qual é o custo de ligar os duches da casa dos segredos à rede de abastecimento de água de Vila Franca de Xira ?
segunda-feira, novembro 10, 2014
quarta-feira, outubro 01, 2014
Costa Concórdia
O último Domingo trouxe um novo líder para a oposição. Seguro sai na sequência da magra vitória do PS nas eleições europeias e como Seguro não é dado a pressas, levou mais que um trimestre para substituir um António por outro. Cá em casa também temos um António, insubstituível como é óbvio, embora os irmãos tenham momentos em que não se importavam de promover primárias cá em casa. Mas não é deste António que se trata o texto, antes do outro, o Costa que reúne uma significativa concórdia no aparelho, nas bases e nos simpatizantes. No mapa político, a alegria pela sua eleição para secretário geral do PS, não ultrapassa as fronteiras do partido, mas ao que parece (li hoje num jornal) na Índia, há um sentimento de orgulho e de alegria, pela eleição para secretário geral do PS do "Gandhi de Lisboa".
O Hindustan Times - jornal Inglês da Ìndia - refere-se a António Costa como Gandhi de Lisboa, apontando a possibilidade deste fazer parte da lista de pessoas de origem indiana que podem ocupar lugares de topo na política de países estrangeiros.
Eu já desconfiava que o António Costa tinha ascendência indiana, não sei, era o meu sexto sentido que me dizia, mas "Ganhdi de Lisboa" parece-me um tudo nada, o título de um filme português dos anos 50:
"Os que mais gosto são a Aldeia da Roupa Branca, o Leão da Estrela e o Gandhi de Lisboa"
Muito me estranha que esse argumento, do Gandhi de Lisboa, não tenha sido usado em campanha pelo Seguro. Via-se o cravo a ser roubado por um homem vestido com um lençol que depois interrompia a greve da fome, para fazer chamuças e devorá-las apressadamente olhando para as ruas de Lisboa cheias de barcos e de pessoas a serem arrastadas pelas cheias.
O Seguro só não ganhou as eleições porque não foi suficientemente imaginativo no filme do cravo. Bem feita. Não tem pressa de nada, mas para fazer um filme que podia ser a chave destas eleições foi muito apressado. É o que dá a mania das pressas.
quarta-feira, agosto 06, 2014
O silêncio dos inocentes
As últimas semanas têm sido agitadas no sector financeiro deste país e palavra de honra que ando preocupado com o futuro da Dona Falênc... da Dona Inércia digo.
E eis que num Domingo, nem noutro dia poderia ser, tudo parece estar resolvido. Activos tóxicos e dívidas do grupo para o mau, depósitos e actividade para o bom e como num filme, em que no fim ganham os bons, tudo volta à paz do Senhor. Mas na realidade não é bem assim e é mesmo de assuntos do Senhor que eu quero falar.
Bem sei que este milagre se deu no dia do Senhor, precisamente em contra-ciclo com o descanso ao 7º dia, mas isso não justifica o silêncio da Igreja Católica sobre este caso. O governo em silêncio, aqueles que, em vésperas do milagre se livraram das acções do banco, em silêncio, a família em silêncio e os ex-administradores em silêncio, mas a Igreja Católica ? Então o Banco de Portugal divide o Espírito Santo em parte boa e parte má e a Igreja Católica nada diz sobre o tema ? Um dos vértices da santíssima trindade é esquartejado em lado bom e lado mau e assobiamos para o lado ? Afinal quem visitou a virgem Maria para a concepção sem pecado ? Eu não sei, mas tudo me leva a crer que foi o dos activos tóxicos. Convenhamos que se tivesse sido a parte boa, a história teria direito a um final mais feliz. Alguma coisa de activo tóxico andou por ali. E depois veio em forma de pomba, e já se sabe que os pombos são meio estranhos. Se fosse a parte boa, vinha de urso panda que é um animal muito mais bonito e não faz cocó nas estátuas. Outra prova disso é a aparição da Virgem na Cova de Iria. Se fosse a parte boa a tratar do assunto, a Nossa Senhora tinha aparecido na Comporta aos Pescadores em vez de Fátima aos Pastores, que todos sabemos que a Comporta e o Espírito Santo são unha com carne.
E agora na celebração litúrgica, qualquer referência ao Espírito Santo, virá sem a explicação sobre se estamos a falar do bom ou do mau ?
Sinceramente este silêncio é no mínimo estranho e preocupante. Aguardo esclarecimentos urgentes.
segunda-feira, julho 21, 2014
Passo a passo
A resposta "cá vamos andando" dada à pergunta "Tudo bem ?" tem aquele tom de "Cá nos vamos arrastando". Como se não houvesse outro remédio senão manter-mo-nos vivos, como se fosse fado, como sina, karma. Ora, a verdade é que "cá vou andando", tem sido uma novidade no último mês. Se Maio foi o mês da Carta de Patrão Local, que há-de ser post assim que espetar com uma embarcação no pilar norte da Ponte 25 de Abril, Junho foi o mês do pedómetro.
O princípio é simples, contar passos, medir distâncias percorridas, em rede social com quem tem pedómetro semelhante, e depois uma coisa puxa pela outra e antes que se dê por isso eis-me feito parvo alérgico a elevadores, viaturas e hidratos de carbono.
Montado este circo, é com naturalidade que as horas que antecedem o trabalho ou de almoço ou após o jantar, sejam horas de "ir andando" o que, convenhamos, até é bom. Pela cidade, pelo rio, pelos passeios em família, ou porque à noite o desgraçado do cão também é convocado e já tem bolhas nas patas de tantos quilómetros.
Os homens mentem e mentem de forma persistente em três frases.
