- Nesta PlayStation 50 % é tua e os outros 50 %, são 25% meus e 25% do Manel. Certo ?
- E o António ?
- Então 40% teus, e 20% para cada um de nós.
- Nem pensar. Não fico abaixo dos 50%.
- Então 50% teus, 25% meus e 25% do Manel. Damos um comando qualquer ao António e ele acha que está a jogar, nem nota que não está ligado.
- Acabou. Esta Playstation é toda minha. Minto, 50% é da mãe. Comunhão de adquiridos meus caros.
- Diga pai?
- Calem-se e joguem antes que eu me arrependa.
quarta-feira, abril 29, 2009
Velho Francisco
Sentou-se no café. Não estava dia que justificasse a rua atravessada e a jogatana com os outros velhos nas mesas do jardim, à beira do coreto. Nem a esplanada, cruzes canhoto. Incomodava-o a impertinência do inverno além das fronteiras de Março. Não era só pela ausência de cor, ou a sensação de frio. Era a inércia convidada para todos os lugares. Os ossos que pareciam mais rijos, as articulações mais teimosas, os amigos que não arriscavam os lances de escadas, até o homem dos jornais que não lhe devolvia as deixas. Homem de poucas conversas nos dias assim. E dos sons do bairro, pouco mais que o agitar das copas das árvores, dos automóveis e passos apressados. Pediu chá e uma torrada. Sabia-lhe bem e a ocasião não lhe pareceu despropositada. Folheou o jornal e deixou-se levar pelo que lia, na sua maioria, ou disparates ou coisas que já sabia pela televisão logo manhã cedo. Envolveu-se de tal forma na leitura que tardou a aperceber-se a luz lá fora parecia mudada. Olhou para lá da rua e era ver os verde a desmultiplicarem-se em múltiplos tons, e as formas a clarificarem contornos. “Traga-me a conta sr Luis, que isto parece querer arrebitar”. Deixou umas moedas na mesa e saiu. Até as pernas pareciam responder de outra forma. Passou pelo quiosque e o homem dos jornais provocou-o para a conversa “Já viu isto? Agora são os porcos que se constipam”. Queria lá ele saber dos porcos, queria era apreciar o jardim, já com o chão recortado de sombras e sol, como peças de puzzle desenhadas nos caminhos, o agitar das árvores abafado pelo frenesim dos miúdos no parque e os sussurros aqui e ali de vizinhas cuscas, o som de passos curtos das empregadas vindas da praça para o almoço das patroas que o senhor engenheiro deve estar para chegar. Atravessou o jardim - até os patos já cá andavam fora - passou o coreto e sentou-se ao sol. A mulher das flores, olhos de vida e sorriso sincero, meteu-se com ele “Boa Tarde Sr Francisco, aposto que é hoje que me compra uma rosa para me oferecer”. Sorriu-lhe de volta.
- Anda lá Francisco, oferece uma rosa à Dona Gracinda. Olha que ela está caidinha por ti
Era o Manuel, antigo companheiro da Sueca.
- Deixa-te de coisas Manuel, e senta-te aí. Cheguei a ver isto mal parado. Os outros ?
– Dá-lhes um tempo, que já não vão para novos ao contrário de nós. Enquanto isso vamos a uma bisca.
- Anda lá Francisco, oferece uma rosa à Dona Gracinda. Olha que ela está caidinha por ti
Era o Manuel, antigo companheiro da Sueca.
- Deixa-te de coisas Manuel, e senta-te aí. Cheguei a ver isto mal parado. Os outros ?
– Dá-lhes um tempo, que já não vão para novos ao contrário de nós. Enquanto isso vamos a uma bisca.
segunda-feira, abril 20, 2009
Precisamos de uns novos donos
Além do vazio , a perda de há dois posts atrás, deixou três velhotas numa situação difícil.
Quando o meu sogro adoeceu, as três cadelas que ele tinha, foram para um canil perto da Malveira e neste momento não sabemos que fazer com elas.
A Pipas tem 14 anos e é a mais clarinha de todas. Já não ouve, mas continua cheia de mimos e de vontade de brincar.
A Clara tem 10 anos e é a maior de todas. Não dá grandes confianças no início, mas acaba por ser grande companheira.
A Tata também tem 10 anos, é irmã da Clara, e é a mais gorda e mais gato das três. Gosta de preguiçar e está sempre a pedinchar festas.


Neste momento o que preciso é de qualquer tipo de ajuda para que consiga arranjar-lhes novos donos: sugestões, contactos, divulgação deste post por mail, enfim algo que permita à Pipas, à Clara e à Tata ganhar uma nova vida.
Obbrigado a todos. O mail para onde podem fazer chegar alguma informação ou novidade é o aqui da caixa de costura: afrazao@gmail.com
Quando o meu sogro adoeceu, as três cadelas que ele tinha, foram para um canil perto da Malveira e neste momento não sabemos que fazer com elas.
A Pipas tem 14 anos e é a mais clarinha de todas. Já não ouve, mas continua cheia de mimos e de vontade de brincar.
A Clara tem 10 anos e é a maior de todas. Não dá grandes confianças no início, mas acaba por ser grande companheira.
A Tata também tem 10 anos, é irmã da Clara, e é a mais gorda e mais gato das três. Gosta de preguiçar e está sempre a pedinchar festas.
Neste momento o que preciso é de qualquer tipo de ajuda para que consiga arranjar-lhes novos donos: sugestões, contactos, divulgação deste post por mail, enfim algo que permita à Pipas, à Clara e à Tata ganhar uma nova vida.
Obbrigado a todos. O mail para onde podem fazer chegar alguma informação ou novidade é o aqui da caixa de costura: afrazao@gmail.com
Chantagista
Ó sirenes, tu vê lá se não te chibas. Passo a explicar. A avó Lídia, na verdade, é bisavó como tu sabes e está muito velhinha e tem momentos de lucidez. E em certas idades há notícias que não devem ser dadas. É discutível eu sei, mas ainda não podes decidir sobre esse tema.
Por outro lado eu sei que tu gostas muito de atenuar a tua condição de terceiro e de ínfimo lá de casa, ganhando corridas aos teus irmãos e sendo o primeiro em determinadas actividades. Mas não posso tolerar chantagens. Não são admitidas chantagens lá em casa. E dizeres, do cimo dos teus quatro anos, nada inocentes
"Ou sou o primeiro a ser servido de panquecas ou vou dizer à avó Lídia que o seu filho já não existe porque morreu" é claramente um caso de chantagem.
Por outro lado eu sei que tu gostas muito de atenuar a tua condição de terceiro e de ínfimo lá de casa, ganhando corridas aos teus irmãos e sendo o primeiro em determinadas actividades. Mas não posso tolerar chantagens. Não são admitidas chantagens lá em casa. E dizeres, do cimo dos teus quatro anos, nada inocentes
"Ou sou o primeiro a ser servido de panquecas ou vou dizer à avó Lídia que o seu filho já não existe porque morreu" é claramente um caso de chantagem.
terça-feira, abril 14, 2009
Ainda era cedo pá
Já te tinha adivinhado assim no olhar vazio. O que foste tu fazer homem.? Percebeste ao menos que ninguém ali estava para despedidas? Viste-os os olhos perdidos dos teus amigos à espera de explicações no inexplicável? Viste a tua filha entrar na casa vazia, sem perceber a tua ausência, a vasculhar memórias que atenuassem dores. E os teus netos homem? Agora é que eles estão a chegar aquela idade que querias. A idade de os levares às pescarias, de ires com eles de madrugada à lota para o peixe fresco, de os ensinares a cozinhar, e a jogar Poker e Xadrez, de ires com eles às flores para os canteiros de São Martinho. Eles ainda tinham tanto para aprender contigo, homem. Todos tínhamos, mas eles então. Sei que a tua princesa grande já nem estava, mas caramba rapaz, foi também ela quem nos ensinou a lutar sempre até ao fim. Bem sei que estavas refilão, mas nunca te conhecemos doutra forma, e foi assim que aprendi a gostar de ti. E olha que foi gostar que se farta. Deves ter ficado chateado com o que te disse naquela noite em que resolveste que não querias ser internado, mas se soubesse o que sei hoje, tinha dito o dobro ou o triplo até te convencer que não podias ir para casa naquele estado. Desculpa lá a maneira como te falei, mas era-te tão urgente seres internado. Agora não vale a pena dizer-te tudo isto, que a tua mulher deve-te estar a dar uma desanda como já não ouvias há muito. Agora só vale a pena dizer-te que te sentimos tanta falta A falta que os filhos sentem de um pai, que os netos sentem de um avô e que os amigos sentem dos amigos. E sim é mesmo assim, as bochechas do João são iguais às tuas, e no génio do Manel e no gargalhar do António. E deixas-lhes também a doçura deles todos e da rainha lá de casa. A tua filha, heroína nesta história, levou o álbum das fotos lá para perto de ti porque ninguém se queria despedir, só queriam dar-te um abraço e um beijo. Havias de os ver felizes a recordar-te, é que ainda não era altura para despedidas. Ainda não era agora. Ainda era cedo.
terça-feira, abril 07, 2009
Lembro-me
Apego-me a memórias. Tantas vezes nem as sei, quando as cristalizo, tenho-as como se têm memórias e guardo-as como se guardam memórias. Á mão de semear. Não as faço cabides para pendurar as roupas do presente, ou para o ludibriar em alusões ao que já foi, não faço dias em sucessões geométricas. Quando lhes dou a vez, é a pedido dos sentidos. Sempre porque qualquer coisa ou por todas as coisas, os sentidos, as cores, os sabores, os cheiros, os sons. Lembro-me de cheiros quando os revisito sem querer e com eles vêm todos os sentidos. Lembro-me do cheiro da cantina do colégio em forma de castelo, e depois lembro-me das mesas, dos pratos, dos copos, dos azulejos e do elevador. Lembro-me do cheiro do soalho do ginásio e com ele lembro-me da ardósia, das cordas, das argolas, dos boques, dos plintos, e da sensação do peso do corpo sobre as mãos nas paralelas. Lembro-me dos sons, sons ordenados em cinco linhas, canções, e quando me lembro de canções vem tudo ao arrepio com pressa de chegar. Lembro-me do primeiro disco ouvido sem contar lhe contar as vezes, e de o ouvir ao vivo. O homem envergonhado lá ao fundo em cima do palco e a multidão com o dobro do meu tamanho, a voz imensa e a poeira. Lembro-me da poeira que me enchia as mãos e a roupa e do sorriso que me enchia a cara de o ouvir e quase o ver lá ao fundo, e o sono que já tinha. Lembro-me das canções. A memória das canções não é bem como a dos cheiros, ou a dos sabores, ou a das cores. É imensa.
sábado, abril 04, 2009
(des)Construção
"Seus olhos embotados de cimento e tráfego, beijou sua mulher como se fosse lógico, e flutuou no ar como se fosse sábado."
Mais do que a merda que os médicos me dizem sobre ti, é a merda do teu olhar que parece incapaz de dizer algo.
Mais do que a merda que os médicos me dizem sobre ti, é a merda do teu olhar que parece incapaz de dizer algo.
quarta-feira, abril 01, 2009
Hiper
As idas ao hipermercado, mesmo em modo toca e foge, são quase sempre animadas. Quanto mais não seja porque gosto de lhes adivinhar a vida só de olhar para os carrinhos ou para os cestos.
Ali na bela vista a população é diversificada e fico com a sensação que até as miúdas desdentadas das caixas ou os seguranças são meninos para me assaltar à saída. Preconceitos de gajo da classe média que resolve fazer compras no hiper às portas de Chelas.
A mulher da fila 36 gritava qualquer coisa ao miúdo que devia andar pelos nove anos. Liguei a super audição.
- Estás aqui está a levar um estalo nas fuças.
Era uma mulher gorda e grande e de ar rude.
- Mas que mania apanhastes tu agora. Levas uma chapadão no focinho. Deslarga-me as mamas.
Voltei a olhar. O miúdo esticava os braços e desatava a dar palmadas às mamas da gorda, como se estivesse a tocar tambor. A mulher limitava-se a ameaçá-lo e a desviar-se das investidas do jovem músico.
- Ó minha senhora mande-lhe com uma das mamas nas trombas que o rapaz perde os sentidos e se não perder a memória nunca mais se atreve.
Ali na bela vista a população é diversificada e fico com a sensação que até as miúdas desdentadas das caixas ou os seguranças são meninos para me assaltar à saída. Preconceitos de gajo da classe média que resolve fazer compras no hiper às portas de Chelas.
A mulher da fila 36 gritava qualquer coisa ao miúdo que devia andar pelos nove anos. Liguei a super audição.
- Estás aqui está a levar um estalo nas fuças.
Era uma mulher gorda e grande e de ar rude.
- Mas que mania apanhastes tu agora. Levas uma chapadão no focinho. Deslarga-me as mamas.
Voltei a olhar. O miúdo esticava os braços e desatava a dar palmadas às mamas da gorda, como se estivesse a tocar tambor. A mulher limitava-se a ameaçá-lo e a desviar-se das investidas do jovem músico.
- Ó minha senhora mande-lhe com uma das mamas nas trombas que o rapaz perde os sentidos e se não perder a memória nunca mais se atreve.
quinta-feira, março 26, 2009
Provisório
... até que a solução seja encontrada. Raios partam mais o blogger. Teve que ficar suficientemente feio, para eu não me tentar a não mudar. Rabos.
é o browser
... ou lá como isto se chama. Nuns browsers vejo o blog direitinho, nos outros desaparecem as cores de fundo e depois os textos e a caixa de costura parece um monte de ... cócó. Cada vez mais acho que existe uma relação directa entre a minha cabeça e o grau de merdelim com que a caixa de costura aparece.
Vocês também vêem isto tudo mal parido ?
Vocês também vêem isto tudo mal parido ?
quarta-feira, março 25, 2009
Havias de surpreender
Havias de ser só silêncio e escusar-te às palavras, havias de ter brilhos e maresias ou evidências de ti. Escusa-te a frases desconexas e dá-me a surpresa dos silêncios que enchem salas e ocupam o espaço dos abraços. Havias de ser música de improviso, havias de te dar ao riso, havias de regressar. Havias de ser para lá da teimosia das raízes da árvore, havias de te encher de folhas, havias de te fazer flor, havias de arriscar a Primavera.
domingo, março 22, 2009
Trocadilhos
Colar uma semana à outra, resultados óbvios de uma semana para lá dos limites legais. Um fim de semana quase inexistente, das coisas boas saboreadas às pressas. E uma noite de arromba na Sexta Feira. Concerto do maior poeta zarolho a seguir ao Camões no Maxime. Não fossem estes pequenos intervalos e o mar que daqui se vê tinha pulado o fim de semana. Talvez no próximo o tempo ajude e o relógio também.
quinta-feira, março 19, 2009
Dia do Pai
Tripla pois então. Como um já difere na escola dos outros dois já só devo receber dois lindos cagalhões de barro pintados a guache e envernizados a servirem de pisa papéis.
O mistério da paternidade é que fico estupidamente feliz de os receber, com o acréscimo de mimos que os embrulham. Olhos brilhantes, diz-se ser incondicional. E é.
O mistério da paternidade é que fico estupidamente feliz de os receber, com o acréscimo de mimos que os embrulham. Olhos brilhantes, diz-se ser incondicional. E é.
quarta-feira, março 18, 2009
Murphy
Tanta máquina boa para se avariar que existe naquela cozinha. Inclusive uma assim balofa armada em fina que tem manias de dondoca e que pesa e que tem pás rotativas e que aquece e que usa chapéu de abas, mesmo a pedir uma insuficiência no sistema de turbo_rotação_aquecida. Tanta bimb..., tanta máquina que podia ter-se finado, e tinha logo que ser o cubo da Nespresso a dar de si. Está em coma induzido e só faz café com auxílio à Nespresso da cozinha da vizinha. Parece-me que o sentido da derivada se está a inverter.
