quarta-feira, outubro 01, 2014

Costa Concórdia

O último Domingo trouxe um novo líder para a oposição. Seguro sai na sequência da magra vitória do PS nas eleições europeias e como Seguro não é dado a pressas, levou mais que um trimestre para substituir um António por outro. Cá em casa também temos um António, insubstituível como é óbvio, embora os irmãos tenham momentos em que não se importavam de promover primárias cá em casa. Mas não é deste António que se trata o texto, antes do outro, o Costa que reúne uma significativa concórdia no aparelho, nas bases e nos simpatizantes. No mapa político, a alegria pela sua eleição para secretário geral do PS, não ultrapassa as fronteiras do partido, mas ao que parece (li hoje num jornal) na Índia, há um sentimento de orgulho e de alegria, pela eleição para secretário geral do PS do "Gandhi de Lisboa". O Hindustan Times - jornal Inglês da Ìndia - refere-se a António Costa como Gandhi de Lisboa, apontando a possibilidade deste fazer parte da lista de pessoas de origem indiana que podem ocupar lugares de topo na política de países estrangeiros. Eu já desconfiava que o António Costa tinha ascendência indiana, não sei, era o meu sexto sentido que me dizia, mas "Ganhdi de Lisboa" parece-me um tudo nada, o título de um filme português dos anos 50: "Os que mais gosto são a Aldeia da Roupa Branca, o Leão da Estrela e o Gandhi de Lisboa" Muito me estranha que esse argumento, do Gandhi de Lisboa, não tenha sido usado em campanha pelo Seguro. Via-se o cravo a ser roubado por um homem vestido com um lençol que depois interrompia a greve da fome, para fazer chamuças e devorá-las apressadamente olhando para as ruas de Lisboa cheias de barcos e de pessoas a serem arrastadas pelas cheias. O Seguro só não ganhou as eleições porque não foi suficientemente imaginativo no filme do cravo. Bem feita. Não tem pressa de nada, mas para fazer um filme que podia ser a chave destas eleições foi muito apressado. É o que dá a mania das pressas.

quarta-feira, agosto 06, 2014

O silêncio dos inocentes

As últimas semanas têm sido agitadas no sector financeiro deste país e palavra de honra que ando preocupado com o futuro da Dona Falênc... da Dona Inércia digo. E eis que num Domingo, nem noutro dia poderia ser, tudo parece estar resolvido. Activos tóxicos e dívidas do grupo para o mau, depósitos e actividade para o bom e como num filme, em que no fim ganham os bons, tudo volta à paz do Senhor. Mas na realidade não é bem assim e é mesmo de assuntos do Senhor que eu quero falar. Bem sei que este milagre se deu no dia do Senhor, precisamente em contra-ciclo com o descanso ao 7º dia, mas isso não justifica o silêncio da Igreja Católica sobre este caso. O governo em silêncio, aqueles que, em vésperas do milagre se livraram das acções do banco, em silêncio, a família em silêncio e os ex-administradores em silêncio, mas a Igreja Católica ? Então o Banco de Portugal divide o Espírito Santo em parte boa e parte má e a Igreja Católica nada diz sobre o tema ? Um dos vértices da santíssima trindade é esquartejado em lado bom e lado mau e assobiamos para o lado ? Afinal quem visitou a virgem Maria para a concepção sem pecado ? Eu não sei, mas tudo me leva a crer que foi o dos activos tóxicos. Convenhamos que se tivesse sido a parte boa, a história teria direito a um final mais feliz. Alguma coisa de activo tóxico andou por ali. E depois veio em forma de pomba, e já se sabe que os pombos são meio estranhos. Se fosse a parte boa, vinha de urso panda que é um animal muito mais bonito e não faz cocó nas estátuas. Outra prova disso é a aparição da Virgem na Cova de Iria. Se fosse a parte boa a tratar do assunto, a Nossa Senhora tinha aparecido na Comporta aos Pescadores em vez de Fátima aos Pastores, que todos sabemos que a Comporta e o Espírito Santo são unha com carne. E agora na celebração litúrgica, qualquer referência ao Espírito Santo, virá sem a explicação sobre se estamos a falar do bom ou do mau ? Sinceramente este silêncio é no mínimo estranho e preocupante. Aguardo esclarecimentos urgentes.

segunda-feira, julho 21, 2014

Passo a passo

A resposta "cá vamos andando" dada à pergunta "Tudo bem ?" tem aquele tom de "Cá nos vamos arrastando". Como se não houvesse outro remédio senão manter-mo-nos vivos, como se fosse fado, como sina, karma. Ora, a verdade é que "cá vou andando", tem sido uma novidade no último mês. Se Maio foi o mês da Carta de Patrão Local, que há-de ser post assim que espetar com uma embarcação no pilar norte da Ponte 25 de Abril, Junho foi o mês do pedómetro.
O princípio é simples, contar passos, medir distâncias percorridas, em rede social com quem tem pedómetro semelhante, e depois uma coisa puxa pela outra e antes que se dê por isso eis-me feito parvo alérgico a elevadores, viaturas e hidratos de carbono. Montado este circo, é com naturalidade que as horas que antecedem o trabalho ou de almoço ou após o jantar, sejam horas de "ir andando" o que, convenhamos, até é bom. Pela cidade, pelo rio, pelos passeios em família, ou porque à noite o desgraçado do cão também é convocado e já tem bolhas nas patas de tantos quilómetros. Os homens mentem e mentem de forma persistente em três frases. Uma delas não a vou dizer aqui, a segunda é "Isto nunca me tinha acontecido antes" e a terceira é "Isto não é o que parece". Hoje usei a terceira frase, mas macacos me mordam se era mentir. Aquilo não era mesmo o que parecia. Eu só entrei em casa com uma roupa diferente daquela com que saí. Bem sei que saí com um polo azul escuro, tamanho L e de malha normal, e cheguei a casa com um polo azul-lagoa-d'óbidos tamanho S e malha fina que me moldava de uma forma apanascada esta mistura desequilibrada de massa muscular com camada adiposa. Existe uma explicação para a troca de roupa e é muito credível. Fui andar à hora de almoço, fazer passos, incrementar a distância diária, o número de passos, a quantidade de andares subidos e as calorias gastas. Acontece que hoje estava quentinho naquelas zonas e após meia hora de caminhada e chegado ao meu local de trabalho, a coisa parecia grave. Cheiro nauseabundo. Ora eu já sabia que devia levar uma roupa e acessórios de banho para estas ocasiões mas nunca antes se tinha revelado mandatório pelo que a coisa ficava pela intenção mesmo. Só que hoje o inferno desceu às axilas e vai que tive que ir até ao Shoping buscar um polo de substituição. Para azar dos azares tudo está em saldos e a Springfield só tinha tamanhos e cores impossíveis - verde azeitonad'elvas xxs que não me ficava nada bem, a Massimo Dutti não tinha nada de jeito, a Sports Zone só tinha malhas finas vermelho rabo de boi e eis-me no Continente a ver polos a € 4.90 num azul de gosto duvidoso. O L chegava-me aos joelhos, o M não havia, pelo que o melhor é levar um S, que é obviamente o tamanho adequado para quem tem um metro e setenta e sete. Vou aos balneários, higiene tratada e roupa trocada, eis que estou numa camisa de forças em tons azul-lagoa-d'óbidos. E pronto, chego a casa e eis que a frase quase parece insuficiente "Isto não é o que parece."

segunda-feira, abril 14, 2014

Chávena Fria

Hoje é dia mundial do Café. 14 de Abril, dois meses depois do dia dos namorados e do dia europeu da disfunção eréctil - 14 de Fevereiro, dois meses antes do dia mundial do dador de sangue - 14 de Junho, um mês depois do dia do PI - 14 de Março ou 3.14 que é o início do PI e um mês antes de um dia-que-eu-não-faço-ideia-qual-mundial-de-uma-coisa-qualquer - 14 de Maio. Não havendo ainda nada para este dia, proponho algo interessante, como o dia internacional da economia paralela ou o dia mundial da cerveja artesanal e do macramé. Se o calendário é farto em dias mundiais ou internacionais, o nosso país tem, neste dia em particular tem dificuldades em escolher o que está a celebrar. Qualquer empregado de uma pastelaria, restaurante, bar ou taberna, pode completar a lista de variedades de café com maior propriedade que eu, mas convenhamos que é uma ciência servir cafés no nosso país. Se o critério é a chávena, temos café em chávena fria ou café escaldado. Se o critério é a quantidade de café na chávena, temos café cheio, café curto que também é uma italiana, ou normal. Depois temos a própria designação do café que vai do cimbalino, ao café ou à bica (que dizem ser a abreviatura de Beba Isto Com Açúcar). Ainda há as variantes aditivas como o café pingado ou com cheirinho. E por fim, aqui há pouco tempo, descobri que há quem peça café sem princípio - café em que se desperdiça o início do liquido que sai da máquina expresso. O mundo pode ser um lugar complicado capaz de assinalar dias mundiais espalhados pelo calendário, Portugal é um cúmulo em que é possível pedir um café curto sem princípio em chávena fria com cheirinho. Nós não concebemos automóveis o que, embora não pareça, é bom. É que com a quantidade de extras e de opções que conseguimos criar para uma bica, se Portugal se aventurasse no mercado automóvel íamos criar tantas variantes que qualquer catálogo ia-se assemelhar a um caderno de encargos de um concurso internacional.

sábado, abril 12, 2014

Menos bê mais ou menos raíz quadrada de bê ao quadrado menos quatro a cê sobre dois a

Ser licenciado em Matemática Aplicada não me garante a abstracção dos problemas do dia a dia, nem me prepara para a geometria muito própria do triângulo dos Marias cá de casa, tampouco me convence a organizar a vida como se de um sistema de equações lineares se tratasse. Da Matemática sei alguns conceitos, o raciocínio, e quando de feição, algum uso menos óbvio naquilo que são os nossos dias. Foi para falar sobre o futuro e o presente de alguém que é licenciado em Matemática que me desafiaram. A mim e a outros que , tal como eu, não são professores nem investigadores. Deixo aqui os vídeos. Do que disse, muito não está na montagem final. Do que não disse, é que o melhor desta função do quotidiano, é a certeza de convergir para ti no final de cada dia.

quinta-feira, março 20, 2014

Primavera

Facto: A primavera chegou hoje.
O Sporting defende que a primavera vem numa altura em que a janela de transferências está fechada pelo que deve ser impedida de jogar até ao final da presente temporada. E ainda diz que BASTA e que estão a ser prejudicados em dez pontos e que toda a gente sabe que esta  tal primavera não foi nomeada de forma transparente.
O Presidente Cavaco Silva anuncia ao País que a primavera é a altura de um grande consenso nacional e que o PS e o PSD deviam dar especial atenção qo que nesta época do ano se passa com as abelhinhas, com as flores e com os pássaros.
O Porto diz que a primavera chega ligeiramente adiantada em relação ao último defesa.
Seguro pergunta à primavera “Qual é a pressa?”
O partido comunista diz que a primavera nunca existiu, nem a de Portugal, nem a de Praga.
O governo propõe a criação de uma taxa primaveril com efeitos retroativos ao Outono. Para fazer descriminação positiva, a taxa não se aplica a quem tenha rendimentos inferiores a 50 euros ou superiores a 50 000 euros mensais. Aproveitando este evento, o governo propõe taxar as semanadas dos menores obrigando-os a declarar estes rendimentos. O tribunal constitucional desmaia todo de uma só vez.
O Correio da Manhã noticia que a Vera foi proprietária de uma casa de prostituição ilegal.
O Bloco de Esquerda faz subir à assembleia uma proposta de lei sobre a legalização de drogas leves que têm evidentes efeitos profiláticos nas alergias primaveris.
Jorge Jesus mostra 11 dedos à primavera e diz que o fez como alusão ao número de meses que dura esta bonita quadra. Em comunicado, o Benfica, manifesta total apoio ao gesto do treinador e reitera que nem quer ouvir falar de primavera uma vez que a última que se lembra foi pior que o mais rigoroso dos invernos.
Paulo Portas arruma os sobretudos, gabardines e fatos de inverno, pondo  a uso a coleção pessoal de meia estação.
O Sporting rectifica o comunicado afirmando que estão a ser prejudicados em 12 pontos e 15 graus centígrados.
Setenta e tal personalidades de todos os quadrantes políticos assinam um manifesto para renegociar a chegada das estações que se avizinham.
Polícias à paisana festejam nas escadas do parlamento a chegada da primavera.

