segunda-feira, outubro 10, 2005

Elas sobre eles sobre elas

Ontem à noite, provavelmente cansado da noite eleitoral, parei na SIC Mulher, num programa em que quatro pessoas do sexo feminino, falavam sobre os homens. Guida Maria, Luísa Castelo-Branco, Ana Marques e Solange F discutem alegremente as relações entre mulheres e homens num programa chamado “Elas sobre eles”. Parece existir um programa exactamente no mesmo formato em que eles falam sobre elas, mas esse nunca assisti.
Trata-se de dividir a humanidade em dois grandes conjuntos, e discutir premissas sobre cada um deles. Temos então conjunto das mulheres e o conjunto dos homens. E a partir daqui é generalizar:
Os homens pensam da cintura para baixo
Os homens são mais práticos
Os homens davam jeito porque sabem colocar buchas, parafusos o que permite pendurar algumas das tralhas que as mulheres gostam de ter em penduradas. Mas desde que inventaram os berbequins, as mulheres conseguiram dominar o mundo da bricolage e já não precisam dos homens para nada. Ainda há a questão da muda dos pneus.
Os homens são intermitentes e as mulheres são contínuas.
Há sete mulheres para cada homem. Elas caçam, eles escolhem.
Os homens não se aguentam muito tempo sozinhos. Depois de um divórcio ou de ficarem viúvos encontram logo uma nova mulher.
Mais vale ser esperta que inteligente. Os homens fogem da inteligência feminina. Se conhecerem uma mulher gira, boa, rica e inteligente fogem a setes pés.
Eu sei que estas alminhas estão a falar de estereótipos, mas mesmo assim ... que raio de homens é que terão conhecido, para insistir na divisão do mundo pelo tracejado dos sexos? A velha divisão entre índios e cowboys, os policias e ladrões, os bons e os maus, é tão mais sábia ...

Todo o século XX a convergir para a igualdade entre homens e mulheres e assim que se vêem com um canal de televisão nas mãos, a primeira coisa que fazem é marcar fronteiras, cavar fossos e marcar terreno ? Mas de que é que estávamos à espera ? Eu já sabia, isto o mulherio é todo igual, quem já viu uma já viu todas. Assim que lhes concedemos uma coisinha querem logo tudo. Mas quem é que disse que as mulheres devem ter um canal de televisão? As mulheres na televisão, só devem fazer duas coisas, locução de continuidade e limpar o pó ao aparelho. Vão mas é para casa, tratar das tarefas domésticas. Desavergonhadas. Ordinaronas.  Ressabiadas.

domingo, outubro 09, 2005

Finalmente

Já reflecti e já decidi. Exactamente no dia destinado para o efeito. Amanhã (daqui a umas horas) voto.

sexta-feira, outubro 07, 2005

Teoria

Em três passos conhece-se qualquer pessoa do mundo.
Eu explico.
Imagine-se uma pessoa qualquer do mundo. Então conhecemos alguém que conhece alguém que conhece alguém que conhece essa pessoa.
Será verdade? Não sei.
Serve para alguma coisa ? Huuuumm provavelmente não.
Mas é engraçado como assunto.

Discurso Directo

“Quero fazer um apelo ao voto dos ‘gays’ em Manuel Maria Carrilho , que é um candidato que nos apoia, não só em palavras mas também em actos.”
António Serzedelo
Presidente da Opus Gay
Diário de Notícias de Hoje

quinta-feira, outubro 06, 2005

Museu de Cera

As sondagens em Lisboa dão vantagem a Carmona. O PS arrisca-se a ficar, mais uma vez, arredado da CML.
Também quem é que os manda escolher um candidato que mais parece uma estátua do Madame Tussot.

Aprende a nadar companheiro

Continuo a surpreender-me com as memórias associadas a alguns  sentidos. No outro dia, o cheiro da cantina da escola dos príncipes, levou-me até ao “Formigueiro”, o meu colégio castelo. Não me lembro como era a cantina mas o cheiro dos pratos e copos de plástico, dos pudins às cores, era exactamente aquele. O que será feito da Ercília ?

Ontem lá em casa ouviu-se esta canção, mais uma máquina capaz de nos transportar no tempo, até às viagens à Beira Alta, com a minha avó. Como bons burgueses que éramos, ia-mos de táxi, mas não dispensávamos o cancioneiro revolucionário. Do cancioneiro, a maré, como a Beira, ia alta.

Aprende a nadar, companheiro
Aprende a nadar, companheiro
Que a maré se vai levantar
Que a maré se vai levantar
Que a liberdade está a passar por aqui
Que a liberdade está a passar por aqui
Que a liberdade está a passar por aqui
Maré alta
Maré alta
Maré alta

(ajuda a equilibrar o post anterior)

terça-feira, outubro 04, 2005

Teatro

Aviso aos leitores: este é um post muito reaccionário.
Tema: A crise das companhias teatrais (essencialmente no Norte) por atrasos no processo de distribuição de subsídios por parte do ministério da cultura.

Este atraso na distribuição de verbas já cabimentadas tem vindo a provocar a suspensão ou cessação de actividade de algumas companhias de teatro nortenhas. De um modo genérico, o teatro em todo o país sofre de uma exagerada subsídio dependência. Não me parece que faça sentido que uma actividade esteja sobredimensionada para o mercado que tem, esperando a existência de subsídios para garantir a sobrevivência. A dura realidade é que não há público suficiente para tanta companhia de teatro e que, à semelhança do que se passa noutros mercados, a oferta vai ter que se dimensionar à procura. Isto implica necessariamente o desaparecimento de muitas destas companhias. As mercearias de bairro fecham, os cinemas de bairro fecham, as indústrias pouco competitivas fecham, as escolas sem alunos fecham, os clubes de vídeo fecham e as galerias de arte também. Porque estão no meio de lutas desiguais mas sobretudo porque não têm mercado e porque o que existe procura soluções mais económicas. Isto quer dizer que eu acho que o estado não deva subsidiar o teatro? Não. Acho que o deve fazer de forma a não criar relações de subsídio dependência.

Formam-se comissões independentes que avaliam os projectos e decidem quais as companhias a financiar. Isto é não é nada. Quem é que garante que uma comissão independente faz uma triagem válida, face ao público que vai, ou está disposto a ir, ao teatro. Para mim, fazia sentido que o estado comparticipasse ou financiasse as acções de divulgação das peças que as companhias colocam em cena, e que pagassem em função do número de espectadores que tivessem ou directamente aos espectadores que comprassem bilhetes para as peças. Seguramente a ida de escolas ao teatro deveria ser totalmente paga pelo estado para garantir a vertente educacional e criar de uma vez por todas os bons hábitos. Virtude desta ideia: a triagem é feita pelo público. Defeitos desta ideia: corre-se o risco de premiar a falta de qualidade, a ausência de conteúdos culturais e educativos, a versão pimba do teatro. Existiriam casos destes como existiria o contrário, ganhar-se-ia a garantia que só se financiavam projectos com aceitação do público. Não acredito no financiamento de Brancas de Neve. Problema da ideia: as companhias deixavam de ter capital à cabeça. Solução para o problema: teriam que procurar investidores ou recorriam a crédito bancário com taxas de juro bonificadas. E se o projecto corresse mal ? Se corresse mal, acontecia o mesmo que acontece a todas as pessoas que têm ideias brilhantes mas que não resultam, e que se vêm a braços com a necessidade de pagar um empréstimo que contraíram para as colocar na prática. O risco só pode estar do lado de quem quer levar a sua avante. É natural e desejável que assim seja.

O país está cheio de pessoas que não estão a fazer aquilo para o qual investiram toda a sua formação. Os actores, encenadores, figurinistas, técnicos de luz e técnicos de som não têm que estar imunes à crise que o país atravessa. A verdade é que face a uma crise financeira, uma família começa por cortar naquilo que é considerado actividade de recreio. É triste ? É duro ? Pois é. Mas é nessa área que as pessoas do teatro resolveram trabalhar. Não têm outra alternativa ? Deviam ter. Eu gosto muito de escrever e tenho paixão por cantar. Gostava muito de cantar. Pois claro que gostava (mas também acho que o mundo não tinha obrigação de me aturar as cantorias). Não tive coragem para viver da minha paixão ? Pois não tive, e admiro muito quem teve. Mas as escolhas pessoais são sobretudo isso. Pessoais. Quando se escolhe sabe-se o que é que se está a escolher e os riscos que se estão a correr.

Uma companhia de teatro só deve existir, se conseguir levar pessoas às suas peças e se conseguir gerar receitas que permitam suportar os custos que têm. Podem e devem, face à actividade que exercem, ser apoiadas. Nunca sustentadas. Confesso que me irrita ouvir dizer que o estado não está a cumprir com as suas obrigações quando estamos a falar de um apoio que devia ser encarado como uma ajudam, e é transformado no principal suporte do exercício da actividade.

segunda-feira, outubro 03, 2005

Diálogo

Aos berros no local de trabalho
  • Carlaaaaa

  • Sim

  • Qual é o tema de hoje ?

  • Humm. Masturbação feminina.

  • Boa.

  • É bom.

  • Pois é.

Quebras

Estou fanhoso, de nariz entupido, não consigo assoar-me, tenho sono e uma preguiça imensa. Apetece-me sofá e filmes. Para acompanhar tudo isto, o meu cérebro também está entupido. Deve ser castigo pelo esforço feito a dissertar sobre disparates. O meu crânio está em lusco-fusco. A propósito.
Quem é que, pela manhã, se enganou e pôs uma lâmpada de 25 W no sol?

domingo, outubro 02, 2005

Homens ... Senhoras

(continuação do post anterior)



Desde então que, até há uns dias atrás, andava com esta dúvida na cabeça. O mistério esclarece-se à conta de outro mito do mulherio. O mito das pontas espigadas. O que é isto dos cabelos terem as pontas espigadas? Porque raio de carga de água as pontas dos cabelos espigariam? Aparentemente este é um fenómeno como o da candidatura de Cavaco Silva à presidência, toda a gente fala dele mas a verdade é que não existe. Foi numa destas dissertações a propósito da inexistência de pontas espigadas que uma mulher se disponibilizou a demonstrar-me a sua existência. Eu confrontei-a com a delicadeza da situação, explicando-lhe que ela não ia achar muita graça se eu me disponibilizasse a mostrar-lhe uma ponta espigada, mas ela não se demoveu e entregou-se a uma infindável tarefa de procurar uma ponta espigada no meio de milhões de pontas. Dez minutos naquela tarefa e lá mostrou um sorriso vitorioso.
- Aqui está uma.
Exibe-me a ponta de um cabelo em forma bifurcada. Isto é que é uma ponta espigada? Um Y na ponta de um cabelo. É por isto que se vendem milhões de champôs ao dobro do preço. Porque causa dos Y’s? Então e os W’s, e os X’s e os S’s e os Z’s. Como se não bastasse, ela conseguiu separar o cabelo em dois, o que na realidade significa duplicar o cabelo. Ora isto põe-me a pensar que o que eu preciso é de um champô que me espigue as pontas. Pago 10 vezes o preço de um champô normal para duplicar os meus parcos cabelos. Isto é a solução para os meus problemas.
Não contente com a demonstração, aquela mulher resolveu encontrar outra ponta espigada para um colega meu, que entretanto se interessou pelo assunto. Mais dez minutos de intensas buscas e lá conseguiu encontrar a outra ponta em Y.
Isto fez-nos falar a todos sobre o assunto e chegar a meia dúzia de conclusões. As mulheres têm exactamente duas pontas espigadas no meio dos seus milhões de cabelos e sentem tremendas dificuldades para as encontrar. Precisam de ajuda para o fazer e fazem-no aos pares ou aos trios. Ajudar outra mulher a localizar as suas duas pontas espigadas, faz parte da conduta de honra do sexo feminino, mesmo que não se conheçam de lado nenhum. É um ritual provavelmente parecido ao catar dos piolhos dos macacos. Dão as costas, no caso o couro cabeludo, e o outro cata os piolhos. É isto que as leva em grupo à casa de banho. Vão catar as duas pontas espigadas que possuem nos cabelos. É um hábito social que deve ter regras muito próprias, ditar relações de poder, enfim um ritual de contornos bem definidos e que me falta aprofundar.
É natural que a esta descoberta seja negada com maior ou menor veemência. Mas a negação é tantas vezes o primeiro dos sintomas de tanta coisa...

