Foi se calhar o sol o primeiro a dizer que aquele Domingo se faria gente. Que importa. Vamos todos para os patins e (quase) todos patinar. O Manel e o António em estreia, o João já meu cúmplice. O Domingo estava decididamente de estação trocada. Foi se calhar o mar que se fez fabuloso. Que importa. Aproveitamos-lhe a proximidade para o almoço. Às tantas os amigos, o passeio na vila bonita. Patins outra vez, e o Manel cada vez mais afoito apesar da evidente tendência do rabo se encontrar com o chão. Às tantas as queijadas da vila bonita.
As saudades que eu tinha de patinar. E de um Domingo decidido à medida que apetece. E do mar.
segunda-feira, janeiro 21, 2008
domingo, janeiro 13, 2008
Parabéns
Ao 13º dia do mês de Janeiro, a Caixa de Costura tem o prazer e a imensa alegria de anunciar o nascimento do priméiro bébé de 2008 numa sala de partos de um hospital nacional.
Após 12 dias de recém nascidos que encheram as páginas dos jornais, por terem nascido em Badajoz, em ambulâncias, em serviços de urgência, em salas de espera, e em casa, hoje (face à ausência de notícias desta natureza) nasceu, com toda a certeza, um bébé numa sala de parto.
Aos pais e ao recém nascido, os meus mais sinceros parabéns. O bébé que não se preocupe por não ter sido notícia, já se sabe que não se pode ter sempre sorte (excepção feita para o João Soares que sobreviveu a um desastre de avião e ainda assim vai dando que falar aqui e ali), e portanto pode ser que seja notícia por frequentar uma escola que seja fechada.
Após 12 dias de recém nascidos que encheram as páginas dos jornais, por terem nascido em Badajoz, em ambulâncias, em serviços de urgência, em salas de espera, e em casa, hoje (face à ausência de notícias desta natureza) nasceu, com toda a certeza, um bébé numa sala de parto.
Aos pais e ao recém nascido, os meus mais sinceros parabéns. O bébé que não se preocupe por não ter sido notícia, já se sabe que não se pode ter sempre sorte (excepção feita para o João Soares que sobreviveu a um desastre de avião e ainda assim vai dando que falar aqui e ali), e portanto pode ser que seja notícia por frequentar uma escola que seja fechada.
quinta-feira, janeiro 10, 2008
Música
Tocou-lhe ao de leve, com a gentileza da fricção da crina do arco sobre as cordas, e na gentileza das cordas se fez música. E o coração a bater desconcertante, na euforia dos dedos sobre as teclas, na intensa inquietude dos martelos a percutir as cordas.
E sempre o som de melodias, cheias e imensas nas partituras, infinitas notas encruzilhadas entre espaços e linhas. Ténues as linhas de fronteira que sugerem o mar à terra, que propõem o sonho à realidade, que entregam as palavras à melodia. Reinventam-se então canções bonitas, letras e sons enredados, mãos cúmplices de dedos entrelaçados, confundem-se os instrumentos e soam assim magníficos. Como violinos e pianos.
E sempre o som de melodias, cheias e imensas nas partituras, infinitas notas encruzilhadas entre espaços e linhas. Ténues as linhas de fronteira que sugerem o mar à terra, que propõem o sonho à realidade, que entregam as palavras à melodia. Reinventam-se então canções bonitas, letras e sons enredados, mãos cúmplices de dedos entrelaçados, confundem-se os instrumentos e soam assim magníficos. Como violinos e pianos.
terça-feira, janeiro 08, 2008
Trailler

Nova aventura da mulher elástica dos incríveis, pelo António Maria.
Nos braços do sofá da sala, a mulher elástica bate-se heroicamente contra o maior dos dinossauros do cesto dos brinquedos. O dinossauro ameaça:
- Vou-te comer.
A ameaça não parece intimidar a heroína da história
- Olha que eu tenho umas mamas.
Com um golpe da mulher elástica, o dinossauro salta de uma altura de um braço de um sofá e cai inanimado no soalho, com um enorme estrondo.
Mamas elásticas. Aposto que ainda ninguém tinha pensado nisto.
sexta-feira, janeiro 04, 2008
Actualizações
na coluna da direita.
Um egómetro, para me darem muitas estrelas de votação, e acrescentei a Mad, que anda lá fora a lutar pela vida.
Um egómetro, para me darem muitas estrelas de votação, e acrescentei a Mad, que anda lá fora a lutar pela vida.
