Azul. Pela primeira vez, a Caixa de Costura foi vítima do lápis azul dos tempos da outra senhora. A pressão para que retirasse algum conteúdo do post anterior vingou, e agora o resultado é um post castrado no seu conteúdo.
É a forma fácil de agir deste governo ggcompetente, gggleal e hgggonesto. É o constante recuso da força em vez dela, este governo usa inteligência. Este governo ggg presta e os seus métodos são gggg-democráticos. Viva a gevolução.
quinta-feira, novembro 18, 2004
quarta-feira, novembro 17, 2004
Encosto
Eu - Desculpa lá, estou sem bateria no carro, emportas-te de pôr o teu carro ao pé do meu para lhe dar um encosto?
Ele - Tens cabos? É que eu não tenho.
Eu - Tenho.
(...)
Eu - Queres que eu ponha os cabos?
Ele - Não deixa tar que eu ponho.
Eu - Ora bem, vermelho aqui no vermelho, preto aqui no preto
(zzzzzzzz crzzzztz faíscas crzzzzt tchzzzz)
Eu - Mas que raio !!! Ena que os cabos estão quentes. Epá derreteram. Merda.
Ele - Olha, troquei as cores.
Eu - Pois. Mas agora os cabos estão derretidos e a corrente não passa.
Ele - Ah pois estão.
Eu .oO(gggggg gg gggg gg g ggg gg g gggggggg gg gggg gg ggg ggg ggg g ggggg ggggggg)
(...)
Outro Ele - Bem André, o melhor é irmos ao Oeiras comprar uns cabos que eu depois dou-te o encosto.
Eu para Outro Ele - Também acho. Levas-me?
Outro Ele - Claro.
Eu para Ele - Obrigado.
Ele - Sempre às ordens.
Eu .oO(gggggg gg ggggggg gggggggg gggggggg ggg ggg ggggggggg gg ggggggggg ggg ggggggg gggggg!!!)
Com os cabos novos lá consegui pôr o carro a funcionar.
Ele - Tens cabos? É que eu não tenho.
Eu - Tenho.
(...)
Eu - Queres que eu ponha os cabos?
Ele - Não deixa tar que eu ponho.
Eu - Ora bem, vermelho aqui no vermelho, preto aqui no preto
(zzzzzzzz crzzzztz faíscas crzzzzt tchzzzz)
Eu - Mas que raio !!! Ena que os cabos estão quentes. Epá derreteram. Merda.
Ele - Olha, troquei as cores.
Eu - Pois. Mas agora os cabos estão derretidos e a corrente não passa.
Ele - Ah pois estão.
Eu .oO(gggggg gg gggg gg g ggg gg g gggggggg gg gggg gg ggg ggg ggg g ggggg ggggggg)
(...)
Outro Ele - Bem André, o melhor é irmos ao Oeiras comprar uns cabos que eu depois dou-te o encosto.
Eu para Outro Ele - Também acho. Levas-me?
Outro Ele - Claro.
Eu para Ele - Obrigado.
Ele - Sempre às ordens.
Eu .oO(gggggg gg ggggggg gggggggg gggggggg ggg ggg ggggggggg gg ggggggggg ggg ggggggg gggggg!!!)
Com os cabos novos lá consegui pôr o carro a funcionar.
terça-feira, novembro 16, 2004
No parapeito
Há uns dez anos atrás, pouco tempo depois de ter começado a namorar com a Ana, fui convidado para o baptizado da Inês, a primeira das crianças da nova geração da respectiva família. Foi um evento muito colado ao início do namoro o que o transformou na minha apresentação oficial à família da Ana.
Sempre que vejo o início do Shrek 2, lembro-me desse baptizado. Durante dias ouvi algumas recomendações no sentido de pontuar muito junto da mãe e da avó da Ana. Para aumentar o desconforto, a Ana foi a madrinha da Inês, o que a afastou durante toda a cerimónia e mesmo durante alguns instantes que a antecederam. Momentos de angústia portanto. A mãe da Ana, após a apresentação formal, sugeriu que eu a acompanhasse durante a cerimónia, sugestão que eu educadamente, e com um nó na garganta, aceitei. Enquanto a cerimónia não se iniciava, os brincalhões da família, iam passando por nós e dizendo as piadas do costume que me deixavam cada vez mais constrangido:
"Não comeces já a embirrar com o rapaz. Olha que ele não te fez mal nenhum e a tua filha já não vai para nova."
"Vê lá se desta vez não destróis o namoro à rapariga."
A cerimónia está prestes a começar, e lá me encaminho em direcção aos bancos da igreja, ao lado da minha (agora) sogra. Nisto, sinto-me a ser agarrado pelo braço e vejo uma catraia de nariz arrebitado que me diz "Anda priminho, vem para junto de nós" e que me leva para junto dos restantes primos. A minha salvadora era a Rita. Tinha dezassete anos (acho eu) a miúda espevitada, e nesse dia, foi a minha heroína.
Entrada directa para o meu top de afectos. Nunca mais de lá saiu.
Em Setembro do ano passado, a Ana passou-me um endereço http://noparapeito.blogspot.com. Fui espreitar o blog. Era da prima Rita e era um parapeito cheio de flores, de palavras penduradas, de ternuras, de angústias e de amores. Passar naquele parapeito e dar-lhe uma espreitadela de esguelha fez-se hábito suadável para mim. Já o disse aqui, que a par com o 100Nada, o Parapeito foi o empurrão para a Caixa de Costura. O blog já não existe, mas quando acabou, ficou a promessa de reaparecer. E é isso que vai acontecer hoje. O Parapeito vem encadernado, impresso, e de certeza carregadinho das emoções da miúda espevitada que me salvou naquele dia. Um para(lado esquerdo do)peito lindo é lançado hoje no Teatro Aberto pelas 18:30. A Caixa de Costura vai-se fazer representar pela Raínha e respectiva barriga. Gostava muito de estar por lá, mas prima é prima, e alguém naquela casa, tem que assegurar os banhos e jantares dos selvas Marias. A restante comunidade bloguistica que se faça representar que o Teatro, o Evento e a Janela do Parapeito, estão abertos para todos (menina Cat, faça o favor de divulgar - só peço directamente à Cat por ser a única com quem tenho confiança para o fazer).
Prima Ritinha vai correr tudo muito bem, e se precisares que alguém te salve, corre para a Ana que ela há-de saber como me chamar.
Sempre que vejo o início do Shrek 2, lembro-me desse baptizado. Durante dias ouvi algumas recomendações no sentido de pontuar muito junto da mãe e da avó da Ana. Para aumentar o desconforto, a Ana foi a madrinha da Inês, o que a afastou durante toda a cerimónia e mesmo durante alguns instantes que a antecederam. Momentos de angústia portanto. A mãe da Ana, após a apresentação formal, sugeriu que eu a acompanhasse durante a cerimónia, sugestão que eu educadamente, e com um nó na garganta, aceitei. Enquanto a cerimónia não se iniciava, os brincalhões da família, iam passando por nós e dizendo as piadas do costume que me deixavam cada vez mais constrangido:
"Não comeces já a embirrar com o rapaz. Olha que ele não te fez mal nenhum e a tua filha já não vai para nova."
