de sítio, é que ele largou a porcaria da Nintendo.
Desde Segunda Feira que deu pela falta da consola, que não tenho descanso. E com o feitiosinho que ele tem, muito estranho que ainda não tenha se tenha barricado na varanda, feito os irmãos reféns e exigir a consola de volta.
Já procurei em quase todo o lado, já encontrei uma série de coisas que achava que tinha perdido, mas que nesta altura já não me servem para nada, até o congelador já foi revistado, não fosse o caso do Super Mário estar com vontade de passar umas férias na neve. Nada. O estupor da maquineta teima em desaparecer. Também, da maneira como ele a trata não admira. Eu se fosse a consola dele, também dava à sola na primeira oportunidade.
O fim de semana está aí, e eu temo que, a manter-se esta situação, possamos ter alguns dissabores familiares. É que o rapaz enerva-se muito, e o atarax já está no fim do frasco. Resolvi apelar à ajuda divina e pesquisei orações para objectos perdidos. Mais uma vez é o desgraçado do António (o Santo pois então) a dar uma mãozinha (se ele descobre que o irmão do proprietário da consola se chama António, e que o proprietário o trata da maneira que trata, bem que podemos orar que a Nintendo nunca mais dá sinal de vida. António, não se deu o caso de deitares a consola do mano Manel para o lixo, não?)
Descobri então esta oração:
Oração a Santo António, para achar objectos perdidos
Eu vos saúdo, glorioso Santo António,
fiel protector dos que em vós esperam.
Já que recebestes de Deus o poder especial
de fazer achar os objectos perdidos,
socorrei-me neste momento,
a fim de que, mediante vosso auxílio,
eu encontre o objecto que procuro...
Alcançai-me, sobretudo, uma fé viva,
uma esperança firme, uma caridade ardente
e uma docilidade sempre pronta aos desejos de Deus.
Que eu não me detenha apenas nas coisas deste mundo.
Saiba valorizá-las e utilizá-las
como algo que nos foi emprestado
e lute sobretudo por aquelas coisas
que ladrão nenhum pode nos arrebatar
e nem iremos perder jamais.
Assim seja.
Esta oração é mesmo apressadinha. "Acudam-me acudam-me a encontrar o que procuro e tal. Ai se calhar é melhor ser um bocadinho mais subtil Ajuda-me lá a ter a sabedoria fé e caridade e já que estás a perder tempo comigo, aquela coisa que eu perdi, se a puseres à vista, é que me está mesmo a fazer falta. Obrigadinho Pá." ou "porreiro Pá" parafraseando o nosso Primeiro.
Hoje à noite vamos todos orar e a seguir viramos aquele quarto de brinquedos do avesso. Eu faço um interrogatório ao António, não vá o desaparecimento da dita, estar relacionado com as disputas constantes por tudo o que existe naquela abençoada casinha, com tiques de Lar.
sexta-feira, novembro 09, 2007
terça-feira, novembro 06, 2007
Liga dos Campeões
Camacho diz que o jogo de hoje em Glasgow é "para homens".
Já estou a imaginar o equipamento que os homens vão usar logo à noite.
Já estou a imaginar o equipamento que os homens vão usar logo à noite.
segunda-feira, novembro 05, 2007
O mais velho
Num exercício de auto avaliação, daqueles típicos de início de ano escolar, a professora perguntava porque é que, na tua opinião, as pessoas gostam de ti. A tua resposta explicava que tinha a ver com o facto de teres umas bochechas rechonchudas e queridas.
Hoje as tuas bochechas fazem nove anos, e antes de as vermos pela primeira vez, já havia quem gostasse rores de ti. Desde a ecografia em que se via um minusculo pixel a apagar e a acender e o médico ter explicado que se tratava do teu coração a bater, depois do outro médico ter dito que provavelmente eras um ovo branco (disse que não eras nada). Ainda na barriga da mãe, foste à Expo connosco e ficámos logo a gostar imenso de ti porque passámos à frente das pessoinhas todas em tudo o que era pavilhão. Depois das bochechas se terem dado a conhecer, foram classificadas como património mundial lá de casa, mas também ajuda seres querido, amigo, mimento, brincalhão, medricas, bébé, enjoadinho com os cheiros, refilão, bochecudo, e ingénuo. E teres uma pachorra interminável para os outros dois. E seres bochechudo.
Só para teres uma ideia, o Mário Soares tem umas bochechas muito melhores que as tuas, e mesmo assim, eu gosto muito mais de ti.
Hoje as tuas bochechas fazem nove anos, e antes de as vermos pela primeira vez, já havia quem gostasse rores de ti. Desde a ecografia em que se via um minusculo pixel a apagar e a acender e o médico ter explicado que se tratava do teu coração a bater, depois do outro médico ter dito que provavelmente eras um ovo branco (disse que não eras nada). Ainda na barriga da mãe, foste à Expo connosco e ficámos logo a gostar imenso de ti porque passámos à frente das pessoinhas todas em tudo o que era pavilhão. Depois das bochechas se terem dado a conhecer, foram classificadas como património mundial lá de casa, mas também ajuda seres querido, amigo, mimento, brincalhão, medricas, bébé, enjoadinho com os cheiros, refilão, bochecudo, e ingénuo. E teres uma pachorra interminável para os outros dois. E seres bochechudo.
Só para teres uma ideia, o Mário Soares tem umas bochechas muito melhores que as tuas, e mesmo assim, eu gosto muito mais de ti.
sexta-feira, novembro 02, 2007
O regresso da filha pródiga
Apesar da minha relação difícil com a gaja das pás rotativas, fui eu que a fui buscar ao bloco operatório. 60 euros de arranjo porque o motor de arrefecimento estava estragado. Ora porra, agora a menina tem motor de arrefecimento. É gaja, já se vê. Não tarda muito está com dores de cabeça.
O homem deu-me a menina dentro de um saco de plástico. Pouco digno para tamanha princesa
"Veja lá se o saco aguenta. Se por um azar eu a deixo cair ao chão, não me deixam entrar em casa e o fim de semana está à porta."
Lá dentro uma senhora explicava ao telefone, a lógica dos livros de receita e insistia na possibilidade de fazer leite de soja na Bimby. Se ao menos fizesse leite de vaca, sempre me poupava a subida ao terceiro andar carregadinho de dúzias de litros. Claro que não. Leite de vaca é para as vacas, e a menina que é fina, a fazer, faz leite de soja (coisa que eu duvido).
O hospital das bimby's tem muitas semelhanças com hospital das bonecas da Praça da Figueira, onde eu ia com a minha irmã e com a minha avó há 35 anos. Pelo menos as gajas são as mesmas, estão é um bocadinho mais gastas.
Vá lá ver se a menina volta sem problemas para a bancada da cozinha, é que a varinha mágica está com peneiras e não há quem a aguente.
O homem deu-me a menina dentro de um saco de plástico. Pouco digno para tamanha princesa
"Veja lá se o saco aguenta. Se por um azar eu a deixo cair ao chão, não me deixam entrar em casa e o fim de semana está à porta."
Lá dentro uma senhora explicava ao telefone, a lógica dos livros de receita e insistia na possibilidade de fazer leite de soja na Bimby. Se ao menos fizesse leite de vaca, sempre me poupava a subida ao terceiro andar carregadinho de dúzias de litros. Claro que não. Leite de vaca é para as vacas, e a menina que é fina, a fazer, faz leite de soja (coisa que eu duvido).
O hospital das bimby's tem muitas semelhanças com hospital das bonecas da Praça da Figueira, onde eu ia com a minha irmã e com a minha avó há 35 anos. Pelo menos as gajas são as mesmas, estão é um bocadinho mais gastas.
Vá lá ver se a menina volta sem problemas para a bancada da cozinha, é que a varinha mágica está com peneiras e não há quem a aguente.
terça-feira, outubro 30, 2007
Estado de Sítio
Está oficialmente declarado o recolher obrigatório lá em casa a partir das 20:30. Esta medida só será revogada quando a harmonia do lar for total e integralmente restabelecida. Até lá não será tolerada qualquer violação a esta imposição.
Além do desrespeito pelo novo horário de inverno, a autoridade parental tem vindo a ser ameaçada pelo excesso de prendas de aniversário nas zonas fronteiriças do quarto de brincar com o corredor. Esta situação é agravada pela infeliz coincidência da Bimby se encontrar em estado de coma.
Desde algum tempo que, quando ligada, a Bimby guinchava mais que um porco na matança, acabando por definhar no decorrer do fim de semana.
A ordem só será estabelecida quando a Bimby regressar, quando terminarem as movimentações lúdicas fora dos limites pré estabelecidos e quando o horário de inverno for respeitado.
Faça-se cumprir.
PS: Senão vai tudo ao estalo para a cama sem jantar e sem brincar.
Além do desrespeito pelo novo horário de inverno, a autoridade parental tem vindo a ser ameaçada pelo excesso de prendas de aniversário nas zonas fronteiriças do quarto de brincar com o corredor. Esta situação é agravada pela infeliz coincidência da Bimby se encontrar em estado de coma.
Desde algum tempo que, quando ligada, a Bimby guinchava mais que um porco na matança, acabando por definhar no decorrer do fim de semana.
A ordem só será estabelecida quando a Bimby regressar, quando terminarem as movimentações lúdicas fora dos limites pré estabelecidos e quando o horário de inverno for respeitado.
Faça-se cumprir.
PS: Senão vai tudo ao estalo para a cama sem jantar e sem brincar.
segunda-feira, outubro 29, 2007
Esclarecimentos
O significado de mudança da hora é precisamente esse "mudança de hora". Nesta altura do ano ganha-se, por definição, uma hora de sono. E sono é sono. Nada a ver com a ideia de se levantarem às seis da manhã para brincar com as pandeiretas e com os apitos.
A somar a este distúrbio matinal, a minha estreia numa aula de natação não ajudou. Domingo às 9 aproveitando o facto de os levar à natação, resolvi eu próprio fazer três quartos de hora de aula para adultos. Ia morrendo afogado umas 15 vezes. Quando saí, nem encontrava forças para lhes dar banho e para os vestir. Isto não seria grave, se a festa de anos do Manel, fosse noutro dia que não a tarde de ontem. Ou se fosse a fazer puzzles em vez de ser a jogar futebol num campo relvado. É impensável a velocidade a que crianças de seis anos conseguem correr. Findo o jogo, já mais morto que vivo, apagar velas e tomar conta de uns 30 selvagens.
Estou a precisar do início da semana para descansar do fim de semana. A coisa foi tão grave que adormeci a ver o jogo do glorioso. A verdade é que os moços também pareciam cansados, o que ajuda. Mas nunca tinha adormecido a ver um jogo do Benfica. Ao que parece resulta porque acabaram por ganhar. Da próxima já sei, tomo uns drunfos e quando acordar o Benfica já tem 8 pontos de vantagem sobre o Porto.
A somar a este distúrbio matinal, a minha estreia numa aula de natação não ajudou. Domingo às 9 aproveitando o facto de os levar à natação, resolvi eu próprio fazer três quartos de hora de aula para adultos. Ia morrendo afogado umas 15 vezes. Quando saí, nem encontrava forças para lhes dar banho e para os vestir. Isto não seria grave, se a festa de anos do Manel, fosse noutro dia que não a tarde de ontem. Ou se fosse a fazer puzzles em vez de ser a jogar futebol num campo relvado. É impensável a velocidade a que crianças de seis anos conseguem correr. Findo o jogo, já mais morto que vivo, apagar velas e tomar conta de uns 30 selvagens.
Estou a precisar do início da semana para descansar do fim de semana. A coisa foi tão grave que adormeci a ver o jogo do glorioso. A verdade é que os moços também pareciam cansados, o que ajuda. Mas nunca tinha adormecido a ver um jogo do Benfica. Ao que parece resulta porque acabaram por ganhar. Da próxima já sei, tomo uns drunfos e quando acordar o Benfica já tem 8 pontos de vantagem sobre o Porto.
quarta-feira, outubro 24, 2007
Sonoridades
Rendo-me à chuva, como um Verão se rende ao Inverno, rendo-me à ausência de luz no fim da tarde e já vou tarde. Entrego-me à música, aos compassos mudos, aos teus passos no contratempo, entrego-me a tempo. Rendo-me ao silêncio dos braços, ao palco vazio, à plateia rendida ao fim. Rendo-me à artista no camarim e ainda me agita o último bis, ainda se distilam emoções, rendo-me ao tema, a todas as variações. Ainda jazz, já não improviso, rendo-me ao riso, entrego-me a ti, entrego-me enquanto for preciso e nego-te o fim. Basto-me a mim.
terça-feira, outubro 23, 2007
Cálculo Proposicional
Facto 1 - A balança lá de casa está avariada
Facto 2 - Sem qualquer peso em cima a balança marca 80 quilos
Facto 3 - A Ana desmaiou hoje de manhã
Modus Ponens: (Facto 1 e Facto 2)=> (Leitura de 130 quilos) => Facto 3
Corolário 1: Mesmo depois de uma festa de anos, não é por subir de olhos fechados para cima da balança que ela adequa a leitura à nossa vontade.
Corolário 2: Cura-se anorexia. Resultados imediatos garantidos.
Corolário 3: O defeito dos instrumentos de precisão não traz só desvantagens, também traz muitas vantagens. Foi assim que Colombo, ao tentar descobrir o caminho para a India, acabou por descobrir a América.
Exercício 1: Enumere as vantagens da América ter sido descoberta.
Facto 2 - Sem qualquer peso em cima a balança marca 80 quilos
Facto 3 - A Ana desmaiou hoje de manhã
Modus Ponens: (Facto 1 e Facto 2)=> (Leitura de 130 quilos) => Facto 3
Corolário 1: Mesmo depois de uma festa de anos, não é por subir de olhos fechados para cima da balança que ela adequa a leitura à nossa vontade.
Corolário 2: Cura-se anorexia. Resultados imediatos garantidos.
Corolário 3: O defeito dos instrumentos de precisão não traz só desvantagens, também traz muitas vantagens. Foi assim que Colombo, ao tentar descobrir o caminho para a India, acabou por descobrir a América.
Exercício 1: Enumere as vantagens da América ter sido descoberta.
segunda-feira, outubro 22, 2007
Cara de anjo mau
O Manel Maria, o do meio, equidistante do João e do António, equidistante da filha da putice e da doçura. Descarado,de caracóis loiros, capaz de desarmar as amigas da mãe e do pai quando lhes chama "Querida tia do meu coração" sempre com intenção de pedir algo, faz hoje seis anos. Parabéns filho querido do meu coração.
PS:
1. eu sei que o João é maricas com os cheiros das guloseimas de morango, e que aquilo de vomitar só de cheirar é exagero, mas evita encher a boca de pastilhas de morango e ir mascar de boca aberta a 10 cms das narinas dele.
2. eu sei que o António já não é propriamente bébé mas evita ensinar-lhe truqes de wrestling e sempre que possas larga-lhe o pescoço. Olha que um dia ele cresce e a menos que bata com a cabeça nalgum sítio, o chatum vai ter memória.
PS:
1. eu sei que o João é maricas com os cheiros das guloseimas de morango, e que aquilo de vomitar só de cheirar é exagero, mas evita encher a boca de pastilhas de morango e ir mascar de boca aberta a 10 cms das narinas dele.
2. eu sei que o António já não é propriamente bébé mas evita ensinar-lhe truqes de wrestling e sempre que possas larga-lhe o pescoço. Olha que um dia ele cresce e a menos que bata com a cabeça nalgum sítio, o chatum vai ter memória.
domingo, outubro 21, 2007
Garçon
Lisboa, essa imensa aldeia, capaz de transformar a vida de cada cidadão numa experiência única. Além das hortas entre vias rápidas, e para lá das fronteiras dos bairros típicos, a vida de aldeia manifesta-se em cada lugar da velha cidade. A minha não é excepção. O arrumador de carros chama-se Jesus, o que dá jeito, porque encontrar um lugar para estacionar nas redondezas é um verdadeiro milagre. Além de jeito, dá umas aulas de catequese particularmente animadas, sobretudo enquanto a catequista não descobre que estão a falar de Jesuses diferentes:
- Como arruma carros e abusa um bocadinho da pinga? Jesus foi crucificado e resuscitou ao terceiro dia ...
- Ah pois resuscitou resuscitou, porque ainda hoje me deu os parabéns e na Sexta Feira o meu pai lhe deu uma moeda de um euro. Lá se ele foi essa coisa que se diz, não faço ideia.
Além do Jesus, existe uma senhora que é a porteira da maioria dos prédios, que sabe a vida da rua toda e consegue ter um olho apontado a Arroios e o outro à Alameda. Olha-me de lado (na realidade acho que olha a todos à conta dos olhos linearmente independentes) desde que me viu entrar na sex-shop com o António ao colo, tinha o petiz uns três meses. Foi para comprar tabaco, mas isso ela não sabe. Para todos os efeitos eu levei um quase recém nascido a uma sex shop e isso não é bom. Desde esse dia que sou apontado e comentado em sussurro sempre que saio à rua. Sobre tudo isto parece-me que já falei aqui no blog, acontece que o guarda nocturno acabou de aparecer na SIC a cantar na gala da família superstar. E foi cantar esta pérola que nunca tinha ouvido, para grande pena minha. Como é que um ser humano atinge um desconto de 40% nas armações da multiópticas sem conhecer este icon da música de expressão portuguesa?
Garçon
Garçom, aqui, nesta mesa de bar
Você já cansou de escutar
Centenas de casos de amor
Garçom, no bar todo mundo é igual
Meu caso é mais um, é banal
Mas preste atenção por favor
Saiba que o meu grande amor
Hoje vai se casar
E mandou uma carta pra me avisar
Deixou em pedaços o meu coração
E pra matar a tristeza só mesa de bar
Quero tomar todas, vou me embriagar
Se eu pegar no sono, me deite no chão
Garçom, eu sei, eu tô enchendo o saco
Mas todo bebum fica chato
Valente, e tem toda a razão
Garçom, mas eu só quero chorar
Eu vou minha conta pagar
Por isso eu lhe peço atenção
Saiba que o meu grande amor
Hoje vai se casar
E mandou uma carta pra me avisar
Deixou em pedaços o meu coração
E pra matar a tristeza só mesa de bar
Quero tomar todas, vou me embriagar
Se eu pegar no sono, me deite no chão
- Como arruma carros e abusa um bocadinho da pinga? Jesus foi crucificado e resuscitou ao terceiro dia ...
- Ah pois resuscitou resuscitou, porque ainda hoje me deu os parabéns e na Sexta Feira o meu pai lhe deu uma moeda de um euro. Lá se ele foi essa coisa que se diz, não faço ideia.
Além do Jesus, existe uma senhora que é a porteira da maioria dos prédios, que sabe a vida da rua toda e consegue ter um olho apontado a Arroios e o outro à Alameda. Olha-me de lado (na realidade acho que olha a todos à conta dos olhos linearmente independentes) desde que me viu entrar na sex-shop com o António ao colo, tinha o petiz uns três meses. Foi para comprar tabaco, mas isso ela não sabe. Para todos os efeitos eu levei um quase recém nascido a uma sex shop e isso não é bom. Desde esse dia que sou apontado e comentado em sussurro sempre que saio à rua. Sobre tudo isto parece-me que já falei aqui no blog, acontece que o guarda nocturno acabou de aparecer na SIC a cantar na gala da família superstar. E foi cantar esta pérola que nunca tinha ouvido, para grande pena minha. Como é que um ser humano atinge um desconto de 40% nas armações da multiópticas sem conhecer este icon da música de expressão portuguesa?
