quarta-feira, setembro 17, 2008

Serviço despertar

Não sei se foi alguma coisa que eu disse ontem à noite, talvez a promessa de irem ao café grande e aos peixinhos antes da escola. A bem da verdade ontem à noite, dei por mim a informá-los das prioridades matinais: tomar o pequeno almoço, vestir e lavar os dentes.
Esta informação, mais que sabida, mais que repetida, mais que relembrada, ontem causou-lhes um efeito estranho, sobretudo ao do meio. O tal loiro, sportinguista de caracóis, maufeitioslindos:
- Pai preciso que acertes o meu despertador e que ele toque às 7 da manhã.
- Mãe podes já preparar a minha roupa para amanhã ?
Estava demasiado entregue ao fim do dia para me deitar a advinhar a manhã seguinte e não me preocupei.
Estúpido.
Devia ter-me preocupado.
Hoje às 7 tudo o que podia tocar naquele quarto começou a tocar: 2 relógios, um rádio e o sirenes que foi acordado pelos irmãos.
Ainda eu estava a arrancar as ramelas dos cantos do olhos, já o bestial trio se encontrava na cozinha, meio vestido meio por calçar, a fazer voar pacotes de leite, cereais, cerelac, e a fazer novas experiências:
- Pai fui o primeiro cá de caja a primentar água de chocolate. Foi o Manel que inventou. Eu góto muito
Estupor do sirenes estava a beber suchard express com água.
Mal ou bem, a verdade, é que às sete e meia estavam prontos para ir até ao largo dos peixinhos já com saco com migalhas de panrico para os alimentar.
Hoje, pelo sim pelo não, deixo-lhes o pequeno almoço já adiantadinho. Só juntar leite. Ou água.

O Acelerador de Partículas

... parece já estar a funcionar, pelo menos na cabeça de alguns:
"JSD diz sim ao casamento entre pessoas do mesmo sexo", por outro lado parece estar ainda com alguns problemas. Na realidade, a notícia completa é "JSD diz sim ao casamento entre pessoas do mesmo sexo mas não à adopção".
Este tema está na fronteira da minha visão do mundo, e certamente já tive opinião contrária à que aqui expresso.
A adopção deve ser analisada do ponto de vista do interesse da criança, e nunca do interesse dos casais. A sexualidade de um casal determinar a sua exclusão em processos de adopção é, no meu parco entendimento do assunto, um luxo a que não se pode dar uma sociedade que deixa milhares de crianças crescer entre paredes de instituições sem poderem chamar pãe e mãe a ninguém durante toda a vida. Ou pai e pai. Ou mãe e mãe.
Atenção aos casais heterosexuais. As estatísticas demosntram que é no seio de famílias heterosexuais que são educados grande parte dos homosexuais.

domingo, setembro 14, 2008

PS

Ao gajo_armada_em_gaja_histérica do casal gay espanhol que acabou o seu passeio turístico logo a seguir a nós, e que na GoCar, não se calava com facto do mapa ser muito pequeno e não ter o nome das calles:
¿Por qué no te callas?

Surpresa

Já já alguns dias que se falava numa surpresa, que me estava reservada para Sábado à tarde. Nesta última semana, o assunto vinha à baila com uma insistência preocupante, acompanhado da necessidade de nos livrar-mos das crianças durante duas horas. Comecei a achar que o tema era a sério, a circunstância assim o pedia, e a menos do par de galhetas pelas ventas adentro, não estava a ver do que se poderia tratar.
No início da tarde, já de criançada devidamente distribuída por várias freguesias, lá sou quase arrastado para a supra citada surpresa. Rumamos em direcção à baixa, o que me permite afastar algumas das hipóteses formuladas: não ia fazer o baptismo de pára quedas onde por uma infeliz coincidência o dito não se iria abrir, e não ia estrear-me no Bungee Jumping de uma ponte qualquer a mais a maçada do elástico rebentar logo quando seria necessário que se mantivesse intacto. Postas estas hipóteses de lado, restava-me a vergonha de uma aula de danças de salão, uma sessão ainda mais embaraçante de massagens eróticas, ou um curso de marmoreados esponjados e dourados. Sou encaminhado para a rua dos douradores e num repente este último cenário ganha dimensões aterrorizantes. Suo das mãos e fumo dois cigarros em menos de três quarteirões. Finalmente chegamos quase ao fim da rua onde vejo dois locais candidatos à surpresa: uma porta tipo oficina e uma outra com um símbolo do tipo "ying yang".
"Estou tramado, vai-me pôr a levitar e vai transformar-me numa espécie de monge tibetano. O que é que lhe deu ?"
Afinal a surpresa era a porta tipo de oficina, e lá dentro um arsenal de veículos com ar de Espaço 1999. Amarelos, divertidos e apelativos. Além dos veículos, o que aquela porta guarda é uma ideia - GoCar. Uma ideia tão simples quão genial e divertida. Um veículo diferente, descapotável, de baixo consumo. Conduz-se como uma acelera, e tem um GPS que nos guia em tom de brincadeira por um ou mais percursos da cidade. Não explode quando nos baldamos à rota, tem passe para as zonas de trânsito condicionado do castelo e de Alfama, e num repente, transforma-nos no centro das atenções enquanto o guiamos cidade fora.
Não sei se dos capacetes, se do veiculo, se do GPS a gritar "Yupiiii" em cada descida alucinante, se do som de lambreta, mas em cada rua, em cada largo, somos apontados, fotografados e acenados. Rimo-nos e redescobrimos Lisboa em veículos do Espaço 1999. Uma hora e várias peripécias depois, regressamos à base. Hora de recolher os Marias. Por mim, tinha lá deixado o monovolume e vinha no bólide amarelo descapotável de três rodas, mas cheira-me que o transporte para o colégio podia alongar-se para lá do desejado.
Grande surpresa rainhas, e o meu banco nunca me ejectou a uma altura de 200 metros como cheguei a desconfiar que iria fazer. Da próxima vez levamos os Marias atados a uma corda para ajudarem nas subidas e para as marchas atrás.

quinta-feira, agosto 28, 2008

Estupidez

... ou o pânico de ser acusado de insuficiência testicular, vulgo falta de tomates.
As coisas estúpidas da afirmação pessoal. O que leva um homem a fazer algo que nem lhe apetece muito, só para não correr o risco de ser apelidado de menina.
Não sei que raio me passou pela cabeça, para o fazer num dia em que me revirava com dores musculares. Analgésico e relaxante muscular em cima, e vai disto
Que estupidez


sexta-feira, agosto 22, 2008

Dupla

Para a viagem e a semana que se advinha quase de férias, fui à FNAC e Simone e Zélia ...
Zélia é muito boa onda, Simone ao vivo transfigura-se e ganha outra dimensão.
Coitados dos marias, vão ficar fartinhos. Eh eh eh
A propósito, que concertos haverá na feira de São Mateus ?

Triatlo

A par da medalhada Vanessa, vou fazer o meu triatlo de verão. Este fim de semana, pego nos três Marias e levo-os até Tibaldinho. Verdade seja dita estas duas últimas semanas estive na paz de Lisboa, enquanto eles azucrinavam, vida e a cabeça materna. Calha-me a mim agora, que é para aprender.
Há tanto tempo que não vou até lá. O António nem conhece o lugar. Vamos divertir-nos e os avós vão ficar de rastos.
Quando era pequeno passava lá tantas férias. O atletismo, as jogatanas no campo da bola, brincar com um pau e um pneu de mota, ir aos pássaros com uma fisga, ou simplesmente ir de bicicleta até Tibalde de Baixo, conferiam-me sempre tempos bem passados. Com os primos e com os Geadas, fizemos concursos de galinhas voadoras, de subida aos pinheiros, e até ficámos uma tarde a chocar ovos na fé que os pintos nascessem. Não resultou, mas divertimo-nos sempre. Serão aqueles selvas capazes de se divertir como eu me divertia ? Quem dera sim ...

segunda-feira, agosto 18, 2008

Encontros de verão

Com o vendedor das bolas de berlim da praia
Nunca vou entender o fenómeno das bolas de berlim na praia. Parece que ganham outro sabor. Sabem bem que se fartam. Uma por dia parece-me justo. São eles que o avistam ao longe e fazem tamanho carnaval que o homem corre até nós, não vá qualquer brigada fiscal, do SEF, da ASAE ou de qualquer outra entidade dar pela transação. O azar daquele vendedor brasileiro foi o nome:
- Bom dia senhor
- Uma com creme e duas bolachas americanas se faz favor
- Como é que se chama?
- Oi?
- Ele está a perguntar o seu nome
- Ahhh. Eu me chamo Zé Carlos
- Pumba. Mesmo nas nádegas. Foi ou não foi Zé Carlos?
- Oi?
- PSh Cala-te
- De que eles estão rindo ?
- É um sketch com um personagem chamado zé carlos. O melhor é não ligar. Quanto lhe devo ?
- 4 euros senhor.
- PSh Cala-te
- Mesmo nas nágas. Mascala-te.
- Aqui tem.
- Muito obrigado senhor. Até amanhã.
- Foi ou não foi Zé Carlos ? Psh cala-te.
Curiosamente aquele vendedor nunca mais apareceu por aqueles lados.

Com um miúdo na piscina que foi ver os brinquedos do António
Perante o assédio, o Manel foi fazer guarda aos bonecos e o petiz olhava com um ar guloso para o homem aranha e para o super homem. O António começou logo a juntá-los certificando-se que não sobrava nenhum para brincadeiras com estranhos. O Manel tentou uma jogada mais diplomática:
- Querias brincar com os bonecos?
O miúdo encolhia os ombros por não entender as perguntas.
- Manel, o menino não percebe Português, deixa estar.
- És donde ?
O miúdo entendeu e respondeu:
- España
- Ai é ? Porque não te callas ?
- Manel, vamos ver se o João está no escorrega. Anda.
- Olá. Quiero um vaso de água, por favor. Porque não te callas?
- Maneeeeelll. Anda. Vamos embora.

sexta-feira, agosto 08, 2008

Fim...

... de férias.
Nesta altura já com sabor de fim de festa, tempo para ir a Altura visitar tios e primos, e tempo para ir a um outro Algarve, tão diferente na forma e nos sabores. Cacela a velha, a ria, petiscos na rua, ostras e conquilhas. É deste Algarve que tenho ganas, costas voltadas para aglomerados de cimento pintados a branco com uma muito típica chaminé espetada na tola. E como está caro este Algarve. Por este andar, cheira-me que, para o ano, praia de Algés e geladinhos de gelo que sabem muito bem.

