quinta-feira, abril 01, 2004

Prémio Baú dos Príncipes e da Princesa ou Prémio do Mais Cosido!
Ás Palavras em Férias pela ideia, à Bananada de Goiaba pela nomeação. Eu que já me sentia qual autor de cinema independente, em noite de Óscares.
Estou cheio de orgulho pelo primeiro prémio da Caixa. Tenho que preparar um banner.
Colo
Hoje, pela caixa de correio da Caixa de Costura, recebi colo de mãe:
" Abro a «caixa de costura» como quando, manhã cedo, abria a porta do teu quarto para ver se estavas e se estavas bem. Coisas de mãe...
Abro este blog para receber e deixar passar os fios fortes da vida e da ternura.
É muito bom
Mãe"
Pois é, acrescento eu

quarta-feira, março 31, 2004

Falou-se ....
... de nomes para filhos durante o almoço. Num instante chegámos à ligeireza com que os Brasileiros arranjam nomes para os filhos:
"No Brasil, se o pai se chama Humberto, o mais natural é que o filho se possa chamar Doisberto".
Não que goste de caricaturar o povo Brasileiro, mas que se esticam na criação de nomes, lá isso esticam.
Também do MoMA ...
para alguém das redondezas, acabo de descobrir este colar, que lhe virtualmente ofereço.
.
Prenda Virtual
Hoje sinto-me um mãos largas, sei lá, apetece-me dar. Directamente do MoMA (museu de arte moderna de NY) e para quem passa por aqui, um abraço apimentado.

Este museu é fantástico, e tenho saudades dele e da Maçã que o envolve. A Grande Maçã com a eterna insónia.

terça-feira, março 30, 2004

Cinemateca
Já não passava por lá há tantos anos. Desde os tempos de faculdade. A reunião inesperada à tarde, abriu-me uma brecha à hora de almoço, que me conduziu até lá. Tinha a esperança de encontrar a loja aberta. Não abriu. Deixei-me levar pelo ambiente. Um céu estrelado, estrelas em cartazes de há muitos anos, câmaras e projectores de sonhos antigos. Luz, câmara e muita acção.
Como o pé de feijão na história do João, encontro uma infinita pilha de latas de película de filme apontada ao céu. Acho que se treparmos até ás últimas nuvens fim, encontramos a galinha dos ovos de ouro, um gigante mal amanhado e uma tocadora de harpa (provavelmente a Leonor Silveira).

Puz-me a pensar, no meio desta viagem, que o dia a dia vivido assim, se torna tão redutor. Sem querer, afastamo-nos de coisas estupidamente simples de saborear.

segunda-feira, março 29, 2004

Ainda...
... encontrei gente acordada e feliz por aqui.
Irritação
O primeiro post deste blog foi precisamente sobre isto. Sair do trabalho depois da hora em que a minha casa se transforma no reino da bela adormecida. Talvez o beijo de um príncipe acorde alguém.


Blogotinhices

Para quem ainda não percebeu a razão pela qual as obras demoram tanto tempo para além do esperado, aqui vai uma sugestão:

Visitem o site que tem esta e outras imagens. Muito bom.

domingo, março 28, 2004

Marés

Maré Cheia
A Ericeira fora de época, os sabores dos mares, os amigos.
Os convites para programas fora de horas de velhos amigos.
O esforço do Nilton para caber no seu novo programa. As perguntas que fez à Marisa Cruz.

Maré Vaza
O Inverno fora de época, a criançada fechada em casa durante a chuva insistente.
Os convites feitos fora de horas.
O formato do programa do Nilton, tipo "Isto só video". As respostas da Marisa, que não se conjugam com o esforço do rapaz.
Baú das recordações

Encontro mais uma música cheia de recordações penduradas.

Anos dourados

Tom Jobim - Chico Buarque
1986

Parece que dizes
Te amo, Maria
Na fotografia
Estamos felizes
Te ligo afobada
E deixo confissões
No gravador
Vai ser engraçado
Se tens um novo amor
Me vejo a teu lado
Te amo?
Não lembro
Parece dezembro
De um ano dourado
Parece bolero
Te quero, te quero
Dizer que não quero
Teus beijos nunca mais
Teus beijos nunca mais

Não sei se eu ainda
Te esqueço de fato
No nosso retrato
Pareço tão linda
Te ligo ofegante
E digo confusões no gravador
É desconcertante
Rever o grande amor
Meus olhos molhados
Insanos, dezembros
Mas quando eu me lembro
São anos dourados
Ainda te quero
Bolero, nossos versos são banais
Mas como eu espero
Teus beijos nunca mais
Teus beijos nunca mais

quinta-feira, março 25, 2004

José Mário Branco
... Estou com saudades de o ver mais próximo da linha da frente da nossa música.

Move-se ultimamente em bastidores de cinema, teatro e participações em discos. Faz tanta falta um perseguidor sobre ele.

O poema da Natália Correia, na boleia da sua música, tem-me visitado as canções trauteadas no carro.

Queixa das almas jovens censuradas

Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola

Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade

Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência

Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro

Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós

Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo

Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro

Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco

Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura

Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante

Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino

Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte
(Euro 2004: Portugal pede apoio à NATO)

Exª Srª NATO:
Serve a presente para solicitar a V.Exª que se digne a estar presente em Portugal, por ocasião do EURO2004. Tratando-se de um evento para o qual já investimos tanto do nosso esforço, rogamo-lhes que assuma as diligências necessárias a garantir o sucesso desta empresa de dimensão internacional. Tendo o povo português empenhado a sua própria mãe e vendido todos os dentes da frente por forma a possibilitar a construção dos 10 magníficos palcos onde decorrerão os confrontos, não nos parece viável outro desfecho, que não a vitória final da selecção das quinas.
Considerando o sofrimento com que o nosso povo encara uma eventual derrota, parece-nos evidente que cada selecção adversária pode potencialmente tornar-se uma arma de destruição massiva. Contamos, desta forma, com a V. determinação, já demonstrada em situações semelhantes, perante tais evidências.
Com os melhores cumprimentos
Portugal

quarta-feira, março 24, 2004

Consultoria
Normalmente falo-lhe dos filhos e digo meia dúzia de coisas sem sentido. Em alternativa, assumo uma espécie de postura de consultor que se dirige ao cliente, e falo-lhe de trabalho. Sinto-lhe simpatia e a certeza que é muito boa pessoa. Chegou para mais uma reunião, como tem acontecido nos últimos tempos. A diferença estava-lhe no rosto, se calhar no andar ou na ausência de vida, mas não reparei em nada que não fosse um rosto que me pareceu alérgico. Alergia à primavera, às resistências do inverno que nos importunam, ao que quer que fosse. Pareceu-me uma alergia, que como as alergias, fazem olhos inflamados e pingam os narizes.
Não era nada uma alergia. Acabava de chegar da missa de corpo presente de uma amiga que se suicidara. Perde o controlo e chora convulsivamente como uma criança. Não sabia o que fazer. Aliás nunca soube tão pouco o que fazer. Ali fiquei , com cara de parvo a olhar para aquela mulher que se desfazia em lágrimas. Apetecia-me dar-lhe um abraço, mas um consultor não abraça um cliente.
Os reforços chegaram em segundos e com eles o abraço de alguém que trabalha muito próximo dela. Ela recompôs-se no que era possível. Eu ainda estou atrapalhado com a situação. Que cretino.

terça-feira, março 23, 2004

Fitas...
... e rolos de fotogramas que, se projectados, nos envolvem noutros cenários. Tomara que a máquina dos sonhos se avraie e que me deixe por lá uma boa temporada. Daqui a pouco vou ao cinema. Se não escrever durante uns tempos é porque estou numa outra história.

segunda-feira, março 22, 2004

Reunião
... de tupperware.

