... lá de casa faz anos hoje. A coisa genericamente agrada-me porque até final de Agosto temos a mesma idade e não há cá espaço para a piada absurda de "eu sou muito mais nova que tu". Neste caso em particular, e desde Agosto último, que a piada agudizou-se com a tónica na diferença na década "eu ainda tenho trintas e tu, lamento informar-te, já tens quarenta".
Mas como diz o povo, "Deus escreve directo, por trás das portas", eis que, quando acordo, se me deparo com uma mulher de quarenta anos na minha cama. Parece em tudo igualinha à tal dos trintas com quem me deitei, mas a bem a bem, é uma mulher de quarenta. Já avisámos os Marias que a canção oficial de verão é a Ternura dos Quarenta do Paco Bandeira e que, agora que os pais são, em conjunto, octogenários, eles vão ter que se dotar de uma imensa paciência e ser muito, mas muito bem comportados.
Baldas generalizadas a empregos e escolas, programas de família e verão sem horários e eis-nos regressados, cansados, sorridentes e ligeiramente dourados, a casa. Um regresso a umas horas mais ou menos tardias, que, já se sabe, a idade não ajuda. Parabéns Rainha.
Nota do Autor: Desde já aviso os leitores deste blog que, depois da festa de finalistas do João Maria, que acabou com duas dezenas de miudos de 10 anos a chorar por sairem da escola, a lamechice está esgotada e banida por estes lados até 2012.
quinta-feira, junho 26, 2008
terça-feira, junho 17, 2008
Holanda
No jogo Holanda - Itália, perguntava-me eu o que raio quer dizer van em Holandês:
- é que estes laranjas chaman-se todos van. Van der Sar, van Nistelrooy, van der Vaart, van Basten, van Bronckhorst.
- não tarda muito entra o Van essa, pai.
Tiveste alguma graça Manel.
- é que estes laranjas chaman-se todos van. Van der Sar, van Nistelrooy, van der Vaart, van Basten, van Bronckhorst.
- não tarda muito entra o Van essa, pai.
Tiveste alguma graça Manel.
segunda-feira, junho 16, 2008
Precisava de um destrava posts entalados
... e veio com este fim de semana.
Fui de comboio. O fuso horário entre Lisboa e Oeiras desfasou os feriados municipais, pelo que na sexta feira, ao fim da tarde, apanhei o comboio para me juntar a eles.
O tempo de uma viagem de comboio é sempre tempo ganho. Tempo de leituras, de músicas, ou só de olhar para a paisagem, ou só de olhar-me. Sem pressas, sem atrasos, somente à tabela. Gosto de observar os edifícios ao longo das paralelas linhas. Armazéns em ruínas, casas simples, casas senhoriais, ou pequenas casinhas para o guarda da passagem de nível. Janelas de vidros partidos ou janelas emolduradas em era bem cuidada. Pouca terra pouca terra que não tenho pressas.
Lembro-me da linha da beira alta, as viagens para Tibaldinho naquelas carruagens com compartimentos de meias dúzias. Fazia-me confusão metade do comboio ir para um lado e a outra metade para o outro. Donde vinha a certeza da carruagem certa ? Saíamos em Mangualde e depois ía-mos de táxi até Tibaldinho. Prefácio dumas férias sempre saboreadas.
Cheguei a Coimbra-B quase um par de horas depois da partida. Ouvi com atenção o último álbum da Maria Rita, ainda o não tinha feito. Não me entusiasma. Uma ou outra como excepção de uma regra que me irrita. Ajudei a mulher que tinha um braço estranho a carregar a mala para fora do comboio e olhei em volta. Lá estavam elas à minha espera. Demos umas voltas a mais numas rotundas de Coimbra que insistiam em levar-nos ao o centro da cidade, e por fim, a estrada pretendida.
A casa atrás do portão verde era imensa e um relvado gigantesco e uma simpatia ainda maior. Isto soa ao "review" dum turismo de habitação - " a senhora do turismo de habitação era muito simpática, solícita e conhecedora dos encantos da região ". Nada disso. A verdade é que nunca tinha convivido mais do que uma horas com a Catarina, e gostava dela por partilharmos a mesma mulher. Pouco mais do que isso. A verdade é que a Ana não se enganou. A Catarina é tendencialmente um gajo porreiro.
Fim de semana tal qual ela contou ali. Risadas, conversas, criançada por todos os lados, ping pong, piscina e matraquilhos. Príncipes e princesas felizes. Brincar aos cruzamentos e aos remates. Faço um centro ao segundo poste e eles voam todos para o golo. Falhamos todos, rimo-nos e insultamo-nos. "Nabo". "Palhaço". "Que zarolho, vê-se mesmo que és do Sporting". Cigarros, café, cerveja, petiscos, vinhos, comidas e risos. Ténias, polícias, ladrões, etiquetas, alarmes, pinceladas e quadros. Aquele barco ficou-me na retina. Se um dia comprar um barco, há-de ser um daqueles. E risos e cumplicidades e guincharia com os selvagens. Ainda a porcaria da alergia que se arrasta e que mantêm a Rainha de nariz e olhos vermelhos, mas de boas ondas. Muitas, tantas crianças para algumas mães, todas galinhas, e depois a própria, a genuína e verdadeira. Veio de pai, de princesas, de barrigas, de doces regionais e mais conversas a velocidades estonteantes. Parece que se aproxima uma primeira comunhão que envolve uma coreografia de ballet clássico e três dias de festa como os casamentos ciganos. Se assim não for, algo de parecido será. Que a força esteja contigo no próximo fim de semana (e a Singer também).
Soube tão bem e a pouco, que deixo pontas soltas. Os troncos de videira, e se calhar um pulinho à Mealhada, à conta dos porcos-bonsai.
QUAL FOI A PARTE DO "GOSTEI DE ESTAR LÁ E DE TI E DE TI E DE TI E SIM QUERO VOLTAR" QUE NÂO PERCEBERAM?
Fui de comboio. O fuso horário entre Lisboa e Oeiras desfasou os feriados municipais, pelo que na sexta feira, ao fim da tarde, apanhei o comboio para me juntar a eles.
