E se ela gostar do colar que lhe fizeste ?
E se ela te aceita as flores e te agradece com um beijo?
A determinação ganha-te à vergonha e hoje para a escola, levas um sorriso, um nervoso miudinho, um colar feito por ti e um ramo de flores. Assim pequeno, que escolheste com a mãe, porque a "mãe é que é perita" nestas coisas.
Loiro dos caracóis mais lindo, se ela, que faz anos hoje, não ficar da cor de um tomate e não te agradecer com um beijinho tu não te rales muito. A natureza das mulheres é um mistério indecifrável e reagem de uma maneira nunca evidente.
As mulheres são como o teu Sporting, nunca vais saber se vão reagir bem, se vais ter uma enorme alegria ou se sais com a aquela sensação frustrante do "fica para a próxima". Mas tomam sempre conta do nosso coração.
Boa estreia.
segunda-feira, setembro 26, 2011
sexta-feira, setembro 23, 2011
Não há mal que dure sempre ...
... nem bem que nunca acabe. Falar em bem.
A bem a bem era que o Outono além das castanhas, das folhas a cair das árvores e dos satélites a cair do espaço, nos presenteasse com o Jorge mais feliz que o Vitor.
Assim um 0 a algo maior que zero. Para variar. A noite acabava com este sisudo

e este a rir.

PS: Se por uma infelicidade o Benfica não ganhar, venho aqui e apago este post.
A bem a bem era que o Outono além das castanhas, das folhas a cair das árvores e dos satélites a cair do espaço, nos presenteasse com o Jorge mais feliz que o Vitor.
Assim um 0 a algo maior que zero. Para variar. A noite acabava com este sisudo

e este a rir.

PS: Se por uma infelicidade o Benfica não ganhar, venho aqui e apago este post.
quinta-feira, setembro 22, 2011
Agressões
Contou-me aquilo com os olhos rasos de água. Voz trémula e as mãos sobre as minhas. "Ai André nem queira saber agora deu em bater-me ... depois nega tudo se a minha Anabela o confronta. Anda com um feitio ... e então se bebe. Depois destes anos todos. Eu nem sei como lidar com ele."
Logo ele. Aquele homem que eu tanto respeitei. Aquele casal que sempre admirei. Não há vez que lhes falte a visita, se calha estar lá. Logo aqueles dois. É da doença, é da bebida, é da idade ! Nem sabia o que lhe dizer. Prometi não tocar no assunto à frente dele. Gosto deles e fez-me tanta espécie depois de lhes saber tanto respeito e amor.
E depois saio da aldeia e não vejo doença, nem idade, nem bebida nem amor, nem amor próprio, nem respeito, nem vergonha. Quando a meio do percurso já se está assim, que raio de fim há que esperar?
Logo ele. Aquele homem que eu tanto respeitei. Aquele casal que sempre admirei. Não há vez que lhes falte a visita, se calha estar lá. Logo aqueles dois. É da doença, é da bebida, é da idade ! Nem sabia o que lhe dizer. Prometi não tocar no assunto à frente dele. Gosto deles e fez-me tanta espécie depois de lhes saber tanto respeito e amor.
E depois saio da aldeia e não vejo doença, nem idade, nem bebida nem amor, nem amor próprio, nem respeito, nem vergonha. Quando a meio do percurso já se está assim, que raio de fim há que esperar?
quinta-feira, setembro 15, 2011
Sugestão
Aposto que o Passos Coelho ainda não se lembrou desta. Era se podia haver uma taxa para quem utilizasse a 4ª pessoa do singular. Que achas Pedro? Gostastes ? (Ui, 1 euro para o estado. Já estavas a ganhar. Vistes ? Ai, que já lá vão dois. Tramadinha esta taxa.)
Vista Cansada
Estas coisas da oftalmologia continuam a desagradar-me... e aparentemente a degradar-me. É a merda dos cartões matrizes segurança do homebanking. Aqueles algarismos são muito pequenos e depois de ter sido expulso do site porque falhei 2 vezes seguidas a porcaria do código de segurança, resolvi ir ver se era caso de ajustar as lunetas ou pedir ao banco um cartão com números mais óbvios.
O homem fez-me passar por umas três maquinetas, daquelas queixo_aqui_encoste_a_testa_e_olhe_para_a_luz e mostrou-me a minha vista de todas as formas e feitios. Nada mau, não fosse o discurso. "Tem astigmatismo, mais um coisótrofia qualquer e pela sua idade está a perder visão. A boa notícia é que este processo começa aos 40 mas aos 60 tende a diminuir drasticamente"
Aos quem ? Aos sessenta deixo de piorar da vista ? Mas que excelentes novas que o doutor me dá. Quando eu já não conseguir distinguir o tubo da algália com o do soro, o guardanapo da fralda e a arrastadeira da chaise longue, é que o processo tende a parar ? Tenha paciência homem !!!
E como se não bastasse, se vejo mal ao longe, de perto então é que não vejo nada e "essa diferença está mesmo a pedir uns óculos com lentes progressivas. É mais que normal na meia idade" Meióquantas ? Olha que estupor. Bem vistas as coisas (como se eu pudesse falar em bem vistas as coisas antes de mudar de lentes) até pode estar certo, mas fico doente com esta gente que a única vez na vida que compreende o conceito de fracção é para dizer meia idade.
Saído da consulta, vai que descubro que as actuais lunetas, não têm espaço para lentes progressivas. Tenho que comprar uma armação nova também. O homem que almoçou ao meu lado tinha umas armações jeitosas de massa com um raio de alguns 10 cm, estava capaz de lhe gamar os óculos mas ele nunca os tirou. Uma fortuna é o que me vai sair esta revisão. Ainda disse à mulher da loja "esqueça as lentes, mande vir o cão guia e a bengala e os óculos escuros sempre me sai mais em conta".
Há dias em que mais vale não ver um palmo è frente do nariz.
O homem fez-me passar por umas três maquinetas, daquelas queixo_aqui_encoste_a_testa_e_olhe_para_a_luz e mostrou-me a minha vista de todas as formas e feitios. Nada mau, não fosse o discurso. "Tem astigmatismo, mais um coisótrofia qualquer e pela sua idade está a perder visão. A boa notícia é que este processo começa aos 40 mas aos 60 tende a diminuir drasticamente"
Aos quem ? Aos sessenta deixo de piorar da vista ? Mas que excelentes novas que o doutor me dá. Quando eu já não conseguir distinguir o tubo da algália com o do soro, o guardanapo da fralda e a arrastadeira da chaise longue, é que o processo tende a parar ? Tenha paciência homem !!!
E como se não bastasse, se vejo mal ao longe, de perto então é que não vejo nada e "essa diferença está mesmo a pedir uns óculos com lentes progressivas. É mais que normal na meia idade" Meióquantas ? Olha que estupor. Bem vistas as coisas (como se eu pudesse falar em bem vistas as coisas antes de mudar de lentes) até pode estar certo, mas fico doente com esta gente que a única vez na vida que compreende o conceito de fracção é para dizer meia idade.
Saído da consulta, vai que descubro que as actuais lunetas, não têm espaço para lentes progressivas. Tenho que comprar uma armação nova também. O homem que almoçou ao meu lado tinha umas armações jeitosas de massa com um raio de alguns 10 cm, estava capaz de lhe gamar os óculos mas ele nunca os tirou. Uma fortuna é o que me vai sair esta revisão. Ainda disse à mulher da loja "esqueça as lentes, mande vir o cão guia e a bengala e os óculos escuros sempre me sai mais em conta".
Há dias em que mais vale não ver um palmo è frente do nariz.
segunda-feira, setembro 05, 2011
Regresso
Politicamente e com o contributo do Gaspar, este ano pareceu-me perfeito para regressar, passadas mais que duas épocas, à Festa do Avante. Naqueles dias, ainda havia muro de Berlim e bloco de Leste e muitas representações da Hungria, Checoslováquia, Polónia, Jugoslávia e associações de amizade Portugal União Soviética. Hoje o mundo mudou, o Partido Comunista nem por isso, e a Festa mudou de cenário, ganhou algumas virtudes, perdeu outras e manteve alguns defeitos (a saber em infraestruturas e organização - filas sempre filas para tudo, casas de banho abaixo do limiar do aceitável, e espaços estreitos para passagem de tanta gente).
O meu regresso acompanhou o regresso do Trovante, e a noite de Sábado foi assim mesmo, memórias e saudade do futuro. A dar sabor a este regresso, comida saboreada, e canções dos Clã e de Sérgio Godinho. Muita gente feliz. Gente a rir. Umas porque sim outras porque ganzas. No fim muita animação e fogo de artifício.
Gostei deste regresso. Desta vez não espero tantos anos para regressar.
O meu regresso acompanhou o regresso do Trovante, e a noite de Sábado foi assim mesmo, memórias e saudade do futuro. A dar sabor a este regresso, comida saboreada, e canções dos Clã e de Sérgio Godinho. Muita gente feliz. Gente a rir. Umas porque sim outras porque ganzas. No fim muita animação e fogo de artifício.
Gostei deste regresso. Desta vez não espero tantos anos para regressar.
quarta-feira, julho 27, 2011
Euro2004
Senhores investigadores que há 7 anos desmantelaram uma célula que se preparava para fazer um ataque ao estádio do Dragão (até me custa escrever este nome):
Muito obrigado. É que o atentado ia ser no único dia em que eu fui ao estádio coiso. E a coisa correu tão mal. Jogo de abertura do euro. Uns pompons azuis que é uma cor que não vai nada bem comigo no que toca a futebol. A descoberta que o estado do coiso é o mais bonito de todos. Uma equipa grega armada em parva que resolveu ganhar doisaum, e que depois ainda viria a repetir a graça na Catedral. Muita bem feita, levaram o caneco do Euro2004, mas agora andam às aranhas com a crise, o défice e a Moody’s que graças a Deus, são coisas que a nós portugueses, não afectam. Um dia para esquecer portanto, e só faltava mesmo ser apanhado num atentado e esticar o pernil nos escombros do estádio coiso. Eu já sofro pouco com o que ali se passa, seria de uma estúpida ironia, que tamanha desgraça me acontecesse.
Confesso que a mim também já me apeteceu implodir o estádio coiso sobretudo por causa daquela estranha mania que eles têm de ganhar tudo como se não houvesse amanhã que eles têm. E até pensei falar com a Sónia Brazão a ver se ela tinha alguma ideia de como implodir aquilo. Agora que ninguém me convence que ela e o Lord Voldemort não são a mesma pessoa, achei que um feitiçozinho a coisa fazia-se. É certo que me passaram essas ideias pela cabeça, mas rapidamente as afastei e acho por bem que o estádio do coiso fique por lá a ver se um dia eles desligam as luzes e ligam a relva quando o Glorioso ganhar lá um campeonatozinho.
Neste contexto queria agradecer portanto aos ilustres investigadores que desmantelaram a célula terrorista e deitaram por terra os planos de um ataque terrorista ao estádio coiso. Da única vez em que eu queria muito que a equipa da casa ganhasse. Pumba.
Muito obrigado. É que o atentado ia ser no único dia em que eu fui ao estádio coiso. E a coisa correu tão mal. Jogo de abertura do euro. Uns pompons azuis que é uma cor que não vai nada bem comigo no que toca a futebol. A descoberta que o estado do coiso é o mais bonito de todos. Uma equipa grega armada em parva que resolveu ganhar doisaum, e que depois ainda viria a repetir a graça na Catedral. Muita bem feita, levaram o caneco do Euro2004, mas agora andam às aranhas com a crise, o défice e a Moody’s que graças a Deus, são coisas que a nós portugueses, não afectam. Um dia para esquecer portanto, e só faltava mesmo ser apanhado num atentado e esticar o pernil nos escombros do estádio coiso. Eu já sofro pouco com o que ali se passa, seria de uma estúpida ironia, que tamanha desgraça me acontecesse.
Confesso que a mim também já me apeteceu implodir o estádio coiso sobretudo por causa daquela estranha mania que eles têm de ganhar tudo como se não houvesse amanhã que eles têm. E até pensei falar com a Sónia Brazão a ver se ela tinha alguma ideia de como implodir aquilo. Agora que ninguém me convence que ela e o Lord Voldemort não são a mesma pessoa, achei que um feitiçozinho a coisa fazia-se. É certo que me passaram essas ideias pela cabeça, mas rapidamente as afastei e acho por bem que o estádio do coiso fique por lá a ver se um dia eles desligam as luzes e ligam a relva quando o Glorioso ganhar lá um campeonatozinho.
Neste contexto queria agradecer portanto aos ilustres investigadores que desmantelaram a célula terrorista e deitaram por terra os planos de um ataque terrorista ao estádio coiso. Da única vez em que eu queria muito que a equipa da casa ganhasse. Pumba.
segunda-feira, julho 18, 2011
Berças
Este fim de semana fomos às berças. Berças de beiras, de berço, de origens, de tantos verões, de outras tantas Páscoas. Gosto de os ver parecidos comigo a passear na aldeia, sem rumo certo, a ver de cães e galinhas que por ali andam e a dizer bom dia a toda a gente. Gosto da conversa com quem gosto. No café que foi taberna, na casa do lado, na casa de cima. Gosto de casas com sotãos, adegas, histórias e afectos. Divirto-me nas dúvidas deles:
- Já estamos no meio rural? As pessoas aqui já se conhecem todas ?
- Tibaldinho com tanta coisa, abastece Lisboa ?
A ida ao rio, três quilómetros de estrada até às termas, ainda é o que mais entusiasma. Tantas idas a pé até lá, tantas vindas cansados a sonhar com a boleia de um tractor ou de um carro com espaço para muitos. Hoje, a ideia de pedirem boleia a estranhos até me arrepia. Há trinta e cinco anos era a mais desejada das ajudas, nem que fosse no último quilómetro.
Como qualquer ida às berças, o regresso fez-se com a companhia de sacas de legumes. Trouxemos batatas, cebolas e abóbora na saca, sorrisos na cara e cansaço no corpo.
- Já estamos no meio rural? As pessoas aqui já se conhecem todas ?
- Tibaldinho com tanta coisa, abastece Lisboa ?
A ida ao rio, três quilómetros de estrada até às termas, ainda é o que mais entusiasma. Tantas idas a pé até lá, tantas vindas cansados a sonhar com a boleia de um tractor ou de um carro com espaço para muitos. Hoje, a ideia de pedirem boleia a estranhos até me arrepia. Há trinta e cinco anos era a mais desejada das ajudas, nem que fosse no último quilómetro.
Como qualquer ida às berças, o regresso fez-se com a companhia de sacas de legumes. Trouxemos batatas, cebolas e abóbora na saca, sorrisos na cara e cansaço no corpo.
quarta-feira, julho 13, 2011
Medicina do Trabalho II
A culpa foi da enfermeira da medicina do trabalho:
"Vamos então despir da cintura para cima"
ao que não resisti a responder
"Vamos sim senhora. Quem é que começa? Eu ou você?"
"Não era isso que eu queria dizer !!!"
"Mas juro-lhe que foi isso que ouvi."
"É hábito da profissão."
"Antes assim, então dispo só eu."
Estranhamente a simpatia inicial desapareceu, mas aposto que vai ter muito mais atenção na conjugação verbal. O que é curioso é que há uns anos atrás com o "Vamos fazer xixi para este frasquinho, aconteceu a mesma coisa."
"Vamos então despir da cintura para cima"
ao que não resisti a responder
"Vamos sim senhora. Quem é que começa? Eu ou você?"
"Não era isso que eu queria dizer !!!"
"Mas juro-lhe que foi isso que ouvi."
"É hábito da profissão."
"Antes assim, então dispo só eu."
Estranhamente a simpatia inicial desapareceu, mas aposto que vai ter muito mais atenção na conjugação verbal. O que é curioso é que há uns anos atrás com o "Vamos fazer xixi para este frasquinho, aconteceu a mesma coisa."
terça-feira, julho 12, 2011
Viagens nos meus sentidos
Máquina do tempo. Memória a percorrer distâncias e num infinitésimo, estamos outra vez numa marca do tempo. São os sentidos que a disparam. Um cheiro, um som, uma imagem, um nó na garganta e depois um turbilhão de lembranças a construir um passado. Num passe de mágica as 5000 peças do puzzle da memória reúnem-se em encaixe perfeito no instante imensurável. E de puzzle feito entramos nele e despertam outros sentidos. Com a força da alavanca dura o tempo de um abraço. Sorrisos e nós na garganta. E nós sem sabermos que força é aquela. É a máquina do tempo, sem aviso. Apressada. Hoje estou que não me tenho
quarta-feira, julho 06, 2011
Grande Mulher
Os dois últimos deputados a abandonar o parlamento estão em extremos tão opostos e contudo integravam o mesmo grupo parlamentar. Ela íntegra, ele um fantoche político, ela a lutar para lá do que a força lhe permitia, ele a desistir à primeira contrariedade, ela fiel aos princípios, ele nos princípios da infidelidade ideológica, ela política a abraçar de forma imensa as causas sociais, ele desastrado na política a abandonar a função cívica. Ela a deixar-nos uma lição de vida e de força, ele a deixar-nos um tremendo equívoco. Ela foi tudo o que um político deve ser, ele não. Como sempre, brutal e arrasadora, a doença arrancou-a à força de uma vida plena. Genial e incomum. Grande Homem esta Maria José Nogueira Pinto.
quarta-feira, junho 29, 2011
Programa Paternal
Numa leitura casual do programa do governo, acabo de me deparar com a seguinte frase “O Governo desenvolverá uma relação adulta com os Portugueses por forma a superar a cultura dos paternalismos e das dependências”
Não querendo ser infantil, isto cheira a raspanete: “Meu rico filho, acabou a borga! Se queres estar cá em casa portas-te como adulto e ganhas o teu próprio dinheirinho, e pensando melhor até já devias ter vergonha de cada vez que pões a chave na porta para entrar em casa. Onde é que já se viu, um matulão desse tamanho a viver em casa dos pais? Cresce mas é, e vamos lá acabar com os paternalismos e com a dependência.”
Cabe aqui esclarecer, que não reconheço em Passos Coelho nenhum traço de figura paternalista. Mesmo que reconhecesse, viver em Massamá estava completamente fora de questão. Eu já teria saído de casa há séculos e jantares de família seriam algures em Lisboa. Só o que me faltava. Em segundo lugar, não estamos a falar da mesma dependência. Eu farto-me de por dinheiro nas mãos do Passos Coelho, e se é para ser adulto, ele que me explique muito bem em que é que gasta esse dinheiro que eu lhe coloco todos os meses nas mãos. Até pode gastá-lo com quem precisa, mas não se ponha a inventar submarinos e coisas que o valha que eu bem o conheço. A ele e mais ao tio Paulo que não pode passar numa montra de submarinos que começa logo a arfar. Também não adiantam as conversas que a Tia Troika tem muito mau feitio e já não vai para nova. Quem resolveu metê-la lá em casa não fui eu e quem concordou com a velha instalada no sofá cama da sala também não fui eu.
Portanto Pedrinho, ninguém aqui lhe pede para ser Pai de coisa nenhuma. Trate mas é de ser responsável que tem muito boa idade para isso e veja lá se gasta como deve ser a mesada que muitos lhe dão e aproveite para reclamar a mesada daqueles que insistem em não lha dar na proporção que deviam. Faça o que quiser à velha Troika, mas por mim, ela nem sequer metia o nariz onde não era chamada. E se não se importa não se preocupe tanto com as aparências e trate de ser responsável. Olhe, e mande um beijinho à tia Assunção Cristas que tem um je ne sais quoi que me agrada.
