quarta-feira, maio 12, 2004

O quê?
Mais uma vez a caminho do emprego, ouço o rabo de uma notícia. Em resumo, porque de um rabo se trata, mencionava a possibilidade, encarada pela Autoridade Nacional de Comunicações, de acabar com os blogs.
Tinha logo que apanhar um rabo com cócó. Alguém que me passe os toalhetes se faz favor.

terça-feira, maio 11, 2004

Socorro
Estou no escritório a tentar trabalhar. A rapariga da barriga crescente está com uma descompensação hormonal, e espera pelas novelas da noite. Enquanto não chegam ouço, a poucos metros de mim, o humor hilariante e inteligente dos malucos do riso. Só de ouvir o separador musical fico com os nervos em franja. Oh mulher mete a porcaria do concurso da RTP enquanto a novela não começa. Acudam-me.
Vamos ?
" Os vinte mil bilhetes disponíveis para "Cats", musical de Andrew Lloyd Webber que estreia em Outubro em Lisboa, vão estar à venda ao público a partir do dia 15, anunciou quinta-feira a organização do evento."

O João Maria também gosta e vai de certeza. O Manel pode reagir de duas maneiras:
1. Ter Medo, e aos 2 minutos um de nós vem cá fora espancá-lo até que perca os sentidos para poder assistir em sossego ao musical.
2. Entusiasmar-se com a gataria e aos 5 minutos um de nós tem que ir até ao palco convencê-lo a largar os gatos, espancá-lo até que perca os sentidos para poder assistir em sossego ao musical.
Ora espancar crianças, parece que já é crime público, e nada nos diz que na assistência não haja ninguém da APAV. Talvez seja melhor deixar o Manel em casa.

segunda-feira, maio 10, 2004

A propósito
do post anterior, e da roupa interior da Wonder Woman, aqui vai uma imagem que me deixa saudades
.
Esta mulher voa como o super homem ?
Se sim porque é que anda com uma corda à cintura ?
O Campeonato
acabou. O campeonato nacional de Futebol. A tal da Super Liga e não se trata de roupa interior da Super Mulher.
Esta é a altura em que troco a codificação da Sport TV pelos canais de cinema. Nunca escrevo muito sobre o assunto, porque não é nada de que me orgulhe muito, mas gosto de futebol. Gosto muito. Fico de humor alterado quando a minha equipa perde ou empata, fico em casa só para ver um jogo, vou ao estádio de quando em vez.
Gosto daquilo. Gosto, gosto e gosto.
Da altura em que não havia transmissões televisivas, lembro-me da emoção de ouvir os relatos pela telefonia. Lembro-me de um senhor que disse sobre um golo "Se eu tivesse namorada, oferecia-lhe este golo.".
É assim que eu gosto de futebol, sempre tendencioso, sempre irracional e com muito mau perder. E a quantidade de vezes que eu perco não têm tido conta.
O Euro2004 vem aí, e vou até onde for a selecção. Se não chegarem (chegarmos que eu também lá vou estar) à final, devolvem a pipa de massa correspondente, mas quero que me fiquem com o dinheirinho todo que lá deixei.

sábado, maio 08, 2004

A Guerra Junqueiro
... ao sábado de manhã sabe bem. É animada e colorida. Hoje estava com uma praga de escuteiros que vendiam várias coisas a um euro. Só lhes comprei um marcador de livros. O João Maria tende a achar que mosqueteiros e escuteiros são a mesma coisa.

quinta-feira, maio 06, 2004

Nova Democracia
No tranquilo regresso a casa, deparo-me com um cartaz de campanha política da Nova Democracia. Pergunta-nos o que queremos mudar e indica-nos um endereço de um site. Trata-se de uma espécie de discos pedidos, de quando o telefone toca, de pai natal da política pronto a fazer os portugueses fellizes no dia em que ganhar as eleições, de fonte dos desejos.
Já de listinha feita das coisas que quero mudar lá fui até ao site para dizer ao Manel da minha justiça. Surpresa. Horror. O site ainda está em construção.
Ainda mal resuscitou, e já me sinto enganado.
E agora? O que é que faço a esta lista?
"
Sr Manel, eu queria mudar:
- as pastilhas do carro;
- as cores lá em casa;
- o trem de cozinha que está uma vergonha;
- a lâmpada das escadas;
- de nariz;
- de companhia de seguros;
- de ministra das finanças;
- de cabelo;
- de canal quando não encontro o comando à distância;
- de estação do ano que esta está avariada;
- de sapatos (a menos que o sr também ponha meias solas e então não se justifica porque os sapatos são muito confortáveis)
- de computador;
- os cortinados da sala (na verdade não é bem mudar é pôr uns novos, mas se não puder paciência).
"
O novo
código da estrada anda nas notícias do dia. Multas e penas mais pesadas, prestações para multas e novas regras. Uma destas regras proíbe o arremesso de beatas pela janela das viaturas. As beatas podem ser muito aborrecidas, e alguns membros do clero sentem-se tentados a atirá-las janela fora. Agora terão que ser mais discretos e tratar-lhes da saúde noutros locais que não a via pública.

quarta-feira, maio 05, 2004

Nostalgia
Quase uma semana sem 100nada. Recupero, do baú das recordações, uma antiga imagem de tempos idos, em que a loucura das cores atravessou o cérebro da ilustre autora.

Que saudades.
Entrevista
De repente, aqui há uns dias, entram-nos pela casa dentro, a convite da Maria João Avilez, Pedro Burmester, Bernardo Sasseti e Mário Laginha. Trapalhões na fala, gagos, engasgados, divertidos, inteligentes, gestos largos, desastrados à conversa, generosos uns com os outros. Divinos quando deixam a mesa da entrevista e se sentam em frente ao teclado branco e negro. Cúmplices, meigos, precisos, geniais.
Em casa da minha avó havia um piano que foi vendido, antes de eu saber que gostava muito de o ter tocado. A minha mãe aprendeu a nadar no banco do piano. Nunca percebi bem esta história, diz que se deitava de barriga em cima do banco e bracejava e esperneava em movimentos mais ou menos síncronos. Não me parece que seja capaz de nadar fora de pé, mas também não se pode exigir muito a quem aprendeu a nadar num banco de piano.
O piano foi-se embora e eu nem dei muito pela falta dele porque era demasiado novo para o fazer. Á medida que crescia, ia-lhe sentindo a falta e ficava senmpre feliz quando em casa de um amigo existia um piano, ou um orgão. Não sei porquê, mas gosto daqueles teclados, da percursão nas cordas, dos sons, de advinhar as notas certas para encontrar a melodia. Mal sei onde é o dó, e não toco nada, mas continuo a gostar de encontrar um piano.

terça-feira, maio 04, 2004

A propósito
da adesão de dez novos estados membros à União Europeia, lembrei-me de um mail que recebi há muito tempo atrás sobre o peso alemão na dita União. Quase ninguém acha muita piada ao texto, mas ponho-o aqui, porque este é o espaço para colocar aquilo que gosto e, deste texto, gosto bastante:

"Evolution of the English Language
Having chosen English as the preferred language in the EEC (now officially the European Union, or EU), the European Parliament has commissioned a feasibility study in ways of improving efficiency in communications between Government departments.

European officials have often pointed out that English spelling is unnecessary difficult; for example: cough, plough, rough, through and thorough. What is clearly needed is a phased programme of changes to iron out these anomalies. The programme would, of course, be administered by a committee staff at top level by participating nations.

In the first year, for example, the committee would suggest using 's' instead of the soft 'c'. Sertainly, sivil servants in all sities would resieve this news with joy. Then the hard 'c' could be replaced by 'k' sinse both letters are pronounsed alike. Not only would this klear up konfusion in the minds of klerikal workers, but typewriters kould be made with one less letter.

