segunda-feira, novembro 19, 2007

Pirilampos


Hoje é que foi um fartote. Não há nada que chegue a um dia de chuva depois de umas semanas de seca. O povo diz e é verdade, não há fome que não dê em fartura.
Isto é que foi dar uso aos coletinhos. Ali há semanas pendurados nas costas dos bancos do condutor e do pendura, prestes a perder a fluorescência. Já tão murchinhos, coitadinhos dos coletes. Aposto que alguns até estavam no porta luvas, ou esquecidos na bagageira, sujeitos a ganhar fungos, os coitadinhos. Eis que uns aguaceiros mais persistentes os fazem desabrochar. Raros os cruzamentos em que não apareceram dois ou três coletinhos florescentes, envergadinhos pelos seus donos, a darem luz como os pirilampos. A A5 parecia a via láctea, até brilhava em amarelo fluorescente.
Só há uma coisa que me deixa confuso. Aqui há uns anos, quando os automobilistas tinham um acidente, falavam entre eles. É certo que não brilhavam no escuro, mas falavam uns com os outros, para tratarem da declaração amigável, ou para se insultarem ou mesmo para chegarem a vias de facto. Atitudes sensatas e de estreita comunhão de um problema a resolver em conjunto. Hoje em dia, estão vestidos com os coletes brilhantes, mas falam ao telemóvel, e raramente passam cartão aos restantes acidentados. Será que estão a falar uns com os outros ?

Obrigatório

Se o teu filho do meio se dirige ao mais novo usando uma expressão típica do teu chefe, é obrigatório parar, e aproveitar a pausa para redesenhar as fronteiras entre a vida profissional e a vida familiar.
"A vida é dura meu caro !" Ninguém com dois anos lida bem com esta argumentação. Mesmo aos quarenta ...

quinta-feira, novembro 15, 2007

Deixo vinte paus na mesa vou apanhar boleia

Sempre gostei que se falasse das gentes da rádio como viajantes do éter. Ou simples assíduos frequentadores do éter. Gosto do conceito. Do que se propaga no nada. O que se propaga no inexistente.

“Éter é o nome da substância que os físicos acreditavam existir em todo o universo, mas sem massa, volume e indetectável, por não criar atrito. Os físicos do séc. XIX sabiam que a luz tinha natureza ondulatória, e imaginavam que deveria precisar de um meio para se propagar. Daí o Éter. Sabe-se hoje que essa substância não existe.”

Gosto de rádio. Ligo-o logo que acordo. Hoje trouxe-me, nos tropeções do trânsito e do tempo, a Esplanada do Trovante. 1984. Levei a minha namorada ao concerto no velho Coliseu. A Clara. O pai dela não achou grande graça ao programa, contámos com a mãe como aliada. O homem lá permitiu tamanho desvario. “Porreiro pá”. Até foi.

“Da esplanada em vão me projecto para lá de onde me sinto ...”

segunda-feira, novembro 12, 2007

Estratégia


O João Maria recebeu um tabuleiro de Xadrez de um dos amigos. Amigo, o tanas. Estupor do fedelho, aposto que não é ele que vai jogar com o lunetas bochechudo.
Não sei definir os meus conhecimentos em xadrez. Talvez com um exemplo. Da última vez que joguei, estava a fazer cheque ao rei há quatro jogadas, e nem eu nem a minha adversária demos por isso. Também caramba, um homem não pode ser bom em tudo. Eu sou muito bom na cozinha, sofrível na cama e péssimo a jogar xadrez. (por razões óbvias, qualquer comentário a este post será imediatamente eliminado, sobretudo se for escrito por alguém que não tendo provado os meus cozinhados, já jogou xadrez comigo)
Não sei o que me preocupa mais. Se ter que jogar xadrez, se correr o risco do João descobrir que afinal, não sou um super herói. Este é um daqueles mitos, que eu pretendo manter até ele estar um bocadinho mais maduro. Aí pelos quarenta e cinco ou cinquenta. E este tabuleiro não vem nada a calhar.
Por mim o António vai confundir um peão com a chucha e num repente deixa de ser possível jogar. Mas como o Pai é um super herói, vamos buscar o cabo da vassoura, cortamos 24 rodelas com a faca eléctrica da cozinha, usamos os guaches para pintar 12 de branco e doze de preto e o pai vai inventar um jogo muito giro que se joga no mesmo tabuleiro.
Até já tenho um nome para o jogo. Gajas. Hummm. Gajas não que é feio. Vamos chamar-lhe Damas. Hem, quem é que tem boas ideias ? É o super pai.

sexta-feira, novembro 09, 2007

Mas onde raio ...

de sítio, é que ele largou a porcaria da Nintendo.