Não querendo ser infantil, isto cheira a raspanete: “Meu rico filho, acabou a borga! Se queres estar cá em casa portas-te como adulto e ganhas o teu próprio dinheirinho, e pensando melhor até já devias ter vergonha de cada vez que pões a chave na porta para entrar em casa. Onde é que já se viu, um matulão desse tamanho a viver em casa dos pais? Cresce mas é, e vamos lá acabar com os paternalismos e com a dependência.”
Cabe aqui esclarecer, que não reconheço em Passos Coelho nenhum traço de figura paternalista. Mesmo que reconhecesse, viver em Massamá estava completamente fora de questão. Eu já teria saído de casa há séculos e jantares de família seriam algures em Lisboa. Só o que me faltava. Em segundo lugar, não estamos a falar da mesma dependência. Eu farto-me de por dinheiro nas mãos do Passos Coelho, e se é para ser adulto, ele que me explique muito bem em que é que gasta esse dinheiro que eu lhe coloco todos os meses nas mãos. Até pode gastá-lo com quem precisa, mas não se ponha a inventar submarinos e coisas que o valha que eu bem o conheço. A ele e mais ao tio Paulo que não pode passar numa montra de submarinos que começa logo a arfar. Também não adiantam as conversas que a Tia Troika tem muito mau feitio e já não vai para nova. Quem resolveu metê-la lá em casa não fui eu e quem concordou com a velha instalada no sofá cama da sala também não fui eu.
Portanto Pedrinho, ninguém aqui lhe pede para ser Pai de coisa nenhuma. Trate mas é de ser responsável que tem muito boa idade para isso e veja lá se gasta como deve ser a mesada que muitos lhe dão e aproveite para reclamar a mesada daqueles que insistem em não lha dar na proporção que deviam. Faça o que quiser à velha Troika, mas por mim, ela nem sequer metia o nariz onde não era chamada. E se não se importa não se preocupe tanto com as aparências e trate de ser responsável. Olhe, e mande um beijinho à tia Assunção Cristas que tem um je ne sais quoi que me agrada.
terça-feira, junho 14, 2011
Quando

Quando o céu se escancara assim vê-se a ilha grande com o farol. Da minha janela, dos teus olhos vê-se todo o horizonte. Quando o mar se faz assim à nossa frente, é quando nos mostram o paraíso. E é vê-lo no farol, no casario, nos reflexos dos barcos na baía, na ida à praça para peixe fresco e flores, no fogo de artifício de Santo António, no passadiço de madeira por entre as dunas, nos passeios a cavalo. O paraíso tem um farol no horizonte, quando o céu se escancara, quando as memórias e o quotidiano se entrelaçam, quando um sorriso ...
sábado, junho 04, 2011
Janela Indiscreta
A televisão e as redes sociais têm sido canal de divulgação de imagens da violência do nosso quotidiano. O espacamento entra-nos casa dentro em versão de adolescente de liceu, de soldado na recruta, de crianças na creche. A novidade não está na pancadaria, mas na possibilidade de ser filmada, e na divulgação das imagens. Não nos revoltamos com a educação que temos, só o fazemos quando nos esfregam na cara as miseráveis evidências das tantas falhas na nossa própria educação. E havemos de assistir chocados à mulher espancada pelo marido, ao aluno que agride o professor, à violência sexual sobre a empregada, e havemos de condenar em uníssono tamanhos horrores.
E é sempre educação. É sempre a educação que nos falta. Somos fraquinhos no que toca a educar. Eduquemo-nos e eduquemo-los pois melhor.
Quanto à senhora da creche, se me pudesse mandar um mail sobre a forma de os manter naquele modo Zen, eu agradecia. É que enquanto escrevia esta posta, fui interrompido à razão de 200 vezes por linha e dava-me jeito que eles se comportassem como monges tibetanos. Chegou a passar-me pela cabeça dar-lhes um correctivo, mas ainda era apanhado por alguma camera indiscreta e tenho um fim de semana complicado pelo que detenções e tribunal iam ser uma maçada.
E é sempre educação. É sempre a educação que nos falta. Somos fraquinhos no que toca a educar. Eduquemo-nos e eduquemo-los pois melhor.
Quanto à senhora da creche, se me pudesse mandar um mail sobre a forma de os manter naquele modo Zen, eu agradecia. É que enquanto escrevia esta posta, fui interrompido à razão de 200 vezes por linha e dava-me jeito que eles se comportassem como monges tibetanos. Chegou a passar-me pela cabeça dar-lhes um correctivo, mas ainda era apanhado por alguma camera indiscreta e tenho um fim de semana complicado pelo que detenções e tribunal iam ser uma maçada.
sexta-feira, junho 03, 2011
Sem palavras
Nem sei o que diga quando o desespero tem o rosto de um amigo. Resta-me divulgar este pedido de ajuda. O Luís não sabe dos pais desde Sábado passado.
Divulguem se faz favor. Obrigado.
Divulguem se faz favor. Obrigado.
segunda-feira, maio 30, 2011
Dieta
A campanha eleitoral maça-me. Acho que os candidatos a primeiro ministro, para demonstrar quão melhor é o produto nacional, deviam incluir na gastronomia das comitivas da campanha, um produto espanhol. Pepinos por exemplo.
terça-feira, maio 24, 2011
Sócrates no País das Maravilhas
Sócrates é uma Alice. E como a Alice, vive no país das maravilhas. O país do défice em franca recuperação, das contas em dia, do desemprego a contrair, do trabalho não precário, da saúde para todos, da educação Tintin - dos 7 aos 77, da justiça célere e eficaz, da justiça social, do estado social e socialista. Sócrates vive no país das maravilhas que ninguém conhece. E o pior de tudo isto, é que, à semelhança da Alice, Sócrates se depara com um Coelho louco, stressado, histérico, africano, maledicente, massamaico, pascal, e que tem pressa. Este coelho tem muita pressa do poder. Quase urgência.
Esta engenheira Alice e este coelho histérico merecem-se e o que lamento que o sonho deles seja a nossa realidade. Acordem se faz favor que a urgência é nossa.
Esta engenheira Alice e este coelho histérico merecem-se e o que lamento que o sonho deles seja a nossa realidade. Acordem se faz favor que a urgência é nossa.
terça-feira, maio 17, 2011
Fora de Pé
Ainda que nada me digas, ainda que nada me sejas, ainda que só te conheça de simpatia, ainda assim fazes sonhos do tamanho de bonecas. Ainda que nada te saiba, excepto o sorriso, é o anúncio displicente do que te consome corpo que me deixa sempre sem pé, sem forças. Aqui estamos, nas vizinhanças a ajudar na cruel e desigual luta, e que desta vez, se dobre e se quebre a imensa puta. Aqui estamos, ainda que os sonhos tenham o tamanho de uma boneca.
sexta-feira, maio 13, 2011
Seis éfes e um pê
Um mês de estadia da troika na pátria lusa, e o resultado foi um empréstimo de 78 mil milhões de euros. Terão os notáveis senhores realmente cá estado? Provaram pastéis de Belém? Falaram com a Alexandra Solnado? Viram a maior árvore de Natal da europa ? Foram a algum concerto do Tony Carreira? Festejaram os Santos Populares com sardinhas e alhos-porros? Participaram nalguma arruada? Consultaram a página do Facebook do nosso presidente? Ouviram José Cid cantar favas com chouriço? Viram ao menos o preço certo em Euros ou o quem quer ser milionário? Receio que a resposta a estas perguntas seja sempre a mesma. Não. A troika não conheceu Portugal. E se o tivesse feito, o resultado era simples. Pegavam no dinheirinho e davam-no de olhos marejados com a nossa pobre e triste condição.
Em vez disso emprestaram-no, e a taxas pouco simpáticas. Também é verdade que ninguém conta com a simpatia da troika, mas sejamos honestos, contamos com discernimento e nesse contexto todos esperamos que tenham tido a lucidez de não entregarem o guito de mão beijada ao Sócrates. Dinheirinho fresco nas mãos do engenheiro? Vai logo fazer um TGV LISBOA – NÂO INTERESSA ONDE com duas faixas para cada lado e um aeroporto em Beja. Ai já há um? Não faz mal, faz-se outro, que esse deve estar quase a esgotar a capacidade.
Agora a sério, estou preocupado porque acabei de fazer uma consulta de saldo e não me apareceu nada que não tivesse a contar. Somos 5 lá por casa o que, à razão de 7800 por pessoa, dá 39000 mil euros. Nem um cêntimo ainda. Aguardo portanto o rápido depósito desta quantia na conta. Se for caso disso eu mando o NIB de cada elemento do agregado para poupar maçadas e contratempos.
A troika esperava encontrar o país dos três F´s: Fado Futebol e Fátima, e em vez disso descobre um país de seis F’s e um P. F de Fado, F de Futebol, F de Fátima, F de Freeport, F de Facebook, F de Futre e P de Pentelhos. O P surgiu depois do memorando de entendimento, e tenho para mim, que os rapazes da troika devem estar a lamentar terem sido tão sovinas no empréstimo, depois de ouvir as doutas palavras de Catroga. Só este P seria suficiente para estender o empréstimo aos 100 mil milhões, para dar lugar ao debate das verdadeiras questões nacionais como submarinos e carros blindados em vez andarmos a falar tanto de Penauts (palavra que os ingleses usam para pentelhos). Neste aspecto, estou com o Catroga, não se percebe por exemplo que a comunicação social, gaste tanto tempo e tanta tinta a falar da final da taça europa entre o Braga e o Porto. Deixem-se de penautices pá. Falem do que é importante.
Voltem senhores da troika e olhem-nos com olhos de gente. Nós podemos estar à beira da banca rota, mas francamente somos uma tremenda emoção. Aproveitem e assistam à campanha. Vão ver que darem-nos o guito até parece pouco. E divirtam-se.
Em vez disso emprestaram-no, e a taxas pouco simpáticas. Também é verdade que ninguém conta com a simpatia da troika, mas sejamos honestos, contamos com discernimento e nesse contexto todos esperamos que tenham tido a lucidez de não entregarem o guito de mão beijada ao Sócrates. Dinheirinho fresco nas mãos do engenheiro? Vai logo fazer um TGV LISBOA – NÂO INTERESSA ONDE com duas faixas para cada lado e um aeroporto em Beja. Ai já há um? Não faz mal, faz-se outro, que esse deve estar quase a esgotar a capacidade.
Agora a sério, estou preocupado porque acabei de fazer uma consulta de saldo e não me apareceu nada que não tivesse a contar. Somos 5 lá por casa o que, à razão de 7800 por pessoa, dá 39000 mil euros. Nem um cêntimo ainda. Aguardo portanto o rápido depósito desta quantia na conta. Se for caso disso eu mando o NIB de cada elemento do agregado para poupar maçadas e contratempos.
A troika esperava encontrar o país dos três F´s: Fado Futebol e Fátima, e em vez disso descobre um país de seis F’s e um P. F de Fado, F de Futebol, F de Fátima, F de Freeport, F de Facebook, F de Futre e P de Pentelhos. O P surgiu depois do memorando de entendimento, e tenho para mim, que os rapazes da troika devem estar a lamentar terem sido tão sovinas no empréstimo, depois de ouvir as doutas palavras de Catroga. Só este P seria suficiente para estender o empréstimo aos 100 mil milhões, para dar lugar ao debate das verdadeiras questões nacionais como submarinos e carros blindados em vez andarmos a falar tanto de Penauts (palavra que os ingleses usam para pentelhos). Neste aspecto, estou com o Catroga, não se percebe por exemplo que a comunicação social, gaste tanto tempo e tanta tinta a falar da final da taça europa entre o Braga e o Porto. Deixem-se de penautices pá. Falem do que é importante.
Voltem senhores da troika e olhem-nos com olhos de gente. Nós podemos estar à beira da banca rota, mas francamente somos uma tremenda emoção. Aproveitem e assistam à campanha. Vão ver que darem-nos o guito até parece pouco. E divirtam-se.
domingo, maio 08, 2011
Insiste Insiste
Esta teimosia do Jorge Jesus irrita-me. Deve ser o meu mau feitio, e a minha permeabilidade à opinião dos opinion makers, mas cada vez que o vejo a insistir no Roberto como guarda redes titular, fico irritado, muito irritado. E intrigado também. Faço a mesma pergunta que José Mourinho. Porquê? Porquê? Porquê? Existe pelo menos uma opção válida para ocupar aquele lugar, mas o homem insiste no Roberto. E é vê-lo inseguro, inquieto, a repetir asneiras, a conduzir, ao ritmo de golos sofridos, a equipa a mais um falhanço. E os desaires encarnados têm este condão de me irritar. Nada a fazer. Sou assim.
Esta sensação de "mas não se está mesmo a ver que isso é uma grande asneirada" não é exclusiva do futebol. Quando Cavaco Silva foi reeleito, a mesma dúvida Mourinhense inquietou-me durante uns tempos ? Porquê, só me pergunto porquê? Agora quando olho para sondagens que indicam que Sócrates pode vir a ser o futuro primeiro ministro, ou se o não for, não há-de perder por muitos, e mais uma vez faço minhas as palavras de Mourinho esse grande pensador moderno, Porquê Porquê? Cavaco e Sócrates são capazes dos maiores frangos e perús, quando se trata de defender a baliza da nossa pátria. A bola escorrega-lhes das mãos direitinha para o fundo das redes, marcam auto golos a partir de um pontapé de baliza e parecem ter a flexibilidade de um esparguete cru. E contudo ou são reeleitos como o adepto do Facebook ou são líderes nas sondagens como o engenheiro. E o Mourinho a martelar-me a cabeça. E nestes casos somos nós, eleitores deste país, quem faz de Jorge Jesus. Insistimos na asneirada.
Como atenuante temos o facto de não existir, nas fileiras da actual oposição, nenhum Moreira, nem mesmo um Roberto Carlos. Estamos fracos de guarda redes e por isso entregámos a estratégia defensiva a uma troika estrangeira. Passos Coelho não tem potencial para guarda redes nem do Massamá Futebol Clube, e Paulo Portas pode ser bom a sair, mas é péssimo entre os postes. Jerónimo e Francisco nem parecem conhecer as regras. Afinal Jorge Jesus é mais teimoso porque , ao contrário de nós, possui alternativas válidas.
Esta sensação de "mas não se está mesmo a ver que isso é uma grande asneirada" não é exclusiva do futebol. Quando Cavaco Silva foi reeleito, a mesma dúvida Mourinhense inquietou-me durante uns tempos ? Porquê, só me pergunto porquê? Agora quando olho para sondagens que indicam que Sócrates pode vir a ser o futuro primeiro ministro, ou se o não for, não há-de perder por muitos, e mais uma vez faço minhas as palavras de Mourinho esse grande pensador moderno, Porquê Porquê? Cavaco e Sócrates são capazes dos maiores frangos e perús, quando se trata de defender a baliza da nossa pátria. A bola escorrega-lhes das mãos direitinha para o fundo das redes, marcam auto golos a partir de um pontapé de baliza e parecem ter a flexibilidade de um esparguete cru. E contudo ou são reeleitos como o adepto do Facebook ou são líderes nas sondagens como o engenheiro. E o Mourinho a martelar-me a cabeça. E nestes casos somos nós, eleitores deste país, quem faz de Jorge Jesus. Insistimos na asneirada.
Como atenuante temos o facto de não existir, nas fileiras da actual oposição, nenhum Moreira, nem mesmo um Roberto Carlos. Estamos fracos de guarda redes e por isso entregámos a estratégia defensiva a uma troika estrangeira. Passos Coelho não tem potencial para guarda redes nem do Massamá Futebol Clube, e Paulo Portas pode ser bom a sair, mas é péssimo entre os postes. Jerónimo e Francisco nem parecem conhecer as regras. Afinal Jorge Jesus é mais teimoso porque , ao contrário de nós, possui alternativas válidas.
segunda-feira, abril 25, 2011
Dia da Liberdade
"Conta-me como foi" levou-me ao 25 de Abril de 1974. Já aqui o disse como foi o meu 25 de Abril. Da alegria de não ir ao colégio, a um certo nervoso da tia Zé ter ido para a rua ver a revolução.
Estar colado ao rádio como os meus pais, não era para mim. Eu queria acção. Fui direitinho para o quintal lá de casa, e com a ajuda da estrutura de um baloiço, montei ali mesmo, uma bateria anti aérea capaz de eliminar qualquer avião cheio de Pides que ousasse entrar no espaço aéreo de Campo de Ourique.
Estar colado ao rádio como os meus pais, não era para mim. Eu queria acção. Fui direitinho para o quintal lá de casa, e com a ajuda da estrutura de um baloiço, montei ali mesmo, uma bateria anti aérea capaz de eliminar qualquer avião cheio de Pides que ousasse entrar no espaço aéreo de Campo de Ourique.
sábado, abril 23, 2011
Também me mata Barcelona
Há algo que não se explica nesta cidade. Porto de sonhos erguidos em arquitectura, em formas pintadas na tela, em entrelaçadas de tapeçaria, em bronze de tantas estátuas. Arte, magia, traço de arquitectos. A inacabável obra prima a roçar o impossível céu. E uma diagonal como o jogador a rasgar a defesa, e um arco como o golo do génio e um estádio imenso em festa como uma rambla. Esta cidade das marcas ímpares dos atletas, do facho olímpico, do mercado em exageros de cores e formas. A cidade das paisagens todas, do fora de jogo impossível, de um número 10 em cada rua, no topo de cada edifício.
Ainda me lembro da provas de saltos para a água e de me como te impressionava a cidade como pano de fundo. Fui lá ver e era mesmo assim. A cidade cenário das múltiplas piruetas com duplo mortal empranchado. Entrar na água como uma lança num movimento traçado por Gaudi.
Ainda me lembro da provas de saltos para a água e de me como te impressionava a cidade como pano de fundo. Fui lá ver e era mesmo assim. A cidade cenário das múltiplas piruetas com duplo mortal empranchado. Entrar na água como uma lança num movimento traçado por Gaudi.
sexta-feira, abril 15, 2011
Regressos
Há muitos anos atrás, uma aventura nas férias. Cinco amigos, vinte dias em autocaravana de Lisboa a Itália. Arles, Avignon, Marselha, Cannes, Mónaco, Porto Fino - o lugar mais improvável para uma autocaravana, Pizza, Florença, Siena, Roma, Veneza, Lago do Como. Um turbilhão de emoções e peripécias, 20 dias inesquecíveis com o Marce, a Sofia, a Fátima e a Cristina.
A primeira paragem de todas: Barcelona. Uma noite inteira a conduzir, em turnos bem organizados, sempre alguém a fazer companhia ao condutor, com turnos de duas horas. A cidade recebe-nos imensa e genial. Amor à primeira vista. Estacionamos a autocaravana e antes das descobertas, um duche para disfarçar o sono:
- Andrééééé ! Pára o duche a água está a escorrer pela autocaravana.
- Porra estamos numa subida e o ralo está para mais acima.
- Agarra-te que virar a caravana para baixo.
Foi a única vez que tomei banho durante uma inversão de marcha (e isto nem soa muito bem mas foi literalmente assim).
Passados todos estes anos, regresso hoje à cidade de tantos encantos. Barcelona!!!
A primeira paragem de todas: Barcelona. Uma noite inteira a conduzir, em turnos bem organizados, sempre alguém a fazer companhia ao condutor, com turnos de duas horas. A cidade recebe-nos imensa e genial. Amor à primeira vista. Estacionamos a autocaravana e antes das descobertas, um duche para disfarçar o sono:
- Andrééééé ! Pára o duche a água está a escorrer pela autocaravana.
