fundo
“Quando
tu me vires no futebol
estarei no campo
cabeça ao sol
a avançar pé ante pé
para uma bola que está
à espera dum pontapé
à espera dum penalty
que eu vou transformar para ti
eu vou
atirar para ganhar
vou rematar
e o golo que eu fizer
ficará sempre na rede
a libertar-nos da sede
não me olhes só da bancada lateral
desce-me essa escada e vem deitar-te na grama
vem falar comigo como gente que se ama
e até não se poder mais
vamos jogar”
quarta-feira, setembro 27, 2006
Inquérito
O estádio da Luz não é propriamente o ponto de encontro da mais fina flor da cultura portuguesa. Não é porque não é e não é porque também não é suposto ser. A heterogeneidade faz parte da nação benfiquista, e o estádio da Luz é a pátria dessa imensa nação. Não se estranha portanto a proliferação de figuras ímpares, também conhecidos por cromos difíceis. Em seis milhões, é muito alta a probabilidade de existirem cromos difíceis, aves raras, enfim, autênticas peças de colecção. Foi uma destas que se sentou atrás dos nossos lugares.
A rapariga atrás de nós, que vinha com os pais e tinha uns 20 anos, guinchava como um porco na matança e chamava nomes a tudo o que no relvado mexia. A bola, o árbitro, os jogadores de encarnado, os jogadores de branco, o Cristiano Ronaldo, a Merche, as mães dos jogadores e dos árbitros foram todas saudadas com rasgados elogios por parte da donzela que esperneava aos guinchos atrás de nós. Os pais da moça não se manifestavam com tanto afinco, mas a performance da jovem adulta não lhes causava espanto. “É uma menina com muita vida” deve ser a frase que lhes percorre o pensamento. Não tenho que os condenar, gosto pouco de interferir na educação que os outros dão aos filhos. Se fosse meu filho levava um tabefe que ia parar lá abaixo para poder insultar o árbitro cara a cara.
Ao meu lado, a meio da primeira parte, sentou-se um jovem casal com muito bom aspecto. Até achei esquisito. Nisto o rapaz vira-se para mim, pede desculpa e diz-me, apontando para diferentes zonas do relvado
“Pode-me só ajudar? Quim, Alcides, Luisão, Petit, Simão, Paulo Jorge, Nuno Gomes. Quem mais está a jogar ?”
Eu nem sabia que aqueles eram os nomes dos vermelhinhos lá em baixo, com a excepção do Luisão que é gigante e do Nuno Gomes que tem trejeitos de gaja. Como é que lhe ia fornecer a informação que me pedia ? Que tristeza, preparo-me tão mal para estes eventos. Esquivei-me com o que tinha ouvido no rádio à ida para o estádio
“Pois não cheguei a tempo de ver o alinhamento, mas sei que o italiano pequenino não está a jogar de início e que aquele que foi acusado de dopping também não.” O rapaz olhou para mim com um ar desconfiado, mas continuou o inquérito “E quem é o árbitro?”. Mau mau Maria. Quem é o árbitro ?? Sei lá eu quem é o árbitro. Nem quero saber. Eu nunca conheci nenhum nome de árbitro a não ser aquele careca italiano que aparece na capa do Pro Evolution Soccer 3 – o Molina , ia mesmo saber o nome do árbitro. “Não faço ideia, mas a miúda aqui atrás deve saber porque está farta de insultar a mãe dele”. Acabei por só dizer que não fazia ideia. Voltou a olhar-me com estranheza. Curiosamente não me fez mais perguntas até ao final do encontro mas deve ter achado que eu era um Sportinguista infiltrado que tinha conseguido um bilhete para aquele jogo nalgum concurso de rádio. Não penso, tão cedo, voltar ao futebol, mas quando o fizer, juro que vou saber tudo de uma ponta à outra. Até os signos e ascendentes da mãe do quarto árbitro eu hei-de decorar.
A rapariga atrás de nós, que vinha com os pais e tinha uns 20 anos, guinchava como um porco na matança e chamava nomes a tudo o que no relvado mexia. A bola, o árbitro, os jogadores de encarnado, os jogadores de branco, o Cristiano Ronaldo, a Merche, as mães dos jogadores e dos árbitros foram todas saudadas com rasgados elogios por parte da donzela que esperneava aos guinchos atrás de nós. Os pais da moça não se manifestavam com tanto afinco, mas a performance da jovem adulta não lhes causava espanto. “É uma menina com muita vida” deve ser a frase que lhes percorre o pensamento. Não tenho que os condenar, gosto pouco de interferir na educação que os outros dão aos filhos. Se fosse meu filho levava um tabefe que ia parar lá abaixo para poder insultar o árbitro cara a cara.
Ao meu lado, a meio da primeira parte, sentou-se um jovem casal com muito bom aspecto. Até achei esquisito. Nisto o rapaz vira-se para mim, pede desculpa e diz-me, apontando para diferentes zonas do relvado
“Pode-me só ajudar? Quim, Alcides, Luisão, Petit, Simão, Paulo Jorge, Nuno Gomes. Quem mais está a jogar ?”
Eu nem sabia que aqueles eram os nomes dos vermelhinhos lá em baixo, com a excepção do Luisão que é gigante e do Nuno Gomes que tem trejeitos de gaja. Como é que lhe ia fornecer a informação que me pedia ? Que tristeza, preparo-me tão mal para estes eventos. Esquivei-me com o que tinha ouvido no rádio à ida para o estádio
“Pois não cheguei a tempo de ver o alinhamento, mas sei que o italiano pequenino não está a jogar de início e que aquele que foi acusado de dopping também não.” O rapaz olhou para mim com um ar desconfiado, mas continuou o inquérito “E quem é o árbitro?”. Mau mau Maria. Quem é o árbitro ?? Sei lá eu quem é o árbitro. Nem quero saber. Eu nunca conheci nenhum nome de árbitro a não ser aquele careca italiano que aparece na capa do Pro Evolution Soccer 3 – o Molina , ia mesmo saber o nome do árbitro. “Não faço ideia, mas a miúda aqui atrás deve saber porque está farta de insultar a mãe dele”. Acabei por só dizer que não fazia ideia. Voltou a olhar-me com estranheza. Curiosamente não me fez mais perguntas até ao final do encontro mas deve ter achado que eu era um Sportinguista infiltrado que tinha conseguido um bilhete para aquele jogo nalgum concurso de rádio. Não penso, tão cedo, voltar ao futebol, mas quando o fizer, juro que vou saber tudo de uma ponta à outra. Até os signos e ascendentes da mãe do quarto árbitro eu hei-de decorar.
terça-feira, setembro 26, 2006
Tudo
... o que vocês querem saber sobre a Bimby e nunca tiveram coragem de perguntar.
Já aqui escrevi sobre este animal da cozinha mas desta vez vou abordar o tema com seriedade. Afinal o que é esta Bimby de que toda a gente fala ?
A Bimby é, primeiro que tudo, um mito urbano. Na sua essência a Bimby é um robot de cozinha.
A Bimby vende-se como as máquinas de aspiração (vulgo aspiradores mas dez vezes mais caros). A diferença está nas vendedoras. Se as máquinas de aspiração são vendidas por Cátias e Tânias do Cacém, as Bimbys são vendidas por Pituchas e Dadinhas da Lapa.
A Bimby tem um copo com umas ventoinhas lá dentro que rodam numa ou duas direcções (consoante a versão da Bimby). Estas ventoinhas que cortam, a partir de agora designadas por pás, rodam algures entre o devagar e megadepressa. Além das pás giratórias, a Bimby tem capacidade para aquecer e para pesar. Aquece até aos 100 graus e pesa até aos dois quilos.
Potencialmente qualquer receita que envolva misturar, triturar, mexer, aquecer, pesar pode ser feitas numa só sessão da Bimby. O universo de receitas varia entre a caipirinha, a massa de pizza, o recheio de galinha para as empadas, a pasta do leite creme e a sopa de feijão.