"Vê lá se desta vez não destróis o namoro à rapariga."
A cerimónia está prestes a começar, e lá me encaminho em direcção aos bancos da igreja, ao lado da minha (agora) sogra. Nisto, sinto-me a ser agarrado pelo braço e vejo uma catraia de nariz arrebitado que me diz "Anda priminho, vem para junto de nós" e que me leva para junto dos restantes primos. A minha salvadora era a Rita. Tinha dezassete anos (acho eu) a miúda espevitada, e nesse dia, foi a minha heroína.
Entrada directa para o meu top de afectos. Nunca mais de lá saiu.
Em Setembro do ano passado, a Ana passou-me um endereço http://noparapeito.blogspot.com. Fui espreitar o blog. Era da prima Rita e era um parapeito cheio de flores, de palavras penduradas, de ternuras, de angústias e de amores. Passar naquele parapeito e dar-lhe uma espreitadela de esguelha fez-se hábito suadável para mim. Já o disse aqui, que a par com o 100Nada, o Parapeito foi o empurrão para a Caixa de Costura. O blog já não existe, mas quando acabou, ficou a promessa de reaparecer. E é isso que vai acontecer hoje. O Parapeito vem encadernado, impresso, e de certeza carregadinho das emoções da miúda espevitada que me salvou naquele dia. Um para(lado esquerdo do)peito lindo é lançado hoje no Teatro Aberto pelas 18:30. A Caixa de Costura vai-se fazer representar pela Raínha e respectiva barriga. Gostava muito de estar por lá, mas prima é prima, e alguém naquela casa, tem que assegurar os banhos e jantares dos selvas Marias. A restante comunidade bloguistica que se faça representar que o Teatro, o Evento e a Janela do Parapeito, estão abertos para todos (menina Cat, faça o favor de divulgar - só peço directamente à Cat por ser a única com quem tenho confiança para o fazer).
Prima Ritinha vai correr tudo muito bem, e se precisares que alguém te salve, corre para a Ana que ela há-de saber como me chamar.
segunda-feira, novembro 15, 2004
Golegã
Descobri a minha alergia aos cavalos num fim de semana de turismo rural no Alentejo. Aquele passeio de charrete de uma hora, ia resultando em internamento hospitalar. Comecei por espirrar e acabei com os olhos tão inchados que quase não via, e com a garganta num estado tal que mal respirava.
Não contente com o sucedido, e levado pelo entusiasmo desmedido, aceitei que, no dia do meu casamento, o percurso entre a igreja e a quinta onde continuaram os festejos, fosse percorrido a cavalo. Cheguei à quinta já a lacrimejar e de lenço na mão. Ainda hoje há quem acredite que eu me comovi mais do que esperado e que os óculos escuros, o constante fungar e o lenço paneleiroso na mão eram sinais exteriores do minha lamechice galopante (só de escrever galopante já estou para aqui aos espirros).
Perante tais sinais de alergia equestre, existem todos os motivos para eu evitar uma ida à Golegã, mesmo que essa ida não coincida com a realização da grandiosa feira nacional do cavalo. Acontece que além dos animais, a feira tem numerosos artigos de grande qualidade, raríssimos e que são uma autêntica pechincha. Sapatos, casacos, chapéus, barbours, sapatinhos cosidos à mão para as criancinhas, são alguns dos argumentos que tornam indispensável uma visita à dita feira.
Durante uns anos ainda consegui contra argumentar, mas há guerras que não se compram nem com a própria vida, e houve um famigerado ano em que lá me puz a caminho até à Golegã. Como que por milagre, chovia como nos filmes, e estive umas boas horas rodeado por cavalos sem que o meu organismo desse sinal de intolerância. Aquilo atrai muita gente e ainda não percebi porquê, tem muito cavalo, muito cavaleiro e muita amazona, todos trajados a rigor, muito atrelado, muita tenda, muita comida, muita pintura e escultura alusiva ao tema "O cavalo", mas a bem da verdade, nada daquilo me parece muito atraente, para tanto desfile de vaidades que por lá passa. Ir à feira da Golegã é uma coisa chique.
Graças a São Pedro parou de chover e o cheiro e os pelos de cavalo começaram a pairar, o que me conferiu rapidamente as alterações mínimas que justificaram o abandono do local. Temo que, se a chuva não tivesse parado e perante a febre consumista que nos assaltava, a esta hora teria lá em casa um parzinho daqueles cavalos muito pirosos para segurar os livros nas estantes, mesmo a jeito para despachar nalguma venda de Natal.
domingo, novembro 14, 2004
Ecografias
Não tenho por hábito publicar fotografias da família, mas abro uma excepção para o futuro príncipe. Recorrendo a tecnologia de ponta (de feltro), o Dr João Maria e o seu assistente Dr Manel Maria, fizeram esta magnífica ecografia à barriga da mãe. Apesar de ainda não ter dado a volta, como comprova a imagem, o António parece estar muito feliz. Curiosamente, a tecnologia envolvida nesta ecografia tem a particularidade de mostrar o nome do bébé.

Ecografia António

Ecografia António
sexta-feira, novembro 12, 2004
Acesso às Contas
O Estado vai poder consultar contas bancárias sem aviso prévio. Esta prática, defendida por Bagão, visa aumentar a eficácia na luta contra a fuga ao fisco e contra a fraude fiscal.
Acontece que Bagão Félix é um coração de manteiga, emociona-se facilmente e não resiste a situações de carência extrema. A minha esperança é que o senhor se comova quando consultar o saldo da maioria das contas dos particulares e que se irrite quando descobrir os verdadeiros lucros dos bancos e das empresas. E já agora, que lhe dê uma fúria por tamanha desigualdade social, e que seja tamanha a sede de justiça, que se ponha a redistribuir riqueza à esquerda e à direita qual Robin dos Bosques. Por ora Dr. Bagão, se quiser o meu NIB tenho todo o prazer em lho fornecer, e não se acanhe homem. Redistribua à vontadinha, como se fosse o Petit a distribuir jogo pelos companheiros do nosso Benfica.
Acontece que Bagão Félix é um coração de manteiga, emociona-se facilmente e não resiste a situações de carência extrema. A minha esperança é que o senhor se comova quando consultar o saldo da maioria das contas dos particulares e que se irrite quando descobrir os verdadeiros lucros dos bancos e das empresas. E já agora, que lhe dê uma fúria por tamanha desigualdade social, e que seja tamanha a sede de justiça, que se ponha a redistribuir riqueza à esquerda e à direita qual Robin dos Bosques. Por ora Dr. Bagão, se quiser o meu NIB tenho todo o prazer em lho fornecer, e não se acanhe homem. Redistribua à vontadinha, como se fosse o Petit a distribuir jogo pelos companheiros do nosso Benfica.
quarta-feira, novembro 10, 2004
Arafat
No momento em que comecei a escrever este post Arafat está vivo.