Desde Segunda Feira que deu pela falta da consola, que não tenho descanso. E com o feitiosinho que ele tem, muito estranho que ainda não tenha se tenha barricado na varanda, feito os irmãos reféns e exigir a consola de volta.

Já procurei em quase todo o lado, já encontrei uma série de coisas que achava que tinha perdido, mas que nesta altura já não me servem para nada, até o congelador já foi revistado, não fosse o caso do Super Mário estar com vontade de passar umas férias na neve. Nada. O estupor da maquineta teima em desaparecer. Também, da maneira como ele a trata não admira. Eu se fosse a consola dele, também dava à sola na primeira oportunidade.

O fim de semana está aí, e eu temo que, a manter-se esta situação, possamos ter alguns dissabores familiares. É que o rapaz enerva-se muito, e o atarax já está no fim do frasco. Resolvi apelar à ajuda divina e pesquisei orações para objectos perdidos. Mais uma vez é o desgraçado do António (o Santo pois então) a dar uma mãozinha (se ele descobre que o irmão do proprietário da consola se chama António, e que o proprietário o trata da maneira que trata, bem que podemos orar que a Nintendo nunca mais dá sinal de vida. António, não se deu o caso de deitares a consola do mano Manel para o lixo, não?)

Descobri então esta oração:

Oração a Santo António, para achar objectos perdidos

Eu vos saúdo, glorioso Santo António,
fiel protector dos que em vós esperam.
Já que recebestes de Deus o poder especial
de fazer achar os objectos perdidos,
socorrei-me neste momento,
a fim de que, mediante vosso auxílio,
eu encontre o objecto que procuro...

Alcançai-me, sobretudo, uma fé viva,
uma esperança firme, uma caridade ardente
e uma docilidade sempre pronta aos desejos de Deus.
Que eu não me detenha apenas nas coisas deste mundo.
Saiba valorizá-las e utilizá-las
como algo que nos foi emprestado
e lute sobretudo por aquelas coisas
que ladrão nenhum pode nos arrebatar
e nem iremos perder jamais.
Assim seja.


Esta oração é mesmo apressadinha. "Acudam-me acudam-me a encontrar o que procuro e tal. Ai se calhar é melhor ser um bocadinho mais subtil Ajuda-me lá a ter a sabedoria fé e caridade e já que estás a perder tempo comigo, aquela coisa que eu perdi, se a puseres à vista, é que me está mesmo a fazer falta. Obrigadinho Pá." ou "porreiro Pá" parafraseando o nosso Primeiro.

Hoje à noite vamos todos orar e a seguir viramos aquele quarto de brinquedos do avesso. Eu faço um interrogatório ao António, não vá o desaparecimento da dita, estar relacionado com as disputas constantes por tudo o que existe naquela abençoada casinha, com tiques de Lar.

terça-feira, novembro 06, 2007

Liga dos Campeões

Camacho diz que o jogo de hoje em Glasgow é "para homens".
Já estou a imaginar o equipamento que os homens vão usar logo à noite.

segunda-feira, novembro 05, 2007

O mais velho

Num exercício de auto avaliação, daqueles típicos de início de ano escolar, a professora perguntava porque é que, na tua opinião, as pessoas gostam de ti. A tua resposta explicava que tinha a ver com o facto de teres umas bochechas rechonchudas e queridas.
Hoje as tuas bochechas fazem nove anos, e antes de as vermos pela primeira vez, já havia quem gostasse rores de ti. Desde a ecografia em que se via um minusculo pixel a apagar e a acender e o médico ter explicado que se tratava do teu coração a bater, depois do outro médico ter dito que provavelmente eras um ovo branco (disse que não eras nada). Ainda na barriga da mãe, foste à Expo connosco e ficámos logo a gostar imenso de ti porque passámos à frente das pessoinhas todas em tudo o que era pavilhão. Depois das bochechas se terem dado a conhecer, foram classificadas como património mundial lá de casa, mas também ajuda seres querido, amigo, mimento, brincalhão, medricas, bébé, enjoadinho com os cheiros, refilão, bochecudo, e ingénuo. E teres uma pachorra interminável para os outros dois. E seres bochechudo.
Só para teres uma ideia, o Mário Soares tem umas bochechas muito melhores que as tuas, e mesmo assim, eu gosto muito mais de ti.

