segunda-feira, agosto 18, 2008

Encontros de verão

Com o vendedor das bolas de berlim da praia
Nunca vou entender o fenómeno das bolas de berlim na praia. Parece que ganham outro sabor. Sabem bem que se fartam. Uma por dia parece-me justo. São eles que o avistam ao longe e fazem tamanho carnaval que o homem corre até nós, não vá qualquer brigada fiscal, do SEF, da ASAE ou de qualquer outra entidade dar pela transação. O azar daquele vendedor brasileiro foi o nome:
- Bom dia senhor
- Uma com creme e duas bolachas americanas se faz favor
- Como é que se chama?
- Oi?
- Ele está a perguntar o seu nome
- Ahhh. Eu me chamo Zé Carlos
- Pumba. Mesmo nas nádegas. Foi ou não foi Zé Carlos?
- Oi?
- PSh Cala-te
- De que eles estão rindo ?
- É um sketch com um personagem chamado zé carlos. O melhor é não ligar. Quanto lhe devo ?
- 4 euros senhor.
- PSh Cala-te
- Mesmo nas nágas. Mascala-te.
- Aqui tem.
- Muito obrigado senhor. Até amanhã.
- Foi ou não foi Zé Carlos ? Psh cala-te.
Curiosamente aquele vendedor nunca mais apareceu por aqueles lados.

Com um miúdo na piscina que foi ver os brinquedos do António
Perante o assédio, o Manel foi fazer guarda aos bonecos e o petiz olhava com um ar guloso para o homem aranha e para o super homem. O António começou logo a juntá-los certificando-se que não sobrava nenhum para brincadeiras com estranhos. O Manel tentou uma jogada mais diplomática:
- Querias brincar com os bonecos?
O miúdo encolhia os ombros por não entender as perguntas.
- Manel, o menino não percebe Português, deixa estar.
- És donde ?
O miúdo entendeu e respondeu:
- España
- Ai é ? Porque não te callas ?
- Manel, vamos ver se o João está no escorrega. Anda.
- Olá. Quiero um vaso de água, por favor. Porque não te callas?
- Maneeeeelll. Anda. Vamos embora.

sexta-feira, agosto 08, 2008

Fim...

... de férias.
Nesta altura já com sabor de fim de festa, tempo para ir a Altura visitar tios e primos, e tempo para ir a um outro Algarve, tão diferente na forma e nos sabores. Cacela a velha, a ria, petiscos na rua, ostras e conquilhas. É deste Algarve que tenho ganas, costas voltadas para aglomerados de cimento pintados a branco com uma muito típica chaminé espetada na tola. E como está caro este Algarve. Por este andar, cheira-me que, para o ano, praia de Algés e geladinhos de gelo que sabem muito bem.

PS. Hoje a dona da Leiraria faz anos. Parabéns Mãe.

terça-feira, agosto 05, 2008

Cócó

Não gosto particularmente de gaivotas. São um bocado porcas, comem lixo, e conseguem voar e evacuar ao mesmo tempo. As gajas são maquiavélicas, nenhum humano consegue voar e evacuar ao mesmo tempo, sobretudo porque o peso das sanitas não ajuda. Mas em compensação conseguimos efectuar actividades muito mais intelectuais.

quarta-feira, julho 30, 2008

Apontamentos

... de férias
1. Os mais velhos sobreviveram à semana de colónia de férias. Vinham com mais anticorpos e envoltos numa nuvem de pó e numa camada de sujidade própria destas coisas. Há um personagem do Charlie Brown que anda sempre com um nuvem de sujidade e mosquitos à volta. Num repente associei-os ao personagem.
2. "O André parece cada vez mais descapotável" ouvi hoje a um habitué aqui das férias. Pois claro que estou. Cortei o cabelo tão rente que até as sobrancelhas estão mais crescidas que o cabelo. É inacreditável conseguir ter as sobrancelhas mais despenteadas que o cabelo, mas é verdade. Estão a precisar de cuidados específicos, ou ainda me chamam de desgrenhado à conta delas.