- Porra estamos numa subida e o ralo está para mais acima.
- Agarra-te que virar a caravana para baixo.
Foi a única vez que tomei banho durante uma inversão de marcha (e isto nem soa muito bem mas foi literalmente assim).
Passados todos estes anos, regresso hoje à cidade de tantos encantos. Barcelona!!!
segunda-feira, abril 11, 2011
Sugestões
10 locais onde Fernando Nobre pode estar e bem
1. à porta de Portugal a receber os senhores do FMI
2. na TVI a fazer o programa "As tardes do Nando"
3. no Sporting a dirigir o departamento do Chinês
4. na RTP a apresentar o preço certo em Euros
5. na presidência da AMI
6. na reunião de condomínio
7. no programa de férias da Inatel
8. no facebook
9. aos comandos da água e da luz do estádio de Benfica
10. na kidzania
1. à porta de Portugal a receber os senhores do FMI
2. na TVI a fazer o programa "As tardes do Nando"
3. no Sporting a dirigir o departamento do Chinês
4. na RTP a apresentar o preço certo em Euros
5. na presidência da AMI
6. na reunião de condomínio
7. no programa de férias da Inatel
8. no facebook
9. aos comandos da água e da luz do estádio de Benfica
10. na kidzania
sábado, abril 09, 2011
Havia de voar na bicicleta

Subimos a medo, cada um na sua bicicleta com asas, e já lá em cima encontrámos um velho hábil nas engenhocas , curioso da dimensão do tempo. E eis que nos transporta ao passado recente: a 27 de Abril de 74 o Expresso respira liberdade, e a edição sai das rotativas ali mesmo à nossa frente. Feitiço do tempo e a pequenez das nossas questões perdidas na imensidão do universo a chuva e o limoeiro que dava papel. As laranjas podem ser de ananás mas o sumol deve ser de laranja.
Hoje levaste-me a um cinema paraíso, onde há uma livraria e na livraria um velho com máquinas de sonhar. Reparei que se fuma na imensa livraria. Havíamos de gostar de o levar ali. E ele havia de gostar de por lá estar. Dois anos caramba.
quarta-feira, abril 06, 2011
Redes Sociais
... são mais rápidas nestas noites agitadas. Na contrapartida, dificultam este estranho hábito de reler o que já se leu ou se escreveu.
Do Facebook de hoje à noite, a propósito da ajuda financeira pedida por Portugal:
"Vai vir charters de ajudas" do Rui Gasparinho
"PS apaga as luzes da assembleia e liga o sistema de rega"
"Se fosse o Sócrates, punha o Futre a negociar as medidas de austeridade !!!"
"Acho mal estarmos como a Grécia, mas sem o caneco do Euro2004"
Do Twitter
"Pergunta da noite: o primeiro-ministro fica bem ou não, afinal?" do Dita Dura
"Cada vez mais acredito que o Sócrates deve acreditar naquela treta do calendário dos Maias que ia até 2012..." do Nuno Cardoso
Do Facebook de hoje à noite, a propósito da ajuda financeira pedida por Portugal:
"Vai vir charters de ajudas" do Rui Gasparinho
"PS apaga as luzes da assembleia e liga o sistema de rega"
"Se fosse o Sócrates, punha o Futre a negociar as medidas de austeridade !!!"
"Acho mal estarmos como a Grécia, mas sem o caneco do Euro2004"
Do Twitter
"Pergunta da noite: o primeiro-ministro fica bem ou não, afinal?" do Dita Dura
"Cada vez mais acredito que o Sócrates deve acreditar naquela treta do calendário dos Maias que ia até 2012..." do Nuno Cardoso
terça-feira, abril 05, 2011
Ninguém me passa a bola ...
Meu querido Sirenes, bem sei que não era suposto ouvir a entrevista do demissionário Sócrates, mas verdade é que ouvi e por um infortúnio lembrei-me de ti quando jogas futebol. O pai também é um nabo a jogar futebol, com a agravante que não tem seis anos, pelo que não se espera vir a melhorar muito neste campo. E como nabo que é, também faz asneira atrás de asneira dentro de campo e por isso escolheu uma carreira longe dos relvados. Quando joga, faz o melhor que sabe e diverte-se com a própria nabice. Ora essa tua postura de acumular a nabice com o amuo, logo seguida de um "Ninguém me passa a bola" balbuciado entre soluços e cara fechada, lamento informar-te, mas é igual à do Sócrates. Ele também é assim um tanto quanto nabo, e faz asneiras atrás de asneiras. Acresce que, ainda assim, resolveu fazer carreira na área em que é nabo (a bem da verdade há uma história sobre uma possível carreira de engenharia, que também não parece ser muito feliz), e por fim, equidistante entre a irritação e a postura Calimero, vem dizer "Ninguém me passa a bola !!!", "Os outros são maus. Não dialogam comigo!!!", "Eu faço o meu melhor."
Eu amo-te do fundo do meu coração Sirenes, e sei que o Loiro e o Bochechas te torram a paciência, mas não gostava nada de ter um mini Sócrates em casa, pelo que te peço para abandonares essa postura (ou levas um par de estalos no meio do relvado que é coisa que por vezes apetece fazer ao outro). Joga com alegria se faz favor e vais ver que aos poucos vais ficar um craque e que a bola, como que por magia, vai parar aos teus pés.
(Nota Mental que surgiu a escrever este post: "Sócrates prefere a posição demissionário")
Eu amo-te do fundo do meu coração Sirenes, e sei que o Loiro e o Bochechas te torram a paciência, mas não gostava nada de ter um mini Sócrates em casa, pelo que te peço para abandonares essa postura (ou levas um par de estalos no meio do relvado que é coisa que por vezes apetece fazer ao outro). Joga com alegria se faz favor e vais ver que aos poucos vais ficar um craque e que a bola, como que por magia, vai parar aos teus pés.
(Nota Mental que surgiu a escrever este post: "Sócrates prefere a posição demissionário")
domingo, abril 03, 2011
São os trapos ...
É o cabelo. É aquela gadelha imoral, que lhe retira mais que uma década ao que consta no bilhete de identidade. E as horas de ginásio caramba. A mise-en-scène, parecendo que não, também ajuda. Isso mesmo, os adereços de adolescente, compõem o ramalhete. É pá mas o cabelo, aquela farta cabeleira, ninguém me convence que não é o cabelo. E o tipo não stressa com nada !!! Vive tudo como se nada fosse. Ele vive numa eterna adolescência, e isso conta. E a quantidade de comprimidos que ele toma. Só vitaminas são mais que as letras do abecedário, e os cremes e os revitalizantes e os energéticos. É tudo isso. Mas o cabelo, caramba. Não fosse o filho da puta daquele cabelo.
Dissertávamos sobre o elixir da eterna juventude de um Sansão grisalho, e por pouco não tropeçámos nas banalidades do que o que conta é a idade de espírito, e que o bilhete de identidade nada determina. Resvalou a conversa para zonas menos óbvias e mais interessantes. Afinal quando nos apercebemos que estamos velhos ? Haverá uma idade a partir da qual é óbvio ?
Mas se hoje em dia, homens e mulheres mais que feitos, sentimos o mesmo de há vinte anos atrás, recém saídos de adolescências animadas, será que daqui a vinte anos a sensação vai ser a mesma? A julgar pelo eterno adolescente grisalho gadelhudo, não há-de ser grande a diferença.
Não é possível. Alguma vez daremos por ela. Alguma vez havemos de dizer: estou velho.
A velhice não parece ser fácil de detectar. Não se chega lá por auto-exame. Li uma vez que o que mais custa no envelhecimento é perder um gesto todos os dias. Como se em cada dia, nos despedíssemos de um gesto, que não mais conseguiremos fazer. Como atar os cordões do sapato, ou subir degraus de dois em dois, ou saltar um obstáculo. Mas há-de haver algo mais. Talvez o gesto do sonho e do futuro. Poderão ser esses os limites? Se calhar é isso mesmo. Estar velho é despedir-nos de um gesto maior. Como o de nos preocuparmos com o futuro. Estar velhos é esquecer-mo-nos de sonhar.
Dissertávamos sobre o elixir da eterna juventude de um Sansão grisalho, e por pouco não tropeçámos nas banalidades do que o que conta é a idade de espírito, e que o bilhete de identidade nada determina. Resvalou a conversa para zonas menos óbvias e mais interessantes. Afinal quando nos apercebemos que estamos velhos ? Haverá uma idade a partir da qual é óbvio ?
Mas se hoje em dia, homens e mulheres mais que feitos, sentimos o mesmo de há vinte anos atrás, recém saídos de adolescências animadas, será que daqui a vinte anos a sensação vai ser a mesma? A julgar pelo eterno adolescente grisalho gadelhudo, não há-de ser grande a diferença.
Não é possível. Alguma vez daremos por ela. Alguma vez havemos de dizer: estou velho.
A velhice não parece ser fácil de detectar. Não se chega lá por auto-exame. Li uma vez que o que mais custa no envelhecimento é perder um gesto todos os dias. Como se em cada dia, nos despedíssemos de um gesto, que não mais conseguiremos fazer. Como atar os cordões do sapato, ou subir degraus de dois em dois, ou saltar um obstáculo. Mas há-de haver algo mais. Talvez o gesto do sonho e do futuro. Poderão ser esses os limites? Se calhar é isso mesmo. Estar velho é despedir-nos de um gesto maior. Como o de nos preocuparmos com o futuro. Estar velhos é esquecer-mo-nos de sonhar.
sábado, março 26, 2011
Um chinês para todos nós
Pessoalmente, tenho uma imensa fé que a candidatura que integra Paulo Futre, seja a vencedora das eleições do Sporting. Por patriotismo obviamente e por interesse.
Paulo Futre é o garante de muito material de cariz humorístico, isso é evidente. Mas não nos ficamos por aqui, Paulo Futre é um homem com visão e isso deve servir de exemplo para toda uma classe política, tão escassa em qualidade como em ideias inovadoras.
Com uma só declaração, Paulo arruma a questão do aeroporto. Não hajam dúvidas, o novo aeroporto é para construir, e já. Não temos tempo para esperar pelas eleições, e não sei se um aeroporto é suficiente. Por mim construía-se de uma só vez Alcochete e Ota. Os charters carregadinhos de chineses estão já no nosso espaço aéreo, e faltam-nos infra-estruturas para os receber.
A ideia 19 + 1 é genial e serve para quase tudo. Temos que ter um chinês em cada organização e depois criar um departamento só para o chinês. No governo - 15 ministros + 1 Chinês para trazer chineses aos debates quinzenais, nas empresas 8 Administradores + 1 Chinês para trazer chineses aos conselhos de administração, mas sobretudo às famílias: tenho 3 filhos + 1 Chinês que vai arrastar charters e charters de chineses aos Natais e à Páscoa que está aí à porta. E depois é cobrar as comissões nos restaurantes, nos centros comerciais, nos museus e nos transportes públicos que os chineses pelam-se por andar de transportes públicos. E não queremos uns chineses quaisquer, queremos só os melhores. Pessoalmente e cá para casa prefiro o melhor chinês a fazer mudanças de casa, por razões que são evidentes.
No caso do Sporting, ainda existe a possibilidade de, em alternativa ao Chinês, comprar toda a equipa de Japoneses. Actualmente os Japoneses abanam as estruturas e o Sporting precisa disso como do ar que respira, e têm a vantagem de brilhar no escuro, o que, convenhamos, é uma poupança em iluminação nos jogos à noite.
Se a equipa do Sporting tomar os mesmos comprimidos que Paulo Futre tomou antes destas declarações, temos Sporting campeão. E não é para o ano, é já neste.
Sportinguistas, votai em massa na lista que integra o Paulo Futre que eu estou cá em casa à espera do resultado. E como estou em casa, adopto uma postura 3-4-3, como me aconselhou em conversa o meu amigo Frank Radjkar. Bola baixa que o guarda redes é ... chinês.
terça-feira, março 22, 2011
Os outros
O aparelho televisivo aqui da sala é rico em séries. Se a Clínica Privada e a Anatomia de Grey são fartas em batas e toucas de cirurgia, a "Donas de casa desesperadas" e "Irmãos e irmãs" estão repletas de homens da minha idade ou mais novos, com barbas mal feitas, corpos trabalhados, camisola interior de alças e muitas das vezes suados ou sujos porque acabaram de arranjar aquela coisa que tritura os restos da comida e que está ligada ao lava loiças. E ela baba-se de olhá-los nestes preparos.
A mim, não há chave inglesa que me valha, nódoa de óleo de motor que me salve, trincha que me acuda. Se resolvesse aparecer suado, com barba por fazer, e de camisolinha interior de alças à frente da rainha cá de casa, estava tão, mas tão condenado a seis meses de abstinência. Talvez conseguisse uma redução de pena se tivesse acabado de arranjar um cano roto ou lhe aparecesse com os poucos cabelos de pé por ter apanhado um esticão a fazer um servicinho no quadro eléctrico. Mas Deus me livre e guarde de lhe aparecer à frente naqueles preparos.
A mim, não há chave inglesa que me valha, nódoa de óleo de motor que me salve, trincha que me acuda. Se resolvesse aparecer suado, com barba por fazer, e de camisolinha interior de alças à frente da rainha cá de casa, estava tão, mas tão condenado a seis meses de abstinência. Talvez conseguisse uma redução de pena se tivesse acabado de arranjar um cano roto ou lhe aparecesse com os poucos cabelos de pé por ter apanhado um esticão a fazer um servicinho no quadro eléctrico. Mas Deus me livre e guarde de lhe aparecer à frente naqueles preparos.
quinta-feira, março 17, 2011
Apple
A Apple decidiu contratar o Engº Sócrates para o lançamento do iPec4. A única condição para aceitar o cargo imposta pelo primeiro ministro foi ser tratado por PECMAN
segunda-feira, março 14, 2011
As trocas do meu mail
Logo após o início deste blog, aqui há uns 6 anos atrás, recebi um convite do Google para abrir uma conta de mail no gmail. Na altura, o gmail oferecia muito mais espaço que qualquer outro serviço de mail, e só se tinha conta por convite de outro utilizador ou por subscrição de um serviço como o blogger, pelo que era fácil escolher o utilizador que nos desse na veneta. Escolhi um nome de utilizador simples, que é publico e acessível a partir desta página: afrazao
Passados todos estes anos tenho assistido a um crescente volume de mensagens que, sendo dirigidas à minha conta de mail, não me são dirigidas.
É as finanças para a Srª Edulinda Frazão, é o colégio dos maristas de São Paulo para o António Frazão, é uma Elsa Ching que quer falar com o Arlindo Frazão, é uma estudante que me envia o rascunho da tese por eu ser o Arnaldo Frazão. Enfim, todos parecem usar a minha caixa de correio.
Nada a fazer, tenho várias pessoas a morar neste endereço, mas infelizmente essas pessoas não sabem. Só os remetentes conhecem o endereço de mail da minha conta. Já respondi aos mails que me chegam a dizer que não era a pessoa em causa e a reacção varia entre o pedido de desculpas, o agradecimento pelo cuidado e o coisa nenhuma.
É que me preocupa a vida das pessoas que habitam comigo no afrazao@gnmail.com :
A Edulinda não sei se já pagou ou recebeu das Finanças, o António é um estupor anti-social que não liga pevide aos convites dos convívios da turma de 1976 dos Maristas de São Paulo, o Arlindo é um atadinho e não quer saber da Elsa e a aluna do Arnaldo já deve estar à beira de um ataque de nervos que eu respondi-lhe a dizer que aquela tese não tinha ponta por onde se pegasse e dei-lhe 2 dias para refazer tudo.
Se quarta feira não me responder, dou-lhe uma desanda que a desgraçada até muda de orientador. Não me entendo com ela.
Já agora, se as finanças não param de massacrar a Edulinda, também vão ter a resposta que merecem. Chatos.
Passados todos estes anos tenho assistido a um crescente volume de mensagens que, sendo dirigidas à minha conta de mail, não me são dirigidas.
É as finanças para a Srª Edulinda Frazão, é o colégio dos maristas de São Paulo para o António Frazão, é uma Elsa Ching que quer falar com o Arlindo Frazão, é uma estudante que me envia o rascunho da tese por eu ser o Arnaldo Frazão. Enfim, todos parecem usar a minha caixa de correio.
Nada a fazer, tenho várias pessoas a morar neste endereço, mas infelizmente essas pessoas não sabem. Só os remetentes conhecem o endereço de mail da minha conta. Já respondi aos mails que me chegam a dizer que não era a pessoa em causa e a reacção varia entre o pedido de desculpas, o agradecimento pelo cuidado e o coisa nenhuma.
É que me preocupa a vida das pessoas que habitam comigo no afrazao@gnmail.com :
A Edulinda não sei se já pagou ou recebeu das Finanças, o António é um estupor anti-social que não liga pevide aos convites dos convívios da turma de 1976 dos Maristas de São Paulo, o Arlindo é um atadinho e não quer saber da Elsa e a aluna do Arnaldo já deve estar à beira de um ataque de nervos que eu respondi-lhe a dizer que aquela tese não tinha ponta por onde se pegasse e dei-lhe 2 dias para refazer tudo.
Se quarta feira não me responder, dou-lhe uma desanda que a desgraçada até muda de orientador. Não me entendo com ela.
Já agora, se as finanças não param de massacrar a Edulinda, também vão ter a resposta que merecem. Chatos.
quarta-feira, março 09, 2011
segunda-feira, março 07, 2011
Homens da luta
no rescaldo da vitória no festival da canção, um dos homens da luta dizia "todos temos um José Mário Branco e um Marcelo Rebelo de Sousa dentro de nós".
Ó Professor Marcelo, se não lhe causar muito transtorno ponha os livros lá para fora que o José Mário quer trazer a viola e não há espaço para tudo.
Obrigadinho, sim.
Ó Professor Marcelo, se não lhe causar muito transtorno ponha os livros lá para fora que o José Mário quer trazer a viola e não há espaço para tudo.
Obrigadinho, sim.
Um passaporte para sonhar
Confesso que não nutro grande afeição pela obra dos Deolinda. Aparentemente têm alguns ingredientes que me fariam gostar das canções acontece que a sonoridade meio faducha meio tuna académica combinada com a melodia sinusoidal me causam alguns desconfortos semelhantes à irritação.
A canção "Parva que sou" deste grupo, transformou-se num hino de sucesso, para uma geração com formação académica e desempregada ou precariamente empregada. "A letra é sobre mim" reclamam jovens doutores que ocupam a linha da frente dos call centers e dos estágios não ou mal remunerados de empresas de maior ou menor renome.
Não é novidade que o paradigma mudou, como não era há cinco anos atrás. Já então se sabia que um curso superior não seria o garante de uma vida profissional de sucesso na área de formação ou de vocação. Já então se sabia que uma licenciatura não seria nunca um passaporte para uma vida profissional realizada. Já então se sabia que sem espírito empreendedor, sem iniciativa para a concretização de ideias inovadoras, sem arriscar, dificilmente esta geração irá conseguir singrar num mercado de trabalho saturado de licenciados à espera de um lugar de quadro médio numa empresa consolidada. Mais que uma geração à rasca, esta é uma geração que precisa de tomates, de pôr a cabeça a prémio, de arriscar, de inovar, de ter iniciativa, de dar o litro, sem contar com apoios do estado, ou medidas de incentivo. Esta geração tem que mudar de atitude ou arrisca-se a ficar a atender o telefone e a dissertar sobre pacotes de TV Voz e Net o resto dos dias.