Além disso a Bimby tem um chapéu alto que permite cozer a vapor e estufar.
Vejamos o exemplo de uma receita:
Ingredientes:
- 200 gr de açucar
- 250 gr de chocolate em tablete
- 250 gr de manteiga
- 6 ovos
- 50 gr de farinha
Ingredientes p/ cobertura:
- 120 gr. de chocolate
- 30 gr. de Manteiga
- 10 gr. de Leite
Preparação:
Coloque no copo o açúcar, as gemas e a manteiga e programe 5 Min. Temp. 70º, Vel. 4.
Adicione o chocolate, espere que se funda, e misture 20 Seg. Vel. 5.
Adicione por fim a farinha e misture 10 Seg. Vel. 5, ajudando com a espátula, deite numa taça e reserve.
Lave muito bem o copo, coloque o suporte giratório na lâmina, deite as claras e programe 6 Min., Vel. 3. Envolva à massa de bolo reservada.
Leve ao forno pré- aquecido a 200º durante cerca de 5 minutos.
Para preparar a cobertura, deite todos os ingredientes no copo Bimby e programe 5 Min. Temp.50º Vel.4. Deite por cima do bolo arrefecido.
Se preferir, enfeite apenas com raspa de chocolate ou icing sugar.
Conselho Bimby:
Este bolo coze muito pouco tempo. Mal esteja cozido dos lados, retira-se, pois o interior é como se fosse uma mousse.
Esta receita é um bom exemplo para os limites da Bimby. A Bimby não faz o bolo de chocolate de uma ponta à outra. Se não tiver um forno bem que pode pedir de joelhos, que a Bimby não tem como aquecer o bolo. A Bimby pesa e mistura os ingredientes, e neste caso, como não é preciso aquecer nada a não ser o bolo nem sequer se usa a função da temperatura. Já no caso da sopa a coisa é diferente. A Bimby faz tudo menos descascar os legumes.
A Bimby, tal como os aspiradores tem a mania que é boa, e portanto custa 10 vezes mais que um robot de cozinha (acho que anda perto dos 800 euros).
Existe uma frase, a meu ver sábia, sobre a Bimby que aqui deixo para reflexão:
“Enquanto tiver a minha bimba lá em casa para cozinhar, dispenso a presença da Bimby”
Já aqui escrevi sobre este animal da cozinha mas desta vez vou abordar o tema com seriedade. Afinal o que é esta Bimby de que toda a gente fala ?
A Bimby é, primeiro que tudo, um mito urbano. Na sua essência a Bimby é um robot de cozinha.
A Bimby vende-se como as máquinas de aspiração (vulgo aspiradores mas dez vezes mais caros). A diferença está nas vendedoras. Se as máquinas de aspiração são vendidas por Cátias e Tânias do Cacém, as Bimbys são vendidas por Pituchas e Dadinhas da Lapa.
A Bimby tem um copo com umas ventoinhas lá dentro que rodam numa ou duas direcções (consoante a versão da Bimby). Estas ventoinhas que cortam, a partir de agora designadas por pás, rodam algures entre o devagar e megadepressa. Além das pás giratórias, a Bimby tem capacidade para aquecer e para pesar. Aquece até aos 100 graus e pesa até aos dois quilos.
Potencialmente qualquer receita que envolva misturar, triturar, mexer, aquecer, pesar pode ser feitas numa só sessão da Bimby. O universo de receitas varia entre a caipirinha, a massa de pizza, o recheio de galinha para as empadas, a pasta do leite creme e a sopa de feijão.
Além disso a Bimby tem um chapéu alto que permite cozer a vapor e estufar.
Vejamos o exemplo de uma receita:
Ingredientes:
- 200 gr de açucar
- 250 gr de chocolate em tablete
- 250 gr de manteiga
- 6 ovos
- 50 gr de farinha
Ingredientes p/ cobertura:
- 120 gr. de chocolate
- 30 gr. de Manteiga
- 10 gr. de Leite
Preparação:
Coloque no copo o açúcar, as gemas e a manteiga e programe 5 Min. Temp. 70º, Vel. 4.
Adicione o chocolate, espere que se funda, e misture 20 Seg. Vel. 5.
Adicione por fim a farinha e misture 10 Seg. Vel. 5, ajudando com a espátula, deite numa taça e reserve.
Lave muito bem o copo, coloque o suporte giratório na lâmina, deite as claras e programe 6 Min., Vel. 3. Envolva à massa de bolo reservada.
Leve ao forno pré- aquecido a 200º durante cerca de 5 minutos.
Para preparar a cobertura, deite todos os ingredientes no copo Bimby e programe 5 Min. Temp.50º Vel.4. Deite por cima do bolo arrefecido.
Se preferir, enfeite apenas com raspa de chocolate ou icing sugar.
Conselho Bimby:
Este bolo coze muito pouco tempo. Mal esteja cozido dos lados, retira-se, pois o interior é como se fosse uma mousse.
Esta receita é um bom exemplo para os limites da Bimby. A Bimby não faz o bolo de chocolate de uma ponta à outra. Se não tiver um forno bem que pode pedir de joelhos, que a Bimby não tem como aquecer o bolo. A Bimby pesa e mistura os ingredientes, e neste caso, como não é preciso aquecer nada a não ser o bolo nem sequer se usa a função da temperatura. Já no caso da sopa a coisa é diferente. A Bimby faz tudo menos descascar os legumes.
A Bimby, tal como os aspiradores tem a mania que é boa, e portanto custa 10 vezes mais que um robot de cozinha (acho que anda perto dos 800 euros).
Existe uma frase, a meu ver sábia, sobre a Bimby que aqui deixo para reflexão:
“Enquanto tiver a minha bimba lá em casa para cozinhar, dispenso a presença da Bimby”
segunda-feira, setembro 25, 2006
Parceria
Para que a Dona Bimby não se encha de peneiras, entrou uma nova menina mimada lá na cozinha. Branca e cúbica
sexta-feira, setembro 22, 2006
Al dente
Ontem experimentei o meu novo espremedor de alhos. De fino recorte técnico, cinco euros, única compra da minha primeira visita a um shopping suburbano da margem sul. Bem catita.
Azeite quente para alourar três dentes de alho espremido. Uma dúzia de gambas descascadas lá para dentro. Sal. Na panela ao lado tagliatelli cozido al dente (al dente demais, um minuto mais não faria mal) e acabadinho de escorrer. Quando as gambas estão bem fritas sem estarem secas, deitar tudo por cima do tagliatelli e em lume brando misturar bem o azeite, o alho, o tagliatelli e as gambarolas. Antes de servir e já de lume apagado, um salpico de manjericão.
As coisas que um espremedor de alhos consegue fazer. Ainda falam da Bimby.
Azeite quente para alourar três dentes de alho espremido. Uma dúzia de gambas descascadas lá para dentro. Sal. Na panela ao lado tagliatelli cozido al dente (al dente demais, um minuto mais não faria mal) e acabadinho de escorrer. Quando as gambas estão bem fritas sem estarem secas, deitar tudo por cima do tagliatelli e em lume brando misturar bem o azeite, o alho, o tagliatelli e as gambarolas. Antes de servir e já de lume apagado, um salpico de manjericão.
As coisas que um espremedor de alhos consegue fazer. Ainda falam da Bimby.
quarta-feira, setembro 20, 2006
Apito Coisado
Vamos lá a ver se nos entendemos. O futebol não se dá bem com estas coisas da transparência. Nem nunca vai dar. Isso da transparência é cena para o Badminton , o Ténis de Mesa e para aquela coisa dos OVNIS e das esfregonas em cima do soalho deslizante. O futebol tem árbitros, presidentes, ligas, federações, jogadores, transmissões televisivas, publicidade, espectadores, orçamentos e patrocínios. Uma actividade com tanto peso num prato da balança, não se consegue equilibrar com a verdade desportiva. Não há como.