sexta-feira, setembro 30, 2005

Homens ... Senhoras

È um mistério de dimensão semelhante ao criação. O que leva as mulheres a irem juntas à casa de banho? Porque o fazem, aos pares ou mesmo em trio ? O que é que haverá num WC de senhoras que as obriga a irem até lá em conjuntos de cardinalidade superior a um. Desde os tempos de escola que têm este hábito. Ao longo da vida fazem-no no liceu, na faculdade, no trabalho, em casa, em festas, em jantares, em congressos, algumas até nos aviões. Cheguei a pensar que as casas de banho delas tinham uma estrutura de sala de espera de consultório ou de cabeleireiro. Uma mesa cheias de revistas, e várias sanitas à volta, onde cada uma estava sentadinha entregue às leituras. Sempre que encontravam um artigo interessante comentavam o assunto umas com as outras e falavam sobre os seus problemas. A ideia de que as idas à casa de banho eram uma espécie de terapia de grupo, esfumou-se quando entrei numa casa de banho de senhoras e descobri que para além da ausência de urinóis e a presença de um número maior de recipientes, não havia grande diferença para as dos homens. Aliás, os wc’s femininos são muito mais orientados ao isolamento social que o dos homens, onde se chega ao cumulo do grande urinol comum sem qualquer divisória.
Quando estava na tropa, aprendi que em situação de guerra nuclear, biológica ou química, um soldado deve solicitar ajuda de outro em caso de necessidade fisiológica. Foi nesta fase da vida que desconfiei que elas precisavam de se ajudar umas às outras para não se contaminarem. Há casas de banho que fazem inveja ao mais agreste ambiente biológico e a razão devia ser essa. Mas por amor de Deus. As mulheres orgulham-se da sua emancipação, usam como arma de arremesso a sua capacidade para gerir tudo sozinhas. Como tão bem gostam de sublinhar, a carreira, a casa e  os filhos, está tudo nos seus ombros e depois não eram capazes de mijar sozinhas ? Não. Esta não podia ser a razão.
... (continua porque tenho mais que fazer)

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Tema para um post. Qual a verdadeira razão para as mulheres irem juntas à casa de banho ?

quinta-feira, setembro 29, 2005

Abracadabra

Toda a magia tem os seus perigos. Aquela que costumas ver no canal Panda parece fácil de controlar mas não é bem assim. Existe sempre a forte possibilidade do feitiço se virar contra o feiticeiro, e nesse caso os dissabores são evidentes. É neste contexto, que sinto necessidade de te explicar meia dúzia de verdades:
  1. As portas mágicas, na realidade não o são. Não é por dizeres abracadabra aos berros no meio da rua que elas começam a girar. Existe uma célula que detecta a tua minúscula presença e que acciona o mecanismo que a faz girar.

  2. Quando se entra para dentro da porta é necessário acompanhar o movimento que ela faz. Não é suposto ficar ali parado no meio à espera de levar com um chapadão da parede de vidro que avança perigosamente na tua direcção.

  3. A saída da porta implica que tu te movimentes. Meia volta se quiseres entrar. Uma volta completa se quiseres voltar para a rua. Essa história de saíres no preciso momento em que a fresta para a rua tem exactamente a dimensão do teu crânio pode ser considerado suicídio.

  4. A senhora do Millenium BCP não gritou por ter achado fantástica a magia que fizeste com a porta. Gritou quando se apercebeu que ias ficar entalado a saíres daquela maneira.

  5. O gerente do banco não é nenhum mago com poderes ocultos que veio cá fora para combater a tua magia. O senhor só veio verificar que tinhas saído com vida daquela brincadeira e veio avisar-me do perigo que representa a utilização de portas rotativas por parte de crianças quando não acompanhadas por adultos.

  6. Qualquer que seja a entidade divina que te permitiu escapar ileso e por milímetros ao entalanço mágico tem obviamente uma vida demasiado ocupada para estar sempre a fazer marcação cerrada aos teus movimentos. Tenta dar-lhe algum descanso.

  7. O facto de tudo isto acontecer quando a máquina ao lado da porta estar a cuspir o dinheiro que eu tinha pedido e o António estar a tentar agarrá-lo não me retiraria muita responsabilidade, mas às vezes ainda sinto dificuldades a controlá-los aos três quando estamos sozinhos na rua.

  8. Se voltas a fazer uma destas, acabaram-se as idas à porta mágica, aos peixinhos do lago, ao café das sanduíches aparadas e à escola pelo caminho da floresta e das rampas. Pelo menos quando estiver sozinho com vocês todos.

quarta-feira, setembro 28, 2005

Frase do Dia

Jogámos como nunca, perdemos como sempre.

Despertar

Não fosse o sono, diria que gosto de acordar uns minutos antes da hora. Surpreender o despertador e retirar-lhe a oportunidade do dia. Gosto daqueles minutos antes de toda a casa acordar e antes das correrias. Posso visitar o dia anterior e antecipar o que está prestes a começar. Digerir com calma o noticiário das 7. Não há nada que me surpreenda. Os Americanos reconheceram a suprema qualidade de alguns vinhos Portugueses. E então? Não são os mesmos Americanos que consomem metros cúbicos de Mateus Rosé. Anda o nosso mais famoso semi círculo, a debater novamente a liberalização do aborto. Há vinte e três anos que o faz e não há forma de acertarem na legislação e no referendo. Vinte e três anos senhores!!! A TMN mudou de imagem e as bancas dos jornais estão todas em azul suave. Porque é que isto é notícia ? O Benfica não aproveitou a oportunidade. Pois parece que não.
Os leites estão prontos. Vamos lá começar o dia. O António Maria agita os braços quando me vê entrar, levanto-o e deito-o aos lado da mãe. Beijos aos dois, leite. Aí vem o Manel que acorda com os barulhos do irmão. O João só acorda depois.
É oficial. Arrancou o dia.

terça-feira, setembro 27, 2005

Dar de Frosques

Face ao actual estado da nação, é natural que se verifique um forte aumento na procura de outros destinos a que se possa chamar de Pátria. Sempre atento a estas situações, o governo planeia a criação  de mais um aeroporto para a zona da grande Lisboa. Vocacionado para as chamadas companhias de baixo custo, para facilitar o êxodo das massas, o governo decidiu que o TGV deverá ter um apeadeiro junto ao novo aeroporto.
A Caixa de Costura obteve imagens exclusivas da simulação em realidade virtual do fluxo de passageiros nesse apeadeiro. Se olharem com atenção conseguem ver que, na carruagem da frente, se encontra Fátima Felgueiras transportando um enorme saco azul.

Glad Manuel

... é o resultado obtido, sempre que se traduzem para inglês via Google, notícias sobre Manuel Alegre. Vejamos: “Glad Manuel advances in the race to the Presidency “.
Para além deste Glad(iador) Manuel, temos River como candidato à Câmara do Porto, e este título estranho “Of Hunter the Doors, until the return with Ribeiro and Castro” para a versão original “De Monteiro a Portas, até ao regresso com Ribeiro e Castro”.
Assim traduzida, a actualidade parece-me mais apelativa.

segunda-feira, setembro 26, 2005

Hiper Domingo


O problema dos hipermercados ao Domingo é que fecham à uma da tarde. Essencialmente é isso. E estão cheios que nem um ovo o que impede a circulação nos corredores. Pronto. E não têm pessoas suficientes a atender por ser Domingo e fecharem à uma. Garante certo de três quartos de hora, entre o instante de tirar a senha do talho e ser atendido pelo único empregado destacado para o efeito. Aparte isso, tudo bem.  E também não abrem as caixas necessárias. Certíssimo. E como as pessoas preferem estragar o Domingo ao Sábado, este seja transforma-se no dia de eleição para as compras do mês. Quer isto dizer, que cada pessoa na fila da caixa, tem três carros cheios de compras para despachar.
Conclusão. Domingo seria um óptimo dia para ir ao hipermercado, não fosse estes fecharem à uma, não terem pessoal suficiente a atender, nem caixas abertas em número razoável, para dar vazão às multidões que resolvem penhorar o salário do mês seguinte nas compras do mês.
Foi por isso Manel, que depois de te ter levado a fazer xixi a meio das compras e de já passar da uma da tarde, e de estarmos na fila do talho há três quartos de hora, com o carro apinhado de compras, desatei aos berros para aguentares quando disseste que tinhas que ir fazer cócó. Sobre o resto da história, não teço aqui comentários.
Só mais uma coisinha. A diarreia ao Domingo de manhã é culpa tua. Já te avisei que quando vais à natação, não podes beber toda a água da piscina, mais a mais, tratando-se da água da piscina do Sporting, que além de cloro deve estar cheia de derrotite.    

sexta-feira, setembro 23, 2005

Dá-me

Um corrupio, um assombro, dá-me a volta, a roda viva, dá-me um segundo, dá-me o tempo do abraço, dá-me o braço, dá-me a mão, dá-me o instante do teu olhar, olha para isto, dá-me um visto para o teu sonho, dá-me o teu fogo, dá-me lume, dá-me o tempo de um cigarro, dá-me só mais um segundo. Dá-se o corpo ao manifesto, dá-se trinta por uma linha, dá-se o dito por não dito, dá-se um grito. Dá-me um grito, diz-me um segredo, um murmúrio, dá-me a mão,  afasta o medo, dá-me um beijo de fugida, dás-me a vida, dá-me tudo, dá-me só o último segundo.

quinta-feira, setembro 22, 2005

País do Carnaval

Fátima Felgueiras foge à justiça durante dois anos, regressa, é detida no aeroporto, ouvida em tribunal, fica em liberdade, anuncia a candidatura à presidência da câmara como se fosse uma prova de gratidão ao povo, participa em debates televisivos e tem direito a horas de tempo de antena gratuito.
Fátima Felgueiras faz tudo isto pela mesmíssima razão que os cães lambem os testículos. Porque consegue.
Num país em que não se consegue baixar o défice, o desemprego ou a miséria, conseguem-se coisas aparentemente impossíveis. Este é o outro tipo de miséria em que o nosso país está mergulhado. A miséria da esperteza saloia, da Justiça constantemente capturada nas suas próprias armadilhas, refém dos seus próprios buracos, obrigada a abandonar a cegueira e o equilíbrio. Este é o nosso país. O País do Carnaval.

Desabafo

quarta-feira, setembro 21, 2005

Palavras para quê ?


E há quem ande por aí a perder tempo a fazer t-shirts com príncipes e princesas. Imaginem o sucesso das camisolas de alcinhas e da roupa interior do glorioso. Vendiam mais camisolas que o Benfica vendia kits.

