Nada que não estivessemos à espera. Hoje a criançada estava coberta por camadas e camadas de sono, birras, choros e más disposições. Corolário do esticar do Dia da Criança até quase à meia noite. Ingratos.
Os festejos do aniversário de casamento foram antecipados para a véspera para que pudéssemos passar com eles o tal do Dia da Criança.
A feira popular foi a primeira ideia, mas ao que parece já não existe. E eu que gostava tanto daquela decadência. Sobretudo do carrocel dos póneis que se arrastavam com criancinhas ás costas e sujavam os pés dos pais com as mais básicas necessidades. O tratador dos pobres animais lá andava com uma vassoura, uma pá e um balde de serradura a tentar minimizar os estragos. Mais decadente que a feira popular só mesmo uma ida ao circo.
Não havendo feira optou-se por ir ao playcenter do Colombo. Uma versão moderna e atabalhuada da feira. Mas sem metade da graça. Eles nem notam a diferença.
Enfim, o resultado acabou por ser muita brincadeira, fast food e um despertar difícil hoje pela manhã. Da próxima, e para facilitar o arranque do dia seguinte, escolho muita food e fast brincadeira.
quarta-feira, junho 02, 2004
segunda-feira, maio 31, 2004
Amanhã
... faço 8 anos de casado. Curiosamente, aquela rapariga que deixa aqui uns comentários de vez em quando, também faz os 8 anos de casada. Ele há com cada coincidência.
Estou a falar da moça que vende bimbys aqui na caixa de costura e que promove reuniões de tupperware "nas alfinetadas" com as amigas. Acho que a conheço dalgum lado, aquela cara não me é nada estranha.
Há oito anos quase chorei quando ela entrou na igreja. Não sei se de felicidade, se de alergia aos cavalos, já que chegou de charrete.
Foi um dia à velocidade da luz, com tanta coisa ao mesmo tempo, e tudo a convergir assim para os sorrisos de felicidade.
Estou bem capaz de renovar por mais umas épocas.
Estou a falar da moça que vende bimbys aqui na caixa de costura e que promove reuniões de tupperware "nas alfinetadas" com as amigas. Acho que a conheço dalgum lado, aquela cara não me é nada estranha.
Há oito anos quase chorei quando ela entrou na igreja. Não sei se de felicidade, se de alergia aos cavalos, já que chegou de charrete.
Foi um dia à velocidade da luz, com tanta coisa ao mesmo tempo, e tudo a convergir assim para os sorrisos de felicidade.
Estou bem capaz de renovar por mais umas épocas.
domingo, maio 30, 2004
Carlota
"Hoje acordei com uma vontade enorme de escrever..."
É assim que começa um novo blog. O blog de uma amiga o que é sempre uma coisa que dá muito prazer a ver nascer.
A Carlota é daquelas pessoas que têm o coração muito perto das cordas vocais, o que pode ser um atrativo para este blog.
As opiniões da Carlota sobre aquilo que eu próprio escrevo também me marcam bastante. Assim de repente lembro-me de duas situações. Uma em que leu um documento de trabalho que eu escrevi, que modéstia à parte, deve ser dos piores documentos de trabalho que alguma vez foram escritos na nossa empreasa (nunca me reconheceram este feito, e ainda bem que assim é). Pois a Carlota levou a segunda quinzena de um qualquer Agosto a fazer-me perguntas sobre o dito documento. Ainda me vêm as lágrimas aos olhos quando recordo esses dias. Na segunda situação, leu um post aqui na Caixa de Costura. Logo um dos primeiros e deu-me um abraço de parabéns. Fiquei tão feliz dela ter gostado, tanto mais que embirra com o Trovante e o post era sobre um livro do Manuel Faria, que eu tinha lido nessa semana.
Post(o) tudo isto, aqui estão os pensamentos da Carlota.
É assim que começa um novo blog. O blog de uma amiga o que é sempre uma coisa que dá muito prazer a ver nascer.
A Carlota é daquelas pessoas que têm o coração muito perto das cordas vocais, o que pode ser um atrativo para este blog.
As opiniões da Carlota sobre aquilo que eu próprio escrevo também me marcam bastante. Assim de repente lembro-me de duas situações. Uma em que leu um documento de trabalho que eu escrevi, que modéstia à parte, deve ser dos piores documentos de trabalho que alguma vez foram escritos na nossa empreasa (nunca me reconheceram este feito, e ainda bem que assim é). Pois a Carlota levou a segunda quinzena de um qualquer Agosto a fazer-me perguntas sobre o dito documento. Ainda me vêm as lágrimas aos olhos quando recordo esses dias. Na segunda situação, leu um post aqui na Caixa de Costura. Logo um dos primeiros e deu-me um abraço de parabéns. Fiquei tão feliz dela ter gostado, tanto mais que embirra com o Trovante e o post era sobre um livro do Manuel Faria, que eu tinha lido nessa semana.
Post(o) tudo isto, aqui estão os pensamentos da Carlota.
Rio In Lisboa
Lá fomos quase todos da família até à cidade do Rock. Ficámos num condomínio fechado com vista sobre a cidade e a festa. De vez em quando saíamos do conforto da gigante tenda e íamos lá a baixo viver a intensa festa.
É para lá de paradoxal a existência de um espaço VIP num festival "por um mundo melhor", mas lá que deu muito jeito, deu. Sobretudo porque pouco depois da 1/2 noite o JM adormeceu e se não fossem os gigatencos puff's o nosso dia de Rock in Rio tinha ficado mesmo por ali. Também criou a oportunidade do JM ser apresentado ao Rui Veloso (sorte para o Rui Veloso). Como recomendam os manuais da absoluta identidade Portuguesa, trouxemos todos os brindes que conseguimos reunir. O JM já não tinha espaço para mais penduricalhos, tatuagens e brindes. Estava mais cheio de patrocínios que o fato de um piloto de fórmula um.
Não sei porquê, lembrei-me de uma crónica do Miguel Esteves Cardoso sobre a forma como os portugueses se portam quando viajam de avião (destratar hospedeiras, limpar o conteúdo das casas de banho, trazer todos os postais de aviões que existem à disposição, roubar mantas, almofadas e auriculares).
No fim de festa, voltámos tomos com um sorriso genuíno para casa.
É para lá de paradoxal a existência de um espaço VIP num festival "por um mundo melhor", mas lá que deu muito jeito, deu. Sobretudo porque pouco depois da 1/2 noite o JM adormeceu e se não fossem os gigatencos puff's o nosso dia de Rock in Rio tinha ficado mesmo por ali. Também criou a oportunidade do JM ser apresentado ao Rui Veloso (sorte para o Rui Veloso). Como recomendam os manuais da absoluta identidade Portuguesa, trouxemos todos os brindes que conseguimos reunir. O JM já não tinha espaço para mais penduricalhos, tatuagens e brindes. Estava mais cheio de patrocínios que o fato de um piloto de fórmula um.
Não sei porquê, lembrei-me de uma crónica do Miguel Esteves Cardoso sobre a forma como os portugueses se portam quando viajam de avião (destratar hospedeiras, limpar o conteúdo das casas de banho, trazer todos os postais de aviões que existem à disposição, roubar mantas, almofadas e auriculares).
No fim de festa, voltámos tomos com um sorriso genuíno para casa.
sexta-feira, maio 28, 2004
Uns
Mais Caetano Veloso, nunca é demais Caetanear.
Lembrei-me dele quando, um dia, encontrei um blog chamado Uns-e-Outros.
Dedico-me um destes dias a estes blogues com mais cuidado. Por ora deixo a letra da canção
Uns (Caetano Veloso).
Uns vão
Uns tão
Uns são
Uns dão
Uns não
Uns hão de
Uns pés
Uns mãos
Uns cabeça
Uns só coração
Uns amam
Uns andam
Uns avançam
Uns também
Uns cem
Uns sem
Uns vêm
Uns têm
Uns nada têm
Uns mal uns bem
Uns nada além
Nunca estão todos
Uns bichos
Uns deuses
Uns azuis
Uns quase iguais
Uns menos
Uns mais
Uns médios
Uns por demais
Uns masculinos
Uns femininos
Uns assim
Uns meus
Uns teus
Uns ateus
Uns filhos de Deus
Uns dizem fim
Uns dizem sim
E não há outros
Ainda antes de fechar o post fui procurar um pouco mais e encontrei mais uma letra de Caetano, nem de propósito, caramba. A ver se não há coincidências:
Um dia (Caetano Veloso)
Como um dia numa festa
Realçavas a manhã
Luz de sol, janela aberta
Festa e verde o teu olhar
Pé de avenca na janela
Brisa verde, verdejar
Vê se alegra tudo agora
Vê se pára de chorar
Abre os olhos, mostra o riso
Quero, careço, preciso
De ver você se alegrar
Eu não estou indo-me embora
Tou só preparando a hora
De voltar
No rastro do meu caminho
No brilho longo dos trilhos
Na correnteza do rio
Vou voltando pra você
Na resistência do tempo
No tempo que vou e espero
No braço, no pensamento
Vou voltando pra você
No Raso da Catarina
Nas águas de Amaralina
Na calma da calmaria
Longe do mar da Bahia,
Limite da minha vida,
Vou voltando pra você
Vou voltando como um dia
Realçavas a manhã
Entre avencas verde-brisa
Tu de novo sorrirás
E eu te direi que um dia
As estrelas voltarão
Voltarão trazendo todos
Para a festa do lugar
Abre os olhos, mostra o riso
Quero, careço, preciso
De ver você se alegrar
Eu não estou indo embora
Tou só preparando a hora
De voltar
De voltar
Lembrei-me dele quando, um dia, encontrei um blog chamado Uns-e-Outros.
Dedico-me um destes dias a estes blogues com mais cuidado. Por ora deixo a letra da canção
Uns (Caetano Veloso).
Uns vão
Uns tão
Uns são
Uns dão
Uns não
Uns hão de
Uns pés
Uns mãos
Uns cabeça
Uns só coração
Uns amam
Uns andam
Uns avançam
Uns também
Uns cem
Uns sem
Uns vêm
Uns têm
Uns nada têm
Uns mal uns bem
Uns nada além
Nunca estão todos
Uns bichos
Uns deuses
Uns azuis
Uns quase iguais
Uns menos
Uns mais
Uns médios
Uns por demais
Uns masculinos
Uns femininos
Uns assim
Uns meus
Uns teus
Uns ateus
Uns filhos de Deus
Uns dizem fim
Uns dizem sim
E não há outros
Ainda antes de fechar o post fui procurar um pouco mais e encontrei mais uma letra de Caetano, nem de propósito, caramba. A ver se não há coincidências:
Um dia (Caetano Veloso)
Como um dia numa festa
Realçavas a manhã
Luz de sol, janela aberta
Festa e verde o teu olhar
Pé de avenca na janela
Brisa verde, verdejar
Vê se alegra tudo agora
Vê se pára de chorar
Abre os olhos, mostra o riso
Quero, careço, preciso
De ver você se alegrar
Eu não estou indo-me embora
Tou só preparando a hora
De voltar
No rastro do meu caminho
No brilho longo dos trilhos
Na correnteza do rio
Vou voltando pra você
Na resistência do tempo
No tempo que vou e espero
No braço, no pensamento
Vou voltando pra você
No Raso da Catarina
Nas águas de Amaralina
Na calma da calmaria
Longe do mar da Bahia,
Limite da minha vida,
Vou voltando pra você
Vou voltando como um dia
Realçavas a manhã
Entre avencas verde-brisa
Tu de novo sorrirás
E eu te direi que um dia
As estrelas voltarão
Voltarão trazendo todos
Para a festa do lugar
Abre os olhos, mostra o riso
Quero, careço, preciso
De ver você se alegrar
Eu não estou indo embora
Tou só preparando a hora
De voltar
De voltar
Raínha
Andava eu à procura de uma mais valia para a certficação em Pinguço Da Caixa de Costura (porque acredito que entre Blog-Notas e Cagalhoum existe um vazio imenso, só comparável ao que existe entre alguns pares de orelhas). Envcontrei esta imagem
A mim lembra-me uma coroa, e coroa lembra-me raínha. Vai mais uma coroa para a raínha e deixa-se a certificação para mais tarde.
.
A mim lembra-me uma coroa, e coroa lembra-me raínha. Vai mais uma coroa para a raínha e deixa-se a certificação para mais tarde.
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quinta-feira, maio 27, 2004
Gil
"Lembro com muito gosto o modo como ela se referia a ele. pelo menos ela o fez uma vez e isso ficou marcado muito fundo, dizendo: caetano, venha ver o preto que você gosta. isso de dizer o preto, sorrindo ternamente como ela o fazia, o fez, tinha, teve, tem, um sabor esquisito, que intensificava o encanto da arte e da personalidade do moço no vídeo. era como se se somasse àquilo que eu via e ouvia, uma outra graça, ou como se a confirmação da realidade daquela pessoa, dando-se assim na forma de uma benção, adensasse sua beleza. eu sentia a alegria por Gil existir, por ele ser preto, por ele ser ele, e por minha mãe saudar tudo isso de forma tão direta e tão transcendente. era evidentemente um grande acontecimento a aparição dessa pessoa, e minha mãe festejava comigo a descoberta."
Excerto do livro "Verdade Tropical" de Caetano Veloso
quarta-feira, maio 26, 2004
Curtas
a) Parabéns ao Porto, particularmente a Portugal (usando a lógica dos comentadores de futebol) pela vitória na final da Taça dos Campeões.
b) Os bilhetes para todos os jogos de Portugal no euro já chegaram. Com a crise ainda faço um leilão aqui na Caixa de Costura.
c) De surpresa chegou a oferta de uma ida ao Rock in Rio - Lisboa com bilhetes VIP. Viva. Viva. Viva. Eu vou, a rainha cá de casa também, e o príncipe maior é bem capaz de nos acompanhar.
b) Os bilhetes para todos os jogos de Portugal no euro já chegaram. Com a crise ainda faço um leilão aqui na Caixa de Costura.
c) De surpresa chegou a oferta de uma ida ao Rock in Rio - Lisboa com bilhetes VIP. Viva. Viva. Viva. Eu vou, a rainha cá de casa também, e o príncipe maior é bem capaz de nos acompanhar.
Golfinho
Juro que não foi por mal que disse antes de ontem ao almoço "Quero mais é
que o golfinho expluda" (a sério Carlota não te irrites comigo, que eu até
nutria alguma simpatia pela criatura). O que me irrita não é o golfinho, são
as horas de noticiário que giraram à sua volta.
Resultado: A única fatia de população que não estava deprimida com a crise
(a criançada), ficou hoje em estado de choque com as notícias vindas do Zoo
Marine.
Ainda há uma parcela da população que não está deprimida. Os esclerosados
que ainda acham que Mário Soares é o Presidente da República e Cavaco Silva
o primeiro Ministro e os Portistas que têm fé na conquista da Taça dos
Campeões. Para os primeiros, o meu aviso é que continuem a ver o noticiário
da TVI, já que as questões políticas não têm lugar naquele "jornalismo".
Portanto esclsrosados não mudem de canal, se é que sabem como isso se faz ou
ainda se lembram onde deixaram o comando da televisão. Para os segundos
muito boa sorte para logo à noite.
que o golfinho expluda" (a sério Carlota não te irrites comigo, que eu até
nutria alguma simpatia pela criatura). O que me irrita não é o golfinho, são
as horas de noticiário que giraram à sua volta.
