segunda-feira, setembro 14, 2009

À Cautela

... não tenho escrito grande coisa. É que não quero que a pegada ecológica deste blog seja muito marcante.

sexta-feira, setembro 04, 2009

Isso é que era

... a bem a bem era o Jornal Nacional da TVI ser hoje apresentado pelo José Sócrates. Isso é que era bonito. Notícia de abertura:
"Manuela Moura Guedes retoma carreira artística com versão do hit dos anos 80 - Foram Cardos foram Sócrates"

segunda-feira, agosto 31, 2009

Estremunhado

Gosto da palavra apre. A minha avó Céu usava-a nos apertados limites da educação. Gostava de a ouvir quando ela a dizia irritada.

Apre. Chego sempre estremunhado de férias. Preciso de uns tabefes

sábado, agosto 29, 2009

Tomates

O problema das praia é o excesso de areia. Não gosto daquela matéria que aquece de uma maneira parva e que se enfia em locais de acesso tendencialmente considerado restrito. Nas virilhas e sabe Deus mais onde. A outra chatice da praia é a escassez de sombra, o que em dias de calor é uma merda porque, para se estar relativamente ao fresco, ou nos enfiamos numa sombra alugada a preços mais ou menos pornográficos ou nos sujeitamos a que nos caia uma arriba em cima. Por fim há o sal da água. A água da praia é bestial, e tem aquela agitação das ondas que lhe confere alguma graça, mas escusava de ser tão salgada. É que se a areia vai para as virilhas, o sal vai para as axilas, ombros e costas e um tipo nem dá por ela até à hora de vestir uma t-shirt e aquilo arranha ou faz impressão ou lá o que é, mas é chato.
A praia também tem gente e por vezes em excesso e, a meu ver, quase toda dispensável. Podiam pôr essas pessoas todas dispensáveis a fazer sombra às toleráveis e às imprescindíveis. Em vez disso parece ser um local quase democrático e toda a gente se estende em cima de toalhas e por baixo de chapéus de marcas de automóveis e de bebidas gasosas, ou de palhotas ou toldos. Mais recentemente inventaram uma espécie de iglos que confere alguma sombra mas que me dá a impressão de serem tão quentes que dá para assar leitões lá dentro. Ora toda esta gente com quem se partilha a areia, está sempre cheia de calor o que faz com ingira imensos líquidos, o que consequentemente provoca uma cadência urinária invulgar. E onde é que esta cadência se alivia ? No mar, pois então. É por isso que existem ondas. São uma espécie de autoclismo natural de proporções gigantescas.
Ora a praia dos Tomates tem tudo isto e muito mais o que, em alguns casos, lhe serve de atenuante. A sombra alugada pode incluir espreguiçadeiras com colchões. Existem brasileiros a vender bolas de Berlim, que na praia sabem 132 vezes melhor que em qualquer outro local, os mesmos brasileiros vendem bolachas americanas que eu duvido existirem em qualquer lugar do continente Americano, existem marroquinos que vendem réplicas de relógios de marca, de óculos de sol de marca e de malas de marca, existem outros marroquinos a vender túnicas e vestidos, e chineses que fazem massagens e tatuagens de curta duração. Estes vendedores animam a praia, garantem assunto para muita da conversa e sempre acabam por fazer alguma sombra.
Este ano, e a meio das férias, invertemos horários de praia e passámos a chegar à hora proibida dos raios UV's altíssimos, o que nos poupou a cena do estacionamento, e a sair na altura em que o salva vidas nos puxa o colchão debaixo do rabo porque tem que arrumar os ditos no barraco. Ora neste turno das 14-20, a praia transforma-se em algo muito melhor que a versão 9-13. Quanto mais não seja porque nesta hora as poucas crianças a aturar são as nossas e os filhos de poucos loucos como nós. E porque Lisboa é um bidé e os Tomates um penico, os loucos da frente eram conhecidos e os da frente esquerda conheciam os da frente e também conheciam amigos e amigos de amigos e vai daí, que não demorou dois dias de torra ao sol, já os miúdos todos tinham uma linha de montagem de pulseiras e colares, e acompanhavam os brasileiros, marroquinos e chineses no comércio itinerante entre toldos e barracos. Vai que este tipo de loucura promove o chamado convívio, o que também pode ser genericamente considerado positivo.
O único problema em conhecer várias pessoas ao mesmo tempo é ter que saber os respectivos nomes, mas ao fim de uma semana só houve um ou outro que se me escapou. Nada mau portanto. Muito boas companhias, e tardes bem passadas.
Além da areia não escaldar ao fim da tarde, ganhámos acesso a uma sociedade quase secreta de produção de caipirinha para os toldos ali da zona, servida perto do pôr do sol.
Até pode ter sido do efeito da cachaça, ou do fim da tarde, ou de vizinhanças muito boas ondas, mas este ano, a areia nem parecia querer grandes algazarras com as minhas virilhas.