O País dos Retornados

Depois do regresso de Soares à Política, da Valentina Torres à televisão e do Benfica às vitórias, eis que Portugal se vê a braços com mais um estranho retorno. O de Fátima Felgueiras.
Depois da madrugada de hoje, em que nem sequer havia nevoeiro, acredito em tudo. No regresso do Cavaco, do Mourinho, do Padre Frederico, do Jorge Gonçalves, do Vale e Azevedo, do Carlos Cruz, do Rui Costa, do D. Sebastião, do Santana Lopes e do Paulo Portas. Seja o diabo cego, surdo, mudo e paralítico.

terça-feira, setembro 20, 2005

ABS

Ontem a TVI, transmitiu a horas menos próprias, o seu novo programa sobre sexualidade. É difícil encontrar um formato eficaz para este tema. Algures entre o Júlio Machado Vaz enterrado no sofá a analisar palavra por palavra os mails que relatam e questionam a sexualidade, e a Elsa Raposo vestida por Fátima Lopes a apresentar contos eróticos, viagens de carro e entrevistas de rua, deve existir um formato capaz de resultar. O AB Sexo é mais uma tentativa. Programa em directo, com uma apresentadora, que de vez em quando assume a postura de professora, outras vezes de conselheira. Anda à caça da naturalidade num ambiente que parece de laboratório, com um público que dá risadinhas nervosas cada vez que se fala em clitóris, sexo oral ou que se exibe um pirilau mágico – vulgo massajador facial. Colocadas pela assistência em estúdio, por telefone ou por mail, as questões por vezes parecem tiradas das páginas da Maria, mas Sr.ª professora lá se vai safando e, mais emissão menos emissão, é bem capaz de atingir a naturalidade. Com um bocadinho de arte, engenho e muita descontracção obviamente.

segunda-feira, setembro 19, 2005

Análises

Seguindo as indicações do pediatra, o Sr Incrível e o Flecha foram fazer análises. É preciso saber a que é que os super-heróis são alérgicos. Finalmente vamos saber se têm alergia a periquitos, o que é muito útil uma vez que, se a memória não me falha, eles nunca tiveram contacto próximo com nenhum.
Colheita da primeira urina. Alguém sabe se há frascos de colheita cá em casa. Pois. Parece não haver. Não faz mal. Usam-se os tupperwares da sopa do Zézé. Resultado: duas baixas no stock de caixas de plástico.
O Sr incrível já tinha feito análises e dele não se esperava outra coisa que não uma valentia exemplar. Já o Flecha... Pois é. Nada de fitas, nem uminha. O pequeno herói só gemeu, enquanto lhe tiravam uma enorme seringa de sangue. Outro valente lá em casa. No fim das análises, fomos todos tomar um grande pequeno almoço para quebrar o jejum e experimentar as seringas novas que receberam com prémio da valentia. Hoje, no banho, vai haver guerra de esguichos e depois vamos montar um laboratório para recolha de sangue. A baby sitter, o António, a mãe e o pai têm análises marcadas lá para as 8 da noite.

sábado, setembro 17, 2005

Teste

Este post provavelmente não serve para nada (não que os restantes sirvam para algo), a não ser para testar se a relação entre o Word e o Blogger tem alguma consistência.

sexta-feira, setembro 16, 2005

Lisboa


Cada passeio é uma peça de arte, obra de calceteiros. Na minha cidade há recantos de fontes e chafarizes, há escadas e corrimões, há eléctricos e elevadores. Quem nela vive ainda encontra quem distribua leite, quem vende língua da sogra em semáforos, quem venda castanhas e gelados, quem mande na chuva e se faça anunciar em melodias num instrumento de sopro. A minha cidade tem jazz, tem fado, tem rock e tem pop. Tem acordeões e violinos. Quem nela vive sabe onde a cidade entrega ao rio, sabe onde se namora e onde se vêm as vizinhas na cusquice. Sabe como é que se apanha e se salta de um eléctrico em andamento. Consigo mostrá-la por inteiro dos locais que me ensinaram. A minha cidade são todas as aldeias juntas, sei de portas e janelas abertas para a rua, sei o nome das pessoas, sei onde moram os artistas, onde se pede esmola, onde se acena a quem passa e onde se encontram os velhos amigos. A minha cidade é a cidade da Maluda, do Carlos, do Vasco e da Beatriz, do Eugénio, do Cassiano, do Sérgio, do Fernando, da Teresa e de muitos outros. E de todos nós. A minha cidade é cheia de luz e sombras e cheira bem.
Os senhores que ontem à noite deram, na televisão, aquele triste espectáculo não são Lisboa. São parvos.

quinta-feira, setembro 15, 2005

Parabéns


Para a Mãe, a prenda de aniversário prometida, e já bastante atrasada.
Um blog a manter com todo o carinho.
Aqui está ele.

A minha avó chama-se Alice e era dona de uma leitaria em Campo de Ourique com o nome dela escrito às avessas. A infância da minha mãe passa por lá e as pequenas histórias foram-me contadas vezes sem conta. Foi destas memórias que criei o nome do blog oferecido A leitaria Ecila.

Depois melhoramos o sistema de comentários e damos uns toques no template e acrescentamos milhares de ligações aqui à Caixa de Costura.

Ironia

O realizador de Música no Coração morreu de paragem cardíaca. Falta de ritmo.

Alvorada

Pareceu-me ouvir o mais novo a refilar, na cama de grades mesmo ali ao lado. Levantei, a custo, uma das pálpebras e tentei focar o despertador. Vi um 6 e nem olhei para os outros dois algarismos.
“Cala-te António. Ainda é cedo” Com 9 meses ainda tem graves lacunas na comunicação oral. Talvez tenha sido por isso que não me obedeceu. Continuou a fazer barulhos e a palrar. Se ele vê alguém a debruçar-se sobre a cama dele, tem um ataque de alegria, e como os cães que dão ao rabo, o António dá aos braços e às pernas, sem ter conta a madrugada. O melhor era tentar a segunda estratégia. Cotovelada na Ana e anunciar-lhe a necessidade de preparar o biberão. “Acorda Ana. O teu filho não se cala parece que quer leite.” Cotovelada. “Ai pai. Tenho frio. Também quero leite”. Afinal não é a Ana que ali está, é o do meio. Puxo os lençóis para cima. O Manel está com frio e não o quero a choramingar àquela hora. Os lençóis vêm para cima a custo. Está alguém aos pés da cama. È a Ana, a minha salvadora que vai tratar dos leites. Não. É o João. Mas afinal ... Cobarde deixou-me ali ao abandono rodeado de selvagens esfomeados. Está a dormir sozinha na cama do João. Abandonou os filhos na calada da noite. Que golpe baixo. Hoje à noite vão todos tomar leitinho para não terem fome de madrugada. E dentro de cada leitinho .... TRÊS COLHERES BEM CHEIAS DE ATARAX.

quarta-feira, setembro 14, 2005

Benfica

No início do terceiro ano de Caixa de Costura, e porque hoje o Benfica joga na liga dos Campeões, e ainda por cima porque o Benfica se encontra num dos últimos lugares do Campeonato, publico um texto do Miguel Esteves Cardoso que me parece muito a propósito. Há quem ande a anunciar que o Benfica corre o risco de descer de divisão. Se calhar até corre, mas se isso acontecesse, os Benfiquistas iam ficar chateados, mas os adeptos dos outros iam morrer de depressão.



É por não gostar de futebol que sou do Benfica. Tal como compreendo como é que há portugueses que conseguem ser de outros clubes.
O Sporting, o Porto podem jogar bem e o Belenenses e a Académica podem calhar bem em sociedade, mas só o Benfica, como o próprio nome indica, é o próprio Bem. Que fica.
Só o Benfica pode jogar mal sem que daí lhe advenha algum mal. Basta olhar para os jogadores para ver que sabem que são os maiores, que não precisam de esforçar-se muito, porque são intrínseca e moralmente a maior equipa do mundo inteiro. Porquê? Ninguém sabe. Mas sente-se. Quando perdem, não se indignam, não desesperam.
Eusébio só chorou quando jogou por Portugal.
Quem joga no Benfica tem o privilégio e o condão de estar sempre a sorrir.
Não conseguem resistir.

O Benfica, a bom ver, nem sequer é uma equipa de futebol. É um nome.
É como dizem os brasileiros, uma "griffe". Têm uma cor. Antes de entrar em campo, já têm um mito em jogo, já estão a ganhar por 3-0, graças só à reputação. Quando o Benfica perde, parece sempre que quis perder.
Essa é a força inigualável do Sport Lisboa e Benfica - faz sempre o que lhe apetece. O problema é que lhe apetece frequentemente, perder.
Qual é o segredo do Benfica? São os benfiquistas. São do Benfica como são filhos de quem são.
Ninguém "escolhe" o Benfica, como ninguém escolhe a Mãe ou o Pai.
Em geral, aliás, os benfiquistas odeiam o Benfica e lamentam-no no estádio e em casa, mas pertencem-lhe. Quanto mais pertencemos a uma entidade superior, seja a Família, a Pátria, Deus - ou o Benfica, mais direito, temos de criticá-la e blasfesmá-la. Não há alternativa.

Em contrapartida, os sportinguistas e portistas parecem genuinamente convencidos que apoiam as equipas deles porque são as mais dignas ou as melhores. Desgraçados! Se fossem coerentes, seriam todos adeptos do REAL MADRID, AC MILAN, etc, etc.

No Benfica, não se exige qualquer lealdade. Só se pede, em relação aos adeptos de outros clubes, caridade e comiseração.
O Sporting, por exemplo, tem a mania e a pretensão de ser "rival" do Benfica, um pouco como o PSN se julga crítico parlamentar do PSD.
Mas, se se tirasse o Benfica ao Sporting, o Sporting deixaria de existir.
O Benfica é um grande clube porque tem história e talento suficientes para não dar importância aos resultados. Tem uma tradição de "nonchalance" e de pura indiferença que não tem igual nos grandes clubes europeus.
O Benfica não joga - digna-se jogar.
Não joga para vencer - vence por jogar.

Odeio futebol.
Mas amo o Benfica.
As opiniões de quem gosta de futebol são suspeitas.
Claro que os sábios são do Benfica. Mas a força deste grande clube está nos milhões que são benfiquistas apesar do Benfica, apesar do futebol, e apesar deles próprios. Em contrapartida, aposto que a totalidade de pessoas que são do Sporting ou do Porto, por infortúnio pessoal ou deficiência psicológica, são sócios. A força do Benfica, meus amigos, está em quem não paga as quotas, que não vai a jogos, quem não sabe o nome dos avançados - isto é, no resto do mundo.

O Benfica, é o Benfica.
E o que tem de ser - e é - tem muita força.


Miguel Esteves Cardoso

terça-feira, setembro 13, 2005

Aniversário

A Caixa de Costura faz hoje dois anos. A maior parte das vezes, deixar aqui algumas letras, continua a dar-me muito gozo. Os comentários, os leitores, as referências, as vizinhanças e os laços que nasceram nestes dois anos, também me deixam com o ego sobredimensionado. Usando a formula gasta dos melhores momentos volto a publicar um dos primeiros posts. Um daqueles que mais gostei de escrever.
"Os príncipes retomaram a natação após os meses de verão. Quase que me esquecia da animação que é uma ida à natação com a criançada. Tudo começa sexta à noite com a promessa de que só se vai à natação se eles acordarem suficientemente cedo. Que todos tivemos uma semana complicada e que não vale a pena forçarmos a madrugada se o instinto nos manda dormir mais umas horas no Sábado. Pura demagogia, o instinto manda-nos dormir e a choradeira manda-nos acordar. Acordam mesmo naquela hora em que não é suficientemente tarde para nos baldarmos à piscina, nem suficientemente cedo para nos arranjarmos sem pressas, correrias e tropeções.
Os três quartos de hora que se seguem são indiscritíveis. Fraldas, toucas, fatos de banho, chinelos, cartões de acesso. Encontrar cada um destes items envolve sempre uma expedição organizada, e um relatório de averiguação sobre as causas do desaparecimento. Encontram-se os culpados que, à semelhança da realidade nacional, escapam sempre impunes. Dez minutos antes do início da aula, saímos de casa e entramos no elevador. O mais novo começa a fazer uma cara muito esforçada, ganha cores vermelhas e agarra-se aos joelhos. Um cheiro nauseabundo invade os dois metros cúbicos do elevador. Tudo para cima outra vez. Troca de fralda e de roupa, que a matéria ultrapassou os limites impostos por uma fralda mal colocada. Inquérito para apurar o responsável pela má colocação. Culpado encontrado. Culpa que morre solteira. Paz à sua alma.
O carro pega à primeira e lá vamos todos até à piscina. Um vai com o mais novo para dentro de água, o mais velho já vai sozinho. Eu tenho a depilação sempre feita, nunca estou menstruado pelo que faz todo o sentido que seja eu a ir para a água. As aulas são seguidas para não criar demasiadas facilidades e o mais velho é o último a entrar em cena. Lá me preparo. Fato de banho, touca ridícula e chinelos. Recebo o mais novo embrulhado num robe e ostentando uma touca que tem o dobro do tamanho da cabeça. No caminho entre o balneário e a piscina descubro que me esqueci de cortar as unhas dos pés e começo a achar que todos estão a reparar nisso. Para dentro de água finalmente. A água faz o efeito de lupa e as unhas dos pés parecem rebarbadoras de relva. Ai meu Deus que vergonha. Meia hora com um selvagem ao colo que está convencido que as braçadeiras que usou no verão ainda estão nos braços. Deixo-o cair para lhe fazer ver que não há razão para se libertar dos meus braços. Lá regressa à superfície de olhos esbugalhados. De vez em quando o que ele faz coincide com o que professora manda fazer. Ela tenta exemplificar um exercício e tira-mo do colo. Ele tenta espancá-la e ela devolve-o com um sorriso amarelo e a dizer “Não está muito bem disposto o nosso Manuel”. Para já não é nosso e depois chama-o sempre de Manuel em vez de Manel. Não vou perder tempo a dizer-lhe que prefiro a versão mais curta do nome. Assim como assim, é só meia hora por semana. Para embirrar o corrector ortográfico sublinha a vermelho o Manel e deixa passar o Manuel. Aposto que a professora de natação está por trás disto.
Final da aula do Manel. Regresso ao balneário e troca de criançada. Levo o mais velho para a piscina enquanto a mãe tenta dar duche ao Manel. O raio do miúdo escorrega horrores quando se passa gel pelo o corpo. Estar vestido a dar duche a um bébé escorregadio é uma aventura. Sempre se pode poisá-lo mas ele costuma fugir.
O mais velho fica sozinho na aula e regresso calmamente para o balneário. Estou sozinho e com algum tempo para tomar um duche há muito esperado. A meio do meu duche chegam uns pais agitadíssimos com algo que só me apercebo depois. Um miúdo qualquer resolveu vomitar ou fazer cocó na piscina. Raios, logo no meio do duche. Tenho que ir a correr buscar o maior. Faço figas para que a culpa da azáfama não seja dele. Com a pressa nem reparo que além das unhas compridas, tenho o cabelo cheio de shampô. Paciência. O que interessa é que não foi o João Maria. Regresso aos balneários e começam as perguntas recursivas. Porque é que a aula acabou? E porque é que o menino fez cocó na piscina? E porque é que o pai tem a pilinha à mostra? Merda. Além das unhas e do shampô esqueci-me vestir os calções para o ir buscar. O melhor é anular a matrícula deles porque nesta piscina não volto a pôr os pés. Parece haver um segurança que quer falar comigo sobre o tema “Desrespeito à moral”. Explico o sucedido o melhor que posso. Finalmente lá consigo sair das instalações. Tomar o pequeno almoço no bar da piscina está completamente fora de questão.
Os príncipes não dão qualquer sinal de cansaço e parecem dispostos a actividade intensa durante longas horas. Eu quero chorar e desaparecer durante longos anos. A minha mulher propõe-se a gastar o saldo do telemóvel contando o sucedido a toda a gente."