Este há-de ser o nome do meu próximo blog (com direitos de autor já reservados).
Algumas mulheres (grandes mulheres obviamente) que por aqui passam, reunem-se alegremente, trocam dicas sobre diversos temas, promovem produtos comerciais, deixam recados umas ás outras. Fazem-no de forma inconsequente e o pior de tudo é que de facto é inconsequente.
Sempre encarei o blog como um espaço de liberdade, até de libertação. Eu convivo pacificamente com o facto de ser em casa, um homem objecto (e desempenho esse papel com muito brio e orgulho). Eis que de repente, me vejo autor de um blogobjecto.
O pior é que nem posso refilar muito com esta utilização abusiva por parte do sector feminino, já que são o garante de algum sucesso da Caixa de Costura e evitam que me deprima horrores cada vez que consulto as estatísticas.
Vem-me à ideia, nem sei porquê, o "Operário em Construção" de Vinicius:
"(..)
não sabia por exemplo
que a casa de um homem
é um templo
um templo sem religião.
Como tampouco sabia,
que a casa que ele fazia,
sendo a sua liberdade
era a sua escravidão (...)"
Ora, com o blog passa-se o mesmo. Sendo a minha liberdade é a minha escravidão.

sexta-feira, março 19, 2004

Pré Primária
Todos os dias, no bolso do bibe azul, encontramos as folhas de rascunho que antecedem a escrita no caderno da escola. No outro dia, resultado de alguém andar a vasculhar o lixo, alguns destes rascunhos estavam espalhados pela rua o que deixou o João, algures entre o curioso e o desconfiado. "Que giro mãe. Está ali um papel meu da escola."
Ontem podia ver-se
Gato Gato gato
Guita Guita
Gruta Gruta Gruta Gruta
Galo Galo Galo
Desconfio qiue o João, com cinco anos, chegou ao chamado ponto G.
Dia do Pai
Já tive direito a uns beijos e abraços e até a uns calções para a próxima época balnear. Cheguei a temer receber umas embalagens de Regaine, mas vieram uns calções lindos.
Aguardo ansiosamente o resultado das iniciativas escolares.

quarta-feira, março 17, 2004

Antecipação da Primavera I
Na certeza que o sonho tão desejado se fez vida. Primeiro filho da Filipa e do António. A imagem ainda é a dos sorrisos alternados com os enjôos, mas a felicidade anda a jorros, genuína por ali. E até que lhe cai muito bem.
Antecipação da Primavera II
Na temperatura do ar que tem ultrapassado as duas dezenas de graus. Ainda vamos aturar umas nuvens e umas caretas, mas a nossa cara vai concerteza estar mais ensolarada. Numa jogada de antecipação, o almoço de ontem foi entre amigos, e na esplanada de uma praia próxima. Vantagem evidente, a consciência de que para lá destas paredes e dos problemas que encerram existe vida no mundo exterior. A desvantagem traduz-se numa pontinha de inveja. A esplanada estava repleta de gente que não não se limitava a a proveitar um curtíssimo intervalo de almoço.

terça-feira, março 16, 2004

Chegou
... lá a casa há cerca de um ano e meio. Veio pela mão de uma senhora com um ar distinto, que a entregou como quem entrega uma criança ás mãos de um estranho. Cheia de conselhos, recomendações, enaltecendo todas as virtudes e disfarçando-lhe o mau feitio. Tal qual as crianças, fez asneira logo na primeira oportunidade. Derramou uma garrafa de óleo ou azeite na mesa da cozinha. Era ver a senhora distinta, com um ar aflito a desfazer-se em desculpas, receosa de algum tipo de rejeição. Acabou por dizer uma das frases com que os homens mais mentem: "Isto nunca me tinha acontecido antes !".
A senhora regressou a casa com a angústia da separação mas com o sorriso de quem faz uma boa acção. Lá em casa ficou o quinto elemento da família: a Bimby.
A Bimby é uma protagonista da cozinha, uma sopeira electrónica que não dorme com o patrão (e ainda bem que assim é porque aquelas lâminas não são de confiar), uma cozinheira com mostrador e botões. A Bimby é o Ferrari dos robots de cozinha. 10 segundos para leite creme, 30 para caipirinha, 25 para ameijoas à bolhão pato, 12 segundos para sorvete de morangos, sopa em 20 minutos, massa de tarte num minuto, açucar em pó em 5 segundos, . A bimby pesa, aquece, cozinha, tritura, amassa, coa e transforma a cozinha num box de F1, mas não trás as miúdas giras e cheias de curvas que povoam as ditas boxes.
A Bimby não tem direito a subsídio de Natal nem de Férias, não parte nada lá em casa, não passa a vida na cusquice com as outras Bimbys, mas não passa a ferro, não aspira, não faz as camas, não finge que arruma, nem que limpa o pó, não vive na zona saloia e não assobia nos esses. A Bimby não se mete na vida do patronato.
Ainda assim não sei se prefiro uma Bimby se uma Bimba.


domingo, março 14, 2004

Almoço de Primos
Não sei bem a propósito do quê, depois das entradas, a meio do arroz de pato e mesmo antes dos morangos, insinuou-se que assim, à primeira vista, eu podia ser considerado como ... careca. CARECA ???
Há uns anos atrás, a avó da Ana espreitava da janela quando eu ia buscá-la à porta de casa. A sua cusquice levou-a a alertar o meu futuro sogro que a menina dos olhos da família devia estar a sair com um homem bem mais velho, careca e tudo. Olha já se sabe que, a partir de certa idade os olhos nos atraiçoam, e veio-se a comprovar que as suas suspeitas eram infundadas e que eu não só se tratava de um jovem de vinte e tantos anos como era possuidor de uma farta cabeleira (mal distribuída talvez, mas farta).
Há menos anos atrás, ia eu a descer uma rua com alguma inclinação, e oiço uma criança atrás de mim (devia sofrer de alucinações) a perguntar ao respectivo progenitor "Pai, porque é que aquele senhor é careca?". Olhei em volta e não vi mais ninguém. Apeteceu-me mandar um estalo ao fedelho, mas vi logo que a criança devia ter algum problema. Do estilo ser muito mentirosa.
Nestes últimos tempos, várias são as situações em que sou abusivamente classificado na categoria dos carecas ou, ainda pior, na dos calvos. É um disparate equivalente a dizer que o planeta terra é todo coberto por água. Eu tenho cabelo, e em abundância, em parte significativa do hemisfério norte da minha cabeça.
A propósito deste tema, senti imenso a falta do Daniel neste almoço de primos.