sexta-feira, novembro 02, 2007

O regresso da filha pródiga

Apesar da minha relação difícil com a gaja das pás rotativas, fui eu que a fui buscar ao bloco operatório. 60 euros de arranjo porque o motor de arrefecimento estava estragado. Ora porra, agora a menina tem motor de arrefecimento. É gaja, já se vê. Não tarda muito está com dores de cabeça.
O homem deu-me a menina dentro de um saco de plástico. Pouco digno para tamanha princesa
"Veja lá se o saco aguenta. Se por um azar eu a deixo cair ao chão, não me deixam entrar em casa e o fim de semana está à porta."
Lá dentro uma senhora explicava ao telefone, a lógica dos livros de receita e insistia na possibilidade de fazer leite de soja na Bimby. Se ao menos fizesse leite de vaca, sempre me poupava a subida ao terceiro andar carregadinho de dúzias de litros. Claro que não. Leite de vaca é para as vacas, e a menina que é fina, a fazer, faz leite de soja (coisa que eu duvido).
O hospital das bimby's tem muitas semelhanças com hospital das bonecas da Praça da Figueira, onde eu ia com a minha irmã e com a minha avó há 35 anos. Pelo menos as gajas são as mesmas, estão é um bocadinho mais gastas.
Vá lá ver se a menina volta sem problemas para a bancada da cozinha, é que a varinha mágica está com peneiras e não há quem a aguente.

terça-feira, outubro 30, 2007

Estado de Sítio

Está oficialmente declarado o recolher obrigatório lá em casa a partir das 20:30. Esta medida só será revogada quando a harmonia do lar for total e integralmente restabelecida. Até lá não será tolerada qualquer violação a esta imposição.
Além do desrespeito pelo novo horário de inverno, a autoridade parental tem vindo a ser ameaçada pelo excesso de prendas de aniversário nas zonas fronteiriças do quarto de brincar com o corredor. Esta situação é agravada pela infeliz coincidência da Bimby se encontrar em estado de coma.
Desde algum tempo que, quando ligada, a Bimby guinchava mais que um porco na matança, acabando por definhar no decorrer do fim de semana.
A ordem só será estabelecida quando a Bimby regressar, quando terminarem as movimentações lúdicas fora dos limites pré estabelecidos e quando o horário de inverno for respeitado.
Faça-se cumprir.


PS: Senão vai tudo ao estalo para a cama sem jantar e sem brincar.

segunda-feira, outubro 29, 2007

Esclarecimentos

O significado de mudança da hora é precisamente esse "mudança de hora". Nesta altura do ano ganha-se, por definição, uma hora de sono. E sono é sono. Nada a ver com a ideia de se levantarem às seis da manhã para brincar com as pandeiretas e com os apitos.
A somar a este distúrbio matinal, a minha estreia numa aula de natação não ajudou. Domingo às 9 aproveitando o facto de os levar à natação, resolvi eu próprio fazer três quartos de hora de aula para adultos. Ia morrendo afogado umas 15 vezes. Quando saí, nem encontrava forças para lhes dar banho e para os vestir. Isto não seria grave, se a festa de anos do Manel, fosse noutro dia que não a tarde de ontem. Ou se fosse a fazer puzzles em vez de ser a jogar futebol num campo relvado. É impensável a velocidade a que crianças de seis anos conseguem correr. Findo o jogo, já mais morto que vivo, apagar velas e tomar conta de uns 30 selvagens.
Estou a precisar do início da semana para descansar do fim de semana. A coisa foi tão grave que adormeci a ver o jogo do glorioso. A verdade é que os moços também pareciam cansados, o que ajuda. Mas nunca tinha adormecido a ver um jogo do Benfica. Ao que parece resulta porque acabaram por ganhar. Da próxima já sei, tomo uns drunfos e quando acordar o Benfica já tem 8 pontos de vantagem sobre o Porto.

quarta-feira, outubro 24, 2007

Sonoridades

Rendo-me à chuva, como um Verão se rende ao Inverno, rendo-me à ausência de luz no fim da tarde e já vou tarde. Entrego-me à música, aos compassos mudos, aos teus passos no contratempo, entrego-me a tempo. Rendo-me ao silêncio dos braços, ao palco vazio, à plateia rendida ao fim. Rendo-me à artista no camarim e ainda me agita o último bis, ainda se distilam emoções, rendo-me ao tema, a todas as variações. Ainda jazz, já não improviso, rendo-me ao riso, entrego-me a ti, entrego-me enquanto for preciso e nego-te o fim. Basto-me a mim.