"A morte do presidente da ANP será declarada oficialmente esta quarta-feira na Mukata" é o que vem escrito no diário digital e noutros tantos sítios. Por sinal, acho um bocadinho mau gosto andarem para aí a matarem, a homenagearem , a enterrarem a ressuscitarem o desgraçado que anda a braços com uma pequena discórdia com a vida.
Interrompo aqui a escrita deste post para informar que neste momento Arafat está morto.
Este homem só pode ser o profeta tantas vezes já morreu e outras tantas ressuscitou. João Soares põe os olhos neste exemplo, primeiro conquista a liderança e só depois é que brinca às escondidas com a vida. A estratégia contrária não resulta, conforme o teu próprio exemplo.
Interrompo novamente só para afirmar que Arafat se encontra vivo.
Tentar a liderança depois de sobreviver ao desastre aéreo. Resultado: uns míseros 4 ou 5 por cento no próprio partido e asseguro-te que não ias querer saber a percentagem nacional.
Quando este post acabou de ser escrito Arafat tinha falecido. Paz à sua alma.
Aguardo só uma confirmação. Ossana ossana, Arafat afinal está vivo.
"A morte do presidente da ANP será declarada oficialmente esta quarta-feira na Mukata" é o que vem escrito no diário digital e noutros tantos sítios. Por sinal, acho um bocadinho mau gosto andarem para aí a matarem, a homenagearem , a enterrarem a ressuscitarem o desgraçado que anda a braços com uma pequena discórdia com a vida.
Interrompo aqui a escrita deste post para informar que neste momento Arafat está morto.
Este homem só pode ser o profeta tantas vezes já morreu e outras tantas ressuscitou. João Soares põe os olhos neste exemplo, primeiro conquista a liderança e só depois é que brinca às escondidas com a vida. A estratégia contrária não resulta, conforme o teu próprio exemplo.
Interrompo novamente só para afirmar que Arafat se encontra vivo.
Tentar a liderança depois de sobreviver ao desastre aéreo. Resultado: uns míseros 4 ou 5 por cento no próprio partido e asseguro-te que não ias querer saber a percentagem nacional.
Quando este post acabou de ser escrito Arafat tinha falecido. Paz à sua alma.
Aguardo só uma confirmação. Ossana ossana, Arafat afinal está vivo.
segunda-feira, novembro 08, 2004
Para a próxima...
vens algaliado ou de fralda. Foi isto que eu lhe disse e que provocou uma reacção de espanto da senhora que nos cedia passagem pela segunda vez. Não é possível que o raio do miúdo queira ir três vezes à casa de banho durante um jogo de futebol. Mesmo a ameaça de violência física caso o Benfica marcasse durante a ida à dita cuja, não o demoveu. Ainda por cima um cabeça no ar. Dos quatro golos encarnados só consegiu ver um. Ou porque estava a olhar para o pacote de batatas fritas, ou para os écrans gigantes, ou à procura de uma moeda no bolso. E se viu esse golo foi porque lhe agarrei pelas orelhas e lhe disse "Olha agora João que pode ser golo".
Eu sei que ele não costuma ver muitos golos, e que às vezes até os vê marcados pelos adversários, mas ontem estava tudo de feição e o raio do miúdo podia estar mais atento. Afinal de contas já tem seis anos. Depois ainda há a história de estar constantemente a dar cacetadas com o pau da bandeira no senhor que estava à nossa frente. A bandeira é para agitar com cuidado, não é como as espadas das Tartarugas Ninja.
Eu sei que ele não costuma ver muitos golos, e que às vezes até os vê marcados pelos adversários, mas ontem estava tudo de feição e o raio do miúdo podia estar mais atento. Afinal de contas já tem seis anos. Depois ainda há a história de estar constantemente a dar cacetadas com o pau da bandeira no senhor que estava à nossa frente. A bandeira é para agitar com cuidado, não é como as espadas das Tartarugas Ninja.
sexta-feira, novembro 05, 2004
Parabéns meu amor
"Já sou pai ...". Foi mais ou menos isto que disse à tua avó Teresa quando
logo a seguir ao teu nascimento, cheguei junto de todos para lhes dar a
novidade. Entretanto passaram seis anos. Ainda não consigo explicar o
turbilhão de emoções quando te recebi no colo, algures entre o ser o mais
feliz dos homens, o amor incondicional e uma vontade estúpida de te contar a
toda a gente. O estupor da enfermeira nem me deixou segurar-te mais do que
uns três segundos, depois levou-te para a salinha quentinha e só no dia
seguinte, depois de ter feito um escândalo é que pude pegar-te outra vez. O
urso Puff que te ofereci ainda é maior do que tu e, à velocidade a que
cresces, há-de continuar a ser nos próximos seis anos.
Continuo sem perceber porque é que quando chego a casa, gritas "Pai" e vens
a correr como um maluco a dar-me um abraçoo, mesmo quando está a dar o Noddy
ou as Tartarugas Ninja. É normalmente, o melhor pedacinho do meu dia, sem
contar quando vamos jogar futebol juntos para a Alameda, ou quando jogamos
na Play Station, ou quando fazemos o jantar (apesar de não achar graça que
tires as pedras de sal de cima dos bifes para as comeres). Parabéns meu
amor.
É verdade. Acho que há umas coisas em que eu sou um bocadinho mentiroso e
que preciso de te contar. Agora já sabes ler e pode ser que passes por aqui:
1. não é a mãe que manda pôr as luzes de Natal nem o Pai que as manda
acender;
2. o Manel quando nasceu não trazia uma bicicleta vermelha da barriga da
mãe, nem foi por causa da bicicleta que veio com um galo por cima do olho
(isso foi o médico que lhe fez por causa de um empate do Sporting)
3. quando fomos ver o Benfica - Leiria, a equipa de encarnado era o Leiria,
foi por isso que os senhores ao nosso lado estavam com um ar zangado quando
festejaste os golos.
4. o pai nunca guiou um fórmula um encarnado, igual aquele que aparece na
televisão. As corridas em que o pai entra são de uns carritos pequeninos
chamados Karts;
5. Aqueles casulos que estão à porta do Carrefour de Oeiras, são para
massajar as pessoas, não são castigos e a senhora que lá estava dentro
provavelmente nem come de boca aberta;
6. não é verdade que os velhotes morrem porque não conseguem fugir a tempo
dos carros quando estão a atravessar a estrada;
7. aquela escova que a mãe comprou no Ikea é para lavar pratos, não é para
os dentes da mãe que são um bocadinho grandes;
8. mesmo que o teu quarto continuasse desarrumado, ia haver espaço para as
prendas de anos
logo a seguir ao teu nascimento, cheguei junto de todos para lhes dar a
novidade. Entretanto passaram seis anos. Ainda não consigo explicar o
turbilhão de emoções quando te recebi no colo, algures entre o ser o mais
feliz dos homens, o amor incondicional e uma vontade estúpida de te contar a
toda a gente. O estupor da enfermeira nem me deixou segurar-te mais do que
uns três segundos, depois levou-te para a salinha quentinha e só no dia
seguinte, depois de ter feito um escândalo é que pude pegar-te outra vez. O
urso Puff que te ofereci ainda é maior do que tu e, à velocidade a que
cresces, há-de continuar a ser nos próximos seis anos.