Garçon
Garçom, aqui, nesta mesa de bar
Você já cansou de escutar
Centenas de casos de amor
Garçom, no bar todo mundo é igual
Meu caso é mais um, é banal
Mas preste atenção por favor
Saiba que o meu grande amor
Hoje vai se casar
E mandou uma carta pra me avisar
Deixou em pedaços o meu coração
E pra matar a tristeza só mesa de bar
Quero tomar todas, vou me embriagar
Se eu pegar no sono, me deite no chão
Garçom, eu sei, eu tô enchendo o saco
Mas todo bebum fica chato
Valente, e tem toda a razão
Garçom, mas eu só quero chorar
Eu vou minha conta pagar
Por isso eu lhe peço atenção
Saiba que o meu grande amor
Hoje vai se casar
E mandou uma carta pra me avisar
Deixou em pedaços o meu coração
E pra matar a tristeza só mesa de bar
Quero tomar todas, vou me embriagar
Se eu pegar no sono, me deite no chão
sexta-feira, outubro 19, 2007
Memória

Da zona mais profunda da memória (perto da zona dos "Pequemos Vagabundos"), "Dois anos de férias". Naqueles dias, a emissão televisiva estava reduzida a dois canais a preto e branco, começava com a tele-escola, e acabava com o hino nacional.
A música existe aqui, e se no youtube pesquisarem em estrangeiro por "Deux ans de vacances" - que é como quem diz "Dois anões de vacanças" - encontram o genérico da série.
Aos leitores infantis (com menos de 35 anos) esqueçam este post e vão brincar aos papás e às mamãs.
quarta-feira, outubro 17, 2007
Ala direita
A ala direita deste blog foi renovada (à semelhança do que se passa com a política deste país). Agora, que já apareci pela segunda vez na "Única" deste Sábado (mais uma portanto que o coislog da gaja), não há inveja mesquinha que justifique a inexistência de um link para o Rei na Barriga. Além deste novo link, retirei links moribundos, actualizei outros, acrescentei aqui e ali, e vai daí que a coluna da direita está mais elegante.
Mas axandrai-vos garinas, aqui nos comentários da Caixa de Costura não serão toleradas encomendas, pedidos de esclarecimentos de dúvidas e coisas que tal sobre aquelas coisas que são disponibilizadas no site do Rei na Barriga.
Tenho dito.
Portantos.
Mas axandrai-vos garinas, aqui nos comentários da Caixa de Costura não serão toleradas encomendas, pedidos de esclarecimentos de dúvidas e coisas que tal sobre aquelas coisas que são disponibilizadas no site do Rei na Barriga.
Tenho dito.
Portantos.
terça-feira, outubro 16, 2007
Graxa e Dedução
Mãe - hoje arranjei-me tão à pressa que nem tenho coragem de me olhar ao espelho.
João M - estás linda mãe
Mamel M - mãe, vais a algum casamento ?
António M - e eu também póxo i ?
O António, além de ter aquela particularidade um bocado irritante de nunca se calar, o que o torna bastante chato, tem outra coisa que o coloca na fronteira do desespero paternal. Tem a mania que é esperto:
- António, como se chama o teu irmão das bochechas e caixa de óculos ?
- João Maiia Fajão
- E outro ? O maluquinho dos caracóis ?
- Meneli Maiia Fajão
- E o alucinadinho dos bonecos de wrestling ?
- António Maiia Fajão
- E o pai alto, bonito e extremamente inteligente ?
- Pai Maiia Fajão
- E um chapadão? Marias são vocês, o pai não usa nomes larilas. Camandro.
João M - estás linda mãe
Mamel M - mãe, vais a algum casamento ?
António M - e eu também póxo i ?
O António, além de ter aquela particularidade um bocado irritante de nunca se calar, o que o torna bastante chato, tem outra coisa que o coloca na fronteira do desespero paternal. Tem a mania que é esperto:
- António, como se chama o teu irmão das bochechas e caixa de óculos ?
- João Maiia Fajão
- E outro ? O maluquinho dos caracóis ?
- Meneli Maiia Fajão
- E o alucinadinho dos bonecos de wrestling ?
- António Maiia Fajão
- E o pai alto, bonito e extremamente inteligente ?
- Pai Maiia Fajão
- E um chapadão? Marias são vocês, o pai não usa nomes larilas. Camandro.
sexta-feira, outubro 12, 2007
A pequena Maddie
Depois do que ouvi hoje sobre o facto da Maddie não ser filha do Gerry mas sim de um doador de esperma, resolvi revelar tudo o que sei sobre este caso. Assim como assim, o que eu vou aqui contar, há-de acabar por ser revelado por este marco do jornalismo ibérico, que um dia já teve, pasme-se, dois computadores apreendidos pela polícia judiciária. Nesses tempos, a polícia chegou a ponderar, a apreensão de três máquinas de café e das máquinas que têm aqueles garrafões de água invertidos, por forma a verificar se existiam substâncias ilícitas maliciosamente distribuídas aos elementos da redacção do jornal, tal não é o rácio de asneirada por edição que ali podemos encontrar.
A pequena Maddie, embora aparente ter três anos, é na realidade uma irlandesa anã, tia-avó da Kate. Acontece que era a Maddie quem assegurava, além das tarefas caseiras e de babysitting, a droga para o casal e para os gémeos dormirem sossegados. A droga, que era obtida por intermédio de um suposto contacto em Marrocos, tinha vindo a piorar de qualidade desde o Natal de 2006. O casal McCann já tinha ameaçado a pobre senhora de expulsão do agregado, mas sempre adiou esta decisão, muito graças às panquecas e o syrup que a irlandesa assegurava todo o santo pequeno almoço. Ora naquela fatídica manhã, verificando que não havia syrup suficiente para a família McCann, a irlandesa de baixa estatura resolveu acrescentar um resto de Atarax no frasco do xarope. Quando, ao pequeno almoço, Maddie é confrontada com a alteração de sabor do syrup, acaba por confessar o seu acto. É na sequência desta confissão que Kate resolve expulsar a tia avó anã lá de casa. No meio da discussão, já sob o efeito do Atarax, o casal e os gémeos adormecem e só voltam a acordar a meio da tarde. Nesta altura, a velha ainda se encontrava no apartamento da praia da Luz embora tivesse consciência que o seu fim estava próximo. Para evitar problemas e discussões resolveu esconder-se na Bimby (foi num fórum de pessoas pequenas que um tinha lido um artigo sobre o tema “Bimby – um carrossel por descobrir” assinado por um tal de Marques Mendes). Kate acorda cheia de fome, procura a tia-avó, e como não a descobre resolve fazer um leite creme em 17 segundos na Bimby. É nesta altura que a senhora é atingida pela pá da máquina assassina, soltando um grito de horror. Ao ouvir o grito, Kate, que nutre uma afeição ímpar pela Bimby resolve ligar para a linha de apoio da Bimby. É nesta altura que Kate se apercebe do que acabara de fazer e confronta o fabricante sobre o perigo que a máquina pode representar para irlandesas anãs, porquinhos da índia e para ex-líderes partidários. As conversações entre o fabricante e a jovem Kate não são complicadas. A Kate promete simular o desaparecimento da Maddie em troca de uma mala de transporte da Bimby e o livro de receitas orientais.
Este, meus caros, é o princípio trágico da história que tem inundado os media nos últimos seis meses.
A pequena Maddie, embora aparente ter três anos, é na realidade uma irlandesa anã, tia-avó da Kate. Acontece que era a Maddie quem assegurava, além das tarefas caseiras e de babysitting, a droga para o casal e para os gémeos dormirem sossegados. A droga, que era obtida por intermédio de um suposto contacto em Marrocos, tinha vindo a piorar de qualidade desde o Natal de 2006. O casal McCann já tinha ameaçado a pobre senhora de expulsão do agregado, mas sempre adiou esta decisão, muito graças às panquecas e o syrup que a irlandesa assegurava todo o santo pequeno almoço. Ora naquela fatídica manhã, verificando que não havia syrup suficiente para a família McCann, a irlandesa de baixa estatura resolveu acrescentar um resto de Atarax no frasco do xarope. Quando, ao pequeno almoço, Maddie é confrontada com a alteração de sabor do syrup, acaba por confessar o seu acto. É na sequência desta confissão que Kate resolve expulsar a tia avó anã lá de casa. No meio da discussão, já sob o efeito do Atarax, o casal e os gémeos adormecem e só voltam a acordar a meio da tarde. Nesta altura, a velha ainda se encontrava no apartamento da praia da Luz embora tivesse consciência que o seu fim estava próximo. Para evitar problemas e discussões resolveu esconder-se na Bimby (foi num fórum de pessoas pequenas que um tinha lido um artigo sobre o tema “Bimby – um carrossel por descobrir” assinado por um tal de Marques Mendes). Kate acorda cheia de fome, procura a tia-avó, e como não a descobre resolve fazer um leite creme em 17 segundos na Bimby. É nesta altura que a senhora é atingida pela pá da máquina assassina, soltando um grito de horror. Ao ouvir o grito, Kate, que nutre uma afeição ímpar pela Bimby resolve ligar para a linha de apoio da Bimby. É nesta altura que Kate se apercebe do que acabara de fazer e confronta o fabricante sobre o perigo que a máquina pode representar para irlandesas anãs, porquinhos da índia e para ex-líderes partidários. As conversações entre o fabricante e a jovem Kate não são complicadas. A Kate promete simular o desaparecimento da Maddie em troca de uma mala de transporte da Bimby e o livro de receitas orientais.
Este, meus caros, é o princípio trágico da história que tem inundado os media nos últimos seis meses.
quinta-feira, outubro 04, 2007
Higiene Intima
Quando se trata da higiene das vergonhas, um gajo não tem muito para pensar. Ou usa sabão e pedra pomes, ou, no caso dos meninos s mais sensíveis, sabonetinho com cheiro. No limite da metrosexualidade recorre-se ao gel de banho (esfoliante obviamente para deixar tudo aquilo num lustre).
Ontem, quando me dirigia a casa, recebi um telefonema da minha mulher a solicitar a aquisição de jantar e de pensos higiénicos. Havendo cerveja no frigorífico, e sendo dia de jogo do glorioso, era necessário assegurar umas fatias de presunto, um queijo da serra e uns tremoços. Tudo muito simples de escolher, em 5 minutos o jantar estava tratado.
Faltava portanto a questão dos pensos. A insistência telefónica sobre o facto da embalagem dizer Normal decorre de dois fracassos nas últimas duas vezes que me prestei a executar esta tarefa. Ao que parece, não tinha acertado no objectivo do penso e isso teria trazido alguns constrangimentos menstruais à miúda. Lá fui até à prateleira dos ditos. Deparo-me com cinco prateleiras. A primeira dificuldade com que me deparei foi a diversidade das marcas, e reparem que não estou a falar de uma simples escolha entre Sagres e Super Bock, estou a falar de pelo menos uma dezena de marcas. Segunda questão: tipo de cueca. Aqui a coisa complica-se. Há para cueca tanga, para fio dental, para cueca normal, para cinta e para o raio que os parta. Depois ainda há a intensidade, que ao que parece se mede entre uma e cinco gotas (como as estrelas das críticas dos filmes) . Ainda há os dias. O início do ciclo o meio do ciclo, o fim do ciclo e os restantes dias do contra ciclo. A forma. A forma é muito importante. Há em forma de triângulo, em forma de rectângulo e em forma de cápsula. Ainda podem vir com ou sem asas. E com uma ou mais faixas aderentes. A somar a tudo isto ainda há umas variantes que têm a ver com a absorção, com os efeitos anti-transpiração e anti-odores. Quedei-me uns bons dez minutos perante o leque de opções, e cheguei a considerar pedir ajuda a uma mulher que parecia entender do assunto.
Por fim, rendi-me. Tirei uma embalagem à sorte e desabafei “Fónix. Não hão-de as gajas ser complicadas.”
Ontem, quando me dirigia a casa, recebi um telefonema da minha mulher a solicitar a aquisição de jantar e de pensos higiénicos. Havendo cerveja no frigorífico, e sendo dia de jogo do glorioso, era necessário assegurar umas fatias de presunto, um queijo da serra e uns tremoços. Tudo muito simples de escolher, em 5 minutos o jantar estava tratado.
Faltava portanto a questão dos pensos. A insistência telefónica sobre o facto da embalagem dizer Normal decorre de dois fracassos nas últimas duas vezes que me prestei a executar esta tarefa. Ao que parece, não tinha acertado no objectivo do penso e isso teria trazido alguns constrangimentos menstruais à miúda. Lá fui até à prateleira dos ditos. Deparo-me com cinco prateleiras. A primeira dificuldade com que me deparei foi a diversidade das marcas, e reparem que não estou a falar de uma simples escolha entre Sagres e Super Bock, estou a falar de pelo menos uma dezena de marcas. Segunda questão: tipo de cueca. Aqui a coisa complica-se. Há para cueca tanga, para fio dental, para cueca normal, para cinta e para o raio que os parta. Depois ainda há a intensidade, que ao que parece se mede entre uma e cinco gotas (como as estrelas das críticas dos filmes) . Ainda há os dias. O início do ciclo o meio do ciclo, o fim do ciclo e os restantes dias do contra ciclo. A forma. A forma é muito importante. Há em forma de triângulo, em forma de rectângulo e em forma de cápsula. Ainda podem vir com ou sem asas. E com uma ou mais faixas aderentes. A somar a tudo isto ainda há umas variantes que têm a ver com a absorção, com os efeitos anti-transpiração e anti-odores. Quedei-me uns bons dez minutos perante o leque de opções, e cheguei a considerar pedir ajuda a uma mulher que parecia entender do assunto.
Por fim, rendi-me. Tirei uma embalagem à sorte e desabafei “Fónix. Não hão-de as gajas ser complicadas.”
quarta-feira, outubro 03, 2007
Também ...
catanos. Há certas promessas que só servem para ser quebradas. Um gajo quer dar alento à sua equipa e pensa assim "Só volto a escrever quando o Benfica ganhar."
Ora foda-se, aqueles coxos sul americanos, com muito respeito que eu nutro por muitos sul americanos, nem devem saber ler a Bola quanto mais a Caixa de Costura. caguei nos paraplégicos.
Volto a escrever e prontos.
Panaleiros.
Ora foda-se, aqueles coxos sul americanos, com muito respeito que eu nutro por muitos sul americanos, nem devem saber ler a Bola quanto mais a Caixa de Costura. caguei nos paraplégicos.
Volto a escrever e prontos.
Panaleiros.
quinta-feira, setembro 27, 2007
quarta-feira, setembro 26, 2007
Virgílio e Valentina
Do que ele gostava era a luz a brindar as linhas metálicas até à longínqua curva. Deixava que o sol se aproximasse do horizonte, para que os brilhos se alaranjassem e os trilhos se tornassem oiro. O maior dos segredos da alquimia estava ali aos seus olhos mesmo antes do sol se pôr. A linha de combóio toda ela feita de oiro durante uns minutos. Não pensava em mais nada. Tinha-se habituado àquela vida, guarda cancela num dos tantos fins do mundo, onde tudo acontece à tabela. O combóio correio, o nascer do sol, e ao fim da manhã o regional. A tarde desfaz tudo o que a manhã constrói, e sempre pela mesma ordem excepto em Julho que o pôr do sol tarda. O combóio correio de regresso à capital de distrito, o sol a pôr-se e por fim o regional. A cada passagem do combóio, o mesmo ritual, o apito ao longe, as cancelas fechadas e a bandeira. Se à curva não se notasse pressa na locomotiva, ele adivinhava-lhe a maquinista. Era ela quem guiava o destino da fileira de carruagens, sorriso aberto e olhos pequenos. Jamais lhe dirigiu a palavra, antes o sorriso, sempre retribuído e o brilho nos olhos que só ela percebia na fracção de tempo que a tangente da locomotiva à cancela permitia. Pouca terra, pouco tempo, e o coração compassado com o combóio. Bate que bate, pouca terra pouca terra. Foi assim durante tanto tempo, sempre igual, sempre diferente a cada passagem, a cada sorriso. E quando a chuva lhe abençoava a passagem, escancarava o sorriso molhado.
Hoje, as ervas mal deixam perceber a linha, do casebre sobram as ruínas. O homem que até estudou na faculdade, tinha feito as contas e voltou a fazê-las. Inviabilidade financeira para aquele troço, podia ler-se no relatório de rigor inatacável. Não se referia ao guarda cancela, tampouco à maquinista. Era o número de passageiros e os poucos milhares de escudos dos bilhetes que lhe inferiram o parecer. Mesmo junto à linha, já caída, a placa com o aviso “Pare escute e olhe. Cuidado ao atravessar a linha. Um combóio pode esconder outro.” Um combóio pode esconder um grande amor.
Hoje, as ervas mal deixam perceber a linha, do casebre sobram as ruínas. O homem que até estudou na faculdade, tinha feito as contas e voltou a fazê-las. Inviabilidade financeira para aquele troço, podia ler-se no relatório de rigor inatacável. Não se referia ao guarda cancela, tampouco à maquinista. Era o número de passageiros e os poucos milhares de escudos dos bilhetes que lhe inferiram o parecer. Mesmo junto à linha, já caída, a placa com o aviso “Pare escute e olhe. Cuidado ao atravessar a linha. Um combóio pode esconder outro.” Um combóio pode esconder um grande amor.
segunda-feira, setembro 24, 2007
A Noite
É sabido que o grupo K muito tem feito pela noite lisboeta e algarvia, e pela promoção de grunhos a porteiros de bares e discotecas, dotando-os da capacidade de distinguir, quem deve entrar ou ser barrado à porta dos respectivos. O poder de análise e decisão destes rapazes continua a surpreender-me. Escolhem clientes com a mesma mestria que o PSD usa para escolher lideres. Acertam uma vez de 10 em 10 anos.
O Kais, a Kapital, a Kasa da Praia, o Kasablanca, o Klube, o Konvento, o Kremlim, o Kubo e os Skones são o paraíso destes grunhos de ego e musculos inflados.
Não me querendo alongar sobre o tema dos moços, gostava de partilhar a ideia que se me deparou para a abertura de um novo espaço em Lisboa ou na Linha: o Konas da Tia. O nome tem tudo para dar certo e pode ser uma tasca, uma casa de fados, um bar de alterne ou a um casino de jogo ilegal.
Além destesucesso garantido, estou também a pensar am abrir o Katanus, o Kamandrus, o Kabroes (bar de divorciados) e um bar de swing o "Kônjuges Kornudus".
O Kais, a Kapital, a Kasa da Praia, o Kasablanca, o Klube, o Konvento, o Kremlim, o Kubo e os Skones são o paraíso destes grunhos de ego e musculos inflados.
Não me querendo alongar sobre o tema dos moços, gostava de partilhar a ideia que se me deparou para a abertura de um novo espaço em Lisboa ou na Linha: o Konas da Tia. O nome tem tudo para dar certo e pode ser uma tasca, uma casa de fados, um bar de alterne ou a um casino de jogo ilegal.
Além destesucesso garantido, estou também a pensar am abrir o Katanus, o Kamandrus, o Kabroes (bar de divorciados) e um bar de swing o "Kônjuges Kornudus".
quinta-feira, setembro 20, 2007
Quem é quem
Passatempo.
Para a Ana, o André, o João, o Manel e o António, quem é que fez o quê?
Um de nós fez-se convidado(a) para tomar chá e bolachinhas com uma enfermeira.
Um de nós vê um lagarto da Imaginarium no chão e quando o vai arrumar descobre que é uma osga vivinha da silva (paz à sua alma, porque o animal teve um enfarte quando viu o tubo do aspirador a dirigir-se a ele).
Um de nós dorme agarrado a um homem bem constituído e musculado.
Um de nós anda feliz com um novo gadget que chegou lá a casa no final da tarde de ontem.
Um deles disse-me “Não sei porque te penteias. Não há nada para pentear.” e ficou com uma escova de cabelo entalada na garganta.
Para a Ana, o André, o João, o Manel e o António, quem é que fez o quê?
Um de nós fez-se convidado(a) para tomar chá e bolachinhas com uma enfermeira.
Um de nós vê um lagarto da Imaginarium no chão e quando o vai arrumar descobre que é uma osga vivinha da silva (paz à sua alma, porque o animal teve um enfarte quando viu o tubo do aspirador a dirigir-se a ele).
Um de nós dorme agarrado a um homem bem constituído e musculado.
Um de nós anda feliz com um novo gadget que chegou lá a casa no final da tarde de ontem.
Um deles disse-me “Não sei porque te penteias. Não há nada para pentear.” e ficou com uma escova de cabelo entalada na garganta.
quarta-feira, setembro 12, 2007
Sugestão
Para a equipa dos Lobos.