terça-feira, outubro 23, 2007

Cálculo Proposicional

Facto 1 - A balança lá de casa está avariada
Facto 2 - Sem qualquer peso em cima a balança marca 80 quilos
Facto 3 - A Ana desmaiou hoje de manhã

Modus Ponens: (Facto 1 e Facto 2)=> (Leitura de 130 quilos) => Facto 3

Corolário 1: Mesmo depois de uma festa de anos, não é por subir de olhos fechados para cima da balança que ela adequa a leitura à nossa vontade.

Corolário 2: Cura-se anorexia. Resultados imediatos garantidos.

Corolário 3: O defeito dos instrumentos de precisão não traz só desvantagens, também traz muitas vantagens. Foi assim que Colombo, ao tentar descobrir o caminho para a India, acabou por descobrir a América.

Exercício 1: Enumere as vantagens da América ter sido descoberta.

segunda-feira, outubro 22, 2007

Cara de anjo mau

O Manel Maria, o do meio, equidistante do João e do António, equidistante da filha da putice e da doçura. Descarado,de caracóis loiros, capaz de desarmar as amigas da mãe e do pai quando lhes chama "Querida tia do meu coração" sempre com intenção de pedir algo, faz hoje seis anos. Parabéns filho querido do meu coração.
PS:
1. eu sei que o João é maricas com os cheiros das guloseimas de morango, e que aquilo de vomitar só de cheirar é exagero, mas evita encher a boca de pastilhas de morango e ir mascar de boca aberta a 10 cms das narinas dele.
2. eu sei que o António já não é propriamente bébé mas evita ensinar-lhe truqes de wrestling e sempre que possas larga-lhe o pescoço. Olha que um dia ele cresce e a menos que bata com a cabeça nalgum sítio, o chatum vai ter memória.

domingo, outubro 21, 2007

Garçon

Lisboa, essa imensa aldeia, capaz de transformar a vida de cada cidadão numa experiência única. Além das hortas entre vias rápidas, e para lá das fronteiras dos bairros típicos, a vida de aldeia manifesta-se em cada lugar da velha cidade. A minha não é excepção. O arrumador de carros chama-se Jesus, o que dá jeito, porque encontrar um lugar para estacionar nas redondezas é um verdadeiro milagre. Além de jeito, dá umas aulas de catequese particularmente animadas, sobretudo enquanto a catequista não descobre que estão a falar de Jesuses diferentes:
- Como arruma carros e abusa um bocadinho da pinga? Jesus foi crucificado e resuscitou ao terceiro dia ...
- Ah pois resuscitou resuscitou, porque ainda hoje me deu os parabéns e na Sexta Feira o meu pai lhe deu uma moeda de um euro. Lá se ele foi essa coisa que se diz, não faço ideia.
Além do Jesus, existe uma senhora que é a porteira da maioria dos prédios, que sabe a vida da rua toda e consegue ter um olho apontado a Arroios e o outro à Alameda. Olha-me de lado (na realidade acho que olha a todos à conta dos olhos linearmente independentes) desde que me viu entrar na sex-shop com o António ao colo, tinha o petiz uns três meses. Foi para comprar tabaco, mas isso ela não sabe. Para todos os efeitos eu levei um quase recém nascido a uma sex shop e isso não é bom. Desde esse dia que sou apontado e comentado em sussurro sempre que saio à rua. Sobre tudo isto parece-me que já falei aqui no blog, acontece que o guarda nocturno acabou de aparecer na SIC a cantar na gala da família superstar. E foi cantar esta pérola que nunca tinha ouvido, para grande pena minha. Como é que um ser humano atinge um desconto de 40% nas armações da multiópticas sem conhecer este icon da música de expressão portuguesa?

