quinta-feira, agosto 30, 2007
Este...
blog torna-se hoje e oficialmente um blog de um quarentão. Desculpem a baba e os posts repetidos. Não tarda começo a falar sobre o despiste do cancro da próstata.
quarta-feira, agosto 29, 2007
Fim
Foi o corpo que o carregou até a casa. Na sua vontade, nunca ali estaria, antes noutro qualquer local onde pudesse expurgar a dor que sentia. A casa está cheia de armadilhas. Em cada canto, cada cadeira, cada lugar do sofá, cada quarto das crianças, cada moldura, a marca de uma presença que já não é. Aquele é o ponto de partida para reaprender tudo de novo, e no entanto, nada se conjuga com o início de algo. Tudo lhe surge abruptamente amputado de vida, sem remédio, sem sentido, sem vontade. Nem o tempo parece ter a força suficiente para alguma vez lhe acalmar a agonia.
Nunca acreditou no fim. Em cada passo, o chão a esvair-se sem o deixar respirar, de cada vez que se erguia, um outro rombo o deitava por terra. Caramba, um homem deve ter direito a um milagre por vida, e ele estava disposto a gastá-lo naquela altura.
Puta e cruel doença, deve ter-te dado um gozo brutal. O que é que gostaste mais, hem ? Foram as dores com que lhe minaste o corpo ? Foram as três miúdas sem mãe ? Foi a morfina ? A quimioterapia ? Qual foi o teu gozo, cabra de merda ? É o desespero que te alimenta não é ? É o desespero. Há-de chegar o teu dia.
Pedir ajuda é um sinal de inteligência, e ele, que é um homem genericamente inteligente pediu. Não sei o peso que carrega, nem lhe imagino a dimensão, mas eu seguro daquele lado, e outros há que também ajudam. Muitos ao que sei. De alguma forma o peso há-de aliviar, de alguma forma. E o tempo ...
Deixa lá a miúda mandar uns sms’s de desespero, tenho a certeza que ela acaba por as ler.
Nunca acreditou no fim. Em cada passo, o chão a esvair-se sem o deixar respirar, de cada vez que se erguia, um outro rombo o deitava por terra. Caramba, um homem deve ter direito a um milagre por vida, e ele estava disposto a gastá-lo naquela altura.
Puta e cruel doença, deve ter-te dado um gozo brutal. O que é que gostaste mais, hem ? Foram as dores com que lhe minaste o corpo ? Foram as três miúdas sem mãe ? Foi a morfina ? A quimioterapia ? Qual foi o teu gozo, cabra de merda ? É o desespero que te alimenta não é ? É o desespero. Há-de chegar o teu dia.
Pedir ajuda é um sinal de inteligência, e ele, que é um homem genericamente inteligente pediu. Não sei o peso que carrega, nem lhe imagino a dimensão, mas eu seguro daquele lado, e outros há que também ajudam. Muitos ao que sei. De alguma forma o peso há-de aliviar, de alguma forma. E o tempo ...
Deixa lá a miúda mandar uns sms’s de desespero, tenho a certeza que ela acaba por as ler.
sexta-feira, agosto 24, 2007
Hoje à noite
Mc Lento
Sábado à noite mesmo antes do regresso a Lisboa. Nós os cinco mais a Catarina e as filhas (primas dos Marias), companhia habitual de férias. Abençoadinhas que trazem, além da picanha para várias refeições, uma pachorra invulgar para os meus filhos.
Vamos ao Mc Donalds de Albufeira, disfarçar a pressa de uma refeição com comida de plástico.
A Ana fica com os menores na esplanada e eu a Catarina tratamos da aquisição. Filas até à porta. Estupor do Murphy tirou a noite para me chatear na escolha da fila. Meia hora de fila com os clientes a sairem atendidos a conta gotas. O empregado da caixa, não parecia estar a atender, antes contava moedas. Quem atendia era um outro que de quando em vez lá aparecia para fazer uma pergunta ao cliente e voltava a recolher à cozinha. Reparo que em dez minutos, só saiu um cliente com dois Sundaes de caramelo e que a próxima pessoa está longe de estar atendida. Peço licença e salto para dentro do balcão:
- Desculpe, pode-me explicar o que está a acontecer nesta fila? Como é que em dez minutos, com fila até à porta a única coisa que saiu foram dois Sundaes de caramelo.
- Eu não estou a atender. Estou aqui a ...
- Eu já percebi que não está a entender, chame a pessoa que está a atender se faz favor.
Chega uma miúda com uma farda diferenciadora.
- Boa noite.
- Boa noite, gostava que me explicasse o que se passa nesta fila. Estão 20 pessoas só nesta fila, e nos últimos dez minutos, o único pedido satisfeito, foram dois Sundaes de chocolate. Minto, de caramelo. Vocês têm níveis de serviço que são obrigados a cumprir e segundo sei (não sabia nada) é suposto que em média saia um cliente atendido em cada três minutos. Explique-me se faz favor o que é que se está aqui a passar.
