segunda-feira, novembro 19, 2012

Chef mas ... muito

(por um post este passa a ser um baby blog... adolescente blog pronto)
À conta de um trabalho de casa para a disciplina de Inglês ... o maior cá de casa, dono das imensas bochechas, fez um vídeo sobre cozinha saudável ...

sexta-feira, novembro 16, 2012

À Carga

A propósito da carga policial na passada quarta feira, tenho alguma dificuldade em perceber as vozes que se levantam contra a mesma. Alguns dos manifestantes que permaneceram no largo da assembleia após o fim da manifestação da CGTP, nada mais fizeram do que provocar e atingir à pedrada o corpo policial durante mais que uma hora, a polícia fez um pré aviso de distribuição de pancadaria dando oportunidade de recuo a quem o quisesse fazer, e depois carregou sobre quem resolveu ficar. Estavam à espera de quê? Que fosse só na reinação? Que a polícia fosse dar abracinhos a quem os esteve a apedrejar durante mais que uma hora ? Não entendo qualquer indignação sobre esta intervenção por muito que me custe, neste caso e só neste caso, estar alinhado com o discurso do governo.
Ainda a propósito da intervenção policial, parece-me pertinente tecer mais duas considerações:
1. O governo e os grupos parlamentares do PSD e do CDS não têm feito outra coisa senão agredir de forma violenta os cidadãos do país, carregando de forma abusiva na carga fiscal e descurando a redução da despesa. Instanciando, o governo tem agredido e provocado os elementos das forças de segurança, razão pela qual me parece ser inevitável que mais tarde ou mais cedo, se assista a uma carga policial de fora para dentro da Assembleia. Não deve, portanto, tardar muito para assistirmos a uma carga policial sobre os membros do governo e sobre os deputados que sustentam o mesmo. Também neste caso devem ser avisados para que, caso pretendam, recuem nas acções de provocação e agressão às forças de segurança.
2. À semelhança do que aconteceu com Luisão, a UEFA pondera suspender por dois meses, o corpo de intervenção da polícia na sequência da carga policial de Quarta Feira. A reincidência de desacatos desta natureza pode até levar à interdição da escadaria da assembleia ou mesmo à realização de manifestações à porta fechada.
E é isto.

sexta-feira, novembro 09, 2012

A propósito do post anterior ...

... o blog "As Partes do Todo" recorda-nos o que de melhor o Quino fez com Mafalda e Susaninha. Há padrões universais.
Espreitem aqui

Empobreçamos então Isabel


Como um treinador de futebol em desgraça que passa de bestial a besta, como a "Floribela que numa semana passou de boazinha a boazona" (esta graça pertence, se não estou em erro, ao Bruno Nogueira), como um político que em semana de tomada de posse passa de promissor governante a mentiroso compulsivo, a responsável pelo Banco Alimentar contra a Fome é nesta semana despromovida à categoria de besta. Esta contestação generalizada a Isabel Jonet surge na sequência das declarações feitas sobre a necessidade dos Portugueses reaprenderem a empobrecer, depois de anos de vidas acima das reais possibilidades. A versão travestida de Manuela Eanes ilustra o novo paradigma de empobrecimento, com o tema bitoque: «Se nós não temos dinheiro para comer bifes todos os dias, então não comemos bifes todos os dias».
Estas declarações causaram espanto e indignação nas redes sociais e até há quem exija a demissão da Manuela Eanes das grandes superfícies. Caramba, a senhora também não disse um disparate assim tão grande. Apenas nos aconselhou o empobrecimento e a reformulação dos menus familiares.
Pessoalmente, já acatei os sábios conselhos do Fernando Nobre de saias, e ainda ontem, com a emoção do jogo do Sporting deixei o refogado passar um tudo nada do ponto e a carne guisada planeada para hoje vai ser servida ao jantar com o empobrecimento sugerido. Hoje ao jantar há “Carne à Sporting” que não é mais que carne guisadóesturricada. Nos próximos dias vamos continuar com ementas mais modestas que incluem Empadão à Troika (só arroz ou puré), Salsichas à Paulo Portas (duas salsichas de lata em forma de submarino submersas em água quente) e o inevitável Cozido Gaspar (faz-se o cozido completo, entregam-se as carnes e os enchidos às finanças e serve-se o caldo e as hortaliças). Espero que estas sugestões estejam de acordo com o programa de empobrecimento global sugerido.
Relembro aqui que Isabel Jonet não tem só o mérito de nos fazer mais solidários quando empurramos carrinhos de supermercado em determinados fins-de-semana. O grande mérito da senhora, é o de, nesses mesmos fins-de-semana, justificar a existência de milhares de escuteiros e libertá-los por três dias do estigma de “ajudar os velhinhos a atravessar a rua”.

segunda-feira, novembro 05, 2012

Príncipe das bochechas

De que valem estes 14 anos se ainda és a emoção primeira de ser pai? O que importa a tua adolescência se te aninhas em mim criança? De que serve a data de nascimento se ainda és mimo e riso e choro ? Não te adianta tamanha idade se festejo o teu desjeito na prancha de surf com a mesma euforia que o teu desjeito nos primeiros passos, se admiro a destreza nos patins como a ligeireza na mota das rodas gordas, se me comovo no teu humor como no teu primeiro riso, se desespero da tua preguiça como à espera do teu gatinhar. Não me enganas que és quase adulto, que és praticamente criança. É que em tantas coisas és igual a tudo o que em ti vi crescer. Manténs o sorriso, a obsessão na gastronomia (do ponto de vista de quem confecciona e do ponto de vista do utilizador), o sentido de humor, a ingenuidade, a preguiça, a boa disposição e embora não seja muito importante, manténs as bochechas do tamanho de dois planetas lindos e gigantes. Parabéns meu pequeno grande amor. Estás quase, quase crescido, mas felizmente isso também não vem ao caso.

