quinta-feira, agosto 29, 2013

A primeira e a terceira

A ria tem destas coisas. Atrai-me.
A primeira foi por vontade própria. No fundo só não sabia onde estava o fundo. A margem estava tão perto que achei que era uma boa altura para saltar para fora de bordo e ajudar à manobra de ancorar a embarcação. Escolhi a proa e lancei-me para ficar com água pelos joelhos. Entrei de pés e a água passou os joelhos, a cintura, o pescoço, a cabeça e submergi. Tratou-se só e apenas de uma incorrecta leitura de profundidade.
A terceira foi por desequilíbrio. Na popa era necessário uma manobra que envolvia soltar um pequeno mecanismo no exterior da embarcação. Tudo parecia correr bem, mas como se sabe a ria é traiçoeira e tem ondas capazes de fazer inveja ao canhão da Nazaré. Ora a embarcação ficou ainda mais inclinada e o meu ponto de sustentação desapareceu. Foi como se o chão se fosse embora. Desta vez não mergulhei na totalidade, apenas até à cintura. Ou o externo pronto. Os mamilos tenho a certeza que se safaram, mas o  mesmo não posso dizer do telemóvel, nem da carteira. O resto da manhã foi a passar os cartões por água doce e a dar arroz ao telemóvel. A lavagem de dinheiro correu bem, mas o estupor do gadget de fraca qualidade ainda não saiu do coma induzido.
Esperemos por dias melhores, mais secos, mais longe da ria.

terça-feira, agosto 27, 2013

A segunda queda

Ainda não descrevi a primeira, mas lá iremos. Não existe regra que obrigue ao respeito pela ordem cronológica dos acontecimentos.
No regresso da praia parámos no meio da ria para a criançada dar uns mergulhos. Largámos a âncora e alguém comentou a existência de alguma corrente. Sem qualquer ordem as crianças lançam-se à água em estilos mais ou menos conseguidos. O mais novo também. Não demorou muito até o ouvir gritar "Tiooooo. Trave o barco que eu não consigo apanhá-lo". Meu rico príncipe que achou que a corrente da ria era uma brincadeira do comandante da embarcação.
Ora para dar meia volta e ir buscar o  náufrago envolvia recolher a âncora, ligar o motor, fazer a manobra e proceder ao salvamento. Atirei-me à ria pela segunda vez. Nadei até ao aflito António e por pouco não o esbofeteei porque se agarrou ao meu pescoço como se a vida dele dependesse disso. Mandei-o serenar e combinámos que íamos ficar a boiar e a nadar devagarinho até nos virem buscar. Assim fizemos.
Olhei para a embarcação e ainda a manobra de recolher a âncora decorria. Eis que apareceu um bote de borracha com um senhor de barbas brancas e sunga preta que nos deu boleia até ao barco. Hosana nas alturas. Aquele senhor só podia ser Deus. Nunca o imaginei assim. De sunga preta ainda vá que não vá, afinal Deus não vai para novo e não estranho que esteja preso a modas mais antigas. Agora o bote de borracha com um motor de dois cavalos é que me surpreendeu. Sobretudo porque o filho Dele tem aquela mania irritante de andar sobre as águas sem esquis. E mesmo com esquis, andar em cima das águas é lixado por causa da esteira e da ondulação. Seja como for foi Deus que nos rebocou até à embarcação e para mim, naquele momento, o bote de borracha pareceu-me um iate de luxo vindo directamente do céu. Para o pequeno António também, que aprendeu que o mar tem vontade própria nem sempre coincidente com a nossa. Eu fiquei a saber muito mais sobre Deus e sobre a respectiva indumentária. Na capela Sistina, Miguel Angelo não foi muito justo com Ele. Ainda que de sunga preta, estava com muito melhor aspecto que no tecto da capela. E tinha um bote de borracha caramba. Deus não anda de nuvem, anda de bote de borracha.