PS. Hoje a dona da Leiraria faz anos. Parabéns Mãe.

terça-feira, agosto 05, 2008

Cócó

Não gosto particularmente de gaivotas. São um bocado porcas, comem lixo, e conseguem voar e evacuar ao mesmo tempo. As gajas são maquiavélicas, nenhum humano consegue voar e evacuar ao mesmo tempo, sobretudo porque o peso das sanitas não ajuda. Mas em compensação conseguimos efectuar actividades muito mais intelectuais.

quarta-feira, julho 30, 2008

Apontamentos

... de férias
1. Os mais velhos sobreviveram à semana de colónia de férias. Vinham com mais anticorpos e envoltos numa nuvem de pó e numa camada de sujidade própria destas coisas. Há um personagem do Charlie Brown que anda sempre com um nuvem de sujidade e mosquitos à volta. Num repente associei-os ao personagem.
2. "O André parece cada vez mais descapotável" ouvi hoje a um habitué aqui das férias. Pois claro que estou. Cortei o cabelo tão rente que até as sobrancelhas estão mais crescidas que o cabelo. É inacreditável conseguir ter as sobrancelhas mais despenteadas que o cabelo, mas é verdade. Estão a precisar de cuidados específicos, ou ainda me chamam de desgrenhado à conta delas.

domingo, julho 27, 2008

Soltas

Samba meu não é o meu disco de eleição, saltei-lhe o concerto. Pela primeira vez, à melhor de três, dou-lhe o espaço de a ver com todas as calmas em DVD no primeiro album, ou no segundo.



quinta-feira, julho 24, 2008

Clandestino


És o MAIOR Manel. Genial teres escondido o TMN Imaginarium na altura da entrega dos telemóveis à chegada ao campo de con... digo... à colónia de férias. Boa conseguires ligar aos pais, Às escondidas, para amainar as (nossas) saudades. Agora atreve-te a seres apanhado, levas com uma toalha molhada que magoa e não deixa marcas. Eh eh eh

quarta-feira, julho 23, 2008

Senhores Monitores e Monitoras

da colónia de férias da catequese, onde deixei os meus filhos mais velhos durante uma semana:
Serve a presente para vos informar de uma série de questões que me parecem importantes esclarecer:
Apesar de eles terem nascido quase há 10 e há 7 anos respectivamente, eles na realidade são muito pequenos e precisam dos mimos do pai, como do ar que respiram. E não coloco o pai com p maiúsculo para não me confundirem com o Pai sobejamente referenciado nas aulas de catequese. Por falar em pai e em Pai, não percebo porque é que lhes retiraram os telemóveis. Apesar de serem bebés, são muito precoces e já sabem atender telemóveis e precisam dos aparelhos para falar ao pai. Isto de regrar a comunicação com o pai é inadmissível. Também estão limitados nas conversas com o Pai? Aposto que não. E porque é que os meninos estão sem telemóveis? Porque não precisam de telemóvel para falar com Ele. Aposto que se o Pai fosse pioneiro da Optimus ou coisa que O valha, os meninos tinham obrigatoriamente que usar telemóvel e que Lhe mandar dezenas de sms’s e mms’s dia. Mas não, o Senhor embirrou que não havia de ter cartão SIM, nem PIN nem PUK e vai daí desata a falar e a ouvir toda a gente ao mesmo tempo, sem que a ANACON possa sequer opinar sobre o tema. Acho injusto e pouco equilibrado. Os meus príncipes precisam muito de mimos do pai (eu !!!) e de brincadeiras palermas, e de beijos antes de adormecerem, e de mimos do pai, e de histórias. Não se esqueçam de os adormecer com histórias. Eles gostam da história do crocodilo do jardim, do menino que queria andar de balão, da menina do trenó com (a)buzinadelas, dos leões que fogem do circo, da rã saltitona muito chata, do elefante distraído, enfim qualquer uma serve desde que tenham uma parte em que uma senhora manda um chapadão ao filho para ele não ser mentiroso. Exemplo para os senhores monitores e senhoras monitoras perceberem: “Os leões fugiram do circo e foram à procura do caminho para a selva. Na cidade escondiam-se atrás dos carros para não serem descobertos. Estava uma senhora com o seu filho a comer um gelado, e o menino viu os sete leões a passar e gritou – Mãe olha sete leões atrás daquele carro. E a mãe PUMBA pregou-lhe um chapadão – Toma que é para não seres mentiroso”. Eles só ouvem as histórias para se rirem muito nesta parte.). Portanto se lhes contarem histórias bíblicas, não se esqueçam sempre da parte do chapadão. É muito importante. E na bíblia até parece ser fácil:
- Ó mãe aquele barbudo multiplicou os papos secos
E a mãe PUMBA. – Toma que é para não seres mentiroso.
Além de histórias, precisam de mimos do pai, e de panquecas de manhã, ou croissants com fiambre. O loiro gosta de torradas com doce de morango mas não pode comê-las ao pé do bochechas porque o bochechas enjoa com o cheiro do doce, dos morangos, dos rebuçados, das pastilhas e da pasta de dentes de criança.
Ficam então estas recomendações e fico à espera de tratamento e atenção dada a todos os pais e Pais. Não sei se referi que eles precisam muito do mimo do pai, e de falar ao telemóvel. Devolvam-lhes os telemóveis se faz favor.
Obrigados.

segunda-feira, julho 21, 2008

Oceanário


Sábado. Mãe feirante no jardim da Parada. O jardim da Maria da Fonte e o paraíso do Manel Maria que em menos de uma hora, vendeu os seus colares e delirou com os lucros aparentemente fáceis. O que o preocupa agora, é a agenda das próximas feiras. A feira prolongou-se pela tarde, levei-os ao fresco do Oceanário. Estava bom para visitas preguiças nas zonas mais frescas. No final da visita, um pequeno auditório mostrava a vida dos oceanos. Correram para a primeira fila e brigaram para se instalar nos melhores lugares. O António sentou-se e disse: "Então agora, quem é que vai buscar as pipocas?".

sexta-feira, julho 18, 2008

Quente e frio

Por vezes, no meu local de trabalho, é isto que existe lá fora. Gosto de sentir o rio por perto, cheira a Lisboa. Cheira à mais moça das Lisboas. Cá dentro no fresco do ar condicionado, vejo nas pessoas, o calor que aperta lá fora. Depois se lhes leio as feições, nas que por aqui andam ao fresco, e nas que por lá andam no sufoco do calor. Sisos e risos. Parece que as pessoas aqui andam com um ar condicionado.

segunda-feira, julho 14, 2008

Éter

Ouvi-a à conversa na rádio sobre a Substância da Vida. Noventa e cinco ponto sete. Gosto de a ouvir falar sobre estes espaços, sobre palavras, sobre imagens, amores e ódios escancarados. Diz coisas bonitas de forma despretensiosa. Ó Laurinda linda linda, é mesmo por isso, vale a pena porque nos coloca uma caneta nas mãos, e o pensamento no que nos rodeia.

"(...)
Como tampouco sabia
que a casa que ele fazia
sendo a sua liberdade
era a sua escravidão
(...)"

O operário em construção
Vinicius de Moraes

domingo, julho 06, 2008

Está tudo ao contrário

(Ou o sol alentejano transforma o cérebro dos homens)

De que falariam(os) cinco homens após uma sardinhada, no meio do Alentejo:
- basicamente tem três funções: pesar, misturar e aquecer
- Mas também tritura ? Tem pás diferentes para misturar e triturar ?
- Não. São as mesmas, regulas as velocidade das pás em função do que precisas. Por exemplo, para a massa de piza, pões as pás a rodarem no sentido inverso para as lâminas não cortarem a massa.
- A lá de casa só roda num sentido.
- Mas tu tens um medelo mais velho que o cagar de cócoras. Este modelo roda nos dois sentidos.
- Mas não leva a piza ao forno?
- Não, forno é forno e isso ela não faz. Mas tem um acessório para cozinhar em vapor lá em cima. Pode fazer sopa no rés do chão e peixe no primeiro andar.
- E que aspecto tem ?
- Parece um copo misturador, mas com um ar mais arraçado.

Digam-me se isto é conversa de gajos ? Expliquem-me que eu não consigo. Um grupo de homens, de copo numa mão, cigarro na outra, à conversa sobre uma máquina de cozinha. E nenhum deles é capaz de dizer algo mais adequado ao contexto:
- Então e faz broches ? É que se não faz, prefiro manter a cozinheira.

quarta-feira, julho 02, 2008

Alguém me arranja um buraco onde eu me possa enfiar ?

Hoje na aula de música do António Maria com os pais a assistirem:

Colega do António, aponta para mim e desata aos berros:
- És careca, és careca, és careca
Eu, ainda meio extasiado com os problemas de visão da petiz, suficientemente baixo para ela não ouvir, suficientemente alto para as pessoas ao meu lado ouvirem:
- Vê lá, vê lá miúda, ainda te sujeitas a levar com a máquina fotográfica nos cornos
O senhor ao meu lado, dirigindo-se para ela:
- Ó filha isso não se chama ao Pai do António
Eu a imaginar a minha próxima deixa:
- Cornos no bom sentido. Como os touros, cheios de raça e de bravura. Eu pelo sim pelo não levava-a ao oftalmologista, a menina não deve andar a ver bem.

quinta-feira, junho 26, 2008

A Raínha...

... lá de casa faz anos hoje. A coisa genericamente agrada-me porque até final de Agosto temos a mesma idade e não há cá espaço para a piada absurda de "eu sou muito mais nova que tu". Neste caso em particular, e desde Agosto último, que a piada agudizou-se com a tónica na diferença na década "eu ainda tenho trintas e tu, lamento informar-te, já tens quarenta".
Mas como diz o povo, "Deus escreve directo, por trás das portas", eis que, quando acordo, se me deparo com uma mulher de quarenta anos na minha cama. Parece em tudo igualinha à tal dos trintas com quem me deitei, mas a bem a bem, é uma mulher de quarenta. Já avisámos os Marias que a canção oficial de verão é a Ternura dos Quarenta do Paco Bandeira e que, agora que os pais são, em conjunto, octogenários, eles vão ter que se dotar de uma imensa paciência e ser muito, mas muito bem comportados.
Baldas generalizadas a empregos e escolas, programas de família e verão sem horários e eis-nos regressados, cansados, sorridentes e ligeiramente dourados, a casa. Um regresso a umas horas mais ou menos tardias, que, já se sabe, a idade não ajuda. Parabéns Rainha.

Nota do Autor: Desde já aviso os leitores deste blog que, depois da festa de finalistas do João Maria, que acabou com duas dezenas de miudos de 10 anos a chorar por sairem da escola, a lamechice está esgotada e banida por estes lados até 2012.

terça-feira, junho 17, 2008

Holanda

No jogo Holanda - Itália, perguntava-me eu o que raio quer dizer van em Holandês:
- é que estes laranjas chaman-se todos van. Van der Sar, van Nistelrooy, van der Vaart, van Basten, van Bronckhorst.
- não tarda muito entra o Van essa, pai.

Tiveste alguma graça Manel.

segunda-feira, junho 16, 2008

Precisava de um destrava posts entalados

... e veio com este fim de semana.
Fui de comboio. O fuso horário entre Lisboa e Oeiras desfasou os feriados municipais, pelo que na sexta feira, ao fim da tarde, apanhei o comboio para me juntar a eles.
O tempo de uma viagem de comboio é sempre tempo ganho. Tempo de leituras, de músicas, ou só de olhar para a paisagem, ou só de olhar-me. Sem pressas, sem atrasos, somente à tabela. Gosto de observar os edifícios ao longo das paralelas linhas. Armazéns em ruínas, casas simples, casas senhoriais, ou pequenas casinhas para o guarda da passagem de nível. Janelas de vidros partidos ou janelas emolduradas em era bem cuidada. Pouca terra pouca terra que não tenho pressas.
Lembro-me da linha da beira alta, as viagens para Tibaldinho naquelas carruagens com compartimentos de meias dúzias. Fazia-me confusão metade do comboio ir para um lado e a outra metade para o outro. Donde vinha a certeza da carruagem certa ? Saíamos em Mangualde e depois ía-mos de táxi até Tibaldinho. Prefácio dumas férias sempre saboreadas.
Cheguei a Coimbra-B quase um par de horas depois da partida. Ouvi com atenção o último álbum da Maria Rita, ainda o não tinha feito. Não me entusiasma. Uma ou outra como excepção de uma regra que me irrita. Ajudei a mulher que tinha um braço estranho a carregar a mala para fora do comboio e olhei em volta. Lá estavam elas à minha espera. Demos umas voltas a mais numas rotundas de Coimbra que insistiam em levar-nos ao o centro da cidade, e por fim, a estrada pretendida.
A casa atrás do portão verde era imensa e um relvado gigantesco e uma simpatia ainda maior. Isto soa ao "review" dum turismo de habitação - " a senhora do turismo de habitação era muito simpática, solícita e conhecedora dos encantos da região ". Nada disso. A verdade é que nunca tinha convivido mais do que uma horas com a Catarina, e gostava dela por partilharmos a mesma mulher. Pouco mais do que isso. A verdade é que a Ana não se enganou. A Catarina é tendencialmente um gajo porreiro.
Fim de semana tal qual ela contou ali. Risadas, conversas, criançada por todos os lados, ping pong, piscina e matraquilhos. Príncipes e princesas felizes. Brincar aos cruzamentos e aos remates. Faço um centro ao segundo poste e eles voam todos para o golo. Falhamos todos, rimo-nos e insultamo-nos. "Nabo". "Palhaço". "Que zarolho, vê-se mesmo que és do Sporting". Cigarros, café, cerveja, petiscos, vinhos, comidas e risos. Ténias, polícias, ladrões, etiquetas, alarmes, pinceladas e quadros. Aquele barco ficou-me na retina. Se um dia comprar um barco, há-de ser um daqueles. E risos e cumplicidades e guincharia com os selvagens. Ainda a porcaria da alergia que se arrasta e que mantêm a Rainha de nariz e olhos vermelhos, mas de boas ondas. Muitas, tantas crianças para algumas mães, todas galinhas, e depois a própria, a genuína e verdadeira. Veio de pai, de princesas, de barrigas, de doces regionais e mais conversas a velocidades estonteantes. Parece que se aproxima uma primeira comunhão que envolve uma coreografia de ballet clássico e três dias de festa como os casamentos ciganos. Se assim não for, algo de parecido será. Que a força esteja contigo no próximo fim de semana (e a Singer também).
Soube tão bem e a pouco, que deixo pontas soltas. Os troncos de videira, e se calhar um pulinho à Mealhada, à conta dos porcos-bonsai.

