segunda-feira, julho 19, 2010
Unlocked
Apanhámos o comboio em Paddington rumo à legolândia. Saída mesmo à queima para um horário cumprido à tabela. Correria plataforma fora até entrar na carruagem meio minuto antes da partida. Bofes de fora, suores nos bigodes, e lá nos sentamos dispersos em bancos de comboio, em modo de “such a cute family”. A pressa no embarque, aliada à vontade da descoberta, levou-os em direcção à casa de banho, porque não tinham tido tempo de chichis antes da jornada. Concordei e até subscrevi. Também estava com sinais externos de quem já me aliviava e a ida à casa de banho fazia todo o sentido. Deixamos a rainha entregue a leituras na sua poltrona e vamos os quatro à casa de banho. Surpreendentemente a casa de banho daquele comboio é enorme e tem uma porta a condizer. Como é que se abre ? Ora deixa cá ver, este botão do lado de fora que diz “OPEN” parece ser a chave. Confirma-se logo depois de três mãos pequenas se precipitarem sobre ele assim que eu anuncio “deve ser este”. A porta desliza para dentro da parede e exibe uns dois metros quadrados de WC. Cá fora, meia dúzia de ingleses sentados num banco corrido escancarado para a porta, assistiam deliciados à excitação da pequenada e das minhas tentativas mais ou menos infrutíferas de criar alguma ordem naquele caos. O botão “CLOSE” por cima de uma maçaneta com ar de “maçaneta de travagem de emergência” indicava o próximo botão a ser carregado. Depois de fechada a porta, e do alívio das impacientes bexigas, experimentavam todos os artefactos. O autoclismo, a torneira, o secador de mãos, o sabonete liquido num frenesim que se ouvia lá fora. Peço-lhes que não mexam em mais nada e começo a tratar do meu próprio alivia. Pila para fora e vai disto.
Assim que passo aquele ponto em que já não é possível parar, ainda faço uma recomendação em voz alta “NINGUÉM CARREGA NO BOTÃO VERDE QUE DIZ OPEN”. Nem meio segundo, sinto à minha direita, a porta a deslizar suavemente e a luz exterior a entrar na casa de banho. Uma mão na braguilha, a outra na pila, rodo o pescoço e vejo uma senhora de pé a preparar-se para entrar no WC. Grito “MENINOS FECHEM A PORTAAAAAAAAAAAAA” enquanto em movimentos parecidos com ridículos passos pequeninos e pulinhos tento pôr-me de costas para a porta e carregar com o cotovelo no botão CLOSE. A um ritmo enervantemente lento, a porta volta a deslizar até se fechar. Risadas e muitas dentro e fora da case banho e eu aos berros a tentar arranjar uma cabeça para rolar “Quem é que foi o engraçadinho que carregou no botão????” Todos juraram que nada tinham feito.
Acabo o meu alívio, transformado em pesadelo, lavo as mãos e abro a porta desta vez com o propósito de o fazer. Não sei porquê os que não estavam a sorrir ainda gargalhavam alegremente. Não são os Ingleses que se costuma embaraçar nestas situações? Pois aqueles pareciam muito à vontade. A senhora que ia entrar na casa de banho ainda consegue interromper o riso para me dizer “It’s not their fault. You must lock the door here” e aponta para a maçaneta que tinha um ar travagem de emergência e umas letras garrafais que diziam “LOCK”. Agradeci com sorriso amarelo e apressei-me a sair dali.
“Pai, o que é que a senhora estava a dizer?”
“Estava a pedir desculpa de ter aberto a porta”
“Porque é que ala apontou para aquela maçaneta?”
“Sei lá João Maria. Porque lhe apeteceu. Pouca conversa e vamos ter com a mãe”
Lá mudámos para a carruagem onde estava a Ana. Eu com cara de caso e eles com cara de gozo.
“Vamos embora Ana. Saímos já na próxima que este comboio não me inspira confiança”
terça-feira, julho 13, 2010
Conselho
Eu que já achava estranho o conceito de higienista oral, mais estranhei quando ela se virou para mim e disse:
"Vamos passar a usar fio dental diariamente"
Eu não consigo resistir à primeira pessoa do plural:
"Se não se importa, eu vou continuar a optar pelos boxers. A doutora fará como melhor entender."
segunda-feira, julho 05, 2010
João Sem Medo
Príncipe das Bochechas
Bem sei que formalmente estás proibido de crescer. É em tom de brincadeira, e de uma forma genérica tem a ver com a resistência a cortar uns cordões umbilicais fictícios. Acontece que nestas duas semanas, por estares na colónia de férias, torna-se conveniente que deixemos cair esses tais cordões. Só até ao final da colónia de férias.
Os recentes telefonemas entre lágrimas deixam-nos na equidistância entre o "ai meu rico menino que está tão triste ao abandono no meio da selva a braços com as saudades e já lá vai mais de uma semana e agora passou o ponto de tolerância à ausência parental e até provas de orientação nocturna no meio dos arrozais infestados de bicharada aqueles selvagens o obrigam a fazer" e o "deixa-te de merdas e trata de te divertir que foste tu a escolher ficar lá duas semanas e ainda há dois dias estava tudo lindo, e agora, sabe Deus porquê, deu-te a tremedeira e queres voltar para casa porque estás mal habituado".
Em conclusão ficas até ao fim de semana e serás mimado em conformidade. É para seres João sem Medo (não confundir com Semedo) e podes crescer à vontade. Estão excluídas situações que envolvam perca de mimo, alterações à voz e aparecimento de pilosidade em zonas estranhas. A mãe e o pai agradecem.
Obviamente antecipo-me
A propósito da quantidade astronómica de vuvuzelas que cairam drasticamente em desuso, proponho que Joana Vasconcelos as trasnforme numa imensa instalação. Uma Scut de vuvuzelas por exemplo.
Nota do Autor: O IVA deste blog desceu 1% com efeitos retroactivos a 1 de Julho. Para equilibra.
segunda-feira, junho 07, 2010
Se ...
quarta-feira, maio 26, 2010
A estranha semelhança entre um cruzeiro
Natércio gosta de fazer cruzeiros. Enjoa frequentemente, nada como um prego, fala um inglês miserável, tem pavor de gaivotas mas adora conhecer pessoas e ali, os restantes 2100 passageiros, não têm muito por onde escapar. É vê-lo a estudar os parceiros de viagem à medida que embarcam e a desdobrar-se em atenções com este ou aquele de acordo com a apreciação inicial. Grosseira porque superficial, mas muitas vezes eficaz. Chama-lhe perícia e gaba-se dela despudoradamente.
“Aquela ali foi despejada pelo filho no navio. A mulher já não vai para nova e os lares decentes estão pela hora da morte. Deve ser uma estreia. Que quantidade de malas absurda para duas semanas. Aposto que traz roupa de cama. Quando descobrir a sala de bingo, esquece-se que está num cruzeiro e vai passar o resto do tempo a riscar números e a gritar bingo quando fizer uma linha. Ainda a apanho na minha mesa num destes dias.”
“Olha-me que cromo. Cana de pesca!!! Com sorte trouxe o isco e tudo. Eh eh eh. Deve sair daqui com dois ou três tubarões debaixo do braço. Ó homem, hás-de estar na proa que eu sigo para a popa. Nem no bar depois de me atascar em margueritas te quero por a vista em cima.”
“É lecasssssss. O que é aquilo? Será que vem sozinha? Se naufragarmos nem precisa de colete salva vidas. Com aquelas bóias. Tem a marca no dedo, mas não usa aliança. Divorciada de fresco até aposto. Querem-me lá ver que saio daqui noivo? Ou te encontro na disco, ou vais parar à minha mesa num destes jantares.”
“Olha os Martins. Estes já os conheço do Norte de África em 2002. Porreiraços. Ele está igual e ela deve ter feito umas plásticas. Companhias certificadíssimas para as passeatas turísticas. São um prato estes dois. Que sorte Natércio!!!”
Se um dia fizer um cruzeiro sigo os sábios ensinamentos do Natércio. Divido as pessoas em grupos e ajo em conformidade.
Hei-de ter um grupo das “pessoas com quem divido o camarote” que são a família lá de casa e mesmo assim divido-o em dois. Putalhada para o camarote do lado.
Grupo das “pessoas com quem janto à mesa e bebo um copo no bar”. São os amigos mais próximos, de convívio fácil e muito saboreado.
Grupo das “pessoas com quem convivo no convés.” São as pessoas mais ou menos conhecidas de convívio agradável. Trocam-se umas piadas e eventualmente ganham estatuto de jantar juntos conforme a empatia criada.
Grupo das “pessoas que encontro na sala de jogos”. São as pessoas que aderem à mesma actividade, não necessariamente simpáticas, não obrigatoriamente conhecidas. Estão lá porque um jogo de grupo é isso mesmo. Um jogo de grupo.
Grupo das “pessoas que enfiava no bote salva vidas em caso de naufrágio”. São os dos camarotes, mais os dos jantares e um ou outro do convés, os idosos e as crianças e algum pessoal de bordo que sabem sempre o que hão-de fazer caso a situação fique dramática. Estão lá porque são próximos, ou porque são úteis ou porque simplesmente não se lhes recusa lugar no bote salva vidas.
Grupo “homem ao mar” ou “pessoas que atirava para fora do navio”. Se pudesse escolher, nunca teriam embarcado. Agora estão lá e é uma chatice mandá-los borda fora.
Se um dia fizer um cruzeiro, levo etiquetas.
