segunda-feira, maio 31, 2004

Amanhã

... faço 8 anos de casado. Curiosamente, aquela rapariga que deixa aqui uns comentários de vez em quando, também faz os 8 anos de casada. Ele há com cada coincidência.
Estou a falar da moça que vende bimbys aqui na caixa de costura e que promove reuniões de tupperware "nas alfinetadas" com as amigas. Acho que a conheço dalgum lado, aquela cara não me é nada estranha.

Há oito anos quase chorei quando ela entrou na igreja. Não sei se de felicidade, se de alergia aos cavalos, já que chegou de charrete.
Foi um dia à velocidade da luz, com tanta coisa ao mesmo tempo, e tudo a convergir assim para os sorrisos de felicidade.
Estou bem capaz de renovar por mais umas épocas.

domingo, maio 30, 2004

Carlota

"Hoje acordei com uma vontade enorme de escrever..."
É assim que começa um novo blog. O blog de uma amiga o que é sempre uma coisa que dá muito prazer a ver nascer.
A Carlota é daquelas pessoas que têm o coração muito perto das cordas vocais, o que pode ser um atrativo para este blog.
As opiniões da Carlota sobre aquilo que eu próprio escrevo também me marcam bastante. Assim de repente lembro-me de duas situações. Uma em que leu um documento de trabalho que eu escrevi, que modéstia à parte, deve ser dos piores documentos de trabalho que alguma vez foram escritos na nossa empreasa (nunca me reconheceram este feito, e ainda bem que assim é). Pois a Carlota levou a segunda quinzena de um qualquer Agosto a fazer-me perguntas sobre o dito documento. Ainda me vêm as lágrimas aos olhos quando recordo esses dias. Na segunda situação, leu um post aqui na Caixa de Costura. Logo um dos primeiros e deu-me um abraço de parabéns. Fiquei tão feliz dela ter gostado, tanto mais que embirra com o Trovante e o post era sobre um livro do Manuel Faria, que eu tinha lido nessa semana.
Post(o) tudo isto, aqui estão os pensamentos da Carlota.

Rio In Lisboa

Lá fomos quase todos da família até à cidade do Rock. Ficámos num condomínio fechado com vista sobre a cidade e a festa. De vez em quando saíamos do conforto da gigante tenda e íamos lá a baixo viver a intensa festa.
É para lá de paradoxal a existência de um espaço VIP num festival "por um mundo melhor", mas lá que deu muito jeito, deu. Sobretudo porque pouco depois da 1/2 noite o JM adormeceu e se não fossem os gigatencos puff's o nosso dia de Rock in Rio tinha ficado mesmo por ali. Também criou a oportunidade do JM ser apresentado ao Rui Veloso (sorte para o Rui Veloso). Como recomendam os manuais da absoluta identidade Portuguesa, trouxemos todos os brindes que conseguimos reunir. O JM já não tinha espaço para mais penduricalhos, tatuagens e brindes. Estava mais cheio de patrocínios que o fato de um piloto de fórmula um.
Não sei porquê, lembrei-me de uma crónica do Miguel Esteves Cardoso sobre a forma como os portugueses se portam quando viajam de avião (destratar hospedeiras, limpar o conteúdo das casas de banho, trazer todos os postais de aviões que existem à disposição, roubar mantas, almofadas e auriculares).
No fim de festa, voltámos tomos com um sorriso genuíno para casa.

sexta-feira, maio 28, 2004

Uns

Mais Caetano Veloso, nunca é demais Caetanear.

Lembrei-me dele quando, um dia, encontrei um blog chamado Uns-e-Outros.
Dedico-me um destes dias a estes blogues com mais cuidado. Por ora deixo a letra da canção
Uns (Caetano Veloso).

Uns vão
Uns tão
Uns são
Uns dão
Uns não
Uns hão de
Uns pés
Uns mãos
Uns cabeça
Uns só coração
Uns amam
Uns andam
Uns avançam
Uns também
Uns cem
Uns sem
Uns vêm
Uns têm
Uns nada têm
Uns mal uns bem
Uns nada além
Nunca estão todos
Uns bichos
Uns deuses
Uns azuis
Uns quase iguais
Uns menos
Uns mais
Uns médios
Uns por demais
Uns masculinos
Uns femininos
Uns assim
Uns meus
Uns teus
Uns ateus
Uns filhos de Deus
Uns dizem fim
Uns dizem sim
E não há outros

Ainda antes de fechar o post fui procurar um pouco mais e encontrei mais uma letra de Caetano, nem de propósito, caramba. A ver se não há coincidências:

Um dia (Caetano Veloso)

Como um dia numa festa
Realçavas a manhã
Luz de sol, janela aberta
Festa e verde o teu olhar

Pé de avenca na janela
Brisa verde, verdejar
Vê se alegra tudo agora
Vê se pára de chorar