QUAL FOI A PARTE DO "GOSTEI DE ESTAR LÁ E DE TI E DE TI E DE TI E SIM QUERO VOLTAR" QUE NÂO PERCEBERAM?

quinta-feira, maio 15, 2008

Asneirada

Bem sei que levaste com os ferros no sobrolho, quando o médico te tirava da barriga da mãe, mas isso não pode servir de desculpa para tudo. Arrancar parede da escola? Mas que raio de ideia. O que é que querias que eu dissesse à directora?
“Sabe lá. Aquilo lá em casa é um fartote de rir. Fazemos concursos a ver quem arranca o maior bocado da parede. O Manel estava a treinar, é natural. Mas fique descansada, não volta a acontecer. É que estamos a começar com um concurso de repuxos com as torneiras do lavatório.”
Ou então Manel, sempre posso usar a lógica Socrática:
“Eu peço imensa desculpa, mas a verdade é que ninguém lá casa sabia que era proibido arrancar bocados de parede da escola. Olhe, ele aproveita este mal entendido para deixar este vício de arrancar bocados de parede.”
Portanto Manel, como acredito que nenhum destes discursos tenha sucesso, a bem a bem, o melhor é tratares de arranjar tinta e pincel e pores mãos à obra. E não se trata só do bocado que arrancaste. É a parede toda para não se notar.

sexta-feira, maio 09, 2008

Festival da Canção

dos tempos em que era um evento para ver em família, a preto e branco no ecrã, a cores nas emoções e no entusiasmo.
No festival de 78, esta mulher veio cá pela última vez e cantou durante quase uma hora. Caramba, o que me impressionou a raça e a força e a manha. Ainda hoje...
Cartomante
Sinal Fechado e Transversal do Tempo
Deus lhe pague

quinta-feira, maio 08, 2008

Sr Ladrão

Espero que se encontre de boa saúde, e que os euros obtidos na venda do auto rádio do meu carro lhe tenham proporcionado algum conforto. Escrevo-lhe novamente porque pode dar-se o caso do senhor se encontrar nas imediações do Tagus Park e de eventualmente me poder ajudar aqui num problemazinho que me anda a apoquentar. É que, como sabe, o bólide que assaltou não tem fecho centralizado e vai daí as portas só fecham quando se põe o pinchavelho para baixo.
Acontece que hoje pela manhã, chegado ao emprego, cometi a proeza de fechar a porta com a chave lá lentro e agora não consigo chegar ao interior da viatura.
Tendo o senhor demonstrado tamanha destreza na abertura da porta do condutor naquele episódio do auto rádio, solicito-lhe que dê um saltinho até aqui para poder ajudar-me. Mais informo que auto rádios é o que não falta nas redondezas, e dos bons, pelo que a sua viagem nunca seria em vão.
Obrigadinho e desculpe o incómodo.

terça-feira, maio 06, 2008

Festejos

É mais que sabido que a criançada gosta de celebrações. Lá em casa, o dia da Mãe é celebrado efusivamente com um moche à mãe e com prendas clonadas provenientes da escola. Este ano, foram uns blocos A76 com um lápis do ikea colados com muito amor a uma tábua de madeira decorada com muito amor e embrulhados com muito amor, e ainda com uma dedicatória e um poema. Tudo com muito amor.
Para adiantar serviço, a carne guisada do jantar já estava pronta de véspera, só precisava de um bocadinho mais de fogão para ficar tenrinha porque nós já não vamos para novos, e os marias não têm uma relação fácil com a carne rija.
Saímos de casa para almoçarada com as mães na casa da matriarca paterna, não sem antes, entregar os mais velhos no Banco Alimentar para o turno das 11 às 13. Não sei bem porquê, mas tenho uma certa embirração pelo Banco Alimentar. É muito cócó. Uma espécie de solidariedade fashion, solidariedade Gucci. Não gostei assim tanto de ver os fedelhos de queixo colado às caixas do supermercado na esperança de um saco de bens alimentares não perecíveis e de marca branca. Por muito pouco, mesmo por muito pouco, não me vi, eu próprio, a fazer o turno das 19 às 23.
Finda a solidariedade, super almoço do dia da Mãe a entrar tarde fora como convém nestas ocasiões.
Eis que num repente, para lá das 4 da tarde, veio-me à memória uma ponta solta:
"Apagaste o lume da carne ?"
"Sim, fui lá e vi que o tacho não estava no lume onde o tinhas posto. Não precisei apagar porque já o tinhas tirado do lume"
"Eu mudei para um bico do fogão mais pequeno, para não se pegar. Não o tirei do lume."
"Estou Lurdes ? Desculpe lá estar a incomodar, mas pode-me dizer se cheira a queimado na escada, é que o André não tem a certeza se deixou a carne ao lume e ,... COMO??? CHEIRA MUITO A QUEIMADO?????? "
Já saí muitas vezes à pressa de vários locais, mas garanto que desta vez caíram recordes.
Lembro-me mal da viagem até casa a menos de algumas frases soltas:
"Liga os quatro piscas e buzina pai, como quando eu parti a cabeça"
"Vai mais devagar, pior que a casa incendiada é ficarmos todos entrevadinhos e sem carro"
"Ai o meu porta moedas está no quarto dos brinquedos mesmo ao lado da cozinha. Estou tramado."
"... e os meus xapatos e os chinelos novos ... e ... e ...e ... o ómaranha"
"Pode ser que os meus trabalhos de casa já estejam todos queimadinhos. Dava jeito."
Larguei o carro à porta de casa, subi as escadas de 16 em 16 degraus e o cheiro, que no rés do chão era de apurado cozinhado, no segundo andar já era de churrascada de algo que não é suposto churrascar, estilo churrasco de pastéis de bacalhau.
Chave na porta e senhor nos acuda. Pelo nevoeiro parecia Londres, pelo cheiro parecia uma incineradora de pneus. Voei até à cozinha, e com toda a certeza, graças à ajuda que os Marias deram no Banco Alimentar, Deus protegeu-nos do incêndio, e os danos limitaram-se à carne, ao tacho e ao cheiro absorvido por tudo o que é roupa lá de casa.
O fim de tarde tranquilo a que nos propunhamos, acabou por ser farto em afazeres estranhos que envolveram velas acesas, vapores de água e canela, edredons e roupa a arejar na varanda. Ainda bem que o Benfica recuperou o segundo lugar, senão diria que se titnha tratado de um fim de tarde infernal. Ainda pensámos ir pedinchar uma janta ao Banco Alimentar, mas eu optei por fazer um frango assado no forno. Bem sei que a casa fica a cheirar, mas perdido por cem perdido por mil. Pior não haveria de ficar.
Acabei por não fazer o meu turno no BA, ficará para uma próxima oportunidade. Quem é que iria entregar um saco de bens alimentares não perecíveis, a uma pessoa que cheira a churrasco de pastéis de bacalhau ?

quarta-feira, abril 30, 2008

Sr Ladrão

É certo que aquela rua está mesmo a pedi-las. Deserta, quase sombria, com um ou outro sem abrigo quase ao relento, não fora a o prédio que se debruça sobre o passeio e lhes proporciona algo que se assemelha a um tecto. É certo também que o poderoso bólide de fabrico sul coreano não é um icone de protecção anti roubo, e que o rádio estava ali mesmo a acenar a quem o quisesse levar. É ainda certo que nutro alguma simpatia pelo seu modus operandi: sem quebra de vidros, sem fechaduras estragadas, o painel cuidadosamente desmontado para não causar grandes estragos. Felicito-o por isso e acho que mereceu o rádio que levou, tanto mais que a parte da frente, que era suposto eu levar sempre comigo, estava lá encaixada porque eu acredito nos robins dos bosques e nos zés dos telhados. Não sei se o rádio necessita do código, depois de desligado da bateria, mas se se der o caso de ser leitor deste blog, o código é 3872. Afinal é foleiro gamar-me o rádio e não conseguir dar-lhe algum uso. Merece o rádio sim senhor, fique lá com ele. Se quiser o manual e a garantia, deixe-me aqui uma mensagem que combinamos um dia e eu deixo a porta aberta e a documentação no porta luvas. Agradeço-lhe ainda não ter levado os patins da mala, porque são meus e comercialmente não têm qualquer valor. Talvez para investigação científica, por causa dos cogumelos que têm no fundo da bota, resultado da transpiração e da falta de ar renovado no seu interior.
Com tantos factores que me agradaram na sua actuação, senhor Ladrão, permita que lhe diga que o senhor foi um grande filho, enfim um grande palhaço, que não tinha nada que me levar os discos do Caetano Veloso e do Jorge Palma e ainda estou para ver se me levou o concerto em Colónia do Keith Jarrett. É que se for esse o caso, então terei que tomar medidas mais drásticas como dizer-lhe que o sr Ladrão é, na realidade, um palhaço da pior espécie, com todo o respeito que tenho pela nobre profissão abraçada por Alberto João.
Agradeço portanto que quando for buscar a documentação do rádio, tenha o cuidado de lá deixar os CD's que teve o descaramento de roubar. Palhaço.
Obrigados.

quinta-feira, abril 17, 2008

Caro Manel

Serve o presente para o informar, que na casa em que coabitamos, não são toleradas práticas de bruxaria ou de magia negra. Estão desta forma banidas as folhas de papel A5 cheias de autocolantes de jogadores vestidos às risquinhas verdes e brancas e com escritos de incentivo à equipa que dessa cor traja. A prática de esfregar essas folhas no ecrã da televisão será duramente punida, podendo o delinquente incorrer em castigos que podem ir do chapadão ao pagamento de multas de centenas de euros.

quarta-feira, abril 09, 2008

Miragem

Se algum líder do PSD consultar a página da metereologia, vai ter uma agradável surpresa. Tudo laranja de uma ponta a outra, parece a capa do expresso depois da segunda maioria avbsoluta de Cavaco o Silva.
Trata-se apenas da côr utilizada para sinalizar a existência de ventos fortes, e não ventos de mudança como seria da vontade do Meneses. A bem da verdade se o mapa representasse a agitação causada pelo líder laranja, nem uma brisa apareceria.
O PSD sofre do mesmo mal que o Benfica, historicamente é um adversário de respeito, mas não passa disso. Tem uma direcção miserável, um treinador condenado à saída e um plantel fraquinho...muito fraquinho.

segunda-feira, abril 07, 2008

Atmosferas


Gostei daquele apartamento. Sóbrio recto e muito boa onda. Atmosferas. Paredes meias com o Elevador da Glória, a vistas com a glória elevada do castelo, traseiras escancaradas para uma pensão de poucas estrelas, quase familiar e de águas correntes. Perto do Maxim's e do Hotclub (parabéns ao Hot que fez anos aqui há uns dias).
Gostei de encontrar as pessoas, do cartaz do MOMA's emoldurado, e do Hugo Pratt de alguns álbuns de BD (dos tempos em que BD queria dizer banda desenhada e não base de dados). O Expresso de Sábado perto da cedeira de design, e dentro do Expresso um gadget que me chamou a atenção. Uma janela_varanda desenhada e patenteada pela Hofman Dujardin Architects. Grande ideia, já reconhecida com um reddot design award (que desconhecia existir).
Cá em Portugal, a coisa faria mais sucesso, se se tratasse de uma Janela_Marquise_de_Alumínio, porque o conceito de varanda cheira sempre a espaço mesmo a pedir para ser transformado em marquise, e portanto, a bem a bem, o que eu gostava de saber, era da possibilidade de alterarem o projecto para o mercado português. Não querendo pedir demais, se fosse possível a marquise vir já alcatifada, porque as marquises são muito frias e uma alcatifa fica sempre bem. Parece-me.