Que alívio
... senti quando soube desta notícia: "O PSD concorda com o cancelamento do Lisboa Dakar". Ainda bem, que eu estava muito preocupado com a opinião do PSD sobre o cancelamento. Já agora, gostava de saber quais são os partidos que concordam ou não com:
- O oceano Atlântico
- O oceano Pacífico (o oceano propriamente dito e o programa de rádio)
- A baía de Cascais (a canção dos delfins e a baía)
- O desaparecimento da Maddie
- O Natal em Dezembro
- A inexistência de Forcados Amadores no concelho de Mangualde
- A chave do Euromilhões
Obrigados
- O oceano Atlântico
- O oceano Pacífico (o oceano propriamente dito e o programa de rádio)
- A baía de Cascais (a canção dos delfins e a baía)
- O desaparecimento da Maddie
- O Natal em Dezembro
- A inexistência de Forcados Amadores no concelho de Mangualde
- A chave do Euromilhões
Obrigados
quinta-feira, janeiro 03, 2008
Mãe Natal
Guerra Junqueiro acima, com os três Marias soltos a pular entre carrinhos do Noddy, cavalos e eléctricos, daqueles que, com uma moeda de um euro, abanam durante dois minutos ao som de uma música infantil. Até que de repente a uns cinquenta metros lá estava a mãe Natal a distribuir qualquer coisa que não me apercebo.
Lá vão os três aos guinchos a chamar pela mãe Natal e uma vez junto dela dão-lhe abracinhos, fazem-lhe uma festa, perguntam pelo Pai Natal, querem explicações sobre o conteúdo das cartas que não foi atendido.
À medida que me aproximo da festa, noto que a mãe Natal tem um vestido estranhamente curto, um decote generoso, e aparentemente mais curvas que o próximo troço da CRIL. Algo mais me chama atenção, apesar dos miúdos lhe estarem a pedir um exemplar dos panfletos que ela generosamente distribui, ela insiste em vedar-lhes o acesso à publicidade. Grande cabra, já me está a irritar. Aproximo-me e digo-lhe:
- Bom dia Mãe Natal, não me diga que estes selvas não têm direito às lembrancinhas que está a distribuir.
A mãe Natal, com pouco mais de vinte anos se é que os tem, olha para mim, esboça um sorriso amarelado e diz num português atabalhoado com sotaque de Leste:
- Toma o senhor.
Estende-me um panfleto. Olho-o incrédulo. É de um clube de strip que promove a noite de fim de ano com um show erótico.
- Bom Ano então. MENINOS, deixem lá a Mãe Natal em paz, ela está muito cansada e já deve estar farta de meninos.
- Pois teve a ajudar o Pai Natal com as prendas. Pois foi pai?
Pois foi filho, pois foi.
Lá vão os três aos guinchos a chamar pela mãe Natal e uma vez junto dela dão-lhe abracinhos, fazem-lhe uma festa, perguntam pelo Pai Natal, querem explicações sobre o conteúdo das cartas que não foi atendido.
À medida que me aproximo da festa, noto que a mãe Natal tem um vestido estranhamente curto, um decote generoso, e aparentemente mais curvas que o próximo troço da CRIL. Algo mais me chama atenção, apesar dos miúdos lhe estarem a pedir um exemplar dos panfletos que ela generosamente distribui, ela insiste em vedar-lhes o acesso à publicidade. Grande cabra, já me está a irritar. Aproximo-me e digo-lhe:
- Bom dia Mãe Natal, não me diga que estes selvas não têm direito às lembrancinhas que está a distribuir.
A mãe Natal, com pouco mais de vinte anos se é que os tem, olha para mim, esboça um sorriso amarelado e diz num português atabalhoado com sotaque de Leste:
- Toma o senhor.
Estende-me um panfleto. Olho-o incrédulo. É de um clube de strip que promove a noite de fim de ano com um show erótico.
- Bom Ano então. MENINOS, deixem lá a Mãe Natal em paz, ela está muito cansada e já deve estar farta de meninos.
- Pois teve a ajudar o Pai Natal com as prendas. Pois foi pai?
Pois foi filho, pois foi.
segunda-feira, dezembro 31, 2007
Nada melhor
... que os últimos dias do ano para fechar casos mal resolvidos.
A mesa da televisão estava desde 2006 assente em cima de revistas. A televisão é pesada, o IKEA não é famoso pela qualidade das madeiras. Conclusão: as rodas da mesa tinham afundado dentro da tábua de algo que parece ser pouco mais que cartão prensado folheado a faia.
Eu, que tenho tanta queda para a bricolage, como para o macramé, resolvi pôr mãos à obra e tratei de voltar a colocar a mesa em cima de rodas. Ainda pendurei uma prateleira que insistia em inclinar qual torre de Pizza. Na onda da bricolage, a Ana pintou um quadrado da parede do escritório dos Marias com uma tinta magnética. A ideia é pendurar na parede mariquices com uns imans sem precisar de quadro. Os pincéis foram lavados no lava loiças.