quinta-feira, março 11, 2004

Beiço no beiço
Aproveitando o título da Rita, e o post jé desde a BananadaDeGoiaba. Deu isto. Logo a mim que acho estas coisas tão pouco hegiénicas. A imagem é tão pirosinha, mas dá um post lindo. Falta-lhe um pôr do sol e umas pombas lá por trás.
lip kiss
kiss on the lips - you're sweet and simple but
quite daring. you move for the kill confidently
knowing the other person wants the same thing.


What Sign of Affection Are You?
brought to you by Quizilla
Hijos de Puta
Espanta-me
a quantidade de notícias existente sobre Marte. Que raio de raça é a nossa que gasta rios de tinta a escrever sobre um planeta que não parece mais que um imenso court de terra batida, cheio de imperfeições e ainda por cima sem bancadas. Pelo que ouvi hoje na rádio, parece que a atmosfera do dito cheira a pum. O que há mais para escrever sobre Marte? Que teve água ? A garrafa que está à minha frente também já teve água e agora está vazia. E digo mais. A garrafa à minha frente não tem cheiro. Se de vez em quando, algo cheira a pum aqui nas redondezas, a culpa é exclusivamente minha.
Tratando-se de um planeta vermelho, haverá algum receio de uma nova ameaça comunista proveniente do espaço. Será isso que preocupa o mundo? Será que acham que em Marte se comem criancinhas. Será que vão surgir fotografias em panfletos reaccionários sobre gastronomia envolvendo criancinhas em Marte? Neste mundo tudo é possível. Noutro mundo, não sei.


Então
isto faz-se? Começa a chover ao início da tarde e deixa-se a água aberta até estarmos todos com os carros espetados uns nos outros. Está barata a água, não é verdade? E a rapaziada das oficinas cobra pouco, não? Estar numa fila de automóveis pode até ser uma oportunidade para alguma coisa que não me estou bem a lembrar o quê, mas que enerva um bocadinho quando se tem um compromisso importante ao qual se chega atrasado mais do uma hora, lá isso enerva. E MUITOOOOOOO. Ao Dom Pedro pelo tempo que fez, e ao Dom Pedro pelo túnel das Amoreiras obrigadinho.

terça-feira, março 09, 2004

Ando
... meio desfasado. Ainda bêbado do cansaço físico saboreado. Ando com um sorriso estúpido na cara, quase imune ás chatice. Reencontro com as coisas boas, as pessoas e os sorrisos de estar feliz. Encontrei sorrisos tão bons. Sabe-me bem o regresso assim. Tomo-lhe o gosto, tomara que fique, oxalá esteja para durar. O tempo é a melhor das dimensões. Dá para chapinhar nas poças das boas memórias.

segunda-feira, março 08, 2004

Janico
No seu melhor estilo, orgulho óbvio de pais babados.
Para o ano também vais Manel.
Ser Mãe ...
... dá uma trabalheira invulgar.
Chegar a casa com quilos de tralhas ás costas, dar-lhe lanche, dar-lhe banho, secar-lhe o cabelo, espalhar os cremes para que à chegada a Lisboa ninguém perceba as marcas de -9 graus de temperatura máxima, brincarmos juntos um pedacinho de tempo, fazer-lhe o jantar, dar-lhe o jantar, deixá-lo brincar enquanto se come qualquer coisa, deitá-lo, sentar-me em frente à televisão com aquela pequena angústia de ter que preparar tudo para o dia seguinte, levantar-me e preparar tudo para o dia seguinte, deitar-me doido de cansaço.
A todas aquelas que vão sentido o apelo da maternidade, deixem-se levar por ele, que para lá deste cansaço, há tanta coisa boa.
O João Maria portou-se tão bem, meu amor e herói das neves, tanto mais que vem carregadinho de boas cores e (certificação materna) mais gordo.

sexta-feira, fevereiro 27, 2004

Check List
Carregar o Telemóvel
Pagar a TV Cabo
Pagar o ADSL
Pagar à Mulher a Dias.
Acabar de Fazer o Necessaire
Colocar a comida no saco térmico.
Fazer as 10 tarefas do trabalho. Passar as coisas para as mãos certas.
Encher o depósito de gasolina do carro que fica cá.
Levar carregadores.
Dizer aos leitores da Caixa de Costura que me vou ausentar por uma semana. Achar estúpido dizer o que quer que seja porque é evidente pelos posts anteriores.
Dizer no blog, mais uma vez, que as alfinetadas não servem para deixarem recadinhos umas às outras. Ouviu menina Ana?
Dizer à Caixa de Costura que também lhe vou sentir as faltas.
Dar milhões de beijos ao Manel e à Ana.
Até ao meu regresso.
Ai já me esquecia. Pôr o João no carro.
Lá vamos nós com os Cantos do Sofá.



quarta-feira, fevereiro 25, 2004

Não te esqueças ...
... que ele sua horrores dos pés e depois do Ski é preciso trocar-lhe logo as meias.
... de lhe dar comida. Que não é para andar que nem um maluco a fazer pistas e me esquecer que o miúdo precisa de almoçar.
... de lhe dar banho logo a seguir ao ski, antes de te ires enfiar com o Pedro a beber cervejas e a comer patatas bravas.
... que ele precisa de comer sopinhas e carne e peixe, que uma criança não se alimenta a Jamon Serrano. Não????
... de lhe pôr as meias e as 3 dúzias de camisolas que estão uns tantos graus abaixo de zero.
... de nos telefonar pelo menos umas quinze vezes por dia, que ele vai ter muitas saudades minhas e do Manel.
... de o pôr a fazer xixi antes de deitar, senão vais ter que levar mudas de lençóis. (talvez a criança não se importe de ser algaliada, mesmo durante o dia, que ir à casa de banho com aquelas calças é muito chato).
... de ir com todo o cuidadinho na estrada que o meu coração já está minusculo de estar uma semana sem voçês.
Não me vou esquecer de nada disso, podes ficar descansada Mãe Amor.
(Aposto que amanhã escrevo um post chamado "Levas aqui ... uma embalagem de Brufen e outra de Benuron para o caso de ele ter febre").