E se o ? Não. Não existe essa coisa de grupos de amigos. Ah existe ? E se o Facebook fosse um cruzeiro ?
terça-feira, maio 18, 2010
Perfume
Das minhas memórias tiro o cheiro de café do emprego do meu pai. Os escritórios paredes-meias com a fábrica, não disfarçavam aquele cheiro intenso e bom a café e depois o barulho das máquinas que o moíam ou torravam. E os amigos pois claro e os colegas. Lembro-me do Rui, do Carlos Alberto, da Isabel e do Nuno. O Carlos Alberto fez um trabalho, nem sei bem a propósito do quê, em que incluiu um texto que tinha escrito durante o ciclo. Lembro-me de regressar a casa carregado com pacotes de dois quilos de Sugus, ou com Suchard Express. Conferia-me um certo estatuto ter um pai que trabalhava no marketing. Por causa dos Sugus às catadupas, ou por levar Chupa Chups em forma de apito, antes de serem colocados no mercado, ou do prestígio de participar na escolha do nome do próximo produto: uma listagem com todas as combinações de 4 e 5 letras para sublinhar durante o fim de semana as que faziam sentido: saiu Brasa, essa mesma Brasa - a bebida que aquece o coração. E as filmagens dos anúncios? Isso é que era. A miúda gira da Tofina em Sintra, ou aqueles três dias no Portugal dos Pequeninos a filmar os Sugus. Uns quarenta e tantos graus e os miúdos naquelas fardas de banda de aldeia com a criançada a fazer de adultos a ver a banda passar “sugus de fruta, tantos sabores …”. Ofereci-me para ir buscar 40 cafés para a equipa, num púcaro quase do meu tamanho que me escaldava nas mãos. Sempre muito bem tratado, afinal de contas, eu era o filho do cliente.
Antes da faculdade voltei aos escritórios. Durante um mês, para trabalhar e lá estava o cheiro a café. Sempre o mesmo cheiro delicioso do café torrado. Ainda hoje, quando entro na Nespresso, que ironia, a loja de café daquela que era a grande concorrente, ainda me faz lembrar a Tofa e o escritório do meu pai.
terça-feira, maio 04, 2010
Quinhentas por dia
Agora a sério. Então eu morro às 500 vezes por dia e o médico acha isso mau? Eu acho normal. O que não acho normal é a inexistência de festejos em cada ressurreição. Então o Outro que deu de si, e ainda por cima para dar de si, foi preciso fazer aqueles quilómetros todos, mais a cruz, mais os espinhos e ainda ficou para lá prespegado na torreira do sol durante uma data de tempo, e ainda se queixou que os técnicos não sabiam o que faziam e demorou três dias até ressuscitar e sabe Deus o que teve que fazer para o conseguir. Dizia eu então o Outro que ressuscita passados três dias, e há dois mil anos que se festeja o evento com vigílias, e lava pés e jejuns, e borregos, e procissões, e mais a cruz a passear na aldeia a ser beijada por toda a gente que este ano foi um disparate em soluções anti gripe A para manter a tradição, que até acabou tudo bêbado porque se esgotou a solução e untaram aquilo com aguardente e ninguém parava de beijar o Homem, e mais os ovos, e os coelhos, e tolerâncias de ponto à quinta à tarde que transformam qualquer empresa à quinta de manhã numa cresce publica, e eu que ressuscito à média de 20 vezes à hora, e acho que eles sabem o que fazem, mas nem a uma porcaria duma gala da TV eu tenho direito? Desculpem, mas acho um bocadinho desequilibrado. Chamem-lhe inveja, chamem-lhe ciúmes mas também quem não sente não é filho de boa gente e um gajo sente estas coisas. Mexe comigo, prontos.
Menos mal, vejamos o que diz este segundo exame. Mas vou já avisando, que se voltar a dar que morro em demasia, não se atrevam a chibar-se aos empregos e às seguranças sociais que vão logo arranjar maneira de dizer que ando a descontar tempos que não estou vivo, e que afinal nestas condições só me posso reformar lá para depois dos 80, que eu ando a fingir que vivo, e que não tenho direito ao ordenado por inteiro e o camandro. Se se puserem com essas merdas, ficam já a saber que vou reivindicar os subsídios de ressurreição e pensões de alimentos para os dependentes para cada vez que me baldo. Ficam, portanto, desde logo avisadinhos.
domingo, abril 18, 2010
Regressos



bQuase num acaso, no meio do meu facebook, descubro a minha prima a tornar-se amiga de um utilizador "Formigueiro Memórias". E memórias é o que não falta, quando se trata do colégio que tinha a forma de um castelo. Memórias de tantas coisas boas, dos recreios e das brincadeiras, de um armário de guloseimas, da sala de música, do cheiro da cantina, do elevador, das janelas às cores, da escada de pedra no recreio, dos banhos de mangueirada no regresso da praia, das festas de Natal, e das pessoas. Andámos lá tantos de então. Eu a minha irmã, e os meus primos, os Geadas também e os Cabanelas, e eis que o facebook, em tiques de máquina do tempo, nos leva de regresso à escola em forma de castelo, à terra dos sonhos.
quinta-feira, abril 15, 2010
Cuidados Intensivos
Eu diria que o homem, digo, o Deus, está de rastos e até nem acho que tenha a ver com as barbaridades a que vai assistindo sobre a Igreja e a pedofilia.
terça-feira, abril 13, 2010
Sobressalto
segunda-feira, abril 12, 2010
Descoberta Científica
Acho que descobri porque é que os monges tibetanos conseguem levitar. Têm a ver com uma gestão cuidadosa da flautelencia.
terça-feira, março 23, 2010
Dia do Coxo
Andamos pois todos coxos e este é um dia que a todos nós diz respeito. Descubram o coxo que há dentro de cada um de vocês e festejem o dia. Vão ao pé coxinho para casa e joguem à macaca.
terça-feira, março 16, 2010
Pequenas aprendizagens de fim de semana
2. Se, por ingestão excessiva de caipirinhas, deixar cair o telemóvel na sanita, enfie-o numa taça cheia de arroz para que este absorva a humidade. Também serve para outras razões que o levem a deixar cair o telemóvel na sanita. Findas 24 horas, o telemóvel estará praticamente operacional. Aproveite e faça arroz de sms's.
terça-feira, março 09, 2010
Na sala
A parte da frente da carteira, tem um tampo, e debaixo do tampo, tem espaço para as pernas. Parece impossível que as tuas nunca lá estejam e andem, como a agulha de uma bússola estuporada, sempre longe do local criado para o efeito. Gostei tanto de ler na tua classe, de já saberes da letra t e de a colares ao contrário na folha de papel. No recreio, ia-me dando a tronglamongla de tanto rodopiar os teus amigos rumo ao infinito e mais além. Aquele jogo do pisca pisca, é um bocadinho panhonhas. Piscar o olho uns aos outros é panisgas. Hás-de pedir à Professora Emília para vos ensinar a jogar ao bate pé que é muito mais animado e confere horas intermináveis de gestão da autoestima.
Adorei assistir à tua aula, e ganhei um quadro de pirata lindo. Agora já quase sabes ler, e finalmente a taxa de analfabetismo lá de casa regressa a zero, após onze anos consecutivos de valores acima dos 20%. É verdade, quando souberes escrever, lá para Maio, evita fazer panfletos insultuosos aos teus irmãos, como o Manel fez aos cinco anos.
quinta-feira, março 04, 2010
Nos lugares improváveis
Assíntota de uma curva é um ponto do qual esta se aproxima à medida que se percorre a curva. Quando essa curva é o gráfico de uma função, as assíntotas são as rectas que acompanham a função quando alguma das suas variáveis anda perto de infinito. É deste conceito que gosto. Da proximidade de duas realidades perto do infinito. Como as rectas paralelas que dizem combinam encontrarem-se por lá. É deste conceito que gosto, do da companhia em lugares improváveis. E então, e assim já tudo pode ser matemática. Já me é permitido dizer que o pote de ouro é a assíntota do arco-íris, que o céu é a assíntota do mar no horizonte, e que a estrada é a assíntota da copa das árvores. São a companhia em lugares improváveis. Agora quero ser a curva de uma qualquer função de amor, e quero-te sim, assíntota nos lugares improváveis, tão perto de mim quando algo tende para o infinito.
segunda-feira, março 01, 2010
Pasmaceira
Fui calmamente trabalhar, e no trajecto, parecia um profissional da condução de Domingo. Fiz três quilómetros atrás de um TIR carregado e cheguei a atingir 30 km/h. Deixei passar toda a gente nas passadeiras e não buzinei à senhora das muletas que atravessou na diagonal. Nas rotundas, deixei esvaziar todos os afluentes até entrar e demorei uns 40 minutos para lá do que seria necessário até chegar ao emprego. Mas não me enervei nem um bocadinho.
Já no trabalho, entrou um senhor aos berros com a minha equipa e até lhe pedi de forma muito tranquila, que usasse os canais criados para o efeito (entenda-se comunicar a desconfiança que algo não está de acordo com o estipulado).
À noite hei-de estar harmoniosamente em família. Os Marias vão a jogar à bola no corredor, formatar o disco do meu computador, destruir-me a Farmville e até podem fazer enchidos no tubo do aspirador, que eu muito pacientemente hei-de pedir-lhes para estarem um tudo nada mais sossegados.
Este aparelho aparentemente só mede, mas faz mais que uma caixa de valiuns. Acalma muito. O problema é que nos transforma nuns sabonetes, mosca mortas, capazes de verter baba, alforrecas, songamongas muito, mas muito irritantes. Não há-de faltar muito para o tirar do pescoço e arrancar os fios das mamas, que pareço uma playstation muito wire e pouco less, e ligar esta coisa ao segurança aqui da entrada que, esse sim, tem os batimentos cardíacos de um pargo congelado e demora 10 minutos a entregar um simples cartão de acesso. Amanhã cedo, saco-lhe o engenho e entrego-o conforme combinado para a leitura e interpretação adequada.
quarta-feira, fevereiro 24, 2010
QA
"Ó presunto, vai-te embora que não estás saboroso. Anda cá tu, paiosinho que vais já parar a este pãozinho e vou-te comer. Ai vou, vou."