Só faltava agora o tempo piorar para o fim de semana, logo neste que ia experimentar os meus novos rolamentos ABEC7 nos patins de passeio. Ou ir a um concerto do José Cid no Maxim's.
Só faltava agora o tempo piorar para o fim de semana, logo neste que ia experimentar os meus novos rolamentos ABEC7 nos patins de passeio. Ou ir a um concerto do José Cid no Maxim's.
terça-feira, março 17, 2009
A subir de mansinho
Foi bonita a festa pá, um sábado de feição a patinar, e o sol no abano até me esqueceo gelo da água como que a querer estalar-me os ossos. A segunda veio como que por bem, e no fim de tarde se fez canção ou artigo de jornal brutal (quem disse que a dor da gente não sai no jornal?) A terça aos tropeções mas sempre de olho nos sabores de casa. Há semanas assim, com sorrisos. Há semanas de derivada positiva. Há sempre coisas bonitas no fundo da minha rua que me esperam.
domingo, março 15, 2009
Pedaço de alma
Não é nada por causa das crianças, é quando as histórias nos arrancam um bocado da alma, que me deixam em agonia. A alma não se consegue regenerar de todos as perdas, de todas as histórias.
Lembro-me de te ter ido buscar a casa dos Geadas para irmos juntos para o Liceu. Já todos sabíamos, e quando a porta entreaberta mos permitiu espreitar, percebemos que o teu pai te estava a contar naquele mesmo instante. A ti e á tua irmã. Foi a primeira vez que senti que a alma nem sempre se regenera. E que grande bocadão nos arrancaram dessa vez. Desde esse dia, se a história me lasca a alma, é como se num repente, as palavras ganhem voz off e fiquem só imagens que me invadem. A imagem das crianças na cresce à espera quwe o pai ou a mãe as vão buscar, no 11 de Setembro. A imagem dos meninos a beber urina durante o assalto à escola primária no Cáucaso em busca de uma sobrvivência terminada à bruta.
E agora , a fechar a passada semeana, este pai de quem nem vi imagem, do filho de meses morto no carro porque dele se esqueceu. De que ar vai este homem encher os pilmões quando alma se lhe foi de uma só vez arrancada à culpa. De dentro da minha cobardia, só me reencontrava com um balázio nos próprios cornos. Algo para além disto será sempre um ganho para o mundo, mas nunca para ele.
Lembro-me de te ter ido buscar a casa dos Geadas para irmos juntos para o Liceu. Já todos sabíamos, e quando a porta entreaberta mos permitiu espreitar, percebemos que o teu pai te estava a contar naquele mesmo instante. A ti e á tua irmã. Foi a primeira vez que senti que a alma nem sempre se regenera. E que grande bocadão nos arrancaram dessa vez. Desde esse dia, se a história me lasca a alma, é como se num repente, as palavras ganhem voz off e fiquem só imagens que me invadem. A imagem das crianças na cresce à espera quwe o pai ou a mãe as vão buscar, no 11 de Setembro. A imagem dos meninos a beber urina durante o assalto à escola primária no Cáucaso em busca de uma sobrvivência terminada à bruta.
E agora , a fechar a passada semeana, este pai de quem nem vi imagem, do filho de meses morto no carro porque dele se esqueceu. De que ar vai este homem encher os pilmões quando alma se lhe foi de uma só vez arrancada à culpa. De dentro da minha cobardia, só me reencontrava com um balázio nos próprios cornos. Algo para além disto será sempre um ganho para o mundo, mas nunca para ele.
quarta-feira, março 11, 2009
terça-feira, março 10, 2009
Twitter Aciedental

Foi a Ana que me falou do Twitter, porque a Catarina... e foi assim com o facebook, e com os blogs, e foi assim com o sexo a três (pronto há aqui umas partes inventadas). Fui espreitar e registei-me no dito cujo e a saber, trata-se de quatro conceitos:
- mensagens mais pequenas que 140 caracteres o que desenvolve uma de duas coisas a capacidade de sintetizar ou a estupidez
- seguidores - pessoas que lêem tudo o que escreves para alguém desse grupo ou que escreves para o mundo
- seguidos - pessoas que escolhes para ler tudo o que escrevem ao mundo ou a alguém que seja seguido por ti
- reenvio de mensagens quando queres divulgar ao conjunto dos teus seguidores algo que leste escrito por alguém que segues
De forma simples o twitter segue o paradigma da imensa matilha: Um conjunto de cães que cheiram os rabos uns dos outros mantendo uma certa ordem em algo que tem tudo para ser um caos.
Depois há uns truques para indicar que se quer ser cheirado só por este ou estes indivíduos da matilha, ou para partilhar com os que cheiram o teu rabo, um cheiro que se cheirou no rabo de outro.
Rabos e cheiros à parte, é simples, engraçado, por vezes útil, por vezes viciante.
domingo, março 08, 2009
8 de Março
A meio caminho de as festejar na importância da minha vida, e a ausência de festa pela necessidade de lhes reservar uma casa do calendário. Não obstante a mais linda das casas.
Para elas vai uma canção de Chico Buarque
Caixa de Música aqui ao lado.
Para elas vai uma canção de Chico Buarque
Caixa de Música aqui ao lado.
quinta-feira, março 05, 2009
Dúvida
António - Olha pai, a minha pilinha está a crescer. Do que é ?
Eu - eh ... hum ... bem ... é de felicidade António. Normalmente é de felicidade
Existem fundos poupança-acompanhamento-psiquiátrico para os filhos?
Eu - eh ... hum ... bem ... é de felicidade António. Normalmente é de felicidade
Existem fundos poupança-acompanhamento-psiquiátrico para os filhos?
Magalhães I
Viva José
Olha rapaz, este post é para te agradecer o facto de teres enviado a Magalhães Maria lá para casa. Depois de três rapazes a vestirem coeiros, finalmente chegou a rapariga. Porque ninguém me convence que, com aquele baby grow em arco-íris que o embrulha, aquela criança não é uma menina.
Mesmo que por infortúnio e falta de discernimento meu, se trate de um rapaz, a Magalhães Maria, é com toda a certeza gay, e até nesse caso, fico à beira da felicidade suprema. Sempre sonhei levar uma filha ao altar para a entregar ao homem que a fará feliz, e a Magalhães Maria é a instanciação desse sonho. Hei-de entregá-la no mais de sorriso nos lábios e a certeza de missão cumprida, e mesmo tratando-se de um gay – intellsexual - o casamento entre pessoas do mesmo sexo mantém acesa a chama da minha felicidade.
Porreiro pá
Olha rapaz, este post é para te agradecer o facto de teres enviado a Magalhães Maria lá para casa. Depois de três rapazes a vestirem coeiros, finalmente chegou a rapariga. Porque ninguém me convence que, com aquele baby grow em arco-íris que o embrulha, aquela criança não é uma menina.
Mesmo que por infortúnio e falta de discernimento meu, se trate de um rapaz, a Magalhães Maria, é com toda a certeza gay, e até nesse caso, fico à beira da felicidade suprema. Sempre sonhei levar uma filha ao altar para a entregar ao homem que a fará feliz, e a Magalhães Maria é a instanciação desse sonho. Hei-de entregá-la no mais de sorriso nos lábios e a certeza de missão cumprida, e mesmo tratando-se de um gay – intellsexual - o casamento entre pessoas do mesmo sexo mantém acesa a chama da minha felicidade.
Porreiro pá
Magalhães II
- Pai !!! Como é que se desliga esta porcaria ?
- Manel, não fales assim da tua irmã, senão o tio José vem cá e retira-nos a guarda.
- Manel, não fales assim da tua irmã, senão o tio José vem cá e retira-nos a guarda.
segunda-feira, março 02, 2009
Shoping Cultura
O que eu mais gosto nas visitas aos museus, é a parte final quando se vai à loja comprar uma lembrança sobre a exposição. Aliás, se for possível ir à loja, poupando na xaropada da exposição, tanto melhor.
Não obstante, ontem lá fomos à exposição do Darwin, e no fim na loja do museu, comprei uma destas. Cheira-me que a evolução desta minha espécie, tem os dias contados.
Não obstante, ontem lá fomos à exposição do Darwin, e no fim na loja do museu, comprei uma destas. Cheira-me que a evolução desta minha espécie, tem os dias contados.
Da hora de almoço
quinta-feira, fevereiro 26, 2009
Ensaio
Agora o que quero é patinar, correr ao acaso na praia quase deserta, rebolar numa encosta, perder-me numa floresta, num livro ou numa canção. Agora quero é os instrumentos da orquestra na minha cabeça, a um compasso certo, no contratempo das tuas palmas. Agora quero o parapente sobre colinas, ou sobre o mar, ou na maré dos teus olhos, agora o estoiro do riso das crianças, e o gosto do teu abraço, e o mundo todo e por inteiro nele. Agora são as águas do meu março, agora quero a promessa de vida no teu coração. Agora quero os filmes mais lindos que houver, e um quadro onde me apeteça entrar e a aguarela infinita.
Agora quero a inatingível escrita, as formas da escultura de Moore e o jazz de Duke, agora quero escrever sem soar a publicidade ao azeite galo, ou à vodafone, agora quero os contornos de nuvens certas no céu.
Agora quero a inatingível escrita, as formas da escultura de Moore e o jazz de Duke, agora quero escrever sem soar a publicidade ao azeite galo, ou à vodafone, agora quero os contornos de nuvens certas no céu.
terça-feira, fevereiro 24, 2009
Caixa Registadora
do Pingo Doce.
Eu - desculpe pode indicar-me em que corredor encontro os cubos Knorr ?
Srª da Caixa - é aqui. Tem que mos pedir a mim quando chegar a sua vez de pagar.
Eu - Aí, na caixa? Sabe de é que eu estou a falar ? Daqueles cubos que existem em vários sabores: carne, de peixe, de galinha.
Srª da Caixa - Precisamente. Tem que mos pedir a mim.
Eu - Caramba quem diria. Os cubos knorr. Que estranho.
Mulher atrás de mim - Sabe porque é ?
Eu - Porque as pessoas roubam.
Mulher atrás de mim - Porque vendem como se fosse haxixe.
Eu - Essa agora. Tiram-nos da prateleira para os clientes não os venderem como droga ? Mas eu agora posso comprar e a seguir ir vendê-los à mesma como se fosse haxixe. O que adianta tirá-los das prateleiras ?
Mulher atrás de mim - mas o senhor tem um ar respeitável
Eu - Essa é uma questão dúbia, mas a verdade é que muitos vendedores de droga têm um ar respeitável. Eu posso muito bem comprar os meus cubos knorr e a seguir ir vendê-los a adolescentes cheios de vontade de fumar umas ganzas.
Mulher atrás de mim - lá isso é verdade
Srª da Caixa - Valha-me Deus. Diga-me quer de que marca ? Pingo Doce ou Knorr ? Galinha, carne, peixe ou marisco ? 8, 16 ou 24 ?
Eu - Uma caixa de 16, galinha, marca Pingo Doce. Espere lá, esses cubos são fumáveis ? Levo 10 caixas de carne e 10 de galinha. Todas as caixas de 24.
Eu - desculpe pode indicar-me em que corredor encontro os cubos Knorr ?
Srª da Caixa - é aqui. Tem que mos pedir a mim quando chegar a sua vez de pagar.
Eu - Aí, na caixa? Sabe de é que eu estou a falar ? Daqueles cubos que existem em vários sabores: carne, de peixe, de galinha.
Srª da Caixa - Precisamente. Tem que mos pedir a mim.
Eu - Caramba quem diria. Os cubos knorr. Que estranho.
Mulher atrás de mim - Sabe porque é ?
Eu - Porque as pessoas roubam.
Mulher atrás de mim - Porque vendem como se fosse haxixe.
Eu - Essa agora. Tiram-nos da prateleira para os clientes não os venderem como droga ? Mas eu agora posso comprar e a seguir ir vendê-los à mesma como se fosse haxixe. O que adianta tirá-los das prateleiras ?
Mulher atrás de mim - mas o senhor tem um ar respeitável
Eu - Essa é uma questão dúbia, mas a verdade é que muitos vendedores de droga têm um ar respeitável. Eu posso muito bem comprar os meus cubos knorr e a seguir ir vendê-los a adolescentes cheios de vontade de fumar umas ganzas.
Mulher atrás de mim - lá isso é verdade
Srª da Caixa - Valha-me Deus. Diga-me quer de que marca ? Pingo Doce ou Knorr ? Galinha, carne, peixe ou marisco ? 8, 16 ou 24 ?
Eu - Uma caixa de 16, galinha, marca Pingo Doce. Espere lá, esses cubos são fumáveis ? Levo 10 caixas de carne e 10 de galinha. Todas as caixas de 24.
Tem o seu quê de nonsense
quase sádico, mas hoje o dia acabou com uma sessão de patinadelas no parque de estacionamento do centro de Alcoitão.
segunda-feira, fevereiro 23, 2009
Associação de ideias
Estava sentada numa mesa à minha frente, virada para mim. Trato gentil, pele cuidada, gestos delicados, quase sensuais, riso franco e sempre contido, contornos suaves. Num repente, pega no garfo, passa-o por baixo da gema do ovo estrelado, levanta a dita gema (já separada da clara) de uma só vez e .... zungas abocanha-a numa só dentada, fazendo-a explodir dentro da boca. Fiquei petrificado, ali a vadiar algures entre as zonas da surpresa e da admiração.
E confesso, que de forma despropositada, sem que nada tivesse a ver, comecei a congeminar uma possível relação entre a capacidade para comer em público a gema de um ovo estrelado de uma só vez e a qualidade do respectivo sexo oral. Bem sei que uma coisa nada tem a ver com outra, mas numa fracção quando vi a gema a desaparecer, cheguei mesmo a pensar ... esqueçam. Que estupidez, tanto mais que depois lembrei-me que já tinha visto outra pessoa a fazer aquilo com o ovo.
E confesso, que de forma despropositada, sem que nada tivesse a ver, comecei a congeminar uma possível relação entre a capacidade para comer em público a gema de um ovo estrelado de uma só vez e a qualidade do respectivo sexo oral. Bem sei que uma coisa nada tem a ver com outra, mas numa fracção quando vi a gema a desaparecer, cheguei mesmo a pensar ... esqueçam. Que estupidez, tanto mais que depois lembrei-me que já tinha visto outra pessoa a fazer aquilo com o ovo.
sexta-feira, fevereiro 20, 2009
D-1
Sai um abandonador de cigarros ali para a direita. Será que existe um irritómetro ? Amanhã não estou para ninguém !!!
quinta-feira, fevereiro 19, 2009
D-2
Agendei com a minha médica, o abandono de actividades tabágicas no próximo sábado. Preparem-se chavalóides marias, que além do carnaval, este fim de semana há distribuição do chapadão por coisa nenhuma.
Ai se o Benfica não ganha ...
Ai se o Benfica não ganha ...
quarta-feira, fevereiro 18, 2009
Oi Elis

Foi na FNAC que me fixei no CD em destaque. "Oi Elis" com o nome Elis quase escrito naquele formato. Canções que sempre ouvi cantadas por ela, uma ou outra numa outra voz, mas a referência sempre ela. Um disco de homenagem a Elis ? Um disco só com canções já cantadas pela Elis ? Que coisa tão frágil, tão cheia de pontos de falha, como é que alguém se sujeita a isto ?
Pus-me à escuta. Canções conhecidas numa sonoridade diferente. Sotaque luso e muito muito Jazz. Arriscou uma versão de "O que tinha de ser". Uma canção que sempre ouvi por Maria Bethânia e que cheguei a duvidar que a Elis pudesse superar. Elis, no fim da interpretação solta um suspiro de alívio. Alívio dela e meu, por ser genial.