quarta-feira, março 12, 2014

Actividades de Outdoor

O teambuilding está cada vez mais na moda e raras são as organizações que não promovem para os seus colaboradores uma ou outra actividade desta natureza. A polícia está de parabéns pela organização daquele evento outdoor nas escadarias da Assembleia da República. Aquilo é que foi. Está bem que podiam fazer aquilo da conquista do patamar com as pernas enfiadas em sacos de serapilheira, que conferia mais emoção à coisa, mas confesso que foi das actividades mais radicais a que assisti. Pessoalmente achei que os polícias de baixo estavam menos organizados que os de cima, mas é definitivamente uma ideia a seguir.
Se eu quiser organizar um evento assim, falo com quem ? E onde é que se arranjam os fatos para a equipa de cima ? Alugam-se? Há noutras cores ?

segunda-feira, janeiro 20, 2014

Referende-se pois

Excelentíssimo Senhor Primeiro Ministro Passos Coelho
Serve a presente para lhe expressar sincero apoio na feliz iniciativa de referendar a co-adopção por casais do mesmo sexo  (doravante designados por casais coiso). Custa-me compreender tanto alvoroço e tanta indignação só porque vossa excelência se lembrou de dar voz ao povo num tema tão delicado como a co-adopção por casais coiso. E já que está a referendar a co-adopção, parece-me genial que aproveite para referendar a adopção por casais coiso. Vossa Excelência devia ganhar uma bola de ouro porque com um só remate marca dois golos. Não querendo abusar da sua disponibilidade, queria sugerir que o referendo fosse estendido a mais duas questões dentro desta temática coiso.
Se Vossa Excelência estiver atento, com toda a certeza já reparou que a maior parte dos coisos, provêm desse antro de perdição que são os casais de sexos diferentes. A chamada família tradicional, do pai e da mãe, a tal da célula da sociedade, é donde vêm quase todos os coisos. Eles nascem normais, mas depois passam anos a ver os pais e as mães sempre muito cúmplices, muito dóceis, sempre com ternurinhas um pelo outro e quando se dá por ela, já eles estão carregadinhos da doença que os faz coiso. É neste contexto que lhe peço que referende a adopção e a procriação de casais de sexo diferente. Para ver se, duma vez por todas, se acaba com este flagelo coisossexual.
Por último e porque o seu governo é esta desgraça que se vê, queria que aproveitasse para referendar a Co-governação por casais do mesmo sexo. Só porque, às tantas, não há qualquer justificação para vossa excelência continuar a governar.
Obrigado.

segunda-feira, janeiro 06, 2014

Desportos de Inverno

Quando penso que já nada me surpreende, eis que Ângela Merkel resolve fazê-lo. Bem sei que partir a loiça num país estrangeiro é uma das suas actividades preferidas, mas partir a bacia na Suiça talvez seja exagero. E depois, esquiar ? Não sei, não estou bem a ver. Será que ainda vou ver o Aníbal a estatelar-se numa duna na sequência de algum exagero de Kitesurf  ou a fazer algo ainda mais radical como mandar um orçamento de estado de Pedro Passos Coelho para fiscalização preventiva ? Só de pensar fico em agonia.

domingo, dezembro 22, 2013

Este fim de semana não existe

É sabido que os fins de semana são tendencialmente bem vindos. É também verdade que o Natal é tendencialmente uma quadra em que muito se fala de paz e de alegria. Partindo destes dois postulados, não consigo perceber porque é que o fim de semana que antecede o Natal é este inferno, e de forma consistente. Nada tem a ver com este ano, nem com a crise, nem com os juízes do palácio Raton, nem com a ida ao estádio ver o Sporting jogar mal, nem com o frio, nem com os duodécimos que já lá vão, nem com nada. Este é consistentemente um fim de semana de deixar qualquer um de rastos. Porque o simples facto de sair à rua é uma aventura, andar de carro uma loucura, entrar numa loja uma proeza, sair da loja um milagre e embrulhar uma prenda uma benção divina. Por esta altura, há 2014 anos atrás, já a Maria andava com contracções e com alguns dedos de dilatação e estou em crer que se ela soubesse o que aí vinha rebentavam-lhe as águas ainda a caminho de Belém. Na escala do Pingo Doce que vai do Banco Alimentar ao 1º de Maio, este é claramente um fim de semana em 1º de Maio contínuo e generalizado mas sem a CGTP na Alameda. Findo o dito, já só quero que o Natal chegue e bem depressa se for possível. Não se confunda esta minha alergia ao fim de semana que antecede o Natal com alguma alergia ao próprio Natal. Nada disso, eu gosto do Natal e bastante. Mesmo com as operações da GNR, mesmo com o "Sózinho em casa" e a "Música no Coração", mesmo com  o Natal nos Hospitais, mesmo com os jantares de Natal e os amigos surpresa. Eu gosto do Natal, pela minha rica saúde. Palavra de honra, só queria mesmo é que este fim de semana fosse, assim de um forma muito democrática, proibido, banido, entroikado, qualquer coisa que impeça que este flagelo se perpetue. Acabem-me com este fim de semana antes do Natal.
Obrigadinho e já agora, votos de um feliz natal.

terça-feira, novembro 26, 2013

Noves fora tudo

Cheguei atrasado à natação para te apanhar e levar para casa. Já estavas de banho tomado, vestido e de cabelo mal seco. O progenitor de um outro miúdo perguntou-me se era eu o teu pai. Palavra de honra que pensei “Estupor do fedelho já asneirou. Ou se esticou no vernáculo com os amigos, ou foi malcriado com algum adulto.” Tenho-te em boa conta já se vê. Preparo-me então para o discurso evangelizador sobre o respeito com os outros, e eis que o pai do outro miúdo me dá os parabéns. Não pelo teu nono aniversário, mas pela ligeireza a resolver um problema de matemática, em que te mostraste lesto onde muitos adultos se atrapalham. Desarmei-me da pose autoritária, suspirei de alívio e inchei de orgulho, só não comentei o milagre da herança genética porque a modéstia fica quase sempre bem. Orgulho-me da tua agilidade com o raciocínio, orgulho-me dos teus nove anos, da tua persistência, da tua alegria, do teu sorriso, do teu mimo, da tua autonomia, da paciência com os teus irmãos e dessa deliciosa insistência em ser o eterno bebé da casa. Afinal ainda só tens nove anos, nem duas mãos completas para mostrar a tua idade. Desespero nos teus exageros, nas tuas birras, nos teus amuos, na tua autonomia, da falta de paciência com os teus irmãos e nessa estranha insistência em seres o bebé lá de casa. Afinal já tens nove anos, quase duas mãos completas para mostrar a tua idade. Afinal já sabes tanto, afinal já és tanto, afinal imenso. Afinal noves fora tu, noves fora tudo. Parabéns meu Amor.

domingo, novembro 24, 2013

Nem o pai morre nem a gente almoça

Hoje surgiu na agenda dos jornais e das televisões, a crescente e preocupante dimensão da geração nem-nem. Uma geração algures entre os vintes avançados e os trintas iniciados de gente que nem estuda nem trabalha. Corolário da conjuntura, da crise, das escolhas, do mercado, da cultura e da troika assistimos serenos ao crescimento desta geração de nem nem. Estou em crer que esta geração congrega pessoas de vários perfis e encerra vários "nem-nem". Há os "nem-nem" do lado "Nem tenho idade nem feitio para trabalhar nisso, nem que me paguem o meu peso em ouro" resignados e de tímida iniciativa e há os "Nem que fechem todas as portas, nem que me esgote de todas as forças eu vou desistir" lutadores, combativos e persistentes. O futuro, se colocar de lado uma certa ironia tantas vezes atribuída ao destino, há-de tratar cada um destes casos com um presente coerente com cada nem-nem.
No entanto, em consciência, não se pode falar do futuro destes nem-nem sem referir que quer eles, quer o futuro por que lutam ou esperam é o resultado de uma geração política sem-sem ou sem-nem. Sem alma nem escrúpulos, sem eira nem beira, sem critério, sem palavra, sem honra nem glória, sem ponta por onde se lhe pegue, sem ideias, e pior ainda, sem ideais nem ideologias, sem coração, sem solidariedade, sem vergonha na cara nem peso na consciência, sem pingo de decência, sem coragem, sem sabedoria, sem soluções, sem respeito e sem qualquer valor. Esta geração política é sem-sem, e temo que continue a ser sem-nem até que o país fique assim, sem rei nem roque.

quarta-feira, outubro 23, 2013

Estação de Tratamento de Resíduos Domésticos

O tratamento de resíduos domésticos é um tema que nos devia preocupar a todos e hoje em dia, com o objectivo de promover e possibilitar a reciclagem, quase todos fazemos a separação do lixo das nossas casas. A recolha, tratamento e eliminação de resíduos é um serviço assegurado pelos Municípios ou por empresas contratadas por estes, vocacionadas para o efeito e cada vez mais se ouve falar da possibilidade dos portugueses pagarem em função do lixo que produzem. Neste contexto, estuda-se, a implementação de uma tarifa do lixo cobrada consoante a quantidade de resíduos produzidos. O conceito pay as you throw pretende tornar mais justo o custo do tratamento dos resíduos, penalizando quem tem menor consciência ambiental. Na prática, poderá significar cobrar um preço consoante o peso ou o volume do saco do lixo.
Tratando-se da possibilidade de ter que pagar mais um imposto ou de ser agravado naquele que já pago comecei a pensar numa solução. Somos cinco lá em casa e o lixo tem uma tendência crescente para se multiplicar. Nem sei bem porquê, mas facilmente enchemos cada um dos três caixotes que habitam a zona por baixo do lava loiça.
Perante este cenário estamos a desenvolver lá em casa o protótipo de uma estação móvel de tratamento de resíduos sólidos. Este dispositivo inovador é capaz de recolher resíduos dos caixotes e de reciclar com eficácia grande parte do seu conteúdo. Há pormenores ainda a resolver como a diminuição do ruído nas fases de recolha e processamento inicial, o aumento da capacidade de tratamento de resíduos e a possibilidade de controlar remotamente (quem sabe por internet) o arranque do processo, mas convenhamos que, face aos ganhos, estas pequenas estações podem trazer, estamos perante pequenas arestas a limar numa solução verdadeiramente inovadora.
A imagem que se segue, mostra o protótipo em plena acção. O próximo passo é garantir a patente deste modelo e embalsamá-lo para que nunca mais volte a fazer uma brincadeira parecida.


quinta-feira, outubro 17, 2013

Estranho ....

a inércia dos burlões de idosos perante os cortes nas pensões de sobrevivência dos viúvos e das viúvas. A burla junto da terceira idade, especialmente de viúvas e viúvos, tem sido um dos poucos sectores de actividade em franca expansão em contra-ciclo com a nossa mais que deprimida economia. Seria portanto de esperar que os profissionais do sector, perante um cenário de corte nas pensões, manifestassem a sua revolta e profunda indignação.
Ou andam distraídos ou são preguiçosos, o que me custa a acreditar, uma vez que se fartam de fazer quilómetros para ir ao encontro dos pés de meia os idosos que vivem mais isolados. Agora que a CGTP vai construir a terceira ponte sobre o Tejo, Lisboa - Quinta da Atalaia, com o objectivo de realizar protestos na ponte e de criar a existência de um eixo fundamental de acesso à Festa do Avante, sugiro que os burlões de idosos entrem em conversações com a Central Sindical para garantir o aluguer da ponte visando a realização uma jornada de luta. Burlões de idosos: estou convosco e com a vossa luta.
A concorrência que o estado vos está a fazer é desleal. Se este país ainda se reger por uma constituição, esta forma de burlar idosos travestida de austeridade não há-de passar no crivo do Palácio Ratton. Esta luta é também a vossa luta.