Bem sei que a Nova Zelândia vai ser a modos que para o impossível, daí que na última meia hora de treino diário desta semana, aproveitavam para ensaiar os pauliteiros de miranda. Sempre ficava bonito. Quando os gorilas fizessem o Haka, os nossos Lobos dançavam os pauliteiros de miranda.
Bem sei que a Nova Zelândia vai ser a modos que para o impossível, daí que na última meia hora de treino diário desta semana, aproveitavam para ensaiar os pauliteiros de miranda. Sempre ficava bonito. Quando os gorilas fizessem o Haka, os nossos Lobos dançavam os pauliteiros de miranda.
terça-feira, setembro 11, 2007
Desce e Sobe

A inconsciência do ciclista existe no prazer das descidas. O prazer do vento e da velocidade, a inconsciência da queda, esquecem a previsível penosa subida do regresso. Também de que valeria a vertiginosa descida, ensombrada pela contrapartida? Cada qual a seu tempo. Primeiro deixem-nos ir à beira mar sem esforço, só mesmo o cuidado da velocidade a que se corta o vento, e os risos e as alegrias. Depois, para o regresso, olhar de frente a inclinação que nos contraria a vontade, pedalar de pé, gerir o esforço e a certeza que uma vez lá chegados, estamos em casa. Só mais um pequeno esforço. És o maior. Não há descida que dure sempre, nem subida que nunca acabe.
No Domingo, do alto da casa de São Martinho até às Dunas de Salir. Ir e voltar. Só os mais velhos. Uma e outra vez. Afinal as descidas fazem-nos rir e as subidas nunca nos fizeram chorar.
quinta-feira, setembro 06, 2007
Frase
ontem, no pessoal e transmissível, esta frase (ou algo que se assemelha a ela) deixou-me inquieto:
"Mal está o país onde há mais astrólogos que astrónomos"
"Mal está o país onde há mais astrólogos que astrónomos"
terça-feira, setembro 04, 2007
Pino Cambalhota

Fazia-lhes bem a ginástica, daí a visita ao ginásio para saber os preços e os horários.
Ir a um ginásio faz-me entrar nos sentidos contrários das sensações. Saudades, mas sobretudo vontade da ardósia nas mãos, da pirueta, do mortal empranchado, a certeza de gargalhar e depois. Bem, depois vem aquela sensação de que há movimentos presos que não valem o risco de os tentar. Foi numa aula de ginástica, depois de algo que ficou equidistante entre o mortal e o duplo mortal, que aprendi, que a seguir à falha, se repete o gesto, para que o medo não nos assalte. Aquele dia vem tantas vezes à memória, quando fico a meio de um salto. É também isso que lhes quero ensinar, a fazer flique-flaque quando é necessário, ou uma dupla pirueta. E depois nunca se sabe quando é que um pino faz a diferença.
Por mim eles vão. Deixa-me cá olhar para os eurários.
quinta-feira, agosto 30, 2007
Este...
blog torna-se hoje e oficialmente um blog de um quarentão. Desculpem a baba e os posts repetidos. Não tarda começo a falar sobre o despiste do cancro da próstata.
quarta-feira, agosto 29, 2007
Fim
Foi o corpo que o carregou até a casa. Na sua vontade, nunca ali estaria, antes noutro qualquer local onde pudesse expurgar a dor que sentia. A casa está cheia de armadilhas. Em cada canto, cada cadeira, cada lugar do sofá, cada quarto das crianças, cada moldura, a marca de uma presença que já não é. Aquele é o ponto de partida para reaprender tudo de novo, e no entanto, nada se conjuga com o início de algo. Tudo lhe surge abruptamente amputado de vida, sem remédio, sem sentido, sem vontade. Nem o tempo parece ter a força suficiente para alguma vez lhe acalmar a agonia.
Nunca acreditou no fim. Em cada passo, o chão a esvair-se sem o deixar respirar, de cada vez que se erguia, um outro rombo o deitava por terra. Caramba, um homem deve ter direito a um milagre por vida, e ele estava disposto a gastá-lo naquela altura.
Puta e cruel doença, deve ter-te dado um gozo brutal. O que é que gostaste mais, hem ? Foram as dores com que lhe minaste o corpo ? Foram as três miúdas sem mãe ? Foi a morfina ? A quimioterapia ? Qual foi o teu gozo, cabra de merda ? É o desespero que te alimenta não é ? É o desespero. Há-de chegar o teu dia.
Pedir ajuda é um sinal de inteligência, e ele, que é um homem genericamente inteligente pediu. Não sei o peso que carrega, nem lhe imagino a dimensão, mas eu seguro daquele lado, e outros há que também ajudam. Muitos ao que sei. De alguma forma o peso há-de aliviar, de alguma forma. E o tempo ...
Deixa lá a miúda mandar uns sms’s de desespero, tenho a certeza que ela acaba por as ler.
Nunca acreditou no fim. Em cada passo, o chão a esvair-se sem o deixar respirar, de cada vez que se erguia, um outro rombo o deitava por terra. Caramba, um homem deve ter direito a um milagre por vida, e ele estava disposto a gastá-lo naquela altura.
Puta e cruel doença, deve ter-te dado um gozo brutal. O que é que gostaste mais, hem ? Foram as dores com que lhe minaste o corpo ? Foram as três miúdas sem mãe ? Foi a morfina ? A quimioterapia ? Qual foi o teu gozo, cabra de merda ? É o desespero que te alimenta não é ? É o desespero. Há-de chegar o teu dia.
Pedir ajuda é um sinal de inteligência, e ele, que é um homem genericamente inteligente pediu. Não sei o peso que carrega, nem lhe imagino a dimensão, mas eu seguro daquele lado, e outros há que também ajudam. Muitos ao que sei. De alguma forma o peso há-de aliviar, de alguma forma. E o tempo ...
Deixa lá a miúda mandar uns sms’s de desespero, tenho a certeza que ela acaba por as ler.
sexta-feira, agosto 24, 2007
Hoje à noite
Mc Lento
Sábado à noite mesmo antes do regresso a Lisboa. Nós os cinco mais a Catarina e as filhas (primas dos Marias), companhia habitual de férias. Abençoadinhas que trazem, além da picanha para várias refeições, uma pachorra invulgar para os meus filhos.
Vamos ao Mc Donalds de Albufeira, disfarçar a pressa de uma refeição com comida de plástico.
A Ana fica com os menores na esplanada e eu a Catarina tratamos da aquisição. Filas até à porta. Estupor do Murphy tirou a noite para me chatear na escolha da fila. Meia hora de fila com os clientes a sairem atendidos a conta gotas. O empregado da caixa, não parecia estar a atender, antes contava moedas. Quem atendia era um outro que de quando em vez lá aparecia para fazer uma pergunta ao cliente e voltava a recolher à cozinha. Reparo que em dez minutos, só saiu um cliente com dois Sundaes de caramelo e que a próxima pessoa está longe de estar atendida. Peço licença e salto para dentro do balcão:
- Desculpe, pode-me explicar o que está a acontecer nesta fila? Como é que em dez minutos, com fila até à porta a única coisa que saiu foram dois Sundaes de caramelo.
- Eu não estou a atender. Estou aqui a ...
- Eu já percebi que não está a entender, chame a pessoa que está a atender se faz favor.
Chega uma miúda com uma farda diferenciadora.
- Boa noite.
- Boa noite, gostava que me explicasse o que se passa nesta fila. Estão 20 pessoas só nesta fila, e nos últimos dez minutos, o único pedido satisfeito, foram dois Sundaes de chocolate. Minto, de caramelo. Vocês têm níveis de serviço que são obrigados a cumprir e segundo sei (não sabia nada) é suposto que em média saia um cliente atendido em cada três minutos. Explique-me se faz favor o que é que se está aqui a passar.
- Está muita gente na loja, demora mais um bocadinho.
- Está muita gente na loja porque não estão a cumprir com o estipulado. Repare nas mesas que estão vazias, ou com pessoas a guardar mesa. Assim é fácil ter a loja cheia. Tenho cinco crianças lá fora, há mais de meia hora e ainda tenho cinco pessoas à minha frente. Faça o favor de fazer esta fila segundo o nível de serviço que são obrigados a cumprir.
- Diga-me o que quer, que eu atendo já o seu pedido.
(Aqui passei para os berros)
- Está a dizer que me passa à frente destas pessoas que estão há mais tempo à espera ? Não é isso que quero, quero é que cumpram o que está definido. Três minutos por pedido. Daqui um quarto de hora quero estar atendido na minha vez.
Num repente aquela caixa começou a atender como raras vezes vi, e em menos de 10 minutos já era o primeiro da fila. Ainda fui cumprimentado por alguns dos meus parceiros de fila : “Bem jogado”. A Ana apareceu no fim do diálogo, porque a Catarina lhe telefonou a denunciar-me:
- O teu marido, acabou de passar para o lado de dentro do balcão e está a fazer um escândalo.
(que exagero)
Alguém sabe se existe algum nível de serviço definido para o atendimento no Mc Donalds? De repente passei a achar interessante ter acesso a essa informação.
Vamos ao Mc Donalds de Albufeira, disfarçar a pressa de uma refeição com comida de plástico.
A Ana fica com os menores na esplanada e eu a Catarina tratamos da aquisição. Filas até à porta. Estupor do Murphy tirou a noite para me chatear na escolha da fila. Meia hora de fila com os clientes a sairem atendidos a conta gotas. O empregado da caixa, não parecia estar a atender, antes contava moedas. Quem atendia era um outro que de quando em vez lá aparecia para fazer uma pergunta ao cliente e voltava a recolher à cozinha. Reparo que em dez minutos, só saiu um cliente com dois Sundaes de caramelo e que a próxima pessoa está longe de estar atendida. Peço licença e salto para dentro do balcão:
- Desculpe, pode-me explicar o que está a acontecer nesta fila? Como é que em dez minutos, com fila até à porta a única coisa que saiu foram dois Sundaes de caramelo.
- Eu não estou a atender. Estou aqui a ...
- Eu já percebi que não está a entender, chame a pessoa que está a atender se faz favor.
Chega uma miúda com uma farda diferenciadora.
- Boa noite.
- Boa noite, gostava que me explicasse o que se passa nesta fila. Estão 20 pessoas só nesta fila, e nos últimos dez minutos, o único pedido satisfeito, foram dois Sundaes de chocolate. Minto, de caramelo. Vocês têm níveis de serviço que são obrigados a cumprir e segundo sei (não sabia nada) é suposto que em média saia um cliente atendido em cada três minutos. Explique-me se faz favor o que é que se está aqui a passar.
- Está muita gente na loja, demora mais um bocadinho.
- Está muita gente na loja porque não estão a cumprir com o estipulado. Repare nas mesas que estão vazias, ou com pessoas a guardar mesa. Assim é fácil ter a loja cheia. Tenho cinco crianças lá fora, há mais de meia hora e ainda tenho cinco pessoas à minha frente. Faça o favor de fazer esta fila segundo o nível de serviço que são obrigados a cumprir.
- Diga-me o que quer, que eu atendo já o seu pedido.
(Aqui passei para os berros)
- Está a dizer que me passa à frente destas pessoas que estão há mais tempo à espera ? Não é isso que quero, quero é que cumpram o que está definido. Três minutos por pedido. Daqui um quarto de hora quero estar atendido na minha vez.
Num repente aquela caixa começou a atender como raras vezes vi, e em menos de 10 minutos já era o primeiro da fila. Ainda fui cumprimentado por alguns dos meus parceiros de fila : “Bem jogado”. A Ana apareceu no fim do diálogo, porque a Catarina lhe telefonou a denunciar-me:
- O teu marido, acabou de passar para o lado de dentro do balcão e está a fazer um escândalo.
(que exagero)
Alguém sabe se existe algum nível de serviço definido para o atendimento no Mc Donalds? De repente passei a achar interessante ter acesso a essa informação.
sexta-feira, agosto 17, 2007
Bloco de Notas
Nas férias, além de me transportar para outro local, transporto-me para outras rotinas. Pomposamente chamam-lhe “mudança de ares”. Servem para muscular os sentidos, habituá-los a novos estímulos ou rever velhos conhecidos. Reencontro outros sabores, odores, sons, texturas, luzes cores e formas. Às vezes apanham-me em falso, outras vezes coincidem com um padrão há tanto tempo gravado na memória. A memória olfactiva é a que mais me surpreende. Num café, lembrei-me de cada detalhe do cheiro da casa do Carlos, meu amigo durante a preparatória.
O próprio conhecimento muda de rotina. De ares portanto. Se hoje não sei quando é a “praia mar e a baixa mar”, há uns dias sabia. Era importante para os levar aos caranguejos com os novos camaroeiros. Se são camaroeiros, porque é que não os levava aos camarões ? Não sei a resposta para esta pergunta.
Viajei de combóio até ao Algarve. Passar a ponte, ter tempo para leituras e para as conversas dos outros. Não ia mal, de quando em vez, ir de transportes públicos trabalhar. Abre brechas para outros prazeres.
Fiz um escândalo no McDonalds, não me orgulho nem me arrependo, mas fui felicitado pelos meus momentâneos parceiros de fila. Hei-de escrever os detalhes.
Durante estes tempos, sempre a mesma aflição. Preciso de um bloco de notas para apontar isto. Uma frase, uma memória, uma luz, uma outra frase, um riso ou uma irritação. Nunca andei com um bloco de notas e senti-lhe sempre a falta. Resta-me guardar o que quero na cabeça, mas nesta idade, torna-se difícil.
A propósito de idade, e isto é um aviso que eu espero prematuro:
O primeiro anormal que se lembrar de, num transporte público, se levantar para me oferecer o lugar sentado, leva com a bengala nos cornos.
O próprio conhecimento muda de rotina. De ares portanto. Se hoje não sei quando é a “praia mar e a baixa mar”, há uns dias sabia. Era importante para os levar aos caranguejos com os novos camaroeiros. Se são camaroeiros, porque é que não os levava aos camarões ? Não sei a resposta para esta pergunta.
Viajei de combóio até ao Algarve. Passar a ponte, ter tempo para leituras e para as conversas dos outros. Não ia mal, de quando em vez, ir de transportes públicos trabalhar. Abre brechas para outros prazeres.
Fiz um escândalo no McDonalds, não me orgulho nem me arrependo, mas fui felicitado pelos meus momentâneos parceiros de fila. Hei-de escrever os detalhes.
Durante estes tempos, sempre a mesma aflição. Preciso de um bloco de notas para apontar isto. Uma frase, uma memória, uma luz, uma outra frase, um riso ou uma irritação. Nunca andei com um bloco de notas e senti-lhe sempre a falta. Resta-me guardar o que quero na cabeça, mas nesta idade, torna-se difícil.
A propósito de idade, e isto é um aviso que eu espero prematuro:
O primeiro anormal que se lembrar de, num transporte público, se levantar para me oferecer o lugar sentado, leva com a bengala nos cornos.
segunda-feira, julho 23, 2007
Inércia
É que anda confuso este verão. Diz que é do anti-ciclone. Talvez seja, tenho para mim que o tempo parou, contempla-se. Também as pessoas consomem os dias sem lhes tirar o proveito. Quantos dias se transformam em mais do que só dias ? O que mudaste no mundo hoje? Onde está a marca da tua mão ? Em que sonhos deixaste a tua voz ? Deixa-te ficar então, e nota os dias passar
Bibliografia:
Esplanada: “o tempo é quase nada", "o tempo é quase nada", "o tempo é quase nada”
Operário em Construção “e em cada coisa que via, misteriosamente havia, a marca da sua mão”
Bibliografia:
Esplanada: “o tempo é quase nada", "o tempo é quase nada", "o tempo é quase nada”
Operário em Construção “e em cada coisa que via, misteriosamente havia, a marca da sua mão”
sexta-feira, julho 20, 2007
Ideia peregrina
Está ali no forum da aquariofilia, um aquário que é uma verdadeira pechincha. Desconfio é que não exista lá em casa, espaço para outro aquário daquele tamanho.
Talvez se o pusesse no sítio do fogão, ou como centro de mesa, ou então, .... hum ... se a Bimby tivesse um destino trágico ... se de repente se evaporasse, ficava ali um espaço mesmo à medida.
É melhor não, o desespero seria tão grande, que a progenitora da Bimby seria recebida pelo Papa e pelo Dalai Lama, e a fotografia da Bimby apareceria na próxima edição das aventuras de Harry Potter.
Talvez se o pusesse no sítio do fogão, ou como centro de mesa, ou então, .... hum ... se a Bimby tivesse um destino trágico ... se de repente se evaporasse, ficava ali um espaço mesmo à medida.
É melhor não, o desespero seria tão grande, que a progenitora da Bimby seria recebida pelo Papa e pelo Dalai Lama, e a fotografia da Bimby apareceria na próxima edição das aventuras de Harry Potter.
quarta-feira, julho 11, 2007
Deasabafos do irmão do meio
Centena
de milhar. Hoje deve aparacer por cá o visitante 100 000. Espero que não seja uma pesquisa frustada no google sobre "breasts" ou "bimby".
terça-feira, julho 10, 2007
Quebrar
.. princípios é um mau princípio, pode e deve ser quebrado. O Manel juntou-se ao João nas lides de "ocupação de tempos livres em tempos de férias" (na realidade tem ido sózinho, porque o João adoeceu no Domingo à noite).
O princípio quebrado, é o sportinguismo, uma vez que a colónia de férias é a do Benfica (estou doido para lhe comprar uma camisolinha rosa, lantejolas na gola, um bocadinho cintada, ligeiramente evasé, com um bordadinho inglês no cós, e mangas em balão).
Não obstante, o Manel lá vai feliz para a colónia do Glorioso.
- Pai. Sexta Feira vamos visitar o estádio e ver a águia vitória.
- Tem cuidado Manelinho. Olha que aquela águi é muito esperta. Se os meninos são do Benfica ela deixa-os fazer festinhas, mas se ela descobre que são do Sporting, quando eles se aproximam, dá-lhes uma bicada e come-lhes a gelatina dos olhos. Sabes aquele menino que de vez em quando encontramos na rua e que é ceguinho ? Sabes de que clube ele é ?
- Do Sporting
- Pois. Não tinha nada que se aproximar da Vitória.
O princípio quebrado, é o sportinguismo, uma vez que a colónia de férias é a do Benfica (estou doido para lhe comprar uma camisolinha rosa, lantejolas na gola, um bocadinho cintada, ligeiramente evasé, com um bordadinho inglês no cós, e mangas em balão).
Não obstante, o Manel lá vai feliz para a colónia do Glorioso.
- Pai. Sexta Feira vamos visitar o estádio e ver a águia vitória.
- Tem cuidado Manelinho. Olha que aquela águi é muito esperta. Se os meninos são do Benfica ela deixa-os fazer festinhas, mas se ela descobre que são do Sporting, quando eles se aproximam, dá-lhes uma bicada e come-lhes a gelatina dos olhos. Sabes aquele menino que de vez em quando encontramos na rua e que é ceguinho ? Sabes de que clube ele é ?
- Do Sporting
- Pois. Não tinha nada que se aproximar da Vitória.
segunda-feira, julho 02, 2007
Banana
No dicionário:
s. f., Bot.,
fruto bacáceo, de polpa mole, doce e agradável, que provém da bananeira;
ficha eléctrica individual;
s. m., fig.,
indivíduo sem energia;
pateta;
adj. 2 gén.,
palerma;
molengão.
É ao substantivo masculino e ao adjectivo que me refiro. Pior que isso, refiro-o para me identificar e qualificar. Faço-o à conta desta tendência para não matar uma má ideia à nascença só porque sei que a sua concretização é num futuro que se advinha longínquo.
Maio de 2006: “Se as notas do final do ano forem boas, podes fazer uma pijama party cá em casa.”
Reflexão nesse mesmo momento: O mérito até à faculdade, é uma obrigação, não deve ser premiado. Antes o demérito deve ser diagnosticado e corrigido. De qualquer forma não lhe ficava mal brilhar um bocadinho. Ter um ou outro “muito bom” para quebrar a maré de “bons”. Mas de que prémio estamos a falar. Uma pijama party ? O que é isso ? Convida um ou outro fedelho para vir de pijama cá a casa ? Caguei. O que quer que seja pode ser que não aconteça e se acontecer hei-de-me safar.