Afinal que disco é este ? Quem é esta Susana Travassos ? Escuto-o na diagonal e depois em casa, com mais calma, vejo um ou outro vídeo no you-tube, visito a página oficial e o sítio do MySpace. O disco está longe de ser pretensioso, a voz é excelente, os arranjos magníficos. Esta mulher canta Elis pelo prazer de cantar Elis. Just for the Jazz.
Definitivamente, um disco que vou comprar, pelo gosto de ouvir noutros registos, canções a que me habituei tomar por património emocional. Pelo prazer de escutar, só pelo prazer de escutar. Just for the Jazz.
domingo, fevereiro 15, 2009
Darwin
O tamanho da fila alterou os planos e o passeio deixou de ser ao museu para ser pelos jardins do museu. Cheio de recantos, riachos, esconderijos e aventuras. E também muitos pares de namorados, hetero e homo pois claro, ainda a relembrarem as horas nas filas dos restaurantes da véspera.
Dei por mim a pensar que os pares homossexuais são muito maricas, nem de mãos dadas andam. Vê-se mesmo que estão cheios de vontade de andarem abraçados, ou de braço dado ou do que quer que seja, mas andam a uma distância parva uns dos outros. Que meninas. Não devem ser os mesmos que participam no desfile do orgulho.
Dei por mim a pensar que os pares homossexuais são muito maricas, nem de mãos dadas andam. Vê-se mesmo que estão cheios de vontade de andarem abraçados, ou de braço dado ou do que quer que seja, mas andam a uma distância parva uns dos outros. Que meninas. Não devem ser os mesmos que participam no desfile do orgulho.
sexta-feira, fevereiro 13, 2009
Sexta Treze
O azar desta sexta treze de fevereiro já está definido (ainda me arrependo desta frase quando chegar ao meu carro e não tiver pneus), e reside no facto de amanhã ser dia 14 de Fevereiro. Os centros comerciais parecem decorados como motéis para adolescentes. 'xa cá ver, facebook, livro-das-trombas. Cá está. Grupo de contestação a São Valentim. Aderir.
Já está. "Entupam os restaurantes com reservas para dois e reservem todas as mesas para dia 14." Boa!
Já está. "Entupam os restaurantes com reservas para dois e reservem todas as mesas para dia 14." Boa!
quinta-feira, fevereiro 12, 2009
Que chato
Foi logo pela manhã que a ténue coceira dos dias anteriores lhe deu para se agravar.” Já postavas sobre isto”, pensei, enquanto procurava o ralador do queijo, que de repente se tinha transformado na única boa ideia capaz de me livrar de tamanha chatice. Maçada portanto.
Não. O melhor é estar sossegado e não escrever sobre o tema, e até se o conseguir esquecer, tanto melhor. Com sorte nenhum dos atentos e estimados leitores se lembra do incidente da depilação das virilhas e a coisa acaba por passar sem marcas. E o dia até estava a correr bem desse ponto de vista, coração que não vê … A coisa parecia, portanto, estar controlada, até que aquela que até jura por tudo o que lhe é sagradinho ter mais que fazer, me resolve evocar o tema no mural do livro-das-trombas (doravante referido por facebook ). Obrigadinho. E agora onde é que anda o ralador do queijo? Irra.
Não. O melhor é estar sossegado e não escrever sobre o tema, e até se o conseguir esquecer, tanto melhor. Com sorte nenhum dos atentos e estimados leitores se lembra do incidente da depilação das virilhas e a coisa acaba por passar sem marcas. E o dia até estava a correr bem desse ponto de vista, coração que não vê … A coisa parecia, portanto, estar controlada, até que aquela que até jura por tudo o que lhe é sagradinho ter mais que fazer, me resolve evocar o tema no mural do livro-das-trombas (doravante referido por facebook ). Obrigadinho. E agora onde é que anda o ralador do queijo? Irra.
Summertime
Keith Jarrett
É incrível os sons que o homem faz enquanto toca piano, quase o genial e arrogante tenista no fundo do court. Gosto tanto de Jazz, sobretudo instrumental que não me ralo quando me apercebo da dimensão da minha ignorância.
É incrível os sons que o homem faz enquanto toca piano, quase o genial e arrogante tenista no fundo do court. Gosto tanto de Jazz, sobretudo instrumental que não me ralo quando me apercebo da dimensão da minha ignorância.
quarta-feira, fevereiro 11, 2009
Lapsus Linguae
O contexto é a eventual alta do meu sogro, que é razão para preocupação tendo em conta que o homem, além de não ter a mobilidade assegurada, não parece fazer muito sentido quando fala. A seu tempo se vai arranjar uma solução. Vamos falar com o médico e com a assistente social do serviço. Esse mesmo serviço de Santa Marta onde estive internado durante uns dias na 24. As auxiliares, as enfermeiras e o enfermeiro assim meio sabonete reconhecem-me e falam-me com algum entusiasmo (a médica dos olhos bonitos não me ligou pevide – cabra). De repente, quando estão a tratar de algum doente, recordo a forma como me falavam e que dava sempre azo a asneirada. Tratavam-me na segunda pessoa do plural e normalmente na interrogativa:
“Vamos então medir essa tensão ?”
“Vamos fazer umas análises ?”
“Já tomámos o comprimido ?”
Ora eu, raramente falho oportunidades destas e respondia mais ou menos da mesma forma. Vamos sim senhora, vamos ao mesmo tempo, um de cada vez? As senhoras primeiro !
Estas eram as raras alturas em que eu maldizia a minha sorte por não precisar de ajuda no banho, ou da arrastadeira ou mesmo de ajuda para me deslocar até ao cadeirão:
- Vamos ao nosso banhinho?
- Está na hora de fazermos o cócózinho.
- Então e se nos sentássemos um bocadinho no sofá?
“Vamos então medir essa tensão ?”
“Vamos fazer umas análises ?”
“Já tomámos o comprimido ?”
Ora eu, raramente falho oportunidades destas e respondia mais ou menos da mesma forma. Vamos sim senhora, vamos ao mesmo tempo, um de cada vez? As senhoras primeiro !
Estas eram as raras alturas em que eu maldizia a minha sorte por não precisar de ajuda no banho, ou da arrastadeira ou mesmo de ajuda para me deslocar até ao cadeirão:
- Vamos ao nosso banhinho?
- Está na hora de fazermos o cócózinho.
- Então e se nos sentássemos um bocadinho no sofá?
terça-feira, fevereiro 10, 2009
Desculpa ????
- Pai, sabias que o D tem guardado no telemóvel o telefone de uma prostituta.
(resposta focado no peixe que não estava a fritar como deve ser)
- Todos temos, meu amor, todos temos.
- Pai ???
- O quêêêêêêêêêêêêêêêê ??? Tem o quê ?
- O telefone de uma prostituta guardado no telemóvel.
- Não tem nada João, deve ser ele a armar-se em parvo.
- Tem sim pai. Copiou do jornal e guardou o número.
- Pronto, pronto ... agora deixa-me aqui tratar do peixe que se está a pegar todo na frigideira.
(resposta focado no peixe que não estava a fritar como deve ser)
- Todos temos, meu amor, todos temos.
- Pai ???
- O quêêêêêêêêêêêêêêêê ??? Tem o quê ?
- O telefone de uma prostituta guardado no telemóvel.
- Não tem nada João, deve ser ele a armar-se em parvo.
- Tem sim pai. Copiou do jornal e guardou o número.
- Pronto, pronto ... agora deixa-me aqui tratar do peixe que se está a pegar todo na frigideira.
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
Coisas ao acaso
... sobre mim.
O desafio veio de uma mulher que se imagina no Dubai, rodeada de gatos com orelhas furadas e brincos, uma chávena de bom café na mão enquanto, alto e bom som, declama excelente poesia, em roupa interior.
Aqui estão meia dúzia de coisas ao acaso e totalmente desinteressantes sobre mim:
- durmo na fronteira da cama, virado de barriga para baixo num equilíbrio instável. Em alternativa, se decúbito dorsal, levanto um dos braços;
- a coisa mais antiga que me lembro é da ida do homem à lua e depois disso do primeiro dia de escola, que na realidade é (ainda é) um castelo num bairro de Lisboa;
- tenho manias sazonais que duram alguns anos. Os karts, o squash, o hóquei, e acho que ultimamente a aquariofilia parecem ser um exemplo disso. Não sei se gosto mais das actividades se dos acessórios todos que se relacionam com o exercício das mesmas;
- gosto muito de patinar, esta é daquelas actividades que resistiram a todas as outras e já patinei na pista de gelo do Rockfeller Center
- sou Benfiquista dos sete costados mas até aos cinco anos era do Sporting;
- gosto de praticar sofá, sestas, babar-me nas almofadas, adormecer a ver televisão. O bicho sofá exerce um poder hipnótico sobre mim
- os nós das gravatas tendem a sair-me mal, mas há pior. Gosto deles mais gordos do que aquilo que saem
- gosto de cozinhar, mesmo muito e acho que tenho jeito para inventar. Passo por algumas vergonhas: deixo queimar comida de quando em vez e já fiz umas ameijoas com um molho que parecia de bifes
- entusiasmo-me quando me pedem para contar coisas ao calhas sobre mim
O desafio fica obviamente para quem quiser aproveitá-lo, falem ao acaso sobre vocês, afinal o acaso é a origem de tanta coisa importante.
O desafio veio de uma mulher que se imagina no Dubai, rodeada de gatos com orelhas furadas e brincos, uma chávena de bom café na mão enquanto, alto e bom som, declama excelente poesia, em roupa interior.
Aqui estão meia dúzia de coisas ao acaso e totalmente desinteressantes sobre mim:
- durmo na fronteira da cama, virado de barriga para baixo num equilíbrio instável. Em alternativa, se decúbito dorsal, levanto um dos braços;
- a coisa mais antiga que me lembro é da ida do homem à lua e depois disso do primeiro dia de escola, que na realidade é (ainda é) um castelo num bairro de Lisboa;
- tenho manias sazonais que duram alguns anos. Os karts, o squash, o hóquei, e acho que ultimamente a aquariofilia parecem ser um exemplo disso. Não sei se gosto mais das actividades se dos acessórios todos que se relacionam com o exercício das mesmas;
- gosto muito de patinar, esta é daquelas actividades que resistiram a todas as outras e já patinei na pista de gelo do Rockfeller Center
- sou Benfiquista dos sete costados mas até aos cinco anos era do Sporting;
- gosto de praticar sofá, sestas, babar-me nas almofadas, adormecer a ver televisão. O bicho sofá exerce um poder hipnótico sobre mim
- os nós das gravatas tendem a sair-me mal, mas há pior. Gosto deles mais gordos do que aquilo que saem
- gosto de cozinhar, mesmo muito e acho que tenho jeito para inventar. Passo por algumas vergonhas: deixo queimar comida de quando em vez e já fiz umas ameijoas com um molho que parecia de bifes
- entusiasmo-me quando me pedem para contar coisas ao calhas sobre mim
O desafio fica obviamente para quem quiser aproveitá-lo, falem ao acaso sobre vocês, afinal o acaso é a origem de tanta coisa importante.
sábado, fevereiro 07, 2009
Exmo Sr
Director de qualquer coisa de Cardiologia de Santa Marta
Era a ver se a 16 ainda está vazia porque os miúdos puxam muito pela taquicardia, além de que já me atingiram umas 14 vezes no hematoma do catetericoiso que se espalhou num raio de alguns 20 centímetros e não há-de tardar muito até ter a pila algures entre o roxo e o verde. Tenho seguido as instruções da médica e colocado as ervilhas congeladas em cima da zona atingida, pelo que já sucedeu algumas vezes o congelamento do órgão, e tenho medo que nalgum movimento mais brusco acabe por se partir, o que seria uma maçada mas que por outro lado pode dar uma carta linda para aquela secção de dúvidas da revista Maria.
Neste contexto e uma vez que ainda não possuem ala de psiquiatria, solicito-lhe que considere a hipótese de readmissão na 16 de cardiologia.
Com os melhores cumprimentos
O paciente
Era a ver se a 16 ainda está vazia porque os miúdos puxam muito pela taquicardia, além de que já me atingiram umas 14 vezes no hematoma do catetericoiso que se espalhou num raio de alguns 20 centímetros e não há-de tardar muito até ter a pila algures entre o roxo e o verde. Tenho seguido as instruções da médica e colocado as ervilhas congeladas em cima da zona atingida, pelo que já sucedeu algumas vezes o congelamento do órgão, e tenho medo que nalgum movimento mais brusco acabe por se partir, o que seria uma maçada mas que por outro lado pode dar uma carta linda para aquela secção de dúvidas da revista Maria.
Neste contexto e uma vez que ainda não possuem ala de psiquiatria, solicito-lhe que considere a hipótese de readmissão na 16 de cardiologia.
Com os melhores cumprimentos
O paciente
sexta-feira, fevereiro 06, 2009
Canto da Boca
Tão previsível, Sérgio Godinho na caixa de música
Bate Coração
(Como era, vim
como vim, fui
e o que em mim dói
não se vai ver
O que em mim aparece
parece, acho
que não vou deixar
transparecer)
Bate que bate
bate o meu coração
tem razão
Um coração magoado
não cura assim
do pé p´ra mão
Se cura, cura
se não cura é razão
para aflição
Bate, cura, sara
meu coração
Bate que te quero são
o que lá vai, lá vai
olha a dor
que já se esvai
o que lá vai, lá vai
olha a dor
que já se esbate
Bate, bate, bate o meu coração
Bate Coração
(Como era, vim
como vim, fui
e o que em mim dói
não se vai ver
O que em mim aparece
parece, acho
que não vou deixar
transparecer)
Bate que bate
bate o meu coração
tem razão
Um coração magoado
não cura assim
do pé p´ra mão
Se cura, cura
se não cura é razão
para aflição
Bate, cura, sara
meu coração
Bate que te quero são
o que lá vai, lá vai
olha a dor
que já se esvai
o que lá vai, lá vai
olha a dor
que já se esbate
Bate, bate, bate o meu coração
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
Dia VI
O da 14 pôs um pacemaker. E ao que parece um ressonamaker também com amplificador. Até o tripé do soro estremece.
A depilação dele está muito fixe. Estilo meio braço, meio peito e meias costas.
A depilação dele está muito fixe. Estilo meio braço, meio peito e meias costas.
Pronto...
... como eu tenho o espírito aberto e percebo a curiosidade.

Esta postagem foi feita no computador do refeitório de cardiologia do hospital em plena hora de pequeno almoço. Nas minhas costas estão uns 30 doentes cardíacos e pelo menos uns 15 pacemakers. As enfermeiras, parecem não ter nãos a medir. Parece que os pacemakers deste lote vinham todos com defeito.
Esta postagem foi feita no computador do refeitório de cardiologia do hospital em plena hora de pequeno almoço. Nas minhas costas estão uns 30 doentes cardíacos e pelo menos uns 15 pacemakers. As enfermeiras, parecem não ter nãos a medir. Parece que os pacemakers deste lote vinham todos com defeito.
quarta-feira, fevereiro 04, 2009
Dia V
Cartão vermelho no placard por cima da minha cama - indicação de jejum. Logo hoje que me estava a apetecer umas panquecas ao pequeno almoço.
Fui tomar banho e reparo numa barata no meio do corredor. Chamo a atenção do auxiliar:
- Ai não se preocupe que são companhia habitual aqui do serviço.
Eu não me preocupo nada até nem antipatizo com os bichos.