quarta-feira, outubro 02, 2013

O primeiro filho

Nota do Autor: a ideia da escrita que se segue, surgiu a ouvir o “Governo Sombra”. A propósito do panorama de pedir o Segundo Resgate, cenário discutido durante a campanha das autárquicas, Ricardo Araújo Pereira sugeriu que que Portugal esquecesse o segundo resgate e pedisse logo o terceiro. Que saltasse o segundo, já que este segundo parece ser tão controverso. O primeiro resgate chegou depois de um parto difícil, almejado por muitos, indesejado por outros tantos, inevitável disseram quase todos. Como um primeiro filho, alterou os hábitos da imensa família, revolucionou o orçamento familiar e é o Ai Jesus de todos. O primeiro resgate vai ao pediatra cada vez que espirra, só em avaliações ao desempenho já vai na nona, e até o cocó do menino é assunto de debate, o que dá uma trabalheira, porque o primeiro resgate faz uma quantidade de merda invulgar. Desemprego, recessão, doses de carga fiscal e cortes de pensões e de subsídios em SOS, taxas solidárias, educação e saúde bem pagas, leis laborais. Não há memória de um resgate com tanta dificuldade na retenção de sólidos. Não obstante a quantidade de fezes, toda a atenção do mundo paira sobre o menino. Cuidado com a constituição que faz dói-dói ao menino. A constituição é muito má, parece que embirra com ele. Ai que o petiz não aguenta uma crise política. Ele parece estar com défice excessivo, será que apanhou despesas não previstas. Parece que está com a receita inflamada. Não falem mal do menino que a mamã Troika pode ficar ofendida e está lá dentro a avaliar como é que tratamos dele. Será que já podemos ir aos mercados e deixá-lo com a resgate sitter, ou ela ainda é pequenino e não aguenta ? Palavra de honra, não há paciência para a panasquice do primeiro resgate, como não há para as mariquices de primeiro filho. É mais que provável que tenhamos sido assim com o Maria mais velho. Entre fita magnética das cassetes de vídeo e rolos de fotografia, devemos ter gasto suficiente para embrulhar o mundo com um laçarote. Acho que já aqui falei sobre o primeiro gatinhar do mais velho dos Marias. Recapitulando,foi um autentico happening: “Parece que o menino vai gatinhar”. Convoque-se a imprensa, chamem-se as televisões. Pai com máquina fotográfica, mãe com câmara de vídeo, avós, primos e tios em claque organizada com cânticos e festejos emocionados. O menino levanta uma perna balofa, cheia de rufegos, num gesto semelhante ao de um cão a querer marcar território, e as lágrimas, palmas e o coro de palavras de incentivo enchiam a sala. Seguiu-se um debate sobre se os movimentos que o precoce rapaz efectuou, correspondiam ou não ao acto de gatinhar e finalmente registámos no livro de criança a data e hora precisa de tamanho feito com assinatura de todos e se possível com reconhecimento notarial. Dois Marias depois, o cenário era bem diferente. Chegamos a casa com compras e os três Marias. Os dois mais velhos imundos à conta de brincadeiras no jardim. Um vai dar banho aos mais velhos, o outro vai arrumar as compras e o mais pequeno deposita-se em cima da cama dos pais, para não chatear. A meio do banho dos mais velhos, ouve-se um som seco de uma queda, dois segundos de silêncio e uma guincharia a invadir a casa. Um de nós vai ver o que se passa e grita para o outro “Olha o António caiu da cama. Já gatinha”. O outro responde “Parece que é parvo. Não podia começar logo a andar? Sempre nos poupava esta parte das quedas. Magoou-se muito? A Estefânia a esta hora deve estar um horror.” ”Ainda bem que não. Melhor assim” O terceiro resgate é com certeza assim. Despanascado. “Ai a medida é anti-constitucional ? Paciência, a Troika que se vá encher de moscas. Se não quisesse, não emprestasse o dinheiro”. “O Portas está com um surto de demissão irrevogável? Mas afinal o que é que ele agora quer? Ser presidente da JSD? Ele que vá levar … Não é melhor não“ “Ai o défice chegou aos três dígitos? Sempre teve, agora só se livrou da vírgula” “O Cavaco quer um consensozinho quentinho? Consensos não há, pode ser bolo rei?”. Definitivamente concordo com o Governo Sombra. Vamos lá buscar os impressos e preenchê-los para pedir já o terceiro resgate. Assim como assim, já se sabe que os resgates do meio são assim meio ressabiadinhos do efeito sanduiche. Nota Final do Autor: no dia 13 de Setembro este blog fez 10 anos. Obrigado.

quinta-feira, agosto 29, 2013

A primeira e a terceira

A ria tem destas coisas. Atrai-me.
A primeira foi por vontade própria. No fundo só não sabia onde estava o fundo. A margem estava tão perto que achei que era uma boa altura para saltar para fora de bordo e ajudar à manobra de ancorar a embarcação. Escolhi a proa e lancei-me para ficar com água pelos joelhos. Entrei de pés e a água passou os joelhos, a cintura, o pescoço, a cabeça e submergi. Tratou-se só e apenas de uma incorrecta leitura de profundidade.
A terceira foi por desequilíbrio. Na popa era necessário uma manobra que envolvia soltar um pequeno mecanismo no exterior da embarcação. Tudo parecia correr bem, mas como se sabe a ria é traiçoeira e tem ondas capazes de fazer inveja ao canhão da Nazaré. Ora a embarcação ficou ainda mais inclinada e o meu ponto de sustentação desapareceu. Foi como se o chão se fosse embora. Desta vez não mergulhei na totalidade, apenas até à cintura. Ou o externo pronto. Os mamilos tenho a certeza que se safaram, mas o  mesmo não posso dizer do telemóvel, nem da carteira. O resto da manhã foi a passar os cartões por água doce e a dar arroz ao telemóvel. A lavagem de dinheiro correu bem, mas o estupor do gadget de fraca qualidade ainda não saiu do coma induzido.
Esperemos por dias melhores, mais secos, mais longe da ria.

terça-feira, agosto 27, 2013

A segunda queda

Ainda não descrevi a primeira, mas lá iremos. Não existe regra que obrigue ao respeito pela ordem cronológica dos acontecimentos.
No regresso da praia parámos no meio da ria para a criançada dar uns mergulhos. Largámos a âncora e alguém comentou a existência de alguma corrente. Sem qualquer ordem as crianças lançam-se à água em estilos mais ou menos conseguidos. O mais novo também. Não demorou muito até o ouvir gritar "Tiooooo. Trave o barco que eu não consigo apanhá-lo". Meu rico príncipe que achou que a corrente da ria era uma brincadeira do comandante da embarcação.
Ora para dar meia volta e ir buscar o  náufrago envolvia recolher a âncora, ligar o motor, fazer a manobra e proceder ao salvamento. Atirei-me à ria pela segunda vez. Nadei até ao aflito António e por pouco não o esbofeteei porque se agarrou ao meu pescoço como se a vida dele dependesse disso. Mandei-o serenar e combinámos que íamos ficar a boiar e a nadar devagarinho até nos virem buscar. Assim fizemos.
Olhei para a embarcação e ainda a manobra de recolher a âncora decorria. Eis que apareceu um bote de borracha com um senhor de barbas brancas e sunga preta que nos deu boleia até ao barco. Hosana nas alturas. Aquele senhor só podia ser Deus. Nunca o imaginei assim. De sunga preta ainda vá que não vá, afinal Deus não vai para novo e não estranho que esteja preso a modas mais antigas. Agora o bote de borracha com um motor de dois cavalos é que me surpreendeu. Sobretudo porque o filho Dele tem aquela mania irritante de andar sobre as águas sem esquis. E mesmo com esquis, andar em cima das águas é lixado por causa da esteira e da ondulação. Seja como for foi Deus que nos rebocou até à embarcação e para mim, naquele momento, o bote de borracha pareceu-me um iate de luxo vindo directamente do céu. Para o pequeno António também, que aprendeu que o mar tem vontade própria nem sempre coincidente com a nossa. Eu fiquei a saber muito mais sobre Deus e sobre a respectiva indumentária. Na capela Sistina, Miguel Angelo não foi muito justo com Ele. Ainda que de sunga preta, estava com muito melhor aspecto que no tecto da capela. E tinha um bote de borracha caramba. Deus não anda de nuvem, anda de bote de borracha.

Sotavento

O sotavento algarvio é um outro Algarve. Mais não seja porque não tem a rua da Oura nem Albufeira onde se concentram centenas de jovens ingleses, com as hormonas do crescimento à razão inversa do bom gosto, do bom senso e da tolerância ao álcool. Os adolescentes ingleses vomitam muito  e não sabem que peúgas e saltos altos são uma combinação pouco, ou mesmo nada, atraente. Por seu lado, o sotavento Algarvio tem mais moluscos bivalves, porque tem mais rias.
Estas rias não só nos dão uma trabalheira a ir para a praia (envolve sempre andar de barco ou atravessar pontes), como nos brindam com algumas jóias resistentes às investidas turísticas. Cacela Velha é uma destas jóias, que além do encanto paisagístico, tão consensual que até irrita, tem o encanto gastronómico, ainda mais consensual e portanto mais irritante.
Do apartamento de férias vê-se a ria o que é bom. Para nós e para as melgas que se juntam a partir do fim da tarde.
Para ir até à praia, apanhamos o barco na ria e, pasme-se, tenho caído à ria sempre que fazemos a travessia. Não me atiro por acidente, atiro-me com convicção. Da primeira e da segunda vez tive o cuidado de me livrar da carteira e do telemóvel antes de me atirar. Na terceira convidei-os para o mergulho. Aparentemente o telemóvel não gostou da brincadeira. O amuadinho da Smasung desde essa altura que não dá de si. Não gosto de telemóveis com tiques de falta de educação. Hei-de achar uma forma de o pôr no seu devido lugar. Eventualmente o lixo.

quarta-feira, maio 08, 2013

Exames Nacionais

Se estas perguntas não saírem nos exames do 4º ano, o Crato não é homem não é nada:

Língua Portuguesa
Lê atentamente a frase de autoria de Passos Coelho ainda durante a governação de Sócrates “O PSD chumbou o PEC 4 porque tem de se dizer basta: a austeridade não pode incidir sempre no aumento de impostos e no corte de rendimento.”
a) Sublinha no texto e classifica morfologicamente a palavra “Otários”
b) Qual a figura de estilo a que o actual primeiro-ministro recorreu? 
    1. Eufemismo
    2. Ironia
    3 Aldrabice

História 
Comenta a seguinte afirmação: “Após a morte de D. João III, D Sebastião teve que esperar até aos 14 anos para assumir a governação. D Sebastião, com o cognome de 'o Desejado', tornou-se o primeiro governante dos destinos do país proveniente das Jotas."