Então o miúdo não podia optar por algo mais intelectual ? Falar com livros ou com discos pronto. Tinha que ser com comida ? O que é que se segue ? Vai-se armar em Jesus Cristo e escolher uma dúzia de ovos para apóstolos: "Tu estás estragado, deves ser o Judas" ?
Não faço ideia se o QI é alto, se o QE é interessante, mas o QA - Quociente Alimentar é um assombro.
domingo, fevereiro 21, 2010
Carta à Berta, digo à Paula
Mais uma vez, mea culpa, e fruto de uma educação afastada da cultura de Paris e Nova Iorque, mas não consigo gostar daqueles quadros. Em contra-mão, o edifício da Casa das Histórias é genial. Gosto de arquitectura.
O homem almofada que convence as crianças a suicidarem-se, ou a senhora que, na cadeira, cose o sexo do menino, vão ser ultrapassados num instante. Segundas quartas e sextas, das seis às oito da noite. O psicólogo foi muito compreensivo e faz descontos de grupo. Só tenho que pagar duas consultas para eles os três. Dois aninhos nisto e os três Marias ficam como novos.
quarta-feira, fevereiro 17, 2010
Quarta Feira de Cinzas
Carnaval sem pistolas, não era carnaval, e bisnagas são coisas de menina. Pistolas só eram pistolas se tivessem fulminantes, de preferência daqueles em formato de tambor para o estoiro ser mais real. Além dos fulminantes, havia os estalinhos que, se comprados às centenas, garantiam uma quantidade de pólvora razoável. E ainda tínhamos as bombas chinesas que, além de pólvora ainda forneciam rastilhos. Por fim as bombas maiores. Essas sim, necessitavam de algum cuidado no manuseamento, mas garantiam sempre um efeito sonoro e visual invejável. Além destes materiais explosivos ainda haviam umas tiras que se raspavam na parede e se estalavam dentro das mãos fechadas em concha e as conhecidas bombas de mau cheiro que estavam fechadas dentro de umas mini-lâmpadas de vidro.
Toda esta geração a que pertenço, durante a festiva época do Carnaval, manuseou de forma displicente um poderoso arsenal de artefactos. À luz dos actuais paradigmas e normas, devíamos estar todos manetas-ou-mortos vítimas de acidente, ou presos-ou-a-monte por pertencermos à ETA, ou recrutados pela Al-Qaeda para integrarmos as fileiras da AAJS Assim-Assim-Jovens-Suicidas.
Se já vivi tanta coisa no Carnaval, haverá alguma coisa que me impressione nesta época de foliões? Há sim senhor. Faz-me uma tremenda espécie, a cópia sem qualidade das tradições carnavalescas do outro lado do atlântico, que inundam os desfiles do nosso país, com falsas mulatas em hipotermia extrema e parcos trajes de lantejoulas de lojas de chineses. Aquelas mulheres correm risco de vida, a desfilar naqueles preparos sob temperaturas quase negativas. Metam uma coisa na cabeça: o aquecimento global esqueceu-se de nós, e quando mais precisamos dele, teima em abandonar-nos. Não há nada a fazer, o nosso carnaval não se festeja acima dos 30 graus. Está sempre um barbeiro que o senhor nos acuda. Deus me perdoe de escrever isto: Vistam as gajas. Tapem-nas. Elas não estão a sambar. Estão a tremer de frio.
quarta-feira, fevereiro 10, 2010
O Tasco de Alvalade

O sr ZéDungas, proprietário da tasca lá do bairro, marcou para esta terça feira, uma degustação de petiscos. Coisa fina, bem se vê, com direito a orelha de porco, punhetas de bacalhau e pipis na ementa. Ora o ZéDungas, que anda nestas coisas há muitos anos, sabe que cada vez que se aplica na ementa, lhe aparece o Adérito Zarolho mais o seu grupo de amigos que, além de apreciarem a degustação, carregam no apreciar e fazem sempre estragos. Partem uns copos, insultam os outros clientes, e não seria uma estreia se provocassem desacatos com contornos violentos. Consciente do chamariz que a degustação provoca, o sr ZéDungas contratou um serviço de acompanhantes, amigos seus lá do bairro, de porte robusto e cara de poucos amigos. A troco de umas saladas de polvo e umas bejecas, estes acompanhantes garantem que o Adérito Zarolho e os seus amigos, entram no tasco ordeiramente, sentam-se de forma civilizada, apreciam a degustação e não chateiam mais ninguém, até porque lhes está reservada a parte dos fundos do estabelecimento.
Ora a casa já estava meia cheia com os clientes habituais e a azáfama na cozinha já era muita. Os pezinhos de coentrada já levavam um bom avanço e os clientes iam preenchendo os bancos corridos da sala principal. Nisto eis que chega o grupo do Adérito Zarolho, que até já devia ter chegado mas como o Mancos se atrasou, acabam por chegar rodeados pelos acompanhantes, dispostos a garantir a entrada ordeira dos rufiões. Tudo muito bem, não fosse a circunstância, de terem que impedir a entrada dos restantes clientes, para dar lugar à entrada do Adérito Zarolho e seus amigos. Tudo muito bem, não fosse o facto de terem demorado uma eternidade a entrar e a sentarem-se. Tudo muito bem, não fosse o caso de, após restabelecida a ordeira entrada dos restantes clientes, já estarem vazias as travessas dos pezinhos de coentrada e das punhetas de bacalhau.
O Adérito Zarolho e os seus pares, chegaram depois da hora combinada, puderam escolher da ementa completa, fizeram trafulhice na conta e ainda apanharam tosga tamanha que espantaram muitos clientes. Os pacatos clientes que chegaram antes da hora em que marcaram mesa, ficaram à espera a ver desfilar o Zarolho, perderam a degustação dos pezinhos e das punhetas e ainda aturaram os excessos do desordeiro grupo.
O ZéDungas, que anda há tantos anos a virar frangos, devia fazer algo mais pelos seus clientes. É que o petisco, por melhor que seja, nem sempre merece o esforço.
Se isto acontece na tasca do ZéDungas, não é menos verdade que também acontece no estabelecimento do José Eduardo Bettencourt. É que tenho aqui uma pergunta entalada: “Se eu cheguei meia hora mais cedo com a família toda ao estádio, porque é que tive que esperar que as atrasadas claques do Benfica entrassem, para só então, após longas filas e esperas e conselhos para não exibir sinais externos de um de um outro clube, me conseguir sentar já com meia hora de jogo disputado?”
sábado, fevereiro 06, 2010
Porque hoje é Sábado
- Bom dia, cinco bilhetes para o jogo de terça feira
- Só lhe posso vender dois
- Desculpe ?
- Só posso vender dois a cada pessoa.
- Mas então nós somos cinco. Eu, a minha mulher e os nossos três filhos.
- Pois. Só posso vender dois. Se quiser compra dois, sai da fila, volta a entrar e compra mais dois, e depois sai da fila, volta a entrar e compra mais um.
- Olhe, eu nem vou dizer a minha opinião sobre essa sugestão. Pior que isso, até vou cumprir essa estratégia. Mas garanta-me que os cinco lugares são seguidos, que a ideia é vir com a família ao futebol.
- Sim senhor. Eu guardo-lhe aqui os cinco bilhetes e vai entrando e saindo da fila. De certeza que quer os cinco.
- Ó minha senhora, então se eu lhe disse que venho com mulher e três filhos ao futebol, não se preocupe que não vou embora enquanto não tiver os cinco bilhetes. Todos juntinhos como já disse. (se eu fosse o Sá Pinto já tinhas levado uma cabeçada no meio dos olhos)
Passou-me os cinco bilhetes para a mão sem que tivesse que andar a entrar e a sair da fila. Fiquei meio aparvalhado. Quer pela regra, quer pela sugestão, quer pelo desfecho. Fraca prestação durante todo o tempo, e nos descontos lá fez alguma de coisa de jeito. É definitivamente do Sporting.
Porque hoje é Sábado, toca de ir andar de cavalo após meses sem lá pôr os pés. Aquela coisa do trote elevado dá-me cabo das pernas e do rabo, que vai ficar em mau estado durante três quinze dias. Aquilo já não estava a correr lá muito bem, tudo muito tirado a ferros, até que se me saltou um pé do estribo, e o rabo cai todo para esse lado. Perante a eminente queda, já eu me preparava para mergulhar de cabeça na areia, o cavalo pára o trote, os meus filhos riem-se a bandeiras despregadas, o professor diz para eu me agarrar ao pescoço do animal, e após muito esforço, cãibras na perna, pescoço do bicho e cerca e sela a servirem para me içar, lá me consigo sentar no dorso do pobre animal que ainda hoje está pensar de mim, o que eu penso da senhora das bilheteiras de Alvalade.
Porque hoje é Sábado, e os mais novos estão encaminhados em programa com amigos, que tal uma ida ao cinema com o mais velho? Woody Allen para estreia cinéfila de filho mais velho com os pais. No Londres para ser evidente a semelhança. Eu a ir com os meus pais ao Londres ver um filme de Woody Allen há 35 anos atrás. Há coisas boas que se repetem, e este programa do Maria mais velho a fazer de filho único, lembrou-me tanto as idas ao cinema com os meus pais.
