segunda-feira, abril 30, 2012

Estreia da bicicleta

O primeiro passeio foi por aqui 
Não tem grande graça mostrar num mapa a volta que se deu, mas queria perceber esta tecnologia por isso resolvi publicar o mapa. Andar de bicicleta fica entre cansativo, chato, divertido e relaxante. A melhor parte é cumprimentar quem se cruza connosco e assustar os peões da ciclovia. A segunda melhor parte é que o capacete esconde a careca, mas agrava a cara de parvo. A terceira melhor parte é perceber que Lisboa é mais pequena do que se imagina e que ir à Feira do Livro, ao estádio da Luz ou à Expo leva pouco mais que uma centena de calorias.

Faça-se luz

A coisa parecia ser simples. Trocar a lâmpada da escada. Tirar o olho-de-boi substituir a lâmpada e voltar a colocar o olho-de-boi. Bem sei que eu tenho o dom de arruinar as mais simples tarefas e transformar a troca de uma lâmpada numa chamada para o piquete da EDP, é um cenário viável quando a tarefa me cabe a mim. Foi neste contexto, que aceitei de bom grado a disponibilidade do meu amigo para executar a tarefa. Afinal de contas, ainda na sexta-feira e porque fui ao mercado das flores do MARL, enchi-lhe a casa de flores o que, segundo ele, elevou para patamares difíceis a fasquia das surpresas florais que ele faz à sua mulher. Estava portanto na hora de ele retribuir o mimo e elevar a fasquia da bricolage, envergonhando-me na substituição de uma lâmpada. E a verdade é que ficou lá perto. Mea culpa que comecei por lhe dar uma lâmpada de dimensões exageradas para o olho de boi, e claro está, quando colocou o olho de boi, estalou o vidro da dita e o baixo consumo transformou-se em consumo nenhum. Nada demais, uma lâmpada partida. Venha outra, agora de dimensões adequadas. Aquilo não é fácil. Envolve estar em cima do escadote, lâmpada numa mão, chave de parafusos na outra, tirar o olho de boi, ainda por cima com o acordo ortográfico ele não sabia se havia de colocar hífens no olho-de-boi, e irritou-se com aquilo de tal maneira que, com estrondo, partiu o olho de boi e por pouco, os cacos não foram parar ao patamar da escada onde está o aquário dos vizinhos com uns 5 discos que valem centenas de euros. Antes assim que ia ser difícil explicar ao vizinho, que aquele novo ornamento em vidro ficava a matar no aquário. Ora sem a questão do acordo ortográfico tudo ficou mais simples. Lá está mesmo por cima da minha porta, um casquilho com uma lâmpada sem essas mariquices de olho de boi. Não fosse a lâmpada ser de 25 w, que a outra mais poderosa partiu-se no processo de troca, e o meu patamar ficava com tanta luz que parecia o estádio da Luz. Lá está. Outra razão para o homem estar enervado, logo ontem o glorioso entregou o título ao rival nortenho (tomara que o sistema de rega e a iluminação dos aliados estejam afinados). Não me inquieto, a coisa está bonita sem olho de boi e a minha mulher está convencida que afinal eu tenho alguma perícia para a troca de lâmpadas.

terça-feira, abril 24, 2012

25 Abril Sempre

Se o festejo, se o lembro, se o celebro, se me vem à memória a anti-aérea que eu e a minha irmã montámos no quintal lá de casa para abater os aviões que levavam os fascistas para fora do país é porque me apetece. Ninguém tem nada com isso. Terá tido alguns excessos e pode-se-lhe apontar o dedo porque tanta liberdade permite que o Miguel Sousa Tavares tenha simultâneamente livros de culinária editados e crises de azia na televisão e que a Alexandra Lencastre e a Bárbara Guimarães estejam em directo ao mesmo tempo o que é um exagero de copas para Domingo à noite. Mesmo com estes exageros, o 25 de Abril será sempre uma lição de determinação e um motivo de orgulho.

