sexta-feira, março 31, 2006

Ui

Recebi hoje um mail com o seguinte texto. Sendo cómico, é pouco, não o sendo é trágico.


“Não contém com a minha ausência.
 
Cumprimentos,”

segunda-feira, março 27, 2006

Fnacomania

  • Queria trocar este DVD.

  • Tem o talão de compra ?

  • Não.

  • Então não podemos trocar.

  • Porque ...

  • É uma norma da casa. Se quiser falar com a responsável posso chamá-la.

  • Então chame por favor que eu não estou a perceber.
(...)
  • Bom dia.

  • Bom dia. Tenho este DVD para trocar, selado e com o vosso código de barras e quero trocá-lo. Não tenho o talão de compra.

  • Lamento mas não podemos trocar. É uma norma.

  • Não percebo essa norma. Pode-me explicar?

  • Temos tido muitos problemas com artigos sem talão de compras.

  • Quer dar-me um exemplo de um problema que tenha com um artigo que não tenha talão de compra e que seja impossível ter se o artigo tiver o talão de compra.

  • Artigos roubados. As pessoas roubam artigos e depois vinham trocar por outros.

  • Mas nesse caso o prejuízo vem quando roubam o artigo. Não surge quando o vêm trocar. Nessa altura já o prejuízo está mais do que efectivado. Dê-me outro exemplo mas desta vez credível...

  • ... hum ... Ainda por cima este artigo foi comprado na nossa loja de Cascais. Sugiro-lhe que vá à loja de Cascais e solicite um consulta aos registos para validar  se corresponde mesmo a uma compra efectuada. Assim eles já podem trocá-lo.

  • Não pode fazer isso aqui. Consulta o computador.

  • Não tenho acesso aos registos de Cascais.

  • Mas tem mail e telefone e envia o código para Cascais e eles lá pesquisam e depois logo lhe dizem se corresponde ou não a uma compra.

  • Se o senhor tiver tempo isto pode demorar.

  • Eu tenho tempo. A compra foi no sábado passado, caso esta informação ajude. Mas já viu. A senhora tem custos para a empresa, as pessoas de Cascais também, o tempo que não estão a fazer coisas mais úteis para pesquisar se isto foi comprado ou não, tem custos associados. Essa norma de que fala pode custar mais caro à empresa que a ausência da mesma.

  • Eu estou a ser prestável ao senhor que é cliente.

  • E é isso mesmo que deve fazer. Eu faço o mesmo na empresa em que trabalho. No fundo são os clientes que asseguram o nosso salário. E um cliente insatisfeito pode ter mais custos que a troca de um artigo sem prova de compra.

  • Mas sabe que hoje em dia todos pedem a prova de compra. Ainda antes de ontem fui à Zara....

  • Mas eu não estou na Zara. Se eu quisesse comprar um DVD numa espécie de Zara tinha ido comprá-lo a um hipermercado. Eu estou na Max-Mara dos DVD’s. E aposto que na Max Mara não precisa do talão para trocar uma compra. (só não aposto um testículo porque sempre que faço estas apostas acabo por perder, dou graças a Deus nunca ninguém me ter cobrado as apostas feitas).
(... 10 minutos ...)
  • Pode-me informar com que meio de pagamento fez a compra?

  • MB. Acho que era do BES. Ou talvez da CGD.
(... 15 minutos ...)
  • Cascais encontrou um registo desse DVD comprado com um MB da CGD. Aqui está o seu vale para a troca. Só é válido hoje.

  • Muito obrigado pela atenção e pelo tempo despendido. Bom fim de semana.

  • Adeus. Bom fim de semana.

