terça-feira, novembro 18, 2014

Álgebra Revolucionária

O Guia Galáctico do Pendura refere-se a uma revolução algébrica corolário da comparação entre o número de pessoas que marca jantar de grupo no restaurante, o número de lugares realmente marcados para o mesmo jantar e o número de pessoas que realmente aparece no jantar.
Portugal ganhou à Argentina e ainda hoje, antes do jogo, ouvi a um comentador toda uma teoria sobre o factor de Portugal só ganhar com Ronaldo. Ao intervalo do jogo ouvi o mesmo comentador a dizer que o resultado (na altura 0 a 0) era lisonjeador para a equipa das quinas uma vez que a equipa alva e celeste estava a dar um banho de bola e que Messi era um dos melhores em campo perante um Ronaldo que teve alguns apontamentos interessantes. Com Messi e Ronaldo fora de campo e mesmo perante o domínio da equipa das pampas, a equipa verde e rubra acabou por ganhar.
Estes factos aparentemente estéreis, vão fazer correr rios de tinta e originar horas de conversas entre comentadores e no entanto podem ser comentados com um simples"trata-se de um jogo nem sempre o domínio de uma equipa se traduz no resultado" ou mesmo com o lugar comum "são onze para cada lado e a bola é estranhamente redonda".
Os comentadores desportivos revolucionam todas as álgebras quando conseguem relacionar resultados com exibições com relações de ordem entre jogadores no campo e no banco, revolucionam a geometria com a análise profunda do fora de jogo, revolucionam a teoria dos limites quando a minha mulher assiste a programas de comentários sobre a jornada do fim de semana. São génios em estado bruto.
Temos os comentadores políticos que os nossos políticos merecem, mas temos comentadores desportivos muitos furos acima. Os melhores do mundo. Cristianos Ronaldos de comentadores desportivos. Pena que não possam dar uma mãozinha nas comissões de inquérito. Andamos tão necessitados.

segunda-feira, novembro 17, 2014

Inquiry TV

A Sport Tv anda com um enorme défice de atenção. Preocupada com a fuga de clientes para a Benfica TV, a gestão de Joaquim Oliveira e dos seus pares está a deixar escapar a oportunidade de uma vida. O caso Camarate, o caso Freeport, o caso dos Submarinos, o caso da Aquisição de Equipamentos Militares, o caso do BPN, o caso dos Estaleiros de Viana, o caso do BES, o caso da PT, o caso das parcerias Público-Privadas, o caso da Legionella, o caso do Citius, o caso dos Douradinhos do SEF. Nem Agatha Christie conseguia colocar tantos casos nas mãos de Poirot. Nem que a Enid Blyton juntasse os cinco, os sete, o colégio inteiro das quatro torres, as gémeas e mais o colégio de Santa Clara, alguma vez conseguiria juntar tantos mistérios para resolver.
E ainda andam os partidos maiores a discutir a redução do número de deputados. Então se reduzem o número de deputados, como é que vão dar vazão a tantos casos ? O melhor é contratar comissionaristas de inquérito com fartura e oferecer vistos de residência a quem aceite o cargo. Vai-.se a ver a solução para o desemprego está na carreira de comissionarista de inquérito, porque francamente, com 215 deputados quando resolverem a Tragédia de Camarate, ainda a comissão da Auto Estrada Lisboa-Corvo estará por nomear. E é aí que entra a empresa de Joaquim Oliveira. Prestes a perder o monopólio das transmissões dos jogos das ligas profissionais, chegou a hora de transmitir este desporto rei racional que é a liga profissional da Comissão de Inquérito. Até pode ser patrocinada como no caso do Futebol e não hão-de faltar empresas dispostas a fazê-lo.
Se houver comissionaristas suficientes, há-de haver material para pelo menos 3 canais premium a transmitir em directo as comissões, a revelar novidades sobre os casos, a fazer reconstituições das principais cenas do enredo, ou até novelas sobre os casos em inquérito. O caso BES tem todos os condimentos para uma série capaz de ombrear com pelo menos três temporadas da Downton Abbey. Sr Joaquim Oliveira, vá por mim e ponha os olhos nas Comissões de Inquérito. Aquilo ainda o vai fazer rico, e não se preocupe porque ali não há as falcatruas que minam o mundo do futebol. Ali é tudo tão transparente que até chega a irritar. Avance lá com a Inquiry1, Inquiry2 e Inquiry Gold (com conteúdos exclusivos, possibilidade de fazer perguntas aos próprios inquiridos e de votar os textos finais dos relatórios elaborados no seio das comissões).