Recado

"Ola menina deichei aqui esta pessa que eu axo que e do aspirador mas nao fasso ideia de aonde se podesse ver se era"
Resposta
"Bom dia D Felissiana
Fico felis com a sua perespicassia. De fato apezar de ser da mesma cor que o aspirador e de encaixar com perfeissao naquele bucado que aparesseu partido, essa pessa pertensse a uma unidade antiaeria. Como çabe o urço Pooh do menino joão enlouquesseu e tomou de assalto o cuarto dos brinquedos juntamente com o doende verde e com o rafael (uma das tartarugas ninjas). Os outros brinquedos organizaramsse em grupos de reisitencia para tentar repore ordem. Este fim de cemana travouce uma terrivel batalha porque o doende verde e o urço pooh transformaram a bimby e a turradeira em naves espassiales e atacaram os quarteises da resistenssia. Cem escapatoria pocivel, o homem aranha, o buzz laitiere e o sr incrivel tiveram que usar o aspirador como arma de defeza anti aeria e repodiarão o ataque inimigo, não evintando poreim que o seu posto foçe atingido. Foi desta terrivel batalha que saiu eça pessa e a d felissiana nada tem com que se preocupare a nao sere com os planos malevolosos dus urço, do doende e do rafael que pretendem transformare o microndas numa devoradora de mulheres a dias. Vamus tere muito cuidado e cuntinuare a cumunicare em codigu para as nossas mençagens não çerem intersseptadas pelo inimigo.A senhora nao tem a culpa mas estou a pençar descontar o valor de uma antiaeria nova na sua retribuissao mensale para que a felissiana possa contribuir com alegriapara a causa. Que a forssa esteja sempre consigo e que u amor de Jedi nos una muito dona felissiana. "

segunda-feira, setembro 12, 2005

Um ponto

Parabéns para o Tiago Monteiro que coloriu os resultados desportivos deste fim de semana. É engraçado. O rapaz numa tarde, fez tantos pontos quantos aquela equipa da águia em três jornadas.

sexta-feira, setembro 09, 2005

Deixa-te estar mais um bocadinho

Sentou-se. Ficou de olhos presos a um qualquer objecto fora de foco. Entregou-se à raiva contida de tamanha dor. A garganta seca carregada de nós não lhe permite o grito. Geme de dor e de impotência. Foi em vão todo aquele esforço? Oxalá não o tivesse sabido assim. As más notícias deviam ser dadas por anjos, nunca daquela maneira. E agora, o que vai fazer a tantas encruzilhadas ? Em qual dos caminhos se faz inversão à vida ? E se adormecesse até que tudo passasse? Não passa e destes pesadelos não se acorda aliviado. Deixou-se ficar ali. Olhos e alma seca, à espera que o próximo sobresalto a atirasse para a vida.

Movimentações

à direita.
O Sopro e o Canto sobem para o alinhavado. Estes dois blogs andam na vizinhança quase desde o início da caixa e encantam e agitam desde então. O canto tem um candeeiro por cima da cama que me deixa roidinho - parece capaz de iluminar almas, o sopro perdeu o cravo na mão do Zeca mas anda um sonho.

quinta-feira, setembro 08, 2005

A postpósito

... uma pequena piada em estrangeiro, para internacionalizar a Caixa de Costura

The little girl:
"Excuse me. Does Barbie come with Ken?"
"No. She fucks Ken, but only comes with Superman"

Barbietização

Todos os dias sou assaltado pelo rosa shocking dos novos cartazes da campanha de Manuel Maria Carrilho. Aquilo não é côr para se colocar na via pública. É uma agressão violenta e um perigo para a condução de qualquer um.
A campanha do Carilho é foleira como o carraças.
Parece coisa de Barbie (atenção que eu disse Barbie). Aqueles cartazes parecem o corredor da Barbie do Continente da Amadora. Aliá, se a Matel estiver atenta, deveria lançar um pack "Barbie e Ken candidato a Presidente de Câmara - inclui uma Barbie, um Ken, um bébé, umas faixas pretas para os isolar dos media, um paparazzi conveniente, um paparazzi indesejado para agredir, um adversário que estranhamente gosta da cidade, um bairro degradado, um mercado, vários cartazes rosa shocking onde podes escrever as promessas do candidato Ken e muitos livros para o casal se divertir."

quarta-feira, setembro 07, 2005

Como é possível

... ainda cometer erros destes.
Nunca se vê se um bébé tem a fralda limpa enfiando um dedo dentro da fralda. Eu estava tão seguro que aquele cheiro não era dele.

terça-feira, setembro 06, 2005

O Governo

"... vai alargar a época de incêndios a todo o ano".
Vai ??? A sério ???
Isto está bonito !!!
Se agora com três meses de época já é a desgraça que é, imagino o que será com um ano inteiro.
Isto cheira-me a pressões do Bloco de Esquerda: liberalização dos incêndios 12 meses por ano.

segunda-feira, setembro 05, 2005

Falta de Tempo

Pois ... peço imensa desculpa, mas prevejo que este blog desça na lista de actividades mais ou menos regulares.
Efeito colateral da 38ª edição do meu aniversário, recebi uma prenda consistente com a minha madura idade, e mais o trabalho, e mais os Marias e vai daí ... agora não posso

sexta-feira, setembro 02, 2005

Última Hora

E pelo BE, Louçã.
"O líder do bloco de Esquerda é o terceiro nome a concorrer oficialmente a Belém, depois do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa se ter apresentado, e de Mário Soares ter formalizado a sua candidatura na quarta-feira."

Isto baixa consideravelmente a média de idades dos candidatos. Por outro lado aumenta as diopetrias.

Reentré

Lá foram os Marias para o seu primeiro dia de aulas deste ano.
O Manel e o João felizes com as promoções. Bibe encarnado para o Manel e bibe verde para o João. Desta vez é que estão mesmo crescidos.
O outro desgraçado nem se apercebeu bem do que lhe aconteceu. "Sentaram-me num castelo com bolas e blocos de construção e desapareceram da minha vista. Socorrroooooooo."
Cara alegre, que os teus irmãos aos quatro meses já andavam nestas andanças e tu só aos nove é que te estreias. Por isso carinha alegre.

Ao que parece os José e o Jerónimo também voltam este fim de semana a estar junto dos colegas. O José vai aparecer já hoje nas televisões, e o Jerónimo tem uma quinta lá para a atalaia onde, todos os anos, por esta altura, organiza uma festa para os amigos. O defeso na política também devia ser rico em transferências como o futebol. Os políticos mais influentes eram adquiridos por clubes estrangeiros europeus, os mais fracos eram emprestados e dispensados para cenários políticos menos competitivos e depois vinham imensos brasileiros para os partidos portugueses. Pensando melhor ...

A propósito desta analogia política e desporto, e do anúncio da candidatura do Mário, anda por aí circular um mail que garante que Eusébio vai voltar à equipa sénior do Benfica (e que jeito isso dava) e que a Rosa Mota se prepara para a Maratona dos Jogos Olímpicos de Londres ou dos seguintes.

Alívio

... e há quem ande preocupado por ter ganho uns quilinhos durante as férias.

quarta-feira, agosto 31, 2005

Já gatinha

Como esperado por esta altura da vida o António Maria começou a gatinhar... Mais uma vez a descoberta de que estas coisas ao terceiro filho são ligeiramente diferentes. Senão vejamos:

O primeiro gatinhar do primeiro filho
- Já não está na altura de ele gatinhar?
- Pois já devia
- Põe-o lá de gatas. Isso. Agora vá, levantas esta mão, alças esta perna, avanças assim.
- Raios parta. Acho que vai ser daqueles precoces que começa logo a andar sem gatinhar. Ou se calhar tem algum problema. Vê lá se as perninhas dele continuam do mesmo tamanho.
- Já vimos isso ontem, ele tem é a fralda cheia de cócó. Se calhar faz-lhe peso no rabo e não consegue. Coitadinho.
- Gatinha lá um bocadinho. Estão aqui os tios e os avós todos a olhar para ti. Vá, primeiro a mão.
A dada altura já toda a família está de gatas a gatinhar à volta da criança para o estimular. O rapaz levanta a mão e por pouco não estatela a cara no chão.
- Olha. Já levantou a mão e acho que avançou um bocadinho aquele joelho. Técnicamente já é gatinhar.
(só levantou o joelho porque se ia estatelando)
- Pois foi. Depois desiquilibrou-se coitadinho. Mas já gatinhou um bocadinho.
Grande festa em família e toda a família a dar beijinhos de felicidade.
A inevitável frase da ancestral sabedoria.
- Agora é que vão começar os problemas. Não tarda está em mexer em tudo, e a correr pela casa. Nem sabem o que vos espera.

O primeiro gatinhar do terceiro filho
- Onde é que o ponho ?
- Põe-o aí sentado em cima da cama, e dá banho ao João enquanto eu visto o pijama ao Manel.
Som seco de uma cabeça a bater no chão e uma choradeira monumental.
- Olha caiu da cama. Coitado.
- Grande traulitada sr António. Quem é que o mandou aprender a gatinhar ?

terça-feira, agosto 30, 2005

Obrigado a Todos



Nota do Aniversariante Atacado por Narcisismo Galopante: Eu sei que este post está deslocado do blog e que, para este fim, existem mails. Acontece que este blog anda com falta de assunto e que nesta idade, tão perto dos quarenta, já nos são permitidos alguns abusos.

segunda-feira, agosto 29, 2005

Obrigadinho

... pelo desafio, menina Teresa. Nem tenho palavras para te agradecer. Resta esclarecer que 99% do que ouço faz-se aqui e no Brasil.

Idiossincrasias - as 5 menos:
- Não me lembrar de onde conheço as pessoas que me falam como se fossemos os maiores maigos.
- O ritual das entradas em bares e discotecas in.
- Chegar a casa depois dos Marias e da Raínha adormecerem.
- Chegar atrasado a compromissos.
- Que alguém me faça alguma coisa que eu seja incapaz de lhe fazer.