Junho de 2006 O estupor do miúdo chega com a boa nova. Um “el tuti”. Cada nota, cada “Muito Bom”. Trabalha por objectivos ? Só se esforça com cenoura à frente ?
A inevitável pergunta “Pode ser para o próximo fim de semana ?”
A reposta alivia-me a tensão. “Não é assim João Maria. É preciso primeiro arranjar um bom fim de semana para o evento, de preferência sem festas de anos, convidar os amigos, arranjar sítio para os teus irmãos irem e pronto. Fazemos a Pijama Party”. Se eu não dissesse nada nesta altura, teria que me calar para sempre. Acabo com a pijama party agora ? Claro que não. Banana. Banana. Banana. “Isto só deve ser lá para o Outono. Pode ser que se esqueça, ou que tenha tão más notas na 3ª classe que viabilizem a anulação da promessa.”
(...) férias (...) início das aulas (...) aniversários deles (...) natal (...) aniversários dos outros (...) carnaval (...) aniversários dos outros (...) páscoa (...) fins de semana em São Martinho. A promessa era de quando em vez relembrada mas de forma pouco consistente, quase diluída. Foi então, que num repente, aproveitando o facto de eu estar entretido com o novo aquário de 120 litros:
- Dia 30 fazemos a Pijama Party do João.
Não se tratava de uma pergunta, nem requeria qualquer validação, apenas uma comunicação interna.
Como que por magia, já existia a lista de convidados, devidamente validada com o João e os convites já estavam na mão dos destinatários. Seis meninos com o João.
- Não sei se conseguimos colocação para o Manel e para o António.
Sortes distintas para estes dois. O Manel conseguiu colocação em casa de um amigo (o irmão dele era um dos convidados do João, troca por troca, justíssimo portanto e até benéfico, porque o Manel é uma doce peste e o irmão convidado é uma paz de alma), o António manteve-se lá em casa para garantir que os níveis de equilíbrio não desciam abaixo do caos permanente.
A pijama party começou às 2 da tarde de sábado, hora a que ninguém está de pijama, a menos que esteja doente ou de ressaca. Até às 8 da noite os meninos e a menina foram aparecendo. Afinal não eram seis com o João, eram seis sem o João, sete portanto. Oito com o António. Mais a Ana nove, que também, garantiu o nível adequado de caos institucionalizado, promovendo o seguinte conjunto de actividades:
“Jogo de futebol na Alameda – a inteligência emocional aos 8 anos. Como lidar com a derrota, o insulto ao árbitro - pai do jogador, a expulsão, a agressão, e o relvado cheio de cocó de cão”,
“Workshop de cozinha italiana – faz a tua própria piza e espalha mozzarela pela cozinha e se conseguires pelo resto da casa”,
“O duche em linha de montagem. 7 duches em 7 minutos”
“O banho de emersão com espuma - o privilégio das meninas convidadas”,
“Mascara-te às dez da noite – o pijama não está com nada e as máscaras estão num caixote na mais alta prateleira mais do armário. O escadote e as dores de costas.”
“Actividades lúdicas depois das 11”
"Realidade Virtual: transforme 3 camas em 8"
"Aritmética divina: a multiplicação das almofadas e as fronhas quânticas"
“Sessão Prática: Como adormecer 8 selvagens em menos de duas horas e sem ultrapassar as três palmadas”
“ Sessão Radical – só para profissionais – Estancar uma hemorragia nasal às 5 da manhã, e contrariar a lógica de grupo ‘Já não temos mais sono, vamos jogar Playstation’”
“Sessão Extra: o sofá e as dores de costas”
“Sessão Matinal com Troféu – a higiene dentária em grupo, o pequeno almoço e os morangos com açúcar. Quem tomar o pequeno almoço mais afastado da cozinha, ganha uma menção honrosa.”
“Sessão Culinária – os segredos do esparguete à bolonhesa para 10 pessoas. A gestão do queijo ralado.”
Findas as actividades, foram abandonando aos poucos, até que às 19 regressámos ao sossego do lar: Só nós os cinco. Que paz. O João Muito feliz da sua pijama party, mas muito triste por já não estar com os amigos.
Acabou-se a bananice. Pijama party’s para os outros, só lá para os tempos de universidade e com estatuto de paridade: 50 % de raparigas, para equilibrar a tarefa dos banhos.
s. f., Bot.,
fruto bacáceo, de polpa mole, doce e agradável, que provém da bananeira;
ficha eléctrica individual;
s. m., fig.,
indivíduo sem energia;
pateta;
adj. 2 gén.,
palerma;
molengão.
É ao substantivo masculino e ao adjectivo que me refiro. Pior que isso, refiro-o para me identificar e qualificar. Faço-o à conta desta tendência para não matar uma má ideia à nascença só porque sei que a sua concretização é num futuro que se advinha longínquo.
Maio de 2006: “Se as notas do final do ano forem boas, podes fazer uma pijama party cá em casa.”
Reflexão nesse mesmo momento: O mérito até à faculdade, é uma obrigação, não deve ser premiado. Antes o demérito deve ser diagnosticado e corrigido. De qualquer forma não lhe ficava mal brilhar um bocadinho. Ter um ou outro “muito bom” para quebrar a maré de “bons”. Mas de que prémio estamos a falar. Uma pijama party ? O que é isso ? Convida um ou outro fedelho para vir de pijama cá a casa ? Caguei. O que quer que seja pode ser que não aconteça e se acontecer hei-de-me safar.
Junho de 2006 O estupor do miúdo chega com a boa nova. Um “el tuti”. Cada nota, cada “Muito Bom”. Trabalha por objectivos ? Só se esforça com cenoura à frente ?
A inevitável pergunta “Pode ser para o próximo fim de semana ?”
A reposta alivia-me a tensão. “Não é assim João Maria. É preciso primeiro arranjar um bom fim de semana para o evento, de preferência sem festas de anos, convidar os amigos, arranjar sítio para os teus irmãos irem e pronto. Fazemos a Pijama Party”. Se eu não dissesse nada nesta altura, teria que me calar para sempre. Acabo com a pijama party agora ? Claro que não. Banana. Banana. Banana. “Isto só deve ser lá para o Outono. Pode ser que se esqueça, ou que tenha tão más notas na 3ª classe que viabilizem a anulação da promessa.”
(...) férias (...) início das aulas (...) aniversários deles (...) natal (...) aniversários dos outros (...) carnaval (...) aniversários dos outros (...) páscoa (...) fins de semana em São Martinho. A promessa era de quando em vez relembrada mas de forma pouco consistente, quase diluída. Foi então, que num repente, aproveitando o facto de eu estar entretido com o novo aquário de 120 litros:
- Dia 30 fazemos a Pijama Party do João.
Não se tratava de uma pergunta, nem requeria qualquer validação, apenas uma comunicação interna.
Como que por magia, já existia a lista de convidados, devidamente validada com o João e os convites já estavam na mão dos destinatários. Seis meninos com o João.
- Não sei se conseguimos colocação para o Manel e para o António.
Sortes distintas para estes dois. O Manel conseguiu colocação em casa de um amigo (o irmão dele era um dos convidados do João, troca por troca, justíssimo portanto e até benéfico, porque o Manel é uma doce peste e o irmão convidado é uma paz de alma), o António manteve-se lá em casa para garantir que os níveis de equilíbrio não desciam abaixo do caos permanente.
A pijama party começou às 2 da tarde de sábado, hora a que ninguém está de pijama, a menos que esteja doente ou de ressaca. Até às 8 da noite os meninos e a menina foram aparecendo. Afinal não eram seis com o João, eram seis sem o João, sete portanto. Oito com o António. Mais a Ana nove, que também, garantiu o nível adequado de caos institucionalizado, promovendo o seguinte conjunto de actividades:
“Jogo de futebol na Alameda – a inteligência emocional aos 8 anos. Como lidar com a derrota, o insulto ao árbitro - pai do jogador, a expulsão, a agressão, e o relvado cheio de cocó de cão”,
“Workshop de cozinha italiana – faz a tua própria piza e espalha mozzarela pela cozinha e se conseguires pelo resto da casa”,
“O duche em linha de montagem. 7 duches em 7 minutos”
“O banho de emersão com espuma - o privilégio das meninas convidadas”,
“Mascara-te às dez da noite – o pijama não está com nada e as máscaras estão num caixote na mais alta prateleira mais do armário. O escadote e as dores de costas.”
“Actividades lúdicas depois das 11”
"Realidade Virtual: transforme 3 camas em 8"
"Aritmética divina: a multiplicação das almofadas e as fronhas quânticas"
“Sessão Prática: Como adormecer 8 selvagens em menos de duas horas e sem ultrapassar as três palmadas”
“ Sessão Radical – só para profissionais – Estancar uma hemorragia nasal às 5 da manhã, e contrariar a lógica de grupo ‘Já não temos mais sono, vamos jogar Playstation’”
“Sessão Extra: o sofá e as dores de costas”
“Sessão Matinal com Troféu – a higiene dentária em grupo, o pequeno almoço e os morangos com açúcar. Quem tomar o pequeno almoço mais afastado da cozinha, ganha uma menção honrosa.”
“Sessão Culinária – os segredos do esparguete à bolonhesa para 10 pessoas. A gestão do queijo ralado.”
Findas as actividades, foram abandonando aos poucos, até que às 19 regressámos ao sossego do lar: Só nós os cinco. Que paz. O João Muito feliz da sua pijama party, mas muito triste por já não estar com os amigos.
Acabou-se a bananice. Pijama party’s para os outros, só lá para os tempos de universidade e com estatuto de paridade: 50 % de raparigas, para equilibrar a tarefa dos banhos.
quinta-feira, junho 28, 2007
Fumo e nevoeiro cerebral
Ouvi e li, há dois dias algumas notícias sobre este estudo:
"Em declarações à TSF, Miguel Gouveia, um dos professores responsáveis pelo estudo, disse que, no total, «as despesas relacionadas com o tabagismo custaram ao sistema de saúde português quase 1400 milhões de euros», sendo que desse montante 490 milhões de euros não teriam sido pagos «se nunca se tivesse fumado em Portugal».
Bem sei que fumar está longe de ser a atitude mais inteligente que se pode ter, e que não raras vezes tira em simultâneo na bolsa e na vida, mas caramba, não cria habituação do cérebro à ininteligência. Sendo uma atitude desinteligente, não nos torna desinteligentes noutras matérias.
As declarações deste professor, situam o problema do tabagisgo na quantidade de dinheiro que o estado gasta em despesas relacionadas com o dito tabagismo. Mas andamos a brincar ? O problema do tabagismo reside no dinheiro que o estado gasta ? A saber e olhando para números de 2003: "O Estado, segundo o Boletim de Execução Orçamental de Dezembro de 2003, arrecadou cerca de 1220 milhões de euros com a venda de cigarros. Ou seja, dos 1593 milhões de euros envolvidos, 76,5% foram parar aos cofres públicos."
Vamos ser honestos, fumar até que é estúpido, mas o tabagismo é um negócio rentável para o estado. Espero que o estado não gaste muito dinheiro em estudos descontextualizados.
"Em declarações à TSF, Miguel Gouveia, um dos professores responsáveis pelo estudo, disse que, no total, «as despesas relacionadas com o tabagismo custaram ao sistema de saúde português quase 1400 milhões de euros», sendo que desse montante 490 milhões de euros não teriam sido pagos «se nunca se tivesse fumado em Portugal».
Bem sei que fumar está longe de ser a atitude mais inteligente que se pode ter, e que não raras vezes tira em simultâneo na bolsa e na vida, mas caramba, não cria habituação do cérebro à ininteligência. Sendo uma atitude desinteligente, não nos torna desinteligentes noutras matérias.
As declarações deste professor, situam o problema do tabagisgo na quantidade de dinheiro que o estado gasta em despesas relacionadas com o dito tabagismo. Mas andamos a brincar ? O problema do tabagismo reside no dinheiro que o estado gasta ? A saber e olhando para números de 2003: "O Estado, segundo o Boletim de Execução Orçamental de Dezembro de 2003, arrecadou cerca de 1220 milhões de euros com a venda de cigarros. Ou seja, dos 1593 milhões de euros envolvidos, 76,5% foram parar aos cofres públicos."
Vamos ser honestos, fumar até que é estúpido, mas o tabagismo é um negócio rentável para o estado. Espero que o estado não gaste muito dinheiro em estudos descontextualizados.
terça-feira, junho 26, 2007
Da próxima vez ...
quarta-feira, junho 20, 2007
Análise de alternativas
"Ota" rima com bota, cota, gota, jota, lota, mota, nota, rota, sota, tota, vota, perdigota, batota, minhota, feiota, fatiota, agiota, adopta, carlota, janota, poliglota.
"Alcochete" rima com ramalhete, torniquete, retrete, baquete e minete.
"Portela mais um" rima com pum, nenhum, nestum, algum, e atum.
Eu continuo a achar que fica melhor a Ota, pelo menos para fazer quadras sobre o assunto, além de que não ia perturbar o sono dos atletas do Sporting que tÊm a academia em Alcochete. Mais a mais Alcochete já tem um freeport, não precisa nem de um freeshop nem de um airport.
Espero que o estudo contemple a análise destas variáveis.
"Alcochete" rima com ramalhete, torniquete, retrete, baquete e minete.
"Portela mais um" rima com pum, nenhum, nestum, algum, e atum.
Eu continuo a achar que fica melhor a Ota, pelo menos para fazer quadras sobre o assunto, além de que não ia perturbar o sono dos atletas do Sporting que tÊm a academia em Alcochete. Mais a mais Alcochete já tem um freeport, não precisa nem de um freeshop nem de um airport.
Espero que o estudo contemple a análise destas variáveis.
terça-feira, junho 19, 2007
Inquérito
À semelhança do que se passa todas as noites, o Manel Maria adormeceu na nossa cama. À meia noite, levantou-se, teletransportou-se para a casa de banho, encontrou a tampa da sanita aberta, baixou as calças do pijama, fez o seu xixi, não puxou o autoclismo (vou internacionalizar este post: autoclismo = descarga ), puxou as calças para cima e foi-se deitar no sofá da sala.
Tudo seria quase perfeito, não fora uma deficiência no sistema de teletransporte para a casa de banho, que o deixou ensonado exactamente no local de partida: de pé no chão, virado para a cama dos seus pais que, durante uns longos segundos, se transformou numa original sanita.
Já foi aberto um inquérito para apurar as causas da deficiência no sistema de teletransporte e foram tomadas medidas que visam evitar que situações semelhantes se repitam:
- inibição de ingestão de liquídos a partir das 19:30
- instalação de beliches na zona da casa de banho
- os menores de 6 anos serão algaliados às 22:00
Tudo seria quase perfeito, não fora uma deficiência no sistema de teletransporte para a casa de banho, que o deixou ensonado exactamente no local de partida: de pé no chão, virado para a cama dos seus pais que, durante uns longos segundos, se transformou numa original sanita.
Já foi aberto um inquérito para apurar as causas da deficiência no sistema de teletransporte e foram tomadas medidas que visam evitar que situações semelhantes se repitam:
- inibição de ingestão de liquídos a partir das 19:30
- instalação de beliches na zona da casa de banho
- os menores de 6 anos serão algaliados às 22:00
segunda-feira, junho 18, 2007
A história de Ana Paula Lopes
No you tube, à procura da "História de Lily Braun" por Maria Rita, encontro a essa mesma história por Ana Paula Lopes. Nunca tinha ouvido falar, mas ficou-me em boa conta.
"Meu" é o o nome do seu primeiro CD de há dois anos atrás. Jazz e bossa nova. A fórmula não é nova, diria que gasta, curiosamente, ao ouvi-la, pareceu-me uma equação quase inexplorada. Escrevi a dizer-lhe e a perguntar pelo Meu aqui em terras lusas. Na volta do correio a novidade de um segundo album para muito breve, mas aqui em Portugal, só mesmo pela internet.
Fica aqui a história da Ana Paula Lopes.
Fica aqui a história de Lily Braun.
"Meu" é o o nome do seu primeiro CD de há dois anos atrás. Jazz e bossa nova. A fórmula não é nova, diria que gasta, curiosamente, ao ouvi-la, pareceu-me uma equação quase inexplorada. Escrevi a dizer-lhe e a perguntar pelo Meu aqui em terras lusas. Na volta do correio a novidade de um segundo album para muito breve, mas aqui em Portugal, só mesmo pela internet.
Fica aqui a história da Ana Paula Lopes.
Fica aqui a história de Lily Braun.
quarta-feira, junho 13, 2007
Lisboa - Alcochete - Montijo
Ontem foi dia sem criançada. Regressados de férias a cinco, selvas entregues aos doutos cuidados colegiais e tempo para passar a dois. O que é que se faz o que é que não se faz? E que tal um almoço no Guincho ? Não era mal pensado, mas estamos sempre a ir para os mesmos sítios e tal e coisa. E se fossemos ao deserto ?
Boa.
Viramos costas à criançada, e atravessamos a ponte rumo ao outlet do deserto que nunca lá fomos.
É láááá. Vê-se mesmo que aquilo foi construído com os petro-euros. Luxo faraónico. Arcos e fontes ali no meio das dunas. E lojas a perder de vista. Eu não gosto de me ver de túnica por causa dos pêlos das pernas, pelo que só andei a ver uns turbantes. A minha odalisca comprou uns véus e umas chanatas e vai daí, já com os pés a escaldar do calor da areia, rumamos até ao oásis mais próximo. Fórum Montijo. Estes gajos das arábias não olham a meios. Tudo à grande. Até fizemos as compras necessárias para afastar os stocks da dispensa do ponto de ruptura, que o de encomenda já lá ia há muito.
E se almoçássemos por aqui ? Aqui no deserto ? Pois. Não há-de ser o fim do mundo.
Lá encontrámos uma tenda que servia grelhados e enchemo-nos de peixes do deserto: sardinhas e bezugos. Os mouros foram expulsos pelo Afonso, mas aposto que negociaram a retirada com algumas receitas de peixe assado. Os infiéis não são maus na grelha.
Posto isto, regressámos à margem norte, rumo à civilização. Ainda me ofereceram uns camelos pela odalisca, mas, ao que sei, os camelos cheiram horrores, não fazem grande companhia e não têm muito jeito com a criançada.
Havemos de ir ao deserto mais vezes, estilo daqui a dez anos, para ver como é que eles evoluem. São tão giros.
Boa.
Viramos costas à criançada, e atravessamos a ponte rumo ao outlet do deserto que nunca lá fomos.
É láááá. Vê-se mesmo que aquilo foi construído com os petro-euros. Luxo faraónico. Arcos e fontes ali no meio das dunas. E lojas a perder de vista. Eu não gosto de me ver de túnica por causa dos pêlos das pernas, pelo que só andei a ver uns turbantes. A minha odalisca comprou uns véus e umas chanatas e vai daí, já com os pés a escaldar do calor da areia, rumamos até ao oásis mais próximo. Fórum Montijo. Estes gajos das arábias não olham a meios. Tudo à grande. Até fizemos as compras necessárias para afastar os stocks da dispensa do ponto de ruptura, que o de encomenda já lá ia há muito.
E se almoçássemos por aqui ? Aqui no deserto ? Pois. Não há-de ser o fim do mundo.
Lá encontrámos uma tenda que servia grelhados e enchemo-nos de peixes do deserto: sardinhas e bezugos. Os mouros foram expulsos pelo Afonso, mas aposto que negociaram a retirada com algumas receitas de peixe assado. Os infiéis não são maus na grelha.
Posto isto, regressámos à margem norte, rumo à civilização. Ainda me ofereceram uns camelos pela odalisca, mas, ao que sei, os camelos cheiram horrores, não fazem grande companhia e não têm muito jeito com a criançada.