Garçon

Garçom, aqui, nesta mesa de bar
Você já cansou de escutar
Centenas de casos de amor
Garçom, no bar todo mundo é igual
Meu caso é mais um, é banal
Mas preste atenção por favor
Saiba que o meu grande amor
Hoje vai se casar
E mandou uma carta pra me avisar
Deixou em pedaços o meu coração
E pra matar a tristeza só mesa de bar
Quero tomar todas, vou me embriagar
Se eu pegar no sono, me deite no chão
Garçom, eu sei, eu tô enchendo o saco
Mas todo bebum fica chato
Valente, e tem toda a razão
Garçom, mas eu só quero chorar
Eu vou minha conta pagar
Por isso eu lhe peço atenção
Saiba que o meu grande amor
Hoje vai se casar
E mandou uma carta pra me avisar
Deixou em pedaços o meu coração
E pra matar a tristeza só mesa de bar
Quero tomar todas, vou me embriagar
Se eu pegar no sono, me deite no chão

sexta-feira, outubro 19, 2007

Memória


Da zona mais profunda da memória (perto da zona dos "Pequemos Vagabundos"), "Dois anos de férias". Naqueles dias, a emissão televisiva estava reduzida a dois canais a preto e branco, começava com a tele-escola, e acabava com o hino nacional.
A música existe aqui, e se no youtube pesquisarem em estrangeiro por "Deux ans de vacances" - que é como quem diz "Dois anões de vacanças" - encontram o genérico da série.
Aos leitores infantis (com menos de 35 anos) esqueçam este post e vão brincar aos papás e às mamãs.

quarta-feira, outubro 17, 2007

Ala direita

A ala direita deste blog foi renovada (à semelhança do que se passa com a política deste país). Agora, que já apareci pela segunda vez na "Única" deste Sábado (mais uma portanto que o coislog da gaja), não há inveja mesquinha que justifique a inexistência de um link para o Rei na Barriga. Além deste novo link, retirei links moribundos, actualizei outros, acrescentei aqui e ali, e vai daí que a coluna da direita está mais elegante.
Mas axandrai-vos garinas, aqui nos comentários da Caixa de Costura não serão toleradas encomendas, pedidos de esclarecimentos de dúvidas e coisas que tal sobre aquelas coisas que são disponibilizadas no site do Rei na Barriga.
Tenho dito.

Portantos.

terça-feira, outubro 16, 2007

Graxa e Dedução

Mãe - hoje arranjei-me tão à pressa que nem tenho coragem de me olhar ao espelho.
João M - estás linda mãe
Mamel M - mãe, vais a algum casamento ?
António M - e eu também póxo i ?

O António, além de ter aquela particularidade um bocado irritante de nunca se calar, o que o torna bastante chato, tem outra coisa que o coloca na fronteira do desespero paternal. Tem a mania que é esperto:

- António, como se chama o teu irmão das bochechas e caixa de óculos ?
- João Maiia Fajão
- E outro ? O maluquinho dos caracóis ?
- Meneli Maiia Fajão
- E o alucinadinho dos bonecos de wrestling ?
- António Maiia Fajão
- E o pai alto, bonito e extremamente inteligente ?
- Pai Maiia Fajão
- E um chapadão? Marias são vocês, o pai não usa nomes larilas. Camandro.

sexta-feira, outubro 12, 2007

A pequena Maddie

Depois do que ouvi hoje sobre o facto da Maddie não ser filha do Gerry mas sim de um doador de esperma, resolvi revelar tudo o que sei sobre este caso. Assim como assim, o que eu vou aqui contar, há-de acabar por ser revelado por este marco do jornalismo ibérico, que um dia já teve, pasme-se, dois computadores apreendidos pela polícia judiciária. Nesses tempos, a polícia chegou a ponderar, a apreensão de três máquinas de café e das máquinas que têm aqueles garrafões de água invertidos, por forma a verificar se existiam substâncias ilícitas maliciosamente distribuídas aos elementos da redacção do jornal, tal não é o rácio de asneirada por edição que ali podemos encontrar.

