terça-feira, setembro 14, 2004

Toranja

Passo Nº 2 da metodologia Toranja para fazer uma canção à la Jorge Palma.
Pega-se no resultado do passo anterior e acrescentam-se advérbios, mudam-se algumas frases para a passiva passiva e popula-se o texto com muitos adjectivos mesmo que não seja necessários. A rima ainda não é importante.

Tínhamos:

Ligo outra vez a televisão
no canal do teu sorriso
no programa de sexta à noite
faço-te lider da audiência
dos meus sonhos
traz-me o comando à distância do teu peito
quero fazer zapping até me tornar
o teu homem mais que perfeito


Transformamos em:

Deixei-me levar pela inexistência
de algo verdadeiramente interessante
para o meu entretenimento
O conforto do sofá
pareceu-me ser o local
apropriado ao abrigo
da minha inércia
E a televisão ali em frente
não me dava motivos válidos para a desligar
O acaso e a fortuna
fizeram-me encontrar o canal do teu sorriso
Talvez fosse esse mesmo o meu destino,
colocar-te mesmo no topo
na tabela dos meus sonhos
de unma sexta feira já noite
Se não te causar algum tipo de transtorno
Alcança-me aí o comando à distância do teu peito
É que surgiu-me esta ideia
De fazer zapping até te tornares
Naquela miúda a quem
inevitavelmente pareço
o homem mais que perfeito

segunda-feira, setembro 13, 2004

1º Aniversário

A Caixa de Costura faz hoje um ano. Por pouco não me lembrava. Aqui está o primeiro post.
Depois desse 414 vieram, e 13472 visitas. O melhor disto é o hábito de ler, escrever, pensar e criar vizinhanças com quem gostamos.

IRS

Em menos de uma semana dois reembolsos do IRS. O do ano passado, e o de 1999. Foi o primeiro ano em que o João Maria teve número de contribuinte. Para comemorar esse facto, entregámos a declaração em meu nome e no dele. Depois disso, foi preciso provar que o João era meu filho e que eu não vivia em união de facto com a criança e que não tinha segundas intenções quando entreguei a declaração. Após cinco anos, caso finalmente resolvido e reembolso efectuado.
Se estes reembolsos são descobertos lá em casa, ainda lhe dá nova travadinha e vou passar o resto da semana enfiado no Ikea. Deus me proteja e guarde. Antes o poço da morte que tal sorte.