Havemos de ir ao deserto mais vezes, estilo daqui a dez anos, para ver como é que eles evoluem. São tão giros.
segunda-feira, junho 04, 2007
sexta-feira, junho 01, 2007
Dia da Criança
É no que dá as criancices ... casar no dia 1 de Junho. Era previsivel que, mais cedo ou mais tarde, a pressão da criançada nos roubasse tempo de comemorações. Bem feita ...
Resultado para o 11º aniversário:
- almoço a dois e à pressa, para ter tempo de comprar umas merdices do dia da criança para o trio de selvas
(aqui está o convite do evento, gentilmente cedido pelo Molico)
terça-feira, maio 29, 2007
Curtas
A propósito do Campeonato, fiquei com a sensação, que se não fosse o Benfica, os festejos dos adeptos não tinham razão de existir:
"E está feliz com a vitória ?"
"É muito bem feita, para esses filhos da puta dos lampeões. Viva o Porto. Até os comemos carago ... "
"Mas sente-se feliz com o Porto?"
"Bem feita para esses lampeões da merda"
"Está emocionado ?"
"Palhaços. O Benfica é merda. Viva o Porto. ... Lisboa a arder, nós só queremos ver, Lisboa a arder."
Já existia o totoloto, o totobola, o totogolo. Eis-nos perante a Totafeliz. Parabéns.
Na semana passada, em almoço com uma jornalista da TVI, ela disse-me
"Eu que sempre me revoltei contra a mesquinhez, depois daquele trabalho, cheguei à conclusão que a indiferença pode ser muito pior."
Deu-me que pensar.
No domingo passado, a ver a taça de Portugal, depois de um plano da claque do belenenses fiquei com a ideia que as claques dos clubes têm laços estreitos com a extrema direita, excepto a do Belenenses, que tem ar de quem estreita laços com o centro direita. Pareciam os mesmos meninos das campanhas do CDS-PP.
Ontem numa formação sobre técnicas de apresentação fiz de "besta quadrada". Saiu-me sem esforço. Devo preocupar-me ?
"E está feliz com a vitória ?"
"É muito bem feita, para esses filhos da puta dos lampeões. Viva o Porto. Até os comemos carago ... "
"Mas sente-se feliz com o Porto?"
"Bem feita para esses lampeões da merda"
"Está emocionado ?"
"Palhaços. O Benfica é merda. Viva o Porto. ... Lisboa a arder, nós só queremos ver, Lisboa a arder."
Já existia o totoloto, o totobola, o totogolo. Eis-nos perante a Totafeliz. Parabéns.
Na semana passada, em almoço com uma jornalista da TVI, ela disse-me
"Eu que sempre me revoltei contra a mesquinhez, depois daquele trabalho, cheguei à conclusão que a indiferença pode ser muito pior."
Deu-me que pensar.
No domingo passado, a ver a taça de Portugal, depois de um plano da claque do belenenses fiquei com a ideia que as claques dos clubes têm laços estreitos com a extrema direita, excepto a do Belenenses, que tem ar de quem estreita laços com o centro direita. Pareciam os mesmos meninos das campanhas do CDS-PP.
Ontem numa formação sobre técnicas de apresentação fiz de "besta quadrada". Saiu-me sem esforço. Devo preocupar-me ?
quarta-feira, maio 23, 2007
Publicidade
- André fazes a nossa cama ?
- Ana. Eu uso uma bata às flores ?
- Não
- Só apareço em casa às Segundas, Quartas e Sextas de manhã ?
- Não.
- Tenho um neto chamado Fábio Ruben ?
- Não.
- Então vá, pede à F.
- Ana. Eu uso uma bata às flores ?
- Não
- Só apareço em casa às Segundas, Quartas e Sextas de manhã ?
- Não.
- Tenho um neto chamado Fábio Ruben ?
- Não.
- Então vá, pede à F.
quarta-feira, maio 16, 2007
2º Corolário sobre o Meme anterior
Não vale a pena tentar cozer uma sapateira viva directamente no micro-ondas
1. Fica muito parecido com um Ovni descontrolado
2. Pelo faiscar, o Ovni tende a sofrer de problemas eléctricos
3. As asas do Ovni, sobretudo, as que têm forma de pinça, podem ser projectadas a grande velocidade
4. A explosão de uma sapateira não é um espectáculo que valha a pena
5. Os micro-ondas são tramados para limpar
1. Fica muito parecido com um Ovni descontrolado
2. Pelo faiscar, o Ovni tende a sofrer de problemas eléctricos
3. As asas do Ovni, sobretudo, as que têm forma de pinça, podem ser projectadas a grande velocidade
4. A explosão de uma sapateira não é um espectáculo que valha a pena
5. Os micro-ondas são tramados para limpar
terça-feira, maio 15, 2007
Eis
... senão quando, no meio deste retiro de quase silêncio, a Catarina passou-me um "meme", que lhe passou a Cristina, que lhe passou a Gota.
Diz que um "meme" é um " gene cultural" que envolve algum conhecimento que passas a outros contemporâneos ou a teus descendentes. Os memes podem ser ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma"
Aqui vai o tardio meme solicitado e a propósito de comida de verão
O tempo de cozedura da sapateira varia em função do seu tamanho, não obstante, 18 minutos parece ser adequado na maior parte dos casos.
Corolário (da minha autoria):
Se tiver que cozer uma sapateira mais do que 20 minutos, provavelmente não tem uma panela onde ela caiba.
Passa a outro e nunca ao même, para a Carlota, o João, a M&M, a Sereia, o T?, a Noite e a Teresa.
Diz que um "meme" é um " gene cultural" que envolve algum conhecimento que passas a outros contemporâneos ou a teus descendentes. Os memes podem ser ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma"
Aqui vai o tardio meme solicitado e a propósito de comida de verão
O tempo de cozedura da sapateira varia em função do seu tamanho, não obstante, 18 minutos parece ser adequado na maior parte dos casos.
Corolário (da minha autoria):
Se tiver que cozer uma sapateira mais do que 20 minutos, provavelmente não tem uma panela onde ela caiba.
Passa a outro e nunca ao même, para a Carlota, o João, a M&M, a Sereia, o T?, a Noite e a Teresa.
quinta-feira, maio 03, 2007
Querido João
eu bem sei que o Manel não é flor que se cheire, e que tem um feitio complicado, e que costuma levar a água ao seu moinho com cenas indiscritíveis, e que não olha a meios para atingir os fins, e que vezes sem conta apelo à tua imensa pachorra para que as vossas brigas não acabem mal, e que ele te atirava com os carros à cara quando era mais novo, e que não se ensaia nada em bater pelas costas, e que vira costas quando percebe que não consegue ganhar uma disputa, e que grita sem razão aparente, e que enche a boca com pasta de dentes de morango e vai mastigar de boca aberta para cima de ti só porque sabe que tu não suportas o cheiro. Mas tudo isto não é razão para lhe teres atirado um pau à cabeça e para lhe teres aberto um lenho de 2 centímetros.
Com franqueza João Maria, isso não se faz. Da próxima vez vais tu ao hospital com ele e assistes aquela cena de um pelotão de enfermagem a segurá-lo para o médico conseguir colar-lhe o lenho.
Com franqueza João Maria, isso não se faz. Da próxima vez vais tu ao hospital com ele e assistes aquela cena de um pelotão de enfermagem a segurá-lo para o médico conseguir colar-lhe o lenho.
quarta-feira, maio 02, 2007
Desiste
Quando, mesmo ao de leve, feito brisa, te denúncias, pergunto-me ao que vens. Que guarda tens para a tua existência ? Que negro anjo te guia. Sempre cobarde, sempre sem escrúpulos, tão vazia e voraz quanto cruel. Irra, o quanto tu consegues ser cruel. Nunca te bastas a ti mesma, nunca te resignas, a vã certeza de que não há meio termo.
Tenho a dizer-te que não vais conseguir. Desta vez, mais uma vez, só mais uma vez, não vais conseguir.
Tenho a dizer-te que não vais conseguir. Desta vez, mais uma vez, só mais uma vez, não vais conseguir.
quarta-feira, abril 18, 2007
Must
Parabéns para este gadget_blog. Mesmo muito bom.
Por falar em parabéns, foi lá que encontrei a prenda para os meus 40 anos (Agosto deste ano).
Aqui estão algumas fotos de uma casa portátil para colocar nos terraços desse mundo fora. Caso tenham dúvidas onde o colocar em Agosto, sugiro Barcelona, São Francisco, Rio de Janeiro ou Tokio.




Por falar em parabéns, foi lá que encontrei a prenda para os meus 40 anos (Agosto deste ano).
Aqui estão algumas fotos de uma casa portátil para colocar nos terraços desse mundo fora. Caso tenham dúvidas onde o colocar em Agosto, sugiro Barcelona, São Francisco, Rio de Janeiro ou Tokio.




terça-feira, abril 17, 2007
América
O homem daquele país entrou na escola e matou indiscriminadamente, um outro homem desse mesmo país foi o primeiro a pisar o solo lunar, e o presidente ? é inevitável tratar-se de um personagem de ficção, entrou na escola e só passados muitos anos de ter entrado é que acabou por sair, e só passados muitos mais mandou matar indiscriminadamente, no Afeganistão, e no Iraque e ai do Irão, a China não. Um outro homem ainda do mesmo país, toca saxofone em New Orleans, esquecida a cheia e fica a ideia de quem não está connosco, contra nós está.
Num lado génio o cinema, a música, o Central Park, o MOMA’s, Coltrane, o Guggenheim, São Francisco, o Grand Canyon e os Amstrong - o Neil o Lance e Louis. No outro lado a hipócrita moral, a polícia do mundo, o Bush, o provincianismo, a estupidez, o cowboy, a limusine e a Condolisa.
Pasme-se a América é como todo o mundo, não se livra da existência de um hemisfério Norte e de um hemisfério Sul. E para piorar ainda tem um Bush.
Num lado génio o cinema, a música, o Central Park, o MOMA’s, Coltrane, o Guggenheim, São Francisco, o Grand Canyon e os Amstrong - o Neil o Lance e Louis. No outro lado a hipócrita moral, a polícia do mundo, o Bush, o provincianismo, a estupidez, o cowboy, a limusine e a Condolisa.
Pasme-se a América é como todo o mundo, não se livra da existência de um hemisfério Norte e de um hemisfério Sul. E para piorar ainda tem um Bush.
quinta-feira, abril 12, 2007
SR ARQº PROF DR ENGº
Andam os jornais, de há quinze dias a esta parte, num frenesim paranóico sobre a licenciatura do primeiro ministro e a forma como esta foi obtida. Existe, ao que parece, a possibilidade do homem não ser engenheiro. Esta psicose sobre o título do homem, confere-nos o carácter provinciano que genericamente temos sobre títulos. Tendemos a dar importância ao facto de sermos doutores, engenheiros e arquitectos. Tique mesquinho de quem possui uma das maiores taxas de iliteracia da Europa. Neste contexto, tal como ouvi ontem na crónica da TSF de Pires de Lima, das heranças do estado novo, este provinciana afeição aos títulos, é aquela que o regime democrático tristemente cuida com maior simpatia e estima.
Vem-me à cabeça uma conversa entre uma empregada das berças e a sua jovem patroa:
- Minha senhora, quer que engome as camisas do Senhor Engenheiro ?
- Florinda, o meu marido é arquitecto, não é engenheiro.
- Eu bem sei minha senhora, mas como não consigo dizer essa coisa que ele é, chamo-lhe Senhor Engenheiro.
Ainda a propósito, quero crer que o facto de se ser engenheiro, pouco ou nada tem a ver com a qualidade ou falta dela, no que toca ao desempenho de certas funções, a de primeiro ministro incluída e a de engenheiro também – lembro-me de algumas obras de engenharia, de algumas intervenções de engenheiros mecânicos na minha viatura, de Entre-os-Rios, de engenheiros da NASA. Talvez a competência seja mesmo o mais importante.
Não desfazendo, há engenheiros que nos seus cursos, têm cadeiras chamadas “Betão I” e “Betão II”. Eu dificilmente confio em alguém que tenha passado algumas horas a estudar “Betão II”. Não sei porquê, mas não acho que seja um bom sinal. Há males que, a meu ver, vêm por bem, pode ser que o Sócrates não seja engenheiro, e que isso constitua a razão do seu aparente sucesso.
Se, por fim, se verificar a possibilidade, ínfima, de existir uma relação directa entre a competência e sucesso e a engenharia, deixo os meus votos que aquele engenheiro Fernando, o da Luz, o Santos, seja mesmo engenheiro. É que hoje à noite o Benfica joga, e pelos últimos resultados, quer-me cá parecer que também fez o último ano na Universidade Independente.
Vem-me à cabeça uma conversa entre uma empregada das berças e a sua jovem patroa:
- Minha senhora, quer que engome as camisas do Senhor Engenheiro ?
- Florinda, o meu marido é arquitecto, não é engenheiro.
- Eu bem sei minha senhora, mas como não consigo dizer essa coisa que ele é, chamo-lhe Senhor Engenheiro.
Ainda a propósito, quero crer que o facto de se ser engenheiro, pouco ou nada tem a ver com a qualidade ou falta dela, no que toca ao desempenho de certas funções, a de primeiro ministro incluída e a de engenheiro também – lembro-me de algumas obras de engenharia, de algumas intervenções de engenheiros mecânicos na minha viatura, de Entre-os-Rios, de engenheiros da NASA. Talvez a competência seja mesmo o mais importante.
Não desfazendo, há engenheiros que nos seus cursos, têm cadeiras chamadas “Betão I” e “Betão II”. Eu dificilmente confio em alguém que tenha passado algumas horas a estudar “Betão II”. Não sei porquê, mas não acho que seja um bom sinal. Há males que, a meu ver, vêm por bem, pode ser que o Sócrates não seja engenheiro, e que isso constitua a razão do seu aparente sucesso.
Se, por fim, se verificar a possibilidade, ínfima, de existir uma relação directa entre a competência e sucesso e a engenharia, deixo os meus votos que aquele engenheiro Fernando, o da Luz, o Santos, seja mesmo engenheiro. É que hoje à noite o Benfica joga, e pelos últimos resultados, quer-me cá parecer que também fez o último ano na Universidade Independente.
quarta-feira, abril 04, 2007
Essa mulher
Num repente, numa viagem que começou com o Chico, com o Milton, esbarro nas imagens de Elis. Essa mulher. Essa mulher outra vez a abalar-me as estruturas. O canto, a pessoa, as entrevistas nunca vistas, as palavras, a dureza, a insegurança, a emoção descontrolada. Não consigo explicar o que se passa quando vejo esta mulher. Um metro e cinquenta e três de gente (como a Ana), a viver no olho do furacão. Depois encontro uma outra mulher, nada deusa mais terrena, porém magnífica, a cantar-lhe uma das canções. Tinha ouvido dizê-la que jamais o faria por nada ter a acrescentar à genialidade de Elis. Pode ser que o tenha feito por amor.
Na cabine da toca do bandido, o estúdio onde normalmente grava, refugia-se como num ventre e explode assim, diferente, maravilhosa, terrena, ela própria, mas necessariamente filha da mãe.
Vê-se aqui
Na cabine da toca do bandido, o estúdio onde normalmente grava, refugia-se como num ventre e explode assim, diferente, maravilhosa, terrena, ela própria, mas necessariamente filha da mãe.
Vê-se aqui
quinta-feira, março 29, 2007
O Belo
... lá de casa pergunta aos mestres, no regresso das compras no Vasco da Gama:
- Chelas é a abreviatura de Bruxelas ?
Este meu filho podia fazer boa figura nalgum reality show da actualidade.
- Chelas é a abreviatura de Bruxelas ?
Este meu filho podia fazer boa figura nalgum reality show da actualidade.
segunda-feira, março 26, 2007
Escolhas
Caparica
A revolta do presidente da junta
"Esta situação é o resultado de quatro meses de incompetência e inoperancia do instituto da água."
Eu diria que é o resultado que mais de quatro dezenas de anos de política do betão e de falta de planeamento para aquela área. O mar vai continuar a querer conquistar a terra, sobretudo depois de terem retirado a areia que constituia uma protecção natural para toda aquela zona.
Com todo o respeito pelas pessoas e pelos seus dramas, mas sem qualquer respeito pela forma caótica como se instalaram na costa e a transformaram naquilo que hoje é, eu diria que o problema da costa reside no facto das marés vivas serem tão pouco vivas. A mim não me fazia grande confusão que as vagas se entusiasmassem e chegassem até à falésia, por exemplo.
"Esta situação é o resultado de quatro meses de incompetência e inoperancia do instituto da água."
Eu diria que é o resultado que mais de quatro dezenas de anos de política do betão e de falta de planeamento para aquela área. O mar vai continuar a querer conquistar a terra, sobretudo depois de terem retirado a areia que constituia uma protecção natural para toda aquela zona.
Com todo o respeito pelas pessoas e pelos seus dramas, mas sem qualquer respeito pela forma caótica como se instalaram na costa e a transformaram naquilo que hoje é, eu diria que o problema da costa reside no facto das marés vivas serem tão pouco vivas. A mim não me fazia grande confusão que as vagas se entusiasmassem e chegassem até à falésia, por exemplo.
quinta-feira, março 22, 2007
Dúvidas
Ainda desconfiado do afastamento que aquelas senhoras mostram da realidade resolvi fazer uma experiência.
A empresa onde trabalho tinha promovido um evento seguido de jantar, que acabou numa saída até um bar para beber uns copos e repor a conversa em dia. Pedi à rapariga que me serviu o gin tónico que me esclarecesse em que continente fica a Bélgica:
"Não sei, não me faça perguntas difíceis a esta hora."
Fiquei a desconfiar que das duas uma ou duas:
- a rapariga não estava para responder a perguntas fora do contexto do gin tónico;
- se calhar, o reality show, não é tão aldrabado quanto eu julgava.
Outra coisa, essa sim impressionante, foi a corropio de crianças adolescentes nas vizinhanças dos bares de shots, em estados mais ou menos degradantes com idades que me parecem rondar os 13 anos. As miudas, ainda em corpo de criança, de trajes mínimos e cara cheia de maquilhagem, provavelmente do estojo que beleza da Barbie. Os rapazes mais vestidos, mas frágeis, ainda sem barba. Eles e elas de cigarros mal fumados, muitos bêbados e violentos uns com os outros. Pensei "Assim que chegar a casa acordo os Marias e prego-lhes um bofetão aos três, para evitar que daqui a 8 anos estejam neste estado". Acabei por não o fazer.
A empresa onde trabalho tinha promovido um evento seguido de jantar, que acabou numa saída até um bar para beber uns copos e repor a conversa em dia. Pedi à rapariga que me serviu o gin tónico que me esclarecesse em que continente fica a Bélgica:
"Não sei, não me faça perguntas difíceis a esta hora."
Fiquei a desconfiar que das duas uma ou duas:
- a rapariga não estava para responder a perguntas fora do contexto do gin tónico;
- se calhar, o reality show, não é tão aldrabado quanto eu julgava.
Outra coisa, essa sim impressionante, foi a corropio de crianças adolescentes nas vizinhanças dos bares de shots, em estados mais ou menos degradantes com idades que me parecem rondar os 13 anos. As miudas, ainda em corpo de criança, de trajes mínimos e cara cheia de maquilhagem, provavelmente do estojo que beleza da Barbie. Os rapazes mais vestidos, mas frágeis, ainda sem barba. Eles e elas de cigarros mal fumados, muitos bêbados e violentos uns com os outros. Pensei "Assim que chegar a casa acordo os Marias e prego-lhes um bofetão aos três, para evitar que daqui a 8 anos estejam neste estado". Acabei por não o fazer.
quarta-feira, março 21, 2007
Querida Rainha

Consta que a FNAC está a organizar um concurso, associado ao lançamento da PS3, que tem por prémio a nova consola da Sony, a quem aparecer dia 22 à noite com o corte de cabelo mais original.
Quando soube desta notícia, fiquei deveras triste, face à escassez capilar que me caracteriza, mas depois lembrei-me que são os momentos difíceis que geram as melhores oportunidades. E do momento difícil da minha escassez, surge a oportunidade da abundância capilar dos nossos meninos.