Porque hoje é Sábado e o dia já vai pouco cheio em peripécias, um dos hamsters fugiu da gaiola e foi dado como desaparecido. Revirar marquise de pernas para o ar e nada de bicho. A dispensa, deixa lá ver a dispensa. A dispensa cá de casa é uma espécie de puzzle onde vai parar mais ou menos tudo. Ferramentas, panos, aspiradores, caixas, electrodomésticos em desuso e outros ainda a uso, vão-se amontoando ao lado da arca frigorífica por baixo das prateleiras de mantimentos. O estupor do roedor lá estava debaixo de mil e um artefactos, e dos panos já tinha feito um ninho, e como o bicho estava armado em senhora da bilheteira do Sporting, assim que achou que o ia agarrar enfiou-se no motor da arca frigorífica, o que multiplicou por 10 a dificuldade em apanhá-lo, mais a mais porque os Marias guinchavam a cada investida para o agarrar.
Só faltava agora, e porque hoje é Sábado, o Benfica estar empatado com o Vitória de Setúbal e falhar um penalty já nos descontos.
quinta-feira, fevereiro 04, 2010
Abandono do lar
As quartas são dias complicados e sendo assim recorro à ajuda da babysitter R. para banhos e jantas. Cheguei tarde a casa, de forma a garantir que ela já tinha tratado destes temas, mas que ainda havia tempo para me dar banho a mim. Devia estar com pressa porque não partilhou a minha visão sobre este tema. Brincadeira, chocolates ilícitos, história para adormecer e vai disto. Antes das dez já babavam as fronhas da almofada.
Que raio de coisa isto de adormecer sozinho e acordar com dois homens na minha cama. Um quarto de hora mais cedo, por causa das roupas e pentear aqueles cabelos, que se fossem carecas como o pai a coisa tornava-se mais simples. Nada disso. Só o Sirenes tem um cabelo ralo e reles como o meu. Ai porra que já estão no carro e me esqueci que era dia de futebol e de taikondu e têm que ir equipados e com barras nesquick na mochila, tudo para cima, para reconfigurar os conteúdos das mochilas. Olha, acho que deixei roupa à chuva. Paciência hoje ao fim da tarde meto-a no forno e dez minutos no duplo grill ventilado hão-de conferir-lhe grau zero de humidade. Bem sei que não é a solução ideal, mas o microondas está avariado.
Lá vão para a escola com umas roupas meias esquisitas, de cores que não combinam. Hoje vão mascarados de instalação da Joana Vasconcelos. Cheios de cores e formas estranhas.
Deixa-me mas é ir trabalhar que não tarda tenho que os ir buscar e fazer o jantar e banhos que a babysitter faz-se pagar caro e ainda por cima não há meio de a por a dar-me banho, pelo que hoje está dispensada. Para o jantar fazemos uma coisa marcante. Um fondue ou bifes na pedra, para ficarmos com o cheiro em casa até terça feira, sempre disfarça o facto de ontem ter fumado na sala e o tema tem estado na ordem do dia desde o fim de semana. Será que o mais velho levouo telemóvel? Não combinei nada com ele sobre o tema “Horas de regresso a casa”. E a roupa para a engomadoria ? Não esquecer de a tirar do forno.
Vai tudo estar um brinco no regresso. De certeza. Há um prato partido, mas apareceu nesse estado dentro da máquina, não faço ideia como.
sexta-feira, janeiro 29, 2010
iAminhavida
Rituxa D'Orey olha-se pela última vez ao espelho, ainda com o larilas de ar babado atrás dela. Gosta do que vê. Sempre gostou aliás. Aquele rapaz era o único que parecia dar vida ao seu cabelo. Ficava sedoso, ganhava tons e formas leves, sem nunca perder a postura:
- Está lindo Zeca, mais uma vez. Quinta passo cá, antes da vernissage. Só para dar um jeito e pentear. Como só tu sabes meu querido.
O larilas engoliu em seco. Fez uma pausa, abanou a anca e avançou a medos para a resposta:
- Sabe o que é Rituxa? Quinta prometi que levava a minha tia ao médico. Anda com umas cólicas nos ossos que não se aguenta. Finalmente lá conseguiu consulta e eu prometi levá-la lá. Só cá estou durante a manhã.
- Ai que maçada. E agora como é que vamos fazer? Eu não posso chegar lá com aquele ar de gata borralheira. Ai ó Zeca faça lá como entender, mas não me abandone quando mais de si preciso. Fico à espera que me telefone a dizer a que horas me penteia entre as 5 e as 8. Não me faça uma desfeita destas.
Dentro da mala, o gadget de Rituxa desperta e prepara-se para os desabafos. Regista todas as queixas, os problemas, e os desabafos, dá-lhe palavras de apoio, mostra-lhe imagens onde aparece divina, oferece-lhe um chocolate para a acalmar, sugere argumentos para colocar o jovem cabeleireiro desconfortável, transforma-se uma bola anti stress e elogia-a de forma desmesurada.
iQuemaçada é um dos gadgets que a Apple criou para desabafos e stresses do dia a dia. Destina-se ao público feminino das classes alta e média alta.
Além do iQuemaçada, fazem parte desta linha o iAminhavida, destinado a crianças, o iAmerda para adolescentes, e por fim, o topo de gama: o iOcaralho que cobre um vasto publico alvo e possui múltiplos modos de funcionamento. Do trolha ao executivo, do desabafo ao insulto, este gadget pode ser usado em reuniões de trabalho, a conduzir, a interagir com gerentes de restaurantes, em idas ao futebol, em sessões parlamentares e em reuniões de condomínios. Só para aguçar o apetite dos mais curiosos, este brinquedo para adultos, consegue fazer toda a conversação com as linhas de apoio a clientes e as linhas de apoio técnico das mais prestigiadas empresas de comunicações: PT, Clix, Meo, CaboVisão, Zon, TMN, Optimus e Vodafone. Para os amantes de futebol existe uma edição exclusiva assinada por Sá Pinto.
Os preços destes pequenos grandes génios serão divulgados ainda no decorrer do primeiro trimestre de 2010.
quarta-feira, janeiro 27, 2010
Ponto de Situação
Todos os anos, por esta altura, o colégio agenda uma reunião entre pais e cada um dos professores. O objectivo é saber a quantas anda o educando e perceber como se pode corrigir os pontos de maior dificuldade. Cada professor tem a sua secretária e os pais vão fazendo fila para ir falar com os professores que entenderem. Há-os de todos os tipos. Os que só falam com o director de turma, os que falam com todos, os que falam com os mais giros, os que falam com os das disciplinas em que o filho mais se espalhou, e os que falam com as que têm mamas maiores. Estava tentado a combinar as duas últimas modalidades, mas a hora a que cheguei empurrou-me para a escolha dos que têm menos alunos para atender e se conseguisse ainda falar com os das disciplinas onde o bochechas mais patina. Quando cheguei senti-me como se estivesse no hipermercado e tivesse que ir ao talho, peixaria, padaria, charcutaria-carnes e charcutaria-queijos quase em simultâneo. Senhas de todos nas mãos e ver onde é que me chamavam primeiro. Perdi a vez na charcutaria-queijos porque estava a ser atendido na peixaria. A mulher da fruta não estava a tender e portanto fechou a banca. Que merda, logo a fruta onde ele mostra algumas carências.
Falei com o de Educação Física, depois com o de EVT (não fazia ideia o que era EVT, mas na conversa lá percebi que tinha a ver com Educação Visual e Trabalhos Oficinais), segui para o de Educação Cívica e Moral mas que afinal não era professor do bochechas e portanto voltei para a fila. Seguiu-se História e Geografia, Inglês, Matemática e Educação Musical.
Além das mensagens importantes, que deram direito a uma sessão de auto avaliação enquanto tratava do jantar, descobri a existência de uma diferença entre o que se passa na escola e o que é contado em casa. Nem comento, só relato:
O que se passou na escola:
Prof – É natural que tenhas dificuldade em aperfeiçoar o teu desenho. Tens uns lápis de cor muito rijos que dificultam a pintura. Era bom se pudesses ter outros mais moles.
Bochechas - Neste momento vai ser difícil comprar. Tenho muitos encargos financeiros com os hamsters.
O que chegou a casa:
Bochechas – A professora disse-me que se não comprar lápis bons, nunca vou conseguir ter boa nota a EVT.
Nós – Vamos ver o que se conseguimos comprar. Mas não é para estragar tudo na primeira aula.
O caso encontra-se em análise em conselho familiar. Os bichos até podem não ter culpa, mas era um bom pretexto para ver como se safam no remoinho do autoclismo.
sexta-feira, janeiro 22, 2010
Escresafio-me
Gosto das escritas, das palavras, palavra que gosto, do seu gosto, do seu agre do seu doce, adoço-me na textura das palavras escritas em papel, ou das cores de palavras pintadas nos muros, das palavras de ordem, da ordem trocada nas canções, das palavras gritadas em uníssono, gosto de "Golo "e de "Liberdade", decoro-as sem saber. Sabes que gosto das palavras ditas, gosto do som que lhes dá forma, gosto do som da palavra índole e da palavra resenha e das que me fazem atrapalhar a língua como "displicência" ou "Massachusetts". Gosto de as ver reféns na métrica de um poema, gosto de poemas sem métricas, gosto de palavras cúmplices das pontuações, do ponto de espantação como o'Neil lhe chamou, das reticências, da interrogação e da palavra vírgula. Gosto das palavras novas, googleio-as com gosto. Gosto da escrita criativa, e dos seus tantos escritores. Um dia ao calhas, Agosto, a gosto, escrevo uma canção.
quarta-feira, janeiro 13, 2010
Querido Pai Natal:
E eu sou obrigado a aturar isto? Não me parece. Esquece a argumentação que também tens renas porque isso é uma opção tua. Tal como os ratos lá de casa. Portanto, neste contexto, sugiro que os substituas por uns que trabalhem a pilhas e que não se urinem. Para perceberes o desespero, confesso que já pensei em empalhá-los e transformá-los em capas para os ratos dos computadores. Também já pensei em comprar uma cobra para por no aquário e resolvia de uma só vez o problema da trabalheira que tratar dos aquários, o problema dos ratos e o problema da alimentação da cobra.