domingo, julho 27, 2008

Soltas

Samba meu não é o meu disco de eleição, saltei-lhe o concerto. Pela primeira vez, à melhor de três, dou-lhe o espaço de a ver com todas as calmas em DVD no primeiro album, ou no segundo.



quinta-feira, julho 24, 2008

Clandestino


És o MAIOR Manel. Genial teres escondido o TMN Imaginarium na altura da entrega dos telemóveis à chegada ao campo de con... digo... à colónia de férias. Boa conseguires ligar aos pais, Às escondidas, para amainar as (nossas) saudades. Agora atreve-te a seres apanhado, levas com uma toalha molhada que magoa e não deixa marcas. Eh eh eh

quarta-feira, julho 23, 2008

Senhores Monitores e Monitoras

da colónia de férias da catequese, onde deixei os meus filhos mais velhos durante uma semana:
Serve a presente para vos informar de uma série de questões que me parecem importantes esclarecer:
Apesar de eles terem nascido quase há 10 e há 7 anos respectivamente, eles na realidade são muito pequenos e precisam dos mimos do pai, como do ar que respiram. E não coloco o pai com p maiúsculo para não me confundirem com o Pai sobejamente referenciado nas aulas de catequese. Por falar em pai e em Pai, não percebo porque é que lhes retiraram os telemóveis. Apesar de serem bebés, são muito precoces e já sabem atender telemóveis e precisam dos aparelhos para falar ao pai. Isto de regrar a comunicação com o pai é inadmissível. Também estão limitados nas conversas com o Pai? Aposto que não. E porque é que os meninos estão sem telemóveis? Porque não precisam de telemóvel para falar com Ele. Aposto que se o Pai fosse pioneiro da Optimus ou coisa que O valha, os meninos tinham obrigatoriamente que usar telemóvel e que Lhe mandar dezenas de sms’s e mms’s dia. Mas não, o Senhor embirrou que não havia de ter cartão SIM, nem PIN nem PUK e vai daí desata a falar e a ouvir toda a gente ao mesmo tempo, sem que a ANACON possa sequer opinar sobre o tema. Acho injusto e pouco equilibrado. Os meus príncipes precisam muito de mimos do pai (eu !!!) e de brincadeiras palermas, e de beijos antes de adormecerem, e de mimos do pai, e de histórias. Não se esqueçam de os adormecer com histórias. Eles gostam da história do crocodilo do jardim, do menino que queria andar de balão, da menina do trenó com (a)buzinadelas, dos leões que fogem do circo, da rã saltitona muito chata, do elefante distraído, enfim qualquer uma serve desde que tenham uma parte em que uma senhora manda um chapadão ao filho para ele não ser mentiroso. Exemplo para os senhores monitores e senhoras monitoras perceberem: “Os leões fugiram do circo e foram à procura do caminho para a selva. Na cidade escondiam-se atrás dos carros para não serem descobertos. Estava uma senhora com o seu filho a comer um gelado, e o menino viu os sete leões a passar e gritou – Mãe olha sete leões atrás daquele carro. E a mãe PUMBA pregou-lhe um chapadão – Toma que é para não seres mentiroso”. Eles só ouvem as histórias para se rirem muito nesta parte.). Portanto se lhes contarem histórias bíblicas, não se esqueçam sempre da parte do chapadão. É muito importante. E na bíblia até parece ser fácil:
- Ó mãe aquele barbudo multiplicou os papos secos
E a mãe PUMBA. – Toma que é para não seres mentiroso.
Além de histórias, precisam de mimos do pai, e de panquecas de manhã, ou croissants com fiambre. O loiro gosta de torradas com doce de morango mas não pode comê-las ao pé do bochechas porque o bochechas enjoa com o cheiro do doce, dos morangos, dos rebuçados, das pastilhas e da pasta de dentes de criança.
Ficam então estas recomendações e fico à espera de tratamento e atenção dada a todos os pais e Pais. Não sei se referi que eles precisam muito do mimo do pai, e de falar ao telemóvel. Devolvam-lhes os telemóveis se faz favor.
Obrigados.