quarta-feira, março 22, 2006

Noves fora nada

Com uma cadência preocupante, os media lançam taxas de penetração de determinada realidade na população portuguesa. De dois em dois dias ficamos a saber que a diabetes afecta uma fatia da população, que outra percentagem tem acesso à Internet em banda larga, que outra percentagem prefere a TVI a qualquer outra das ofertas e que os restantes ou são homossexuais ou sofrem de disfunção eréctil ou que tendo uma mama maior que a outra, tendem a sofrer de cancro da mama.
Sou contra.
Definitivamente sou contra a publicação inconsciente destas extrapolações. Eu não quero pertencer a fatias e se pertencer não quero saber a que bolos elas pertencem.
Eu que tenho ADSL com 2 mega (aldrabadíssimos), que vejo a TVI e que tenho mamas do mesmo tamanho não quero saber mais nada.
Qual é a graça de saber que um quinto dos trabalhadores por conta de outrem têm contratos precários, que 62 % dos portugueses não receiam a gripe das aves, que a maioria dos portugueses nunca tomou genéricos, e é favorável à despenalização do aborto, que 85 % dos portugueses folheia jornais, que 57 % é favorável à energia nuclear, que 6 em cada 100 mil lusos se suicida, que metade dos portugueses não conseguem decorar os códigos do Multibanco e que metade receia erros médicos, que 14 % tomam drunfos para dormir, que um milhão são homossexuais e que um milhão e setecentos mil já enviou MMS’s, 30 % enviam formulários do IRS pela NET, outros 30 estão pessimistas e que outros 30 compram DVD’s. E quantos são assinantes da TV Cabo? E dos que são, quantos se suicidam depois de falar com o apoio ao cliente? E dos que não se suicidam, quantos decidem tomar uns drunfos para dormir? E esses drunfos são genéricos? E quantos portugueses com contrato precário, asseguram o suporte da TV cabo? E destes, quantos conseguem decorar um código de Multibanco?
Havia tanto para saber e o melhor é não começarmos a pensar nestes números que nos entram pela cabeça dentro.
Em Portugal só há um número que interessa. É o número seis milhões. É o número de benfiquistas e provavelmente o número de marquises que existe no país. Com os restantes números, por favor, não me chateiem.
Obrigado.

terça-feira, março 14, 2006

Regresso

Já aqui nestes alinhavos, falei da demora no teu regresso. Grande senhora, mas também grande cabra por nos fazer esperar tanto tempo. E essa história da maternidade não pega, que desde o último álbum eu também dei à luz dois filhos e ainda assim fartei-me de publicar. Atenuantes, lançaste duma só vez, dois álbuns. Gémeos portanto. Que isso não sirva de pretexto para uma espera futura de dez anos.
Obrigado pelo regresso senhora Marisa Monte.
Agora, que está aí o dia do pai, espero ouvi-los brevemente.

Para saber um pouco mais e até ouvir um pouco siga por aqui até ela, ao universo ao meu redor e ao infinito particular.

segunda-feira, março 13, 2006

Primária

Deixa-me doente, esta história dos testes de três em três semanas. Nem nos tempos de escola ficava tão preocupado com a matéria. Amanhã, teste de Português. Classificação morfológica das palavras ... os sinónimos e os antónimos .... os grupos das frases (nominal, verbal e móvel) .... os tempos verbais (presentes, futuros, pretéritos perfeitos e imperfeitos) os adjectivos equivalentes a interpretação de textos e a descrição de figuras. As sílabas e a acentuação das palavras, os nomes comuns, géneros e números. A pontuação e os tipos de texto. As frases exclamativas, interrogativas e imperativas. A prosa, a poesia.
De repente, peça incompleta do puzzle da memória(não sei os dois primeiros versos da segunda quadra), e aquele pequeno quadro azul com duas quadras, que esteve na minha secretária desde a primária até ao fim do curso:

Sentadinhos nas carteira
Fazem contas de somar
E a vida toda lá fora
A vida toda a chamar

...
...
Senhora olhe p’ra vida
Deixe as contas de somar

Lembrei-me .....

Sentadinhos nas carteira
Fazem contas de somar
E a vida toda lá fora
A vida toda a chamar

Há tanta flor a nascer
Tanto pássaro a cantar
Senhora olhe p’ra vida
Deixe as contas de somar

quarta-feira, março 08, 2006

Votos para hoje

... que esta história do dia Internacional da mulher deixe de fazer sentido e acabe de vez.

... que este home fique de trombas.



