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terça-feira, novembro 18, 2008

Nortada

À conta de umas reuniões e um congresso ou lá o que é nas Berças de Xima, estou a braços com os três selvagens.
É o primeiro que não apareceu no portão da escola à hora combinada, é o primeiro e o segundo no carro a embirrarem por causa do lugar à janela da porcaria do carro, é o terceiro que me adormece num percurso de 10 minutos, é o terceiro andar sem elevador com o estupor do terceiro que deve ter o intestino cheio de chumbo o raio do labrego do miúdo, é o segundo e o terceiro que fizeram um concurso de saltos na banheira e encharcaram a casa de banho, é o primeiro que é enxertado em corno de preguiça que demora duas horas para fazer um TPC que não leva mais que 15 minutos, é o terceiro que no concurso de saltos espetou as costas na torneira da banheira, é o segundo que resolveu secar a pila a secador e que se tivesse pintelhos os tinha queimado todos também era bem feito, é o primeiro que não estuda para o teste e está a babar-se em frente à televisão, é a costureira que resolve aparecer com a baínha das calças que eu rasguei a ir fumar à varanda e que ficaram presas, é os telefonemas de trabalho durante a confecção do jantar, é o segundo que enfia o pijama no prato da sopa, é o primeiro que graças a Deus tem dentes até ao olho do cú e quase não me deixa esparguete, é o terceiro que vai à casa de banho e resolve explodir dentro e fora da sanita, é a corda roupa que não desliza, afinal não é nada, é a camisola que ficou presa e que não a deixou deslizar e parece-me que se rompeu um bocadinho e até aposto que ainda vou ouvir à conta desta, é o primeiro o segundo e o terceiro que ainda é cedo para ir para a cama, é a roupa espalhada ainda por arrumar e a de amanhã que não faço puto ideia onde possa estar repetem a de hoje e quero lá saber.
Ufa, que camada de nervos. Acho que vou menstruar.

quarta-feira, novembro 12, 2008

Olho por olho ....

Sempre que passo nas prateleiras dos pensos higiénicos, lembro-me da minha aventura de há um ano atrás. Continua a acontecer-me. Cada vez que tenho que comprar pensos, lá me deparo eu com aquele exagero de opções e aposto que não há-de tardar muito até existirem uns ecológicos bio-degradáveis feitos com flocos de aveia ou com fibras de barbas de milho super absorventes. A propósito, o Manel no outro dia, perante a ausência de papel no rolo, resolveu limpar-se a um penso que enfiou na sanita. Foi o João que deu por ela, quando foi à casa de banho:
"Paiiiiii. Está um penso higiénico na sanita."
O meu espanto ficou repartido entre o João saber o nome do coiso, o Manel se ter limpo ao coiso, e o facto de ter usado o lado errado do coiso para se limpar.
Adiante. Na segunda feira fui comprar um acessório para a máquina de barbear do meu pai, e deparo-me com uma mulher a olhar para as prateleiras com a mesma cara de parva que eu ponho quando olho para as prateleiras dos pensos. Usar e deitar fora, ou de substituição de lâminas, uma, duas ou três lâminas, com ou sem vibracall, com ou sem faixa lubrificante, cabeça fixa ou adaptável, cabeça rija ou flexível. Fiquei a fingir que procurava um desodorizante, enquanto a mulher varria as prateleiras estupefacta com a variedade de combinações. Nisto, e em quase tudo o resto, são mais práticas que os homens. Pegou no telefone, marcou o número e com a delicadeza das mulheres apaixonadas que fazem tudo pelos seus homens, perguntou "Ouve lá, qual é a porcaria de máquina que queres que eu compre?". Passados dois segundos, tirou a máquina da prateleira e foi À vida dela. Homem nenhum telefonaria a perguntar que pensos é que a mulher quer. Se não quiser arriscar, pega numa caixa de cada e vai embora. Mesmo assim continuo a achar que os pensos são desafios mais difíceis que as máquinas de barbear. É que elas têm uma variante mais arredondada, de cor rosa ou azul bebé para se depilarem, e a única altura em que nós comprámos algo parecido a pensos higiénicos, foi precisamente pensos higiénicos. Na tropa, para reforçar as alças da mochila, ou forrar a parte interior do capacete porque aquilo magoa como um raio. E eram daqueles que pareciam umas fraldas.