Se os Deolinda conseguem motivar uma geração, que seja pelo exemplo de que a inovação consegue vingar, não por um hino derrotista e conformado com a condição de quase escravatura após anos de estudo.
A canção "Parva que sou" deste grupo, transformou-se num hino de sucesso, para uma geração com formação académica e desempregada ou precariamente empregada. "A letra é sobre mim" reclamam jovens doutores que ocupam a linha da frente dos call centers e dos estágios não ou mal remunerados de empresas de maior ou menor renome.
Não é novidade que o paradigma mudou, como não era há cinco anos atrás. Já então se sabia que um curso superior não seria o garante de uma vida profissional de sucesso na área de formação ou de vocação. Já então se sabia que uma licenciatura não seria nunca um passaporte para uma vida profissional realizada. Já então se sabia que sem espírito empreendedor, sem iniciativa para a concretização de ideias inovadoras, sem arriscar, dificilmente esta geração irá conseguir singrar num mercado de trabalho saturado de licenciados à espera de um lugar de quadro médio numa empresa consolidada. Mais que uma geração à rasca, esta é uma geração que precisa de tomates, de pôr a cabeça a prémio, de arriscar, de inovar, de ter iniciativa, de dar o litro, sem contar com apoios do estado, ou medidas de incentivo. Esta geração tem que mudar de atitude ou arrisca-se a ficar a atender o telefone e a dissertar sobre pacotes de TV Voz e Net o resto dos dias.
Se os Deolinda conseguem motivar uma geração, que seja pelo exemplo de que a inovação consegue vingar, não por um hino derrotista e conformado com a condição de quase escravatura após anos de estudo.
domingo, março 06, 2011
Mudanças II
Serve o presente para avisar que este blog passa a ser escrito num portátil novo, apesar de não ter um teclado retro_coiso_iluminado, tem muita pinta.
Em que caixote estão os ratos ? Querem ver que vou ter que ligar o hamster ao portátil? Ele tem um certo ar de USB 2.0
Em que caixote estão os ratos ? Querem ver que vou ter que ligar o hamster ao portátil? Ele tem um certo ar de USB 2.0
segunda-feira, fevereiro 28, 2011
Mudanças
A contas com uma mudança para uma casa provisória, antes da nova estar de obras feitas, tenho uma casa inteira encaixotada e embalada num fita cola que cola quando não deve e descola quando não pode. Três andares para baixo, atravessar a rua, dois andares para cima. Dezenas de vezes no sábado, outras quantas no domingo, a transportar a casa em puzzle. Os paralelepípedos de cartão até podem ser uma boa invenção, mas os elevadores parecem ser uma ainda melhor. Senti-lhes a falta este fim de semana. A lombalgia confirma-o.
E não, não sei sei em que caixa estão as Play Sation, nem as carteiras, nem o livro que ia para a escola, nem os carregadores de telemóvel, nem os jogos da PS3, nem a comida dos peixes:
- dá-lhes fiambre que as mudanças são difíceis para todos.
E não, não sei sei em que caixa estão as Play Sation, nem as carteiras, nem o livro que ia para a escola, nem os carregadores de telemóvel, nem os jogos da PS3, nem a comida dos peixes:
- dá-lhes fiambre que as mudanças são difíceis para todos.
terça-feira, fevereiro 15, 2011
Só
e agora entrega-mo-nos à vergonha porque tornámos possível morrer sem que ninguém notasse. E vem um caso e outro, e outros mais virão. Agora que já não somos aldeia, agora que não dizemos bom dia com quem nos cruzamos na rua, agora que não conhecemos quem vive no nosso prédio, nem quem connosco partilha o elevador, agora que não entramos nas casas uns dos outros a saber do que precisam ou a pedir um ramo de salsa, uma pitada de sal. E na euforia da metrópole, descobrimos incrédulos que se morre de solidão no meio de multidões. E ainda nos indignamos, antes assim.
E nesta imensa aldeia global, de que aldeia falamos? Damos pela presença dos outros, mas conseguiremos sentir a sua falta? Seremos capazes de sinalizar a sua ausência ? O que nos fará procurar alguém que deixa de estar online ? Mesmo que seja alguém muito próximo, que sexto sentido nos preocupará ?
Nada a fazer, ainda é no mundo de pessoas que se cruzam e cumprimentam e se cuidam e se preocupam que se resolvem as equações da solidão. E que bom que assim é.
E nesta imensa aldeia global, de que aldeia falamos? Damos pela presença dos outros, mas conseguiremos sentir a sua falta? Seremos capazes de sinalizar a sua ausência ? O que nos fará procurar alguém que deixa de estar online ? Mesmo que seja alguém muito próximo, que sexto sentido nos preocupará ?
Nada a fazer, ainda é no mundo de pessoas que se cruzam e cumprimentam e se cuidam e se preocupam que se resolvem as equações da solidão. E que bom que assim é.
quinta-feira, fevereiro 10, 2011
Ando com coisas a irritar-me
A saber uma delas é o dia dos namorados e outra é o grupo coral do Pingo Doce ou o Grupo de Cantares do Pingo Doce ou lá como é que aquilo se chama. E os homens dos frigoríficos que se intitulam de técnicos de frio também me causam espécie.
segunda-feira, janeiro 31, 2011
Cinema Europa

Esventrado. Assim à bruta. Sem aquele saco negro que nos protege o olhar da curiosidade. Ventre aberto e escancarado a quem passa. O enorme rombo da fachada expõe os cabos da iluminação e escancara um espaço onde cabe tanto imaginário. E muita infância. É vê-lo assim antes que desapareça.
Quando ia ali ao cinema, plantado mesmo à porta de casa, o filme só começava depois do intervalo. Para início da matiné sempre um documentário e se fosse infantil, desenhos animados garantidos. O intervalo era aproveitado para brincadeiras de correrias na sala e nas escadas. Chegava a haver dois intervalos. Sem pressas de muitas projecções por dia. Afinal a sala é grande e o cinema imponente. Cinema de bairro com tiques de avenida.
Foi lá a Branca de Neve, foi lá o Bamby, foi lá a Música no Coração, foi lá o Lawrence da Arábia, foi lá o Ben-Hur, foram lá As Férias do Sr Hulot, foram lá as Aventuras da Pantera Cor de Rosa, foram lá tantos 007, foi lá o Kramer contra Kramer, foi lá o New York New York, foi lá o Cabaret, foi lá a Amante do Tenente Francês. E tantas outras coisas. As festas de Carnaval, as festas de partidos com discursos intercalados com canções pós revolução, concertos e depois o princípio de um final previsível, as gravações de programas e emissões em directo. A Festa de Sábado à Tarde e o Um Dois Três. Tanta coisa, tanta gente, tanto espaço.
Tanto eu, tanto todos.

domingo, janeiro 30, 2011
Cornos, Mulheres e Amor
Saberá a América que gasta dinheiro em estudos sobre tudo e mais um par de botas ? E que as conclusões desses estudos são sempre peças únicas de valor científico inquestionável? Quando me esqueço desta realidade, sou sempre confrontado com um novo precioso contributo: “Os homens têm mais tendência a perdoar a sua namorada se esta os trair com outra mulher do que se for com um homem, revela um estudo da Universidade do Texas, em Austin”
Como se houvesse distinção entre corno à conta de outro, ou corno à conta de outra. Nada disso. Ser corno é fodido. Pela auto-estima, pelo amor próprio, pelo amor ao outro, pelo abandono, pelo passado, pela troca, pelo futuro, pela dor de cotovelo, pela dor de corno, pelo tesão ou pelo deslumbre do outro por outro. Não me venham cá com histórias que facilita, que atenua a dor, que funciona como analgésico, se o interesse alheio andar de saltos, usar saias e tiver mamas que justifiquem soutiens. Atenua mas é os tomates. Ser traído é ser traído, e não há atenuantes para esse tipo de merdas. E a saber não há diferenças entre sexos. Mulheres e homens amam, apaixonam-se, desiludem-se, cansam-se, iludem-se, reapaixonam-se, conquistam, traiem, entusiasmam-se, engatam, regressam, perdoam, e não perdoam exactamente da mesma maneira e exactamente pelas mesmas razões. Por emoções, por amor, por tesão, por divertimento, por necessidade, por prazer, por medo, por caridade, pela rotina, pelos filhos, pelo passado, pelo futuro, por orgulho, por pena, por sabedoria, por comodismo, por coragem, por vontade. Mas pelas mesmas razões. Homens e mulheres são iguais em tanto mais que imaginamos, e se for de amor ainda mais.
Porque além do estudo, apareceram-me em dois dias o Rui Zink sobre as mulheres e o MEC sobre o Amor e caramba, se não for por amor que se foda.
Como se houvesse distinção entre corno à conta de outro, ou corno à conta de outra. Nada disso. Ser corno é fodido. Pela auto-estima, pelo amor próprio, pelo amor ao outro, pelo abandono, pelo passado, pela troca, pelo futuro, pela dor de cotovelo, pela dor de corno, pelo tesão ou pelo deslumbre do outro por outro. Não me venham cá com histórias que facilita, que atenua a dor, que funciona como analgésico, se o interesse alheio andar de saltos, usar saias e tiver mamas que justifiquem soutiens. Atenua mas é os tomates. Ser traído é ser traído, e não há atenuantes para esse tipo de merdas. E a saber não há diferenças entre sexos. Mulheres e homens amam, apaixonam-se, desiludem-se, cansam-se, iludem-se, reapaixonam-se, conquistam, traiem, entusiasmam-se, engatam, regressam, perdoam, e não perdoam exactamente da mesma maneira e exactamente pelas mesmas razões. Por emoções, por amor, por tesão, por divertimento, por necessidade, por prazer, por medo, por caridade, pela rotina, pelos filhos, pelo passado, pelo futuro, por orgulho, por pena, por sabedoria, por comodismo, por coragem, por vontade. Mas pelas mesmas razões. Homens e mulheres são iguais em tanto mais que imaginamos, e se for de amor ainda mais.
Porque além do estudo, apareceram-me em dois dias o Rui Zink sobre as mulheres e o MEC sobre o Amor e caramba, se não for por amor que se foda.
quinta-feira, janeiro 27, 2011
É que são muito chatos
- Estou
- Boa tarde, o meu nome é x, sou da Cabo Visão ...
- Boa tarde, sabe-me dizer quais foram as datas dos vossos últimos 15 telefonemas para este cliente ?
- Desculpe ?
- Pergunto-lhe se aí no sistema tem acesso às datas dos últimos 15 telefonemas para este cliente. E se tem registada a informação, para cada um deles, que este cliente não pretende ser contactado.
- Muito bem
- E se tem a informação que este cliente está muito satisfeito com o serviço, com excepção da insistência dos serviços comerciais
- Então vou apagá-lo do sistema
- Acho que faz muito bem, e já é a quinta vez que digo isto. Se vocês não me tiram do sistema de contactáveis, eu tiro-me do sistema de clientes.
- Boa tarde então
- Boa tarde
- Boa tarde, o meu nome é x, sou da Cabo Visão ...
- Boa tarde, sabe-me dizer quais foram as datas dos vossos últimos 15 telefonemas para este cliente ?
- Desculpe ?
- Pergunto-lhe se aí no sistema tem acesso às datas dos últimos 15 telefonemas para este cliente. E se tem registada a informação, para cada um deles, que este cliente não pretende ser contactado.
- Muito bem
- E se tem a informação que este cliente está muito satisfeito com o serviço, com excepção da insistência dos serviços comerciais
- Então vou apagá-lo do sistema
- Acho que faz muito bem, e já é a quinta vez que digo isto. Se vocês não me tiram do sistema de contactáveis, eu tiro-me do sistema de clientes.
- Boa tarde então
- Boa tarde
quarta-feira, janeiro 26, 2011
Diz que disse
José Sócrates pondera convidar Bibi para porta voz do governo. Assuntos como a localização do aeroporto, o TGV, a recusa em aumentar impostos, a criação de 180000 novos empregos, a inalterável lei do trabalho, a reforma da justiça, a impossível vinda do FMI, a saudável relação institucional com a presidência, o valor do défice, e a admiração por Manuel Alegre podem ser temas a abordar pelo novo porta voz, demonstrada que está a habilidade para mudar o conteúdo das declarações, mesmo perante obrigatoriedade em dizer a verdade, só a verdade e nada mais que a verdade.
terça-feira, janeiro 25, 2011
Ainda
e sempre. Cinco anos nada são, que ainda enches casas e corações de vazios e ainda há flores amarelas que nos lembras sempre. Ainda há crianças que amamos a falar de ti e sempre de sorrisos entrelaçados em sisos da tua ausência. Sempre estás com ele, e ainda precisamos tanto dos dois. Porque há coisas por contar e porque numa ingenuidade em que quase acreditava sabias sempre como fazer. Porque ensinavas. Porque precisei e a tua filha também, e voltámos a precisar e porque as novidades ganham coloridos novos quando as ouves. Porque ainda te sentimos falta para sempre. Porque tu ainda. Porque sempre tu.
sexta-feira, janeiro 21, 2011
Presidenciais - A Fechar
Cavaco Silva é fã incondicional de Luciana Abreu, porque afinal de contas ele é sensível a uma mulher que, tal como ele, pede conselhos a uma árvore. No conselho de estado há pelo menos um Carvalho.
Admirador da jovem que em quinze dias passou de boazinha a boazona, Cavaco Silva já prometeu que caso vença, no próximo Domingo irá fazer o discurso da Viiktórya, em vez do tradicional discurso de vitória.
Admirador da jovem que em quinze dias passou de boazinha a boazona, Cavaco Silva já prometeu que caso vença, no próximo Domingo irá fazer o discurso da Viiktórya, em vez do tradicional discurso de vitória.
quinta-feira, janeiro 20, 2011
Quantas ?
Segundo um estudo feito em Inglaterra, os casais discutem em média 312 vezes por ano, sendo que quinta feira às 8 da noite é o horário de maior incidência. Ora deixa lá ver o top das causas de maior irritação.
Os hábitos que mais irritam as mulheres:
1. Deixar pelos no lavatório - é melhor nem falar sobre este tema. As pilosidades não abundam (isto soa tão mal)
2. Deixar a sanita suja - ca nojo. Nem pensar ou levava com o piaçaba nos cornos.
3. Fazer zapping entre canais de TV - nem sei o que é isso, aquilo está sempre na SIC mulher ou nas novelas
4. Não trocar o rolo de papel higiénico - até parece de propósito, calha-me sempre a mim
5. Não baixar a tampa da sanita - Tampa. Mas que tampa?
6. Deixar as luzes acesas - há lâmpadas que gastam mais a acender e a apagar do que se as mantivermos sempre acesas
7. Deixar chávenas sujas espalhadas pela casa - isso é uma calúnia. Nunca.
8. Toalhas molhadas no chão / na cama - então ? um gajo sai do banho e vai-se vestir ... a toalha depois há-de encontrar o seu caminho
9. Acumular pertences - outro tema que convém não chamar para a discussão.
10. Não puxar o autoclismo - a água é um bem precioso e escasso. Há que poupar
E os hábitos que mais irritam os homens:
1. Demorar a arranjar-se - esta mulher está sempre muito bem arranjada e nunca, mas nunca, fico ali a fazer horas à espera. Se hipoteticamente esperasse, com certeza valeria muito a pena, que o resultado final é sempre fantástico. Seria (estamos a falar num cenário hipotético)
2. Reclamar que ele não faz nada - sou um homem objecto, "não fazer nada" não se coloca
3. Deixar as luzes acesas - já falei sobre isto
4. Entupir o ralo da banheira com cabelo - "se tivesses cabelo acontecia-te o mesmo"
5. Acumular pertences - passo
6. Encher o caixote de lixo além da capacidade - nunca nunquinha ela faz isto. Até porque depois isso ia causar algum transtorno na altura de fechar o saco do lixo.
7. Deixar lenços de papel pela casa - Isto é mais com o filho mais velho
8. Chávenas sujas pela casa - Não
9. Zapping entre canais de TV - SIC Mulher, FoxLive, SIC Mulher ... "muda lá de canal que eu não me entendo com esta merda destes 30 comandos"
10. Assistir a telenovelas - O Biggest Loser pode ser considerado uma novela, não pode ?
Como se vê, cá em casa, mal se discute. Para que a coisa se mantenha, eu agora às quintas, tenho uma reunião ao fim da tarde e só vou poder chegar lá para as 20:15
Estranho a ausência de temas como:
1. tratamento desigual dos electrodomésticos. A Bimby e a Máquina da Roupa são as meninas bonitas lá de casa.
2. roupa espalhada pela casa - parece que tem vida própria e que as peças estão fartas umas das outras. Vai cada uma para o seu canto
3. porta do congelador mal fechada - é um detalhe mas com consequências imprevisíveis
4. esquecimento de qualquer actividade de natureza gastronómica ao lume - a comida carbonizada dá sempre que falar
5. exemplo para as crianças - quando uma delas resolve parafrasear um argumento ouvido a um adulto numa discussão com o outro, para contrapor esse outro adulto: "Eles ouvem-te dizeres-me isso e repetem!!!"
6. carregadores de 40 telemóveis, computadores, máquinas de barbear, rádios, ipods, máquinas fotográficas. E cabos. Muitos cabos.
7. telefonemas na vizinhança das refeições - tema sempre muito animado
8. pacotes de leite armadilhados. "Quem é que foi a alma iluminada que resolveu abrir o pacote de leite de maneira a entornar tudo?"
9. apoio nocturno aos selvagens. "Como é que é possível não acordares num cenário de caos às 3 da manhã ?"
10. TPM - Temo Por Mim
Os hábitos que mais irritam as mulheres:
1. Deixar pelos no lavatório - é melhor nem falar sobre este tema. As pilosidades não abundam (isto soa tão mal)
2. Deixar a sanita suja - ca nojo. Nem pensar ou levava com o piaçaba nos cornos.
3. Fazer zapping entre canais de TV - nem sei o que é isso, aquilo está sempre na SIC mulher ou nas novelas
4. Não trocar o rolo de papel higiénico - até parece de propósito, calha-me sempre a mim
5. Não baixar a tampa da sanita - Tampa. Mas que tampa?
6. Deixar as luzes acesas - há lâmpadas que gastam mais a acender e a apagar do que se as mantivermos sempre acesas
7. Deixar chávenas sujas espalhadas pela casa - isso é uma calúnia. Nunca.
8. Toalhas molhadas no chão / na cama - então ? um gajo sai do banho e vai-se vestir ... a toalha depois há-de encontrar o seu caminho
9. Acumular pertences - outro tema que convém não chamar para a discussão.
10. Não puxar o autoclismo - a água é um bem precioso e escasso. Há que poupar
E os hábitos que mais irritam os homens:
1. Demorar a arranjar-se - esta mulher está sempre muito bem arranjada e nunca, mas nunca, fico ali a fazer horas à espera. Se hipoteticamente esperasse, com certeza valeria muito a pena, que o resultado final é sempre fantástico. Seria (estamos a falar num cenário hipotético)
2. Reclamar que ele não faz nada - sou um homem objecto, "não fazer nada" não se coloca
3. Deixar as luzes acesas - já falei sobre isto
4. Entupir o ralo da banheira com cabelo - "se tivesses cabelo acontecia-te o mesmo"
5. Acumular pertences - passo
6. Encher o caixote de lixo além da capacidade - nunca nunquinha ela faz isto. Até porque depois isso ia causar algum transtorno na altura de fechar o saco do lixo.