There would be growing enthusiasm when in the sekond year, it was anounsed that the troublesome 'ph' would henseforth be written 'f'. This would make words like 'fotograf' twenty persent shorter in print.

In the third year, publik akseptanse of the new spelling kan be expekted to reach the stage where more komplikated changes are possible.

Governments would enkourage the removal of double letters which have always been a deterent to akurate speling.

We would al agre that the horible mes of silent 'e's in the languag is disgrasful. Therefor we kould drop thes and kontinu to read and writ as though nothing had hapend. By this tim it would be four years sins the skem began and peopl would be reseptive to steps sutsh as replasing 'th' by 'z'. Perhaps zen ze funktion of 'w' kould be taken on by 'v', vitsh is, after al, half a 'w'.

Shortly after zis, ze unesesary 'o' kould be dropd from words kontaining 'ou'. Similar arguments vud of kors be aplid to ozer kombinations of leters.

Kontinuing zis proses yer after yer, ve vud eventuli hav a reli sensibl riten styl. After tventi yers zer vud be no mor trubls, difikultis and evrivun vud fin it ezi tu understand ech ozer. Ze drems of the Guvermnt vud finali hav kum tru"

segunda-feira, maio 03, 2004

Hospital Santa Maria II
Da mãe da criança para a médica:
"Eu seduzi que a alergia fosse dos morangos". Se a senhora seduziu quem sou eu para a contrariar?
Hospital Santa Maria
O João Maria, a contas com umas alergias manhosas que lhe deixaram as pernas em várias tonalidades de vermelho, foi comigo à urgência pediátrica de Santa Maria. A gorda não se calava, e queria saber tudo sobre a vida da cigana e da mulher que dava colo a um quase recém nascido. A cigana, mãe de cinco filhos que, só não tinha mais porque não podia. Mãe coragem com certeza. As perguntas eram cretinas e quase ofensivas. O que é que a gorda tinha a ver com a opção por ser mãe de cinco, até de mais assim pudesse. Perguntava-lhe se gostava de crianças, só dos dela, que idade tinha, que idades tinham os filhos, se iam à escola. À outra perguntava se era o único, porque é que tinha esperado 14 anos para ter o segundo filho, se tinha mais paciência para este do que para o mais velho, se eram parecidos, porque é que eram de pais diferentes, como é que engravidou aos 18 e depois aos 32, se estava à espera de voltar a ser mãe. Estupor da gorda só me apetecia mandá-la calar. Falava o que lhe vinha à parca cabeça. Retardada. Incontinente verbal. Estúpida. Mete-te na tua vida.
A cigana e a mulher respondiam como se falassem para uma assembleia, porque os filhos são a maior riqueza e orgulho de uma mãe e destas riquezas não há que haver receio de anunciar.
Fui-me embora porque o João Maria melhorou e foi mandado para casa. O que iria na cabeça daquela gorda para querer saber assim, da vida dos outros.

sexta-feira, abril 30, 2004

Memória Selectiva
Ontem quando o despertador me acordou reparei que estava sózinho na cama. Não se estranha quando há criançada por perto. Aliás, nestas condições raras são as vezes em que se acorda exactamente com as mesmas pessoas com que nos deitamos. Ou falta alguém, ou está alguém a mais, ou se acorda na cama de outra pessoa. Esta é uma das grandes emoções de ser pai.
Deixei-me levar pelo sono que ainda restava. Quando me levanto, reparo que a minha mulher mal me fala e que quando o faz não prima pela simpatia. Descubro que tivemos uma discussão a meio da noite à conta da necessidade de fazer algo ao príncipe mais novo. Ao que parece, pediu-me para eu ir ver o que se passava, e eu desatei aos berros num discurso bem articulado "Eu sei muito bem que ele está a chorar e faz parte da minha estratégia não ir lá neste momento. Estas coisas têm o seu timing e eu é que decido qual a melhor altura para ir ver o que se passa." Ainda fiz uns gestos bruscos de chega pra lá.
Juro que não me lembro de patavina, mas concordo com tudo o que dizem que eu disse. Faz todo o sentido.
Lá nos entendemos sobre o sucedido, mas pairaram no ar umas alternativas para me acordar que envolvem o uso de copos de água, ou métodos ainda mais medonhos.
De qualquer forma, alguma coisa deve ter ficado no subconsciente, porque hoje acordei na cama do Manel.

quinta-feira, abril 29, 2004

Cataclismo
Sem que nada o fizesse prever, o vazio absoluto. Que absurdo.
Promessa Cumprida
Lá fomos até à porta mágica como prometido desde o início da semana. Ainda não percebi se as pessoas da agência bancária acham muita graça, a ver os príncipes ás voltas na porta giratória enquanto, cá fora, eu levanto uns míseros euros. Nós achamos muito engraçado e divertido. Eles acreditam que a porta só começa a girar com um sonoro Abracadabra.
Obrigado sr. Jardim Gonçalves pelas portas estilo carrocel.

quarta-feira, abril 28, 2004

Ao ler as gordas ...
... encontrei esta frase: "Túnel de Santana causa mau ambiente."
O que é isto?
O que é que isto quer dizer?
Nãããããããããããã........
「ありがとう」
A Caixa de Costura recebeu a primeira visita do país do sol nascente. Arigato. O título deste post é um chamariz para mais visitantes nipónicos. Assim como assim eles chegam sempre ao presente, com alguma antecedência. Digamos que levam meio dia de vantagem, e isso parece-me razão suficiente para que lhes dedique alguma atenção.

terça-feira, abril 27, 2004

Caixote de Correio
O Google propõe a todos os Bloggers do Blogger a subscrição de uma conta de mail com capacidade para 1 Giga. Quando a esmola é muita ...
O meu endereço afrazao@gmail.com
Mistério
O que é que aconteceu à Pegada na Areia? Espero que nenhuma onda mais feroz a tenha varrido, que se sente a sua falta.
A comunidade
bloguistica está grávida. E isso é genéricamente considerado como positivo. A Catarina e a Cristina andam a fazer o levantamento destes casos. A coluna da direita será actualizada em conformidade.
Com tanto homem grávido, deixa-me muito feliz o facto de não existir nenhum bébé de mãe incógnita.

domingo, abril 25, 2004

25 de Abril


A meio dos preparativos para mais um dia de Formigueiro, chegou a notícia que nesse dia, o colégio ia estar fechado, e com o emprego do pai acontecia o mesmo, ficámos todos em casa num crescente frenesim. Lembro-me que lá pela hora do lanche se discutia sobre ir ou não à rua ver a revolução de perto. Pelo sim pelo não, eu e a minha irmã montámos no quintal um posto de comando com anti-aérea e tudo. O espaço aéreo de Campo de Ourique, um pilar estratégico da Revolução, estava controlado por nós. Ainda hoje estou convencido de que se não fossemos nós, a revolução não tinha vingado.

sexta-feira, abril 23, 2004

Revolução
Hoje logo pela manhã, a rádio fez-me chegar uma versão da Grândola Vila Morena. Trouxe-me tantas memórias e com elas este poster que esteve tanto tempo na parede do quarto da minha irmã.

quinta-feira, abril 22, 2004

Subconsciente
A minha caneta de memória? Onde é que está a minha caneta de memória que eu devia ter trazido para casa com o trabalho que tenho para fazer hoje á noite? Querem lá ver que a deixei no emprego. Mas que cabeça a minha !