Ninguém, no seu juízo perfeito, se surpreende e muito menos se indigna com as influências trazidas a lume pelo apito coisado. É inimaginável pensar que não existem cordelinhos para puxar. O futebol tem tanto cordelinho que mais parece uma renda de bilros. A única novidade está na ponta solta que passou cá para fora. Não nos iludamos, a prática é tão corrente, tão corriqueira, tão tipicamente Portuguesa, tão na onda do “faz-me lá um jeitinho“, que não passa pela cabeça de ninguém fazer rolar cabeças apenas e só pela prática do nacional porreirismo.
Sugiro que façamos tudo à luz do dia, que a renda de bilros seja montra para todos nós. Peço veementemente que se realizem, em vez de sorteios, leilões de árbitros. Cada Clube oferecia o que podia por determinado árbitro e quem oferecesse mais levava o árbitro para o seu jogo. Até se podiam abrir os leilões a particulares, garantir transmissões televisivas, votar por SMS, ter números de variedades a intercalar cada árbitro. Ainda podiam doar parte dos lucros a instituições de caridade, e que bem que ficava um gesto destes.
Pensem nesta sugestão e deixem-se dessa mariquice de se sentirem enganados quando pagam dinheiro para ver um jogo de futebol ou uma transmissão codificada.
Ninguém, no seu juízo perfeito, se surpreende e muito menos se indigna com as influências trazidas a lume pelo apito coisado. É inimaginável pensar que não existem cordelinhos para puxar. O futebol tem tanto cordelinho que mais parece uma renda de bilros. A única novidade está na ponta solta que passou cá para fora. Não nos iludamos, a prática é tão corrente, tão corriqueira, tão tipicamente Portuguesa, tão na onda do “faz-me lá um jeitinho“, que não passa pela cabeça de ninguém fazer rolar cabeças apenas e só pela prática do nacional porreirismo.
Sugiro que façamos tudo à luz do dia, que a renda de bilros seja montra para todos nós. Peço veementemente que se realizem, em vez de sorteios, leilões de árbitros. Cada Clube oferecia o que podia por determinado árbitro e quem oferecesse mais levava o árbitro para o seu jogo. Até se podiam abrir os leilões a particulares, garantir transmissões televisivas, votar por SMS, ter números de variedades a intercalar cada árbitro. Ainda podiam doar parte dos lucros a instituições de caridade, e que bem que ficava um gesto destes.
Pensem nesta sugestão e deixem-se dessa mariquice de se sentirem enganados quando pagam dinheiro para ver um jogo de futebol ou uma transmissão codificada.
Tempestade em Copo de Gin
O Gordon sempre chega ao arquipélago. Atrasado e diminuído. Ironicamente, este furacão tem nome de gin, tónica dominante do Peter’s. Não conheço o bar nem nenhuma das ilhas de qualquer grupo. Conheço-lhe o Gin Tónico. Peter’s. Mais uma vez o Trovante e o último disco ainda por digerir, as minhas próprias tempestades
“Há quem tema por nós assim
Quando os barcos partem por fim
Há quem tenha os braços fechados
Com beijo jurado
Eu voltarei pra ti”
O Gordon vai chegar discreto ao continente, quase brisa. Nunca vou entender o meu fascínio por tempestades de chuvas e ventos. Mas gosto de as ver passar. Talvez aqueles dois dias sem escola quando os ventos desalinharam a cidade, e o mar despenteou Cascais, fazendo-a perder a compostura. Uma vila costeira no atlântico não deve andar sempre de saltos altos.
“Há quem tema por nós assim
Quando os barcos partem por fim
Há quem tenha os braços fechados
Com beijo jurado
Eu voltarei pra ti”
O Gordon vai chegar discreto ao continente, quase brisa. Nunca vou entender o meu fascínio por tempestades de chuvas e ventos. Mas gosto de as ver passar. Talvez aqueles dois dias sem escola quando os ventos desalinharam a cidade, e o mar despenteou Cascais, fazendo-a perder a compostura. Uma vila costeira no atlântico não deve andar sempre de saltos altos.
segunda-feira, setembro 18, 2006
Agulha no Palheiro
Hoje, pela hora de almoço, recebi um telefonema de um amigo que me relatou que no programa da manhã da SIC, a Caixa de Costura tinha sido mencionada, por motivos pouco abonatórios, a propósito deste post sobre a mãe do rock português.
É preciso ter azar. Eu escrevo rores de artigos sobre coisa nenhuma, e a Caixa de Costura lá muito sossegada no seu cantinho. Cada vez que aproximo da fronteira do razoável, sou logo descoberto.
Nããããã. Se calhar era o meu amigo a entrar comigo e no programa da Fátima Lopes não falaram sobre este Caixote do Lixo.
Pelo sim pelo não, cabe aqui dizer que chamei poeta zarolho ao José Cid com o mesmo carinho com que chamo pequenas bestas aos meus filhos a quem tanto amo (Marias, se alguma vez lerem isto, o pai depois explica a história das pequenas bestas).
É preciso ter azar. Eu escrevo rores de artigos sobre coisa nenhuma, e a Caixa de Costura lá muito sossegada no seu cantinho. Cada vez que aproximo da fronteira do razoável, sou logo descoberto.
Nããããã. Se calhar era o meu amigo a entrar comigo e no programa da Fátima Lopes não falaram sobre este Caixote do Lixo.
Pelo sim pelo não, cabe aqui dizer que chamei poeta zarolho ao José Cid com o mesmo carinho com que chamo pequenas bestas aos meus filhos a quem tanto amo (Marias, se alguma vez lerem isto, o pai depois explica a história das pequenas bestas).
sexta-feira, setembro 15, 2006
Obrigados
A inteligência emocional anda na moda, a ponto da revista Sábado juntar à sua edição semanal sete livros dedicados ao tema. Um dos sinais externos de inteligência emocional é a auto estima, e neste ponto cabe-me aqui expressar admiração e homenagear três classes, que batem qualquer uma das outras aos pontos. A classe política, a classe arbitral e a classe dos colaboradores da TV Cabo. Se houvesse um Nobel da auto estima, os indivíduos destas classes batiam qualquer concorrente com larga vantagem.
Esta gente vê o seu nome constantemente a ser arrastado na lama, são diária e publicamente enxovalhados, as mães deles são insultadas dezenas, centenas, milhares de vezes por dia, e isso não os impede de todos dias se levantarem cheios de energias para enfrentar mais uma jornada. Sabem que vão durante as várias horas que se seguem vão poder ler e ouvir palavras nada amigáveis, dirigidas a si e à classe que representam. Esta gente enfrenta a vida de peito feito e chega a casa com a sensação do dever e da missão cumprida. Estas mulheres e estes homens são heróis da nação e da auto estima. Qualquer variação nos elevados níveis de auto estima os faria saltar da ponte abaixo, mas eles insistem a fazer orelhas moucas ao insulto gratuito, e transformam cada adversidade numa verdadeira oportunidade.
É por tudo isto que os nossos políticos ocupam os mais distintos cargos na cena internacional, que os nossos árbitros estão em todas as competições internacionais até à final e que a TV Cabo é um exemplo para qualquer prestadora de serviços no mundo. É por isto que se a Maria Gracinda da Assistência a Clientes fosse presidente da Câmara de Felgueiras, se o Bruno Paixão fosse atender clientes de humor alterado e se a Fátima Felgueiras fosse arbitrar derbys, ninguém ia dar muito pela diferença.
Uma última palavra para a coragem dos colaboradores da TV Cabo, ao contrário dos outros dois, esta gente, quando se desloca em viaturas oficiais, fá-lo sempre em viaturas devidamente identificadas com o nome TV-Cabo visível a mais de 100 metros. Auto estima e coragem. Proponho que no próximo 10 de Junho, esta rapaziada seja condecorada com a Grã Cruz da Ordem de Cristo.