- Está muita gente na loja, demora mais um bocadinho.
- Está muita gente na loja porque não estão a cumprir com o estipulado. Repare nas mesas que estão vazias, ou com pessoas a guardar mesa. Assim é fácil ter a loja cheia. Tenho cinco crianças lá fora, há mais de meia hora e ainda tenho cinco pessoas à minha frente. Faça o favor de fazer esta fila segundo o nível de serviço que são obrigados a cumprir.
- Diga-me o que quer, que eu atendo já o seu pedido.
(Aqui passei para os berros)
- Está a dizer que me passa à frente destas pessoas que estão há mais tempo à espera ? Não é isso que quero, quero é que cumpram o que está definido. Três minutos por pedido. Daqui um quarto de hora quero estar atendido na minha vez.
Num repente aquela caixa começou a atender como raras vezes vi, e em menos de 10 minutos já era o primeiro da fila. Ainda fui cumprimentado por alguns dos meus parceiros de fila : “Bem jogado”. A Ana apareceu no fim do diálogo, porque a Catarina lhe telefonou a denunciar-me:
- O teu marido, acabou de passar para o lado de dentro do balcão e está a fazer um escândalo.
(que exagero)
Alguém sabe se existe algum nível de serviço definido para o atendimento no Mc Donalds? De repente passei a achar interessante ter acesso a essa informação.
Vamos ao Mc Donalds de Albufeira, disfarçar a pressa de uma refeição com comida de plástico.
A Ana fica com os menores na esplanada e eu a Catarina tratamos da aquisição. Filas até à porta. Estupor do Murphy tirou a noite para me chatear na escolha da fila. Meia hora de fila com os clientes a sairem atendidos a conta gotas. O empregado da caixa, não parecia estar a atender, antes contava moedas. Quem atendia era um outro que de quando em vez lá aparecia para fazer uma pergunta ao cliente e voltava a recolher à cozinha. Reparo que em dez minutos, só saiu um cliente com dois Sundaes de caramelo e que a próxima pessoa está longe de estar atendida. Peço licença e salto para dentro do balcão:
- Desculpe, pode-me explicar o que está a acontecer nesta fila? Como é que em dez minutos, com fila até à porta a única coisa que saiu foram dois Sundaes de caramelo.
- Eu não estou a atender. Estou aqui a ...
- Eu já percebi que não está a entender, chame a pessoa que está a atender se faz favor.
Chega uma miúda com uma farda diferenciadora.
- Boa noite.
- Boa noite, gostava que me explicasse o que se passa nesta fila. Estão 20 pessoas só nesta fila, e nos últimos dez minutos, o único pedido satisfeito, foram dois Sundaes de chocolate. Minto, de caramelo. Vocês têm níveis de serviço que são obrigados a cumprir e segundo sei (não sabia nada) é suposto que em média saia um cliente atendido em cada três minutos. Explique-me se faz favor o que é que se está aqui a passar.
- Está muita gente na loja, demora mais um bocadinho.
- Está muita gente na loja porque não estão a cumprir com o estipulado. Repare nas mesas que estão vazias, ou com pessoas a guardar mesa. Assim é fácil ter a loja cheia. Tenho cinco crianças lá fora, há mais de meia hora e ainda tenho cinco pessoas à minha frente. Faça o favor de fazer esta fila segundo o nível de serviço que são obrigados a cumprir.
- Diga-me o que quer, que eu atendo já o seu pedido.
(Aqui passei para os berros)
- Está a dizer que me passa à frente destas pessoas que estão há mais tempo à espera ? Não é isso que quero, quero é que cumpram o que está definido. Três minutos por pedido. Daqui um quarto de hora quero estar atendido na minha vez.
Num repente aquela caixa começou a atender como raras vezes vi, e em menos de 10 minutos já era o primeiro da fila. Ainda fui cumprimentado por alguns dos meus parceiros de fila : “Bem jogado”. A Ana apareceu no fim do diálogo, porque a Catarina lhe telefonou a denunciar-me:
- O teu marido, acabou de passar para o lado de dentro do balcão e está a fazer um escândalo.
(que exagero)
Alguém sabe se existe algum nível de serviço definido para o atendimento no Mc Donalds? De repente passei a achar interessante ter acesso a essa informação.
sexta-feira, agosto 17, 2007
Bloco de Notas
Nas férias, além de me transportar para outro local, transporto-me para outras rotinas. Pomposamente chamam-lhe “mudança de ares”. Servem para muscular os sentidos, habituá-los a novos estímulos ou rever velhos conhecidos. Reencontro outros sabores, odores, sons, texturas, luzes cores e formas. Às vezes apanham-me em falso, outras vezes coincidem com um padrão há tanto tempo gravado na memória. A memória olfactiva é a que mais me surpreende. Num café, lembrei-me de cada detalhe do cheiro da casa do Carlos, meu amigo durante a preparatória.