Uma delas não a vou dizer aqui, a segunda é "Isto nunca me tinha acontecido antes" e a terceira é "Isto não é o que parece". Hoje usei a terceira frase, mas macacos me mordam se era mentir. Aquilo não era mesmo o que parecia. Eu só entrei em casa com uma roupa diferente daquela com que saí. Bem sei que saí com um polo azul escuro, tamanho L e de malha normal, e cheguei a casa com um polo azul-lagoa-d'óbidos tamanho S e malha fina que me moldava de uma forma apanascada esta mistura desequilibrada de massa muscular com camada adiposa. Existe uma explicação para a troca de roupa e é muito credível.
Fui andar à hora de almoço, fazer passos, incrementar a distância diária, o número de passos, a quantidade de andares subidos e as calorias gastas. Acontece que hoje estava quentinho naquelas zonas e após meia hora de caminhada e chegado ao meu local de trabalho, a coisa parecia grave. Cheiro nauseabundo. Ora eu já sabia que devia levar uma roupa e acessórios de banho para estas ocasiões mas nunca antes se tinha revelado mandatório pelo que a coisa ficava pela intenção mesmo. Só que hoje o inferno desceu às axilas e vai que tive que ir até ao Shoping buscar um polo de substituição. Para azar dos azares tudo está em saldos e a Springfield só tinha tamanhos e cores impossíveis - verde azeitonad'elvas xxs que não me ficava nada bem, a Massimo Dutti não tinha nada de jeito, a Sports Zone só tinha malhas finas vermelho rabo de boi e eis-me no Continente a ver polos a € 4.90 num azul de gosto duvidoso. O L chegava-me aos joelhos, o M não havia, pelo que o melhor é levar um S, que é obviamente o tamanho adequado para quem tem um metro e setenta e sete. Vou aos balneários, higiene tratada e roupa trocada, eis que estou numa camisa de forças em tons azul-lagoa-d'óbidos. E pronto, chego a casa e eis que a frase quase parece insuficiente "Isto não é o que parece."
segunda-feira, abril 14, 2014
Chávena Fria
Hoje é dia mundial do Café. 14 de Abril, dois meses depois do dia dos namorados e do dia europeu da disfunção eréctil - 14 de Fevereiro, dois meses antes do dia mundial do dador de sangue - 14 de Junho, um mês depois do dia do PI - 14 de Março ou 3.14 que é o início do PI e um mês antes de um dia-que-eu-não-faço-ideia-qual-mundial-de-uma-coisa-qualquer - 14 de Maio. Não havendo ainda nada para este dia, proponho algo interessante, como o dia internacional da economia paralela ou o dia mundial da cerveja artesanal e do macramé.
Se o calendário é farto em dias mundiais ou internacionais, o nosso país tem, neste dia em particular tem dificuldades em escolher o que está a celebrar. Qualquer empregado de uma pastelaria, restaurante, bar ou taberna, pode completar a lista de variedades de café com maior propriedade que eu, mas convenhamos que é uma ciência servir cafés no nosso país.
Se o critério é a chávena, temos café em chávena fria ou café escaldado. Se o critério é a quantidade de café na chávena, temos café cheio, café curto que também é uma italiana, ou normal. Depois temos a própria designação do café que vai do cimbalino, ao café ou à bica (que dizem ser a abreviatura de Beba Isto Com Açúcar). Ainda há as variantes aditivas como o café pingado ou com cheirinho. E por fim, aqui há pouco tempo, descobri que há quem peça café sem princípio - café em que se desperdiça o início do liquido que sai da máquina expresso.
O mundo pode ser um lugar complicado capaz de assinalar dias mundiais espalhados pelo calendário, Portugal é um cúmulo em que é possível pedir um café curto sem princípio em chávena fria com cheirinho. Nós não concebemos automóveis o que, embora não pareça, é bom. É que com a quantidade de extras e de opções que conseguimos criar para uma bica, se Portugal se aventurasse no mercado automóvel íamos criar tantas variantes que qualquer catálogo ia-se assemelhar a um caderno de encargos de um concurso internacional.
sábado, abril 12, 2014
Menos bê mais ou menos raíz quadrada de bê ao quadrado menos quatro a cê sobre dois a
Ser licenciado em Matemática Aplicada não me garante a abstracção dos problemas do dia a dia, nem me prepara para a geometria muito própria do triângulo dos Marias cá de casa, tampouco me convence a organizar a vida como se de um sistema de equações lineares se tratasse. Da Matemática sei alguns conceitos, o raciocínio, e quando de feição, algum uso menos óbvio naquilo que são os nossos dias. Foi para falar sobre o futuro e o presente de alguém que é licenciado em Matemática que me desafiaram. A mim e a outros que , tal como eu, não são professores nem investigadores.
Deixo aqui os vídeos.
Do que disse, muito não está na montagem final. Do que não disse, é que o melhor desta função do quotidiano, é a certeza de convergir para ti no final de cada dia.
quinta-feira, março 20, 2014
Primavera
Facto: A
primavera chegou hoje.
O Sporting
defende que a primavera vem numa altura em que a janela de transferências está
fechada pelo que deve ser impedida de jogar até ao final da presente temporada.
E ainda diz que BASTA e que estão a ser prejudicados em dez pontos e que toda a
gente sabe que esta tal primavera não
foi nomeada de forma transparente.
O Presidente Cavaco
Silva anuncia ao País que a primavera é a altura de um grande consenso nacional
e que o PS e o PSD deviam dar especial atenção qo que nesta época do ano se
passa com as abelhinhas, com as flores e com os pássaros.
O Porto diz que a
primavera chega ligeiramente adiantada em relação ao último defesa.
Seguro pergunta à
primavera “Qual é a pressa?”
O partido
comunista diz que a primavera nunca existiu, nem a de Portugal, nem a de Praga.