Esta gente vê o seu nome constantemente a ser arrastado na lama, são diária e publicamente enxovalhados, as mães deles são insultadas dezenas, centenas, milhares de vezes por dia, e isso não os impede de todos dias se levantarem cheios de energias para enfrentar mais uma jornada. Sabem que vão durante as várias horas que se seguem vão poder ler e ouvir palavras nada amigáveis, dirigidas a si e à classe que representam. Esta gente enfrenta a vida de peito feito e chega a casa com a sensação do dever e da missão cumprida. Estas mulheres e estes homens são heróis da nação e da auto estima. Qualquer variação nos elevados níveis de auto estima os faria saltar da ponte abaixo, mas eles insistem a fazer orelhas moucas ao insulto gratuito, e transformam cada adversidade numa verdadeira oportunidade.
É por tudo isto que os nossos políticos ocupam os mais distintos cargos na cena internacional, que os nossos árbitros estão em todas as competições internacionais até à final e que a TV Cabo é um exemplo para qualquer prestadora de serviços no mundo. É por isto que se a Maria Gracinda da Assistência a Clientes fosse presidente da Câmara de Felgueiras, se o Bruno Paixão fosse atender clientes de humor alterado e se a Fátima Felgueiras fosse arbitrar derbys, ninguém ia dar muito pela diferença.
Uma última palavra para a coragem dos colaboradores da TV Cabo, ao contrário dos outros dois, esta gente, quando se desloca em viaturas oficiais, fá-lo sempre em viaturas devidamente identificadas com o nome TV-Cabo visível a mais de 100 metros. Auto estima e coragem. Proponho que no próximo 10 de Junho, esta rapaziada seja condecorada com a Grã Cruz da Ordem de Cristo.
quinta-feira, setembro 14, 2006
Parabéns
Atrasados a este blog, que perfez 3 primaveras.
Como o seu autor, também este blog é virgem.
Como o seu autor, também este blog é virgem.
quarta-feira, setembro 13, 2006
SMS
Não te tenho em grande conta Aníbal, mas, a ser da tua autoria, ainda mais genial se torna a frase “(...) a segurança é a torre gémea da liberdade.” A frase faz parte da mensagem enviada para o Bush, no passado 11 de Setembro.
Duvido que o inteligente do lado de lá consiga percebê-la.
“Security is the twin tower of liberty ???? This Portuguese must be crazy. The twin tower was the other tower, right? … let me see … the liberty is a state in the small island. One must catch the ferry to get there. This guy is nuts. Let me see his name. Hannibal? Somehow this name remembers me something … Hannibal … Hannibal”
Duvido que o inteligente do lado de lá consiga percebê-la.
“Security is the twin tower of liberty ???? This Portuguese must be crazy. The twin tower was the other tower, right? … let me see … the liberty is a state in the small island. One must catch the ferry to get there. This guy is nuts. Let me see his name. Hannibal? Somehow this name remembers me something … Hannibal … Hannibal”
terça-feira, setembro 12, 2006
Onze do nove
Passados cinco anos, as mesmas imagens a forçar entrada, sala dentro. Desfazem-me o conforto do sofá. Parem com isso. Dão-me sempre que pensar as imagens. No desespero das pessoas, no medo, e naquela mescla de tanta gente que, num repente, se une na cicatrizarão da gigante ferida. De Nova Iorque sempre pensei “Qualquer que seja a pessoa que se imagine, por estranha, peculiar ou maravilhosa que seja, consegue-se encontrar nesta cidade”. Foi isso que me impressionou. O mundo inteiro, numa só ilha. Uma espécie da Terra do Nunca.
Sempre a mesma história na minha cabeça quando penso no 11 de Setembro. A das crianças que ao fim da tarde, não tinham nenhum dos pais para as ir buscar à creche ou ao infantário.
O discurso do presidente faz-me olhar para a outra América. A América de Bush e da sua Administração. A polícia arrogante, autoritária e provinciana do mundo, esse enorme Texas. A América da hipocrisia moral. A América incapaz de olhar o próprio umbigo de ver os próprios pés. De tão obesa, de tão imóvel, tão cheia de escaras. O mundo seria um lugar tão melhor se a gorda decadência invertesse o foco para dentro com a mesma energia com que o faz para fora.
Sempre a mesma história na minha cabeça quando penso no 11 de Setembro. A das crianças que ao fim da tarde, não tinham nenhum dos pais para as ir buscar à creche ou ao infantário.
O discurso do presidente faz-me olhar para a outra América. A América de Bush e da sua Administração. A polícia arrogante, autoritária e provinciana do mundo, esse enorme Texas. A América da hipocrisia moral. A América incapaz de olhar o próprio umbigo de ver os próprios pés. De tão obesa, de tão imóvel, tão cheia de escaras. O mundo seria um lugar tão melhor se a gorda decadência invertesse o foco para dentro com a mesma energia com que o faz para fora.
sexta-feira, setembro 08, 2006
Hoje
Tu és, divina e graciosa
Estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada
E formada com ardor
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor
Se Deus me fora tão clemente
Aqui nesse ambiente de luz
Formada numa tela deslumbrante e bela
Teu coração junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado sobre a rósea cruz
Do arfante peito seu
Tu és a forma ideal
Estátua magistral oh alma perenal
Do meu primeiro amor, sublime amor
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração sepultas um amor
O riso, a fé, a dor
Em sândalos olentes cheios de sabor
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor
És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo resplendor da santa natureza
Perdão, se ouso confessar-te
Eu hei de sempre amar-te
Oh flor meu peito não resiste
Oh meu Deus o quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar em esperar
Em conduzir-te um dia
Ao pé do altar
Jurar, aos pés do onipotente
Em preces comoventes de dor
E receber a unção da tua gratidão
Depois de remir meus desejos
Em nuvens de beijos
Hei de envolver-te até meu padecer
De todo fenecer.
MÚSICA: Rosa
AUTOR: Pixinguinha
quarta-feira, setembro 06, 2006
Gosto de rimas, pois gosto
O futebol luso na Europa do Norte, o Filipão não acredita na sorte, aqui reina a confusão do sobe e desce de divisão, chamem a Fifa para conferir o peso da mão, o calor de quarenta graus está de partida, o Freddy faria 60 não fora a SIDA, os voos secretos da CIA, fazem estragos na aparente acalmia, da política nacional, Guantanamo no destino, a vergonha ocidental. Finalmente nasce menino, imperador no sol nascente, a Marisa Monte voltou, vou tê-la mesmo à frente, a cantar (quase e só) para mim. Fim.
terça-feira, setembro 05, 2006
Pontos de Vista
- Vamos embora
- Vamos. Vou trocar de fato de banho. Passa-me aí essa toalha.
- Estamos numa praia em que metade das pessoas são nudistas, não te vais pôr a trocar de fato de banho com toalhinha, pois não ?
Viro-me de costas para o grupo tiro o fato de banho e quando me inclino para apanhar o outro
- ENAAAA PÁÁÁÁÁÁÁÁÁ. O PAI TEM PÊLOS NO RABO
- Vamos. Vou trocar de fato de banho. Passa-me aí essa toalha.
- Estamos numa praia em que metade das pessoas são nudistas, não te vais pôr a trocar de fato de banho com toalhinha, pois não ?
Viro-me de costas para o grupo tiro o fato de banho e quando me inclino para apanhar o outro
- ENAAAA PÁÁÁÁÁÁÁÁÁ. O PAI TEM PÊLOS NO RABO
segunda-feira, setembro 04, 2006
O Império Contra Ataca

O café Império reabriu fez sexta-feira uma semana. Aparentemente, a pretensão da IURD de transformar a sala em mais um local de culto, não foi avante e eis que reabriu sob nova gerência. Parece que muitas vozes se levantaram para impedir a queda do Império, e que o resultado de tudo isso foi uma renovação do espaço, com alguns conceitos interessantes. Manteve-se algum pessoal da mesa e da cozinha, pelo que o bife à Império também. Juntaram-se mais empregados, renovou-se
cozinha e balcão, criou-se um espaço para Café_Bar_Concerto e outro para crianças. Os empregados, desacostumados de tanta gente, viam-se aflitos para dar conta do recado e comentavam entre si “Há quanto tempo, isto não tinha tanta gente”.