Sotavento

O sotavento algarvio é um outro Algarve. Mais não seja porque não tem a rua da Oura nem Albufeira onde se concentram centenas de jovens ingleses, com as hormonas do crescimento à razão inversa do bom gosto, do bom senso e da tolerância ao álcool. Os adolescentes ingleses vomitam muito  e não sabem que peúgas e saltos altos são uma combinação pouco, ou mesmo nada, atraente. Por seu lado, o sotavento Algarvio tem mais moluscos bivalves, porque tem mais rias.
Estas rias não só nos dão uma trabalheira a ir para a praia (envolve sempre andar de barco ou atravessar pontes), como nos brindam com algumas jóias resistentes às investidas turísticas. Cacela Velha é uma destas jóias, que além do encanto paisagístico, tão consensual que até irrita, tem o encanto gastronómico, ainda mais consensual e portanto mais irritante.
Do apartamento de férias vê-se a ria o que é bom. Para nós e para as melgas que se juntam a partir do fim da tarde.
Para ir até à praia, apanhamos o barco na ria e, pasme-se, tenho caído à ria sempre que fazemos a travessia. Não me atiro por acidente, atiro-me com convicção. Da primeira e da segunda vez tive o cuidado de me livrar da carteira e do telemóvel antes de me atirar. Na terceira convidei-os para o mergulho. Aparentemente o telemóvel não gostou da brincadeira. O amuadinho da Smasung desde essa altura que não dá de si. Não gosto de telemóveis com tiques de falta de educação. Hei-de achar uma forma de o pôr no seu devido lugar. Eventualmente o lixo.

quarta-feira, maio 08, 2013

Exames Nacionais

Se estas perguntas não saírem nos exames do 4º ano, o Crato não é homem não é nada:

Língua Portuguesa
Lê atentamente a frase de autoria de Passos Coelho ainda durante a governação de Sócrates “O PSD chumbou o PEC 4 porque tem de se dizer basta: a austeridade não pode incidir sempre no aumento de impostos e no corte de rendimento.”
a) Sublinha no texto e classifica morfologicamente a palavra “Otários”
b) Qual a figura de estilo a que o actual primeiro-ministro recorreu? 
    1. Eufemismo
    2. Ironia
    3 Aldrabice

História 
Comenta a seguinte afirmação: “Após a morte de D. João III, D Sebastião teve que esperar até aos 14 anos para assumir a governação. D Sebastião, com o cognome de 'o Desejado', tornou-se o primeiro governante dos destinos do país proveniente das Jotas."

Geografia 
Ramiro acabou o curso de biologia marítima com uma média superior a 17, e foi convidado a trabalhar numa empresa de outro país. Ramiro tentou arrancar a sua própria empresa, mas a sua energia esgotou-se em processos intermináveis de licenciamento e alvarás, burocracia e juros muito altos junto da banca. Durante o período em que tentava criar a sua empresa Ramiro ainda trabalhou num Call Center durante dois anos só que o seu contrato não foi renovado e ficou desempregado. Ramiro foi para outro país trabalhar como biólogo marítimo.
 Depois do que leste, o que achas que aconteceu ao Ramiro ?
a) Emigrou
b) Imigrou
c) Transformou a adversidade do desemprego numa experiência positiva
d) Foi expulso

Matemática 
Dona Alzira recebia em 2011, 400 € de pensão. Em cada avaliação da troika Passos Coelho agrava-lhe a contribuição para o raio que o parta em 5 % e Paulo Portas desagrava a mesma contribuição em 2%. No final do período de assistência, quantas reformas da Alzira são precisas para igualar o ordenado do 1º Ministro ?

segunda-feira, abril 29, 2013

Cão como nós

... depois de muito resistir e fartos de tantos anos sem noites mal dormidas à conta de choros acedemos à vontade da troika de Marias cá de casa. Não querendo que este blog seja um d(l)og parece-me pertinente apresentar o Matias. Meigo, obstinado e energético, este coisa que faz xixi e cocó de forma mais ou menos aleatória converge a passos largos para a algália e arrastadeira. Se ainda assim continuar a chatear, empalhá-lo afigura-se como um cenário possível. Acresce que não usa máquina de calcular e nunca foi presidente de câmara.