Serve pois o presente post, para solicitar a vossa alteza, um corte radical em cada uma das cabeças dos Marias. O bochechas ficaria com a letra "P" desenhada, o dos caracóis loiros com o "S" e o malcriadinho histérico obcecado pelos bichos e pelos anões, com o "3". Fora estes caracteres, tudo seria em suas cabeças, um autêntico deserto. Mais ainda, solicito autorização para pintar, cada um destes caracteres de cabelo, de prateado.
Se vossa alteza pretender juntar-se à iniciativa, sugiro que também nós façamos um corte radical: "PS" em sua tola e "2" na minha (ocupa menos espaço). Para representar as três gerações da consola, juntávamos a senhora sua mãe que deveria ter um corte com as letras "PS" escritas. Três gerações para três gerações de consolas. Não háverá por certo adversário à altura.
Mais do que com a sua compreensão, conto com a sua colaboração. Fica já agendada uma sessão de corte de cabelo amanhã ao fim da tarde antes de partirmos rumo à FNAC.
Beijo respeitosamente sua mão
Seu servo Dedal
terça-feira, março 20, 2007
Os retornados
Pouco tempo depois do 25 de Abril, por alturas das guerras entre os movimentos de libertação de Angola e de Moçambique, chegaram a Portugal milhares de pessoas que deixaram quase tudo para trás e começaram uma nova vida em Portugal. Chamavam-lhes "Os retornados" e nunca me soou muito bem. Tenho uma vaga memória dos navios cheios de pessoas e contentores.
Nestas últimas semanas, os movimentos de regeneração da oposição ao governo, começam a trazer-nos uma nova vaga de retornados. As primeiras vítimas de Sócrates, começam a acordar do coma profundo da maioria absoluta socialista e já agitam águas na margem direita da pantanosa oposição. Pedro e Paulo, que de apóstolos só guardam a parte dos tolos, parecem ser dos poucos que têm saudades de um passado recente.
A mim não me fazem falta nenhuma, e sinceramente estou um bocado farto desta figura do Santana Portas. A existir direita, um mal quase necessário, preferia-a ver de caras e de discursos renovados. Estes ares de resuscitados, ramela no olho nada têm a ver com a oposição que me parece merecer o governo.
A grande vantagem destas reaparições de Pedro e Paulo são os movimentos de energia que se geram em torno do seu aparecimento. A energia com que acabou o Conselho do CDS seria divertida, não fora triste. Mais divertida, a energia com que Carlos Magno se referiu a Portas no Contraditório "... já me falta a pachorra para trogloditas de de direita com tiques de vedeta de Hollywood ...".
Brilhante confesso. Tenho recorrido, desde que a ouvi, a esta citação do comentador. Logo eu que me irrito com o abuso de Carlos Magno das citações de outras pessoas:
"Lembram-se do que Mário Soares disse quando confrontado ..."
"Tu que também fizeste aquela campanha do Cavaco, lembras-te da frase polémica do comício de Santarém ? ..."
"Sabem o que é que o Cunhal me disse, quando uma vez, ...."
Nestas últimas semanas, os movimentos de regeneração da oposição ao governo, começam a trazer-nos uma nova vaga de retornados. As primeiras vítimas de Sócrates, começam a acordar do coma profundo da maioria absoluta socialista e já agitam águas na margem direita da pantanosa oposição. Pedro e Paulo, que de apóstolos só guardam a parte dos tolos, parecem ser dos poucos que têm saudades de um passado recente.
A mim não me fazem falta nenhuma, e sinceramente estou um bocado farto desta figura do Santana Portas. A existir direita, um mal quase necessário, preferia-a ver de caras e de discursos renovados. Estes ares de resuscitados, ramela no olho nada têm a ver com a oposição que me parece merecer o governo.
A grande vantagem destas reaparições de Pedro e Paulo são os movimentos de energia que se geram em torno do seu aparecimento. A energia com que acabou o Conselho do CDS seria divertida, não fora triste. Mais divertida, a energia com que Carlos Magno se referiu a Portas no Contraditório "... já me falta a pachorra para trogloditas de de direita com tiques de vedeta de Hollywood ...".
Brilhante confesso. Tenho recorrido, desde que a ouvi, a esta citação do comentador. Logo eu que me irrito com o abuso de Carlos Magno das citações de outras pessoas:
"Lembram-se do que Mário Soares disse quando confrontado ..."
"Tu que também fizeste aquela campanha do Cavaco, lembras-te da frase polémica do comício de Santarém ? ..."
"Sabem o que é que o Cunhal me disse, quando uma vez, ...."
terça-feira, março 13, 2007
50 anos
(não ainda não sou eu)
Dez anos mais velha do que eu, a RTP festejou o seu quinquagésimo aniversário com uma gala. Um desfile de memórias, a única máquina do tempo de que dispomos. Às tantas, todas as músicas que nos anunciavam a hora de dormir. “Meninos rabinos, mas muito asseados, a cara e os dentes lavados ...”. Legitimamente, Catarina Furtado revela que só se lembra de metade das músicas. A moça ainda é novinha e dificilmente se lembraria de algo antes do Chico Escuro. Já o Malato, que é mais velho que eu, diz lembrar-se apenas de dois terços. Não pode ser, a menos que esteja com falta de memória, ou que fosse para a cama antes da hora estipulada pela direcção de programação. Eu lembrei-me de todos. E ainda do Vasco Granja, e do engenheiro Sousa Veloso, da culinária, dos telejornais e das músicas do Festival que envolviam reuniões de amigos para dar votos às canções e acompanhar freneticamente os pontos dados por cada distrito:
“Boa noite a todos. Aqui vai a votação de Bragança.
Canção número nove “Meu amor de céu laranja” um ponto,
Canção número seis “Os meus dias são melhores que as tuas noites” dois pontos...”
As primeiras novelas e as séries infantis. “Os pequenos vagabundos” que saiu em DVD e que já estão na prateleira da sala, e os “Dois anos de férias” dos quais nunca mais ouvi falar e que quase ninguém se lembra. A Ana lembra-se de uma série de dois meninos e uma pedra que encontraram, e que ficavam com a pedra à vez , e para a conquistar tinham de fazer uma tarefa qualquer (eu acho que esta série nunca existiu e que se tratam de delírios). Lembrei-me agora de uma outra série “Os quatro do blindado e o seu cão” e uma outra passada numa prisão alemã que descrevia tentativas de fuga.
A verdade é que, por enquanto e entre as várias estações, só a RTP consegue representar a nossa memória colectiva. E consegue-o também porque, durante muitos anos, cada nova série, cada sessão dos jogos sem fronteiras, cada novela, cada concurso, cada festival, era um evento nacional seguido como se de uma final do campeonato do mundo se tratasse.
Daqui a quarenta anos, sinais dos tempos, as memórias colectivas, hão-de ser um tudo nada diferentes “Lembram-se daquela novela, duma menina cheia de flores com pronuncia do norte, e daquela outra dos meninos do liceu que tinham uma banda de música . E quem se lembra daqueles concursos onde as pessoas viviam numa casa cheias de câmaras e eram expulsas até ficar só um. E havia um desses concursos que era com umas miúdas muita giras, cheias de curvas, mas muito ignorantes, e eles eram muito cultos e assim para o feio”. Que memória televisiva espera os nossos filhos ? Se calhar o melhor é tratar de lhes enriquecer outras memórias, porque com a televisiva, não hão-de ter muitos motivos para se embevecerem com uma gala de 50 anos.
Dez anos mais velha do que eu, a RTP festejou o seu quinquagésimo aniversário com uma gala. Um desfile de memórias, a única máquina do tempo de que dispomos. Às tantas, todas as músicas que nos anunciavam a hora de dormir. “Meninos rabinos, mas muito asseados, a cara e os dentes lavados ...”. Legitimamente, Catarina Furtado revela que só se lembra de metade das músicas. A moça ainda é novinha e dificilmente se lembraria de algo antes do Chico Escuro. Já o Malato, que é mais velho que eu, diz lembrar-se apenas de dois terços. Não pode ser, a menos que esteja com falta de memória, ou que fosse para a cama antes da hora estipulada pela direcção de programação. Eu lembrei-me de todos. E ainda do Vasco Granja, e do engenheiro Sousa Veloso, da culinária, dos telejornais e das músicas do Festival que envolviam reuniões de amigos para dar votos às canções e acompanhar freneticamente os pontos dados por cada distrito:
“Boa noite a todos. Aqui vai a votação de Bragança.
Canção número nove “Meu amor de céu laranja” um ponto,
Canção número seis “Os meus dias são melhores que as tuas noites” dois pontos...”
As primeiras novelas e as séries infantis. “Os pequenos vagabundos” que saiu em DVD e que já estão na prateleira da sala, e os “Dois anos de férias” dos quais nunca mais ouvi falar e que quase ninguém se lembra. A Ana lembra-se de uma série de dois meninos e uma pedra que encontraram, e que ficavam com a pedra à vez , e para a conquistar tinham de fazer uma tarefa qualquer (eu acho que esta série nunca existiu e que se tratam de delírios). Lembrei-me agora de uma outra série “Os quatro do blindado e o seu cão” e uma outra passada numa prisão alemã que descrevia tentativas de fuga.
A verdade é que, por enquanto e entre as várias estações, só a RTP consegue representar a nossa memória colectiva. E consegue-o também porque, durante muitos anos, cada nova série, cada sessão dos jogos sem fronteiras, cada novela, cada concurso, cada festival, era um evento nacional seguido como se de uma final do campeonato do mundo se tratasse.
Daqui a quarenta anos, sinais dos tempos, as memórias colectivas, hão-de ser um tudo nada diferentes “Lembram-se daquela novela, duma menina cheia de flores com pronuncia do norte, e daquela outra dos meninos do liceu que tinham uma banda de música . E quem se lembra daqueles concursos onde as pessoas viviam numa casa cheias de câmaras e eram expulsas até ficar só um. E havia um desses concursos que era com umas miúdas muita giras, cheias de curvas, mas muito ignorantes, e eles eram muito cultos e assim para o feio”. Que memória televisiva espera os nossos filhos ? Se calhar o melhor é tratar de lhes enriquecer outras memórias, porque com a televisiva, não hão-de ter muitos motivos para se embevecerem com uma gala de 50 anos.
quinta-feira, março 08, 2007
A pedido ...
... da Lia, mas necessariamente sentido, o lado B do dia de hoje.

Para acompanhar, a música de Edu Lobo e a letra do Chico.
Beatriz
Olha
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da atriz
Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Olha
Será que é de louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da atriz
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Sim, me leva para sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Ai, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz
Olha
Será que é uma estrela
Será que é mentira
Será que é comédia
Será que é divina
A vida da atriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se um arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida

Para acompanhar, a música de Edu Lobo e a letra do Chico.
Beatriz
Olha
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da atriz
Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Olha
Será que é de louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da atriz
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Sim, me leva para sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Ai, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz
Olha
Será que é uma estrela
Será que é mentira
Será que é comédia
Será que é divina
A vida da atriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se um arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida
quarta-feira, março 07, 2007
DIM
Para além de uma marca de peúgas daquelas todas sexy até às virilhas, DIM também serve para Dia Internacional da Mulher. Sinónimo de DDG: Dia Das Gajas.
O DDG, convida-me a abrir o meu coração e a falar das três grandes mentiras que os homens dizem:
1º Eu também
2º Isto não é o que parece
3º É a primeira vez que isto me acontece
Em detalhe
I Nós só dizemos “Eu também” se a mulher nos confessa o seu amor. Dizemo-lo exclusivamente para evitar o uso directo daquele verbo da letra A cujo nome não deve ser pronunciado. Logo nós que, por definição, temos opinião formadíssima sobre tudo e mais alguma coisa, sentimos uma imensa vontade de a emitir. Se a nossa opinião opinião coincide com a de outra pessoa não não nos contentamos em dizer “Eu também”. Acrescentamos sempre alguma coisa. Se, à conversa, um homem emite uma opinião ou um sentimento. O seu interlocutor não responde “Eu também”:
- Aquela gaja é tão boa que a comia todos os dias. (o sentimento mais nobre do homem: a vontade de comer gajas boas)
A resposta a esta frase não pode ser “Eu também”. É sempre algo do tipo. “Eu comia-a todos os dias e todas as noites, e se tivesse tardes livres, também marchava.”
II Isto não é o que parece é das maiores mentiras que somos capazes de dizer. Se nos apanham todos nus enfiados na cama com companhia ilícita, dizemos “Isto não é o que parece”. É como fechar os olhos quando se espirra. Mas se não é o que parece, trata-se do quê ? De uma acção de protesto contra o uso de peles de animais na indústria da moda, e de repente apareceu ali a cama ? De um ensaio para uma audição duma novela da SIC (sempre a mesma coisa, ninguém entende os artistas)?
III Esta frase só é verdade se dita à primeira vez, mas nenhum homem o diz à primeira vez. Da primeira vez que acontece, nenhum homem sente qualquer tipo de responsabilidade, quanto mais necessidade de se justificar. A justificação está ali à nossa frente: uma gaja incompetente. A frase que sai, é do estilo compreensivo: “Sim senhora. Tu tens tanto jeito para isto como eu tenho para a renda de bilros.”
Há quem defenda a existência de outras mentiras típicas do homem, mas a pior de todas é-nos pregada pelo nosso imaginário. Trata-se desta mania de fantasiar aquela coisa das duas gajas e tal. Se com uma, já existem aqueles minutos de carência, para que raio é que o nosso subconsciente nos assalta com esta história das duas gajas? Elas é que têm aquela mariquice dos orgasmos múltiplos e consecutivos e nós é que ambicionamos o rebolanço plurimulheril.
Já li, e vejo-me obrigado a reflectir seriamente sobre o assunto, que a única vantagem da cena das duas gajas é elas poderem falar uma com a outra sobre novelas e fazerem companhia uma à outra, enquanto um gajo recupera.
O DDG, convida-me a abrir o meu coração e a falar das três grandes mentiras que os homens dizem:
1º Eu também
2º Isto não é o que parece
3º É a primeira vez que isto me acontece
Em detalhe
I Nós só dizemos “Eu também” se a mulher nos confessa o seu amor. Dizemo-lo exclusivamente para evitar o uso directo daquele verbo da letra A cujo nome não deve ser pronunciado. Logo nós que, por definição, temos opinião formadíssima sobre tudo e mais alguma coisa, sentimos uma imensa vontade de a emitir. Se a nossa opinião opinião coincide com a de outra pessoa não não nos contentamos em dizer “Eu também”. Acrescentamos sempre alguma coisa. Se, à conversa, um homem emite uma opinião ou um sentimento. O seu interlocutor não responde “Eu também”:
- Aquela gaja é tão boa que a comia todos os dias. (o sentimento mais nobre do homem: a vontade de comer gajas boas)
A resposta a esta frase não pode ser “Eu também”. É sempre algo do tipo. “Eu comia-a todos os dias e todas as noites, e se tivesse tardes livres, também marchava.”
II Isto não é o que parece é das maiores mentiras que somos capazes de dizer. Se nos apanham todos nus enfiados na cama com companhia ilícita, dizemos “Isto não é o que parece”. É como fechar os olhos quando se espirra. Mas se não é o que parece, trata-se do quê ? De uma acção de protesto contra o uso de peles de animais na indústria da moda, e de repente apareceu ali a cama ? De um ensaio para uma audição duma novela da SIC (sempre a mesma coisa, ninguém entende os artistas)?
III Esta frase só é verdade se dita à primeira vez, mas nenhum homem o diz à primeira vez. Da primeira vez que acontece, nenhum homem sente qualquer tipo de responsabilidade, quanto mais necessidade de se justificar. A justificação está ali à nossa frente: uma gaja incompetente. A frase que sai, é do estilo compreensivo: “Sim senhora. Tu tens tanto jeito para isto como eu tenho para a renda de bilros.”
Há quem defenda a existência de outras mentiras típicas do homem, mas a pior de todas é-nos pregada pelo nosso imaginário. Trata-se desta mania de fantasiar aquela coisa das duas gajas e tal. Se com uma, já existem aqueles minutos de carência, para que raio é que o nosso subconsciente nos assalta com esta história das duas gajas? Elas é que têm aquela mariquice dos orgasmos múltiplos e consecutivos e nós é que ambicionamos o rebolanço plurimulheril.
Já li, e vejo-me obrigado a reflectir seriamente sobre o assunto, que a única vantagem da cena das duas gajas é elas poderem falar uma com a outra sobre novelas e fazerem companhia uma à outra, enquanto um gajo recupera.
sexta-feira, março 02, 2007
Os Maneis
Do lado dos encarnados, o Bento, que foi o primeiro guarda redes do Benfica que me lembro.
Do lado dos verdes branco, o Fernandes, que marcava tantos golos que até irritava e só apetecia mandar-lhe uma bolacha naquela cara.
O Benfica foi a Alvalade e o jogo estava muito equilibrado. Não me lembro bem, mas acho que estava empatado. O Manel, o Fernandes, isolou-se e só tinha pela frente o Manel, o Bento, que saíu destemido da baliza e se atirou à bola. O Manel, o Fernandes não conseguiu evitar um toque no Manel, o Bento, que não foi de modas e lhe espetou uma cotovelada que atirou o Manel, o Fernandes, ao chão.
O Manel, o Bento, foi expulso e o pénalty deu a vitória ao Sporting.
Nesses tempos o futebol era um desporto violento, para homens de barba rija, e não havia cá essas mariquices dos sumaríssimos. A opinião do dia seguinte era unânime. Que o Manel, o Fernandes, há muito que pedia um banano, era indiscutível porque não tinha nada que jogar tão bem. Mas o Manel, o Bento, não tinha nada que o fazer com a bola em jogo. Primeiro atirava a bola para fora, e depois dava ao Manel, o Fernandes, o devido correctivo. Sempre se evitava o pénalty e quiçá, a derrota. As reações rápidas davam muito jeito para as defesas complicadas, mas podiam ser prejudiciais se se tratasse de armar confusão.
Do lado dos verdes branco, o Fernandes, que marcava tantos golos que até irritava e só apetecia mandar-lhe uma bolacha naquela cara.
O Benfica foi a Alvalade e o jogo estava muito equilibrado. Não me lembro bem, mas acho que estava empatado. O Manel, o Fernandes, isolou-se e só tinha pela frente o Manel, o Bento, que saíu destemido da baliza e se atirou à bola. O Manel, o Fernandes não conseguiu evitar um toque no Manel, o Bento, que não foi de modas e lhe espetou uma cotovelada que atirou o Manel, o Fernandes, ao chão.
O Manel, o Bento, foi expulso e o pénalty deu a vitória ao Sporting.
Nesses tempos o futebol era um desporto violento, para homens de barba rija, e não havia cá essas mariquices dos sumaríssimos. A opinião do dia seguinte era unânime. Que o Manel, o Fernandes, há muito que pedia um banano, era indiscutível porque não tinha nada que jogar tão bem. Mas o Manel, o Bento, não tinha nada que o fazer com a bola em jogo. Primeiro atirava a bola para fora, e depois dava ao Manel, o Fernandes, o devido correctivo. Sempre se evitava o pénalty e quiçá, a derrota. As reações rápidas davam muito jeito para as defesas complicadas, mas podiam ser prejudiciais se se tratasse de armar confusão.
quinta-feira, março 01, 2007
Esperança
Não conseguir descobrir o rato do PC, é o sinal de que está na altura de arrumar a secretária.
Fico sempre com a sensação que também arrumo a minha vida, mas passados dois telefonemas, uma conversa e trinta mails, descubro que foi mesmo e só a secretária.
Fico sempre com a sensação que também arrumo a minha vida, mas passados dois telefonemas, uma conversa e trinta mails, descubro que foi mesmo e só a secretária.
quarta-feira, fevereiro 28, 2007
O poder da publicidade
Contexto:
No quarto dos brinquedos, o cowboy pede ao seu cavalo para andar mais depressa.
A frase:
- Anda mais depressa Euribor, temos que apanhar aqueles bandidos.
No quarto dos brinquedos, o cowboy pede ao seu cavalo para andar mais depressa.
A frase:
- Anda mais depressa Euribor, temos que apanhar aqueles bandidos.