domingo, setembro 12, 2004

Febre de Domingo de Manhã

Muito se fala das vontades súbitas das grávidas. Normalmente do foro gastronómico e completamente fora de horas. Ele é morangos fora de época, ele é gelado de algo impossível de confecionar, ele é scones com doce de frutos silvestres.
Ora cá em casa não há destas coisas. Os apetites têm normalmente a ver com um desejo incontrolável de ir ao Ikea comprar algo que possa dar um renovado arzinho de graça ao lar. Hoje foi um destes dias e vá que o Ikea mais próximo já não é em Madrid.
Já aqui mostrei alguns produtos da nova linha desta loja, o que constitui só por si um chamariz de multidões. Previa-se portanto uma enchente para estes dias. A agravante é que ontem foi feriado municipal na Ikealândia, tendo muita gente batido com o nariz na porta quando lá foi, não desistindo no entanto, de resolver o assunto durante o fim de semana. Como resultado hoje estavam lá cerca de 250 mil pessoas. O paraíso portanto.
Como queríamos (não sei porque uso a primeira pessoa do plural) trazer umas coisas enormes, o melhor era levar dois carros que sempre facilita o estacionamento. Estacionar foi um horror, entregar as crianças no depósito disponibilizado para o efeito ainda foi pior. Circular dentro da loja foi quase impossível, sobretudo porque muitas vezes, escolhía-mos atalhos que nos obrigavam a circular no sentido contrário ao da multidão. Por falar em multidão, tanto casal gay, sobretudo na zona dos acessórios da cozinha. Desisti logo de comprar uma faca profissional para cortar carne. Dava-me jeito agora que compro peças de carne, donde tento tirar bifes com uma faca de cortar presunto.
Tudo piorou quando chegámos às caixas. A primeira coisa que me veio à cabeça foi a de largar o carrinho e ir logo embora, de preferência esquecendo os miúdos no depósito que mais tarde ou mais cedo alguém os havia de levar a casa ou à esquadra mais próxima. Tanta gente, tanta gente, tanta gente. Lá me convenceram a não abandonar o carro e a tentar a sorte.
Filas de grávidas, essa grande invenção. Já pelas alturas da expo 98 achei a prioridade a grávidas uma dádiva dos céus. Acontece que a caixa para o efeito estava a uns duzentos metros e lá fui eu ver o que é que se passava. Saltei por cima de carros, desviei móveis de dúzias de quilos até chegar à fala com a senhora da caixa. Verifiquei que as grávidas tinham mesmo prioridade, e que existiam umas dez para ser atendidas misturadas numa fila de umas 40 pessoas. Uma por uma, incentivei-as a fazerem-se valer da sua abençoada condição para desespero das restantes pessoas. Fui buscar a minha grávida e mais dois carro de compras até às redondezas da última grávida. Se eu tinha achado difícil passar sem nada, com uma grávida e uns carros atolhados de tralha, a coisa tornou-se caótica. Cada metro ganho eram aos milhares de calorias perdidos. Fui até ao depósito infantil levantar os Marias e quando regresso à fila das grávidas, ainda se agitavam os ânimos de quem, de forma tardia, se ia apercebendo que estava numa fila em que pode ser ultrapassado por grávidas ou deficientes. Na realidade o escândalo que alguns provocavam era tão grande, que havia uma forte possibilidade de se tratarem de deficientes, o que lhes conferia o direito à prioridade.
Mais uma hora para levantar uma sapateira (e há tanta marisqueira por aí), chegar à conclusão que falta um metro à carrinha para carregar a sapateira, viajar pela cidade com o porta-bagagens semi fechado, subir três andares por quatro vezes, agarrado a toneladas e passar a tarde a fazer legos de peças com mais que dois metros. Há Domingos inesquecíveis, e este foi, com certeza, um deles.

sexta-feira, setembro 10, 2004

Boas Novas

Caetano e Maria Rita de volta.

Notícia encontrada aqui

Caetano Veloso (e a sua orquestra) e Maria Rita vão regressar ao nosso país nos meses de Outubro e Novembro, para efectuar espectáculos no Pavilhão Atlântico (Lisboa) e Coliseu do Porto, apurou o Diário Digital junto de fonte da organização dos eventos.

O compositor brasileira efectua um concerto único no Pavilhão Atlântico no dia 24 de Outubro, num espectáculo em que se apresenta como Caetano Veloso e a sua Orquestra, visando a promoção do disco «A Foreign Sound».
Por seu lado, Maria Rita vai fazer um pequeno périplo pelo País, num total de seis datas.

O primeiro concerto está agendado para o dia 19 de Novembro no Pavilhão Atlântico. Segue-se o Coliseu do Porto, a 21 de Novembro. Mais quatro datas e locais serão anunciados oportunamente, segundo adiantou a organização.

Os bilhetes estarão à venda a partir desta segunda-feira, 13 de Setembro, não tendo sido avançados valores para os mesmos



A propósito, sobre a Maria Rita, mais uma notícia recebida em forma de mail:


"Grammy Latino consagra Maria Rita com três prêmios

Cantora venceu categorias revelação, disco MPB e canção brasileira

A cantora Maria Rita saiu consagrada ontem à noite do Shrine Auditorium, em Los Angeles.

Concorrente em quatro categorias do Grammy Latino por seu álbum de estréia, a cantora abocanhou os prêmios de revelação do ano e de melhor disco de MPB. A cantora de 26 anos também recebeu um Grammy em nome de Milton Nascimento, autor de A Festa, na categoria melhor canção brasileira. A música foi gravada por Maria Rita no seu primeiro álbum, de 2002, que vendeu 750 mil cópias.