Patinhas II

Ontem o Manel Maria pediu-me para lhe trocar as modas que tinha por uma nota de 5 euros. A conversa do dinheiro preocupa-me, mas o dia não lhe estava a correr bem. Estatelou-se a andar de bicicleta e esfolou a bochecha esquerda (“Com a cara tão encarnada, amanhã na escola vão pensar que estou apaixonado.”). Perguntei-lhe onde tinha arranjado as moedas. 2,5 € da semanada e 2,5 da aposta com o João.
- Como????
- Apostei em como lhe ganhava no pro evolution soccer. E ganhei.
A juntar às regras já existentes, estão desde então proibidos os jogos de azar, as apostas e qualquer actividade que envolva penalizações ou compensações financeiras. É melhor estender esta regra à escola também. Não deve ser preciso muito, para o loiro de caracóis e de bochecha esfolada, inaugurar na escola uma sala de jogo clandestino, com roleta, mesas de jogo, jogo do bicho, e banca de apostas.
Loiro, vamos lá a ver se nos entendemos. Isto de arranjar dinheiro é tradicional e (quase) exclusivamente da competência parental.
Tenho a sensação que se um dia descobres que se pode vender tralha na feira da ladra, acabas por limpar o já parco recheio lá de casa.

sexta-feira, abril 04, 2008

Andorra III

E vai um



E vão dois



E vão três



O sirenes está num monte de neve provocado pela avalanche que a guincharia provocou.

quinta-feira, abril 03, 2008

$$$$

O Manel é o tio Patinhas lá de casa. Só a ordem cronológica me convence que o personagem não foi inspirado nele.
Os dias de semanada são aguardados com contagem decrescente e quando o descaramento está solto, quase sempre, pede dinheiro a quem quer que seja. Há tempos, a recusa da avó, veio acompanhada de explicação:
"A avó não pode dar-te mais uma nota porque já deu na passada semana e o dinheiro tem que chegar para comprar tudo o que é preciso até ao fim do mês. É preciso ter muito cuidado e atenção quando se trata de gastar dinheiro."
"E é assim a vida toda ?"
"É sim Manel."
"O que é que hei-de fazer para ganhar dinheiro ? Estou tramado."
Em Andorra, depois de uns meses de poupanças, gastou as economias numa Nintendo DS prateada, colocando a zeros o saldo da sua carteira. A bem da verdade sobraram-lhe 2 euros mas ele não parece ter uma relação feliz com as moedas.
A ausência de fundo de maneio tem vindo a preocupá-lo e ontem a olhar desolado para o imenso vazio do porta moedas, comunicou-nos:
"- Vou ter que ir pedir dinheiro à saída da missa. Não estou a ver outra saída"
Se ele descobre que pode arrumar carros, ou baby siting, é capaz de nos dar uns dias difíceis.

quarta-feira, abril 02, 2008

Andorra II - Carajillo


A descida para Grau Roig, como quem vem de Soldeu, começa sempre com uma queda. Quem sai das cadeiras, depara-se com o início de uma pista preta mesmo à frente do nariz, e quanto mais não seja, apanha um susto e cai. O João Maria chamou-lhe preta avermelhada antes de a fazer, e retirou-lhe o avermelhada quando, depois de a fazer, se gaba do feito. Descendo o início da preta e virando logo à direita pelo caminho do lago, encontra-se passados dois quilómetros uma cabana onde se bebe, entre outras coisas, um Carajillo. Metade café metade brandy (ou outra bebida com alcool).
Parece que a expressão carajillo, vem de coragem. "Vamos a coger corajillo", daí a carajillo. Pelo menos, para a abordagem às pistas mais difíceis, parece ter funcionado.

segunda-feira, março 31, 2008

Andorra I

Bela ideia esta de, passados 4 anos de abstinência, regressar aos Pirinéus. Melhor ainda, se para chegar a Andorra, uma paragem em Madrid, nos proporciona a exposição de Picasso.
Tenho em mim que o velho do pincel, nuns repentes oftalmológicos passou a usar óculos bifocais, o que explica a fase cubista, seguida de uma adaptação muito conturbada às lentes graduadas, por alturas da Guernica.
Genial, portanto, a exposição, ainda que os selvas se tenham separado tornando difícil o controlo parental. O mais novo, recentemente apelidado de Sirenes (diminutivo Siras), era de localização imediata graças à guincharia com que insistiu em nos presentear durante a semana. Já o Lunetas e Loiro faziam comentários pouco adequados à obra do pintor e insistiam em perguntar porque é que ele tinha cortado a própria orelha (desconheço quem foi o animal que, de propósito, lhes misturou a história dos pintores – eh eh eh eh).
Rumamos por fim a Andorra, longe demais, na minha modesta opinião. Tenho cá para mim que o Afonso Henriques foi burro na escolha do rectângulo Luso. Ou foi burro ou nada percebia de Ski e Snowboard.
Bem que podia ter começado por Guimarães e ia para a nordeste até França, ou então começava pelos Algarves e ia para Leste até pelo menos Granada. Em qualquer um dos casos, estávamos safos da Serra da Estrela que envergonha qualquer praticante de desportos de inverno, e ficávamos com umas estâncias de inverno decentes. Axandrem-se os amantes do queijo da serra que em Andorra ou em Serra Nevada haveria espaço para cabras e ovelhas a perder de vista. A segunda opção (Algarve Granada) ainda traz a vantagem de o Futebol Clube do Porto não estar no nosso campeonato, e levar umas tareias do Real e do Barcelona.
Este formato que o Afonso escolheu, além de triste, coloca o nosso esqui, ao nível da participação na Eurovisão – segundos a contar do fim logo a seguir a Malta.
Por falar no Henriques, regressado ao nosso querido Portugal, reparo que anda tudo empertigaitado porque uma aluna bateu numa professora à conta de um telemóvel. Mas seria de esperar outra coisa? O nosso primeiro Rei andava ao estalo à mãe, e ficamos boquiabertos porque uma miúda disputa energicamente a posse do telemóvel com a professora ? E a padeira de Aljubarrota ? Andou a afiambrar nos espanhóis que nem uma doida, e nem uma voz se levantou a condenar a sua incapacidade para o diálogo. Estátuas existem do Afonso e da Padeira, no entanto querem levar a moça do telemóvel ao tribunal de menores ? Estão todos parvos ?

quarta-feira, março 19, 2008

Triplicado

Vai que cada vez que é dia do Pai, pela manhã, depois do moche ao Pai, recebo requintadas peças de artesanato escolar, preparadas nos dias que o antecedem com muito carinho, amor e dedicação.
Tenho cá para mim que a imaginação de um professor primário é tão fértil quanto a do Major Valentim em tempos de campanha. Se este último opta por electrodomésticos, os primeiros disponibilizam uma panóplia infindável de brindes: t-shirts, suportes para canetas, canecas, aventais, molduras, suspensórios, pisa papéis e até bases para os quentes.
Tratando-se de uma oferta de filho para pai, descubro-me claramente agradado com o esforço e empenho dos petizes e de suas educadoras. A bem, a bem, só mudava uma coisa. Cada classe faria a sua própria lembrança ao invés de a repetirem em todas as idades. É que se três t-shirts nao soa mal, já três canecas é mais difícil de enquadrar, e três porta chaves ainda pior. Se a primeira é para o carro e a segunda para as chaves de casa, à terceira estará destinado um protagonismo duvidoso, como as chaves da arrecadacao. Esta relaçao de ordem entre as prendas do dia do pai, causa obviamente focos de reebeliao entre ois marias, e a bem da verdade é o que menos me faz falta. Para facilitar as vida dos professores da escola dos marias deixo algumas sugestoes para futuros dias do pai:
uma PS3 pintada a aguarela pelos meninos;
uma bicicleta todo o terreno com a fotografia deles no quadro;
um plasma de cinquenta e tal polegadas com um plástico à frente a dizer "és o melhor pai do mundo"
Fica entao a sugestao e o desafio para me dizerem o destino a dar aos tres porta chaves e aos três aventais do ano passado e às três canecas de há dois anos.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Às vezes

pareço esquecer-me o quanto gosto do disco "Por este rio acima" do Fausto, que o acho um dos melhores discos de música portuguesa. E quando um acaso, me leva por este rio acima, é como um sonho acordado ...

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Ziguezaguear

É na rotina que me surpreendem. A rua comprida de vivendas de um lado e do outro, quase quase a chegar à escola, curvas suaves e alegrias. As poças de água a pedirem uma onda com as rodas do carro, e a gritaria lá atrás: “para a esquerda, para a direita” e lá vou eu ziguezagueando o carro para euforia dos ocupantes lá de trás. Agora o mais pequeno desenvolveu o gosto pela buzina e também ordena buzinadelas entre cada ziguezague: “Buzina pai, buzina”. Se um dia for multado às oito e meia por andar aos esses, a buzinar, e a fazer ondas nas poças da rua, será certamente uma multa bem merecida, mas por causas muito saboreadas.
Hoje, além das poças estarem particularmente apetitosas, capazes de ondas mais altas que o carro, a conversa assumiu contornos difíceis de explicar:
Maria1 – Eu quando era pequeno achava que os bebés apareciam do nada
Maria2 – Não sabias que vinham do sexo ?
(aqui ia tendo um desastre)
Maria1 – Não. Achava que vinham do nada. Agora já sei que vêm do sexo, não é pai ?
Eu – Pouco barulho que eu quero ouvir as notícias.
Maria1 – É do sexo sim.
Maria2 – É por causa disso que eu vou viver sozinho.
Maria1 – Eu não. Que eu quero ter filhos, e depois, se fores viver sozinho não tens ninguém para brincar. Acabas por te chatear e ficar triste.
Maria2 – Não chateio nada.
Eu – Já chegámos meninos, vamos para a escola.
Mais do que o teor da conversa, preocupou-me o silêncio atento e cognitivo do Maria3.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Semana que passou

Eventualmente, um acto de preguiça, não escrevi na semana passada.

Não escrevi que levei o Manel Maria ao futebol. Eu, Benfiquista dos sete costados, levei-o ao Sporting Porto. Isto do amor incondicional aos filhos, leva um homem a contrariar as suas crenças estruturantes, o seu ADN, a sua cadeia de valores. Bem sei que se tratava de uma oportunidade para camarote VIP, o que trazia alguma novidade à forma de ir ao futebol, mas sem hesitações, peguei no mais novo Sportinguista lá de casa e cumpri a promessa feita já há algum tempo. Camarote connosco, buffet, varanda no estádio e a festa do loiro dos caracóis. Contagiante pois claro, ao ponto de festejar os golos como se fossem do Rui Costa e do Nuno Gomes. Euforia de seis anos a delirar com o ambiente. "É a minha camisola que dá muita sorte pai." Foi de certeza a camisola Nhó, porque sorte foi o que não faltou naquela noite.

Uma semana vivida a mil, turbilhões e burburinhos. E de repente, é o sol que me surpreende, anda a pôr-se perto das seis, garantia da luz estonteante por entre as nuvens e o mar. Parecem trivelas do Quaresma, a magia dos fins de tarde.

Falar em Sol, falar em Sporting, há um leão lá por casa. Uma grande juba laranja e uma cauda, que na rua vai sempre na mão para não se sujar. Uma vez mascararam-me com um fato de gato que tinha uma grande cauda, da qual eu tinha pavor e da qual fugia de uma ponta à outra da casa. No fim de cada fuga olhava para trás e lá estava a cauda agarrada ao fato, razão suficiente para nova correria e berreiro. Já com três anos o meu QI era em tudo semelhante ao de um poste telefónico. Além do Leão, há um Luke Skywalker e um Darth Vader, sabres de luz para todos, até para o Leão. Na sexta feira foram assim mascarados para o colégio, devidamente acompanhados de serpentinas e papelinhos. Se alguma vez me passasse pela cabeça ser professor primário, a existência desta sexta feira resolvia eventuais dúvidas. Não faz parte do meu feitio encontrar papelinhos na roupa e no cabelo durante toda a Quaresma. No cabelo ? Qual cabelo ?