O tempo de uma viagem de comboio é sempre tempo ganho. Tempo de leituras, de músicas, ou só de olhar para a paisagem, ou só de olhar-me. Sem pressas, sem atrasos, somente à tabela. Gosto de observar os edifícios ao longo das paralelas linhas. Armazéns em ruínas, casas simples, casas senhoriais, ou pequenas casinhas para o guarda da passagem de nível. Janelas de vidros partidos ou janelas emolduradas em era bem cuidada. Pouca terra pouca terra que não tenho pressas.
Lembro-me da linha da beira alta, as viagens para Tibaldinho naquelas carruagens com compartimentos de meias dúzias. Fazia-me confusão metade do comboio ir para um lado e a outra metade para o outro. Donde vinha a certeza da carruagem certa ? Saíamos em Mangualde e depois ía-mos de táxi até Tibaldinho. Prefácio dumas férias sempre saboreadas.
Cheguei a Coimbra-B quase um par de horas depois da partida. Ouvi com atenção o último álbum da Maria Rita, ainda o não tinha feito. Não me entusiasma. Uma ou outra como excepção de uma regra que me irrita. Ajudei a mulher que tinha um braço estranho a carregar a mala para fora do comboio e olhei em volta. Lá estavam elas à minha espera. Demos umas voltas a mais numas rotundas de Coimbra que insistiam em levar-nos ao o centro da cidade, e por fim, a estrada pretendida.
A casa atrás do portão verde era imensa e um relvado gigantesco e uma simpatia ainda maior. Isto soa ao "review" dum turismo de habitação - " a senhora do turismo de habitação era muito simpática, solícita e conhecedora dos encantos da região ". Nada disso. A verdade é que nunca tinha convivido mais do que uma horas com a Catarina, e gostava dela por partilharmos a mesma mulher. Pouco mais do que isso. A verdade é que a Ana não se enganou. A Catarina é tendencialmente um gajo porreiro.
Fim de semana tal qual ela contou ali. Risadas, conversas, criançada por todos os lados, ping pong, piscina e matraquilhos. Príncipes e princesas felizes. Brincar aos cruzamentos e aos remates. Faço um centro ao segundo poste e eles voam todos para o golo. Falhamos todos, rimo-nos e insultamo-nos. "Nabo". "Palhaço". "Que zarolho, vê-se mesmo que és do Sporting". Cigarros, café, cerveja, petiscos, vinhos, comidas e risos. Ténias, polícias, ladrões, etiquetas, alarmes, pinceladas e quadros. Aquele barco ficou-me na retina. Se um dia comprar um barco, há-de ser um daqueles. E risos e cumplicidades e guincharia com os selvagens. Ainda a porcaria da alergia que se arrasta e que mantêm a Rainha de nariz e olhos vermelhos, mas de boas ondas. Muitas, tantas crianças para algumas mães, todas galinhas, e depois a própria, a genuína e verdadeira. Veio de pai, de princesas, de barrigas, de doces regionais e mais conversas a velocidades estonteantes. Parece que se aproxima uma primeira comunhão que envolve uma coreografia de ballet clássico e três dias de festa como os casamentos ciganos. Se assim não for, algo de parecido será. Que a força esteja contigo no próximo fim de semana (e a Singer também).
Soube tão bem e a pouco, que deixo pontas soltas. Os troncos de videira, e se calhar um pulinho à Mealhada, à conta dos porcos-bonsai.
QUAL FOI A PARTE DO "GOSTEI DE ESTAR LÁ E DE TI E DE TI E DE TI E SIM QUERO VOLTAR" QUE NÂO PERCEBERAM?
quinta-feira, maio 15, 2008
Asneirada
Bem sei que levaste com os ferros no sobrolho, quando o médico te tirava da barriga da mãe, mas isso não pode servir de desculpa para tudo. Arrancar parede da escola? Mas que raio de ideia. O que é que querias que eu dissesse à directora?
“Sabe lá. Aquilo lá em casa é um fartote de rir. Fazemos concursos a ver quem arranca o maior bocado da parede. O Manel estava a treinar, é natural. Mas fique descansada, não volta a acontecer. É que estamos a começar com um concurso de repuxos com as torneiras do lavatório.”
Ou então Manel, sempre posso usar a lógica Socrática:
“Eu peço imensa desculpa, mas a verdade é que ninguém lá casa sabia que era proibido arrancar bocados de parede da escola. Olhe, ele aproveita este mal entendido para deixar este vício de arrancar bocados de parede.”
Portanto Manel, como acredito que nenhum destes discursos tenha sucesso, a bem a bem, o melhor é tratares de arranjar tinta e pincel e pores mãos à obra. E não se trata só do bocado que arrancaste. É a parede toda para não se notar.
“Sabe lá. Aquilo lá em casa é um fartote de rir. Fazemos concursos a ver quem arranca o maior bocado da parede. O Manel estava a treinar, é natural. Mas fique descansada, não volta a acontecer. É que estamos a começar com um concurso de repuxos com as torneiras do lavatório.”
Ou então Manel, sempre posso usar a lógica Socrática:
“Eu peço imensa desculpa, mas a verdade é que ninguém lá casa sabia que era proibido arrancar bocados de parede da escola. Olhe, ele aproveita este mal entendido para deixar este vício de arrancar bocados de parede.”
Portanto Manel, como acredito que nenhum destes discursos tenha sucesso, a bem a bem, o melhor é tratares de arranjar tinta e pincel e pores mãos à obra. E não se trata só do bocado que arrancaste. É a parede toda para não se notar.
sexta-feira, maio 09, 2008
Festival da Canção
dos tempos em que era um evento para ver em família, a preto e branco no ecrã, a cores nas emoções e no entusiasmo.
No festival de 78, esta mulher veio cá pela última vez e cantou durante quase uma hora. Caramba, o que me impressionou a raça e a força e a manha. Ainda hoje...
Cartomante
Sinal Fechado e Transversal do Tempo
Deus lhe pague
No festival de 78, esta mulher veio cá pela última vez e cantou durante quase uma hora. Caramba, o que me impressionou a raça e a força e a manha. Ainda hoje...