O grupo Skank e a filha de Elis Regina concorriam também na categoria gravação do ano. O prêmio foi para Alejandro Sanz, assim como o de melhor álbum do ano. Maria Rita compareceu à cerimônia com o filho Antônio, de dois meses, no colo. É a sua primeira aparição pública desde maio"


Que linda. Levou o filho à cerimónia de entrega de prémios. Quando a Caixa de Costura receber os prémios a que tem direito também levo os meus três Marias.

Cara de Anjo Mau

Sempre achei Jorge Palma do melhor que por cá se faz, ligeiramente perto da genialidade. A figura decadente, as canções desconcertantes, o piano magnífico, a viola quase tanto, a voz quase nada. Os concertos sempre foram únicos. Saía de lá com uma história para contar mais tarde, como os miúdos que hoje têm direito a uns brindes à saída de uma festa.
Uma vez encntrei-o na feira popular. Estava sentado numa esplanada com um copo de vinho, uns papéis de escritos, um copo de vinho e uma miúda gira. Achei graça. A feira popular era então tão decadente quanto ele. Ficava-lhe bem aquela esplanada. A feira popular acabou, ele nem por isso. Antes pelo contrário. Ainda bem.
Cada vez que ouço "A Carta" dos Toranja, dá-me vontade de lhes bater. O que é aquilo? Parece franchising de uma fórmula de sucesso. Que pobre. Que podre. Qualquer um consegue escrever a imitar Jorge Palma, mas adianta alguma coisa. Acrescenta algo ao que existe? Serve para quê? Vejamos:
Ligo outra vez a televisão
no canal do teu sorriso
no programa de sexta à noite
faço-te lider da audiência
dos meus sonhos
traz-me o comando à distância do teu peito
quero fazer zapping até me tornar
o teu homem mais que perfeito

Isto assim escrito às três pancadas, com um bocadinho de trabalho há-de ficar parecido com uma letra do Jorge Palma, mas não tem nada a ver, não serve para nada. É linearmente dependente de uma coisa que já existe. È fraco. Estéril. Não gosto.

quinta-feira, setembro 09, 2004

Ai os Homens !!!

Três Deusas na blogosfera, com uma sorte tremenda ao jogo, abriram este magnífico blog nitidamente de engate.

De que é que voçês, homens solteiros, estão à espera ?
Corram.

Trocas

O Blogger trocou-me as voltas. Publicou com quase um dia de atraso.
Hoje já sei a quantas ando, e apresso-me para apanhar a semana a tempo. Até logo.
Será que a loiça da máquina não é mesmo enviada para uma grande central de lavagem assim que fechamos a porta. Isso explica o desaparecimento do abre cápsulas moderno lá de casa, e a existência de louça que eu simplesmente sou incapaz de gostar. Tenho que pensar muito sobre este assunto.

quarta-feira, setembro 08, 2004

Que horas são?

Tenho a cabeça cheia de perguntas. Têm-se atravessado à minha frente nestes últimos dias e hoje que estou com sono até aos cabelos (quais ???), resolvi escrevê-las para não me esquecer de nenhuma:
- o que será um motivo interessante para adoptar uma criança Vietnamita ?
- o que é que na realidade se passa na máquina de lavar roupa quando fechamos a porta ?
- o que é que na realidade se passa no frigorífico quando fechamos a porta ? A luz apaga-se ? Se sim quem o faz e para quê ? E porque não de luz acesa ?
- o que distingue uma porta de um portal ?
- o que é que a FNAC do Cascais Shoping e o Hospital da Estefânia têm em comum?
- que dia é hoje ?
- quem viu a minha noite passada ? perdi-lhe o rasto
- que horas são ?
- hoje já é amanhã ?

segunda-feira, setembro 06, 2004

Titas-Shirt

Aqui está a minha blogoprenda tão apreciada. A foto e a titas-shirt.





Justiça seja feita ao braço de apoio do canto do sofá que foi mensageiro de tão boa nova, e ainda efectuou todo o trabalho de edição e pós produção fotográfica. Fê-lo por gosto obviamente, não fosse um braço de apoio ficar em braço partido.