terça-feira, fevereiro 24, 2004

No parapeito
Já sabia que o 100nada andava no ar, visitava-o por vezes e calculava o prazer da escrita pelo enorme gozo da leitura. Disseram-me um dia para espreitar o parapeito, onde uma menina grande, à janela, fazia estendal de coisas bonitas. Li um post "Tu primeiro, eu depois". Disse-me tanto. Os irmãos deviam ser assim. Como Bethânia e Caetano, como Rita e João. Foi depois deste post que nasceu a Caixa de Costura e a responsabilidade, além de muito minha, é repartida entre um Parapeito e o Absolutamente Vazio. A menina deixou a janela e escreveu-o na vidraça, o parapeito está mais vazio. Sei que quando passar por baixo dele, vou sempre levantar os olhos a ver se há roupa pendurada ou flores nas floreiras, sei que um dia hão-de acabar por aparecer.

segunda-feira, fevereiro 23, 2004

Humor por mail
Não costumo colocar piadas recebidas por mail no meu blog. Acho que vou abrir uma excepção para esta Cotovelada:

Eu costumava odiar ir a casamentos, porque havia sempre aquele momento, no final, em que todas as avós e tias velhas vinham ter comigo, davam-me uma coteveladazita e diziam com um ar todo derretido:
"O próximo és tu !"
Mas pararam de fazer essa merda... quando eu passei a fazer-lhes a mesma coisa nos funerais !...

domingo, fevereiro 22, 2004

Os domingos
têm destas coisas. Um acordou com uma tremenda vontade de brincar com todos os carros ao mesmo tempo, e o autocarro não podia faltar. A mesa da cozinha tem mais trânsito que a ponte em fim de semana de verão. Todos os acessos estão caóticos. O outro não conseguia beber o leite por ter o nariz entupido. Queria pingos mas não queria pô-los. Choradeira garantida, mas lá lhe enfiei o leite goela abaixo.
Estou em pânico. Não sei do voucher dos apartamentos da neve. Partimos na 6ª. Só os rapazes mais velhos cá de casa com os rapazes mais velhos do canto do sofá. Gajas e menores que cinco anos ficam por cá, a poupar o dinheirinho dos forfaits para a abertura do IKEA. Vá um homem entender estas coisas. Amanhã se o não encontrar, tenho que perder algum tempo a conseguir uma coisa chamada "terceira via do voucher que os dois primeiros evaporaram-se". As boas notícias é que tem nevado muito pelos pirinéus.

sexta-feira, fevereiro 20, 2004

Cuidado
Hoje à saída do banho tinha um Elefante trombudo e um feroz Leão a olhar para mim com um ar ameaçador. Corri o mais que pude até ao quarto.
Mais tarde na rua, passou à frente do meu carro, o Zorro que perseguia uma Fada Madrinha. O polícia assistia a tudo como se nada fosse com ele, e não não se impressionou com o Homem Aranha, o Hulk e um Power Ranger encarnado que estavam por perto.
A Enfermeira ia de mão dada com o Cowboy, e a Espanhola não estava a gostar nada da brincadeira. O Cozinheiro, a Vaca e o Pirata estavam com um ar tão feliz, provavelmente por ser Sexta-Feira. Será que aquela Cigana me quer ler a sina?
Há dias em que a realidade se deixa embrulhar de fantasias.

quinta-feira, fevereiro 19, 2004

Lagos
As primeiras férias no Algarve foram em Lagos. E as segundas e as terceiras. Só muito depois descobri o Algarve para lá de Lagos. É cidade em muralhas que lhe protege o coração. É pequena como a Dona Ana e imensa como a Meia Praia. É a cara de um Algarve de aconchego e tem os melhores folhados de salsicha que conheço. Tem a estátua de um rei Menino, recém chegado dos nevoeiros. Conduzi lá o Honda da tia Zé muitos anos antes de poder conduzir, na ponta da Piedade. É uma cidade menina, mas sem paneleirices. Tem cinema, exposições, cafés e gente todo o ano. E a praia da Luz fica por perto. E o mar recortou-lhe a silhueta de encantos.
Idade
Descobri que nunca posso comemorar os meios anos porque do lado oposto a Agosto fica Fevereiro, que não tem fim do mês. Por outro lado decidi adoptar a métrica da criançada. Quando perguntarem a idade digo-a em meses. Parto do princípio que assim, actualizando-a todos os meses, me vou habituando a esta fase de crescimento. Por agora tenho quatrocentos e trinta e muitos meses.
Se calhar adopto a escala da gravidez e converto isto em semanas. Não estou bem certo, mas rondam as 1900. Mas essas começam a contar desde a última menstruação. A sério que não me lembro. A menopausa já foi há tanto tempo.
E se veio aqui parar porque resolveu pesquisar "menopausa" no Google e lhe apareceu um link para esta página, eu só tenho que lhe pedir desculpas minha senhora.

quarta-feira, fevereiro 18, 2004

A pesquisa
que fiz por imagens do Acácio Barreiros e pela UDP levou-me ao Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra. Digo-vos que há relíquias por lá. Lembrei-me de umas fotografias dos tios, sobre os murais de Lisboa. E de umas colecções de autocolantes também.
Acácio Barreiros
Morreu. Vítima de doença prolongada, um conceito tão lato, onde cabem tantas histórias. Nos últimos anos (alguns vinte e tal) foi deputado pelo Partido Socialista. Não é da bancada rosa que me vêm as memórias. Era ainda antes disso. Do tempo em quera um dos (se calhar o) deputado(s) da UDP. Era irreverente e nada compatível com os formalismos da nossa assembleia. Estava sempre a ser repreendido e por vezes era expulso do hemiciclo. Divertia-me assistir a essas sessões, como quem via futebol só pelos cartões amarelos e vermelhos, ou ainda pior, ver a F1 por causa dos acidentes.
.
Hoje
pela manhã, além dos afazeres do costume, pediram-me para fazer chantilly. E eu tudo bem.
Fiz. A percepção que tenho é que, quando chegar a casa, já não vou encontrar o resultado da minha árdua tarefa.

terça-feira, fevereiro 17, 2004

segunda-feira, fevereiro 16, 2004

Aquele abraço
Esqueci o cigarro em cima do cinzeiro, acompanhava-me na contemplação. A música de Jobim, a luz cerrada que contrasta com o elevador de Santa Justa, a silhueta de Lisboa, de formas generosas. Tão sensual a minha cidade.
Nem tinha reparado nele, entregue ao jornal, com a idade e a cadência dos sábios. O rapaz aproximou-se dele quase a pedir licença, sem motivo e sem grandes forças, entregue à vida. Assim que o viu, levantou-se como uma mola, e abraçou-o com tanta força. O rapaz escondeu o rosto no ombro que o consolou. Nada disseram, parecia que não precisavam de dizer nada, tudo se falou no rosto abrigado e no abraço. Quando dois homens se abraçam assim, Deus anda com certeza por perto. Fui-me embora por não me dizer repeito.
Lembrei-me de um abraço antigo que vi há muitos muitos anos atrás por uma porta entreaberta. Era um pai a contar ao filho meu amigo, que a mãe, bem a mãe que estava doente, ... Nunca me vou esquecer desse abraço.