domingo, novembro 16, 2014

Remar no sentido parado

O mais novo chega ao quinto ano convencido que aquilo é o forró do 1º ciclo. Estava-se mesmo a ver. Nem três semanas até nos chegarem ecos do brilhante comportamento do petiz. Não está com atenção, perturba os outros, interrompe as aulas para perguntar coisas que nada têm a ver com o tema na ordem do dia. Enfim, um rol de comentários capaz de levar os mais babados dos pais à beira do suicídio. Conversas e recados para cá e para lá entre nós e a directora de turma, vamos trabalhar no foco do menino, vamos ser incisivos nas mensagens a passar-lhe, vamos remar no mesmo sentido com vista a limar estar arestas. Tudo muito bem. Por mim eram uns castigos e umas palmadas no rabo que se lembrava logo que a matéria vem primeiro que a parvoíce. 
E pronto, vamos lá ser pedagógicos que os tempos são disso mesmo, coitadinho do menino que é um tudo nada  distraído e que de parvo nada tem, e umas palmadas não levam a lado nenhum.
Neste espírito da cooperação escola família, a semana passada mandei um caderninho com todas as aulas que ele ia ter para que os professores dessem, um por um, feedback do comportamento de l'enfant terrible e eis que, na volta do correio. "O professor X não preencheu porque não quer preencher coisas que não são da escola", "A professora Y disse que só preenchia se a directora de turma autorizasse".
Resultado: até à próxima reunião entre professores qualquer iniciativa fica na gaveta. 
Enfim, o moçoilo até nem é flor que se cheire no que toca a comportamento, mas caramba, se me voltam a falar de remarmos no mesmo sentido tenho várias sugestões para o destino a dar aos remos.

quinta-feira, novembro 13, 2014

Voar baixinho

Mesmo que a PT tivesse corrido bem, ainda que os CTT continuem a prestar um bom serviço, por muito que a GALP e a EDP sejam ainda referência na nossa energia, a verdade é que fico com a sensação que, em cada privatização, o estado português perde uma galinha de ovos de ouro a troco da disponibilidade imediata de meia dúzia de ovos de prata.
Eis que a faca que corta o bolo das empresas públicas chega à fatia da TAP. A TAP senhores ? A TAP era a empresa onde o meu pai começou a trabalhar, a TAP era esperar o meu pai às chegadas internacionais e a cumplicidade do segurança que me piscava o olho e me deixava ir ter com ele ainda antes de recolher a malas, a TAP era a varanda do aeroporto para ver os aviões levantar, a TAP foi uma crónica do Miguel Esteves Cardoso sobre a nossa mania de limpar tudo o que era oferecido nos aviões desde o pacote de açúcar aos toalhetes, a TAP eram os baralhos de cartas lá de casa e um cinzeiro verde horrivel em forma de triângulo, a TAP foi a primeira viagem de avião e o certificado a comprová-lo, a TAP foi a viagem de avião sem os pais e o cuidado com que fui acompanhado até à chegada em Londres, a TAP foi a visita ao cockpit de um comandante com ar estranhamente tranquilo rodeado
por milhares de botões e instrumentos de medição, a TAP foi aterrar na Madeira numa pista que parecia demasiado pequena para tanto avião, a TAP foi uma entrevista de emprego, a TAP é o sorriso desde o check-in ao desejar de boa estadia, a TAP é a certeza de que estamos em boas mãos quando decidimos ter asas nos pés.
A sério que é para vender ? Segue-se quem? A televisão ou Caixa Geral de Depósitos? Senhores, os anéis já acabaram, vocês estão a pôr os dedos à venda.

quarta-feira, novembro 12, 2014

TGV

As notícias têm este fascínio de, na sua maioria, não terem agenda. Os últimos dias têm condimentos de taxas municipais, de um surto de legionella, do Carilho a acusar o governo de tomar partido pela Bárbara e, pasme-se, de uma atriz brasileira a conduzir um alfa pendular entre Lisboa e Porto a 220 km por hora.