Continuo sem perceber porque é que quando chego a casa, gritas "Pai" e vens
a correr como um maluco a dar-me um abraçoo, mesmo quando está a dar o Noddy
ou as Tartarugas Ninja. É normalmente, o melhor pedacinho do meu dia, sem
contar quando vamos jogar futebol juntos para a Alameda, ou quando jogamos
na Play Station, ou quando fazemos o jantar (apesar de não achar graça que
tires as pedras de sal de cima dos bifes para as comeres). Parabéns meu
amor.
É verdade. Acho que há umas coisas em que eu sou um bocadinho mentiroso e
que preciso de te contar. Agora já sabes ler e pode ser que passes por aqui:
1. não é a mãe que manda pôr as luzes de Natal nem o Pai que as manda
acender;
2. o Manel quando nasceu não trazia uma bicicleta vermelha da barriga da
mãe, nem foi por causa da bicicleta que veio com um galo por cima do olho
(isso foi o médico que lhe fez por causa de um empate do Sporting)
3. quando fomos ver o Benfica - Leiria, a equipa de encarnado era o Leiria,
foi por isso que os senhores ao nosso lado estavam com um ar zangado quando
festejaste os golos.
4. o pai nunca guiou um fórmula um encarnado, igual aquele que aparece na
televisão. As corridas em que o pai entra são de uns carritos pequeninos
chamados Karts;
5. Aqueles casulos que estão à porta do Carrefour de Oeiras, são para
massajar as pessoas, não são castigos e a senhora que lá estava dentro
provavelmente nem come de boca aberta;
6. não é verdade que os velhotes morrem porque não conseguem fugir a tempo
dos carros quando estão a atravessar a estrada;
7. aquela escova que a mãe comprou no Ikea é para lavar pratos, não é para
os dentes da mãe que são um bocadinho grandes;
8. mesmo que o teu quarto continuasse desarrumado, ia haver espaço para as
prendas de anos
quinta-feira, novembro 04, 2004
Curtas
Estou a dever uma actualização à coluna da direita. Enquanto ela não vem, fica aqui a referência a um blog que tenho visitado ultimamente e, ao que sei, a recíproca é verdadeira. O diário da Teresa.
A Caixa de Costura apareceu ligada pelos Marretas. Isto hoje tem sido um caos com tanta gente a entrar e a sair. Onde é que já se viu 17 visitas numa só hora? Tirem lá uma senha, e aguardem ordeiramente a vossa vez.
A propósito de Marretas, a Bananada de Goiaba tem um filme bem giro sobre o Manhamanha.
A Caixa de Costura apareceu ligada pelos Marretas. Isto hoje tem sido um caos com tanta gente a entrar e a sair. Onde é que já se viu 17 visitas numa só hora? Tirem lá uma senha, e aguardem ordeiramente a vossa vez.
A propósito de Marretas, a Bananada de Goiaba tem um filme bem giro sobre o Manhamanha.
Soltas
... as frases que se seguem.
"As cedilhas são umas vírgulas malucas que se enfiam debaixo dos cês"
"Não existe uma segunda oportunidade para se causar uma primeira impressão"
"A América vai escolher entre um incoerente e um incompetente."
Acrescento eu: Para manter a coerência, optou pela incompetência.
"As cedilhas são umas vírgulas malucas que se enfiam debaixo dos cês"
"Não existe uma segunda oportunidade para se causar uma primeira impressão"
"A América vai escolher entre um incoerente e um incompetente."
Acrescento eu: Para manter a coerência, optou pela incompetência.
terça-feira, novembro 02, 2004
As Flores
... oferecidas na quinta feira, deram direito a um retorno. Um tesouro. O Tesouro do Castelo sem Nome em DVD. 30 anos depois volto a ver "os Pequenos Vagabundos". Nem me importo muito de não sentir tanto entusiasmo na acção da série, este DVD é uma autêntica máquina do tempo que me transporta para a sala dos meus pais. Lembro-me de ter perguntado à minha mãe o que queria dizer "Arriscar" depois de visto a palavra num dos episódios. A Marie continua linda, a música ainda agita, e no fim ainda me apetece fazer parte dos "Galapiats". Claro que com esta idade, só conseguiria ser um dos maus que raptaram a menina e que roubaram o tesouro.
Agora só me falta uma série "Dois anos de férias", da qual me lembro da música, do barco e de um mau de barbas.
Agora só me falta uma série "Dois anos de férias", da qual me lembro da música, do barco e de um mau de barbas.
sexta-feira, outubro 29, 2004
Que fazer ...
... quando o jantar de despedida de um colega coincide com o dia em que fazes dez anos de namoro com a tua mulher? Foi esta a situação com que me deparei ontem.
Quarta Feira descobri a incómoda sobreposição de datas. Cheguei a casa e perguntei se podíamos adiar o jantar de Quinta para Sexta.
Ela "Mas temos algum jantar amanhã?"
Ele "Eu tenho dois. Um de despedida do Marco e outro contigo. Pode ficar para a Sexta?"
Ela "Mas porque é que temos um jantar?"
Foi a minha janela de oportunidade para marcar muitos pontos.
Ele "Fazemos dez anos de namoro."
Ela "Ai as hormonas que me atingiram o cérebro na zona datasqueasgajasnunmcaseesquecemequeosgajosraramenteselembram"
Ele (dramatizando) "Isto é inacreditável. Como é que te podes esquecer?"
Daí até à concessão para a troca dos jantares foi um pequeno passo.
Para que a coisa não desse para o torto tornava-se necessário assegurar alguns pontos durante o dia da efeméride. Fui eu que me lembrei de dar os parabéns pela manhã e fui a casa antes de ir para o jantar de despedida do colega. Disse-lhe que era para lhe dar algum apoio nos banhos, e nos jantares dos Marias, mas já sabia que ia levar umas flores. Meu dito meu feito.
Lá consegui chegar às 19:20 à florista. Chovia como nos filmes e a porta já estava fechada. A mulher demora tempo a abrir-me a porta, mas acaba por fazê-lo. Depois confessa que olhou bem para a minha cara e que tem medo, quando está sózinha na loja, de abrir a porta a qualquer um. Fiquei feliz de mesmo careca e a escorrer água, não ter cara de qualquer um. Comprei um arranjo campestre bem ao gosto da raínha e lá vou para casa. Não pára de chover e isso abona a meu favor. Tem mais impacto chegar a casa molhado com um ramo de flores na mão do que seco com um ramo de flores na mão. Mesmo à porta de casa, há um daqueles toldos de loja, que a chuva transforma num autêntico duche. Passo mesmo por baixo da água para ficar ensopado. Conquisto por fim aquele ar entre o romântico, o engraçado e o desgraçado. Toco à campaínha e lá me ponho de ramo estendido, a escorrer água com uma poça à minha volta e um sorriso aparvalhado
"Parabéns !!!"