quarta-feira, abril 21, 2004

Pior ...
... cego é aquele que não quer ver. Descobri a origem deste turbilhão que afecta Portugal nestes últimos tempos. Acompanhem o meu raciocínio.
Onde é que se vendem a maioria dos electrodomésticos em Portugal?
Nas lojas, ok. Mas a pergunta é: Em que lojas? Nas lojas Worten, certo?
O que é que tem acontecido às margens e ao volumes de vendas nas lojas Worten? As primeiras estão esmagadas, e o segundo cai mais vezes que americanos no iraque (sr. Bush não se apoquente, é só uma piada de mau gosto).
O que é que a Sonae tem que fazer? Afastar de vez, e por todos os meios, TODOS os potenciais riscos para a venda de electrodomésticos.
Quem são as pessoas que, em Portugal, mais ofereceram electrodomésticos, afastando os compradores das lojas Worten? Pensem lá um bocadinho.
Pois é meus caros. Essas pessoas são:
1. O Valentim Loureiro por altura das eleições.
2. O Carlos Cruz por altura do 1,2,3
Onde é que estão essas pessoas? Na prisão, vítimas de uma cabala.
Que vergonha sr. Belmiro de Azevedo. A seguir vai arranjar forma de mandar prender quem? O Fernando Mendes? Que Deus lhe perdoe.

terça-feira, abril 20, 2004

A evolução
das espécies por C. Darwing
dos cravos por D. Barroso

Mais uns aninhos e comemoramos é o centenário da epública.

segunda-feira, abril 19, 2004

A direito...
... regressaram a casa. Que alívio. Isto de uma casa com os três homens, é uma coisa difícil de gerir. Sobretudo quando a preocupação do mais novo é acertar com um carro na cabeça do homem do meio e a preocupação do homem do meio é marcar uma dúzia de golos sem resposta ao mais homem mais novo, que olha feito parvo para o comando da playstation que lhe estremece nas mãos.
Agora já estamos todos em casa e muito felizes. A cabeça à roda foi mais um sintoma e dos fortes, daquilo que já sabíamos há algumas semanas:

Estamos grávidos!!!!


Nós todos pois claro, que isto de abrir as portas ao quinto elemento da família, tem que ser assumido por todos.

domingo, abril 18, 2004

À roda ...
tudo à roda num carrocel desconcertante, no centro da órbitra de todos os objectos, as paredes, os quadros, as vozes. A vertigem descontrolada faz o corpo ceder, não se consegue parar o movimento. Depois de tanta tempestade, instala-se aos poucos o sossego para lá de merecido. O suporte do balão do soro também lhe suporta o corpo ainda pouco seguro em passos dados com todos os vagares. Devolve-lhe o tempo, ao de leve, o sorriso. Ninguém percebe muito bem o que ali faz. Ao lado ouvem-se os despertares das novas vidas, ainda faltam uns tempos largos para se separar da que nela abriga. Como disse a prima Rita, é preciso ver que ela também já não vai para nova. Que susto meus amores. Talvez amanhã voltem para casa. Oxalá seja assim.

sexta-feira, abril 16, 2004

Natureza Morta
A queda da ponte de Entre os Rios, os incêndios do verão e a morte do jogador de futebol têm todos a mesma causa: Natural. É bom viver num país onde a natureza e a naturalidade são uma constante. Vai-se a ver e ás tantas a ineficácia do governo, o número de desempregados, a miséria de tanta gente, o défice acima dos 3%, a lentidão da justiça, as listas de espera da saúde, o jornal da TVI, a pedofilia, os malucos do riso, a ilegalidade do aborto, o ministro da defesa, a ministra das finanças, a maioria parlamentar, a corrupção, o jornalismo do 24 horas, tem tudo a mesma causa. A natureza, ou a naturalidade ou o raio que os parta.

quinta-feira, abril 15, 2004

Contradições
Estou com vontade de, neste fim de semana, experimentar a pista de gelo com o João Maria.
Os rapazes do Hockey em linha fizeram lá um jogo na passada Sexta Feira, e o C. partiu a perna e lesionou o joelho.
Estas duas últimas frases têm criado alguns conflictos na minha cabeça.

quarta-feira, abril 14, 2004

Nostalgia
Lembrei-me de um filme animado que passava algumas 248 vezes por ano na televisão. A história da minhoquinha Gaspar que fazia a sua casa na maçã, e que ficou sem casa (o que aliás é muito bem feito de tão óbvio que uma maçã não é o local ideal para morar) porque o menino comeu a maça, e depois se fez borboleta e subiu até o sol lhe queimar as asas.
O problema deste filme é o cansaço que provoca depois de passar mais vezes na televisão que a própria Música no Coração.

terça-feira, abril 13, 2004

Brincadeirinha

Ao jeito de Palavras em Férias

Diariamente

Para calar a boca: Rícino
Pra lavar a roupa: Omo
Para viagem longa: Jato
Para difíceis contas: Calculadora
Para o pneu na lona: Jacaré
Para a pantalona: Nesga
Para pular a onda: Litoral
Para lápis ter ponta: Apontador
Para o Pará e o Amazonas: Látex
Para parar na pamplona: Assis
Para trazer à tona: Homem - Rã
Para a melhor azeitona: Ibéria
Para o presente da noiva: Marzipã
Para Adidas o Conga: Nacional
Para o outono a folha: Exclusão
Para embaixo da sombra: Guarda -Sol
Para todas as coisas: Dicionário
Para que fiquem prontas: Paciência
Para dormir a fronha: Madrigal
Para brincar na gangorra: Dois
Para fazer uma toca: Bobs
Para beber uma coca: Drops
Para ferver uma sopa: Graus
Para a luz lá na roça: 220 volts
Para vigias em ronda: Café
Para limpar a lousa: Apagador
Para o beijo da moça: Paladar
Para uma voz muito rouca: Hortelã
Para a cor roxa: Ataúde
Para a galocha: Verlon
Para ser moda: Melancia
Para abrir a rosa: Temporada
Para aumentar a vitrola: Sábado
Para a cama de mola: Hóspede
Para trancar bem a porta: Cadeado
Para que serve a calota: Volkswagen
Para quem não acorda: Balde
Para a letra torta: Pauta
Para parecer mais nova: Avon
Para os dias de prova: Amnésia
Para estourar a pipoca: Barulho
Para quem se afoga: Isopor
Para levar na escola: Condução
Para s dias de folga: Namorado
Para o automóvel que capota: Guincho
Para fechar uma aposta: Paraninfo
Para quem se comporta: Brinde
Para a mulher que aborta: Repouso
Para saber a resposta: Vide - o - Verso
Para escolher a compota: Jundiaí
Para a menina que engorda: Hipofagi
Para a comida das orcas: Krill
Para o telefone que toca:
Para a água lá na poça
Para a mesa que vai ser posta
Para você o que você gosta: Diariamente

Marisa Monte

Então e se fossem blogs?

Para usar a cabeça: Pensativa
Para molhar o sorriso: Gotinha
Para transbordar o vácuo: O vazio
Para o Domingo à tarde:Matraquilhos

... continue quem quiser nas alfinetadas.

segunda-feira, abril 12, 2004

Italiana
Ainda de ressaca do fim de semana prolongado, a cidade desperta devagar, cheia de sol, dormente. Foi assim que a percorri pela manhã e que, já tarde, regressei. Sou egoísta com a cidade, apetecia-me que todos os meses fossem como Agosto e que todos os dias fossem hoje. Com o tempo justo entre a partida e a chegada. Com o espaço certo para cada pessoa. Com o ria à justa.
Como uma bica curta, a cidade sabe melhor se se afasta do transbordo. Até o Cristo Rei, a quem não acho, a menor das graças, pareceu mais enquadrado.

domingo, abril 11, 2004

Assim foi a Páscoa
curta no tempo como seria de esperar. Não cumpri tudo o que planeara, mas cumpri o essencial. O mar inquieto pelo vento, a leitura (depois falamos), a areia da praia fria, família, muita família, amigos também. Corri tanto. O que eu corri atrás do João que tirou as rodinhas da bicicleta. O que eu corri do homem da tabacaria a quem o João, por acidente, derrubou o globo com os brindes a um euro. O João numa mão, a bicicleta sem rodas e descontrolada na outra e pernas para que vos quero. Tens que aprender a travar já que não consegues desviar-te dos obstáculos. As pessoas não se estão a rir de ti, estão a rir das centenas de bolas espalhadas pela rua. Acredita em mim.
Cumpri as brincadeiras e o o tempo para nós quatro. Hoje estamos todos mais ranhosos, mas muito mais felizes.