domingo, abril 22, 2012

Ciclovias de Lisboa

Não há ninguém tão precoce como o Sirenes. Aos 6 anos consegue largar as rodinhas da bicicleta e existe uma forte possibilidade de largar as braçadeiras aos 7. Por este andar é capaz de largar as fraldas aos 8, aprender a ler aos 9 e a usar os talheres antes dos 12. É um fenómeno, o mais novo dos Marias. À conta de uma ascensão meteórica na arte de bem pedalar, podemos estrear a cinco, uma passeata de bicicleta pelas ciclovias de Lisboa. Uns inacabáveis 11 quilómetros que nos levaram ao Campo Pequeno, Campo Grande, Rotunda do Relógio, Feira do Relógio (aqui temi que o itinerário fosse abruptamente interrompido pela superior interesse da estreia na visita à feira. Prevaleceu o bom senso e continuámos a pedalar), Lumiar, Estação do Oriente e Expo. Tanta caloria queimada justifica que o passeio na zona da Expo tivesse como único propósito a descoberta de um local adequado à gastronomia e assim foi. Passeámos numa zona que mais parecia a alameda dos rodízios, o que provocou algum frenesim na putalhada, mas lá nos detivemos numa pizzaria que os hidratos de carbono são essenciais a quem faz tanto exercício. O regresso, e porque com o estômago cheio não convém pedalar para prevenir indigestões, foi feito de metro. Não saiu barata a brincadeira (quase o preço do almoço) e colocar 5 bicicletas numa carruagem é um puzzle de dificuldade equivalente a um sudoku de três estrelas. Chegámos a casa mais mortos que vivos que as estações de metro têm elevadores, mas não operam muito que a manutenção está pela hora da morte e a receita dos bilhetes aparentemente não chega para estes luxos. Tamanho cansaço que o sofá nos adormeceu a quase todos e, para compensar o esforço. no final do jantar, a ingestão de açucares aconteceu com naturalidade (à conta de pastéis de Nata da Aloma que ganharam recentemente importante distinção). Concluindo, e entre os 5, a aventura ciclista conferiu-nos uns 10 quilos extra, e outros tantos euros a menos na aquisição dos títulos de transporte do Metropolitano de Lisboa. A ciclovia é nossa amiga, porque nos dá muito semáforo para atravessar, muita pizza, muitos lisboa vivas, muitas calorias e sobretudo muito divertimento.

quarta-feira, abril 11, 2012

Extinção da MAC

Antes deste Pedro, o último primeiro ministro social democrata também se chamava Pedro. Este é mais Coelho o anterior é mais Lopes. Acontece que a dada altura do seu mandato, Pedro Santana Lopes comparou o seu governo com um bebé numa incubadora, e dizia ele, quem passava pela incubadora, ao invés de cuidar do indefeso recém-nascido, aproveitava para espetar uns tabefes no prematuro. Chamemos-lhe a síndrome da incubadora.
Este Pedro ficou impressionado com a metáfora, e resolveu, à semelhança do pai da bela adormecida que mandou destruir todas as rocas de fuso, mandar extinguir com todos os locais onde haja incubadoras. E não há melhor local para começar do que a maior maternidade do país: a MAC. E para os mais distraídos, MAC não quer dizer Medida À Coelho nem Merda à Coelho, significa Maternidade Alfredo da Costa. E pasme-se, sendo a maior do país, é exemplo pela qualidade e eficácia do serviço que presta. Pode não ter tanto glamour como a Auto-Europa, mas é também um centro de excelência e tendo em conta o número de pessoas que emigra hoje em dia, deve ser dos mais importantes exportadores do país.
Francamente Pedro, que ideia mais parva esta de acabar com a MAC, nem o Bill Gates te compreende. E olha que não há ninguém que saiba mais sobre “vontade súbita de extinguir MAC’s” que o Bill Gates. Combinamos assim Pedro, tiras esta ideia da cabeça, mas em vez de a tirares através dos métodos tradicionais, o melhor é provocar um parto desta ideia. Assim daqueles tão rápidos que já nem dá para levares epidural. Quando estiveres com contracções de dois em dois minutos e alguns dez dedos de dilatação, vais descobrir que esta ideia afinal são gémeos: um grande equívoco e um tremendo disparate.

quarta-feira, abril 04, 2012

Quaresma

No final da quaresma é sempre a mesma história. A via sacra. O calvário.
Contando com as substituições, este Jesus teve uns 14 discípulos mas sem centrais de raiz.
Mas o que conta mesmo, é que este, depois de crucificado, tem até segunda feira para a ressurreição. Cinco dias. Cinco. Mais dois que o outro. Não há desculpas.