Grato pela atenção.
terça-feira, janeiro 05, 2010
Regressos
No Domingo, em fim de férias, contagem decrescente para as azáfamas, uma ida a Mafra visitar o convento, aposentos reais e a biblioteca.
Desde a altura da recruta, chegar a Mafra dá-me um nó no estômago. Aquela puta angústia de Domingo à noite a tentar adivinhar a semana seguinte, mal disfarçada em graças cretinas de caserna. Sempre que chego a Mafra, faz-se esse nó no estômago, como o despertar um cheiro escondido num recanto longínquo da memória. Parece-me sempre que estou lá outra vez, enfiado naquela farda e naquelas botas, a passar o portão para a parada. O que acontecia até à sexta feira seguinte ainda hoje me provoca sentimentos contraditórios, entre o inútil e o útil, o exagero e o necessário, o estúpido e o pedagógico, o ridículo e o sensato, o execrável e o lúdico. À distância de todos estes anos, pareceu-me boa ideia mostra-lhes a zona militar do convento. Sobretudo o refeitório dos frades que faz lembrar o salão dos filmes do Harry Potter. Autorizados a fazê-lo pelo oficial do dia, regresso passadas duas décadas, aos corredores de pedra da área militar. Estava deserto e eu a lembrar o frio, os cheiros, os sons, os gritos de ordem unida, os gestos, os nomes em cada corredor como se fossem ruas. Os marias a inundarem o cabo de serviço com perguntas e um turbilhão de memórias na minha cabeça. Chegados ao refeitório e o aspecto simples mas imponente confirma-se. Tudo igual. E a marmelada que ao pequeno-almoço era mau sinal para o esforço que a manhã traria ? E os copos e pratos de alumínio alinhados milimetricamente com a ajuda de cordas esticadas para que tudo parecesse uma formatura? E os soldados a distribuir terrinas e travessas de comida como se de uma parada se tratasse? Depois do refeitório, mais corredores, e salas, e a parada. Agradecimentos feitos ao oficial de dia de acordo com o protocolo. Há tanto tempo que não me punha em sentido. Que coisa. Faria sentido? Gostei de vos levar lá. Gostei de lá voltar.

Na Segunda, sempre a mesma coisa primo Gonças, só nos encontramos nestas merdas. A tua mãe, que porra. É inevitável a viagem no tempo. Estavam lá os teus outros primos, os Geadas e depois é só puxar o fio para virem todas as meadas. O Pipas e o Ricardo e a Rita também lá estavam e faziam parte das histórias todas. Campo de Ourique parecia nosso. O Campo de Ourique de quando éramos super heróis sobre os telhados dos prédios dos Geadas, aqueles em frente à igreja, ou de quando tínhamos a banda. Os Puts. O Rock do Dentista. É a Milú que tem a tape que gravámos naquele estúdio. Cabra. A esta hora deve estar a ganhar milhões com direitos de autor. Havíamos de nos juntar sem ser assim. Que coisa. A tua mãe Gonças.
segunda-feira, dezembro 28, 2009
Kidzinferno
Está bem que o Natal dá muita caloria, à conta de um despudor gastronómico, mas sempre em lógica de compensações com as actividades que envolve. Viagens entre casas carregados com quantidades no limiar da pornografia de prendas para todos os que nos dizem algo e as crianças sem escola que, parecendo que não, também puxam muito pelo desgaste. Ora se há bilhetes para o zoo, vamos lá tratar de mais uma volta entre os grandes primatas e os felinos e os ursos e as girafas. E aquela promessa há tanto feita, de ir à kidzania, não haverá melhor altura para a cumprir. Vamos lá então a essa dita cidade dos mais novos onde adultos são turistas acidentais e crianças são quem garante o frenesim. A ideia não é nada má não fosse a obrigatoriedade de acompanhar o mais novo e portanto de lá passar horas intermináveis.
A kidzania fica no Dolce Vita Tejo, um imenso shopping, mais ou menos lotado e mais ou menos improvável. É uma cidade onde eles são todas as profissões e onde ganham umas notas parecidas às do monopólio e onde há diversões onde gastam as mesmas notas. Podem ser polícias, bombeiros, médicos, seguranças, caixas de supermercado, funcionários dos correios, jornalistas, pintores das obras, trolhas, trabalhadores da pizza hut e do mac donald's. Podem gastar em escalada, corridas de automóvel, jogos de futebol, pintura artística, salões de jogos, pizzas e hamburguers. São eles a decidir onde ganham e gastam os dinheiros e se ao fim do dia conseguirem 75 kidzes podem abrir uma conta no banco e ganhar um cartão multibanco para levantarem na atm da cidade.
Tudo seria lindo e muito tranquilo, não fosse a cidade sofrer excesso de população. Não há cemitério nem enterros e pela porta de entrada nascem centenas de crianças. Todas tratadas por senhores, donos da sua vontade. Aquilo é obra do Demo ou na melhor das hipóteses de Dante. Medonho de cansativo. Mas a promessa tinha sido feita desde a abertura e portanto o "Quando vamos à kidzania ?" tratava-se de um tema perto do inadiável. Valia pois o imenso penar todas aquelas horas na cidade dos pequenos selvagens.
Espanto e terror, quando à saída descubro um novo tema aberto: "Quando voltamos à kidzania ? É que temos muitos kidzes para levantar com o nosso cartão de débito".
Malditas mentes deturpadas que inventaram tamanho espaço. Quando é que voltam ?
Nuncaaaaaaaaaaaaaaaa
quinta-feira, dezembro 17, 2009
Mais novo
Menos simpático foi teres imposto um dress code, sobretudo pela contextualização dada
Leva saias, e collants, para eu te fazer cócegas no pipi????????????
Mais Velho
Quantos Pais nossos????? !!!!!
Como? Disseste o quê? Que só lá foste porque assim ganhavas uma balda à aula de história?
quinta-feira, novembro 26, 2009
Cinco
E agora sirenes? Que os anos de vida te ocupam todos os dedos dessa mesma mão que me dás para atravessar a estrada, e que já me escapa se te aventuras nos jardins e nos passeios e nos caminhos secretos desde o lago dos peixes até à escola. E agora sirenes, vais crescer até quanto mais? Até à certeza das palavras lidas por inteiro, até às frases escritas e contas feitas. Bem feitas as contas, vais de partilha em partilha até onde quiseres. Vais acordar de sonos refeitos, cara de desafio e vais cruzar os braços em cada amuo, vais rir, vais sirenar, vais esquiar, vais às cavalitas do caracóis, vais gargalhar, vais continuar a inundar a casa de banho, vais provocar, vais mais longe … Vais ainda adormecer nos meus braços depois do "Vitória vitória acabou-se a história" depois das histórias de princesas, trenós, leões e de cavalos alados. Parabéns meu amor.
sexta-feira, novembro 20, 2009
Terra Firme
Sentou-se no velho pontão. São os dias de inverno que lhe conferem todo aquele exagero de beleza. Galgam-no as ondas em paredes de impaciência natura, a quase neblina filtro de todas as cores do raiar do dia, entre o alvo todos os cinzas até ao negro, as duas colunas de metal ferrugento, lá bem fundo, na mistura da espuma de um mar quase revolto. Advinha-se a tempestade, mais não fora porque os pássaros se aproximam de terra em estridentes guinchos.
Varreu o olhar pelas embarcações ali ancoradas, ao sabor de vagas desencontros em altos e fundos, insistem sempre na tona. Reparou nela. Alheia ao balanço, entregue a cabos, roldanas e velas. Notou-lhe o cuidado nos detalhes, o exame minucioso, tangente ao exagero. Caminhou até lá e deixou-se ali estar a observá-la. Ninguém se entrega assim sem se fazer ao mar. Alheia e concentrada. Quebrou-lhe o foco: "Vais soltar amarras?". O silêncio manteve-se até à certeza naquele cabo. Sem lhe dirigir o olhar, acabou por responder "Pode ser que sim, ainda não sei. Tenho que fazer isto, não vá ter que as soltar." Voz firme, serena, sem candura. Não se lhe dirigiu mais. Apenas se deixou estar enquanto cada peça passava no rigor da observação.
Observou o céu, o mar e sentiu o vento. Conhecia tão bem os sinais. Os pássaros haveriam de por ali ficar mais tempo, que as vagas tendem a não acalmar. Saltou para a embarcação e pegou numa vela. Pareceu-lhe ainda ouvir "Não precisas de fazer isto"… Continuou como se de nada se tratasse. A bonança não viria nunca em ficar ali à espera no cais. Deixaram-se estar a ler os sinais. Expectantes.
quinta-feira, novembro 19, 2009
Gosto
… de farmácias, pela mesma razão que gosto de observar as compras dos outros no supermercado. Cusquice no seu estado mais puro. As pessoas que esperam não conversam muito, o que permite cuscar a conversa daqueles que são atendidos com aqueles que os atendem.
Duas pessoas à minha frente, uma brasileira gorda com uns cabelos imensos, quase até ao rabo. Uns 45 anos, visíveis num rosto carregado. Aviou um Betadine solução ginecológica. Não lhe percebi a história, o que lamento. Seguiu-se a mulher bonita, na casa dos trinta. Enquanto esperava trocou um mundo de mensagens. Pediu um teste de gravidez específico, que a farmácia não tinha. A técnica sugeriu-lhe um outro. "Mas tem tido reclamações?". "Até hoje, não." Tinha parado com a pílula há um mês e estava com seis dias de atraso. Acabou por levar o teste sugerido. Queria muito saber o resultado, mas a urina da manhã é mais concentrada, pelo que só o ia saber na manhã seguinte. Ia ter que aguardar mais 12 horas. A ansiedade dela não parecia jogar muito bem com tamanha espera.