Para início de conversa vejamos de quem se trata. Uma atriz chamada Halima Abboud que tem, pelo menos, paixão por futebol, e por alfas pendulares. O pior de toda esta história é que querem identificar o maquinista que passou o alfa pendular para as mãos da senhora. Não se está mesmo a ver que foi coação? E se descobrirem quem foi, vão processar o homem ? Francamente. Um homem que faz turnos mais monótonos que o último disco do Miguel Ângelo, faz greves por melhores condições de trabalho, provavelmente até achou que a presença da senhora na locomotiva tinha sido uma vitória do sindicato sobre o opressora administração da CP e vão querer dificultar a vida a um senhor que na pior das hipóteses, tem dificuldade a dizer não. Ainda se dá a hipótese de ter sido o próprio Alfa Pendular que se descontrolou quando se apercebeu de quem estava aos comandos. Eu sei de muito boa gente que se fosse Alfa Pendular  até passava a TGV em circunstâncias semelhantes. Tanta coisa com o TGV e se calhar a solução passava tão somente por  trocar de maquinistas.

Mas a questão nem é esta, a questão é a importância que se está a dar ao factor de uma atriz brasileira estar aos comandos de um Alfa Pendular, pondo eventualmente em risco a saúde dos passageiros. Já sobre o facto de um quase cantor lírico estar aos comandos de uma Nação, vai para cinco anos, pondo efectivamente em risco a saúde, a habitação, a educação, a justiça e a dignidade de quase 10 milhões de habitantes, nem uma linha se escreve? Palavra de honra.

terça-feira, novembro 11, 2014

Taxastes ? Taxei. És um taxista.

O Gandhi de Lisboa decidiu anunciar o orçamento para a capital e com ele vieram as taxas para quem chega e para quem pernoita. O governo que, como todos sabemos, tem uma alergia a taxar os portugueses, indignou-se e mandou soltar Pires de Lima para exprimir a sua indignação.
Ora o que parece, é que o governo não teve um momento de lucidez, mas antes uma crise de ciúmes por não se ter lembrado destas taxas mais cedo.
Mas descansem os mais inquietos que Portas, assim que acabar o documento da reforma do estado, vai começar a trabalhar afincadamente no documento da reforma das taxas, com o intuito de revolucionar o universo de taxas aplicadas em território nacional. A saber:
- taxa de visita aos submarinos a aplicar a Nuno Rogeiro e a crianças em visitas de estudo aos novos submarinos;
- taxa do irrevogável a aplicar a quem mudar de opinião sobre qualquer coisa
- taxa CR7 a aplicar a quem utilizar o nome de Cristiano Ronaldo em discursos de visitas oficiais
- taxa de quebra de compromisso, a quem faltar a jantares oficiais em que próprio seja a figura representante do estado português
- taxa da moderação fiscal a aplicar aos governantes do PSD que não baixem os impostos
- taxa da ausência a aplicar a quem não durma em casa
- taxa da ausência nacional a aplicar a quem não durma em Portugal, excepção feita se se tratar de uma ausência em representação oficial do país
- taxa dos forcados de Vila Franca de Xira a quem não apanhou a Legionella
- taxa Tim Cook a quem sair do armário
- taxa Manuel Monteiro a quem o irritar
- taxa 4ª pessoa do singular a quem disser estivestes, fizestes e ouvistes
- taxa do segundo beijo a quem cumprimentar com mais que um beijo
- taxa Pires de Lima a quem tentar ser irónico e só conseguir ser parvo
Posto isto, convém desde já começar começar a depositar uma moedas no mealheiro, que o nosso segundo ministro deve ter este documento pronto na próxima década, a menos que declare estas taxas irrevogáveis.

segunda-feira, novembro 10, 2014

Cozinhar rima com escrever.

A tarde de Domingo de inverno convida tanto a sofá e filme. A tarde de ontem estava tanto assim. Por um acaso "Julie & Julia". Baseado em duas histórias verdadeira, este filme fez-se máquina do tempo até aos primeiros posts desta "Caixa de Costura", até aos dias em que cada visita era celebrada e o primeiro comentário festejado com tanto de pompa quanto de circunstância. Quando todos os sentidos estavam alerta para o próximo post e o tempo para escrever era um gargalo apertado para tantas urgências.
Este filme é sobre Julia Child, americana a viver em Paris pouco depois do fim da 2ª grande guerra. Julia apaixona-se pela cozinha francesa ao ponto de a apresentar às donas de casa americanas no formato de um livro de receitas.
Este filme é sobre Julie Powell americana a viver em Nova Iorque pouco depois do 11 de Setembro. Julie é uma apaixonada por cozinha e fã de Julia. Julie decide passar exactamente um ano a cozinhar as 524 receitas do livro de Julia e cria uma blogue onde conta as suas aventuras gastronómicas.
Este filme é sobre mim, porque este filme é sobre quem escreve por gosto, ou sobre quem cozinha pelo jazz, ou porque ela escreve no blogue  "Tive um péssimo dia de trabalho, Uma avó idosa que parecia não fazer mal a uma mosca chamou-me palerma capitalista e burocrática. Mas depois vim para casa fazer frango com natas, cogumelos e vinho do Porto e foi uma maravilha.".
Sobre cozinha sobre escrita sobre cinema. Não sei se do filme hoje o jantar, saiu-me a preceito com morcela e cogumelos recheados. Não sei se do filme hoje escrevi em duplicado aqui na caixa. Definitivamente do filme, sei que por muito mal que o dia corra, posso chegar aqui e cozinhar palavras em castelo, ou ir até à cozinha e fazer prosa com todos os ingredientes até que a receita saia de feição.
Por muito mal que o dia corra, ao fim do dia se bater manteiga derretida com gemas de ovo e se o fizer sem piedade, hei-de sempre ganhar um belo de um molho Holandês.