O próprio conhecimento muda de rotina. De ares portanto. Se hoje não sei quando é a “praia mar e a baixa mar”, há uns dias sabia. Era importante para os levar aos caranguejos com os novos camaroeiros. Se são camaroeiros, porque é que não os levava aos camarões ? Não sei a resposta para esta pergunta.
Viajei de combóio até ao Algarve. Passar a ponte, ter tempo para leituras e para as conversas dos outros. Não ia mal, de quando em vez, ir de transportes públicos trabalhar. Abre brechas para outros prazeres.
Fiz um escândalo no McDonalds, não me orgulho nem me arrependo, mas fui felicitado pelos meus momentâneos parceiros de fila. Hei-de escrever os detalhes.
Durante estes tempos, sempre a mesma aflição. Preciso de um bloco de notas para apontar isto. Uma frase, uma memória, uma luz, uma outra frase, um riso ou uma irritação. Nunca andei com um bloco de notas e senti-lhe sempre a falta. Resta-me guardar o que quero na cabeça, mas nesta idade, torna-se difícil.
A propósito de idade, e isto é um aviso que eu espero prematuro:
O primeiro anormal que se lembrar de, num transporte público, se levantar para me oferecer o lugar sentado, leva com a bengala nos cornos.
O próprio conhecimento muda de rotina. De ares portanto. Se hoje não sei quando é a “praia mar e a baixa mar”, há uns dias sabia. Era importante para os levar aos caranguejos com os novos camaroeiros. Se são camaroeiros, porque é que não os levava aos camarões ? Não sei a resposta para esta pergunta.
Viajei de combóio até ao Algarve. Passar a ponte, ter tempo para leituras e para as conversas dos outros. Não ia mal, de quando em vez, ir de transportes públicos trabalhar. Abre brechas para outros prazeres.
Fiz um escândalo no McDonalds, não me orgulho nem me arrependo, mas fui felicitado pelos meus momentâneos parceiros de fila. Hei-de escrever os detalhes.
Durante estes tempos, sempre a mesma aflição. Preciso de um bloco de notas para apontar isto. Uma frase, uma memória, uma luz, uma outra frase, um riso ou uma irritação. Nunca andei com um bloco de notas e senti-lhe sempre a falta. Resta-me guardar o que quero na cabeça, mas nesta idade, torna-se difícil.
A propósito de idade, e isto é um aviso que eu espero prematuro:
O primeiro anormal que se lembrar de, num transporte público, se levantar para me oferecer o lugar sentado, leva com a bengala nos cornos.
segunda-feira, julho 23, 2007
Inércia
É que anda confuso este verão. Diz que é do anti-ciclone. Talvez seja, tenho para mim que o tempo parou, contempla-se. Também as pessoas consomem os dias sem lhes tirar o proveito. Quantos dias se transformam em mais do que só dias ? O que mudaste no mundo hoje? Onde está a marca da tua mão ? Em que sonhos deixaste a tua voz ? Deixa-te ficar então, e nota os dias passar
Bibliografia:
Esplanada: “o tempo é quase nada", "o tempo é quase nada", "o tempo é quase nada”
Operário em Construção “e em cada coisa que via, misteriosamente havia, a marca da sua mão”
Bibliografia:
Esplanada: “o tempo é quase nada", "o tempo é quase nada", "o tempo é quase nada”
Operário em Construção “e em cada coisa que via, misteriosamente havia, a marca da sua mão”
sexta-feira, julho 20, 2007
Ideia peregrina
Está ali no forum da aquariofilia, um aquário que é uma verdadeira pechincha. Desconfio é que não exista lá em casa, espaço para outro aquário daquele tamanho.
Talvez se o pusesse no sítio do fogão, ou como centro de mesa, ou então, .... hum ... se a Bimby tivesse um destino trágico ... se de repente se evaporasse, ficava ali um espaço mesmo à medida.
É melhor não, o desespero seria tão grande, que a progenitora da Bimby seria recebida pelo Papa e pelo Dalai Lama, e a fotografia da Bimby apareceria na próxima edição das aventuras de Harry Potter.
Talvez se o pusesse no sítio do fogão, ou como centro de mesa, ou então, .... hum ... se a Bimby tivesse um destino trágico ... se de repente se evaporasse, ficava ali um espaço mesmo à medida.