O governo propõe
a criação de uma taxa primaveril com efeitos retroativos ao Outono. Para fazer descriminação
positiva, a taxa não se aplica a quem tenha rendimentos inferiores a 50 euros
ou superiores a 50 000 euros mensais. Aproveitando este evento, o governo
propõe taxar as semanadas dos menores obrigando-os a declarar estes
rendimentos. O tribunal constitucional desmaia todo de uma só vez.
O Correio da
Manhã noticia que a Vera foi proprietária de uma casa de prostituição ilegal.
O Bloco de
Esquerda faz subir à assembleia uma proposta de lei sobre a legalização de
drogas leves que têm evidentes efeitos profiláticos nas alergias primaveris.
Jorge Jesus
mostra 11 dedos à primavera e diz que o fez como alusão ao número de meses que
dura esta bonita quadra. Em comunicado, o Benfica, manifesta total apoio ao
gesto do treinador e reitera que nem quer ouvir falar de primavera uma vez que
a última que se lembra foi pior que o mais rigoroso dos invernos.
Paulo Portas arruma
os sobretudos, gabardines e fatos de inverno, pondo a uso a coleção pessoal de meia estação.
O Sporting
rectifica o comunicado afirmando que estão a ser prejudicados em 12 pontos e 15
graus centígrados.
Setenta e tal
personalidades de todos os quadrantes políticos assinam um manifesto para
renegociar a chegada das estações que se avizinham.
Polícias à
paisana festejam nas escadas do parlamento a chegada da primavera.
quarta-feira, março 12, 2014
Actividades de Outdoor
O teambuilding está cada vez mais na moda e raras são as organizações que não promovem para os seus colaboradores uma ou outra actividade desta natureza. A polícia está de parabéns pela organização daquele evento outdoor nas escadarias da Assembleia da República. Aquilo é que foi. Está bem que podiam fazer aquilo da conquista do patamar com as pernas enfiadas em sacos de serapilheira, que conferia mais emoção à coisa, mas confesso que foi das actividades mais radicais a que assisti. Pessoalmente achei que os polícias de baixo estavam menos organizados que os de cima, mas é definitivamente uma ideia a seguir.
Se eu quiser organizar um evento assim, falo com quem ? E onde é que se arranjam os fatos para a equipa de cima ? Alugam-se? Há noutras cores ?
Se eu quiser organizar um evento assim, falo com quem ? E onde é que se arranjam os fatos para a equipa de cima ? Alugam-se? Há noutras cores ?
segunda-feira, janeiro 20, 2014
Referende-se pois
Excelentíssimo Senhor Primeiro Ministro Passos Coelho
Serve a presente para lhe expressar sincero apoio na feliz iniciativa de referendar a co-adopção por casais do mesmo sexo (doravante designados por casais coiso). Custa-me compreender tanto alvoroço e tanta indignação só porque vossa excelência se lembrou de dar voz ao povo num tema tão delicado como a co-adopção por casais coiso. E já que está a referendar a co-adopção, parece-me genial que aproveite para referendar a adopção por casais coiso. Vossa Excelência devia ganhar uma bola de ouro porque com um só remate marca dois golos. Não querendo abusar da sua disponibilidade, queria sugerir que o referendo fosse estendido a mais duas questões dentro desta temática coiso.
Se Vossa Excelência estiver atento, com toda a certeza já reparou que a maior parte dos coisos, provêm desse antro de perdição que são os casais de sexos diferentes. A chamada família tradicional, do pai e da mãe, a tal da célula da sociedade, é donde vêm quase todos os coisos. Eles nascem normais, mas depois passam anos a ver os pais e as mães sempre muito cúmplices, muito dóceis, sempre com ternurinhas um pelo outro e quando se dá por ela, já eles estão carregadinhos da doença que os faz coiso. É neste contexto que lhe peço que referende a adopção e a procriação de casais de sexo diferente. Para ver se, duma vez por todas, se acaba com este flagelo coisossexual.
Por último e porque o seu governo é esta desgraça que se vê, queria que aproveitasse para referendar a Co-governação por casais do mesmo sexo. Só porque, às tantas, não há qualquer justificação para vossa excelência continuar a governar.
Obrigado.
Serve a presente para lhe expressar sincero apoio na feliz iniciativa de referendar a co-adopção por casais do mesmo sexo (doravante designados por casais coiso). Custa-me compreender tanto alvoroço e tanta indignação só porque vossa excelência se lembrou de dar voz ao povo num tema tão delicado como a co-adopção por casais coiso. E já que está a referendar a co-adopção, parece-me genial que aproveite para referendar a adopção por casais coiso. Vossa Excelência devia ganhar uma bola de ouro porque com um só remate marca dois golos. Não querendo abusar da sua disponibilidade, queria sugerir que o referendo fosse estendido a mais duas questões dentro desta temática coiso.
Se Vossa Excelência estiver atento, com toda a certeza já reparou que a maior parte dos coisos, provêm desse antro de perdição que são os casais de sexos diferentes. A chamada família tradicional, do pai e da mãe, a tal da célula da sociedade, é donde vêm quase todos os coisos. Eles nascem normais, mas depois passam anos a ver os pais e as mães sempre muito cúmplices, muito dóceis, sempre com ternurinhas um pelo outro e quando se dá por ela, já eles estão carregadinhos da doença que os faz coiso. É neste contexto que lhe peço que referende a adopção e a procriação de casais de sexo diferente. Para ver se, duma vez por todas, se acaba com este flagelo coisossexual.
Por último e porque o seu governo é esta desgraça que se vê, queria que aproveitasse para referendar a Co-governação por casais do mesmo sexo. Só porque, às tantas, não há qualquer justificação para vossa excelência continuar a governar.