segunda-feira, julho 21, 2008

Oceanário


Sábado. Mãe feirante no jardim da Parada. O jardim da Maria da Fonte e o paraíso do Manel Maria que em menos de uma hora, vendeu os seus colares e delirou com os lucros aparentemente fáceis. O que o preocupa agora, é a agenda das próximas feiras. A feira prolongou-se pela tarde, levei-os ao fresco do Oceanário. Estava bom para visitas preguiças nas zonas mais frescas. No final da visita, um pequeno auditório mostrava a vida dos oceanos. Correram para a primeira fila e brigaram para se instalar nos melhores lugares. O António sentou-se e disse: "Então agora, quem é que vai buscar as pipocas?".

sexta-feira, julho 18, 2008

Quente e frio

Por vezes, no meu local de trabalho, é isto que existe lá fora. Gosto de sentir o rio por perto, cheira a Lisboa. Cheira à mais moça das Lisboas. Cá dentro no fresco do ar condicionado, vejo nas pessoas, o calor que aperta lá fora. Depois se lhes leio as feições, nas que por aqui andam ao fresco, e nas que por lá andam no sufoco do calor. Sisos e risos. Parece que as pessoas aqui andam com um ar condicionado.

segunda-feira, julho 14, 2008

Éter

Ouvi-a à conversa na rádio sobre a Substância da Vida. Noventa e cinco ponto sete. Gosto de a ouvir falar sobre estes espaços, sobre palavras, sobre imagens, amores e ódios escancarados. Diz coisas bonitas de forma despretensiosa. Ó Laurinda linda linda, é mesmo por isso, vale a pena porque nos coloca uma caneta nas mãos, e o pensamento no que nos rodeia.

"(...)
Como tampouco sabia
que a casa que ele fazia
sendo a sua liberdade
era a sua escravidão
(...)"

O operário em construção
Vinicius de Moraes

domingo, julho 06, 2008

Está tudo ao contrário

(Ou o sol alentejano transforma o cérebro dos homens)

De que falariam(os) cinco homens após uma sardinhada, no meio do Alentejo:
- basicamente tem três funções: pesar, misturar e aquecer
- Mas também tritura ? Tem pás diferentes para misturar e triturar ?
- Não. São as mesmas, regulas as velocidade das pás em função do que precisas. Por exemplo, para a massa de piza, pões as pás a rodarem no sentido inverso para as lâminas não cortarem a massa.
- A lá de casa só roda num sentido.
- Mas tu tens um medelo mais velho que o cagar de cócoras. Este modelo roda nos dois sentidos.
- Mas não leva a piza ao forno?
- Não, forno é forno e isso ela não faz. Mas tem um acessório para cozinhar em vapor lá em cima. Pode fazer sopa no rés do chão e peixe no primeiro andar.
- E que aspecto tem ?
- Parece um copo misturador, mas com um ar mais arraçado.

Digam-me se isto é conversa de gajos ? Expliquem-me que eu não consigo. Um grupo de homens, de copo numa mão, cigarro na outra, à conversa sobre uma máquina de cozinha. E nenhum deles é capaz de dizer algo mais adequado ao contexto:
- Então e faz broches ? É que se não faz, prefiro manter a cozinheira.

quarta-feira, julho 02, 2008

Alguém me arranja um buraco onde eu me possa enfiar ?

Hoje na aula de música do António Maria com os pais a assistirem:

Colega do António, aponta para mim e desata aos berros:
- És careca, és careca, és careca
Eu, ainda meio extasiado com os problemas de visão da petiz, suficientemente baixo para ela não ouvir, suficientemente alto para as pessoas ao meu lado ouvirem:
- Vê lá, vê lá miúda, ainda te sujeitas a levar com a máquina fotográfica nos cornos
O senhor ao meu lado, dirigindo-se para ela:
- Ó filha isso não se chama ao Pai do António
Eu a imaginar a minha próxima deixa:
- Cornos no bom sentido. Como os touros, cheios de raça e de bravura. Eu pelo sim pelo não levava-a ao oftalmologista, a menina não deve andar a ver bem.

quinta-feira, junho 26, 2008

A Raínha...