Resultado: A única fatia de população que não estava deprimida com a crise
(a criançada), ficou hoje em estado de choque com as notícias vindas do Zoo
Marine.
Ainda há uma parcela da população que não está deprimida. Os esclerosados
que ainda acham que Mário Soares é o Presidente da República e Cavaco Silva
o primeiro Ministro e os Portistas que têm fé na conquista da Taça dos
Campeões. Para os primeiros, o meu aviso é que continuem a ver o noticiário
da TVI, já que as questões políticas não têm lugar naquele "jornalismo".
Portanto esclsrosados não mudem de canal, se é que sabem como isso se faz ou
ainda se lembram onde deixaram o comando da televisão. Para os segundos
muito boa sorte para logo à noite.
terça-feira, maio 25, 2004
Mil Pedaços
Este senhor sabe, em definitivo, brincar com as palavras. Anda aí quem
precise de um abraço e lembrou-me esta letra.
Letra e música de Sérgio Godinho
O tempo parece que foge
dura o tempo de um cigarro
e eu atrás dele e não o agarro
e vou de metro e vou de carro
Ai ó linda
será que ainda
Vou ter que correr, que ganhar
a maratona à lufa-lufa
iço a bandeira e o tambor rufa
e a recompensa é uma pantufa
E tenho os dedos e a cabeça
a telefonar p'ra toda a parte
e desço à terra, e subo a marte
E por falar em sobe e desce
ontem bebi falsificado
e estou com o corpo todo errado
Eu tenho a vida
partida
em mil pedaços
cola-os tu com dois abraços
O tempo parece que foge
dura o tempo de um café
e o "antes fosse" já não é
e vou de carro e vou a pé
Ai ó linda
será que ainda
Vou ter que voltar a assistir
a discussões fundamentais
onde as pauladas são verbais
e as conclusões são sempre iguais
E tenho os dedos, e a cabeça
a telefonar p'ra toda a parte
e desço à terra e subo a marte
E a amiga do meu grande amigo
com o seu ex
anda há que anos, 5 ou 6
a tratar lá de uns papéis
E eu a tentar meter
o Rossio na Betesga
a andar de Herodes p'ra Pilatos
com o olho p'ra Belém
e outro para Sacavém
e eu a dar a volta ao mundo
embora sabendo no fundo
que nem Roma nem Pavia
se fizeram num só dia
Eu tenho a vida
partida
em mil pedaços
cola-os tu com dois abraços
O tempo parece que foge
dura o tempo de um abraço
e eu atrás dele e não o caço
e eu a galope e ele a passo
Ai ó linda
será que ainda
Vou ter que dar de comer
à filharada e ao periquito
às plantas da selva em que habito
à tartaruga e ao mosquito
E tenho os dedos e a cabeça
a telefonar pra toda parte
e desço à terra e subo a marte
E compro cromos para os "piquenos"
é prá troca, e os repetidos
é pra colarem nos vidros
Eu tenho a vida
partida
em mil pedaços
cola-os tu com dois abraços
O tempo parece que foge
dura o tempo de uma vida
e são dois dias de fugida
e é já tempo de partida
Ai ó linda
será que ainda
Vou ter que descer e abrir
a minha caixa do correio
a ver se é desta vez que veio
a contazinha que eu receio
E tenho os dedos e a cabeça
a telefonar pra toda a parte
e desço à terra e subo a marte
E subo à contabilidade
e pra maior desassossego
hoje não pagam no emprego
Eu tenho a vida
partida
em mil pedaços
cola-os tu com dois abraços
precise de um abraço e lembrou-me esta letra.
Letra e música de Sérgio Godinho
O tempo parece que foge
dura o tempo de um cigarro
e eu atrás dele e não o agarro
e vou de metro e vou de carro
Ai ó linda
será que ainda
Vou ter que correr, que ganhar
a maratona à lufa-lufa
iço a bandeira e o tambor rufa
e a recompensa é uma pantufa
E tenho os dedos e a cabeça
a telefonar p'ra toda a parte
e desço à terra, e subo a marte
E por falar em sobe e desce
ontem bebi falsificado
e estou com o corpo todo errado
Eu tenho a vida
partida
em mil pedaços
cola-os tu com dois abraços
O tempo parece que foge
dura o tempo de um café
e o "antes fosse" já não é
e vou de carro e vou a pé
Ai ó linda
será que ainda
Vou ter que voltar a assistir
a discussões fundamentais
onde as pauladas são verbais
e as conclusões são sempre iguais
E tenho os dedos, e a cabeça
a telefonar p'ra toda a parte
e desço à terra e subo a marte
E a amiga do meu grande amigo
com o seu ex
anda há que anos, 5 ou 6
a tratar lá de uns papéis
E eu a tentar meter
o Rossio na Betesga
a andar de Herodes p'ra Pilatos
com o olho p'ra Belém
e outro para Sacavém
e eu a dar a volta ao mundo
embora sabendo no fundo
que nem Roma nem Pavia
se fizeram num só dia
Eu tenho a vida
partida
em mil pedaços
cola-os tu com dois abraços
O tempo parece que foge
dura o tempo de um abraço
e eu atrás dele e não o caço
e eu a galope e ele a passo
Ai ó linda
será que ainda
Vou ter que dar de comer
à filharada e ao periquito
às plantas da selva em que habito
à tartaruga e ao mosquito
E tenho os dedos e a cabeça
a telefonar pra toda parte
e desço à terra e subo a marte
E compro cromos para os "piquenos"
é prá troca, e os repetidos
é pra colarem nos vidros
Eu tenho a vida
partida
em mil pedaços
cola-os tu com dois abraços
O tempo parece que foge
dura o tempo de uma vida
e são dois dias de fugida
e é já tempo de partida
Ai ó linda
será que ainda
Vou ter que descer e abrir
a minha caixa do correio
a ver se é desta vez que veio
a contazinha que eu receio
E tenho os dedos e a cabeça
a telefonar pra toda a parte
e desço à terra e subo a marte
E subo à contabilidade
e pra maior desassossego
hoje não pagam no emprego
Eu tenho a vida
partida
em mil pedaços
cola-os tu com dois abraços
segunda-feira, maio 24, 2004
Brincadeiras
Estava para aqui a brincar ás palavras. Fica pra próxima que a vida está difícil. A intenção é das melhores mas não estava a soar bem. Alguém sabe versejar como deve ser ?
Ser poeta é ser mais alto e a mim falta-me um bocadão assim. Até já me tinha convencido que "surpresas" rimava com "avessas". Se calhar em Açoreano até rima.
Estava para aqui a brincar ás palavras. Fica pra próxima que a vida está difícil. A intenção é das melhores mas não estava a soar bem. Alguém sabe versejar como deve ser ?
Ser poeta é ser mais alto e a mim falta-me um bocadão assim. Até já me tinha convencido que "surpresas" rimava com "avessas". Se calhar em Açoreano até rima.
A melhor frase
... que escutei sobre o casamento dos príncipes:
"A distância do príncipe Filipe áquela criatura é a mesma de um dos meus filhos a uma Nordestina qualquer lá no meio o nada. Pior ainda. Porque a nordestina ainda consegue fazer fogo com paus ou pedras, enquanto que aquela plebeia é filha de uma sindicalista comuna".
Quando penso que já nada me surpreende, eis que de repente...
... que escutei sobre o casamento dos príncipes:
"A distância do príncipe Filipe áquela criatura é a mesma de um dos meus filhos a uma Nordestina qualquer lá no meio o nada. Pior ainda. Porque a nordestina ainda consegue fazer fogo com paus ou pedras, enquanto que aquela plebeia é filha de uma sindicalista comuna".
Quando penso que já nada me surpreende, eis que de repente...
quinta-feira, maio 20, 2004
Luísa
(continuação)
Sentou-se na esplanada e abriu a revista enquanto esperava que a atendessem. Que raios, também nunca falta, e não lhe pareceu despropositada aquela pequena mentirinha no emprego. Uma mulher nem sempre se sente bem e as indisposições acontecem.
Hé tanto tempo que não ía aquela esplanada. Sendo das que mais gostava, nunca se lembrava que existia, nas alturas de decidir para onde ir. Uma varanda tranquila sobre o imenso oceano. A merecida paz, um abrigo. Além dela, só um casal de estrangeiros, a apanhar sol e a beber Cola com gelo e limão.
Os primeiros dias de Maio trouxeram-lhe o conforto adiado pelas chuvas de Abril. Que mês mais estúpido e frio. O calor fez-se finalmente sentir, sinal do sol a perder vergonhas.
Naquela manhã, acordou tarde, ganhou coragem e atirou-se ás mais longínquas zonas do roupeiro. Lá encontrou alguma roupa ajustada ás previsões do boletim meteorológico. Camisola de alsas e saia curta, o corpo todo ainda por dourar, mas que se lixe. Sempre mostra a tatuagem do ombro, que passa os invernos subterrada em agasalhos. Telefonou para o emprego e fez-se a um dia de descontração.
O empregado lá acabou por aparecer, registou o pedido e dirigiu-se para dentro.
Deixou-se levar pelas páginas da revista e irritou-se quando leu o signo. "No trabalho é chegado o tempo de se empenhar a sério". Olha que grande parvoíce.
Foi interrompida pela chegada do pequeno almoço. Sumo de laranja natural e um enorme pão de deus com queijo.
"Dá-me licença que me sente consigo ?" Perguntou o empregado.
Ia cuspindo o sumo de laranja. Olhou para ele e reconheceu aquela cara de algum lado.
"Desculpe?"
O empregado pousa mais um copo de sumo de laranja e um pastel de nata queimado. Esclarece-a:
"Pergunto-lhe se me posso sentar e tomar o pequeno almoço consigo."
Ainda surpresa acabou por lhe dizer que sim. Pareceu-lhe divertido.
"Não me importo, estava aqui a ler uma revista. Conversar também me parece bem. Diga-me lá, e se o seu chefe o apanha aqui ?"
"Estava a pensar em despedir-me. Pagam mal e fica muito longe de casa. Não vale o esforço de cá chegar todos os dias. Espero que ele apareça. Aproveito e comunico-lhe a minha decisão."
"Não se lembra de mim ?" Acrescentou.
Parecia-lhe tão ridículo estar ali sentada com um rapaz vestido de camisa branca, colete e laço preto, que nem se tentou lembrar donde o conhecia.
"Não estou bem a ver."
"Arranjei-lhe uma couve flor, uma vez na praça. Comprou legumes à minha mãe. Até se ía embora sem levar a couve flor."
Então era daí que o conhecia. O rapaz sedutor barato de olhar traquina, pois claro.
O senhor estrangeiro pediu a conta e ficou estupefacto quando ele lhe disse que já não trabalhava ali e que por ele, se podiam ir embora sem pagar.
"Ainda vai arranjar problemas com esta brincadeira, não quer retomar o emprego e tratar da conta dos senhores ?"
"Não se preocupe. Quero é tomar o pequeno almoço consigo."
E deixou-se ficar.
(continuação)
Sentou-se na esplanada e abriu a revista enquanto esperava que a atendessem. Que raios, também nunca falta, e não lhe pareceu despropositada aquela pequena mentirinha no emprego. Uma mulher nem sempre se sente bem e as indisposições acontecem.
Hé tanto tempo que não ía aquela esplanada. Sendo das que mais gostava, nunca se lembrava que existia, nas alturas de decidir para onde ir. Uma varanda tranquila sobre o imenso oceano. A merecida paz, um abrigo. Além dela, só um casal de estrangeiros, a apanhar sol e a beber Cola com gelo e limão.
Os primeiros dias de Maio trouxeram-lhe o conforto adiado pelas chuvas de Abril. Que mês mais estúpido e frio. O calor fez-se finalmente sentir, sinal do sol a perder vergonhas.
Naquela manhã, acordou tarde, ganhou coragem e atirou-se ás mais longínquas zonas do roupeiro. Lá encontrou alguma roupa ajustada ás previsões do boletim meteorológico. Camisola de alsas e saia curta, o corpo todo ainda por dourar, mas que se lixe. Sempre mostra a tatuagem do ombro, que passa os invernos subterrada em agasalhos. Telefonou para o emprego e fez-se a um dia de descontração.
O empregado lá acabou por aparecer, registou o pedido e dirigiu-se para dentro.
Deixou-se levar pelas páginas da revista e irritou-se quando leu o signo. "No trabalho é chegado o tempo de se empenhar a sério". Olha que grande parvoíce.
Foi interrompida pela chegada do pequeno almoço. Sumo de laranja natural e um enorme pão de deus com queijo.
"Dá-me licença que me sente consigo ?" Perguntou o empregado.
Ia cuspindo o sumo de laranja. Olhou para ele e reconheceu aquela cara de algum lado.
"Desculpe?"
O empregado pousa mais um copo de sumo de laranja e um pastel de nata queimado. Esclarece-a:
"Pergunto-lhe se me posso sentar e tomar o pequeno almoço consigo."
Ainda surpresa acabou por lhe dizer que sim. Pareceu-lhe divertido.
"Não me importo, estava aqui a ler uma revista. Conversar também me parece bem. Diga-me lá, e se o seu chefe o apanha aqui ?"
"Estava a pensar em despedir-me. Pagam mal e fica muito longe de casa. Não vale o esforço de cá chegar todos os dias. Espero que ele apareça. Aproveito e comunico-lhe a minha decisão."
"Não se lembra de mim ?" Acrescentou.
Parecia-lhe tão ridículo estar ali sentada com um rapaz vestido de camisa branca, colete e laço preto, que nem se tentou lembrar donde o conhecia.
"Não estou bem a ver."
"Arranjei-lhe uma couve flor, uma vez na praça. Comprou legumes à minha mãe. Até se ía embora sem levar a couve flor."
Então era daí que o conhecia. O rapaz sedutor barato de olhar traquina, pois claro.
O senhor estrangeiro pediu a conta e ficou estupefacto quando ele lhe disse que já não trabalhava ali e que por ele, se podiam ir embora sem pagar.
"Ainda vai arranjar problemas com esta brincadeira, não quer retomar o emprego e tratar da conta dos senhores ?"
"Não se preocupe. Quero é tomar o pequeno almoço consigo."
E deixou-se ficar.
Declarações Electrónicas
... do IRS. Modelos e Anexos, campos, códigos, labels que nada me dizem, listas de valores inexistentes. O que é que vai na cabeça de quem faz estas aplicações. Devem-se achar muito espertinhos esses informáticos. Aposto que cobraram quantias pornográficas ao ministério das finanças para fazerem aquela coisa a que chamam aplicação (e devem ter demorado muito mais que o prazo estipulado). Bandidos.
... do IRS. Modelos e Anexos, campos, códigos, labels que nada me dizem, listas de valores inexistentes. O que é que vai na cabeça de quem faz estas aplicações. Devem-se achar muito espertinhos esses informáticos. Aposto que cobraram quantias pornográficas ao ministério das finanças para fazerem aquela coisa a que chamam aplicação (e devem ter demorado muito mais que o prazo estipulado). Bandidos.
quarta-feira, maio 19, 2004
Trezentos
Segundo o blogger este é o meu post número trezentos, o que transforma a Caixa de Costura numa espécie de loja dos trezentos. Conteúdos acessíveis mas de qualidade duvidosa. Nããããã. Acho que vou ter que aumentar os preços. Mais a mais porque estamos a lidar com tecnologia de ponta.