Idiossincrasias - as 5 mais:
- Chegar a casa com os Marias e com a Raínha acordados.
- Adormecer ao fim da tarde na praia com o som abafado de conversas.
- O cheiro das chuvas de verão
- O barulho dos frascos de verniz nos anéis
- Carpaccio

5 albuns:
- Elis Regina no Festival de Jazz Montreux. Se só pudesse escolher um álbum, era este que escolhia
- Chico Buarque e Caetano Veloso Juntos ao Vivo (o meu primeiro disco depois dos infantis)
- Baile do Bosque do Trovante. Estive na festa do jornal Sete no Campo Pequeno, e lembro-me que o sucesso da actuação do grupo era de alguma forma importante para o lançamento do album ou para o contrato com uma nova editora. O resto da história (que já ía a meio) é mais conhecida.
- Por este rio acima - Fausto. Um dos mais importantes albuns de música portuguesa
- Só de Jorge Palma - um disco sem rede. Voz e piano gravados em simultâneo

5 canções:
- Beatriz de Edu Lobo e Chico Buarque
- Boletim Meteorológico de Jorge Palma
- Espalhem a Notícia de Sérgio Godinho
- Tigresa de Caetano Veloso
- Vero de Natan Marques E Murilo Antunes

5 albums no IPOD:
(Não uso. Vai o que está disponível no carro)
- Totalmente Demais - Caetano Veloso
- Mais - Marisa Monte
- Uma noite só - Trovante
- Maria Rita
- Irmão do meio - Sérgio Godinho

5 MP3's na playlist:
- Catedral - Zélia Ducan
- Todas Elas Juntas num Só Ser - Lenine
- Dancemos no mundo - Sérgio Godinho e Clã
- Construção - Chico Buarque
- Encontros e Despedidas - Milton Nascimento

5 blogs para onde isto segue:
Não segue

Reencontro

... com Maria Rita, em forma de novo disco. Agendado para o próximo mês.


A propósito de novos discos, duas notas:
- já me sabia bem reencontrar-me com a Marisa Monte, que há três anos que não dá de si;
- hoje é lançado um disco duplo, de canções cantadas em português. É um projecto de três das maiores editoras em Portugal e parece chamar-se "P". Fui à procura de mais informação na grande rede e não encontrei nada.

sexta-feira, agosto 26, 2005

Ressaca

Síndrome da abstinência.
Então e o TGVOTA ? Hã?
Aqui há um mês atrás não se falava de outra coisa, agora parece ter desaparecido das playlists das redacções.

Negligência

.
O que se escreve hoje por aí
- Só 20 % dos incêndios têm origem criminosa
- Negligência é a causa de 80 % dos fogos em Portugal

É impressão minha, ou estão a separar os dois conceitos?

quinta-feira, agosto 25, 2005

Pesquisas

Porque vêm parar à CaixadeCostura alguns leitores que procuram Sudoku... e porque eu não estou aqui para desiludir ninguém ...



Algarismos de 1 a 9 em cada coluna (devem estar lá todos sem repetições)
Algarismos de 1 a 9 em cada linha (devem estar lá todos sem repetições)
Algarismos de 1 a 9 em cada quadrado 3 x 3 (devem estar lá todos sem repetições)

Alinhavados diariamente

Porque a linha dos meus passeios na blogosfera passa diariamente por estes pontos, resolvi alinhavá-la aqui na coluna da direita.

quarta-feira, agosto 24, 2005

The Hitchhiker's Guide to the Galaxy

... em filme.

A tradução de "Guia Galáctico do Pendura" para "Uma boleia pela galáxia" não deixa de ser decepcionante. O filme, espero que não seja.

"O Guia Galáctico do Pendura"
"O Restaurante no Fim do Universo"
"A Vida, o Universo e tudo mais" .
Esta triologia que só se completa com o quarto livro "So long, and thanks for all the fish" são a minha leitura de eleição. Li-os quando andava na faculdade há 15 anos atrás e consulto-os com regularidade para assegurar a sobrevivência. As frases "A terra é um planeta (na realidade não é) habitado por uns seres vagamente humanóides que acreditam que o relógio digital foi uma boa invenção.", "Voar não é mais que atirar-se para o chão e conseguir falhar" e "Se viajares no tempo, nunca tentes telefonar-te a ti próprio" fazem parte das máximas que me permitem perceber melhor este mundo e esta vida.

terça-feira, agosto 23, 2005

Séries

A contas com a família ainda em São Martinho, ponho-me em dia com duas séries que me divertem, pela ordem apresentada a seguir.

Coupling


Desperate Housewives


A propósito das Donas de Casa Desesperada, o site oficial da série, inclui o teste Wich housewife Are You?

Pois claro que o fiz e nem pensar que revelo aqui o resultado. Há verdades que mais vale ficarem só para nós.

Durante as Férias



Alguém me explica porque é que sabem muito melhor na praia ?

segunda-feira, agosto 22, 2005

Voar como os pássaros

Desde que a ouvi, que aquela história anda a brincar com os meus silêncios. Foi-me contada por quem fez parte dela. Com um sorriso de tão bonita, com os olhos inundados, da dor de quem perde alguém que ama.
A doença fatal num homem que nunca entregaria o seu fim a uma cama de hospital, a liberdade que os pássaros têm quando voam. Um só vôo. A conversa com os filhos. Os sentimentos contrários que se cruzam.
"Pai. Se quando o avião estiver bem lá em cima, lhe faltar a coragem, nós prometemos que não gozamos consigo nem lhe chamamos medricas. Até lhe pagamos um jantar."

quinta-feira, julho 28, 2005

Férias

Que pesadelo os três primeiros dias antes das férias. A contas com pontas soltas e casos mal resolvidos. O que se tem que resolver, o que na realidade se resolve e o que fica para resolver depois. Fazer as malas e tratar das tartarugas. Quero lá saber das tartarugas. Sanita fora ou bolhão pato com elas. Cortar o cabelo. Mas qual cabelo? Ainda ontem era careca, hoje já tenho que cortar o cabelo. Pouca terra, pouca terra.
Que horror os dois primeiros dias de férias. Encher o portabagagens do carro com a casa toda. Rossios em Petesgas. Desfazer as malas, reordenar a vida e compras de supermercado para os dias que se avizinham. Alugar o toldo, e passar horas a encher o corcodilo, o barco, os colchões, as bóias, as braçadeiras e os cilindros do parque insulflável. Sopro mais nestes dias que um operário da Marinha Grande numa semana de trabalho.
Que inferno os dois últimos dias de férias. A depressão do regresso, os problemas deixados por resolver a darem sinal. Tirar areia de milhares de objectos, dos bolsos dos fatos de banho e das baínhas. Esvaziar tudo tudo o que enchi à chegada mais umas bolas e uma orca gigante que resolvi comprar durante as férias. A viagem de regresso e o cheiro das tartarugas abandonadas.
Que tragédia os três primeiros dias depois das férias, os problemas que não se resolveram por si, os que surgiram durante a ausência e os que nem me tinha lembrado que era preciso tratar. A falta de ritmo, a casa de pantanas do desfazer das malas. As contas e as despesas descontroladas. Mas quem é que manda gastar dinheiro na orca insuflável ?
Vejamos. Três e dois cinco, cinco e cinco dez. Ora em três semanas de férias...
Socorrroooooo. Se alguém tiver diarreia, febre, dor de dentes, otite ou uma intoxicação alimentar (seja o diabo cego, surdo, mudo e tetraplégico) ... fica ela por ela.

quarta-feira, julho 27, 2005

Máquina do Tempo II

Ontem cheguei a casa ensopado. Soube-me bem a chuva e não apressei passos para lhe fugir. O homem do restaurante cumprimentou-me "Já viu esta chuva senhor André?". Não via eu outra coisa. Gosto de coisas fora de tempo. Morangos e cerejas no inverno. Gosto dos cheiros das chuvas de Verão. E de trovoadas.
Estas chuvas levam-me sempre até às tardes de Outouno, primeiros dias de escola, cadernos e livros por estrear, colegas e professores novos. As trovoadas até à Beira Alta. O velho sotão da casa. Quente e abafado. A janela aberta para o vale e os relâmpagos no ziguezaguear de luz. Ainda hoje conto os segundos até ao trovão, para lhes medir a distância. Trezentos e quarenta metros por cada segundo de silêncio. Estrondo.
Acho que o que gosto mesmo é de quebrar a rotina. É o que fazem as coisas fora de tempo. No Brasil o Natal é no verão e a lua nunca mente.

terça-feira, julho 26, 2005

Máquina do tempo

Quase dez anos depois de ter casado, ainda sou surpreendido pelos meus pais, com alguns pertences que deixei lá por casa. Da última vez, umas disquetes 5 1/4, umas cassetes de vídeo e um cartão militar, em que apareço com um ar de polícia, mas em versão cinzento (a farda era a mesma para a fotografia tipo passe de todos os oficiais, o que obviamente animou a sessão fotográfica).
Aqui há umas semanas, às voltas com a necessidade de uma cassete para filmar as aulas dos Marias, dou de caras com uma dessas cassetes vindas de casa dos meus pais. Uma trovoada de verão no sul de França, Lago do Como, Veneza, Pizza, Marselha, Barcelona. Vi-a ontem de trás para a frente. É o original da viagem de autocaravana com quatro amigos. Diagonal do tempo e uma vontade de Barcelonear outra vez. 20 dias de uma imensa aventura há uma dúzia de anos atrás. Aprendi tantas coisas nessa viagem: "Não se toma banho com a caravana inclinada para o lado contrário ao ralo do duche. Se o fizer agarre-se bem ao chuveiro na altura de inversão de marcha."

sexta-feira, julho 22, 2005

Rapaz ...

Não é que não nutra alguma afeição por ti, que até nutro, não fosses tu meu filho. Mas francamente. Berrar às duas da manhã é uma actividade considerada ilícita lé em casa. Se o menino quiser berrar a essas horas, tem bom remédio, sai porta fora e vai berrar para a rua. Se não tem condições para sair de casa porque não sabe andar, ou porque não chega ao trinco da porta, ou porque nem sequer se consegue manter sentado mais do queia hora sem cair, então vai ter que rever a sua postura e optar pelo silêncio total. Aquele local onde o menino habita, embora muitas vezes possa não parecer, mas é um lar. E um lar, como o menino sabe, tem que ter os seus momentos de harmonia. Acontece que esses raros momentos de alguma harmonia ocorrem tendencialmente entre a uma e as seis da manhã. Portanto se isso não o incomodar sobremaneira, mantenha-se calado durante esse período, ou vai dormir para o tanque das tartarugas. Agradeço a compreensão.

quinta-feira, julho 21, 2005

Praga

Desde que o seu uso é obrigatório, os coletes reflectores e florescentes transformaram-se na nova praga da estrada. Ele é vê-los aí aos milhares a forrar os bancos das viaturas. Está bem que há estofos que não merecem existir, mas o amarelo florescente não é solução.
Se não quiserem ocupar o porta luvas com o colete reflector, usem-no como tapete do carro. Aquilo não foi feito para forrar os bancos. Aquilo é florescente e faz mal à vista. Deve estar fora do alcance dos outros condutores. Bem sei que nalguns episódios do Espaço 1999, aparecem seres florescentes, mas esses largavam um líquido viscoso e venenoso, e era pura ficção. Nunca houve uma base lunar chamada Alpha, nem naves espaciais chamadas Eagle.
Há ainda que esclarecer uma coisa, que pode fazer confusão nas cabeças dos mais distraídos. Quando alguém nos diz que temos que reflectir sobre algo, não quer dizer que temos que andar com o colete reflector à vista.
- Nãaaao ????
- Não. Apenas quer dizer que temos que pensar.
Se tivessem um barco, iam colocar os coletes salvavidas espalhados pelos bancos do barco ? Acham isso bonito ? E porque é que acham que os colete nos aviões estão escondidinhos debaixo dos bancos ? Acham que os aviões ficavam bonitos com os coletes todos penduradinhos nas costas dos bancos ? Ai é? Havia de ser lindo. Era desastre atrás de desastre.
E já que gostam tanto de expor o colete, porque é que não andam sempre com ele vestido ? Hã ? Ir trabalhar de florescente e a reflectir que nem um doido. Que coisa mais linda. Ir para a cama só de colete. As lojas de roupa interior é que ainda não se lemnbraram deste nicho de mercado. Tudo florescente a irradiar como se não houvesse amanhã. Sexo extraterrestre.
Tomem juízo senhores. Guardem os reflectores. (Versejei)

terça-feira, julho 19, 2005

Socorro

Acordei cedo demais. Isso não é bom sinal. Estava a sonhar com a coisa mais parva que alguma vez sonhei. Luke Skywalker e Darth Vader lutavam ali mesmo à minha frente. Era a primeira batalha entre pai e filho e o Luke parecia mais preocupado em admirar o sabre de luz do que em fazer frente ao senhor de escuro. Mais a mais o rapaz não sabia que tinha poderes de Jedi e por mais que eu me esforçasse em lhe dizer "Usa a merda da força", o rapaz continuava com cara de parvo a olhar para o sabre de luz. Que irritante. Acabei de me lemnbrar que antes da luta com o pai, o Luke tinha salvo o andróide dourado que estava transformado em varinha mágica de bater sopa. Carregava-se num botaão e ele batia com os pés e fazia maionese. Acordei no meio da luta e não sei quem é que acabou por ganhar. Mas que raio de sonho. Aposto que Freud tem uma ou duas obras dedicadas ao tema "Sabres de Luz e Andróides transformados em pequenos electrodomésticos".
Acho que preciso de férias.

quinta-feira, julho 14, 2005

Os cinco

Hoje vou estar sózinho com os Marias mais um amigo. A mãe tem um jantar, e para me facilitar a vida, resolveu convidar um amigo do João Maria a passar lá a noite. De repente lembrei-me deste livro.