Geografia 
Ramiro acabou o curso de biologia marítima com uma média superior a 17, e foi convidado a trabalhar numa empresa de outro país. Ramiro tentou arrancar a sua própria empresa, mas a sua energia esgotou-se em processos intermináveis de licenciamento e alvarás, burocracia e juros muito altos junto da banca. Durante o período em que tentava criar a sua empresa Ramiro ainda trabalhou num Call Center durante dois anos só que o seu contrato não foi renovado e ficou desempregado. Ramiro foi para outro país trabalhar como biólogo marítimo.
 Depois do que leste, o que achas que aconteceu ao Ramiro ?
a) Emigrou
b) Imigrou
c) Transformou a adversidade do desemprego numa experiência positiva
d) Foi expulso

Matemática 
Dona Alzira recebia em 2011, 400 € de pensão. Em cada avaliação da troika Passos Coelho agrava-lhe a contribuição para o raio que o parta em 5 % e Paulo Portas desagrava a mesma contribuição em 2%. No final do período de assistência, quantas reformas da Alzira são precisas para igualar o ordenado do 1º Ministro ?

segunda-feira, abril 29, 2013

Cão como nós

... depois de muito resistir e fartos de tantos anos sem noites mal dormidas à conta de choros acedemos à vontade da troika de Marias cá de casa. Não querendo que este blog seja um d(l)og parece-me pertinente apresentar o Matias. Meigo, obstinado e energético, este coisa que faz xixi e cocó de forma mais ou menos aleatória converge a passos largos para a algália e arrastadeira. Se ainda assim continuar a chatear, empalhá-lo afigura-se como um cenário possível. Acresce que não usa máquina de calcular e nunca foi presidente de câmara.

terça-feira, abril 23, 2013

O derby dos nossos clubes

Se a jornada futebolística começa à Sexta e termina à segunda, os debates televisivos sobre tema começam ao Domingo e estendem-se até, pelo menos, Terça Feira. São programas onde se analisam lances polémicos durante horas a fio, vistos por todos os ângulos e a várias velocidades. Mais do que discutir futebol, discutem-se arbitragens. É o equivalente a ter um programa de sexologia, com um painel de convidados em que pelo menos um é adepto dos homens, e outro é adepto das mulheres, a debater um filme de poucos diálogos, revendo os mesmos planos em várias velocidades, tentando chegar à conclusão sobre se alguém está a fingir ou se tudo é verdadeiro.
Depois do derby, e estando atento ao que se diz nesse rol de programas, já foram perdoados 1273 penáltis ao Benfica, o Maxi deveria ter sido expulso 873 vezes e Miguel Relvas é um menino quando comparado com João Capela, que deve ter ido a uma acção de formação de Subbuteo para obter equivalência a árbitro de categoria internacional.
 Se me perguntam como Benfiquista, se preferia que o jogo não tivesse casos, digo que sim e que a vitória não sabe tão bem como saberia, caso a prestação do árbitro não fizesse lembrar a prestação de Roberto nos seus melhores dias.
Também é verdade que se me perguntarem como Sportinguista, se preferia ter levado dois secos limpinhos, confesso que não. Gosto da atenuante do árbitro-vitor-feitor-pinto. Atenua-me a frustração da derrota em casa do eterno rival.
 Revolta, indignação e frustração são usados por nós Sportinguistas para exprimir os sentimentos face ao que se passou no jogo contra o nosso clube, o Glorioso. E como se não bastasse, nós sportinguistas estamos muito atentos a este escândalo que é o branqueamento que a comunicação social pratica com os actos do nosso Benfica, apelidando de grande feito o que deveria ser considerado como uma verdadeira espoliação. Por ser o clube que maior base de apoio possui, o nosso Benfica é apontado como beneficiando de um estatuto de impunidade aos olhos de toda a comunicação social. Acontece que a dimensão da base de apoio nunca foi razão para preferências da comunicação social, veja-se o bloco de esquerda que sempre foi tão acarinhado pela classe jornalística e que nunca chegou às pré-eliminatórias da liga dos campeões: o melhor que conseguiu foi um 4º lugar. Posto isto, se quiser cair nas boas graças da imprensa, o que o nosso presidente tem que fazer é levar o nosso clube pelos caminhos do futebol-caviar e não há-de tardar muito para que o nosso Sporting seja acarinhado até pela Bola.
Finda esta jornada que podia ter corrido muito melhor, mas que também podia ter sido bem pior restam quatro jornadas para o fim do campeonato e espero muito sinceramente que o nosso Benfica alcance o título e o nosso Sporting um lugar na liga europa. Quanto ao árbitro, o senhor Capela, que arranje um cão guia à altura e uma bengala vermelha e branca porque ele tem um grande futuro na carreira da invisualidade.

quarta-feira, abril 17, 2013

Onde o espaço é quase tudo e o tempo é quase nada

Já estive em jantares de amigos em que as pessoas estão menos próximas que naquele restaurante ínfimo. Mesas encavalitadas a convidarem à conversa entre os fregueses. “Negócio de família e olhe que a sala já foi metade do que é agora”. Uma cerveja e tremoços enquanto se espera que a família do canto liberte a mesa. Conversas à solta. Ainda mal chegada, recebida com entusiasmo pela família, a senhora de cabelo curto e corpo deformado não se coibia na conversa com quem queria. O casal do lado, generoso na disposição, pareceu gostar da disponibilidade para a conversa. A senhora elogiava o tamanho do cabelo da mulher. “Com esse comprimento, deve ter pelo menos dois anos sem ver tesoura. Só aparar as pontas, presumo”. A mulher sorriu e confirmou algum tempo sem um corte drástico. “Um milímetro de dois em dois dias. É essa a velocidade a que cresce o cabelo. Este aqui já tem dois meses.” Exibiu com orgulho quase três centímetros de cabelo. Não era difícil adivinhar-lhe a recente quimioterapia. A mesma cruel e puta doença de sempre. Maldita seja. E ainda assim, os olhos dela brilhavam e ainda assim a energia contagiava quem a ouvia. A família mimava-a com elogios à beleza, ela assumia a personagem e mimava-se também. O casal do lado, apanhado na onda de elogios, ofereceu-se à conversa, quase cúmplice. A gargalhada do homem, inconfundível para quem o ouve na rádio, denunciava-o em cada momento de boa disposição. No final do jantar, por alturas da sobremesa, a senhora de cabelo curto anunciou o truque para que o bolo de bolacha ganhasse outras dimensões: umas gotas de água do vimeiro. Tirou da mala uma pequena garrafa e abençoou o bolo com algumas gotas. O homem do casal do lado, pediu licença e cheirou a garrafa: “Olhe que eu estive no Vimeiro, e não me lembro desta água por lá”. E assim foi o jantar. À pressa porque a hora do concerto a trazia, devagar porque cada frase ouvida parecia querer ficar, depressa porque quando assim é nem se dá pelo passar do tempo. O concerto não foi assim tão bom, só que da noite ficou o jantar. No tempo apertado, no espaço tão curto, as cumplicidades nascem depressa, quando regadas, quando risadas, quando alegrias de viver.

terça-feira, março 19, 2013

Surpreenda o seu pai

Palavra de honra Apple, francamente !!! Surpreenda o seu pai com o novo iPad ? Eu bem sei que é o dia do pai, mas olhem que, dadas as circunstâncias, não precisaria de um iPad para surpreender o meu pai. Bastava aparecer-lhe à frente que, com toda a certeza, o surpreenderia. A ele e a todos aqueles que me são próximos.
 

segunda-feira, março 04, 2013

Memória futura



... antes que isto se altere, porque em futebol, nada é certo até ao último apito. Deixa-me cá registar que o Benfica está em primeiro lugar no campeonato. A bem da verdade, faço-o , porque nos últimos 10 anos (idade que este blog vai completar) não foram muitas as jornadas em que o Benfica esteve à frente.   Sou honesto no comentário mas repudio qualquer insinuação de que o Benfica anda a ganhar jogos,  com vestígios de vitórias portistas.

Sensação estranha ...

... esta que tenho de, ao ouvir  "Portugal terá mais tempo para pagar empréstimos à troika", parecer que me estão a dizer "Portugueses deverão ver prolongadas e reforçadas as medidas de austeridade" . Aquilo dos PEC's parecia menos mau. Igualmente inconsequente, mas menos mau.

domingo, março 03, 2013

A resignação do Papa, a carne de vaca e a Grândola


Ainda antes da quaresma, Bento XVI anunciou a sua resignação. O anúncio da resignação, sinal de lucidez, a ter em conta por tantos políticos em especial aqueles que, não podendo, insistem em ser candidatos à presidência de algumas câmaras municipais. Devem estes estranhar a lucidez de resignar, podendo continuar. Pedro Passos Coelho, a propósito do tema, aproveitou para comunicar que a resignação papal está em linha com as previsões do governo. Já Relvas, cantou a Grândola.
Quase em simultâneo com a renúncia, surgiram as notícias de indícios de carne de cavalo em quase tudo o que envolve vaca. Estranho com tanto alarido à volta do tema. Enquanto, nas aulas de equitação, o professor não me mandar agarrar aos cornos no cavalo, não ficarei inquieto. Lasanha, hambúrguer e almôndegas são locais indicados para vestígios de carne de cavalo, da mesma maneira que um rissol de camarão é um bom sítio para encontrar vestígios de cavalo-marinho. Não vem daí grande mal ao mundo. Não vamos relinchar mais ou dar mais coices na sequência da ingestão de carne de cavalo. Pior, muito pior seria se os tóxicos dependentes encontrassem vestígios de vaca nas doses de cavalo. Pedro passos Coelho esclareceu que a presença de vestígios de carne de cavalo na lasanha e nas almôndegas está alinhada com as melhores previsões do governo. Relvas cantou a Grândola.
O país voltou à rua. Para mandar lixar a Troika e para cantar a Grândola Vila Morena. O mérito de fazer um país esquecer algumas diferenças partidárias e vir para a rua indignar-se e cantar uma canção revolucionária, é repartido pela Troika, por Passos Coelho, por Vitor Gaspar e por Relvas.  A solução da Troika parece má, o governo tempera-a para ficar ainda pior, e é-nos servida com vestígios de insensibilidade. Desemprego, distribuição desequilibrada dos sacrifícios e sobredosagem parecem não nos levar ao caminho certo do fim da crise. O país saiu à rua para o dizer e cantar. O número de participantes, segundo Passos  Coelho, está alinhado com as previsões do governo. Desta vez Relvas não cantou a Grândola por estar numa festa de anos. Cantou os parabéns a você mas já tratou de pedir a equivalência.

terça-feira, janeiro 29, 2013

Recado na Caderneta


Excelentíssima professora:
Tendo um profundo apreço pelo seu método de ensino, e reconhecendo a importância dos petizes conhecerem os principais cursos de água deste país, venho por meio desta sugerir-lhe que nos próximos trabalhos de casa, peça às crianças para saberem tudo sobre outro rio que não o Sado. Entendo que a bacia do Sado seja particularmente interessante, bonita, com golfinhos e Arrábidas e Tróias, e que o Sado nasça na Serra da Vigia, que será porventura um local de beleza inigualável do Alentejo, mas havendo tanto rio neste país, podia escolher um em que o Google não sugira imagens de Sado-Masoquismo.
Nada tem a ver com uma eventual tentativa de afastar determinados temas da educação das crianças, mas é que aquela imagem de senhores e senhoras vestidos com roupa interior em coro, chicotes e correntes distraia-os muito do tema fluvial. Em vez de quererem falar dos afluentes e da foz, insistem em obter explicações sobre aquelas sugestivas práticas. Neste contexto, reforço o meu pedido para que a senhora professora eleja o Mondego como rio para trabalho de casa. Mesmo não tendo golfinhos.
Pedia-lhe ainda o favor de, caso o tema venha à baila, ajudar a explicar porque é que há pessoas que gostam de misturar alguma dor com coisas que lhes dão muito prazer.
Só mais uma coisa, se ele disser que é como estar a comer esparguete à bolonhesa e gostar de levar uma vacina ao mesmo tempo, não ligue. São coisas de criança.

quinta-feira, janeiro 10, 2013

FMI

E em vez dos Reis, o início do ano brinda-nos com um relatório do FMI com fórmulas indicadas para a poupança de 4000 milhões de euros na despesa. Aparentemente, o estado está a viver acima das suas possibilidades no que toca a políticos, forças de segurança, militares, professores e profissionais de saúde e a solução passa por gastar menos em todas estas áreas.
Não vou comentar a essência de um documento de recomendações que é anunciado ao país por iniciativa de um jornal, que gera comentários contraditórios entre elementos do governo e que aparentemente foi construído com base em pressupostos errados. Só comento conteúdos  certificados pelo Professor Doutor Oliveira Gaspar.
Neste contexto, resta-me partilhar algumas preocupações. Preocupa-me, por exemplo, se os possíveis cortes na despesa com a classe política envolvem retirar a conta de facebook a Aníbal Cavaco Silva. O senhor quase não comunica connosco, excepção feita ao canal da rede social, se lhe retiram a conta como saberemos que ele continua sem nada para dizer?  A Assunção Cristas está de esperanças (esta história de rezar tanto para chover tinha que dar asneira) e já não cabe nos saia casaco do ano passado. Eu espero que haja o bom senso de deixarem a senhora renovar o guarda roupa para que possa exibir tanta esperança sem vergonha. Por outro lado, existe esta questão da taxa de alcoolemia dos deputados. Já se viu do que eles são capazes quando estão sóbrios, se calhar é feliz a ideia da deputada que foi apanhada a conduzir ligeiramente alterada: impeçam a entrada no hemiciclo de qualquer deputado que não tenha pelo menos uma taxa de 1,5 gramas de álcool por litro de sangue. Quem sabe assim chumbem qualquer medida proposta no âmbito deste documento do FMI que provavelmente também foi redigido sob o efeito de estupefacientes.
Expostas algumas das preocupações, resta-me rezar para que o supra citado documento seja inconsequente. Obviamente não me ajoelho por dois motivos:
1. o Senhor lá em cima já não vai para novo e pode não ver bem. Lá cima apanha-me a rezar, confunde-me com a Cristas e desata a chover. E já chega de chuva por ora.
2. Para não engravidar

terça-feira, novembro 27, 2012

E o burro sou eu ?