Por falar em tecnologia, tentei enviar um post via telemóvel e outro por mail. Até à data não apareceram na Caixa. Se aparecerem é uma boa notícia.
Segundo o blogger este é o meu post número trezentos, o que transforma a Caixa de Costura numa espécie de loja dos trezentos. Conteúdos acessíveis mas de qualidade duvidosa. Nããããã. Acho que vou ter que aumentar os preços. Mais a mais porque estamos a lidar com tecnologia de ponta.
Por falar em tecnologia, tentei enviar um post via telemóvel e outro por mail. Até à data não apareceram na Caixa. Se aparecerem é uma boa notícia.
terça-feira, maio 18, 2004
segunda-feira, maio 17, 2004
Coisas Simples
Actualização mais que merecida na coluna da direita. As palavras simples, arrumadas de forma serena pela Maria. Não resisto ao trocadilho de lhe chamar Simplesmente Maria.
Muito penou a minha irmã, com o nome desta rádionovela.
Actualização mais que merecida na coluna da direita. As palavras simples, arrumadas de forma serena pela Maria. Não resisto ao trocadilho de lhe chamar Simplesmente Maria.
Muito penou a minha irmã, com o nome desta rádionovela.
Gastronomia
Adiamento atrás de adiamento, lá chegou o dia da equipa se mudar para o piso de cima. Computadores, cadeiras, módulos de gavetas, telefones, tralha muita tralha e papelada. Lá nos instalámos no nosso novo local de trabalho, não muito convencidos de que íamos para melhor.
Bem vistas a coisas, no novo local, e ali mesmo à mão de semear, logo atrás do biombo, uma sala de reuniões. Ideal para discutir tarefas, planos, objectivos, avaliações, documentos.
Não passou muito tempo até chegar o nosso primeiro (não) convidado. Trazia um tuperware com comida acabadinha de aquecer no micro ondas. Pelo cheiro era um guisado. Contornou o biombo e começa o piquenicão na mesa de reuniões. Foi assim com muitos outros durante três horas. Iguarias que nem ne atrevo a advinhar pelo cheiro. Talheres, comida, hamburgers do MC Donalds e conversa de almoço. Toda a equipa de atendimento telefónico almoçou ali mesmo ao lado e o cheiro, pelas cinco da tarde, ainda estava presente. Mas que bom.
Sempre achei que um dia ia trabalhar num restaurante. Só não imaginava que o dia estava para tão breve, e que fosse afastado da cozinha. A trabalhar num restaurante sempre achei que fosse na cozinha, nunca no escritório ao lado do salão de banquetes. Amanhã, se tudo correr, bem vou tentar servir à mesa, numa cena de rara beleza. E já que não há restrições quanto aos odores, vou sugerir um fondue, ou um bife na pedra, ou no chapéu.
Ai que saudades do bife no chapéu de Ferreira do Zêzere.
Adiamento atrás de adiamento, lá chegou o dia da equipa se mudar para o piso de cima. Computadores, cadeiras, módulos de gavetas, telefones, tralha muita tralha e papelada. Lá nos instalámos no nosso novo local de trabalho, não muito convencidos de que íamos para melhor.
Bem vistas a coisas, no novo local, e ali mesmo à mão de semear, logo atrás do biombo, uma sala de reuniões. Ideal para discutir tarefas, planos, objectivos, avaliações, documentos.
Não passou muito tempo até chegar o nosso primeiro (não) convidado. Trazia um tuperware com comida acabadinha de aquecer no micro ondas. Pelo cheiro era um guisado. Contornou o biombo e começa o piquenicão na mesa de reuniões. Foi assim com muitos outros durante três horas. Iguarias que nem ne atrevo a advinhar pelo cheiro. Talheres, comida, hamburgers do MC Donalds e conversa de almoço. Toda a equipa de atendimento telefónico almoçou ali mesmo ao lado e o cheiro, pelas cinco da tarde, ainda estava presente. Mas que bom.
Sempre achei que um dia ia trabalhar num restaurante. Só não imaginava que o dia estava para tão breve, e que fosse afastado da cozinha. A trabalhar num restaurante sempre achei que fosse na cozinha, nunca no escritório ao lado do salão de banquetes. Amanhã, se tudo correr, bem vou tentar servir à mesa, numa cena de rara beleza. E já que não há restrições quanto aos odores, vou sugerir um fondue, ou um bife na pedra, ou no chapéu.
Ai que saudades do bife no chapéu de Ferreira do Zêzere.
Taça
Lá nos enfiámos os quatro no carro, com a cumplicidade dos dois sportinguistas lá de casa. Por necessidades familiares e laboriais temos dois carros, cada um mais velho que o outro. Lá fomos os quatro, vestidos a rigor, e na viatura mais decadente, para dar mais realismo á festa.
Bandeira e cachecóis pendurados, percorremos as principais artérias da cidade ao som das buzinadelas. Quatro piscas ligados, muitos acenos a quem se entusiasmava com a nossa passagem, sinais de vitória e de luzes. No Marquês de Pombal cantámos juntos uns cânticos de estádio estilo "Glorioso Benfica" e voltámos felizes para casa.
A alergia da Ana piorou consideravelmente.
Será alergia de uma Sportinguista ao Benfica, ou (como dizem as más línguas) ao cheiro a mofo e a naftalina dos milhares de cachecóis, há muito esquecidos nos roupeiros da Nação Benfiquista ?
Lá nos enfiámos os quatro no carro, com a cumplicidade dos dois sportinguistas lá de casa. Por necessidades familiares e laboriais temos dois carros, cada um mais velho que o outro. Lá fomos os quatro, vestidos a rigor, e na viatura mais decadente, para dar mais realismo á festa.
Bandeira e cachecóis pendurados, percorremos as principais artérias da cidade ao som das buzinadelas. Quatro piscas ligados, muitos acenos a quem se entusiasmava com a nossa passagem, sinais de vitória e de luzes. No Marquês de Pombal cantámos juntos uns cânticos de estádio estilo "Glorioso Benfica" e voltámos felizes para casa.
A alergia da Ana piorou consideravelmente.
Será alergia de uma Sportinguista ao Benfica, ou (como dizem as más línguas) ao cheiro a mofo e a naftalina dos milhares de cachecóis, há muito esquecidos nos roupeiros da Nação Benfiquista ?
sexta-feira, maio 14, 2004
Frases Publicitárias
Assim de repente lembrei-me de:
"Distron para a higiene íntima da mulher. Distron liquído dentro de casa, Distron toalhetes fora de casa."
"Lindor para adultos incontinentes."
"A família Prudêncio guarda os pesticidas com cuidado."
"Bic Laranja Bic Cristal
Bic Laranja escrita fina
Bic Cristal escrita normal
Bic Bic Bic
Bic Bic Bic"
"Brasa é a bebida que aquece o coração" O nome Brasa foi escolhido a partir de uma gigantesca listagem de computador com combinações de letras quatro a quatro e cinco a cinco. Trouxe-a o meu pai da Tofa para darmos uma ajuda. Foi bem divertido.
E dos Meltis, alguém se lembra? "Meltis é o gesto de tudo se entender num simples gesto."
Assim de repente lembrei-me de:
"Distron para a higiene íntima da mulher. Distron liquído dentro de casa, Distron toalhetes fora de casa."
"Lindor para adultos incontinentes."
"A família Prudêncio guarda os pesticidas com cuidado."
"Bic Laranja Bic Cristal
Bic Laranja escrita fina
Bic Cristal escrita normal
Bic Bic Bic
Bic Bic Bic"
"Brasa é a bebida que aquece o coração" O nome Brasa foi escolhido a partir de uma gigantesca listagem de computador com combinações de letras quatro a quatro e cinco a cinco. Trouxe-a o meu pai da Tofa para darmos uma ajuda. Foi bem divertido.
E dos Meltis, alguém se lembra? "Meltis é o gesto de tudo se entender num simples gesto."
quinta-feira, maio 13, 2004
1000 à hora
Nos últimos dois dias, ás voltas com as contas do mês passado. Puta que as pariu. No intervalo, e é isso que quero registar, uma ecografia de 11 semanas.
Aos pulos e alheio ao que se passa cá fora, o projecto de bébé parece crescer como se quer. Ora de perfil, ora de costas, lá mostrou que a prega da nuca tinha as dimensões dentro dos parâmetros. Pulava muito dentro da barriga, daí os enjôos (acho eu). Lembrou-me o João Baião no Big Show Sic de tanta agitação.
Tomara que após a expulsão venha mais sossegado. Pelo sim pelo não, vou preparar o canto dos castigos para mais um habitante.
Nos últimos dois dias, ás voltas com as contas do mês passado. Puta que as pariu. No intervalo, e é isso que quero registar, uma ecografia de 11 semanas.
Aos pulos e alheio ao que se passa cá fora, o projecto de bébé parece crescer como se quer. Ora de perfil, ora de costas, lá mostrou que a prega da nuca tinha as dimensões dentro dos parâmetros. Pulava muito dentro da barriga, daí os enjôos (acho eu). Lembrou-me o João Baião no Big Show Sic de tanta agitação.
Tomara que após a expulsão venha mais sossegado. Pelo sim pelo não, vou preparar o canto dos castigos para mais um habitante.
quarta-feira, maio 12, 2004
terça-feira, maio 11, 2004
Socorro
Estou no escritório a tentar trabalhar. A rapariga da barriga crescente está com uma descompensação hormonal, e espera pelas novelas da noite. Enquanto não chegam ouço, a poucos metros de mim, o humor hilariante e inteligente dos malucos do riso. Só de ouvir o separador musical fico com os nervos em franja. Oh mulher mete a porcaria do concurso da RTP enquanto a novela não começa. Acudam-me.
Estou no escritório a tentar trabalhar. A rapariga da barriga crescente está com uma descompensação hormonal, e espera pelas novelas da noite. Enquanto não chegam ouço, a poucos metros de mim, o humor hilariante e inteligente dos malucos do riso. Só de ouvir o separador musical fico com os nervos em franja. Oh mulher mete a porcaria do concurso da RTP enquanto a novela não começa. Acudam-me.
Vamos ?
" Os vinte mil bilhetes disponíveis para "Cats", musical de Andrew Lloyd Webber que estreia em Outubro em Lisboa, vão estar à venda ao público a partir do dia 15, anunciou quinta-feira a organização do evento."
O João Maria também gosta e vai de certeza. O Manel pode reagir de duas maneiras:
1. Ter Medo, e aos 2 minutos um de nós vem cá fora espancá-lo até que perca os sentidos para poder assistir em sossego ao musical.
2. Entusiasmar-se com a gataria e aos 5 minutos um de nós tem que ir até ao palco convencê-lo a largar os gatos, espancá-lo até que perca os sentidos para poder assistir em sossego ao musical.
Ora espancar crianças, parece que já é crime público, e nada nos diz que na assistência não haja ninguém da APAV. Talvez seja melhor deixar o Manel em casa.
" Os vinte mil bilhetes disponíveis para "Cats", musical de Andrew Lloyd Webber que estreia em Outubro em Lisboa, vão estar à venda ao público a partir do dia 15, anunciou quinta-feira a organização do evento."
O João Maria também gosta e vai de certeza. O Manel pode reagir de duas maneiras:
1. Ter Medo, e aos 2 minutos um de nós vem cá fora espancá-lo até que perca os sentidos para poder assistir em sossego ao musical.
2. Entusiasmar-se com a gataria e aos 5 minutos um de nós tem que ir até ao palco convencê-lo a largar os gatos, espancá-lo até que perca os sentidos para poder assistir em sossego ao musical.
Ora espancar crianças, parece que já é crime público, e nada nos diz que na assistência não haja ninguém da APAV. Talvez seja melhor deixar o Manel em casa.
segunda-feira, maio 10, 2004
O Campeonato
acabou. O campeonato nacional de Futebol. A tal da Super Liga e não se trata de roupa interior da Super Mulher.
Esta é a altura em que troco a codificação da Sport TV pelos canais de cinema. Nunca escrevo muito sobre o assunto, porque não é nada de que me orgulhe muito, mas gosto de futebol. Gosto muito. Fico de humor alterado quando a minha equipa perde ou empata, fico em casa só para ver um jogo, vou ao estádio de quando em vez.
Gosto daquilo. Gosto, gosto e gosto.
Da altura em que não havia transmissões televisivas, lembro-me da emoção de ouvir os relatos pela telefonia. Lembro-me de um senhor que disse sobre um golo "Se eu tivesse namorada, oferecia-lhe este golo.".
É assim que eu gosto de futebol, sempre tendencioso, sempre irracional e com muito mau perder. E a quantidade de vezes que eu perco não têm tido conta.
O Euro2004 vem aí, e vou até onde for a selecção. Se não chegarem (chegarmos que eu também lá vou estar) à final, devolvem a pipa de massa correspondente, mas quero que me fiquem com o dinheirinho todo que lá deixei.
acabou. O campeonato nacional de Futebol. A tal da Super Liga e não se trata de roupa interior da Super Mulher.
Esta é a altura em que troco a codificação da Sport TV pelos canais de cinema. Nunca escrevo muito sobre o assunto, porque não é nada de que me orgulhe muito, mas gosto de futebol. Gosto muito. Fico de humor alterado quando a minha equipa perde ou empata, fico em casa só para ver um jogo, vou ao estádio de quando em vez.
Gosto daquilo. Gosto, gosto e gosto.
Da altura em que não havia transmissões televisivas, lembro-me da emoção de ouvir os relatos pela telefonia. Lembro-me de um senhor que disse sobre um golo "Se eu tivesse namorada, oferecia-lhe este golo.".
É assim que eu gosto de futebol, sempre tendencioso, sempre irracional e com muito mau perder. E a quantidade de vezes que eu perco não têm tido conta.
O Euro2004 vem aí, e vou até onde for a selecção. Se não chegarem (chegarmos que eu também lá vou estar) à final, devolvem a pipa de massa correspondente, mas quero que me fiquem com o dinheirinho todo que lá deixei.
sábado, maio 08, 2004
quinta-feira, maio 06, 2004
Nova Democracia
No tranquilo regresso a casa, deparo-me com um cartaz de campanha política da Nova Democracia. Pergunta-nos o que queremos mudar e indica-nos um endereço de um site. Trata-se de uma espécie de discos pedidos, de quando o telefone toca, de pai natal da política pronto a fazer os portugueses fellizes no dia em que ganhar as eleições, de fonte dos desejos.
Já de listinha feita das coisas que quero mudar lá fui até ao site para dizer ao Manel da minha justiça. Surpresa. Horror. O site ainda está em construção.
Ainda mal resuscitou, e já me sinto enganado.
E agora? O que é que faço a esta lista?
"
Sr Manel, eu queria mudar:
- as pastilhas do carro;
- as cores lá em casa;
- o trem de cozinha que está uma vergonha;
- a lâmpada das escadas;
- de nariz;
- de companhia de seguros;
- de ministra das finanças;
- de cabelo;
- de canal quando não encontro o comando à distância;
- de estação do ano que esta está avariada;
- de sapatos (a menos que o sr também ponha meias solas e então não se justifica porque os sapatos são muito confortáveis)
- de computador;
- os cortinados da sala (na verdade não é bem mudar é pôr uns novos, mas se não puder paciência).