segunda-feira, outubro 22, 2012

Meu príncipe loiro

[texto quase todo escrito a 22 de Outubro - dia de anos do Loiro dos Caracóis]
És o primeiro dos príncipes a fazer anos. Onze. Meu pequeno príncipe, onze como onze são os jogadores de uma equipa de futebol em que sonhas ser grande. Guarda redes de emoções. Defendes para canto cada pergunta certeira às redes do que te vai na alma. Desvias com um olhar, cada remate rés vés ao que se passa, dizes quase nada de ti, és mãe e pai nestas andanças. És defesa da grande área da tua vontade, desarmas com sorrisos matreiros cada jogada que ponha em perigo o resultado que queres, ou de cara cerrada se te driblam para lá do que achas justo. Senhor do meio campo de um humor bem artilhado, sorriso aberto e alegre. Distribuis mimos e desmarcas-te sempre para a zona certa de um carinho quando é mais preciso. Jogas nas alas de quem te mais gosta e fazes pressão alta para nunca seres apanhado em contra-mão  Junto à área contrária, nunca te travam. Brilhante nas fintas às contrariedades, puxas à linha o teu charme, e centras certeiro por cima de todos os argumentos. Aí entras de rompante e nem deixas que a bola toque o chão. Rematas de surpresa com a força de todas as convicções no fundo da baliza do teu tanto querer. Festejas como ninguém cada golo, e nós na bancada, festejamos contigo como se tivéssemos no campo a dançar junto da bandeirola. Mais um golo, mais uma vitória, e hoje mais um ano. Parabéns meu amor.

sexta-feira, outubro 19, 2012

Lost - parte II



Logo de manhã cedo, verificado o estado do iPad, nenhum movimento e eis que, mesmo antes de sair de casa, o localizador informa-me que alguém o ligou às 7:45. E onde havia de ter sido ligado o menino? Na bendita da escola. Trafulhas. Albergam uma ladra ou um ladrão e nem com a polícia se desmancharam. Não esperam pela demora.
Vou trabalhar com todo o equipamento necessário a não perder uma tentativa que seja de ligar o iCenas. Chego ao trabalho antes das nove e à hora certa, nova ligação do iPad. Isto é um padrão. Agora de hora a hora, o surrupiador de iPads vai tentar desbloqueá-lo. Vejamos se assim é. Aviso a Ana. No emprego dela organizam-se patrulhas prontas para, assim que houver mais movimentações, irem para o terreno com uma só missão: recuperar o iCenas. Testam equipamentos e organizam-se em coberturas geográficas.
Meu dito meu feito. Ás 10 da manhã ligam-no outra vez. Não me aguento. Googlo a página da escola e descubro o mail de contacto. Não é tarde nem é cedo. Vamos lá tratar de pressionar um tudo nada aqueles que, sob a capa da pedagogia infantil, encobrem actos ilícitos e dão abrigo à gatunagem. Aviso a minha mulher do sucedido e mando o primeiro comunicado para a escola:
“Bom dia :
Estive ontem com a minha mulher e com a polícia na sequência de ter identificado a localização do iPad da minha mulher, que se perdeu muito perto das vossas instalações, sendo provável que se encontre nas mesmas. Na altura o iPad estava desligado e desde então (saímos daí com a polícia às 18:40) voltou a ser ligado 4 vezes sempre na mesma localização (que parece ser as vossas instalações):
- 19:03 do dia de ontem
- 7:45 de hoje
- 9:05 de hoje
-10:00 de hoje
Solicito a vossa ajuda no sentido de recuperar o iPad que possui conteúdos que são importantes. O iPad pode ser devolvido na recepção da Empresa X na morada Y.
Grato pela colaboração”
O segurança do emprego da minha mulher vai fazer o levantamento do sucedido e promete cooperar dentro das suas possibilidades. Investigo um pouco mais sobre a interacção à distância com o iPad e descubro a possibilidade de o fazer apitar. Activo o engenho. Assim que for ligado, vai desatar a apitar. O melhor é fornecer informação actualizada à escola, que como se sabe é um local onde nunca há barulho:
“Na sequência do mail anterior, configurei remotamente o iPad para reproduzir um som durante dois minutos quando voltar a ser ligado. Espero que, de alguma forma, ajude a identificar a localização do mesmo.
Muito obrigado”
No emprego da minha mulher, as patrulhas agitam-se, sedentas de informação detalhada para se lançarem no terreno.
11 da manhã e o burro do ladrão tenta desbloqueá-lo novamente. Novo mail para a escola: “ligaram-no agora mesmo”. O ponto verde mexe-se no mapa. Telefono à minha mulher:
“A pessoa que o roubou deve ter acesso ao mail. Está a ir com o iPod em direcção à estátua”. Enquanto falo com ela ao telefone, a patrulha finalmente sai na peugada do bandido com dois localizadores nos iPhones. Uma perseguição ímpar. O ponto verde entra no quintal ao lado da escola. Nada parece demovê-los. Saltam o muro e entram no quintal também. Tarde demais, o ladrão é mais rápido e retoma o seu caminho em direcção à estátua. Eles cruzam-se com o gato que anda desaparecido no bairro “Olha o Tigre, o gatinho desaparecido dos cartazes. Vamos apanhá-lo?” “Esquece lá a merda do gato, nós queremos é o iPad da nossa amiga”.
Eu continuo ao telefone com a Ana a relatar a localização do iPad. “Ana, estão a levá-lo ao centro comercial. Aposto que vão à loja de informática para tentar desbloqueá-lo. Vou voltar a activar o sinal sonoro.”
Do outro lado da linha há um insistente barulho que nos dificulta a comunicação. Pergunto-lhe do que se trata. “É um telefone qualquer“ Respiro fundo
Entretanto, junto do centro comercial, a patrulha observa dois homens com um ar suspeito a trocarem uma pasta. “São profissionais. Têm uma rede montada” O que entregou a pasta vai para a casa de banho e o outro afasta-se. A patrulha divide-se e segundo palavras do comandante de patrulha “se fosse o da pasta a entrar na casa de banho, não havia de lá sair sem cagar a porcaria do iPad.”
Ao telefone a minha mulher informa-me “Este apito aqui que estávamos a ouvir. É o iPad. Está aqui na gaveta. Ai meu meninooooo. Afinal está aqui.”
A Apple um dia vai-me explicar como funciona este localizador de iCenas. Aparentemente o iPad nunca saiu do mesmo sítio.
A patrulha, que entretanto se voltou a juntar, regressou à base depois de seguir um homem durante quase 20 minutos.
A polícia e a segurança foi informada da recuperação do gadget.
A escola, bem a escola recebeu mais um mail:
“Bom dia:
Peço desculpa por mais uma vez incomodar. O iPad foi devolvido e já se encontra em nossa posse. O sistema de localização por coordenadas não é dos melhores e a indicação de que estava na vossa escola foi errada, pelo que apresento desde já as minhas desculpas por todo o incómodo causado.
Com os melhores cumprimentos”
A partir de hoje, o iCenas chama-se iPerde.