Muitos pontos. Mesmo muitos pontos marcados.
Hoje vamos jantar para festejar o aniversário que eu jamais esqueceria.
A propósito disto não sei o que se passa hoje em dia com as mulheres, deixaram de ligar a estas lamechices das datas. São todas iguais, só pensam em sexo.
Quarta Feira descobri a incómoda sobreposição de datas. Cheguei a casa e perguntei se podíamos adiar o jantar de Quinta para Sexta.
Ela "Mas temos algum jantar amanhã?"
Ele "Eu tenho dois. Um de despedida do Marco e outro contigo. Pode ficar para a Sexta?"
Ela "Mas porque é que temos um jantar?"
Foi a minha janela de oportunidade para marcar muitos pontos.
Ele "Fazemos dez anos de namoro."
Ela "Ai as hormonas que me atingiram o cérebro na zona datasqueasgajasnunmcaseesquecemequeosgajosraramenteselembram"
Ele (dramatizando) "Isto é inacreditável. Como é que te podes esquecer?"
Daí até à concessão para a troca dos jantares foi um pequeno passo.
Para que a coisa não desse para o torto tornava-se necessário assegurar alguns pontos durante o dia da efeméride. Fui eu que me lembrei de dar os parabéns pela manhã e fui a casa antes de ir para o jantar de despedida do colega. Disse-lhe que era para lhe dar algum apoio nos banhos, e nos jantares dos Marias, mas já sabia que ia levar umas flores. Meu dito meu feito.
Lá consegui chegar às 19:20 à florista. Chovia como nos filmes e a porta já estava fechada. A mulher demora tempo a abrir-me a porta, mas acaba por fazê-lo. Depois confessa que olhou bem para a minha cara e que tem medo, quando está sózinha na loja, de abrir a porta a qualquer um. Fiquei feliz de mesmo careca e a escorrer água, não ter cara de qualquer um. Comprei um arranjo campestre bem ao gosto da raínha e lá vou para casa. Não pára de chover e isso abona a meu favor. Tem mais impacto chegar a casa molhado com um ramo de flores na mão do que seco com um ramo de flores na mão. Mesmo à porta de casa, há um daqueles toldos de loja, que a chuva transforma num autêntico duche. Passo mesmo por baixo da água para ficar ensopado. Conquisto por fim aquele ar entre o romântico, o engraçado e o desgraçado. Toco à campaínha e lá me ponho de ramo estendido, a escorrer água com uma poça à minha volta e um sorriso aparvalhado
"Parabéns !!!"
Muitos pontos. Mesmo muitos pontos marcados.
Hoje vamos jantar para festejar o aniversário que eu jamais esqueceria.
A propósito disto não sei o que se passa hoje em dia com as mulheres, deixaram de ligar a estas lamechices das datas. São todas iguais, só pensam em sexo.
quarta-feira, outubro 27, 2004
Ah pois ando ...
desaparecido. Os dias passam mais depressa do que eu quero e a minha lista de coisas "a fazer" parece não ter fim. Enquanto resolvo um assunto chegam cinco novos para resolver. Vai daí desleixo-me na Caixa, vítima preferencial da indigestão de tempo. Enquanto isso, as coisas acontecem à mesma, à velocidade de sempre e normalmente a roçar o surrealismo. A democracia, a liberdade de imprensa, o futebol, as eleições nos Estados Unidos, as eleições nas Autónomas. A propósito destes temas, a Antena 1, transmite às sextas feiras um debate com alguns comentadores. Bom, mesmo muito bom. A seguir às sete da noite na boleia para o fim de semana.
Um dos comentadores desse programa, é o Luis Osório, director da Capital, o único jornal português a declarar oficialmente o apoio ao candidato democrata para as eleições nos EU.
O Luís Osório é pai de um colega do João Maria, tem algumas semlhanças com o professor pardal, parece-me, contudo, que é mais brilhante que o próprio professor Pardal. Pouco conheço do seu trabalho, mas sempre fiquei preso ao que diz e ao que escreve. Fez um livro e um documentário sobre a relação dele com o Pai que é portador de HIV, esteve a fazer um documentário numa instituição de internamento psiquiátrico (não vi mas ouvi-o falar sobre esse trabalho), e talvez por sugestão, a Capital tem-me parecido um jornal mais sério. Vejo-o com alguma frequência, mas nunca lhe disse da admiração que lhe tenho. Fica aqui declarada.
Um dos comentadores desse programa, é o Luis Osório, director da Capital, o único jornal português a declarar oficialmente o apoio ao candidato democrata para as eleições nos EU.
O Luís Osório é pai de um colega do João Maria, tem algumas semlhanças com o professor pardal, parece-me, contudo, que é mais brilhante que o próprio professor Pardal. Pouco conheço do seu trabalho, mas sempre fiquei preso ao que diz e ao que escreve. Fez um livro e um documentário sobre a relação dele com o Pai que é portador de HIV, esteve a fazer um documentário numa instituição de internamento psiquiátrico (não vi mas ouvi-o falar sobre esse trabalho), e talvez por sugestão, a Capital tem-me parecido um jornal mais sério. Vejo-o com alguma frequência, mas nunca lhe disse da admiração que lhe tenho. Fica aqui declarada.
sexta-feira, outubro 22, 2004
Fazes três ...
Há um ano atrás escrevi-te sobre os teus dois anos.
"És pequeno, estás tão grande, és meigo, és bruto, és ainda tão bebé, és loiro, és um querido, és maluco, és insuportável, és meu, és independente, és obediente, és lindo, és esperto, és a alegria da casa, és amado, és feio, és doce, és malcriado, és uma ternura, tens boas maneiras, tens normalmente ranho no nariz, tens mau feitio, tens caracóis, tens pinta, tens a mania de nos deixar embevecidos, tens carinha larocas, tens o condão de nos levar ao desespero, tens cócó (?), tens tanta piada, tens um feitio que não existe, tens charme, tens mais olhos que barriga, fazes caretas, fazes birras, fazes as nossas delícias, fazes de conta que não ouves, fazes chorar o João, fazes rir, fazes trinta por uma linha, fazes-nos felizes, fazes chichi na fralda, fazes-nos num oito, fazes tudo o que te dá na bolha, fazes anos, fazes dois. Parabéns meu amor."
Já não fazes chichi na fralda, fazes três anos e de resto é tudo igual. O teu mau feitio faz parte do teu charme e provavelmente a culpa é minha.