Aposto que, durante a noite, lhe veio o período.
sexta-feira, novembro 13, 2009
A máscara transparente
Fui pela terceira vez àquele local. Pavilhão da gripe da Estefânia. A braços com a febre e a tosse do mais velho, e as dores no peito que confirmaram ser de quadro gripal e de uma ligeira infecção pulmonar. Passam-se sempre demasiadas horas por ali. Entre colheitas, consultas e triagem. Todos de máscara. É um exercício desafiante. Perceber os rostos atrás daquelas máscaras. É lê-los nos olhos, nas sobrancelhas e nas rugas de expressão. É adivinhar-lhes os sorrisos, as dores, os amargos de boca. As máscaras protegem dos vírus, mas não escondem a alma e naquele lugar, em que a razão é uma camada tão fina, não há máscara capaz de esconder tanta angústia.
quinta-feira, novembro 05, 2009
Bochechas
Bem sei que te proíbo de crescer mais. Pura brincadeira. É tão bom saber-te a trilhar métricas na equidistância da infância e da adolescência.
Orgulho-me sim, desses teus passos, mas por favor, continua a pedir-me para te contar uma história inventada. Tenho uma nova de animais que fala sobre raposas, pode ser ?
Parabéns meu amor
terça-feira, novembro 03, 2009
Noite das Bruxas
Ele eram dores de cabeça, ele era febre, ele era diarreia e ele era um sem número de colegas em casa de diagnóstico confirmado. Estefânia connosco pois então, apesar de ser Sexta ao final da tarde e da semana ter sido fértil em alarmismo. Após o meu relato na recepção das urgências, a senhora entrega-nos duas máscaras e manda-nos para o pavilhão da gripe A. Cheio, à cunha, a abarrotar a adivinhar tempos de espera irreais. 20 minutos à espera de ser chamado para a triagem, relato repetido, e a confirmação sobre o tempo de espera: código verde e 5 horas até à consulta o que nos atirava para lá da meia noite. Vermelhos e amarelos que entretanto chegassem passariam à frente.
A sala do pavilhão montado há pouco tempo para o efeito quase não tinha vagas. Contentores transformados em banco de urgência para a gripe A, com cartazes a agradecerem ao IKEA e a mais duas ou três empresas que colaboraram na respectiva montagem. Mesmo de olhar descoberto, é difícil perceber o estado de alma por detrás das máscaras brancas. Ainda pensei desenhar uns dentes de vampiro na máscara do loiro de caracóis. Afinal era quase dia das bruxas e sempre se animava aquela gente toda. Está bem que preocupados, está bem que cansados, está bem que quase desesperados.
Entendo mal quem crie mais stress em situações de stress. Um comentário aqui e ali, sobre o inacreditável tempo de espera, sobre os que chegam mais tarde e são atendidos mais cedo, a insinuação de cunhas. Crescendo de desagrado e num repente, num instante uma dezena de insatisfeitos aos berros com o segurança. Meia hora de protestos desmesurados, ao segurança e depois a um médico. E não adiantava a explicação de situações de maior urgência, ninguém ali queria uma explicação racional para os tempos de espera e para os que passam à frente. Só exprimir de formas tanto ou quanto desmesuradas o desagrado por ali estar. Sugerida a utilização do livro de reclamações, os doze protestantes transformaram-se em três reclamantes. Outros abandonaram as urgências antes da consulta. Um colega de escola do Manel, chegado há pouco tempo, acabadinho de sair da triagem, foi chamado para a consulta.
"Aquele acabou de chegar, já vai lá para dentro. Nem a cadeira aqueceu"
Resolvi dizer à senhora que aquele, estava já confirmado desde a ante véspera, que estava com problemas respiratórios sérios e que por isso tinha passado à frente. E que fazia sentido que casos urgentes, fossem tratados enquanto tal. Respondeu-me que a filha também tinha a gripe que lhe diagnosticaram no centro de saúde. Relembrei o problema respiratório e não respondeu mais.
Durante o resto do tempo manteve-se algum frenesim. Lá chamaram o Manel para a consulta, e depois de uma hora, para a colheita. Saímos de lá sete horas depois de ter entrado, e o resultado, só passadas quarenta e oito.
No Sábado, as dores de cabeça, a febre e a diarreia passaram, veio uma tosse. Ligeira e pouco persistente. É tudo o que resta de sintomas de gripe. Isso e o resultado do laboratório. Positivo.
O meu filho é tão esperto que até na gripe tem A.
quinta-feira, outubro 29, 2009
Luz de Presença
Uma vez chegados ao destino, o destino, que prega destas partidas, resolve ditar a inexistência de electricidade. Nada demais caramba. Um telefonema para a EDP e o piquete faria o que tinha a fazer. Uma ida ao agente mais próximo, e uma hora e meia de uma surreal conversa telefónica para a linha de apoio ao cliente da EDP e o resultado mais desejado. Reabastecimento só no dia útil seguinte. A conversa com os vários personagens do Call Center da EDP, dava por si só, direito a um artigo. Não vem a propósito.
Ficou assim eufórico o senhor da loja chinesa com a quantidade de lanternas, pilhas e velas que adquiri naquela tarde. Um balúrdio. Nunca gastei tanto dinheiro no comércio oriental, e não por falta de oportunidade, que já em chinatown andei a comprar relógios armados em bons.
O terreno de São Martinho, a casa na árvore, o slide, as visitas ao cão no fim da estrada de terra batida, digo molhada, digo enlameada, a ida até à baía para jogos de futebol, as estafetas, pareciam garantir o consumo de energia necessário para a tranquilidade a partir das oito da noite. Nada mais errado. Aqueles selvagens têm super poderes e reservas inesgotáveis. A churrascada, as lanternas na cabeça, e as centenas de velas espalhadas, e o tema halloween conferiam uma atmosfera ideal para a brincadeira se prolongar até quase meia noite. Estupores nem vergavam, tampouco cediam. E eis que os adultos de Sábado abandonam o local, arrastando consigo as respectivas sete crianças. Cobardes. Maricas. Traidores. E agora? Oito para dois. Sem luz, os palhaços da EDP não perdem pela demora.
Àquela hora tudo serve para atritos. Quem dorme na parte de cima do beliche, quem dorme no quarto, quem dorme na sala, quem fica com as lanternas, quem dorme com quem. A porcaria das horas também tinham que mudar no fim de semana. "Quem acordar às sete, tem que beber um frasco de atarax e leva com a garrafa na cabeça para perder os sentidos." A ameaça parece funcionar. Só acordaram, todos, às 7:20. A mudança da hora assegurou a existência de luz no exterior.
O pequeno almoço. Inolvidável. Porque o leite é mais quente, porque é mais frio, porque os cerais são diferentes, e as estrelitas têm poucas pontas, porque é mais fiambre, sem manteiga. "Mas quais torradas , meninos ? Vou acender o churrasco para fazer torradas ? Vamos lá a despachar que temos que ir para os cavalos." Festa garantida e só cavaleiros éramos nove. Sete porque dois resolveram não arriscar. Futebol para quem não está em cima do cavalo. "Paiiii. A bola foi parar ali. Podes ir buscar ? Ali, naquele monte de terra … ai não é terra? Cocó de cavalo? Tem graça, daqui parece mesmo terra."
Almoço e mais brincadeira tarde dentro. Muita e intensa. No regresso a Lisboa, baixam guardas e adormecem no carro. Ainda ouvi uma conversa:
- quando morrer vou doar o meu corpo à ciência
- o que é isso ?
- é dar o corpo para eles estudarem
- eu vou ser empalhada e ficar na sala
Distribuídos pelos respectivos pais, o regresso ao mundo electrificado. O importante é que eles se divertiram. E nós também claro.
quinta-feira, outubro 22, 2009
Oito
Claro que tens dias e nos dias tens horas e é assim que te amo. Porque sou de ti nos dias sim e és de mim nos dias não. Com vices com versas.
Parabéns Nhó.
sexta-feira, outubro 16, 2009
Balão
Afinal o menino nunca esteve no balão que viajou quase 100 quilómetros pelos céus de Denver. A porta aberta do cesto foi um mero acaso e a criança estava na garagem de casa. Por ventura no imaginário desta criança os balões não se vestem de prateado, antes de mil e uma cores, e têm a forma de uma bola gigante. Acredito que algumas garagens do lado de lá tenham a magia de alguns sótãos do lado de cá. Cheios de mundos de fantasias onde se pode viajar em balões coloridos guardados por dragões sobrevoando florestas e cenários de aventuras. E se não for de balão, há-de haver viagem com toda a certeza num barco pirata como o que eu comandava no sótão de Tibaldinho. Por causa das arcas velhas de madeira que encerravam tesouros e da varanda, a ponte do meu navio, onde se podiam içar bandeiras e dirigir o leme no meio de tempestades impossíveis. Foi assim que passei a gostar de tempestades e trovoadas, vividas na proa do meu navio, quando lhe rasgavam as velas e ameaçavam o naufrágio. Homens ao mar. Agora o sótão ainda é local previligiado de brincadeiras, e a família de morcegos, que por lá vive, encanta os Marias. Noutras histórias com certeza, noutras fantasias. Se calhar um balão colorido diferente do que a americana criança nunca embarcou.
quinta-feira, outubro 15, 2009
O Brasil SOS ao Brazil
Este caso não passa de um orgulho que nos falta quando mais precisamos dele e nos sobra quando é perfeitamente acessório. Uma coisa é dizermos mal de nós próprios e sabermos rirmo-nos dos nossos próprios defeitos., Quando alguém resolve fazer o mesmo o caso muda de figura e a nossa honra parece irremediavelmente manchada.