sexta-feira, fevereiro 13, 2004

Sexta 13
Se por obra do acaso, algo correu mal no dia de hoje, sempre pode descontrair um pouco com mais um episódio da saga do espacamento dos pinguins. Serve também como alternatitava para o dia de são Valentim.
Se o pinguim não ajudar os casais de namorados, e por amanhã ser também o Dia Europeu da Disfunção Sexual, a Sociedade Portuguesa de Andrologia disponibiliza uma Unidade Móvel de Apoio e Aconselhamento aos problemas sexuais que estará na Praça da Figueira, em Lisboa entre as 10h00 e as 20h00.
Divirtam-se.
Qual é coisa
qual é ela Qual o filme, qual o sonho fabricado, que viagem, que depressa, que sossego, vou sorrir, quero chorar, vou fugir, onde me levas, vou contigo, quero ir, quero quero e quero, vou dormir vou-te abraçar.


quinta-feira, fevereiro 12, 2004

Será
que ontem deixei uma cerveja no congelador? Acho que hoje fico a trabalhar até que todos estejam a dormir lá por casa. Com sorte consigo descongelar, limpar e voltar a congelar sem que ninguém dê pelo sucedido.
Aprendi hoje
que para se decidir os desenhos da calçada lisboeta se procedeu a um estudo. Desse estudo conclui-se que na rua, homens e mulheres têm comportamentos diferentes. Os homens andam em linha recta e as mulheres andam aos círculos. Desse estudo decidiu-se que os motivos dos passeios seriam tendencialmente rectilíneos e os motivos das praças seriam tendecialmente curvos.



É engraçado
o dia de hoje corre-me como um prato de esparguete. Caótico se visto de perto, harmonioso à distância, mas muito saboroso.
Atrasado
Saí até um pouco mais cedo do que costume, cheguei depois da hora pretendida. Normalmente isto irrita-me, resultado da contabilidade às meias horas não dormidas. Hoje foi um atraso muito saboroso. Estacionei no largo, longe do colégio dos príncipes, fomos à esplanada beber café e comer sanduiches de fiambre e manteiga aparadas. O preço nas esplanadas está pela hora da morte. Fomos até à escola pelo jardim das escadas e rampas e corremos a assustar os pombos. Quando chegámos à porta da escola berrámos muito alto que não queríamos ir à escola e todos nos ouviram.
Oásis de fim de semana criados por nós.
Vivaldi
Rapaz. Eu sei que a culpa não é tua, tanto mais que não és do tempo das chamadas em espera, mas a verdade é que metade das vezes que uma chamada fica em espera, sou brindado com a tua Primavera que se está a tornar insuportável.
Já tinham feito a mesma brincadeira com o genérico do boletim meteorológico, mas passou-lhes. A bem da verdade, o segundo lugar do top chamadas em espera, é ocupado pelos Madredeus. Já esses conheciam a realidade das chamadas em espera, e não se preocuparam nada com isso. Compuseram músicas capazes de levar qualquer um ao desespero após o primeiro minuto em espera.
Daqui vai o meu apelo para todos os compositores. Na altura da criação da obra, por tudo o que vos é sagradinho, pensem neste flagelo que são as chamasdas em espera. Obridadinha pá.

quarta-feira, fevereiro 11, 2004

Escrevia
ontem sobre a luta pela guarda de uma criança e veio-me à memória a primeira peça de teatro para "crescidos" a que os meus pais me levaram. Tinha 7 anos quando fui ver o "Círculo de giz caucasiano" ao Teatro Aberto. Lembro-me da Irene Cruz e de dois meninos, um louro outro moreno que se repartiam na tarefa de representar todas as noites. Na noite em que fui, acho que era noite de menino louro. Fazia-me falta rever esta obra de Bertolt Brecht .

terça-feira, fevereiro 10, 2004

É permitida...
a utilização, por parte das leitoras deste blog, do véu islâmico.
.
Caramba
que hoje apetece-me ouvir isto.

Caramba

Letra e música: Sérgio Godinho

Ó senhor da loja
já que a vida é curta
diga-me lá, se souber
quantos metros tem a dor

E já que ainda por cima
a vida é pesada
diga-me lá, se puder
quantos quilos tem o amor

E já que a paciência
tem os seus limites
diga-me lá quantos são
que é p'ra eu saber se espero ou não
quando for desesperar

Já que a vida é curta
e o futuro, diz que está aqui já
(sei lá)
já que o futuro vêm
em peças separadas p'ra montar
(ah! ah! ah! ah!)
antes que se esgote
reserve desde já o seu exemplar
Caramba
está-se p'raqui a dançar na corda bamba
sem se saber para que lado é que se cai
nem com que pé é que se samba
(Refrão)

Ó senhor da loja
já que a vida é bela
diga-me lá se souber
em que espelho a devo olhar

Mas se por outro lado
diz que a vida é dura
arranje-me aí, se tiver
um capacete p'ra eu marrar

E já que a vida é feita
de pequenos nadas
guarde-me aí quatro ou cinco
que é p'ra quando for domingo
eu os poder saborear

(Refrão)

Ó senhor da loja
já que a vida é breve
arranje-me aí os ponteiros
dum relógio que atrasar

E já que no fundo
vai tudo dar ao mesmo
diga-me se o mesmo é mesmo
tudo o que ainda vai mudar

E já que é preciso
deitar contas à vida
desconte-me aí os meses
em que apenas fiz às vezes
doutro que não era eu

(Refrão)
Iruan
Uma disputa imbecil em tribunal sobre a guarda de uma criança. Orfão primeiro de mãe, depois de pai, vê-se no meio de uma guerra cega, estúpida e insensível que lhe potencia a dor. Não haverá quem veja que se pode evitar isto ? Que merda de mundo.

segunda-feira, fevereiro 09, 2004

Esta noite
vou-te sobrevoar os sonhos. Aterro no primeiro beijo que encontrar
Sexómetro
Instigado pela Blogotinha, lá fui até ao Sexómetro.
Os procedimentos são simples, escreve-se o nome do casal e é apresentado o resultado numa escala de 0 a 100.
Os resultados foram dúbios:
1. Se se considerar apenas o primeiro nome da minha mulher o resultado é mediano:
49 pontos em 100, com o seguinte comentário
Your sex life is kind of average. May be you're satisfied with it, but remember that there is more.
2. Se considerar os dois nomes próprios da minha mulher:
99 pontos em 100, com o seguinte comentário
Ooh la la! You have a great sex life, but may be you do it just too often! Don't forget life offers more than just sex!