Abre os olhos, mostra o riso
Quero, careço, preciso
De ver você se alegrar
Eu não estou indo-me embora
Tou só preparando a hora
De voltar

No rastro do meu caminho
No brilho longo dos trilhos
Na correnteza do rio
Vou voltando pra você

Na resistência do tempo
No tempo que vou e espero
No braço, no pensamento
Vou voltando pra você

No Raso da Catarina
Nas águas de Amaralina
Na calma da calmaria
Longe do mar da Bahia,
Limite da minha vida,
Vou voltando pra você

Vou voltando como um dia
Realçavas a manhã
Entre avencas verde-brisa
Tu de novo sorrirás
E eu te direi que um dia
As estrelas voltarão
Voltarão trazendo todos
Para a festa do lugar

Abre os olhos, mostra o riso
Quero, careço, preciso
De ver você se alegrar
Eu não estou indo embora
Tou só preparando a hora
De voltar
De voltar

Raínha

Andava eu à procura de uma mais valia para a certficação em Pinguço Da Caixa de Costura (porque acredito que entre Blog-Notas e Cagalhoum existe um vazio imenso, só comparável ao que existe entre alguns pares de orelhas). Envcontrei esta imagem
A mim lembra-me uma coroa, e coroa lembra-me raínha. Vai mais uma coroa para a raínha e deixa-se a certificação para mais tarde.
.

quinta-feira, maio 27, 2004

Gil


"Lembro com muito gosto o modo como ela se referia a ele. pelo menos ela o fez uma vez e isso ficou marcado muito fundo, dizendo: caetano, venha ver o preto que você gosta. isso de dizer o preto, sorrindo ternamente como ela o fazia, o fez, tinha, teve, tem, um sabor esquisito, que intensificava o encanto da arte e da personalidade do moço no vídeo. era como se se somasse àquilo que eu via e ouvia, uma outra graça, ou como se a confirmação da realidade daquela pessoa, dando-se assim na forma de uma benção, adensasse sua beleza. eu sentia a alegria por Gil existir, por ele ser preto, por ele ser ele, e por minha mãe saudar tudo isso de forma tão direta e tão transcendente. era evidentemente um grande acontecimento a aparição dessa pessoa, e minha mãe festejava comigo a descoberta."
Excerto do livro "Verdade Tropical" de Caetano Veloso

quarta-feira, maio 26, 2004

Curtas

a) Parabéns ao Porto, particularmente a Portugal (usando a lógica dos comentadores de futebol) pela vitória na final da Taça dos Campeões.
b) Os bilhetes para todos os jogos de Portugal no euro já chegaram. Com a crise ainda faço um leilão aqui na Caixa de Costura.
c) De surpresa chegou a oferta de uma ida ao Rock in Rio - Lisboa com bilhetes VIP. Viva. Viva. Viva. Eu vou, a rainha cá de casa também, e o príncipe maior é bem capaz de nos acompanhar.

Golfinho

Juro que não foi por mal que disse antes de ontem ao almoço "Quero mais é
que o golfinho expluda" (a sério Carlota não te irrites comigo, que eu até
nutria alguma simpatia pela criatura). O que me irrita não é o golfinho, são
as horas de noticiário que giraram à sua volta.
Resultado: A única fatia de população que não estava deprimida com a crise
(a criançada), ficou hoje em estado de choque com as notícias vindas do Zoo
Marine.
Ainda há uma parcela da população que não está deprimida. Os esclerosados
que ainda acham que Mário Soares é o Presidente da República e Cavaco Silva
o primeiro Ministro e os Portistas que têm fé na conquista da Taça dos
Campeões. Para os primeiros, o meu aviso é que continuem a ver o noticiário
da TVI, já que as questões políticas não têm lugar naquele "jornalismo".
Portanto esclsrosados não mudem de canal, se é que sabem como isso se faz ou
ainda se lembram onde deixaram o comando da televisão. Para os segundos
muito boa sorte para logo à noite.

terça-feira, maio 25, 2004

Ementa

Vieiras no espeto ou raia c/ pimenta verde.