Contudo, nesta onda de indignação, surge uma espuma de tiques xenófobos preocupantes. Sobre os brasileiros em geral, sobre os brasileiros a fazerem piadas com os portugueses, sobre os brasileiros que vivem em Portugal. Conheço alguns, abomino uns quantos, admiro outros mais. Tal e qual como os Portugueses: tantos admiráveis quantos execráveis. Não existe regra e se existisse acreditaria na maioria da excepção. Não tenho paciência para o discurso do povo irmão, nem para a conversa do aqui me sinto em casa, tal como se estivesse no Brasil, tanto mais que a minha avó era de Trás os Montes e eu amo este país. Acontece que esse mesmo Brasil é o país de tantas outras coisas de tantas pessoas que aprendi a admirar e a tomar para referência. Resistamos pois à tentação de tomar partes pelo todo, de olhar só para a porcaria da árvore.
E também caramba, se servir de atenuante, aquela mulher foi namorada do Sássá Mutema e deve ter estado apaixonada pelo Toni Ramos nalgumas 15 novelas. Parecendo que não, essas coisas deixam marcas.
quarta-feira, outubro 14, 2009
Alegria
segunda-feira, outubro 05, 2009
Ei Siiiiilver
"Ganda lata. Nós até temos mais uma aula que ele"
"Já viste a sorte? Eu também quero andar sozinho"
De repente o professor no meio do rectângulo desata aos berros:
"André já te disse para endireitares as costas e colocares os ombros para trás. Tu não ouves o que eu te digo"
Estava eu preparar a minha mais polida resposta, qualquer coisa do estilo "Disse-me mas foi os tomates. Eu nem sei como é que esta merda se trava quero lá saber das costas e dos ombros", quando decido olhar para o pedagogo equestre. Estava de costas para mim a gritar para outro cavaleiro que por um infortúnio também se chama André. Lá continuei no meu modo Cavaco Silva: com as rédeas na mão, sem saber que uso lhes dar e em silêncio absoluto. Foi então que o professor me corrigiu, desta vez era mesmo para mim, porque me chamou Senhor André e disse duas ou três coisas adequadas à minha experiência: "Tem que por as mãos mais para baixo, agarrar as rédeas mais à frente e pode começar a andar a trote."
Fazia sentido porque já tinha três cavaleiros atrás de mim à espera que eu andasse um tudo nada mais depressa, embora eu lhes tenha dito que não fazia a mínima ideia como é que se acelerava.
Mandei uma chibatada no bicho e eis que o estupor desata a trote e aquilo parecia-me já a velocidade da luz, mas com efeitos imediatos no rabo e sabe Deus onde. Volta não volta o professor lá me dava umas indicações até que por fim disse que era para ir passear lá fora até ao portão da quinta e depois ir arrumar a Princesa no picadeiro. Eu e mais outros dois, e mais uma vez acredito que o animal tem piloto automático. Neste passeio estava também o outro André e aproveitei logo para tirar dúvidas sobre pisca-pisca e inversão de marcha. Fiquei a saber que a Princesa tem mau feitio (Confere) e que pode dar coices (Confere), o que me deixou ainda mais descansado ali em cima.
Findo o passeio lá fomos estacionar nas boxes e aprendi a desemparelhar sempre de olho na traseira da dita Princesa. Saí de lá de ego inchado e com a felicidade das crianças. Cheira-me, contudo, que depois disto, e a menos que esteja outra vez uma fila de espera gigante para o volteio, vou voltar para as aulas tipo carrocel à volta do homem. Tomara que não.
Da próxima vez queria montar a Pamela (Panela na versão do António Maria) - é mais elegante e tem melhor feitio que a Princesa.
segunda-feira, setembro 28, 2009
Episodio I, II, III e IV
Episódio 1
- Pai. Porque é que os homens ficam com a pila dura de um momento para o outro.
- Porque a pila tem umas cavidades, uma espécie de casinhas, que se enchem de sangue e isso faz a pila ficar dura
- Está bem. Mas o que é que a faz ficar dura num instante?
- Acontece quando sentem alguma coisa muito boa que lhes dá muito prazer
- Por exemplo, a comer esparguete?
Episódio II
- Pai, as casas de banho das senhoras têm este caixote porquê?
(a razão pela qual eu o levei à casa de banho das senhoras não interessa para nada)
- Para deitarem os papéis aí dentro.
- Os papéis deitam na sanita pai. Não é para deitar os pêssegos?
- Os quantas ?
- Os pêssegos. Aqueles cromos que elas colam no rabinho.
Episódio III
- Ó Manel tu não sabes o que é um OVNI?
- Sei sim é uma nave especial.
Episódio IV
- Pai, sabias que a avó disse que ia votar no Sócrates porque ele era esforçado?
- Não sabia.
- E o avô respondeu que ele era esforçado como o Baltazar.
- Baltazar … Baltazar
- Ó pai. Aquele que era o chefe há muito tempo, e não deixava ninguém discordar com ele.
- Ahhhhhh. Já sei de quem falas. Não era bem Baltazar.
terça-feira, setembro 15, 2009
O GOVERNO É MEO
A bem a bem, deviam inverter o sentido do estado social para o estado poupança reforma. Esta lógica de andar a descontar para benefício de outro foi muito mal engendrada. É muito socialista. Já para não falar dos impostos que anualmente são redistribuídos em rubricas com pouco sentido no orçamento do estado.
Proponho que o próximo governo PSD-PS, ou PSD-CDS-PP, ou PS-CDU, ou PS-BE, ou PS-CDU-BE, ou PS-CDS, ou PS-CDS-PP promova, à semelhança do fazem os operadores de telecomunicações, campanhas de descontos para a segurança social, ou mesmo para o pagamento de impostos, mais de acordo com os tempos modernos. Faziam uns pacotes de descontos/impostos e o contribuinte escolhia em função das sua consciência:
Pacote Saúde- Justiça a 19,99 €
Pacote Saúde - Educação a 17,99 € - para quem dispensa a justiça ou faz justiça pelas próprias mãos
Pacote GOLD: Saúde Educação e Justiça Ilimitada das 21h às 7h – 38,55 €
Pacote Gold com Subscrição da SS 1 (pensão de reforma) , SS2 (baixa por doença) e SS3 (subsídio de desemprego) – 59,99€ *Oferta da Educação Platinum (aulas leccionadas por professores contentes com a reforma educativa) a um dos membros do agregado familiar)
Opção CDS-PP - custo adicional de 49,99 – o dinheiro dos respectivos descontos não é utilizado na interrupção voluntária da gravidez, nem na recuperação de toxicodependentes, nem no rendimento mínimo garantido. * Brinde oferta de um espoliado ou de um ex-combatente do ultramar
Opção BE – custo adicional de 49,99 – o dinheiro é canalizado para subsídio de casamento entre pessoas do mesmo sexo e não será utilizado na defesa nacional, na promoção de eventos de tauromaquia na AR, nem no pagamento de reformas a quadros superiores, administradores e políticos do PS, PSD, CDS-PP * Manuel Alegre não incluído
Fica aqui o meu contributo.
segunda-feira, setembro 14, 2009
Nem 8 nem 80
Boatos de Campanha
Pára tudo
1. Manuel Monteiro dizer que estava de acordo com Garcia Pereira
2. Garcia Pereira dizer que a china era social fascista
3. Carmelinda Pereira dizer que se devia proibir os despedimentos
4. Carmelinda Pereira dizer que provavelmente o POUS não vai ganhar as eleições
A RTP, desta vez, conseguiu uma grande alternativa à estreia do Gato Fedorento.
À Cautela
sexta-feira, setembro 04, 2009
Isso é que era
"Manuela Moura Guedes retoma carreira artística com versão do hit dos anos 80 - Foram Cardos foram Sócrates"
segunda-feira, agosto 31, 2009
Estremunhado
Gosto da palavra apre. A minha avó Céu usava-a nos apertados limites da educação. Gostava de a ouvir quando ela a dizia irritada.
Apre. Chego sempre estremunhado de férias. Preciso de uns tabefes
sábado, agosto 29, 2009
Tomates
A praia também tem gente e por vezes em excesso e, a meu ver, quase toda dispensável. Podiam pôr essas pessoas todas dispensáveis a fazer sombra às toleráveis e às imprescindíveis. Em vez disso parece ser um local quase democrático e toda a gente se estende em cima de toalhas e por baixo de chapéus de marcas de automóveis e de bebidas gasosas, ou de palhotas ou toldos. Mais recentemente inventaram uma espécie de iglos que confere alguma sombra mas que me dá a impressão de serem tão quentes que dá para assar leitões lá dentro. Ora toda esta gente com quem se partilha a areia, está sempre cheia de calor o que faz com ingira imensos líquidos, o que consequentemente provoca uma cadência urinária invulgar. E onde é que esta cadência se alivia ? No mar, pois então. É por isso que existem ondas. São uma espécie de autoclismo natural de proporções gigantescas.
Ora a praia dos Tomates tem tudo isto e muito mais o que, em alguns casos, lhe serve de atenuante. A sombra alugada pode incluir espreguiçadeiras com colchões. Existem brasileiros a vender bolas de Berlim, que na praia sabem 132 vezes melhor que em qualquer outro local, os mesmos brasileiros vendem bolachas americanas que eu duvido existirem em qualquer lugar do continente Americano, existem marroquinos que vendem réplicas de relógios de marca, de óculos de sol de marca e de malas de marca, existem outros marroquinos a vender túnicas e vestidos, e chineses que fazem massagens e tatuagens de curta duração. Estes vendedores animam a praia, garantem assunto para muita da conversa e sempre acabam por fazer alguma sombra.