De volta para a minha zona de conforto, fui fazer o almoço. A bolonhesa estava com o molho demasiado espesso, pelo que aquele copo que estava no lava-loiças, era o recipiente ideal para despejar água no cozinhado. Parece-me ter visto alguma tinta magnética entrar para dentro do tacho. Não tenho a certeza. Se alguém encontrar uma família inteira agarrada ao frigorífico pelo estômago ou pelos intestinos, a explicação está dada.
Para terminar, algo que nunca falei. Por vergonha. Tem a ver com esta faceta de conseguir estar meia hora a babar-me em frente a um recepiente cheio de água e de algas. Fica aqui a imagem do aquário que montei este ano

Bom ano para todos.
A mesa da televisão estava desde 2006 assente em cima de revistas. A televisão é pesada, o IKEA não é famoso pela qualidade das madeiras. Conclusão: as rodas da mesa tinham afundado dentro da tábua de algo que parece ser pouco mais que cartão prensado folheado a faia.
Eu, que tenho tanta queda para a bricolage, como para o macramé, resolvi pôr mãos à obra e tratei de voltar a colocar a mesa em cima de rodas. Ainda pendurei uma prateleira que insistia em inclinar qual torre de Pizza. Na onda da bricolage, a Ana pintou um quadrado da parede do escritório dos Marias com uma tinta magnética. A ideia é pendurar na parede mariquices com uns imans sem precisar de quadro. Os pincéis foram lavados no lava loiças.
De volta para a minha zona de conforto, fui fazer o almoço. A bolonhesa estava com o molho demasiado espesso, pelo que aquele copo que estava no lava-loiças, era o recipiente ideal para despejar água no cozinhado. Parece-me ter visto alguma tinta magnética entrar para dentro do tacho. Não tenho a certeza. Se alguém encontrar uma família inteira agarrada ao frigorífico pelo estômago ou pelos intestinos, a explicação está dada.
Para terminar, algo que nunca falei. Por vergonha. Tem a ver com esta faceta de conseguir estar meia hora a babar-me em frente a um recepiente cheio de água e de algas. Fica aqui a imagem do aquário que montei este ano

Bom ano para todos.
quarta-feira, dezembro 26, 2007
70 anos
Como é costume acontecer por esta altura, o meu pai fez anos, é uma mania que ele tem desde criança esta história de fazer anos mesmo coladinho ao Natal. Acontece que desta vez, por se tratar de um daqueles números redondos, múltiplos de dez, teve direito a uma imensa festa de amigos e famílias. Reencontrar pessoas que já não se vê há tantos anos, primos que mal nos lembramos, histórias das nossas vidas. Também teve direito a discursos, de sobrinhos, filhos e netos e como sempre, quando se discursa, falta-nos a serenidade e o tempo que nos oferece a escrita, e quando discursei falei sobre um rascunho de um post que haveria de colocar aqui:
Gosto Tanto de Cinema
Gosto do cinema pronto a consumir, como gosto dos outros cinemas, de outros lados, de outros autores, de outros sotaques de outras cores e luzes.
O meu pai tem responsabilidade nisto. Acho que foi no cinema Europa, ali mesmo ao lado de casa, no intervalo do filme. “André tenta perceber o que nos mostra o filme para lá do que o filme nos mostra.”
Aquilo soou-me a conversa da treta. “Lá vem este gajo com merdas estranhas. O que é que ele quer dizer com isto ? O que é isto de ver para lá do filme ?”
Ao longo dos anos, e de quando em vez, a frase vinha-me à cabeça enquanto assistia a um filme e casava com o que eu pensava enquanto via o filme. Para lá do filme.
Um dia levou-me a ver as filmagens de anúncios. Um anúncio de Sugus no Portugal dos pequeninos. Dois dias de 40 graus a filmar miúdos armados em gente grande, com a banda a passar. Sempre a mesma música, “SUGUS de fruta tanto sabor”. O que eu porém cantarolava durante esses dias, era sempre Chico. Para mim, aquele anúncio merecia a Banda do Chico:
“A moça triste que vivia calada sorriu
A rosa triste que vivia fechada se abriu
E a meninada toda se assanhou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor”
Acabei por trabalhar durante alguns verões numa produtora de filmes publicitários. Definitivamente eu gostava daquilo. Dos reflectores, dos carris, das claquetes, das luzes, da fita, das pessoas, das girafas, das gruas, dos mini brut, das pancadas das pessoas. Aqueles gajos dos 35 mm têm muitas pancas, mas têm muita piada. São chatos, minuciosos, geniais, divertidos, mal criados, cuidadosos e sobretudo loucos. Quase todos sem excepção, cultivam uma saudável dose de loucura. Se assim não é, era assim que os via dos meus treze anos.