O espaço pareceu-me engraçado, mas desconfio que não pega, e não há-de tardar até retomar a agitação de há um ano atrás: mortiço excepto no almoço de Domingo (talvez me engane). O bife, confirmei-o, continua a ser o melhor de Lisboa.
Mais uma coisa. Se levar filhos pequenos, evite lugares junto à varanda para o piso inferior. Se não conseguir evitar os lugares, evite garrafas de água nas mãos dos seus filhos. Se não conseguir evitar a garrafa, evite que ela esteja cheia. Se não conseguir, evite que ele a poise no corrimão da varanda. Se mesmo assim não conseguir evitar tudo isto evite que ela caia em cima da senhora que está sequinha a almoçar tranquilamente lá em baixo. Eu só evitei a parte do “cair em cima” , substituindo-a por “explodir aos pés”.
É inacreditável a quantidade de adrenalina que as pessoas de idade ainda conseguem produzir.
Na foto do novo Império, a amarelo, está marcada a trajectória da garrafa.
quarta-feira, agosto 30, 2006
"As memórias

... são os sorrisos que queremos rever. Devagar"
Em casa dos meus pais existe um album, feito e oferecido pela minha mãe ao meu pai. Conta a história deles, que curiosamente é também a minha história e a da minha irmã. Já na segunda metade dessa história vem a página do meu 5º aniversário. A foto foi tirada há 34 anos.
terça-feira, agosto 29, 2006
Momentos II
Um fecho de férias, já a braços com uma semana de trabalho, como que a guardar o ultimo trago no fundo do copo para saborear depois. E foi um despertar de sentidos que me trouxe o vale, em sons, em cheiros, em tons e cadências certas para silêncios. A longa varanda, camarote central sobre mar de cores, faz-se às conversas de entardecer, e estende-se pela noite em risadas e brindes a outras tantas. O último cigarro já só as rãs e os grilos, entre estrelas de brilho descarado e luzes a ziguezaguear encostas. Soubesse eu escrever nas cinco linhas, fazia como o Pedro, que compôs sobre aquele Douro, saboreado a partir da mesma varanda.
segunda-feira, agosto 28, 2006
Contas parvas
Não serve para nada, saber isto. Ainda mais porque leitores desta Caixa são algumas dezenas, mas se cada visita ocupasse um lugar no estádio da Luz, estávamos perante lotação esgotada.
sexta-feira, agosto 25, 2006
quarta-feira, agosto 23, 2006
Casa não casa
Ás tantas, as conversas de almoço, chegam a atingir dimensões gigantescas:
“Casar é contra-natura. O instinto animal leva-nos para caminhos diferentes do compromisso e da monogamia. Resistir a esses instintos é uma luta desgastante e é capaz de transformar a vida de qualquer um num inferno.”
“O instinto animal também nos leva a cagar e a mijar quando se tem vontade. Não obstante, conseguimos esse feito heróico de esperar até ao próximo encontro com uma casa de banho. No fundo se seguíssemos todos os nossos instintos animais o mundo era uma imensa casa de banho. Do ponto de vista do instinto animal, a opção de não casar é semelhante à de usar fraldas Lindor para adultos incontinentes.”
Este texto é um excerto da conversa de almoço, que foi, obviamente, bastante animado.
“Casar é contra-natura. O instinto animal leva-nos para caminhos diferentes do compromisso e da monogamia. Resistir a esses instintos é uma luta desgastante e é capaz de transformar a vida de qualquer um num inferno.”
“O instinto animal também nos leva a cagar e a mijar quando se tem vontade. Não obstante, conseguimos esse feito heróico de esperar até ao próximo encontro com uma casa de banho. No fundo se seguíssemos todos os nossos instintos animais o mundo era uma imensa casa de banho. Do ponto de vista do instinto animal, a opção de não casar é semelhante à de usar fraldas Lindor para adultos incontinentes.”
Este texto é um excerto da conversa de almoço, que foi, obviamente, bastante animado.
segunda-feira, agosto 21, 2006
Filarmónica
Já a noite se fazia ao céu, nuvens em contraluz, quando cheguei a São Martinho. O entusiasmo deles, para lá do meu regresso, vinha do concerto da filarmónica Gil, ali mesmo encostado ao areal e às embarcações. Jantámos as empadas feitas durante a tarde a várias mãos, adormecemos o António que ficou com o avô (ainda não tem estatuto para estas aventuras) e descemos desde o cruzeiro até ao Cais, já o som nos dizia que perdemos o início.
Depois foram três quartos de hora de novas emoções. Os acordes, o entusiasmo, as luzes, a dança, uma ou outra canção reconhecida. O João Às vezes atentos ao cenário montado, outras vezes dispersos nas brincadeiras entre os barcos. Palmas, sempre palmas.
O homem da Filamórnica – “Não vale a pena dizer certas coisas em campanhas politicamente correctas. A droga é mesmo uma merda. É uma merda.”
Risos do João e do Manel Maria
- Paiiiiiiiiiii. Ele disse merda. Disse que eu ouvi.
- Eu também ouvi. Disse meda.
- Disse porque está a falar de uma coisa tão má e tão feia, que nesses casos e só nesses casos, os adultos podem dizê-lo.
O concerto assim seguiu e fluiu. Deve ser difícil gerir a relação com um público acidental. O regresso ao palco para só mais uma e em jeito de brincadeira o “Postal”.
Roubei o alinhamento aqui nos desabafos do vizinho Gil. Não leves a mal pá.
Depois foram três quartos de hora de novas emoções. Os acordes, o entusiasmo, as luzes, a dança, uma ou outra canção reconhecida. O João Às vezes atentos ao cenário montado, outras vezes dispersos nas brincadeiras entre os barcos. Palmas, sempre palmas.
O homem da Filamórnica – “Não vale a pena dizer certas coisas em campanhas politicamente correctas. A droga é mesmo uma merda. É uma merda.”
Risos do João e do Manel Maria
- Paiiiiiiiiiii. Ele disse merda. Disse que eu ouvi.
- Eu também ouvi. Disse meda.
- Disse porque está a falar de uma coisa tão má e tão feia, que nesses casos e só nesses casos, os adultos podem dizê-lo.
O concerto assim seguiu e fluiu. Deve ser difícil gerir a relação com um público acidental. O regresso ao palco para só mais uma e em jeito de brincadeira o “Postal”.
Roubei o alinhamento aqui nos desabafos do vizinho Gil. Não leves a mal pá.
quinta-feira, agosto 17, 2006
Verão Quente
A restante família Real continua de férias. Pobre Rainha às voltas com os três príncipes selvagens, e tão preocupada com a sua Bimby, que na passada semana sofreu uma hemorragia de creme de alho francês. Ainda hoje se está para ver se foi um episódio clínico excepcional ou se configura alguma doença crónica. Se a Bimby adoece de vez, acaba a paz do reino.
Desde o internamento da Playstation 2 durante quinze dias numa clínica de Madrid, que a harmonia familiar não se encontra tão ameaçada.
Desde o internamento da Playstation 2 durante quinze dias numa clínica de Madrid, que a harmonia familiar não se encontra tão ameaçada.
quarta-feira, agosto 16, 2006
Regresso
... após três semanas e meia de férias. Algarve e São Martinho do Porto. Muita praia que me deixou bem passado. Trouxe a chuva comigo para o safanão não ser tão violento. A família da Caixa de Costura foi conhecer o Sopro do Coração num jantar na ilha de Faro. A M&M é fantástica e estragou-nos com mimos e com doces da região.