segunda-feira, março 26, 2012

Mudança da Hora

Alternativas à noite de Sábado para Domingo para a mudança da hora:
- na Sexta Feira uma hora antes de sair do trabalho. "Daqui uma hora saio, já está. Bom fim de semana"
- na segunda feira à noite durante o prós e contras
- num discurso do Victor Gaspar "Sr Ministro, já leva uma hora de atraso para o próximo compromisso. É melhor apressar-se"
- na eventualidade do Benfica estar a ganhar injustamente a uma hora do fim do jogo.
- quando me sento na cadeira do dentista. Próximo paciente se faz favor.
- quando começa um bloco de publicidade na TVI
- na noite do Domingo para Segunda, de preferência se estiver a dar aquela coisa. Já vi estas fuças nalgum sítio. Se é para estragar o dia a seguir que se estrague a segunda que já vem sempre azeda.

quarta-feira, março 21, 2012

O Ponto Ginásio

Ao que parece, a tvi andou a investigar e descobriu que as mulheres têm orgasmos no ginásio. Ora porra para isto. Um tipo não tem descanso. Primeiro o vaginal, depois o clitoriano. Sim senhor. Tudo muito bem, não há nada como ter um plano B.
Depois vem esta história do ponto G. Que é dois dedos acima assim como quem vai, entre isto e aquilo, na parede do lado de cá .... e anda um tipo feito doido há que tempos à procura do tal do ponto G, a ouvir notícias que se calhar não existe, que se trata de um mito urbano e eis que num repente pumba. Afinal também é no ginásio.
Isso fica onde ? Pelo nome deve ser difícil de encontrar. Já há livros sobre o tema ? "Descubra o ginásio da sua parceira em 21 simples passos" ... "Torne-se o maior ginasta da sua companheira" ... "Flick flack à retaguarda e ela até vê estrelas"

segunda-feira, março 19, 2012

Não há coincidências

... em conversas de fim de semana, comentava-se o actual estado da blogosfera doméstica. De há meia dúzia de anos a esta parte, em que se transformou o animado mundo dos blogues. Em que blogosfera crescemos e em que blogosfera vivemos. Parece ser mais pobre do que outrora foi. Não me queixo. Continuo a escrever o que me apetece e quando me apetece. Mesmo que os sinais sejam, de que a blogosfera, convergiu para pontos semelhantes aos da literatura, jornalismo, política, televisão e música.
Se a Margarida vende tantos livros, o Correio da Manhã tantos jornais, o Aníbal convence tanta gente, o Tony faz carreira de sucesso, e a Casa dos Segredos assegura audiências, qual o espanto do mundo dos blogues domésticos girar em torno de um casal com tiques de Heidi e Pedro suburbanos?

quinta-feira, março 15, 2012

Para acabar de vez com a confusão entre há e à

Há muito tempo que te não escrevo. Fazer-me à caneta e ao papel e deixar as palavras fluírem à vez, até à folha vazia. Há sempre tanta coisa a acontecer à nossa volta, que dias há, em que à tarde, já merecíamos ser noite. Há-de ser à tua beira, à beira mar, que descubro que ainda há sonho por sonhar. Há noites em que às vezes te sonho às cores, porque os invades, ainda que à minha revelia. Nem sequer ficas à boca de cena, fazes à tua maneira, e eu assim, rendido à tua presença. Hás-de ser assim. Há que ser assim, à descarada. Como um cheque mate. Como um ás de trunfo.

quarta-feira, março 14, 2012

Em vez dum blog ...

... eu gostava mesmo era de escrever prefácios, como o nosso presidente. É uma forma elegante de encerrar casos mal resolvidos e de publicitar novos desenvolvimentos. As entrevistas são muito interactivas e democráticas e os prefácios adequam-se mais ao Cavaquismo.
Com o afecto que nutre por Sócrates e com estas crises de azia, não me estranha que o Aníbal seja o resultado do cruzamento da Manuela Moura Guedes com o Miguel Sousa Tavares (Deus me proteja de sequer imaginar o momento da concepção). Pena que além da estima da mãe pelo ex primeiro ministro, não tenha também herdado a boca. Faz-lhe tanta falta para a entrada de bolo rei e para a saída de barbaridades sobre as reformas.