terça-feira, abril 23, 2013

O derby dos nossos clubes

Se a jornada futebolística começa à Sexta e termina à segunda, os debates televisivos sobre tema começam ao Domingo e estendem-se até, pelo menos, Terça Feira. São programas onde se analisam lances polémicos durante horas a fio, vistos por todos os ângulos e a várias velocidades. Mais do que discutir futebol, discutem-se arbitragens. É o equivalente a ter um programa de sexologia, com um painel de convidados em que pelo menos um é adepto dos homens, e outro é adepto das mulheres, a debater um filme de poucos diálogos, revendo os mesmos planos em várias velocidades, tentando chegar à conclusão sobre se alguém está a fingir ou se tudo é verdadeiro.
Depois do derby, e estando atento ao que se diz nesse rol de programas, já foram perdoados 1273 penáltis ao Benfica, o Maxi deveria ter sido expulso 873 vezes e Miguel Relvas é um menino quando comparado com João Capela, que deve ter ido a uma acção de formação de Subbuteo para obter equivalência a árbitro de categoria internacional.
 Se me perguntam como Benfiquista, se preferia que o jogo não tivesse casos, digo que sim e que a vitória não sabe tão bem como saberia, caso a prestação do árbitro não fizesse lembrar a prestação de Roberto nos seus melhores dias.
Também é verdade que se me perguntarem como Sportinguista, se preferia ter levado dois secos limpinhos, confesso que não. Gosto da atenuante do árbitro-vitor-feitor-pinto. Atenua-me a frustração da derrota em casa do eterno rival.
 Revolta, indignação e frustração são usados por nós Sportinguistas para exprimir os sentimentos face ao que se passou no jogo contra o nosso clube, o Glorioso. E como se não bastasse, nós sportinguistas estamos muito atentos a este escândalo que é o branqueamento que a comunicação social pratica com os actos do nosso Benfica, apelidando de grande feito o que deveria ser considerado como uma verdadeira espoliação. Por ser o clube que maior base de apoio possui, o nosso Benfica é apontado como beneficiando de um estatuto de impunidade aos olhos de toda a comunicação social. Acontece que a dimensão da base de apoio nunca foi razão para preferências da comunicação social, veja-se o bloco de esquerda que sempre foi tão acarinhado pela classe jornalística e que nunca chegou às pré-eliminatórias da liga dos campeões: o melhor que conseguiu foi um 4º lugar. Posto isto, se quiser cair nas boas graças da imprensa, o que o nosso presidente tem que fazer é levar o nosso clube pelos caminhos do futebol-caviar e não há-de tardar muito para que o nosso Sporting seja acarinhado até pela Bola.
Finda esta jornada que podia ter corrido muito melhor, mas que também podia ter sido bem pior restam quatro jornadas para o fim do campeonato e espero muito sinceramente que o nosso Benfica alcance o título e o nosso Sporting um lugar na liga europa. Quanto ao árbitro, o senhor Capela, que arranje um cão guia à altura e uma bengala vermelha e branca porque ele tem um grande futuro na carreira da invisualidade.

quarta-feira, abril 17, 2013

Onde o espaço é quase tudo e o tempo é quase nada

Já estive em jantares de amigos em que as pessoas estão menos próximas que naquele restaurante ínfimo. Mesas encavalitadas a convidarem à conversa entre os fregueses. “Negócio de família e olhe que a sala já foi metade do que é agora”. Uma cerveja e tremoços enquanto se espera que a família do canto liberte a mesa. Conversas à solta. Ainda mal chegada, recebida com entusiasmo pela família, a senhora de cabelo curto e corpo deformado não se coibia na conversa com quem queria. O casal do lado, generoso na disposição, pareceu gostar da disponibilidade para a conversa. A senhora elogiava o tamanho do cabelo da mulher. “Com esse comprimento, deve ter pelo menos dois anos sem ver tesoura. Só aparar as pontas, presumo”. A mulher sorriu e confirmou algum tempo sem um corte drástico. “Um milímetro de dois em dois dias. É essa a velocidade a que cresce o cabelo. Este aqui já tem dois meses.” Exibiu com orgulho quase três centímetros de cabelo. Não era difícil adivinhar-lhe a recente quimioterapia. A mesma cruel e puta doença de sempre. Maldita seja. E ainda assim, os olhos dela brilhavam e ainda assim a energia contagiava quem a ouvia. A família mimava-a com elogios à beleza, ela assumia a personagem e mimava-se também. O casal do lado, apanhado na onda de elogios, ofereceu-se à conversa, quase cúmplice. A gargalhada do homem, inconfundível para quem o ouve na rádio, denunciava-o em cada momento de boa disposição. No final do jantar, por alturas da sobremesa, a senhora de cabelo curto anunciou o truque para que o bolo de bolacha ganhasse outras dimensões: umas gotas de água do vimeiro. Tirou da mala uma pequena garrafa e abençoou o bolo com algumas gotas. O homem do casal do lado, pediu licença e cheirou a garrafa: “Olhe que eu estive no Vimeiro, e não me lembro desta água por lá”. E assim foi o jantar. À pressa porque a hora do concerto a trazia, devagar porque cada frase ouvida parecia querer ficar, depressa porque quando assim é nem se dá pelo passar do tempo. O concerto não foi assim tão bom, só que da noite ficou o jantar. No tempo apertado, no espaço tão curto, as cumplicidades nascem depressa, quando regadas, quando risadas, quando alegrias de viver.