Olho para o outlook. Cruz credo. É inacreditável a quantidade de mails que tenho para ler. Os do Viagra e os das soluções milagrosas para aumentar a pila em não sei quantas polegadas (não sei como é que eles descobriram certas coisas pretensiosamente íntimas sobre mim) já foram para o lixo, os outros requerem uma leitura mais atenta. Faço-me a esta longa estrada.
Olho para o outlook. Cruz credo. É inacreditável a quantidade de mails que tenho para ler. Os do Viagra e os das soluções milagrosas para aumentar a pila em não sei quantas polegadas (não sei como é que eles descobriram certas coisas pretensiosamente íntimas sobre mim) já foram para o lixo, os outros requerem uma leitura mais atenta. Faço-me a esta longa estrada.
quinta-feira, julho 20, 2006
Troca de Identidade
Manel - Pai. Eu quero trocar o meu nome.
Eu – Trocar de nome Manel ?
Manel – Sim. Eu quero trocar de nome.
Eu – Não pode ser. Manel. Não se pode trocar de nome assim só porque se quer.
Manel – É o Jesus que não deixa ?
Eu – Não Manel, não é o Jesus. É um juiz que só deixa trocar de nome se for mesmo muito importante.
Manel – Mas é que é mesmo muito importante.
Eu - Mas é mesmo muito importante porquê Manel?
Manel – Quero chamar-me Ronaldinho ... Ronaldinho Maria.
Eu – Trocar de nome Manel ?
Manel – Sim. Eu quero trocar de nome.
Eu – Não pode ser. Manel. Não se pode trocar de nome assim só porque se quer.
Manel – É o Jesus que não deixa ?
Eu – Não Manel, não é o Jesus. É um juiz que só deixa trocar de nome se for mesmo muito importante.
Manel – Mas é que é mesmo muito importante.
Eu - Mas é mesmo muito importante porquê Manel?
Manel – Quero chamar-me Ronaldinho ... Ronaldinho Maria.
terça-feira, julho 18, 2006
Vidas
A seguir a Camões, José Cid é o poeta zarolho mais conhecido deste país. Este homem não salvou os Lusíadas, mas salvou-nos a todos de uma infância e juventude a ouvir António Calvário e Madalena Iglésias. Este homem é um herói. Para quem não acredita em jornalismo sério, a TVI ontem entrevistou-o, e o resultado foi o melhor momento televisivo do ano.
Para quem já sabia que o Rui Veloso é pai do Rock Português, ficou a saber que o Camões do século XXI é a mãe. Não consegui nenhuma imagem do momento da concepção (ainda bem porque não prometia ser nada bonito), mas temos imagens, gentilmente cedidas pela Funda São (desde já aviso que os conteúdos deste blog podem ferir os leitores mais impressionáveis), do momento logo a seguir ao parto. Uma imagem ternurenta com o recém nascido rock português em cima do (baixo) ventre de sua mãe, ocultando-lhe as vergonhas.
Para quem já sabia que o Rui Veloso é pai do Rock Português, ficou a saber que o Camões do século XXI é a mãe. Não consegui nenhuma imagem do momento da concepção (ainda bem porque não prometia ser nada bonito), mas temos imagens, gentilmente cedidas pela Funda São (desde já aviso que os conteúdos deste blog podem ferir os leitores mais impressionáveis), do momento logo a seguir ao parto. Uma imagem ternurenta com o recém nascido rock português em cima do (baixo) ventre de sua mãe, ocultando-lhe as vergonhas.
segunda-feira, julho 17, 2006
Devotos
Quem sai do meu prédio, se virar à direita e andar uns cinquenta metros, depara-se com as IURD (ex cinema Império) frequentada maioritariamente por brasileiros e africanos, se virar à esquerda e andar uns cinquenta metros, depara-se com uma igreja ortodoxa frequentada por maioritariamente por emigrantes de leste. Esta última, tem mais ar de igreja que a primeira, e fica em frente às paragens de autocarro.
Foi na paragem de autocarro, que encontramos a vizinha e que nos detivemos uns minutos à conversa. O António ao nosso colo, o João Maria e o Manel com alguma soltura de rédea. Resolveram entrar na igreja e ficaram-se pelos primeiros metros do templo ainda ao alcance da vista, de quem conversa junto à paragem. A conversa distrai-me dos Marias mais velhos. Retomo-lhes a atenção porque já os ouço a discutir quase a roçar a agressão física. Discutem alegremente os rituais religiosos. “Primeiro tens que te benzer” Grita o João “Fazes assim. E lá ensina o Manel a benzer-se”. O Manel está ajoelhado já de mãos unidas, à entrada da Igreja e respondia-lhe “Não é preciso nada disso. É assim que se reza.” O João insistia que ele é que sabia porque ele é que ia à catequese. Interrompi a discussão e levei-os dali para fora antes que as posições se extremassem. Ainda tentei dizer-lhes que a forma não era muito importante e que mais importante para o Jesus era eles não discutirem tanto e serem amigos. O Jesus é um personagem estranho para eles, porque além de ser o rapaz que teve aquele azar da cruz, também é o homem da muleta que arruma carros lá na rua e que de manhã está sóbrio, mas à tarde nem por isso. Depois, o João insiste que a catequista Gina, lhe diz que a forma é importante e que se deve benzer. Eu nem sabia que era permitido às catequistas chamarem-se Gina, e não confio muito naquela mulher de óculos. As catequistas deviam chamar-se Marta, Maria, Maria de Fátima, na pior das hipóteses Madalena. Gina não. Gina é o nome da histórica revista, totalmente impressa a cores, que durante décadas, antes dos canais da TV Cabo, da Internet, e dos festivais eróticos, manteve acesa a chama da pornografia em Portugal.
Para o ano ou a mulher muda de nome, ou a paróquia muda de catequista ou o João muda de paróquia. Amen.
Foi na paragem de autocarro, que encontramos a vizinha e que nos detivemos uns minutos à conversa. O António ao nosso colo, o João Maria e o Manel com alguma soltura de rédea. Resolveram entrar na igreja e ficaram-se pelos primeiros metros do templo ainda ao alcance da vista, de quem conversa junto à paragem. A conversa distrai-me dos Marias mais velhos. Retomo-lhes a atenção porque já os ouço a discutir quase a roçar a agressão física. Discutem alegremente os rituais religiosos. “Primeiro tens que te benzer” Grita o João “Fazes assim. E lá ensina o Manel a benzer-se”. O Manel está ajoelhado já de mãos unidas, à entrada da Igreja e respondia-lhe “Não é preciso nada disso. É assim que se reza.” O João insistia que ele é que sabia porque ele é que ia à catequese. Interrompi a discussão e levei-os dali para fora antes que as posições se extremassem. Ainda tentei dizer-lhes que a forma não era muito importante e que mais importante para o Jesus era eles não discutirem tanto e serem amigos. O Jesus é um personagem estranho para eles, porque além de ser o rapaz que teve aquele azar da cruz, também é o homem da muleta que arruma carros lá na rua e que de manhã está sóbrio, mas à tarde nem por isso. Depois, o João insiste que a catequista Gina, lhe diz que a forma é importante e que se deve benzer. Eu nem sabia que era permitido às catequistas chamarem-se Gina, e não confio muito naquela mulher de óculos. As catequistas deviam chamar-se Marta, Maria, Maria de Fátima, na pior das hipóteses Madalena. Gina não. Gina é o nome da histórica revista, totalmente impressa a cores, que durante décadas, antes dos canais da TV Cabo, da Internet, e dos festivais eróticos, manteve acesa a chama da pornografia em Portugal.
Para o ano ou a mulher muda de nome, ou a paróquia muda de catequista ou o João muda de paróquia. Amen.
sexta-feira, julho 14, 2006
Eu googlo, tu googlas, ele googla ...