Cartomante
Sinal Fechado e Transversal do Tempo
Deus lhe pague
quinta-feira, maio 08, 2008
Sr Ladrão
Espero que se encontre de boa saúde, e que os euros obtidos na venda do auto rádio do meu carro lhe tenham proporcionado algum conforto. Escrevo-lhe novamente porque pode dar-se o caso do senhor se encontrar nas imediações do Tagus Park e de eventualmente me poder ajudar aqui num problemazinho que me anda a apoquentar. É que, como sabe, o bólide que assaltou não tem fecho centralizado e vai daí as portas só fecham quando se põe o pinchavelho para baixo.
Acontece que hoje pela manhã, chegado ao emprego, cometi a proeza de fechar a porta com a chave lá lentro e agora não consigo chegar ao interior da viatura.
Tendo o senhor demonstrado tamanha destreza na abertura da porta do condutor naquele episódio do auto rádio, solicito-lhe que dê um saltinho até aqui para poder ajudar-me. Mais informo que auto rádios é o que não falta nas redondezas, e dos bons, pelo que a sua viagem nunca seria em vão.
Obrigadinho e desculpe o incómodo.
Acontece que hoje pela manhã, chegado ao emprego, cometi a proeza de fechar a porta com a chave lá lentro e agora não consigo chegar ao interior da viatura.
Tendo o senhor demonstrado tamanha destreza na abertura da porta do condutor naquele episódio do auto rádio, solicito-lhe que dê um saltinho até aqui para poder ajudar-me. Mais informo que auto rádios é o que não falta nas redondezas, e dos bons, pelo que a sua viagem nunca seria em vão.
Obrigadinho e desculpe o incómodo.
terça-feira, maio 06, 2008
Festejos
É mais que sabido que a criançada gosta de celebrações. Lá em casa, o dia da Mãe é celebrado efusivamente com um moche à mãe e com prendas clonadas provenientes da escola. Este ano, foram uns blocos A76 com um lápis do ikea colados com muito amor a uma tábua de madeira decorada com muito amor e embrulhados com muito amor, e ainda com uma dedicatória e um poema. Tudo com muito amor.
Para adiantar serviço, a carne guisada do jantar já estava pronta de véspera, só precisava de um bocadinho mais de fogão para ficar tenrinha porque nós já não vamos para novos, e os marias não têm uma relação fácil com a carne rija.
Saímos de casa para almoçarada com as mães na casa da matriarca paterna, não sem antes, entregar os mais velhos no Banco Alimentar para o turno das 11 às 13. Não sei bem porquê, mas tenho uma certa embirração pelo Banco Alimentar. É muito cócó. Uma espécie de solidariedade fashion, solidariedade Gucci. Não gostei assim tanto de ver os fedelhos de queixo colado às caixas do supermercado na esperança de um saco de bens alimentares não perecíveis e de marca branca. Por muito pouco, mesmo por muito pouco, não me vi, eu próprio, a fazer o turno das 19 às 23.
Finda a solidariedade, super almoço do dia da Mãe a entrar tarde fora como convém nestas ocasiões.
Eis que num repente, para lá das 4 da tarde, veio-me à memória uma ponta solta:
"Apagaste o lume da carne ?"
"Sim, fui lá e vi que o tacho não estava no lume onde o tinhas posto. Não precisei apagar porque já o tinhas tirado do lume"
"Eu mudei para um bico do fogão mais pequeno, para não se pegar. Não o tirei do lume."
"Estou Lurdes ? Desculpe lá estar a incomodar, mas pode-me dizer se cheira a queimado na escada, é que o André não tem a certeza se deixou a carne ao lume e ,... COMO??? CHEIRA MUITO A QUEIMADO?????? "
Já saí muitas vezes à pressa de vários locais, mas garanto que desta vez caíram recordes.
Lembro-me mal da viagem até casa a menos de algumas frases soltas:
"Liga os quatro piscas e buzina pai, como quando eu parti a cabeça"
"Vai mais devagar, pior que a casa incendiada é ficarmos todos entrevadinhos e sem carro"
"Ai o meu porta moedas está no quarto dos brinquedos mesmo ao lado da cozinha. Estou tramado."
"... e os meus xapatos e os chinelos novos ... e ... e ...e ... o ómaranha"
"Pode ser que os meus trabalhos de casa já estejam todos queimadinhos. Dava jeito."
Larguei o carro à porta de casa, subi as escadas de 16 em 16 degraus e o cheiro, que no rés do chão era de apurado cozinhado, no segundo andar já era de churrascada de algo que não é suposto churrascar, estilo churrasco de pastéis de bacalhau.
Chave na porta e senhor nos acuda. Pelo nevoeiro parecia Londres, pelo cheiro parecia uma incineradora de pneus. Voei até à cozinha, e com toda a certeza, graças à ajuda que os Marias deram no Banco Alimentar, Deus protegeu-nos do incêndio, e os danos limitaram-se à carne, ao tacho e ao cheiro absorvido por tudo o que é roupa lá de casa.
O fim de tarde tranquilo a que nos propunhamos, acabou por ser farto em afazeres estranhos que envolveram velas acesas, vapores de água e canela, edredons e roupa a arejar na varanda. Ainda bem que o Benfica recuperou o segundo lugar, senão diria que se titnha tratado de um fim de tarde infernal. Ainda pensámos ir pedinchar uma janta ao Banco Alimentar, mas eu optei por fazer um frango assado no forno. Bem sei que a casa fica a cheirar, mas perdido por cem perdido por mil. Pior não haveria de ficar.
Acabei por não fazer o meu turno no BA, ficará para uma próxima oportunidade. Quem é que iria entregar um saco de bens alimentares não perecíveis, a uma pessoa que cheira a churrasco de pastéis de bacalhau ?
Para adiantar serviço, a carne guisada do jantar já estava pronta de véspera, só precisava de um bocadinho mais de fogão para ficar tenrinha porque nós já não vamos para novos, e os marias não têm uma relação fácil com a carne rija.
Saímos de casa para almoçarada com as mães na casa da matriarca paterna, não sem antes, entregar os mais velhos no Banco Alimentar para o turno das 11 às 13. Não sei bem porquê, mas tenho uma certa embirração pelo Banco Alimentar. É muito cócó. Uma espécie de solidariedade fashion, solidariedade Gucci. Não gostei assim tanto de ver os fedelhos de queixo colado às caixas do supermercado na esperança de um saco de bens alimentares não perecíveis e de marca branca. Por muito pouco, mesmo por muito pouco, não me vi, eu próprio, a fazer o turno das 19 às 23.