Tenho estado na cozinha às voltas com os tachos. Gosto e tendo a sujar roupa a menos que me coloquem um avental. Nunca sou eu a fazê-lo, não me lembro nunca de ir buscar o avental. Só depois de asneirar é que me lembro da sua utilidade. Nos últimos dias, a novidade é verde, influência garantida do Sporting. Tenho feito saladas, com queijo parmesão, cogumelos e nozes. Ficam boas se temperadas com vinagre balsâmico, quase que nem se dá pelas folhas verdes da alface e da rúcula.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Sou

Sou a favor do sabor do vento, sou a favor das ruas desertas, sou a favor de céus apinhados de estrelas, sou a favor dos risos das crianças e dos mimos, sou a favor das canções ouvidas, e das que ainda não ouvi, sou a favor das asneiradas e disparates, sou a favor dos sonhos, sou a favor das máquinas do tempo, sou a favor do cinema, sou a favor das mãos baralhadas, sou a favor dos risadas, sou a favor do mar, sou a favor dos patins e da neve, sou a favor das coisas saboreadas, sou a favor das noites acordadas, sou a favor do futebol à chuva, e dos golos marcados com a mão, sou a favor das brincadeiras nas poças de água, e dos raspanetes, sou a favor dos abraços, sou a favor das margens do rio, sou a favor do riso e do choro, sou viajante na própria imaginação, passageiro sem bilhete.

terça-feira, janeiro 22, 2008

Que eu não pago

- Eu não pago porque está constantemente a cair lixo no meu quintal, águas sujas, beatas e no outro dia até um preservativo lá foi parar.
- Todos temos as nossas dores, de certeza que cada um de nós, usando a lógica "sinto-me prejudicado então não pago", iria encontrar uma centena de razões para não pagar. A verdade é que além dos problemas de cada um, existem problemas comuns, que só são solúveis se todos cumprirmos as nossas obrigações.
- Pois, mas eu já fui informar-me e não pago, porque está sempre a cair lixo no meu quintal e água suja e até um preservativo já lá foi parar.
(uma hora e meia depois)
- Então posto isto, a A. vai cumprir as suas obrigações junto do condomínio ?
- Eu não pago porque está constantemente a cair lixo no meu quintal, águas sujas, beatas e no outro dia até um preservativo lá foi parar.
- Pronto eu confesso. O preservativo fui eu. A Ana entrou pela casa sem que eu estivesse à espera e só me deu tempo para esconder a miúda no armário e deitar o preservativo janela fora. Peço imensa desculpa, não volta a acontecer.

É que às vezes falta-me assim um bocadinho a pachorra para as mãos na cintura e a canasta à cabeça.

Corolário:
Hoje o pai vai levar para casa uns balões muito giros que se enchem de água e se podem atirar para o quintal da vizinha de baixo.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

AVISO

João Maria: Se eu descubro, sonho, ouço falar ou desconfio que voltaste a olhar para este blog, barro-te o acesso à internet. Gajas nuas, vá que não vá, agora este blog. Nem pensar.

Bom Domingo

Foi se calhar o sol o primeiro a dizer que aquele Domingo se faria gente. Que importa. Vamos todos para os patins e (quase) todos patinar. O Manel e o António em estreia, o João já meu cúmplice. O Domingo estava decididamente de estação trocada. Foi se calhar o mar que se fez fabuloso. Que importa. Aproveitamos-lhe a proximidade para o almoço. Às tantas os amigos, o passeio na vila bonita. Patins outra vez, e o Manel cada vez mais afoito apesar da evidente tendência do rabo se encontrar com o chão. Às tantas as queijadas da vila bonita.
As saudades que eu tinha de patinar. E de um Domingo decidido à medida que apetece. E do mar.

domingo, janeiro 13, 2008

Parabéns

Ao 13º dia do mês de Janeiro, a Caixa de Costura tem o prazer e a imensa alegria de anunciar o nascimento do priméiro bébé de 2008 numa sala de partos de um hospital nacional.
Após 12 dias de recém nascidos que encheram as páginas dos jornais, por terem nascido em Badajoz, em ambulâncias, em serviços de urgência, em salas de espera, e em casa, hoje (face à ausência de notícias desta natureza) nasceu, com toda a certeza, um bébé numa sala de parto.
Aos pais e ao recém nascido, os meus mais sinceros parabéns. O bébé que não se preocupe por não ter sido notícia, já se sabe que não se pode ter sempre sorte (excepção feita para o João Soares que sobreviveu a um desastre de avião e ainda assim vai dando que falar aqui e ali), e portanto pode ser que seja notícia por frequentar uma escola que seja fechada.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Música

Tocou-lhe ao de leve, com a gentileza da fricção da crina do arco sobre as cordas, e na gentileza das cordas se fez música. E o coração a bater desconcertante, na euforia dos dedos sobre as teclas, na intensa inquietude dos martelos a percutir as cordas.
E sempre o som de melodias, cheias e imensas nas partituras, infinitas notas encruzilhadas entre espaços e linhas. Ténues as linhas de fronteira que sugerem o mar à terra, que propõem o sonho à realidade, que entregam as palavras à melodia. Reinventam-se então canções bonitas, letras e sons enredados, mãos cúmplices de dedos entrelaçados, confundem-se os instrumentos e soam assim magníficos. Como violinos e pianos.

terça-feira, janeiro 08, 2008

Trailler





Nova aventura da mulher elástica dos incríveis, pelo António Maria.

Nos braços do sofá da sala, a mulher elástica bate-se heroicamente contra o maior dos dinossauros do cesto dos brinquedos. O dinossauro ameaça:
- Vou-te comer.
A ameaça não parece intimidar a heroína da história
- Olha que eu tenho umas mamas.
Com um golpe da mulher elástica, o dinossauro salta de uma altura de um braço de um sofá e cai inanimado no soalho, com um enorme estrondo.

Mamas elásticas. Aposto que ainda ninguém tinha pensado nisto.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Actualizações

na coluna da direita.

Um egómetro, para me darem muitas estrelas de votação, e acrescentei a Mad, que anda lá fora a lutar pela vida.

Que alívio

... senti quando soube desta notícia: "O PSD concorda com o cancelamento do Lisboa Dakar". Ainda bem, que eu estava muito preocupado com a opinião do PSD sobre o cancelamento. Já agora, gostava de saber quais são os partidos que concordam ou não com:
- O oceano Atlântico
- O oceano Pacífico (o oceano propriamente dito e o programa de rádio)
- A baía de Cascais (a canção dos delfins e a baía)
- O desaparecimento da Maddie
- O Natal em Dezembro
- A inexistência de Forcados Amadores no concelho de Mangualde
- A chave do Euromilhões

Obrigados

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Mãe Natal

Guerra Junqueiro acima, com os três Marias soltos a pular entre carrinhos do Noddy, cavalos e eléctricos, daqueles que, com uma moeda de um euro, abanam durante dois minutos ao som de uma música infantil. Até que de repente a uns cinquenta metros lá estava a mãe Natal a distribuir qualquer coisa que não me apercebo.
Lá vão os três aos guinchos a chamar pela mãe Natal e uma vez junto dela dão-lhe abracinhos, fazem-lhe uma festa, perguntam pelo Pai Natal, querem explicações sobre o conteúdo das cartas que não foi atendido.
À medida que me aproximo da festa, noto que a mãe Natal tem um vestido estranhamente curto, um decote generoso, e aparentemente mais curvas que o próximo troço da CRIL. Algo mais me chama atenção, apesar dos miúdos lhe estarem a pedir um exemplar dos panfletos que ela generosamente distribui, ela insiste em vedar-lhes o acesso à publicidade. Grande cabra, já me está a irritar. Aproximo-me e digo-lhe:
- Bom dia Mãe Natal, não me diga que estes selvas não têm direito às lembrancinhas que está a distribuir.
A mãe Natal, com pouco mais de vinte anos se é que os tem, olha para mim, esboça um sorriso amarelado e diz num português atabalhoado com sotaque de Leste:
- Toma o senhor.
Estende-me um panfleto. Olho-o incrédulo. É de um clube de strip que promove a noite de fim de ano com um show erótico.
- Bom Ano então. MENINOS, deixem lá a Mãe Natal em paz, ela está muito cansada e já deve estar farta de meninos.
- Pois teve a ajudar o Pai Natal com as prendas. Pois foi pai?
Pois foi filho, pois foi.

segunda-feira, dezembro 31, 2007

Nada melhor

... que os últimos dias do ano para fechar casos mal resolvidos.
A mesa da televisão estava desde 2006 assente em cima de revistas. A televisão é pesada, o IKEA não é famoso pela qualidade das madeiras. Conclusão: as rodas da mesa tinham afundado dentro da tábua de algo que parece ser pouco mais que cartão prensado folheado a faia.
Eu, que tenho tanta queda para a bricolage, como para o macramé, resolvi pôr mãos à obra e tratei de voltar a colocar a mesa em cima de rodas. Ainda pendurei uma prateleira que insistia em inclinar qual torre de Pizza. Na onda da bricolage, a Ana pintou um quadrado da parede do escritório dos Marias com uma tinta magnética. A ideia é pendurar na parede mariquices com uns imans sem precisar de quadro. Os pincéis foram lavados no lava loiças.
De volta para a minha zona de conforto, fui fazer o almoço. A bolonhesa estava com o molho demasiado espesso, pelo que aquele copo que estava no lava-loiças, era o recipiente ideal para despejar água no cozinhado. Parece-me ter visto alguma tinta magnética entrar para dentro do tacho. Não tenho a certeza. Se alguém encontrar uma família inteira agarrada ao frigorífico pelo estômago ou pelos intestinos, a explicação está dada.
Para terminar, algo que nunca falei. Por vergonha. Tem a ver com esta faceta de conseguir estar meia hora a babar-me em frente a um recepiente cheio de água e de algas. Fica aqui a imagem do aquário que montei este ano



Bom ano para todos.

quarta-feira, dezembro 26, 2007

70 anos

Como é costume acontecer por esta altura, o meu pai fez anos, é uma mania que ele tem desde criança esta história de fazer anos mesmo coladinho ao Natal. Acontece que desta vez, por se tratar de um daqueles números redondos, múltiplos de dez, teve direito a uma imensa festa de amigos e famílias. Reencontrar pessoas que já não se vê há tantos anos, primos que mal nos lembramos, histórias das nossas vidas. Também teve direito a discursos, de sobrinhos, filhos e netos e como sempre, quando se discursa, falta-nos a serenidade e o tempo que nos oferece a escrita, e quando discursei falei sobre um rascunho de um post que haveria de colocar aqui:

Gosto Tanto de Cinema
Gosto do cinema pronto a consumir, como gosto dos outros cinemas, de outros lados, de outros autores, de outros sotaques de outras cores e luzes.
O meu pai tem responsabilidade nisto. Acho que foi no cinema Europa, ali mesmo ao lado de casa, no intervalo do filme. “André tenta perceber o que nos mostra o filme para lá do que o filme nos mostra.”
Aquilo soou-me a conversa da treta. “Lá vem este gajo com merdas estranhas. O que é que ele quer dizer com isto ? O que é isto de ver para lá do filme ?”
Ao longo dos anos, e de quando em vez, a frase vinha-me à cabeça enquanto assistia a um filme e casava com o que eu pensava enquanto via o filme. Para lá do filme.
Um dia levou-me a ver as filmagens de anúncios. Um anúncio de Sugus no Portugal dos pequeninos. Dois dias de 40 graus a filmar miúdos armados em gente grande, com a banda a passar. Sempre a mesma música, “SUGUS de fruta tanto sabor”. O que eu porém cantarolava durante esses dias, era sempre Chico. Para mim, aquele anúncio merecia a Banda do Chico:

“A moça triste que vivia calada sorriu
A rosa triste que vivia fechada se abriu
E a meninada toda se assanhou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor”

Acabei por trabalhar durante alguns verões numa produtora de filmes publicitários. Definitivamente eu gostava daquilo. Dos reflectores, dos carris, das claquetes, das luzes, da fita, das pessoas, das girafas, das gruas, dos mini brut, das pancadas das pessoas. Aqueles gajos dos 35 mm têm muitas pancas, mas têm muita piada. São chatos, minuciosos, geniais, divertidos, mal criados, cuidadosos e sobretudo loucos. Quase todos sem excepção, cultivam uma saudável dose de loucura. Se assim não é, era assim que os via dos meus treze anos.