terça-feira, outubro 09, 2012

Lost - parte I


O primeiro sinal de alarme veio ao fim da tarde. Procurado em todos os locais possíveis, e mesmo nos menos prováveis, o diagnóstico estava feito: “André, não sei do iPad. Ou o perdi ou roubaram-me.”
A tecnologia tem destas coisas maravilhosas que nos enchem de esperanças e de respostas profissionais, e ainda distante do acontecimento sugeri: “Pega no iPod e usa o localizador de iCenas para ver onde é que ele está”. E a partir desse momento, foi um filme de acção.
“Está na rua. Foi mesmo roubado. Está a andar em direcção à Praça de Londres. É aqui perto. Vou para a rua atrás do ladrão”. Ora, uma vez na rua, o iPod perde o acesso à net. Não fosse o casal de amigos e os filhos e o cão e os iPhones terem aparecido, nunca se conseguiria voltar a localizar o menino. O iPhone tem 3G e inicia-se a perseguição. O larápio continua a andar pela rua com o iPad, mas não larga as vizinhanças. O melhor é telefonar para a polícia para o apanhar em flagrante.
Saio do trabalho à pressa, e pelo caminho, as notícias que me chegam estão longe de serem animadoras. A polícia vai demorar a chegar e o sinal perdeu-se. Por certo, o vil gatuno apercebeu-se das movimentações e desligou o gadget. Mesmo à porta de uma escola. É lá que me vou encontrar com os protagonistas da caçada. Além da minha mulher, os três selvagens, mais o casal de amigos e respectivos filhos, os iPhones essenciais para detectar qualquer movimento da tecnologia roubada, dois polícias e o cão. Um cão é essencial nestas aventuras. A Enid Blyton que o diga.
Os polícias falam com o director da escola e explicam o sucedido. O nosso amigo explica-me o algoritmo para concluir que aquele ponto do mapa só pode ser a escola. Muito solícito, o director da escola deixa os polícias entrarem. Aguardamos com ansiedade o resultado da conversa. Nada. O iPad provavelmente a escassos metros, e nada. Nem com conversa conseguimos recuperar o nosso menino. Vejamos o que nos oferece a tecnologia.
Ah bem. Podemos activar o bloqueio remoto com uma mensagem. Será uma boa estratégia?
“Não actives. Se ele vê que o bloqueio está activo, tem uma fúria, pega no iPad, dá-lhe um pontapé e enfia-o no caixote do lixo.”
“O iPad tem fotos e dados confidenciais. Estão lá fotos de família. Não quero fotos dos Marias na net”
 “Então bloqueia-se.”
“Olha. Dá para pôr uma mensagem.”
Mas que mensagem? “Ó palhaço devolve o iPad antes que a polícia te apanhe” ou algo mais soft “Sr Ladrão. É favor devolver o iPad no seguinte local…”. Optámos pela diplomacia “Este iPad encontra-se perdido. Se o encontrar, devolva-o no seguinte local blá blá blá”
A polícia entretanto solicita-nos que passemos na esquadra a participar o desaparecimento e assim que recuperarmos o sinal do iPad, que lhes comuniquemos a localização. Os miúdos numa excitação com a sucessão de acontecimentos. “Parece mesmo uma aventura. Até temos o cão”.
Agradecemos aos amigos e aos polícias e voltamos para casa para ir buscar a factura da compra. Assim que chegamos, ligamos o localizador. Nem de propósito. O ladrão volta a ligar o iPad. Nunca saiu da escola. Que descaramento. Com a polícia e toda a equipa de buscas ali à porta, deixou-se estar quietinho sem ligar o equipamento, e assim que viramos costas … Estupor. Telefonamos à polícia para relatar a actividade suspeita. Ninguém atende.
“Pega na factura, no iPod e vamos para a esquadra.”
“Queres que ligue os quatro piscas e vá a buzinar assinalando a marcha de emergência?”
“Talvez não valha a pena”
Chegados à esquadra, lá estão os agentes que nos acompanharam. Relatamos as novidades. Dizem-nos que não atenderam porque estavam com outras chamadas e por isso não puderam atender. Fazem uma pergunta preocupante "Mas afinal, explique-me lá. O que é isso de um iPad?". Lá tentei explicar mas acho que a ideia que ficou foi que se tratava de telemóvel gigante, que não faz chamadas mas acede à internet. O Steve Jobs havia de ficar feliz comigo.
Dão-nos um número da patrulha à paisana, para o caso de, durante a noite, detectarmos novos movimentos do artigo furtado.
Entre chamadas de denúncias de violência doméstica e relatos de um tóxico dependente, lá vão tomando conta da ocorrência.
“Então o furto ocorreu a que horas’”
“Foi enquanto estive a trabalhar. Entre as 8:30 e as 18:00”.
“Muito bem, vou pedir ao Gabinete de Segurança do seu emprego, para facultar o visionamento das imagens de segurança recolhidas no seu andar entre as 8:30 e as 18:00”
Pois claro, são só quase 10 horas de gravações. Vai ser fácil.
Um polícia pergunta-me como é que funciona o localizador do iPad. Ligo a net do telemóvel, ligo o iPod ao telemóvel e mostro-lhe a última localização do iPad. Fica maravilhado com a tecnologia.
Eis que chega a hora de dar o número de série do menino, mostro-lhe a factura.
“Este número é muito longo para ser o número de série.” Explica-nos o agente.
Afinal onde está o número de série? A factura tem o número da loja. Telefonema para a loja e a senhora, atenciosa, informa-nos que o número de série está escrito na caixa. A caixa, essa mesma que ficou em casa.
Voltamos a casa e a hora de jantar mais que ultrapassada, o que vale são os dotes culinários do mais velho que asseguram a refeição atempada dos jovens aventureiros. Os mais crescidos regressam à esquadra com a caixa do iPad numa mão e um pacote de batatas fritas na outra. Entramos na esquadra e depois de oferecer batatas fritas aos agentes, acabamos a participação da ocorrência. A patrulha de rua chega à esquadra e informa-nos que estiveram a revirar o lixo em frente à escola e que nada encontraram, a não ser fraldas e outro lixo inerente à actividade pré-escolar.
Regressamos a casa sem iPad e sem esperança. Com a cadência proporcional à angústia averiguo o estado do tablet. Nada. Durante toda a noite o iPad esteve morto … nunca foi ligado. Até que às 7:45 da manhã… (continua)