Durante a cesariana o médico resolveu perguntar pelo resultado do Sporting, e eu disse-lhe que tinha empatado. O homem desconcentrou-se e mandou-te com o forcéps no sobrolho. Continuo convencido que o mau feitio vem desse pequeno incidente, e se soubesse o resultado talvez tivesse mentido ao médico. És um selva lindo e bem educado, ontem estreaste o "Deixa-me em paz". Isso não se diz a ninguém senhor Manel, muito menos ao Pai. Agradeces tudo, mesmo quando, a dormir, recebes o biberon. Mas tens que portar só um bocadinho melhor. Não podes atirar os animais à cabeça do irmão, um dia ainda lhe fazes um lenho na testa, ou partes um vidro da porta. E a história de não fazeres cócó na sanita também não se pode eternizar. Onde é que já se viu, estar dois dias sem fazer cócó só porque não te pomos uma fralda ? E essa desculpa que dás "Não faxo cócó na xanita puque xou maluco", não passa disso mesmo, duma desculpa esfarrapada. És um príncipe de caracóis louros lindo. Parabéns meu amor.
"És pequeno, estás tão grande, és meigo, és bruto, és ainda tão bebé, és loiro, és um querido, és maluco, és insuportável, és meu, és independente, és obediente, és lindo, és esperto, és a alegria da casa, és amado, és feio, és doce, és malcriado, és uma ternura, tens boas maneiras, tens normalmente ranho no nariz, tens mau feitio, tens caracóis, tens pinta, tens a mania de nos deixar embevecidos, tens carinha larocas, tens o condão de nos levar ao desespero, tens cócó (?), tens tanta piada, tens um feitio que não existe, tens charme, tens mais olhos que barriga, fazes caretas, fazes birras, fazes as nossas delícias, fazes de conta que não ouves, fazes chorar o João, fazes rir, fazes trinta por uma linha, fazes-nos felizes, fazes chichi na fralda, fazes-nos num oito, fazes tudo o que te dá na bolha, fazes anos, fazes dois. Parabéns meu amor."
Já não fazes chichi na fralda, fazes três anos e de resto é tudo igual. O teu mau feitio faz parte do teu charme e provavelmente a culpa é minha.
Durante a cesariana o médico resolveu perguntar pelo resultado do Sporting, e eu disse-lhe que tinha empatado. O homem desconcentrou-se e mandou-te com o forcéps no sobrolho. Continuo convencido que o mau feitio vem desse pequeno incidente, e se soubesse o resultado talvez tivesse mentido ao médico. És um selva lindo e bem educado, ontem estreaste o "Deixa-me em paz". Isso não se diz a ninguém senhor Manel, muito menos ao Pai. Agradeces tudo, mesmo quando, a dormir, recebes o biberon. Mas tens que portar só um bocadinho melhor. Não podes atirar os animais à cabeça do irmão, um dia ainda lhe fazes um lenho na testa, ou partes um vidro da porta. E a história de não fazeres cócó na sanita também não se pode eternizar. Onde é que já se viu, estar dois dias sem fazer cócó só porque não te pomos uma fralda ? E essa desculpa que dás "Não faxo cócó na xanita puque xou maluco", não passa disso mesmo, duma desculpa esfarrapada. És um príncipe de caracóis louros lindo. Parabéns meu amor.
quarta-feira, outubro 20, 2004
Celebridade
A Carlota simpaticamente e embebida de amizade profunda a uma das assistentes, foi assistir às gravações do “123”. Concurso já apresentado por Carlos Cruz e agora apresentado por Teresa Guilherme, essa sim com fama de ter alguma preferência por homens muito mais novos que ela.
Ora as gravações do 123 são algo tão chato que é difícil explicar. O programa é enorme e não é em directo, o que dá direito a repetições e ensaios e sei lá mais o quê. Assistir a uma gravação do 123 é pior que assistir à transmissão na íntegra de um jogo de xadrez. É muito chato, são muitas horas e o estômago normalmente encontra-se vazio. Com a agravante de aquilo se perpetuar à medida que se aproxima do fim. Se os primeiros cartões demoram minutos a ser rejeitados, os últimos demoram séculos. Posto isto cabe-me aqui elogiar a paciência da Carlota, e atenção que a paciência não é propriamente a primeira qualidade que vem à cabeça quando me lembro da Carlota.
Posto isto, e merecidamente, durante a emissão do programa, a Carlota lá apareceu durante alguns momentos na televisão. Não se trata de uma estreia, mas sim de uma confirmação, já que a nossa estrela televisiva já tinha sido difundida com algum ênfase por alturas do início do “levanta-te e ri”. Acontece que esta reaparição da Carlota em tão ilustre meio me recordou a minha brilhante carreira televisiva. Além das normais aparições em programas como o 123 de Carlos Cruz e n’ “O passeio dos Alegres” do grande Júlio Isidro, eu tive o privilégio de aparecer em dois “70x7” uma delas de costas em contraluz e outra de joelhos a fazer o presépio com o João Maria, que na altura tinha dois anos e chamou cão ao burro (já nessa idade o rapaz era um génio).
Para além destes momentos televisivos também fui estrela em dois anúncios e numa noite eleitoral.
Disney - O meu primeiro papel Principal.
Um anúncio para a Câmara Municipal de Lisboa, uma lição de civismo para que se usassem as papeleiras da cidade e não se atirasse lixo para o chão. Três estrelas e eu sou uma delas. Infelizmente estava dentro do fato do Pato Donald e ninguém nunca me reconheceu na rua. Além disso, tive que vestir collants cor de laranja, andar com uma espécie de barbatanas e tinha um rabo do tamanho do pavilhão atlântico que rodava 180 graus cada vez que eu avançava com uma das barbatanas para a frente com a intenção de andar. Desse “dar ao rabo” toda a equipa de filmagem se lembra e ainda hoje me falam disso, cada vez que encontro alguém do meio.
Ciclista – O meu Segundo papel Principal.
Um anúncio para a Rexona, na altura Rexina por causa dos abusos nas rimas. Eu era o ciclista.. Bem, na realidade o ciclista era o Joaquim Agostinho e eu, por questões de cachet, só ia fazer planos em que não fosse essencial ser ele a aparecer. No fundo ia ser o duplo do Joaquim Agostinho. Na realidade eu nem cheguei a aparecer. Era necessário filmarem uma bancada a acompanhar o movimento de um ciclista, com toda a gente a virar a cara ao mesmo tempo quando o ciclista passasse. Eu era o ciclista, mas só filmaram a bancada onde estava a assistência Talvez algum assistente tivesse óculos e reflectido nas lentes se consiga ver que sou eu.. Foi uma pena.
Legislativas – O meu momento de glória
Aquando da derrota eleitoral de umas legislativas, fui alegremente com a Ana apoiar a família próxima do candidato derrotado. Eis que chega a altura das declarações do candidato a primeiro ministro derrotado e a família, para prestar apoio, lá foi até à sala onde o evento acontecia. Havia na sala um cantinho discreto para o efeito e lá decidimos que era o melhor local para assistir ao evento. Na minha boa educação deixo toda a família passar à frente e sou o último a percorrer aquele difícil trilho entre pessoas, cabos e repórteres para alcançar o desejado local de discrição. A meio do trajecto, entra o candidato, grande frenesim, as pessoas à minha volta sentam-se todas, o trilho desaparece, todos os familiares já estão no cantinho escolhido. Olho para a frente, e vejo que o candidato vai começar a falar. Olho para trás e vejo as câmaras a começarem a acender a luz de indicação de estarem no ar. Não consigo avançar, não consigo recuar. Os pés estão presos a milhares de cabos de televisão. Não me consigo mexer. Estou à frente de todas as televisões. Estou em directo. Chegaram finalmente os meus segundos de glória:
“Saia da frente se faz favor”
“Sente-se que o homem vai falar”
“Sai daí palhaço”
“Baixa-te ó careca”
“Querem lá ver que temos outro emplastro ????”.