Para além do cinema, do Chico, do Jazz, foi sobretudo ver o filme para lá do filme que o meu pai me ensinou. Tentar chegar além do óbvio. Acho que foi isso que ele quis dizer. Parabéns Manecas.

domingo, dezembro 16, 2007

Monstros e Companhia

Abro a cortina do banho e o mais novo está mesmo ali especado. Reparo que não me olha para a cara, antes para a pila. Ainda pensei perguntar-lhe para onde é que estava a olhar, mas mantive-me calado, na vã esperança que desse meia volta e fosse à sua vida.
- O pai também tem pila.
- Pois é. E o João e o Manel também. Cá em casa só a mãe é que não tem pilinha.
- É grande
(Mau mau, isto vai acabar mal. O miudo tem três anos acabadinhos de fazer, além das cá de casa, não há-de ter visto muito mais pilas, é normal que a ache grande.)
- Parece um monstro
(O quêêêêêêêêêêê ???? Um monstro ???? Mas o quê ??? E o que é que a mãe está ali a rir-se que nem uma perdida? Que estupidez. Este miúdo deve ter uma deficiência cognitiva qualquer)
A conversa ficou por ali mesmo, saí a correr da casa de banho.
Depois de uma investigaçãozinha descobri que ele só conhece meia dúzia de monstros. Afinal a qual deles é que ele se estaria a referir ?

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Fora de tempo

Não era de se deter frente ao espelho para lhe observar os sinais. Perdeu facilmente conta às rugas, aos cabelos brancos, e às manchas na pele. Nunca foi seu propósito, sempre o viu como um companheiro. É que a boa companhia deixa sempre marcas. Mais do que as marcas, era a perca ocasional de mais um gesto que incomodava. Ainda há dias foi a abotoar os cordões dos sapatos, teve que se sentar para o fazer. Riu-se como se lhe desculpasse o dano “O preço da sabedoria. Só com o passar tempo se consegue o saber, e o passar do tempo leva tanto tempo a passar. “
A cumplicidade conquistada ao sentido dos ponteiros do relógio assegurava-lhe a imensa serenidade. Tomava-lhe o gosto a cada volta de cada um dos ponteiros, e em cada volta, o tempo das coisas a que se entregava a gosto. Como num trapézio sem rede balouçava nos afectos, no amor, nas coisas simples, e em cada triplo salto mortal agarrava com firmeza, o balanço da próxima barra, sabendo-a com a exactidão dos impossíveis. Tic Tac Tic Tac. Era sempre assim que se entregava ao tempo, em voos de tempos certos, nas certezas de páginas bem vividas. Como os trapezistas, via lá em baixo na pista, os malabaristas a contas com as laranjas no ar, de ritmos alucinantes, dos tempos perdidos, de tempos em falta, de tempos desperdiçados e inexistentes. Sorriu ao vê-los desbaratando contra o tempo. “Contra o tempo não se luta, é sempre a favor. É o que nos permite voar no trapézio, é o que nos confere os super poderes”. Quase garanto que ainda lhe dava o privilégio de um sorriso feliz de criança num rosto amadurecido.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Literatura

José Veiga vai lançar um livro com o título "Como tornar o Benfica Campeão".
A CaixadeCostura está em condições de avançar que este livro faz parte de uma colecção de duas dezenas de títulos, de onde se destacam os seguintes:
"Como tornar José Castelo Branco num Zézé Camarinha"
"Como tornar um político num engenheiro" (aqui o maricas cortou-se nos nomes)
"Como tornar a OTA num aeroporto"
"Como tornar a TVI numa estação de televisão de qualidade"
"Como tornar uma profissional da vida nocturna numa escritora de sucesso" (com prefácio de um presidente de um clube do norte)
"Como tornar a Madeira num país independente" (Co-autoria de João ALberto)
"Como tornar um corrupto num Presidente de Câmara" (antes de sair já esgotaram as 3 primeiras edições)

Aguardamos anciosos o lançamento destes títulos.

sexta-feira, novembro 30, 2007

Gosto

da forma pões a franja em cima do arranhão para o esconder de todos, e que a coles à testa com cuspo,
de descer contigo sentados no corrimão da escada,
de te ver contrariar as partidas dos teus irmãos, dos pontapés na bola, e dos festejos de todos os golos, gosto quando apoias a tua inexistente equipa Benficaaaasportinnnnn”
quando agradeces “Obrigadodenada”,
de te ver a transportar dezenas de bonecos e carrinhos no cós da camisola para que os outros Marias não te assaltem,
dos mergulhos que dás, e dos assaltos que fazes às goluseimas,
de te ver adormecer numa das camas dos mais velhos enquanto te contam histórias, de ver dançar as músicas que gostas e de te ouvir cantar o “feitiço” no salão do hotel das férias acompanhado pelo pianista piroso,
quando reclamas o jantar assim que sais do banho, e de te ver comer chamuças,
que comas as migalhas do chão da cozinha, e que esfregues os dvd’s e os jogos da playstation no soalho da sala e ainda do requinte de colocares a parte gravada virada para baixo,
que mordas os cães do avô, e que varras as peças do tabuleiro de xadrez,
dos teu beijos e dos mimos, da maneira como te destapas à noite e de dormires com um braço para cima como eu,
de te ver despejar a comida dos peixes no aquário
da te ouvir pedir desculpa e de te fazer cócegas
de te perseguir no corredor para conseguir por soro fisiológico nas narinas ranhosas
de te balouçar embrulhado no toalhão de banho
quando imitas tudo o que o Manel faz
de te ver crescer, mas devagar
de te ver quase queimar a franja quando sopras as velas, como fizeste na segunda feira
tanto de ti meu amor. Parabéns.

A linha editorial

deste blog foi alterada. Até nem gosto de pressões no sentido de a alterar, mas o desconforto do post para o António andava a criar um certo ruído aqui perto da zona da consciência. Emendo a mão, mas sem criar hábitos de o fazer a pedido.

quarta-feira, novembro 28, 2007

O que te deu agora António?

... que andas a fazer xixi pelas pernas abaixo às duas e três vezes por dia.
Tenho cá para mim, que andas a ver televisão em demasia, o National Geographic sobretudo. Percebo que os teus irmãos te roubam todas as prendas que tens recebido e que sintas necessidade de afirmar alguns direitos de usufruto sobre as mesmas. Se, como desconfio que seja, estás a tentar marcar território como fazem algumas espécies selvagens que tanto aprecias, não o estás a fazer da forma correcta. O soalho lá de casa não é um bom local para o fazer, já que é de fácil acesso para a esfregona, que acaba por anular o efeito da tua marcação. Da próxima vez que quiseres marcar território com alguma eficácia, faz o seguinte. Arruma todos os teus pertences dentro dos cestos de brinquedo. Usa os de verga e não os de plástico, sempre são mais difíceis de lavar e a verga absorve a urina. Pões os carrinhos, as peças de lego, os peluches, as cartas de jogar, os bonecos de wrestling e as canetas todas lá para dentro. Aproveita para colocar também algumas coisas, que não sendo tuas, gostarias que fossem. As consolas dos manos, a PSP do pai e os sapatos da mãe com os quais tanto gostas de brincar. Depois baixas as calças de pijama e fazes o teu xixizinho lá para dentro. Assegura-te que regas todo o teu espólio abundantemente. Aposto que daqui a um ano ainda todos nos lembramos que aqueles são os teus pertences.

Título acidental: Novidades, novidades só o Incontinente.

quinta-feira, novembro 22, 2007

Antecipação

Segundo o estudo da Nemertes Research, a capacidade da internet pode esgotar em 2010. Detalhes aqui.
Os responsáveis pelo estudo frisam que não há risco de a Internet deixar de funcionar, apenas pode vir a sofrer quebras ou lentidão nos acessos. Conhecida por ser pioneira na área das tecnologias de informação, a Netcabo, resolveu antecipar o futuro em quase três anos.

A culpa não é nossa. É deles


Não é a primeira vez que a conversa surge como pano de fundo das horas de almoço. A culpa foi minha, quando relatei com indignação um comentário xenófobo sobre os ciganos. Atropelaram-me com histórias de ciganos. Nas bombas de gasolina, nos centros de saúde, nos cafés, nos hospitais, nas lojas, nos acampamentos, nas filas de espera, nas escolas e na rua. Ranhosos, violentos, desrespeitadores, malcriados, porcos e ameaçadores. Aparentemente, o único lugar em que se comportam de forma quase aceitável, é atrás duma banca numa feira. A ideia que fica é que a ciganagem anda para aí a fazer-se de vítima e nada faz para trilhar o caminho da sã e pacata convivência.
As histórias batem certo com o que conheço, a discriminação também, tendemos a perder os brandos costumes quando se trata da raça cigana, o argumento que se segue é qualquer coisa do estilo “Neste caso mais vale estar de brandos costumes ou ainda levamos uma facada”.
Começo a achar que se trata de um daqueles casos de saber quem nasceu primeiro. Se o ovo se a galinha. Verifico que se trata de uns ovos e de umas galinhas com alguns séculos de existência:

Reinado de D. João III
1526 (Alvará de 3 de Março) «que não entrem ciganos no reino e saiam os que nele estiverem»

1538 (Lei XXIV) «sejem presos e publicamente açoutados, com baraço e pregão» «[à 2ª vez] outra vez açoitada publicamente... e perderá todo o móvel que tiver»

1557 (Lei de 17 de Agosto) Acrescenta a pena das galés

Reinado de D. Sebastião
1573 (Alvará de 14 de Março) Novo prazo de 30 dias para que saiam; senão, açoites às mulheres, galés aos homens; declara caducas as licenças de permanência anteriormente concedidas

1574 (Despacho sobre requerimento) Comutação de 5 anos nas galés por cinco anos no Brasil (a pedido do próprio)

Reinado de D. Henrique
1579 (Alvará de 11 de Abril) Concede novas licenças aos que «vivem bem e que trabalham e não são prejudiciais»; os nómadas, que «saiam do Reino dentro de trinta dias» ou «açoitado publicamente e degredado para sempre para as galés»

Reinado de D. Filipe I
1592 (Lei de 28 de Agosto) Dentro de 4 meses, se andassem em ranchos ou quadrilhas: executar com pena de morte, «sem apelação nem agravo»

A história continua até aos dias de hoje. Podia até ser algo como “Que sejam presos, impedidos de frequentar locais públicos que não feiras, ou em alternativa que se tornem jogadores do Futebol Clube do Porto”

As histórias ilustram uma difícil convivência. Mas caramba, já aprendi a conviver com tantas coisas que colidem com a minha cadeia de valores. Prefiro sempre o princípio da Presunção de Inocência. Não gosto de preconceitos, embora conviva pacificamente com quem os tem.

segunda-feira, novembro 19, 2007

Pirilampos


Hoje é que foi um fartote. Não há nada que chegue a um dia de chuva depois de umas semanas de seca. O povo diz e é verdade, não há fome que não dê em fartura.
Isto é que foi dar uso aos coletinhos. Ali há semanas pendurados nas costas dos bancos do condutor e do pendura, prestes a perder a fluorescência. Já tão murchinhos, coitadinhos dos coletes. Aposto que alguns até estavam no porta luvas, ou esquecidos na bagageira, sujeitos a ganhar fungos, os coitadinhos. Eis que uns aguaceiros mais persistentes os fazem desabrochar. Raros os cruzamentos em que não apareceram dois ou três coletinhos florescentes, envergadinhos pelos seus donos, a darem luz como os pirilampos. A A5 parecia a via láctea, até brilhava em amarelo fluorescente.
Só há uma coisa que me deixa confuso. Aqui há uns anos, quando os automobilistas tinham um acidente, falavam entre eles. É certo que não brilhavam no escuro, mas falavam uns com os outros, para tratarem da declaração amigável, ou para se insultarem ou mesmo para chegarem a vias de facto. Atitudes sensatas e de estreita comunhão de um problema a resolver em conjunto. Hoje em dia, estão vestidos com os coletes brilhantes, mas falam ao telemóvel, e raramente passam cartão aos restantes acidentados. Será que estão a falar uns com os outros ?