Finda a solidariedade, super almoço do dia da Mãe a entrar tarde fora como convém nestas ocasiões.
Eis que num repente, para lá das 4 da tarde, veio-me à memória uma ponta solta:
"Apagaste o lume da carne ?"
"Sim, fui lá e vi que o tacho não estava no lume onde o tinhas posto. Não precisei apagar porque já o tinhas tirado do lume"
"Eu mudei para um bico do fogão mais pequeno, para não se pegar. Não o tirei do lume."
"Estou Lurdes ? Desculpe lá estar a incomodar, mas pode-me dizer se cheira a queimado na escada, é que o André não tem a certeza se deixou a carne ao lume e ,... COMO??? CHEIRA MUITO A QUEIMADO?????? "
Já saí muitas vezes à pressa de vários locais, mas garanto que desta vez caíram recordes.
Lembro-me mal da viagem até casa a menos de algumas frases soltas:
"Liga os quatro piscas e buzina pai, como quando eu parti a cabeça"
"Vai mais devagar, pior que a casa incendiada é ficarmos todos entrevadinhos e sem carro"
"Ai o meu porta moedas está no quarto dos brinquedos mesmo ao lado da cozinha. Estou tramado."
"... e os meus xapatos e os chinelos novos ... e ... e ...e ... o ómaranha"
"Pode ser que os meus trabalhos de casa já estejam todos queimadinhos. Dava jeito."
Larguei o carro à porta de casa, subi as escadas de 16 em 16 degraus e o cheiro, que no rés do chão era de apurado cozinhado, no segundo andar já era de churrascada de algo que não é suposto churrascar, estilo churrasco de pastéis de bacalhau.
Chave na porta e senhor nos acuda. Pelo nevoeiro parecia Londres, pelo cheiro parecia uma incineradora de pneus. Voei até à cozinha, e com toda a certeza, graças à ajuda que os Marias deram no Banco Alimentar, Deus protegeu-nos do incêndio, e os danos limitaram-se à carne, ao tacho e ao cheiro absorvido por tudo o que é roupa lá de casa.
O fim de tarde tranquilo a que nos propunhamos, acabou por ser farto em afazeres estranhos que envolveram velas acesas, vapores de água e canela, edredons e roupa a arejar na varanda. Ainda bem que o Benfica recuperou o segundo lugar, senão diria que se titnha tratado de um fim de tarde infernal. Ainda pensámos ir pedinchar uma janta ao Banco Alimentar, mas eu optei por fazer um frango assado no forno. Bem sei que a casa fica a cheirar, mas perdido por cem perdido por mil. Pior não haveria de ficar.
Acabei por não fazer o meu turno no BA, ficará para uma próxima oportunidade. Quem é que iria entregar um saco de bens alimentares não perecíveis, a uma pessoa que cheira a churrasco de pastéis de bacalhau ?
quarta-feira, abril 30, 2008
Sr Ladrão
É certo que aquela rua está mesmo a pedi-las. Deserta, quase sombria, com um ou outro sem abrigo quase ao relento, não fora a o prédio que se debruça sobre o passeio e lhes proporciona algo que se assemelha a um tecto. É certo também que o poderoso bólide de fabrico sul coreano não é um icone de protecção anti roubo, e que o rádio estava ali mesmo a acenar a quem o quisesse levar. É ainda certo que nutro alguma simpatia pelo seu modus operandi: sem quebra de vidros, sem fechaduras estragadas, o painel cuidadosamente desmontado para não causar grandes estragos. Felicito-o por isso e acho que mereceu o rádio que levou, tanto mais que a parte da frente, que era suposto eu levar sempre comigo, estava lá encaixada porque eu acredito nos robins dos bosques e nos zés dos telhados. Não sei se o rádio necessita do código, depois de desligado da bateria, mas se se der o caso de ser leitor deste blog, o código é 3872. Afinal é foleiro gamar-me o rádio e não conseguir dar-lhe algum uso. Merece o rádio sim senhor, fique lá com ele. Se quiser o manual e a garantia, deixe-me aqui uma mensagem que combinamos um dia e eu deixo a porta aberta e a documentação no porta luvas. Agradeço-lhe ainda não ter levado os patins da mala, porque são meus e comercialmente não têm qualquer valor. Talvez para investigação científica, por causa dos cogumelos que têm no fundo da bota, resultado da transpiração e da falta de ar renovado no seu interior.
Com tantos factores que me agradaram na sua actuação, senhor Ladrão, permita que lhe diga que o senhor foi um grande filho, enfim um grande palhaço, que não tinha nada que me levar os discos do Caetano Veloso e do Jorge Palma e ainda estou para ver se me levou o concerto em Colónia do Keith Jarrett. É que se for esse o caso, então terei que tomar medidas mais drásticas como dizer-lhe que o sr Ladrão é, na realidade, um palhaço da pior espécie, com todo o respeito que tenho pela nobre profissão abraçada por Alberto João.
Agradeço portanto que quando for buscar a documentação do rádio, tenha o cuidado de lá deixar os CD's que teve o descaramento de roubar. Palhaço.
Obrigados.
Com tantos factores que me agradaram na sua actuação, senhor Ladrão, permita que lhe diga que o senhor foi um grande filho, enfim um grande palhaço, que não tinha nada que me levar os discos do Caetano Veloso e do Jorge Palma e ainda estou para ver se me levou o concerto em Colónia do Keith Jarrett. É que se for esse o caso, então terei que tomar medidas mais drásticas como dizer-lhe que o sr Ladrão é, na realidade, um palhaço da pior espécie, com todo o respeito que tenho pela nobre profissão abraçada por Alberto João.
Agradeço portanto que quando for buscar a documentação do rádio, tenha o cuidado de lá deixar os CD's que teve o descaramento de roubar. Palhaço.