Festejos II

O Canto do Sofá baldou-se, mas fez-se representar. E de que maneira.
Mandou um mensageiro com ofertas. Entre elas e devidamente embrulhada uma t-shirt da Caixa de Costura. Com uma imagem e o endereço escrito. Lindo. Promete-se, para breve, a publicação das respectivas imagens.
Canto do sofá ganha os seguintes prémios:
- prenda mais original
- convite mais rentável (não apareceu, não consumiu mas enviou prenda)

domingo, setembro 05, 2004

Festejos...

... ainda por conta do aniversário. Trazer os amigos à recente casa para que ela ganhe hábitos de receber bem.
Soube-me a tanto.

sexta-feira, setembro 03, 2004

Nó na garganta


Nem imagino o que é carregar a dor de perder um filho. Toda esta história me angustia, desperta uma espécie de raiva, revolta-me e envergonha-me a humanidade.
Não quero misturar estes posts com as palhaçadas de posts anteriores. Troco, pela primeira vez, a ordem dos posts aqui na caixa.

quarta-feira, setembro 01, 2004

Aborto

Continuamos a discutir o aborto sem dicutir o aborto. Desta vez a discussão é à volta do barco do aborto e de permitir ou não a sua entrada em águas territoriais portuguesas.
Sempre que o assunto vem à baila, a discussão gira à volta do acessório e quase nunca do essecial. Discute-se se existe ou não vida a partir da semana n de gravidez, se se é ou não um verdadeiro defensor da vida, se se despenaliza ou se se legaliza, se educamos ou não o suficiente para agir por prevenção em vez de solucionar.
Acredito:
- que uma mulher que decida interromper a gravidez, não o faz de ânimo leve.
- que se decide fazer, não é o facto de ser ilegal que a demove.
- que se tiver dinheiro para o realizar em condições, procura fazê-lo em países onde sejam oferecidas essas condições.
- que a despenalização/legalização não se traduz no aumento do recurso à prática do aborto.
- que a verdadeira discussão se trata de proporcionar ou não condições humanas e médicas para acompanhar quem decide abortar.
- que devia ter votado no último referendo sobre o assunto.
- que existem muitas mulheres que defendem a despenalização/legalização que são incapazes de abortar e que algumas já escolheram não o fazer
- que existem muitas mulheres que não defendem a despenalização/legalização que são capazes de abortar e que algumas já o fizeram
- que quem defende a despenalização e que quem não a defende está carregadinho de boas intenções
- que de boas intenções está o inferno cheio.

Swing

Grande entusiasmo lá por casa com esta nova onda do swing, troca de casais sem preocupações. É um balão de oxigenio em qualquer relação.
A minha parceira de hoje foi esta grande maluca.
.
A A. um destes dias, vai passar uma noite de luxo com este rapaz .
E eu "Tudo bem".

Para os mais distraídos ...

... o novo catálogo do IKEA acabou de sair.

terça-feira, agosto 31, 2004

1 et 1 font trois

Loja para barrigas crescentes.
Acho que este chapéu te ficava a matar.

Eu disse isto ???


Claro que no quarto deles, tenho uma cozinha de brincar com forno, fogão e microondas. Quem tem rapazes, não tem garantias da companhia dos filhos na terceira idade, a não ser que sejam gays ou padres. Acontece que na imaginarium, os confessionários estavam esgotados e os altares estavam pela hora da morte. Optei pelas cozinhas de brincar.

segunda-feira, agosto 30, 2004

37

"Foi num dia quente de Agosto que nasceu o nosso patinho feio. Vinha com as mãos muito abertas ..."
Este texto, ou um semelhante, está num album de fotografias e prosa que a minha mãe escreveu para o meu pai por ocasião do dia do pai. É um album de capa verde, cheio de amor e de fotografias a preto e branco (as primeiras a cores são dos meus cinco anos). Parabéns para eles e para mim.
O patinho feio era eu, e como qualquer patinho feio que se preze, transformou-se obviamente em cisne (dos modestos claro está).
Resta saber quantos anos de psicanálise, esta brincadeira de me chamarem patinho feio me vai custar. Inconsequentes.