terça-feira, março 19, 2013

Surpreenda o seu pai

Palavra de honra Apple, francamente !!! Surpreenda o seu pai com o novo iPad ? Eu bem sei que é o dia do pai, mas olhem que, dadas as circunstâncias, não precisaria de um iPad para surpreender o meu pai. Bastava aparecer-lhe à frente que, com toda a certeza, o surpreenderia. A ele e a todos aqueles que me são próximos.
 

segunda-feira, março 04, 2013

Memória futura



... antes que isto se altere, porque em futebol, nada é certo até ao último apito. Deixa-me cá registar que o Benfica está em primeiro lugar no campeonato. A bem da verdade, faço-o , porque nos últimos 10 anos (idade que este blog vai completar) não foram muitas as jornadas em que o Benfica esteve à frente.   Sou honesto no comentário mas repudio qualquer insinuação de que o Benfica anda a ganhar jogos,  com vestígios de vitórias portistas.

Sensação estranha ...

... esta que tenho de, ao ouvir  "Portugal terá mais tempo para pagar empréstimos à troika", parecer que me estão a dizer "Portugueses deverão ver prolongadas e reforçadas as medidas de austeridade" . Aquilo dos PEC's parecia menos mau. Igualmente inconsequente, mas menos mau.

domingo, março 03, 2013

A resignação do Papa, a carne de vaca e a Grândola


Ainda antes da quaresma, Bento XVI anunciou a sua resignação. O anúncio da resignação, sinal de lucidez, a ter em conta por tantos políticos em especial aqueles que, não podendo, insistem em ser candidatos à presidência de algumas câmaras municipais. Devem estes estranhar a lucidez de resignar, podendo continuar. Pedro Passos Coelho, a propósito do tema, aproveitou para comunicar que a resignação papal está em linha com as previsões do governo. Já Relvas, cantou a Grândola.
Quase em simultâneo com a renúncia, surgiram as notícias de indícios de carne de cavalo em quase tudo o que envolve vaca. Estranho com tanto alarido à volta do tema. Enquanto, nas aulas de equitação, o professor não me mandar agarrar aos cornos no cavalo, não ficarei inquieto. Lasanha, hambúrguer e almôndegas são locais indicados para vestígios de carne de cavalo, da mesma maneira que um rissol de camarão é um bom sítio para encontrar vestígios de cavalo-marinho. Não vem daí grande mal ao mundo. Não vamos relinchar mais ou dar mais coices na sequência da ingestão de carne de cavalo. Pior, muito pior seria se os tóxicos dependentes encontrassem vestígios de vaca nas doses de cavalo. Pedro passos Coelho esclareceu que a presença de vestígios de carne de cavalo na lasanha e nas almôndegas está alinhada com as melhores previsões do governo. Relvas cantou a Grândola.
O país voltou à rua. Para mandar lixar a Troika e para cantar a Grândola Vila Morena. O mérito de fazer um país esquecer algumas diferenças partidárias e vir para a rua indignar-se e cantar uma canção revolucionária, é repartido pela Troika, por Passos Coelho, por Vitor Gaspar e por Relvas.  A solução da Troika parece má, o governo tempera-a para ficar ainda pior, e é-nos servida com vestígios de insensibilidade. Desemprego, distribuição desequilibrada dos sacrifícios e sobredosagem parecem não nos levar ao caminho certo do fim da crise. O país saiu à rua para o dizer e cantar. O número de participantes, segundo Passos  Coelho, está alinhado com as previsões do governo. Desta vez Relvas não cantou a Grândola por estar numa festa de anos. Cantou os parabéns a você mas já tratou de pedir a equivalência.