7. Deixar lenços de papel pela casa - Isto é mais com o filho mais velho
8. Chávenas sujas pela casa - Não
9. Zapping entre canais de TV - SIC Mulher, FoxLive, SIC Mulher ... "muda lá de canal que eu não me entendo com esta merda destes 30 comandos"
10. Assistir a telenovelas - O Biggest Loser pode ser considerado uma novela, não pode ?
Como se vê, cá em casa, mal se discute. Para que a coisa se mantenha, eu agora às quintas, tenho uma reunião ao fim da tarde e só vou poder chegar lá para as 20:15
Estranho a ausência de temas como:
1. tratamento desigual dos electrodomésticos. A Bimby e a Máquina da Roupa são as meninas bonitas lá de casa.
2. roupa espalhada pela casa - parece que tem vida própria e que as peças estão fartas umas das outras. Vai cada uma para o seu canto
3. porta do congelador mal fechada - é um detalhe mas com consequências imprevisíveis
4. esquecimento de qualquer actividade de natureza gastronómica ao lume - a comida carbonizada dá sempre que falar
5. exemplo para as crianças - quando uma delas resolve parafrasear um argumento ouvido a um adulto numa discussão com o outro, para contrapor esse outro adulto: "Eles ouvem-te dizeres-me isso e repetem!!!"
6. carregadores de 40 telemóveis, computadores, máquinas de barbear, rádios, ipods, máquinas fotográficas. E cabos. Muitos cabos.
7. telefonemas na vizinhança das refeições - tema sempre muito animado
8. pacotes de leite armadilhados. "Quem é que foi a alma iluminada que resolveu abrir o pacote de leite de maneira a entornar tudo?"
9. apoio nocturno aos selvagens. "Como é que é possível não acordares num cenário de caos às 3 da manhã ?"
10. TPM - Temo Por Mim
quarta-feira, janeiro 19, 2011
Presidenciais VII
Um gajo ouve em Janeiro o Jornal da Campanha com o mesmo entusiasmo com que em Agosto ouve o Diário da Volta. E se neste último nunca falta a BomPetisco-Tavira ou a Sicasal-Acral na Senhora da Graça ou no Alto da Torre, no Jornal da Campanha é garantida a visita de candidatos-a-qualquer-coisa às peixeiras de um qualquer mercado. De preferência num mercado do Nuorte, para que as caralhadas fluam escorreitas, para gargalhada ou desconforto do candidato. E elas pedem que não se esqueça do povo e eles prometem, e elas enchem-nos de beijos e abraços e eles ficam de escamas presas na barba e de espinhas atravessadas sabe Deus onde.
Por muito que um gajo entenda a escolha dos mercados, e havemos de ver isto evoluir e ver candidatos a visitar os Continentes, Feira Novas, Centros Comerciais, IKEAS, Decathlons e Leroys Merlins. Dizia, por muito que entenda a escolha dos mercados, a preferência pelas peixeiras parece-me demasiado evidente. Eu se fosse o florista, ou o dos frangos, ou o do talho, ou dos legumes ou da fruta, fazia um escândalo. As peixeiras são mais porquê? São as meninas bonitas da política só porque fomos governados por um cherne? Então e bananas ? Quantas vezes já fomos governados por bananas e não vemos os políticos aos abraços e beijos à mulher da fruta em cima das laranjas e dos kiwis.
É o lobby do goraz, o domínio do bezugo, o sistema do pargo, a classe política vergada perante os chicharros. É o domínio da dourada e do robalo mesmo que de Aquicultura.
Somos um país à beira mar plantado e pelas peixeiras governado.
Quero aqui deixar bem claro que nada tenho contra as peixeiras , que até sou muito bem atendido por uma desdentada com uma verruga de São Martinho que inclusive coloca sempre uns extra de carapaus ou sardinhas quando lhe compro um ou dois quilos de peixe capturado que por um acaso é sempre um primor. Esta deferência é obra e mérito do meu sogro que gastava lá dinheiro-que-dava-para-comprar-uma-vaca-inteira-mal-empregadinho-em-tanta-espinha. Nada contra as peixeiras portanto. Mas convenhamos, são umas mimadas sobretudo se comparadas com as dos legumes e da fruta.
Um governo de bananas e nabos está mal!!! Mas peixeirada no parlamento também não é bom. Vamos lá a distribuir melhor o poder pelas bancas. A do queijo não entra que já aprovou um orçamento.
Por muito que um gajo entenda a escolha dos mercados, e havemos de ver isto evoluir e ver candidatos a visitar os Continentes, Feira Novas, Centros Comerciais, IKEAS, Decathlons e Leroys Merlins. Dizia, por muito que entenda a escolha dos mercados, a preferência pelas peixeiras parece-me demasiado evidente. Eu se fosse o florista, ou o dos frangos, ou o do talho, ou dos legumes ou da fruta, fazia um escândalo. As peixeiras são mais porquê? São as meninas bonitas da política só porque fomos governados por um cherne? Então e bananas ? Quantas vezes já fomos governados por bananas e não vemos os políticos aos abraços e beijos à mulher da fruta em cima das laranjas e dos kiwis.
É o lobby do goraz, o domínio do bezugo, o sistema do pargo, a classe política vergada perante os chicharros. É o domínio da dourada e do robalo mesmo que de Aquicultura.
Somos um país à beira mar plantado e pelas peixeiras governado.
Quero aqui deixar bem claro que nada tenho contra as peixeiras , que até sou muito bem atendido por uma desdentada com uma verruga de São Martinho que inclusive coloca sempre uns extra de carapaus ou sardinhas quando lhe compro um ou dois quilos de peixe capturado que por um acaso é sempre um primor. Esta deferência é obra e mérito do meu sogro que gastava lá dinheiro-que-dava-para-comprar-uma-vaca-inteira-mal-empregadinho-em-tanta-espinha. Nada contra as peixeiras portanto. Mas convenhamos, são umas mimadas sobretudo se comparadas com as dos legumes e da fruta.
Um governo de bananas e nabos está mal!!! Mas peixeirada no parlamento também não é bom. Vamos lá a distribuir melhor o poder pelas bancas. A do queijo não entra que já aprovou um orçamento.
Presidenciais VI
Não te dês a amuos. Portugal não tem o hábito de tratar bem os seus poetas. A menos que sejam zarolhos, e mesmo assim só o faz tardiamente. Camões e José Cid são disso exemplo.
E também caramba. Não vale a pena vazares uma vista só para disputar a segunda volta com o Hannibal. Com o Aníbal digo. E até é giro vê-lo na sua marquise de alumínio, antes de se dirigira à sede de campanha para festejar a vitória.
E também caramba. Não vale a pena vazares uma vista só para disputar a segunda volta com o Hannibal. Com o Aníbal digo. E até é giro vê-lo na sua marquise de alumínio, antes de se dirigira à sede de campanha para festejar a vitória.
terça-feira, janeiro 18, 2011
Presidenciais V
Sócrates vai ter alguma dificuldade em votar no Manuel. Custa-lhe pronto. Ao que parece, tem um ditado popular, que vai repetir para si próprio assim que sair de casa para exercer o seu direito e que só parará depois de exercido o dito cujo:
"de poeta e de louco todos temos um pouco, de poeta e de louco todos temos um pouco,de poeta e de louco todos temos um pouco,de poeta e de louco todos temos um pouco,de poeta e de louco todos temos um pouco,..."
"de poeta e de louco todos temos um pouco, de poeta e de louco todos temos um pouco,de poeta e de louco todos temos um pouco,de poeta e de louco todos temos um pouco,de poeta e de louco todos temos um pouco,..."
segunda-feira, janeiro 17, 2011
Descoberta
Com algum atraso, o loiro dos caracóis, o de feitio torto e coração mole, descobriu a Susan Boyle e mostrou-nos este vídeo. Anuncia-o como algo de espectacular e vai relatando os destaques:
"ela tem quarenta e sete anos e nunca foi beijada"
"está toda a gente contra ela"
"agora olha como ela canta bem"
"esta é a minha parte favorita"
"já se ia embora sem ouvir o júri"
"este vai dizer que já sabia que ela era extraordinária"
Perguntou-me quem era Elaine Page e reconheceu-a do Cats. Mostrei-lhe a Elaine Page na mesma canção da Susan Boyle.
"Vês Manel, a cantora ainda canta melhor que a do concurso."
"Claro. Até porque, de certeza ela já foi beijada muitas vezes."
"ela tem quarenta e sete anos e nunca foi beijada"
"está toda a gente contra ela"
"agora olha como ela canta bem"
"esta é a minha parte favorita"
"já se ia embora sem ouvir o júri"
"este vai dizer que já sabia que ela era extraordinária"
Perguntou-me quem era Elaine Page e reconheceu-a do Cats. Mostrei-lhe a Elaine Page na mesma canção da Susan Boyle.
"Vês Manel, a cantora ainda canta melhor que a do concurso."
"Claro. Até porque, de certeza ela já foi beijada muitas vezes."
domingo, janeiro 16, 2011
Carta Verde
Caro José Eduardo Bettencourt:
Não fosse Domingo, e eu teria tido muito prazer em explicar ao meu filho sportinguista o que é uma demissão. Agradeço que em futuras ocasiões se demita de Domingo à noite até Quinta à noite, para que as dúvidas possam surgir na madrugada de um dia de semana. Bem sei que é Natal, pelo menos a crise Sportinguista está, no meu subconsciente, associada à quadra Natalícia. Ainda assim o advento não me ilumina o suficiente para evitar ficar irritado com dúvidas colocadas ÀS 8 DA MANHÃ DE DOMINGO.
Grato pela compreensão
Um Santo Natal e um Próspero Ano Novo
Não fosse Domingo, e eu teria tido muito prazer em explicar ao meu filho sportinguista o que é uma demissão. Agradeço que em futuras ocasiões se demita de Domingo à noite até Quinta à noite, para que as dúvidas possam surgir na madrugada de um dia de semana. Bem sei que é Natal, pelo menos a crise Sportinguista está, no meu subconsciente, associada à quadra Natalícia. Ainda assim o advento não me ilumina o suficiente para evitar ficar irritado com dúvidas colocadas ÀS 8 DA MANHÃ DE DOMINGO.
Grato pela compreensão
Um Santo Natal e um Próspero Ano Novo
sexta-feira, janeiro 14, 2011
Inquieto-me
Mesmo antes de me deitar, num zapping que me escancara um qualquer noticiário, servem-me uma notícia singular: uma missa seguida de um cordão humano de apoio a Renato Seabra reúne mais que três centenas de pessoas. Não quero dizer grande coisa sobre o contexto que gera um movimento desta natureza. Haja assim mobilização por outras causas. Por ventura mais urgentes.
quinta-feira, janeiro 13, 2011
Ouvi dizer
... que o FMI está com um pé no Benfica. Segundo o que consegui apurar FMI chega no início da próxima semana para testes médicos, e se tudo correr bem, estará de águia ao peito já na 17ª jornada sob as ordens de Jorge Jesus. Os montantes envolvidos nesta transferência e detalhes do contrato ainda estão por conhecer, e até estar tudo preto no branco não parece possível obter qualquer comentário do jogador ou do seu empresário.
NOTA: Esta notícia é para espalhar e se tudo correr como eu espero, quando o FMI chegar, o Futebol Clube do Porto vai garantir o desvio do craque para as fileiras azuis e brancas.
NOTA: Esta notícia é para espalhar e se tudo correr como eu espero, quando o FMI chegar, o Futebol Clube do Porto vai garantir o desvio do craque para as fileiras azuis e brancas.
quarta-feira, janeiro 12, 2011
Classificados
Compra-se
Dívida pública Portuguesa - 10 Anos a 3%
(a ver se baixa a coisa)
Aluga-se
T3 a elementos do FMI
Central e com vista para o Gabinete do Primeiro Ministro
Vende-se
A minha dívida à banca.
Dívida pública Portuguesa - 10 Anos a 3%
(a ver se baixa a coisa)
Aluga-se
T3 a elementos do FMI
Central e com vista para o Gabinete do Primeiro Ministro
Vende-se
A minha dívida à banca.
segunda-feira, janeiro 10, 2011
Se eu soubesse
... que a ida ao Papa Açorda tinha como corolário, este extremar de posições no que toca à minha relação com a balança, tinha gentilmente informado o senhor alarilado, que a sugestão da lebre, apesar de tentadora, não se conjuga com o ratio da minha massa corporal.
Por outro lado falar da minha massa corporal ao senhor alarilado não me parece.
Por ainda um outro lado, era Sábado à noite, e a comunidade estava abalada pela tragédia do monitor e do saca-rolhas, e não sei se o senhor alarilado ia conviver alegremente com a minha recusa na lebre estufada.
Por outro lado falar da minha massa corporal ao senhor alarilado não me parece.
Por ainda um outro lado, era Sábado à noite, e a comunidade estava abalada pela tragédia do monitor e do saca-rolhas, e não sei se o senhor alarilado ia conviver alegremente com a minha recusa na lebre estufada.
sexta-feira, janeiro 07, 2011
Acordo
A RTP já anda metida com o acordo ortográfico. Ontem, em vez de um directo, transmitiu um direto.
Pára tudo. Não sou peremptório. Que direcção hei-de tomar perante tal facto ? Opto por uma reacção ou fico na expectativa ? Hei-de perceber. Dêem-me tempo. Lá para o Verão.
Para tudo. Não sou perentório. Que direção hei de tomar perante tal fato? Opto por uma reação ou fico na expetativa? Hei de perceber. Deem-me tempo. Lá para o verão.
O que vale é que há palavras que não mudam.
Foda-se !!!
Pára tudo. Não sou peremptório. Que direcção hei-de tomar perante tal facto ? Opto por uma reacção ou fico na expectativa ? Hei-de perceber. Dêem-me tempo. Lá para o Verão.
Para tudo. Não sou perentório. Que direção hei de tomar perante tal fato? Opto por uma reação ou fico na expetativa? Hei de perceber. Deem-me tempo. Lá para o verão.
O que vale é que há palavras que não mudam.
Foda-se !!!
quinta-feira, janeiro 06, 2011
Presidenciais III
A propósito do post anterior, coloquei uma sondagem científica na coluna da direita ... Ide lá e votai em consciência no presidente da junta.
quarta-feira, janeiro 05, 2011
Presidenciais II
Os candidatos à Presidência da Republica que nos saíram este ano, têm nomes de candidatos à presidência da Junta. São candidatos de bairro e fazem muito bem. O senhor Silva tem uma mercearia e o senhor Lopes tem uma drogaria. Acontece que o senhor Silva além das frutas e do arroz e da massa, margarina e bebidas, começou a vender também detergentes, lixivias e espuma de barbear. Deixaram de se falar por causa do Rexona e ambos concorrem à presidência da Junta. A juntar a estes dois estão os dois sócios do talho: o Sr Coelho que trata das carnes de animais de capeira (perús, galinhas e coelhos) e o sr Nobre que além das salsichas, trata do borrego, porco e bovinos. Pensaram candidatar-se juntos, afinal de contas entendem-se tão bem no talho, mas foram informados que não podiam, pelo que cada um resolveu concorrer por si. Costumavam encontra-se no café do Moura que, além de servir imperiais e tirar bicas com cheirinho, tem queda para ouvir conversas e entusiasmou-se com as eleições e vai disto. Candidata-se também. Por fim há o xor guarda Alegre, polícia sinaleiro que recita poemas de cima do seu palanque, enquanto dirige o trânsito do cruzamento mais complicado do bairro. Farto de tanta buzinadela resolve candidatar-se também.
Dizem que é o Silva que ganha. E eu acredito, mas é uma pena. Ele fica tão melhor a vender marmelada. Faz-me lembrar o Manelinho da Mafalda. Coitado do Silva.
Dizem que é o Silva que ganha. E eu acredito, mas é uma pena. Ele fica tão melhor a vender marmelada. Faz-me lembrar o Manelinho da Mafalda. Coitado do Silva.
Presidenciais
Quando Cavaco diz que se apresenta "de consciência tranquila e cabeça levantada", fá-lo no com aquele ar de "nunca me engano e raramente tenho dúvidas". Parece o seleccionador nacional na flash interview depois de uma derrota frente a uma equipa mais fraca: "estamos de consciência tranquila, demos tudo em campo durante os noventa minutos e saímos de cabeça erguida. Perdemos é verdade, mas não merecíamos!". Ora treinadores de futebol é o que não falta neste país. Existem pelo menos uns dez milhões, daqueles que também raramente têm dúvidas e nunca se enganam.
Nós não queremos políticos em número igual a treinadores de futebol. Devem ser muito menos e muito melhores. Por falar nisso, assisto a um preocupante crescendo de Coelhos na nossa classe política. Ao Jorge e ao Pedro Passos, veio-se juntar o candidato José Manuel. Alegro-me que sejam todos machos, porque à velocidade a que os coelhos se reproduzem, se aparece uma Coelha que se ponha a jeito, não tarda temos mesmo mais políticos que treinadores de futebol.
Nós não queremos políticos em número igual a treinadores de futebol. Devem ser muito menos e muito melhores. Por falar nisso, assisto a um preocupante crescendo de Coelhos na nossa classe política. Ao Jorge e ao Pedro Passos, veio-se juntar o candidato José Manuel. Alegro-me que sejam todos machos, porque à velocidade a que os coelhos se reproduzem, se aparece uma Coelha que se ponha a jeito, não tarda temos mesmo mais políticos que treinadores de futebol.
terça-feira, janeiro 04, 2011
Milagres e magias em diferentes altitudes
Ele constrói castelos no ar, ela tem os pés bem assentes na terra. Ele tem asas, ela tem uma varinha mágica. Ele luta contra gigantes de vento, ela enfrenta papões. Ele faz piruetas e desenhos entre as nuvens, ela constrói milagres na terra. Ele tem medo e ela também. Têm medos diferentes. Ela das alturas, ele da realidade. Divirto-me no diálogo deles:
- o que sentes quando passas pelas nuvens?
- sinto algodão, sinto algodão doce.
- e aqueles botões todos ? sabes para que servem ? e as luzes sabes o que querem dizer ?
- claro que não… vou carregando até aparecerem luzes verdes !!!
- e nunca comes o mesmo do teu colega do lado?
- nunca … Sou um imperador romano. Ele prova a minha comida meia hora antes de mim. Se não lhe acontecer nada, eu como.
- e aquilo de irem à casa de banho? É verdade que podem estar sair da cabine, que aquilo voa sozinho?
- enquanto não inventarem uma cadeira com arrastadeira, parece que vamos continuar a ir à casa de banho !!!
- e como sabes que ao aterrar que vais acertar naquele instante no chão ?
- ora aí está uma pergunta que me faço sempre que aterro. Como é que consegui isto ? Um dia levo-te a voar.
- eu não quero voar !!! quero só que me respondas às perguntas …
e assim continuaram, ela nos medos e nas perguntas e ele nas respostas e nas fantasias.
E se se invertessem os papéis ? Que perguntas lhe faria ele para espantar os seus medos ? Que respostas ela lhe daria? Que perguntas comandante ?
- A que altitude caiem as lágrimas de uma criança que sofre ?
- Como se faz para levantar a vida, quando parece não haver esperança ?
Ele é mágico, ela também.
- o que sentes quando passas pelas nuvens?
- sinto algodão, sinto algodão doce.
- e aqueles botões todos ? sabes para que servem ? e as luzes sabes o que querem dizer ?
- claro que não… vou carregando até aparecerem luzes verdes !!!
- e nunca comes o mesmo do teu colega do lado?
- nunca … Sou um imperador romano. Ele prova a minha comida meia hora antes de mim. Se não lhe acontecer nada, eu como.
- e aquilo de irem à casa de banho? É verdade que podem estar sair da cabine, que aquilo voa sozinho?