Obrigado.
segunda-feira, janeiro 06, 2014
Desportos de Inverno
Quando penso que já nada me surpreende, eis que Ângela Merkel resolve fazê-lo. Bem sei que partir a loiça num país estrangeiro é uma das suas actividades preferidas, mas partir a bacia na Suiça talvez seja exagero. E depois, esquiar ? Não sei, não estou bem a ver. Será que ainda vou ver o Aníbal a estatelar-se numa duna na sequência de algum exagero de Kitesurf ou a fazer algo ainda mais radical como mandar um orçamento de estado de Pedro Passos Coelho para fiscalização preventiva ? Só de pensar fico em agonia.
domingo, dezembro 22, 2013
Este fim de semana não existe
É sabido que os fins de semana são tendencialmente bem vindos. É também verdade que o Natal é tendencialmente uma quadra em que muito se fala de paz e de alegria. Partindo destes dois postulados, não consigo perceber porque é que o fim de semana que antecede o Natal é este inferno, e de forma consistente. Nada tem a ver com este ano, nem com a crise, nem com os juízes do palácio Raton, nem com a ida ao estádio ver o Sporting jogar mal, nem com o frio, nem com os duodécimos que já lá vão, nem com nada. Este é consistentemente um fim de semana de deixar qualquer um de rastos. Porque o simples facto de sair à rua é uma aventura, andar de carro uma loucura, entrar numa loja uma proeza, sair da loja um milagre e embrulhar uma prenda uma benção divina. Por esta altura, há 2014 anos atrás, já a Maria andava com contracções e com alguns dedos de dilatação e estou em crer que se ela soubesse o que aí vinha rebentavam-lhe as águas ainda a caminho de Belém. Na escala do Pingo Doce que vai do Banco Alimentar ao 1º de Maio, este é claramente um fim de semana em 1º de Maio contínuo e generalizado mas sem a CGTP na Alameda. Findo o dito, já só quero que o Natal chegue e bem depressa se for possível. Não se confunda esta minha alergia ao fim de semana que antecede o Natal com alguma alergia ao próprio Natal. Nada disso, eu gosto do Natal e bastante. Mesmo com as operações da GNR, mesmo com o "Sózinho em casa" e a "Música no Coração", mesmo com o Natal nos Hospitais, mesmo com os jantares de Natal e os amigos surpresa. Eu gosto do Natal, pela minha rica saúde. Palavra de honra, só queria mesmo é que este fim de semana fosse, assim de um forma muito democrática, proibido, banido, entroikado, qualquer coisa que impeça que este flagelo se perpetue. Acabem-me com este fim de semana antes do Natal.
Obrigadinho e já agora, votos de um feliz natal.
Obrigadinho e já agora, votos de um feliz natal.
terça-feira, novembro 26, 2013
Noves fora tudo
Cheguei atrasado
à natação para te apanhar e levar para casa. Já estavas de
banho tomado, vestido e de cabelo mal seco. O progenitor de um outro miúdo perguntou-me
se era eu o teu pai. Palavra de honra que pensei “Estupor do fedelho já
asneirou. Ou se esticou no vernáculo com os amigos, ou foi malcriado com algum
adulto.” Tenho-te em boa conta já se vê. Preparo-me então para o discurso
evangelizador sobre o respeito com os outros, e eis que o pai do outro miúdo me
dá os parabéns. Não pelo teu nono aniversário, mas pela ligeireza a resolver um
problema de matemática, em que te mostraste lesto onde muitos adultos se
atrapalham. Desarmei-me da pose autoritária, suspirei de alívio e inchei de
orgulho, só não comentei o milagre da herança genética porque a modéstia fica quase
sempre bem. Orgulho-me da tua agilidade com o raciocínio, orgulho-me dos teus
nove anos, da tua persistência, da tua alegria, do teu sorriso, do teu mimo, da
tua autonomia, da paciência com os teus irmãos e dessa deliciosa insistência em
ser o eterno bebé da casa. Afinal ainda só tens nove anos, nem duas mãos
completas para mostrar a tua idade. Desespero nos teus exageros, nas tuas
birras, nos teus amuos, na tua autonomia, da falta de paciência com os teus
irmãos e nessa estranha insistência em seres o bebé lá de casa. Afinal já tens
nove anos, quase duas mãos completas para mostrar a tua idade. Afinal já sabes
tanto, afinal já és tanto, afinal imenso. Afinal noves fora tu, noves fora
tudo. Parabéns meu Amor.
domingo, novembro 24, 2013
Nem o pai morre nem a gente almoça
Hoje surgiu na agenda dos jornais e das televisões, a crescente e preocupante dimensão da geração nem-nem. Uma geração algures entre os vintes avançados e os trintas iniciados de gente que nem estuda nem trabalha. Corolário da conjuntura, da crise, das escolhas, do mercado, da cultura e da troika assistimos serenos ao crescimento desta geração de nem nem. Estou em crer que esta geração congrega pessoas de vários perfis e encerra vários "nem-nem". Há os "nem-nem" do lado "Nem tenho idade nem feitio para trabalhar nisso, nem que me paguem o meu peso em ouro" resignados e de tímida iniciativa e há os "Nem que fechem todas as portas, nem que me esgote de todas as forças eu vou desistir" lutadores, combativos e persistentes. O futuro, se colocar de lado uma certa ironia tantas vezes atribuída ao destino, há-de tratar cada um destes casos com um presente coerente com cada nem-nem.
No entanto, em consciência, não se pode falar do futuro destes nem-nem sem referir que quer eles, quer o futuro por que lutam ou esperam é o resultado de uma geração política sem-sem ou sem-nem. Sem alma nem escrúpulos, sem eira nem beira, sem critério, sem palavra, sem honra nem glória, sem ponta por onde se lhe pegue, sem ideias, e pior ainda, sem ideais nem ideologias, sem coração, sem solidariedade, sem vergonha na cara nem peso na consciência, sem pingo de decência, sem coragem, sem sabedoria, sem soluções, sem respeito e sem qualquer valor. Esta geração política é sem-sem, e temo que continue a ser sem-nem até que o país fique assim, sem rei nem roque.