Obrigados.
quinta-feira, abril 17, 2008
Caro Manel
Serve o presente para o informar, que na casa em que coabitamos, não são toleradas práticas de bruxaria ou de magia negra. Estão desta forma banidas as folhas de papel A5 cheias de autocolantes de jogadores vestidos às risquinhas verdes e brancas e com escritos de incentivo à equipa que dessa cor traja. A prática de esfregar essas folhas no ecrã da televisão será duramente punida, podendo o delinquente incorrer em castigos que podem ir do chapadão ao pagamento de multas de centenas de euros.
quarta-feira, abril 09, 2008
Miragem
Se algum líder do PSD consultar a página da metereologia, vai ter uma agradável surpresa. Tudo laranja de uma ponta a outra, parece a capa do expresso depois da segunda maioria avbsoluta de Cavaco o Silva.
Trata-se apenas da côr utilizada para sinalizar a existência de ventos fortes, e não ventos de mudança como seria da vontade do Meneses. A bem da verdade se o mapa representasse a agitação causada pelo líder laranja, nem uma brisa apareceria.
O PSD sofre do mesmo mal que o Benfica, historicamente é um adversário de respeito, mas não passa disso. Tem uma direcção miserável, um treinador condenado à saída e um plantel fraquinho...muito fraquinho.
Trata-se apenas da côr utilizada para sinalizar a existência de ventos fortes, e não ventos de mudança como seria da vontade do Meneses. A bem da verdade se o mapa representasse a agitação causada pelo líder laranja, nem uma brisa apareceria.
O PSD sofre do mesmo mal que o Benfica, historicamente é um adversário de respeito, mas não passa disso. Tem uma direcção miserável, um treinador condenado à saída e um plantel fraquinho...muito fraquinho.
segunda-feira, abril 07, 2008
Atmosferas

Gostei daquele apartamento. Sóbrio recto e muito boa onda. Atmosferas. Paredes meias com o Elevador da Glória, a vistas com a glória elevada do castelo, traseiras escancaradas para uma pensão de poucas estrelas, quase familiar e de águas correntes. Perto do Maxim's e do Hotclub (parabéns ao Hot que fez anos aqui há uns dias).
Gostei de encontrar as pessoas, do cartaz do MOMA's emoldurado, e do Hugo Pratt de alguns álbuns de BD (dos tempos em que BD queria dizer banda desenhada e não base de dados). O Expresso de Sábado perto da cedeira de design, e dentro do Expresso um gadget que me chamou a atenção. Uma janela_varanda desenhada e patenteada pela Hofman Dujardin Architects. Grande ideia, já reconhecida com um reddot design award (que desconhecia existir).
Cá em Portugal, a coisa faria mais sucesso, se se tratasse de uma Janela_Marquise_de_Alumínio, porque o conceito de varanda cheira sempre a espaço mesmo a pedir para ser transformado em marquise, e portanto, a bem a bem, o que eu gostava de saber, era da possibilidade de alterarem o projecto para o mercado português. Não querendo pedir demais, se fosse possível a marquise vir já alcatifada, porque as marquises são muito frias e uma alcatifa fica sempre bem. Parece-me.
Patinhas II
Ontem o Manel Maria pediu-me para lhe trocar as modas que tinha por uma nota de 5 euros. A conversa do dinheiro preocupa-me, mas o dia não lhe estava a correr bem. Estatelou-se a andar de bicicleta e esfolou a bochecha esquerda (“Com a cara tão encarnada, amanhã na escola vão pensar que estou apaixonado.”). Perguntei-lhe onde tinha arranjado as moedas. 2,5 € da semanada e 2,5 da aposta com o João.
- Como????
- Apostei em como lhe ganhava no pro evolution soccer. E ganhei.
A juntar às regras já existentes, estão desde então proibidos os jogos de azar, as apostas e qualquer actividade que envolva penalizações ou compensações financeiras. É melhor estender esta regra à escola também. Não deve ser preciso muito, para o loiro de caracóis e de bochecha esfolada, inaugurar na escola uma sala de jogo clandestino, com roleta, mesas de jogo, jogo do bicho, e banca de apostas.
Loiro, vamos lá a ver se nos entendemos. Isto de arranjar dinheiro é tradicional e (quase) exclusivamente da competência parental.
Tenho a sensação que se um dia descobres que se pode vender tralha na feira da ladra, acabas por limpar o já parco recheio lá de casa.
- Como????
- Apostei em como lhe ganhava no pro evolution soccer. E ganhei.
A juntar às regras já existentes, estão desde então proibidos os jogos de azar, as apostas e qualquer actividade que envolva penalizações ou compensações financeiras. É melhor estender esta regra à escola também. Não deve ser preciso muito, para o loiro de caracóis e de bochecha esfolada, inaugurar na escola uma sala de jogo clandestino, com roleta, mesas de jogo, jogo do bicho, e banca de apostas.
Loiro, vamos lá a ver se nos entendemos. Isto de arranjar dinheiro é tradicional e (quase) exclusivamente da competência parental.
Tenho a sensação que se um dia descobres que se pode vender tralha na feira da ladra, acabas por limpar o já parco recheio lá de casa.
sexta-feira, abril 04, 2008
Andorra III
quinta-feira, abril 03, 2008
$$$$
O Manel é o tio Patinhas lá de casa. Só a ordem cronológica me convence que o personagem não foi inspirado nele.
Os dias de semanada são aguardados com contagem decrescente e quando o descaramento está solto, quase sempre, pede dinheiro a quem quer que seja. Há tempos, a recusa da avó, veio acompanhada de explicação:
"A avó não pode dar-te mais uma nota porque já deu na passada semana e o dinheiro tem que chegar para comprar tudo o que é preciso até ao fim do mês. É preciso ter muito cuidado e atenção quando se trata de gastar dinheiro."
"E é assim a vida toda ?"
"É sim Manel."
"O que é que hei-de fazer para ganhar dinheiro ? Estou tramado."
Em Andorra, depois de uns meses de poupanças, gastou as economias numa Nintendo DS prateada, colocando a zeros o saldo da sua carteira. A bem da verdade sobraram-lhe 2 euros mas ele não parece ter uma relação feliz com as moedas.
A ausência de fundo de maneio tem vindo a preocupá-lo e ontem a olhar desolado para o imenso vazio do porta moedas, comunicou-nos:
"- Vou ter que ir pedir dinheiro à saída da missa. Não estou a ver outra saída"
Se ele descobre que pode arrumar carros, ou baby siting, é capaz de nos dar uns dias difíceis.