Sugestão ...

qual é o custo de ligar os duches da casa dos segredos à rede de abastecimento de água de Vila Franca de Xira ?

quarta-feira, outubro 01, 2014

Costa Concórdia

O último Domingo trouxe um novo líder para a oposição. Seguro sai na sequência da magra vitória do PS nas eleições europeias e como Seguro não é dado a pressas, levou mais que um trimestre para substituir um António por outro. Cá em casa também temos um António, insubstituível como é óbvio, embora os irmãos tenham momentos em que não se importavam de promover primárias cá em casa. Mas não é deste António que se trata o texto, antes do outro, o Costa que reúne uma significativa concórdia no aparelho, nas bases e nos simpatizantes. No mapa político, a alegria pela sua eleição para secretário geral do PS, não ultrapassa as fronteiras do partido, mas ao que parece (li hoje num jornal) na Índia, há um sentimento de orgulho e de alegria, pela eleição para secretário geral do PS do "Gandhi de Lisboa". O Hindustan Times - jornal Inglês da Ìndia - refere-se a António Costa como Gandhi de Lisboa, apontando a possibilidade deste fazer parte da lista de pessoas de origem indiana que podem ocupar lugares de topo na política de países estrangeiros. Eu já desconfiava que o António Costa tinha ascendência indiana, não sei, era o meu sexto sentido que me dizia, mas "Ganhdi de Lisboa" parece-me um tudo nada, o título de um filme português dos anos 50: "Os que mais gosto são a Aldeia da Roupa Branca, o Leão da Estrela e o Gandhi de Lisboa" Muito me estranha que esse argumento, do Gandhi de Lisboa, não tenha sido usado em campanha pelo Seguro. Via-se o cravo a ser roubado por um homem vestido com um lençol que depois interrompia a greve da fome, para fazer chamuças e devorá-las apressadamente olhando para as ruas de Lisboa cheias de barcos e de pessoas a serem arrastadas pelas cheias. O Seguro só não ganhou as eleições porque não foi suficientemente imaginativo no filme do cravo. Bem feita. Não tem pressa de nada, mas para fazer um filme que podia ser a chave destas eleições foi muito apressado. É o que dá a mania das pressas.

quarta-feira, agosto 06, 2014

O silêncio dos inocentes

As últimas semanas têm sido agitadas no sector financeiro deste país e palavra de honra que ando preocupado com o futuro da Dona Falênc... da Dona Inércia digo. E eis que num Domingo, nem noutro dia poderia ser, tudo parece estar resolvido. Activos tóxicos e dívidas do grupo para o mau, depósitos e actividade para o bom e como num filme, em que no fim ganham os bons, tudo volta à paz do Senhor. Mas na realidade não é bem assim e é mesmo de assuntos do Senhor que eu quero falar. Bem sei que este milagre se deu no dia do Senhor, precisamente em contra-ciclo com o descanso ao 7º dia, mas isso não justifica o silêncio da Igreja Católica sobre este caso. O governo em silêncio, aqueles que, em vésperas do milagre se livraram das acções do banco, em silêncio, a família em silêncio e os ex-administradores em silêncio, mas a Igreja Católica ? Então o Banco de Portugal divide o Espírito Santo em parte boa e parte má e a Igreja Católica nada diz sobre o tema ? Um dos vértices da santíssima trindade é esquartejado em lado bom e lado mau e assobiamos para o lado ? Afinal quem visitou a virgem Maria para a concepção sem pecado ? Eu não sei, mas tudo me leva a crer que foi o dos activos tóxicos. Convenhamos que se tivesse sido a parte boa, a história teria direito a um final mais feliz. Alguma coisa de activo tóxico andou por ali. E depois veio em forma de pomba, e já se sabe que os pombos são meio estranhos. Se fosse a parte boa, vinha de urso panda que é um animal muito mais bonito e não faz cocó nas estátuas. Outra prova disso é a aparição da Virgem na Cova de Iria. Se fosse a parte boa a tratar do assunto, a Nossa Senhora tinha aparecido na Comporta aos Pescadores em vez de Fátima aos Pastores, que todos sabemos que a Comporta e o Espírito Santo são unha com carne. E agora na celebração litúrgica, qualquer referência ao Espírito Santo, virá sem a explicação sobre se estamos a falar do bom ou do mau ? Sinceramente este silêncio é no mínimo estranho e preocupante. Aguardo esclarecimentos urgentes.