segunda-feira, março 12, 2012

A seguir ao Benfica, é o Sporting o meu clube do coração

Hoje de manhã o Manel Maria pediu para lhe levar o Record. Acedo, claro está. O meu Sportinguista mais lindo, depois do resultado de ontem, acordou com a intenção de se estrear na leitura de jornais desportivos. Esta vontade decorre de uma conversa em que lhe expliquei que um jogo bem saboreado, só acaba com a leitura de um diário desportivo do dia seguinte. É como a sobremesa de uma refeição apreciada.
Para evitar a censura e a tesourada no diário desportivo, sinceramente rezo para que o Record, além das novidades de cariz competitivo, não exiba anúncios de senhoras sós, sem tabus e de bumbum gostoso.
O Sporting ontem ganhou de mão cheia a uma equipa de reconhecido valor. E em cada golo marcado, o do meio, explodia de felicidade, incentivava os jogadores a marcarem só mais um e cantava coisas como “só eu sei porque não fico em casa” (paradoxal porque estávamos em casa) e “o Sporting é o nosso grande amor”. Este rapaz sabe pouco sobre o tema “a diferença entre ver jogos em casa e jogos no estádio”, e se não tenho cuidado, ainda me começa a lançar fumos verdes e brancos no meio da sala.
Não é a primeira vez que me desarmo perante a felicidade do petiz quando o Sporting vai de feição, mas verdade seja dita, o rapaz loiro de caracóis emociona-se mesmo. A ponto de me contagiar em euforia. O rapaz é do Sporting à mesma razão que os músicos são dos instrumentos que tocam e que os poetas são das canções bonitas. Se calhar foi de ter caído para a barriga da mãe quando o médico que fazia a cesariana o largou ao saber do empate do Sporting com o Santa Clara. Se calhar foi de ter levado uma palmada na fralda que o deixou quase partido ao meio, quando o Benfica sofreu o golo da derrota a dois minutos do fim e o estupor do miúdo, desde o início da segunda parte, não se cansava de jogar à espada com a televisão. Se calhar foi só porque sim. O que quer que tenha sido, todo aquele rapaz é às listas verdes e brancas, e como quem meus filhos ama, minha boca adoça, a seguir ao Benfica, o Sporting é o meu clube do coração (Obrigado Wolfswinkel, Matías, Izmailov e Jeffrén pelos 5 doces de ontem).
Não o digo com ironia, por ser um clube que dá muitas alegrias aos adeptos adversários, nem por ser casado com uma Sportinguista, nem como bofetada com luva branca aos sportinguistas que sofrem de anti-benfiquismo, tampouco por compaixão da actual e pouco saudável situação desportiva e financeira do eterno rival. Digo-o por clubismo. Digo-o por gostar mesmo de ver o Sporting ganhar, excepto nas duas ou três ocasiões por época em que defrontam a minha primeira opção. Nisto dos clubes, a seguir ao Benfica o Sporting é o meu grande amor.
Meu amor, hoje levo o Record para casa, e vamos vê-lo juntos. Começamos por dar notas de 1 a 20 aos rabos e às mamas que por lá aparecerem e depois lemos o resumo, os comentários e as declarações sobre o CINCAZERO de ontem.

sexta-feira, março 09, 2012

Faltas-me

Gosto de chuva. Além de molhar tolos, quebra rotinas e traz cheiros. Terra acabada de molhar. Gosto das gotas nos vidros e do barulho que faz. Ainda que na cidade. Ainda que sem lareira, sem mantas e sem livro ao fim de tarde. Ainda assim gosto-a e de me embalar nos sons. São fáceis de entender. Não chove muito há tanto. Há que tempos. Há tempos assim. Secam-me os sentidos.

quarta-feira, fevereiro 29, 2012

Aula do Sirenes

Às vezes isto também pode ser um baby blog ou lá como é que isso se chama.
A escola do mais novo promove, todos os anos, o dia em que os pais visitam as salas de aula dos respectivos filhos. Há 10 anos que participo nestes eventos e anos houve em que fui a três aulas, o que, maledicência à parte, roçava os limites da seca descomunal. Este ano foi só o mais novo pelo que o programa foi encarado como light.
Esta aulas são normalmente preparadas com algum cuidado pelas professoras (o que não evita alguns deslizes sobretudos nas matemáticas, ou pelo menos é nesta área que eu dou mais pela gafe), e são férteis em baba paternal e maternal. A de ontem contou com a presença do pai da Ana, que é figura televisiva de relevo e transborda simpatia o que animou ainda mais as mães, divididas entre as proezas dos filhos e o charme do rapaz giro e simpático.
A professora fazia perguntas aos alunos que na excitação da presença dos pais se atropelavam em braços no ar e em respostas dadas antes da autorização da professora. Até que chegou a vez da pergunta para o sirenes:
Professora - António. Então sete vezes quatro serão quantos ?
(eu para o António em surdina que ele é meu filho e tem que fazer boa figura) - vinte e oito
António para a Professora baixinho - vinte e oito
O João para a Professora mais alto - são vinte e oito
A professora não ligando ao contributo do João - Então António sete vezes quatro ?
António - Já disse
A professora para o António - Sim o João já disse, mas não quer dizer que esteja bem e portanto o António vai dizer quanto é sete vezes quatro.
António para a professora - eu disse mas não foi por o João já ter dito, foi o meu pai quem me disse baixinho. VINTE E OITO
Eu - não sei onde este miúdo anda a aprender a mentir. Em casa não é de certeza. Parece parvo. Agora o pai vai sair que tem que ir trabalhar. Bom dia a todos.