Para além do cinema, do Chico, do Jazz, foi sobretudo ver o filme para lá do filme que o meu pai me ensinou. Tentar chegar além do óbvio. Acho que foi isso que ele quis dizer. Parabéns Manecas.
Gosto Tanto de Cinema
Gosto do cinema pronto a consumir, como gosto dos outros cinemas, de outros lados, de outros autores, de outros sotaques de outras cores e luzes.
O meu pai tem responsabilidade nisto. Acho que foi no cinema Europa, ali mesmo ao lado de casa, no intervalo do filme. “André tenta perceber o que nos mostra o filme para lá do que o filme nos mostra.”
Aquilo soou-me a conversa da treta. “Lá vem este gajo com merdas estranhas. O que é que ele quer dizer com isto ? O que é isto de ver para lá do filme ?”
Ao longo dos anos, e de quando em vez, a frase vinha-me à cabeça enquanto assistia a um filme e casava com o que eu pensava enquanto via o filme. Para lá do filme.
Um dia levou-me a ver as filmagens de anúncios. Um anúncio de Sugus no Portugal dos pequeninos. Dois dias de 40 graus a filmar miúdos armados em gente grande, com a banda a passar. Sempre a mesma música, “SUGUS de fruta tanto sabor”. O que eu porém cantarolava durante esses dias, era sempre Chico. Para mim, aquele anúncio merecia a Banda do Chico:
“A moça triste que vivia calada sorriu
A rosa triste que vivia fechada se abriu
E a meninada toda se assanhou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor”
Acabei por trabalhar durante alguns verões numa produtora de filmes publicitários. Definitivamente eu gostava daquilo. Dos reflectores, dos carris, das claquetes, das luzes, da fita, das pessoas, das girafas, das gruas, dos mini brut, das pancadas das pessoas. Aqueles gajos dos 35 mm têm muitas pancas, mas têm muita piada. São chatos, minuciosos, geniais, divertidos, mal criados, cuidadosos e sobretudo loucos. Quase todos sem excepção, cultivam uma saudável dose de loucura. Se assim não é, era assim que os via dos meus treze anos.
Para além do cinema, do Chico, do Jazz, foi sobretudo ver o filme para lá do filme que o meu pai me ensinou. Tentar chegar além do óbvio. Acho que foi isso que ele quis dizer. Parabéns Manecas.
domingo, dezembro 16, 2007
Monstros e Companhia
Abro a cortina do banho e o mais novo está mesmo ali especado. Reparo que não me olha para a cara, antes para a pila. Ainda pensei perguntar-lhe para onde é que estava a olhar, mas mantive-me calado, na vã esperança que desse meia volta e fosse à sua vida.
- O pai também tem pila.
- Pois é. E o João e o Manel também. Cá em casa só a mãe é que não tem pilinha.
- É grande
(Mau mau, isto vai acabar mal. O miudo tem três anos acabadinhos de fazer, além das cá de casa, não há-de ter visto muito mais pilas, é normal que a ache grande.)
- Parece um monstro
(O quêêêêêêêêêêê ???? Um monstro ???? Mas o quê ??? E o que é que a mãe está ali a rir-se que nem uma perdida? Que estupidez. Este miúdo deve ter uma deficiência cognitiva qualquer)
A conversa ficou por ali mesmo, saí a correr da casa de banho.
Depois de uma investigaçãozinha descobri que ele só conhece meia dúzia de monstros. Afinal a qual deles é que ele se estaria a referir ?
- O pai também tem pila.
- Pois é. E o João e o Manel também. Cá em casa só a mãe é que não tem pilinha.
- É grande
(Mau mau, isto vai acabar mal. O miudo tem três anos acabadinhos de fazer, além das cá de casa, não há-de ter visto muito mais pilas, é normal que a ache grande.)
- Parece um monstro
(O quêêêêêêêêêêê ???? Um monstro ???? Mas o quê ??? E o que é que a mãe está ali a rir-se que nem uma perdida? Que estupidez. Este miúdo deve ter uma deficiência cognitiva qualquer)
A conversa ficou por ali mesmo, saí a correr da casa de banho.