segunda-feira, julho 21, 2014

Passo a passo

A resposta "cá vamos andando" dada à pergunta "Tudo bem ?" tem aquele tom de "Cá nos vamos arrastando". Como se não houvesse outro remédio senão manter-mo-nos vivos, como se fosse fado, como sina, karma. Ora, a verdade é que "cá vou andando", tem sido uma novidade no último mês. Se Maio foi o mês da Carta de Patrão Local, que há-de ser post assim que espetar com uma embarcação no pilar norte da Ponte 25 de Abril, Junho foi o mês do pedómetro.
O princípio é simples, contar passos, medir distâncias percorridas, em rede social com quem tem pedómetro semelhante, e depois uma coisa puxa pela outra e antes que se dê por isso eis-me feito parvo alérgico a elevadores, viaturas e hidratos de carbono. Montado este circo, é com naturalidade que as horas que antecedem o trabalho ou de almoço ou após o jantar, sejam horas de "ir andando" o que, convenhamos, até é bom. Pela cidade, pelo rio, pelos passeios em família, ou porque à noite o desgraçado do cão também é convocado e já tem bolhas nas patas de tantos quilómetros. Os homens mentem e mentem de forma persistente em três frases. Uma delas não a vou dizer aqui, a segunda é "Isto nunca me tinha acontecido antes" e a terceira é "Isto não é o que parece". Hoje usei a terceira frase, mas macacos me mordam se era mentir. Aquilo não era mesmo o que parecia. Eu só entrei em casa com uma roupa diferente daquela com que saí. Bem sei que saí com um polo azul escuro, tamanho L e de malha normal, e cheguei a casa com um polo azul-lagoa-d'óbidos tamanho S e malha fina que me moldava de uma forma apanascada esta mistura desequilibrada de massa muscular com camada adiposa. Existe uma explicação para a troca de roupa e é muito credível. Fui andar à hora de almoço, fazer passos, incrementar a distância diária, o número de passos, a quantidade de andares subidos e as calorias gastas. Acontece que hoje estava quentinho naquelas zonas e após meia hora de caminhada e chegado ao meu local de trabalho, a coisa parecia grave. Cheiro nauseabundo. Ora eu já sabia que devia levar uma roupa e acessórios de banho para estas ocasiões mas nunca antes se tinha revelado mandatório pelo que a coisa ficava pela intenção mesmo. Só que hoje o inferno desceu às axilas e vai que tive que ir até ao Shoping buscar um polo de substituição. Para azar dos azares tudo está em saldos e a Springfield só tinha tamanhos e cores impossíveis - verde azeitonad'elvas xxs que não me ficava nada bem, a Massimo Dutti não tinha nada de jeito, a Sports Zone só tinha malhas finas vermelho rabo de boi e eis-me no Continente a ver polos a € 4.90 num azul de gosto duvidoso. O L chegava-me aos joelhos, o M não havia, pelo que o melhor é levar um S, que é obviamente o tamanho adequado para quem tem um metro e setenta e sete. Vou aos balneários, higiene tratada e roupa trocada, eis que estou numa camisa de forças em tons azul-lagoa-d'óbidos. E pronto, chego a casa e eis que a frase quase parece insuficiente "Isto não é o que parece."