quinta-feira, abril 08, 2004

quarta-feira, abril 07, 2004

Visitas

Descobri que a caixa de costura recebeu uma visita do US Courts Government, o que, nos dias que correm, pode ser Preocupante. Queria aproveitar a oportunidade para salientar o total alinhamento deste blog com a política Norte Americana, nomeadamente nas questões da ocupaç… quer dizer da missão de paz no Iraque, do Terrorismo, de Cuba (esse barbudo selvagem), da NATO e da ineficácia da ONU.
Aquele post sobre o prémio Nobel para a dupla Bush & Blair foi uma brincadeira. Eu acho mesmo que eles merecem o prémio. Se não lhe dão a eles, quem é que o merece? A GNR não?
Por falar em Bush. Venha de lá esse abraço. Eu sempre fui um admirador seu, já desde o tempo do Bush e Estica, e lá em casa não há parafuso na parede que não leve uma busha antes. Ainda por cima, tal como o senhor disse sobre os EUA, também aqui em Portugal a maior parte das nossas importações vem do exterior.
Muito obrigado a todos pela visita e voltem sempre. Ok? God save the Queen, Quer dizer. Good to have you around, see you later. Tchauzinho.

terça-feira, abril 06, 2004

Aniversário
Passaram dois anos desde que o governo entrou em funções. Deu direito a festa rija em forma de Conselho de Ministros extraordinário. A "Caixa de Costura" conseguiu obter algumas informações sobre o evento e publica aqui, em exclusivo, uma fotografia do bolo de aniversário.

Ao que parece, a animação da festa foi assegurada por um número significativo de palhaços.
Aloe Vera
Após um longo processo de verificação de apertados requisitos, este blog consegiu a sua primeira certificação internacional. O primeiro blog português que contêm Aloe Vera

segunda-feira, abril 05, 2004

Coluna da Direita
Paragens e apeadeiros recentes. Porto de abrigo.
Aqui não há poeta. Pela forma.
Palavras em férias. Pelos desafios.
Estou grávida, socorro!!! Porque sim.
Páscoa 2
O meu pedido formal de desculpas ao Sopro do Coração. Só depois de escrever o post sobre os coelhos de páscoa é que visitei o blog que explica tudo ao detalhe.
Murphy

A minha irmã tem uma estreita relação com o Murphy. Esse mesmo, o que dá o nome ás leis. Desta vez atropelou um javali. Presumo que a experiência tenha sido desagradável para ambos. A menos do Javali, não se registaram danos pessoais.
Com a sorte que lhe assiste, o carro ficou sem frente, e embora não saiba detalhes, aposto que não lhe coube nem um presunto do animal, que quase de certeza pertencia a uma reserva privada de caça pelo que terá que indeminizar os proprietários e pagar duas multas. Uma por caçar fora de época e outra por não ser portadora da respectiva licença. Talvez se consiga provar que o javali lhe saltou para o capot quando ela ia a passar.
Recados
1. 100Nada e as 40 Primaveras. A 100Nada fez 40 anos. Alegra-te que ainda falta muito para casar o Blog. Parabéns Catarina, atrasadíssimos como vai sendo meu costume.
2. Ao que parece, no outro dia, quase atropelava uma blogger e seus bloguinhos. Travei, e passaram felizes à minha frente, na passadeira. O blog é fantástico e a passadeira tem um monte de luzes intermitentes a delimitá-la. Não havia nenhuma razão para os travões do carro falharem.
3. Para os srs Sol e Calor que por hoje resolveram aparecer em força: Poupem-se para o fim de semana, não quero desculpas a apartir de quinta feira a dizer que estavam demasiado cansados, e que não aguentam ficar mais tempo, que o início de época isto e aquilo.
4. Descobri pela Goiabada um link para a Minha Gravidez (entenda-se a gravidez de uma Blogger). Tá giro, tá giro...

5. A propósito, para futuros pais que queiram saber o sexo das criança, tem aqui um método com 99% de resultados confirmados.
A Páscoa
Se os ovos são um símbolo da Páscoa, porque é que aparecem tantos coelhos à mistura? Os coelhos nem põem ovos. A coisa parecia mais ajustada se se tratasse de galinhas de páscoa, ou gaivotas de páscoa, ou avestruzes de páscoa. Agora coelhos ?
Será que o coelho que foi com o Pai Natal no combóio ao circo, regressa por altura da Páscoa ? Que coisa estranha.

domingo, abril 04, 2004

02 26 31 36 38 48 + 01
Os números que saíram hoje no totoloto, aparentemente nada têm a ver com aqueles que escolhi para o meu boletim.
Os efeitos práticos deste facto não são nenhuns, excepto a sensação de ter passado o Sábado inteiro a planear uma semana que não vai acontecer. Retomo portanto, e para a semana em causa, o planeamento que tinha na Sexta Feira.

sábado, abril 03, 2004

Em frente marche
Nunca tinha gostado daquele carro, sobretudo porque a marcha atrás era impossível de engatar. Normalmente acabava por meter a primeira.
Isto trouxe-lhe inúmeros dissabores nos parques de estacionamento e nas companhias de seguros.
Voltou a acontecer. Foda-se. Logo ali, de trombas para o rio.
As últimas palavras do infeliz foram dirigidas ao construtor daquele estupor de rodas. A água do Tejo subiu-lhe pelo habitáculo sem pedir licença. "Este rio continua imundo, que cheiro nauseabundo". Ainda pensou na fortuna que gastou com os tapetes novos.
Por fim, por duas ou três vezes, fez sinais de luzes, ligou os quatro piscas e desapareceu.

quinta-feira, abril 01, 2004

Prémio Baú dos Príncipes e da Princesa ou Prémio do Mais Cosido!
Ás Palavras em Férias pela ideia, à Bananada de Goiaba pela nomeação. Eu que já me sentia qual autor de cinema independente, em noite de Óscares.
Estou cheio de orgulho pelo primeiro prémio da Caixa. Tenho que preparar um banner.
Colo
Hoje, pela caixa de correio da Caixa de Costura, recebi colo de mãe:
" Abro a «caixa de costura» como quando, manhã cedo, abria a porta do teu quarto para ver se estavas e se estavas bem. Coisas de mãe...
Abro este blog para receber e deixar passar os fios fortes da vida e da ternura.
É muito bom
Mãe"
Pois é, acrescento eu

quarta-feira, março 31, 2004

Falou-se ....
... de nomes para filhos durante o almoço. Num instante chegámos à ligeireza com que os Brasileiros arranjam nomes para os filhos:
"No Brasil, se o pai se chama Humberto, o mais natural é que o filho se possa chamar Doisberto".
Não que goste de caricaturar o povo Brasileiro, mas que se esticam na criação de nomes, lá isso esticam.
Também do MoMA ...
para alguém das redondezas, acabo de descobrir este colar, que lhe virtualmente ofereço.
.
Prenda Virtual
Hoje sinto-me um mãos largas, sei lá, apetece-me dar. Directamente do MoMA (museu de arte moderna de NY) e para quem passa por aqui, um abraço apimentado.

Este museu é fantástico, e tenho saudades dele e da Maçã que o envolve. A Grande Maçã com a eterna insónia.

terça-feira, março 30, 2004

Cinemateca
Já não passava por lá há tantos anos. Desde os tempos de faculdade. A reunião inesperada à tarde, abriu-me uma brecha à hora de almoço, que me conduziu até lá. Tinha a esperança de encontrar a loja aberta. Não abriu. Deixei-me levar pelo ambiente. Um céu estrelado, estrelas em cartazes de há muitos anos, câmaras e projectores de sonhos antigos. Luz, câmara e muita acção.
Como o pé de feijão na história do João, encontro uma infinita pilha de latas de película de filme apontada ao céu. Acho que se treparmos até ás últimas nuvens fim, encontramos a galinha dos ovos de ouro, um gigante mal amanhado e uma tocadora de harpa (provavelmente a Leonor Silveira).