No livro "A infância de Jesus" o Papa Bento XVI confirma a virgindade de Maria, mas coloca em causa a existência do burro e da vaca, e afirma que a estrela que guiou os Reis Magos se tratava provavelmente de uma super nova.
O senhor já não vai para novo, é certo, pelo que não deve ser contrariado. Só estava aqui a reflectir sobre esta questão. Uma virgem que dá à luz uma criança anunciada por uma pomba e concebida pelo Espírito Santo, três Reis Magos guiados por uma estrela, um marido cooperante, um burro e uma vaca. E neste cenário todo, o que está a mais, é o pobre do burro e a vaca.
Sobre o mesmo tema, já tínhamos ouvido Luis Filipe Scolari, questionando-se se seria ele o burro, mas não duvidando da sua existência. Bento XVI vai mais longe, e nega a existência do burro. Come se não bastasse  radicaliza dizendo que a vaca também estava ausente. Não tarda muito vai dizer que o Pai Natal não existe e que o Bacalhau também não deve estar presente nesta quadra.
Há muitos anos, a minha tia Belmira, já muito demente, chamou a Bayer lá a casa para fazer um extermínio de insectos porque a sua cama estava cheia de bichinhos. Afinal eram uns borbotos de lã do cobertor em cima dos lençóis.
É isto.

segunda-feira, novembro 19, 2012

Chef mas ... muito

(por um post este passa a ser um baby blog... adolescente blog pronto)
À conta de um trabalho de casa para a disciplina de Inglês ... o maior cá de casa, dono das imensas bochechas, fez um vídeo sobre cozinha saudável ...

sexta-feira, novembro 16, 2012

À Carga

A propósito da carga policial na passada quarta feira, tenho alguma dificuldade em perceber as vozes que se levantam contra a mesma. Alguns dos manifestantes que permaneceram no largo da assembleia após o fim da manifestação da CGTP, nada mais fizeram do que provocar e atingir à pedrada o corpo policial durante mais que uma hora, a polícia fez um pré aviso de distribuição de pancadaria dando oportunidade de recuo a quem o quisesse fazer, e depois carregou sobre quem resolveu ficar. Estavam à espera de quê? Que fosse só na reinação? Que a polícia fosse dar abracinhos a quem os esteve a apedrejar durante mais que uma hora ? Não entendo qualquer indignação sobre esta intervenção por muito que me custe, neste caso e só neste caso, estar alinhado com o discurso do governo.
Ainda a propósito da intervenção policial, parece-me pertinente tecer mais duas considerações:
1. O governo e os grupos parlamentares do PSD e do CDS não têm feito outra coisa senão agredir de forma violenta os cidadãos do país, carregando de forma abusiva na carga fiscal e descurando a redução da despesa. Instanciando, o governo tem agredido e provocado os elementos das forças de segurança, razão pela qual me parece ser inevitável que mais tarde ou mais cedo, se assista a uma carga policial de fora para dentro da Assembleia. Não deve, portanto, tardar muito para assistirmos a uma carga policial sobre os membros do governo e sobre os deputados que sustentam o mesmo. Também neste caso devem ser avisados para que, caso pretendam, recuem nas acções de provocação e agressão às forças de segurança.
2. À semelhança do que aconteceu com Luisão, a UEFA pondera suspender por dois meses, o corpo de intervenção da polícia na sequência da carga policial de Quarta Feira. A reincidência de desacatos desta natureza pode até levar à interdição da escadaria da assembleia ou mesmo à realização de manifestações à porta fechada.
E é isto.

sexta-feira, novembro 09, 2012

A propósito do post anterior ...

... o blog "As Partes do Todo" recorda-nos o que de melhor o Quino fez com Mafalda e Susaninha. Há padrões universais.
Espreitem aqui

Empobreçamos então Isabel


Como um treinador de futebol em desgraça que passa de bestial a besta, como a "Floribela que numa semana passou de boazinha a boazona" (esta graça pertence, se não estou em erro, ao Bruno Nogueira), como um político que em semana de tomada de posse passa de promissor governante a mentiroso compulsivo, a responsável pelo Banco Alimentar contra a Fome é nesta semana despromovida à categoria de besta. Esta contestação generalizada a Isabel Jonet surge na sequência das declarações feitas sobre a necessidade dos Portugueses reaprenderem a empobrecer, depois de anos de vidas acima das reais possibilidades. A versão travestida de Manuela Eanes ilustra o novo paradigma de empobrecimento, com o tema bitoque: «Se nós não temos dinheiro para comer bifes todos os dias, então não comemos bifes todos os dias».
Estas declarações causaram espanto e indignação nas redes sociais e até há quem exija a demissão da Manuela Eanes das grandes superfícies. Caramba, a senhora também não disse um disparate assim tão grande. Apenas nos aconselhou o empobrecimento e a reformulação dos menus familiares.
Pessoalmente, já acatei os sábios conselhos do Fernando Nobre de saias, e ainda ontem, com a emoção do jogo do Sporting deixei o refogado passar um tudo nada do ponto e a carne guisada planeada para hoje vai ser servida ao jantar com o empobrecimento sugerido. Hoje ao jantar há “Carne à Sporting” que não é mais que carne guisadóesturricada. Nos próximos dias vamos continuar com ementas mais modestas que incluem Empadão à Troika (só arroz ou puré), Salsichas à Paulo Portas (duas salsichas de lata em forma de submarino submersas em água quente) e o inevitável Cozido Gaspar (faz-se o cozido completo, entregam-se as carnes e os enchidos às finanças e serve-se o caldo e as hortaliças). Espero que estas sugestões estejam de acordo com o programa de empobrecimento global sugerido.
Relembro aqui que Isabel Jonet não tem só o mérito de nos fazer mais solidários quando empurramos carrinhos de supermercado em determinados fins-de-semana. O grande mérito da senhora, é o de, nesses mesmos fins-de-semana, justificar a existência de milhares de escuteiros e libertá-los por três dias do estigma de “ajudar os velhinhos a atravessar a rua”.

segunda-feira, novembro 05, 2012

Príncipe das bochechas

De que valem estes 14 anos se ainda és a emoção primeira de ser pai? O que importa a tua adolescência se te aninhas em mim criança? De que serve a data de nascimento se ainda és mimo e riso e choro ? Não te adianta tamanha idade se festejo o teu desjeito na prancha de surf com a mesma euforia que o teu desjeito nos primeiros passos, se admiro a destreza nos patins como a ligeireza na mota das rodas gordas, se me comovo no teu humor como no teu primeiro riso, se desespero da tua preguiça como à espera do teu gatinhar. Não me enganas que és quase adulto, que és praticamente criança. É que em tantas coisas és igual a tudo o que em ti vi crescer. Manténs o sorriso, a obsessão na gastronomia (do ponto de vista de quem confecciona e do ponto de vista do utilizador), o sentido de humor, a ingenuidade, a preguiça, a boa disposição e embora não seja muito importante, manténs as bochechas do tamanho de dois planetas lindos e gigantes. Parabéns meu pequeno grande amor. Estás quase, quase crescido, mas felizmente isso também não vem ao caso.

segunda-feira, outubro 22, 2012

Meu príncipe loiro

[texto quase todo escrito a 22 de Outubro - dia de anos do Loiro dos Caracóis]
És o primeiro dos príncipes a fazer anos. Onze. Meu pequeno príncipe, onze como onze são os jogadores de uma equipa de futebol em que sonhas ser grande. Guarda redes de emoções. Defendes para canto cada pergunta certeira às redes do que te vai na alma. Desvias com um olhar, cada remate rés vés ao que se passa, dizes quase nada de ti, és mãe e pai nestas andanças. És defesa da grande área da tua vontade, desarmas com sorrisos matreiros cada jogada que ponha em perigo o resultado que queres, ou de cara cerrada se te driblam para lá do que achas justo. Senhor do meio campo de um humor bem artilhado, sorriso aberto e alegre. Distribuis mimos e desmarcas-te sempre para a zona certa de um carinho quando é mais preciso. Jogas nas alas de quem te mais gosta e fazes pressão alta para nunca seres apanhado em contra-mão  Junto à área contrária, nunca te travam. Brilhante nas fintas às contrariedades, puxas à linha o teu charme, e centras certeiro por cima de todos os argumentos. Aí entras de rompante e nem deixas que a bola toque o chão. Rematas de surpresa com a força de todas as convicções no fundo da baliza do teu tanto querer. Festejas como ninguém cada golo, e nós na bancada, festejamos contigo como se tivéssemos no campo a dançar junto da bandeirola. Mais um golo, mais uma vitória, e hoje mais um ano. Parabéns meu amor.