segunda-feira, abril 14, 2014

Chávena Fria

Hoje é dia mundial do Café. 14 de Abril, dois meses depois do dia dos namorados e do dia europeu da disfunção eréctil - 14 de Fevereiro, dois meses antes do dia mundial do dador de sangue - 14 de Junho, um mês depois do dia do PI - 14 de Março ou 3.14 que é o início do PI e um mês antes de um dia-que-eu-não-faço-ideia-qual-mundial-de-uma-coisa-qualquer - 14 de Maio. Não havendo ainda nada para este dia, proponho algo interessante, como o dia internacional da economia paralela ou o dia mundial da cerveja artesanal e do macramé. Se o calendário é farto em dias mundiais ou internacionais, o nosso país tem, neste dia em particular tem dificuldades em escolher o que está a celebrar. Qualquer empregado de uma pastelaria, restaurante, bar ou taberna, pode completar a lista de variedades de café com maior propriedade que eu, mas convenhamos que é uma ciência servir cafés no nosso país. Se o critério é a chávena, temos café em chávena fria ou café escaldado. Se o critério é a quantidade de café na chávena, temos café cheio, café curto que também é uma italiana, ou normal. Depois temos a própria designação do café que vai do cimbalino, ao café ou à bica (que dizem ser a abreviatura de Beba Isto Com Açúcar). Ainda há as variantes aditivas como o café pingado ou com cheirinho. E por fim, aqui há pouco tempo, descobri que há quem peça café sem princípio - café em que se desperdiça o início do liquido que sai da máquina expresso. O mundo pode ser um lugar complicado capaz de assinalar dias mundiais espalhados pelo calendário, Portugal é um cúmulo em que é possível pedir um café curto sem princípio em chávena fria com cheirinho. Nós não concebemos automóveis o que, embora não pareça, é bom. É que com a quantidade de extras e de opções que conseguimos criar para uma bica, se Portugal se aventurasse no mercado automóvel íamos criar tantas variantes que qualquer catálogo ia-se assemelhar a um caderno de encargos de um concurso internacional.

sábado, abril 12, 2014

Menos bê mais ou menos raíz quadrada de bê ao quadrado menos quatro a cê sobre dois a

Ser licenciado em Matemática Aplicada não me garante a abstracção dos problemas do dia a dia, nem me prepara para a geometria muito própria do triângulo dos Marias cá de casa, tampouco me convence a organizar a vida como se de um sistema de equações lineares se tratasse. Da Matemática sei alguns conceitos, o raciocínio, e quando de feição, algum uso menos óbvio naquilo que são os nossos dias. Foi para falar sobre o futuro e o presente de alguém que é licenciado em Matemática que me desafiaram. A mim e a outros que , tal como eu, não são professores nem investigadores. Deixo aqui os vídeos. Do que disse, muito não está na montagem final. Do que não disse, é que o melhor desta função do quotidiano, é a certeza de convergir para ti no final de cada dia.

quinta-feira, março 20, 2014

Primavera

Facto: A primavera chegou hoje.
O Sporting defende que a primavera vem numa altura em que a janela de transferências está fechada pelo que deve ser impedida de jogar até ao final da presente temporada. E ainda diz que BASTA e que estão a ser prejudicados em dez pontos e que toda a gente sabe que esta  tal primavera não foi nomeada de forma transparente.
O Presidente Cavaco Silva anuncia ao País que a primavera é a altura de um grande consenso nacional e que o PS e o PSD deviam dar especial atenção qo que nesta época do ano se passa com as abelhinhas, com as flores e com os pássaros.
O Porto diz que a primavera chega ligeiramente adiantada em relação ao último defesa.
Seguro pergunta à primavera “Qual é a pressa?”
O partido comunista diz que a primavera nunca existiu, nem a de Portugal, nem a de Praga.
O governo propõe a criação de uma taxa primaveril com efeitos retroativos ao Outono. Para fazer descriminação positiva, a taxa não se aplica a quem tenha rendimentos inferiores a 50 euros ou superiores a 50 000 euros mensais. Aproveitando este evento, o governo propõe taxar as semanadas dos menores obrigando-os a declarar estes rendimentos. O tribunal constitucional desmaia todo de uma só vez.
O Correio da Manhã noticia que a Vera foi proprietária de uma casa de prostituição ilegal.
O Bloco de Esquerda faz subir à assembleia uma proposta de lei sobre a legalização de drogas leves que têm evidentes efeitos profiláticos nas alergias primaveris.
Jorge Jesus mostra 11 dedos à primavera e diz que o fez como alusão ao número de meses que dura esta bonita quadra. Em comunicado, o Benfica, manifesta total apoio ao gesto do treinador e reitera que nem quer ouvir falar de primavera uma vez que a última que se lembra foi pior que o mais rigoroso dos invernos.
Paulo Portas arruma os sobretudos, gabardines e fatos de inverno, pondo  a uso a coleção pessoal de meia estação.
O Sporting rectifica o comunicado afirmando que estão a ser prejudicados em 12 pontos e 15 graus centígrados.
Setenta e tal personalidades de todos os quadrantes políticos assinam um manifesto para renegociar a chegada das estações que se avizinham.
Polícias à paisana festejam nas escadas do parlamento a chegada da primavera.