... lá de casa faz anos hoje. A coisa genericamente agrada-me porque até final de Agosto temos a mesma idade e não há cá espaço para a piada absurda de "eu sou muito mais nova que tu". Neste caso em particular, e desde Agosto último, que a piada agudizou-se com a tónica na diferença na década "eu ainda tenho trintas e tu, lamento informar-te, já tens quarenta".
Mas como diz o povo, "Deus escreve directo, por trás das portas", eis que, quando acordo, se me deparo com uma mulher de quarenta anos na minha cama. Parece em tudo igualinha à tal dos trintas com quem me deitei, mas a bem a bem, é uma mulher de quarenta. Já avisámos os Marias que a canção oficial de verão é a Ternura dos Quarenta do Paco Bandeira e que, agora que os pais são, em conjunto, octogenários, eles vão ter que se dotar de uma imensa paciência e ser muito, mas muito bem comportados.
Baldas generalizadas a empregos e escolas, programas de família e verão sem horários e eis-nos regressados, cansados, sorridentes e ligeiramente dourados, a casa. Um regresso a umas horas mais ou menos tardias, que, já se sabe, a idade não ajuda. Parabéns Rainha.

Nota do Autor: Desde já aviso os leitores deste blog que, depois da festa de finalistas do João Maria, que acabou com duas dezenas de miudos de 10 anos a chorar por sairem da escola, a lamechice está esgotada e banida por estes lados até 2012.

terça-feira, junho 17, 2008

Holanda

No jogo Holanda - Itália, perguntava-me eu o que raio quer dizer van em Holandês:
- é que estes laranjas chaman-se todos van. Van der Sar, van Nistelrooy, van der Vaart, van Basten, van Bronckhorst.
- não tarda muito entra o Van essa, pai.

Tiveste alguma graça Manel.

segunda-feira, junho 16, 2008

Precisava de um destrava posts entalados

... e veio com este fim de semana.
Fui de comboio. O fuso horário entre Lisboa e Oeiras desfasou os feriados municipais, pelo que na sexta feira, ao fim da tarde, apanhei o comboio para me juntar a eles.
O tempo de uma viagem de comboio é sempre tempo ganho. Tempo de leituras, de músicas, ou só de olhar para a paisagem, ou só de olhar-me. Sem pressas, sem atrasos, somente à tabela. Gosto de observar os edifícios ao longo das paralelas linhas. Armazéns em ruínas, casas simples, casas senhoriais, ou pequenas casinhas para o guarda da passagem de nível. Janelas de vidros partidos ou janelas emolduradas em era bem cuidada. Pouca terra pouca terra que não tenho pressas.
Lembro-me da linha da beira alta, as viagens para Tibaldinho naquelas carruagens com compartimentos de meias dúzias. Fazia-me confusão metade do comboio ir para um lado e a outra metade para o outro. Donde vinha a certeza da carruagem certa ? Saíamos em Mangualde e depois ía-mos de táxi até Tibaldinho. Prefácio dumas férias sempre saboreadas.
Cheguei a Coimbra-B quase um par de horas depois da partida. Ouvi com atenção o último álbum da Maria Rita, ainda o não tinha feito. Não me entusiasma. Uma ou outra como excepção de uma regra que me irrita. Ajudei a mulher que tinha um braço estranho a carregar a mala para fora do comboio e olhei em volta. Lá estavam elas à minha espera. Demos umas voltas a mais numas rotundas de Coimbra que insistiam em levar-nos ao o centro da cidade, e por fim, a estrada pretendida.
A casa atrás do portão verde era imensa e um relvado gigantesco e uma simpatia ainda maior. Isto soa ao "review" dum turismo de habitação - " a senhora do turismo de habitação era muito simpática, solícita e conhecedora dos encantos da região ". Nada disso. A verdade é que nunca tinha convivido mais do que uma horas com a Catarina, e gostava dela por partilharmos a mesma mulher. Pouco mais do que isso. A verdade é que a Ana não se enganou. A Catarina é tendencialmente um gajo porreiro.
Fim de semana tal qual ela contou ali. Risadas, conversas, criançada por todos os lados, ping pong, piscina e matraquilhos. Príncipes e princesas felizes. Brincar aos cruzamentos e aos remates. Faço um centro ao segundo poste e eles voam todos para o golo. Falhamos todos, rimo-nos e insultamo-nos. "Nabo". "Palhaço". "Que zarolho, vê-se mesmo que és do Sporting". Cigarros, café, cerveja, petiscos, vinhos, comidas e risos. Ténias, polícias, ladrões, etiquetas, alarmes, pinceladas e quadros. Aquele barco ficou-me na retina. Se um dia comprar um barco, há-de ser um daqueles. E risos e cumplicidades e guincharia com os selvagens. Ainda a porcaria da alergia que se arrasta e que mantêm a Rainha de nariz e olhos vermelhos, mas de boas ondas. Muitas, tantas crianças para algumas mães, todas galinhas, e depois a própria, a genuína e verdadeira. Veio de pai, de princesas, de barrigas, de doces regionais e mais conversas a velocidades estonteantes. Parece que se aproxima uma primeira comunhão que envolve uma coreografia de ballet clássico e três dias de festa como os casamentos ciganos. Se assim não for, algo de parecido será. Que a força esteja contigo no próximo fim de semana (e a Singer também).
Soube tão bem e a pouco, que deixo pontas soltas. Os troncos de videira, e se calhar um pulinho à Mealhada, à conta dos porcos-bonsai.