quarta-feira, agosto 12, 2009

A Galope

Há uns quinze anos atrás, por alturas de um fim de semana de turismo rural, a senhora da recepção recomendou-nos vivamente um passeio a cavalo. Ora perante a total ignorância no manuseamento dos ditos, optámos por um passeio de uma hora de charrete. A coisa envolvia passear pela quinta e arredores e ver uns cromeleques e coisa e tal. Ao fim de um quarto de hora de passeio, vai que desato a fungar e a espirrar. "Malditos fenos, estupor da primavera" pensei. Vai que mais uns minutos, uma coceira nos olhos que não sabia o que fazer e a partir da meia hora de jogo, uns apertos na garganta que mal podia respirar. Finda a viagem, quais cromeleques, qual quinta, qual charrete. Não via nada com os olhos inchados, mal respirava e quase não tinha nariz. Tanto animal que eu não gostava, tinha logo que ser alérgico a cavalos.

Desde então cada vez que me aproximo de um bicho destes, ou ensaio um pequeno passeio, desato em tristes figuras. Casamento incluído que as tias octogenárias comentavam o meu grau de comoção à chegada à quinta, após um passeio de cinco minutos numa viatura equestre: "Ai o seu menino comoveu-se tanto, está com os olhos numa lástima". Ainda há umas semanas atrás num passeio por Sevilha fui feito parvo com uma fralda nas trombas para aguentar meia dúzia de quilómetros, e ainda assim saí antes do fim do trajecto.

E agora na semana passada, como que por milagre de Santa Bárbara (porque se acode nas trovoadas e se todos os cavalos se chamam Trovão, há-se ser esta a santa equestre), fui levar os miúdos a umas aulas de equitação e nem um espirro, nem uma asma, nem uma comichão ocular. Ora eu, que estava deserto para aprender, ainda fiz uma aula de volteio, e dois dias depois uma outra. Os Marias fizeram o mesmo e continuam. Está decidido:

Vamos desfazemo-nos dos peixes e dos aquários, damos um jeito ao escritório e compramos um cavalo lá para casa. Para passear na Alameda. Difícil será ensiná-lo a subir e descer do 3º andar sem elevador, mas assim que aprender pode levar as compras do mês para cima e o lixo para baixo. Aposto que perante esta mais valia até a Ana vai gostar da ideia. A Pipi das Meias Altas também tinha um em casa. Pode pastar na Alameda e vou ensiná-lo a cagar na janela da marquise. Sempre dá razão à vizinha da cave que não paga o condomínio porque os andares de cima lhe estão sempre a sujar o quintal. Ainda não sei que nome lhe hei-de dar. Talvez Mantorras Maria, que lá em casa é tradição o Benfiquismo e os Marias. Mais dois anitos e ainda organizamos corridas de obstáculos no quarto de brinquedos e touradas na cozinha. Com uma vaca em vez de um toiro. Com a quantidade de leite que eles bebem, justifica-se uma vaca na cozinha. Das malhadas pois claro.