....que este homem fique feliz.

segunda-feira, março 06, 2006

Turva

Hoje acordei com o olho direito inflamado e inchado. Alguma impressão, mas a visão turva acaba por me eliminar focos desnecessários.
Só não entendo porque é que o remédio que a senhora da farmácia me vendeu, tem um folheto em letra minúscula.
Logo num remédio para pitosgas, não seria o caso de fornecer as instruções impressas em papel de cenário, ou de adicionar uma lupa ao medicamento ?

sexta-feira, março 03, 2006

Bush Mentiu

... por alturas da tragédia do Katrina.
So what ?
Porque é que isto é notícia? Nas escolas de jornalismo não se ensina que notícia é "o homem morder o cão", não "o cão morder o homem"?

quinta-feira, março 02, 2006

Ai ai ai

Estive prestes a ser a primeira vítima mortal da gripe das aves em Portugal.
Auto-estrada de Cascais a 120 naquela lata ranhosa, janela aberta. Algo de estranho passa em frente aos meus olhos a grande velocidade. Apercebi-me que se tratava de uma ameaçadora  pena de pombo. Na tentativa de a agarrar para a expulsar para fora do bólide ia-me espetando ferozmente no carro da frente. Lá travei a tempo e acabei por sair  ileso deste episódio. O triste desta história é que, a acontecer a tragédia, nunca seria reconhecido como a primeira vítima mortal lusa da pandemia. A eventual notoriedade pautar-se-ia pela diminuta presença de inteligência no meu cérebro.
Inquieta-me não ter voltado a ver a porcaria da pena e quase sou capaz de jurar que não chegou a sair do habitáculo. Já pensei procurá-la, desta vez munido de luvas e máscara, mas parece-me já ter atingido o plafond mensal de estupidez natural.

quarta-feira, março 01, 2006

Um metro e um

Os três dígitos de centímetros anunciados pelo pediatra, despertaram-lhe a vontade negada pelo rapaz do play-center, no Colombo. “Com menos de um metro não pode andar”
Assim que confirmou ultrapassada a barreira do metro anunciou-me eufórico “Pai, já posso ir à montanha russa”
A bem da verdade, aquilo mais parece um montinho russo, mas a sua meninice vê-a como a mais emocionante de todas. Lá fomos até à terra plástica das aventuras e no carro da frente, enfrentámos as subidas, as descidas e as curvas contrariadas. Nele, o sorriso da emoção e o orgulho dos obstáculos ultrapassados.
Assim saibamos nós enfrentar as descidas sem apoio e as curvas apertadas, que este ano nos tem trazido. Agarro-te bem para não termos medo.    

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Zeca

Aquele 45 rotações, guardado no meio de tantos outros no dossier dos discos pequenos, é das poucas memórias da censura, que tenho comigo. Aquele single, em particular, não devia ser mostrado a ninguém, nem devia ser cantado fora de casa. Diziam-me que a polícia não gostava que as pessoas o tivessem em casa, e podiam prender quem o tivesse.
Num dos lados, o homem que cantava numa voz transparente e numa sonoridade diferente, falava de uns vampiros que comiam tudo e não deixavam nada. Do outro lado do vinil, o mesmo homem, numa música que ainda hoje me prende a atenção, cantava a condição dos meninos dos bairros de lata. Os meninos do Bairro negro.
Final feliz, o desta história, porque passado pouco tempo, já se podia cantar à vontade.

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Lisboa Antiga

Hoje vi uumas fotografias da zona do aeroporto de há alguns cinquenta anos atrás. Comecei-me a lembrar da Lisboa da minha infância. As amoreiras eram um estacionamento para os autocarros da Carris. O largo do rato não tinha socalcos. Só havia um ou dois túneis - em Entrecampos. As ruas quase todas em paralelo. O Chiado e os armazéns do Grandela. Um teatro meio em ruinas onde o meu pai nos levava à saída da Brasileira. O Dona Maria no Rossio antes de recuperado. As luzes e o frenesim do Parque Mayer. O prédio das Franjinhas com um ar novo e moderno. Eléctricos por todo o lado. Uma enorme rotunda em Alcântara onde, no verão, se apanhavam boleias para a Caparica. Tantos cinemas. O cinema Europa, lá do bairro, o cinema Paris, o Jardim Cinema, o Monumental - foi na sala pequena que vi o primeiro filme da Guerra das Estrelas, o São Jorge, o Império, o Estúdio que sempre foi tabú lá em casa (havia quem tivesse pânico de um terramoto), um cinema na igreja da Nossa Senhora de Fátima, o Star na Guerra Junqueiro, o cinema Alvalade. O Apolo 70 e o restaurante lá de baixo que parecia um labirinto. O moderníssimo Imaviz. O avião no parque do alvito e Montes Claros. Os corredores por baixo das bancadas do pavilhão dos desportos, onde aquecíamos para o Sarau do Ginásio Clube. Desculpem lá este post, que mais parece uma lista de entradas na memória, mas entusiasmei-me à medida que a fui percorrendo.
Mudaste tanto, mas ainda tens todo o encanto.