É melhor não, o desespero seria tão grande, que a progenitora da Bimby seria recebida pelo Papa e pelo Dalai Lama, e a fotografia da Bimby apareceria na próxima edição das aventuras de Harry Potter.
quarta-feira, julho 11, 2007
Deasabafos do irmão do meio
Centena
de milhar. Hoje deve aparacer por cá o visitante 100 000. Espero que não seja uma pesquisa frustada no google sobre "breasts" ou "bimby".
terça-feira, julho 10, 2007
Quebrar
.. princípios é um mau princípio, pode e deve ser quebrado. O Manel juntou-se ao João nas lides de "ocupação de tempos livres em tempos de férias" (na realidade tem ido sózinho, porque o João adoeceu no Domingo à noite).
O princípio quebrado, é o sportinguismo, uma vez que a colónia de férias é a do Benfica (estou doido para lhe comprar uma camisolinha rosa, lantejolas na gola, um bocadinho cintada, ligeiramente evasé, com um bordadinho inglês no cós, e mangas em balão).
Não obstante, o Manel lá vai feliz para a colónia do Glorioso.
- Pai. Sexta Feira vamos visitar o estádio e ver a águia vitória.
- Tem cuidado Manelinho. Olha que aquela águi é muito esperta. Se os meninos são do Benfica ela deixa-os fazer festinhas, mas se ela descobre que são do Sporting, quando eles se aproximam, dá-lhes uma bicada e come-lhes a gelatina dos olhos. Sabes aquele menino que de vez em quando encontramos na rua e que é ceguinho ? Sabes de que clube ele é ?
- Do Sporting
- Pois. Não tinha nada que se aproximar da Vitória.
O princípio quebrado, é o sportinguismo, uma vez que a colónia de férias é a do Benfica (estou doido para lhe comprar uma camisolinha rosa, lantejolas na gola, um bocadinho cintada, ligeiramente evasé, com um bordadinho inglês no cós, e mangas em balão).
Não obstante, o Manel lá vai feliz para a colónia do Glorioso.
- Pai. Sexta Feira vamos visitar o estádio e ver a águia vitória.
- Tem cuidado Manelinho. Olha que aquela águi é muito esperta. Se os meninos são do Benfica ela deixa-os fazer festinhas, mas se ela descobre que são do Sporting, quando eles se aproximam, dá-lhes uma bicada e come-lhes a gelatina dos olhos. Sabes aquele menino que de vez em quando encontramos na rua e que é ceguinho ? Sabes de que clube ele é ?
- Do Sporting
- Pois. Não tinha nada que se aproximar da Vitória.
segunda-feira, julho 02, 2007
Banana
No dicionário:
s. f., Bot.,
fruto bacáceo, de polpa mole, doce e agradável, que provém da bananeira;
ficha eléctrica individual;
s. m., fig.,
indivíduo sem energia;
pateta;
adj. 2 gén.,
palerma;
molengão.
É ao substantivo masculino e ao adjectivo que me refiro. Pior que isso, refiro-o para me identificar e qualificar. Faço-o à conta desta tendência para não matar uma má ideia à nascença só porque sei que a sua concretização é num futuro que se advinha longínquo.
Maio de 2006: “Se as notas do final do ano forem boas, podes fazer uma pijama party cá em casa.”
Reflexão nesse mesmo momento: O mérito até à faculdade, é uma obrigação, não deve ser premiado. Antes o demérito deve ser diagnosticado e corrigido. De qualquer forma não lhe ficava mal brilhar um bocadinho. Ter um ou outro “muito bom” para quebrar a maré de “bons”. Mas de que prémio estamos a falar. Uma pijama party ? O que é isso ? Convida um ou outro fedelho para vir de pijama cá a casa ? Caguei. O que quer que seja pode ser que não aconteça e se acontecer hei-de-me safar.
Junho de 2006 O estupor do miúdo chega com a boa nova. Um “el tuti”. Cada nota, cada “Muito Bom”. Trabalha por objectivos ? Só se esforça com cenoura à frente ?
A inevitável pergunta “Pode ser para o próximo fim de semana ?”
A reposta alivia-me a tensão. “Não é assim João Maria. É preciso primeiro arranjar um bom fim de semana para o evento, de preferência sem festas de anos, convidar os amigos, arranjar sítio para os teus irmãos irem e pronto. Fazemos a Pijama Party”. Se eu não dissesse nada nesta altura, teria que me calar para sempre. Acabo com a pijama party agora ? Claro que não. Banana. Banana. Banana. “Isto só deve ser lá para o Outono. Pode ser que se esqueça, ou que tenha tão más notas na 3ª classe que viabilizem a anulação da promessa.”
(...) férias (...) início das aulas (...) aniversários deles (...) natal (...) aniversários dos outros (...) carnaval (...) aniversários dos outros (...) páscoa (...) fins de semana em São Martinho. A promessa era de quando em vez relembrada mas de forma pouco consistente, quase diluída. Foi então, que num repente, aproveitando o facto de eu estar entretido com o novo aquário de 120 litros:
- Dia 30 fazemos a Pijama Party do João.