terça-feira, julho 28, 2009

João e Maria

Agora eu era um guerreiro de espada na luta contra o dragão, agora era o cavaleiro de Cervantes e via gigantes no lugar dos moinhos, ou era o vento que os fazia agitar os braços, agora eu era capaz de voar até às nuvens e descer na velocidade estonteante, ou era só o pára quedas dos que se saltam de aviões coloridos e precipícios intermináveis, agora eu era capaz de suster a respiração e nadar no fundo dos mares e conhecer-lhe os segredos e criaturas bizarras, ou era escritor inspirado como se não tropeçasse entre as emoções e a folha de papel. Agora conseguia aniquilar todos os bandidos e fazer heróis em todo o mundo, agora não havia medos nem maus e as guerras eram com água e acabavam sempre com lanches cheios de guloseimas e gasosas. Agora eu falava com os golfinhos, com as águias e com as serpentes e era o mais rápido nos cem metros e na maratona, agora marcava golos improváveis e fazia defesas impossíveis, agora brincava no cimo das ondas de todos os metros de altura e conseguia ir e voltar da lua, agora dançava nos teus braços e adormecia a sorrir como crianças felizes.
” Agora eu era o herói e o meu cavalo só falava inglês…”

sexta-feira, julho 10, 2009

Travessa do Calvário

Notou-lhe a presença cada vez que arrumava o carro naquela rua. Já a tarde se fazia noite, e sempre o mesmo quadro, assim como se de um ritual. Do velho carro de compras que arrastava durante o dia, montava abrigo para mais uma noite. As arcadas do prédio e os cartões armados, castelos de cartas de um qualquer jogo de azar, conferiam-lhe débil refúgio e ridícula privacidade para a noite. Não lhe sabe idade, advinha-lhe menos que metade de um século, nunca lha perguntou. Também porque haverá? A higiene possível é feita em gestos escondidos e delicados, como um gato. Por fim solta um imenso cabelo que ainda brilha e já deitada, outros cartões para coberta. Viu-a tantas vezes neste ritual. Nunca lhe dirigiu palavra. Nunca lhe soube o sorriso.
A manhã traz outra luz e se cedo, outros rituais. Os cabelos enrolavam-se de novo e presos em novelo, sustinham-se por mais um dia. Passou por ela quando levava o filho à escola, ali mesmo, na rua de cima. Disse-lhe “bom dia”. Na volta das palavras saiu um bom dia cheio de música e a pergunta ao petiz “Então vais para a escola?”. Escancarou um sorriso. Sincero, dócil, e maltratado. Desde esse dia, eram assim as palavras e os encontros. Nunca menos que um bom dia ou uma boa noite, nunca mais que um sorriso. Sempre a vontade de saber que tropeções a levaram ali, na confortável distância de não se envolver para não cuidar. E se de noite, a chuva caía à bruta, ou o frio gelava os ossos, nunca lhe vinha à ideia a infeliz debaixo das arcadas. Talvez no dia seguinte se perguntasse como havia ela passado a noite, mas nem sequer partilhava com alguém o formigueiro da inquietude.
Por vezes pensava numa ajuda ou numa conversa, nunca lhe parecia oportuno ou adequado. “Se calhar até leva a mal” pensava, como que a desmobilizar qualquer ímpeto de caridade. Ficou-se sempre por ali, a troca afável de um cumprimento e um sorriso. Cómodo não é?

terça-feira, julho 07, 2009

segunda-feira, julho 06, 2009

Confirma-se

A próxima oftalmologista que me espetar uns gatafunhos minúsculos numa longínqua parede e a seguir à minha magnífica prestação, resolver perguntar, "Afinal quantos anos é que você disse que já tinha ?", leva com as lunetas_ridículas_cheias_de_encaixes_para_lentes nos cornos.
Só o não fiz, não resolvesse ela, num acto de insensatez, receitar-me lentes de contacto e eu ter que as por e, de cada vez que o fizesse, à conta dos tremeliques, ficar com a geleia dos olhos espalhada num raio de dois metros.
Não gosto mesmo nada quando se confirma, que está relacionado com a idade.