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Ser benfiquista ...

Eu, às vezes, sou sócio do Benfica. O que quer dizer que outras vezes não sou. Intermitente portanto esta minha relação mais próxima com o glorioso, mas sempre leal. Agora estou numa fase de não sócio até que me dê na bolha mudar de estatuto mais uma vez. Foi já na adolescência que me fiz sócio pela primeira vez e fizeram-me esperar umas semanas para receber o meu primeiro cartão.
Recebi-o em dia de Benfica - Liverpool . Nessa altura, os jogos começavam às 9 da noite, mas ao início da tarde já eu lá estava para viver todo um dia de emoções. Se bem me lembro, o Liverpool jogou de amarelo, e a coisa correu muito mal para quem se estreava como sócio do Benfica. Hoje, na qualidade de não sócio, tenho a certeza que tudo será diferente (claro que se não for, acabo por vir aqui dar uns toques a este post). Viva o Benfica !!!

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Redescobrir



... contam-se pelos dedos as vezes que a vi cantar. Sempre por lembrança de alguém na RTP, sempre o mesmo concerto, preto e branco cheio de cor, a mesma roupa, as mesmas músicas.
Não existem mãos para contar as vezes que a oiço, sempre a redescobrir algo de novo, de cada vez que a escuto.
Apareceu à minha frente um DVD de um concerto que eu nunca vira. As músicas que eu conheço de tanto as ouvir e de a imaginar nessa entrega. Não consigo descrever o que sinto ao vê-la assim. Sempre a mesma pergunta a chatear. Afinal porque é que num repente tudo parou ...

Peúgas

Afinal que fenómeno é este ? Que secretismo envolve tantos desaparecimentos, ao ponto de silenciar todos aqueles que sofrem o horror deste flagelo ? Ninguém comenta em público este drama, mas estou convencido que ele é conversado em surdina na privacidade de cada lar. Porque é que os media não mencionam este fenómeno ? O que receiam ? Que poderes instalados são cúmplices destes desaparecimentos ?
Estou a falar dos pares de meias que deixam as outras na solidão da gaveta. Onde é que andam os pares de meias que saem das nossas casas sem sequer avisar ? Todas as semanas desaparecem milhares de meias e ninguém fala do assunto. Porquê? Onde é que elas estão ? Não se vêem meias na rua abandonadas. Mas elas existem aos milhares. As que ficam estão destinadas aos caixotes de lixo ou a fazer de trapo. As que têm sorte ficam para fantoches ou para bola de trapos, mas a maioria está destinada ao abandono. As pessoas perdem carteiras, chaves, animais e meias. Das carteiras, das chaves e dos animais acaba por se ter notícias. Nem sempre boas, mas têm-se notícias. Das meias não. E nós encontramos, ao longo da nossa vida, animais, carteiras e chaves perdidas por outros. Meias nunca encontramos. Se toda a gente perdesse um cão ou um gato por semana, a rua estava atafulhada de cães e gatos sem paradeiro. Todas as famílias perdem pelo menos uma meia por semana e elas não estão em lado nenhum.
De um episódio do Ren & Stimpy vem a explicação para o fenómeno. Todas as meias que desaparecem deixando o seu par na terra vão parar a um planeta distante formando uma enorme montanha de peúgas. O cheiro a chulé desse planeta é insuportável  e ninguém se consegue aproximar dele. Eu acredito nesta teoria, e acredito que as máquinas de lavar roupa e os cestos da roupa são extraterrestres provenientes desse planeta capazes de desmaterializar peúgas. Infelizmente a tecnologia deles não está bem apurada e  não as conseguem enviar aos pares. Ou então são extraterrestres daltónicos e enviam sempre duas de pares diferentes.
Agora já sei o que fazer às peúgas coloridas da feira. Vão andar sempre algures entre o cesto da roupa e a máquina de lavar para enganar os extraterrestres. Pode ser que deixem em paz os meus parcos pares em uso.