Não se tratava de uma pergunta, nem requeria qualquer validação, apenas uma comunicação interna.
Como que por magia, já existia a lista de convidados, devidamente validada com o João e os convites já estavam na mão dos destinatários. Seis meninos com o João.
- Não sei se conseguimos colocação para o Manel e para o António.
Sortes distintas para estes dois. O Manel conseguiu colocação em casa de um amigo (o irmão dele era um dos convidados do João, troca por troca, justíssimo portanto e até benéfico, porque o Manel é uma doce peste e o irmão convidado é uma paz de alma), o António manteve-se lá em casa para garantir que os níveis de equilíbrio não desciam abaixo do caos permanente.
A pijama party começou às 2 da tarde de sábado, hora a que ninguém está de pijama, a menos que esteja doente ou de ressaca. Até às 8 da noite os meninos e a menina foram aparecendo. Afinal não eram seis com o João, eram seis sem o João, sete portanto. Oito com o António. Mais a Ana nove, que também, garantiu o nível adequado de caos institucionalizado, promovendo o seguinte conjunto de actividades:
“Jogo de futebol na Alameda – a inteligência emocional aos 8 anos. Como lidar com a derrota, o insulto ao árbitro - pai do jogador, a expulsão, a agressão, e o relvado cheio de cocó de cão”,
“Workshop de cozinha italiana – faz a tua própria piza e espalha mozzarela pela cozinha e se conseguires pelo resto da casa”,
“O duche em linha de montagem. 7 duches em 7 minutos”
“O banho de emersão com espuma - o privilégio das meninas convidadas”,
“Mascara-te às dez da noite – o pijama não está com nada e as máscaras estão num caixote na mais alta prateleira mais do armário. O escadote e as dores de costas.”
“Actividades lúdicas depois das 11”
"Realidade Virtual: transforme 3 camas em 8"
"Aritmética divina: a multiplicação das almofadas e as fronhas quânticas"
“Sessão Prática: Como adormecer 8 selvagens em menos de duas horas e sem ultrapassar as três palmadas”
“ Sessão Radical – só para profissionais – Estancar uma hemorragia nasal às 5 da manhã, e contrariar a lógica de grupo ‘Já não temos mais sono, vamos jogar Playstation’”
“Sessão Extra: o sofá e as dores de costas”
“Sessão Matinal com Troféu – a higiene dentária em grupo, o pequeno almoço e os morangos com açúcar. Quem tomar o pequeno almoço mais afastado da cozinha, ganha uma menção honrosa.”
“Sessão Culinária – os segredos do esparguete à bolonhesa para 10 pessoas. A gestão do queijo ralado.”
Findas as actividades, foram abandonando aos poucos, até que às 19 regressámos ao sossego do lar: Só nós os cinco. Que paz. O João Muito feliz da sua pijama party, mas muito triste por já não estar com os amigos.
Acabou-se a bananice. Pijama party’s para os outros, só lá para os tempos de universidade e com estatuto de paridade: 50 % de raparigas, para equilibrar a tarefa dos banhos.
s. f., Bot.,
fruto bacáceo, de polpa mole, doce e agradável, que provém da bananeira;
ficha eléctrica individual;
s. m., fig.,
indivíduo sem energia;
pateta;
adj. 2 gén.,
palerma;
molengão.
É ao substantivo masculino e ao adjectivo que me refiro. Pior que isso, refiro-o para me identificar e qualificar. Faço-o à conta desta tendência para não matar uma má ideia à nascença só porque sei que a sua concretização é num futuro que se advinha longínquo.
Maio de 2006: “Se as notas do final do ano forem boas, podes fazer uma pijama party cá em casa.”
Reflexão nesse mesmo momento: O mérito até à faculdade, é uma obrigação, não deve ser premiado. Antes o demérito deve ser diagnosticado e corrigido. De qualquer forma não lhe ficava mal brilhar um bocadinho. Ter um ou outro “muito bom” para quebrar a maré de “bons”. Mas de que prémio estamos a falar. Uma pijama party ? O que é isso ? Convida um ou outro fedelho para vir de pijama cá a casa ? Caguei. O que quer que seja pode ser que não aconteça e se acontecer hei-de-me safar.
Junho de 2006 O estupor do miúdo chega com a boa nova. Um “el tuti”. Cada nota, cada “Muito Bom”. Trabalha por objectivos ? Só se esforça com cenoura à frente ?
A inevitável pergunta “Pode ser para o próximo fim de semana ?”