O cateterismo veio umas horas depois, ainda em jejum, e aparato de monitores, fios, contrastes, e um médico que digo-vos, leitoras deste blog, do pouco que já apreendi sobre achar um gajo giro, vocês iam gostar que ele vos cateterizasse todinhas, sem deixar uma artériazinha que fosse por explorar.
Nada, nem uma obtsruçãozinha, tudo flui normalmente e como se quer. Isto é bom porque significa 24 horas até ao abandono do hospital.
Mas antes, e para fecho de festa,tenho que estar assim deitado, com a perna direita esticada e imobilizada. Isto envolve a estreia absoluta nas artes do urinol e da arrastadeira.
Espero que ninguém se lembre de me perguntar se eu preciso de fraldinha para a noite.
Fui tomar banho e reparo numa barata no meio do corredor. Chamo a atenção do auxiliar:
- Ai não se preocupe que são companhia habitual aqui do serviço.
Eu não me preocupo nada até nem antipatizo com os bichos.
O cateterismo veio umas horas depois, ainda em jejum, e aparato de monitores, fios, contrastes, e um médico que digo-vos, leitoras deste blog, do pouco que já apreendi sobre achar um gajo giro, vocês iam gostar que ele vos cateterizasse todinhas, sem deixar uma artériazinha que fosse por explorar.
Nada, nem uma obtsruçãozinha, tudo flui normalmente e como se quer. Isto é bom porque significa 24 horas até ao abandono do hospital.
Mas antes, e para fecho de festa,tenho que estar assim deitado, com a perna direita esticada e imobilizada. Isto envolve a estreia absoluta nas artes do urinol e da arrastadeira.
Espero que ninguém se lembre de me perguntar se eu preciso de fraldinha para a noite.
terça-feira, fevereiro 03, 2009
Simetria
Enfº - Senhor André, amanhã vai fazer um cateterismo. Não sei se sabe o que é, mas vão enfiar-lhe um tubinho aqui numa artéria da virilha até ela chegar ao coração.
Eu - Sim senhor, a médica já me tinha explicado
Enfº - Pois venho prepará-lo
Eu - E o que é que isso significa ?
Enfº - Tenho que lhe rapar aqui os pelos.
Eu - Queres-me portanto limpar o sebo aos pintelhos. Eu já tenho muito cabelo na cabeça e a gora queres-me dar cabo também dos genitais. É justo
Enf - É só um bocadinho deste lado. Não custa nada.
Nisto começa a depilar-me a virilha direita.
Enfº - Pronto senhor André. Já está !
Eu - Desculpe ???? Já quem ??? Vai-me deixar assim assimétrico. Deve estar a brincar comigo. Agora corta também deste lado. Não quero cá passar vergonhas.
Enfº - Olhe que não é necessário senhor André, basta este lado, que é onde passa a artéria.
Eu - Ai é necessário é, ponha lá isto simétrico que eu tenho uma imagem a defender.
Enfº - Pronto, se o senhor André insiste.
Ficou aqui uma obra de arte. Quando sair daqui compro uma máquina daquelas.
Meu querido filho António: Que nem te passe pela cabeça dizeres qualquer coisa do estilo "Olha o pai também é careca da pila"
Eu - Sim senhor, a médica já me tinha explicado
Enfº - Pois venho prepará-lo
Eu - E o que é que isso significa ?
Enfº - Tenho que lhe rapar aqui os pelos.
Eu - Queres-me portanto limpar o sebo aos pintelhos. Eu já tenho muito cabelo na cabeça e a gora queres-me dar cabo também dos genitais. É justo
Enf - É só um bocadinho deste lado. Não custa nada.
Nisto começa a depilar-me a virilha direita.
Enfº - Pronto senhor André. Já está !
Eu - Desculpe ???? Já quem ??? Vai-me deixar assim assimétrico. Deve estar a brincar comigo. Agora corta também deste lado. Não quero cá passar vergonhas.
Enfº - Olhe que não é necessário senhor André, basta este lado, que é onde passa a artéria.
Eu - Ai é necessário é, ponha lá isto simétrico que eu tenho uma imagem a defender.
Enfº - Pronto, se o senhor André insiste.
Ficou aqui uma obra de arte. Quando sair daqui compro uma máquina daquelas.
Meu querido filho António: Que nem te passe pela cabeça dizeres qualquer coisa do estilo "Olha o pai também é careca da pila"
Mudanças
Fui transferido. Ninguém me convence que isto não foi obra do meu sogro, num raro momento de lucidez:
- O ressuscitado que saia da minha beira, que o cabrão nem um cafezinho é capaz de me trazer.
Nem foi de modas o estupor do velho, mandou-me para outro edifício. Para cardiologia. Não lhe perdoo.
Agora perdi o fio à meada das camas 19 a 24.
Aqui nesta enfermaria há camas da 13 até à 19 sendo que a 16 é a minha. Mal se vêm arrastadeiras e o da 14 passou a tarde a jogar UNO com a mulher. Tenho cá para mim que o UNO é o jogo mais perigoso, admissível neste serviço. Pode-se jogar ao galo, ao bate-pé e ao UNO. Também se pode pode fazer macramé e renda de bilros. A partir do mikado inclusive, todos os jogos estão proibidos. E mesmo os jogos de futebol, são transmitidos com um atraso de 10 minutos. Caso o Benfica sofra algum golo a emissão é interrompida por razões de ordem técnica. Os pacientes dos outros clubes não correm riscos de enfarte porque cresceram a ver os respectivos clubes a perder.
Olha o 17 foi agora escarrar ao lavatório da enfermaria. Está tudo perdido. Deixa lá que eu à noite desligo-lhe o soro. Porco.
Fiz um ecocardiograma que parece indicar que tudo está normal em queluz ocidental. Amanhã, para acabar de vez com as dúvidas, fazem-me um cateterismo: Cateter pia cima com contraste e tudo:
"A doutora vai-me enfiar o quê, da virilha até onde ?"
Hásdem hásdem
- O ressuscitado que saia da minha beira, que o cabrão nem um cafezinho é capaz de me trazer.
Nem foi de modas o estupor do velho, mandou-me para outro edifício. Para cardiologia. Não lhe perdoo.
Agora perdi o fio à meada das camas 19 a 24.
Aqui nesta enfermaria há camas da 13 até à 19 sendo que a 16 é a minha. Mal se vêm arrastadeiras e o da 14 passou a tarde a jogar UNO com a mulher. Tenho cá para mim que o UNO é o jogo mais perigoso, admissível neste serviço. Pode-se jogar ao galo, ao bate-pé e ao UNO. Também se pode pode fazer macramé e renda de bilros. A partir do mikado inclusive, todos os jogos estão proibidos. E mesmo os jogos de futebol, são transmitidos com um atraso de 10 minutos. Caso o Benfica sofra algum golo a emissão é interrompida por razões de ordem técnica. Os pacientes dos outros clubes não correm riscos de enfarte porque cresceram a ver os respectivos clubes a perder.
Olha o 17 foi agora escarrar ao lavatório da enfermaria. Está tudo perdido. Deixa lá que eu à noite desligo-lhe o soro. Porco.
Fiz um ecocardiograma que parece indicar que tudo está normal em queluz ocidental. Amanhã, para acabar de vez com as dúvidas, fazem-me um cateterismo: Cateter pia cima com contraste e tudo:
"A doutora vai-me enfiar o quê, da virilha até onde ?"
Hásdem hásdem
Dia IV - C
Já me fizeram umas análises e um ECG mas não de esforço. Ainda nada sei do que se vai passar. Já vi locais com mais stress que este.
A minha sogra está no quarto ao lado, a dar almoço ao meu sogro. Depois de trinta anos acho que é a primeira vez que ela lhe está a dar comidinha à boca. Não prevejo nada de bom:
- Isto não te faz lembrar os bons velhos tempos ?
- Só se for a parte de não estar na posse de todas as minhas faculdades.
Acho que vou ali almoçar a uma brasserie que fica aqui nas redondezas e já volto.
A minha sogra está no quarto ao lado, a dar almoço ao meu sogro. Depois de trinta anos acho que é a primeira vez que ela lhe está a dar comidinha à boca. Não prevejo nada de bom:
- Isto não te faz lembrar os bons velhos tempos ?
- Só se for a parte de não estar na posse de todas as minhas faculdades.
Acho que vou ali almoçar a uma brasserie que fica aqui nas redondezas e já volto.
Dia IV - B
O liquido que desinfecta as mãos é altamente inflamável. Não passa de hoje umas chóriças assadas na arrastadeira. Lá mais para a ceia. Se arranjássemos um caldo verde. Nem é preciso um daqueles abanos para atear o carvão que o da 22 está com um aparelho de oxigénio de alto débito.
Dia IV - A
Toalha e pijama lavados, rumo ao duche, logo cedo pela manhã antes que os de locomoção tipo 2 (muletas e cadeiras de coras) e tipo 3(cadeira de rodas com sanita incorporada, para poderem bombardear a meio do duche) lá cheguem e transformem aquilo numa espécie de jogos sem fronteiras. Pasta e escova de dentes no bolso do pijama. Tiro o pijama e quando olho para o cubículo do duche deparo-me com um cagalhão mesmo no meio do recinto. Saio dali a correr para chamar um auxiliar de limpeza.
- Ò senhor andré não pode andar nessas figuras pela enfermaria
- Ó mulher não me irrite, que eu não posso ser contrariado, está um cócó no meio do duche
- Eu vou lá consigo.
A auxiliar de copa vai comigo até lá e diz as palavras sábias:
- Confirma-se é um cagalhão. Ó Judite vai limpar os balneários que alguém evacuou no duche. Já pode ir para lá senhor André.
- Ò senhor andré não pode andar nessas figuras pela enfermaria
- Ó mulher não me irrite, que eu não posso ser contrariado, está um cócó no meio do duche
- Eu vou lá consigo.
A auxiliar de copa vai comigo até lá e diz as palavras sábias:
- Confirma-se é um cagalhão. Ó Judite vai limpar os balneários que alguém evacuou no duche. Já pode ir para lá senhor André.
segunda-feira, fevereiro 02, 2009
Ponto de situação
Dezanove - hoje parece sossegadinho. Desde a discussão com o antigo 20 que está mais calmo. Deve achar que ganhou o campeonato por falta de comparência do ex parceiro.
Vinte - "Tenho cocó muito ralinho, o melhor é dormir com a arrastadeira aqui mesmo ao lado, porque entre a vontade e o evento vão no máximo 20 segundos" Parece que convenceu a enfermeira, lá está uma cadeira ao lado da cama e em cima da cadeira, a arrastadeira. Chato isto de sofrer de evacuação precoce.
Vinte e um - de vez em quando geme, de quando em vez grita, outras vezes dá-me recados para eu dizer às enfermeiras, mas fora isso é caladinho. Enche um urinol a cada duas horas.
Vinte e dois - está ligado ao oxigénio, e a uma máquina que dá números e que por vezes liberta uns excessos de pressão. Receio que com tanto ar o homem comece a levitar. Mas é o mais civilizado aqui desta zona.
Vinte e três - está sempre a querer ficar deitado e quase não fala a não ser para se queixar de dores. Parece ser o caso mais grave desta sala logo a seguir ao meu claro. Não percebo porque lhe põem fralda, nunca acerta na lindor.
Vinte e quatro - sou eu. Pedi uma arrastadeira para me disfarçar de D. Quixote hoje na festa do merdelim. Não me levam a sério.
Vinte - "Tenho cocó muito ralinho, o melhor é dormir com a arrastadeira aqui mesmo ao lado, porque entre a vontade e o evento vão no máximo 20 segundos" Parece que convenceu a enfermeira, lá está uma cadeira ao lado da cama e em cima da cadeira, a arrastadeira. Chato isto de sofrer de evacuação precoce.
Vinte e um - de vez em quando geme, de quando em vez grita, outras vezes dá-me recados para eu dizer às enfermeiras, mas fora isso é caladinho. Enche um urinol a cada duas horas.
Vinte e dois - está ligado ao oxigénio, e a uma máquina que dá números e que por vezes liberta uns excessos de pressão. Receio que com tanto ar o homem comece a levitar. Mas é o mais civilizado aqui desta zona.
Vinte e três - está sempre a querer ficar deitado e quase não fala a não ser para se queixar de dores. Parece ser o caso mais grave desta sala logo a seguir ao meu claro. Não percebo porque lhe põem fralda, nunca acerta na lindor.
Vinte e quatro - sou eu. Pedi uma arrastadeira para me disfarçar de D. Quixote hoje na festa do merdelim. Não me levam a sério.
Vizinhança
Olha o meu sogro foi transferido para a enfermaria ao lado da minha. Num repente a minha dor no peito agravou-se. Vou ter um enfartezinho, já volto
Dia III B
Substituição
A cama 20 já tem um novo inquilino. Num sítio destes, um número 20, há-de ser como no Benfica ou como na Selecção, aposto que vem aí um Simão Sabrosa, ou um Deco. Nada disto, esta enfermaria sofre de dirigismo benfiquista. Sai um atleta apto que até ía de cadeira de rodas à casa de banho, entra um outro que já tem a arrastadeira ali mesmo ao lado.
Mais um para o festival do merdelim das duas da manhã. Esta enfermaria a essa hora transforma-se numa espécie de Pitões da Junias: um local lindo mas cheio de bosta por todo o lado. Só ainda não descobri quem é o boi comunitário (Pitões das Junias pertence a uma região de trás os montes onde cada aldeia tem um boi que é preparado para as famosas chegas de bois).
Hoje à noite, para alegrar a festa, vamos encher luvas de cirurgião com o oxigéneo que está nas cabeceiras. Vai ficar lindo.
A cama 20 já tem um novo inquilino. Num sítio destes, um número 20, há-de ser como no Benfica ou como na Selecção, aposto que vem aí um Simão Sabrosa, ou um Deco. Nada disto, esta enfermaria sofre de dirigismo benfiquista. Sai um atleta apto que até ía de cadeira de rodas à casa de banho, entra um outro que já tem a arrastadeira ali mesmo ao lado.
Mais um para o festival do merdelim das duas da manhã. Esta enfermaria a essa hora transforma-se numa espécie de Pitões da Junias: um local lindo mas cheio de bosta por todo o lado. Só ainda não descobri quem é o boi comunitário (Pitões das Junias pertence a uma região de trás os montes onde cada aldeia tem um boi que é preparado para as famosas chegas de bois).
Hoje à noite, para alegrar a festa, vamos encher luvas de cirurgião com o oxigéneo que está nas cabeceiras. Vai ficar lindo.
Dia III
O da 20 vai ter alta, o que é uma chatice porque era o que criava mais conflitos.
Então e eu camandro que ainda não me fizeram nada? Está com ar de que vou ficar a marinar por aqui durante uns tempos.
O meu sogro que está dois pisos abaixo de mim, na cardio vascular, está cada vez mais confuso. Cada vez que o vou visitar, desata aos gritos:
"Milagre, Milagre
O André resuscitou
Ossana nas alturas"
A corrida de arrastadeiras foi um sucesso. Na classe "motor a um tempo" ganhou o perneta da 112 e na classe a dois tempos ganhei eu com duas macas e meia de avanço sobre o segundo.
Então e eu camandro que ainda não me fizeram nada? Está com ar de que vou ficar a marinar por aqui durante uns tempos.