terça-feira, janeiro 29, 2013

Recado na Caderneta


Excelentíssima professora:
Tendo um profundo apreço pelo seu método de ensino, e reconhecendo a importância dos petizes conhecerem os principais cursos de água deste país, venho por meio desta sugerir-lhe que nos próximos trabalhos de casa, peça às crianças para saberem tudo sobre outro rio que não o Sado. Entendo que a bacia do Sado seja particularmente interessante, bonita, com golfinhos e Arrábidas e Tróias, e que o Sado nasça na Serra da Vigia, que será porventura um local de beleza inigualável do Alentejo, mas havendo tanto rio neste país, podia escolher um em que o Google não sugira imagens de Sado-Masoquismo.
Nada tem a ver com uma eventual tentativa de afastar determinados temas da educação das crianças, mas é que aquela imagem de senhores e senhoras vestidos com roupa interior em coro, chicotes e correntes distraia-os muito do tema fluvial. Em vez de quererem falar dos afluentes e da foz, insistem em obter explicações sobre aquelas sugestivas práticas. Neste contexto, reforço o meu pedido para que a senhora professora eleja o Mondego como rio para trabalho de casa. Mesmo não tendo golfinhos.
Pedia-lhe ainda o favor de, caso o tema venha à baila, ajudar a explicar porque é que há pessoas que gostam de misturar alguma dor com coisas que lhes dão muito prazer.
Só mais uma coisa, se ele disser que é como estar a comer esparguete à bolonhesa e gostar de levar uma vacina ao mesmo tempo, não ligue. São coisas de criança.

quinta-feira, janeiro 10, 2013

FMI

E em vez dos Reis, o início do ano brinda-nos com um relatório do FMI com fórmulas indicadas para a poupança de 4000 milhões de euros na despesa. Aparentemente, o estado está a viver acima das suas possibilidades no que toca a políticos, forças de segurança, militares, professores e profissionais de saúde e a solução passa por gastar menos em todas estas áreas.
Não vou comentar a essência de um documento de recomendações que é anunciado ao país por iniciativa de um jornal, que gera comentários contraditórios entre elementos do governo e que aparentemente foi construído com base em pressupostos errados. Só comento conteúdos  certificados pelo Professor Doutor Oliveira Gaspar.
Neste contexto, resta-me partilhar algumas preocupações. Preocupa-me, por exemplo, se os possíveis cortes na despesa com a classe política envolvem retirar a conta de facebook a Aníbal Cavaco Silva. O senhor quase não comunica connosco, excepção feita ao canal da rede social, se lhe retiram a conta como saberemos que ele continua sem nada para dizer?  A Assunção Cristas está de esperanças (esta história de rezar tanto para chover tinha que dar asneira) e já não cabe nos saia casaco do ano passado. Eu espero que haja o bom senso de deixarem a senhora renovar o guarda roupa para que possa exibir tanta esperança sem vergonha. Por outro lado, existe esta questão da taxa de alcoolemia dos deputados. Já se viu do que eles são capazes quando estão sóbrios, se calhar é feliz a ideia da deputada que foi apanhada a conduzir ligeiramente alterada: impeçam a entrada no hemiciclo de qualquer deputado que não tenha pelo menos uma taxa de 1,5 gramas de álcool por litro de sangue. Quem sabe assim chumbem qualquer medida proposta no âmbito deste documento do FMI que provavelmente também foi redigido sob o efeito de estupefacientes.
Expostas algumas das preocupações, resta-me rezar para que o supra citado documento seja inconsequente. Obviamente não me ajoelho por dois motivos:
1. o Senhor lá em cima já não vai para novo e pode não ver bem. Lá cima apanha-me a rezar, confunde-me com a Cristas e desata a chover. E já chega de chuva por ora.
2. Para não engravidar

terça-feira, novembro 27, 2012

E o burro sou eu ?