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Feira (continuação)

Por motivos óbvios, resultado de um planeamento rigoroso, há uma pessoa da família que sabe exactamente o que quer fazer e onde se deve dirigir: a todas as bancas sem excepção vasculhar tudo. Eu e os Marias andamos aos ziguezagues estimulados por guinchos que anunciam maravilhas a poucos aéreos. Mais um encanto daquele local. A unidade monetária. A unidade monetária de qualquer feira é o aéreo. É em quase tudo semelhante ao Euro mas só vai até cinco. Nada na feira custa mais que cinco aéreos, e se se encontra alguma coisa mais cara que cinco aéreos, deve ser motivo para desconfiar. Cada vez que ponho os olhos nalguma destas maravilhas de poucos aéreos, perco a atenção sobre os restantes elementos da expedição. E o mais ridículo é que sei que me vou perder da guia, e vou deixar fugir os Marias todos. Tenho um vendedor à frente que me demonstra que aquele maço de peugos foi feito exclusivamente  a pensar em mim, e eu, em vez de lhe dar atenção, estou a pensar “Não devia ter feito isto. Quero lá saber dos peúgos. Já não sei dos meus filhos e da minha mulher. Vou morrer aqui isolado. Onde é que eles  se meteram? Estou a ficar mal disposto.” O homem pergunta-me quantos maços de peúgos quero levar. Desato aos berros “Annnnnnaaaa. Joããããããõoooooo Maaannnneeeelllll”. Acabo por levar dois maços de peúgos de várias cores que nunca irei usar. Talvez os vermelho-sangue-de-boi tenham algum uso. Ainda não os encontro. Ir à feira é como ir para à Caparica em Julho. É preciso atar-nos uns aos outros ou usar pulseiras electrónicas.
Como é que eu vou encontrar a Ana e os meninos? Não que a Ana seja baixa, mas a maior parte das pessoas que frequentam as feiras é em média 20 cm’s mais altas. Este facto dificulta a pesquisa. Acabo por a encontrar porque me acena com três sweat-shirts iguais, imitação de GAP para os meninos que em São Martinho, em Agosto,  nunca têm nada para o frio da noite quando vamos até à vila. Dada a perigosa proximidade de Agosto e a manifesta carência dos meninos, concordo com a ideia. Ai que saudades. As idas à noite à rua direita de São Martinho do Porto em Agosto. A confusão é tanta que me lembram as idas à Feira de São Pedro de Sintra.
Reunido novamente o grupo, já a cesta vai cheia e os miúdos têm muitos brinquedos com uma esperança de vida média inferior a três horas. Tomo a dianteira da expedição e em dois raids compro uns DVD’s a poucos aéreos e mais um porta-chaves com lanterna e alicate e chave de parafusos e mais importante que tudo, com abre cápsulas. Desconfiei que havia algo de errado com os DVD’s porque a senhora que os vendia, tinha-os  escondidos dentro do soutien e, para escolher os filmes desejados, praticamente era preciso enfiar a cabeça dentro da camisola dela. Éramos alguns dez a olhar para a invulgar montra de DVD’s. Atrapalhado, mas com um ar triunfante, acabei por trazer os primeiros que me vieram parar às mãos.
Por fim, todos nós temos as compras feitas e regressamos a casa satisfeitos. A manhã na Feira de São Pedro acabou às seis da tarde numa fila de quilómetros para regressar ao lar.
Hoje somos todos mais felizes. Os meninos têm o que vestir nas noites frias de Agosto em São Martinho, o António tem uns sapatos novos para deitar sanita abaixo, a Ana tem umas pantufas e um saco de água quente novos e eu tenho dez pares de meias às cores e DVD’s sem nada gravado mas que têm as capas do King Kong, do Munich e do Crime do Padre Amaro. Se alguém lá em casa quiser ver algum daqueles filmes respondo que o leitor de DVD’s está estragado. Restava-me o consolo do porta-chaves com abre cápsulas. Hoje ao tentar abrir a carica da garrafa de leite de chocolate da UCAL, parti-o. Que falta de jeito.
Adoro a Feira de São Pedro de Sintra. Pena é que só exista no segundo e no quarto Domingo de cada mês. Seria uma angústia no primeiro e no terceiro, não fosse a feira de Cascais.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Feira