O meu sogro que está dois pisos abaixo de mim, na cardio vascular, está cada vez mais confuso. Cada vez que o vou visitar, desata aos gritos:
"Milagre, Milagre
O André resuscitou
Ossana nas alturas"
A corrida de arrastadeiras foi um sucesso. Na classe "motor a um tempo" ganhou o perneta da 112 e na classe a dois tempos ganhei eu com duas macas e meia de avanço sobre o segundo.
domingo, fevereiro 01, 2009
Dia II
Amanhã, para animar as hostes vou propor actividades inovadoras
- Luta de algálias
- Construções com os urinóis de papel reciclado - se a Joana Vasconcelos os conhecesse, já tinha construído um chapéu de chuva gigante a partir destes objectos

- Corridas de arrastadeiras
- E concurso da linha mais bonita da oxigenação. Eu explico:
na urgência de São José reparei que aquilo reagia sempre que sustinha a respiração, enchia o peito de ar ou arfava ... Às tantas, aquilo começa a apitar e a enfermeira perguntou:
"O que está a fazer senhor André("
"Bonecos aqui com esta linha branca. Já viu isto? Olhe lá, parece a montanha russa" "15 anos de enfermagem e é a primeira vez que me acontece isto"
O dia de amanhã, além de ir ser o último - boa ??? - há-de ser animado.
- Luta de algálias
- Construções com os urinóis de papel reciclado - se a Joana Vasconcelos os conhecesse, já tinha construído um chapéu de chuva gigante a partir destes objectos

- Corridas de arrastadeiras
- E concurso da linha mais bonita da oxigenação. Eu explico:
na urgência de São José reparei que aquilo reagia sempre que sustinha a respiração, enchia o peito de ar ou arfava ... Às tantas, aquilo começa a apitar e a enfermeira perguntou:
"O que está a fazer senhor André("
"Bonecos aqui com esta linha branca. Já viu isto? Olhe lá, parece a montanha russa" "15 anos de enfermagem e é a primeira vez que me acontece isto"
O dia de amanhã, além de ir ser o último - boa ??? - há-de ser animado.
Dia I
Cama 19 - uns 85 anos, quase sem mobilidade Às dez sentam-no no cadeirão, se ninguém fizer nada até às 10:35 o mais certo é já ter escorregado para o chão. O filho visita-o ao fim da tarde e trata-o como se ele tivesse a lucidez de há 20 anos atrás. O filho chateia-o porque não é titular de uma das contas do Pai. "Se se dá um azar eu não lhe mexo nessa conta. Não mexo porque não posso, porque o pai não me fez titular dessa conta. Vai o dinheirinho todo para o estado pois então"
Cama 20 - dos mais novos aqui da enfermaria. Não tem mais de 82 anos e uma falta de jeito inata para lidar com os tubos. É frequente ver o do oxigénio misturado com os dos soros e com o da tensão. Não pode comer doces e o da cama 19 cada vez que come um docinho faz questão de elogiar a qualidade dos mesmos "Pena não poder experimentar estes sonhos, olhe que isto não se come todos os dias". A cama 20 até se desarticula toda.
Hoje o da cama 20 que vai tomar banho sozinho na sua cadeira de rodas, demorou pouco mais de duas horas e meia a desembaraçar-se dos fios, e eis que para entrar na cadeira de rodas apoia-se na grade na cama 10. O atleta da 19 estava a dormitar e acorda em sobressalto:
- O que foi isto caralho ?
- Não foi nada homem, era só eu aqui a apoiar-me
- A apoiar nada caralho, é sempre isto, você magoou-me outra vez na perna
- Foda-se digo eu, esquisitinho da merda, não se pode tocar na menina
- Não me chateie
- Ai esteja descansado velho chato, vou cagar que ainda demoro a lá chegar.
Cama 20 - dos mais novos aqui da enfermaria. Não tem mais de 82 anos e uma falta de jeito inata para lidar com os tubos. É frequente ver o do oxigénio misturado com os dos soros e com o da tensão. Não pode comer doces e o da cama 19 cada vez que come um docinho faz questão de elogiar a qualidade dos mesmos "Pena não poder experimentar estes sonhos, olhe que isto não se come todos os dias". A cama 20 até se desarticula toda.
Hoje o da cama 20 que vai tomar banho sozinho na sua cadeira de rodas, demorou pouco mais de duas horas e meia a desembaraçar-se dos fios, e eis que para entrar na cadeira de rodas apoia-se na grade na cama 10. O atleta da 19 estava a dormitar e acorda em sobressalto:
- O que foi isto caralho ?
- Não foi nada homem, era só eu aqui a apoiar-me
- A apoiar nada caralho, é sempre isto, você magoou-me outra vez na perna
- Foda-se digo eu, esquisitinho da merda, não se pode tocar na menina
- Não me chateie
- Ai esteja descansado velho chato, vou cagar que ainda demoro a lá chegar.
sábado, janeiro 31, 2009
Na verdade
... parece que devia ter logo ido às urgências, assim que senti a porcaria da dor, em vez de esperar estes dias.
Ontem na entrada e depois do electrocardiograma, a mulher desata aos berros:
"Doutora Margarida, Doutora Margarida". Num repente estavam cinco médicos à minha volta. Tentei a minha melhor piada em estado de pânico:
"Nem nos aniversários da minha irmã eu vi tantos médicos juntos"
Resultou: "Não se apoquente senhor André, aqui a colega dos electrocardiogramas passa a vida a guinchar"
"Tenho lá um desses mas guincha mais pela chucha". Felizmente a conversa ficou por ali.
Depois de análises, raios x e outro electrocardiograma desta vez muito normalizado. Ânimos muito mais calmos, os deles e os meus: "Sr André o melhor é ser transferido para Santa Marta, para fazer uns exames complementares e perceber bem o que lhe aconteceu"
Santa Marta é nossa. O meu sogro está no terceiro andar, eu ando aqui pelo quinto, segunda feira faço os tais exames. Até lá podíamos alugar o quarto andar para os Marias, sempre ficava tudo mais à mão.
Agora tenho aqui quatro parceiros de quarto, com idades entre os 80 e os 100 que vão garantir, no mínimo uns 300 posts.
Ontem na entrada e depois do electrocardiograma, a mulher desata aos berros:
"Doutora Margarida, Doutora Margarida". Num repente estavam cinco médicos à minha volta. Tentei a minha melhor piada em estado de pânico:
"Nem nos aniversários da minha irmã eu vi tantos médicos juntos"
Resultou: "Não se apoquente senhor André, aqui a colega dos electrocardiogramas passa a vida a guinchar"
"Tenho lá um desses mas guincha mais pela chucha". Felizmente a conversa ficou por ali.
Depois de análises, raios x e outro electrocardiograma desta vez muito normalizado. Ânimos muito mais calmos, os deles e os meus: "Sr André o melhor é ser transferido para Santa Marta, para fazer uns exames complementares e perceber bem o que lhe aconteceu"
Santa Marta é nossa. O meu sogro está no terceiro andar, eu ando aqui pelo quinto, segunda feira faço os tais exames. Até lá podíamos alugar o quarto andar para os Marias, sempre ficava tudo mais à mão.
Agora tenho aqui quatro parceiros de quarto, com idades entre os 80 e os 100 que vão garantir, no mínimo uns 300 posts.
sexta-feira, janeiro 30, 2009
Lógica Proposicional
Se um gajo fosse hidrossolúvel, de há uns dias a esta parte, que andava fodido. Não obstante, não é facto de o não ser, que o impede de andar.
Aqui não é a negação do todo, antes a negação do Modus Ponens
P → Q
P
donde Q
Aqui não é a negação do todo, antes a negação do Modus Ponens
P → Q
P
donde Q
quinta-feira, janeiro 29, 2009
Desafio I
Simpaticamente lançado pela Carlota, que está gorda de uma Luna e de felicidade. Regras bem definidas, e eu que demoro o meu tempo a responder aos desafios, mas não sou gajo para me ficar, aqui vai então:
1. Colocar uma foto individual minha
Aqui está ela, legendada e tudo ...

2. Indicar a minha banda favorita
Aqui a coisa complicou-se. Sérgio Godinho, Trovante, Jorge Palma, Elis Regina, Marisa Monte, Chico Buarque, Caetano Veloso foram candidatos e o vencedor foi Jorge Palma.
3. Responder às seguintes questões com títulos de músicas:
3.1. És Homem ou Mulher?
A cantiga do zé
3.2. Descreve-te:
Tu és um lindo rapaz
3.3. O que as pessoas acham de ti?
Eu sei lá
3.4. Como descreves o teu último relacionamento?
Imaginação
3.5. Descreve o estado actual da tua relação.
Encosta-te a Mim
3.6. Onde querias estar agora?
Portugal, Portugal
3.7. O que pensas a respeito do amor?
O meu amor existe
3.8. Como é a tua vida?
Deixa-me rir
3.9. O que pedirias se pudesses ter só um desejo?
O centro comercial fechou
3.10. Escreve uma frase sábia.
nunca é tarde para se ter uma infância feliz
E agora passo isto a quem, por bem, entender pegar-lhe
1. Colocar uma foto individual minha
Aqui está ela, legendada e tudo ...
2. Indicar a minha banda favorita
Aqui a coisa complicou-se. Sérgio Godinho, Trovante, Jorge Palma, Elis Regina, Marisa Monte, Chico Buarque, Caetano Veloso foram candidatos e o vencedor foi Jorge Palma.
3. Responder às seguintes questões com títulos de músicas:
3.1. És Homem ou Mulher?
A cantiga do zé
3.2. Descreve-te:
Tu és um lindo rapaz
3.3. O que as pessoas acham de ti?
Eu sei lá
3.4. Como descreves o teu último relacionamento?
Imaginação
3.5. Descreve o estado actual da tua relação.
Encosta-te a Mim
3.6. Onde querias estar agora?
Portugal, Portugal
3.7. O que pensas a respeito do amor?
O meu amor existe
3.8. Como é a tua vida?
Deixa-me rir
3.9. O que pedirias se pudesses ter só um desejo?
O centro comercial fechou
3.10. Escreve uma frase sábia.
nunca é tarde para se ter uma infância feliz
E agora passo isto a quem, por bem, entender pegar-lhe
quarta-feira, janeiro 28, 2009
Côncavo e Convexo

Da primeira vez na geometria plana, polígono. Conceitos simples.
Convexo – todos os pontos um segmento de recta que una dois pontos de um polígono convexo fazem também parte desse polígono
Côncavo – num polígono côncavo existem pelo menos dois pontos que, se unidos por um segmento de recta, este contém pontos que não pertencem ao polígono
Gosto quando a negação do todo seja a existência de pelo menos um, ao contrário do espectável nenhum, conceitos mais exigentes para a regra que para a excepção. Côncavos e convexos.
Depois para a geometria do espaço, formas côncavas e convexas, abóbadas, cúpulas e linhas da baía, as cidades côncavas e convexas, as pessoas convexas e a alegria de pessoas côncavas. Mais tarde ainda a teoria dos conjuntos, as dimensões para lá do espaço. E depois o que se quiser, todos os graus de liberdade, as pessoas são côncavas, as ideias são convexas, os sorrisos são côncavos e os sisos convexos, os corpos, os abraços são os dois, o tempo de intermitências entre o côncavo o convexo, e a cidade.
Do conceitos e das palavras. Gosto. Gosto muito. Côncavexo.
segunda-feira, janeiro 26, 2009
Favas
Vinte e três anos depois da entrada na faculdade, o jantar teve o tema JANTAR IMPROVÁVEL FCUL85.
A entrada, nostalgia óbvia: favas com morcela e sementes de cannabis.
Eu nem gosto de favas, mas a morcela e as sementes convenceram-me.
Não se verificaram efeitos secundários a não ser o facto de, afinal, favas não ser assim tão mau.
A entrada, nostalgia óbvia: favas com morcela e sementes de cannabis.
Eu nem gosto de favas, mas a morcela e as sementes convenceram-me.
Não se verificaram efeitos secundários a não ser o facto de, afinal, favas não ser assim tão mau.
Concorrência Desleal
Tá bem que é época de saldos e promoções, mas esta publicidade ao Freeport era escusada.
Chatos. Sempre esta coisa. Cada vez que uma cegonha perde um poste para pousar, ou que alguém faz uma falcatrua, parecem cair Carmos e Trindades.
Vão ao Campera !!!
Chatos. Sempre esta coisa. Cada vez que uma cegonha perde um poste para pousar, ou que alguém faz uma falcatrua, parecem cair Carmos e Trindades.
Vão ao Campera !!!
domingo, janeiro 25, 2009
quarta-feira, janeiro 21, 2009
Ermelinda
Nunca fora de se deixar surpreender nas provocações que a vida lhe fazia, antes escolhia ser ela a lançar-lhe os desafios. Desconfortavam-na portanto, aqueles tropeções que a deixaram assim, arredada do governo dos seus dias. Não era ao acaso que se confundia com o próprio bairro, e mesmo longe dos tempos em que, na sua bicicleta, deixava em cada porta uma garrafa de leite fresco, sempre ia havendo quem dele fizesse questão. E depois as partidas dos gaiatos, alguns deles já homens feitos pais de família, fiéis ao hábito do leite fresco pela manhã. Foi assim que o dia a dia se perpetuou até há pouco menos de um ano, com a ajuda da oficina do Zé das Biclas que lá lhe ia arranjando a corrente, os pneus ou os travões sem nada lhe cobrar. E agora isto de repente no joelho. Ainda tentou contrariar as dores e as indicações do médico, mas nada a fazer. Parecia que cada garrafa pesava toneladas e aquelas dores não as conhecia nem do parto do seu mais novo, que deus mais trabalho a sair que os outros três juntos. “Maldito joelho que me apanhaste. E agora que queres que faça da vida?“ Largou o veiculo em frente à praça e nunca mais teve coragem de por lá passar.
Foi o Polícia do bairro quem foi ter com ela a casa. Encontrou-a a lavar roupa num enorme alguidar, ali à beira do xafariz.
“Ó Horácio a que vens tu aqui? Não me digas que não posso lavar roupa na rua? Olha que é isso que me mantém entretida.”
“Deixa lá isso Ermelinda. Quero lá eu saber da roupa. O que me preocupa é o leite fresco”
“Qual leite fresco homem, sabes bem o que se passou… maldito joelho, ainda hoje não lhe perdoo. Já lá vai quase um ano”
“E a bicicleta Ermelinda? Está lá abandonada em frente à praça. Não podes deixar aquilo ali”
“Faz-me um favor homem, leva-me aquilo para o ferro velho. Nem a consigo encarar …”
“Vamos lá os dois tratar disso. Anda lá comigo e logo se vê o que se pode fazer. Ajudo-te com essa roupa”
Arrastou-a dali para fora.
Não lhe apetecia a ferrugem da velha parceira, mas sempre soubera que aquele dia havia de chegar. Quando, de braço dado ao Horácio, dobrou a esquina, baixou os olhos, como se se os levantasse devagar pudesse dosear a emoção. E assim fez, e ao fazê-lo descobriu caras de gente conhecida. Pareciam lá estar todos. O Zé Biclas, o Chico barbeiro, a Dona Bela da leitaria, a menina Adelaide do cabeleireiro e o homem das molduras, esquecera-lhe o nome, e os miúdos da escola e a Dona Inês a professora. Afastaram-se todos escancarando-lhe a velha parceira.
Ainda hoje não sabe o que a fez soltar aquelas lágrimas, se o reencontro, se o ar renovado que a pintura, os pneus e selim novos lhe conferiam, se aquele motor que o Zé colocou como que a dispensar o joelho do esforço, se aquela gente toda se ter posto à conversa e ao trabalho para lhe devolver cumplicidades. “Também o fazemos por nós Ermelinda, o bairro parece mais triste quando te não temos por perto”
Foi o Polícia do bairro quem foi ter com ela a casa. Encontrou-a a lavar roupa num enorme alguidar, ali à beira do xafariz.
“Ó Horácio a que vens tu aqui? Não me digas que não posso lavar roupa na rua? Olha que é isso que me mantém entretida.”