Não me agradeças Pedro, porque

quarta-feira, julho 13, 2005

Sudoku

Sempre desconfiei das palavras orientais acabadas em ku. O herói infantil son-goku ou san-goku, ou lá como é que ele se chama, sempre soou a hemorróidas. E sinceramente, não acho natural, que um herói de ficção se chame hemorróidas.
Agora surgem os sudokus. São puzzles numéricos. Quem me apresentou um livrinho destes puzzles foi o P. e a verdade é que demorei mais tempo do que esperava para resolver um de dificuldade média.
As regras são simples
Distribuir os numeros de 1 a 9 em cada linha
Distribuir os numeros de 1 a 9 em cada coluna
Distribuir os números de 1 a 9 em cada quadrado de 3 x 3
Para cada problema a solução é única.
Para estas férias, levo um livrinho de sudokus comigo. A alternativa é o DN que traz um em cada edição.
Este que aqui está é de dificuldade elevada.

Vergas

Era assim que chamávamos ao salão de jogos Monumental, no mesmo edifício do Jardim Cinema. Escape obrigatório para os furos no Pedro Nunes. O segundo toque sem que o professor aparecesse era o convite a mais uma ida à sala de jogos. Matraquilhos, ping pong, space invaders, ou simplesmente observar os outros a jogar. Gostava de o fazer, e gostava daquela atmosfera. A arquitectura da sala encantava-me. Ainda hoje me encanta, e quando por lá passo, tento-me a olhá-la para a revisitar. Se fosse cineasta rodava lá algumas cenas. Tem sonho aquele lugar.
Tem três pisos. O mais elevado é uma varanda central que percorre todo o comprimentp da sala. Desta varanda saiem de vez em quando lances de escadas simétricos para o piso do meio que ocupa as faixas laterais, cá em baixo um enorme salão. Acho que o piso central tinha umas gaiolas, para se poder jogar ping pong sem que as bolas saíssem do seu espaço. Não consigo explicar melhor. Só consigo dizer que a sala encanta. Quem puder que passe por lá.
Agora, de vez em quando, surge num anúncio publicitário, percebe-se que é o Vergas mas não se consegue perceber toda a beleza. Desfocada.

segunda-feira, julho 11, 2005

A Florinda

... é um daqueles personagens que existe em Lisboa. Deve ter uns 60 anos mas aparenta ter 70, resultado de uma vida, que imagino, levada a pulso.
É porteira de todos os prédios da rua. Põe o lixo e lava as escadas de quase todos e sabe a vida de toda a gente. Tem um orgulho imenso nos filhos, e quando o carro do INEM por lá pára, não se cansa de repetir que é o carro do trabalho do filho.
A primeira vez que fui à mercearia lá da rua, ainda nem morava lá, apresentou-me à mulher do merceeiro e disse coisas que nem eu sabia sobre a minha vida. Sabia para que número e andar eu ia viver, o nome dos antigos donos, quantos filhos eu tinha, com quem eu era casado e provavelmente quanto dinheiro dei pela casa. Os Marias adoram-na e correm para ela sempre que a vêem, excepção para o mais novo que não corre para ninguém a contas com a tenra idade. Quando os vê lá se põe aos gritos do meio da rua "Olha o meu Manel. Olá Manel." "Olha o Zé. Olá Zé." Chama sempre Zé ao João à conta de um Zé Maria que era filho dos antigos donos da minha casa. Além de trocar o nome ao João, também troca os olhos. Tem os olhos linearmente independentes e um deles parece ter vida própria. Não me chateia nada, a não ser o facto de nunca saber se está a falar comigo se com o Jesus que anda sempre por perto. Não por ser omnipresente, antes por ser o arrumador de carros lá da rua. Anda de muletas e bebe para lá da conta. Depois do meio dia deixa de ser seguro entregar-lhe as chaves para ele arrumar o carro. Mas se deixar o carro em 2ª fila e se aparecer o dono do carro que tapei, a polícia, ou um lugar vago em primeira fila, o Jesus trata de tocar à campaínha para nos avisar. Ainda bem que o nome dele não é Judas. O que não seria em despesas de reboque e em multas.
Cada um deles é mais cusco que o outro, sabem a vida de toda a gente, e no fim do dia actualizam-se mutuamente com as últimas novidades. Este post é precisamente para eles não interpretarem mal as minhas idas à sex-shop.
Acontece que às horas a que chego a casa, a sex-shop é o local mais perto para comprar tabaco. E sinceramente não estou para ir até ao outro lado da rua só porque posso ser apanhado a sair da sex shop com o António ao colo. Ele tem sete meses e aquilo que por lá vê, é muito parecido com aquelas torres para enfiar argolas às cores. Aposto que ele nem consegue destinguir uma coisa da outra. Juro que com os outros dois nunca vou lá comprar tabaco nem nadica de nada. Tá bem Florinda? Tá bem Jesus?
Pronto. Estou muito mais descansado. Foi um peso que me saiu das costas.

domingo, julho 10, 2005

David e Golias

"O sr Marques Mendes já é a segunda que me faz. Da primeira ainda passa mas agora ..."
Irrita-me quando insinuam que cada povo tem os políticos que merece. Mas a verdade é que o Golias é eleito de forma aparentemente democrática desde o 25 de Abril. O que terá feito aquele povo para merecer este homem ?

quarta-feira, julho 06, 2005

Olha

Faço parte dos amigos do Gil. Dito assim, soa a nome instituição sem fins lucrativos, criada por alturas da Expo.
Nada disso.
O João tem um blog para desabafos, e colocou a Caixa de Costura, nas redondezas mais próximas.
Curiosamente dou com um dos primeiros posts deste blog. Foi precisamente sobre ele e meia dúzia de amigos. Velado, muito velado.
Agora apresenta-nos uma filarmónica. Longo e bom caminho.
Fico, obviamente cheio de orgulho, desta vizinhança. Boa sorte para o blog. Não tenhas medo.

Agora escolha ...

Destas três, se tivesse que viver sem uma delas, marchavam os touros.







Factos
O Ballet Gulbenkian vai ser extinto
O Gato Fedorento e a SIC estão de costas voltadas
Apesar dos protestos, os touros mantêm-se

terça-feira, julho 05, 2005

37

Vá lá entender-se esta história dos números com significado. Trinta e sete. Surgiu na brincadeira de não querer confessar o preço de uma estravagância. Trinta e sete contos de reis pelas sessões de massagens. Credo.
Desde essa altura sempre que nos cruzamos com um trinta e sete sorrimos cúmplices feitos meninos com segredos. Agora é a idade que nos situa no sétimo ano depois de três dezenas. Primeiro eu, agora tu. Bem sei que já foi há uns dias mas tenho andado muito atarefado a fazer malas a partir de fechos éclaires. Além dos fechos, estive a inscrever a nossa família nas familias candidatas a famílias-incríveis. Aqui estão as provas que não me deixam mentir.
Parabéns meu amor.

Fechos


Incríveis

Catano

fosga-se ... raios partam mais a porcaria dos templates e do blogger.
Fica assim. Azul e de mamas à mostra. Com o tempo vão descaindo e acabam por passar à história.
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segunda-feira, junho 27, 2005

Os textos ....

dos meus posts estão a afundar-se, e eu não percebo porquê?

Blooooggggggeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeer

sexta-feira, junho 24, 2005

Tarado. Eu ?



Recebi um mail (da Ana e mais outro da Titas do Canto do Sofá ) com este texto. Fui à procura de um local onde estivesse publicado, para me poupar a escrita de todo o artigo, e nessa procura descubro que o Júlio Machado Vaz tem este blog. O texto fica já aqui, o link há-de ir parar à coluna da direita.

Este artigo deixa-me mais tranquilo quanto a um eventual desvio de personalidade. Como o próprio Júlio Machado Vaz afirma, eu apenas me preocupo com a minha saúde. Senão vejamos o conteúdo de um artigo, por certo retirado de uma revista científica. Só falta encontrar o blog da Maria Teresa Horta que há-de, por certo, confirmar os benefícios desta prática:
"
Agora já existe mais uma justificação!!!

Contemplar o peito das mulheres, é bom para a saúde dos homens e ajuda-os a viver mais tempo!... Foi o que revelou um estudo realizado por um grupo de pesquisadores alemães. Eles concluiram que olhar fixamente todos os dias, durante 10 minutos, para os seios de uma mulher, é tão benéfico como uma boa meia-hora de exercícios físicos. Este estudo, efectuado ao longo de 5 anos, num grupo de 200 homens (voluntários), demonstrou que todos os que aproveitaram o espectáculo entusiasmante e diário de belos seios femininos, sofriam menos de doenças cardio-vasculares e tinham menos problemas de hipertensão do que os que não olharam para os seios todos os dias. O Dr. Karen Weatherby, que dirigiu os estudos, afirmou que: "Olhar para os seios de uma bela mulher durante 10 minutos, em cada dia, é o equivalente a uma meia-hora de aeróbica. A excitação sexual aumenta a frequência cardíaca, e é benéfica para a circulação do sangue. Nós pensamos que, com tal prática diária, os homens podem aumentar a esperança de vida em pelo menos 5 anos."
"


Eu, à conta disto, vou abrir um health club inovador, 10 minutos de mam..., de sei.., de contemplação do peito de uma mulher é tão benéfico quanto 30 minutos de exercício. E nome para o meu health club ? Breasts Place, pois claro.

De repente deu-me uma vontade de deixar de fumar e me dedicar em exclusivo à actividade física.

Agora, desculpem lá, mas tenho que acabar de escrever, que acabaram de passar aqui à frente, um par de quartos de hora de exercício, 36 copa C.

Barómetro

...da TSF. A serem hoje, as eleições, garantiam ao PCP 11 % dos votos. Somos lamechas já se vê. Eu sou, confesso. e a imagem do homem inteligente, antifascista, fiel aos ideais, forte nas suas convicções ganha à imagem do homem que não se demarcou de forma clara dos crimes de Estaline, dos podres evidentes na instanciação feita à ideologia comunista.
Admiro o seu passado de luta contra o Estado Novo, lamento que nunca tenha reconhecido que não era aquela a fórmula. Mas também acredito, que se ao fim de tantos anos, tivesse reconhecido os erros cometidos em nome do ideal comunista, provavelmente não merecia a admiração quase unânime e que certamente perdia o respeito de muitos que sempre defendeu.