segunda-feira, fevereiro 27, 2012

Feira da Ladra

... na passada Terça Feira. O objectivo era comprar Vinis para a parede da zona audio e vídeo lá da casa.
A animação foi muito para além disso. Porque eles nunca lá tinham ido, porque o do meio saiu de lá com a certeza de voltar para vender a casa se for caso disso e o recheio se preciso for, porque o mais novo encontrou brinquedos giros de há 30 anos atrás, porque o mais velho teve que ser afastado à força, de uma banca carregadinha de revistas e de filmes com muitas imagens de gosto duvidoso e de poucos diálogos. Além de artigos em segunda mão, também se estendiam na estrada e nos passeios, memórias das idas à feira para ganhar uns trocos. Foi com dinheiro dos meus dias de feirante, que fui tantas vezes acampar e que consegui comprar o bilhete para ver ver o Benfica perder por 4 a 1 com o Liverpool. Se o resultado financeiro sabia bem, a jornada de feirante regateador sabia ainda melhor.
Como há anos atrás regressámos a casa com a sensação de dever cumprido. E olha que a parede não ficou nada mal

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

A gente não semos a Grécia

Sempre assim foi, desde pequeno. Cada tentativa que fazia de me comparar com quem quer que fosse para justificar comportamento ou desempenho, morria à nascença com uma frase tipo "As comparações não servem de argumento" ou "Acontece que o x não é nosso filho" se a comparação fosse do tipo "Mas o x pode fazer isto". Aprendi e pratico regularmente. Evito sempre na vida pessoal ou profissional, fazer comparações. As variáveis são tantas que as comparações com uma variável, só dão argumentos a quem as ouve e nunca a quem as faz. Se algum dos meus selvas se tenta fazê-las para justificar uma acção, uma nota na escola ou para enquadrar um pedido sobre o qual tenho dúvidas, já sabe que o mais certo é a nega.
Nos últimos tempos, a comparação pela negativa tem aparecido entre os nossos governantes e a vítima é sempre a mesma: a Grécia. Cavaco, Passos, Portas e seus discípulos têm insistido na lógica do “Nós não somos a Grécia”. A propósito disso, um grupo de personalidades lançou um manifesto contra a tendência cada vez mais recorrente em Portugal de fugir às críticas com a frase «nós não somos a Grécia».
Eu também sou contra esta argumentação. Primeiro por uma questão linguística, depois por uma questão desportiva e por fim por uma questão cultural.
Do ponto de vista linguístico, e aproximando-me da linguagem popular, é mais que sabido que a frase “Nós não somos a Grécia” não tem qualquer efeito sobre a opinião pública. A não ser a exclamação: “Que vergonha!!! Este primeiro ministro não sabe falar. Parece que não foi à escola. Coitado, vive em Massamá, já se vê. Então, está-se mesmo a ver que o que ele quer dizer é ‘ A gente não semos a Grécia’ . E é este ingnorante nosso Primeiro Ministro”
Desportivamente “Nós não somos a Grécia”, corresponde a mexer numa ferida ainda não cicatrizada. A do Euro2004. Pois não somos, não. Se fossemos, tínhamos ganho o caneco. Não tínhamos passado por aquela vergonha na Catedral. Estádio cheio, ruas inundadas de gentes que aguardavam explodir o golo do Rui, do Luís ou do Cristiano. Ao invés, implodiram de desilusão para casa. Não sermos a Grécia, relembra-nos o fracasso e isso é desnecessário nos tempos que correm.
Finalmente, “Nós não somos a Grécia” é culturalmente uma verdade La Paliciana. Os Gregos têm muito mais orgulho do Sócrates deles, que nós do nosso. E com toda a razão.