quinta-feira, julho 02, 2009

Ca nervos

Ora eu não podia ir à festa do loiro dos caracóis, porque à tarde tinha uma reunião do tipo "se me baldo bem me posso queixar de terem decidido o contrário do que eu quero". Posto isto nada mais natural, que para compensar a ausência, levasse comigo o caracóis a assistir à festa matinal do Sirenes. Elas bem me avisaram que estava em vigor uma regra que impedia irmãos de assistir a festas de irmãos, e que a bem a bem, era fazer-me de parvo, despir o bibe ao dos caracóis e roubá-lo para ir assistir à festa do Sirenes. Eu que tenho o QI de um poste telefónico, resolvi ir pedir licença à directora. Desisti quando o diálogo ia no ponto:
"Se o menino for assistir à festa do outro depois não pode entrar na escola durante a tarde"
"Então se não entra na escola à tarde não vai à festa. Levo-o comigo e se decide que ele não pode ir à própria festa depois falamos sobre esse tema."
"Não leva nada o menino"
"Eu tomo conta dele."
"Não leva o menino que foi decidido que não há irmãos a assistir às festas dos irmãos"
"Eu não decidi nada"
"Mas decidiu a escola"
"Não reconheço competências à escola para decidir sobre questões de irmãos"
"Mas é uma questão da escola, portanto decidiu assim e assim será"
Várias litros de ar engolidos em seco para não dizer palavrões e não ultrapassar os limites. Correndo o risco dos caracóis serem impedidos de participar na festa de fecho do ano, resolvi colocar o rabo entre as pernas e falar com o loiro para lhe dar as novas.
Por falar em rabo, e assim num repente aquele lembra-me o Pavilhão Atlântico, a mulher tem o dom de me irritar.

segunda-feira, junho 29, 2009

Alen Tejo e os Quarenta da Maria

E vai que ela fez 40 anos, o que é bom. A quarentena é chata, a quaresma é assim assim, mas a quarentona é bestial. E como fez esse disparate de anos resolveu fazer um piquenique com os amigos. E vai que ela é amiga da Inês, e da Joana, e do Pedro, e da Mercedes, e do Francisco, e da Ana, e da Bárbara, e da Leonor, e da Madalena, e da Rita, e do Gonçalo, e da Sofia, e do Rui, e da Alexandra, e da Bibão, e da Maria, e do João, e do Luís, e a bem a bem era juntá-los a todos numa ilha. E que se há terra que agora tem dado ilhas que é um disparate, é ali a zona do Alqueva. E se no meio da água surgem as ilhas, nas margens surgem os turismos de habitação e os turismos rurais e vai que a moça que já não vai para nova mas está ali que não há isto que se lhe aponte, além de um piquenique, resolve juntar tudo num destes locais paradisíacos. E não contentes com a multiplicação, todos se exponenciam na descendência, Deus os abençoe a quantidade de Marianas e Margaridas que entretinham os coisos Marias, os meus inclusive. E juntar e jantar e jantar e dançar e dançar e beber. E vinhos e vinhos.
E elas, que não são boas de assoar, resolvem pegar-lhe no marido e reinventar o Grease de surpresa com coreografia e figurinos preparados . A pobre, com receio de ir a banhos na piscina, nem lhes notou as vestes exageradas e os cabelos à época. A bem, a bem só deu pela surpresa, já o musical dava de si. E assim foi o fim de semana a festejar quarentonas, que a cá de casa também incrementou um como de costume por estas alturas. Falar em números houve quem andasse a chamar números aos outros como se de signos se tratasse. Tu és um sete, ou tu és um oito, ou tu nem sei bem que raio de número és. Parece haver uma ciência da numerologia e de um a nove algum há-de de ser. Fez-me lembrar a Mara Abrantes mas em versão números “Diga em que dia em que mês você nasceu para ver se o seu signo combina com o seu”. O melhor é estar calado que, se comparada com a Bree já foram Carmos e Trindades, se lhe insinuo Mara Abrantes tenho dias contados. Falar em Carmos e Trindades, não é que há quem ache que o 25 de Abril e o PREC foram exagerados? Quais exagerados ? E eu ali feito camarada, a expor a minha costela de homem de esquerda, não fora a caraça de Hugh Grant… E vinhos? Já falei do vinho? E do grupo de cantares Alentejanos a cantar os parabéns? Tratando-se de versos longos, começaram na sexta à noite e no domingo de manhã já iam no segundo verso. E o vinho ? Já falei do vinho ? Falar em vinho, eu nem sou de cortes e costuras, mas a Mara_Abrantes_de_um_a_nove chegou a estender-se no chão de soca orientada às estrelas, e seja o diabo cego, surdo, mudo e tetraplégico se não chegou a ter a cabeça envolta em panos brancos.
Findo o domingo, ficam histórias, risadas e os Marias a perguntar se podem passar a fazer anos sempre ali. Falar em Marias. Parabéns Maria e que feliz fiquei de festejar-te quarentona.