No entanto, em consciência, não se pode falar do futuro destes nem-nem sem referir que quer eles, quer o futuro por que lutam ou esperam é o resultado de uma geração política sem-sem ou sem-nem. Sem alma nem escrúpulos, sem eira nem beira, sem critério, sem palavra, sem honra nem glória, sem ponta por onde se lhe pegue, sem ideias, e pior ainda, sem ideais nem ideologias, sem coração, sem solidariedade, sem vergonha na cara nem peso na consciência, sem pingo de decência, sem coragem, sem sabedoria, sem soluções, sem respeito e sem qualquer valor. Esta geração política é sem-sem, e temo que continue a ser sem-nem até que o país fique assim, sem rei nem roque.
quarta-feira, outubro 23, 2013
Estação de Tratamento de Resíduos Domésticos
O tratamento de resíduos domésticos é um tema que nos devia preocupar a todos e hoje em dia, com o objectivo de promover e possibilitar a reciclagem, quase todos fazemos a separação do lixo das nossas casas. A recolha, tratamento e eliminação de resíduos é um serviço assegurado pelos Municípios ou por empresas contratadas por estes, vocacionadas para o efeito e cada vez mais se ouve falar da possibilidade dos portugueses pagarem em função do lixo que produzem. Neste contexto, estuda-se, a implementação de uma tarifa do lixo cobrada consoante a quantidade de resíduos produzidos. O conceito pay as you throw pretende tornar mais justo o custo do tratamento dos resíduos, penalizando quem tem menor consciência ambiental. Na prática, poderá significar cobrar um preço consoante o peso ou o volume do saco do lixo.
Tratando-se da possibilidade de ter que pagar mais um imposto ou de ser agravado naquele que já pago comecei a pensar numa solução. Somos cinco lá em casa e o lixo tem uma tendência crescente para se multiplicar. Nem sei bem porquê, mas facilmente enchemos cada um dos três caixotes que habitam a zona por baixo do lava loiça.
Perante este cenário estamos a desenvolver lá em casa o protótipo de uma estação móvel de tratamento de resíduos sólidos. Este dispositivo inovador é capaz de recolher resíduos dos caixotes e de reciclar com eficácia grande parte do seu conteúdo. Há pormenores ainda a resolver como a diminuição do ruído nas fases de recolha e processamento inicial, o aumento da capacidade de tratamento de resíduos e a possibilidade de controlar remotamente (quem sabe por internet) o arranque do processo, mas convenhamos que, face aos ganhos, estas pequenas estações podem trazer, estamos perante pequenas arestas a limar numa solução verdadeiramente inovadora.
A imagem que se segue, mostra o protótipo em plena acção. O próximo passo é garantir a patente deste modelo e embalsamá-lo para que nunca mais volte a fazer uma brincadeira parecida.
Tratando-se da possibilidade de ter que pagar mais um imposto ou de ser agravado naquele que já pago comecei a pensar numa solução. Somos cinco lá em casa e o lixo tem uma tendência crescente para se multiplicar. Nem sei bem porquê, mas facilmente enchemos cada um dos três caixotes que habitam a zona por baixo do lava loiça.
Perante este cenário estamos a desenvolver lá em casa o protótipo de uma estação móvel de tratamento de resíduos sólidos. Este dispositivo inovador é capaz de recolher resíduos dos caixotes e de reciclar com eficácia grande parte do seu conteúdo. Há pormenores ainda a resolver como a diminuição do ruído nas fases de recolha e processamento inicial, o aumento da capacidade de tratamento de resíduos e a possibilidade de controlar remotamente (quem sabe por internet) o arranque do processo, mas convenhamos que, face aos ganhos, estas pequenas estações podem trazer, estamos perante pequenas arestas a limar numa solução verdadeiramente inovadora.
A imagem que se segue, mostra o protótipo em plena acção. O próximo passo é garantir a patente deste modelo e embalsamá-lo para que nunca mais volte a fazer uma brincadeira parecida.
quinta-feira, outubro 17, 2013
Estranho ....
a inércia dos burlões de idosos perante os cortes nas pensões de sobrevivência dos viúvos e das viúvas. A burla junto da terceira idade, especialmente de viúvas e viúvos, tem sido um dos poucos sectores de actividade em franca expansão em contra-ciclo com a nossa mais que deprimida economia. Seria portanto de esperar que os profissionais do sector, perante um cenário de corte nas pensões, manifestassem a sua revolta e profunda indignação.
Ou andam distraídos ou são preguiçosos, o que me custa a acreditar, uma vez que se fartam de fazer quilómetros para ir ao encontro dos pés de meia os idosos que vivem mais isolados. Agora que a CGTP vai construir a terceira ponte sobre o Tejo, Lisboa - Quinta da Atalaia, com o objectivo de realizar protestos na ponte e de criar a existência de um eixo fundamental de acesso à Festa do Avante, sugiro que os burlões de idosos entrem em conversações com a Central Sindical para garantir o aluguer da ponte visando a realização uma jornada de luta. Burlões de idosos: estou convosco e com a vossa luta.
A concorrência que o estado vos está a fazer é desleal. Se este país ainda se reger por uma constituição, esta forma de burlar idosos travestida de austeridade não há-de passar no crivo do Palácio Ratton. Esta luta é também a vossa luta.
Ou andam distraídos ou são preguiçosos, o que me custa a acreditar, uma vez que se fartam de fazer quilómetros para ir ao encontro dos pés de meia os idosos que vivem mais isolados. Agora que a CGTP vai construir a terceira ponte sobre o Tejo, Lisboa - Quinta da Atalaia, com o objectivo de realizar protestos na ponte e de criar a existência de um eixo fundamental de acesso à Festa do Avante, sugiro que os burlões de idosos entrem em conversações com a Central Sindical para garantir o aluguer da ponte visando a realização uma jornada de luta. Burlões de idosos: estou convosco e com a vossa luta.