quinta-feira, junho 23, 2005

Baptismo

Já aqui escrevi que o António Maria foi baptizado no Domingo passado.
A cerimónia foi rica em incidentes, mas até que nem correu mal:
O missal não estava disponível e tivemos que forçar uma espera de cinco minutos para que se encontrasse algum suporte às leituras;
O salmo não tinha leitor prédefinido;
A segunda leitura foi mesmo à segunda tentativa;
Não havia certeza sobre a água benta ser de facto benta. Pelo sim pelo não, foi benzida ali mesmo à frente de todos;
Quando se anuncia a necessidade de passar óleo no peito, ninguém abriu a veste do António expondo-lhe o peito (pior seria se achassemos que era para pais e padrinhos passarem óleo no próprio peito e dessemos início a uma sessão de strip);
Os desenhos que as crianças fizeram para o ofertório nada tinham a ver com o baptismo do António (assim de repente vi uma baliza e um jogador da bola, vários carros e o desenho tipico da casa com chaminé a deitar fumo e uma árvore cá fora)
A vela tinha um pavio de alguns 30 cm que ia incendiando as vestes da criança, dos pais, dos padrinhos e do padre;
Não apaguei a vela quando era suposto;
Os pais comungaram do corpo e do sangue de Cristo e a mãe comentou de forma audível "Huuummm. É bom. O que era ? Vinho do Porto ?" Vampira.
O discurso final dos pais não fazia parte da coreografia ensaiada e foi mesmo de improviso (auxiliado pelo consumo de vinho do Porto com o estômago vazio)
(esta já contei) a criança ia ficando com o fumeiro ou o candeeiro encastrado no crâneo
À parte estes pequenos detalhes, tudo correu de feição.
Ora, quando vamos à sacristia para as assinaturas, a senhora além de recolher as assinaturas, recolheu alguns euros, sendo que parte deles lhe eram devidos. xx euros pelas flores e, segundo ela, yy euros pelo tempo. Qual tempo ? O tempo dela ou tempo fresco de Sintra em contraste com o calorão de Lisboa. Será que a mulher de peruca e óculos escuros da sacristia tem uma relação previligiada com São Pedro. Se sim, como se atreve a pedir dinheiro à conta dessa proximidade ? E depois ainda nos induz a participar com "o que quisermos dar" para ajudar. Ajudar o quê ? Ai a maçada. A senhora nem as leituras tinha colocado no seu devido lugar. Tome juízo minha senhora. Peça dinheiro aos noivos que iam casar a seguir e que deram instruções para que as flores do casamento só fossem colocadas depois do baptismo para nós não nos aproveitarmos das flores dela. Há-de ser um casamento muito feliz.

terça-feira, junho 21, 2005

Metros quadrados

Algo me leva a desconfiar que a distribuição do espaço lá em casa é desiquilibrada
O quarto de casal tem 9 m2, ainda por cima, nos últimos meses, tem um terceiro habitante. Isto dá, em média, três metros quadrados para cada um.
O quarto dos Marias mais velhos e o quarto de brinquedos têm juntos 32 m2. Dá 16 metros quadrados para cada um. Além disso usam a cozinha, o escritório do João, o corredor a sala e o meu escritório-gamezone para brincar. Dá alguns 60 m2 para cada um.
A casa de jantar está ocupada pela produção das t-shirts. No País das Fantasias há uma menina linda que tem uma dessas t-shirts vestida.
Uma das casas de banho foi recentemente ocupada pelas tartarugas que insistem em crescer. Estão numa banheira de bébé dentro do poliban. São os seres que proporcionalmente ao seu tamanho, ocupam maior espaço.
Dispensa e marquise são território da Srª das Limpezas que anda a braços com uma crise sindical. Não tarda muito vai de esfregona em punho protestar para a rua.
Resta-me o meu escritório nas horas em que eles não estão a jogar ou a ver um dvd na playstation.
Vou ter que agir. Começo pelos bichos de casca dura. Aposto vão adorar o slide&splash que o autoclismo lhes vai garantir.

segunda-feira, junho 20, 2005

Coração na Boca

Episódio I
Festa de anos do G., na piscina da Tia S. e do Tio P. O Manel estava doido com a prancha e saltava alegremente para a água. Sempre de braços juntinho ao corpo, para as braçadeiras não serem arrancadas dos braços pelo mergulho.
Eu estava a acompanhar o João nas suas tentaivas de nadar sem pé. Meio para o tosco, mas lá se ia mantendo à tona de água. De repente começo a ouvir alguns sons de aflição, até que Ana grita: André olha o Manel. Olho para a prancha, lá estava ele, já com os pés na pontinha a ganhar impulso. "Nãããããããõoooo. Manel, faltam as braçadeiras." Riu-se e recuou. "Ah pois faltam". Enquanto lhe punha as braçadeiras avisava-o que ele não pode ir para a água sem as bóias. Uma tia disse-me. Eu avisei-o que ele se ia afogar, mas ele respondeu que já tinha feito aquilo várias vezes.


Episódio II

Baptismo do António Maria. Fim da celebração. Benção final. Padre com a criança na mão a descrever um enorme sinal de cruz. Quando o eleva, é por milímetros que não acerta com a cabeça do António, no candeeiro de ferro (não sei se não seria o botafumeiro) da Igreja com fundo ponteagudo.
Foi mesmo por tão pouco.


Em dois dias, foi por muito pouco que não ficámos a conhecer as urgências pediátricas de Cascais e Amadora-Sintra. Ufa.

sexta-feira, junho 17, 2005

Joana Vasconcelos

Já disse que gosto das entrevistas ao fim da tarde do Carlos Vaz Marques. São um quebra-limpa-mente. Impedem que o trabalho entre comigo casa dentro depois de fazer girar a fechadura. Faz-me um desvio de preocupações. São cuidadas, deixam todo o protagonismo no entrevistado (tanta gente para aprender com CVM).
Antes de ontem entrevistou uma escultora da chamada nova geração: Joana Vasconcelos. Não conhecia a Joana mas conhecia-lhe algumas das peças. Peças de repetição até à exuastão. Espanadores, comprimidos, tampões e gravatas a multiplicar por milhares arrumados numa forma conhecida. Acho graça e reconheço originalidade. Não concordo com os extremos amor ódio sobre as peças. Gosto delas.
O lustre é é de tampões, o sofá de tabletes de aspirina, a baliza é impossível e os direitos são necessáriamente da autora.








quinta-feira, junho 16, 2005

A terceira face

Retratos da vida de um médico aqui, em forma de desabafos.
Bomblogue.
Da vida dos médicos só conheço duas faces.
A que recebo de alguns amigos e familiares que são médicos, e com quem falo sobre tantas coisas. Conheço-lhes os gostos, a vida, o que os alegra e que os chateia. De quando em vez, só porque a conversa passa por ali, fala-se de uma ou outra história profissional.
A outra face é a que os pacientes ou que os pais dos pacientes conhecem nos consultórios e nos hospitais. Da bata branca, com estetoscópio pendurado com uma pessoa lá dentro, que assume, auxiliado por outros técnicos de saúde, a pequena responsabilidade de nos manter saudáveis ou de nos reconduzir a um estado perto do saudável. Tudo isso com uma margem de erro perto de zero.
Neste blog de desabafos, surgem os contornos de uma terceira face, e se eu tivesse tempo ia ler tudo desde Outubro de 2004.

quarta-feira, junho 15, 2005

Apanhados II (ou o que eu oiço a quem passa por perto)

- Dizem que o período da história que mais gostamos, é aquele em que vivemos nas vidas anteriores. E eu adoro os anos 50. Para gostar tanto desse período é porque nessa altura estava no fim da adolescência.
Ora se voltei a nascer em 1973, ... Morri muito nova. Coitada de mim.

Apanhada

- Tou. Tou. Não percebo como é que ficas sem rede no telefone fixo de casa.

Entrevistado

A socióloga entrou casa dentro sentou-se explicou o enquadramento da entrevista e ligou o gravador. Anunciou uma hora e meia de entrevista e espeta-me com duas horas e três quartos sem que eu pudesse fazer grande coisa. Tema do estudo: "O homem, a família, o emprego", para equilibrar com as centenas de estudos iguais já realizados sobre as mulheres. Ela perguntou, perguntou e perguntou e eu respondi, respondi e respondi.
Flashes da entrevista ...

- O que é para si a chave de um casamento feliz ?
- Uma playstation.
(quando ela perguntou eu pus-me a olhar em volta à procura da chave. Estávamos mesmo sentados à frente da máquina de jogos. Ia responder o quê?)

- A infidelidade é diferente se fôr o homem ou a mulher a cometer ?
- A gravidade é mesma mas os homens são mais filhos da puta. Têm aquela mania de separar a questão física da emocional.
(Eu disse isto? Disse.)

- O casamento sobrevive à infidelidade ? Era capaz de perdoar ?
(Ah ah esta resposta não ponho, se ela descobre a resposta, e se depois. É melhor não responder)

- Quando os seus filhos crescerem como vai gerir as questões relacionadas com a sexualidade, a droga, as doenças ?
- Nós tivemos o cuidado de ter filhos que não crescem. Chamam-se bebés bonsai, são difíceis de arranjar, mas nós tivemos sorte.

- Concorda com o casamento de homosexuais ?
- Não me faz confusão. Concordo.
- E com a adopção de crianças por casais homosexuais ?
- Devia concordar, mas causa-me alguma confusão elas poderem ser alvo da crueldade com que os outros miúdos tratam tudo o que foge aos estereótipos. Deste ponto de vista, causa-me a mesma confusão que os casais que permitem que os filhos se tornem crianças obesas.
(eu não posso ter respondido isto, mas respondi)

- Ainda pensa ter mais filhos ?
- Ainda hoje estava a arrumar o fervedor dos biberões e anunciei que era a última vez que o tínhamos usado. Ela respondeu-me que não tinha nada essa ideia. Não sei responder. É quase meia noite, se não estivesse a responder a estas perguntas, talvez a próxima criança estivesse na calha. Obrigadinho senhora socióloga. Nem tenho palavras para lhe agradecer.
(Só dei metade da resposta mas gostava de ter dado a resposta completa)

- O que falta fazer para que a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres seja uma realidade ?
- Acabar com este flagelo dos homens não poderem engravidar.

terça-feira, junho 14, 2005

PREC

Desses tempos, no meio da minha colecção de autocolantes, existe um cartaz assim

A frase "Força força companheiro Vasco, nós seremos a muralha de aço" fazia parte da letra de uma canção de apoio ao então primeiro ministro. Verão quente de 1975.
Para mim, esses tempos foram marcados pelas imagens, os relatos e as músicas que chegavam lá a casa. Os autocolantes, os cartazes, os discos, a televisão, as histórias dos confrontos MRPP / PCP no Pedro Nunes contadas pela minha mãe e os sons das notícias na rádio.
Todos os dias entrava casa dentro um mundo de informação. Eu vivia as histórias de então, como se vive um derby Benfica Sporting e discutia os assuntos como se de um Benfica Sporting se tratasse. Lá em casa éramos todos do Benfica e os vizinhos de baixo eram todos do Sporting. Animadas as conversinhas nas escadas de serviço.

Vasco Gonçalves sempre foi, para mim, um Homem íntegro.

quarta-feira, junho 08, 2005

Estou sim

Bem sei que a senhora não se cala e que, regra geral, sem qualquer excepção conhecida, as conversas telefónicas duram para lá de uma hora.
Isto requer que o telefonema seja feito em local confortável, de preferência deitado, com mantimentos suficientes, kit de sobrevivência, algália e arrastadeira ao lado.
Eu nem estava focado no telefonema, vi que A. se deitou no sofá, comando numa mão, telefone na outra, e quando diz "estou M. ?" percebi que era coisa para durar horas.
Estava a trabalhar na sala ao lado e, de vez em quando, ouvia os "hum hum", os "pois claro" e os "sins", que permitem ao interlocutor perceber que está a ser ouvido, enquanto despeja as carradas de informação. Falar com aquela senhora é como fazer download de um ficheiro de vários giga, mas requer que, de vez em quando, se vá dizendo que a informação está a chegar.
Houve qualquer coisa na televisão que me fez sair da secretária, dirigir-me à sala do lado e ir ver o que se passava no pequeno écran. Fiquei uns cinco minutos e quando me desconcetrei percebi que não só a A. tinha deixado de fazer "Hum huns" como estava a respirar com algunm ruído a tender para o ressono. Do lado de lá da linha ouvia-se "Estou ! Aaaaaa. Estouuuu. Oh Aaaaa."
"Desculpa acordar-te A., mas não estás ao telefone?"
"Hum ... Ahhhhh Pois estou. Aiiiii desculpa M. Adormeci"
Depois deste incidente, que levou algum tempo a contextualizar, seguiu-se uma hora de download.

terça-feira, junho 07, 2005

A Cidade

... estive parado no trânsito. Por alguma razão, um acidente à tardinha do lado de lá da ponte, parou o trânsito na cidade. Lembrei-me de um programa na TSF "O homem que gostava de cidades". Não sei se é este o nome do programa, mas lembro-me das conversas entre dois cumplices do urbanismo, que passeavam pela cidade. Falavam das geometrias, das histórias e da vida das pessoas. Dos silêncios, dos desertos urbanos e da solidão. O homem que gostava de cidades foi um bom programa.
A rua em que parei não é direita, antes tem geometria variável e desliza pela colina aos ésses. Bestial para conduzir. Tangente ao bairro em que cresci. Um bairro de paralelas e perpendiculares, nada dessas maluqueiras de serpentear colina abaixo, muito certinho e quase sempre plano, a contrastar com os artistas, os filósofos e os doutores que por lá moram. Agora é um bairro da moda, franchizado e a mercearia do sr António há muto que já nem existe.
A rua em que parei está muito igual ao que sempre foi. Vem quase do rio e só pára nos arcos do aqueduto, tem uma estação de caminho de ferro, depois vêm muros longos e casas baixinhas com roupa pendurada para a rua, conversas de vizinhas balofas à janela, tem a meia laranja vigilante do casal ventoso, ainda se descobre a fonte, o frenesim e a miséria. Quando passa pelo meu bairro alinda-se e ganha espaço. Logo a seguir ao prédio roxo da TV Marcelo retoma a forma estreita e curva, a esquadra já não existe e não sei porque se chamava dos terramotos, no fim divide-se em duas, uma por baixo de cada arco.
Nunca passei para lá desta rua. Para mim era a fronteira áté onde podia ir. O que estava do lado de lá, só sabia pelas histórias dos meus colegas de primária e do ciclo. Tinha uma certa inveja quando me contavam que percorriam todo o túnel do combóio a correr. Nunca descobri se era verdade, o Paulo era um bocado exagerado e o Fernando não era flor que se cheirasse, mas que me arrepiava com a aventura, isso arrepiava. A Dona Inês, a minha professora primária, de sotaque Açoreano, provavelmente também separava os dois lados da rua. Os meninos do lado de cima e os meninos do lado de baixo.

sexta-feira, junho 03, 2005

Dei uma volta ...