quarta-feira, março 12, 2014

Actividades de Outdoor

O teambuilding está cada vez mais na moda e raras são as organizações que não promovem para os seus colaboradores uma ou outra actividade desta natureza. A polícia está de parabéns pela organização daquele evento outdoor nas escadarias da Assembleia da República. Aquilo é que foi. Está bem que podiam fazer aquilo da conquista do patamar com as pernas enfiadas em sacos de serapilheira, que conferia mais emoção à coisa, mas confesso que foi das actividades mais radicais a que assisti. Pessoalmente achei que os polícias de baixo estavam menos organizados que os de cima, mas é definitivamente uma ideia a seguir.
Se eu quiser organizar um evento assim, falo com quem ? E onde é que se arranjam os fatos para a equipa de cima ? Alugam-se? Há noutras cores ?

segunda-feira, janeiro 20, 2014

Referende-se pois

Excelentíssimo Senhor Primeiro Ministro Passos Coelho
Serve a presente para lhe expressar sincero apoio na feliz iniciativa de referendar a co-adopção por casais do mesmo sexo  (doravante designados por casais coiso). Custa-me compreender tanto alvoroço e tanta indignação só porque vossa excelência se lembrou de dar voz ao povo num tema tão delicado como a co-adopção por casais coiso. E já que está a referendar a co-adopção, parece-me genial que aproveite para referendar a adopção por casais coiso. Vossa Excelência devia ganhar uma bola de ouro porque com um só remate marca dois golos. Não querendo abusar da sua disponibilidade, queria sugerir que o referendo fosse estendido a mais duas questões dentro desta temática coiso.
Se Vossa Excelência estiver atento, com toda a certeza já reparou que a maior parte dos coisos, provêm desse antro de perdição que são os casais de sexos diferentes. A chamada família tradicional, do pai e da mãe, a tal da célula da sociedade, é donde vêm quase todos os coisos. Eles nascem normais, mas depois passam anos a ver os pais e as mães sempre muito cúmplices, muito dóceis, sempre com ternurinhas um pelo outro e quando se dá por ela, já eles estão carregadinhos da doença que os faz coiso. É neste contexto que lhe peço que referende a adopção e a procriação de casais de sexo diferente. Para ver se, duma vez por todas, se acaba com este flagelo coisossexual.
Por último e porque o seu governo é esta desgraça que se vê, queria que aproveitasse para referendar a Co-governação por casais do mesmo sexo. Só porque, às tantas, não há qualquer justificação para vossa excelência continuar a governar.
Obrigado.

segunda-feira, janeiro 06, 2014

Desportos de Inverno

Quando penso que já nada me surpreende, eis que Ângela Merkel resolve fazê-lo. Bem sei que partir a loiça num país estrangeiro é uma das suas actividades preferidas, mas partir a bacia na Suiça talvez seja exagero. E depois, esquiar ? Não sei, não estou bem a ver. Será que ainda vou ver o Aníbal a estatelar-se numa duna na sequência de algum exagero de Kitesurf  ou a fazer algo ainda mais radical como mandar um orçamento de estado de Pedro Passos Coelho para fiscalização preventiva ? Só de pensar fico em agonia.