Puz-me a pensar, no meio desta viagem, que o dia a dia vivido assim, se torna tão redutor. Sem querer, afastamo-nos de coisas estupidamente simples de saborear.

segunda-feira, março 29, 2004

Ainda...
... encontrei gente acordada e feliz por aqui.
Irritação
O primeiro post deste blog foi precisamente sobre isto. Sair do trabalho depois da hora em que a minha casa se transforma no reino da bela adormecida. Talvez o beijo de um príncipe acorde alguém.


Blogotinhices

Para quem ainda não percebeu a razão pela qual as obras demoram tanto tempo para além do esperado, aqui vai uma sugestão:

Visitem o site que tem esta e outras imagens. Muito bom.

domingo, março 28, 2004

Marés

Maré Cheia
A Ericeira fora de época, os sabores dos mares, os amigos.
Os convites para programas fora de horas de velhos amigos.
O esforço do Nilton para caber no seu novo programa. As perguntas que fez à Marisa Cruz.

Maré Vaza
O Inverno fora de época, a criançada fechada em casa durante a chuva insistente.
Os convites feitos fora de horas.
O formato do programa do Nilton, tipo "Isto só video". As respostas da Marisa, que não se conjugam com o esforço do rapaz.
Baú das recordações

Encontro mais uma música cheia de recordações penduradas.

Anos dourados

Tom Jobim - Chico Buarque
1986

Parece que dizes
Te amo, Maria
Na fotografia
Estamos felizes
Te ligo afobada
E deixo confissões
No gravador
Vai ser engraçado
Se tens um novo amor
Me vejo a teu lado
Te amo?
Não lembro
Parece dezembro
De um ano dourado
Parece bolero
Te quero, te quero
Dizer que não quero
Teus beijos nunca mais
Teus beijos nunca mais

Não sei se eu ainda
Te esqueço de fato
No nosso retrato
Pareço tão linda
Te ligo ofegante
E digo confusões no gravador
É desconcertante
Rever o grande amor
Meus olhos molhados
Insanos, dezembros
Mas quando eu me lembro
São anos dourados
Ainda te quero
Bolero, nossos versos são banais
Mas como eu espero
Teus beijos nunca mais
Teus beijos nunca mais

quinta-feira, março 25, 2004

José Mário Branco
... Estou com saudades de o ver mais próximo da linha da frente da nossa música.

Move-se ultimamente em bastidores de cinema, teatro e participações em discos. Faz tanta falta um perseguidor sobre ele.

O poema da Natália Correia, na boleia da sua música, tem-me visitado as canções trauteadas no carro.

Queixa das almas jovens censuradas

Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola

Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade

Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência

Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro

Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós

Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo

Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro

Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco

Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura

Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante

Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino

Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte
(Euro 2004: Portugal pede apoio à NATO)

Exª Srª NATO:
Serve a presente para solicitar a V.Exª que se digne a estar presente em Portugal, por ocasião do EURO2004. Tratando-se de um evento para o qual já investimos tanto do nosso esforço, rogamo-lhes que assuma as diligências necessárias a garantir o sucesso desta empresa de dimensão internacional. Tendo o povo português empenhado a sua própria mãe e vendido todos os dentes da frente por forma a possibilitar a construção dos 10 magníficos palcos onde decorrerão os confrontos, não nos parece viável outro desfecho, que não a vitória final da selecção das quinas.
Considerando o sofrimento com que o nosso povo encara uma eventual derrota, parece-nos evidente que cada selecção adversária pode potencialmente tornar-se uma arma de destruição massiva. Contamos, desta forma, com a V. determinação, já demonstrada em situações semelhantes, perante tais evidências.
Com os melhores cumprimentos
Portugal

quarta-feira, março 24, 2004

Consultoria
Normalmente falo-lhe dos filhos e digo meia dúzia de coisas sem sentido. Em alternativa, assumo uma espécie de postura de consultor que se dirige ao cliente, e falo-lhe de trabalho. Sinto-lhe simpatia e a certeza que é muito boa pessoa. Chegou para mais uma reunião, como tem acontecido nos últimos tempos. A diferença estava-lhe no rosto, se calhar no andar ou na ausência de vida, mas não reparei em nada que não fosse um rosto que me pareceu alérgico. Alergia à primavera, às resistências do inverno que nos importunam, ao que quer que fosse. Pareceu-me uma alergia, que como as alergias, fazem olhos inflamados e pingam os narizes.
Não era nada uma alergia. Acabava de chegar da missa de corpo presente de uma amiga que se suicidara. Perde o controlo e chora convulsivamente como uma criança. Não sabia o que fazer. Aliás nunca soube tão pouco o que fazer. Ali fiquei , com cara de parvo a olhar para aquela mulher que se desfazia em lágrimas. Apetecia-me dar-lhe um abraço, mas um consultor não abraça um cliente.
Os reforços chegaram em segundos e com eles o abraço de alguém que trabalha muito próximo dela. Ela recompôs-se no que era possível. Eu ainda estou atrapalhado com a situação. Que cretino.

terça-feira, março 23, 2004

Fitas...
... e rolos de fotogramas que, se projectados, nos envolvem noutros cenários. Tomara que a máquina dos sonhos se avraie e que me deixe por lá uma boa temporada. Daqui a pouco vou ao cinema. Se não escrever durante uns tempos é porque estou numa outra história.

segunda-feira, março 22, 2004

Reunião
... de tupperware.

Este há-de ser o nome do meu próximo blog (com direitos de autor já reservados).
Algumas mulheres (grandes mulheres obviamente) que por aqui passam, reunem-se alegremente, trocam dicas sobre diversos temas, promovem produtos comerciais, deixam recados umas ás outras. Fazem-no de forma inconsequente e o pior de tudo é que de facto é inconsequente.
Sempre encarei o blog como um espaço de liberdade, até de libertação. Eu convivo pacificamente com o facto de ser em casa, um homem objecto (e desempenho esse papel com muito brio e orgulho). Eis que de repente, me vejo autor de um blogobjecto.
O pior é que nem posso refilar muito com esta utilização abusiva por parte do sector feminino, já que são o garante de algum sucesso da Caixa de Costura e evitam que me deprima horrores cada vez que consulto as estatísticas.
Vem-me à ideia, nem sei porquê, o "Operário em Construção" de Vinicius:
"(..)
não sabia por exemplo
que a casa de um homem
é um templo
um templo sem religião.
Como tampouco sabia,
que a casa que ele fazia,
sendo a sua liberdade
era a sua escravidão (...)"
Ora, com o blog passa-se o mesmo. Sendo a minha liberdade é a minha escravidão.

sexta-feira, março 19, 2004

Pré Primária
Todos os dias, no bolso do bibe azul, encontramos as folhas de rascunho que antecedem a escrita no caderno da escola. No outro dia, resultado de alguém andar a vasculhar o lixo, alguns destes rascunhos estavam espalhados pela rua o que deixou o João, algures entre o curioso e o desconfiado. "Que giro mãe. Está ali um papel meu da escola."
Ontem podia ver-se
Gato Gato gato
Guita Guita
Gruta Gruta Gruta Gruta
Galo Galo Galo
Desconfio qiue o João, com cinco anos, chegou ao chamado ponto G.
Dia do Pai
Já tive direito a uns beijos e abraços e até a uns calções para a próxima época balnear. Cheguei a temer receber umas embalagens de Regaine, mas vieram uns calções lindos.
Aguardo ansiosamente o resultado das iniciativas escolares.