Perante este dilema, resolvi investigar outros casais fictícios:

Bárbara e Manuel Maria - 19 pontos.
Maria José e Jorge - 38 pontos.
Manuela e José Eduardo - 56 pontos.
Judite e Fernando - 76 pontos.
Isabel e Duarte - 57 pontos.

Confundiu-me, esta investigação. Desculpem não escrever mais nada mas tenho umas coisas a tratar em casa.



Acne ?
Nasceu-me uma borbulha bem ao lado da narina direita. Se for da puberdade chegou pelo menos com 20 anos de atraso.

domingo, fevereiro 08, 2004

Luísa
Uma coisa é garantida. As cores e os sons são os de quem vende e os de quem compra. As mulheres gordas e de avental atropelam as vozes para chegar primeiro aos ouvidos das freguesas. A fruta cheira a fruta, os legumes a legumes e o peixe, meu Deus, cheira tanto a peixe. Todos apregoados como os mais frescos das redondezas e baratos, que a vida está tão difícil para todos. A salsa e os coentros são por nossas conta, e se levar este restinho da caixa, até se faz um preço especial. Os trocos levam para as carteiras os cheiro e as escamas. As prateleiras não têm espelhos nem ordem e os produtos nunca viram códigos de barras. A Sr.ª Teresa dos legumes até já tem uma balança das modernas, mas não há balanço como o dos pratos e dos pesos gastos no tempo.
Tantas idas aos hipermercados fizeram-na esquecer aquele estranho aconchego. As gordas rosadas chamam-na de “menina” e de “amor” e de repente apeteceu-lhe comprar de tudo um pouco. E regatear. O que lhe apetecia regatear. Há muito que não se deixava banhar de tanta cor. Os dias cinzentos atrás das costas e as feridas abertas da última relação velaram-lhe a alma. Tudo lhe parecia em contraluz e era assim que tinha que ser. “Filho da puta. No que me tornei”. Agora, o arco íris naquele mercado de um acaso, esbofeteava-lhe, um por um, os sentidos. Deixou-se levar pelo ardor, porque o que arde geralmente, tende a curar. E a possibilidade da cura, era para ela, algo que não se podia dar ao luxo de desprezar.
Aproximou-se das bancas de peixe, palco de tantas as campanhas eleitorais. Deixaram autocolantes nas balanças e aventais e beijos mal amanhados às peixeiras. Comprou muito peixe, em concordância com uma mão cheia de recomendações colhidas por alturas da última visita à médica de família. De certeza que da próxima vez, a peixeira se lembraria dela. Essa é outra vantagem do mercado, para além do dinheiro, ficam-nos com o rosto na memória. As freguesas também as decoram, sempre podem pedir contas à frescura da mercadoria, caso a coisa dê para o torto.
Foi até aos legumes. Verificou que tudo o que queria estava naquelas caixas. Batatas, cebolas, brócolos e couve flor. Não encontrou a couve flor. Dirigiu-se à vendedora e perguntou-lhe por ela. A mulher chamou o filho e pediu-lhe a caixa da couve flor.
“Acabou-se-me a que aqui tinha, e ainda não fui buscar mais. O meu filho já a traz. Está no segundo ano de turismo. É muito bom rapaz e ainda melhor filho. Ao Sábado dá-me sempre uma mãozinha aqui na praça a atender as freguesas.”
De trás dos caixotes, um rapaz traz a caixa pretendida. O olhar dele intrigou-a. Muito fixo, sem desvios. Olhar enorme e traquino, paredes meias com um sedutor tosco e vulgar. Baixou os olhos, pegou nos legumes e pagou sem olhar. Virou costas e saiu quase apressada. O rapaz chamou-a.
“Minha flor, esqueceu-se da sua couve, senhora”.
“Desculpe ?”
“A senhora ... Esqueceu-se da sua couve flor.”
Estava capaz de jurar que não foi aquilo que ele disse. Ainda pensou atirar-lhe a couve flor aos cornos. Acabou por lhe agradecer, pegou no saco e fez-se confundir na multidão.
Resultado
da sondagem sobre a candidatura portuguesa ao Nobel da Paz. Parece que o Alberto João Jardim ganha, mas sem maioria absoluta que aqui na Caixa de Costura não há défice democrático.

sexta-feira, fevereiro 06, 2004

Então ????
Passou por aqui o visitante 4000 e nem levou o troféu? Um dedal e uma agulha em ouro branco e uma mão cheia de botões em madre pérola. O que é que eu faço a isto ?
Junto-lhe mais uma tesoura e 10 metros de tecidos do Vidal e ofereço ao 5000.

quinta-feira, fevereiro 05, 2004

Querem-me
...lá ver. Que agora se nos der para largar um arroto nesta tasca, ainda temos que pedir licença. Aquilo vai para ali uma revolução. E está tudo assim para o rosinha. Não tarda muito, em vez do calendário com as miúdas, põem um contador com o número de dias que falta para o Euro, ou para o dia dos Namorados. :-)
Pesquisas
Mais uma vez me surprrendo quando percorro a lista de palavras pesquisadas na internet e que originaram uma visita à Caixa de Costura. Desta vez, no meio de muitas Caixas e Costuras, encontrei:
1. Gravidez
2. Receitas para Bifanas
3. Trajecto Urbano do Metro do Porto.
Para não desiludir os potenciais visitantes aqui vai
Gravidez - normalmente dá nas mulheres para alívio de quase todos os homens. Há-de ser sempre um dos pontos fracos do homem, já que confere uma relação previligiada com o feto que se há-de tornar bébé. Dura mais coisa menos coisa 40 semanas e ficam lindas, enormes, hiper sensíveis (capazes de chorar a ver o TV Rural) e carregadinhas de hormonas.
Bifanas (receitas de) - é muito simples. Louro, colorau, alho, vinho branco e sal. Deixam-se marinar uma hora nestes temperos e fritam-se em banha de porco. Fritar bem para não correr o risco de apanhar uma bicha solitária.
Porto (Trajecto Urbano do Metro do) - não faço a menor ideia. Se eu mandasse, passava no Salão de Chá de Leça da Palmeira, no forte de Matosinhos, na Praia da Luz, na Casa de Serralves, na Ribeira, na Câmara Municipal, na Rua de Santa Catarina, no Marquês e na Praça Velasquez.

quarta-feira, fevereiro 04, 2004

No post anterior
referi uma ida à Serra da Estrela há dois anos atrás, antes de terem renovado toda a estância de esqui, melhorando substancialmente as infraestruturas. Resolvi espreitar a webcam e decidi. Ainda não é este ano que lá vou.
Olé