Este ano, e a meio das férias, invertemos horários de praia e passámos a chegar à hora proibida dos raios UV's altíssimos, o que nos poupou a cena do estacionamento, e a sair na altura em que o salva vidas nos puxa o colchão debaixo do rabo porque tem que arrumar os ditos no barraco. Ora neste turno das 14-20, a praia transforma-se em algo muito melhor que a versão 9-13. Quanto mais não seja porque nesta hora as poucas crianças a aturar são as nossas e os filhos de poucos loucos como nós. E porque Lisboa é um bidé e os Tomates um penico, os loucos da frente eram conhecidos e os da frente esquerda conheciam os da frente e também conheciam amigos e amigos de amigos e vai daí, que não demorou dois dias de torra ao sol, já os miúdos todos tinham uma linha de montagem de pulseiras e colares, e acompanhavam os brasileiros, marroquinos e chineses no comércio itinerante entre toldos e barracos. Vai que este tipo de loucura promove o chamado convívio, o que também pode ser genericamente considerado positivo.
O único problema em conhecer várias pessoas ao mesmo tempo é ter que saber os respectivos nomes, mas ao fim de uma semana só houve um ou outro que se me escapou. Nada mau portanto. Muito boas companhias, e tardes bem passadas.
Além da areia não escaldar ao fim da tarde, ganhámos acesso a uma sociedade quase secreta de produção de caipirinha para os toldos ali da zona, servida perto do pôr do sol.
Até pode ter sido do efeito da cachaça, ou do fim da tarde, ou de vizinhanças muito boas ondas, mas este ano, a areia nem parecia querer grandes algazarras com as minhas virilhas.
quarta-feira, agosto 12, 2009
A Galope
Há uns quinze anos atrás, por alturas de um fim de semana de turismo rural, a senhora da recepção recomendou-nos vivamente um passeio a cavalo. Ora perante a total ignorância no manuseamento dos ditos, optámos por um passeio de uma hora de charrete. A coisa envolvia passear pela quinta e arredores e ver uns cromeleques e coisa e tal. Ao fim de um quarto de hora de passeio, vai que desato a fungar e a espirrar. "Malditos fenos, estupor da primavera" pensei. Vai que mais uns minutos, uma coceira nos olhos que não sabia o que fazer e a partir da meia hora de jogo, uns apertos na garganta que mal podia respirar. Finda a viagem, quais cromeleques, qual quinta, qual charrete. Não via nada com os olhos inchados, mal respirava e quase não tinha nariz. Tanto animal que eu não gostava, tinha logo que ser alérgico a cavalos.
Desde então cada vez que me aproximo de um bicho destes, ou ensaio um pequeno passeio, desato em tristes figuras. Casamento incluído que as tias octogenárias comentavam o meu grau de comoção à chegada à quinta, após um passeio de cinco minutos numa viatura equestre: "Ai o seu menino comoveu-se tanto, está com os olhos numa lástima". Ainda há umas semanas atrás num passeio por Sevilha fui feito parvo com uma fralda nas trombas para aguentar meia dúzia de quilómetros, e ainda assim saí antes do fim do trajecto.
E agora na semana passada, como que por milagre de Santa Bárbara (porque se acode nas trovoadas e se todos os cavalos se chamam Trovão, há-se ser esta a santa equestre), fui levar os miúdos a umas aulas de equitação e nem um espirro, nem uma asma, nem uma comichão ocular. Ora eu, que estava deserto para aprender, ainda fiz uma aula de volteio, e dois dias depois uma outra. Os Marias fizeram o mesmo e continuam. Está decidido:
Vamos desfazemo-nos dos peixes e dos aquários, damos um jeito ao escritório e compramos um cavalo lá para casa. Para passear na Alameda. Difícil será ensiná-lo a subir e descer do 3º andar sem elevador, mas assim que aprender pode levar as compras do mês para cima e o lixo para baixo. Aposto que perante esta mais valia até a Ana vai gostar da ideia. A Pipi das Meias Altas também tinha um em casa. Pode pastar na Alameda e vou ensiná-lo a cagar na janela da marquise. Sempre dá razão à vizinha da cave que não paga o condomínio porque os andares de cima lhe estão sempre a sujar o quintal. Ainda não sei que nome lhe hei-de dar. Talvez Mantorras Maria, que lá em casa é tradição o Benfiquismo e os Marias. Mais dois anitos e ainda organizamos corridas de obstáculos no quarto de brinquedos e touradas na cozinha. Com uma vaca em vez de um toiro. Com a quantidade de leite que eles bebem, justifica-se uma vaca na cozinha. Das malhadas pois claro.
terça-feira, julho 28, 2009
João e Maria
” Agora eu era o herói e o meu cavalo só falava inglês…”
sexta-feira, julho 10, 2009
Travessa do Calvário
A manhã traz outra luz e se cedo, outros rituais. Os cabelos enrolavam-se de novo e presos em novelo, sustinham-se por mais um dia. Passou por ela quando levava o filho à escola, ali mesmo, na rua de cima. Disse-lhe “bom dia”. Na volta das palavras saiu um bom dia cheio de música e a pergunta ao petiz “Então vais para a escola?”. Escancarou um sorriso. Sincero, dócil, e maltratado. Desde esse dia, eram assim as palavras e os encontros. Nunca menos que um bom dia ou uma boa noite, nunca mais que um sorriso. Sempre a vontade de saber que tropeções a levaram ali, na confortável distância de não se envolver para não cuidar. E se de noite, a chuva caía à bruta, ou o frio gelava os ossos, nunca lhe vinha à ideia a infeliz debaixo das arcadas. Talvez no dia seguinte se perguntasse como havia ela passado a noite, mas nem sequer partilhava com alguém o formigueiro da inquietude.
Por vezes pensava numa ajuda ou numa conversa, nunca lhe parecia oportuno ou adequado. “Se calhar até leva a mal” pensava, como que a desmobilizar qualquer ímpeto de caridade. Ficou-se sempre por ali, a troca afável de um cumprimento e um sorriso. Cómodo não é?
terça-feira, julho 07, 2009
segunda-feira, julho 06, 2009
Confirma-se
Só o não fiz, não resolvesse ela, num acto de insensatez, receitar-me lentes de contacto e eu ter que as por e, de cada vez que o fizesse, à conta dos tremeliques, ficar com a geleia dos olhos espalhada num raio de dois metros.
Não gosto mesmo nada quando se confirma, que está relacionado com a idade.
quinta-feira, julho 02, 2009
Ca nervos
"Se o menino for assistir à festa do outro depois não pode entrar na escola durante a tarde"
"Então se não entra na escola à tarde não vai à festa. Levo-o comigo e se decide que ele não pode ir à própria festa depois falamos sobre esse tema."
"Não leva nada o menino"
"Eu tomo conta dele."
"Não leva o menino que foi decidido que não há irmãos a assistir às festas dos irmãos"
"Eu não decidi nada"
"Mas decidiu a escola"
"Não reconheço competências à escola para decidir sobre questões de irmãos"
"Mas é uma questão da escola, portanto decidiu assim e assim será"
Várias litros de ar engolidos em seco para não dizer palavrões e não ultrapassar os limites. Correndo o risco dos caracóis serem impedidos de participar na festa de fecho do ano, resolvi colocar o rabo entre as pernas e falar com o loiro para lhe dar as novas.
Por falar em rabo, e assim num repente aquele lembra-me o Pavilhão Atlântico, a mulher tem o dom de me irritar.
segunda-feira, junho 29, 2009
Alen Tejo e os Quarenta da Maria
E elas, que não são boas de assoar, resolvem pegar-lhe no marido e reinventar o Grease de surpresa com coreografia e figurinos preparados . A pobre, com receio de ir a banhos na piscina, nem lhes notou as vestes exageradas e os cabelos à época. A bem, a bem só deu pela surpresa, já o musical dava de si. E assim foi o fim de semana a festejar quarentonas, que a cá de casa também incrementou um como de costume por estas alturas. Falar em números houve quem andasse a chamar números aos outros como se de signos se tratasse. Tu és um sete, ou tu és um oito, ou tu nem sei bem que raio de número és. Parece haver uma ciência da numerologia e de um a nove algum há-de de ser. Fez-me lembrar a Mara Abrantes mas em versão números “Diga em que dia em que mês você nasceu para ver se o seu signo combina com o seu”. O melhor é estar calado que, se comparada com a Bree já foram Carmos e Trindades, se lhe insinuo Mara Abrantes tenho dias contados. Falar em Carmos e Trindades, não é que há quem ache que o 25 de Abril e o PREC foram exagerados? Quais exagerados ? E eu ali feito camarada, a expor a minha costela de homem de esquerda, não fora a caraça de Hugh Grant… E vinhos? Já falei do vinho? E do grupo de cantares Alentejanos a cantar os parabéns? Tratando-se de versos longos, começaram na sexta à noite e no domingo de manhã já iam no segundo verso. E o vinho ? Já falei do vinho ? Falar em vinho, eu nem sou de cortes e costuras, mas a Mara_Abrantes_de_um_a_nove chegou a estender-se no chão de soca orientada às estrelas, e seja o diabo cego, surdo, mudo e tetraplégico se não chegou a ter a cabeça envolta em panos brancos.
Findo o domingo, ficam histórias, risadas e os Marias a perguntar se podem passar a fazer anos sempre ali. Falar em Marias. Parabéns Maria e que feliz fiquei de festejar-te quarentona.