quarta-feira, março 17, 2004

Antecipação da Primavera I
Na certeza que o sonho tão desejado se fez vida. Primeiro filho da Filipa e do António. A imagem ainda é a dos sorrisos alternados com os enjôos, mas a felicidade anda a jorros, genuína por ali. E até que lhe cai muito bem.
Antecipação da Primavera II
Na temperatura do ar que tem ultrapassado as duas dezenas de graus. Ainda vamos aturar umas nuvens e umas caretas, mas a nossa cara vai concerteza estar mais ensolarada. Numa jogada de antecipação, o almoço de ontem foi entre amigos, e na esplanada de uma praia próxima. Vantagem evidente, a consciência de que para lá destas paredes e dos problemas que encerram existe vida no mundo exterior. A desvantagem traduz-se numa pontinha de inveja. A esplanada estava repleta de gente que não não se limitava a a proveitar um curtíssimo intervalo de almoço.

terça-feira, março 16, 2004

Chegou
... lá a casa há cerca de um ano e meio. Veio pela mão de uma senhora com um ar distinto, que a entregou como quem entrega uma criança ás mãos de um estranho. Cheia de conselhos, recomendações, enaltecendo todas as virtudes e disfarçando-lhe o mau feitio. Tal qual as crianças, fez asneira logo na primeira oportunidade. Derramou uma garrafa de óleo ou azeite na mesa da cozinha. Era ver a senhora distinta, com um ar aflito a desfazer-se em desculpas, receosa de algum tipo de rejeição. Acabou por dizer uma das frases com que os homens mais mentem: "Isto nunca me tinha acontecido antes !".
A senhora regressou a casa com a angústia da separação mas com o sorriso de quem faz uma boa acção. Lá em casa ficou o quinto elemento da família: a Bimby.
A Bimby é uma protagonista da cozinha, uma sopeira electrónica que não dorme com o patrão (e ainda bem que assim é porque aquelas lâminas não são de confiar), uma cozinheira com mostrador e botões. A Bimby é o Ferrari dos robots de cozinha. 10 segundos para leite creme, 30 para caipirinha, 25 para ameijoas à bolhão pato, 12 segundos para sorvete de morangos, sopa em 20 minutos, massa de tarte num minuto, açucar em pó em 5 segundos, . A bimby pesa, aquece, cozinha, tritura, amassa, coa e transforma a cozinha num box de F1, mas não trás as miúdas giras e cheias de curvas que povoam as ditas boxes.
A Bimby não tem direito a subsídio de Natal nem de Férias, não parte nada lá em casa, não passa a vida na cusquice com as outras Bimbys, mas não passa a ferro, não aspira, não faz as camas, não finge que arruma, nem que limpa o pó, não vive na zona saloia e não assobia nos esses. A Bimby não se mete na vida do patronato.
Ainda assim não sei se prefiro uma Bimby se uma Bimba.


domingo, março 14, 2004

Almoço de Primos
Não sei bem a propósito do quê, depois das entradas, a meio do arroz de pato e mesmo antes dos morangos, insinuou-se que assim, à primeira vista, eu podia ser considerado como ... careca. CARECA ???
Há uns anos atrás, a avó da Ana espreitava da janela quando eu ia buscá-la à porta de casa. A sua cusquice levou-a a alertar o meu futuro sogro que a menina dos olhos da família devia estar a sair com um homem bem mais velho, careca e tudo. Olha já se sabe que, a partir de certa idade os olhos nos atraiçoam, e veio-se a comprovar que as suas suspeitas eram infundadas e que eu não só se tratava de um jovem de vinte e tantos anos como era possuidor de uma farta cabeleira (mal distribuída talvez, mas farta).
Há menos anos atrás, ia eu a descer uma rua com alguma inclinação, e oiço uma criança atrás de mim (devia sofrer de alucinações) a perguntar ao respectivo progenitor "Pai, porque é que aquele senhor é careca?". Olhei em volta e não vi mais ninguém. Apeteceu-me mandar um estalo ao fedelho, mas vi logo que a criança devia ter algum problema. Do estilo ser muito mentirosa.
Nestes últimos tempos, várias são as situações em que sou abusivamente classificado na categoria dos carecas ou, ainda pior, na dos calvos. É um disparate equivalente a dizer que o planeta terra é todo coberto por água. Eu tenho cabelo, e em abundância, em parte significativa do hemisfério norte da minha cabeça.
A propósito deste tema, senti imenso a falta do Daniel neste almoço de primos.

quinta-feira, março 11, 2004

Beiço no beiço
Aproveitando o título da Rita, e o post jé desde a BananadaDeGoiaba. Deu isto. Logo a mim que acho estas coisas tão pouco hegiénicas. A imagem é tão pirosinha, mas dá um post lindo. Falta-lhe um pôr do sol e umas pombas lá por trás.
lip kiss
kiss on the lips - you're sweet and simple but
quite daring. you move for the kill confidently
knowing the other person wants the same thing.


What Sign of Affection Are You?
brought to you by Quizilla
Hijos de Puta
Espanta-me
a quantidade de notícias existente sobre Marte. Que raio de raça é a nossa que gasta rios de tinta a escrever sobre um planeta que não parece mais que um imenso court de terra batida, cheio de imperfeições e ainda por cima sem bancadas. Pelo que ouvi hoje na rádio, parece que a atmosfera do dito cheira a pum. O que há mais para escrever sobre Marte? Que teve água ? A garrafa que está à minha frente também já teve água e agora está vazia. E digo mais. A garrafa à minha frente não tem cheiro. Se de vez em quando, algo cheira a pum aqui nas redondezas, a culpa é exclusivamente minha.
Tratando-se de um planeta vermelho, haverá algum receio de uma nova ameaça comunista proveniente do espaço. Será isso que preocupa o mundo? Será que acham que em Marte se comem criancinhas. Será que vão surgir fotografias em panfletos reaccionários sobre gastronomia envolvendo criancinhas em Marte? Neste mundo tudo é possível. Noutro mundo, não sei.


Então
isto faz-se? Começa a chover ao início da tarde e deixa-se a água aberta até estarmos todos com os carros espetados uns nos outros. Está barata a água, não é verdade? E a rapaziada das oficinas cobra pouco, não? Estar numa fila de automóveis pode até ser uma oportunidade para alguma coisa que não me estou bem a lembrar o quê, mas que enerva um bocadinho quando se tem um compromisso importante ao qual se chega atrasado mais do uma hora, lá isso enerva. E MUITOOOOOOO. Ao Dom Pedro pelo tempo que fez, e ao Dom Pedro pelo túnel das Amoreiras obrigadinho.

terça-feira, março 09, 2004

Ando
... meio desfasado. Ainda bêbado do cansaço físico saboreado. Ando com um sorriso estúpido na cara, quase imune ás chatice. Reencontro com as coisas boas, as pessoas e os sorrisos de estar feliz. Encontrei sorrisos tão bons. Sabe-me bem o regresso assim. Tomo-lhe o gosto, tomara que fique, oxalá esteja para durar. O tempo é a melhor das dimensões. Dá para chapinhar nas poças das boas memórias.

segunda-feira, março 08, 2004

Janico
No seu melhor estilo, orgulho óbvio de pais babados.
Para o ano também vais Manel.
Ser Mãe ...
... dá uma trabalheira invulgar.
Chegar a casa com quilos de tralhas ás costas, dar-lhe lanche, dar-lhe banho, secar-lhe o cabelo, espalhar os cremes para que à chegada a Lisboa ninguém perceba as marcas de -9 graus de temperatura máxima, brincarmos juntos um pedacinho de tempo, fazer-lhe o jantar, dar-lhe o jantar, deixá-lo brincar enquanto se come qualquer coisa, deitá-lo, sentar-me em frente à televisão com aquela pequena angústia de ter que preparar tudo para o dia seguinte, levantar-me e preparar tudo para o dia seguinte, deitar-me doido de cansaço.
A todas aquelas que vão sentido o apelo da maternidade, deixem-se levar por ele, que para lá deste cansaço, há tanta coisa boa.
O João Maria portou-se tão bem, meu amor e herói das neves, tanto mais que vem carregadinho de boas cores e (certificação materna) mais gordo.