A concorrência que o estado vos está a fazer é desleal. Se este país ainda se reger por uma constituição, esta forma de burlar idosos travestida de austeridade não há-de passar no crivo do Palácio Ratton. Esta luta é também a vossa luta.
quarta-feira, outubro 02, 2013
O primeiro filho
Nota do Autor: a ideia da escrita que se segue, surgiu a ouvir o “Governo Sombra”. A propósito do panorama de pedir o Segundo Resgate, cenário discutido durante a campanha das autárquicas, Ricardo Araújo Pereira sugeriu que que Portugal esquecesse o segundo resgate e pedisse logo o terceiro. Que saltasse o segundo, já que este segundo parece ser tão controverso.
O primeiro resgate chegou depois de um parto difícil, almejado por muitos, indesejado por outros tantos, inevitável disseram quase todos. Como um primeiro filho, alterou os hábitos da imensa família, revolucionou o orçamento familiar e é o Ai Jesus de todos. O primeiro resgate vai ao pediatra cada vez que espirra, só em avaliações ao desempenho já vai na nona, e até o cocó do menino é assunto de debate, o que dá uma trabalheira, porque o primeiro resgate faz uma quantidade de merda invulgar. Desemprego, recessão, doses de carga fiscal e cortes de pensões e de subsídios em SOS, taxas solidárias, educação e saúde bem pagas, leis laborais. Não há memória de um resgate com tanta dificuldade na retenção de sólidos. Não obstante a quantidade de fezes, toda a atenção do mundo paira sobre o menino. Cuidado com a constituição que faz dói-dói ao menino. A constituição é muito má, parece que embirra com ele. Ai que o petiz não aguenta uma crise política. Ele parece estar com défice excessivo, será que apanhou despesas não previstas. Parece que está com a receita inflamada. Não falem mal do menino que a mamã Troika pode ficar ofendida e está lá dentro a avaliar como é que tratamos dele. Será que já podemos ir aos mercados e deixá-lo com a resgate sitter, ou ela ainda é pequenino e não aguenta ?
Palavra de honra, não há paciência para a panasquice do primeiro resgate, como não há para as mariquices de primeiro filho. É mais que provável que tenhamos sido assim com o Maria mais velho. Entre fita magnética das cassetes de vídeo e rolos de fotografia, devemos ter gasto suficiente para embrulhar o mundo com um laçarote.
Acho que já aqui falei sobre o primeiro gatinhar do mais velho dos Marias. Recapitulando,foi um autentico happening: “Parece que o menino vai gatinhar”. Convoque-se a imprensa, chamem-se as televisões. Pai com máquina fotográfica, mãe com câmara de vídeo, avós, primos e tios em claque organizada com cânticos e festejos emocionados. O menino levanta uma perna balofa, cheia de rufegos, num gesto semelhante ao de um cão a querer marcar território, e as lágrimas, palmas e o coro de palavras de incentivo enchiam a sala. Seguiu-se um debate sobre se os movimentos que o precoce rapaz efectuou, correspondiam ou não ao acto de gatinhar e finalmente registámos no livro de criança a data e hora precisa de tamanho feito com assinatura de todos e se possível com reconhecimento notarial.
Dois Marias depois, o cenário era bem diferente. Chegamos a casa com compras e os três Marias. Os dois mais velhos imundos à conta de brincadeiras no jardim. Um vai dar banho aos mais velhos, o outro vai arrumar as compras e o mais pequeno deposita-se em cima da cama dos pais, para não chatear. A meio do banho dos mais velhos, ouve-se um som seco de uma queda, dois segundos de silêncio e uma guincharia a invadir a casa. Um de nós vai ver o que se passa e grita para o outro “Olha o António caiu da cama. Já gatinha”. O outro responde “Parece que é parvo. Não podia começar logo a andar? Sempre nos poupava esta parte das quedas. Magoou-se muito? A Estefânia a esta hora deve estar um horror.” ”Ainda bem que não. Melhor assim”
O terceiro resgate é com certeza assim. Despanascado. “Ai a medida é anti-constitucional ? Paciência, a Troika que se vá encher de moscas. Se não quisesse, não emprestasse o dinheiro”. “O Portas está com um surto de demissão irrevogável? Mas afinal o que é que ele agora quer? Ser presidente da JSD? Ele que vá levar … Não é melhor não“ “Ai o défice chegou aos três dígitos? Sempre teve, agora só se livrou da vírgula” “O Cavaco quer um consensozinho quentinho? Consensos não há, pode ser bolo rei?”.
Definitivamente concordo com o Governo Sombra. Vamos lá buscar os impressos e preenchê-los para pedir já o terceiro resgate. Assim como assim, já se sabe que os resgates do meio são assim meio ressabiadinhos do efeito sanduiche.
Nota Final do Autor: no dia 13 de Setembro este blog fez 10 anos. Obrigado.
quinta-feira, agosto 29, 2013
A primeira e a terceira
A ria tem destas coisas. Atrai-me.A primeira foi por vontade própria. No fundo só não sabia onde estava o fundo. A margem estava tão perto que achei que era uma boa altura para saltar para fora de bordo e ajudar à manobra de ancorar a embarcação. Escolhi a proa e lancei-me para ficar com água pelos joelhos. Entrei de pés e a água passou os joelhos, a cintura, o pescoço, a cabeça e submergi. Tratou-se só e apenas de uma incorrecta leitura de profundidade.