Não fosse eu um homem objecto, ficava em casa a jogar Pro Evolution Soccer 5 on-line. Mas não. Resolvi participar, muito de corpo e muito menos de alma, no projecto Domingo de manhã na feira de São Pedro de Sintra. Afinal trata-se de um programa familiar e a adesão deve ser unânime e incontestável. “Vai ser tão bom sairmos os cinco, e dar um saltinho à feira para ver uns sapatinhos para o António que já só tem as botinhas, mas como as atirou para dentro da sanita o menino, coitadinho, praticamente não tem o que calçar.” Como é possível, alguma coisa ser muito boa, numa saída com três crianças que a única coisa que partilham é a necessidade de correr na direcção contrária à dos restantes. Existe outra questão. Nestas Feiras nunca se dá um saltinho. Dão-se no mínimo uns trezentos saltinhos com duas passagens minuciosas por cada banca, não se vá perder alguma oportunidade de comprar uma coisa que não serve para nada, 10 vezes mais barata do que cá fora. Por último, se o menino deitou as botinhas na sanita, que enfie os pézinhos nas botinhas encharcadas que mal não lhe há-de fazer.
Uma ida à feira de São Pedro de Sintra ao Domingo de manhã é um acontecimento marcante e que não se cinge à manhã propriamente dita. Nos dias que a antecedem, aquela cabeça produz em segredo uma lista de tópicos e de artigos. Para evitar interrogatórios, discussões ou conversas estéreis essa lista nunca é divulgada, muito menos escrita em papel como as restantes listas de compras do lar. Não vale a pena querer antecipar as intenções com perguntas do estilo “O que é que estás a pensar comprar ?” Isso não é uma pergunta. É uma tentativa clara de me imiscuir em assuntos que não são da minha competência. A resposta vem tendencialmente em tom acusatório:
“Vê-se mesmo que não és tu tratas das roupas deles. O João não tem calças decentes, estão todas rotas. O Manel parece um desgraçadinho, está tão grande que não há calças que não pareçam bermudas e o António coitadinho, também tem que ter roupa própria, não pode estar sempre a usar a roupa dos outros. Logo vejo o que é que vou encontrar. A feira é uma  caixa de surpresas e eu adoro surpresas apesar de já estar meia esquecida do conceito, já que ninguém me faz nenhuma já vai para algum tempo.”
Mais vale não perguntar coisa alguma. Mesmo que os sinais sejam preocupantes, não se fazem perguntas. “A cesta das compras também vai?” Isto não é uma pergunta. É uma perca de tempo e uma estupidez. Então se a meio da noite a cesta, capaz de levar um roupeiro lá dentro, foi parar à porta de casa é porque vai à feira com a família. E há-de regressar carregadinha de compras.
Lá vamos então para a feira. Como em todas as feiras, é impossível chegar até lá. Horas em pára arranca que permitem a cada um, ir identificando os diversos pontos de interesse e escolher o itinerário pretendido. Nenhum dos itinerários é compatível com o dos restantes mas isso também não é interessa nada. Mais meia horinha para estacionar e lá vamos ao café à cunha tomar uma bica e comer um travesseiro.  Nesta altura, já os miúdos andam ao estalo no âmbito da temática “Quantas castanhas assadas são para cada um e eu sou maior e mais velho do que tu e portanto como mais”.
É então que acontece o pior. O mais temido dos cenários começa a revelar-se “Tu também devias ver umas coisas para ti...” Neste momento abandono a figuração e passo a ser protagonista nesta odisseia. Não vale a pena queimar energia a discutir nem tentar contrapor. Se eu devia ver umas coisas para mim, então, decididamente, vou ver umas coisas para mim. Vou naquele passo de procissão em multidões entre bancas, a ouvir “Vá lá ver amori” em surround e a olhar  atentamente para o que é que os meus amoris ciganos têm para me mostrar.
(a continuação deste texto será enviada em exclusivo para a visita 50 000 da caixa de costura)

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Marias em Fim de Semana

(JMª sobre os filmes em exibição)
- Manel. Sabes o que são Cowboys Gays ? São meninos que dão beijinhos na boca a meninos.

(MMª a simular conversa num telemóvel do homem aranha)
- Estou. Daqui fala o Manel. Como é que ‘tão? ‘Tomos bem sim, quer dizer, o António está com tosse.