Obrigatório

Se o teu filho do meio se dirige ao mais novo usando uma expressão típica do teu chefe, é obrigatório parar, e aproveitar a pausa para redesenhar as fronteiras entre a vida profissional e a vida familiar.
"A vida é dura meu caro !" Ninguém com dois anos lida bem com esta argumentação. Mesmo aos quarenta ...

quinta-feira, novembro 15, 2007

Deixo vinte paus na mesa vou apanhar boleia

Sempre gostei que se falasse das gentes da rádio como viajantes do éter. Ou simples assíduos frequentadores do éter. Gosto do conceito. Do que se propaga no nada. O que se propaga no inexistente.

“Éter é o nome da substância que os físicos acreditavam existir em todo o universo, mas sem massa, volume e indetectável, por não criar atrito. Os físicos do séc. XIX sabiam que a luz tinha natureza ondulatória, e imaginavam que deveria precisar de um meio para se propagar. Daí o Éter. Sabe-se hoje que essa substância não existe.”

Gosto de rádio. Ligo-o logo que acordo. Hoje trouxe-me, nos tropeções do trânsito e do tempo, a Esplanada do Trovante. 1984. Levei a minha namorada ao concerto no velho Coliseu. A Clara. O pai dela não achou grande graça ao programa, contámos com a mãe como aliada. O homem lá permitiu tamanho desvario. “Porreiro pá”. Até foi.

“Da esplanada em vão me projecto para lá de onde me sinto ...”

segunda-feira, novembro 12, 2007

Estratégia


O João Maria recebeu um tabuleiro de Xadrez de um dos amigos. Amigo, o tanas. Estupor do fedelho, aposto que não é ele que vai jogar com o lunetas bochechudo.
Não sei definir os meus conhecimentos em xadrez. Talvez com um exemplo. Da última vez que joguei, estava a fazer cheque ao rei há quatro jogadas, e nem eu nem a minha adversária demos por isso. Também caramba, um homem não pode ser bom em tudo. Eu sou muito bom na cozinha, sofrível na cama e péssimo a jogar xadrez. (por razões óbvias, qualquer comentário a este post será imediatamente eliminado, sobretudo se for escrito por alguém que não tendo provado os meus cozinhados, já jogou xadrez comigo)
Não sei o que me preocupa mais. Se ter que jogar xadrez, se correr o risco do João descobrir que afinal, não sou um super herói. Este é um daqueles mitos, que eu pretendo manter até ele estar um bocadinho mais maduro. Aí pelos quarenta e cinco ou cinquenta. E este tabuleiro não vem nada a calhar.
Por mim o António vai confundir um peão com a chucha e num repente deixa de ser possível jogar. Mas como o Pai é um super herói, vamos buscar o cabo da vassoura, cortamos 24 rodelas com a faca eléctrica da cozinha, usamos os guaches para pintar 12 de branco e doze de preto e o pai vai inventar um jogo muito giro que se joga no mesmo tabuleiro.
Até já tenho um nome para o jogo. Gajas. Hummm. Gajas não que é feio. Vamos chamar-lhe Damas. Hem, quem é que tem boas ideias ? É o super pai.

sexta-feira, novembro 09, 2007

Mas onde raio ...

de sítio, é que ele largou a porcaria da Nintendo.

Desde Segunda Feira que deu pela falta da consola, que não tenho descanso. E com o feitiosinho que ele tem, muito estranho que ainda não tenha se tenha barricado na varanda, feito os irmãos reféns e exigir a consola de volta.

Já procurei em quase todo o lado, já encontrei uma série de coisas que achava que tinha perdido, mas que nesta altura já não me servem para nada, até o congelador já foi revistado, não fosse o caso do Super Mário estar com vontade de passar umas férias na neve. Nada. O estupor da maquineta teima em desaparecer. Também, da maneira como ele a trata não admira. Eu se fosse a consola dele, também dava à sola na primeira oportunidade.

O fim de semana está aí, e eu temo que, a manter-se esta situação, possamos ter alguns dissabores familiares. É que o rapaz enerva-se muito, e o atarax já está no fim do frasco. Resolvi apelar à ajuda divina e pesquisei orações para objectos perdidos. Mais uma vez é o desgraçado do António (o Santo pois então) a dar uma mãozinha (se ele descobre que o irmão do proprietário da consola se chama António, e que o proprietário o trata da maneira que trata, bem que podemos orar que a Nintendo nunca mais dá sinal de vida. António, não se deu o caso de deitares a consola do mano Manel para o lixo, não?)

Descobri então esta oração:

Oração a Santo António, para achar objectos perdidos

Eu vos saúdo, glorioso Santo António,
fiel protector dos que em vós esperam.
Já que recebestes de Deus o poder especial
de fazer achar os objectos perdidos,
socorrei-me neste momento,
a fim de que, mediante vosso auxílio,
eu encontre o objecto que procuro...

Alcançai-me, sobretudo, uma fé viva,
uma esperança firme, uma caridade ardente
e uma docilidade sempre pronta aos desejos de Deus.
Que eu não me detenha apenas nas coisas deste mundo.
Saiba valorizá-las e utilizá-las
como algo que nos foi emprestado
e lute sobretudo por aquelas coisas
que ladrão nenhum pode nos arrebatar
e nem iremos perder jamais.
Assim seja.


Esta oração é mesmo apressadinha. "Acudam-me acudam-me a encontrar o que procuro e tal. Ai se calhar é melhor ser um bocadinho mais subtil Ajuda-me lá a ter a sabedoria fé e caridade e já que estás a perder tempo comigo, aquela coisa que eu perdi, se a puseres à vista, é que me está mesmo a fazer falta. Obrigadinho Pá." ou "porreiro Pá" parafraseando o nosso Primeiro.

Hoje à noite vamos todos orar e a seguir viramos aquele quarto de brinquedos do avesso. Eu faço um interrogatório ao António, não vá o desaparecimento da dita, estar relacionado com as disputas constantes por tudo o que existe naquela abençoada casinha, com tiques de Lar.

terça-feira, novembro 06, 2007

Liga dos Campeões

Camacho diz que o jogo de hoje em Glasgow é "para homens".
Já estou a imaginar o equipamento que os homens vão usar logo à noite.

segunda-feira, novembro 05, 2007

O mais velho

Num exercício de auto avaliação, daqueles típicos de início de ano escolar, a professora perguntava porque é que, na tua opinião, as pessoas gostam de ti. A tua resposta explicava que tinha a ver com o facto de teres umas bochechas rechonchudas e queridas.
Hoje as tuas bochechas fazem nove anos, e antes de as vermos pela primeira vez, já havia quem gostasse rores de ti. Desde a ecografia em que se via um minusculo pixel a apagar e a acender e o médico ter explicado que se tratava do teu coração a bater, depois do outro médico ter dito que provavelmente eras um ovo branco (disse que não eras nada). Ainda na barriga da mãe, foste à Expo connosco e ficámos logo a gostar imenso de ti porque passámos à frente das pessoinhas todas em tudo o que era pavilhão. Depois das bochechas se terem dado a conhecer, foram classificadas como património mundial lá de casa, mas também ajuda seres querido, amigo, mimento, brincalhão, medricas, bébé, enjoadinho com os cheiros, refilão, bochecudo, e ingénuo. E teres uma pachorra interminável para os outros dois. E seres bochechudo.
Só para teres uma ideia, o Mário Soares tem umas bochechas muito melhores que as tuas, e mesmo assim, eu gosto muito mais de ti.

sexta-feira, novembro 02, 2007

O regresso da filha pródiga

Apesar da minha relação difícil com a gaja das pás rotativas, fui eu que a fui buscar ao bloco operatório. 60 euros de arranjo porque o motor de arrefecimento estava estragado. Ora porra, agora a menina tem motor de arrefecimento. É gaja, já se vê. Não tarda muito está com dores de cabeça.
O homem deu-me a menina dentro de um saco de plástico. Pouco digno para tamanha princesa
"Veja lá se o saco aguenta. Se por um azar eu a deixo cair ao chão, não me deixam entrar em casa e o fim de semana está à porta."
Lá dentro uma senhora explicava ao telefone, a lógica dos livros de receita e insistia na possibilidade de fazer leite de soja na Bimby. Se ao menos fizesse leite de vaca, sempre me poupava a subida ao terceiro andar carregadinho de dúzias de litros. Claro que não. Leite de vaca é para as vacas, e a menina que é fina, a fazer, faz leite de soja (coisa que eu duvido).
O hospital das bimby's tem muitas semelhanças com hospital das bonecas da Praça da Figueira, onde eu ia com a minha irmã e com a minha avó há 35 anos. Pelo menos as gajas são as mesmas, estão é um bocadinho mais gastas.
Vá lá ver se a menina volta sem problemas para a bancada da cozinha, é que a varinha mágica está com peneiras e não há quem a aguente.

terça-feira, outubro 30, 2007

Estado de Sítio

Está oficialmente declarado o recolher obrigatório lá em casa a partir das 20:30. Esta medida só será revogada quando a harmonia do lar for total e integralmente restabelecida. Até lá não será tolerada qualquer violação a esta imposição.
Além do desrespeito pelo novo horário de inverno, a autoridade parental tem vindo a ser ameaçada pelo excesso de prendas de aniversário nas zonas fronteiriças do quarto de brincar com o corredor. Esta situação é agravada pela infeliz coincidência da Bimby se encontrar em estado de coma.
Desde algum tempo que, quando ligada, a Bimby guinchava mais que um porco na matança, acabando por definhar no decorrer do fim de semana.
A ordem só será estabelecida quando a Bimby regressar, quando terminarem as movimentações lúdicas fora dos limites pré estabelecidos e quando o horário de inverno for respeitado.
Faça-se cumprir.


PS: Senão vai tudo ao estalo para a cama sem jantar e sem brincar.

segunda-feira, outubro 29, 2007

Esclarecimentos

O significado de mudança da hora é precisamente esse "mudança de hora". Nesta altura do ano ganha-se, por definição, uma hora de sono. E sono é sono. Nada a ver com a ideia de se levantarem às seis da manhã para brincar com as pandeiretas e com os apitos.
A somar a este distúrbio matinal, a minha estreia numa aula de natação não ajudou. Domingo às 9 aproveitando o facto de os levar à natação, resolvi eu próprio fazer três quartos de hora de aula para adultos. Ia morrendo afogado umas 15 vezes. Quando saí, nem encontrava forças para lhes dar banho e para os vestir. Isto não seria grave, se a festa de anos do Manel, fosse noutro dia que não a tarde de ontem. Ou se fosse a fazer puzzles em vez de ser a jogar futebol num campo relvado. É impensável a velocidade a que crianças de seis anos conseguem correr. Findo o jogo, já mais morto que vivo, apagar velas e tomar conta de uns 30 selvagens.
Estou a precisar do início da semana para descansar do fim de semana. A coisa foi tão grave que adormeci a ver o jogo do glorioso. A verdade é que os moços também pareciam cansados, o que ajuda. Mas nunca tinha adormecido a ver um jogo do Benfica. Ao que parece resulta porque acabaram por ganhar. Da próxima já sei, tomo uns drunfos e quando acordar o Benfica já tem 8 pontos de vantagem sobre o Porto.

quarta-feira, outubro 24, 2007

Sonoridades

Rendo-me à chuva, como um Verão se rende ao Inverno, rendo-me à ausência de luz no fim da tarde e já vou tarde. Entrego-me à música, aos compassos mudos, aos teus passos no contratempo, entrego-me a tempo. Rendo-me ao silêncio dos braços, ao palco vazio, à plateia rendida ao fim. Rendo-me à artista no camarim e ainda me agita o último bis, ainda se distilam emoções, rendo-me ao tema, a todas as variações. Ainda jazz, já não improviso, rendo-me ao riso, entrego-me a ti, entrego-me enquanto for preciso e nego-te o fim. Basto-me a mim.

terça-feira, outubro 23, 2007

Cálculo Proposicional

Facto 1 - A balança lá de casa está avariada
Facto 2 - Sem qualquer peso em cima a balança marca 80 quilos
Facto 3 - A Ana desmaiou hoje de manhã

Modus Ponens: (Facto 1 e Facto 2)=> (Leitura de 130 quilos) => Facto 3

Corolário 1: Mesmo depois de uma festa de anos, não é por subir de olhos fechados para cima da balança que ela adequa a leitura à nossa vontade.

Corolário 2: Cura-se anorexia. Resultados imediatos garantidos.