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Efeitos Colaterais

Ele anda apreensivo com a situação do seu clube. Meu rico loiro dos caracóis sportinguista. Que fado o teu.
No regresso de um treino de andebol estivemos a falar sobre a situação do seu clube. O resultado, em jeito indignado, foi este comentário que ele colocou no facebook, no mural do grupo "Quantos SPORTINGUISTAS Somos ?":
"Então no domingo não havia razões nenhumas para mandar o treinador fora e segunda já há?! O que é isto ?! São os homens que vão reclamar e protestar no aeroporto que mandam na direção ?! Isto é que é o Sporting ?! Isto é que é o Sporting ?! Assim vamos longe vamos... Continuem assim que é isso que devem fazer..."
Meu rico leãozinho. Até tenho vontade que o Sporting seja depressa campeão, só para te ver em festejos.
O Sporting não é o meu grande amor, mas tenho um grande amor pelos Sportinguistas lá de casa.

Que trapalhada

A mesma dor, o mesmo fim. A mesma doença que teimam dizê-la prolongada. Prolongada uma merda. Antes cruel, fria e despida de todos os escrúpulos. Injusta e desequilibrada como as forças numa alavanca.
E esse mesmo local, as mesmas lágrimas. Que trapalhada dizias tu. Que trapalhada amigo.
Havia de ser um acorde de Keith Jarrett em Colónia, ou uma canção do Fanhais, ou uma carta lida em voz alta. Ouviam-se mal as palavras ali atrás. Diziam da força com que te agarraste no convés do navio varrido pelas vagas imensas. Essa mesma força que te arrancaram à bruta e se fez estéril no brutal confronto. Havia de ser mais fácil. Que trapalhada.

sábado, fevereiro 04, 2012

Silicone no sítio certo

Para os que menos frequentam casas de banho masculinas, ou para os que, frequentando, se preocupam mais em olhar para o lado do que para baixo, informo aqui que, de há largos anos a esta parte, as redes de metal e as bolas de naftalina, têm vindo a ser substituídas por placas de silicone que libertam agradáveis odores e que são anti-bacterianas.
Fica a informação portanto.
O silicone, se colocado em sítio próprio, pode ser muito útil.
A propósito. Quantos buracos tem a maioria dos urinóis ?

quarta-feira, fevereiro 01, 2012

Passos Coelho às Compras

Li uma notícia que dava conta de uma ida às compras de Pedro Passos Coelho. A notícia relatava que as compras de Passos Coelho num hipermercado se traduziram num litro de leite, numa garrafa de Coca-cola, comida para o cão e sumos.
Então isto justifica uma ida ao hipermercado ? A sério. Imagine-se ele em família, na sua casa de Massamá e o sítio mais à mão para ir às compras é no Continente da Amadora. Mesmo com cartão do continente e com cupões de desconto, aquelas 4 coisas não justificam IC19 e cabos de Ávila. É a este homem que entregámos os destinos do nosso país? E além da distância, as grandes opções para o cabaz de compras são um desastre:
- comida para o cão - Pedro: faça como o Aníbal, dê-lhe restos que os cães são como os portugueses. Habituam-se a tudo e mesmo que os trate mal, continuam a adorá-lo.
- sumos. Sumos ??? Mas lá estamos em tempos de sumo ? Compre fruta nacional e esprema-a. Como faz com as reformas. Assim muito espremidinhas.
- 1 pacote de Leite. Sinceramente. Bem sei que o Aníbal gosta de ver as vacas a sorrir e que ultimamente o Pedro não gosta de ver o Aníbal a sorrir. Mas as vacas não têm culpa. Compre seis litrinhos, que com um litro de leite não vai longe. Estamos a falar de leite, não é de gasóleo que custa o triplo, nem é de leite de chocolate com iva a nãoseiquantos.
- Coca Cola ? Com esta é que se arruinou. Num cabaz de 4 produtos, um é de uma empresa estrangeira ? Ainda por cima a água suja do imperialismo americano ? Mas onde é que o Pedro anda com a cabeça ? Então o Pedrinho de São Bento aposta nas exportações e o Pedrinho de Massamá quer é enviar dinheirinho da sua conta para o estrangeiro ? Francamente.
É a este génio, que vai de Massamá aos Cabos de Àvila, comprar quatro cenas que o destino do nosso país está entregue. Da próxima vez ao menos convide o Vitor Gaspar para o almoço que sempre pode pedir uma ou outra coisa de caminho e ele sempre lhe ensina uns conceitos básicos de economia doméstica.