Os dias de semanada são aguardados com contagem decrescente e quando o descaramento está solto, quase sempre, pede dinheiro a quem quer que seja. Há tempos, a recusa da avó, veio acompanhada de explicação:
"A avó não pode dar-te mais uma nota porque já deu na passada semana e o dinheiro tem que chegar para comprar tudo o que é preciso até ao fim do mês. É preciso ter muito cuidado e atenção quando se trata de gastar dinheiro."
"E é assim a vida toda ?"
"É sim Manel."
"O que é que hei-de fazer para ganhar dinheiro ? Estou tramado."
Em Andorra, depois de uns meses de poupanças, gastou as economias numa Nintendo DS prateada, colocando a zeros o saldo da sua carteira. A bem da verdade sobraram-lhe 2 euros mas ele não parece ter uma relação feliz com as moedas.
A ausência de fundo de maneio tem vindo a preocupá-lo e ontem a olhar desolado para o imenso vazio do porta moedas, comunicou-nos:
"- Vou ter que ir pedir dinheiro à saída da missa. Não estou a ver outra saída"
Se ele descobre que pode arrumar carros, ou baby siting, é capaz de nos dar uns dias difíceis.
quarta-feira, abril 02, 2008
Andorra II - Carajillo
A descida para Grau Roig, como quem vem de Soldeu, começa sempre com uma queda. Quem sai das cadeiras, depara-se com o início de uma pista preta mesmo à frente do nariz, e quanto mais não seja, apanha um susto e cai. O João Maria chamou-lhe preta avermelhada antes de a fazer, e retirou-lhe o avermelhada quando, depois de a fazer, se gaba do feito. Descendo o início da preta e virando logo à direita pelo caminho do lago, encontra-se passados dois quilómetros uma cabana onde se bebe, entre outras coisas, um Carajillo. Metade café metade brandy (ou outra bebida com alcool).
Parece que a expressão carajillo, vem de coragem. "Vamos a coger corajillo", daí a carajillo. Pelo menos, para a abordagem às pistas mais difíceis, parece ter funcionado.
segunda-feira, março 31, 2008
Andorra I
Bela ideia esta de, passados 4 anos de abstinência, regressar aos Pirinéus. Melhor ainda, se para chegar a Andorra, uma paragem em Madrid, nos proporciona a exposição de Picasso.
Tenho em mim que o velho do pincel, nuns repentes oftalmológicos passou a usar óculos bifocais, o que explica a fase cubista, seguida de uma adaptação muito conturbada às lentes graduadas, por alturas da Guernica.
Genial, portanto, a exposição, ainda que os selvas se tenham separado tornando difícil o controlo parental. O mais novo, recentemente apelidado de Sirenes (diminutivo Siras), era de localização imediata graças à guincharia com que insistiu em nos presentear durante a semana. Já o Lunetas e Loiro faziam comentários pouco adequados à obra do pintor e insistiam em perguntar porque é que ele tinha cortado a própria orelha (desconheço quem foi o animal que, de propósito, lhes misturou a história dos pintores – eh eh eh eh).
Rumamos por fim a Andorra, longe demais, na minha modesta opinião. Tenho cá para mim que o Afonso Henriques foi burro na escolha do rectângulo Luso. Ou foi burro ou nada percebia de Ski e Snowboard.
Bem que podia ter começado por Guimarães e ia para a nordeste até França, ou então começava pelos Algarves e ia para Leste até pelo menos Granada. Em qualquer um dos casos, estávamos safos da Serra da Estrela que envergonha qualquer praticante de desportos de inverno, e ficávamos com umas estâncias de inverno decentes. Axandrem-se os amantes do queijo da serra que em Andorra ou em Serra Nevada haveria espaço para cabras e ovelhas a perder de vista. A segunda opção (Algarve Granada) ainda traz a vantagem de o Futebol Clube do Porto não estar no nosso campeonato, e levar umas tareias do Real e do Barcelona.
Este formato que o Afonso escolheu, além de triste, coloca o nosso esqui, ao nível da participação na Eurovisão – segundos a contar do fim logo a seguir a Malta.
Por falar no Henriques, regressado ao nosso querido Portugal, reparo que anda tudo empertigaitado porque uma aluna bateu numa professora à conta de um telemóvel. Mas seria de esperar outra coisa? O nosso primeiro Rei andava ao estalo à mãe, e ficamos boquiabertos porque uma miúda disputa energicamente a posse do telemóvel com a professora ? E a padeira de Aljubarrota ? Andou a afiambrar nos espanhóis que nem uma doida, e nem uma voz se levantou a condenar a sua incapacidade para o diálogo. Estátuas existem do Afonso e da Padeira, no entanto querem levar a moça do telemóvel ao tribunal de menores ? Estão todos parvos ?
Tenho em mim que o velho do pincel, nuns repentes oftalmológicos passou a usar óculos bifocais, o que explica a fase cubista, seguida de uma adaptação muito conturbada às lentes graduadas, por alturas da Guernica.
Genial, portanto, a exposição, ainda que os selvas se tenham separado tornando difícil o controlo parental. O mais novo, recentemente apelidado de Sirenes (diminutivo Siras), era de localização imediata graças à guincharia com que insistiu em nos presentear durante a semana. Já o Lunetas e Loiro faziam comentários pouco adequados à obra do pintor e insistiam em perguntar porque é que ele tinha cortado a própria orelha (desconheço quem foi o animal que, de propósito, lhes misturou a história dos pintores – eh eh eh eh).
Rumamos por fim a Andorra, longe demais, na minha modesta opinião. Tenho cá para mim que o Afonso Henriques foi burro na escolha do rectângulo Luso. Ou foi burro ou nada percebia de Ski e Snowboard.
Bem que podia ter começado por Guimarães e ia para a nordeste até França, ou então começava pelos Algarves e ia para Leste até pelo menos Granada. Em qualquer um dos casos, estávamos safos da Serra da Estrela que envergonha qualquer praticante de desportos de inverno, e ficávamos com umas estâncias de inverno decentes. Axandrem-se os amantes do queijo da serra que em Andorra ou em Serra Nevada haveria espaço para cabras e ovelhas a perder de vista. A segunda opção (Algarve Granada) ainda traz a vantagem de o Futebol Clube do Porto não estar no nosso campeonato, e levar umas tareias do Real e do Barcelona.