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
Gestão de Tempo
Com o início da quaresma chegaram várias tarefas urgentes e importantes para fazer, que insistem em preencher-me quotidiano. Nem o Benfica eu vi jogar, e as noitadas de trabalho duram desde Segunda Feira.
Aproveito esta janela de oportunidade para escrever umas linhas.
Necessito de melhorar urgentemente a competência “Saber Dizer Não – faça-o com um sorriso, justifique a sua recusa e prontifique-se a encontrar alternativa a quem lhe solicita alguma tarefa”
Agora que penso na arte de dizer Não, reparo que há pouca gente que o saiba fazer com a elegância necessária. Uns porque dizem Sim e não conseguem contraria esta tendência para a nega, e outros porque dizem Não, mas à bruta. Fazem-no muito na linha “Não me chateies”, “Temos pena” ou “Tu deves ser atrasado mental”
Este, já se vê, devia ser um tema abordado logo antes da adolescência: “A arte da tampa”. Evitava tanta chatice entre os 13 e os 20 anos. Esta é a idade em que mais precisamos de dizer Não, não tendo porém estatuto para o fazer:
- André para a rua
- Stor, peço imensa desculpa mas neste momento é-me completamente impossível fazê-lo. Podemos adiar esta falta a vermelho para a semana que vem ? É que hoje não me calha nada bem.
- Está-se a rir de quê?
- Estou a sorrir stor. Para lhe demonstrar que não se trata de uma questão pessoal, antes de uma real impossibilidade. Se reparar até lhe estou a dar uma alternativa, não obstante o facto de estar a recusar a sua solicitação.
- Foi uma ordem.
- Compreendo, mas sinceramente, hoje não o posso fazer. Talvez o Carlos possa. Carlos, importas-te de atender a um pedido do professor, que eu hoje não tenho a menor hipótese de aceder.
- Desculpe lá Carlos, o André está aflito, tenho que recorrer a si. Rua.
- Por mim tudo bem. Eu sei que não é a mesma coisa, mas tudo bem.
E com os namoros, a coisa também prometia ser interessante ...
Aproveito esta janela de oportunidade para escrever umas linhas.
Necessito de melhorar urgentemente a competência “Saber Dizer Não – faça-o com um sorriso, justifique a sua recusa e prontifique-se a encontrar alternativa a quem lhe solicita alguma tarefa”
Agora que penso na arte de dizer Não, reparo que há pouca gente que o saiba fazer com a elegância necessária. Uns porque dizem Sim e não conseguem contraria esta tendência para a nega, e outros porque dizem Não, mas à bruta. Fazem-no muito na linha “Não me chateies”, “Temos pena” ou “Tu deves ser atrasado mental”
Este, já se vê, devia ser um tema abordado logo antes da adolescência: “A arte da tampa”. Evitava tanta chatice entre os 13 e os 20 anos. Esta é a idade em que mais precisamos de dizer Não, não tendo porém estatuto para o fazer:
- André para a rua
- Stor, peço imensa desculpa mas neste momento é-me completamente impossível fazê-lo. Podemos adiar esta falta a vermelho para a semana que vem ? É que hoje não me calha nada bem.
- Está-se a rir de quê?
- Estou a sorrir stor. Para lhe demonstrar que não se trata de uma questão pessoal, antes de uma real impossibilidade. Se reparar até lhe estou a dar uma alternativa, não obstante o facto de estar a recusar a sua solicitação.
- Foi uma ordem.
- Compreendo, mas sinceramente, hoje não o posso fazer. Talvez o Carlos possa. Carlos, importas-te de atender a um pedido do professor, que eu hoje não tenho a menor hipótese de aceder.
- Desculpe lá Carlos, o André está aflito, tenho que recorrer a si. Rua.
- Por mim tudo bem. Eu sei que não é a mesma coisa, mas tudo bem.
E com os namoros, a coisa também prometia ser interessante ...
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
La fontaine
JM - Pai conta-me uma história para eu adormecer
Eu – João, são quase onze da noite.
JM – Uma muito pequenina. Vá lá pai.
Eu – Era uma vez um gato que ia atravessar uma rua, e quando estava a meio veio um carro e matou-o
JM – Ohhh Pai.
Eu – Era uma vez um gato que ia atravessar uma rua, e vinha lá um carro. Também estava lá um cão muito esperto que percebeu que o gato ia ser atropelado. O cão que sabia que os gatos se assustam com os cães, resolveu ladrar e correr na direcção do gato para ele fugir do carro com o susto. Foi então que o carro os atropelou aos dois.
JM – Ohhh pai, essa história não presta (risos).
Eu - Era uma vez um gato que ia atravessar uma rua, e vinha lá um carro. Também estava lá um cão muito esperto que percebeu que o gato ia ser atropelado. O cão que sabia que os gatos se assustam com os cães, resolveu ladrar e correr na direcção do gato para ele fugir do carro com o susto. O elefante que tinha uma tromba que adivinhava, viu logo que aquilo ia dar asneira e resolveu correr para lhes dar com a tromba e eles assim não eram atropelados. Quando o carro estava quase a apanhar o gato e o cão, deu-lhes uma grande trombada (eh eh eh) e eles voaram até à outra faixa e não foram atropelados. Fizeram uma grande festa e deram um abraço ao elefante. Foi aí que apareceu um autocarro e atropelou os três. (muitos risos)
JM- Amanhã juntamos um tiranossauro rex e o king kong.
O patrão do moço da cruz anda demasiado atento, porque hoje à saída da escola ia sendo atropelado por uma carrinha de bolos. Ainda bem que não fui porque estou com umas cuecas de super homem (prenda de natal do Manel Maria) e ia ser motivo de grande galhofa nos politraumatizados de São José.
Eu – João, são quase onze da noite.
JM – Uma muito pequenina. Vá lá pai.
Eu – Era uma vez um gato que ia atravessar uma rua, e quando estava a meio veio um carro e matou-o
JM – Ohhh Pai.
Eu – Era uma vez um gato que ia atravessar uma rua, e vinha lá um carro. Também estava lá um cão muito esperto que percebeu que o gato ia ser atropelado. O cão que sabia que os gatos se assustam com os cães, resolveu ladrar e correr na direcção do gato para ele fugir do carro com o susto. Foi então que o carro os atropelou aos dois.
JM – Ohhh pai, essa história não presta (risos).
Eu - Era uma vez um gato que ia atravessar uma rua, e vinha lá um carro. Também estava lá um cão muito esperto que percebeu que o gato ia ser atropelado. O cão que sabia que os gatos se assustam com os cães, resolveu ladrar e correr na direcção do gato para ele fugir do carro com o susto. O elefante que tinha uma tromba que adivinhava, viu logo que aquilo ia dar asneira e resolveu correr para lhes dar com a tromba e eles assim não eram atropelados. Quando o carro estava quase a apanhar o gato e o cão, deu-lhes uma grande trombada (eh eh eh) e eles voaram até à outra faixa e não foram atropelados. Fizeram uma grande festa e deram um abraço ao elefante. Foi aí que apareceu um autocarro e atropelou os três. (muitos risos)
JM- Amanhã juntamos um tiranossauro rex e o king kong.
O patrão do moço da cruz anda demasiado atento, porque hoje à saída da escola ia sendo atropelado por uma carrinha de bolos. Ainda bem que não fui porque estou com umas cuecas de super homem (prenda de natal do Manel Maria) e ia ser motivo de grande galhofa nos politraumatizados de São José.
Proposta de alteração à lei do referendo
A partir de hoje, todos os referendos devem acrescentar ao assunto a ser referendado, algumas das seguintes perguntas:
"Qual o seu clube de futebol?"
"Qual o homem mais bonito portugal?"
"Qual a mulher mais bonita de portugal?"
"Qual a próxima tatuagem de Elsa Raposo?"
"O que leva Bárbara a ir para o Carrilho?"
"Cozido à portuguesa ou feijoada?"
"Vinho ou Cerveja?"
"Sagres ou Super Bock ?"
"Zara ou H&M?"
"Marina Mota, Herman ou Gato Fedorento?"
"Novelas nacionais ou brasileiras?"
Isto sim, são temas pelos quais existem um verdadeiro interesse nacional que levariam a abstenção a valores miseráveis.
"Qual o seu clube de futebol?"
"Qual o homem mais bonito portugal?"
"Qual a mulher mais bonita de portugal?"
"Qual a próxima tatuagem de Elsa Raposo?"
"O que leva Bárbara a ir para o Carrilho?"
"Cozido à portuguesa ou feijoada?"
"Vinho ou Cerveja?"
"Sagres ou Super Bock ?"
"Zara ou H&M?"
"Marina Mota, Herman ou Gato Fedorento?"
"Novelas nacionais ou brasileiras?"
Isto sim, são temas pelos quais existem um verdadeiro interesse nacional que levariam a abstenção a valores miseráveis.
domingo, fevereiro 11, 2007
Não vinculativo
Ainda não se conhecem os resultados, apenas se projecta uma abstenção vencedora. Deixa andar, não é comigo, tenho mais do que fazer é a lógica de um país de memória curta. Aos que durante décadas, lutaram pela liberdade e pelo direito ao voto livre (e pela liberdade à inconsciência de não votar) as desculpas por esta abstenção.
Senhor Sócrates tenha tomates, e mude a lei no parlamento (há aqui qualquer coisa que me ultrapassa. O sr primeiro ministro no congresso do PS, não respondeu a Helena Roseta que, se o referendo não fosse vinculativo, tudo ficaria como até agora ?).
Senhor Sócrates tenha tomates, e mude a lei no parlamento (há aqui qualquer coisa que me ultrapassa. O sr primeiro ministro no congresso do PS, não respondeu a Helena Roseta que, se o referendo não fosse vinculativo, tudo ficaria como até agora ?).
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
O regresso às aulas
Logo pela manhã, à primária (minha querida D. Inês, grande professora e grandes reguadas). A contas com alguma dificuldade em explicar ao João, contas de dividir com mais que dois algarismos no divisor.
- Professora Marta, desculpe a interrupção, mas preciso de ajuda nas contas de dividir quando o denominador tem mais que dois algarismos
- O divisor
- Pois o divisor
- Já esqueceu como se faz, portanto
- Não. Mas não sei qual o algoritmo que usa para explicar aos selvas (eu formei-me em matemática aplicada, sei mais do que imaginas espertinha)
- Como assim ?
- Como é que se explica isto ?
- Vamos ao quadro
- Vamos lá então
- 192746 : 45
- Muito bem e agora. Como é que os faz chegar ao quatro ?
- Qual quatro ?
- O quatro que vai por ali debaixo do 45
- Ah esse. Então temos 19 e 45. Como 19 < 45 temos que ir pedir ajuda ao 2. Fica então 192 e 45. Vai daí o 5 trata do 2 enquanto o 19 trata do 4. Ora 19:4 dá 4. Vamos tentar o 4. Se der dá se não der temos que tentar com 3. Muito bem 4 x 5 são 20, 20 para 2 não chega temos que pedir uma dezena emprestada ao 19, 20 para 12 também não chega temos que pedir outra dezena emprestada ao 19, 20 para 22 são 2, colocamos o 2. 4 vezes 4 são 16, quantas dezenas pedimos ao 19 ?
- Duas.
- Muito bem, então 4 vezes 4 são 16, mais as duas são 18. Para dezanove vão
- Um
- Cá está. Baixa-se o 7. Ainda precisa que continue ?
- Já agora. É que fiquei curioso em ver o resultado.
- Muito bem. 127 a dividir por 45. O 7 trata do 5 e o 12 do 4...
- Estava a brincar. Podemos ficar por aqui. Obrigado.
- Não custou nada.
João Maria nem sabes o que te espera hoje à noite:
72816459726152923784698 : 83
- Professora Marta, desculpe a interrupção, mas preciso de ajuda nas contas de dividir quando o denominador tem mais que dois algarismos
- O divisor
- Pois o divisor
- Já esqueceu como se faz, portanto
- Não. Mas não sei qual o algoritmo que usa para explicar aos selvas (eu formei-me em matemática aplicada, sei mais do que imaginas espertinha)
- Como assim ?
- Como é que se explica isto ?
- Vamos ao quadro
- Vamos lá então
- 192746 : 45
- Muito bem e agora. Como é que os faz chegar ao quatro ?
- Qual quatro ?
- O quatro que vai por ali debaixo do 45
- Ah esse. Então temos 19 e 45. Como 19 < 45 temos que ir pedir ajuda ao 2. Fica então 192 e 45. Vai daí o 5 trata do 2 enquanto o 19 trata do 4. Ora 19:4 dá 4. Vamos tentar o 4. Se der dá se não der temos que tentar com 3. Muito bem 4 x 5 são 20, 20 para 2 não chega temos que pedir uma dezena emprestada ao 19, 20 para 12 também não chega temos que pedir outra dezena emprestada ao 19, 20 para 22 são 2, colocamos o 2. 4 vezes 4 são 16, quantas dezenas pedimos ao 19 ?
- Duas.
- Muito bem, então 4 vezes 4 são 16, mais as duas são 18. Para dezanove vão
- Um
- Cá está. Baixa-se o 7. Ainda precisa que continue ?
- Já agora. É que fiquei curioso em ver o resultado.
- Muito bem. 127 a dividir por 45. O 7 trata do 5 e o 12 do 4...
- Estava a brincar. Podemos ficar por aqui. Obrigado.
- Não custou nada.
João Maria nem sabes o que te espera hoje à noite:
72816459726152923784698 : 83
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
Pra cima pra baixo ao som do contrabaixo
Surpreende-me a quantidade de telemóveis que são vendidos neste país. Pergunto-me o que leva cada Português a adquirir o seu 5º ou 6º telemóvel. O que é que fazem aos que ficam para trás?
As operadoras justificam este fenómeno pela adesão às novas tecnologias. A fotografia, o vídeo, o 3G, os toques polifónicos e os MPMuitos. Não acredito que seja pela tecnologia. Os portugueses dão-se mal com essa coisa da tecnologia. Por regra dão-se muito mal. Os elevadores são disso exemplo. Os portugueses não gostam de elevadores. Aquilo de carregar num botão para chamar o elevador não é coisa fácil. Para já, os elevadores modernos têm dois botões e para que não haja dúvidas o melhor é carregar nos dois. Aquilo de carregar para baixo se se quer ir para baixo e carregar para cima se se quer ir para cima é uma prática ditatorial. Então eu antes de entrar no elevador tenho que saber se quero subir ou descer ? Tenho que ter um plano de deslocação ? Nããããã. Eu cá só decido à posteriori. E se a luz de chamada já estiver acesa ? A bem a bem, o melhor, é carregar novamente para o caso do elevador se ter esquecido. E depois quando o elevador chega, como é que eu sei se o bendito vai para baixo ou para cima ? Não sei. Ele tem lá umas flechas luminosas, mas todos sabemos que as luzes não querem dizer nada. O meu microondas também tem uma luz e isso em princípio não me dá qualquer informação. Pelo sim pelo não entro no elevador e só depois é que carrego no meu destino. A probabilidade de ir na direcção correcta é 0,5, e nada de mal me há-de acontecer se for no sentido contrário. Depois há aquela mariquice de ter que esperar que os outros saiam para entrar. Isso não é comigo. Primeiro há que entrar e depois logo se vê quem é que consegue sair. Uma vez lá dentro, é rezar para que a viagem chegue ao fim e assistir a pelo menos a três inversões de marcha, duas paragens por excesso de peso e ouvir alguém a peidar-se uma vez. Há poucas coisas melhores que o peido no elevador.
Os elevadores são um ícone do apreço que os portugueses têm pelas tecnologias. Não me venham portanto dizer que compram telemóveis uns atrás dos outros pelo fascínio que têm por tecnologia. O anda por trás deste mistério ? Onde andam os outros aparelhos abandonados ? Será um mistério parecido ao dos pares das peúgas ? Será que existe um planeta onde vão parar todos os telemóveis que já não usamos? Será Deus que os usa para telefonar à Alexandra Solnado ? Se sim, qual o operador ? Com que tarifários ?
As operadoras justificam este fenómeno pela adesão às novas tecnologias. A fotografia, o vídeo, o 3G, os toques polifónicos e os MPMuitos. Não acredito que seja pela tecnologia. Os portugueses dão-se mal com essa coisa da tecnologia. Por regra dão-se muito mal. Os elevadores são disso exemplo. Os portugueses não gostam de elevadores. Aquilo de carregar num botão para chamar o elevador não é coisa fácil. Para já, os elevadores modernos têm dois botões e para que não haja dúvidas o melhor é carregar nos dois. Aquilo de carregar para baixo se se quer ir para baixo e carregar para cima se se quer ir para cima é uma prática ditatorial. Então eu antes de entrar no elevador tenho que saber se quero subir ou descer ? Tenho que ter um plano de deslocação ? Nããããã. Eu cá só decido à posteriori. E se a luz de chamada já estiver acesa ? A bem a bem, o melhor, é carregar novamente para o caso do elevador se ter esquecido. E depois quando o elevador chega, como é que eu sei se o bendito vai para baixo ou para cima ? Não sei. Ele tem lá umas flechas luminosas, mas todos sabemos que as luzes não querem dizer nada. O meu microondas também tem uma luz e isso em princípio não me dá qualquer informação. Pelo sim pelo não entro no elevador e só depois é que carrego no meu destino. A probabilidade de ir na direcção correcta é 0,5, e nada de mal me há-de acontecer se for no sentido contrário. Depois há aquela mariquice de ter que esperar que os outros saiam para entrar. Isso não é comigo. Primeiro há que entrar e depois logo se vê quem é que consegue sair. Uma vez lá dentro, é rezar para que a viagem chegue ao fim e assistir a pelo menos a três inversões de marcha, duas paragens por excesso de peso e ouvir alguém a peidar-se uma vez. Há poucas coisas melhores que o peido no elevador.
Os elevadores são um ícone do apreço que os portugueses têm pelas tecnologias. Não me venham portanto dizer que compram telemóveis uns atrás dos outros pelo fascínio que têm por tecnologia. O anda por trás deste mistério ? Onde andam os outros aparelhos abandonados ? Será um mistério parecido ao dos pares das peúgas ? Será que existe um planeta onde vão parar todos os telemóveis que já não usamos? Será Deus que os usa para telefonar à Alexandra Solnado ? Se sim, qual o operador ? Com que tarifários ?
quarta-feira, janeiro 31, 2007
A evitar

Este artefacto permite ligar ao sonoro da viatura qualquer aparelho que tenha uma saída comum para headphones.
O meu bólide agora possui uma destas coisas, o que provocou a duplicação do seu valor. Aquele clio que tem lagos naturais e cogumelos, vale agora para cima de 20 euros o que é bestial.
No extremo oposto da cassete está ligada a PSP com centenas de músicas, respeitando todos os princípios dos direitos de autor. Os marias aderiram à tecnologia e a viagem para a escola foi de uma alegria contagiante. Além da companhia habitual da Maria Rita, ainda ouvimos Clã e Pedro Abrunhosa.
Raínha Ana:
Pelo sim pelo não, convém nas próximas semanas, evitar perguntas do estilo "O que é que vamos fazer ?" ou "O que é que querem fazer ?". É que o Pedro Abrunhosa tem umas respostas estranhas para esta pergunta que deixaram o João Maria estupefacto com o palavreado e o Manel Maria curioso sobre o significado do verbo foder.
quinta-feira, janeiro 25, 2007
Entrou no berçário e comeu 12 dos 17 recém nascidos
Como é que o mundo há-de ser um lugar de paz, se nem no meu aquário consigo estabelecer a ordem ?
Comentários:
João Maria - Pai, acho que devíamos condenar à morte o peixe que comeu os bebés.
Manel Maria - A culpa é do vermelho, que não tinha nada que ter 17 filhos.
Conclusão
Dos meus três filhos, um defende a pena de morte, outro defende o planeamento familiar e o terceiro anda na onda do “Não sabe/Não responde”.
Comentários:
João Maria - Pai, acho que devíamos condenar à morte o peixe que comeu os bebés.
Manel Maria - A culpa é do vermelho, que não tinha nada que ter 17 filhos.
