quinta-feira, março 05, 2009

Dúvida

António - Olha pai, a minha pilinha está a crescer. Do que é ?
Eu - eh ... hum ... bem ... é de felicidade António. Normalmente é de felicidade


Existem fundos poupança-acompanhamento-psiquiátrico para os filhos?

Magalhães I

Viva José
Olha rapaz, este post é para te agradecer o facto de teres enviado a Magalhães Maria lá para casa. Depois de três rapazes a vestirem coeiros, finalmente chegou a rapariga. Porque ninguém me convence que, com aquele baby grow em arco-íris que o embrulha, aquela criança não é uma menina.
Mesmo que por infortúnio e falta de discernimento meu, se trate de um rapaz, a Magalhães Maria, é com toda a certeza gay, e até nesse caso, fico à beira da felicidade suprema. Sempre sonhei levar uma filha ao altar para a entregar ao homem que a fará feliz, e a Magalhães Maria é a instanciação desse sonho. Hei-de entregá-la no mais de sorriso nos lábios e a certeza de missão cumprida, e mesmo tratando-se de um gay – intellsexual - o casamento entre pessoas do mesmo sexo mantém acesa a chama da minha felicidade.
Porreiro pá

Magalhães II

- Pai !!! Como é que se desliga esta porcaria ?
- Manel, não fales assim da tua irmã, senão o tio José vem cá e retira-nos a guarda.

segunda-feira, março 02, 2009

Shoping Cultura

O que eu mais gosto nas visitas aos museus, é a parte final quando se vai à loja comprar uma lembrança sobre a exposição. Aliás, se for possível ir à loja, poupando na xaropada da exposição, tanto melhor.
Não obstante, ontem lá fomos à exposição do Darwin, e no fim na loja do museu, comprei uma destas. Cheira-me que a evolução desta minha espécie, tem os dias contados.

Da hora de almoço


saiu-me esta frase:
É importante que no mundo haja quem use tempo para coisas aparentemente inúteis, e no entanto belas.
Veio a propósito do moto contínuo, mas serve(-me) para tantas poesias.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Ensaio

Agora o que quero é patinar, correr ao acaso na praia quase deserta, rebolar numa encosta, perder-me numa floresta, num livro ou numa canção. Agora quero é os instrumentos da orquestra na minha cabeça, a um compasso certo, no contratempo das tuas palmas. Agora quero o parapente sobre colinas, ou sobre o mar, ou na maré dos teus olhos, agora o estoiro do riso das crianças, e o gosto do teu abraço, e o mundo todo e por inteiro nele. Agora são as águas do meu março, agora quero a promessa de vida no teu coração. Agora quero os filmes mais lindos que houver, e um quadro onde me apeteça entrar e a aguarela infinita.
Agora quero a inatingível escrita, as formas da escultura de Moore e o jazz de Duke, agora quero escrever sem soar a publicidade ao azeite galo, ou à vodafone, agora quero os contornos de nuvens certas no céu.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Caixa Registadora

do Pingo Doce.
Eu - desculpe pode indicar-me em que corredor encontro os cubos Knorr ?
Srª da Caixa - é aqui. Tem que mos pedir a mim quando chegar a sua vez de pagar.
Eu - Aí, na caixa? Sabe de é que eu estou a falar ? Daqueles cubos que existem em vários sabores: carne, de peixe, de galinha.
Srª da Caixa - Precisamente. Tem que mos pedir a mim.
Eu - Caramba quem diria. Os cubos knorr. Que estranho.
Mulher atrás de mim - Sabe porque é ?
Eu - Porque as pessoas roubam.
Mulher atrás de mim - Porque vendem como se fosse haxixe.
Eu - Essa agora. Tiram-nos da prateleira para os clientes não os venderem como droga ? Mas eu agora posso comprar e a seguir ir vendê-los à mesma como se fosse haxixe. O que adianta tirá-los das prateleiras ?
Mulher atrás de mim - mas o senhor tem um ar respeitável
Eu - Essa é uma questão dúbia, mas a verdade é que muitos vendedores de droga têm um ar respeitável. Eu posso muito bem comprar os meus cubos knorr e a seguir ir vendê-los a adolescentes cheios de vontade de fumar umas ganzas.
Mulher atrás de mim - lá isso é verdade
Srª da Caixa - Valha-me Deus. Diga-me quer de que marca ? Pingo Doce ou Knorr ? Galinha, carne, peixe ou marisco ? 8, 16 ou 24 ?
Eu - Uma caixa de 16, galinha, marca Pingo Doce. Espere lá, esses cubos são fumáveis ? Levo 10 caixas de carne e 10 de galinha. Todas as caixas de 24.