A reposta alivia-me a tensão. “Não é assim João Maria. É preciso primeiro arranjar um bom fim de semana para o evento, de preferência sem festas de anos, convidar os amigos, arranjar sítio para os teus irmãos irem e pronto. Fazemos a Pijama Party”. Se eu não dissesse nada nesta altura, teria que me calar para sempre. Acabo com a pijama party agora ? Claro que não. Banana. Banana. Banana. “Isto só deve ser lá para o Outono. Pode ser que se esqueça, ou que tenha tão más notas na 3ª classe que viabilizem a anulação da promessa.”
(...) férias (...) início das aulas (...) aniversários deles (...) natal (...) aniversários dos outros (...) carnaval (...) aniversários dos outros (...) páscoa (...) fins de semana em São Martinho. A promessa era de quando em vez relembrada mas de forma pouco consistente, quase diluída. Foi então, que num repente, aproveitando o facto de eu estar entretido com o novo aquário de 120 litros:
- Dia 30 fazemos a Pijama Party do João.
Não se tratava de uma pergunta, nem requeria qualquer validação, apenas uma comunicação interna.
Como que por magia, já existia a lista de convidados, devidamente validada com o João e os convites já estavam na mão dos destinatários. Seis meninos com o João.
- Não sei se conseguimos colocação para o Manel e para o António.
Sortes distintas para estes dois. O Manel conseguiu colocação em casa de um amigo (o irmão dele era um dos convidados do João, troca por troca, justíssimo portanto e até benéfico, porque o Manel é uma doce peste e o irmão convidado é uma paz de alma), o António manteve-se lá em casa para garantir que os níveis de equilíbrio não desciam abaixo do caos permanente.
A pijama party começou às 2 da tarde de sábado, hora a que ninguém está de pijama, a menos que esteja doente ou de ressaca. Até às 8 da noite os meninos e a menina foram aparecendo. Afinal não eram seis com o João, eram seis sem o João, sete portanto. Oito com o António. Mais a Ana nove, que também, garantiu o nível adequado de caos institucionalizado, promovendo o seguinte conjunto de actividades:
“Jogo de futebol na Alameda – a inteligência emocional aos 8 anos. Como lidar com a derrota, o insulto ao árbitro - pai do jogador, a expulsão, a agressão, e o relvado cheio de cocó de cão”,
“Workshop de cozinha italiana – faz a tua própria piza e espalha mozzarela pela cozinha e se conseguires pelo resto da casa”,
“O duche em linha de montagem. 7 duches em 7 minutos”
“O banho de emersão com espuma - o privilégio das meninas convidadas”,
“Mascara-te às dez da noite – o pijama não está com nada e as máscaras estão num caixote na mais alta prateleira mais do armário. O escadote e as dores de costas.”
“Actividades lúdicas depois das 11”
"Realidade Virtual: transforme 3 camas em 8"
"Aritmética divina: a multiplicação das almofadas e as fronhas quânticas"
“Sessão Prática: Como adormecer 8 selvagens em menos de duas horas e sem ultrapassar as três palmadas”
“ Sessão Radical – só para profissionais – Estancar uma hemorragia nasal às 5 da manhã, e contrariar a lógica de grupo ‘Já não temos mais sono, vamos jogar Playstation’”
“Sessão Extra: o sofá e as dores de costas”
“Sessão Matinal com Troféu – a higiene dentária em grupo, o pequeno almoço e os morangos com açúcar. Quem tomar o pequeno almoço mais afastado da cozinha, ganha uma menção honrosa.”
“Sessão Culinária – os segredos do esparguete à bolonhesa para 10 pessoas. A gestão do queijo ralado.”
Findas as actividades, foram abandonando aos poucos, até que às 19 regressámos ao sossego do lar: Só nós os cinco. Que paz. O João Muito feliz da sua pijama party, mas muito triste por já não estar com os amigos.
Acabou-se a bananice. Pijama party’s para os outros, só lá para os tempos de universidade e com estatuto de paridade: 50 % de raparigas, para equilibrar a tarefa dos banhos.
quinta-feira, junho 28, 2007
Fumo e nevoeiro cerebral
Ouvi e li, há dois dias algumas notícias sobre este estudo:
"Em declarações à TSF, Miguel Gouveia, um dos professores responsáveis pelo estudo, disse que, no total, «as despesas relacionadas com o tabagismo custaram ao sistema de saúde português quase 1400 milhões de euros», sendo que desse montante 490 milhões de euros não teriam sido pagos «se nunca se tivesse fumado em Portugal».
Bem sei que fumar está longe de ser a atitude mais inteligente que se pode ter, e que não raras vezes tira em simultâneo na bolsa e na vida, mas caramba, não cria habituação do cérebro à ininteligência. Sendo uma atitude desinteligente, não nos torna desinteligentes noutras matérias.