terça-feira, setembro 18, 2012

Tomara que vejas

Tomara que vejas o que fizeste, tomara que ao olhar saibas ver, porque o que está à tua frente não são sinais de cansaço, são dores, são dramas, desesperos, são sacrifícios mas sobretudo são a certeza de serem em vão, estéreis que não dão fruto. Foi esse sentimento que levou à rua todas as indignações, tantos sonhos destruídos, tamanha revolta e outro tanto de solidariedade. Foi isso que encheu as ruas de mágoa. A certeza de não haver proveito em tamanho dano. Não foi outro 25 de Abril. Nem nunca será. Na altura, foram anos de silêncios forçados, que explodiram em euforia e esperança. Hoje não há nenhuma razão para euforia e a esperança perdeu-se quando comunicaste a intenção de nos fazer seguir o caminho que mais nos fere na dignidade sem que nos leve a lugar nenhum. Temo que tenhas perdido a credibilidade, reconhecem-te o miserável mérito da firmeza e da teimosia. Em contraciclo, outros terás que nem sabias. O de reunir, como um jogo de futebol, tanta gente tão diferente. O de levar, como uma vitória no campeonato do mundo, muitos pela primeira vez à rua. O de pôr tantos a indignar-se pelos filhos sem futuro, pelos amigos desempregados, ou simplesmente pelo desespero dos outros, como um mau governante. Fica-te pois o mérito de nos fazer a olhar em volta e de sair da confortável órbitra dos nossos umbigos. Desta vez, as espingardas não ganharam flores nas pontas dos canos. Desta vez um polícia. Só um polícia ganhou um abraço, mas Portugal ganhou novamente o orgulho de um povo unido. Tomara que o saibas ver, porque “o essencial é invisível aos olhos”.
 
(Foto de: Jose Manuel Ribeiro/Reuters)

segunda-feira, setembro 10, 2012

Mudaram as moscas ...