Este formato que o Afonso escolheu, além de triste, coloca o nosso esqui, ao nível da participação na Eurovisão – segundos a contar do fim logo a seguir a Malta.
Por falar no Henriques, regressado ao nosso querido Portugal, reparo que anda tudo empertigaitado porque uma aluna bateu numa professora à conta de um telemóvel. Mas seria de esperar outra coisa? O nosso primeiro Rei andava ao estalo à mãe, e ficamos boquiabertos porque uma miúda disputa energicamente a posse do telemóvel com a professora ? E a padeira de Aljubarrota ? Andou a afiambrar nos espanhóis que nem uma doida, e nem uma voz se levantou a condenar a sua incapacidade para o diálogo. Estátuas existem do Afonso e da Padeira, no entanto querem levar a moça do telemóvel ao tribunal de menores ? Estão todos parvos ?
quarta-feira, março 19, 2008
Triplicado
Vai que cada vez que é dia do Pai, pela manhã, depois do moche ao Pai, recebo requintadas peças de artesanato escolar, preparadas nos dias que o antecedem com muito carinho, amor e dedicação.
Tenho cá para mim que a imaginação de um professor primário é tão fértil quanto a do Major Valentim em tempos de campanha. Se este último opta por electrodomésticos, os primeiros disponibilizam uma panóplia infindável de brindes: t-shirts, suportes para canetas, canecas, aventais, molduras, suspensórios, pisa papéis e até bases para os quentes.
Tratando-se de uma oferta de filho para pai, descubro-me claramente agradado com o esforço e empenho dos petizes e de suas educadoras. A bem, a bem, só mudava uma coisa. Cada classe faria a sua própria lembrança ao invés de a repetirem em todas as idades. É que se três t-shirts nao soa mal, já três canecas é mais difícil de enquadrar, e três porta chaves ainda pior. Se a primeira é para o carro e a segunda para as chaves de casa, à terceira estará destinado um protagonismo duvidoso, como as chaves da arrecadacao. Esta relaçao de ordem entre as prendas do dia do pai, causa obviamente focos de reebeliao entre ois marias, e a bem da verdade é o que menos me faz falta. Para facilitar as vida dos professores da escola dos marias deixo algumas sugestoes para futuros dias do pai:
uma PS3 pintada a aguarela pelos meninos;
uma bicicleta todo o terreno com a fotografia deles no quadro;
um plasma de cinquenta e tal polegadas com um plástico à frente a dizer "és o melhor pai do mundo"
Fica entao a sugestao e o desafio para me dizerem o destino a dar aos tres porta chaves e aos três aventais do ano passado e às três canecas de há dois anos.
Tenho cá para mim que a imaginação de um professor primário é tão fértil quanto a do Major Valentim em tempos de campanha. Se este último opta por electrodomésticos, os primeiros disponibilizam uma panóplia infindável de brindes: t-shirts, suportes para canetas, canecas, aventais, molduras, suspensórios, pisa papéis e até bases para os quentes.
Tratando-se de uma oferta de filho para pai, descubro-me claramente agradado com o esforço e empenho dos petizes e de suas educadoras. A bem, a bem, só mudava uma coisa. Cada classe faria a sua própria lembrança ao invés de a repetirem em todas as idades. É que se três t-shirts nao soa mal, já três canecas é mais difícil de enquadrar, e três porta chaves ainda pior. Se a primeira é para o carro e a segunda para as chaves de casa, à terceira estará destinado um protagonismo duvidoso, como as chaves da arrecadacao. Esta relaçao de ordem entre as prendas do dia do pai, causa obviamente focos de reebeliao entre ois marias, e a bem da verdade é o que menos me faz falta. Para facilitar as vida dos professores da escola dos marias deixo algumas sugestoes para futuros dias do pai:
uma PS3 pintada a aguarela pelos meninos;
uma bicicleta todo o terreno com a fotografia deles no quadro;
um plasma de cinquenta e tal polegadas com um plástico à frente a dizer "és o melhor pai do mundo"
Fica entao a sugestao e o desafio para me dizerem o destino a dar aos tres porta chaves e aos três aventais do ano passado e às três canecas de há dois anos.
sexta-feira, fevereiro 29, 2008
Às vezes
pareço esquecer-me o quanto gosto do disco "Por este rio acima" do Fausto, que o acho um dos melhores discos de música portuguesa. E quando um acaso, me leva por este rio acima, é como um sonho acordado ...
terça-feira, fevereiro 19, 2008
Ziguezaguear
É na rotina que me surpreendem. A rua comprida de vivendas de um lado e do outro, quase quase a chegar à escola, curvas suaves e alegrias. As poças de água a pedirem uma onda com as rodas do carro, e a gritaria lá atrás: “para a esquerda, para a direita” e lá vou eu ziguezagueando o carro para euforia dos ocupantes lá de trás. Agora o mais pequeno desenvolveu o gosto pela buzina e também ordena buzinadelas entre cada ziguezague: “Buzina pai, buzina”. Se um dia for multado às oito e meia por andar aos esses, a buzinar, e a fazer ondas nas poças da rua, será certamente uma multa bem merecida, mas por causas muito saboreadas.
Hoje, além das poças estarem particularmente apetitosas, capazes de ondas mais altas que o carro, a conversa assumiu contornos difíceis de explicar:
Maria1 – Eu quando era pequeno achava que os bebés apareciam do nada
Maria2 – Não sabias que vinham do sexo ?
(aqui ia tendo um desastre)
Maria1 – Não. Achava que vinham do nada. Agora já sei que vêm do sexo, não é pai ?
Eu – Pouco barulho que eu quero ouvir as notícias.
Maria1 – É do sexo sim.
Maria2 – É por causa disso que eu vou viver sozinho.
Maria1 – Eu não. Que eu quero ter filhos, e depois, se fores viver sozinho não tens ninguém para brincar. Acabas por te chatear e ficar triste.
Maria2 – Não chateio nada.
Eu – Já chegámos meninos, vamos para a escola.
Mais do que o teor da conversa, preocupou-me o silêncio atento e cognitivo do Maria3.
Hoje, além das poças estarem particularmente apetitosas, capazes de ondas mais altas que o carro, a conversa assumiu contornos difíceis de explicar:
Maria1 – Eu quando era pequeno achava que os bebés apareciam do nada
Maria2 – Não sabias que vinham do sexo ?