“Deixa lá isso Ermelinda. Quero lá eu saber da roupa. O que me preocupa é o leite fresco”
“Qual leite fresco homem, sabes bem o que se passou… maldito joelho, ainda hoje não lhe perdoo. Já lá vai quase um ano”
“E a bicicleta Ermelinda? Está lá abandonada em frente à praça. Não podes deixar aquilo ali”
“Faz-me um favor homem, leva-me aquilo para o ferro velho. Nem a consigo encarar …”
“Vamos lá os dois tratar disso. Anda lá comigo e logo se vê o que se pode fazer. Ajudo-te com essa roupa”
Arrastou-a dali para fora.
Não lhe apetecia a ferrugem da velha parceira, mas sempre soubera que aquele dia havia de chegar. Quando, de braço dado ao Horácio, dobrou a esquina, baixou os olhos, como se se os levantasse devagar pudesse dosear a emoção. E assim fez, e ao fazê-lo descobriu caras de gente conhecida. Pareciam lá estar todos. O Zé Biclas, o Chico barbeiro, a Dona Bela da leitaria, a menina Adelaide do cabeleireiro e o homem das molduras, esquecera-lhe o nome, e os miúdos da escola e a Dona Inês a professora. Afastaram-se todos escancarando-lhe a velha parceira.
Ainda hoje não sabe o que a fez soltar aquelas lágrimas, se o reencontro, se o ar renovado que a pintura, os pneus e selim novos lhe conferiam, se aquele motor que o Zé colocou como que a dispensar o joelho do esforço, se aquela gente toda se ter posto à conversa e ao trabalho para lhe devolver cumplicidades. “Também o fazemos por nós Ermelinda, o bairro parece mais triste quando te não temos por perto”
segunda-feira, janeiro 19, 2009
Agenda Socrástica
Sócrates, o secretário geral, não o primeiro, estabelece como prioridade "o combate a todas as formas de discriminação e a remoção, na próxima legislatura, das barreiras jurídicas à realização do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo".
O rapaz até que não é burro e sabe muito bem gerir a sua agenda temática. Ele sabe muito bem que agora a Igreja Católica nem vai fazer grandes comentários sobre o tema uma vez que está muito mais preocupada com os sarilhos em que as jovens católicas se possam meter ao casar com muçulmanos. Sarilhos que nem Alá sabe onde podem parar.
O rapaz até que não é burro e sabe muito bem gerir a sua agenda temática. Ele sabe muito bem que agora a Igreja Católica nem vai fazer grandes comentários sobre o tema uma vez que está muito mais preocupada com os sarilhos em que as jovens católicas se possam meter ao casar com muçulmanos. Sarilhos que nem Alá sabe onde podem parar.
domingo, janeiro 18, 2009
sexta-feira, janeiro 16, 2009
Vaca Galo
Além do título deste post soar mal, a verdade é que foi um galo bestial os pássaros terem estoirado os dois motores do avião. Por outro lado, verdade seja dita, os passageiros e tripulantes tiveram uma vaca descomunal em safarem-se todos.
Mais uns 155 com direito a quinta feira santa antecipada.
Mais uns 155 com direito a quinta feira santa antecipada.
quinta-feira, janeiro 15, 2009
Etiquetado
apelidaram-me de "cantor de trovante esquerdóide"
A propósito de um jantar sujeito ao tema
----
FCUL85 – TUDO O QUE VOCÊ NUNCA QUIS SABER SOBRE SEXO MAS FOI OBRIGADO A APRENDER.
(...)
O FRAZÃO leva a novela «O ELEVADOR DO SEXO»
----
Em que caixote estará tamanha obra de arte ? Cheira-me que vou levar o fim de semana pendurado nos armários cimeiros lá de casa. Encontrei o original há uns cinco anos atrás
A propósito de um jantar sujeito ao tema
----
FCUL85 – TUDO O QUE VOCÊ NUNCA QUIS SABER SOBRE SEXO MAS FOI OBRIGADO A APRENDER.
(...)
O FRAZÃO leva a novela «O ELEVADOR DO SEXO»
----
Em que caixote estará tamanha obra de arte ? Cheira-me que vou levar o fim de semana pendurado nos armários cimeiros lá de casa. Encontrei o original há uns cinco anos atrás
quarta-feira, janeiro 14, 2009
Feira de Professores
Convocado pelo colégio para falar da prestação do João Maria na escola, lá fui eu até às salas de aula para trocar impressões sobre o bochechas. Três salas, dez professores, cada um com a sua banca, caderneta à frente e os pais viajavam de banca em banca para se actualizarem sobre a prestação dos petizes. A banca de Português era a mais concorrida e acabou por ficar para o fim. Falei com quase todos, excepto a de música e ao terceiro já tinha descoberto um padrão:
- vive num mundo diferente do da sala de aula, feito de aviões de papel, de borrachas saltitantes, de lápis e canetas hélices e de corridas de afias. Qualquer coisa serve para lhe retirar o foco, e numa sala vazia o movimento das partículas do ar serviria também.
- apesar de viver neste mundo, tem um canal sempre aberto entre a zona cognitiva e aquilo que os professores dizem. Aprende tudo com facilidade. - Está sempre um passo atrás dos outros com efeito bola de neve. Quando os outros estão a passar o sumário, ele está a tirar o dossier da mochila, quando os outros começam um exercício, ele está a pedir o sumário a alguém, e por aí fora até chegar à parte em que não tem tempo para passar o TPC e na lição seguinte ou não fez, ou fez um que não tinha nada a ver, ou não percebe a própria letra e não faz a menor ideia sobre o que se trata.
- os três são quase quatros e os quatros são quase cincos. Não fosse a desorganização do material na secretária e a ausência de foco, as notas seriam bem melhores.
- tem uma cultura geral invulgar e um conjunto de interesses pouco comum. Sabe sempre muito sobre os temas abordados na aula e se lhe dão espaço, disserta sobre eles até ser mandado calar.
- é leitor compulsivo. Além dos aviões, afias e borrachas, lê às escondidas durante as aulas.
- quando a matéria lhe interessa, sai do mundo dele, levanta a cabeça, olha por cima das lunetas e entra em modo esponja a babar-se. Boca aberta a absorver tudo o que se diz sobre determinado tema.
- o nosso João é um querido, um bebé com umas bochechas que só apetece apertar.
Estamos portanto perante um menino bebé, meio autista, de bochechas lindas que só apetece apertar, desfocado, às vezes lento outras preguiçoso, outras ambas as duas, com tiques de intelectual e que vive algures em alfa de centauros. Se o menino vive em alfa de centauros, aconselho-o a verificar se por lá existe uma escola mais em conta onde as aulas sejam capazes de lhe recuperar o foco. Caso se trate de um problema de autismo, também há escolas capazes de o ajudar nesse tema e sempre o ponho no casino a contar cartas. Ai que nervos bochechas lindas, que me parece que vamos ficar sem ver esparguete até 2015. Agastas-me, e ainda assim fico todo babado quando os oiço falar de ti equidistantes entre o desespero e o mimo desmesurado.
- vive num mundo diferente do da sala de aula, feito de aviões de papel, de borrachas saltitantes, de lápis e canetas hélices e de corridas de afias. Qualquer coisa serve para lhe retirar o foco, e numa sala vazia o movimento das partículas do ar serviria também.
- apesar de viver neste mundo, tem um canal sempre aberto entre a zona cognitiva e aquilo que os professores dizem. Aprende tudo com facilidade. - Está sempre um passo atrás dos outros com efeito bola de neve. Quando os outros estão a passar o sumário, ele está a tirar o dossier da mochila, quando os outros começam um exercício, ele está a pedir o sumário a alguém, e por aí fora até chegar à parte em que não tem tempo para passar o TPC e na lição seguinte ou não fez, ou fez um que não tinha nada a ver, ou não percebe a própria letra e não faz a menor ideia sobre o que se trata.
- os três são quase quatros e os quatros são quase cincos. Não fosse a desorganização do material na secretária e a ausência de foco, as notas seriam bem melhores.
- tem uma cultura geral invulgar e um conjunto de interesses pouco comum. Sabe sempre muito sobre os temas abordados na aula e se lhe dão espaço, disserta sobre eles até ser mandado calar.
- é leitor compulsivo. Além dos aviões, afias e borrachas, lê às escondidas durante as aulas.
- quando a matéria lhe interessa, sai do mundo dele, levanta a cabeça, olha por cima das lunetas e entra em modo esponja a babar-se. Boca aberta a absorver tudo o que se diz sobre determinado tema.
- o nosso João é um querido, um bebé com umas bochechas que só apetece apertar.
Estamos portanto perante um menino bebé, meio autista, de bochechas lindas que só apetece apertar, desfocado, às vezes lento outras preguiçoso, outras ambas as duas, com tiques de intelectual e que vive algures em alfa de centauros. Se o menino vive em alfa de centauros, aconselho-o a verificar se por lá existe uma escola mais em conta onde as aulas sejam capazes de lhe recuperar o foco. Caso se trate de um problema de autismo, também há escolas capazes de o ajudar nesse tema e sempre o ponho no casino a contar cartas. Ai que nervos bochechas lindas, que me parece que vamos ficar sem ver esparguete até 2015. Agastas-me, e ainda assim fico todo babado quando os oiço falar de ti equidistantes entre o desespero e o mimo desmesurado.
segunda-feira, janeiro 12, 2009
Desafio ...
A Margarida porque sim inclui-me num desafio de sonhos, daqueles cheios de regras:
Escrever a lista dos 8 sonhos ou coisas que se deseje fazer;
Convidar 8 bloggers a responder ao desafio
Comentar no blog de quem partiu o convite - Ok
Comentar no blog quem convidámos
Mencionar as regras aos desafiados... - já aqui estão
8 Sonhos portanto - coisas que se queiram fazer - e desta vez não é preciso comer passas, o que é um alívio.
Gastronomia 1 - Panquecas a cinco ao pequeno almoço
Gastronomia 2 - Carpaccio para dois ao jantar - três pronto - que o bochechas tem sempre que se atascar ao carpaccio. Andava enjoado do carpaccio, mas se não carregar tanto no azeite e no limão, a coisa mantém-se deliciosa
Finanças 1 - Aquela coisa dos 5 números e das duas estrelas não sair da máquina com defeito
Finanças 2 - Se vier com defeito que seja num dos números
Saúde 1 - Não existem muitas quintas feiras santas. Portanto gajo, percebe lá que esgotaste o plafond da sorte todo naquela noite. Os aneurismas da aorta quando rebentam são tradicionalmente fatais, portanto deixa-te de merdas e agarra-te à second life.
Saúde 2 - Os remédios estão para lá da hora da morte - era manter as gentes nas vizinhanças saudáveis que isto das farmácias está um horror
Metereologia 1 - Era um grande nevão em Lisboa, caso as finanças 1 e 2 falhem. Ainda na sexta feira passei a noite em cima do trenó no topo da Alameda à espera do nevão e nada.
Quem quiser pegar nisto dos desafios que pegue que isto dos links irrita-me.
Escrever a lista dos 8 sonhos ou coisas que se deseje fazer;
Convidar 8 bloggers a responder ao desafio
Comentar no blog de quem partiu o convite - Ok
Comentar no blog quem convidámos
Mencionar as regras aos desafiados... - já aqui estão
8 Sonhos portanto - coisas que se queiram fazer - e desta vez não é preciso comer passas, o que é um alívio.
Gastronomia 1 - Panquecas a cinco ao pequeno almoço
Gastronomia 2 - Carpaccio para dois ao jantar - três pronto - que o bochechas tem sempre que se atascar ao carpaccio. Andava enjoado do carpaccio, mas se não carregar tanto no azeite e no limão, a coisa mantém-se deliciosa
Finanças 1 - Aquela coisa dos 5 números e das duas estrelas não sair da máquina com defeito
Finanças 2 - Se vier com defeito que seja num dos números
Saúde 1 - Não existem muitas quintas feiras santas. Portanto gajo, percebe lá que esgotaste o plafond da sorte todo naquela noite. Os aneurismas da aorta quando rebentam são tradicionalmente fatais, portanto deixa-te de merdas e agarra-te à second life.
Saúde 2 - Os remédios estão para lá da hora da morte - era manter as gentes nas vizinhanças saudáveis que isto das farmácias está um horror
Metereologia 1 - Era um grande nevão em Lisboa, caso as finanças 1 e 2 falhem. Ainda na sexta feira passei a noite em cima do trenó no topo da Alameda à espera do nevão e nada.
Quem quiser pegar nisto dos desafios que pegue que isto dos links irrita-me.
sexta-feira, janeiro 09, 2009
quarta-feira, janeiro 07, 2009
São Rosas Senhor ...
... são rosas.
Já oferecida pela Marisa Monte, surpreende-me esta versão da Cristina Branco.
Já oferecida pela Marisa Monte, surpreende-me esta versão da Cristina Branco.
terça-feira, janeiro 06, 2009
Pole Position
Na grelha de partida do meu gostar, dão voltas à pista, aceno-lhes as bandeiras dos meus sonhos, torço tanto por eles. Ultrapassam-me tantas vezes de surpresas, surpreendem-me nas trajectórias certeiras, olho pelo retrovisor e vejo-os ainda meninos bebés. Aceleram a fundo nos meus braços, e travam bruscamente em abraços, xadrez das nossas vitórias. Quantos segundos levam de vantagem? É que por vezes acho que não os consigo apanhar.
segunda-feira, janeiro 05, 2009
Manhãs
... a caminho da escola. Conversas casuais entre irmãos:
Sirenes - Não se consegue ver a cara das estrelas.
Loiro dos Caracóis - Pois é António. Às vezes as estrelas estão viradas de costas.
Pode ser que saia daqui a história para hoje à noite.
Sirenes - Não se consegue ver a cara das estrelas.
Loiro dos Caracóis - Pois é António. Às vezes as estrelas estão viradas de costas.
Pode ser que saia daqui a história para hoje à noite.
De cão ...
... este primeiro fim de semana do ano. A acompanhar um casmurro ao hospital. No Sábado Hospital da Luz, no Domingo de São José. Palhaço rico palhaço pobre. Horas e horas entre análises, raios x, soros e conversas. Apesar de não ter hospedeiras que andam de um lado para o outro a chamar pacientes, São José é muito mais hospital. Não fosse a vitória do Benfica, diria que tinha sido um fim de semana de merda.
quarta-feira, dezembro 31, 2008
domingo, dezembro 28, 2008
Máquina do Tempo II
Máquina do Tempo I
O saco do ikea atulhado com os meus últimos 8 anos de trabalho naquele cliente, conferiu a urgência de arrumar a secretária cá de casa. Fora o que lá deixei e distribuí pelos meus colegas, numa sessão de partilhas, trouxe dossiers, contratos, formações, propostas, música, isqueiros, fotos, cartões de memória, memórias para lá das fronteiras de um cartão. O saco do ikea pesava uns trinta quilos e a secretária não parecia ter espaço para tamanho encargo. Uma arrumação a sério, que o fecho do ano se presta a estas coisas, esvaziar gavetas, revirar todos os papéis, decidir o que fica e o que não faz falta. E das gavetas, como do chapéu do ilusionista, surgem surpresas, que num repente nos fazem passageiros da máquina do tempo. O cartão de ginasta federado, um caderno da segunda classe, fotografias da recruta em Mafra e do resto da tropa em Beja, uma filofax com os números de telefone de sete algarismos e números de telemóvel começados por 0936 ou 0931, cartões de visita, convites de casamento, cartão de socorrista, fotografias das férias com amigos na autocaravana, um cheque de 30000 euros que o BES me enviou com uma proposta de crédito (tinha alguns 100 envelopes do BES, da CGD, da ZON, da Clix por abrir).
Ficam aqui três coelhos tirados desta cartola. O cartão militar, uma foto do Lido em Veneza (a ilha e praia da Morte em Veneza) tirada na viagem de auto caravana e uma pagina de um caderno da segunda classe (a Dona Inês bem dizia que a forma como um aluno desenha uma árvore, nos dá fortes indícios sobre a sua inteligência, e suspeito que a minha fique aquém das expectativas).