Há uns anos atrás, não muitos, o fenómeno do facebook e dos micro blogues estendeu-se à  política e aos políticos. Passou a ser lugar comum a existência de páginas de facebook e twitters de políticos. Umas mais institucionais como a do presidente, outras menos, umas com maior actividade e outras deixadas ao abandono após os tempos eleitorais. Nesses tempos de eleições não há candidato a deputado, cabeça de lista distrital ou mandatário que não escreva assiduamente nas contas de facebook, ou de twitter. Este frenesim de actividade nas redes sociais, pode depois dar asneira, como no caso da página de Fernando Nobre, ou o mais recente desabafo de Passos Coelho sobre a comunicação que fez ao país na passada Sexta Feira quando este se encontrava em estágio para enfrentar a poderosa selecção do Luxemburgo com exibição de luxo. A propósito de Pedro Passos Coelho, e das suas decisões políticas, uma visita à sua conta de twitter na altura pós chumbo do PEC IV, só não é divertida porque revela que mais uma vez não somos muito dotados a fazer e a escolher políticos e governantes. Pedro Passos Coelho sabia, nessa altura a gravíssima situação em que o país se encontrava e escrevia na sua conta de twitter:
1 de Abril - Já ouvi o primeiro-ministro (José Sócrates) dizer que o PSD quer acabar com o 13.º mês, mas nós nunca falámos disso e é um disparate
7 de Abril - Isto pode-se fazer com um Governo muito mais pequeno e com um número de ministros não superior a dez.
12 de Abril - O PSD chumbou o PEC 4 porque tem de se dizer basta: a austeridade não pode incidir sempre no aumento de impostos e no corte de rendimento.
20 de Abril - Estamos a pagar bens essenciais muito caros ao estrangeiro, quando as Pescas e a Agricultura podem dar emprego a muita gente.
2 de Maio - Se formos Governo, posso garantir que não será necessário despedir pessoas nem cortar mais salários para sanear o sistema português.
2 de Maio - Temos de apostar na economia, mas na economia que cria emprego, não na economia que cria rendas aos amigos do poder.
2 de Maio - Faremos diferente, trazendo para cima da mesa as contas verdadeiras e pondo o Estado a fazer os sacrifícios que andou a impor aos cidadãos.
10 de Maio - Se não queremos cortar salários, temos de baixar a taxa social única para ganhar competitividade no curto prazo
11 de Maio - O aumento de impostos previsto por este Governo no documento que assinámos com a UE e o FMI é mais do que suficiente
16 de Maio - Prefiro ser criticado por alguma medida mais difícil que defendo do que ser acusado de ludibriar as pessoa
18 de Maio - É uma tragédia o estado a que o nosso estado social tem chegado. Precisamos de novas políticas activas de emprego
24 de Maio - Se continuássemos a empurrar os cortes na despesa com a barriga desta forma, acabaríamos o ano com mais mil milhões de euros de défice real.
31 de Maio - Um desemprego tão elevado reforça a necessidade absoluta de se tomarem medidas para transformar a nossa economia.
Depois de ler isto e relembrando o governo de José Sócrates, eu tenho em crer que a culpa não está nos primeiros ministros. Trata-se de um vírus que afecta os candidatos a primeiro ministro mesmo antes de serem eleitos, e olhando para a lista de disparates, tenho em crer que o dito vírus esteve particularmente agressivo a 2 de maio (a declaração de 1 de Abril, como parece óbvio, nada tem a ver com o vírus, antes foi o assinalar do dia das mentiras). Definitivamente, tantas décadas de ditadura, não nos ensinaram a ser cuidadosos nas escolhas da democracia.

quarta-feira, agosto 29, 2012

Carta ao Vitor Gaspar


Exmo. Sr. Ministro das Finanças

No âmbito das recentes notícias que dão conta do desaparecimento de mais de duas centenas de milhar de crianças das declarações de IRS, serve a presente para o informar que os três dependentes menores de vinte e cinco anos que declaro anualmente, se encontram esta semana numa colónia de férias, pelo que, caso os seus serviços de verificação de dependentes visitarem a minha residência fiscal com o intuito de validar a existência dos mesmos, o devem fazer na referida colónia.

Gostaria ainda de saber como posso obter número de contribuinte, e as respectivas deduções fiscais , para todos os elementos da coleção de Gormittis e dois coelhos de peluche ou lá o que é aquilo, uma vez que coabitam  na minha residência.

Percebo que esteja muito ocupado à procura das 200 mil crianças em falta, mas vossa Excelência não se preocupe que ainda vai agradecer este contratempo. Às vezes quando andamos a procurar uma coisa acabamos por achar outra perdida há mais tempo, pelo que tenho muita fé que é desta que vão encontrar a pequena Maddie e os documentos em falta da compra dos submarinos. Olhe Excelência, se encontrar a factura da balança do Pingo Doce que comprei quando a minha mulher foi de viagem, agradeço-lhe, porque a porcaria da balança gasta duas pilhas por semana e aquilo tem que ser trocado e não há maneira de encontrar a porcaria da factura.

Sem outro assunto despeço-me atenciosamente.

Por acaso ainda tenho outro assunto. Trata-se na realidade de uma dúvida. Antes do acordo ortográfico Vossa Excelência chama-se Vítor ou Victor ? Agradeço antecipadamente o esclarecimento.