As declarações deste professor, situam o problema do tabagisgo na quantidade de dinheiro que o estado gasta em despesas relacionadas com o dito tabagismo. Mas andamos a brincar ? O problema do tabagismo reside no dinheiro que o estado gasta ? A saber e olhando para números de 2003: "O Estado, segundo o Boletim de Execução Orçamental de Dezembro de 2003, arrecadou cerca de 1220 milhões de euros com a venda de cigarros. Ou seja, dos 1593 milhões de euros envolvidos, 76,5% foram parar aos cofres públicos."
Vamos ser honestos, fumar até que é estúpido, mas o tabagismo é um negócio rentável para o estado. Espero que o estado não gaste muito dinheiro em estudos descontextualizados.
"Em declarações à TSF, Miguel Gouveia, um dos professores responsáveis pelo estudo, disse que, no total, «as despesas relacionadas com o tabagismo custaram ao sistema de saúde português quase 1400 milhões de euros», sendo que desse montante 490 milhões de euros não teriam sido pagos «se nunca se tivesse fumado em Portugal».
Bem sei que fumar está longe de ser a atitude mais inteligente que se pode ter, e que não raras vezes tira em simultâneo na bolsa e na vida, mas caramba, não cria habituação do cérebro à ininteligência. Sendo uma atitude desinteligente, não nos torna desinteligentes noutras matérias.
As declarações deste professor, situam o problema do tabagisgo na quantidade de dinheiro que o estado gasta em despesas relacionadas com o dito tabagismo. Mas andamos a brincar ? O problema do tabagismo reside no dinheiro que o estado gasta ? A saber e olhando para números de 2003: "O Estado, segundo o Boletim de Execução Orçamental de Dezembro de 2003, arrecadou cerca de 1220 milhões de euros com a venda de cigarros. Ou seja, dos 1593 milhões de euros envolvidos, 76,5% foram parar aos cofres públicos."
Vamos ser honestos, fumar até que é estúpido, mas o tabagismo é um negócio rentável para o estado. Espero que o estado não gaste muito dinheiro em estudos descontextualizados.
terça-feira, junho 26, 2007
Da próxima vez ...
quarta-feira, junho 20, 2007
Análise de alternativas
"Ota" rima com bota, cota, gota, jota, lota, mota, nota, rota, sota, tota, vota, perdigota, batota, minhota, feiota, fatiota, agiota, adopta, carlota, janota, poliglota.
"Alcochete" rima com ramalhete, torniquete, retrete, baquete e minete.
"Portela mais um" rima com pum, nenhum, nestum, algum, e atum.
Eu continuo a achar que fica melhor a Ota, pelo menos para fazer quadras sobre o assunto, além de que não ia perturbar o sono dos atletas do Sporting que tÊm a academia em Alcochete. Mais a mais Alcochete já tem um freeport, não precisa nem de um freeshop nem de um airport.
Espero que o estudo contemple a análise destas variáveis.
"Alcochete" rima com ramalhete, torniquete, retrete, baquete e minete.
"Portela mais um" rima com pum, nenhum, nestum, algum, e atum.
Eu continuo a achar que fica melhor a Ota, pelo menos para fazer quadras sobre o assunto, além de que não ia perturbar o sono dos atletas do Sporting que tÊm a academia em Alcochete. Mais a mais Alcochete já tem um freeport, não precisa nem de um freeshop nem de um airport.
Espero que o estudo contemple a análise destas variáveis.
terça-feira, junho 19, 2007
Inquérito
À semelhança do que se passa todas as noites, o Manel Maria adormeceu na nossa cama. À meia noite, levantou-se, teletransportou-se para a casa de banho, encontrou a tampa da sanita aberta, baixou as calças do pijama, fez o seu xixi, não puxou o autoclismo (vou internacionalizar este post: autoclismo = descarga ), puxou as calças para cima e foi-se deitar no sofá da sala.
Tudo seria quase perfeito, não fora uma deficiência no sistema de teletransporte para a casa de banho, que o deixou ensonado exactamente no local de partida: de pé no chão, virado para a cama dos seus pais que, durante uns longos segundos, se transformou numa original sanita.
Já foi aberto um inquérito para apurar as causas da deficiência no sistema de teletransporte e foram tomadas medidas que visam evitar que situações semelhantes se repitam:
- inibição de ingestão de liquídos a partir das 19:30
- instalação de beliches na zona da casa de banho
- os menores de 6 anos serão algaliados às 22:00
Tudo seria quase perfeito, não fora uma deficiência no sistema de teletransporte para a casa de banho, que o deixou ensonado exactamente no local de partida: de pé no chão, virado para a cama dos seus pais que, durante uns longos segundos, se transformou numa original sanita.
Já foi aberto um inquérito para apurar as causas da deficiência no sistema de teletransporte e foram tomadas medidas que visam evitar que situações semelhantes se repitam:
- inibição de ingestão de liquídos a partir das 19:30
- instalação de beliches na zona da casa de banho
- os menores de 6 anos serão algaliados às 22:00
segunda-feira, junho 18, 2007
A história de Ana Paula Lopes
No you tube, à procura da "História de Lily Braun" por Maria Rita, encontro a essa mesma história por Ana Paula Lopes. Nunca tinha ouvido falar, mas ficou-me em boa conta.
