terça-feira, maio 18, 2004

A5
Bicha de kilómetros no sentido contrário ao das bichas de todos os dias. Isto escrito assim até parece mal. Um pesado perdeu um pneu. Há para aí tanta pesada que dava os dois dentes da frente para perder pneus. A vida é muito ingrata.

segunda-feira, maio 17, 2004

Coisas Simples
Actualização mais que merecida na coluna da direita. As palavras simples, arrumadas de forma serena pela Maria. Não resisto ao trocadilho de lhe chamar Simplesmente Maria.
Muito penou a minha irmã, com o nome desta rádionovela.
Gastronomia
Adiamento atrás de adiamento, lá chegou o dia da equipa se mudar para o piso de cima. Computadores, cadeiras, módulos de gavetas, telefones, tralha muita tralha e papelada. Lá nos instalámos no nosso novo local de trabalho, não muito convencidos de que íamos para melhor.
Bem vistas a coisas, no novo local, e ali mesmo à mão de semear, logo atrás do biombo, uma sala de reuniões. Ideal para discutir tarefas, planos, objectivos, avaliações, documentos.
Não passou muito tempo até chegar o nosso primeiro (não) convidado. Trazia um tuperware com comida acabadinha de aquecer no micro ondas. Pelo cheiro era um guisado. Contornou o biombo e começa o piquenicão na mesa de reuniões. Foi assim com muitos outros durante três horas. Iguarias que nem ne atrevo a advinhar pelo cheiro. Talheres, comida, hamburgers do MC Donalds e conversa de almoço. Toda a equipa de atendimento telefónico almoçou ali mesmo ao lado e o cheiro, pelas cinco da tarde, ainda estava presente. Mas que bom.
Sempre achei que um dia ia trabalhar num restaurante. Só não imaginava que o dia estava para tão breve, e que fosse afastado da cozinha. A trabalhar num restaurante sempre achei que fosse na cozinha, nunca no escritório ao lado do salão de banquetes. Amanhã, se tudo correr, bem vou tentar servir à mesa, numa cena de rara beleza. E já que não há restrições quanto aos odores, vou sugerir um fondue, ou um bife na pedra, ou no chapéu.
Ai que saudades do bife no chapéu de Ferreira do Zêzere.
Taça
Lá nos enfiámos os quatro no carro, com a cumplicidade dos dois sportinguistas lá de casa. Por necessidades familiares e laboriais temos dois carros, cada um mais velho que o outro. Lá fomos os quatro, vestidos a rigor, e na viatura mais decadente, para dar mais realismo á festa.
Bandeira e cachecóis pendurados, percorremos as principais artérias da cidade ao som das buzinadelas. Quatro piscas ligados, muitos acenos a quem se entusiasmava com a nossa passagem, sinais de vitória e de luzes. No Marquês de Pombal cantámos juntos uns cânticos de estádio estilo "Glorioso Benfica" e voltámos felizes para casa.
A alergia da Ana piorou consideravelmente.
Será alergia de uma Sportinguista ao Benfica, ou (como dizem as más línguas) ao cheiro a mofo e a naftalina dos milhares de cachecóis, há muito esquecidos nos roupeiros da Nação Benfiquista ?
Mais Rápido
Mudei algumas coisas na coluna da direita, para tornar a Caixa de Costura mais rápida e ágil. Estava mais composta, mas lenta, chata e preguiçosa. O essencial, roteiro de alguns blogs que visito, continua por lá.

sexta-feira, maio 14, 2004

Frases Publicitárias
Assim de repente lembrei-me de:
"Distron para a higiene íntima da mulher. Distron liquído dentro de casa, Distron toalhetes fora de casa."
"Lindor para adultos incontinentes."
"A família Prudêncio guarda os pesticidas com cuidado."
"Bic Laranja Bic Cristal
Bic Laranja escrita fina
Bic Cristal escrita normal
Bic Bic Bic
Bic Bic Bic"
"Brasa é a bebida que aquece o coração" O nome Brasa foi escolhido a partir de uma gigantesca listagem de computador com combinações de letras quatro a quatro e cinco a cinco. Trouxe-a o meu pai da Tofa para darmos uma ajuda. Foi bem divertido.
E dos Meltis, alguém se lembra? "Meltis é o gesto de tudo se entender num simples gesto."