A terceira foi por desequilíbrio. Na popa era necessário uma manobra que envolvia soltar um pequeno mecanismo no exterior da embarcação. Tudo parecia correr bem, mas como se sabe a ria é traiçoeira e tem ondas capazes de fazer inveja ao canhão da Nazaré. Ora a embarcação ficou ainda mais inclinada e o meu ponto de sustentação desapareceu. Foi como se o chão se fosse embora. Desta vez não mergulhei na totalidade, apenas até à cintura. Ou o externo pronto. Os mamilos tenho a certeza que se safaram, mas o mesmo não posso dizer do telemóvel, nem da carteira. O resto da manhã foi a passar os cartões por água doce e a dar arroz ao telemóvel. A lavagem de dinheiro correu bem, mas o estupor do gadget de fraca qualidade ainda não saiu do coma induzido.
Esperemos por dias melhores, mais secos, mais longe da ria.
terça-feira, agosto 27, 2013
A segunda queda
Ainda não descrevi a primeira, mas lá iremos. Não existe regra que obrigue ao respeito pela ordem cronológica dos acontecimentos.
No regresso da praia parámos no meio da ria para a criançada dar uns mergulhos. Largámos a âncora e alguém comentou a existência de alguma corrente. Sem qualquer ordem as crianças lançam-se à água em estilos mais ou menos conseguidos. O mais novo também. Não demorou muito até o ouvir gritar "Tiooooo. Trave o barco que eu não consigo apanhá-lo". Meu rico príncipe que achou que a corrente da ria era uma brincadeira do comandante da embarcação.
Ora para dar meia volta e ir buscar o náufrago envolvia recolher a âncora, ligar o motor, fazer a manobra e proceder ao salvamento. Atirei-me à ria pela segunda vez. Nadei até ao aflito António e por pouco não o esbofeteei porque se agarrou ao meu pescoço como se a vida dele dependesse disso. Mandei-o serenar e combinámos que íamos ficar a boiar e a nadar devagarinho até nos virem buscar. Assim fizemos.
Olhei para a embarcação e ainda a manobra de recolher a âncora decorria. Eis que apareceu um bote de borracha com um senhor de barbas brancas e sunga preta que nos deu boleia até ao barco. Hosana nas alturas. Aquele senhor só podia ser Deus. Nunca o imaginei assim. De sunga preta ainda vá que não vá, afinal Deus não vai para novo e não estranho que esteja preso a modas mais antigas. Agora o bote de borracha com um motor de dois cavalos é que me surpreendeu. Sobretudo porque o filho Dele tem aquela mania irritante de andar sobre as águas sem esquis. E mesmo com esquis, andar em cima das águas é lixado por causa da esteira e da ondulação. Seja como for foi Deus que nos rebocou até à embarcação e para mim, naquele momento, o bote de borracha pareceu-me um iate de luxo vindo directamente do céu. Para o pequeno António também, que aprendeu que o mar tem vontade própria nem sempre coincidente com a nossa. Eu fiquei a saber muito mais sobre Deus e sobre a respectiva indumentária. Na capela Sistina, Miguel Angelo não foi muito justo com Ele. Ainda que de sunga preta, estava com muito melhor aspecto que no tecto da capela. E tinha um bote de borracha caramba. Deus não anda de nuvem, anda de bote de borracha.
No regresso da praia parámos no meio da ria para a criançada dar uns mergulhos. Largámos a âncora e alguém comentou a existência de alguma corrente. Sem qualquer ordem as crianças lançam-se à água em estilos mais ou menos conseguidos. O mais novo também. Não demorou muito até o ouvir gritar "Tiooooo. Trave o barco que eu não consigo apanhá-lo". Meu rico príncipe que achou que a corrente da ria era uma brincadeira do comandante da embarcação.
Ora para dar meia volta e ir buscar o náufrago envolvia recolher a âncora, ligar o motor, fazer a manobra e proceder ao salvamento. Atirei-me à ria pela segunda vez. Nadei até ao aflito António e por pouco não o esbofeteei porque se agarrou ao meu pescoço como se a vida dele dependesse disso. Mandei-o serenar e combinámos que íamos ficar a boiar e a nadar devagarinho até nos virem buscar. Assim fizemos.
Olhei para a embarcação e ainda a manobra de recolher a âncora decorria. Eis que apareceu um bote de borracha com um senhor de barbas brancas e sunga preta que nos deu boleia até ao barco. Hosana nas alturas. Aquele senhor só podia ser Deus. Nunca o imaginei assim. De sunga preta ainda vá que não vá, afinal Deus não vai para novo e não estranho que esteja preso a modas mais antigas. Agora o bote de borracha com um motor de dois cavalos é que me surpreendeu. Sobretudo porque o filho Dele tem aquela mania irritante de andar sobre as águas sem esquis. E mesmo com esquis, andar em cima das águas é lixado por causa da esteira e da ondulação. Seja como for foi Deus que nos rebocou até à embarcação e para mim, naquele momento, o bote de borracha pareceu-me um iate de luxo vindo directamente do céu. Para o pequeno António também, que aprendeu que o mar tem vontade própria nem sempre coincidente com a nossa. Eu fiquei a saber muito mais sobre Deus e sobre a respectiva indumentária. Na capela Sistina, Miguel Angelo não foi muito justo com Ele. Ainda que de sunga preta, estava com muito melhor aspecto que no tecto da capela. E tinha um bote de borracha caramba. Deus não anda de nuvem, anda de bote de borracha.
Sotavento
O sotavento algarvio é um outro Algarve. Mais não seja porque não tem a rua da Oura nem Albufeira onde se concentram centenas de jovens ingleses, com as hormonas do crescimento à razão inversa do bom gosto, do bom senso e da tolerância ao álcool. Os adolescentes ingleses vomitam muito e não sabem que peúgas e saltos altos são uma combinação pouco, ou mesmo nada, atraente. Por seu lado, o sotavento Algarvio tem mais moluscos bivalves, porque tem mais rias.