sexta-feira, outubro 19, 2012

Lost - parte II



Logo de manhã cedo, verificado o estado do iPad, nenhum movimento e eis que, mesmo antes de sair de casa, o localizador informa-me que alguém o ligou às 7:45. E onde havia de ter sido ligado o menino? Na bendita da escola. Trafulhas. Albergam uma ladra ou um ladrão e nem com a polícia se desmancharam. Não esperam pela demora.
Vou trabalhar com todo o equipamento necessário a não perder uma tentativa que seja de ligar o iCenas. Chego ao trabalho antes das nove e à hora certa, nova ligação do iPad. Isto é um padrão. Agora de hora a hora, o surrupiador de iPads vai tentar desbloqueá-lo. Vejamos se assim é. Aviso a Ana. No emprego dela organizam-se patrulhas prontas para, assim que houver mais movimentações, irem para o terreno com uma só missão: recuperar o iCenas. Testam equipamentos e organizam-se em coberturas geográficas.
Meu dito meu feito. Ás 10 da manhã ligam-no outra vez. Não me aguento. Googlo a página da escola e descubro o mail de contacto. Não é tarde nem é cedo. Vamos lá tratar de pressionar um tudo nada aqueles que, sob a capa da pedagogia infantil, encobrem actos ilícitos e dão abrigo à gatunagem. Aviso a minha mulher do sucedido e mando o primeiro comunicado para a escola:
“Bom dia :
Estive ontem com a minha mulher e com a polícia na sequência de ter identificado a localização do iPad da minha mulher, que se perdeu muito perto das vossas instalações, sendo provável que se encontre nas mesmas. Na altura o iPad estava desligado e desde então (saímos daí com a polícia às 18:40) voltou a ser ligado 4 vezes sempre na mesma localização (que parece ser as vossas instalações):
- 19:03 do dia de ontem
- 7:45 de hoje
- 9:05 de hoje
-10:00 de hoje
Solicito a vossa ajuda no sentido de recuperar o iPad que possui conteúdos que são importantes. O iPad pode ser devolvido na recepção da Empresa X na morada Y.
Grato pela colaboração”
O segurança do emprego da minha mulher vai fazer o levantamento do sucedido e promete cooperar dentro das suas possibilidades. Investigo um pouco mais sobre a interacção à distância com o iPad e descubro a possibilidade de o fazer apitar. Activo o engenho. Assim que for ligado, vai desatar a apitar. O melhor é fornecer informação actualizada à escola, que como se sabe é um local onde nunca há barulho:
“Na sequência do mail anterior, configurei remotamente o iPad para reproduzir um som durante dois minutos quando voltar a ser ligado. Espero que, de alguma forma, ajude a identificar a localização do mesmo.
Muito obrigado”
No emprego da minha mulher, as patrulhas agitam-se, sedentas de informação detalhada para se lançarem no terreno.
11 da manhã e o burro do ladrão tenta desbloqueá-lo novamente. Novo mail para a escola: “ligaram-no agora mesmo”. O ponto verde mexe-se no mapa. Telefono à minha mulher:
“A pessoa que o roubou deve ter acesso ao mail. Está a ir com o iPod em direcção à estátua”. Enquanto falo com ela ao telefone, a patrulha finalmente sai na peugada do bandido com dois localizadores nos iPhones. Uma perseguição ímpar. O ponto verde entra no quintal ao lado da escola. Nada parece demovê-los. Saltam o muro e entram no quintal também. Tarde demais, o ladrão é mais rápido e retoma o seu caminho em direcção à estátua. Eles cruzam-se com o gato que anda desaparecido no bairro “Olha o Tigre, o gatinho desaparecido dos cartazes. Vamos apanhá-lo?” “Esquece lá a merda do gato, nós queremos é o iPad da nossa amiga”.
Eu continuo ao telefone com a Ana a relatar a localização do iPad. “Ana, estão a levá-lo ao centro comercial. Aposto que vão à loja de informática para tentar desbloqueá-lo. Vou voltar a activar o sinal sonoro.”
Do outro lado da linha há um insistente barulho que nos dificulta a comunicação. Pergunto-lhe do que se trata. “É um telefone qualquer“ Respiro fundo
Entretanto, junto do centro comercial, a patrulha observa dois homens com um ar suspeito a trocarem uma pasta. “São profissionais. Têm uma rede montada” O que entregou a pasta vai para a casa de banho e o outro afasta-se. A patrulha divide-se e segundo palavras do comandante de patrulha “se fosse o da pasta a entrar na casa de banho, não havia de lá sair sem cagar a porcaria do iPad.”
Ao telefone a minha mulher informa-me “Este apito aqui que estávamos a ouvir. É o iPad. Está aqui na gaveta. Ai meu meninooooo. Afinal está aqui.”
A Apple um dia vai-me explicar como funciona este localizador de iCenas. Aparentemente o iPad nunca saiu do mesmo sítio.
A patrulha, que entretanto se voltou a juntar, regressou à base depois de seguir um homem durante quase 20 minutos.
A polícia e a segurança foi informada da recuperação do gadget.
A escola, bem a escola recebeu mais um mail:
“Bom dia:
Peço desculpa por mais uma vez incomodar. O iPad foi devolvido e já se encontra em nossa posse. O sistema de localização por coordenadas não é dos melhores e a indicação de que estava na vossa escola foi errada, pelo que apresento desde já as minhas desculpas por todo o incómodo causado.
Com os melhores cumprimentos”
A partir de hoje, o iCenas chama-se iPerde.

terça-feira, outubro 09, 2012

Lost - parte I


O primeiro sinal de alarme veio ao fim da tarde. Procurado em todos os locais possíveis, e mesmo nos menos prováveis, o diagnóstico estava feito: “André, não sei do iPad. Ou o perdi ou roubaram-me.”
A tecnologia tem destas coisas maravilhosas que nos enchem de esperanças e de respostas profissionais, e ainda distante do acontecimento sugeri: “Pega no iPod e usa o localizador de iCenas para ver onde é que ele está”. E a partir desse momento, foi um filme de acção.
“Está na rua. Foi mesmo roubado. Está a andar em direcção à Praça de Londres. É aqui perto. Vou para a rua atrás do ladrão”. Ora, uma vez na rua, o iPod perde o acesso à net. Não fosse o casal de amigos e os filhos e o cão e os iPhones terem aparecido, nunca se conseguiria voltar a localizar o menino. O iPhone tem 3G e inicia-se a perseguição. O larápio continua a andar pela rua com o iPad, mas não larga as vizinhanças. O melhor é telefonar para a polícia para o apanhar em flagrante.
Saio do trabalho à pressa, e pelo caminho, as notícias que me chegam estão longe de serem animadoras. A polícia vai demorar a chegar e o sinal perdeu-se. Por certo, o vil gatuno apercebeu-se das movimentações e desligou o gadget. Mesmo à porta de uma escola. É lá que me vou encontrar com os protagonistas da caçada. Além da minha mulher, os três selvagens, mais o casal de amigos e respectivos filhos, os iPhones essenciais para detectar qualquer movimento da tecnologia roubada, dois polícias e o cão. Um cão é essencial nestas aventuras. A Enid Blyton que o diga.
Os polícias falam com o director da escola e explicam o sucedido. O nosso amigo explica-me o algoritmo para concluir que aquele ponto do mapa só pode ser a escola. Muito solícito, o director da escola deixa os polícias entrarem. Aguardamos com ansiedade o resultado da conversa. Nada. O iPad provavelmente a escassos metros, e nada. Nem com conversa conseguimos recuperar o nosso menino. Vejamos o que nos oferece a tecnologia.
Ah bem. Podemos activar o bloqueio remoto com uma mensagem. Será uma boa estratégia?
“Não actives. Se ele vê que o bloqueio está activo, tem uma fúria, pega no iPad, dá-lhe um pontapé e enfia-o no caixote do lixo.”
“O iPad tem fotos e dados confidenciais. Estão lá fotos de família. Não quero fotos dos Marias na net”
 “Então bloqueia-se.”
“Olha. Dá para pôr uma mensagem.”
Mas que mensagem? “Ó palhaço devolve o iPad antes que a polícia te apanhe” ou algo mais soft “Sr Ladrão. É favor devolver o iPad no seguinte local…”. Optámos pela diplomacia “Este iPad encontra-se perdido. Se o encontrar, devolva-o no seguinte local blá blá blá”
A polícia entretanto solicita-nos que passemos na esquadra a participar o desaparecimento e assim que recuperarmos o sinal do iPad, que lhes comuniquemos a localização. Os miúdos numa excitação com a sucessão de acontecimentos. “Parece mesmo uma aventura. Até temos o cão”.
Agradecemos aos amigos e aos polícias e voltamos para casa para ir buscar a factura da compra. Assim que chegamos, ligamos o localizador. Nem de propósito. O ladrão volta a ligar o iPad. Nunca saiu da escola. Que descaramento. Com a polícia e toda a equipa de buscas ali à porta, deixou-se estar quietinho sem ligar o equipamento, e assim que viramos costas … Estupor. Telefonamos à polícia para relatar a actividade suspeita. Ninguém atende.
“Pega na factura, no iPod e vamos para a esquadra.”
“Queres que ligue os quatro piscas e vá a buzinar assinalando a marcha de emergência?”
“Talvez não valha a pena”
Chegados à esquadra, lá estão os agentes que nos acompanharam. Relatamos as novidades. Dizem-nos que não atenderam porque estavam com outras chamadas e por isso não puderam atender. Fazem uma pergunta preocupante "Mas afinal, explique-me lá. O que é isso de um iPad?". Lá tentei explicar mas acho que a ideia que ficou foi que se tratava de telemóvel gigante, que não faz chamadas mas acede à internet. O Steve Jobs havia de ficar feliz comigo.
Dão-nos um número da patrulha à paisana, para o caso de, durante a noite, detectarmos novos movimentos do artigo furtado.
Entre chamadas de denúncias de violência doméstica e relatos de um tóxico dependente, lá vão tomando conta da ocorrência.
“Então o furto ocorreu a que horas’”
“Foi enquanto estive a trabalhar. Entre as 8:30 e as 18:00”.
“Muito bem, vou pedir ao Gabinete de Segurança do seu emprego, para facultar o visionamento das imagens de segurança recolhidas no seu andar entre as 8:30 e as 18:00”
Pois claro, são só quase 10 horas de gravações. Vai ser fácil.
Um polícia pergunta-me como é que funciona o localizador do iPad. Ligo a net do telemóvel, ligo o iPod ao telemóvel e mostro-lhe a última localização do iPad. Fica maravilhado com a tecnologia.
Eis que chega a hora de dar o número de série do menino, mostro-lhe a factura.
“Este número é muito longo para ser o número de série.” Explica-nos o agente.
Afinal onde está o número de série? A factura tem o número da loja. Telefonema para a loja e a senhora, atenciosa, informa-nos que o número de série está escrito na caixa. A caixa, essa mesma que ficou em casa.
Voltamos a casa e a hora de jantar mais que ultrapassada, o que vale são os dotes culinários do mais velho que asseguram a refeição atempada dos jovens aventureiros. Os mais crescidos regressam à esquadra com a caixa do iPad numa mão e um pacote de batatas fritas na outra. Entramos na esquadra e depois de oferecer batatas fritas aos agentes, acabamos a participação da ocorrência. A patrulha de rua chega à esquadra e informa-nos que estiveram a revirar o lixo em frente à escola e que nada encontraram, a não ser fraldas e outro lixo inerente à actividade pré-escolar.
Regressamos a casa sem iPad e sem esperança. Com a cadência proporcional à angústia averiguo o estado do tablet. Nada. Durante toda a noite o iPad esteve morto … nunca foi ligado. Até que às 7:45 da manhã… (continua)

terça-feira, setembro 18, 2012

Tomara que vejas

Tomara que vejas o que fizeste, tomara que ao olhar saibas ver, porque o que está à tua frente não são sinais de cansaço, são dores, são dramas, desesperos, são sacrifícios mas sobretudo são a certeza de serem em vão, estéreis que não dão fruto. Foi esse sentimento que levou à rua todas as indignações, tantos sonhos destruídos, tamanha revolta e outro tanto de solidariedade. Foi isso que encheu as ruas de mágoa. A certeza de não haver proveito em tamanho dano. Não foi outro 25 de Abril. Nem nunca será. Na altura, foram anos de silêncios forçados, que explodiram em euforia e esperança. Hoje não há nenhuma razão para euforia e a esperança perdeu-se quando comunicaste a intenção de nos fazer seguir o caminho que mais nos fere na dignidade sem que nos leve a lugar nenhum. Temo que tenhas perdido a credibilidade, reconhecem-te o miserável mérito da firmeza e da teimosia. Em contraciclo, outros terás que nem sabias. O de reunir, como um jogo de futebol, tanta gente tão diferente. O de levar, como uma vitória no campeonato do mundo, muitos pela primeira vez à rua. O de pôr tantos a indignar-se pelos filhos sem futuro, pelos amigos desempregados, ou simplesmente pelo desespero dos outros, como um mau governante. Fica-te pois o mérito de nos fazer a olhar em volta e de sair da confortável órbitra dos nossos umbigos. Desta vez, as espingardas não ganharam flores nas pontas dos canos. Desta vez um polícia. Só um polícia ganhou um abraço, mas Portugal ganhou novamente o orgulho de um povo unido. Tomara que o saibas ver, porque “o essencial é invisível aos olhos”.
 
(Foto de: Jose Manuel Ribeiro/Reuters)

segunda-feira, setembro 10, 2012

Mudaram as moscas ...