Ainda hoje me comovo cada vez que me lembro daquela noite.
Esta é, resumidamente, a minha longa e invejável carreira televisiva, não contando com as câmaras de segurança espalhadas um pouco por todo o lado e as das montras da Singer.
Ora as gravações do 123 são algo tão chato que é difícil explicar. O programa é enorme e não é em directo, o que dá direito a repetições e ensaios e sei lá mais o quê. Assistir a uma gravação do 123 é pior que assistir à transmissão na íntegra de um jogo de xadrez. É muito chato, são muitas horas e o estômago normalmente encontra-se vazio. Com a agravante de aquilo se perpetuar à medida que se aproxima do fim. Se os primeiros cartões demoram minutos a ser rejeitados, os últimos demoram séculos. Posto isto cabe-me aqui elogiar a paciência da Carlota, e atenção que a paciência não é propriamente a primeira qualidade que vem à cabeça quando me lembro da Carlota.
Posto isto, e merecidamente, durante a emissão do programa, a Carlota lá apareceu durante alguns momentos na televisão. Não se trata de uma estreia, mas sim de uma confirmação, já que a nossa estrela televisiva já tinha sido difundida com algum ênfase por alturas do início do “levanta-te e ri”. Acontece que esta reaparição da Carlota em tão ilustre meio me recordou a minha brilhante carreira televisiva. Além das normais aparições em programas como o 123 de Carlos Cruz e n’ “O passeio dos Alegres” do grande Júlio Isidro, eu tive o privilégio de aparecer em dois “70x7” uma delas de costas em contraluz e outra de joelhos a fazer o presépio com o João Maria, que na altura tinha dois anos e chamou cão ao burro (já nessa idade o rapaz era um génio).
Para além destes momentos televisivos também fui estrela em dois anúncios e numa noite eleitoral.
Disney - O meu primeiro papel Principal.
Um anúncio para a Câmara Municipal de Lisboa, uma lição de civismo para que se usassem as papeleiras da cidade e não se atirasse lixo para o chão. Três estrelas e eu sou uma delas. Infelizmente estava dentro do fato do Pato Donald e ninguém nunca me reconheceu na rua. Além disso, tive que vestir collants cor de laranja, andar com uma espécie de barbatanas e tinha um rabo do tamanho do pavilhão atlântico que rodava 180 graus cada vez que eu avançava com uma das barbatanas para a frente com a intenção de andar. Desse “dar ao rabo” toda a equipa de filmagem se lembra e ainda hoje me falam disso, cada vez que encontro alguém do meio.
Ciclista – O meu Segundo papel Principal.
Um anúncio para a Rexona, na altura Rexina por causa dos abusos nas rimas. Eu era o ciclista.. Bem, na realidade o ciclista era o Joaquim Agostinho e eu, por questões de cachet, só ia fazer planos em que não fosse essencial ser ele a aparecer. No fundo ia ser o duplo do Joaquim Agostinho. Na realidade eu nem cheguei a aparecer. Era necessário filmarem uma bancada a acompanhar o movimento de um ciclista, com toda a gente a virar a cara ao mesmo tempo quando o ciclista passasse. Eu era o ciclista, mas só filmaram a bancada onde estava a assistência Talvez algum assistente tivesse óculos e reflectido nas lentes se consiga ver que sou eu.. Foi uma pena.
Legislativas – O meu momento de glória
Aquando da derrota eleitoral de umas legislativas, fui alegremente com a Ana apoiar a família próxima do candidato derrotado. Eis que chega a altura das declarações do candidato a primeiro ministro derrotado e a família, para prestar apoio, lá foi até à sala onde o evento acontecia. Havia na sala um cantinho discreto para o efeito e lá decidimos que era o melhor local para assistir ao evento. Na minha boa educação deixo toda a família passar à frente e sou o último a percorrer aquele difícil trilho entre pessoas, cabos e repórteres para alcançar o desejado local de discrição. A meio do trajecto, entra o candidato, grande frenesim, as pessoas à minha volta sentam-se todas, o trilho desaparece, todos os familiares já estão no cantinho escolhido. Olho para a frente, e vejo que o candidato vai começar a falar. Olho para trás e vejo as câmaras a começarem a acender a luz de indicação de estarem no ar. Não consigo avançar, não consigo recuar. Os pés estão presos a milhares de cabos de televisão. Não me consigo mexer. Estou à frente de todas as televisões. Estou em directo. Chegaram finalmente os meus segundos de glória:
“Saia da frente se faz favor”
“Sente-se que o homem vai falar”
“Sai daí palhaço”
“Baixa-te ó careca”
“Querem lá ver que temos outro emplastro ????”.
Ainda hoje me comovo cada vez que me lembro daquela noite.
Esta é, resumidamente, a minha longa e invejável carreira televisiva, não contando com as câmaras de segurança espalhadas um pouco por todo o lado e as das montras da Singer.
segunda-feira, outubro 18, 2004
Desvios
Cinza. È desta cor que traja o céu. Gosto da chuva de outono gosto de a ver ziguezaguear nos vidros. Sempre gostei. Aliás tenho um gosto parvo por exageros de chuva, de vento, de neve e de trovoadas. Não percebo, mas pelo-me por uma tempestade. Talvez porque em criança, estas coisas davam direito a umas baldas à escola. Lembro-me de um ventania, com caixotes de lixo a voar e árvores a cair, que deu direito a uma balda extra de dois dias à escola primária. As trovoadas na Beira Alta também quebravam os verões muito quentes e secos, ficávamos sem luz e havia uma agitação que me agradava. Um frenesim. um nervoso miudinho das velhas da aldeia e umas lembranças repentinas da Santa Bárbara, candeeiros a petróleo (Petromax. Seria Petromax o nome daquilo?) e muitas velas.
Vou tomar como certo que gosto destas coisas pela quebra da rotina. A alternativa é tratar-se de algum distúrbio do foro psiquiátrico . Não. É perfeitamente compreensível gostar de alguns exageros da natureza, mar a galgar a terra inclusive.
Vou tomar como certo que gosto destas coisas pela quebra da rotina. A alternativa é tratar-se de algum distúrbio do foro psiquiátrico . Não. É perfeitamente compreensível gostar de alguns exageros da natureza, mar a galgar a terra inclusive.
sexta-feira, outubro 15, 2004
Mensagem escrita
Recebi-a à pouco.
"Diz-me que não vais ao jogo no Domingo que eu compro-te muitos folhados". Os folhados da Aloma de Campo de Ourique são os melhores do mundo e a minha mãe sabe-o. Mandou-me a mensagem porque sabe que eu, caso tivesse intenção de ir ver o Benfica Porto, ia vacilar perante tal oferta. Já a salivar à conta dos folhados, lá a descansei sobre as minhas opções. Se houver jogo, vou vê-lo em casa.