Tem o seu quê de nonsense

quase sádico, mas hoje o dia acabou com uma sessão de patinadelas no parque de estacionamento do centro de Alcoitão.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Associação de ideias

Estava sentada numa mesa à minha frente, virada para mim. Trato gentil, pele cuidada, gestos delicados, quase sensuais, riso franco e sempre contido, contornos suaves. Num repente, pega no garfo, passa-o por baixo da gema do ovo estrelado, levanta a dita gema (já separada da clara) de uma só vez e .... zungas abocanha-a numa só dentada, fazendo-a explodir dentro da boca. Fiquei petrificado, ali a vadiar algures entre as zonas da surpresa e da admiração.
E confesso, que de forma despropositada, sem que nada tivesse a ver, comecei a congeminar uma possível relação entre a capacidade para comer em público a gema de um ovo estrelado de uma só vez e a qualidade do respectivo sexo oral. Bem sei que uma coisa nada tem a ver com outra, mas numa fracção quando vi a gema a desaparecer, cheguei mesmo a pensar ... esqueçam. Que estupidez, tanto mais que depois lembrei-me que já tinha visto outra pessoa a fazer aquilo com o ovo.

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

D-1

Sai um abandonador de cigarros ali para a direita. Será que existe um irritómetro ? Amanhã não estou para ninguém !!!

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

D-2

Agendei com a minha médica, o abandono de actividades tabágicas no próximo sábado. Preparem-se chavalóides marias, que além do carnaval, este fim de semana há distribuição do chapadão por coisa nenhuma.
Ai se o Benfica não ganha ...

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Oi Elis


Foi na FNAC que me fixei no CD em destaque. "Oi Elis" com o nome Elis quase escrito naquele formato. Canções que sempre ouvi cantadas por ela, uma ou outra numa outra voz, mas a referência sempre ela. Um disco de homenagem a Elis ? Um disco só com canções já cantadas pela Elis ? Que coisa tão frágil, tão cheia de pontos de falha, como é que alguém se sujeita a isto ?
Pus-me à escuta. Canções conhecidas numa sonoridade diferente. Sotaque luso e muito muito Jazz. Arriscou uma versão de "O que tinha de ser". Uma canção que sempre ouvi por Maria Bethânia e que cheguei a duvidar que a Elis pudesse superar. Elis, no fim da interpretação solta um suspiro de alívio. Alívio dela e meu, por ser genial.
Afinal que disco é este ? Quem é esta Susana Travassos ? Escuto-o na diagonal e depois em casa, com mais calma, vejo um ou outro vídeo no you-tube, visito a página oficial e o sítio do MySpace. O disco está longe de ser pretensioso, a voz é excelente, os arranjos magníficos. Esta mulher canta Elis pelo prazer de cantar Elis. Just for the Jazz.
Definitivamente, um disco que vou comprar, pelo gosto de ouvir noutros registos, canções a que me habituei tomar por património emocional. Pelo prazer de escutar, só pelo prazer de escutar. Just for the Jazz.

domingo, fevereiro 15, 2009

Darwin

O tamanho da fila alterou os planos e o passeio deixou de ser ao museu para ser pelos jardins do museu. Cheio de recantos, riachos, esconderijos e aventuras. E também muitos pares de namorados, hetero e homo pois claro, ainda a relembrarem as horas nas filas dos restaurantes da véspera.
Dei por mim a pensar que os pares homossexuais são muito maricas, nem de mãos dadas andam. Vê-se mesmo que estão cheios de vontade de andarem abraçados, ou de braço dado ou do que quer que seja, mas andam a uma distância parva uns dos outros. Que meninas. Não devem ser os mesmos que participam no desfile do orgulho.

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Sexta Treze

O azar desta sexta treze de fevereiro já está definido (ainda me arrependo desta frase quando chegar ao meu carro e não tiver pneus), e reside no facto de amanhã ser dia 14 de Fevereiro. Os centros comerciais parecem decorados como motéis para adolescentes. 'xa cá ver, facebook, livro-das-trombas. Cá está. Grupo de contestação a São Valentim. Aderir.
Já está. "Entupam os restaurantes com reservas para dois e reservem todas as mesas para dia 14." Boa!

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Que chato

Foi logo pela manhã que a ténue coceira dos dias anteriores lhe deu para se agravar.” Já postavas sobre isto”, pensei, enquanto procurava o ralador do queijo, que de repente se tinha transformado na única boa ideia capaz de me livrar de tamanha chatice. Maçada portanto.
Não. O melhor é estar sossegado e não escrever sobre o tema, e até se o conseguir esquecer, tanto melhor. Com sorte nenhum dos atentos e estimados leitores se lembra do incidente da depilação das virilhas e a coisa acaba por passar sem marcas. E o dia até estava a correr bem desse ponto de vista, coração que não vê … A coisa parecia, portanto, estar controlada, até que aquela que até jura por tudo o que lhe é sagradinho ter mais que fazer, me resolve evocar o tema no mural do livro-das-trombas (doravante referido por facebook ). Obrigadinho. E agora onde é que anda o ralador do queijo? Irra.