"
No tranquilo regresso a casa, deparo-me com um cartaz de campanha política da Nova Democracia. Pergunta-nos o que queremos mudar e indica-nos um endereço de um site. Trata-se de uma espécie de discos pedidos, de quando o telefone toca, de pai natal da política pronto a fazer os portugueses fellizes no dia em que ganhar as eleições, de fonte dos desejos.
Já de listinha feita das coisas que quero mudar lá fui até ao site para dizer ao Manel da minha justiça. Surpresa. Horror. O site ainda está em construção.
Ainda mal resuscitou, e já me sinto enganado.
E agora? O que é que faço a esta lista?
"
Sr Manel, eu queria mudar:
- as pastilhas do carro;
- as cores lá em casa;
- o trem de cozinha que está uma vergonha;
- a lâmpada das escadas;
- de nariz;
- de companhia de seguros;
- de ministra das finanças;
- de cabelo;
- de canal quando não encontro o comando à distância;
- de estação do ano que esta está avariada;
- de sapatos (a menos que o sr também ponha meias solas e então não se justifica porque os sapatos são muito confortáveis)
- de computador;
- os cortinados da sala (na verdade não é bem mudar é pôr uns novos, mas se não puder paciência).
"
O novo
código da estrada anda nas notícias do dia. Multas e penas mais pesadas, prestações para multas e novas regras. Uma destas regras proíbe o arremesso de beatas pela janela das viaturas. As beatas podem ser muito aborrecidas, e alguns membros do clero sentem-se tentados a atirá-las janela fora. Agora terão que ser mais discretos e tratar-lhes da saúde noutros locais que não a via pública.
código da estrada anda nas notícias do dia. Multas e penas mais pesadas, prestações para multas e novas regras. Uma destas regras proíbe o arremesso de beatas pela janela das viaturas. As beatas podem ser muito aborrecidas, e alguns membros do clero sentem-se tentados a atirá-las janela fora. Agora terão que ser mais discretos e tratar-lhes da saúde noutros locais que não a via pública.
quarta-feira, maio 05, 2004
Entrevista
De repente, aqui há uns dias, entram-nos pela casa dentro, a convite da Maria João Avilez, Pedro Burmester, Bernardo Sasseti e Mário Laginha. Trapalhões na fala, gagos, engasgados, divertidos, inteligentes, gestos largos, desastrados à conversa, generosos uns com os outros. Divinos quando deixam a mesa da entrevista e se sentam em frente ao teclado branco e negro. Cúmplices, meigos, precisos, geniais.
Em casa da minha avó havia um piano que foi vendido, antes de eu saber que gostava muito de o ter tocado. A minha mãe aprendeu a nadar no banco do piano. Nunca percebi bem esta história, diz que se deitava de barriga em cima do banco e bracejava e esperneava em movimentos mais ou menos síncronos. Não me parece que seja capaz de nadar fora de pé, mas também não se pode exigir muito a quem aprendeu a nadar num banco de piano.
O piano foi-se embora e eu nem dei muito pela falta dele porque era demasiado novo para o fazer. Á medida que crescia, ia-lhe sentindo a falta e ficava senmpre feliz quando em casa de um amigo existia um piano, ou um orgão. Não sei porquê, mas gosto daqueles teclados, da percursão nas cordas, dos sons, de advinhar as notas certas para encontrar a melodia. Mal sei onde é o dó, e não toco nada, mas continuo a gostar de encontrar um piano.
De repente, aqui há uns dias, entram-nos pela casa dentro, a convite da Maria João Avilez, Pedro Burmester, Bernardo Sasseti e Mário Laginha. Trapalhões na fala, gagos, engasgados, divertidos, inteligentes, gestos largos, desastrados à conversa, generosos uns com os outros. Divinos quando deixam a mesa da entrevista e se sentam em frente ao teclado branco e negro. Cúmplices, meigos, precisos, geniais.
Em casa da minha avó havia um piano que foi vendido, antes de eu saber que gostava muito de o ter tocado. A minha mãe aprendeu a nadar no banco do piano. Nunca percebi bem esta história, diz que se deitava de barriga em cima do banco e bracejava e esperneava em movimentos mais ou menos síncronos. Não me parece que seja capaz de nadar fora de pé, mas também não se pode exigir muito a quem aprendeu a nadar num banco de piano.
O piano foi-se embora e eu nem dei muito pela falta dele porque era demasiado novo para o fazer. Á medida que crescia, ia-lhe sentindo a falta e ficava senmpre feliz quando em casa de um amigo existia um piano, ou um orgão. Não sei porquê, mas gosto daqueles teclados, da percursão nas cordas, dos sons, de advinhar as notas certas para encontrar a melodia. Mal sei onde é o dó, e não toco nada, mas continuo a gostar de encontrar um piano.
terça-feira, maio 04, 2004
A propósito
da adesão de dez novos estados membros à União Europeia, lembrei-me de um mail que recebi há muito tempo atrás sobre o peso alemão na dita União. Quase ninguém acha muita piada ao texto, mas ponho-o aqui, porque este é o espaço para colocar aquilo que gosto e, deste texto, gosto bastante:
"Evolution of the English Language
Having chosen English as the preferred language in the EEC (now officially the European Union, or EU), the European Parliament has commissioned a feasibility study in ways of improving efficiency in communications between Government departments.
European officials have often pointed out that English spelling is unnecessary difficult; for example: cough, plough, rough, through and thorough. What is clearly needed is a phased programme of changes to iron out these anomalies. The programme would, of course, be administered by a committee staff at top level by participating nations.
In the first year, for example, the committee would suggest using 's' instead of the soft 'c'. Sertainly, sivil servants in all sities would resieve this news with joy. Then the hard 'c' could be replaced by 'k' sinse both letters are pronounsed alike. Not only would this klear up konfusion in the minds of klerikal workers, but typewriters kould be made with one less letter.
There would be growing enthusiasm when in the sekond year, it was anounsed that the troublesome 'ph' would henseforth be written 'f'. This would make words like 'fotograf' twenty persent shorter in print.
In the third year, publik akseptanse of the new spelling kan be expekted to reach the stage where more komplikated changes are possible.
Governments would enkourage the removal of double letters which have always been a deterent to akurate speling.
We would al agre that the horible mes of silent 'e's in the languag is disgrasful. Therefor we kould drop thes and kontinu to read and writ as though nothing had hapend. By this tim it would be four years sins the skem began and peopl would be reseptive to steps sutsh as replasing 'th' by 'z'. Perhaps zen ze funktion of 'w' kould be taken on by 'v', vitsh is, after al, half a 'w'.
Shortly after zis, ze unesesary 'o' kould be dropd from words kontaining 'ou'. Similar arguments vud of kors be aplid to ozer kombinations of leters.
Kontinuing zis proses yer after yer, ve vud eventuli hav a reli sensibl riten styl. After tventi yers zer vud be no mor trubls, difikultis and evrivun vud fin it ezi tu understand ech ozer. Ze drems of the Guvermnt vud finali hav kum tru"
da adesão de dez novos estados membros à União Europeia, lembrei-me de um mail que recebi há muito tempo atrás sobre o peso alemão na dita União. Quase ninguém acha muita piada ao texto, mas ponho-o aqui, porque este é o espaço para colocar aquilo que gosto e, deste texto, gosto bastante:
"Evolution of the English Language
Having chosen English as the preferred language in the EEC (now officially the European Union, or EU), the European Parliament has commissioned a feasibility study in ways of improving efficiency in communications between Government departments.
European officials have often pointed out that English spelling is unnecessary difficult; for example: cough, plough, rough, through and thorough. What is clearly needed is a phased programme of changes to iron out these anomalies. The programme would, of course, be administered by a committee staff at top level by participating nations.
In the first year, for example, the committee would suggest using 's' instead of the soft 'c'. Sertainly, sivil servants in all sities would resieve this news with joy. Then the hard 'c' could be replaced by 'k' sinse both letters are pronounsed alike. Not only would this klear up konfusion in the minds of klerikal workers, but typewriters kould be made with one less letter.
There would be growing enthusiasm when in the sekond year, it was anounsed that the troublesome 'ph' would henseforth be written 'f'. This would make words like 'fotograf' twenty persent shorter in print.
In the third year, publik akseptanse of the new spelling kan be expekted to reach the stage where more komplikated changes are possible.
Governments would enkourage the removal of double letters which have always been a deterent to akurate speling.
We would al agre that the horible mes of silent 'e's in the languag is disgrasful. Therefor we kould drop thes and kontinu to read and writ as though nothing had hapend. By this tim it would be four years sins the skem began and peopl would be reseptive to steps sutsh as replasing 'th' by 'z'. Perhaps zen ze funktion of 'w' kould be taken on by 'v', vitsh is, after al, half a 'w'.
Shortly after zis, ze unesesary 'o' kould be dropd from words kontaining 'ou'. Similar arguments vud of kors be aplid to ozer kombinations of leters.
Kontinuing zis proses yer after yer, ve vud eventuli hav a reli sensibl riten styl. After tventi yers zer vud be no mor trubls, difikultis and evrivun vud fin it ezi tu understand ech ozer. Ze drems of the Guvermnt vud finali hav kum tru"
segunda-feira, maio 03, 2004
Hospital Santa Maria
O João Maria, a contas com umas alergias manhosas que lhe deixaram as pernas em várias tonalidades de vermelho, foi comigo à urgência pediátrica de Santa Maria. A gorda não se calava, e queria saber tudo sobre a vida da cigana e da mulher que dava colo a um quase recém nascido. A cigana, mãe de cinco filhos que, só não tinha mais porque não podia. Mãe coragem com certeza. As perguntas eram cretinas e quase ofensivas. O que é que a gorda tinha a ver com a opção por ser mãe de cinco, até de mais assim pudesse. Perguntava-lhe se gostava de crianças, só dos dela, que idade tinha, que idades tinham os filhos, se iam à escola. À outra perguntava se era o único, porque é que tinha esperado 14 anos para ter o segundo filho, se tinha mais paciência para este do que para o mais velho, se eram parecidos, porque é que eram de pais diferentes, como é que engravidou aos 18 e depois aos 32, se estava à espera de voltar a ser mãe. Estupor da gorda só me apetecia mandá-la calar. Falava o que lhe vinha à parca cabeça. Retardada. Incontinente verbal. Estúpida. Mete-te na tua vida.
A cigana e a mulher respondiam como se falassem para uma assembleia, porque os filhos são a maior riqueza e orgulho de uma mãe e destas riquezas não há que haver receio de anunciar.
Fui-me embora porque o João Maria melhorou e foi mandado para casa. O que iria na cabeça daquela gorda para querer saber assim, da vida dos outros.
O João Maria, a contas com umas alergias manhosas que lhe deixaram as pernas em várias tonalidades de vermelho, foi comigo à urgência pediátrica de Santa Maria. A gorda não se calava, e queria saber tudo sobre a vida da cigana e da mulher que dava colo a um quase recém nascido. A cigana, mãe de cinco filhos que, só não tinha mais porque não podia. Mãe coragem com certeza. As perguntas eram cretinas e quase ofensivas. O que é que a gorda tinha a ver com a opção por ser mãe de cinco, até de mais assim pudesse. Perguntava-lhe se gostava de crianças, só dos dela, que idade tinha, que idades tinham os filhos, se iam à escola. À outra perguntava se era o único, porque é que tinha esperado 14 anos para ter o segundo filho, se tinha mais paciência para este do que para o mais velho, se eram parecidos, porque é que eram de pais diferentes, como é que engravidou aos 18 e depois aos 32, se estava à espera de voltar a ser mãe. Estupor da gorda só me apetecia mandá-la calar. Falava o que lhe vinha à parca cabeça. Retardada. Incontinente verbal. Estúpida. Mete-te na tua vida.
A cigana e a mulher respondiam como se falassem para uma assembleia, porque os filhos são a maior riqueza e orgulho de uma mãe e destas riquezas não há que haver receio de anunciar.
Fui-me embora porque o João Maria melhorou e foi mandado para casa. O que iria na cabeça daquela gorda para querer saber assim, da vida dos outros.
sexta-feira, abril 30, 2004
Memória Selectiva
Ontem quando o despertador me acordou reparei que estava sózinho na cama. Não se estranha quando há criançada por perto. Aliás, nestas condições raras são as vezes em que se acorda exactamente com as mesmas pessoas com que nos deitamos. Ou falta alguém, ou está alguém a mais, ou se acorda na cama de outra pessoa. Esta é uma das grandes emoções de ser pai.
Deixei-me levar pelo sono que ainda restava. Quando me levanto, reparo que a minha mulher mal me fala e que quando o faz não prima pela simpatia. Descubro que tivemos uma discussão a meio da noite à conta da necessidade de fazer algo ao príncipe mais novo. Ao que parece, pediu-me para eu ir ver o que se passava, e eu desatei aos berros num discurso bem articulado "Eu sei muito bem que ele está a chorar e faz parte da minha estratégia não ir lá neste momento. Estas coisas têm o seu timing e eu é que decido qual a melhor altura para ir ver o que se passa." Ainda fiz uns gestos bruscos de chega pra lá.
Juro que não me lembro de patavina, mas concordo com tudo o que dizem que eu disse. Faz todo o sentido.
Lá nos entendemos sobre o sucedido, mas pairaram no ar umas alternativas para me acordar que envolvem o uso de copos de água, ou métodos ainda mais medonhos.
De qualquer forma, alguma coisa deve ter ficado no subconsciente, porque hoje acordei na cama do Manel.
Ontem quando o despertador me acordou reparei que estava sózinho na cama. Não se estranha quando há criançada por perto. Aliás, nestas condições raras são as vezes em que se acorda exactamente com as mesmas pessoas com que nos deitamos. Ou falta alguém, ou está alguém a mais, ou se acorda na cama de outra pessoa. Esta é uma das grandes emoções de ser pai.
Deixei-me levar pelo sono que ainda restava. Quando me levanto, reparo que a minha mulher mal me fala e que quando o faz não prima pela simpatia. Descubro que tivemos uma discussão a meio da noite à conta da necessidade de fazer algo ao príncipe mais novo. Ao que parece, pediu-me para eu ir ver o que se passava, e eu desatei aos berros num discurso bem articulado "Eu sei muito bem que ele está a chorar e faz parte da minha estratégia não ir lá neste momento. Estas coisas têm o seu timing e eu é que decido qual a melhor altura para ir ver o que se passa." Ainda fiz uns gestos bruscos de chega pra lá.
Juro que não me lembro de patavina, mas concordo com tudo o que dizem que eu disse. Faz todo o sentido.
Lá nos entendemos sobre o sucedido, mas pairaram no ar umas alternativas para me acordar que envolvem o uso de copos de água, ou métodos ainda mais medonhos.
De qualquer forma, alguma coisa deve ter ficado no subconsciente, porque hoje acordei na cama do Manel.
quinta-feira, abril 29, 2004
Promessa Cumprida
Lá fomos até à porta mágica como prometido desde o início da semana. Ainda não percebi se as pessoas da agência bancária acham muita graça, a ver os príncipes ás voltas na porta giratória enquanto, cá fora, eu levanto uns míseros euros. Nós achamos muito engraçado e divertido. Eles acreditam que a porta só começa a girar com um sonoro Abracadabra.