sexta-feira, junho 26, 2009

Desculpas

Agora quero ver se o Sócrates vem com desculpas esfarrapadas a dizer que não, não fazia ideia que o Michael Jackson ia morrer e tal.

terça-feira, junho 16, 2009

Sonho de Sevilha

O turbilhão das cores transportar-nos àquele mesmo hotel, o estranho homem da recepção estranha a nossa fala, e reservo-nos sem estranheza toda a cidade. Em Sevilha um velho adorna a varanda, sobes a escada que a ladeia, acertas o manto da procissão, para que a virgem adorada, se comova ao passar. Vejo os teus olhos nas cores da praça, e já na arena entre aplausos e olés, dou uma volta de consagração, e na entrada esperas-me no coche que nos mostra a cidade e as cores. A imponente catedral que se giralda de torre em céu, e aos nossos pés tantas paisagens num persistente Maludar, falta-me o ar sobra o calor, e para lá dos quarenta e dois graus, saltamos pelos toldos que sombram estreitas ruas. Lá em baixo o frenesim dos turistas e as mulheres gordas que lhes lêem destinos certos nas palmas das mãos, como na magia. Mágica a ilha em que nos molhamos e como nos molham os risos e gargalhares. Somos todos crianças felizes e nervosas nas descidas em que nos falta o chão. Levam-nos rápidos de volta à muralha e ao calor, jogamos às escondidas nos pátios e puxa-nos o som das cordas, à batida das palmas e ao sapatear. Mulheres de danças sensuais arqueiam o corpo e ainda cores. Sabemos de cor aquele calor e não baixa dos 40 graus. Cerveja gelada e à pressão num esplanada cheia de artistas, fazem em quadros tanta bravura. Fraca figura, que corta em ritual, finas fatias de iguarias despertam nossos paladares. Rendido aos poucos o calor, é outra a luz e outras sombras, candeeiros de ruas, e danço descalço sob o pulverizador. Vence-nos a cidade tórrida da beleza das cores e músicas.

segunda-feira, junho 08, 2009

Eleições

Eu que desta vez fui votar no fecho das urnas, e apesar dos vómitos do sirenes dentro do carro, a abstenção lá de casa foi de zero por cento. Os senhores da mesa bem estranharam o cheiro a vomitado, mas não me impediram de exercer o meu direito.
Esforcei-me portanto e depois apresentam-me estes resultados: "Quatro vitórias e um funeral" Que coisa mais parva. Não havia maneira de perderem todos ? Ou de ganharem todos excepto os irritantes. O que deixa de fora ... 'xa cá ver ... todos. Podemos repetir ? Eu queria votar no Quique Flores e enganei-me.