(aqui ia tendo um desastre)
Maria1 – Não. Achava que vinham do nada. Agora já sei que vêm do sexo, não é pai ?
Eu – Pouco barulho que eu quero ouvir as notícias.
Maria1 – É do sexo sim.
Maria2 – É por causa disso que eu vou viver sozinho.
Maria1 – Eu não. Que eu quero ter filhos, e depois, se fores viver sozinho não tens ninguém para brincar. Acabas por te chatear e ficar triste.
Maria2 – Não chateio nada.
Eu – Já chegámos meninos, vamos para a escola.
Mais do que o teor da conversa, preocupou-me o silêncio atento e cognitivo do Maria3.
segunda-feira, fevereiro 04, 2008
Semana que passou
Eventualmente, um acto de preguiça, não escrevi na semana passada.
Não escrevi que levei o Manel Maria ao futebol. Eu, Benfiquista dos sete costados, levei-o ao Sporting Porto. Isto do amor incondicional aos filhos, leva um homem a contrariar as suas crenças estruturantes, o seu ADN, a sua cadeia de valores. Bem sei que se tratava de uma oportunidade para camarote VIP, o que trazia alguma novidade à forma de ir ao futebol, mas sem hesitações, peguei no mais novo Sportinguista lá de casa e cumpri a promessa feita já há algum tempo. Camarote connosco, buffet, varanda no estádio e a festa do loiro dos caracóis. Contagiante pois claro, ao ponto de festejar os golos como se fossem do Rui Costa e do Nuno Gomes. Euforia de seis anos a delirar com o ambiente. "É a minha camisola que dá muita sorte pai." Foi de certeza a camisola Nhó, porque sorte foi o que não faltou naquela noite.
Uma semana vivida a mil, turbilhões e burburinhos. E de repente, é o sol que me surpreende, anda a pôr-se perto das seis, garantia da luz estonteante por entre as nuvens e o mar. Parecem trivelas do Quaresma, a magia dos fins de tarde.
Falar em Sol, falar em Sporting, há um leão lá por casa. Uma grande juba laranja e uma cauda, que na rua vai sempre na mão para não se sujar. Uma vez mascararam-me com um fato de gato que tinha uma grande cauda, da qual eu tinha pavor e da qual fugia de uma ponta à outra da casa. No fim de cada fuga olhava para trás e lá estava a cauda agarrada ao fato, razão suficiente para nova correria e berreiro. Já com três anos o meu QI era em tudo semelhante ao de um poste telefónico. Além do Leão, há um Luke Skywalker e um Darth Vader, sabres de luz para todos, até para o Leão. Na sexta feira foram assim mascarados para o colégio, devidamente acompanhados de serpentinas e papelinhos. Se alguma vez me passasse pela cabeça ser professor primário, a existência desta sexta feira resolvia eventuais dúvidas. Não faz parte do meu feitio encontrar papelinhos na roupa e no cabelo durante toda a Quaresma. No cabelo ? Qual cabelo ?
Tenho estado na cozinha às voltas com os tachos. Gosto e tendo a sujar roupa a menos que me coloquem um avental. Nunca sou eu a fazê-lo, não me lembro nunca de ir buscar o avental. Só depois de asneirar é que me lembro da sua utilidade. Nos últimos dias, a novidade é verde, influência garantida do Sporting. Tenho feito saladas, com queijo parmesão, cogumelos e nozes. Ficam boas se temperadas com vinagre balsâmico, quase que nem se dá pelas folhas verdes da alface e da rúcula.
Não escrevi que levei o Manel Maria ao futebol. Eu, Benfiquista dos sete costados, levei-o ao Sporting Porto. Isto do amor incondicional aos filhos, leva um homem a contrariar as suas crenças estruturantes, o seu ADN, a sua cadeia de valores. Bem sei que se tratava de uma oportunidade para camarote VIP, o que trazia alguma novidade à forma de ir ao futebol, mas sem hesitações, peguei no mais novo Sportinguista lá de casa e cumpri a promessa feita já há algum tempo. Camarote connosco, buffet, varanda no estádio e a festa do loiro dos caracóis. Contagiante pois claro, ao ponto de festejar os golos como se fossem do Rui Costa e do Nuno Gomes. Euforia de seis anos a delirar com o ambiente. "É a minha camisola que dá muita sorte pai." Foi de certeza a camisola Nhó, porque sorte foi o que não faltou naquela noite.
Uma semana vivida a mil, turbilhões e burburinhos. E de repente, é o sol que me surpreende, anda a pôr-se perto das seis, garantia da luz estonteante por entre as nuvens e o mar. Parecem trivelas do Quaresma, a magia dos fins de tarde.
Falar em Sol, falar em Sporting, há um leão lá por casa. Uma grande juba laranja e uma cauda, que na rua vai sempre na mão para não se sujar. Uma vez mascararam-me com um fato de gato que tinha uma grande cauda, da qual eu tinha pavor e da qual fugia de uma ponta à outra da casa. No fim de cada fuga olhava para trás e lá estava a cauda agarrada ao fato, razão suficiente para nova correria e berreiro. Já com três anos o meu QI era em tudo semelhante ao de um poste telefónico. Além do Leão, há um Luke Skywalker e um Darth Vader, sabres de luz para todos, até para o Leão. Na sexta feira foram assim mascarados para o colégio, devidamente acompanhados de serpentinas e papelinhos. Se alguma vez me passasse pela cabeça ser professor primário, a existência desta sexta feira resolvia eventuais dúvidas. Não faz parte do meu feitio encontrar papelinhos na roupa e no cabelo durante toda a Quaresma. No cabelo ? Qual cabelo ?
Tenho estado na cozinha às voltas com os tachos. Gosto e tendo a sujar roupa a menos que me coloquem um avental. Nunca sou eu a fazê-lo, não me lembro nunca de ir buscar o avental. Só depois de asneirar é que me lembro da sua utilidade. Nos últimos dias, a novidade é verde, influência garantida do Sporting. Tenho feito saladas, com queijo parmesão, cogumelos e nozes. Ficam boas se temperadas com vinagre balsâmico, quase que nem se dá pelas folhas verdes da alface e da rúcula.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