Depois de uma investigaçãozinha descobri que ele só conhece meia dúzia de monstros. Afinal a qual deles é que ele se estaria a referir ?
quarta-feira, dezembro 12, 2007
Fora de tempo
Não era de se deter frente ao espelho para lhe observar os sinais. Perdeu facilmente conta às rugas, aos cabelos brancos, e às manchas na pele. Nunca foi seu propósito, sempre o viu como um companheiro. É que a boa companhia deixa sempre marcas. Mais do que as marcas, era a perca ocasional de mais um gesto que incomodava. Ainda há dias foi a abotoar os cordões dos sapatos, teve que se sentar para o fazer. Riu-se como se lhe desculpasse o dano “O preço da sabedoria. Só com o passar tempo se consegue o saber, e o passar do tempo leva tanto tempo a passar. “
A cumplicidade conquistada ao sentido dos ponteiros do relógio assegurava-lhe a imensa serenidade. Tomava-lhe o gosto a cada volta de cada um dos ponteiros, e em cada volta, o tempo das coisas a que se entregava a gosto. Como num trapézio sem rede balouçava nos afectos, no amor, nas coisas simples, e em cada triplo salto mortal agarrava com firmeza, o balanço da próxima barra, sabendo-a com a exactidão dos impossíveis. Tic Tac Tic Tac. Era sempre assim que se entregava ao tempo, em voos de tempos certos, nas certezas de páginas bem vividas. Como os trapezistas, via lá em baixo na pista, os malabaristas a contas com as laranjas no ar, de ritmos alucinantes, dos tempos perdidos, de tempos em falta, de tempos desperdiçados e inexistentes. Sorriu ao vê-los desbaratando contra o tempo. “Contra o tempo não se luta, é sempre a favor. É o que nos permite voar no trapézio, é o que nos confere os super poderes”. Quase garanto que ainda lhe dava o privilégio de um sorriso feliz de criança num rosto amadurecido.
A cumplicidade conquistada ao sentido dos ponteiros do relógio assegurava-lhe a imensa serenidade. Tomava-lhe o gosto a cada volta de cada um dos ponteiros, e em cada volta, o tempo das coisas a que se entregava a gosto. Como num trapézio sem rede balouçava nos afectos, no amor, nas coisas simples, e em cada triplo salto mortal agarrava com firmeza, o balanço da próxima barra, sabendo-a com a exactidão dos impossíveis. Tic Tac Tic Tac. Era sempre assim que se entregava ao tempo, em voos de tempos certos, nas certezas de páginas bem vividas. Como os trapezistas, via lá em baixo na pista, os malabaristas a contas com as laranjas no ar, de ritmos alucinantes, dos tempos perdidos, de tempos em falta, de tempos desperdiçados e inexistentes. Sorriu ao vê-los desbaratando contra o tempo. “Contra o tempo não se luta, é sempre a favor. É o que nos permite voar no trapézio, é o que nos confere os super poderes”. Quase garanto que ainda lhe dava o privilégio de um sorriso feliz de criança num rosto amadurecido.
quinta-feira, dezembro 06, 2007
Literatura
José Veiga vai lançar um livro com o título "Como tornar o Benfica Campeão".
A CaixadeCostura está em condições de avançar que este livro faz parte de uma colecção de duas dezenas de títulos, de onde se destacam os seguintes:
"Como tornar José Castelo Branco num Zézé Camarinha"
"Como tornar um político num engenheiro" (aqui o maricas cortou-se nos nomes)
"Como tornar a OTA num aeroporto"
"Como tornar a TVI numa estação de televisão de qualidade"
"Como tornar uma profissional da vida nocturna numa escritora de sucesso" (com prefácio de um presidente de um clube do norte)
"Como tornar a Madeira num país independente" (Co-autoria de João ALberto)
"Como tornar um corrupto num Presidente de Câmara" (antes de sair já esgotaram as 3 primeiras edições)
Aguardamos anciosos o lançamento destes títulos.
A CaixadeCostura está em condições de avançar que este livro faz parte de uma colecção de duas dezenas de títulos, de onde se destacam os seguintes:
"Como tornar José Castelo Branco num Zézé Camarinha"
"Como tornar um político num engenheiro" (aqui o maricas cortou-se nos nomes)
"Como tornar a OTA num aeroporto"
"Como tornar a TVI numa estação de televisão de qualidade"
"Como tornar uma profissional da vida nocturna numa escritora de sucesso" (com prefácio de um presidente de um clube do norte)
"Como tornar a Madeira num país independente" (Co-autoria de João ALberto)
"Como tornar um corrupto num Presidente de Câmara" (antes de sair já esgotaram as 3 primeiras edições)
Aguardamos anciosos o lançamento destes títulos.