No livro "A infância de Jesus" o Papa Bento XVI confirma a virgindade de Maria, mas coloca em causa a existência do burro e da vaca, e afirma que a estrela que guiou os Reis Magos se tratava provavelmente de uma super nova.
O senhor já não vai para novo, é certo, pelo que não deve ser contrariado. Só estava aqui a reflectir sobre esta questão. Uma virgem que dá à luz uma criança anunciada por uma pomba e concebida pelo Espírito Santo, três Reis Magos guiados por uma estrela, um marido cooperante, um burro e uma vaca. E neste cenário todo, o que está a mais, é o pobre do burro e a vaca.
Sobre o mesmo tema, já tínhamos ouvido Luis Filipe Scolari, questionando-se se seria ele o burro, mas não duvidando da sua existência. Bento XVI vai mais longe, e nega a existência do burro. Come se não bastasse  radicaliza dizendo que a vaca também estava ausente. Não tarda muito vai dizer que o Pai Natal não existe e que o Bacalhau também não deve estar presente nesta quadra.
Há muitos anos, a minha tia Belmira, já muito demente, chamou a Bayer lá a casa para fazer um extermínio de insectos porque a sua cama estava cheia de bichinhos. Afinal eram uns borbotos de lã do cobertor em cima dos lençóis.
É isto.

segunda-feira, novembro 19, 2012

Chef mas ... muito

(por um post este passa a ser um baby blog... adolescente blog pronto)
À conta de um trabalho de casa para a disciplina de Inglês ... o maior cá de casa, dono das imensas bochechas, fez um vídeo sobre cozinha saudável ...

sexta-feira, novembro 16, 2012

À Carga

A propósito da carga policial na passada quarta feira, tenho alguma dificuldade em perceber as vozes que se levantam contra a mesma. Alguns dos manifestantes que permaneceram no largo da assembleia após o fim da manifestação da CGTP, nada mais fizeram do que provocar e atingir à pedrada o corpo policial durante mais que uma hora, a polícia fez um pré aviso de distribuição de pancadaria dando oportunidade de recuo a quem o quisesse fazer, e depois carregou sobre quem resolveu ficar. Estavam à espera de quê? Que fosse só na reinação? Que a polícia fosse dar abracinhos a quem os esteve a apedrejar durante mais que uma hora ? Não entendo qualquer indignação sobre esta intervenção por muito que me custe, neste caso e só neste caso, estar alinhado com o discurso do governo.
Ainda a propósito da intervenção policial, parece-me pertinente tecer mais duas considerações:
1. O governo e os grupos parlamentares do PSD e do CDS não têm feito outra coisa senão agredir de forma violenta os cidadãos do país, carregando de forma abusiva na carga fiscal e descurando a redução da despesa. Instanciando, o governo tem agredido e provocado os elementos das forças de segurança, razão pela qual me parece ser inevitável que mais tarde ou mais cedo, se assista a uma carga policial de fora para dentro da Assembleia. Não deve, portanto, tardar muito para assistirmos a uma carga policial sobre os membros do governo e sobre os deputados que sustentam o mesmo. Também neste caso devem ser avisados para que, caso pretendam, recuem nas acções de provocação e agressão às forças de segurança.
2. À semelhança do que aconteceu com Luisão, a UEFA pondera suspender por dois meses, o corpo de intervenção da polícia na sequência da carga policial de Quarta Feira. A reincidência de desacatos desta natureza pode até levar à interdição da escadaria da assembleia ou mesmo à realização de manifestações à porta fechada.
E é isto.

sexta-feira, novembro 09, 2012

A propósito do post anterior ...

... o blog "As Partes do Todo" recorda-nos o que de melhor o Quino fez com Mafalda e Susaninha. Há padrões universais.
Espreitem aqui