quarta-feira, junho 03, 2009

Catanos, camandros e caraças

Isto anda confuso, mas a coisa vai ao sítio. Ele é as festas da escola que cada vez que o bochechas tem uma actividade adicional é mais um número com um ou mais zeros à frente e no fim um símbolo que parece um “E” redondo e com um traço suplente. Depois as cadelas que foram de uma creche para outra mas com o desencontro de datas acabaram por pernoitar pelas minhas bandas, Deus nos acuda o que aquelas bichas fazem, que até uma barra de sabão resolveram comer, cheguei mesmo a pensar que o melhor era embalsamar os animais assim com uma pata para cima como se preparassem para atacar, em vez disso quando foram à rua até bolas de sabão sairam. Falar em Deus, o do meio, o loiro de caracóis, comungou pela primeira no Sábado e no Domingo já estava a pedinchar para ir lá novamente que a cena do corpo de Cristo lhe agradou sobremaneira. Falar em Deus a Ana que tinha duas avós, no Domingo passou a ter só uma e vai daí eu que fui fazer a oração dos fiéis na Terça Feira na missa de corpo presente, me enganei no nome da senhora e em vez de pedir pela que estava na caixinha de madeira mesmo ali à frente resolvi pedir pela outra que ainda está de saúde mais ou menos decente. Essa missa de corpo presente das 9 e meia da manhã seguiu-se à missa das famílias das 8 e meia na escola do bochechas que ainda não recebi a respectiva cotação mas não há-de tardar. Já aqui falei da inteligência suprema de casar no dia da criança porque os selvas querem sempre ir a qualquer coisa parecida com uma feira popular e neste ano em particular ainda havia um velório e portanto a segunda-feira foi uma de uma animação ímpar. Já terça, na terapia da fala, o loiro de caracóis ao receber o TPC, depois de ter passado a fase da bauauaica de uís uauande, que consistia em escrever palavras com ‘r’ inicia um diálogo com a terapeuta:
- O Manel lembra-se do trabalho que leva para casa?
- Sim. Escrever palavras com erre?
- Não é bem erre.
- Pois. É com “re”.
- Isso.
- Como caraças.
- Caraças é um bom exemplo.
- E como car....alho.
Peguei nele e fugi dali para fora e agora só lá volta quando o tema for “palavras só com vogais” como ui , ao, ai e au.
A juntar a isto a porcaria da saída da CRIL na segunda circular avançou uns quinhentos metros e o qi dos automobilistas recuou em conformidade pelo que a segunda circular e a radial de Benfica estão sempre uma animação, e como eu também sou um bocado aparvalhado, só me lembro que o melhor é ir pela A5 depois de já não poder sair da fila.
Olha que no meio disto tudo não falei do sirenes. E mais o estupor do sirenes que não se cala e está sempre a pedir água deve estar a caminhar para a diabetes. Tenho dito.

sexta-feira, maio 22, 2009

Oração

Meu Deus faz com que se alguma vez tiver Alzheimer, nunca me esqueça do endereço do youtube