Eis que aos poucos se aproxima o Carnaval. A Gotinha que me perdoe mas o mês de Fevereiro lembra-me duas coisas. O Carnaval e uma ida à Serra da Estrela donde voltei deprimido, já que fui na clara disposição de esquiar, e mal consegui ver neve. Nunca me lembro do dia dos namorados que está, para mim, na mesma classe do “Dia Internacional da Uva Mijona” ou do “Dia Mundial do Canhoto”, com o devido respeito pelos namorados, pelos canhotos e pela incontinência do fruto.
O Carnaval é como o festival da Canção, quando nasci era muito importante e foi perdendo prestígio, sendo que, de vez em quando recupera alguma importância. A propósito, parabéns à Sofia da Operação Triunfo sobretudo por ser assim. Aqui há uns poucos anos, quase já nem me lembrava do Carnaval, apareceram na minha vida umas festas de Carnaval muito animadas e ímpares.
Ímpares porque eram na residência dos embaixadores de Espanha, e porque nunca eram no Carnaval. Eram sempre umas três semanas depois para que todos os filhos dos embaixadores pudessem juntar-se em Lisboa. Isto atirava o Carnaval para a segunda metade da quaresma, animando-a definitivamente. Ainda hoje os vizinhos comentam aquelas saídas lá de casa, eventualmente no final de Março, de um grupo de mascarados para uma noite que prometia farra. A animação era garantida pela quantidade de bebida disponível na festa sem que a mesma fosse acompanhada de comida. Prevenido, no segundo ano, já levava os bolsos carregadinhos de batatas fritas e aperitivos, para serenar a taxa de álcool.
Não consigo contar muito mais dessas festas porque de facto, só me lembro da primeira meia hora, tudo o resto está naquela zona híbrida que não consigo destinguir se era verdade ou mentira. Uns cães muito feios, um senhor que veio ter comigo porque eu estava a desafinar o piano do salão nobre (ora eu nem sei tocar piano), um lago com peixinhos mal dispostos, uma cozinha com um Pata Negra mesmo a pedi-las (mas eu era incapaz de comer alguma coisa que me não tenha sido oferecida). Tudo isto deve ser fruto da minha fértil imaginação. Seguro que sim.
De qualquer forma retomei o gosto pelo Carnaval, o que me leva a ter alguma compreensão pelo João e Manuel Marias que ficaram doidos no Domingo com as máscaras que apareceram lá por casa.

terça-feira, fevereiro 03, 2004

Bibas
O Bernardo é meu sobrinho e faz hoje 13 anos. Tão próximo da data de aniversário da avó Céu que ainda me visita tantas vezes o sorriso. O Bibas está adolescente e é louco pelo Benfica. Se pudesse oferecer-te algo de imenso, oferecia-te tudo o que hoje de bonito se viveu no estádio da Luz. Parabéns.
Já tá
quase tudo, na ordem natural das coisas.
Mas quem me manda
a mim meter-me nestas coisas dos computadores. Eu até nem sou formado nisto da informática nem nada.
Ai que me lembrei do termómetro. Onde é que morava o termómetro ???? Que se lixe o termómetro. Querem saber a temperatura ? Vão à rua e advinhem.
Vou-me deitar que estou desfeito.
Só falta
os links e o mail e a imagem que era um link para o cinema. A que é que eu chamava aos blogues comunitários? Alfinetes de dama, botões, e o quê???????
E os comentários
valham-me os anjinhos todos. Onde é que se enfiaram comentários? Isto foi obra da senhora do terceiro post a contar daqui como quem desce. Raios parta a velha. Bruxaaaaaaaaa. Ó minha senhora devolva-me lá os comentários que eu dou-lhe uma esmola generosa da próxima vez que a encontrar.
E os links ????
onde é que andam a porcaria dos links? E agora como é que .... Aiiiii Tenho que ir tomar o frasco de Atarax que anda cá por casa. O Atarax? Viram o Atarax

segunda-feira, fevereiro 02, 2004

Ai jesus
que o template da Caixa se foi, e agora está tudo debaixo de escombros.
Esmola
Passa por mim mais uma vez, como faz há tantos anos. Estende-me a mão e pede dinheiro. Para remédios ou para uma sopa ou para o que for, pouco me importa. Fico sempre com aquela dúvida cretina de que faz aquilo por hábito e que não precisa da caridade para nada. É isso que se diz nos cabeleireiros ali das redondezas.
Por vezes entrego-lhe uns cêntimos, solução fácil para o pequeno transtorno de ter à minha frente aquela figura de mão estendida, sobre quem nada sei. Preferia que vendesse pensos para lhe dizer que não preciso, ou para lhe perguntar se vendia soro fisiológico que isso sim é que eu precisava.
Faz parte da paisagem, como o carro das castanhas ou a banca dos jornais ou a loja de fast food, apenas é itinerante. Sei que há-de surgir, só não sei quando nem onde.
E se, às tantas, a moeda que lhe não dou, faz mesmo a diferença? Que raio de crápula que por vezes sou.
Nobel da Paz II
A propósito do post aqui por baixo resolvi estrear uma modalidade de sondagens no blog.... ora aqui vai.

domingo, fevereiro 01, 2004

Bush e Blair....
foram nomeados para o Nobel da Paz. O que terás tu, minha velha amiga, a dizer sobre isto?

sexta-feira, janeiro 30, 2004

Fim de semana
Já vou, já vou... Estou mesmo quase a chegar. Não te armes em parvo, nem amues, nem desates a chover como uma criança mimada.
Porquê?
Choveu como nos filmes. A propósito, ontem fui ao cinema ver o "Portugal SA". Para quem se lembra da simpática série "Os jornalistas" eu diria que, mais actor menos actor, o elenco é o mesmo e a qualidade ronda os 40% da série televisiva. Não tenho a mania de que "O que é nacional é mau", mas desta vez anda lá perto.
Por falar em cinema descobri um bom blog sobre a 7ª arte. Aqui está ele , e a entrada para a coluna da direita está assegurada.
Retomando o início do post. Choveu como nos filmes. Ao que parece, a chuva volta amanhã em abundância. Está bastante frio. Posto isto, digam-me se faz favor,

PORQUE É QUE NÃO NEVA ? PORQUÊ ?

.
A neve é simpática e está na moda e eu adoro ver nevar e as crianças de quase todas as idades também e acho merdoso que, dadas as condições, não se possa ter uma dúzia de cm's de neve para nos divertirmos.
Dúvida: Se nevasse, a descida das Amoreiras para o Marquês era uma pista azul, vermelha, ou preta? Se calhar era laranja.

quinta-feira, janeiro 29, 2004

Que artista de jazz eu seria?
John Coltrane
Voce seria John Coltrane (1926-1967). Apesar da
carreira (relativamente) curta, o saxofonista
John Coltrane impos-se entre as mais
importantes figuras do jazz, apoiado numa
militncia quase religiosa; desenvolveu o seu
estilo ao mesmo tempo que desbravou novos
caminhos para o jazz.