Ainda me surpreendo quando descubro que algumas das visitas da caixa de costura, o fazem após googlar coisas estranhas. Na mais recente investigação descubro duas pesquisas que as enviaram para aqui
“Fotos de mulheres a fazer chichi”
“Pôr-se sócio do Noddy”
Tenho dificuldades em descobrir qual a mais estranha, mas opto pela segunda. O Noddy é um personagem de ficção, da mesma autora dos cinco, dos sete, do colégio das quatro torres e das gémeas. O Noddy é um taxista, uma espécie de Zé Manel, mas menos perspicaz. Nunca vi o Noddy cobrar dinheiro pelo transporte dos passageiros pelo que a ideia de ser sócio de um boneco, ainda é mais triste, pelo facto deste não apresentar rendimentos decorrentes da sua actividade.
Quanto às fotos das mulheres a fazer chichi tenho algumas reservas. Experimente googlar com “fotos de mulheres a fazer xixi”, pode ser que tenha mais sorte na pesquisa. Informo-o que as mulheres urinam sentadas (a menos que tenham adquirido o magnífico funil à venda na D-mail que lhes permite fazer xixi como os homens: de pé e com as mãos ocupadas) e que uma pesquisa por “mulheres sentadas” lhe devolverá resultados com o mesmo tipo de conteúdos. Entretanto, aproveite e pesquise “Psicanalista” juntamente com o nome da região onde vive, pode ser que encontre a ajuda que ouso sugerir que necessita.
“Fotos de mulheres a fazer chichi”
“Pôr-se sócio do Noddy”
Tenho dificuldades em descobrir qual a mais estranha, mas opto pela segunda. O Noddy é um personagem de ficção, da mesma autora dos cinco, dos sete, do colégio das quatro torres e das gémeas. O Noddy é um taxista, uma espécie de Zé Manel, mas menos perspicaz. Nunca vi o Noddy cobrar dinheiro pelo transporte dos passageiros pelo que a ideia de ser sócio de um boneco, ainda é mais triste, pelo facto deste não apresentar rendimentos decorrentes da sua actividade.
Quanto às fotos das mulheres a fazer chichi tenho algumas reservas. Experimente googlar com “fotos de mulheres a fazer xixi”, pode ser que tenha mais sorte na pesquisa. Informo-o que as mulheres urinam sentadas (a menos que tenham adquirido o magnífico funil à venda na D-mail que lhes permite fazer xixi como os homens: de pé e com as mãos ocupadas) e que uma pesquisa por “mulheres sentadas” lhe devolverá resultados com o mesmo tipo de conteúdos. Entretanto, aproveite e pesquise “Psicanalista” juntamente com o nome da região onde vive, pode ser que encontre a ajuda que ouso sugerir que necessita.
quinta-feira, julho 13, 2006
Coupling
Já aqui falei desta série que apanho ao acaso no "People and Art's". O site da série contém frases dos personagens. A partilhar:

"Jane’s breasts scare me. They’re like Mickey Mouse’s ears. Whichever way she turns, they’re still facing you."

"You’ve never understood about bottoms, Jane. Having a bottom is like living with the enemy. Not only do they spend their lives slowly inflating, they flirt with men while we’re looking the other way."

"He works in pizza delivery, which just answers all your prayers, doesn’t it? Man, motorbike, has own food!"

"If I don’t like a woman, if there’s no chemistry, if I’m not attracted to her, then I don’t lead her on, I just get out of there... every time, before she even wakes up."

"We are men. We are different. We have only one word for soap. We do not own candles. We have never seen anything of any value in a craft shop. We do not own magazines full of photographs of celebrities with their clothes on."

"I need breasts with brains. I don’t mean individual brains, obviously... I mean, not a brain each. You know, I like intelligent women, but you’ve got to draw the line somewhere... I think breast brains would be over-egging the woman pudding."
"Jane’s breasts scare me. They’re like Mickey Mouse’s ears. Whichever way she turns, they’re still facing you."
"You’ve never understood about bottoms, Jane. Having a bottom is like living with the enemy. Not only do they spend their lives slowly inflating, they flirt with men while we’re looking the other way."
"He works in pizza delivery, which just answers all your prayers, doesn’t it? Man, motorbike, has own food!"
"If I don’t like a woman, if there’s no chemistry, if I’m not attracted to her, then I don’t lead her on, I just get out of there... every time, before she even wakes up."
"We are men. We are different. We have only one word for soap. We do not own candles. We have never seen anything of any value in a craft shop. We do not own magazines full of photographs of celebrities with their clothes on."
"I need breasts with brains. I don’t mean individual brains, obviously... I mean, not a brain each. You know, I like intelligent women, but you’ve got to draw the line somewhere... I think breast brains would be over-egging the woman pudding."
Sem palavras
Foi como o homem ficou depois da cabeçada do careca ao italiano. Esteve a ver a final do campeonato do mundo com o filho e explicou-lhe que aquele jogador genial se ia retirar. O rapaz não percebia bem porquê. Ele falou-lhe no mérito de saber escolher a hora de saída, encontrar a derivada nula na linha da carreira para evitar o desconforto do declínio, marcar retinas com grandes exibições, tornar-se um modelo, um ícone, como Maradona, Platini, Eusébio, Pélé. Admirados e respeitados por milhões. Valorizar a imagem construída durante mais do que uma década. Nem de propósito, dez minutos depois, o careca é expulso por agressão. O pai atrapalhado olhou para o filho que resolveu nem dizer nada. Naquela idade, os filhos não confessam que já passaram a fase d' "o meu pai sabe tudo sobre todas as coisas".

Nota: Obrigado ao Pedro pelo envio da imagem que é fabulosa.

Nota: Obrigado ao Pedro pelo envio da imagem que é fabulosa.
sexta-feira, julho 07, 2006
Milagre
Ontem foi retirada uma chucha espanhola do mercado porque os furos da coroa não tinham todos o mesmo diâmetro e porque a corrente se podia partir. Num só produto risco de asfixia e de estrangulamento.
Congratulo-me pela maioria de nós ter sobrevivido quase intacta à infância em situações extremas. Recordo que os nossos pais não usufruíram do precioso auxilio das entidades que zelam pela segurança dos mais novos.
Nós sobrevivemos por milagre. Se aqui estamos à volta de um blog foi por intervenção divina Dele (que ainda me há-de explicar aquele penalty contra Portugal). As tampas das nossa canetas nunca tiveram furos, o plástico, a tinta das paredes dos quartos e dos móveis eram tóxicos, crescemos em casa cheias de alcatifas (algumas tinham 5 cms de altura), não tívemos aparelhos de aerossóis, as nossa fraldas foram de pano e fechavam-se com alfinetes de dama, andámos de carro sem cadeiras, sem cintos e não havia cá monovolumes (se um casal tinha 5 filhos iam os 5 enfiados no banco de trás), no carnaval tivemos acesso a bombas de pequeno e médio porte, as carrinhas das escolas não estavam preparadas para nos transportar, não tivemos joelheiras, cotoveleiras, e capacetes para andar de bicicleta e de patins, nascemos em maternidades que nunca estariam abertas à luz dos actuais padrões, a maioria dos produtos que ingeríamos não tinha prazo de validade, muitos de nós chegaram a provar o UHU, os nossos filetes sempre foram fritos em óleo e chegavam a ter espinhas (nada de douradinhos da Iglo confeccionados no forno), tívemos que tomar Óleo de Fígado de Bacalhau, as seringas e as agulhas com que fomos vacinados eram reutilizáveis e as alergias, a existir, eram à penicilina.
Parabéns, somos uma geração de sobreviventes. Termino com um apelo encarecido às autoridades:
Por favor, obriguem a UHU a colocar o prazo de validade na embalagem. Se algum desses pequenos mais afoitos, quiser provar cola tudo, ao menos que o faça com material dentro do prazo.
Congratulo-me pela maioria de nós ter sobrevivido quase intacta à infância em situações extremas. Recordo que os nossos pais não usufruíram do precioso auxilio das entidades que zelam pela segurança dos mais novos.