Ficam aqui três coelhos tirados desta cartola. O cartão militar, uma foto do Lido em Veneza (a ilha e praia da Morte em Veneza) tirada na viagem de auto caravana e uma pagina de um caderno da segunda classe (a Dona Inês bem dizia que a forma como um aluno desenha uma árvore, nos dá fortes indícios sobre a sua inteligência, e suspeito que a minha fique aquém das expectativas).


sexta-feira, dezembro 26, 2008
Eu quero uma casa no campo
... onde eu possa possa plantar meus amigos, meus discos e livros e nada mais.
De: Zé Rodrix e Tavito
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
Meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais
De: Zé Rodrix e Tavito
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
Meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais
segunda-feira, dezembro 22, 2008
Risco
Este ano só há Natal lá em casa se o Benfica, esta noite, ganhar ao Nacional da Madeira. Se por uma infelicidade, semelhante à que aconteceu ao Sporting e Porto, o Benfica não amealhar os 3 pontos, o Natal é passado no you-tube a ver as emissões do parlamento de sua majestade Alberto João.
E mai'nada
E mai'nada
domingo, dezembro 21, 2008
Época
.jpeg)
A presente é farta em jantares, à conta da ocasião. Eu que regra geral sou fiel ao princípio de não festejar aniversários antecipadamente porque pode dar galo, abro uma excepção para este aniversariante que tem o mesmo nome do arrumador de automóveis cá da rua, e vai daí que vou a um ou outro jantar de Natal, a dar alguma coisa há-de ser peru e bacalhau. Ora na passada sexta, além do jantar, vai de armar-me em puto xarila e rumar ao salão, vestido como se fosse andar de skate, ver ouvir e dançar, ou lá o que é que se faz com a actuação dos DJ's, ao som de um tal de Kid Loco que eu não faço puto ideia quem seja. E olha que gostei. Não sei se foi do Gin Tónico, se foi das gaiolas que penduraram por cima da pista com umas miúdas saídas da capa do disco dele, se foi mesmo da batida, mas gostei.
Passados poucos minutos de me enfiar na cama, tinha uns kids loucos aos pulos em cima de mim, e já não havia senhas para mais Gin.
Passei o resto do fim de semana a tentar recuperar dos exageros.
sexta-feira, dezembro 19, 2008
Cromo
O Sirenes chega-me à cozinha com três embalagens de pensos higiénicos na mão e diz:
- Pai Pai. Vês a mãe também tem carteiras de cromos.
- Pois tem António, pois tem.
O café que me saiu pelo nariz, ajudou-me a resistir à tentação de lhe perguntar pela caderneta.
- Pai Pai. Vês a mãe também tem carteiras de cromos.
- Pois tem António, pois tem.
O café que me saiu pelo nariz, ajudou-me a resistir à tentação de lhe perguntar pela caderneta.
terça-feira, dezembro 16, 2008
15 minutos
antes do costume, se costumas à hora certa, é certo que hoje lhe tirei um quarto, e no quarto, conforme acordado, ainda estremunhado acordo em contra mão. A mão pesada e súbita sobre uma tecla qualquer, qualquer dia ainda se parte. Parto à descoberta do dia, 14 minutos antes da hora, está na hora dos preparos, não pares! Não, não paro. 13 minutos. Bom dia, bom dia, faço a barba, apresso o outro, e um beijo de bons dias às pressas. Depressa pai que o xixi ganhou à fralda, troco os planos, troco as mãos, e siga as vestes, vê se te vestes, não é já vou, é mesmo agora. O que é agora ? A pasta de dentes, dantes não te metias nessas coisas. Já passou pela hora dentro. Entro no duche, e entra uma canção no rádio, o boletim meteorológico, vai estar um frio do caneco, a caneca é que entornou, eu não tive a culpa, culpa-se a pressa pois então. Então essa mochila ? Já tem tudo ? Telefone, cartão e o lanche? Olha que está quase a tocar, não te esqueças de telefonar, basta um toque. Não toques aí, vai-te pentear. Sim sirenes, o teu cabelo está lindo. Lindo serviço na cozinha, o que descongelamos para o jantar ? Qualquer coisa a correr. Corre que se faz tarde. Não tarda, não arranjo lugar. Vamos embora, isso agora não, noutro dia. Tem um dia bom e um beijo. Meninos o beijo da mãe? Então vá até logo. Logo se vê isso dos cromos. Vamos embora, vamos, vamos, vamos. Não quero frenesim nas escadas, não passes à frente do teu irmão, que ele se põe logo a berrar. Sim chatum, vais ser tu outra vez a ganhar.
segunda-feira, dezembro 15, 2008
A importância da fada dos dentes no negócio das próteses dentárias
- O que estás a fazer ?
- Estou aqui a fazer uma cruz no dente que caiu (por acaso foi arrancado). É que vai para debaixo da almofada, e o João disse-me que a fada dos dentes usa os dentes para fazer dentaduras. Como o avô vai ter uma dentadura nova, pode ser que este lá vá parar e assim se encontrar uma cruz, é porque é o meu.
Acho que vou vomitar
- Estou aqui a fazer uma cruz no dente que caiu (por acaso foi arrancado). É que vai para debaixo da almofada, e o João disse-me que a fada dos dentes usa os dentes para fazer dentaduras. Como o avô vai ter uma dentadura nova, pode ser que este lá vá parar e assim se encontrar uma cruz, é porque é o meu.
Acho que vou vomitar
domingo, dezembro 14, 2008
sexta-feira, dezembro 12, 2008
Mudam-se os tempos ...
muda-se de operadora de telefone e internet. Decido concentrar tudo numa só. Agora além de televisão, o telefone e a net vêm no mesmo cabo. Zon. Será a melhor decisão ?
Regresso
Uma mulher assim não pode ficar tanto tempo sem porto seguro onde lançar amarras, onde se sinta por inteiro, e cada pedra, cada banco, cada vaga abraçada seja uma história de infância ou de amor. Uma mulher bonita de luz, tem que abraçar um cais de sonhos, para que o tempo não se conte às voltas de um só eixo, antes as horas de navios no horizonte e os minutos de voos picados de gaivotas.
Preenchem-te das mesmas novas sombras o cais, e a praça vazia se faz de gente, comércio de emoções e ímpar este par, amantes sem pressas, passo ante passo, regressam as colunas ao Terreiro de Paço.
Preenchem-te das mesmas novas sombras o cais, e a praça vazia se faz de gente, comércio de emoções e ímpar este par, amantes sem pressas, passo ante passo, regressam as colunas ao Terreiro de Paço.
quarta-feira, dezembro 10, 2008
Satizfaz muito pouco
A C. foi minha professora de história do 7º e do 9º ano. Nunca foi uma disciplina dos meus encantos, mas a C animava as aulas e convidava-nos a participar. No final do 9º ano tive alguma pena de deixar de ter esta disciplina.
O F foi meu professor de Matemática do 8º ano. Já podia estar reformado, mas insistia em dar aulas. Infelizmente pensava eu, à conta do seu estilo austero e autoritário. Nunca tive uma nota positiva num teste feito por ele, mas aprendi tudo o que havia para aprender da matemática do 8º ano.
A M. foi minha professora de economia do 10º ano. Desinteressante a matéria e a forma como era dada. Sabendo os conceitos e definições, era tão fácil ter boa nota. A M. tinha uma assiduidade precária e um mestrado para acabar.
O C. foi meu professor de trabalhos oficinais do 8º ano. Organizou visitas de estudo para que víssemos fora da sala de aulas, aquilo que ele nos ensinava no quadro e nas oficinas. Nunca tive grande nota a trabalhos oficinais, graças à minha apuradíssima destreza manual, mas lembro-me bem deste professor.
A D. foi minha professora de português do oitavo ano. Fácil de enganar. Uma redacção com alguma imaginação e o cinco era garantido. A paixão não existia, e se existisse não passava.
A F. foi a minha professora de matemática do 11º ano. Chata como tudo, parecia a madame Castafiori do Tintin e dizia “Se tiverem dúvidas, não se coíbam de perguntar”, e nós não nos coibíamos. Foi das professoras que mais me ensinou matemática e a gostar ainda mais de matemática. É daqueles casos que eu acredito ter tido sorte em tê-la como professora.
A M. foi minha professora de Ciências da Natureza do 9º ano. Sabia tanto que dava gosto, ouvi-la apesar da presença quase frágil lá à frente. Nunca fui grande aluno de Ciências da Natureza, mas adorava as aulas dadas por ela.
Podia escrever aqui sobre muitos mais professores porque grande parte deles me marcou de uma ou outra forma. Lembro-me de quase todos, e com toda a certeza que me lembro dos muito bons e dos muito maus. Dos que nos ensinavam com paixão, dos que nos ensinavam e educavam, dos que nos toleravam, dos que aprendiam connosco, e dos que nem por isso. Não me lixem, de todos os que estiveram à minha frente, é-me fácil identificar mérito e demérito, competências e incompetências. Só vejo virtudes num modelo que premeie o mérito e as competências dos que as têm e que distinga aqueles que as não têm, identificando acções que permitam que quem as não tem, possa passar a tê-las.
A minha sugestão é que se entendam neste princípio e que trabalhem em conjunto sobre a melhor forma de o fazer. A suspensão é só uma forma de empurrar com a barriga um problema sério.
O F foi meu professor de Matemática do 8º ano. Já podia estar reformado, mas insistia em dar aulas. Infelizmente pensava eu, à conta do seu estilo austero e autoritário. Nunca tive uma nota positiva num teste feito por ele, mas aprendi tudo o que havia para aprender da matemática do 8º ano.
A M. foi minha professora de economia do 10º ano. Desinteressante a matéria e a forma como era dada. Sabendo os conceitos e definições, era tão fácil ter boa nota. A M. tinha uma assiduidade precária e um mestrado para acabar.
O C. foi meu professor de trabalhos oficinais do 8º ano. Organizou visitas de estudo para que víssemos fora da sala de aulas, aquilo que ele nos ensinava no quadro e nas oficinas. Nunca tive grande nota a trabalhos oficinais, graças à minha apuradíssima destreza manual, mas lembro-me bem deste professor.
A D. foi minha professora de português do oitavo ano. Fácil de enganar. Uma redacção com alguma imaginação e o cinco era garantido. A paixão não existia, e se existisse não passava.
A F. foi a minha professora de matemática do 11º ano. Chata como tudo, parecia a madame Castafiori do Tintin e dizia “Se tiverem dúvidas, não se coíbam de perguntar”, e nós não nos coibíamos. Foi das professoras que mais me ensinou matemática e a gostar ainda mais de matemática. É daqueles casos que eu acredito ter tido sorte em tê-la como professora.
A M. foi minha professora de Ciências da Natureza do 9º ano. Sabia tanto que dava gosto, ouvi-la apesar da presença quase frágil lá à frente. Nunca fui grande aluno de Ciências da Natureza, mas adorava as aulas dadas por ela.
Podia escrever aqui sobre muitos mais professores porque grande parte deles me marcou de uma ou outra forma. Lembro-me de quase todos, e com toda a certeza que me lembro dos muito bons e dos muito maus. Dos que nos ensinavam com paixão, dos que nos ensinavam e educavam, dos que nos toleravam, dos que aprendiam connosco, e dos que nem por isso. Não me lixem, de todos os que estiveram à minha frente, é-me fácil identificar mérito e demérito, competências e incompetências. Só vejo virtudes num modelo que premeie o mérito e as competências dos que as têm e que distinga aqueles que as não têm, identificando acções que permitam que quem as não tem, possa passar a tê-las.
A minha sugestão é que se entendam neste princípio e que trabalhem em conjunto sobre a melhor forma de o fazer. A suspensão é só uma forma de empurrar com a barriga um problema sério.
terça-feira, dezembro 09, 2008
Centenário
Depois dos centenários do Benfica e do Sporting, eis que se aproxima o de Manoel de Oliveira. Pelo sim pelo não, a MultiOpticas suspendeu a campanha que oferecia, nas armações, uma percentagem de desconto igual ao da idade do cliente. Maricas.
segunda-feira, dezembro 08, 2008
Retratos
Há domingos assim, cheios de retratos. Há Domingos cheios de chuvas matinais para animar a ida ao Jardim Zoológico que, pelos convites, tinha de ser nesse e só nesse dia. Os animais não se importam com a chuva e nós também não, e foi girafas e riscorontes e pavões e gorilas e leões e tigres e corcodilos. Todos retratados. Depois pela tarde, enquanto o sirenes ia a uma festa no centro cultural de belém, levámos os mais velhos a um atelier sobre a exposição de retratos do museu Berardo. Como ir com duas crianças não dá muita pica, resolvemos levar os filhos de amigos. Levámos cinco para dar luta. Vimos a exposição com pistas para descobrir, com tempo para nos sentarmos e falar sobre os retratos, com eles a fazerem legendas para poses e instantâneos. Ainda houve lugar a criar personagens, com cenários, adereços, vestuário e maquilhagem a condizer, para, desta vez, serem eles (e nós) os retratados. Bem animados estes ateliers do museu Berardo, apesar da peruca não me ter ficado bem, tenho dificuldade em lidar com excesso de cabelo. Assim de repente, vieram-me à memória as festas de Carnaval de uma certa embaixada, sempre fora de época, mas sempre animadas.
Nos retratos da noite, um jantar com amigos no Sacramento do Chiado. Gosto do Chiado e deixa-me um sorriso no retrato sempre que o vejo animado, longe dos tempos cinzas de retratos a preto e branco. Se já em casa eu tinha feito explodir uma garrafa de margarina liquida sobre mim, no restaurante foi o senhor do bar quem se encarregou de entornar dois gins tónicos por cima. Mal empregados. No retrato de fim de noite e ainda no chiado, no Silk. Não percebi o ADN daquele local onde se entra por guest list, mas tem um retrato fabuloso sobre os telhados de Lisboa, como um retrato de Maluda.
Só pode dar em sorrisos um dia tão cheio de retratos de família, a dois e com amigos. Olha o passarinho.
Nos retratos da noite, um jantar com amigos no Sacramento do Chiado. Gosto do Chiado e deixa-me um sorriso no retrato sempre que o vejo animado, longe dos tempos cinzas de retratos a preto e branco. Se já em casa eu tinha feito explodir uma garrafa de margarina liquida sobre mim, no restaurante foi o senhor do bar quem se encarregou de entornar dois gins tónicos por cima. Mal empregados. No retrato de fim de noite e ainda no chiado, no Silk. Não percebi o ADN daquele local onde se entra por guest list, mas tem um retrato fabuloso sobre os telhados de Lisboa, como um retrato de Maluda.
Só pode dar em sorrisos um dia tão cheio de retratos de família, a dois e com amigos. Olha o passarinho.
domingo, dezembro 07, 2008
Taxímetro 4,80 € Gorja 0,20€
- Bom dia
- Bom dia
- Basílica da Estrela por favor. Eu sei que estamos perto, mas com esta chuva, só mesmo de taxi.
- É o tempo dela.
- Pois, pois é. Mas podia ter esperado pela hora de almoço. Já estou atrasado para a missa de corpo presente da minha Tia Elvira.
- Os meus sentimentos.
- Já não fazia nada por cá. A não ser dar trabalho e ralações aos meus primos. 92 anos de idade, surda como um calhau o raio da velha. É como lhe digo, um estorvo nos dias que correm.
- Acabamos todos por ser.