sexta-feira, fevereiro 27, 2004

Check List
Carregar o Telemóvel
Pagar a TV Cabo
Pagar o ADSL
Pagar à Mulher a Dias.
Acabar de Fazer o Necessaire
Colocar a comida no saco térmico.
Fazer as 10 tarefas do trabalho. Passar as coisas para as mãos certas.
Encher o depósito de gasolina do carro que fica cá.
Levar carregadores.
Dizer aos leitores da Caixa de Costura que me vou ausentar por uma semana. Achar estúpido dizer o que quer que seja porque é evidente pelos posts anteriores.
Dizer no blog, mais uma vez, que as alfinetadas não servem para deixarem recadinhos umas às outras. Ouviu menina Ana?
Dizer à Caixa de Costura que também lhe vou sentir as faltas.
Dar milhões de beijos ao Manel e à Ana.
Até ao meu regresso.
Ai já me esquecia. Pôr o João no carro.
Lá vamos nós com os Cantos do Sofá.



quarta-feira, fevereiro 25, 2004

Não te esqueças ...
... que ele sua horrores dos pés e depois do Ski é preciso trocar-lhe logo as meias.
... de lhe dar comida. Que não é para andar que nem um maluco a fazer pistas e me esquecer que o miúdo precisa de almoçar.
... de lhe dar banho logo a seguir ao ski, antes de te ires enfiar com o Pedro a beber cervejas e a comer patatas bravas.
... que ele precisa de comer sopinhas e carne e peixe, que uma criança não se alimenta a Jamon Serrano. Não????
... de lhe pôr as meias e as 3 dúzias de camisolas que estão uns tantos graus abaixo de zero.
... de nos telefonar pelo menos umas quinze vezes por dia, que ele vai ter muitas saudades minhas e do Manel.
... de o pôr a fazer xixi antes de deitar, senão vais ter que levar mudas de lençóis. (talvez a criança não se importe de ser algaliada, mesmo durante o dia, que ir à casa de banho com aquelas calças é muito chato).
... de ir com todo o cuidadinho na estrada que o meu coração já está minusculo de estar uma semana sem voçês.
Não me vou esquecer de nada disso, podes ficar descansada Mãe Amor.
(Aposto que amanhã escrevo um post chamado "Levas aqui ... uma embalagem de Brufen e outra de Benuron para o caso de ele ter febre").

terça-feira, fevereiro 24, 2004

No parapeito
Já sabia que o 100nada andava no ar, visitava-o por vezes e calculava o prazer da escrita pelo enorme gozo da leitura. Disseram-me um dia para espreitar o parapeito, onde uma menina grande, à janela, fazia estendal de coisas bonitas. Li um post "Tu primeiro, eu depois". Disse-me tanto. Os irmãos deviam ser assim. Como Bethânia e Caetano, como Rita e João. Foi depois deste post que nasceu a Caixa de Costura e a responsabilidade, além de muito minha, é repartida entre um Parapeito e o Absolutamente Vazio. A menina deixou a janela e escreveu-o na vidraça, o parapeito está mais vazio. Sei que quando passar por baixo dele, vou sempre levantar os olhos a ver se há roupa pendurada ou flores nas floreiras, sei que um dia hão-de acabar por aparecer.

segunda-feira, fevereiro 23, 2004

Humor por mail
Não costumo colocar piadas recebidas por mail no meu blog. Acho que vou abrir uma excepção para esta Cotovelada:

Eu costumava odiar ir a casamentos, porque havia sempre aquele momento, no final, em que todas as avós e tias velhas vinham ter comigo, davam-me uma coteveladazita e diziam com um ar todo derretido:
"O próximo és tu !"
Mas pararam de fazer essa merda... quando eu passei a fazer-lhes a mesma coisa nos funerais !...

domingo, fevereiro 22, 2004

Os domingos
têm destas coisas. Um acordou com uma tremenda vontade de brincar com todos os carros ao mesmo tempo, e o autocarro não podia faltar. A mesa da cozinha tem mais trânsito que a ponte em fim de semana de verão. Todos os acessos estão caóticos. O outro não conseguia beber o leite por ter o nariz entupido. Queria pingos mas não queria pô-los. Choradeira garantida, mas lá lhe enfiei o leite goela abaixo.
Estou em pânico. Não sei do voucher dos apartamentos da neve. Partimos na 6ª. Só os rapazes mais velhos cá de casa com os rapazes mais velhos do canto do sofá. Gajas e menores que cinco anos ficam por cá, a poupar o dinheirinho dos forfaits para a abertura do IKEA. Vá um homem entender estas coisas. Amanhã se o não encontrar, tenho que perder algum tempo a conseguir uma coisa chamada "terceira via do voucher que os dois primeiros evaporaram-se". As boas notícias é que tem nevado muito pelos pirinéus.

sexta-feira, fevereiro 20, 2004

Cuidado
Hoje à saída do banho tinha um Elefante trombudo e um feroz Leão a olhar para mim com um ar ameaçador. Corri o mais que pude até ao quarto.
Mais tarde na rua, passou à frente do meu carro, o Zorro que perseguia uma Fada Madrinha. O polícia assistia a tudo como se nada fosse com ele, e não não se impressionou com o Homem Aranha, o Hulk e um Power Ranger encarnado que estavam por perto.
A Enfermeira ia de mão dada com o Cowboy, e a Espanhola não estava a gostar nada da brincadeira. O Cozinheiro, a Vaca e o Pirata estavam com um ar tão feliz, provavelmente por ser Sexta-Feira. Será que aquela Cigana me quer ler a sina?
Há dias em que a realidade se deixa embrulhar de fantasias.

quinta-feira, fevereiro 19, 2004

Lagos
As primeiras férias no Algarve foram em Lagos. E as segundas e as terceiras. Só muito depois descobri o Algarve para lá de Lagos. É cidade em muralhas que lhe protege o coração. É pequena como a Dona Ana e imensa como a Meia Praia. É a cara de um Algarve de aconchego e tem os melhores folhados de salsicha que conheço. Tem a estátua de um rei Menino, recém chegado dos nevoeiros. Conduzi lá o Honda da tia Zé muitos anos antes de poder conduzir, na ponta da Piedade. É uma cidade menina, mas sem paneleirices. Tem cinema, exposições, cafés e gente todo o ano. E a praia da Luz fica por perto. E o mar recortou-lhe a silhueta de encantos.
Idade
Descobri que nunca posso comemorar os meios anos porque do lado oposto a Agosto fica Fevereiro, que não tem fim do mês. Por outro lado decidi adoptar a métrica da criançada. Quando perguntarem a idade digo-a em meses. Parto do princípio que assim, actualizando-a todos os meses, me vou habituando a esta fase de crescimento. Por agora tenho quatrocentos e trinta e muitos meses.
Se calhar adopto a escala da gravidez e converto isto em semanas. Não estou bem certo, mas rondam as 1900. Mas essas começam a contar desde a última menstruação. A sério que não me lembro. A menopausa já foi há tanto tempo.
E se veio aqui parar porque resolveu pesquisar "menopausa" no Google e lhe apareceu um link para esta página, eu só tenho que lhe pedir desculpas minha senhora.