Há uns anos atrás, não muitos, o fenómeno do facebook e dos micro blogues estendeu-se à  política e aos políticos. Passou a ser lugar comum a existência de páginas de facebook e twitters de políticos. Umas mais institucionais como a do presidente, outras menos, umas com maior actividade e outras deixadas ao abandono após os tempos eleitorais. Nesses tempos de eleições não há candidato a deputado, cabeça de lista distrital ou mandatário que não escreva assiduamente nas contas de facebook, ou de twitter. Este frenesim de actividade nas redes sociais, pode depois dar asneira, como no caso da página de Fernando Nobre, ou o mais recente desabafo de Passos Coelho sobre a comunicação que fez ao país na passada Sexta Feira quando este se encontrava em estágio para enfrentar a poderosa selecção do Luxemburgo com exibição de luxo. A propósito de Pedro Passos Coelho, e das suas decisões políticas, uma visita à sua conta de twitter na altura pós chumbo do PEC IV, só não é divertida porque revela que mais uma vez não somos muito dotados a fazer e a escolher políticos e governantes. Pedro Passos Coelho sabia, nessa altura a gravíssima situação em que o país se encontrava e escrevia na sua conta de twitter:
1 de Abril - Já ouvi o primeiro-ministro (José Sócrates) dizer que o PSD quer acabar com o 13.º mês, mas nós nunca falámos disso e é um disparate
7 de Abril - Isto pode-se fazer com um Governo muito mais pequeno e com um número de ministros não superior a dez.
12 de Abril - O PSD chumbou o PEC 4 porque tem de se dizer basta: a austeridade não pode incidir sempre no aumento de impostos e no corte de rendimento.
20 de Abril - Estamos a pagar bens essenciais muito caros ao estrangeiro, quando as Pescas e a Agricultura podem dar emprego a muita gente.
2 de Maio - Se formos Governo, posso garantir que não será necessário despedir pessoas nem cortar mais salários para sanear o sistema português.
2 de Maio - Temos de apostar na economia, mas na economia que cria emprego, não na economia que cria rendas aos amigos do poder.
2 de Maio - Faremos diferente, trazendo para cima da mesa as contas verdadeiras e pondo o Estado a fazer os sacrifícios que andou a impor aos cidadãos.
10 de Maio - Se não queremos cortar salários, temos de baixar a taxa social única para ganhar competitividade no curto prazo
11 de Maio - O aumento de impostos previsto por este Governo no documento que assinámos com a UE e o FMI é mais do que suficiente
16 de Maio - Prefiro ser criticado por alguma medida mais difícil que defendo do que ser acusado de ludibriar as pessoa
18 de Maio - É uma tragédia o estado a que o nosso estado social tem chegado. Precisamos de novas políticas activas de emprego
24 de Maio - Se continuássemos a empurrar os cortes na despesa com a barriga desta forma, acabaríamos o ano com mais mil milhões de euros de défice real.
31 de Maio - Um desemprego tão elevado reforça a necessidade absoluta de se tomarem medidas para transformar a nossa economia.
Depois de ler isto e relembrando o governo de José Sócrates, eu tenho em crer que a culpa não está nos primeiros ministros. Trata-se de um vírus que afecta os candidatos a primeiro ministro mesmo antes de serem eleitos, e olhando para a lista de disparates, tenho em crer que o dito vírus esteve particularmente agressivo a 2 de maio (a declaração de 1 de Abril, como parece óbvio, nada tem a ver com o vírus, antes foi o assinalar do dia das mentiras). Definitivamente, tantas décadas de ditadura, não nos ensinaram a ser cuidadosos nas escolhas da democracia.

quarta-feira, agosto 29, 2012

Carta ao Vitor Gaspar


Exmo. Sr. Ministro das Finanças

No âmbito das recentes notícias que dão conta do desaparecimento de mais de duas centenas de milhar de crianças das declarações de IRS, serve a presente para o informar que os três dependentes menores de vinte e cinco anos que declaro anualmente, se encontram esta semana numa colónia de férias, pelo que, caso os seus serviços de verificação de dependentes visitarem a minha residência fiscal com o intuito de validar a existência dos mesmos, o devem fazer na referida colónia.

Gostaria ainda de saber como posso obter número de contribuinte, e as respectivas deduções fiscais , para todos os elementos da coleção de Gormittis e dois coelhos de peluche ou lá o que é aquilo, uma vez que coabitam  na minha residência.

Percebo que esteja muito ocupado à procura das 200 mil crianças em falta, mas vossa Excelência não se preocupe que ainda vai agradecer este contratempo. Às vezes quando andamos a procurar uma coisa acabamos por achar outra perdida há mais tempo, pelo que tenho muita fé que é desta que vão encontrar a pequena Maddie e os documentos em falta da compra dos submarinos. Olhe Excelência, se encontrar a factura da balança do Pingo Doce que comprei quando a minha mulher foi de viagem, agradeço-lhe, porque a porcaria da balança gasta duas pilhas por semana e aquilo tem que ser trocado e não há maneira de encontrar a porcaria da factura.

Sem outro assunto despeço-me atenciosamente.

Por acaso ainda tenho outro assunto. Trata-se na realidade de uma dúvida. Antes do acordo ortográfico Vossa Excelência chama-se Vítor ou Victor ? Agradeço antecipadamente o esclarecimento.

sábado, agosto 04, 2012

Os jogos

Portugal não tem perfil para esta coisa dos Jogos Olímpicos. Aquilo é tudo levado muito a sério e tem muito pouco de desenrasca. Os americanos e os chineses vivem enclausurados em centros de alto rendimento durante anos para chegarem lá e fazerem a triste figura de se atascarem a tudo o que é medalha, deixando algumas migalhas para outras nações. Ora os portugueses não são moçoilos para levar uma coisa que é amadora como se profissional se tratasse. Os portugueses vão lá aos centros fazer uns biscates sempre que podem e fazem-no com toda a boa vontade, que afinal de contas aquilo é amador não é profissional. E ainda bem, porque se fosse profissional, com estes resultados e com a nova lei laboral, já estava tudo no olho da rua.  Há modalidades que em princípio nos dão maiores esperanças. O Judo à partida tem mais a ver connosco porque se trata de dar uns safanões agarrando as lonas que os adversários vestem, mas até neste caso a coisa corre menos bem porque não deixam nem puxar cabelos, nem dar uns tabefes, nem tampouco insultar a família dos adversários. Já fizemos boa figura no atletismo, mas não me venham cá com lançamentos do disco, e do dardo ou com saltos. Nós sabemos correr, às vezes, porque esperamos sempre pela última hora para fazer as coisas e depois vamos a correr fazê-las. A correr é que somos bons, às vezes, ao contrário desse disparate de atirar coisas longe. Convém dizer que os tipos dos jogos também não nos ajudam em nada porque não há maneira de incluírem nas modalidades olímpicas, o jogo da malha a beber umas bejecas . Deviam fazer um esforço para se aproximarem das nossas competências amadoras, e deixarem-se destas coisas muito técnicas porque assim  temos tendência a não aparecer nas provas, ou a cair dos trampolins, ou a adormecer a meio das provas. Eu já nem falo de incluírem pegas de touros porque aí é que íamos ver quem é que era mais medalhado, se o Michael Phelps se os Forcados Amadores do Aposento da Chamusca.

domingo, julho 22, 2012

Os porquês e outras interrogações

Ou são eles que se apuram sempre que a mãe se ausenta, ou isto de ser mãe pia mesmo mais fino.
Pai a que praia vamos ? Que horas são em Nova Iorque? Podes fazer Hamburguers para levarmos ? Pai não há presunto para as sandes. Preciso de dois fatos de banho porque um é de substituição. Posso telefonar à mãe a saber onde está o meu fato? Podemos levar croquetes da Versalles ? Não sei dos meus chinelos. Agora és tu quem passa a ferro ? Posso levar a prancha ? O João diz que faz body-board melhor que eu, é verdade ? O que quer dizer "sem espinhas " ? Posso levar uma bola ? Eu sei lá pôr creme no António !!! Posso ir à frente ? Há Pringles ? Posso ser eu a ir à frente, o João é quem vai sempre. Hoje sou eu a dormir contigo. Ganda lata, hoje era eu. Falta muito para chegar? Que horas são em Nova Iorque? Posso ir para a água ? Tenho fome. Pões-me creme ? Tenho sede. Não sei da roupa. Quero o meu hamburguer. Vem comigo à água. A que horas a mãe acorda ? Posso ir com a prancha para aquele lado ? Qual é a minha sandes ? Quero ir fazer cocó. Estendes-me a toalha? Posso comer um gelado ? Aqueles navios são os que vimos antes de ontem ? Que avião é aquele ? Que horas são em nova iorque? A mãe já me comprou uma prenda ? Dás-me as batatas ? O que é o jantar ? Pode ser Sushi? Eu cá não gosto de Sushi. Primeiros a jogar quando chegarmos a casa. Temos que ser nós a arrumar as coisas da praia ? Já vamos embora ? Posso ir a última vez à água ? O meu fato de banho suplente ? Podemos convidá-los para dormir lá em casa ? Porque é que ele disse um pequeno passo para o homem um grande passo para a universidade ? Que horas são em Nova Iorque ? Então e agora, posso ser eu a ir à frente? Levas-me a prancha ? Porque é que há sempre fila ? Posso pôr as mudanças ? Posso jogar primeiro e arrumar depois ? A prancha pode ficar nas escadas ? A minha sandes de presunto ? Últimos a tomar banho. Temos mesmo que arrumar isto tudo ? Posso comer do jantar do António que o Sushi deixa-me com fome? Porque é que temos que ir já para a cama? Que horas são em Nova Iorque ?
Pronto. Estou convencido. As dores de cabeça ao fim do dia, não são mesmo desculpa esfarrapada.

quarta-feira, julho 18, 2012

Linha Vermelha

Demorou tanto que cheguei a pensar que mais depressa o Aeroporto chegava ao Metro que vice-versa. Afinal de contas era só fazer mais uns terminais e Entrecampos era quase ali. Acabou por ser uma extensão da linha vermelha, o que é bom porque liga o Aeroporto ao El Corte Inglês, permitindo que este funcione como câmara de compensação antes de vir à superfície da realidade nacional. Intriga-me o silêncio dos taxistas, porque os imaginava em protestos e em greves quando acontecesse a mais que necessária ligação. Ou sou eu que não os ouço, ou estão todos a concorrer a lugares de condutores de Metropolitano, para manterem o hábito de insultar todos os passageiros, que tendo entrado no Aeroporto, resolvam sair no bairro da Encarnação ou em Moscavide.

quinta-feira, julho 12, 2012

A democracia segue dentro de momentos

Por vezes a reflexão é como um novelo entrelaçado de ideias que puxam ideias. No meu caso é uma renda de Bilros, só para conferir uma certa animação suplementar ao acto de pensar. Reflectia eu sobre a greve dos médicos e sobre a pretensa insanidade de contratar médicos tarefeiros com base em critérios perigosos como o "mais baixo custo". Isto levou-me a pensar que a medicina foi, até aos dias de hoje, das poucas áreas poupadas às perversas práticas de body shopping. A medicina e a política. Mas a política ? Então porquê ? Porque os políticos ocupam cargos de duas maneiras: ou são eleitos ou são nomeados. Mas não podiam ser colocados por concurso segundo o critério "mais baixo custo"? Seria um atropelo à democracia, até inconstitucional. Acontece que este ano, a inconstitucionalidade de algumas medidas que contribuam para a redução do défice, é uma prática permitida pelo próprio tribunal constitucional e deixa de ser problema suspendermos a democracia por uns tempos. Façam-se concursos para o governo, para a assembleia, para todos os jobs dos boys, para as estruturas partidárias e para a presidência da república, e como critério de adjudicação escolha-se apenas e só o preço mais barato. Qual é o problema ? Corremos o risco de ver lugares determinantes para o futuro da nossa nação serem ocupados por pessoas sem qualificações para o fazer ou mesmo incompetentes ? Pois, isso seria uma grande novidade. Não sei se iríamos conseguir sobreviver a uma crise que envolvesse políticos incapazes, só para poupar uns milhões de euros. E depois o que faríamos a estes ? O gozo imenso de transformarem a adversidade numa oportunidade de vingarem no estrangeiro ? Pensando bem, isto de interromper a democracia por uns momento, é mesmo capaz de ser uma boa ideia. A Manuela Ferreira Leite é que sabia.