Corolário 3: O defeito dos instrumentos de precisão não traz só desvantagens, também traz muitas vantagens. Foi assim que Colombo, ao tentar descobrir o caminho para a India, acabou por descobrir a América.

Exercício 1: Enumere as vantagens da América ter sido descoberta.

segunda-feira, outubro 22, 2007

Cara de anjo mau

O Manel Maria, o do meio, equidistante do João e do António, equidistante da filha da putice e da doçura. Descarado,de caracóis loiros, capaz de desarmar as amigas da mãe e do pai quando lhes chama "Querida tia do meu coração" sempre com intenção de pedir algo, faz hoje seis anos. Parabéns filho querido do meu coração.
PS:
1. eu sei que o João é maricas com os cheiros das guloseimas de morango, e que aquilo de vomitar só de cheirar é exagero, mas evita encher a boca de pastilhas de morango e ir mascar de boca aberta a 10 cms das narinas dele.
2. eu sei que o António já não é propriamente bébé mas evita ensinar-lhe truqes de wrestling e sempre que possas larga-lhe o pescoço. Olha que um dia ele cresce e a menos que bata com a cabeça nalgum sítio, o chatum vai ter memória.

domingo, outubro 21, 2007

Garçon

Lisboa, essa imensa aldeia, capaz de transformar a vida de cada cidadão numa experiência única. Além das hortas entre vias rápidas, e para lá das fronteiras dos bairros típicos, a vida de aldeia manifesta-se em cada lugar da velha cidade. A minha não é excepção. O arrumador de carros chama-se Jesus, o que dá jeito, porque encontrar um lugar para estacionar nas redondezas é um verdadeiro milagre. Além de jeito, dá umas aulas de catequese particularmente animadas, sobretudo enquanto a catequista não descobre que estão a falar de Jesuses diferentes:
- Como arruma carros e abusa um bocadinho da pinga? Jesus foi crucificado e resuscitou ao terceiro dia ...
- Ah pois resuscitou resuscitou, porque ainda hoje me deu os parabéns e na Sexta Feira o meu pai lhe deu uma moeda de um euro. Lá se ele foi essa coisa que se diz, não faço ideia.
Além do Jesus, existe uma senhora que é a porteira da maioria dos prédios, que sabe a vida da rua toda e consegue ter um olho apontado a Arroios e o outro à Alameda. Olha-me de lado (na realidade acho que olha a todos à conta dos olhos linearmente independentes) desde que me viu entrar na sex-shop com o António ao colo, tinha o petiz uns três meses. Foi para comprar tabaco, mas isso ela não sabe. Para todos os efeitos eu levei um quase recém nascido a uma sex shop e isso não é bom. Desde esse dia que sou apontado e comentado em sussurro sempre que saio à rua. Sobre tudo isto parece-me que já falei aqui no blog, acontece que o guarda nocturno acabou de aparecer na SIC a cantar na gala da família superstar. E foi cantar esta pérola que nunca tinha ouvido, para grande pena minha. Como é que um ser humano atinge um desconto de 40% nas armações da multiópticas sem conhecer este icon da música de expressão portuguesa?

Garçon

Garçom, aqui, nesta mesa de bar
Você já cansou de escutar
Centenas de casos de amor
Garçom, no bar todo mundo é igual
Meu caso é mais um, é banal
Mas preste atenção por favor
Saiba que o meu grande amor
Hoje vai se casar
E mandou uma carta pra me avisar
Deixou em pedaços o meu coração
E pra matar a tristeza só mesa de bar
Quero tomar todas, vou me embriagar
Se eu pegar no sono, me deite no chão
Garçom, eu sei, eu tô enchendo o saco
Mas todo bebum fica chato
Valente, e tem toda a razão
Garçom, mas eu só quero chorar
Eu vou minha conta pagar
Por isso eu lhe peço atenção
Saiba que o meu grande amor
Hoje vai se casar
E mandou uma carta pra me avisar
Deixou em pedaços o meu coração
E pra matar a tristeza só mesa de bar
Quero tomar todas, vou me embriagar
Se eu pegar no sono, me deite no chão

sexta-feira, outubro 19, 2007

Memória


Da zona mais profunda da memória (perto da zona dos "Pequemos Vagabundos"), "Dois anos de férias". Naqueles dias, a emissão televisiva estava reduzida a dois canais a preto e branco, começava com a tele-escola, e acabava com o hino nacional.
A música existe aqui, e se no youtube pesquisarem em estrangeiro por "Deux ans de vacances" - que é como quem diz "Dois anões de vacanças" - encontram o genérico da série.
Aos leitores infantis (com menos de 35 anos) esqueçam este post e vão brincar aos papás e às mamãs.

quarta-feira, outubro 17, 2007

Ala direita

A ala direita deste blog foi renovada (à semelhança do que se passa com a política deste país). Agora, que já apareci pela segunda vez na "Única" deste Sábado (mais uma portanto que o coislog da gaja), não há inveja mesquinha que justifique a inexistência de um link para o Rei na Barriga. Além deste novo link, retirei links moribundos, actualizei outros, acrescentei aqui e ali, e vai daí que a coluna da direita está mais elegante.
Mas axandrai-vos garinas, aqui nos comentários da Caixa de Costura não serão toleradas encomendas, pedidos de esclarecimentos de dúvidas e coisas que tal sobre aquelas coisas que são disponibilizadas no site do Rei na Barriga.
Tenho dito.

Portantos.

terça-feira, outubro 16, 2007

Graxa e Dedução

Mãe - hoje arranjei-me tão à pressa que nem tenho coragem de me olhar ao espelho.
João M - estás linda mãe
Mamel M - mãe, vais a algum casamento ?
António M - e eu também póxo i ?

O António, além de ter aquela particularidade um bocado irritante de nunca se calar, o que o torna bastante chato, tem outra coisa que o coloca na fronteira do desespero paternal. Tem a mania que é esperto:

- António, como se chama o teu irmão das bochechas e caixa de óculos ?
- João Maiia Fajão
- E outro ? O maluquinho dos caracóis ?
- Meneli Maiia Fajão
- E o alucinadinho dos bonecos de wrestling ?
- António Maiia Fajão
- E o pai alto, bonito e extremamente inteligente ?
- Pai Maiia Fajão
- E um chapadão? Marias são vocês, o pai não usa nomes larilas. Camandro.

sexta-feira, outubro 12, 2007

A pequena Maddie

Depois do que ouvi hoje sobre o facto da Maddie não ser filha do Gerry mas sim de um doador de esperma, resolvi revelar tudo o que sei sobre este caso. Assim como assim, o que eu vou aqui contar, há-de acabar por ser revelado por este marco do jornalismo ibérico, que um dia já teve, pasme-se, dois computadores apreendidos pela polícia judiciária. Nesses tempos, a polícia chegou a ponderar, a apreensão de três máquinas de café e das máquinas que têm aqueles garrafões de água invertidos, por forma a verificar se existiam substâncias ilícitas maliciosamente distribuídas aos elementos da redacção do jornal, tal não é o rácio de asneirada por edição que ali podemos encontrar.

A pequena Maddie, embora aparente ter três anos, é na realidade uma irlandesa anã, tia-avó da Kate. Acontece que era a Maddie quem assegurava, além das tarefas caseiras e de babysitting, a droga para o casal e para os gémeos dormirem sossegados. A droga, que era obtida por intermédio de um suposto contacto em Marrocos, tinha vindo a piorar de qualidade desde o Natal de 2006. O casal McCann já tinha ameaçado a pobre senhora de expulsão do agregado, mas sempre adiou esta decisão, muito graças às panquecas e o syrup que a irlandesa assegurava todo o santo pequeno almoço. Ora naquela fatídica manhã, verificando que não havia syrup suficiente para a família McCann, a irlandesa de baixa estatura resolveu acrescentar um resto de Atarax no frasco do xarope. Quando, ao pequeno almoço, Maddie é confrontada com a alteração de sabor do syrup, acaba por confessar o seu acto. É na sequência desta confissão que Kate resolve expulsar a tia avó anã lá de casa. No meio da discussão, já sob o efeito do Atarax, o casal e os gémeos adormecem e só voltam a acordar a meio da tarde. Nesta altura, a velha ainda se encontrava no apartamento da praia da Luz embora tivesse consciência que o seu fim estava próximo. Para evitar problemas e discussões resolveu esconder-se na Bimby (foi num fórum de pessoas pequenas que um tinha lido um artigo sobre o tema “Bimby – um carrossel por descobrir” assinado por um tal de Marques Mendes). Kate acorda cheia de fome, procura a tia-avó, e como não a descobre resolve fazer um leite creme em 17 segundos na Bimby. É nesta altura que a senhora é atingida pela pá da máquina assassina, soltando um grito de horror. Ao ouvir o grito, Kate, que nutre uma afeição ímpar pela Bimby resolve ligar para a linha de apoio da Bimby. É nesta altura que Kate se apercebe do que acabara de fazer e confronta o fabricante sobre o perigo que a máquina pode representar para irlandesas anãs, porquinhos da índia e para ex-líderes partidários. As conversações entre o fabricante e a jovem Kate não são complicadas. A Kate promete simular o desaparecimento da Maddie em troca de uma mala de transporte da Bimby e o livro de receitas orientais.

Este, meus caros, é o princípio trágico da história que tem inundado os media nos últimos seis meses.

quinta-feira, outubro 04, 2007

Higiene Intima

Quando se trata da higiene das vergonhas, um gajo não tem muito para pensar. Ou usa sabão e pedra pomes, ou, no caso dos meninos s mais sensíveis, sabonetinho com cheiro. No limite da metrosexualidade recorre-se ao gel de banho (esfoliante obviamente para deixar tudo aquilo num lustre).
Ontem, quando me dirigia a casa, recebi um telefonema da minha mulher a solicitar a aquisição de jantar e de pensos higiénicos. Havendo cerveja no frigorífico, e sendo dia de jogo do glorioso, era necessário assegurar umas fatias de presunto, um queijo da serra e uns tremoços. Tudo muito simples de escolher, em 5 minutos o jantar estava tratado.
Faltava portanto a questão dos pensos. A insistência telefónica sobre o facto da embalagem dizer Normal decorre de dois fracassos nas últimas duas vezes que me prestei a executar esta tarefa. Ao que parece, não tinha acertado no objectivo do penso e isso teria trazido alguns constrangimentos menstruais à miúda. Lá fui até à prateleira dos ditos. Deparo-me com cinco prateleiras. A primeira dificuldade com que me deparei foi a diversidade das marcas, e reparem que não estou a falar de uma simples escolha entre Sagres e Super Bock, estou a falar de pelo menos uma dezena de marcas. Segunda questão: tipo de cueca. Aqui a coisa complica-se. Há para cueca tanga, para fio dental, para cueca normal, para cinta e para o raio que os parta. Depois ainda há a intensidade, que ao que parece se mede entre uma e cinco gotas (como as estrelas das críticas dos filmes) . Ainda há os dias. O início do ciclo o meio do ciclo, o fim do ciclo e os restantes dias do contra ciclo. A forma. A forma é muito importante. Há em forma de triângulo, em forma de rectângulo e em forma de cápsula. Ainda podem vir com ou sem asas. E com uma ou mais faixas aderentes. A somar a tudo isto ainda há umas variantes que têm a ver com a absorção, com os efeitos anti-transpiração e anti-odores. Quedei-me uns bons dez minutos perante o leque de opções, e cheguei a considerar pedir ajuda a uma mulher que parecia entender do assunto.
Por fim, rendi-me. Tirei uma embalagem à sorte e desabafei “Fónix. Não hão-de as gajas ser complicadas.”

quarta-feira, outubro 03, 2007

Também ...

catanos. Há certas promessas que só servem para ser quebradas. Um gajo quer dar alento à sua equipa e pensa assim "Só volto a escrever quando o Benfica ganhar."
Ora foda-se, aqueles coxos sul americanos, com muito respeito que eu nutro por muitos sul americanos, nem devem saber ler a Bola quanto mais a Caixa de Costura. caguei nos paraplégicos.
Volto a escrever e prontos.
Panaleiros.

quinta-feira, setembro 27, 2007

Ditado

Se o que tens para dizer não for mais belo que o silêncio, o melhor é estares calado.