sábado, agosto 04, 2012

Os jogos

Portugal não tem perfil para esta coisa dos Jogos Olímpicos. Aquilo é tudo levado muito a sério e tem muito pouco de desenrasca. Os americanos e os chineses vivem enclausurados em centros de alto rendimento durante anos para chegarem lá e fazerem a triste figura de se atascarem a tudo o que é medalha, deixando algumas migalhas para outras nações. Ora os portugueses não são moçoilos para levar uma coisa que é amadora como se profissional se tratasse. Os portugueses vão lá aos centros fazer uns biscates sempre que podem e fazem-no com toda a boa vontade, que afinal de contas aquilo é amador não é profissional. E ainda bem, porque se fosse profissional, com estes resultados e com a nova lei laboral, já estava tudo no olho da rua.  Há modalidades que em princípio nos dão maiores esperanças. O Judo à partida tem mais a ver connosco porque se trata de dar uns safanões agarrando as lonas que os adversários vestem, mas até neste caso a coisa corre menos bem porque não deixam nem puxar cabelos, nem dar uns tabefes, nem tampouco insultar a família dos adversários. Já fizemos boa figura no atletismo, mas não me venham cá com lançamentos do disco, e do dardo ou com saltos. Nós sabemos correr, às vezes, porque esperamos sempre pela última hora para fazer as coisas e depois vamos a correr fazê-las. A correr é que somos bons, às vezes, ao contrário desse disparate de atirar coisas longe. Convém dizer que os tipos dos jogos também não nos ajudam em nada porque não há maneira de incluírem nas modalidades olímpicas, o jogo da malha a beber umas bejecas . Deviam fazer um esforço para se aproximarem das nossas competências amadoras, e deixarem-se destas coisas muito técnicas porque assim  temos tendência a não aparecer nas provas, ou a cair dos trampolins, ou a adormecer a meio das provas. Eu já nem falo de incluírem pegas de touros porque aí é que íamos ver quem é que era mais medalhado, se o Michael Phelps se os Forcados Amadores do Aposento da Chamusca.

domingo, julho 22, 2012

Os porquês e outras interrogações

Ou são eles que se apuram sempre que a mãe se ausenta, ou isto de ser mãe pia mesmo mais fino.
Pai a que praia vamos ? Que horas são em Nova Iorque? Podes fazer Hamburguers para levarmos ? Pai não há presunto para as sandes. Preciso de dois fatos de banho porque um é de substituição. Posso telefonar à mãe a saber onde está o meu fato? Podemos levar croquetes da Versalles ? Não sei dos meus chinelos. Agora és tu quem passa a ferro ? Posso levar a prancha ? O João diz que faz body-board melhor que eu, é verdade ? O que quer dizer "sem espinhas " ? Posso levar uma bola ? Eu sei lá pôr creme no António !!! Posso ir à frente ? Há Pringles ? Posso ser eu a ir à frente, o João é quem vai sempre. Hoje sou eu a dormir contigo. Ganda lata, hoje era eu. Falta muito para chegar? Que horas são em Nova Iorque? Posso ir para a água ? Tenho fome. Pões-me creme ? Tenho sede. Não sei da roupa. Quero o meu hamburguer. Vem comigo à água. A que horas a mãe acorda ? Posso ir com a prancha para aquele lado ? Qual é a minha sandes ? Quero ir fazer cocó. Estendes-me a toalha? Posso comer um gelado ? Aqueles navios são os que vimos antes de ontem ? Que avião é aquele ? Que horas são em nova iorque? A mãe já me comprou uma prenda ? Dás-me as batatas ? O que é o jantar ? Pode ser Sushi? Eu cá não gosto de Sushi. Primeiros a jogar quando chegarmos a casa. Temos que ser nós a arrumar as coisas da praia ? Já vamos embora ? Posso ir a última vez à água ? O meu fato de banho suplente ? Podemos convidá-los para dormir lá em casa ? Porque é que ele disse um pequeno passo para o homem um grande passo para a universidade ? Que horas são em Nova Iorque ? Então e agora, posso ser eu a ir à frente? Levas-me a prancha ? Porque é que há sempre fila ? Posso pôr as mudanças ? Posso jogar primeiro e arrumar depois ? A prancha pode ficar nas escadas ? A minha sandes de presunto ? Últimos a tomar banho. Temos mesmo que arrumar isto tudo ? Posso comer do jantar do António que o Sushi deixa-me com fome? Porque é que temos que ir já para a cama? Que horas são em Nova Iorque ?
Pronto. Estou convencido. As dores de cabeça ao fim do dia, não são mesmo desculpa esfarrapada.

quarta-feira, julho 18, 2012

Linha Vermelha

Demorou tanto que cheguei a pensar que mais depressa o Aeroporto chegava ao Metro que vice-versa. Afinal de contas era só fazer mais uns terminais e Entrecampos era quase ali. Acabou por ser uma extensão da linha vermelha, o que é bom porque liga o Aeroporto ao El Corte Inglês, permitindo que este funcione como câmara de compensação antes de vir à superfície da realidade nacional. Intriga-me o silêncio dos taxistas, porque os imaginava em protestos e em greves quando acontecesse a mais que necessária ligação. Ou sou eu que não os ouço, ou estão todos a concorrer a lugares de condutores de Metropolitano, para manterem o hábito de insultar todos os passageiros, que tendo entrado no Aeroporto, resolvam sair no bairro da Encarnação ou em Moscavide.

quinta-feira, julho 12, 2012

A democracia segue dentro de momentos

Por vezes a reflexão é como um novelo entrelaçado de ideias que puxam ideias. No meu caso é uma renda de Bilros, só para conferir uma certa animação suplementar ao acto de pensar. Reflectia eu sobre a greve dos médicos e sobre a pretensa insanidade de contratar médicos tarefeiros com base em critérios perigosos como o "mais baixo custo". Isto levou-me a pensar que a medicina foi, até aos dias de hoje, das poucas áreas poupadas às perversas práticas de body shopping. A medicina e a política. Mas a política ? Então porquê ? Porque os políticos ocupam cargos de duas maneiras: ou são eleitos ou são nomeados. Mas não podiam ser colocados por concurso segundo o critério "mais baixo custo"? Seria um atropelo à democracia, até inconstitucional. Acontece que este ano, a inconstitucionalidade de algumas medidas que contribuam para a redução do défice, é uma prática permitida pelo próprio tribunal constitucional e deixa de ser problema suspendermos a democracia por uns tempos. Façam-se concursos para o governo, para a assembleia, para todos os jobs dos boys, para as estruturas partidárias e para a presidência da república, e como critério de adjudicação escolha-se apenas e só o preço mais barato. Qual é o problema ? Corremos o risco de ver lugares determinantes para o futuro da nossa nação serem ocupados por pessoas sem qualificações para o fazer ou mesmo incompetentes ? Pois, isso seria uma grande novidade. Não sei se iríamos conseguir sobreviver a uma crise que envolvesse políticos incapazes, só para poupar uns milhões de euros. E depois o que faríamos a estes ? O gozo imenso de transformarem a adversidade numa oportunidade de vingarem no estrangeiro ? Pensando bem, isto de interromper a democracia por uns momento, é mesmo capaz de ser uma boa ideia. A Manuela Ferreira Leite é que sabia.