A pequena Maddie, embora aparente ter três anos, é na realidade uma irlandesa anã, tia-avó da Kate. Acontece que era a Maddie quem assegurava, além das tarefas caseiras e de babysitting, a droga para o casal e para os gémeos dormirem sossegados. A droga, que era obtida por intermédio de um suposto contacto em Marrocos, tinha vindo a piorar de qualidade desde o Natal de 2006. O casal McCann já tinha ameaçado a pobre senhora de expulsão do agregado, mas sempre adiou esta decisão, muito graças às panquecas e o syrup que a irlandesa assegurava todo o santo pequeno almoço. Ora naquela fatídica manhã, verificando que não havia syrup suficiente para a família McCann, a irlandesa de baixa estatura resolveu acrescentar um resto de Atarax no frasco do xarope. Quando, ao pequeno almoço, Maddie é confrontada com a alteração de sabor do syrup, acaba por confessar o seu acto. É na sequência desta confissão que Kate resolve expulsar a tia avó anã lá de casa. No meio da discussão, já sob o efeito do Atarax, o casal e os gémeos adormecem e só voltam a acordar a meio da tarde. Nesta altura, a velha ainda se encontrava no apartamento da praia da Luz embora tivesse consciência que o seu fim estava próximo. Para evitar problemas e discussões resolveu esconder-se na Bimby (foi num fórum de pessoas pequenas que um tinha lido um artigo sobre o tema “Bimby – um carrossel por descobrir” assinado por um tal de Marques Mendes). Kate acorda cheia de fome, procura a tia-avó, e como não a descobre resolve fazer um leite creme em 17 segundos na Bimby. É nesta altura que a senhora é atingida pela pá da máquina assassina, soltando um grito de horror. Ao ouvir o grito, Kate, que nutre uma afeição ímpar pela Bimby resolve ligar para a linha de apoio da Bimby. É nesta altura que Kate se apercebe do que acabara de fazer e confronta o fabricante sobre o perigo que a máquina pode representar para irlandesas anãs, porquinhos da índia e para ex-líderes partidários. As conversações entre o fabricante e a jovem Kate não são complicadas. A Kate promete simular o desaparecimento da Maddie em troca de uma mala de transporte da Bimby e o livro de receitas orientais.

Este, meus caros, é o princípio trágico da história que tem inundado os media nos últimos seis meses.

quinta-feira, outubro 04, 2007

Higiene Intima

Quando se trata da higiene das vergonhas, um gajo não tem muito para pensar. Ou usa sabão e pedra pomes, ou, no caso dos meninos s mais sensíveis, sabonetinho com cheiro. No limite da metrosexualidade recorre-se ao gel de banho (esfoliante obviamente para deixar tudo aquilo num lustre).
Ontem, quando me dirigia a casa, recebi um telefonema da minha mulher a solicitar a aquisição de jantar e de pensos higiénicos. Havendo cerveja no frigorífico, e sendo dia de jogo do glorioso, era necessário assegurar umas fatias de presunto, um queijo da serra e uns tremoços. Tudo muito simples de escolher, em 5 minutos o jantar estava tratado.
Faltava portanto a questão dos pensos. A insistência telefónica sobre o facto da embalagem dizer Normal decorre de dois fracassos nas últimas duas vezes que me prestei a executar esta tarefa. Ao que parece, não tinha acertado no objectivo do penso e isso teria trazido alguns constrangimentos menstruais à miúda. Lá fui até à prateleira dos ditos. Deparo-me com cinco prateleiras. A primeira dificuldade com que me deparei foi a diversidade das marcas, e reparem que não estou a falar de uma simples escolha entre Sagres e Super Bock, estou a falar de pelo menos uma dezena de marcas. Segunda questão: tipo de cueca. Aqui a coisa complica-se. Há para cueca tanga, para fio dental, para cueca normal, para cinta e para o raio que os parta. Depois ainda há a intensidade, que ao que parece se mede entre uma e cinco gotas (como as estrelas das críticas dos filmes) . Ainda há os dias. O início do ciclo o meio do ciclo, o fim do ciclo e os restantes dias do contra ciclo. A forma. A forma é muito importante. Há em forma de triângulo, em forma de rectângulo e em forma de cápsula. Ainda podem vir com ou sem asas. E com uma ou mais faixas aderentes. A somar a tudo isto ainda há umas variantes que têm a ver com a absorção, com os efeitos anti-transpiração e anti-odores. Quedei-me uns bons dez minutos perante o leque de opções, e cheguei a considerar pedir ajuda a uma mulher que parecia entender do assunto.
Por fim, rendi-me. Tirei uma embalagem à sorte e desabafei “Fónix. Não hão-de as gajas ser complicadas.”

quarta-feira, outubro 03, 2007

Também ...

catanos. Há certas promessas que só servem para ser quebradas. Um gajo quer dar alento à sua equipa e pensa assim "Só volto a escrever quando o Benfica ganhar."
Ora foda-se, aqueles coxos sul americanos, com muito respeito que eu nutro por muitos sul americanos, nem devem saber ler a Bola quanto mais a Caixa de Costura. caguei nos paraplégicos.
Volto a escrever e prontos.
Panaleiros.