Estas rias não só nos dão uma trabalheira a ir para a praia (envolve sempre andar de barco ou atravessar pontes), como nos brindam com algumas jóias resistentes às investidas turísticas. Cacela Velha é uma destas jóias, que além do encanto paisagístico, tão consensual que até irrita, tem o encanto gastronómico, ainda mais consensual e portanto mais irritante.
Do apartamento de férias vê-se a ria o que é bom. Para nós e para as melgas que se juntam a partir do fim da tarde.
Para ir até à praia, apanhamos o barco na ria e, pasme-se, tenho caído à ria sempre que fazemos a travessia. Não me atiro por acidente, atiro-me com convicção. Da primeira e da segunda vez tive o cuidado de me livrar da carteira e do telemóvel antes de me atirar. Na terceira convidei-os para o mergulho. Aparentemente o telemóvel não gostou da brincadeira. O amuadinho da Smasung desde essa altura que não dá de si. Não gosto de telemóveis com tiques de falta de educação. Hei-de achar uma forma de o pôr no seu devido lugar. Eventualmente o lixo.
Estas rias não só nos dão uma trabalheira a ir para a praia (envolve sempre andar de barco ou atravessar pontes), como nos brindam com algumas jóias resistentes às investidas turísticas. Cacela Velha é uma destas jóias, que além do encanto paisagístico, tão consensual que até irrita, tem o encanto gastronómico, ainda mais consensual e portanto mais irritante.
Do apartamento de férias vê-se a ria o que é bom. Para nós e para as melgas que se juntam a partir do fim da tarde.
Para ir até à praia, apanhamos o barco na ria e, pasme-se, tenho caído à ria sempre que fazemos a travessia. Não me atiro por acidente, atiro-me com convicção. Da primeira e da segunda vez tive o cuidado de me livrar da carteira e do telemóvel antes de me atirar. Na terceira convidei-os para o mergulho. Aparentemente o telemóvel não gostou da brincadeira. O amuadinho da Smasung desde essa altura que não dá de si. Não gosto de telemóveis com tiques de falta de educação. Hei-de achar uma forma de o pôr no seu devido lugar. Eventualmente o lixo.
quarta-feira, maio 08, 2013
Exames Nacionais
Se estas perguntas não saírem nos exames do 4º ano, o Crato não é homem não é nada:
Língua Portuguesa
Lê atentamente a frase de autoria de Passos Coelho ainda durante a governação de Sócrates “O PSD chumbou o PEC 4 porque tem de se dizer basta: a austeridade não pode incidir sempre no aumento de impostos e no corte de rendimento.”
a) Sublinha no texto e classifica morfologicamente a palavra “Otários”
b) Qual a figura de estilo a que o actual primeiro-ministro recorreu?
1. Eufemismo
2. Ironia
3 Aldrabice
História
Comenta a seguinte afirmação: “Após a morte de D. João III, D Sebastião teve que esperar até aos 14 anos para assumir a governação. D Sebastião, com o cognome de 'o Desejado', tornou-se o primeiro governante dos destinos do país proveniente das Jotas."
Geografia
Ramiro acabou o curso de biologia marítima com uma média superior a 17, e foi convidado a trabalhar numa empresa de outro país. Ramiro tentou arrancar a sua própria empresa, mas a sua energia esgotou-se em processos intermináveis de licenciamento e alvarás, burocracia e juros muito altos junto da banca. Durante o período em que tentava criar a sua empresa Ramiro ainda trabalhou num Call Center durante dois anos só que o seu contrato não foi renovado e ficou desempregado. Ramiro foi para outro país trabalhar como biólogo marítimo.
Depois do que leste, o que achas que aconteceu ao Ramiro ?
a) Emigrou
b) Imigrou
c) Transformou a adversidade do desemprego numa experiência positiva
d) Foi expulso
Matemática
Dona Alzira recebia em 2011, 400 € de pensão. Em cada avaliação da troika Passos Coelho agrava-lhe a contribuição para o raio que o parta em 5 % e Paulo Portas desagrava a mesma contribuição em 2%. No final do período de assistência, quantas reformas da Alzira são precisas para igualar o ordenado do 1º Ministro ?
Língua Portuguesa
Lê atentamente a frase de autoria de Passos Coelho ainda durante a governação de Sócrates “O PSD chumbou o PEC 4 porque tem de se dizer basta: a austeridade não pode incidir sempre no aumento de impostos e no corte de rendimento.”
a) Sublinha no texto e classifica morfologicamente a palavra “Otários”
b) Qual a figura de estilo a que o actual primeiro-ministro recorreu?
1. Eufemismo
2. Ironia
3 Aldrabice
História
Comenta a seguinte afirmação: “Após a morte de D. João III, D Sebastião teve que esperar até aos 14 anos para assumir a governação. D Sebastião, com o cognome de 'o Desejado', tornou-se o primeiro governante dos destinos do país proveniente das Jotas."
Geografia
Ramiro acabou o curso de biologia marítima com uma média superior a 17, e foi convidado a trabalhar numa empresa de outro país. Ramiro tentou arrancar a sua própria empresa, mas a sua energia esgotou-se em processos intermináveis de licenciamento e alvarás, burocracia e juros muito altos junto da banca. Durante o período em que tentava criar a sua empresa Ramiro ainda trabalhou num Call Center durante dois anos só que o seu contrato não foi renovado e ficou desempregado. Ramiro foi para outro país trabalhar como biólogo marítimo.
Depois do que leste, o que achas que aconteceu ao Ramiro ?
a) Emigrou
b) Imigrou
c) Transformou a adversidade do desemprego numa experiência positiva
d) Foi expulso
Matemática
Dona Alzira recebia em 2011, 400 € de pensão. Em cada avaliação da troika Passos Coelho agrava-lhe a contribuição para o raio que o parta em 5 % e Paulo Portas desagrava a mesma contribuição em 2%. No final do período de assistência, quantas reformas da Alzira são precisas para igualar o ordenado do 1º Ministro ?
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