Mil Pedaços

Este senhor sabe, em definitivo, brincar com as palavras. Anda aí quem
precise de um abraço e lembrou-me esta letra.
Letra e música de Sérgio Godinho
O tempo parece que foge
dura o tempo de um cigarro
e eu atrás dele e não o agarro
e vou de metro e vou de carro
Ai ó linda
será que ainda
Vou ter que correr, que ganhar
a maratona à lufa-lufa
iço a bandeira e o tambor rufa
e a recompensa é uma pantufa
E tenho os dedos e a cabeça
a telefonar p'ra toda a parte
e desço à terra, e subo a marte
E por falar em sobe e desce
ontem bebi falsificado
e estou com o corpo todo errado
Eu tenho a vida
partida
em mil pedaços
cola-os tu com dois abraços
O tempo parece que foge
dura o tempo de um café
e o "antes fosse" já não é
e vou de carro e vou a pé
Ai ó linda
será que ainda
Vou ter que voltar a assistir
a discussões fundamentais
onde as pauladas são verbais
e as conclusões são sempre iguais
E tenho os dedos, e a cabeça
a telefonar p'ra toda a parte
e desço à terra e subo a marte
E a amiga do meu grande amigo
com o seu ex
anda há que anos, 5 ou 6
a tratar lá de uns papéis
E eu a tentar meter
o Rossio na Betesga
a andar de Herodes p'ra Pilatos
com o olho p'ra Belém
e outro para Sacavém
e eu a dar a volta ao mundo
embora sabendo no fundo
que nem Roma nem Pavia
se fizeram num só dia
Eu tenho a vida
partida
em mil pedaços
cola-os tu com dois abraços
O tempo parece que foge
dura o tempo de um abraço
e eu atrás dele e não o caço
e eu a galope e ele a passo
Ai ó linda
será que ainda
Vou ter que dar de comer
à filharada e ao periquito
às plantas da selva em que habito
à tartaruga e ao mosquito
E tenho os dedos e a cabeça
a telefonar pra toda parte
e desço à terra e subo a marte
E compro cromos para os "piquenos"
é prá troca, e os repetidos
é pra colarem nos vidros
Eu tenho a vida
partida
em mil pedaços
cola-os tu com dois abraços
O tempo parece que foge
dura o tempo de uma vida
e são dois dias de fugida
e é já tempo de partida
Ai ó linda
será que ainda
Vou ter que descer e abrir
a minha caixa do correio
a ver se é desta vez que veio
a contazinha que eu receio
E tenho os dedos e a cabeça
a telefonar pra toda a parte
e desço à terra e subo a marte
E subo à contabilidade
e pra maior desassossego
hoje não pagam no emprego
Eu tenho a vida
partida
em mil pedaços
cola-os tu com dois abraços

segunda-feira, maio 24, 2004

Brincadeiras
Estava para aqui a brincar ás palavras. Fica pra próxima que a vida está difícil. A intenção é das melhores mas não estava a soar bem. Alguém sabe versejar como deve ser ?
Ser poeta é ser mais alto e a mim falta-me um bocadão assim. Até já me tinha convencido que "surpresas" rimava com "avessas". Se calhar em Açoreano até rima.
A melhor frase
... que escutei sobre o casamento dos príncipes:
"A distância do príncipe Filipe áquela criatura é a mesma de um dos meus filhos a uma Nordestina qualquer lá no meio o nada. Pior ainda. Porque a nordestina ainda consegue fazer fogo com paus ou pedras, enquanto que aquela plebeia é filha de uma sindicalista comuna".
Quando penso que já nada me surpreende, eis que de repente...

quinta-feira, maio 20, 2004

Luísa
(continuação)
Sentou-se na esplanada e abriu a revista enquanto esperava que a atendessem. Que raios, também nunca falta, e não lhe pareceu despropositada aquela pequena mentirinha no emprego. Uma mulher nem sempre se sente bem e as indisposições acontecem.
Hé tanto tempo que não ía aquela esplanada. Sendo das que mais gostava, nunca se lembrava que existia, nas alturas de decidir para onde ir. Uma varanda tranquila sobre o imenso oceano. A merecida paz, um abrigo. Além dela, só um casal de estrangeiros, a apanhar sol e a beber Cola com gelo e limão.
Os primeiros dias de Maio trouxeram-lhe o conforto adiado pelas chuvas de Abril. Que mês mais estúpido e frio. O calor fez-se finalmente sentir, sinal do sol a perder vergonhas.
Naquela manhã, acordou tarde, ganhou coragem e atirou-se ás mais longínquas zonas do roupeiro. Lá encontrou alguma roupa ajustada ás previsões do boletim meteorológico. Camisola de alsas e saia curta, o corpo todo ainda por dourar, mas que se lixe. Sempre mostra a tatuagem do ombro, que passa os invernos subterrada em agasalhos. Telefonou para o emprego e fez-se a um dia de descontração.
O empregado lá acabou por aparecer, registou o pedido e dirigiu-se para dentro.
Deixou-se levar pelas páginas da revista e irritou-se quando leu o signo. "No trabalho é chegado o tempo de se empenhar a sério". Olha que grande parvoíce.
Foi interrompida pela chegada do pequeno almoço. Sumo de laranja natural e um enorme pão de deus com queijo.
"Dá-me licença que me sente consigo ?" Perguntou o empregado.
Ia cuspindo o sumo de laranja. Olhou para ele e reconheceu aquela cara de algum lado.
"Desculpe?"
O empregado pousa mais um copo de sumo de laranja e um pastel de nata queimado. Esclarece-a:
"Pergunto-lhe se me posso sentar e tomar o pequeno almoço consigo."
Ainda surpresa acabou por lhe dizer que sim. Pareceu-lhe divertido.
"Não me importo, estava aqui a ler uma revista. Conversar também me parece bem. Diga-me lá, e se o seu chefe o apanha aqui ?"
"Estava a pensar em despedir-me. Pagam mal e fica muito longe de casa. Não vale o esforço de cá chegar todos os dias. Espero que ele apareça. Aproveito e comunico-lhe a minha decisão."
"Não se lembra de mim ?" Acrescentou.
Parecia-lhe tão ridículo estar ali sentada com um rapaz vestido de camisa branca, colete e laço preto, que nem se tentou lembrar donde o conhecia.
"Não estou bem a ver."
"Arranjei-lhe uma couve flor, uma vez na praça. Comprou legumes à minha mãe. Até se ía embora sem levar a couve flor."
Então era daí que o conhecia. O rapaz sedutor barato de olhar traquina, pois claro.
O senhor estrangeiro pediu a conta e ficou estupefacto quando ele lhe disse que já não trabalhava ali e que por ele, se podiam ir embora sem pagar.
"Ainda vai arranjar problemas com esta brincadeira, não quer retomar o emprego e tratar da conta dos senhores ?"
"Não se preocupe. Quero é tomar o pequeno almoço consigo."
E deixou-se ficar.
Declarações Electrónicas
... do IRS. Modelos e Anexos, campos, códigos, labels que nada me dizem, listas de valores inexistentes. O que é que vai na cabeça de quem faz estas aplicações. Devem-se achar muito espertinhos esses informáticos. Aposto que cobraram quantias pornográficas ao ministério das finanças para fazerem aquela coisa a que chamam aplicação (e devem ter demorado muito mais que o prazo estipulado). Bandidos.