... pelas redondezas. Resolvi postar uma letra do Jorge Palma que me veio à cabeça enquanto lia alguns posts. Não espelha o que sinto pelo que escrevem, ou pelo que sentem. Tenho muita vontade de continuar a ler-lhes a alma. Acho que lhes ficam bem melhor os sorrisos.


Minha Senhora da Solidão

Minha senhora da solidão
Minha senhora das dores
Quanto tempo falta para te ver sorrir
Quantas misérias ainda vais exibir
Quanto tempo mais vou ter de te ouvir queixar?

Minha senhora da solidão
Vê como o Sol brilha hoje
Odeio ver-te sempre de luto
Gostava de ver o teu olhar enxuto
De descobrir alguma graça no teu andar

O teu crucifixo não me ilumina
E o teu sacrifício não me pode fazer bem
Não é bom para ninguém
Huuum, não ajudas ninguém...

Minha senhora da solidão
Minha senhora dos prantos
Tens um "ai" encravado na boca
Que dia após dia te sufoca
Precisas de bem mais que uma simples oração

Minha senhora da solidão
Minha senhora das culpas
Tenho que evitar o teu contágio
Não quero mais saber do teu naufrágio
A praia esteve sempre ao alcance da tua mão

O teu crucifixo não me ilumina
O teu sacrifício não me pode fazer bem
Não é bom para ninguém
Huuum, não ajudas ninguém...

sexta-feira, maio 27, 2005

Histórias em dia ...





Já refeito de 15 dias de licença parental, cabe contar aqui na CdC a ida à Disney. A saber, o António ficou entregue à Avó e o João e o Manel, estavam entusiasmados com uma suposta ida de avião para o Porto. Não sabiam a tia Nini também ia connosco, que levava as primas e que o destino era a terra do Nunca. E que por magia, haviamos de ficar no mesmo hotel da tia R e do tio D que levavam o M. e o L. Com tanta surpresa no mesmo dia, comecei a ficar com a sensação de que já nada os surpreenderia. No aeroporto descobriram as primas e a tia, no avião descobriram que o destino era Paris, ainda a sabedeuseocomandantequantos pés de altitude souberam da Disney e finalmente no hotel encontramo-nos com os amigos. Pareceu-me que já não reagiam a surpresas, e que se lhes disséssemos que na verdade íamos de foguetão até à lua, ou passar o fim de semana em sobral de monte agraço que já tem um parque infantil, a reacção ia acabar por ser muito parecida. Quase nenhuma.
O problema do hotel era a loja disney lá dentro, e as repentinas aparições de personagens conhecidas. Qualquer uma destas coisas afastava-os de qualquer tipo de controlo e desapareciam com alguma regularidade. Bendita hora em que as primas resolveram ir. São mais velhas e conseguem descobri-los com facilidade, empurrar o carrinho de bébé e surropiar, com discreção, dúzias de croissants no hotel, responsáveis por assegurar algum conforto gastronómico durante o dia. Minhas ricas meninas que tanto jeito deram.
Em poucos dias, tantas surpresas e emoções. Ali à mão de semear a branca de neve, a bela adormecida, o dragão, o peter pan, o capitão gancho, os carrocéis, os piratas das caraíbas, os incríveis, a montanha russa da mina (sabe Deus porquê o João não quis repetir esta viagem), as casas na árvore, o país das maravilhas, mais combóios, mais barcos, mais piscina do hotel, mais sala de jogos do hotel, algumas prendas, autógrafos e fotos com os personagens (a Minnie no último dia estava a modos que armada em parva e não nos ligou nenhuma). Houve ainda tempo para uma tarde em Paris com direito a passeio turístico de autocarro, com a Torre Eiffel a insistir em aparecer ao longe ao perto ou mesmo por cima das nossas cabeças - à conta disso agora chama-se torre belharc.
Quando confrontados com um balanço final e com o top do que mais gostaram, a resposta é surrpreendente
- a piscina do hotel;
- a sala de jogos do hotel;
- as prendas.
Afinal uma ida até ao novo Sheraton no Porto era bem capaz de ter tido o mesmo efeito e ia com toda a certeza sair mais em conta.

sexta-feira, maio 20, 2005

Regresso...

... ao trabalho depois de 15 dias de trabalhos parentais. A Caixa de Costura atingiu os 30 mil visitantes, sem que eu desse por isso. Devia estar a tentar que uma parcela significativa daquela sopa de legumes feita com água de cozer borrego lhe chegasse ao estômago. Eu compreendo-o. Aquilo não pode saber senão mal.
Não sei porque raio de carga de águia isto está escrito a vermelho, mas até me parece bem. Estava capaz de apostar a côr do
100nada em como a águia volta campeã da visita à pantera. Mais uma vez, se a coisa der para o torto, é só apagar este post, alterar-lhe a côr e voar baixinho até à próxima época.

domingo, maio 15, 2005

10 mandamentos

Não acordarás antes das 7 da manhã
Não cagarás mais que três vezes por dia
Dormirás uma sesta de duas horas todos os dias
Não chorarás quando o progenitor descansar
Não espalharás a sopa que te dou, num raio superior a dois metros
Não te sentirás trocado pela Playstation, e se o sentires não o darás a conhecer ao mundo
Não guincharás a torto e a direito
Não recusarás o biberon acabadinho de aquecer
Não acordarás com o barulho do computador a ligar
Não farás um sorriso de contente sempre que me vêsa e que me faz esquecer dos 9 mandamentos anteriores.

terça-feira, maio 03, 2005

Era uma vez ...

... uma peça de fantoches criada para o dia da mãe. Texto, encenação e figurinos todods criados pela R. que é a baby sitter dos Marias nos finais de tarde. É a história da Raínha Ana e do Rei André e dos Príncipes das Bochechas, dos Caracóis e dos Choros. A peça acaba com a demonstração de que a raínha Ana é uma super mãe com fantoche de capa a voar pelo cenário. A estreia foi na véspera do dia da mãe, contou com a presença de algumas avós e de um avô, o palco foi a parte de trás do sofá grande em casa da avó.
Mais uma vez, tudo parecia estar a correr bem. O JM lia o texto e geria os fantoches dos Rei, da Raínha e da Raínha Grávida, o MM geria os fantoches dos príncipes, da casa, do coração, e do esparguete à "golomesa". Na última cena, quando aparecia a super mãe, não existe consenso sobre quem ia manusear o fantoche. Enquanto a plateia estava comovida com a peça e com a performance dos principes, já de lágrima no canto do olho, os dois começaram a puxar o fantoche cada um para o seu lado. Cena de gritaria, pancadaria nos bastidores, insultos, fantoches a voar por cima do sofá, páginas do texto rasgadas e um fim de festa animado. Lá acabaram por agarrar os dois na super mãe e fecharam a peça. Eu diverti-me muito e a Ana ficou embevecida com tudo aquilo, a R. vai ter uma avaliação positiva neste semestre.

Agora vou estar uns dias quietinho, sem postar, porque na quinta feira vamos levar os actores à Disney (eles acham que vão ao Porto de avião) e depois entro em licença parental (fim da licença da mãe) e tenho milhares de coisas para tratar e não tenho tempo para tudo o que há a fazer. Até ao meu regresso ...

quarta-feira, abril 27, 2005

Zoológico

Lá foi a família inteira ao Zoo. As cobras, os tigres, os leões, os macacos, os ursos, as girafas. Grande euforia, estava tudo a correr tão bem até chegarmos aos elefantes.
O que ali se passou vai-lhes custar, a cada um, pelo menos uma década de psicanálise. Estavam quase todos a alimentar-se dos excrementos de um dos elefantes, utilizando a tromba para se abastecerem directamente na fonte. Queeeeeeeeeeee nojo.
- Paiiiii. Olha que porcos os elefantes. Estão a por a tromba no r...
- Cala-te que ainda levas uma chapadona.
- Pai, mas o Manel está a dizer a verdade. Que nooojo.
- Não está nada. Queres apanhar também ?
- Mas pai ...
- Meniiiiiinos. Vamos embora, vamos ver as girafas.
- Mas já as vimos há bocadinho.
- Pois já, mas agora elas estão ainda mais altas porque já cresceram um bocadinho. Vamos embora já disse. Saiam daí.

Da próxima vez que quiserem ver animais compro um livro da verbo sobre a vida selvagem.

terça-feira, abril 26, 2005

A revolta do Fadista

De passagem pelo aterro sanitário televisivo, entra-me sala dentro a quinta das celebridades. Gonçalo da Câmara Pereira, mostrava-se alterado, distante do habitual ar folião, voz alterada e expressão de “caso mal resolvido”. Pensei tratar-se da difícil digestão de mais uma expulsão, ao que sei de Elsa Raposo, na véspera. Até que perante a frase “Desculpem mas a mim o Cravo Vermelho dá-me vómitos.”, descobri que a indigestão do fadista é bem mais antiga. Tem trinta e um anos. Ele contextualizou: “Eu fiz o 25 de Abril, um dos meus irmão estava na coluna do Salgueiro Maia, e eu estava no quartel. Depois do 25 de Abril fomos para Angola e quando regressámos, a minha família tinha sido expropriada das herdades. Ficámos sem nada, até fome passámos. Por isso, a mim, o Cravo Vermelho dá-me vómitos”. A revolta do fadista foi provocada pela distribuição de cravos na noite de 24 de Abril aos concorrentes de tão democrático concurso.
Sou o primeiro a admitir que o período pós revolucionário é rico em excessos, resultado óbvio da contenção de décadas, das ideias reprimidas e perseguidas, da imensa (mas nunca demais) liberdade reconquistada. E dos excessos, surgem os contra excessos, também em formatos pouco recomendáveis aos nossos sensatos olhos.
Não arranjo justificação para muito do que se fez em nome da Revolução de Abril. Acho tacanha, redutora e, por vezes, muito conveniente, a confusão entre a conquista da liberdade e os excessos cometidos em nome dessa liberdade. È mesquinho, e no mínimo, desinteligente.
Aproveito para radicalizar o raciocínio.
Jesus Cristo morreu pelos homens, por todos nós. Trouxe ao mundo uma boa nova, trouxe esperança e ensinou-nos o amor a Deus e aos Homens. Em nome de Jesus Cristo, da fé e da Igreja Católica, já se cometeram todo o tipo de atrocidades. O princípio básico mantém-se o mesmo: amar a Deus e ao próximo. Em nome deste amor já se guerreou, já se colonizaram continentes sem qualquer respeito por quem neles já habitava, já se colocou o sol na órbita da terra, já se queimaram os pensamentos contraditórios. Não acredito que o fadista sinta vómitos perante qualquer símbolo religioso, nem acho que o deva fazer. O essencial é a revolução no coração dos homens trazida por Jesus Cristo. O que se fez em nome dessa revolução deve ser objecto de reflexão para que não se repitam os mesmos erros. Com Abril, e com os Cravos Vermelhos a separação é exactamente pelo mesmo tracejado.