sexta-feira, novembro 30, 2007
Gosto
da forma pões a franja em cima do arranhão para o esconder de todos, e que a coles à testa com cuspo,
de descer contigo sentados no corrimão da escada,
de te ver contrariar as partidas dos teus irmãos, dos pontapés na bola, e dos festejos de todos os golos, gosto quando apoias a tua inexistente equipa Benficaaaasportinnnnn”
quando agradeces “Obrigadodenada”,
de te ver a transportar dezenas de bonecos e carrinhos no cós da camisola para que os outros Marias não te assaltem,
dos mergulhos que dás, e dos assaltos que fazes às goluseimas,
de te ver adormecer numa das camas dos mais velhos enquanto te contam histórias, de ver dançar as músicas que gostas e de te ouvir cantar o “feitiço” no salão do hotel das férias acompanhado pelo pianista piroso,
quando reclamas o jantar assim que sais do banho, e de te ver comer chamuças,
que comas as migalhas do chão da cozinha, e que esfregues os dvd’s e os jogos da playstation no soalho da sala e ainda do requinte de colocares a parte gravada virada para baixo,
que mordas os cães do avô, e que varras as peças do tabuleiro de xadrez,
dos teu beijos e dos mimos, da maneira como te destapas à noite e de dormires com um braço para cima como eu,
de te ver despejar a comida dos peixes no aquário
da te ouvir pedir desculpa e de te fazer cócegas
de te perseguir no corredor para conseguir por soro fisiológico nas narinas ranhosas
de te balouçar embrulhado no toalhão de banho
quando imitas tudo o que o Manel faz
de te ver crescer, mas devagar
de te ver quase queimar a franja quando sopras as velas, como fizeste na segunda feira
tanto de ti meu amor. Parabéns.
de descer contigo sentados no corrimão da escada,
de te ver contrariar as partidas dos teus irmãos, dos pontapés na bola, e dos festejos de todos os golos, gosto quando apoias a tua inexistente equipa Benficaaaasportinnnnn”
quando agradeces “Obrigadodenada”,
de te ver a transportar dezenas de bonecos e carrinhos no cós da camisola para que os outros Marias não te assaltem,
dos mergulhos que dás, e dos assaltos que fazes às goluseimas,
de te ver adormecer numa das camas dos mais velhos enquanto te contam histórias, de ver dançar as músicas que gostas e de te ouvir cantar o “feitiço” no salão do hotel das férias acompanhado pelo pianista piroso,
quando reclamas o jantar assim que sais do banho, e de te ver comer chamuças,
que comas as migalhas do chão da cozinha, e que esfregues os dvd’s e os jogos da playstation no soalho da sala e ainda do requinte de colocares a parte gravada virada para baixo,
que mordas os cães do avô, e que varras as peças do tabuleiro de xadrez,
dos teu beijos e dos mimos, da maneira como te destapas à noite e de dormires com um braço para cima como eu,
de te ver despejar a comida dos peixes no aquário
da te ouvir pedir desculpa e de te fazer cócegas
de te perseguir no corredor para conseguir por soro fisiológico nas narinas ranhosas
de te balouçar embrulhado no toalhão de banho
quando imitas tudo o que o Manel faz
de te ver crescer, mas devagar
de te ver quase queimar a franja quando sopras as velas, como fizeste na segunda feira
tanto de ti meu amor. Parabéns.
A linha editorial
deste blog foi alterada. Até nem gosto de pressões no sentido de a alterar, mas o desconforto do post para o António andava a criar um certo ruído aqui perto da zona da consciência. Emendo a mão, mas sem criar hábitos de o fazer a pedido.
quarta-feira, novembro 28, 2007
O que te deu agora António?
... que andas a fazer xixi pelas pernas abaixo às duas e três vezes por dia.
Tenho cá para mim, que andas a ver televisão em demasia, o National Geographic sobretudo. Percebo que os teus irmãos te roubam todas as prendas que tens recebido e que sintas necessidade de afirmar alguns direitos de usufruto sobre as mesmas. Se, como desconfio que seja, estás a tentar marcar território como fazem algumas espécies selvagens que tanto aprecias, não o estás a fazer da forma correcta. O soalho lá de casa não é um bom local para o fazer, já que é de fácil acesso para a esfregona, que acaba por anular o efeito da tua marcação. Da próxima vez que quiseres marcar território com alguma eficácia, faz o seguinte. Arruma todos os teus pertences dentro dos cestos de brinquedo. Usa os de verga e não os de plástico, sempre são mais difíceis de lavar e a verga absorve a urina. Pões os carrinhos, as peças de lego, os peluches, as cartas de jogar, os bonecos de wrestling e as canetas todas lá para dentro. Aproveita para colocar também algumas coisas, que não sendo tuas, gostarias que fossem. As consolas dos manos, a PSP do pai e os sapatos da mãe com os quais tanto gostas de brincar. Depois baixas as calças de pijama e fazes o teu xixizinho lá para dentro. Assegura-te que regas todo o teu espólio abundantemente. Aposto que daqui a um ano ainda todos nos lembramos que aqueles são os teus pertences.