segunda-feira, julho 09, 2012

RABOS

Logo eu que sou tão liberal nisto da orientação sexual havia de me irritar com esta coisa da provocação gay. Como me irritaria a provocação heterossexual se esta roçasse o mau gosto e a brejeirice. Sou a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, da adopção por casais homossexuais, tenho amigos e amigas homossexuais, cresci sem sequer questionar a relação entre pessoas do mesmo sexo, e no limite até sou a favor do divórcio entre pessoas do mesmo sexo (embora neste caso tenha as minhas reservas). Mas façam-me o favor. Tal como para os Camarinhas que em cada gesto certificam a sua orientação sexual, ou como para as Jessicas Rabbits deste mundo, não tenho a menor pachorra para homossexuais que em cada gesto fazem questão de marcar a sua orientação sexual: em cada frase dita para uma audiência imaginária, a comer caracóis, a pegar no copo, a dobrar a toalha, a chamar o empregado para pedir a conta, a calçar os chinelos, a sentar-se, a abrir o chapéu de sol, a espalhar creme. Senhores, não é preciso um arco íris em cada gesto. Que mariquinhas pés de salsa. Não comento a questão estética das depilações mal amanhadas nem o guarda roupa de gosto questionável. Também não relaciono com outra coisa que não seja falta de educação a imprópria e desajeitada simulação de sexo oral em público. O gosto depende de cada um e a educação ainda não está ao alcance de todos. O que me tira do sério não são os homossexuais nem os heterossexuais, o que me tira do sério é esta mania de, hiperbolizar a orientação sexual. Senhores RABOS - Rabetas Assanhadas Bestialmente Orientadas Sexualmente - deixem-se de mariquices e portem-se como Homens Homossexuais. H maiúsculo nos dois casos caramba.

quarta-feira, julho 04, 2012

Quarteto de Cordas

Caro Pedro, Estimado Miguel, Querido Paulo, Excelentíssimo Aníbal Vamos lá ver se nos entendemos neste tema de servir a nação e representar a Pátria Lusa. Em primeiro lugar, ao aceitar ou ao candidatar-se para ocupar um cargo público custa-me a crer, que não estejam cientes que vão ter os olhos postos sobre o desempenho nesse mesmo cargo, e que estão sujeitos a elogios e a críticas. Nem todos os elogios são sentidos porque existe quem elogie por conveniência e nem todas as críticas são justas por haver quem critique por despeito. Não obstante, cabe a cada um de vocês distinguir trigos de joios e tirar lições daquelas que forem as críticas sustentadas. Ao Pedro relembro que, na condição de opositor ao governo e até de candidato ao lugar de primeiro-ministro, nunca se coibiu de acusar o seu antecessor de muitas das falhas que agora lhe apontam a si, nomeadamente de desrespeito pela palavra dada, de desatenção ao país real, de exagero nos sacrifícios exigidos ao povo, de ineficácia das medidas pouco reformistas que agravavam o estado da nação de PEC em PEC. Sendo verdade que não se esquiva no anúncio das duras medidas cujos resultados são tão maus como os do seu antecessor, esquiva-se a manifestações de desagrado e opta por portas dos fundos para não enfrentar o desconforto que a governação descuidada, ineficaz e cruel provoca no povo Português. Pedro, servir a nação é sobretudo uma honra e seria muito bom que usasse H maiúsculo. Veja o drama de cada um dos Portugueses e aja em conformidade. Quando, na rua, houver protestos dos que ilicitamente enriquecem e possuem fortunas e reformas imorais, talvez aí possa entrar em muitos locais pela porta da frente. Ao Miguel relembro que não basta ser sério, é preciso parecê-lo. E a sensação que dá é que nem uma coisa nem outra. Poucos acreditam que está isento de culpas na questão da jornalista do público, e que o curso num ano é uma derivação pouco conseguida das licenciaturas de fim de semana. Mais uma vez servir a nação é uma Honra e é condição necessária que se faça honrar, e que se essa honra estiver alguma vez em causa tudo deve ser feito para esclarecer dúvidas. Explique o Público, as Secretas, a licenciatura. Explique-se homem que é o seu dever. Ao Paulo que levou a seleção de futebol até à meia-final quero dar a mesma novidade que dei ao Paulo e ao Miguel. Servir a Nação é uma Honra e ao contrário do que disse, não há direitos e deveres nem a sua posição é de equilíbrio com a dos jornalistas. Como selecionador praticamente só tem deveres e poucos direitos. Tem o dever de honrar Portugal, o dever de saber ouvir críticas e não ficar ofendido porque sabia de antemão que elas iam acontecer, tem o direito de dar a sua opinião, mas tem o dever de não amuar e de impedir amuos das prima donnas que dirige. Faz parte do papel que desempenha e não está a fazer nenhum favor a ninguém. Ninguém lhe pede a outra face, apenas e mais uma vez que cumpra com o dever de sair da competição com a consciência do dever cumprido, de fazer jogar 23 artistas como uma equipa, e de esclarecer os seus pontos e vista e as suas opiniões sem amuos, irritações e partes gagas de duas orelhas e uma boca. Não me parece que ninguém o tenha obrigado a ser selecionador e todos os deveres são para cumprir, é que caso não tenha reparado, estiveram milhões de portugueses entusiasmados com a seleção e os seus amuos e os silêncios dos jogadores não contribuíram para coisa nenhuma. Aníbal, que raramente se engana e nunca tem dúvidas, o que se passa consigo? Não se lembra quem esbanjou fundos comunitários e em vez de nos tornar um país competitivo, transformou-nos numa rede de auto estradas sem agricultura e sem indústria? E não se lembra que há um limite para os sacrifícios? Deixou novamente de ter tempo para ler jornais? Não fuja dos desagrados como o Pedro, não deixe de explicar como o Miguel e não amue como o Paulo. Olhe lá por nós e emende essa mão. Lembre-se caramba.

quarta-feira, junho 20, 2012

Zarolhos

As agências financeiras internacionais entretêm-se a rever os ratings dos países europeus, dos bancos europeus, das empresas dos países europeus e das regiões dos países europeus, sem grande preocupação seja na fundamentação das suas apreciações seja nas consequências das mesmas (a menos que tenham algum interesse menos transparente na degradação financeira dos países da zona euro). Segundo estas agências, a europa converge para a categoria de lixo o que, convenhamos, é deselegante e não dá jeito nenhum, sobretudo em Lisboa, que até pararam com a recolha de lixo e estou convencido que foi por não estarmos preparados para a reciclagem de espanhóis e irlandeses. Ora os países, a banca, as empresas e as regiões classificadas por estas agências até podem ter algumas dificuldades financeiras, mas em contraciclo têm história, valores, capital intelectual, iniciativa, cultura e pessoas com valor e algumas com princípios, o que, para uma agência financeira mais do que lixo, é um luxo. Pasme-se, que lixo e luxo só diferem numa letra que no teclado estão mesmo ao lado uma da outra e, como todos sabemos, estas agências escrevem todas em português. O que aconteceu é que eles queriam dizer luxo mas acertaram na tecla errada. São vesgos portanto. Sofrem da mesma doença que o Cristiano Ronaldo sofreu até ao jogo com a Holanda. Zarolhos com mau feitio. A solução é pôr a Moody's, a Standard & Poor’s e a Fitch a jogar contra a Holanda e vão ver que calibram logo o olho director e lhes passa a síndrome dos olhos linearmente independentes. Acertem lá na porcaria das teclas, que nós agradecemos. E se quiserem rever algum rating aqui da Europa, esperem pelo festival da Eurovisão que tem sempre muita oferta para as vossas apreciações. Ou dêem cotação à balofa alemã, assim do ponto de vista do utilizador.

quarta-feira, junho 13, 2012

Rentrée

Finda a época futebolística e a primavera, parece que os jogadores iniciam a época das separações e dos divórcios. Passeio os olhos por um quiosque e deparo-me com revistas cor de rosa que falam de traições, amuos, desilusões. Rui Patrício e Djaló pelo menos. A dúvida constrói-se em mim de forma persistente. A ser verdade, o Djaló e a Lucy vão divorciar-se ou djyvurkiarçe ?

segunda-feira, junho 11, 2012

Forget it

Sr Primeiro Ministro de Inglaterra Serve a presente para manifestar a minha solidariedade com o facto de estar a ser alvo de indignação generalizada por se ter esquecido do seu filho no restaurante e só ter dado por isso em casa 15 minutos depois de ter saído do restaurante. Também já me aconteceu, e não é nada de outro mundo. Acontece. 7 crianças e 5 adultos, um rácio até equilibrado para a época. À saída do restaurante, o do meio vai à casa de banho. Uns ainda no restaurante, outros na rua, começamos a dirigir-nos até aos carros. A meio do quarteirão da frente: "O Loiro ?" "Não está com as primas lá à frente?" "Julguei que estavas com ele" "Também eu, julguei que estava contigo" Varrida a rua com um olhar rápido, lá chegamos à conclusão que ficou para trás. Quarteirão no sentido inverso e lá vem ele rua fora ter connosco. Nem fizemos comentários aparvalhados, embora tal cenário não fosse impossível: "Deve ter encontrado um café onde está a dar o jogo do Sporting" "Se calhar foi comprar tabaco" "Ou uma cerveja" "Já lhe disse para largar as drogas" Olhe senhor prime minister, só não acontece a quem não cá anda. O nosso primeiro ministro ainda é mais cabeça no ar que o senhor, ainda há um ano fez uma série de promessas e por muito que seja lembrado, o raio do catraio não há maneira de se lembrar delas. E as pessoas gostam muito de comentar estes pequenos lapsos. Há duas décadas que, por altura da quadra natalícia, não perdem o "Sozinho em casa". Há duas décadas que acham graça ao caos da família em viajem, deliram com o miúdo a fazer a vida negra aos atrasados mentais dos ladrões e deixam cair uma lágrima quando a mãe reencontra o fedelho no Rockfeller Center. Sempre sempre a mesma coisa. Quando a vida imita a ficção, por quinze minutos, cai o Carmo e a Trindade. No seu caso falls Picadilly and Trafalgar. Vá lá dormir descansado. Forget it.

terça-feira, junho 05, 2012

Euro2012

Devo estar distraído e aparentemente a selecção está a candidatar-se a património imaterial da humanidade sem que eu soubesse. Só isso justifica a quantidade de horas de emissão sobre a selecção e o seu exigente quotidiano. O que comem, o que bebem, o que fazem nos tempos livres e nas folgas, que carros têm, com quem andam, o que os diverte, o que os fascina, se são recebidos pelo presidente, se o tratam por você, quantas horas de vôo até à ucrânia. Horas de notícias, litros de tinta sobre este tema. Só presenciei tanta atenção a um tema em duas ocasiões: "Os 50% do Pingo Doce" e a "candidatura do fado a património mundial da humanidade". Embora até aprecie algum fado, foi tamanha a dimensão do fenómeno, que esgotei a quota de 2011, 2012 e 2013 para fado, tudo num só mês. Perante estas duas hipóteses, excluo o facto da selecção estar a repetir o fenómeno 50% do Pingo Doce. A selecção a 50% já aconteceu várias vezes e nunca foi motivo para tamanho frenesim jornalístico. Não interessa porquê, porque Saltillo, porque Coreia Japao ou porque o cão estava a olhar, a verdade é que 50% não é novidade para a selecção. Assim sendo, resta a hipótese do património imaterial da humanidade. Está bem que tem um par dos melhores jogadores do mundo, mas será caso para ser património imaterial da humanidade? O João Pereira deve ser património mundial de alguma coisa ? Do bom feitio, só se for. Santa paciência. Toda a gente comenta o Gaspar por ele ser o mais monocórdico dos ministros a falar, mas já viram como o Ronaldo fala ? E o mais triste, é que precisamos mais do talento do Gaspar que do do Ronaldo. Por muito que uma boa figura no Euro nos sabia muito bem, nós precisamos é de boas figuras no €uro. Rapazes, ide pois à Ucrânia e à Polónia e façam-nos mais felizes, mas sem que para isso tenhamos que saber que pasta de dentes usam, que carro têm, se pediram licença para se levantarem da mesa e se gostam mais de playstation ou de xbox. Façam o que têm a fazer e façam-no com brio. Nós aqui fazêmo-lo todos os dias. Por vezes sai-nos mais Moldávia, outras vezes Turquia e outras tantas Espanha, mas sempre com brio. Façam o mesmo que nós já ficamos satisfeitos se não regressarem com um traumatismo Ucraniano. A maioria dos Portugueses gosta muito de vos ver jogar, mas não está minimamente interessada em saber o que dizem os olhos do Bruno Alves, nem nas superstições do Patrício, nem no jogo de consola favorito do Coentrão. Antes fado caramba ...