quinta-feira, maio 13, 2004

1000 à hora
Nos últimos dois dias, ás voltas com as contas do mês passado. Puta que as pariu. No intervalo, e é isso que quero registar, uma ecografia de 11 semanas.
Aos pulos e alheio ao que se passa cá fora, o projecto de bébé parece crescer como se quer. Ora de perfil, ora de costas, lá mostrou que a prega da nuca tinha as dimensões dentro dos parâmetros. Pulava muito dentro da barriga, daí os enjôos (acho eu). Lembrou-me o João Baião no Big Show Sic de tanta agitação.
Tomara que após a expulsão venha mais sossegado. Pelo sim pelo não, vou preparar o canto dos castigos para mais um habitante.

quarta-feira, maio 12, 2004

O quê?
Mais uma vez a caminho do emprego, ouço o rabo de uma notícia. Em resumo, porque de um rabo se trata, mencionava a possibilidade, encarada pela Autoridade Nacional de Comunicações, de acabar com os blogs.
Tinha logo que apanhar um rabo com cócó. Alguém que me passe os toalhetes se faz favor.

terça-feira, maio 11, 2004

Socorro
Estou no escritório a tentar trabalhar. A rapariga da barriga crescente está com uma descompensação hormonal, e espera pelas novelas da noite. Enquanto não chegam ouço, a poucos metros de mim, o humor hilariante e inteligente dos malucos do riso. Só de ouvir o separador musical fico com os nervos em franja. Oh mulher mete a porcaria do concurso da RTP enquanto a novela não começa. Acudam-me.
Vamos ?
" Os vinte mil bilhetes disponíveis para "Cats", musical de Andrew Lloyd Webber que estreia em Outubro em Lisboa, vão estar à venda ao público a partir do dia 15, anunciou quinta-feira a organização do evento."

O João Maria também gosta e vai de certeza. O Manel pode reagir de duas maneiras:
1. Ter Medo, e aos 2 minutos um de nós vem cá fora espancá-lo até que perca os sentidos para poder assistir em sossego ao musical.
2. Entusiasmar-se com a gataria e aos 5 minutos um de nós tem que ir até ao palco convencê-lo a largar os gatos, espancá-lo até que perca os sentidos para poder assistir em sossego ao musical.
Ora espancar crianças, parece que já é crime público, e nada nos diz que na assistência não haja ninguém da APAV. Talvez seja melhor deixar o Manel em casa.

segunda-feira, maio 10, 2004

A propósito
do post anterior, e da roupa interior da Wonder Woman, aqui vai uma imagem que me deixa saudades
.
Esta mulher voa como o super homem ?
Se sim porque é que anda com uma corda à cintura ?
O Campeonato
acabou. O campeonato nacional de Futebol. A tal da Super Liga e não se trata de roupa interior da Super Mulher.
Esta é a altura em que troco a codificação da Sport TV pelos canais de cinema. Nunca escrevo muito sobre o assunto, porque não é nada de que me orgulhe muito, mas gosto de futebol. Gosto muito. Fico de humor alterado quando a minha equipa perde ou empata, fico em casa só para ver um jogo, vou ao estádio de quando em vez.
Gosto daquilo. Gosto, gosto e gosto.
Da altura em que não havia transmissões televisivas, lembro-me da emoção de ouvir os relatos pela telefonia. Lembro-me de um senhor que disse sobre um golo "Se eu tivesse namorada, oferecia-lhe este golo.".
É assim que eu gosto de futebol, sempre tendencioso, sempre irracional e com muito mau perder. E a quantidade de vezes que eu perco não têm tido conta.
O Euro2004 vem aí, e vou até onde for a selecção. Se não chegarem (chegarmos que eu também lá vou estar) à final, devolvem a pipa de massa correspondente, mas quero que me fiquem com o dinheirinho todo que lá deixei.