- enquanto não inventarem uma cadeira com arrastadeira, parece que vamos continuar a ir à casa de banho !!!
- e como sabes que ao aterrar que vais acertar naquele instante no chão ?
- ora aí está uma pergunta que me faço sempre que aterro. Como é que consegui isto ? Um dia levo-te a voar.
- eu não quero voar !!! quero só que me respondas às perguntas …
e assim continuaram, ela nos medos e nas perguntas e ele nas respostas e nas fantasias.
E se se invertessem os papéis ? Que perguntas lhe faria ele para espantar os seus medos ? Que respostas ela lhe daria? Que perguntas comandante ?
- A que altitude caiem as lágrimas de uma criança que sofre ?
- Como se faz para levantar a vida, quando parece não haver esperança ?
Ele é mágico, ela também.
Roteiro
Li no jornal que Manuel Alegre começa a campanha na Madeira e acaba-a no Porto. Se nos entretantos, passar pelo Douro, Trás-os-Montes, Bairrada, Dão, Ribatejo, Península de Setúbal e Alentejo, passa a ser uma campanha vitivinícola e nesse caso, e só nesse caso, tem o meu voto.
sexta-feira, dezembro 31, 2010
Podia
... passar o ano longe daquelas três? Da Vanda e suas parteneres a Margarida e a Madalena? Podia sim. Mas definitivamente não era a mesma coisa.
quarta-feira, dezembro 29, 2010
Uma desgraça
nunca vem só !!!
Perdi dois a zero com o Maria mais novo no FIFA 11.
Ele está aqui à minha volta a perguntar se eu quero a "desporra".
Perdi dois a zero com o Maria mais novo no FIFA 11.
Ele está aqui à minha volta a perguntar se eu quero a "desporra".
segunda-feira, dezembro 27, 2010
Vende-se
guitarra eléctrica e amplificador. Como novos. Dois dias de uso excessivo. Intensivo, digo. Oferece-se o guitarrista.
Urgente.
Urgente.
Assistente
Gosto muito de ligar para a assistência técnica da TMN para falar sobre Blackberry's. Sobretudo quando me dizem
- Pode carregar nas bolinhas ?
- Só um momento, já está !!!
- Então, o que é que aconteceu ?
- Minha senhora tenha juízo e voltemos ao telemóvel ...
Não respondi isto mas vontade não me faltou. Respondi:
- Depois de carregar nas bolinhas, salvo seja, ... risos ... apareceu uma combo-box.
- Pode carregar nas bolinhas ?
- Só um momento, já está !!!
- Então, o que é que aconteceu ?
- Minha senhora tenha juízo e voltemos ao telemóvel ...
Não respondi isto mas vontade não me faltou. Respondi:
- Depois de carregar nas bolinhas, salvo seja, ... risos ... apareceu uma combo-box.
sexta-feira, dezembro 24, 2010
Carta
Querido Pai Natal:
Bem sei que já se vai fazendo tarde e que estamos muito em cima da hora, mas um gajo também é surpreendido. Mesmo ao fim destes anos. Acontece que estava a falar com a minha mulher, a rainha - essa mesmo, que às tantas me diz que o Natal para ela é acordar e maravilhar-se com pão com queijo, deixado em cima da mesa de véspera. Que é isso que mais gosta do Natal. Acordar e encontrar pão meio duro para comer com queijo da Serra. Ao fim de quase 15 anos de anos de casado, descubro que a alegria natalícia depende de acordar perto de um pão de véspera com queijo da Serra. Ora eu que estou aqui para a fazer feliz, gostava muito de receber um pijama de pão com queijo da serra, que é para ela acordar e dar logo de caras com um pão de véspera com queijo. A parte do meio duro prefiro não comentar e a parte de ser um pão nunca me chamaram tal coisa a não ser as amigas mais velhas da minha mãe e que tinham cataratas e outras maleitas na vista, ao ponto da maioria delas estar a passar o Natal na companhia dos respectivos cães guia.
Posto isto resta-me agradecer a disponibilidade para atender a este pedido de última hora. Pijama de pão de véspera com queijo da serra - amanteigado. De ovelha.
Um abraço.
André
Bem sei que já se vai fazendo tarde e que estamos muito em cima da hora, mas um gajo também é surpreendido. Mesmo ao fim destes anos. Acontece que estava a falar com a minha mulher, a rainha - essa mesmo, que às tantas me diz que o Natal para ela é acordar e maravilhar-se com pão com queijo, deixado em cima da mesa de véspera. Que é isso que mais gosta do Natal. Acordar e encontrar pão meio duro para comer com queijo da Serra. Ao fim de quase 15 anos de anos de casado, descubro que a alegria natalícia depende de acordar perto de um pão de véspera com queijo da Serra. Ora eu que estou aqui para a fazer feliz, gostava muito de receber um pijama de pão com queijo da serra, que é para ela acordar e dar logo de caras com um pão de véspera com queijo. A parte do meio duro prefiro não comentar e a parte de ser um pão nunca me chamaram tal coisa a não ser as amigas mais velhas da minha mãe e que tinham cataratas e outras maleitas na vista, ao ponto da maioria delas estar a passar o Natal na companhia dos respectivos cães guia.
Posto isto resta-me agradecer a disponibilidade para atender a este pedido de última hora. Pijama de pão de véspera com queijo da serra - amanteigado. De ovelha.
Um abraço.
André
quinta-feira, dezembro 23, 2010
Recado
Ó Nico, faz-lhe uma sopinha que ele aprecia. É que se tivesse por cá, era dia de aniversário. Dá-lhe um abraço e outro para ti. Obrigado.
Expressões
terça-feira, dezembro 21, 2010
Qual é o mal ...
de cá vir o FMI de vez em quando' Não é o FIM é o FMI. E a oposição pede explicações, e o governo diz que o FMI está cá numa das visitas de rotina. Não se trata de nada de extraordinário. Não é o que parece.
Já sei !!! São ciúmes.
Pedro entra de rompante em São Bento e apanha o José embrulhado com o FMI.
- Como foste capaz José ?
- Pedro acalma-te. Isto não é o que parece.
- Ó Pedro. O José está a dizer a verdade, eu venho cá de seis em seis meses.
- Cala-te puta. A meteres-te com um governo comprometido. Fecha a matraca antes que te vá às trombas.
É o que eu digo. Isto um dia ainda acaba mal
Já sei !!! São ciúmes.
Pedro entra de rompante em São Bento e apanha o José embrulhado com o FMI.
- Como foste capaz José ?
- Pedro acalma-te. Isto não é o que parece.
- Ó Pedro. O José está a dizer a verdade, eu venho cá de seis em seis meses.
- Cala-te puta. A meteres-te com um governo comprometido. Fecha a matraca antes que te vá às trombas.
É o que eu digo. Isto um dia ainda acaba mal
quinta-feira, dezembro 09, 2010
Controversa Maresia
Não costumo escrever sobre outros blogs... escrevo por norma, o que me dá na bolha. Entre os vértices das parvoices, da parentalidade e das emoções, escrevo num triângulo que é tudo menos recto ou equilátero. Antes escaleno como a maioria.
Acontece que este blog de que venho falar, Controversa Maresia, e por mérito de quem o escreve, está a votos no Combate dos Blogs para melhor blog do ano. E faz-se acompanhar muito bem nesta votação.
Não o ponho aqui para votarem nele, embora ache muito bem feita que o façam.
Ponho-o para que o possam descobrir, ou redescobrir. Ponho-o porque esta mulher escreve tão bem que irrita, escreve tão bem que faz a caixa um esquisso de blog. Ponho-o porque lhe tenho uma inveja desmedida e uma admiração imensa na escrita. Apetece chamar-lhe todos os nomes, por escrever como escreve. Cabra. Ponho-o porque ela escreve assim pela mesma razão que os cães lambem os testículos. Porque pode.
Deixo aqui uma escrita recente ...
Esta mulher escreve na areia
Acontece que este blog de que venho falar, Controversa Maresia, e por mérito de quem o escreve, está a votos no Combate dos Blogs para melhor blog do ano. E faz-se acompanhar muito bem nesta votação.
Não o ponho aqui para votarem nele, embora ache muito bem feita que o façam.
Ponho-o para que o possam descobrir, ou redescobrir. Ponho-o porque esta mulher escreve tão bem que irrita, escreve tão bem que faz a caixa um esquisso de blog. Ponho-o porque lhe tenho uma inveja desmedida e uma admiração imensa na escrita. Apetece chamar-lhe todos os nomes, por escrever como escreve. Cabra. Ponho-o porque ela escreve assim pela mesma razão que os cães lambem os testículos. Porque pode.
Deixo aqui uma escrita recente ...
opening hours
Falas-me de amor platónico mas perguntas-me a que horas abrem as minhas pernas. E eu respondo-te que sou como aquele barbeiro de província que tinha um papel sebento no vidro a dizer que abria a horas indeterminadas. Ah! e ser feliz: pois, também me falas disso. Cada umas das criaturas nesta esplanada envelhece ao segundo, mais um vestígio de rugas, uma vontade de desistir. O tempo passa por todos menos por nós mas é preciso que nos fitemos para além do que aparentamos, furar a pele. Entretanto olhamos a alforreca que dispersa as tainhas, translúcida como os teus olhos, e achamos que ainda ontem estávamos por aqui, iguais, as minhas pernas platónicas, o teu andar gingão. O nosso passado está presente em nós porque é o nosso presente: temos direito a pouco mais, há muito que o comboio saiu da estação, embora na verdade às vezes ainda me pergunte se já chegou ao destino. Sei lá quanto de ti não se imagina a tentacular-me enquanto molho o pão no molho. Quanto de ti é resistir a não fazer ou não fazer por não quereres fazer, apenas. Decifro-te em mim e o que dizes é como meu, deve ser das encruzilhadas da idade: ambos sem rumo, somos aquela alforreca que foi parar ao lodo e que agora não sabe como sair do cais, presa no meio das tainhas, que são muitas e vorazes. Além disso ainda não decidi se isso do platónico é um elogio ou uma ofensa. Mas contradiz sem dúvida o interesse demonstrado no meu horário de abertura.
Esta mulher escreve na areia
Perguntas parvas sobre o trânsito
Se um condutor chateia outro com uma manobra mais ou menos imprudente, porque é que o chateado só descansa até olhar para a cara do chateador, chegando ao ponto de quase enfiar a cabeça no carro do outro?
Porque é que os pastelões que vão à nossa frente conseguem fazer render um amarelo até serem o último carro a passar antes do vermelho?
Porque é que as mulheres são muito menos tolerantes na cedência de passagem que os homens? Quando um condutor necessita entrar numa faixa, numa rotunda ou num cruzamento sem ter direito a fazê-lo, o melhor é esperar que seja um homem a ceder a sua prioridade. Com as mulheres resulta mal.
Porque é que permitido demorar mais que um segundo a arrancar assim que o semáforo passa a verde?
Porque é que alguns peões atravessam as passadeiras na diagonal e se tivessem lata ainda dançavam um malhão e dois viras?
Porque é que as pessoas que abastecem e vão pagar à estação de serviço, não tiram o carro de frente da bomba e se puderem ainda fazem compras, bebem café e lêem as gordas dos jornais e as magras das revistas?
Porque é que nos acidentes, os intervenientes além de estarem vestidos de fluorescente, falam ao telemóvel em vez de conversarem? Será que falam um com o outro?
Porque é que os pastelões que vão à nossa frente conseguem fazer render um amarelo até serem o último carro a passar antes do vermelho?
Porque é que as mulheres são muito menos tolerantes na cedência de passagem que os homens? Quando um condutor necessita entrar numa faixa, numa rotunda ou num cruzamento sem ter direito a fazê-lo, o melhor é esperar que seja um homem a ceder a sua prioridade. Com as mulheres resulta mal.
Porque é que permitido demorar mais que um segundo a arrancar assim que o semáforo passa a verde?
Porque é que alguns peões atravessam as passadeiras na diagonal e se tivessem lata ainda dançavam um malhão e dois viras?
Porque é que as pessoas que abastecem e vão pagar à estação de serviço, não tiram o carro de frente da bomba e se puderem ainda fazem compras, bebem café e lêem as gordas dos jornais e as magras das revistas?
Porque é que nos acidentes, os intervenientes além de estarem vestidos de fluorescente, falam ao telemóvel em vez de conversarem? Será que falam um com o outro?
terça-feira, dezembro 07, 2010
Chato
Impressiona-me o Murphy. Pela canalhice provavelmente. Logo hoje, que a alvorada e os rituais que se seguem estavam programados ao minuto. Levantar sem ronha e preparar os três copos com as três vacinas. Preparar o leite do mais novo. Tudo isto enquanto a rainha se ducha. As roupas já definidas de véspera, e alinhadas no fim da cama de cada um. Acorda-los para a toma diária e entregar o leite ao mais novo. Beber leite que eu também sou gente. Ouvir o noticiário das sete já na casa de banho no ritual da barba. Distribuir dois ou três berros para lhes criar pressão em modo quanto baste “Têm de se vestir, pentear, tomar o pequeno almoço, lavar os dentes, vestir bibes e casaco e esperar no fim do corredor à porta da rua para quando sairmos já estarem todos lindos e prontos” Render do duche. Sai rainha entro eu. Dentes, roupa, pentear e guardar a máquina na mochila. Não percebo porque me penteio. É só para lhes conferir o direito à graçola “Meninos. Lá está o pai a interagir com a escova. Pode ser que fique com alguns cabelos que a escova tem.” Sair de casa. Hoje de preferência antes das oito para os depositar no colégio e assistir à abertura do banco às oito e meia à conta de assuntos habitacionais.
E quem é que se havia de lembrar da trovoada e do corte de luz? E o despertador que se esquece da função ? E se damos por ela já quase às oito ? E porque é que se entorna um dos copos com a vacina? E o pacote da cerelac para trocar ? E o papel higiénico tinha de se acabar ? E o mais novo decide ir aos sólidos de manhã, porquê ? Impressionas-me Murphy. És embirrento. Obrigadinho.
E quem é que se havia de lembrar da trovoada e do corte de luz? E o despertador que se esquece da função ? E se damos por ela já quase às oito ? E porque é que se entorna um dos copos com a vacina? E o pacote da cerelac para trocar ? E o papel higiénico tinha de se acabar ? E o mais novo decide ir aos sólidos de manhã, porquê ? Impressionas-me Murphy. És embirrento. Obrigadinho.
Despertares
Estranho acordar com todas as notícias sobre o tempo. Toda a gente sabe que se fala do tempo, quando nada mais há a dizer e hoje de manhã deparei-me com este vazio meteorológico. Num repente, economia, política e desporto davam ares de greve geral e todas as notícias eram sobre excesso de chuvas, exageros de neve, velocidades estonteantes do vento e temperaturas extremas. Nem o Aníbal, que mesmo calado serve de tema, parecia querer colaborar. Uma opinião, uma palavrinha, um tabu que fosse. Nada. E assim foi o resto do dia.
O evento mais relevante foi uma chuva de parafusos e rolamentos de um avião da TAAG sobre Almada. Que saudades do Verão.
O evento mais relevante foi uma chuva de parafusos e rolamentos de um avião da TAAG sobre Almada. Que saudades do Verão.
quarta-feira, dezembro 01, 2010
Fantasias
Pergunto-me se um realizador de anúncios de Coca Cola fantasia sobre a possibilidade de fazer um filme do Manoel de Oliveira? É estranho alguém habituado a colocar 50 planos em 20 segundos, fantasiar com planos de 20 minutos. Ou será que um corredor de 100 metros sonha em correr a maratona. Um tipo habituado a uma loucura de 10 segundos, sonha alguma vez na vida a sujeitar-se a duas horas de corrida? Então porque raio de carga de água, um gajo que depois de ter um orgasmo, tem que esperar uma quantidade considerável de minutos para pensar em ter um outro, sonha estar em simultâneo com mais que uma mulher, sabendo que elas conseguem ter vários seguidinhos ? Ou é algo parecido com o “segura-me no camelo” ou é para elas falarem uma com a outra durante o tempo de espera até que um gajo volte a estar mais ou menos apto. E têm muito que falar!!!
domingo, novembro 28, 2010
Bincadeiras com as vogais "a" e "i"
A vida
à vida
há vida
ávida
dádiva
há diva
diva
iva
vai
havai
ai vai
ai vai à vida
ai a minha vida
ai a ida
aia ida
aida
à ida
à vinda
à vida
a vida
à vida
há vida
ávida
dádiva
há diva
diva
iva
vai
havai
ai vai
ai vai à vida
ai a minha vida
ai a ida
aia ida
aida
à ida
à vinda
à vida
a vida
Numerus Clausus
Assim de repente este é um pensamento que de vez em quando visita esse lugar estranho que é a minha cabeça. É sobre pessoas que daqui a uns tempos serão médicos e médicas neste país. A nota de entrada no curso de medicina é tão alta que me questiono quanta daquela gente, que acaba o secundário com médias a rondar os 19, é emocionalmente equilibrada ? Eu lembro-me de cada um com média de 19 a quem, juro pela minha saudinha, era incapaz de entregar os meus filhos ou a minha mulher para diagnóstico médico. Tomara que a percentagem de distribuição de gente normalzinha seja semelhante à dos restantes cursos, mas por vezes tenho tantas razões para achar o contrário.
Uns psicotécnicos se calhar ajudavam. A nota de entrada ser ponderada com a inteligência emocional também não me parece má ideia. Aposto que todos ficávamos a ganhar com uma bitola assim mais... coiso.
Uns psicotécnicos se calhar ajudavam. A nota de entrada ser ponderada com a inteligência emocional também não me parece má ideia. Aposto que todos ficávamos a ganhar com uma bitola assim mais... coiso.
quinta-feira, novembro 25, 2010
Diz-se que não escolhe idades
"Uma mulher com esta idade já não vive assim uma paixão. Já não é tempo de perder o apetite, de não conseguir trabalhar, de contar minutos como os reclusos contam dias para a liberdade, de me deliciar nos olhos e nas mãos de um homem, de sentir a euforia e a angústia a diluírem-se intermitentes no sangue, de sentir na extensão de toda a pele a atracção dos ímans, da ideia dele adormecer depois de mim e despertar antes que eu o faça, de perder quilos sem explicação porque o espaço que me ocupa entre o peito e o estômago não se concilia com ingestões e digestões, de euforias com quase nada e de receios com insignificâncias. Já não tenho trinta anos. Mulheres da minha idade não perdem o apetite em paixões, antes engordam atafulhadas em açúcares e gorduras para equilibrar a autoestima desfeita por terem sido preteridas a favor de uma outra qualquer, sem qualquer graça aparente a menos de um par de mamas mais firme. Mulheres da minha idade já não se sujeitam a isto. Então foda-se o que é que se passa comigo ?"
segunda-feira, novembro 15, 2010
Cimeira
uma ova !!! Um gajo acorda mais cedo porque vem trabalhar para a zona da cimeira. Depois das comunicações internas a anunciar cortes e restrições no transito, múltiplos perímetros de segurança, obrigatoriedade revista e verificação de identidade, pareceu-me obrigatório preparar muito bem a ida até ao local de trabalho.
Bilhete de identidade actualizado - confere.
Cartão da empresa com morada - confere.
Cartão de funcionário - confere.
Cartão da fundação Luso Americana - confere.
Pino com o símbolo da Nato - hummm, se calhar é melhor tratar de arranjar um.