segunda-feira, julho 09, 2012

RABOS

Logo eu que sou tão liberal nisto da orientação sexual havia de me irritar com esta coisa da provocação gay. Como me irritaria a provocação heterossexual se esta roçasse o mau gosto e a brejeirice. Sou a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, da adopção por casais homossexuais, tenho amigos e amigas homossexuais, cresci sem sequer questionar a relação entre pessoas do mesmo sexo, e no limite até sou a favor do divórcio entre pessoas do mesmo sexo (embora neste caso tenha as minhas reservas). Mas façam-me o favor. Tal como para os Camarinhas que em cada gesto certificam a sua orientação sexual, ou como para as Jessicas Rabbits deste mundo, não tenho a menor pachorra para homossexuais que em cada gesto fazem questão de marcar a sua orientação sexual: em cada frase dita para uma audiência imaginária, a comer caracóis, a pegar no copo, a dobrar a toalha, a chamar o empregado para pedir a conta, a calçar os chinelos, a sentar-se, a abrir o chapéu de sol, a espalhar creme. Senhores, não é preciso um arco íris em cada gesto. Que mariquinhas pés de salsa. Não comento a questão estética das depilações mal amanhadas nem o guarda roupa de gosto questionável. Também não relaciono com outra coisa que não seja falta de educação a imprópria e desajeitada simulação de sexo oral em público. O gosto depende de cada um e a educação ainda não está ao alcance de todos. O que me tira do sério não são os homossexuais nem os heterossexuais, o que me tira do sério é esta mania de, hiperbolizar a orientação sexual. Senhores RABOS - Rabetas Assanhadas Bestialmente Orientadas Sexualmente - deixem-se de mariquices e portem-se como Homens Homossexuais. H maiúsculo nos dois casos caramba.

quarta-feira, julho 04, 2012

Quarteto de Cordas

Caro Pedro, Estimado Miguel, Querido Paulo, Excelentíssimo Aníbal Vamos lá ver se nos entendemos neste tema de servir a nação e representar a Pátria Lusa. Em primeiro lugar, ao aceitar ou ao candidatar-se para ocupar um cargo público custa-me a crer, que não estejam cientes que vão ter os olhos postos sobre o desempenho nesse mesmo cargo, e que estão sujeitos a elogios e a críticas. Nem todos os elogios são sentidos porque existe quem elogie por conveniência e nem todas as críticas são justas por haver quem critique por despeito. Não obstante, cabe a cada um de vocês distinguir trigos de joios e tirar lições daquelas que forem as críticas sustentadas. Ao Pedro relembro que, na condição de opositor ao governo e até de candidato ao lugar de primeiro-ministro, nunca se coibiu de acusar o seu antecessor de muitas das falhas que agora lhe apontam a si, nomeadamente de desrespeito pela palavra dada, de desatenção ao país real, de exagero nos sacrifícios exigidos ao povo, de ineficácia das medidas pouco reformistas que agravavam o estado da nação de PEC em PEC. Sendo verdade que não se esquiva no anúncio das duras medidas cujos resultados são tão maus como os do seu antecessor, esquiva-se a manifestações de desagrado e opta por portas dos fundos para não enfrentar o desconforto que a governação descuidada, ineficaz e cruel provoca no povo Português. Pedro, servir a nação é sobretudo uma honra e seria muito bom que usasse H maiúsculo. Veja o drama de cada um dos Portugueses e aja em conformidade. Quando, na rua, houver protestos dos que ilicitamente enriquecem e possuem fortunas e reformas imorais, talvez aí possa entrar em muitos locais pela porta da frente. Ao Miguel relembro que não basta ser sério, é preciso parecê-lo. E a sensação que dá é que nem uma coisa nem outra. Poucos acreditam que está isento de culpas na questão da jornalista do público, e que o curso num ano é uma derivação pouco conseguida das licenciaturas de fim de semana. Mais uma vez servir a nação é uma Honra e é condição necessária que se faça honrar, e que se essa honra estiver alguma vez em causa tudo deve ser feito para esclarecer dúvidas. Explique o Público, as Secretas, a licenciatura. Explique-se homem que é o seu dever. Ao Paulo que levou a seleção de futebol até à meia-final quero dar a mesma novidade que dei ao Paulo e ao Miguel. Servir a Nação é uma Honra e ao contrário do que disse, não há direitos e deveres nem a sua posição é de equilíbrio com a dos jornalistas. Como selecionador praticamente só tem deveres e poucos direitos. Tem o dever de honrar Portugal, o dever de saber ouvir críticas e não ficar ofendido porque sabia de antemão que elas iam acontecer, tem o direito de dar a sua opinião, mas tem o dever de não amuar e de impedir amuos das prima donnas que dirige. Faz parte do papel que desempenha e não está a fazer nenhum favor a ninguém. Ninguém lhe pede a outra face, apenas e mais uma vez que cumpra com o dever de sair da competição com a consciência do dever cumprido, de fazer jogar 23 artistas como uma equipa, e de esclarecer os seus pontos e vista e as suas opiniões sem amuos, irritações e partes gagas de duas orelhas e uma boca. Não me parece que ninguém o tenha obrigado a ser selecionador e todos os deveres são para cumprir, é que caso não tenha reparado, estiveram milhões de portugueses entusiasmados com a seleção e os seus amuos e os silêncios dos jogadores não contribuíram para coisa nenhuma. Aníbal, que raramente se engana e nunca tem dúvidas, o que se passa consigo? Não se lembra quem esbanjou fundos comunitários e em vez de nos tornar um país competitivo, transformou-nos numa rede de auto estradas sem agricultura e sem indústria? E não se lembra que há um limite para os sacrifícios? Deixou novamente de ter tempo para ler jornais? Não fuja dos desagrados como o Pedro, não deixe de explicar como o Miguel e não amue como o Paulo. Olhe lá por nós e emende essa mão. Lembre-se caramba.