sábado, maio 08, 2004

A Guerra Junqueiro
... ao sábado de manhã sabe bem. É animada e colorida. Hoje estava com uma praga de escuteiros que vendiam várias coisas a um euro. Só lhes comprei um marcador de livros. O João Maria tende a achar que mosqueteiros e escuteiros são a mesma coisa.

quinta-feira, maio 06, 2004

Nova Democracia
No tranquilo regresso a casa, deparo-me com um cartaz de campanha política da Nova Democracia. Pergunta-nos o que queremos mudar e indica-nos um endereço de um site. Trata-se de uma espécie de discos pedidos, de quando o telefone toca, de pai natal da política pronto a fazer os portugueses fellizes no dia em que ganhar as eleições, de fonte dos desejos.
Já de listinha feita das coisas que quero mudar lá fui até ao site para dizer ao Manel da minha justiça. Surpresa. Horror. O site ainda está em construção.
Ainda mal resuscitou, e já me sinto enganado.
E agora? O que é que faço a esta lista?
"
Sr Manel, eu queria mudar:
- as pastilhas do carro;
- as cores lá em casa;
- o trem de cozinha que está uma vergonha;
- a lâmpada das escadas;
- de nariz;
- de companhia de seguros;
- de ministra das finanças;
- de cabelo;
- de canal quando não encontro o comando à distância;
- de estação do ano que esta está avariada;
- de sapatos (a menos que o sr também ponha meias solas e então não se justifica porque os sapatos são muito confortáveis)
- de computador;
- os cortinados da sala (na verdade não é bem mudar é pôr uns novos, mas se não puder paciência).
"
O novo
código da estrada anda nas notícias do dia. Multas e penas mais pesadas, prestações para multas e novas regras. Uma destas regras proíbe o arremesso de beatas pela janela das viaturas. As beatas podem ser muito aborrecidas, e alguns membros do clero sentem-se tentados a atirá-las janela fora. Agora terão que ser mais discretos e tratar-lhes da saúde noutros locais que não a via pública.

quarta-feira, maio 05, 2004

Nostalgia
Quase uma semana sem 100nada. Recupero, do baú das recordações, uma antiga imagem de tempos idos, em que a loucura das cores atravessou o cérebro da ilustre autora.

Que saudades.
Entrevista
De repente, aqui há uns dias, entram-nos pela casa dentro, a convite da Maria João Avilez, Pedro Burmester, Bernardo Sasseti e Mário Laginha. Trapalhões na fala, gagos, engasgados, divertidos, inteligentes, gestos largos, desastrados à conversa, generosos uns com os outros. Divinos quando deixam a mesa da entrevista e se sentam em frente ao teclado branco e negro. Cúmplices, meigos, precisos, geniais.
Em casa da minha avó havia um piano que foi vendido, antes de eu saber que gostava muito de o ter tocado. A minha mãe aprendeu a nadar no banco do piano. Nunca percebi bem esta história, diz que se deitava de barriga em cima do banco e bracejava e esperneava em movimentos mais ou menos síncronos. Não me parece que seja capaz de nadar fora de pé, mas também não se pode exigir muito a quem aprendeu a nadar num banco de piano.
O piano foi-se embora e eu nem dei muito pela falta dele porque era demasiado novo para o fazer. Á medida que crescia, ia-lhe sentindo a falta e ficava senmpre feliz quando em casa de um amigo existia um piano, ou um orgão. Não sei porquê, mas gosto daqueles teclados, da percursão nas cordas, dos sons, de advinhar as notas certas para encontrar a melodia. Mal sei onde é o dó, e não toco nada, mas continuo a gostar de encontrar um piano.

terça-feira, maio 04, 2004

A propósito
da adesão de dez novos estados membros à União Europeia, lembrei-me de um mail que recebi há muito tempo atrás sobre o peso alemão na dita União. Quase ninguém acha muita piada ao texto, mas ponho-o aqui, porque este é o espaço para colocar aquilo que gosto e, deste texto, gosto bastante:

"Evolution of the English Language
Having chosen English as the preferred language in the EEC (now officially the European Union, or EU), the European Parliament has commissioned a feasibility study in ways of improving efficiency in communications between Government departments.