QUAL FOI A PARTE DO "GOSTEI DE ESTAR LÁ E DE TI E DE TI E DE TI E SIM QUERO VOLTAR" QUE NÂO PERCEBERAM?

quinta-feira, maio 15, 2008

Asneirada

Bem sei que levaste com os ferros no sobrolho, quando o médico te tirava da barriga da mãe, mas isso não pode servir de desculpa para tudo. Arrancar parede da escola? Mas que raio de ideia. O que é que querias que eu dissesse à directora?
“Sabe lá. Aquilo lá em casa é um fartote de rir. Fazemos concursos a ver quem arranca o maior bocado da parede. O Manel estava a treinar, é natural. Mas fique descansada, não volta a acontecer. É que estamos a começar com um concurso de repuxos com as torneiras do lavatório.”
Ou então Manel, sempre posso usar a lógica Socrática:
“Eu peço imensa desculpa, mas a verdade é que ninguém lá casa sabia que era proibido arrancar bocados de parede da escola. Olhe, ele aproveita este mal entendido para deixar este vício de arrancar bocados de parede.”
Portanto Manel, como acredito que nenhum destes discursos tenha sucesso, a bem a bem, o melhor é tratares de arranjar tinta e pincel e pores mãos à obra. E não se trata só do bocado que arrancaste. É a parede toda para não se notar.

sexta-feira, maio 09, 2008

Festival da Canção

dos tempos em que era um evento para ver em família, a preto e branco no ecrã, a cores nas emoções e no entusiasmo.
No festival de 78, esta mulher veio cá pela última vez e cantou durante quase uma hora. Caramba, o que me impressionou a raça e a força e a manha. Ainda hoje...
Cartomante
Sinal Fechado e Transversal do Tempo
Deus lhe pague

quinta-feira, maio 08, 2008

Sr Ladrão

Espero que se encontre de boa saúde, e que os euros obtidos na venda do auto rádio do meu carro lhe tenham proporcionado algum conforto. Escrevo-lhe novamente porque pode dar-se o caso do senhor se encontrar nas imediações do Tagus Park e de eventualmente me poder ajudar aqui num problemazinho que me anda a apoquentar. É que, como sabe, o bólide que assaltou não tem fecho centralizado e vai daí as portas só fecham quando se põe o pinchavelho para baixo.
Acontece que hoje pela manhã, chegado ao emprego, cometi a proeza de fechar a porta com a chave lá lentro e agora não consigo chegar ao interior da viatura.
Tendo o senhor demonstrado tamanha destreza na abertura da porta do condutor naquele episódio do auto rádio, solicito-lhe que dê um saltinho até aqui para poder ajudar-me. Mais informo que auto rádios é o que não falta nas redondezas, e dos bons, pelo que a sua viagem nunca seria em vão.
Obrigadinho e desculpe o incómodo.