Summertime

Keith Jarrett
É incrível os sons que o homem faz enquanto toca piano, quase o genial e arrogante tenista no fundo do court. Gosto tanto de Jazz, sobretudo instrumental que não me ralo quando me apercebo da dimensão da minha ignorância.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Lapsus Linguae

O contexto é a eventual alta do meu sogro, que é razão para preocupação tendo em conta que o homem, além de não ter a mobilidade assegurada, não parece fazer muito sentido quando fala. A seu tempo se vai arranjar uma solução. Vamos falar com o médico e com a assistente social do serviço. Esse mesmo serviço de Santa Marta onde estive internado durante uns dias na 24. As auxiliares, as enfermeiras e o enfermeiro assim meio sabonete reconhecem-me e falam-me com algum entusiasmo (a médica dos olhos bonitos não me ligou pevide – cabra). De repente, quando estão a tratar de algum doente, recordo a forma como me falavam e que dava sempre azo a asneirada. Tratavam-me na segunda pessoa do plural e normalmente na interrogativa:
“Vamos então medir essa tensão ?”
“Vamos fazer umas análises ?”
“Já tomámos o comprimido ?”
Ora eu, raramente falho oportunidades destas e respondia mais ou menos da mesma forma. Vamos sim senhora, vamos ao mesmo tempo, um de cada vez? As senhoras primeiro !
Estas eram as raras alturas em que eu maldizia a minha sorte por não precisar de ajuda no banho, ou da arrastadeira ou mesmo de ajuda para me deslocar até ao cadeirão:
- Vamos ao nosso banhinho?
- Está na hora de fazermos o cócózinho.
- Então e se nos sentássemos um bocadinho no sofá?

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Desculpa ????

- Pai, sabias que o D tem guardado no telemóvel o telefone de uma prostituta.
(resposta focado no peixe que não estava a fritar como deve ser)
- Todos temos, meu amor, todos temos.
- Pai ???
- O quêêêêêêêêêêêêêêêê ??? Tem o quê ?
- O telefone de uma prostituta guardado no telemóvel.
- Não tem nada João, deve ser ele a armar-se em parvo.
- Tem sim pai. Copiou do jornal e guardou o número.
- Pronto, pronto ... agora deixa-me aqui tratar do peixe que se está a pegar todo na frigideira.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Coisas ao acaso

... sobre mim.

O desafio veio de uma mulher que se imagina no Dubai, rodeada de gatos com orelhas furadas e brincos, uma chávena de bom café na mão enquanto, alto e bom som, declama excelente poesia, em roupa interior.

Aqui estão meia dúzia de coisas ao acaso e totalmente desinteressantes sobre mim:
- durmo na fronteira da cama, virado de barriga para baixo num equilíbrio instável. Em alternativa, se decúbito dorsal, levanto um dos braços;
- a coisa mais antiga que me lembro é da ida do homem à lua e depois disso do primeiro dia de escola, que na realidade é (ainda é) um castelo num bairro de Lisboa;
- tenho manias sazonais que duram alguns anos. Os karts, o squash, o hóquei, e acho que ultimamente a aquariofilia parecem ser um exemplo disso. Não sei se gosto mais das actividades se dos acessórios todos que se relacionam com o exercício das mesmas;
- gosto muito de patinar, esta é daquelas actividades que resistiram a todas as outras e já patinei na pista de gelo do Rockfeller Center
- sou Benfiquista dos sete costados mas até aos cinco anos era do Sporting;
- gosto de praticar sofá, sestas, babar-me nas almofadas, adormecer a ver televisão. O bicho sofá exerce um poder hipnótico sobre mim
- os nós das gravatas tendem a sair-me mal, mas há pior. Gosto deles mais gordos do que aquilo que saem
- gosto de cozinhar, mesmo muito e acho que tenho jeito para inventar. Passo por algumas vergonhas: deixo queimar comida de quando em vez e já fiz umas ameijoas com um molho que parecia de bifes
- entusiasmo-me quando me pedem para contar coisas ao calhas sobre mim
O desafio fica obviamente para quem quiser aproveitá-lo, falem ao acaso sobre vocês, afinal o acaso é a origem de tanta coisa importante.

sábado, fevereiro 07, 2009

Exmo Sr

Director de qualquer coisa de Cardiologia de Santa Marta

Era a ver se a 16 ainda está vazia porque os miúdos puxam muito pela taquicardia, além de que já me atingiram umas 14 vezes no hematoma do catetericoiso que se espalhou num raio de alguns 20 centímetros e não há-de tardar muito até ter a pila algures entre o roxo e o verde. Tenho seguido as instruções da médica e colocado as ervilhas congeladas em cima da zona atingida, pelo que já sucedeu algumas vezes o congelamento do órgão, e tenho medo que nalgum movimento mais brusco acabe por se partir, o que seria uma maçada mas que por outro lado pode dar uma carta linda para aquela secção de dúvidas da revista Maria.

Neste contexto e uma vez que ainda não possuem ala de psiquiatria, solicito-lhe que considere a hipótese de readmissão na 16 de cardiologia.

Com os melhores cumprimentos

O paciente