quarta-feira, fevereiro 18, 2004

A pesquisa
que fiz por imagens do Acácio Barreiros e pela UDP levou-me ao Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra. Digo-vos que há relíquias por lá. Lembrei-me de umas fotografias dos tios, sobre os murais de Lisboa. E de umas colecções de autocolantes também.
Acácio Barreiros
Morreu. Vítima de doença prolongada, um conceito tão lato, onde cabem tantas histórias. Nos últimos anos (alguns vinte e tal) foi deputado pelo Partido Socialista. Não é da bancada rosa que me vêm as memórias. Era ainda antes disso. Do tempo em quera um dos (se calhar o) deputado(s) da UDP. Era irreverente e nada compatível com os formalismos da nossa assembleia. Estava sempre a ser repreendido e por vezes era expulso do hemiciclo. Divertia-me assistir a essas sessões, como quem via futebol só pelos cartões amarelos e vermelhos, ou ainda pior, ver a F1 por causa dos acidentes.
.
Hoje
pela manhã, além dos afazeres do costume, pediram-me para fazer chantilly. E eu tudo bem.
Fiz. A percepção que tenho é que, quando chegar a casa, já não vou encontrar o resultado da minha árdua tarefa.

terça-feira, fevereiro 17, 2004

segunda-feira, fevereiro 16, 2004

Aquele abraço
Esqueci o cigarro em cima do cinzeiro, acompanhava-me na contemplação. A música de Jobim, a luz cerrada que contrasta com o elevador de Santa Justa, a silhueta de Lisboa, de formas generosas. Tão sensual a minha cidade.
Nem tinha reparado nele, entregue ao jornal, com a idade e a cadência dos sábios. O rapaz aproximou-se dele quase a pedir licença, sem motivo e sem grandes forças, entregue à vida. Assim que o viu, levantou-se como uma mola, e abraçou-o com tanta força. O rapaz escondeu o rosto no ombro que o consolou. Nada disseram, parecia que não precisavam de dizer nada, tudo se falou no rosto abrigado e no abraço. Quando dois homens se abraçam assim, Deus anda com certeza por perto. Fui-me embora por não me dizer repeito.
Lembrei-me de um abraço antigo que vi há muitos muitos anos atrás por uma porta entreaberta. Era um pai a contar ao filho meu amigo, que a mãe, bem a mãe que estava doente, ... Nunca me vou esquecer desse abraço.

sexta-feira, fevereiro 13, 2004

Sexta 13
Se por obra do acaso, algo correu mal no dia de hoje, sempre pode descontrair um pouco com mais um episódio da saga do espacamento dos pinguins. Serve também como alternatitava para o dia de são Valentim.
Se o pinguim não ajudar os casais de namorados, e por amanhã ser também o Dia Europeu da Disfunção Sexual, a Sociedade Portuguesa de Andrologia disponibiliza uma Unidade Móvel de Apoio e Aconselhamento aos problemas sexuais que estará na Praça da Figueira, em Lisboa entre as 10h00 e as 20h00.
Divirtam-se.
Qual é coisa
qual é ela Qual o filme, qual o sonho fabricado, que viagem, que depressa, que sossego, vou sorrir, quero chorar, vou fugir, onde me levas, vou contigo, quero ir, quero quero e quero, vou dormir vou-te abraçar.


quinta-feira, fevereiro 12, 2004

Será
que ontem deixei uma cerveja no congelador? Acho que hoje fico a trabalhar até que todos estejam a dormir lá por casa. Com sorte consigo descongelar, limpar e voltar a congelar sem que ninguém dê pelo sucedido.
Aprendi hoje
que para se decidir os desenhos da calçada lisboeta se procedeu a um estudo. Desse estudo conclui-se que na rua, homens e mulheres têm comportamentos diferentes. Os homens andam em linha recta e as mulheres andam aos círculos. Desse estudo decidiu-se que os motivos dos passeios seriam tendencialmente rectilíneos e os motivos das praças seriam tendecialmente curvos.



É engraçado
o dia de hoje corre-me como um prato de esparguete. Caótico se visto de perto, harmonioso à distância, mas muito saboroso.
Atrasado
Saí até um pouco mais cedo do que costume, cheguei depois da hora pretendida. Normalmente isto irrita-me, resultado da contabilidade às meias horas não dormidas. Hoje foi um atraso muito saboroso. Estacionei no largo, longe do colégio dos príncipes, fomos à esplanada beber café e comer sanduiches de fiambre e manteiga aparadas. O preço nas esplanadas está pela hora da morte. Fomos até à escola pelo jardim das escadas e rampas e corremos a assustar os pombos. Quando chegámos à porta da escola berrámos muito alto que não queríamos ir à escola e todos nos ouviram.
Oásis de fim de semana criados por nós.
Vivaldi
Rapaz. Eu sei que a culpa não é tua, tanto mais que não és do tempo das chamadas em espera, mas a verdade é que metade das vezes que uma chamada fica em espera, sou brindado com a tua Primavera que se está a tornar insuportável.
Já tinham feito a mesma brincadeira com o genérico do boletim meteorológico, mas passou-lhes. A bem da verdade, o segundo lugar do top chamadas em espera, é ocupado pelos Madredeus. Já esses conheciam a realidade das chamadas em espera, e não se preocuparam nada com isso. Compuseram músicas capazes de levar qualquer um ao desespero após o primeiro minuto em espera.
Daqui vai o meu apelo para todos os compositores. Na altura da criação da obra, por tudo o que vos é sagradinho, pensem neste flagelo que são as chamasdas em espera. Obridadinha pá.

quarta-feira, fevereiro 11, 2004

Escrevia
ontem sobre a luta pela guarda de uma criança e veio-me à memória a primeira peça de teatro para "crescidos" a que os meus pais me levaram. Tinha 7 anos quando fui ver o "Círculo de giz caucasiano" ao Teatro Aberto. Lembro-me da Irene Cruz e de dois meninos, um louro outro moreno que se repartiam na tarefa de representar todas as noites. Na noite em que fui, acho que era noite de menino louro. Fazia-me falta rever esta obra de Bertolt Brecht .

terça-feira, fevereiro 10, 2004

É permitida...
a utilização, por parte das leitoras deste blog, do véu islâmico.
.
Caramba
que hoje apetece-me ouvir isto.

Caramba

Letra e música: Sérgio Godinho

Ó senhor da loja
já que a vida é curta
diga-me lá, se souber
quantos metros tem a dor

E já que ainda por cima
a vida é pesada
diga-me lá, se puder
quantos quilos tem o amor

E já que a paciência
tem os seus limites
diga-me lá quantos são
que é p'ra eu saber se espero ou não
quando for desesperar

Já que a vida é curta
e o futuro, diz que está aqui já
(sei lá)
já que o futuro vêm
em peças separadas p'ra montar
(ah! ah! ah! ah!)
antes que se esgote
reserve desde já o seu exemplar
Caramba
está-se p'raqui a dançar na corda bamba
sem se saber para que lado é que se cai
nem com que pé é que se samba
(Refrão)

Ó senhor da loja
já que a vida é bela
diga-me lá se souber
em que espelho a devo olhar

Mas se por outro lado
diz que a vida é dura
arranje-me aí, se tiver
um capacete p'ra eu marrar

E já que a vida é feita
de pequenos nadas
guarde-me aí quatro ou cinco
que é p'ra quando for domingo
eu os poder saborear

(Refrão)

Ó senhor da loja
já que a vida é breve
arranje-me aí os ponteiros
dum relógio que atrasar

E já que no fundo
vai tudo dar ao mesmo
diga-me se o mesmo é mesmo
tudo o que ainda vai mudar

E já que é preciso
deitar contas à vida
desconte-me aí os meses
em que apenas fiz às vezes
doutro que não era eu

(Refrão)
Iruan
Uma disputa imbecil em tribunal sobre a guarda de uma criança. Orfão primeiro de mãe, depois de pai, vê-se no meio de uma guerra cega, estúpida e insensível que lhe potencia a dor. Não haverá quem veja que se pode evitar isto ? Que merda de mundo.

segunda-feira, fevereiro 09, 2004