terça-feira, maio 06, 2008

Festejos

É mais que sabido que a criançada gosta de celebrações. Lá em casa, o dia da Mãe é celebrado efusivamente com um moche à mãe e com prendas clonadas provenientes da escola. Este ano, foram uns blocos A76 com um lápis do ikea colados com muito amor a uma tábua de madeira decorada com muito amor e embrulhados com muito amor, e ainda com uma dedicatória e um poema. Tudo com muito amor.
Para adiantar serviço, a carne guisada do jantar já estava pronta de véspera, só precisava de um bocadinho mais de fogão para ficar tenrinha porque nós já não vamos para novos, e os marias não têm uma relação fácil com a carne rija.
Saímos de casa para almoçarada com as mães na casa da matriarca paterna, não sem antes, entregar os mais velhos no Banco Alimentar para o turno das 11 às 13. Não sei bem porquê, mas tenho uma certa embirração pelo Banco Alimentar. É muito cócó. Uma espécie de solidariedade fashion, solidariedade Gucci. Não gostei assim tanto de ver os fedelhos de queixo colado às caixas do supermercado na esperança de um saco de bens alimentares não perecíveis e de marca branca. Por muito pouco, mesmo por muito pouco, não me vi, eu próprio, a fazer o turno das 19 às 23.
Finda a solidariedade, super almoço do dia da Mãe a entrar tarde fora como convém nestas ocasiões.
Eis que num repente, para lá das 4 da tarde, veio-me à memória uma ponta solta:
"Apagaste o lume da carne ?"
"Sim, fui lá e vi que o tacho não estava no lume onde o tinhas posto. Não precisei apagar porque já o tinhas tirado do lume"
"Eu mudei para um bico do fogão mais pequeno, para não se pegar. Não o tirei do lume."
"Estou Lurdes ? Desculpe lá estar a incomodar, mas pode-me dizer se cheira a queimado na escada, é que o André não tem a certeza se deixou a carne ao lume e ,... COMO??? CHEIRA MUITO A QUEIMADO?????? "
Já saí muitas vezes à pressa de vários locais, mas garanto que desta vez caíram recordes.
Lembro-me mal da viagem até casa a menos de algumas frases soltas:
"Liga os quatro piscas e buzina pai, como quando eu parti a cabeça"
"Vai mais devagar, pior que a casa incendiada é ficarmos todos entrevadinhos e sem carro"
"Ai o meu porta moedas está no quarto dos brinquedos mesmo ao lado da cozinha. Estou tramado."
"... e os meus xapatos e os chinelos novos ... e ... e ...e ... o ómaranha"
"Pode ser que os meus trabalhos de casa já estejam todos queimadinhos. Dava jeito."
Larguei o carro à porta de casa, subi as escadas de 16 em 16 degraus e o cheiro, que no rés do chão era de apurado cozinhado, no segundo andar já era de churrascada de algo que não é suposto churrascar, estilo churrasco de pastéis de bacalhau.
Chave na porta e senhor nos acuda. Pelo nevoeiro parecia Londres, pelo cheiro parecia uma incineradora de pneus. Voei até à cozinha, e com toda a certeza, graças à ajuda que os Marias deram no Banco Alimentar, Deus protegeu-nos do incêndio, e os danos limitaram-se à carne, ao tacho e ao cheiro absorvido por tudo o que é roupa lá de casa.
O fim de tarde tranquilo a que nos propunhamos, acabou por ser farto em afazeres estranhos que envolveram velas acesas, vapores de água e canela, edredons e roupa a arejar na varanda. Ainda bem que o Benfica recuperou o segundo lugar, senão diria que se titnha tratado de um fim de tarde infernal. Ainda pensámos ir pedinchar uma janta ao Banco Alimentar, mas eu optei por fazer um frango assado no forno. Bem sei que a casa fica a cheirar, mas perdido por cem perdido por mil. Pior não haveria de ficar.
Acabei por não fazer o meu turno no BA, ficará para uma próxima oportunidade. Quem é que iria entregar um saco de bens alimentares não perecíveis, a uma pessoa que cheira a churrasco de pastéis de bacalhau ?