"Meu" é o o nome do seu primeiro CD de há dois anos atrás. Jazz e bossa nova. A fórmula não é nova, diria que gasta, curiosamente, ao ouvi-la, pareceu-me uma equação quase inexplorada. Escrevi a dizer-lhe e a perguntar pelo Meu aqui em terras lusas. Na volta do correio a novidade de um segundo album para muito breve, mas aqui em Portugal, só mesmo pela internet.
Fica aqui a história da Ana Paula Lopes.
Fica aqui a história de Lily Braun.
"Meu" é o o nome do seu primeiro CD de há dois anos atrás. Jazz e bossa nova. A fórmula não é nova, diria que gasta, curiosamente, ao ouvi-la, pareceu-me uma equação quase inexplorada. Escrevi a dizer-lhe e a perguntar pelo Meu aqui em terras lusas. Na volta do correio a novidade de um segundo album para muito breve, mas aqui em Portugal, só mesmo pela internet.
Fica aqui a história da Ana Paula Lopes.
Fica aqui a história de Lily Braun.
quarta-feira, junho 13, 2007
Lisboa - Alcochete - Montijo
Ontem foi dia sem criançada. Regressados de férias a cinco, selvas entregues aos doutos cuidados colegiais e tempo para passar a dois. O que é que se faz o que é que não se faz? E que tal um almoço no Guincho ? Não era mal pensado, mas estamos sempre a ir para os mesmos sítios e tal e coisa. E se fossemos ao deserto ?
Boa.
Viramos costas à criançada, e atravessamos a ponte rumo ao outlet do deserto que nunca lá fomos.
É láááá. Vê-se mesmo que aquilo foi construído com os petro-euros. Luxo faraónico. Arcos e fontes ali no meio das dunas. E lojas a perder de vista. Eu não gosto de me ver de túnica por causa dos pêlos das pernas, pelo que só andei a ver uns turbantes. A minha odalisca comprou uns véus e umas chanatas e vai daí, já com os pés a escaldar do calor da areia, rumamos até ao oásis mais próximo. Fórum Montijo. Estes gajos das arábias não olham a meios. Tudo à grande. Até fizemos as compras necessárias para afastar os stocks da dispensa do ponto de ruptura, que o de encomenda já lá ia há muito.
E se almoçássemos por aqui ? Aqui no deserto ? Pois. Não há-de ser o fim do mundo.
Lá encontrámos uma tenda que servia grelhados e enchemo-nos de peixes do deserto: sardinhas e bezugos. Os mouros foram expulsos pelo Afonso, mas aposto que negociaram a retirada com algumas receitas de peixe assado. Os infiéis não são maus na grelha.
Posto isto, regressámos à margem norte, rumo à civilização. Ainda me ofereceram uns camelos pela odalisca, mas, ao que sei, os camelos cheiram horrores, não fazem grande companhia e não têm muito jeito com a criançada.
Havemos de ir ao deserto mais vezes, estilo daqui a dez anos, para ver como é que eles evoluem. São tão giros.
Boa.
Viramos costas à criançada, e atravessamos a ponte rumo ao outlet do deserto que nunca lá fomos.
É láááá. Vê-se mesmo que aquilo foi construído com os petro-euros. Luxo faraónico. Arcos e fontes ali no meio das dunas. E lojas a perder de vista. Eu não gosto de me ver de túnica por causa dos pêlos das pernas, pelo que só andei a ver uns turbantes. A minha odalisca comprou uns véus e umas chanatas e vai daí, já com os pés a escaldar do calor da areia, rumamos até ao oásis mais próximo. Fórum Montijo. Estes gajos das arábias não olham a meios. Tudo à grande. Até fizemos as compras necessárias para afastar os stocks da dispensa do ponto de ruptura, que o de encomenda já lá ia há muito.
E se almoçássemos por aqui ? Aqui no deserto ? Pois. Não há-de ser o fim do mundo.
Lá encontrámos uma tenda que servia grelhados e enchemo-nos de peixes do deserto: sardinhas e bezugos. Os mouros foram expulsos pelo Afonso, mas aposto que negociaram a retirada com algumas receitas de peixe assado. Os infiéis não são maus na grelha.
Posto isto, regressámos à margem norte, rumo à civilização. Ainda me ofereceram uns camelos pela odalisca, mas, ao que sei, os camelos cheiram horrores, não fazem grande companhia e não têm muito jeito com a criançada.
Havemos de ir ao deserto mais vezes, estilo daqui a dez anos, para ver como é que eles evoluem. São tão giros.
segunda-feira, junho 04, 2007
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