quinta-feira, maio 21, 2009

Submarino ao Fundo

Um décimo do que eu fazia. Saiba eu que fazes um décimo do que fazia na tua idade. A nespereira até lá acima em casa da Avó Céu, ou descer pelos tubos que suportavam a escada de serviço desde o quarto andar até ao rés do chão, ou subir as mesmas escadas sempre pelo lado de fora do corrimão, ou subir as paredes do corredor e passar por cima das portas , ou andar nos telhados dos prédios em frente à Igreja do Bairro, ou entrar em casa pela janela aberta da marquise. Sonhe eu que chegas a estes calcanhares, e falta-me imaginação para a reacção. Não obstante, podes partir-te um bocadinho, mas só mesmo um bocadinho e daqueles que são de rápido remédio. Um dedo vá. A cabeça pronto. Ou o queixo, que eu também parti. Um dente é discutível, só se for daqueles que ainda não são definitivos, ou que o sendo estão sentados nos lugares mais baratos, segundo ou terceiro balcão. Os dentes que estão na plateia VIP não são para partir, definivamente não pode ser. Sobretudo esse, o do meio, em cima, a favola maior. Logo esse que substituiu muito a custo, um outro que, com um ano, resolveste enfiar para dentro numa queda e que portanto andou morto até cair, dando lugar a essa fabulosa favola que agora está … partida ??? Favola partida é uma chatice João Maria, é como partir uma das tuas bochechas. É um cartão de visita. Tu vai-me preparando uma história comovente e heróica, que eu estou capaz de descontar o dinheiro de um pivot na tua mesada … ora fazendo as contas, em 400 semanas o caso fica sanado.

quinta-feira, maio 14, 2009

Não sei se vais lá ...

...
"é que Jesus está vivo, mas também está morto. Metade está vivo e a outra metade está morta"
Nisto desenha uma linha imaginária entre a cabeça e os pés e continua
"... deste lado aqui está vivo, deste lado aqui está morto e nem tem ossos nem nada, é só a alma"
e finge que se desconjunta todo.
Sirenes, hás-de ser considerado apto para a primeira comunhão lá para os trinta e mesmo assim ....

sexta-feira, maio 08, 2009

Direito de Resposta

Hoje, na fila do euromilhões, numa daquelas papelarias de centro comercial apinhada de gente, a senhora da caixa dirige-se alto e bom som para o senhor que folheava a Playboy:
- Ó meu senhor, é proibido consultar a revista. Está aí um cartaz a dizer isso.
Olha que história, uma bancada inteira com a playboy cheia de silicones e o homem ia lá reparar no cartaz. Encolheu-se até onde podia e pousou a revista no seu devido lugar.
Não consegui, mas apeteceu-me tanto, mas tanto dizer bem alto:
- Também não é caso para tamanho chavascal, o senhor só estava a ver as gordas.

quinta-feira, maio 07, 2009

Filhos Legítimos

Estranhei logo quando fui inscrever o primeiro na creche, antes ainda dele nascer. A directora da dita chamou-me Pai, ou pai não interessa. Até fiquei com pena da senhora. Olha teve um deslize e chamou-me pai, deve estar mais atrapalhada que eu, vou fingir que não notei. Afinal não. De há dez anos a esta parte tem sido uma prática corrente, e à medida que o número de filhos aumenta, o número de pessoas que têm a mania de me tratar por pai aumenta também. Auxiliares, cozinheiras, enfermeiros, médicos, educadoras, professoras, lojistas e babysitters tratam-me por pai. Que espero que não por Pai. E logo eu que achava que só tinha rapazes, volvida esta década vejo-me rodeado por uma catrefada de filhos, a maior parte deles do sexo feminino e algumas mais velhas do que eu. E estão mesmo convencidas que são minhas filhas. Legítimas, porque também chamam mãe à minha mulher, e avô e avó ao meu pai e à minha mãe. Ora isto não é um engano, é mesmo uma profunda convicção que são filhos e filhas. Será que contam viver lá em casa? É que o espaço já não é muito e o que eu gasto em cerelac, leite e gromittis nota-se no PIB. Talvez não contem muito com isso porque depois não agem propriamente como filhos. Não nos saltam para o colo quando nos vêem, não aparecem a meio da noite a pedir para se deitarem ali porque tiveram sonhos maus e não reagem nada bem quando lhes tento dar banho. Não querendo tirar partido da situação, eu até os acolho em casa porque a um filho não se vira as costas, mas pelo menos dêem-me direito ao respectivo abono de família. Salvo seja.