Obrigado sr. Jardim Gonçalves pelas portas estilo carrocel.
Lá fomos até à porta mágica como prometido desde o início da semana. Ainda não percebi se as pessoas da agência bancária acham muita graça, a ver os príncipes ás voltas na porta giratória enquanto, cá fora, eu levanto uns míseros euros. Nós achamos muito engraçado e divertido. Eles acreditam que a porta só começa a girar com um sonoro Abracadabra.
Obrigado sr. Jardim Gonçalves pelas portas estilo carrocel.
quarta-feira, abril 28, 2004
「ありがとう」
A Caixa de Costura recebeu a primeira visita do país do sol nascente. Arigato. O título deste post é um chamariz para mais visitantes nipónicos. Assim como assim eles chegam sempre ao presente, com alguma antecedência. Digamos que levam meio dia de vantagem, e isso parece-me razão suficiente para que lhes dedique alguma atenção.
A Caixa de Costura recebeu a primeira visita do país do sol nascente. Arigato. O título deste post é um chamariz para mais visitantes nipónicos. Assim como assim eles chegam sempre ao presente, com alguma antecedência. Digamos que levam meio dia de vantagem, e isso parece-me razão suficiente para que lhes dedique alguma atenção.
terça-feira, abril 27, 2004
Mistério
O que é que aconteceu à Pegada na Areia? Espero que nenhuma onda mais feroz a tenha varrido, que se sente a sua falta.
O que é que aconteceu à Pegada na Areia? Espero que nenhuma onda mais feroz a tenha varrido, que se sente a sua falta.
A comunidade
bloguistica está grávida. E isso é genéricamente considerado como positivo. A Catarina e a Cristina andam a fazer o levantamento destes casos. A coluna da direita será actualizada em conformidade.
Com tanto homem grávido, deixa-me muito feliz o facto de não existir nenhum bébé de mãe incógnita.
bloguistica está grávida. E isso é genéricamente considerado como positivo. A Catarina e a Cristina andam a fazer o levantamento destes casos. A coluna da direita será actualizada em conformidade.
Com tanto homem grávido, deixa-me muito feliz o facto de não existir nenhum bébé de mãe incógnita.
domingo, abril 25, 2004
25 de Abril
A meio dos preparativos para mais um dia de Formigueiro, chegou a notícia que nesse dia, o colégio ia estar fechado, e com o emprego do pai acontecia o mesmo, ficámos todos em casa num crescente frenesim. Lembro-me que lá pela hora do lanche se discutia sobre ir ou não à rua ver a revolução de perto. Pelo sim pelo não, eu e a minha irmã montámos no quintal um posto de comando com anti-aérea e tudo. O espaço aéreo de Campo de Ourique, um pilar estratégico da Revolução, estava controlado por nós. Ainda hoje estou convencido de que se não fossemos nós, a revolução não tinha vingado.
A meio dos preparativos para mais um dia de Formigueiro, chegou a notícia que nesse dia, o colégio ia estar fechado, e com o emprego do pai acontecia o mesmo, ficámos todos em casa num crescente frenesim. Lembro-me que lá pela hora do lanche se discutia sobre ir ou não à rua ver a revolução de perto. Pelo sim pelo não, eu e a minha irmã montámos no quintal um posto de comando com anti-aérea e tudo. O espaço aéreo de Campo de Ourique, um pilar estratégico da Revolução, estava controlado por nós. Ainda hoje estou convencido de que se não fossemos nós, a revolução não tinha vingado.
sexta-feira, abril 23, 2004
quinta-feira, abril 22, 2004
quarta-feira, abril 21, 2004
Pior ...
... cego é aquele que não quer ver. Descobri a origem deste turbilhão que afecta Portugal nestes últimos tempos. Acompanhem o meu raciocínio.
Onde é que se vendem a maioria dos electrodomésticos em Portugal?
Nas lojas, ok. Mas a pergunta é: Em que lojas? Nas lojas Worten, certo?
O que é que tem acontecido às margens e ao volumes de vendas nas lojas Worten? As primeiras estão esmagadas, e o segundo cai mais vezes que americanos no iraque (sr. Bush não se apoquente, é só uma piada de mau gosto).
O que é que a Sonae tem que fazer? Afastar de vez, e por todos os meios, TODOS os potenciais riscos para a venda de electrodomésticos.
Quem são as pessoas que, em Portugal, mais ofereceram electrodomésticos, afastando os compradores das lojas Worten? Pensem lá um bocadinho.
Pois é meus caros. Essas pessoas são:
1. O Valentim Loureiro por altura das eleições.
2. O Carlos Cruz por altura do 1,2,3
Onde é que estão essas pessoas? Na prisão, vítimas de uma cabala.
Que vergonha sr. Belmiro de Azevedo. A seguir vai arranjar forma de mandar prender quem? O Fernando Mendes? Que Deus lhe perdoe.
... cego é aquele que não quer ver. Descobri a origem deste turbilhão que afecta Portugal nestes últimos tempos. Acompanhem o meu raciocínio.
Onde é que se vendem a maioria dos electrodomésticos em Portugal?
Nas lojas, ok. Mas a pergunta é: Em que lojas? Nas lojas Worten, certo?
O que é que tem acontecido às margens e ao volumes de vendas nas lojas Worten? As primeiras estão esmagadas, e o segundo cai mais vezes que americanos no iraque (sr. Bush não se apoquente, é só uma piada de mau gosto).
O que é que a Sonae tem que fazer? Afastar de vez, e por todos os meios, TODOS os potenciais riscos para a venda de electrodomésticos.
Quem são as pessoas que, em Portugal, mais ofereceram electrodomésticos, afastando os compradores das lojas Worten? Pensem lá um bocadinho.
Pois é meus caros. Essas pessoas são:
1. O Valentim Loureiro por altura das eleições.
2. O Carlos Cruz por altura do 1,2,3
Onde é que estão essas pessoas? Na prisão, vítimas de uma cabala.
Que vergonha sr. Belmiro de Azevedo. A seguir vai arranjar forma de mandar prender quem? O Fernando Mendes? Que Deus lhe perdoe.
terça-feira, abril 20, 2004
segunda-feira, abril 19, 2004
A direito...
... regressaram a casa. Que alívio. Isto de uma casa com os três homens, é uma coisa difícil de gerir. Sobretudo quando a preocupação do mais novo é acertar com um carro na cabeça do homem do meio e a preocupação do homem do meio é marcar uma dúzia de golos sem resposta ao mais homem mais novo, que olha feito parvo para o comando da playstation que lhe estremece nas mãos.
Agora já estamos todos em casa e muito felizes. A cabeça à roda foi mais um sintoma e dos fortes, daquilo que já sabíamos há algumas semanas:
Nós todos pois claro, que isto de abrir as portas ao quinto elemento da família, tem que ser assumido por todos.
... regressaram a casa. Que alívio. Isto de uma casa com os três homens, é uma coisa difícil de gerir. Sobretudo quando a preocupação do mais novo é acertar com um carro na cabeça do homem do meio e a preocupação do homem do meio é marcar uma dúzia de golos sem resposta ao mais homem mais novo, que olha feito parvo para o comando da playstation que lhe estremece nas mãos.
Agora já estamos todos em casa e muito felizes. A cabeça à roda foi mais um sintoma e dos fortes, daquilo que já sabíamos há algumas semanas:
Estamos grávidos!!!!
Nós todos pois claro, que isto de abrir as portas ao quinto elemento da família, tem que ser assumido por todos.
domingo, abril 18, 2004
À roda ...
tudo à roda num carrocel desconcertante, no centro da órbitra de todos os objectos, as paredes, os quadros, as vozes. A vertigem descontrolada faz o corpo ceder, não se consegue parar o movimento. Depois de tanta tempestade, instala-se aos poucos o sossego para lá de merecido. O suporte do balão do soro também lhe suporta o corpo ainda pouco seguro em passos dados com todos os vagares. Devolve-lhe o tempo, ao de leve, o sorriso. Ninguém percebe muito bem o que ali faz. Ao lado ouvem-se os despertares das novas vidas, ainda faltam uns tempos largos para se separar da que nela abriga. Como disse a prima Rita, é preciso ver que ela também já não vai para nova. Que susto meus amores. Talvez amanhã voltem para casa. Oxalá seja assim.
tudo à roda num carrocel desconcertante, no centro da órbitra de todos os objectos, as paredes, os quadros, as vozes. A vertigem descontrolada faz o corpo ceder, não se consegue parar o movimento. Depois de tanta tempestade, instala-se aos poucos o sossego para lá de merecido. O suporte do balão do soro também lhe suporta o corpo ainda pouco seguro em passos dados com todos os vagares. Devolve-lhe o tempo, ao de leve, o sorriso. Ninguém percebe muito bem o que ali faz. Ao lado ouvem-se os despertares das novas vidas, ainda faltam uns tempos largos para se separar da que nela abriga. Como disse a prima Rita, é preciso ver que ela também já não vai para nova. Que susto meus amores. Talvez amanhã voltem para casa. Oxalá seja assim.
sexta-feira, abril 16, 2004
Natureza Morta
A queda da ponte de Entre os Rios, os incêndios do verão e a morte do jogador de futebol têm todos a mesma causa: Natural. É bom viver num país onde a natureza e a naturalidade são uma constante. Vai-se a ver e ás tantas a ineficácia do governo, o número de desempregados, a miséria de tanta gente, o défice acima dos 3%, a lentidão da justiça, as listas de espera da saúde, o jornal da TVI, a pedofilia, os malucos do riso, a ilegalidade do aborto, o ministro da defesa, a ministra das finanças, a maioria parlamentar, a corrupção, o jornalismo do 24 horas, tem tudo a mesma causa. A natureza, ou a naturalidade ou o raio que os parta.
A queda da ponte de Entre os Rios, os incêndios do verão e a morte do jogador de futebol têm todos a mesma causa: Natural. É bom viver num país onde a natureza e a naturalidade são uma constante. Vai-se a ver e ás tantas a ineficácia do governo, o número de desempregados, a miséria de tanta gente, o défice acima dos 3%, a lentidão da justiça, as listas de espera da saúde, o jornal da TVI, a pedofilia, os malucos do riso, a ilegalidade do aborto, o ministro da defesa, a ministra das finanças, a maioria parlamentar, a corrupção, o jornalismo do 24 horas, tem tudo a mesma causa. A natureza, ou a naturalidade ou o raio que os parta.
quinta-feira, abril 15, 2004
quarta-feira, abril 14, 2004
Nostalgia
Lembrei-me de um filme animado que passava algumas 248 vezes por ano na televisão. A história da minhoquinha Gaspar que fazia a sua casa na maçã, e que ficou sem casa (o que aliás é muito bem feito de tão óbvio que uma maçã não é o local ideal para morar) porque o menino comeu a maça, e depois se fez borboleta e subiu até o sol lhe queimar as asas.
O problema deste filme é o cansaço que provoca depois de passar mais vezes na televisão que a própria Música no Coração.
Lembrei-me de um filme animado que passava algumas 248 vezes por ano na televisão. A história da minhoquinha Gaspar que fazia a sua casa na maçã, e que ficou sem casa (o que aliás é muito bem feito de tão óbvio que uma maçã não é o local ideal para morar) porque o menino comeu a maça, e depois se fez borboleta e subiu até o sol lhe queimar as asas.
O problema deste filme é o cansaço que provoca depois de passar mais vezes na televisão que a própria Música no Coração.
terça-feira, abril 13, 2004
Brincadeirinha
Ao jeito de Palavras em Férias
Diariamente
Para calar a boca: Rícino
Pra lavar a roupa: Omo
Para viagem longa: Jato
Para difíceis contas: Calculadora
Para o pneu na lona: Jacaré
Para a pantalona: Nesga
Para pular a onda: Litoral
Para lápis ter ponta: Apontador
Para o Pará e o Amazonas: Látex
Para parar na pamplona: Assis
Para trazer à tona: Homem - Rã
Para a melhor azeitona: Ibéria
Para o presente da noiva: Marzipã
Para Adidas o Conga: Nacional
Para o outono a folha: Exclusão
Para embaixo da sombra: Guarda -Sol
Para todas as coisas: Dicionário
Para que fiquem prontas: Paciência
Para dormir a fronha: Madrigal
Para brincar na gangorra: Dois
Para fazer uma toca: Bobs
Para beber uma coca: Drops
Para ferver uma sopa: Graus
Para a luz lá na roça: 220 volts
Para vigias em ronda: Café
Para limpar a lousa: Apagador
Para o beijo da moça: Paladar
Para uma voz muito rouca: Hortelã
Para a cor roxa: Ataúde
Para a galocha: Verlon
Para ser moda: Melancia
Para abrir a rosa: Temporada
Para aumentar a vitrola: Sábado
Para a cama de mola: Hóspede
Para trancar bem a porta: Cadeado
Para que serve a calota: Volkswagen
Para quem não acorda: Balde
Para a letra torta: Pauta
Para parecer mais nova: Avon
Para os dias de prova: Amnésia
Para estourar a pipoca: Barulho
Para quem se afoga: Isopor
Para levar na escola: Condução
Para s dias de folga: Namorado
Para o automóvel que capota: Guincho
Para fechar uma aposta: Paraninfo
Para quem se comporta: Brinde
Para a mulher que aborta: Repouso
Para saber a resposta: Vide - o - Verso
Para escolher a compota: Jundiaí
Para a menina que engorda: Hipofagi
Para a comida das orcas: Krill
Para o telefone que toca:
Para a água lá na poça
Para a mesa que vai ser posta
Para você o que você gosta: Diariamente
Marisa Monte
Então e se fossem blogs?
Para usar a cabeça: Pensativa
Para molhar o sorriso: Gotinha
Para transbordar o vácuo: O vazio
Para o Domingo à tarde:Matraquilhos
... continue quem quiser nas alfinetadas.
Ao jeito de Palavras em Férias
Diariamente
Para calar a boca: Rícino
Pra lavar a roupa: Omo
Para viagem longa: Jato
Para difíceis contas: Calculadora
Para o pneu na lona: Jacaré
Para a pantalona: Nesga
Para pular a onda: Litoral
Para lápis ter ponta: Apontador
Para o Pará e o Amazonas: Látex
Para parar na pamplona: Assis
Para trazer à tona: Homem - Rã
Para a melhor azeitona: Ibéria
Para o presente da noiva: Marzipã
Para Adidas o Conga: Nacional
Para o outono a folha: Exclusão
Para embaixo da sombra: Guarda -Sol
Para todas as coisas: Dicionário
Para que fiquem prontas: Paciência
Para dormir a fronha: Madrigal
Para brincar na gangorra: Dois
Para fazer uma toca: Bobs
Para beber uma coca: Drops
Para ferver uma sopa: Graus
Para a luz lá na roça: 220 volts
Para vigias em ronda: Café
Para limpar a lousa: Apagador
Para o beijo da moça: Paladar
Para uma voz muito rouca: Hortelã
Para a cor roxa: Ataúde
Para a galocha: Verlon
Para ser moda: Melancia
Para abrir a rosa: Temporada
Para aumentar a vitrola: Sábado
Para a cama de mola: Hóspede
Para trancar bem a porta: Cadeado
Para que serve a calota: Volkswagen
Para quem não acorda: Balde
Para a letra torta: Pauta
Para parecer mais nova: Avon
Para os dias de prova: Amnésia
Para estourar a pipoca: Barulho
Para quem se afoga: Isopor
Para levar na escola: Condução
Para s dias de folga: Namorado
Para o automóvel que capota: Guincho
Para fechar uma aposta: Paraninfo
Para quem se comporta: Brinde
Para a mulher que aborta: Repouso
Para saber a resposta: Vide - o - Verso
Para escolher a compota: Jundiaí
Para a menina que engorda: Hipofagi
Para a comida das orcas: Krill
Para o telefone que toca:
Para a água lá na poça
Para a mesa que vai ser posta
Para você o que você gosta: Diariamente
Marisa Monte
Então e se fossem blogs?