Título acidental: Novidades, novidades só o Incontinente.
Tenho cá para mim, que andas a ver televisão em demasia, o National Geographic sobretudo. Percebo que os teus irmãos te roubam todas as prendas que tens recebido e que sintas necessidade de afirmar alguns direitos de usufruto sobre as mesmas. Se, como desconfio que seja, estás a tentar marcar território como fazem algumas espécies selvagens que tanto aprecias, não o estás a fazer da forma correcta. O soalho lá de casa não é um bom local para o fazer, já que é de fácil acesso para a esfregona, que acaba por anular o efeito da tua marcação. Da próxima vez que quiseres marcar território com alguma eficácia, faz o seguinte. Arruma todos os teus pertences dentro dos cestos de brinquedo. Usa os de verga e não os de plástico, sempre são mais difíceis de lavar e a verga absorve a urina. Pões os carrinhos, as peças de lego, os peluches, as cartas de jogar, os bonecos de wrestling e as canetas todas lá para dentro. Aproveita para colocar também algumas coisas, que não sendo tuas, gostarias que fossem. As consolas dos manos, a PSP do pai e os sapatos da mãe com os quais tanto gostas de brincar. Depois baixas as calças de pijama e fazes o teu xixizinho lá para dentro. Assegura-te que regas todo o teu espólio abundantemente. Aposto que daqui a um ano ainda todos nos lembramos que aqueles são os teus pertences.
Título acidental: Novidades, novidades só o Incontinente.
quinta-feira, novembro 22, 2007
Antecipação
Segundo o estudo da Nemertes Research, a capacidade da internet pode esgotar em 2010. Detalhes aqui.
Os responsáveis pelo estudo frisam que não há risco de a Internet deixar de funcionar, apenas pode vir a sofrer quebras ou lentidão nos acessos. Conhecida por ser pioneira na área das tecnologias de informação, a Netcabo, resolveu antecipar o futuro em quase três anos.
Os responsáveis pelo estudo frisam que não há risco de a Internet deixar de funcionar, apenas pode vir a sofrer quebras ou lentidão nos acessos. Conhecida por ser pioneira na área das tecnologias de informação, a Netcabo, resolveu antecipar o futuro em quase três anos.
A culpa não é nossa. É deles

Não é a primeira vez que a conversa surge como pano de fundo das horas de almoço. A culpa foi minha, quando relatei com indignação um comentário xenófobo sobre os ciganos. Atropelaram-me com histórias de ciganos. Nas bombas de gasolina, nos centros de saúde, nos cafés, nos hospitais, nas lojas, nos acampamentos, nas filas de espera, nas escolas e na rua. Ranhosos, violentos, desrespeitadores, malcriados, porcos e ameaçadores. Aparentemente, o único lugar em que se comportam de forma quase aceitável, é atrás duma banca numa feira. A ideia que fica é que a ciganagem anda para aí a fazer-se de vítima e nada faz para trilhar o caminho da sã e pacata convivência.
As histórias batem certo com o que conheço, a discriminação também, tendemos a perder os brandos costumes quando se trata da raça cigana, o argumento que se segue é qualquer coisa do estilo “Neste caso mais vale estar de brandos costumes ou ainda levamos uma facada”.
Começo a achar que se trata de um daqueles casos de saber quem nasceu primeiro. Se o ovo se a galinha. Verifico que se trata de uns ovos e de umas galinhas com alguns séculos de existência:
Reinado de D. João III
1526 (Alvará de 3 de Março) «que não entrem ciganos no reino e saiam os que nele estiverem»
1538 (Lei XXIV) «sejem presos e publicamente açoutados, com baraço e pregão» «[à 2ª vez] outra vez açoitada publicamente... e perderá todo o móvel que tiver»
1557 (Lei de 17 de Agosto) Acrescenta a pena das galés
Reinado de D. Sebastião
1573 (Alvará de 14 de Março) Novo prazo de 30 dias para que saiam; senão, açoites às mulheres, galés aos homens; declara caducas as licenças de permanência anteriormente concedidas
1574 (Despacho sobre requerimento) Comutação de 5 anos nas galés por cinco anos no Brasil (a pedido do próprio)
Reinado de D. Henrique
1579 (Alvará de 11 de Abril) Concede novas licenças aos que «vivem bem e que trabalham e não são prejudiciais»; os nómadas, que «saiam do Reino dentro de trinta dias» ou «açoitado publicamente e degredado para sempre para as galés»
Reinado de D. Filipe I
1592 (Lei de 28 de Agosto) Dentro de 4 meses, se andassem em ranchos ou quadrilhas: executar com pena de morte, «sem apelação nem agravo»
A história continua até aos dias de hoje. Podia até ser algo como “Que sejam presos, impedidos de frequentar locais públicos que não feiras, ou em alternativa que se tornem jogadores do Futebol Clube do Porto”
As histórias ilustram uma difícil convivência. Mas caramba, já aprendi a conviver com tantas coisas que colidem com a minha cadeia de valores. Prefiro sempre o princípio da Presunção de Inocência. Não gosto de preconceitos, embora conviva pacificamente com quem os tem.