European officials have often pointed out that English spelling is unnecessary difficult; for example: cough, plough, rough, through and thorough. What is clearly needed is a phased programme of changes to iron out these anomalies. The programme would, of course, be administered by a committee staff at top level by participating nations.

In the first year, for example, the committee would suggest using 's' instead of the soft 'c'. Sertainly, sivil servants in all sities would resieve this news with joy. Then the hard 'c' could be replaced by 'k' sinse both letters are pronounsed alike. Not only would this klear up konfusion in the minds of klerikal workers, but typewriters kould be made with one less letter.

There would be growing enthusiasm when in the sekond year, it was anounsed that the troublesome 'ph' would henseforth be written 'f'. This would make words like 'fotograf' twenty persent shorter in print.

In the third year, publik akseptanse of the new spelling kan be expekted to reach the stage where more komplikated changes are possible.

Governments would enkourage the removal of double letters which have always been a deterent to akurate speling.

We would al agre that the horible mes of silent 'e's in the languag is disgrasful. Therefor we kould drop thes and kontinu to read and writ as though nothing had hapend. By this tim it would be four years sins the skem began and peopl would be reseptive to steps sutsh as replasing 'th' by 'z'. Perhaps zen ze funktion of 'w' kould be taken on by 'v', vitsh is, after al, half a 'w'.

Shortly after zis, ze unesesary 'o' kould be dropd from words kontaining 'ou'. Similar arguments vud of kors be aplid to ozer kombinations of leters.

Kontinuing zis proses yer after yer, ve vud eventuli hav a reli sensibl riten styl. After tventi yers zer vud be no mor trubls, difikultis and evrivun vud fin it ezi tu understand ech ozer. Ze drems of the Guvermnt vud finali hav kum tru"

segunda-feira, maio 03, 2004

Hospital Santa Maria II
Da mãe da criança para a médica:
"Eu seduzi que a alergia fosse dos morangos". Se a senhora seduziu quem sou eu para a contrariar?
Hospital Santa Maria
O João Maria, a contas com umas alergias manhosas que lhe deixaram as pernas em várias tonalidades de vermelho, foi comigo à urgência pediátrica de Santa Maria. A gorda não se calava, e queria saber tudo sobre a vida da cigana e da mulher que dava colo a um quase recém nascido. A cigana, mãe de cinco filhos que, só não tinha mais porque não podia. Mãe coragem com certeza. As perguntas eram cretinas e quase ofensivas. O que é que a gorda tinha a ver com a opção por ser mãe de cinco, até de mais assim pudesse. Perguntava-lhe se gostava de crianças, só dos dela, que idade tinha, que idades tinham os filhos, se iam à escola. À outra perguntava se era o único, porque é que tinha esperado 14 anos para ter o segundo filho, se tinha mais paciência para este do que para o mais velho, se eram parecidos, porque é que eram de pais diferentes, como é que engravidou aos 18 e depois aos 32, se estava à espera de voltar a ser mãe. Estupor da gorda só me apetecia mandá-la calar. Falava o que lhe vinha à parca cabeça. Retardada. Incontinente verbal. Estúpida. Mete-te na tua vida.
A cigana e a mulher respondiam como se falassem para uma assembleia, porque os filhos são a maior riqueza e orgulho de uma mãe e destas riquezas não há que haver receio de anunciar.
Fui-me embora porque o João Maria melhorou e foi mandado para casa. O que iria na cabeça daquela gorda para querer saber assim, da vida dos outros.