Nós sobrevivemos por milagre. Se aqui estamos à volta de um blog foi por intervenção divina Dele (que ainda me há-de explicar aquele penalty contra Portugal). As tampas das nossa canetas nunca tiveram furos, o plástico, a tinta das paredes dos quartos e dos móveis eram tóxicos, crescemos em casa cheias de alcatifas (algumas tinham 5 cms de altura), não tívemos aparelhos de aerossóis, as nossa fraldas foram de pano e fechavam-se com alfinetes de dama, andámos de carro sem cadeiras, sem cintos e não havia cá monovolumes (se um casal tinha 5 filhos iam os 5 enfiados no banco de trás), no carnaval tivemos acesso a bombas de pequeno e médio porte, as carrinhas das escolas não estavam preparadas para nos transportar, não tivemos joelheiras, cotoveleiras, e capacetes para andar de bicicleta e de patins, nascemos em maternidades que nunca estariam abertas à luz dos actuais padrões, a maioria dos produtos que ingeríamos não tinha prazo de validade, muitos de nós chegaram a provar o UHU, os nossos filetes sempre foram fritos em óleo e chegavam a ter espinhas (nada de douradinhos da Iglo confeccionados no forno), tívemos que tomar Óleo de Fígado de Bacalhau, as seringas e as agulhas com que fomos vacinados eram reutilizáveis e as alergias, a existir, eram à penicilina.
Parabéns, somos uma geração de sobreviventes. Termino com um apelo encarecido às autoridades:
Por favor, obriguem a UHU a colocar o prazo de validade na embalagem. Se algum desses pequenos mais afoitos, quiser provar cola tudo, ao menos que o faça com material dentro do prazo.
quinta-feira, julho 06, 2006
Paris
terça-feira, julho 04, 2006
Meias Finais
João – Quem é que ainda está no campeonato ?
Eu – A França, Portugal, a Alemanha e a Itália.
Manel – A Alemanhia joga com Portugal ?
Eu – Ainda não se sabe.
Manel – Eu gosto desse nome. Agora sou da Alemanhia.
João – E se a Alemanha jogar com Portugal ?
Manel – Sou de quem ganhar.
Eu – A França, Portugal, a Alemanha e a Itália.
Manel – A Alemanhia joga com Portugal ?
Eu – Ainda não se sabe.
Manel – Eu gosto desse nome. Agora sou da Alemanhia.
João – E se a Alemanha jogar com Portugal ?
Manel – Sou de quem ganhar.
segunda-feira, julho 03, 2006
domingo, julho 02, 2006
Fora de Jogo
À medida que Portugal avança no campeonato do Mundo, cresce o entusiasmo à volta da equipa das quinas. Em casa, já somos cinco a torcer com igual entusiasmo. Os tempos de perguntas do estilo “Quais são os nossos ?”, ou “Como é possível ficar assim por causa de um jogo? Afinal de contas é só um jogo.” já lá vai. Desde os oitavos, que todos lá em casa se assemelham em tudo a verdadeiros adeptos do desporto rei. Eu, a Ana e o João Maria adeptos convictos de Portugal. O Manel Maria, que tende a ser insistentemente do contra, já foi adepto do Brasil, do Togo, da Argentina, de Espanha e da Holanda. Aderiu à causa lusa após ameaça de expulsão de casa e de humilhação pública com arremesso de ovos, caso fosse para a janela festejar algum golo Holandês. O António não faz a mínima ideia do que é Portugal, nem qualquer outro país, não sabe distinguir a relva do estádio, da relva do País dos Teletubbies, mas se os irmãos estão ao pé dos pais aos berros para a televisão, não há razão aparente para que ele não esteja.
Ontem, na sequência de um aniversário de uma tia velhota, vimos o jogo entre tios e primos e amigos dos tios. Foi então que cheguei a uma brilhante conclusão: a escolha de parceiros para assistir a um jogo de futebol deve, pelo menos, ser tão cuidadosa como a escolha de parceiros para umas férias, ou a escolha de parceiros sexuais. O resultado pode ser desastroso se não tomarmos todas as precauções. O pontapé de baliza, o pontapé de canto, os cartões amarelos na mesma partida, os cartões amarelos nas partidas anteriores, o árbitro e os fiscais, os lançamentos de linha lateral, o castigo máximo e o fora de jogo. Ai o fora de jogo. O infeliz que inventou o fora de jogo deve ter-se suicidado quando o tentou explicar a algumas pessoas. E ontem, quando estava tudo a correr assim assim, o Hélder Postiga tinha que marcar um golo em fora de jogo para animar ainda mais, o sofrimento do próprio jogo. Hélder obrigadinho, nem tenho palavras. Para quem não queira interferir com a demais assistência aqui vão algumas palavras:
Não guinche quando a equipa adversária estiver prestes a marcar;
Lembre-se : depois do intervalo as equipas trocam de campo;
Para identificar a equipa de Portugal, assista ao hino. Quando tocar a Portuguesa são os que estão no meio da relva a abrir e a fechar a boca;
Não insulte os jogadores da sua equipa. As paredes têm ouvidos, e nessa frequência ainda os têm mais;
Se o jogo lhe causa irritação, tome uns Valiums umas duas horas antes. Vai ver que nem dá pela irritação;
O golo de ouro já não existe pelo que não vale a pena tentar recordar as respectivas regras;
O futebol não é um jogo de azar e de sorte;
As decisões por penaltys, envolvem uma série de cinco grandes penalidades, depois logo se vê. Cada equipa marca um alternadamente e não cinco de enfiada;
Por muito estranho que possa parecer, no prolongamento as equipas voltam a trocar de campo e no intervalo do prolongamento também;
Não, o Baía já não joga pela selecção;
Valha-nos que não acabou mal, porque juro que cheguei a temer o pior.
Ontem, na sequência de um aniversário de uma tia velhota, vimos o jogo entre tios e primos e amigos dos tios. Foi então que cheguei a uma brilhante conclusão: a escolha de parceiros para assistir a um jogo de futebol deve, pelo menos, ser tão cuidadosa como a escolha de parceiros para umas férias, ou a escolha de parceiros sexuais. O resultado pode ser desastroso se não tomarmos todas as precauções. O pontapé de baliza, o pontapé de canto, os cartões amarelos na mesma partida, os cartões amarelos nas partidas anteriores, o árbitro e os fiscais, os lançamentos de linha lateral, o castigo máximo e o fora de jogo. Ai o fora de jogo. O infeliz que inventou o fora de jogo deve ter-se suicidado quando o tentou explicar a algumas pessoas. E ontem, quando estava tudo a correr assim assim, o Hélder Postiga tinha que marcar um golo em fora de jogo para animar ainda mais, o sofrimento do próprio jogo. Hélder obrigadinho, nem tenho palavras. Para quem não queira interferir com a demais assistência aqui vão algumas palavras:
Não guinche quando a equipa adversária estiver prestes a marcar;
Lembre-se : depois do intervalo as equipas trocam de campo;
Para identificar a equipa de Portugal, assista ao hino. Quando tocar a Portuguesa são os que estão no meio da relva a abrir e a fechar a boca;
Não insulte os jogadores da sua equipa. As paredes têm ouvidos, e nessa frequência ainda os têm mais;
Se o jogo lhe causa irritação, tome uns Valiums umas duas horas antes. Vai ver que nem dá pela irritação;
O golo de ouro já não existe pelo que não vale a pena tentar recordar as respectivas regras;
O futebol não é um jogo de azar e de sorte;
As decisões por penaltys, envolvem uma série de cinco grandes penalidades, depois logo se vê. Cada equipa marca um alternadamente e não cinco de enfiada;
Por muito estranho que possa parecer, no prolongamento as equipas voltam a trocar de campo e no intervalo do prolongamento também;
Não, o Baía já não joga pela selecção;
Valha-nos que não acabou mal, porque juro que cheguei a temer o pior.
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