A propósito desta confusão sobre o jogo, os adeptos, os bilhetes, as claques e a comparência do Porto, nem sei o que diga. Os que falta em civismo às claques, sobra em cretinice aos dirigentes. Cada dirigente merece as claques que o seu clube. A recíproca é verdadeira. A bem a bem, era obrigarem o Benfica-Porto e o Porto-Benfica a realizarem-se à porta fechada durante os próximos anos.
"Diz-me que não vais ao jogo no Domingo que eu compro-te muitos folhados". Os folhados da Aloma de Campo de Ourique são os melhores do mundo e a minha mãe sabe-o. Mandou-me a mensagem porque sabe que eu, caso tivesse intenção de ir ver o Benfica Porto, ia vacilar perante tal oferta. Já a salivar à conta dos folhados, lá a descansei sobre as minhas opções. Se houver jogo, vou vê-lo em casa.
A propósito desta confusão sobre o jogo, os adeptos, os bilhetes, as claques e a comparência do Porto, nem sei o que diga. Os que falta em civismo às claques, sobra em cretinice aos dirigentes. Cada dirigente merece as claques que o seu clube. A recíproca é verdadeira. A bem a bem, era obrigarem o Benfica-Porto e o Porto-Benfica a realizarem-se à porta fechada durante os próximos anos.
quinta-feira, outubro 14, 2004
Contas
Portugal Grécia 1 - 1
Portugal Rússia 2 - 0
Portugal Espanha 1 - 0
Portugal Inglaterra 2 - 2
Portugal Holanda 2 - 0
Portugal Grécia 0 - 1
Ora tudo somadinho dá 8 - 4. O resultado de ontem foi 7 - 1.
Quer dizer, ainda me dói pensar no dinheirinho que gastei no "follow my team", e os 27 000 que foram ontem a Alvalade pagaram úns vinte ou trinta euros para ver Portugal marcar menos um golo do que eu vi e sofrerem menos três. Ainda por cima saíram de lá de barriguinha cheia e todos felizes. Nada que se compare à azia com que saí da finale que ainda se faz sentir cada vez que penso no assunto.
Quero o meu dinheiro de volta. Sr Lopes se não se importa não se esqueça de me baixar o IRS se faz favor (se não se importa com se faz favor não me soa nada bem). Ó Lopes baixa a merda dos impostos, sua bicha ministrial.
Portugal Rússia 2 - 0
Portugal Espanha 1 - 0
Portugal Inglaterra 2 - 2
Portugal Holanda 2 - 0
Portugal Grécia 0 - 1
Ora tudo somadinho dá 8 - 4. O resultado de ontem foi 7 - 1.
Quer dizer, ainda me dói pensar no dinheirinho que gastei no "follow my team", e os 27 000 que foram ontem a Alvalade pagaram úns vinte ou trinta euros para ver Portugal marcar menos um golo do que eu vi e sofrerem menos três. Ainda por cima saíram de lá de barriguinha cheia e todos felizes. Nada que se compare à azia com que saí da finale que ainda se faz sentir cada vez que penso no assunto.
Quero o meu dinheiro de volta. Sr Lopes se não se importa não se esqueça de me baixar o IRS se faz favor (se não se importa com se faz favor não me soa nada bem). Ó Lopes baixa a merda dos impostos, sua bicha ministrial.
terça-feira, outubro 12, 2004
Maioria Silenciadora
Pois claro que a melhor côr para um lápis é o azul. Fazendo-se valer desta máxima, o governo puxou uns cordelinhos e eis que o presidente da administração do grupo blogger me convidou para jantar e sugeriu que a Caixa de Costura se dedicasse apenas a temas como a Bimby, os Marias e as lamechices do costume. Sugeriu que me deixasse de críticas veladas ou explícitas à governação laranja, azul e amarela (nunca fomos governados por uma combinação de cores tão pirosa, quer dizer tão diversa, ou seja por tantas cores e das bonitas, quero dizer por uma combinação de cores tão perfeita).
Ontem o nosso primeiro veio anunciar boas novas ao país que tem sido massacrado nos últimos tempos, digo que tem passado por algumas aflições, melhor, que tem sido governado de forma consciente e realista, quer dizer, que tem vindo a ser governado de forma consistente, enfim que nunca foi tão bem governado em toda a sua história.
Ora o estupor do primeiro ministro, leia-se o desconcertante primeiro ministro, ou melhor, o brilhante primeiro ministro, veio dizer que o IRS vai baixar e as pensões vão subir. Anuncia isto ao povo antes de o fazer no parlamento e nada fala sobre o outro lado da moeda. E faz muito bem que o povo é que o elegeu e que se saiba, as moedas só têm um lado. E isso das taxas moderadoras nos hospitais, das contas poupança reforma não gozarem de benefícios fiscais, é tudo uma grande invenção desses mentirosos, ressabiados, bichas desses políticos do contra, da esquerda caviar, dos discípulos do professor Marcelo, quer dizer do assistente Marcelo, do licenciado Marcelo, enfim esse tal de Marcelo Castelo Branco que anda metido com a Cinha só para se vingar do nosso glorioso primeiro que andava com ela, mas ela trocou-o por um porco chamado pingo e agora reuniram-se todos numa cooperativa agrária e querem destruir o nosso sector primário e os latifúndios e ainda acabam por fazer a perigosa reforma agrária da "terra a quem a trabalha e os fascistas que comam palha".
Que país este.
Ontem o nosso primeiro veio anunciar boas novas ao país que tem sido massacrado nos últimos tempos, digo que tem passado por algumas aflições, melhor, que tem sido governado de forma consciente e realista, quer dizer, que tem vindo a ser governado de forma consistente, enfim que nunca foi tão bem governado em toda a sua história.
Ora o estupor do primeiro ministro, leia-se o desconcertante primeiro ministro, ou melhor, o brilhante primeiro ministro, veio dizer que o IRS vai baixar e as pensões vão subir. Anuncia isto ao povo antes de o fazer no parlamento e nada fala sobre o outro lado da moeda. E faz muito bem que o povo é que o elegeu e que se saiba, as moedas só têm um lado. E isso das taxas moderadoras nos hospitais, das contas poupança reforma não gozarem de benefícios fiscais, é tudo uma grande invenção desses mentirosos, ressabiados, bichas desses políticos do contra, da esquerda caviar, dos discípulos do professor Marcelo, quer dizer do assistente Marcelo, do licenciado Marcelo, enfim esse tal de Marcelo Castelo Branco que anda metido com a Cinha só para se vingar do nosso glorioso primeiro que andava com ela, mas ela trocou-o por um porco chamado pingo e agora reuniram-se todos numa cooperativa agrária e querem destruir o nosso sector primário e os latifúndios e ainda acabam por fazer a perigosa reforma agrária da "terra a quem a trabalha e os fascistas que comam palha".
Que país este.
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