- Eu cá, se chegar a essa idade, prefiro que me metam num lar. Sempre hei-de ter quem de mim trate sem andar a complicar a vida dos outros. Tou pra ver o que é que vão fazer à tralha que tinha lá para casa. Guarda fatos cheios de roupas comidas pelas traças e fotografias espalhadas em gavetas. Sacana da mulher, nunca foi de poupar. Doida por casinos. Enquanto as pernas deixaram, ia até ao Estoril. Depois disso, lá conseguiu que um amigo fosse lá a casa explicar-lhe isto dos casinos na net. Desde essa altura sempre agarrada ao Poker e às Slot Machines. Trabalhar com a máquina da roupa era muito complicado, mas quando precisou de trabalhar com o computador, passaram-lhe logo as complicações. Cabra.
- Senhora moderna.
- Se fosse a minha mãe eu dava-lhe a modernice. Levava com o teclado goela abaixo, a única aposta que fazia era se ia o engolia por inteiro ou letra a letra. Olhe, deixe-me já aqui que parou de chover.
- São quatro euros e oitenta.
- Aqui tem fique com troco.
- Adeus bom dia. E mais uma vez os meus sentimentos.
- hum estupor da velha bem que se podia ter baldado num dia de sol.
- Bom dia
- Basílica da Estrela por favor. Eu sei que estamos perto, mas com esta chuva, só mesmo de taxi.
- É o tempo dela.
- Pois, pois é. Mas podia ter esperado pela hora de almoço. Já estou atrasado para a missa de corpo presente da minha Tia Elvira.
- Os meus sentimentos.
- Já não fazia nada por cá. A não ser dar trabalho e ralações aos meus primos. 92 anos de idade, surda como um calhau o raio da velha. É como lhe digo, um estorvo nos dias que correm.
- Acabamos todos por ser.
- Eu cá, se chegar a essa idade, prefiro que me metam num lar. Sempre hei-de ter quem de mim trate sem andar a complicar a vida dos outros. Tou pra ver o que é que vão fazer à tralha que tinha lá para casa. Guarda fatos cheios de roupas comidas pelas traças e fotografias espalhadas em gavetas. Sacana da mulher, nunca foi de poupar. Doida por casinos. Enquanto as pernas deixaram, ia até ao Estoril. Depois disso, lá conseguiu que um amigo fosse lá a casa explicar-lhe isto dos casinos na net. Desde essa altura sempre agarrada ao Poker e às Slot Machines. Trabalhar com a máquina da roupa era muito complicado, mas quando precisou de trabalhar com o computador, passaram-lhe logo as complicações. Cabra.
- Senhora moderna.
- Se fosse a minha mãe eu dava-lhe a modernice. Levava com o teclado goela abaixo, a única aposta que fazia era se ia o engolia por inteiro ou letra a letra. Olhe, deixe-me já aqui que parou de chover.
- São quatro euros e oitenta.
- Aqui tem fique com troco.
- Adeus bom dia. E mais uma vez os meus sentimentos.
- hum estupor da velha bem que se podia ter baldado num dia de sol.
sexta-feira, dezembro 05, 2008
Natal
Ao almoço, levantou-se a suspeita se o Natal não seria algo determinado por seres de inteligência superior, que algures noutro planeta teriam decidido, no meio de uma bebedeira, divertir-se às nossas custas:
- Vamos brincar com os humanos e inventar uma coisa estranha para eles fazerem antes do fim do ano
- Podia ter renas
- Lá vem este e as renas. Deixa lá as renas em paz.
- Com canções com sinos.
- Sim e estrelas e ...
- E renas.
- Larga as renas. E umas luzes.
- E uma marca de refrigerantes que inventasse um gordo de barbas puxado num trenó, por cães.
- Por elefantes
- Não, por animais que se dêem bem com o frio. Leões marinhos.
- Pinguins.
- Renas, por renas.
- Deslarga-me com as renas. Por ursos polares.
- E as pessoas ficavam muito mais boazinhas umas para as outras.
- Por causa das Renas
- Não por causa do frio
- Não, por causa do fim de ano
- Não. Por causa do Jesus.
- Quem, o arrumador de carros?
- O treinador do Braga?
- Não pá, o filho do barbudo.
- O gordo do trenó ?
- Não o outro, o grandalhão com ar de nuvem.
- Eh páááá. Com esse é melhor não brincar, mais vale as renas.
- Eu sabia. As minhas renas.
- Pronto põe lá renas no trenó, mas não se metamn com o Barbas.
- O do Benfica?
- Não. O grandalhão com cara de nuvem.
- Combinado, aquilo fica por conta do filho do barbas, mas os humanóides hão-de distrair-se com isso. O tipo tipo também está sempre ocupado, não há-de dar por ela.
- Boa. Inventamos programas de televisão alusivos à época.
- Com renas e o Eládio Clímaco
- E o Toy mas sem renas
- E o banco alimentar.
- E uns barbudos insufláveis de 30 cms agarrados a uma corda para pôr nas varandas.
- Com umas renas às costas.
- Se voltas a falar de renas, elas saem do trenó.
- Não pá, eu não insisto, fica com um saco de prendas às costas.
- Boa. Prendas, vão andar a dar prendas até 5 euros em jantares de confraternização e com amigos secretos.
- E oferecem meias e cuecas uns aos outros. E jantam juntos ...
- E comem renas ...
- Não comem renas nada, comem bacalhaus e vamos inventar uns frangos qaue não caibam nos fornos.
- Chamemos-lhes Perús - o frango que não cabe no forno.
- Olha quem vem lá. A nossa drag queen. Anda cá estamos aqui a combinar uma coisa muito gira para fazer ali com os humanos.
- Olha que ela ainda aceita e isto acaba tudo com fitas e bolas às cores, brilhantes e purpurina.
- Vamos brincar com os humanos e inventar uma coisa estranha para eles fazerem antes do fim do ano
- Podia ter renas
- Lá vem este e as renas. Deixa lá as renas em paz.
- Com canções com sinos.
- Sim e estrelas e ...
- E renas.
- Larga as renas. E umas luzes.
- E uma marca de refrigerantes que inventasse um gordo de barbas puxado num trenó, por cães.
- Por elefantes
- Não, por animais que se dêem bem com o frio. Leões marinhos.
- Pinguins.
- Renas, por renas.
- Deslarga-me com as renas. Por ursos polares.
- E as pessoas ficavam muito mais boazinhas umas para as outras.
- Por causa das Renas
- Não por causa do frio
- Não, por causa do fim de ano
- Não. Por causa do Jesus.
- Quem, o arrumador de carros?
- O treinador do Braga?
- Não pá, o filho do barbudo.
- O gordo do trenó ?
- Não o outro, o grandalhão com ar de nuvem.
- Eh páááá. Com esse é melhor não brincar, mais vale as renas.
- Eu sabia. As minhas renas.
- Pronto põe lá renas no trenó, mas não se metamn com o Barbas.
- O do Benfica?
- Não. O grandalhão com cara de nuvem.
- Combinado, aquilo fica por conta do filho do barbas, mas os humanóides hão-de distrair-se com isso. O tipo tipo também está sempre ocupado, não há-de dar por ela.
- Boa. Inventamos programas de televisão alusivos à época.
- Com renas e o Eládio Clímaco
- E o Toy mas sem renas
- E o banco alimentar.
- E uns barbudos insufláveis de 30 cms agarrados a uma corda para pôr nas varandas.
- Com umas renas às costas.
- Se voltas a falar de renas, elas saem do trenó.
- Não pá, eu não insisto, fica com um saco de prendas às costas.
- Boa. Prendas, vão andar a dar prendas até 5 euros em jantares de confraternização e com amigos secretos.
- E oferecem meias e cuecas uns aos outros. E jantam juntos ...
- E comem renas ...
- Não comem renas nada, comem bacalhaus e vamos inventar uns frangos qaue não caibam nos fornos.
- Chamemos-lhes Perús - o frango que não cabe no forno.
- Olha quem vem lá. A nossa drag queen. Anda cá estamos aqui a combinar uma coisa muito gira para fazer ali com os humanos.
- Olha que ela ainda aceita e isto acaba tudo com fitas e bolas às cores, brilhantes e purpurina.
quarta-feira, dezembro 03, 2008
Telefonema
- Olá Pai, quando chegares a casa podes trazer o Tamagochi que ficou no carro da mãe?
- Claro. E diz-me lá, onde é que a mãe estacionou o carro?
- Em frente à Sex Shop
- DESCULPAAAA????
- Em frente à Sex Shop, a Erotika
Desliguei o telefone e atirei-me para o chão algures entre o ataque de riso e o desespero.
- Claro. E diz-me lá, onde é que a mãe estacionou o carro?
- Em frente à Sex Shop
- DESCULPAAAA????
- Em frente à Sex Shop, a Erotika
Desliguei o telefone e atirei-me para o chão algures entre o ataque de riso e o desespero.
domingo, novembro 30, 2008
Delírio
Deve-me ter dado uma travadinha, o loiro anda há séculos a chatear que quer que eu o leve a ir ver o Sporting, e hoje de manhã insinuei que podíamos ir.
Vamos ao jogo e eu estou com aquela sensação de só não sei porque é que não fiquei em casa. Vai estar frio, e se o resultado me animar, o loiro fica com os azeites. Mais vale que ganhem os verdes e brancos.
A juntar a isto esgotei o meu plafond de leões do ano inteiro. Madagascar II. Neste caso, o final feliz para o leão, estava desde logo assegurado.
Corolário do post: A todos os sportinguistas que querem garantir um final feliz para o leão, aconselho uma matine de animação infantil.
Vamos ao jogo e eu estou com aquela sensação de só não sei porque é que não fiquei em casa. Vai estar frio, e se o resultado me animar, o loiro fica com os azeites. Mais vale que ganhem os verdes e brancos.
A juntar a isto esgotei o meu plafond de leões do ano inteiro. Madagascar II. Neste caso, o final feliz para o leão, estava desde logo assegurado.
Corolário do post: A todos os sportinguistas que querem garantir um final feliz para o leão, aconselho uma matine de animação infantil.
sábado, novembro 29, 2008
Caixa de Música
No fundo da caixa de costura, aos pés, coloquei a Caixa de Música. Estreia com Ana Carolina e a versão de Beatriz, obra prima de Chico Buarque e Edu Lobo. Porque aqueles símbolos a viajar naquelas cinco linhas, fazem tantas vezes levantar os pés do chão.
Coltrane por fazer parte das My Favorite Things
Elis Regina porque este blog tem tanto dela
José Mário Branco um dos melhores compositores portugueses
Coltrane por fazer parte das My Favorite Things
Elis Regina porque este blog tem tanto dela
José Mário Branco um dos melhores compositores portugueses
quinta-feira, novembro 27, 2008
quarta-feira, novembro 26, 2008
Siras
Ainda que largues a chucha, e a fralda imunda adjacente, vais ser sempre o bebé da casa. Ainda que a tua voz deixe de ser maior que tu, hás-de ser sempre o mais pequeno dos selvas. Ainda que já saibas escrever o teu nome, assento e tudo, serás sempre o infinitésimo da família. Tens uma espécie de imunidade que te safa quando asneiras, tens uma espécie de charme que te livra de umas palmadas, tens uma espécie de encanto que me desarma quando me zango com os teus irmãos e te oiço perguntar se estás a ser lindo, tens uma espécie de magia quando te abraças a mim a dizer "paizinhoooo" mesmo antes de me pedir alguma coisa, tens uma espécie de fascínio que faz com que os outros dois te disputem para te ler histórias à noitinha.
Agora, doce sirenes, estes predicados podem nem sempre te valer, sobretudo se dizes aqueles palavrões, se destróis os legos que demoraram horas a montar, se rasgas os cromos dos teus irmãos, se riscas as paredes e os móveis, ou se pescas os peixes do aquário.
Parabéns meu amor. Já agora, podes se faz favor, enquanto tens quatro anos, deixar fraldas nocturnas e chuchas, mas continuar a dizer riscoronte? É para não cresceres muito assim num repente.
Agora, doce sirenes, estes predicados podem nem sempre te valer, sobretudo se dizes aqueles palavrões, se destróis os legos que demoraram horas a montar, se rasgas os cromos dos teus irmãos, se riscas as paredes e os móveis, ou se pescas os peixes do aquário.
Parabéns meu amor. Já agora, podes se faz favor, enquanto tens quatro anos, deixar fraldas nocturnas e chuchas, mas continuar a dizer riscoronte? É para não cresceres muito assim num repente.
segunda-feira, novembro 24, 2008
Arroz de Pato
à moda da Caixa de Costura
1. Separar umas peles gordas, as pontas das asas, o pescoço do resto do pato
2. O resto do animal para dentro da panela de pressão 40 minutos a ferver com sal. Não deitar fora o caldo.
3. Refogar em cebola, alho, azeite, e cubos de bacon as peles gordas, pontas de asas e o pescoço durante uma hora. Entretanto o resto do pato já ferveu, saiu da panela de pressão e já está desossado.
4. Retirar as pontas das asas, as peles gordas, e o pescoço e usar o refogado para refogar o arroz. Deixar fritar bem o arroz e colocar o pato desfiado ao barulho. Uma volta ou duas com o pato no refogado. Aqui exageros levam a que o pato fique demasiado desfiado. A evitar portanto.
5. Juntar ao arroz e ao pato quase o dobro (da quantidade de arroz) do caldo da cozedura do pato, juntar novamente sal e deixar ferver em lume baixo durante 8 minutos. O caldo não vai desaparecer todo. Colocar tudo num pirex. O fim da cozedura do arroz é no forno.
6. Cobrir (salvo seja) com fatias de bacon e rodelas de chouriço.
7. Colocar no forno previamente aquecido durante 20 minutos (uns 200 graus chegam)
PS: O pato já está morto, depenado e sem barbatanas e sem cabeça.
PS2: Normalmente dentro da barriga do pato, está uma mochila de plástico, onde ele transporta alguns orgãos outrora vitais mas, que na situação em que se encontra, não lhe servem para nada.
1. Separar umas peles gordas, as pontas das asas, o pescoço do resto do pato
2. O resto do animal para dentro da panela de pressão 40 minutos a ferver com sal. Não deitar fora o caldo.
3. Refogar em cebola, alho, azeite, e cubos de bacon as peles gordas, pontas de asas e o pescoço durante uma hora. Entretanto o resto do pato já ferveu, saiu da panela de pressão e já está desossado.
4. Retirar as pontas das asas, as peles gordas, e o pescoço e usar o refogado para refogar o arroz. Deixar fritar bem o arroz e colocar o pato desfiado ao barulho. Uma volta ou duas com o pato no refogado. Aqui exageros levam a que o pato fique demasiado desfiado. A evitar portanto.
5. Juntar ao arroz e ao pato quase o dobro (da quantidade de arroz) do caldo da cozedura do pato, juntar novamente sal e deixar ferver em lume baixo durante 8 minutos. O caldo não vai desaparecer todo. Colocar tudo num pirex. O fim da cozedura do arroz é no forno.
6. Cobrir (salvo seja) com fatias de bacon e rodelas de chouriço.
7. Colocar no forno previamente aquecido durante 20 minutos (uns 200 graus chegam)
PS: O pato já está morto, depenado e sem barbatanas e sem cabeça.
PS2: Normalmente dentro da barriga do pato, está uma mochila de plástico, onde ele transporta alguns orgãos outrora vitais mas, que na situação em que se encontra, não lhe servem para nada.
sexta-feira, novembro 21, 2008
Simulacro
Já começou ? Alguém me sabe dizer se já começou ? Mas afinal a terra sempre estremece ?
É que eu conto com isso. Eu que tremelico das mãos, estou doido para, pela primeira vez, o mundo e as minhas mãos, estarem síncronas.
É que eu conto com isso. Eu que tremelico das mãos, estou doido para, pela primeira vez, o mundo e as minhas mãos, estarem síncronas.
Subscrever:
Mensagens (Atom)