quarta-feira, maio 19, 2004

Do telemovel 2

Segunda tentativa de post a partir do telemovel.
Trezentos
Segundo o blogger este é o meu post número trezentos, o que transforma a Caixa de Costura numa espécie de loja dos trezentos. Conteúdos acessíveis mas de qualidade duvidosa. Nããããã. Acho que vou ter que aumentar os preços. Mais a mais porque estamos a lidar com tecnologia de ponta.
Por falar em tecnologia, tentei enviar um post via telemóvel e outro por mail. Até à data não apareceram na Caixa. Se aparecerem é uma boa notícia.

Outro teste

Este post foi enviado por mail depois da tentativa do telem�vel.

terça-feira, maio 18, 2004

A5
Bicha de kilómetros no sentido contrário ao das bichas de todos os dias. Isto escrito assim até parece mal. Um pesado perdeu um pneu. Há para aí tanta pesada que dava os dois dentes da frente para perder pneus. A vida é muito ingrata.

segunda-feira, maio 17, 2004

Coisas Simples
Actualização mais que merecida na coluna da direita. As palavras simples, arrumadas de forma serena pela Maria. Não resisto ao trocadilho de lhe chamar Simplesmente Maria.
Muito penou a minha irmã, com o nome desta rádionovela.
Gastronomia
Adiamento atrás de adiamento, lá chegou o dia da equipa se mudar para o piso de cima. Computadores, cadeiras, módulos de gavetas, telefones, tralha muita tralha e papelada. Lá nos instalámos no nosso novo local de trabalho, não muito convencidos de que íamos para melhor.
Bem vistas a coisas, no novo local, e ali mesmo à mão de semear, logo atrás do biombo, uma sala de reuniões. Ideal para discutir tarefas, planos, objectivos, avaliações, documentos.
Não passou muito tempo até chegar o nosso primeiro (não) convidado. Trazia um tuperware com comida acabadinha de aquecer no micro ondas. Pelo cheiro era um guisado. Contornou o biombo e começa o piquenicão na mesa de reuniões. Foi assim com muitos outros durante três horas. Iguarias que nem ne atrevo a advinhar pelo cheiro. Talheres, comida, hamburgers do MC Donalds e conversa de almoço. Toda a equipa de atendimento telefónico almoçou ali mesmo ao lado e o cheiro, pelas cinco da tarde, ainda estava presente. Mas que bom.
Sempre achei que um dia ia trabalhar num restaurante. Só não imaginava que o dia estava para tão breve, e que fosse afastado da cozinha. A trabalhar num restaurante sempre achei que fosse na cozinha, nunca no escritório ao lado do salão de banquetes. Amanhã, se tudo correr, bem vou tentar servir à mesa, numa cena de rara beleza. E já que não há restrições quanto aos odores, vou sugerir um fondue, ou um bife na pedra, ou no chapéu.
Ai que saudades do bife no chapéu de Ferreira do Zêzere.