Para usar a cabeça: Pensativa
Para molhar o sorriso: Gotinha
Para transbordar o vácuo: O vazio
Para o Domingo à tarde:Matraquilhos
... continue quem quiser nas alfinetadas.
segunda-feira, abril 12, 2004
Italiana
Ainda de ressaca do fim de semana prolongado, a cidade desperta devagar, cheia de sol, dormente. Foi assim que a percorri pela manhã e que, já tarde, regressei. Sou egoísta com a cidade, apetecia-me que todos os meses fossem como Agosto e que todos os dias fossem hoje. Com o tempo justo entre a partida e a chegada. Com o espaço certo para cada pessoa. Com o ria à justa.
Como uma bica curta, a cidade sabe melhor se se afasta do transbordo. Até o Cristo Rei, a quem não acho, a menor das graças, pareceu mais enquadrado.
Ainda de ressaca do fim de semana prolongado, a cidade desperta devagar, cheia de sol, dormente. Foi assim que a percorri pela manhã e que, já tarde, regressei. Sou egoísta com a cidade, apetecia-me que todos os meses fossem como Agosto e que todos os dias fossem hoje. Com o tempo justo entre a partida e a chegada. Com o espaço certo para cada pessoa. Com o ria à justa.
Como uma bica curta, a cidade sabe melhor se se afasta do transbordo. Até o Cristo Rei, a quem não acho, a menor das graças, pareceu mais enquadrado.
domingo, abril 11, 2004
Assim foi a Páscoa
curta no tempo como seria de esperar. Não cumpri tudo o que planeara, mas cumpri o essencial. O mar inquieto pelo vento, a leitura (depois falamos), a areia da praia fria, família, muita família, amigos também. Corri tanto. O que eu corri atrás do João que tirou as rodinhas da bicicleta. O que eu corri do homem da tabacaria a quem o João, por acidente, derrubou o globo com os brindes a um euro. O João numa mão, a bicicleta sem rodas e descontrolada na outra e pernas para que vos quero. Tens que aprender a travar já que não consegues desviar-te dos obstáculos. As pessoas não se estão a rir de ti, estão a rir das centenas de bolas espalhadas pela rua. Acredita em mim.
Cumpri as brincadeiras e o o tempo para nós quatro. Hoje estamos todos mais ranhosos, mas muito mais felizes.
curta no tempo como seria de esperar. Não cumpri tudo o que planeara, mas cumpri o essencial. O mar inquieto pelo vento, a leitura (depois falamos), a areia da praia fria, família, muita família, amigos também. Corri tanto. O que eu corri atrás do João que tirou as rodinhas da bicicleta. O que eu corri do homem da tabacaria a quem o João, por acidente, derrubou o globo com os brindes a um euro. O João numa mão, a bicicleta sem rodas e descontrolada na outra e pernas para que vos quero. Tens que aprender a travar já que não consegues desviar-te dos obstáculos. As pessoas não se estão a rir de ti, estão a rir das centenas de bolas espalhadas pela rua. Acredita em mim.
Cumpri as brincadeiras e o o tempo para nós quatro. Hoje estamos todos mais ranhosos, mas muito mais felizes.
quinta-feira, abril 08, 2004
quarta-feira, abril 07, 2004
Visitas
Descobri que a caixa de costura recebeu uma visita do US Courts Government, o que, nos dias que correm, pode ser Preocupante. Queria aproveitar a oportunidade para salientar o total alinhamento deste blog com a política Norte Americana, nomeadamente nas questões da ocupaç… quer dizer da missão de paz no Iraque, do Terrorismo, de Cuba (esse barbudo selvagem), da NATO e da ineficácia da ONU.
Aquele post sobre o prémio Nobel para a dupla Bush & Blair foi uma brincadeira. Eu acho mesmo que eles merecem o prémio. Se não lhe dão a eles, quem é que o merece? A GNR não?
Por falar em Bush. Venha de lá esse abraço. Eu sempre fui um admirador seu, já desde o tempo do Bush e Estica, e lá em casa não há parafuso na parede que não leve uma busha antes. Ainda por cima, tal como o senhor disse sobre os EUA, também aqui em Portugal a maior parte das nossas importações vem do exterior.
Muito obrigado a todos pela visita e voltem sempre. Ok? God save the Queen, Quer dizer. Good to have you around, see you later. Tchauzinho.
Descobri que a caixa de costura recebeu uma visita do US Courts Government, o que, nos dias que correm, pode ser Preocupante. Queria aproveitar a oportunidade para salientar o total alinhamento deste blog com a política Norte Americana, nomeadamente nas questões da ocupaç… quer dizer da missão de paz no Iraque, do Terrorismo, de Cuba (esse barbudo selvagem), da NATO e da ineficácia da ONU.
Aquele post sobre o prémio Nobel para a dupla Bush & Blair foi uma brincadeira. Eu acho mesmo que eles merecem o prémio. Se não lhe dão a eles, quem é que o merece? A GNR não?
Por falar em Bush. Venha de lá esse abraço. Eu sempre fui um admirador seu, já desde o tempo do Bush e Estica, e lá em casa não há parafuso na parede que não leve uma busha antes. Ainda por cima, tal como o senhor disse sobre os EUA, também aqui em Portugal a maior parte das nossas importações vem do exterior.
Muito obrigado a todos pela visita e voltem sempre. Ok? God save the Queen, Quer dizer. Good to have you around, see you later. Tchauzinho.
terça-feira, abril 06, 2004
Aniversário
Passaram dois anos desde que o governo entrou em funções. Deu direito a festa rija em forma de Conselho de Ministros extraordinário. A "Caixa de Costura" conseguiu obter algumas informações sobre o evento e publica aqui, em exclusivo, uma fotografia do bolo de aniversário.
Ao que parece, a animação da festa foi assegurada por um número significativo de palhaços.
Passaram dois anos desde que o governo entrou em funções. Deu direito a festa rija em forma de Conselho de Ministros extraordinário. A "Caixa de Costura" conseguiu obter algumas informações sobre o evento e publica aqui, em exclusivo, uma fotografia do bolo de aniversário.
Ao que parece, a animação da festa foi assegurada por um número significativo de palhaços.
segunda-feira, abril 05, 2004
Coluna da Direita
Paragens e apeadeiros recentes. Porto de abrigo.
Aqui não há poeta. Pela forma.
Palavras em férias. Pelos desafios.
Estou grávida, socorro!!! Porque sim.
Paragens e apeadeiros recentes. Porto de abrigo.
Aqui não há poeta. Pela forma.
Palavras em férias. Pelos desafios.
Estou grávida, socorro!!! Porque sim.
Páscoa 2
O meu pedido formal de desculpas ao Sopro do Coração. Só depois de escrever o post sobre os coelhos de páscoa é que visitei o blog que explica tudo ao detalhe.
O meu pedido formal de desculpas ao Sopro do Coração. Só depois de escrever o post sobre os coelhos de páscoa é que visitei o blog que explica tudo ao detalhe.
Murphy
A minha irmã tem uma estreita relação com o Murphy. Esse mesmo, o que dá o nome ás leis. Desta vez atropelou um javali. Presumo que a experiência tenha sido desagradável para ambos. A menos do Javali, não se registaram danos pessoais.
Com a sorte que lhe assiste, o carro ficou sem frente, e embora não saiba detalhes, aposto que não lhe coube nem um presunto do animal, que quase de certeza pertencia a uma reserva privada de caça pelo que terá que indeminizar os proprietários e pagar duas multas. Uma por caçar fora de época e outra por não ser portadora da respectiva licença. Talvez se consiga provar que o javali lhe saltou para o capot quando ela ia a passar.
A minha irmã tem uma estreita relação com o Murphy. Esse mesmo, o que dá o nome ás leis. Desta vez atropelou um javali. Presumo que a experiência tenha sido desagradável para ambos. A menos do Javali, não se registaram danos pessoais.
Com a sorte que lhe assiste, o carro ficou sem frente, e embora não saiba detalhes, aposto que não lhe coube nem um presunto do animal, que quase de certeza pertencia a uma reserva privada de caça pelo que terá que indeminizar os proprietários e pagar duas multas. Uma por caçar fora de época e outra por não ser portadora da respectiva licença. Talvez se consiga provar que o javali lhe saltou para o capot quando ela ia a passar.
Recados
1. 100Nada e as 40 Primaveras. A 100Nada fez 40 anos. Alegra-te que ainda falta muito para casar o Blog. Parabéns Catarina, atrasadíssimos como vai sendo meu costume.
2. Ao que parece, no outro dia, quase atropelava uma blogger e seus bloguinhos. Travei, e passaram felizes à minha frente, na passadeira. O blog é fantástico e a passadeira tem um monte de luzes intermitentes a delimitá-la. Não havia nenhuma razão para os travões do carro falharem.
3. Para os srs Sol e Calor que por hoje resolveram aparecer em força: Poupem-se para o fim de semana, não quero desculpas a apartir de quinta feira a dizer que estavam demasiado cansados, e que não aguentam ficar mais tempo, que o início de época isto e aquilo.
4. Descobri pela Goiabada um link para a Minha Gravidez (entenda-se a gravidez de uma Blogger). Tá giro, tá giro...
5. A propósito, para futuros pais que queiram saber o sexo das criança, tem aqui um método com 99% de resultados confirmados.
1. 100Nada e as 40 Primaveras. A 100Nada fez 40 anos. Alegra-te que ainda falta muito para casar o Blog. Parabéns Catarina, atrasadíssimos como vai sendo meu costume.
2. Ao que parece, no outro dia, quase atropelava uma blogger e seus bloguinhos. Travei, e passaram felizes à minha frente, na passadeira. O blog é fantástico e a passadeira tem um monte de luzes intermitentes a delimitá-la. Não havia nenhuma razão para os travões do carro falharem.
3. Para os srs Sol e Calor que por hoje resolveram aparecer em força: Poupem-se para o fim de semana, não quero desculpas a apartir de quinta feira a dizer que estavam demasiado cansados, e que não aguentam ficar mais tempo, que o início de época isto e aquilo.
4. Descobri pela Goiabada um link para a Minha Gravidez (entenda-se a gravidez de uma Blogger). Tá giro, tá giro...
5. A propósito, para futuros pais que queiram saber o sexo das criança, tem aqui um método com 99% de resultados confirmados.
A Páscoa
Se os ovos são um símbolo da Páscoa, porque é que aparecem tantos coelhos à mistura? Os coelhos nem põem ovos. A coisa parecia mais ajustada se se tratasse de galinhas de páscoa, ou gaivotas de páscoa, ou avestruzes de páscoa. Agora coelhos ?
Será que o coelho que foi com o Pai Natal no combóio ao circo, regressa por altura da Páscoa ? Que coisa estranha.
Se os ovos são um símbolo da Páscoa, porque é que aparecem tantos coelhos à mistura? Os coelhos nem põem ovos. A coisa parecia mais ajustada se se tratasse de galinhas de páscoa, ou gaivotas de páscoa, ou avestruzes de páscoa. Agora coelhos ?
Será que o coelho que foi com o Pai Natal no combóio ao circo, regressa por altura da Páscoa ? Que coisa estranha.
domingo, abril 04, 2004
02 26 31 36 38 48 + 01
Os números que saíram hoje no totoloto, aparentemente nada têm a ver com aqueles que escolhi para o meu boletim.
Os efeitos práticos deste facto não são nenhuns, excepto a sensação de ter passado o Sábado inteiro a planear uma semana que não vai acontecer. Retomo portanto, e para a semana em causa, o planeamento que tinha na Sexta Feira.
Os números que saíram hoje no totoloto, aparentemente nada têm a ver com aqueles que escolhi para o meu boletim.
Os efeitos práticos deste facto não são nenhuns, excepto a sensação de ter passado o Sábado inteiro a planear uma semana que não vai acontecer. Retomo portanto, e para a semana em causa, o planeamento que tinha na Sexta Feira.
sábado, abril 03, 2004
Em frente marche
Nunca tinha gostado daquele carro, sobretudo porque a marcha atrás era impossível de engatar. Normalmente acabava por meter a primeira.
Isto trouxe-lhe inúmeros dissabores nos parques de estacionamento e nas companhias de seguros.
Voltou a acontecer. Foda-se. Logo ali, de trombas para o rio.
As últimas palavras do infeliz foram dirigidas ao construtor daquele estupor de rodas. A água do Tejo subiu-lhe pelo habitáculo sem pedir licença. "Este rio continua imundo, que cheiro nauseabundo". Ainda pensou na fortuna que gastou com os tapetes novos.
Por fim, por duas ou três vezes, fez sinais de luzes, ligou os quatro piscas e desapareceu.
Nunca tinha gostado daquele carro, sobretudo porque a marcha atrás era impossível de engatar. Normalmente acabava por meter a primeira.
Isto trouxe-lhe inúmeros dissabores nos parques de estacionamento e nas companhias de seguros.
Voltou a acontecer. Foda-se. Logo ali, de trombas para o rio.
As últimas palavras do infeliz foram dirigidas ao construtor daquele estupor de rodas. A água do Tejo subiu-lhe pelo habitáculo sem pedir licença. "Este rio continua imundo, que cheiro nauseabundo". Ainda pensou na fortuna que gastou com os tapetes novos.
Por fim, por duas ou três vezes, fez sinais de luzes, ligou os quatro piscas e desapareceu.
quinta-feira, abril 01, 2004
Prémio Baú dos Príncipes e da Princesa ou Prémio do Mais Cosido!
Ás Palavras em Férias pela ideia, à Bananada de Goiaba pela nomeação. Eu que já me sentia qual autor de cinema independente, em noite de Óscares.
Estou cheio de orgulho pelo primeiro prémio da Caixa. Tenho que preparar um banner.
Ás Palavras em Férias pela ideia, à Bananada de Goiaba pela nomeação. Eu que já me sentia qual autor de cinema independente, em noite de Óscares.
Estou cheio de orgulho pelo primeiro prémio da Caixa. Tenho que preparar um banner.
Colo
Hoje, pela caixa de correio da Caixa de Costura, recebi colo de mãe:
" Abro a «caixa de costura» como quando, manhã cedo, abria a porta do teu quarto para ver se estavas e se estavas bem. Coisas de mãe...
Abro este blog para receber e deixar passar os fios fortes da vida e da ternura.