Ora então e para a revista caso seja mandado parar
Tudo bem lavadinho atrás das orelhas - confere
Roupa interior decente sem buracos, costuras impecáveis e elásticos tensos - confere
Unhas dos pés cortadas - Elááááá. Agarrar o corta-unhas e tratar de nivelar os excessos
Depois disto encetei a minha jornada até ao local de trabalho pronto para qualquer abordagem de todo o tipo de forças.
E não é que nem uma merda de uma operação STOP me fizeram ? Cheguei praticamente à FIL sem sequer me pararem para perguntar onde é que eu ia, que é para eu responder "vou trabalhar que alguém neste país tem de o fazer".
E fui cortar as unhas dos pés para quê?
Bilhete de identidade actualizado - confere.
Cartão da empresa com morada - confere.
Cartão de funcionário - confere.
Cartão da fundação Luso Americana - confere.
Pino com o símbolo da Nato - hummm, se calhar é melhor tratar de arranjar um.
Ora então e para a revista caso seja mandado parar
Tudo bem lavadinho atrás das orelhas - confere
Roupa interior decente sem buracos, costuras impecáveis e elásticos tensos - confere
Unhas dos pés cortadas - Elááááá. Agarrar o corta-unhas e tratar de nivelar os excessos
Depois disto encetei a minha jornada até ao local de trabalho pronto para qualquer abordagem de todo o tipo de forças.
E não é que nem uma merda de uma operação STOP me fizeram ? Cheguei praticamente à FIL sem sequer me pararem para perguntar onde é que eu ia, que é para eu responder "vou trabalhar que alguém neste país tem de o fazer".
E fui cortar as unhas dos pés para quê?
quarta-feira, novembro 10, 2010
O diálogo
Percebeste que estava a brincar quando disse aquilo. Afinal foram as últimas palavras que te dirigi e o humor sempre fez parte. Estavas a respirar tão mal e a fazer imenso barulho.
"Pai, a respirar assim parece o Darth Vader. O que me transforma numa espécie de Luke Skywalker. Estou mesmo a ver sacar do sabre de luz aí debaixo dos lençóis e tentar limpar-me o sebo."
Escrevo-o aqui porque quero lembrar-me.
"Pai, a respirar assim parece o Darth Vader. O que me transforma numa espécie de Luke Skywalker. Estou mesmo a ver sacar do sabre de luz aí debaixo dos lençóis e tentar limpar-me o sebo."
Escrevo-o aqui porque quero lembrar-me.
terça-feira, novembro 02, 2010
Para lá da história
Já aqui falei sobre aquela nossa ida ao cinema. Quando eu tinha 10 anos, ou coisa que o valha, e tu me falaste de conseguir ver para lá do que o filme mostrava, de tentar perceber-lhe a mensagem. De ir à busca dessa mensagem como se buscam tesouros. E eu a ouvir-te incrédulo e desconfiado "Que disparate de conversa. Então para lá das imagens.... Mas que raio de mensagem falas tu?"
Depois, e aos poucos, fui percebendo o que me querias dizer e lá fui sabendo descobrir, aqui e ali, a mensagem para lá das imagens. A história para lá da história.
E hoje pai? E hoje à frente de tanta gente que te homenageava na partida, e eu a precisar tanto de conseguir perceber para lá das imagens. E hei-de consegui-lo, mas por ora a imagem é só a ausência de ti e o vazio imenso.
Depois, e aos poucos, fui percebendo o que me querias dizer e lá fui sabendo descobrir, aqui e ali, a mensagem para lá das imagens. A história para lá da história.
E hoje pai? E hoje à frente de tanta gente que te homenageava na partida, e eu a precisar tanto de conseguir perceber para lá das imagens. E hei-de consegui-lo, mas por ora a imagem é só a ausência de ti e o vazio imenso.
domingo, outubro 24, 2010
De que me importa
... que o teu mundo esteja numa ordem diferente das que reconheço, se o que te oiço dizer não encaixa nas minhas redutoras lógicas. De nada me importa se isso, por alguma razão que eu nem sei, te fizer sereno, ou se te deixa enfrentar essa filha da puta de peito mais aberto. De que me importa senão saber da evidência de uma luta desigual, como desiguais são as forças nos extremos de uma alavanca. Assim arranjes um ponto de apoio. Assim consigas mudar o mundo.
quarta-feira, outubro 20, 2010
Tio
Eu reconheço que até incentivo os Marias a tratar os nossos amigos por Tio e por Tia. É prático, e resolve rapidamente o dilema de tratar por senhor, por você ou por tu quando não sabem o nome dos adultos. Também é verdade que cria algumas situações mais ou menos embaraçosas. A senhora do parque infantil no outro dia bem que tentava explicar ao sirenes que, por muito que quisesse, não era tia dele.
Existe, no entanto um limite de idade legal para este tipo tratamento: a adolescência ou a puberdade ou o que quer que seja. Rapazes e raparigas na segunda metade do 3º ciclo ou já na faculdade a tratarem-me por "tio" não pode ser. Mas não pode ser mesmo, até parece que não sou da geração deles.
No outro dia um universitário de barba tratou-me por "Tio" !!! Mas que merda é esta? Um tipo com pelos na cara a tratar-me por tio, não sendo filho da minha irmã? Então eles não percebem que me fazem sentir assim .... velho? O que é que se segue ? "Olá tio-avô"?
Existe, no entanto um limite de idade legal para este tipo tratamento: a adolescência ou a puberdade ou o que quer que seja. Rapazes e raparigas na segunda metade do 3º ciclo ou já na faculdade a tratarem-me por "tio" não pode ser. Mas não pode ser mesmo, até parece que não sou da geração deles.
No outro dia um universitário de barba tratou-me por "Tio" !!! Mas que merda é esta? Um tipo com pelos na cara a tratar-me por tio, não sendo filho da minha irmã? Então eles não percebem que me fazem sentir assim .... velho? O que é que se segue ? "Olá tio-avô"?
terça-feira, outubro 19, 2010
A passos de Coelho
Pedro Passos Coelho vai quebrar o tabu e revelar a posição oficial do PSD sobre o orçamento. Não lhe restando outra alternativa que não seja viabilizar o orçamento, este tabu nem estatuto tem para que Pedro fosse concorrente na Casa dos Segredos.
Aflige a insistência que os líderes da oposição têm para o harakiri político, mesmo quando o governo está moribundo. Eu não acredito, mas Pedro acredita ser uma excelente alternativa a José. E para que isso aconteça, é necessário que Pedro não perca base de sustentação. Ora Pedro resolve colocar-se numa situação em que se afasta da alternativa a José. Amua em vez de negociar, vira costas em vez de enfrentar, sai aos berros e bate com a porta, mas depois deixa aprovar um orçamento do qual já disse cobras e lagartos. Se votar a favor ou se se abstiver, vai contradizer tudo o que disse até hoje, e vai deixar passar um orçamento que ele considera mau, navegando na perigosa lógica do “menor dos males”. Se votar contra vai ser responsabilizado pelos tempos que se avizinham, numa dramatização muito ao estilo e muito conveniente ao governo. Parece que, mais uma vez, o PSD elegeu gato por lebre, por Coelho digo.
Se já perdemos muito com este governo, parece-me que perdemos todos também com esta oposição.
Aflige a insistência que os líderes da oposição têm para o harakiri político, mesmo quando o governo está moribundo. Eu não acredito, mas Pedro acredita ser uma excelente alternativa a José. E para que isso aconteça, é necessário que Pedro não perca base de sustentação. Ora Pedro resolve colocar-se numa situação em que se afasta da alternativa a José. Amua em vez de negociar, vira costas em vez de enfrentar, sai aos berros e bate com a porta, mas depois deixa aprovar um orçamento do qual já disse cobras e lagartos. Se votar a favor ou se se abstiver, vai contradizer tudo o que disse até hoje, e vai deixar passar um orçamento que ele considera mau, navegando na perigosa lógica do “menor dos males”. Se votar contra vai ser responsabilizado pelos tempos que se avizinham, numa dramatização muito ao estilo e muito conveniente ao governo. Parece que, mais uma vez, o PSD elegeu gato por lebre, por Coelho digo.
Se já perdemos muito com este governo, parece-me que perdemos todos também com esta oposição.
sexta-feira, outubro 15, 2010
Regresso
... da escola. Sempre férteis em ideias peregrinas. O noticiário da TSF anunciava agravamento de impostos às famílias e simulações sobre antes e depois do PEC3 de uma família de classe média:
- Pai, vocês vão passar a ganhar menos ?
- Sim. A ganhar menos e a pagar mais impostos.
- E porquê ?
(aqui a resposta dada foi a politicamente correcta, embora a vontade me empurrasse mais para o lado dos filhos da puta incompetentes)
- Porque o país está numa situação muito difícil e precisa de mais dinheiro.
- E as crianças ?
- As crianças como, Manel?
- As crianças precisam muito de dinheiro, para fazerem as suas coisas. Os jogos e as guloseimas. Eu já sei que o dinheiro vai todo parar ao Presidente da República. E depois? Como é que vem parar a nós?
- Olha Manel. Chegámos. Depois voltamos a este tema. Não é a mãe ali à nossa espera?
- Pai, vocês vão passar a ganhar menos ?
- Sim. A ganhar menos e a pagar mais impostos.
- E porquê ?
(aqui a resposta dada foi a politicamente correcta, embora a vontade me empurrasse mais para o lado dos filhos da puta incompetentes)
- Porque o país está numa situação muito difícil e precisa de mais dinheiro.
- E as crianças ?
- As crianças como, Manel?
- As crianças precisam muito de dinheiro, para fazerem as suas coisas. Os jogos e as guloseimas. Eu já sei que o dinheiro vai todo parar ao Presidente da República. E depois? Como é que vem parar a nós?
- Olha Manel. Chegámos. Depois voltamos a este tema. Não é a mãe ali à nossa espera?
quarta-feira, outubro 06, 2010
Migalha
É verdade que sou lamechas, e que vai de quando em vez, um tipo se emociona e tal, mas depois vem-se-me a bipolaridade e tenho acessos de hiper sensibilidade que variam algures entre o poste telefónico e a boca de incêndio.
O coiso do mais novo morreu. O rato, o Migalha, o hamster dele. Tenho em mim que não aguentou a pressão. Afinal de contas, ele era o quinto elemento do sexo masculino num ambiente com poucas fêmeas. A rainha, e fora a rainha, só as duas hamsteres, a romena das limpezas e a sua nora que anda a aprender português e por isso vem ajudar a sogra, sogra essa que fala romeno com ela o que contribui de forma decisiva para a progressão da dita nora nas artes da língua de Camões. Falar em Camões, o bicho já devia andar a ver torto porque tinha um olho sempre meio fechado, ou estarei a confundir com o hamster do mais velho? Não interessa, a verdade é que se finou e era preciso dizer com muito cuidado ao sirenes, para não lhe estragar o feriado que já ia longo:
"ó António cheira-me que o teu Migalha não está vivo. Não se mexe nem um bocadinho"
"Pai ele é mesmo assim. Ainda ontem estava assim quietinho e depois fartou-se de andar"
"Mas olha que devia estar um bocadinho menos quietinho que agora. Se eu abanar assim a casinha dele ele não se mexe mesmo."
"Está a dormir Pai. Ontem estava igual"
"Não estava igual não. Olha lá. Vês que eu abano-o e ele não faz nada? Olha ele sem mexer nem um bocadinho. Está morto. Vês até está rijo."
"Está bem ... "
passados 5 segundos estava no quarto aos guinchos de tristeza a ser consolado pela mãe.
O coiso do mais novo morreu. O rato, o Migalha, o hamster dele. Tenho em mim que não aguentou a pressão. Afinal de contas, ele era o quinto elemento do sexo masculino num ambiente com poucas fêmeas. A rainha, e fora a rainha, só as duas hamsteres, a romena das limpezas e a sua nora que anda a aprender português e por isso vem ajudar a sogra, sogra essa que fala romeno com ela o que contribui de forma decisiva para a progressão da dita nora nas artes da língua de Camões. Falar em Camões, o bicho já devia andar a ver torto porque tinha um olho sempre meio fechado, ou estarei a confundir com o hamster do mais velho? Não interessa, a verdade é que se finou e era preciso dizer com muito cuidado ao sirenes, para não lhe estragar o feriado que já ia longo:
"ó António cheira-me que o teu Migalha não está vivo. Não se mexe nem um bocadinho"
"Pai ele é mesmo assim. Ainda ontem estava assim quietinho e depois fartou-se de andar"
"Mas olha que devia estar um bocadinho menos quietinho que agora. Se eu abanar assim a casinha dele ele não se mexe mesmo."
"Está a dormir Pai. Ontem estava igual"
"Não estava igual não. Olha lá. Vês que eu abano-o e ele não faz nada? Olha ele sem mexer nem um bocadinho. Está morto. Vês até está rijo."
"Está bem ... "
passados 5 segundos estava no quarto aos guinchos de tristeza a ser consolado pela mãe.
segunda-feira, setembro 27, 2010
Tóbis
Tenho andado de Metro. Já há tanto tempo que não andava em jeito de quotidiano. Os parquímetros e o projecto no centro de Lisboa, fazem-me percorrer as linhas subterrâneas e coloridas.
Hoje fui-te ver ao Hospital. A linha Amarela quase toda. Nem de propósito, a saída do metro mesmo colada à Tóbis. Sabes que só sei da Tóbis, porque me apresentaste ao mundo que sabe o que é a Tóbis. Deixemo-nos de fitas. Bons tempos aqueles. Sem dramas.
Hoje fui-te ver ao Hospital. A linha Amarela quase toda. Nem de propósito, a saída do metro mesmo colada à Tóbis. Sabes que só sei da Tóbis, porque me apresentaste ao mundo que sabe o que é a Tóbis. Deixemo-nos de fitas. Bons tempos aqueles. Sem dramas.
quinta-feira, setembro 23, 2010
Horas de Almoço
Com o início das aulas do mais velho, vieram almoços a dois. De homem para … para pré adolescente. O primeiro sob o pretexto do início da escola, e porque as aulas começavam à tarde, enfim, evitar que ele almoçasse sozinho no refeitório da escola. O segundo, passados poucos dias, porque se queixou de umas cólicas e ameaças de febre, e o melhor mesmo era passar o resto do dia em casa em regime de dieta e de marcação cerrada.
No primeiro, dia de estreia no secundário, na escola oficial, fizemos um programa de hamburgers e fomos a pé até ao liceu. Lá íamos felizes de mão dada até que ao fundo, virada a esquina e a uns 500, metros lá se vislumbrou o edifício do Filipa de Lencastre. Quinhentos metros. Foi esse o perímetro marcado para pôr fim à lamechice. Nada de mãos dadas, nem para atravessar a rua, e nem pensar em desejar-lhe “boas aulas” com um beijo. Aquele metro_e_beca_de_gente interditou qualquer manifestação que indiciasse a presença de mimo perante eventuais olhares de futuros colegas. Estupor do pré adolescente, lá isso é coisa que se faça. Ainda equacionei a possibilidade de o deixar entrar, e quando estivesse rodeado dos colegas na entrada da escola, lhe gritar “Joããããããõoooooooooooooooooooo. Está aqui a mãe ao telefone a perguntar se pode por a lavar o coelho que usas para adormecer !!!”
Deixei-o entrar sossegado, que só me iria perdoar lá por alturas do juramento de bandeira.
O segundo almoço, levou-nos a um tasco da nossa rua. Bifes de peru grelhados, que o pré adolescente estava com as tais cólicas. Pego no Correio da Manhã que estava no balcão e levo-o até à mesa. Vou folheando o jornal enquanto lhe mexo a cocacola para lhe tirar o gás e lhe digo que aquele jornal não é muito bom que só fala de crimes. Nem reparo nas páginas que vou folheando, até que os olhos dele saltam das órbitas. “Estás com cólicas João?” ao que ele me responde. “Estás nas páginas das prostitutas” Rabos para todos os gostos nos anúncios classificados. Entorno a Coca-cola e apresso-me a mudar de página até ao sossego de umas páginas com peças jornalísticas. Mais uma vez os olhos precipitam-se com um ar alarmado sobre o jornal. O que foi agora? Na página da direita um casal que foi preso por promover sexo com os filhos e às vezes até com o cão, na página da esquerda um homem assassinado porque lá na aldeia violava as galinhas e chegou a ser apanhado a violar uma cabra. “Que disparate João, deve-te estar a subir a febre. Não está nada disso escrito. Leste mal. Bebe a coca cola e não faças perguntas que ainda pioras. Desculpe, tem algum jornal de desporto em vez deste? Olhe, deixe estar e traga-me a conta.”
No primeiro, dia de estreia no secundário, na escola oficial, fizemos um programa de hamburgers e fomos a pé até ao liceu. Lá íamos felizes de mão dada até que ao fundo, virada a esquina e a uns 500, metros lá se vislumbrou o edifício do Filipa de Lencastre. Quinhentos metros. Foi esse o perímetro marcado para pôr fim à lamechice. Nada de mãos dadas, nem para atravessar a rua, e nem pensar em desejar-lhe “boas aulas” com um beijo. Aquele metro_e_beca_de_gente interditou qualquer manifestação que indiciasse a presença de mimo perante eventuais olhares de futuros colegas. Estupor do pré adolescente, lá isso é coisa que se faça. Ainda equacionei a possibilidade de o deixar entrar, e quando estivesse rodeado dos colegas na entrada da escola, lhe gritar “Joããããããõoooooooooooooooooooo. Está aqui a mãe ao telefone a perguntar se pode por a lavar o coelho que usas para adormecer !!!”
Deixei-o entrar sossegado, que só me iria perdoar lá por alturas do juramento de bandeira.
O segundo almoço, levou-nos a um tasco da nossa rua. Bifes de peru grelhados, que o pré adolescente estava com as tais cólicas. Pego no Correio da Manhã que estava no balcão e levo-o até à mesa. Vou folheando o jornal enquanto lhe mexo a cocacola para lhe tirar o gás e lhe digo que aquele jornal não é muito bom que só fala de crimes. Nem reparo nas páginas que vou folheando, até que os olhos dele saltam das órbitas. “Estás com cólicas João?” ao que ele me responde. “Estás nas páginas das prostitutas” Rabos para todos os gostos nos anúncios classificados. Entorno a Coca-cola e apresso-me a mudar de página até ao sossego de umas páginas com peças jornalísticas. Mais uma vez os olhos precipitam-se com um ar alarmado sobre o jornal. O que foi agora? Na página da direita um casal que foi preso por promover sexo com os filhos e às vezes até com o cão, na página da esquerda um homem assassinado porque lá na aldeia violava as galinhas e chegou a ser apanhado a violar uma cabra. “Que disparate João, deve-te estar a subir a febre. Não está nada disso escrito. Leste mal. Bebe a coca cola e não faças perguntas que ainda pioras. Desculpe, tem algum jornal de desporto em vez deste? Olhe, deixe estar e traga-me a conta.”
segunda-feira, setembro 20, 2010
Socorro
Procura-se peregrino para integrar esta imensa peregrinação aos hipermercados, lojas de desporto, lojas de material escolar e livrarias, e que arrume de uma só vez as três listas que estão lá em casa em fase de resolução.
* dá-se preferência a candidatos que saibam interiorizar conceitos como lixa de papel, diário gráfico, ângulos de um esquadro e papel de manteiga.