Conclusão
Dos meus três filhos, um defende a pena de morte, outro defende o planeamento familiar e o terceiro anda na onda do “Não sabe/Não responde”.
quinta-feira, janeiro 18, 2007
O voto de Judas
Muito se escreve e muito se diz sobre a questão do aborto e já aqui escrevi pelo menos duas vezes sobre o assunto. Das campanhas e dos argumentos, fica-me a sensação de guerrilha. Na trincheira, cada defensor, parece achar-se o justo e único detentor do bem, da verdade e da razão. O bem de um lado e o mal do outro. Ao sinal de fogo sobre o inimigo, lançam-se argumentos para o lado oposto. E como de uma verdadeira guerra se tratasse, dá-se um pontapé na ténue linha que separa o admissível e o inadmissível.
Sou contra o aborto. Optar por colocar fim a uma promessa de vida ou a uma vida é, na minha humilde opinião, um sinal externo de desespero, de egoísmo, de ignorância, de miséria humana e de estupidez. No contexto desta opção de uma mulher, de um casal ou de uma família, surge um destes factores isolado, ou uma combinação de vários. E se ao egoísmo e à estupidez, pouco há fazer, aos restantes factores há muito onde gastar energias. E se do egoísmo e da estupidez não nos podemos sentir culpados, do desespero, da ignorância e da miséria humana somos os maiores responsáveis. A haver alguém a ser julgado, seremos todos os que dormimos no conforto de acreditar que cada promessa de vida brutalmente interrompida, não tem a nossa assinatura por baixo.
Pior que pouco ou nada fazer a montante da interrupção, é nada fazermos a jusante de cada não interrupção. Assistimos com a confortável distância dos inimputáveis à miséria das crianças abandonadas, maltratadas ou esquecidas até à idade adulta em qualquer instituição. As crianças que vivem a adolescência a sonhar uma mãe e um pai em cada estranho que lhes sorri. Assistimos impávidos, quase serenos, aos casos que nos chegam pelo sensacionalismo mediático, com o mesmo olhar com que vemos um episódio de uma ficção que nos comove. Um guião de fantasia que não nos envolve.
É neste conforto ridículo que se gastam centenas de milhares de euros e centenas de horas a proclamar a defesa do valor da vida. A intenção é boa, mas o erro de paralaxe é grosseiro. Atenuamos a nossa culpa enfiados em t-shirts do banco alimentar contra a fome ou a entregar brinquedos a quem os não tem, sobras de um Natal de excessos quase pornográficos.
Vamos legalizar um crime só porque há quem o pratique? Que raio de local é este que se permite a criar condições para que alguém pense em interromper uma gravidez, e depois se julgue e se condene quem o faz? Estão as nossas mãos assim tão imaculadas? Vamos dar o peixe ou ensinar a pescar ? (Neste caso vamos penalizar a miséria ou vamos criar as condições para que ela não exista ?). Estamos perante Maria Madalena, e o que apregoamos alto e bom som, orgulhosos dos nossos ensinamentos de fé, é: “Apedrejemos a puta.”
Sou pela vida e sou católico, e é também a minha vivência de fé que me faz votar sim. Tenho a convicção que se Jesus Cristo fosse vivo, votava sim. Ele e os seus apóstolos. Bem, pensado melhor, aquele Judas era bem capaz de a troco de algumas moedas …
Sou contra o aborto. Optar por colocar fim a uma promessa de vida ou a uma vida é, na minha humilde opinião, um sinal externo de desespero, de egoísmo, de ignorância, de miséria humana e de estupidez. No contexto desta opção de uma mulher, de um casal ou de uma família, surge um destes factores isolado, ou uma combinação de vários. E se ao egoísmo e à estupidez, pouco há fazer, aos restantes factores há muito onde gastar energias. E se do egoísmo e da estupidez não nos podemos sentir culpados, do desespero, da ignorância e da miséria humana somos os maiores responsáveis. A haver alguém a ser julgado, seremos todos os que dormimos no conforto de acreditar que cada promessa de vida brutalmente interrompida, não tem a nossa assinatura por baixo.
Pior que pouco ou nada fazer a montante da interrupção, é nada fazermos a jusante de cada não interrupção. Assistimos com a confortável distância dos inimputáveis à miséria das crianças abandonadas, maltratadas ou esquecidas até à idade adulta em qualquer instituição. As crianças que vivem a adolescência a sonhar uma mãe e um pai em cada estranho que lhes sorri. Assistimos impávidos, quase serenos, aos casos que nos chegam pelo sensacionalismo mediático, com o mesmo olhar com que vemos um episódio de uma ficção que nos comove. Um guião de fantasia que não nos envolve.
É neste conforto ridículo que se gastam centenas de milhares de euros e centenas de horas a proclamar a defesa do valor da vida. A intenção é boa, mas o erro de paralaxe é grosseiro. Atenuamos a nossa culpa enfiados em t-shirts do banco alimentar contra a fome ou a entregar brinquedos a quem os não tem, sobras de um Natal de excessos quase pornográficos.
Vamos legalizar um crime só porque há quem o pratique? Que raio de local é este que se permite a criar condições para que alguém pense em interromper uma gravidez, e depois se julgue e se condene quem o faz? Estão as nossas mãos assim tão imaculadas? Vamos dar o peixe ou ensinar a pescar ? (Neste caso vamos penalizar a miséria ou vamos criar as condições para que ela não exista ?). Estamos perante Maria Madalena, e o que apregoamos alto e bom som, orgulhosos dos nossos ensinamentos de fé, é: “Apedrejemos a puta.”
Sou pela vida e sou católico, e é também a minha vivência de fé que me faz votar sim. Tenho a convicção que se Jesus Cristo fosse vivo, votava sim. Ele e os seus apóstolos. Bem, pensado melhor, aquele Judas era bem capaz de a troco de algumas moedas …
sexta-feira, janeiro 12, 2007
G#
A prima Rita ofereceu uma viola ao João Maria. Pequena, como ele, mas séria.
Lembro-me bem do Natal, em que a viola apareceu.
Parece um golpe de sorte, porque a prima correu a pequenada toda com instrumentos, e a bateria ficou noutro agregado familiar. Já a percussão ficou entregue ao Manel. Menos mal, tirando a pandeireta.
O João afeiçoou-se à viola e comecei por lhe ensinar a escala. Os dedos a pisar as cordas nas casas certas, viajantes no braço, a outra mão a fazer vibrar cada corda. Que saudades. Não tardou até conseguir levar lá para casa uma viola emprestada. Obrigado pá. A ideia é ensinar-lhe o pouco que sei, e matar as tantas saudades.
A rainha lá de casa mostra alguns sinais de desconforto, mas estou certo que se há-de habituar. Já está. Um projecto 2007. Eu e o João vamos saber tocar muito melhor que agora.
Sabes aquele som do indicador a deslizar sobre as cordas ? É disso tudo que sinto falta.
"Foi a saudade do teu braço e olhar que já da luz me dói ..." Desafino o mi para conseguir tocar esta.
Lembro-me bem do Natal, em que a viola apareceu.
Parece um golpe de sorte, porque a prima correu a pequenada toda com instrumentos, e a bateria ficou noutro agregado familiar. Já a percussão ficou entregue ao Manel. Menos mal, tirando a pandeireta.
O João afeiçoou-se à viola e comecei por lhe ensinar a escala. Os dedos a pisar as cordas nas casas certas, viajantes no braço, a outra mão a fazer vibrar cada corda. Que saudades. Não tardou até conseguir levar lá para casa uma viola emprestada. Obrigado pá. A ideia é ensinar-lhe o pouco que sei, e matar as tantas saudades.
A rainha lá de casa mostra alguns sinais de desconforto, mas estou certo que se há-de habituar. Já está. Um projecto 2007. Eu e o João vamos saber tocar muito melhor que agora.
Sabes aquele som do indicador a deslizar sobre as cordas ? É disso tudo que sinto falta.
"Foi a saudade do teu braço e olhar que já da luz me dói ..." Desafino o mi para conseguir tocar esta.
quinta-feira, janeiro 04, 2007
quarta-feira, janeiro 03, 2007
Genesis
Segundo o Guia Galáctico do Pendura (uma obra essencial), a humanidade, tal qual nós a reconhecemos, surge de um acidente.
Perante a necessidade de uma evacuar um planeta, os seus habitantes foram colocados em naves, segundo a sua posição social. Na base dessa pirâmide estavam as Manicuras e os Higienistas Telefónicos (andavam de cabine telefónica em cabine telefónica com um algodão branco a limpar o auscultador) . Foram precisamente três naves de Manicuras e Higienistas Telefónicos que se desviaram da frota de evacuação e acabaram por chocar contra um planeta habitado por seres inteligentes (golfinhos e ratinhos brancos). Esse planeta chama-se Terra e todos nós descendemos, não do macaco, mas de Higienistas Telefónicos (os mais afortunados) e Manicuras (os menos afortunados).
Acredito serem os descendentes de Manicuras que invadem os centros comerciais da periferia fardados de fato de treino, conjugam mal os verbos na segunda pessoa do singular e exibem o bolo alimentar durante a refeição. Acontece que ontem fui confrontado com um novo adereço a ser usado pelos mesmos. Umas meias especiais compatíveis com o uso de Havaianas. São umas meias que têm um separador para o dedo grande do pé permitem o encaixe da meia na presilha da havaiana. Sabe-se que o uso de meias com sandálias é um problema de difícil resolução, mas este novo artefacto vem resolver este flagelo. Agora é esperar que o produto entre na rota das Manicuras e ver, logo abaixo do fato de treino, a meia havaiana e a respectiva havaiana.
Mal posso esperar.
Perante a necessidade de uma evacuar um planeta, os seus habitantes foram colocados em naves, segundo a sua posição social. Na base dessa pirâmide estavam as Manicuras e os Higienistas Telefónicos (andavam de cabine telefónica em cabine telefónica com um algodão branco a limpar o auscultador) . Foram precisamente três naves de Manicuras e Higienistas Telefónicos que se desviaram da frota de evacuação e acabaram por chocar contra um planeta habitado por seres inteligentes (golfinhos e ratinhos brancos). Esse planeta chama-se Terra e todos nós descendemos, não do macaco, mas de Higienistas Telefónicos (os mais afortunados) e Manicuras (os menos afortunados).
Acredito serem os descendentes de Manicuras que invadem os centros comerciais da periferia fardados de fato de treino, conjugam mal os verbos na segunda pessoa do singular e exibem o bolo alimentar durante a refeição. Acontece que ontem fui confrontado com um novo adereço a ser usado pelos mesmos. Umas meias especiais compatíveis com o uso de Havaianas. São umas meias que têm um separador para o dedo grande do pé permitem o encaixe da meia na presilha da havaiana. Sabe-se que o uso de meias com sandálias é um problema de difícil resolução, mas este novo artefacto vem resolver este flagelo. Agora é esperar que o produto entre na rota das Manicuras e ver, logo abaixo do fato de treino, a meia havaiana e a respectiva havaiana.
Mal posso esperar.
domingo, dezembro 24, 2006
Feliz Natal
quarta-feira, dezembro 20, 2006
Arco-Íris

E de repente a imensa curva das cores, brincadeira de luz a desdobrar-se nas gotas d’ água. Tentou alcançá-la, já ela sábia, se escapava à proximidade dos gestos. “Anda alguém atrás da ponta do arco-íris, para me fugir assim” pensou.
Conta-lhe se eras tu em busca do fim da gigante roda de luz. Numa outra roda, gigante círculo de risos e música de acordeão, tangente ao chão e às nuvens, os mesmos tesouros impossíveis, o mesmo pote de sonhos, à inatingível chegada.
Estremunhado regressa à realidade, e quando novamente olhou o céu, já a magia de cor se dissipara.
segunda-feira, dezembro 18, 2006
A estante
A estante da sala dos meus pais desapareceu.
Aquela estante que estava lá desde que me conheço e que me acompanhou durante quase trinta anos. Mais ou menos até aqueles dias em que, com 28 anos, já tinha vergonha de pôr a chave à porta, sempre à espera que um deles acabasse por perguntar “Ainda moras aqui ? Sabes que com a tua idade já estávamos casados e com filhos?”. A verdade é que as candidatas eram muitas e o processo de selecção foi complicadíssimo, pelo que só após longos anos de triagem acabei por optar por aquela que tinha as mamas maiores (cheira-me que hoje vou dormir no sofá).
Falava eu da estante, que desapareceu por troca de um plasma que ainda não conheço. Essa estante, que ao que parece foi desenhada pelo meu pai, foi desde sempre cúmplice da minha infância e adolescência. Uma lista de memórias misturadas nas prateleiras de livros, nas gavetas de fotos e nos armários de bebidas. A saber:
- os livros da Mafalda, daqueles mais compridos que altos, de várias cores e com duas tiras por página
- o livro dos anarcas, que tinha frases como “Portugal é um país geométrico, resolvem-se problemas bicudos, em mesas redondas, com bestas quadradas”, “Pratique desporto, faça tiro ao Álvaro” e “Soares tem a tripa cagueira ligada ao cérebro, quando fala, fala merda, quando caga, caga sentenças.”
- as fotos da ida à serra da Estrela e dos verões com as primas Rita e Sara em Tibaldinho
- uma garrafa de fazer soda que tinha umas recargas de gás, capazes de colocar qualquer bisnagas de carnaval a um canto. Essencial portanto para a consolidação da posição social, na escola da Câmara lá do Bairro.
- a Araldite em duas bisnagas, cujo o conteúdo se misturava para fazer cola, mas que por uma razão ou por outra nunca funcionava e aquilo que eu partia acabava sempre por ser descoberto
- o atlas verde e o guia da vida saudável que tinha umas páginas geni(t)ais sobre a vida sexual
- os livros do “Pão com Manteiga” e as “Crónicas de um bom malandro” que, não sei porquê, estão na mesma área do meu cérebro
- a primeira televisão a cores lá de casa (a segunda também). A prateleira que sobrou com a entrada da televisão e que nos braços do sofá, serviu para tantas horas de estudo
- uns maços de cigarro Português Suave com filtro dos tempos em que a minha mãe fumava um cigarro por semestre, e que eu roubava para fumar às escondidas
- as garrafas de bebidas que eu e os meus colegas de faculdade quase limpámos quando fizemos uma festa lá em casa durante umas férias dos meus pais. Acabámos por ser expulsos pela minha irmã, que tinha exame de anatomia nessa semana e não estava para nos aturar bêbados em casa (foi uma injustiça porque a bebedeira foi-se construindo à volta de tão nobre motivo – brindávamos ao general Kadafi pela forma como resistia e afrontava o poder autoritário do imperialismo Americano).
Outras memórias estão presas aquela estante, mas por um motivo ou outro, ou simplesmente porque a memória é selectiva, são estes que aqui escrevo.
A madeira que desapareceu da casa de Campo de Ourique não é importante, a estante e as prateleiras de memórias, ainda existem assim, meias desarrumadas e dispersas. Mas também o arrumo e a organização, nunca persistiu na dita estante. Felizmente.
Aquela estante que estava lá desde que me conheço e que me acompanhou durante quase trinta anos. Mais ou menos até aqueles dias em que, com 28 anos, já tinha vergonha de pôr a chave à porta, sempre à espera que um deles acabasse por perguntar “Ainda moras aqui ? Sabes que com a tua idade já estávamos casados e com filhos?”. A verdade é que as candidatas eram muitas e o processo de selecção foi complicadíssimo, pelo que só após longos anos de triagem acabei por optar por aquela que tinha as mamas maiores (cheira-me que hoje vou dormir no sofá).
Falava eu da estante, que desapareceu por troca de um plasma que ainda não conheço. Essa estante, que ao que parece foi desenhada pelo meu pai, foi desde sempre cúmplice da minha infância e adolescência. Uma lista de memórias misturadas nas prateleiras de livros, nas gavetas de fotos e nos armários de bebidas. A saber:
- os livros da Mafalda, daqueles mais compridos que altos, de várias cores e com duas tiras por página
- o livro dos anarcas, que tinha frases como “Portugal é um país geométrico, resolvem-se problemas bicudos, em mesas redondas, com bestas quadradas”, “Pratique desporto, faça tiro ao Álvaro” e “Soares tem a tripa cagueira ligada ao cérebro, quando fala, fala merda, quando caga, caga sentenças.”
- as fotos da ida à serra da Estrela e dos verões com as primas Rita e Sara em Tibaldinho
- uma garrafa de fazer soda que tinha umas recargas de gás, capazes de colocar qualquer bisnagas de carnaval a um canto. Essencial portanto para a consolidação da posição social, na escola da Câmara lá do Bairro.
- a Araldite em duas bisnagas, cujo o conteúdo se misturava para fazer cola, mas que por uma razão ou por outra nunca funcionava e aquilo que eu partia acabava sempre por ser descoberto
- o atlas verde e o guia da vida saudável que tinha umas páginas geni(t)ais sobre a vida sexual
- os livros do “Pão com Manteiga” e as “Crónicas de um bom malandro” que, não sei porquê, estão na mesma área do meu cérebro
- a primeira televisão a cores lá de casa (a segunda também). A prateleira que sobrou com a entrada da televisão e que nos braços do sofá, serviu para tantas horas de estudo
- uns maços de cigarro Português Suave com filtro dos tempos em que a minha mãe fumava um cigarro por semestre, e que eu roubava para fumar às escondidas
- as garrafas de bebidas que eu e os meus colegas de faculdade quase limpámos quando fizemos uma festa lá em casa durante umas férias dos meus pais. Acabámos por ser expulsos pela minha irmã, que tinha exame de anatomia nessa semana e não estava para nos aturar bêbados em casa (foi uma injustiça porque a bebedeira foi-se construindo à volta de tão nobre motivo – brindávamos ao general Kadafi pela forma como resistia e afrontava o poder autoritário do imperialismo Americano).
Outras memórias estão presas aquela estante, mas por um motivo ou outro, ou simplesmente porque a memória é selectiva, são estes que aqui escrevo.
A madeira que desapareceu da casa de Campo de Ourique não é importante, a estante e as prateleiras de memórias, ainda existem assim, meias desarrumadas e dispersas. Mas também o arrumo e a organização, nunca persistiu na dita estante. Felizmente.
quinta-feira, dezembro 14, 2006
Saúde Publica
Certo e sabido que comer doces fora de prazo é um convite à intoxicação. Pinto da Costa veio provar que o perigo também existe com Salgados.
sexta-feira, dezembro 08, 2006
Frase da Semana
"O Paulo Bento, de castigo, devia ser obrigado a usar risco ao lado durante 3 meses."
Também, caramba, não é caso para tanto. Afinal o advento nunca foi amigo do leão.
Também, caramba, não é caso para tanto. Afinal o advento nunca foi amigo do leão.
terça-feira, dezembro 05, 2006
MPB.pt

Carlos Vaz Marques
... à conversa com a música do Brasil. Ney, Bethânia, Chico, Caetano, Marisa, Carolina, Rita na certa, muitos outros que não lembro agora. E estas conversas derramadas nas páginas de um livro, escancaradas aos nossos olhos, de certeza pausadas como as conversas de um grande conversador. Razões, memórias, risos, angústias e paixões, extraídas da alma de entrevistados, como o minério se extrai da mina. A mãe na memória de Maria Rita “Maria Rita vá escovar seus dentes”, não esqueço. Pessoais e transmissíveis, estas conversas acompanham-me nos regressos a casa. Fim de tarde. São o separador dos meus mundos, como um separador de televisão. Como um separador de rádio. Esvaziam-me a mente do frenesim, dos prazos, das tarefas e do faz de conta, calibram-me as emoções para o abraço dos filhos, o beijo da mulher, o conforto do serão.
[lançamento do livro hoje na FNAC do Chiado às 21:30]
quarta-feira, novembro 29, 2006
Mea culpa
Hoje vou levar o João a confessar-se, actividade inserida no PPCDEJVT (programa primeira comunhão dezembro e já vai tarde) do mais velho dos marias. Espero que o facilitador desta conversa com Deus (vulgo prior lá da paróquia), não me convide a fazer o mesmo. Se o fizer, é coisa para durar até aos reis. Um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo para todos vós.
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