domingo, dezembro 22, 2013

Este fim de semana não existe

É sabido que os fins de semana são tendencialmente bem vindos. É também verdade que o Natal é tendencialmente uma quadra em que muito se fala de paz e de alegria. Partindo destes dois postulados, não consigo perceber porque é que o fim de semana que antecede o Natal é este inferno, e de forma consistente. Nada tem a ver com este ano, nem com a crise, nem com os juízes do palácio Raton, nem com a ida ao estádio ver o Sporting jogar mal, nem com o frio, nem com os duodécimos que já lá vão, nem com nada. Este é consistentemente um fim de semana de deixar qualquer um de rastos. Porque o simples facto de sair à rua é uma aventura, andar de carro uma loucura, entrar numa loja uma proeza, sair da loja um milagre e embrulhar uma prenda uma benção divina. Por esta altura, há 2014 anos atrás, já a Maria andava com contracções e com alguns dedos de dilatação e estou em crer que se ela soubesse o que aí vinha rebentavam-lhe as águas ainda a caminho de Belém. Na escala do Pingo Doce que vai do Banco Alimentar ao 1º de Maio, este é claramente um fim de semana em 1º de Maio contínuo e generalizado mas sem a CGTP na Alameda. Findo o dito, já só quero que o Natal chegue e bem depressa se for possível. Não se confunda esta minha alergia ao fim de semana que antecede o Natal com alguma alergia ao próprio Natal. Nada disso, eu gosto do Natal e bastante. Mesmo com as operações da GNR, mesmo com o "Sózinho em casa" e a "Música no Coração", mesmo com  o Natal nos Hospitais, mesmo com os jantares de Natal e os amigos surpresa. Eu gosto do Natal, pela minha rica saúde. Palavra de honra, só queria mesmo é que este fim de semana fosse, assim de um forma muito democrática, proibido, banido, entroikado, qualquer coisa que impeça que este flagelo se perpetue. Acabem-me com este fim de semana antes do Natal.
Obrigadinho e já agora, votos de um feliz natal.

terça-feira, novembro 26, 2013

Noves fora tudo

Cheguei atrasado à natação para te apanhar e levar para casa. Já estavas de banho tomado, vestido e de cabelo mal seco. O progenitor de um outro miúdo perguntou-me se era eu o teu pai. Palavra de honra que pensei “Estupor do fedelho já asneirou. Ou se esticou no vernáculo com os amigos, ou foi malcriado com algum adulto.” Tenho-te em boa conta já se vê. Preparo-me então para o discurso evangelizador sobre o respeito com os outros, e eis que o pai do outro miúdo me dá os parabéns. Não pelo teu nono aniversário, mas pela ligeireza a resolver um problema de matemática, em que te mostraste lesto onde muitos adultos se atrapalham. Desarmei-me da pose autoritária, suspirei de alívio e inchei de orgulho, só não comentei o milagre da herança genética porque a modéstia fica quase sempre bem. Orgulho-me da tua agilidade com o raciocínio, orgulho-me dos teus nove anos, da tua persistência, da tua alegria, do teu sorriso, do teu mimo, da tua autonomia, da paciência com os teus irmãos e dessa deliciosa insistência em ser o eterno bebé da casa. Afinal ainda só tens nove anos, nem duas mãos completas para mostrar a tua idade. Desespero nos teus exageros, nas tuas birras, nos teus amuos, na tua autonomia, da falta de paciência com os teus irmãos e nessa estranha insistência em seres o bebé lá de casa. Afinal já tens nove anos, quase duas mãos completas para mostrar a tua idade. Afinal já sabes tanto, afinal já és tanto, afinal imenso. Afinal noves fora tu, noves fora tudo. Parabéns meu Amor.

domingo, novembro 24, 2013

Nem o pai morre nem a gente almoça

Hoje surgiu na agenda dos jornais e das televisões, a crescente e preocupante dimensão da geração nem-nem. Uma geração algures entre os vintes avançados e os trintas iniciados de gente que nem estuda nem trabalha. Corolário da conjuntura, da crise, das escolhas, do mercado, da cultura e da troika assistimos serenos ao crescimento desta geração de nem nem. Estou em crer que esta geração congrega pessoas de vários perfis e encerra vários "nem-nem". Há os "nem-nem" do lado "Nem tenho idade nem feitio para trabalhar nisso, nem que me paguem o meu peso em ouro" resignados e de tímida iniciativa e há os "Nem que fechem todas as portas, nem que me esgote de todas as forças eu vou desistir" lutadores, combativos e persistentes. O futuro, se colocar de lado uma certa ironia tantas vezes atribuída ao destino, há-de tratar cada um destes casos com um presente coerente com cada nem-nem.
No entanto, em consciência, não se pode falar do futuro destes nem-nem sem referir que quer eles, quer o futuro por que lutam ou esperam é o resultado de uma geração política sem-sem ou sem-nem. Sem alma nem escrúpulos, sem eira nem beira, sem critério, sem palavra, sem honra nem glória, sem ponta por onde se lhe pegue, sem ideias, e pior ainda, sem ideais nem ideologias, sem coração, sem solidariedade, sem vergonha na cara nem peso na consciência, sem pingo de decência, sem coragem, sem sabedoria, sem soluções, sem respeito e sem qualquer valor. Esta geração política é sem-sem, e temo que continue a ser sem-nem até que o país fique assim, sem rei nem roque.