* dá-se preferência a candidatos que saibam interiorizar conceitos como lixa de papel, diário gráfico, ângulos de um esquadro e papel de manteiga.
sexta-feira, setembro 10, 2010
Praia Fórum
Afinal gosto de praia. Está bem que a areia nas virilhas é chata, e o sal na pele também, e a sombra é escassa. Mas tem caipirinhas ao fim da tarde e tem fim da tarde que é provavelmente a melhor altura para lá estar. Mas tinha em mim tratar-se de um local com gente maioritariamente bem disposta, e sem lojas. Bem, na realidade, tem o vendedor das bolas de Berlim que anda com um sino para se fazer anunciar. Uma espécie de badalo. O badalo é, para mim, um som de aldeia. Da altura em que os pastores levavam os rebanhos para a serra e passavam à porta da casa de férias. O vendedor das bolas de Berlim leva cestos com bolas. Sem creme, com creme e com chocolate. Com chocolate ??? Que raio de invenção. Não me convenceu.
Além do homem das bolas (salvo seja, Deus me perdoe), há o vendedor de óculos de sol, e o das túnicas que não tem um ar nada simpático, e ainda o dos relógios e malas de marca, e o dos biquinis brasileiros que até tem um terminal multibanco, e o dos colares e pulseiras e também há chineses que fazem massagens. A praia está carregada de vendedores e isso acontece porque está apinhada de compradores. Até vendedores de pulseiras do equilíbrio aparecem. E logo na praia, em que uma pessoa está quase sempre deitado ou a desequilibrar-se de propósito para cair numa onda ou numa toalha. Há vendedores para quase todos os gostos e a euforia das compras instalou-se.
A praia está a transformar-se numa imensa superfície comercial em que os clientes estão parados e as lojas andam a passear de cliente em cliente, o que é cómodo. Aquela história de andar num centro comercial de loja em loja é muito cansativa e esta versão parece-me muito adequada à preguiça.
Aguardo com expectativa a chegada de outras lojas às praias porque há coisas essenciais que não podem faltar num centro comercial.
Um papelaria/livraria, por exemplo, faz falta. Há tanta gente a querer ler jornais, revistas e livros na praia que não se compreende a inexistência de um desgraçado que os venda praia fora.
Faltam ainda os electrodomésticos, os bancos, as seguradoras, as lojas de comunicações, as de desporto, de animais e manicures e pedicures em fartura. E um supermercado, para fazer compras à saída... ar condicionado se fosse possível também ajudava.
Além do homem das bolas (salvo seja, Deus me perdoe), há o vendedor de óculos de sol, e o das túnicas que não tem um ar nada simpático, e ainda o dos relógios e malas de marca, e o dos biquinis brasileiros que até tem um terminal multibanco, e o dos colares e pulseiras e também há chineses que fazem massagens. A praia está carregada de vendedores e isso acontece porque está apinhada de compradores. Até vendedores de pulseiras do equilíbrio aparecem. E logo na praia, em que uma pessoa está quase sempre deitado ou a desequilibrar-se de propósito para cair numa onda ou numa toalha. Há vendedores para quase todos os gostos e a euforia das compras instalou-se.
A praia está a transformar-se numa imensa superfície comercial em que os clientes estão parados e as lojas andam a passear de cliente em cliente, o que é cómodo. Aquela história de andar num centro comercial de loja em loja é muito cansativa e esta versão parece-me muito adequada à preguiça.
Aguardo com expectativa a chegada de outras lojas às praias porque há coisas essenciais que não podem faltar num centro comercial.
Um papelaria/livraria, por exemplo, faz falta. Há tanta gente a querer ler jornais, revistas e livros na praia que não se compreende a inexistência de um desgraçado que os venda praia fora.
Faltam ainda os electrodomésticos, os bancos, as seguradoras, as lojas de comunicações, as de desporto, de animais e manicures e pedicures em fartura. E um supermercado, para fazer compras à saída... ar condicionado se fosse possível também ajudava.
quinta-feira, julho 22, 2010
Até Jáááááá
Quem me manda fazer graçolas com o call center da TMN:
- e tenho o prazer de estar a falar com ?
- André Frazão
- muito bem senhor André Fragão o que prete...
- Frazão com Z
- Com G. Exacto. Senhor André Fragão em que posso ser...
- É com Z de Zeta e de Zebra.
- Com certeza. Senhor André Zagrão diga lá então em que ....
Nesta altura desatei a chorar de tanto rir e não consegui explicar ao meu interlocutor aquilo que ele tanto queria saber, sobre de que forma me podia ser útil.
Já foste útil, o meu fim de tarde foi muito mais animado graças a ti.
A família Zagrão agradece.
- e tenho o prazer de estar a falar com ?
- André Frazão
- muito bem senhor André Fragão o que prete...
- Frazão com Z
- Com G. Exacto. Senhor André Fragão em que posso ser...
- É com Z de Zeta e de Zebra.
- Com certeza. Senhor André Zagrão diga lá então em que ....
Nesta altura desatei a chorar de tanto rir e não consegui explicar ao meu interlocutor aquilo que ele tanto queria saber, sobre de que forma me podia ser útil.
Já foste útil, o meu fim de tarde foi muito mais animado graças a ti.
A família Zagrão agradece.
quarta-feira, julho 21, 2010
Defeso
- Está lá???? Josééé ? José Sócrates ?
- Sim
- Daqui é o Jorge.
- Coelho? Não estás em Angola? Desliga já isso pá. Olhó défice.
- Não homem. Jesus.
- Eláááá. Ando há que tempos para falar contigo, mas mudei de telemóvel e perdi o teu número. Olha lá, tens falado com a Alexandra Solnado? Vê lá se lhe dizes que isto do país vai melhorar a ver se ela espalha a boa nova. É que em mim já ninguém acredita, enquanto nela...
- Não sou esse. O do campeonato.
- Ai perdão excelência. Não o reconheci. Ainda não lhe agradeci devidamente o campeonato. A única coisa boa nestes últimos meses, para além do fim dos Delfins e do Jornal da TVI.
- Deixa lá isso. Mas olha. Podes agradecer agora. Preciso de um favorzinho.
- Diga lá então Excelência.
- Ainda tens vagas nas novas oportunidades?
- Eláááááá. Aquilo está cheio como um raio, Excelência. Parece o estádio da Luz em dia de derby.
- Preciso de uma vaga lá.
- Ui. Isso é impossível. Não tenho mesmo. A última foi ocupada pela Helena André. Espalhou-se ao comprido numa entrevista e estou-lhe a dar uma nova oportunidade.
- Ouvi falar. Mas eu estou mesmo muito necessitado.
- Deixe-me cá ver com mais cuidado Excelência. Vou abrir a lista de inscritos. Posso colocar em lista de espera?
- Nem penses nisso. É urgente. Queres mais um campeonato, não queres?
- Então não quero ? Mas acho que nem isso me salva. Deixe-me lá ver excelÊncia. Só se tirar de lá o Alegre. Aquele tipo também só me traz problemas. Fora com ele. E devo inscrever quem?
- Roberto Jiménez Gago. O nosso guarda redes. Aquilo é só frangos.
- Já ouvi falar, já ouvi falar. Também já tive problemas assim na equipa. Houve um que até um par de cornos fez a meio da sessão parlamentar. Muito bem Excelência. Já está inscrito.
- Obrigado José
- Ómessa Excelência, estamos cá uns para os outros. Posso ser-lhe útil em mais alguma coisa, Excelência?
- Não. É só.
- Então resta-me agradecer a amabilidade do seu telefonema. Muito boa tarde excelência. Até jááááááááááááááááááá.
- Até já?
- Desculpe Excelência. É o hábito. Ando a fazer uma perninha no call center da TMN. Nunca se sabe. Isto na política nada é certo. Um dia somos bestiais outro dia somos bestas.
- Sei muito bem do que falas José. Se calhar ainda te peço para me arranjares um lugar para mim também. É preciso saber inglês ou espanhol?
- Nãoooooo. Que disparate. Basta apresentar uns certificados.
- Antes assim. Bem, deixa-me lá ir para o treino.
- Vá vá Excelência, que eu também tenho aqui uns afazeres, com a alteração constitucional do Pedro. Então até à próxima Excelência.
- Adeus José. Obrigado.
- Adeusinho Excelência.
- Sim
- Daqui é o Jorge.
- Coelho? Não estás em Angola? Desliga já isso pá. Olhó défice.
- Não homem. Jesus.
- Eláááá. Ando há que tempos para falar contigo, mas mudei de telemóvel e perdi o teu número. Olha lá, tens falado com a Alexandra Solnado? Vê lá se lhe dizes que isto do país vai melhorar a ver se ela espalha a boa nova. É que em mim já ninguém acredita, enquanto nela...
- Não sou esse. O do campeonato.
- Ai perdão excelência. Não o reconheci. Ainda não lhe agradeci devidamente o campeonato. A única coisa boa nestes últimos meses, para além do fim dos Delfins e do Jornal da TVI.
- Deixa lá isso. Mas olha. Podes agradecer agora. Preciso de um favorzinho.
- Diga lá então Excelência.
- Ainda tens vagas nas novas oportunidades?
- Eláááááá. Aquilo está cheio como um raio, Excelência. Parece o estádio da Luz em dia de derby.
- Preciso de uma vaga lá.
- Ui. Isso é impossível. Não tenho mesmo. A última foi ocupada pela Helena André. Espalhou-se ao comprido numa entrevista e estou-lhe a dar uma nova oportunidade.
- Ouvi falar. Mas eu estou mesmo muito necessitado.
- Deixe-me cá ver com mais cuidado Excelência. Vou abrir a lista de inscritos. Posso colocar em lista de espera?
- Nem penses nisso. É urgente. Queres mais um campeonato, não queres?
- Então não quero ? Mas acho que nem isso me salva. Deixe-me lá ver excelÊncia. Só se tirar de lá o Alegre. Aquele tipo também só me traz problemas. Fora com ele. E devo inscrever quem?
- Roberto Jiménez Gago. O nosso guarda redes. Aquilo é só frangos.
- Já ouvi falar, já ouvi falar. Também já tive problemas assim na equipa. Houve um que até um par de cornos fez a meio da sessão parlamentar. Muito bem Excelência. Já está inscrito.
- Obrigado José
- Ómessa Excelência, estamos cá uns para os outros. Posso ser-lhe útil em mais alguma coisa, Excelência?
- Não. É só.
- Então resta-me agradecer a amabilidade do seu telefonema. Muito boa tarde excelência. Até jááááááááááááááááááá.
- Até já?
- Desculpe Excelência. É o hábito. Ando a fazer uma perninha no call center da TMN. Nunca se sabe. Isto na política nada é certo. Um dia somos bestiais outro dia somos bestas.
- Sei muito bem do que falas José. Se calhar ainda te peço para me arranjares um lugar para mim também. É preciso saber inglês ou espanhol?
- Nãoooooo. Que disparate. Basta apresentar uns certificados.
- Antes assim. Bem, deixa-me lá ir para o treino.
- Vá vá Excelência, que eu também tenho aqui uns afazeres, com a alteração constitucional do Pedro. Então até à próxima Excelência.
- Adeus José. Obrigado.
- Adeusinho Excelência.
terça-feira, julho 20, 2010
Sabedoria Popular
... ainda as propósito do tema, saiu esta frase.
"O artesanato faz parte do património, a Bimby faz parte do matrimónio"
"O artesanato faz parte do património, a Bimby faz parte do matrimónio"
Facilitadores
A roda, a Ana Malhoa, o Tolan, o desodorizante roll-on, o regresso do Big Brother, o José Cid e as claras em castelo são boas ideias. Mas não se comparam a isto.
A par das molas que prendem os pares de meias desde que saem dos pés até que voltam para a gaveta, o cortador de maçãs que comprei é a grande invenção
A par das molas que prendem os pares de meias desde que saem dos pés até que voltam para a gaveta, o cortador de maçãs que comprei é a grande invenção
segunda-feira, julho 19, 2010
Unlocked
Ontem ordenavam em decrescendo de preferência, os meios de transporte. O eléctrico à cabeça, à conta das viagens com os avós, depois o avião e o comboio. Carros e táxis no fim da lista. A excitação das viagens fica-lhes bem vincada no estilo, e quando se trata de estreias, é vê-los a explorar todos os recantos e a testar todos os equipamentos. Das cadeiras que reclinam, das portas que abrem e fecham, das torneiras que deitam água quando se pisa a borracha do chão. Um dia, está prometido, viajamos de autocaravana Europa fora.
Apanhámos o comboio em Paddington rumo à legolândia. Saída mesmo à queima para um horário cumprido à tabela. Correria plataforma fora até entrar na carruagem meio minuto antes da partida. Bofes de fora, suores nos bigodes, e lá nos sentamos dispersos em bancos de comboio, em modo de “such a cute family”. A pressa no embarque, aliada à vontade da descoberta, levou-os em direcção à casa de banho, porque não tinham tido tempo de chichis antes da jornada. Concordei e até subscrevi. Também estava com sinais externos de quem já me aliviava e a ida à casa de banho fazia todo o sentido. Deixamos a rainha entregue a leituras na sua poltrona e vamos os quatro à casa de banho. Surpreendentemente a casa de banho daquele comboio é enorme e tem uma porta a condizer. Como é que se abre ? Ora deixa cá ver, este botão do lado de fora que diz “OPEN” parece ser a chave. Confirma-se logo depois de três mãos pequenas se precipitarem sobre ele assim que eu anuncio “deve ser este”. A porta desliza para dentro da parede e exibe uns dois metros quadrados de WC. Cá fora, meia dúzia de ingleses sentados num banco corrido escancarado para a porta, assistiam deliciados à excitação da pequenada e das minhas tentativas mais ou menos infrutíferas de criar alguma ordem naquele caos. O botão “CLOSE” por cima de uma maçaneta com ar de “maçaneta de travagem de emergência” indicava o próximo botão a ser carregado. Depois de fechada a porta, e do alívio das impacientes bexigas, experimentavam todos os artefactos. O autoclismo, a torneira, o secador de mãos, o sabonete liquido num frenesim que se ouvia lá fora. Peço-lhes que não mexam em mais nada e começo a tratar do meu próprio alivia. Pila para fora e vai disto.
Assim que passo aquele ponto em que já não é possível parar, ainda faço uma recomendação em voz alta “NINGUÉM CARREGA NO BOTÃO VERDE QUE DIZ OPEN”. Nem meio segundo, sinto à minha direita, a porta a deslizar suavemente e a luz exterior a entrar na casa de banho. Uma mão na braguilha, a outra na pila, rodo o pescoço e vejo uma senhora de pé a preparar-se para entrar no WC. Grito “MENINOS FECHEM A PORTAAAAAAAAAAAAA” enquanto em movimentos parecidos com ridículos passos pequeninos e pulinhos tento pôr-me de costas para a porta e carregar com o cotovelo no botão CLOSE. A um ritmo enervantemente lento, a porta volta a deslizar até se fechar. Risadas e muitas dentro e fora da case banho e eu aos berros a tentar arranjar uma cabeça para rolar “Quem é que foi o engraçadinho que carregou no botão????” Todos juraram que nada tinham feito.
Acabo o meu alívio, transformado em pesadelo, lavo as mãos e abro a porta desta vez com o propósito de o fazer. Não sei porquê os que não estavam a sorrir ainda gargalhavam alegremente. Não são os Ingleses que se costuma embaraçar nestas situações? Pois aqueles pareciam muito à vontade. A senhora que ia entrar na casa de banho ainda consegue interromper o riso para me dizer “It’s not their fault. You must lock the door here” e aponta para a maçaneta que tinha um ar travagem de emergência e umas letras garrafais que diziam “LOCK”. Agradeci com sorriso amarelo e apressei-me a sair dali.
“Pai, o que é que a senhora estava a dizer?”
“Estava a pedir desculpa de ter aberto a porta”
“Porque é que ala apontou para aquela maçaneta?”
“Sei lá João Maria. Porque lhe apeteceu. Pouca conversa e vamos ter com a mãe”
Lá mudámos para a carruagem onde estava a Ana. Eu com cara de caso e eles com cara de gozo.
“Vamos embora Ana. Saímos já na próxima que este comboio não me inspira confiança”
Apanhámos o comboio em Paddington rumo à legolândia. Saída mesmo à queima para um horário cumprido à tabela. Correria plataforma fora até entrar na carruagem meio minuto antes da partida. Bofes de fora, suores nos bigodes, e lá nos sentamos dispersos em bancos de comboio, em modo de “such a cute family”. A pressa no embarque, aliada à vontade da descoberta, levou-os em direcção à casa de banho, porque não tinham tido tempo de chichis antes da jornada. Concordei e até subscrevi. Também estava com sinais externos de quem já me aliviava e a ida à casa de banho fazia todo o sentido. Deixamos a rainha entregue a leituras na sua poltrona e vamos os quatro à casa de banho. Surpreendentemente a casa de banho daquele comboio é enorme e tem uma porta a condizer. Como é que se abre ? Ora deixa cá ver, este botão do lado de fora que diz “OPEN” parece ser a chave. Confirma-se logo depois de três mãos pequenas se precipitarem sobre ele assim que eu anuncio “deve ser este”. A porta desliza para dentro da parede e exibe uns dois metros quadrados de WC. Cá fora, meia dúzia de ingleses sentados num banco corrido escancarado para a porta, assistiam deliciados à excitação da pequenada e das minhas tentativas mais ou menos infrutíferas de criar alguma ordem naquele caos. O botão “CLOSE” por cima de uma maçaneta com ar de “maçaneta de travagem de emergência” indicava o próximo botão a ser carregado. Depois de fechada a porta, e do alívio das impacientes bexigas, experimentavam todos os artefactos. O autoclismo, a torneira, o secador de mãos, o sabonete liquido num frenesim que se ouvia lá fora. Peço-lhes que não mexam em mais nada e começo a tratar do meu próprio alivia. Pila para fora e vai disto.
Assim que passo aquele ponto em que já não é possível parar, ainda faço uma recomendação em voz alta “NINGUÉM CARREGA NO BOTÃO VERDE QUE DIZ OPEN”. Nem meio segundo, sinto à minha direita, a porta a deslizar suavemente e a luz exterior a entrar na casa de banho. Uma mão na braguilha, a outra na pila, rodo o pescoço e vejo uma senhora de pé a preparar-se para entrar no WC. Grito “MENINOS FECHEM A PORTAAAAAAAAAAAAA” enquanto em movimentos parecidos com ridículos passos pequeninos e pulinhos tento pôr-me de costas para a porta e carregar com o cotovelo no botão CLOSE. A um ritmo enervantemente lento, a porta volta a deslizar até se fechar. Risadas e muitas dentro e fora da case banho e eu aos berros a tentar arranjar uma cabeça para rolar “Quem é que foi o engraçadinho que carregou no botão????” Todos juraram que nada tinham feito.
Acabo o meu alívio, transformado em pesadelo, lavo as mãos e abro a porta desta vez com o propósito de o fazer. Não sei porquê os que não estavam a sorrir ainda gargalhavam alegremente. Não são os Ingleses que se costuma embaraçar nestas situações? Pois aqueles pareciam muito à vontade. A senhora que ia entrar na casa de banho ainda consegue interromper o riso para me dizer “It’s not their fault. You must lock the door here” e aponta para a maçaneta que tinha um ar travagem de emergência e umas letras garrafais que diziam “LOCK”. Agradeci com sorriso amarelo e apressei-me a sair dali.
“Pai, o que é que a senhora estava a dizer?”
“Estava a pedir desculpa de ter aberto a porta”
“Porque é que ala apontou para aquela maçaneta?”
“Sei lá João Maria. Porque lhe apeteceu. Pouca conversa e vamos ter com a mãe”
Lá mudámos para a carruagem onde estava a Ana. Eu com cara de caso e eles com cara de gozo.
“Vamos embora Ana. Saímos já na próxima que este comboio não me inspira confiança”
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