segunda-feira, novembro 19, 2007
Pirilampos

Hoje é que foi um fartote. Não há nada que chegue a um dia de chuva depois de umas semanas de seca. O povo diz e é verdade, não há fome que não dê em fartura.
Isto é que foi dar uso aos coletinhos. Ali há semanas pendurados nas costas dos bancos do condutor e do pendura, prestes a perder a fluorescência. Já tão murchinhos, coitadinhos dos coletes. Aposto que alguns até estavam no porta luvas, ou esquecidos na bagageira, sujeitos a ganhar fungos, os coitadinhos. Eis que uns aguaceiros mais persistentes os fazem desabrochar. Raros os cruzamentos em que não apareceram dois ou três coletinhos florescentes, envergadinhos pelos seus donos, a darem luz como os pirilampos. A A5 parecia a via láctea, até brilhava em amarelo fluorescente.
Só há uma coisa que me deixa confuso. Aqui há uns anos, quando os automobilistas tinham um acidente, falavam entre eles. É certo que não brilhavam no escuro, mas falavam uns com os outros, para tratarem da declaração amigável, ou para se insultarem ou mesmo para chegarem a vias de facto. Atitudes sensatas e de estreita comunhão de um problema a resolver em conjunto. Hoje em dia, estão vestidos com os coletes brilhantes, mas falam ao telemóvel, e raramente passam cartão aos restantes acidentados. Será que estão a falar uns com os outros ?
Obrigatório
Se o teu filho do meio se dirige ao mais novo usando uma expressão típica do teu chefe, é obrigatório parar, e aproveitar a pausa para redesenhar as fronteiras entre a vida profissional e a vida familiar.
"A vida é dura meu caro !" Ninguém com dois anos lida bem com esta argumentação. Mesmo aos quarenta ...
"A vida é dura meu caro !" Ninguém com dois anos lida bem com esta argumentação. Mesmo aos quarenta ...
quinta-feira, novembro 15, 2007
Deixo vinte paus na mesa vou apanhar boleia
Sempre gostei que se falasse das gentes da rádio como viajantes do éter. Ou simples assíduos frequentadores do éter. Gosto do conceito. Do que se propaga no nada. O que se propaga no inexistente.
“Éter é o nome da substância que os físicos acreditavam existir em todo o universo, mas sem massa, volume e indetectável, por não criar atrito. Os físicos do séc. XIX sabiam que a luz tinha natureza ondulatória, e imaginavam que deveria precisar de um meio para se propagar. Daí o Éter. Sabe-se hoje que essa substância não existe.”
Gosto de rádio. Ligo-o logo que acordo. Hoje trouxe-me, nos tropeções do trânsito e do tempo, a Esplanada do Trovante. 1984. Levei a minha namorada ao concerto no velho Coliseu. A Clara. O pai dela não achou grande graça ao programa, contámos com a mãe como aliada. O homem lá permitiu tamanho desvario. “Porreiro pá”. Até foi.
“Da esplanada em vão me projecto para lá de onde me sinto ...”
“Éter é o nome da substância que os físicos acreditavam existir em todo o universo, mas sem massa, volume e indetectável, por não criar atrito. Os físicos do séc. XIX sabiam que a luz tinha natureza ondulatória, e imaginavam que deveria precisar de um meio para se propagar. Daí o Éter. Sabe-se hoje que essa substância não existe.”
Gosto de rádio. Ligo-o logo que acordo. Hoje trouxe-me, nos tropeções do trânsito e do tempo, a Esplanada do Trovante. 1984. Levei a minha namorada ao concerto no velho Coliseu. A Clara. O pai dela não achou grande graça ao programa, contámos com a mãe como aliada. O homem lá permitiu tamanho desvario. “Porreiro pá”. Até foi.
“Da esplanada em vão me projecto para lá de onde me sinto ...”
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