É muito bom
Mãe"
Pois é, acrescento eu
Hoje, pela caixa de correio da Caixa de Costura, recebi colo de mãe:
" Abro a «caixa de costura» como quando, manhã cedo, abria a porta do teu quarto para ver se estavas e se estavas bem. Coisas de mãe...
Abro este blog para receber e deixar passar os fios fortes da vida e da ternura.
É muito bom
Mãe"
Pois é, acrescento eu
quarta-feira, março 31, 2004
Falou-se ....
... de nomes para filhos durante o almoço. Num instante chegámos à ligeireza com que os Brasileiros arranjam nomes para os filhos:
"No Brasil, se o pai se chama Humberto, o mais natural é que o filho se possa chamar Doisberto".
Não que goste de caricaturar o povo Brasileiro, mas que se esticam na criação de nomes, lá isso esticam.
... de nomes para filhos durante o almoço. Num instante chegámos à ligeireza com que os Brasileiros arranjam nomes para os filhos:
"No Brasil, se o pai se chama Humberto, o mais natural é que o filho se possa chamar Doisberto".
Não que goste de caricaturar o povo Brasileiro, mas que se esticam na criação de nomes, lá isso esticam.
Também do MoMA ...
para alguém das redondezas, acabo de descobrir este colar, que lhe virtualmente ofereço.
.
para alguém das redondezas, acabo de descobrir este colar, que lhe virtualmente ofereço.
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terça-feira, março 30, 2004
Cinemateca
Já não passava por lá há tantos anos. Desde os tempos de faculdade. A reunião inesperada à tarde, abriu-me uma brecha à hora de almoço, que me conduziu até lá. Tinha a esperança de encontrar a loja aberta. Não abriu. Deixei-me levar pelo ambiente. Um céu estrelado, estrelas em cartazes de há muitos anos, câmaras e projectores de sonhos antigos. Luz, câmara e muita acção.
Como o pé de feijão na história do João, encontro uma infinita pilha de latas de película de filme apontada ao céu. Acho que se treparmos até ás últimas nuvens fim, encontramos a galinha dos ovos de ouro, um gigante mal amanhado e uma tocadora de harpa (provavelmente a Leonor Silveira).
Puz-me a pensar, no meio desta viagem, que o dia a dia vivido assim, se torna tão redutor. Sem querer, afastamo-nos de coisas estupidamente simples de saborear.
Já não passava por lá há tantos anos. Desde os tempos de faculdade. A reunião inesperada à tarde, abriu-me uma brecha à hora de almoço, que me conduziu até lá. Tinha a esperança de encontrar a loja aberta. Não abriu. Deixei-me levar pelo ambiente. Um céu estrelado, estrelas em cartazes de há muitos anos, câmaras e projectores de sonhos antigos. Luz, câmara e muita acção.
Como o pé de feijão na história do João, encontro uma infinita pilha de latas de película de filme apontada ao céu. Acho que se treparmos até ás últimas nuvens fim, encontramos a galinha dos ovos de ouro, um gigante mal amanhado e uma tocadora de harpa (provavelmente a Leonor Silveira).
Puz-me a pensar, no meio desta viagem, que o dia a dia vivido assim, se torna tão redutor. Sem querer, afastamo-nos de coisas estupidamente simples de saborear.
segunda-feira, março 29, 2004
Blogotinhices
Para quem ainda não percebeu a razão pela qual as obras demoram tanto tempo para além do esperado, aqui vai uma sugestão:
Visitem o site que tem esta e outras imagens. Muito bom.
Para quem ainda não percebeu a razão pela qual as obras demoram tanto tempo para além do esperado, aqui vai uma sugestão:
Visitem o site que tem esta e outras imagens. Muito bom.
domingo, março 28, 2004
Marés
Maré Cheia
A Ericeira fora de época, os sabores dos mares, os amigos.
Os convites para programas fora de horas de velhos amigos.
O esforço do Nilton para caber no seu novo programa. As perguntas que fez à Marisa Cruz.
Maré Vaza
O Inverno fora de época, a criançada fechada em casa durante a chuva insistente.
Os convites feitos fora de horas.
O formato do programa do Nilton, tipo "Isto só video". As respostas da Marisa, que não se conjugam com o esforço do rapaz.
Maré Cheia
A Ericeira fora de época, os sabores dos mares, os amigos.
Os convites para programas fora de horas de velhos amigos.
O esforço do Nilton para caber no seu novo programa. As perguntas que fez à Marisa Cruz.
Maré Vaza
O Inverno fora de época, a criançada fechada em casa durante a chuva insistente.
Os convites feitos fora de horas.
O formato do programa do Nilton, tipo "Isto só video". As respostas da Marisa, que não se conjugam com o esforço do rapaz.
Baú das recordações
Encontro mais uma música cheia de recordações penduradas.
Anos dourados
Tom Jobim - Chico Buarque
1986
Parece que dizes
Te amo, Maria
Na fotografia
Estamos felizes
Te ligo afobada
E deixo confissões
No gravador
Vai ser engraçado
Se tens um novo amor
Me vejo a teu lado
Te amo?
Não lembro
Parece dezembro
De um ano dourado
Parece bolero
Te quero, te quero
Dizer que não quero
Teus beijos nunca mais
Teus beijos nunca mais
Não sei se eu ainda
Te esqueço de fato
No nosso retrato
Pareço tão linda
Te ligo ofegante
E digo confusões no gravador
É desconcertante
Rever o grande amor
Meus olhos molhados
Insanos, dezembros
Mas quando eu me lembro
São anos dourados
Ainda te quero
Bolero, nossos versos são banais
Mas como eu espero
Teus beijos nunca mais
Teus beijos nunca mais
Encontro mais uma música cheia de recordações penduradas.
Anos dourados
Tom Jobim - Chico Buarque
1986
Parece que dizes
Te amo, Maria
Na fotografia
Estamos felizes
Te ligo afobada
E deixo confissões
No gravador
Vai ser engraçado
Se tens um novo amor
Me vejo a teu lado
Te amo?
Não lembro
Parece dezembro
De um ano dourado
Parece bolero
Te quero, te quero
Dizer que não quero
Teus beijos nunca mais
Teus beijos nunca mais
Não sei se eu ainda
Te esqueço de fato
No nosso retrato
Pareço tão linda
Te ligo ofegante
E digo confusões no gravador
É desconcertante
Rever o grande amor
Meus olhos molhados
Insanos, dezembros
Mas quando eu me lembro
São anos dourados
Ainda te quero
Bolero, nossos versos são banais
Mas como eu espero
Teus beijos nunca mais
Teus beijos nunca mais
quinta-feira, março 25, 2004
José Mário Branco
... Estou com saudades de o ver mais próximo da linha da frente da nossa música.
Move-se ultimamente em bastidores de cinema, teatro e participações em discos. Faz tanta falta um perseguidor sobre ele.
O poema da Natália Correia, na boleia da sua música, tem-me visitado as canções trauteadas no carro.
Queixa das almas jovens censuradas
Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola
Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade
Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência
Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro
Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós
Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo
Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro
Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco
Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura
Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante
Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino
Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte
... Estou com saudades de o ver mais próximo da linha da frente da nossa música.
Move-se ultimamente em bastidores de cinema, teatro e participações em discos. Faz tanta falta um perseguidor sobre ele.
O poema da Natália Correia, na boleia da sua música, tem-me visitado as canções trauteadas no carro.
Queixa das almas jovens censuradas
Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola
Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade
Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência
Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro
Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós
Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo
Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro
Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco
Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura
Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante
Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino
Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte
(Euro 2004: Portugal pede apoio à NATO)
Exª Srª NATO:
Serve a presente para solicitar a V.Exª que se digne a estar presente em Portugal, por ocasião do EURO2004. Tratando-se de um evento para o qual já investimos tanto do nosso esforço, rogamo-lhes que assuma as diligências necessárias a garantir o sucesso desta empresa de dimensão internacional. Tendo o povo português empenhado a sua própria mãe e vendido todos os dentes da frente por forma a possibilitar a construção dos 10 magníficos palcos onde decorrerão os confrontos, não nos parece viável outro desfecho, que não a vitória final da selecção das quinas.
Considerando o sofrimento com que o nosso povo encara uma eventual derrota, parece-nos evidente que cada selecção adversária pode potencialmente tornar-se uma arma de destruição massiva. Contamos, desta forma, com a V. determinação, já demonstrada em situações semelhantes, perante tais evidências.
Com os melhores cumprimentos
Portugal
Exª Srª NATO:
Serve a presente para solicitar a V.Exª que se digne a estar presente em Portugal, por ocasião do EURO2004. Tratando-se de um evento para o qual já investimos tanto do nosso esforço, rogamo-lhes que assuma as diligências necessárias a garantir o sucesso desta empresa de dimensão internacional. Tendo o povo português empenhado a sua própria mãe e vendido todos os dentes da frente por forma a possibilitar a construção dos 10 magníficos palcos onde decorrerão os confrontos, não nos parece viável outro desfecho, que não a vitória final da selecção das quinas.
Considerando o sofrimento com que o nosso povo encara uma eventual derrota, parece-nos evidente que cada selecção adversária pode potencialmente tornar-se uma arma de destruição massiva. Contamos, desta forma, com a V. determinação, já demonstrada em situações semelhantes, perante tais evidências.
Com os melhores cumprimentos
Portugal
quarta-feira, março 24, 2004
Consultoria
Normalmente falo-lhe dos filhos e digo meia dúzia de coisas sem sentido. Em alternativa, assumo uma espécie de postura de consultor que se dirige ao cliente, e falo-lhe de trabalho. Sinto-lhe simpatia e a certeza que é muito boa pessoa. Chegou para mais uma reunião, como tem acontecido nos últimos tempos. A diferença estava-lhe no rosto, se calhar no andar ou na ausência de vida, mas não reparei em nada que não fosse um rosto que me pareceu alérgico. Alergia à primavera, às resistências do inverno que nos importunam, ao que quer que fosse. Pareceu-me uma alergia, que como as alergias, fazem olhos inflamados e pingam os narizes.
Não era nada uma alergia. Acabava de chegar da missa de corpo presente de uma amiga que se suicidara. Perde o controlo e chora convulsivamente como uma criança. Não sabia o que fazer. Aliás nunca soube tão pouco o que fazer. Ali fiquei , com cara de parvo a olhar para aquela mulher que se desfazia em lágrimas. Apetecia-me dar-lhe um abraço, mas um consultor não abraça um cliente.
Os reforços chegaram em segundos e com eles o abraço de alguém que trabalha muito próximo dela. Ela recompôs-se no que era possível. Eu ainda estou atrapalhado com a situação. Que cretino.
Normalmente falo-lhe dos filhos e digo meia dúzia de coisas sem sentido. Em alternativa, assumo uma espécie de postura de consultor que se dirige ao cliente, e falo-lhe de trabalho. Sinto-lhe simpatia e a certeza que é muito boa pessoa. Chegou para mais uma reunião, como tem acontecido nos últimos tempos. A diferença estava-lhe no rosto, se calhar no andar ou na ausência de vida, mas não reparei em nada que não fosse um rosto que me pareceu alérgico. Alergia à primavera, às resistências do inverno que nos importunam, ao que quer que fosse. Pareceu-me uma alergia, que como as alergias, fazem olhos inflamados e pingam os narizes.
Não era nada uma alergia. Acabava de chegar da missa de corpo presente de uma amiga que se suicidara. Perde o controlo e chora convulsivamente como uma criança. Não sabia o que fazer. Aliás nunca soube tão pouco o que fazer. Ali fiquei , com cara de parvo a olhar para aquela mulher que se desfazia em lágrimas. Apetecia-me dar-lhe um abraço, mas um consultor não abraça um cliente.
Os reforços chegaram em segundos e com eles o abraço de alguém que trabalha muito próximo dela. Ela recompôs-se no que era possível. Eu ainda estou atrapalhado com a situação. Que cretino.
terça-feira, março 23, 2004
segunda-feira, março 22, 2004
Reunião
... de tupperware.
Este há-de ser o nome do meu próximo blog (com direitos de autor já reservados).
Algumas mulheres (grandes mulheres obviamente) que por aqui passam, reunem-se alegremente, trocam dicas sobre diversos temas, promovem produtos comerciais, deixam recados umas ás outras. Fazem-no de forma inconsequente e o pior de tudo é que de facto é inconsequente.
Sempre encarei o blog como um espaço de liberdade, até de libertação. Eu convivo pacificamente com o facto de ser em casa, um homem objecto (e desempenho esse papel com muito brio e orgulho). Eis que de repente, me vejo autor de um blogobjecto.
O pior é que nem posso refilar muito com esta utilização abusiva por parte do sector feminino, já que são o garante de algum sucesso da Caixa de Costura e evitam que me deprima horrores cada vez que consulto as estatísticas.
Vem-me à ideia, nem sei porquê, o "Operário em Construção" de Vinicius:
"(..)
não sabia por exemplo
que a casa de um homem
é um templo
um templo sem religião.
Como tampouco sabia,
que a casa que ele fazia,
sendo a sua liberdade
era a sua escravidão (...)"
Ora, com o blog passa-se o mesmo. Sendo a minha liberdade é a minha escravidão.
... de tupperware.
Este há-de ser o nome do meu próximo blog (com direitos de autor já reservados).
Algumas mulheres (grandes mulheres obviamente) que por aqui passam, reunem-se alegremente, trocam dicas sobre diversos temas, promovem produtos comerciais, deixam recados umas ás outras. Fazem-no de forma inconsequente e o pior de tudo é que de facto é inconsequente.
Sempre encarei o blog como um espaço de liberdade, até de libertação. Eu convivo pacificamente com o facto de ser em casa, um homem objecto (e desempenho esse papel com muito brio e orgulho). Eis que de repente, me vejo autor de um blogobjecto.
O pior é que nem posso refilar muito com esta utilização abusiva por parte do sector feminino, já que são o garante de algum sucesso da Caixa de Costura e evitam que me deprima horrores cada vez que consulto as estatísticas.
Vem-me à ideia, nem sei porquê, o "Operário em Construção" de Vinicius:
"(..)
não sabia por exemplo
que a casa de um homem
é um templo
um templo sem religião.
Como tampouco sabia,
que a casa que ele fazia,
sendo a sua liberdade
era a sua escravidão (...)"
Ora, com o blog passa-se o mesmo. Sendo a minha liberdade é a minha escravidão.
sexta-feira, março 19, 2004
Pré Primária
Todos os dias, no bolso do bibe azul, encontramos as folhas de rascunho que antecedem a escrita no caderno da escola. No outro dia, resultado de alguém andar a vasculhar o lixo, alguns destes rascunhos estavam espalhados pela rua o que deixou o João, algures entre o curioso e o desconfiado. "Que giro mãe. Está ali um papel meu da escola."
Ontem podia ver-se
Gato Gato gato
Guita Guita
Gruta Gruta Gruta Gruta
Galo Galo Galo
Desconfio qiue o João, com cinco anos, chegou ao chamado ponto G.
Todos os dias, no bolso do bibe azul, encontramos as folhas de rascunho que antecedem a escrita no caderno da escola. No outro dia, resultado de alguém andar a vasculhar o lixo, alguns destes rascunhos estavam espalhados pela rua o que deixou o João, algures entre o curioso e o desconfiado. "Que giro mãe. Está ali um papel meu da escola."