Empobreçamos então Isabel


Como um treinador de futebol em desgraça que passa de bestial a besta, como a "Floribela que numa semana passou de boazinha a boazona" (esta graça pertence, se não estou em erro, ao Bruno Nogueira), como um político que em semana de tomada de posse passa de promissor governante a mentiroso compulsivo, a responsável pelo Banco Alimentar contra a Fome é nesta semana despromovida à categoria de besta. Esta contestação generalizada a Isabel Jonet surge na sequência das declarações feitas sobre a necessidade dos Portugueses reaprenderem a empobrecer, depois de anos de vidas acima das reais possibilidades. A versão travestida de Manuela Eanes ilustra o novo paradigma de empobrecimento, com o tema bitoque: «Se nós não temos dinheiro para comer bifes todos os dias, então não comemos bifes todos os dias».
Estas declarações causaram espanto e indignação nas redes sociais e até há quem exija a demissão da Manuela Eanes das grandes superfícies. Caramba, a senhora também não disse um disparate assim tão grande. Apenas nos aconselhou o empobrecimento e a reformulação dos menus familiares.
Pessoalmente, já acatei os sábios conselhos do Fernando Nobre de saias, e ainda ontem, com a emoção do jogo do Sporting deixei o refogado passar um tudo nada do ponto e a carne guisada planeada para hoje vai ser servida ao jantar com o empobrecimento sugerido. Hoje ao jantar há “Carne à Sporting” que não é mais que carne guisadóesturricada. Nos próximos dias vamos continuar com ementas mais modestas que incluem Empadão à Troika (só arroz ou puré), Salsichas à Paulo Portas (duas salsichas de lata em forma de submarino submersas em água quente) e o inevitável Cozido Gaspar (faz-se o cozido completo, entregam-se as carnes e os enchidos às finanças e serve-se o caldo e as hortaliças). Espero que estas sugestões estejam de acordo com o programa de empobrecimento global sugerido.
Relembro aqui que Isabel Jonet não tem só o mérito de nos fazer mais solidários quando empurramos carrinhos de supermercado em determinados fins-de-semana. O grande mérito da senhora, é o de, nesses mesmos fins-de-semana, justificar a existência de milhares de escuteiros e libertá-los por três dias do estigma de “ajudar os velhinhos a atravessar a rua”.

segunda-feira, novembro 05, 2012

Príncipe das bochechas

De que valem estes 14 anos se ainda és a emoção primeira de ser pai? O que importa a tua adolescência se te aninhas em mim criança? De que serve a data de nascimento se ainda és mimo e riso e choro ? Não te adianta tamanha idade se festejo o teu desjeito na prancha de surf com a mesma euforia que o teu desjeito nos primeiros passos, se admiro a destreza nos patins como a ligeireza na mota das rodas gordas, se me comovo no teu humor como no teu primeiro riso, se desespero da tua preguiça como à espera do teu gatinhar. Não me enganas que és quase adulto, que és praticamente criança. É que em tantas coisas és igual a tudo o que em ti vi crescer. Manténs o sorriso, a obsessão na gastronomia (do ponto de vista de quem confecciona e do ponto de vista do utilizador), o sentido de humor, a ingenuidade, a preguiça, a boa disposição e embora não seja muito importante, manténs as bochechas do tamanho de dois planetas lindos e gigantes. Parabéns meu pequeno grande amor. Estás quase, quase crescido, mas felizmente isso também não vem ao caso.

segunda-feira, outubro 22, 2012

Meu príncipe loiro

[texto quase todo escrito a 22 de Outubro - dia de anos do Loiro dos Caracóis]
És o primeiro dos príncipes a fazer anos. Onze. Meu pequeno príncipe, onze como onze são os jogadores de uma equipa de futebol em que sonhas ser grande. Guarda redes de emoções. Defendes para canto cada pergunta certeira às redes do que te vai na alma. Desvias com um olhar, cada remate rés vés ao que se passa, dizes quase nada de ti, és mãe e pai nestas andanças. És defesa da grande área da tua vontade, desarmas com sorrisos matreiros cada jogada que ponha em perigo o resultado que queres, ou de cara cerrada se te driblam para lá do que achas justo. Senhor do meio campo de um humor bem artilhado, sorriso aberto e alegre. Distribuis mimos e desmarcas-te sempre para a zona certa de um carinho quando é mais preciso. Jogas nas alas de quem te mais gosta e fazes pressão alta para nunca seres apanhado em contra-mão  Junto à área contrária, nunca te travam. Brilhante nas fintas às contrariedades, puxas à linha o teu charme, e centras certeiro por cima de todos os argumentos. Aí entras de rompante e nem deixas que a bola toque o chão. Rematas de surpresa com a força de todas as convicções no fundo da baliza do teu tanto querer. Festejas como ninguém cada golo, e nós na bancada, festejamos contigo como se tivéssemos no campo a dançar junto da bandeirola. Mais um golo, mais uma vitória, e hoje mais um ano. Parabéns meu amor.