quarta-feira, junho 20, 2012

Zarolhos

As agências financeiras internacionais entretêm-se a rever os ratings dos países europeus, dos bancos europeus, das empresas dos países europeus e das regiões dos países europeus, sem grande preocupação seja na fundamentação das suas apreciações seja nas consequências das mesmas (a menos que tenham algum interesse menos transparente na degradação financeira dos países da zona euro). Segundo estas agências, a europa converge para a categoria de lixo o que, convenhamos, é deselegante e não dá jeito nenhum, sobretudo em Lisboa, que até pararam com a recolha de lixo e estou convencido que foi por não estarmos preparados para a reciclagem de espanhóis e irlandeses. Ora os países, a banca, as empresas e as regiões classificadas por estas agências até podem ter algumas dificuldades financeiras, mas em contraciclo têm história, valores, capital intelectual, iniciativa, cultura e pessoas com valor e algumas com princípios, o que, para uma agência financeira mais do que lixo, é um luxo. Pasme-se, que lixo e luxo só diferem numa letra que no teclado estão mesmo ao lado uma da outra e, como todos sabemos, estas agências escrevem todas em português. O que aconteceu é que eles queriam dizer luxo mas acertaram na tecla errada. São vesgos portanto. Sofrem da mesma doença que o Cristiano Ronaldo sofreu até ao jogo com a Holanda. Zarolhos com mau feitio. A solução é pôr a Moody's, a Standard & Poor’s e a Fitch a jogar contra a Holanda e vão ver que calibram logo o olho director e lhes passa a síndrome dos olhos linearmente independentes. Acertem lá na porcaria das teclas, que nós agradecemos. E se quiserem rever algum rating aqui da Europa, esperem pelo festival da Eurovisão que tem sempre muita oferta para as vossas apreciações. Ou dêem cotação à balofa alemã, assim do ponto de vista do utilizador.

quarta-feira, junho 13, 2012

Rentrée

Finda a época futebolística e a primavera, parece que os jogadores iniciam a época das separações e dos divórcios. Passeio os olhos por um quiosque e deparo-me com revistas cor de rosa que falam de traições, amuos, desilusões. Rui Patrício e Djaló pelo menos. A dúvida constrói-se em mim de forma persistente. A ser verdade, o Djaló e a Lucy vão divorciar-se ou djyvurkiarçe ?

segunda-feira, junho 11, 2012

Forget it

Sr Primeiro Ministro de Inglaterra Serve a presente para manifestar a minha solidariedade com o facto de estar a ser alvo de indignação generalizada por se ter esquecido do seu filho no restaurante e só ter dado por isso em casa 15 minutos depois de ter saído do restaurante. Também já me aconteceu, e não é nada de outro mundo. Acontece. 7 crianças e 5 adultos, um rácio até equilibrado para a época. À saída do restaurante, o do meio vai à casa de banho. Uns ainda no restaurante, outros na rua, começamos a dirigir-nos até aos carros. A meio do quarteirão da frente: "O Loiro ?" "Não está com as primas lá à frente?" "Julguei que estavas com ele" "Também eu, julguei que estava contigo" Varrida a rua com um olhar rápido, lá chegamos à conclusão que ficou para trás. Quarteirão no sentido inverso e lá vem ele rua fora ter connosco. Nem fizemos comentários aparvalhados, embora tal cenário não fosse impossível: "Deve ter encontrado um café onde está a dar o jogo do Sporting" "Se calhar foi comprar tabaco" "Ou uma cerveja" "Já lhe disse para largar as drogas" Olhe senhor prime minister, só não acontece a quem não cá anda. O nosso primeiro ministro ainda é mais cabeça no ar que o senhor, ainda há um ano fez uma série de promessas e por muito que seja lembrado, o raio do catraio não há maneira de se lembrar delas. E as pessoas gostam muito de comentar estes pequenos lapsos. Há duas décadas que, por altura da quadra natalícia, não perdem o "Sozinho em casa". Há duas décadas que acham graça ao caos da família em viajem, deliram com o miúdo a fazer a vida negra aos atrasados mentais dos ladrões e deixam cair uma lágrima quando a mãe reencontra o fedelho no Rockfeller Center. Sempre sempre a mesma coisa. Quando a vida imita a ficção, por quinze minutos, cai o Carmo e a Trindade. No seu caso falls Picadilly and Trafalgar. Vá lá dormir descansado. Forget it.