Ontem podia ver-se
Gato Gato gato
Guita Guita
Gruta Gruta Gruta Gruta
Galo Galo Galo
Desconfio qiue o João, com cinco anos, chegou ao chamado ponto G.
quarta-feira, março 17, 2004
Antecipação da Primavera II
Na temperatura do ar que tem ultrapassado as duas dezenas de graus. Ainda vamos aturar umas nuvens e umas caretas, mas a nossa cara vai concerteza estar mais ensolarada. Numa jogada de antecipação, o almoço de ontem foi entre amigos, e na esplanada de uma praia próxima. Vantagem evidente, a consciência de que para lá destas paredes e dos problemas que encerram existe vida no mundo exterior. A desvantagem traduz-se numa pontinha de inveja. A esplanada estava repleta de gente que não não se limitava a a proveitar um curtíssimo intervalo de almoço.
Na temperatura do ar que tem ultrapassado as duas dezenas de graus. Ainda vamos aturar umas nuvens e umas caretas, mas a nossa cara vai concerteza estar mais ensolarada. Numa jogada de antecipação, o almoço de ontem foi entre amigos, e na esplanada de uma praia próxima. Vantagem evidente, a consciência de que para lá destas paredes e dos problemas que encerram existe vida no mundo exterior. A desvantagem traduz-se numa pontinha de inveja. A esplanada estava repleta de gente que não não se limitava a a proveitar um curtíssimo intervalo de almoço.
terça-feira, março 16, 2004
Chegou
... lá a casa há cerca de um ano e meio. Veio pela mão de uma senhora com um ar distinto, que a entregou como quem entrega uma criança ás mãos de um estranho. Cheia de conselhos, recomendações, enaltecendo todas as virtudes e disfarçando-lhe o mau feitio. Tal qual as crianças, fez asneira logo na primeira oportunidade. Derramou uma garrafa de óleo ou azeite na mesa da cozinha. Era ver a senhora distinta, com um ar aflito a desfazer-se em desculpas, receosa de algum tipo de rejeição. Acabou por dizer uma das frases com que os homens mais mentem: "Isto nunca me tinha acontecido antes !".
A senhora regressou a casa com a angústia da separação mas com o sorriso de quem faz uma boa acção. Lá em casa ficou o quinto elemento da família: a Bimby.
A Bimby é uma protagonista da cozinha, uma sopeira electrónica que não dorme com o patrão (e ainda bem que assim é porque aquelas lâminas não são de confiar), uma cozinheira com mostrador e botões. A Bimby é o Ferrari dos robots de cozinha. 10 segundos para leite creme, 30 para caipirinha, 25 para ameijoas à bolhão pato, 12 segundos para sorvete de morangos, sopa em 20 minutos, massa de tarte num minuto, açucar em pó em 5 segundos, . A bimby pesa, aquece, cozinha, tritura, amassa, coa e transforma a cozinha num box de F1, mas não trás as miúdas giras e cheias de curvas que povoam as ditas boxes.
A Bimby não tem direito a subsídio de Natal nem de Férias, não parte nada lá em casa, não passa a vida na cusquice com as outras Bimbys, mas não passa a ferro, não aspira, não faz as camas, não finge que arruma, nem que limpa o pó, não vive na zona saloia e não assobia nos esses. A Bimby não se mete na vida do patronato.
Ainda assim não sei se prefiro uma Bimby se uma Bimba.
... lá a casa há cerca de um ano e meio. Veio pela mão de uma senhora com um ar distinto, que a entregou como quem entrega uma criança ás mãos de um estranho. Cheia de conselhos, recomendações, enaltecendo todas as virtudes e disfarçando-lhe o mau feitio. Tal qual as crianças, fez asneira logo na primeira oportunidade. Derramou uma garrafa de óleo ou azeite na mesa da cozinha. Era ver a senhora distinta, com um ar aflito a desfazer-se em desculpas, receosa de algum tipo de rejeição. Acabou por dizer uma das frases com que os homens mais mentem: "Isto nunca me tinha acontecido antes !".
A senhora regressou a casa com a angústia da separação mas com o sorriso de quem faz uma boa acção. Lá em casa ficou o quinto elemento da família: a Bimby.
A Bimby é uma protagonista da cozinha, uma sopeira electrónica que não dorme com o patrão (e ainda bem que assim é porque aquelas lâminas não são de confiar), uma cozinheira com mostrador e botões. A Bimby é o Ferrari dos robots de cozinha. 10 segundos para leite creme, 30 para caipirinha, 25 para ameijoas à bolhão pato, 12 segundos para sorvete de morangos, sopa em 20 minutos, massa de tarte num minuto, açucar em pó em 5 segundos, . A bimby pesa, aquece, cozinha, tritura, amassa, coa e transforma a cozinha num box de F1, mas não trás as miúdas giras e cheias de curvas que povoam as ditas boxes.
A Bimby não tem direito a subsídio de Natal nem de Férias, não parte nada lá em casa, não passa a vida na cusquice com as outras Bimbys, mas não passa a ferro, não aspira, não faz as camas, não finge que arruma, nem que limpa o pó, não vive na zona saloia e não assobia nos esses. A Bimby não se mete na vida do patronato.
Ainda assim não sei se prefiro uma Bimby se uma Bimba.
domingo, março 14, 2004
Almoço de Primos
Não sei bem a propósito do quê, depois das entradas, a meio do arroz de pato e mesmo antes dos morangos, insinuou-se que assim, à primeira vista, eu podia ser considerado como ... careca. CARECA ???
Há uns anos atrás, a avó da Ana espreitava da janela quando eu ia buscá-la à porta de casa. A sua cusquice levou-a a alertar o meu futuro sogro que a menina dos olhos da família devia estar a sair com um homem bem mais velho, careca e tudo. Olha já se sabe que, a partir de certa idade os olhos nos atraiçoam, e veio-se a comprovar que as suas suspeitas eram infundadas e que eu não só se tratava de um jovem de vinte e tantos anos como era possuidor de uma farta cabeleira (mal distribuída talvez, mas farta).
Há menos anos atrás, ia eu a descer uma rua com alguma inclinação, e oiço uma criança atrás de mim (devia sofrer de alucinações) a perguntar ao respectivo progenitor "Pai, porque é que aquele senhor é careca?". Olhei em volta e não vi mais ninguém. Apeteceu-me mandar um estalo ao fedelho, mas vi logo que a criança devia ter algum problema. Do estilo ser muito mentirosa.
Nestes últimos tempos, várias são as situações em que sou abusivamente classificado na categoria dos carecas ou, ainda pior, na dos calvos. É um disparate equivalente a dizer que o planeta terra é todo coberto por água. Eu tenho cabelo, e em abundância, em parte significativa do hemisfério norte da minha cabeça.
A propósito deste tema, senti imenso a falta do Daniel neste almoço de primos.
Não sei bem a propósito do quê, depois das entradas, a meio do arroz de pato e mesmo antes dos morangos, insinuou-se que assim, à primeira vista, eu podia ser considerado como ... careca. CARECA ???
Há uns anos atrás, a avó da Ana espreitava da janela quando eu ia buscá-la à porta de casa. A sua cusquice levou-a a alertar o meu futuro sogro que a menina dos olhos da família devia estar a sair com um homem bem mais velho, careca e tudo. Olha já se sabe que, a partir de certa idade os olhos nos atraiçoam, e veio-se a comprovar que as suas suspeitas eram infundadas e que eu não só se tratava de um jovem de vinte e tantos anos como era possuidor de uma farta cabeleira (mal distribuída talvez, mas farta).
Há menos anos atrás, ia eu a descer uma rua com alguma inclinação, e oiço uma criança atrás de mim (devia sofrer de alucinações) a perguntar ao respectivo progenitor "Pai, porque é que aquele senhor é careca?". Olhei em volta e não vi mais ninguém. Apeteceu-me mandar um estalo ao fedelho, mas vi logo que a criança devia ter algum problema. Do estilo ser muito mentirosa.
Nestes últimos tempos, várias são as situações em que sou abusivamente classificado na categoria dos carecas ou, ainda pior, na dos calvos. É um disparate equivalente a dizer que o planeta terra é todo coberto por água. Eu tenho cabelo, e em abundância, em parte significativa do hemisfério norte da minha cabeça.
A propósito deste tema, senti imenso a falta do Daniel neste almoço de primos.
quinta-feira, março 11, 2004
Beiço no beiço
Aproveitando o título da Rita, e o post jé desde a BananadaDeGoiaba. Deu isto. Logo a mim que acho estas coisas tão pouco hegiénicas. A imagem é tão pirosinha, mas dá um post lindo. Falta-lhe um pôr do sol e umas pombas lá por trás.

kiss on the lips - you're sweet and simple but
quite daring. you move for the kill confidently
knowing the other person wants the same thing.
What Sign of Affection Are You?
brought to you by Quizilla
Aproveitando o título da Rita, e o post jé desde a BananadaDeGoiaba. Deu isto. Logo a mim que acho estas coisas tão pouco hegiénicas. A imagem é tão pirosinha, mas dá um post lindo. Falta-lhe um pôr do sol e umas pombas lá por trás.

kiss on the lips - you're sweet and simple but
quite daring. you move for the kill confidently
knowing the other person wants the same thing.
What Sign of Affection Are You?
brought to you by Quizilla
Espanta-me
a quantidade de notícias existente sobre Marte. Que raio de raça é a nossa que gasta rios de tinta a escrever sobre um planeta que não parece mais que um imenso court de terra batida, cheio de imperfeições e ainda por cima sem bancadas. Pelo que ouvi hoje na rádio, parece que a atmosfera do dito cheira a pum. O que há mais para escrever sobre Marte? Que teve água ? A garrafa que está à minha frente também já teve água e agora está vazia. E digo mais. A garrafa à minha frente não tem cheiro. Se de vez em quando, algo cheira a pum aqui nas redondezas, a culpa é exclusivamente minha.
Tratando-se de um planeta vermelho, haverá algum receio de uma nova ameaça comunista proveniente do espaço. Será isso que preocupa o mundo? Será que acham que em Marte se comem criancinhas. Será que vão surgir fotografias em panfletos reaccionários sobre gastronomia envolvendo criancinhas em Marte? Neste mundo tudo é possível. Noutro mundo, não sei.
a quantidade de notícias existente sobre Marte. Que raio de raça é a nossa que gasta rios de tinta a escrever sobre um planeta que não parece mais que um imenso court de terra batida, cheio de imperfeições e ainda por cima sem bancadas. Pelo que ouvi hoje na rádio, parece que a atmosfera do dito cheira a pum. O que há mais para escrever sobre Marte? Que teve água ? A garrafa que está à minha frente também já teve água e agora está vazia. E digo mais. A garrafa à minha frente não tem cheiro. Se de vez em quando, algo cheira a pum aqui nas redondezas, a culpa é exclusivamente minha.
Tratando-se de um planeta vermelho, haverá algum receio de uma nova ameaça comunista proveniente do espaço. Será isso que preocupa o mundo? Será que acham que em Marte se comem criancinhas. Será que vão surgir fotografias em panfletos reaccionários sobre gastronomia envolvendo criancinhas em Marte? Neste mundo tudo é possível. Noutro mundo, não sei.
Então
isto faz-se? Começa a chover ao início da tarde e deixa-se a água aberta até estarmos todos com os carros espetados uns nos outros. Está barata a água, não é verdade? E a rapaziada das oficinas cobra pouco, não? Estar numa fila de automóveis pode até ser uma oportunidade para alguma coisa que não me estou bem a lembrar o quê, mas que enerva um bocadinho quando se tem um compromisso importante ao qual se chega atrasado mais do uma hora, lá isso enerva. E MUITOOOOOOO. Ao Dom Pedro pelo tempo que fez, e ao Dom Pedro pelo túnel das Amoreiras obrigadinho.
isto faz-se? Começa a chover ao início da tarde e deixa-se a água aberta até estarmos todos com os carros espetados uns nos outros. Está barata a água, não é verdade? E a rapaziada das oficinas cobra pouco, não? Estar numa fila de automóveis pode até ser uma oportunidade para alguma coisa que não me estou bem a lembrar o quê, mas que enerva um bocadinho quando se tem um compromisso importante ao qual se chega atrasado mais do uma hora, lá isso enerva. E MUITOOOOOOO. Ao Dom Pedro pelo tempo que fez, e ao Dom Pedro pelo túnel das Amoreiras obrigadinho.
terça-feira, março 09, 2004
Ando
... meio desfasado. Ainda bêbado do cansaço físico saboreado. Ando com um sorriso estúpido na cara, quase imune ás chatice. Reencontro com as coisas boas, as pessoas e os sorrisos de estar feliz. Encontrei sorrisos tão bons. Sabe-me bem o regresso assim. Tomo-lhe o gosto, tomara que fique, oxalá esteja para durar. O tempo é a melhor das dimensões. Dá para chapinhar nas poças das boas memórias.
... meio desfasado. Ainda bêbado do cansaço físico saboreado. Ando com um sorriso estúpido na cara, quase imune ás chatice. Reencontro com as coisas boas, as pessoas e os sorrisos de estar feliz. Encontrei sorrisos tão bons. Sabe-me bem o regresso assim. Tomo-lhe o gosto, tomara que fique, oxalá esteja para durar. O tempo é a melhor das dimensões. Dá para chapinhar nas poças das boas memórias.
segunda-feira, março 08, 2004
Ser Mãe ...
... dá uma trabalheira invulgar.
Chegar a casa com quilos de tralhas ás costas, dar-lhe lanche, dar-lhe banho, secar-lhe o cabelo, espalhar os cremes para que à chegada a Lisboa ninguém perceba as marcas de -9 graus de temperatura máxima, brincarmos juntos um pedacinho de tempo, fazer-lhe o jantar, dar-lhe o jantar, deixá-lo brincar enquanto se come qualquer coisa, deitá-lo, sentar-me em frente à televisão com aquela pequena angústia de ter que preparar tudo para o dia seguinte, levantar-me e preparar tudo para o dia seguinte, deitar-me doido de cansaço.
A todas aquelas que vão sentido o apelo da maternidade, deixem-se levar por ele, que para lá deste cansaço, há tanta coisa boa.
O João Maria portou-se tão bem, meu amor e herói das neves, tanto mais que vem carregadinho de boas cores e (certificação materna) mais gordo.
... dá uma trabalheira invulgar.
Chegar a casa com quilos de tralhas ás costas, dar-lhe lanche, dar-lhe banho, secar-lhe o cabelo, espalhar os cremes para que à chegada a Lisboa ninguém perceba as marcas de -9 graus de temperatura máxima, brincarmos juntos um pedacinho de tempo, fazer-lhe o jantar, dar-lhe o jantar, deixá-lo brincar enquanto se come qualquer coisa, deitá-lo, sentar-me em frente à televisão com aquela pequena angústia de ter que preparar tudo para o dia seguinte, levantar-me e preparar tudo para o dia seguinte, deitar-me doido de cansaço.
A todas aquelas que vão sentido o apelo da maternidade, deixem-se levar por ele, que para lá deste cansaço, há tanta coisa boa.
O João Maria portou-se tão bem, meu amor e herói das neves, tanto mais que vem carregadinho de boas cores e (certificação materna) mais gordo.
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