Que Artista de Jazz Seria Voce?
brought to you by Quizilla

Que honra caramba ....
O Sol
antes de se esconder atrás das nuvens ainda deu um ar de sua graça.
- Pai. Olha, o Sol está a pôr-se.
- Não João, o Sol acordou ainda há pouco, e está a levantar-se.
- Mas está cor de laranja.
- É sempre assim. Depois de acordar e mesmo antes de se deitar o sol está cor de laranja, o resto do tempo é amarelo.
- O cor de laranja é o pijama do Sol, não é?

quarta-feira, janeiro 28, 2004

Obrigadinho
1. À Tasca pela mesa reservada. Sai uma sandes de coirato e uma bejeca bem gelada
2. À ministra da justiça pelos serviços prestados para a reforma de todos nós.
3. Aos restantes 119999 que assinaram a petição pela realização de novo referendo sobre o aborto.
4. À Pensativa pela ideia do bolo. Desconfio que nesta casa e nos próximos dois meses, vai-se gastar mais dinheiro em massapão do que em fraldas e toalhetes. O resultado vai ser toda a colecção da Lancel, Longchamp e Louis Vuitton com recheios magníficos.
5. À S. do Pinheirinho por tudo o que fez e aturou ao Manel Maria que vai mudar de escola e destruir o equilibrio emocional a mais uma professora. Que Deus a proteja minha senhora, que o rapaz não é bom de assoar, mas é um dos mais lindos principes do mundo.
A televisão...
... anuncia Rita Lee. Nunca foi das minhas preferências, mas devo confessar que a maior parte das vezes soa bem. Baila comigo.

terça-feira, janeiro 27, 2004

Unhas
Que todos nós descendemos da classe baixa de um outro planeta, parece não haver dúvidas. Há muitos anos atrás, as chefias um planeta prestes a ser destruído, resolveu transferir toda a população para um outro planeta.
Para o efeito foram construídas várias naves, distribuidas pelas camadas sociais da respectiva população. Na base da pirâmide encontravam-se as manicures e os higienistas telefónicos (uns rapazes que andavam de cabine telefónica em cabine telefónica a limpar os auscultadores com um algodão ensopado em álcool). Ora duas dessas naves perderam-se das restantes e vieram aterrar num planeta desabitado que mais tarde se viria a chamar Terra (toda esta história é contada em promenor no Guia Galáctico do Pendura de Douglas Adams).
Sabendo isto, é com naturalidade que encaro os seguintes factos:
1. O ruído que mais odeio é o do corta unhas - isto explica muita coisa em mim.
2. O ruído que mais gosto é o dos frascos de verniz a bater nos anéis das manicures quando elas os rolam para aquecer ou misturar.

PEDAÇO DE MIM
(Chico Buarque)

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar

Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais

Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu

Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi

Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Leva os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus

segunda-feira, janeiro 26, 2004

Miklos Fehér
A morte é sempre difícil. Por vezes tão próxima de nós, que nos esmaga a alma. Outras, tão afastada, nem chega a beliscá-la. Chega disfarçada em números e estatísticas, e quase me esqueço que cada um daqueles dados é para alguém, a maior das perdas, a gigante dor.
Ontem a morte deu em directo, a vida a esgueirar-se no sorriso, no tombo, na chuva e no desespero dos outros. Suficiente próxima para nos perturbar, à distância segura para não fazer mossa. Como a um livre de meia distância, fiz-lhe uma barreira de um só homem. Ainda nem sei se foi golo.

domingo, janeiro 25, 2004

É a partir ...
... desta hora que se começa a dar pela presença da semana que se inicia. É como se estivesse alguém do lado de fora da porta, a fazer horas, para poder tocar à campaínha. O problema é que ninguém a convidou e para falar com franqueza, se chegar atrasada, eu até agradecia.

sexta-feira, janeiro 23, 2004

Passaporte
Já aqui falei dos regressos a casa, quase sempre na companhia da TSF. Quando os afazeres o permitem e a vontade de casa o determina, aponto-o para as sete e mais uma fracção de hora. No primeiro cruzamento, dou boleia ao "Pessoal e... Transmissível". Sempre gostei de ouvir conversas no rádio. As conversas do CVM são, regra geral, um passaporte para a alma de quem com ele conversa. O meu post de 10 de Janeiro "A prenda mais desejada" não é mais que frases soltas da viagem à alma da Maria Rita. A par desta, lembro-me sempre da conversa com um Homem que mergulha no caos deixado pelos tremores de terra, e encontra sobreviventes. Fazedor de milagres, falou do triângulo da vida, da Cidade do México e do 11 de Setembro. Lembro-me também da conversa com Mário de Carvalho, guerras, medos e uma menina presa em lama, cinzas e lava de vulcão.
No 100nada descubro um passaporte para a casa do senhor das conversas de encantar. Hoje dou-lhe a boleia do costume, apanho-o logo no primeiro cruzamento no sentido de quem regressa aos seus.
GREVE GERAL

quinta-feira, janeiro 22, 2004

O DNA
da Caixa de Costura é
.
A Blogotinha descobriu, e rodas não se reinventam. Obrigado.
Para descobrir o DNA de um qualquer site é favor seguir por aqui.
Apontamentos de outro mundo
1. NASA - (diário digital) "O site do Jet Propulsion Laboratory da NASA vai manter em aberto uma lista até 31 de Janeiro para que qualquer cibernauta possa incluir nela o seu nome que será gravado num CD que seguirá a bordo da sonda espacial «Deep Impact». A 4 de Julho de 2005, esta sonda vai lançar um projéctil de cobre, com cerca de 370 kg, contra a superfície do cometa «Temple 1», criando uma cratera do tamanho de um estádio de futebol. Quando o projéctil alcançar o cometa, a «Deep Impact» recolherá fotografias e dados que serão enviados para a Terra."
O CD ficará em bastante mau estado, mas tenho a certeza que, com alguma paciência, um qualquer extraterrestre o conseguirá recuperar. Eu vou por o meu nome nesse CD, e aproveito e espeto-lhe um link para a Caixa de Costura. Vão-se roer de inveja quando nos domínios dos visitantes aparecerem extensões do tipo ".mar" ou ".alfadecentaurus". O caminho para a conquista do espaço é por aqui

2. Folheei a Visão à hora de almoço e descobri uma frase muito semelhante a esta "Tenho dúvidas que se o Elton John tivesse nascido na Chamusca, conseguisse fazer uma carreira igual à minha em Portugal." O autor desta pérola é o grandioso José Cid. Curiosamente eu também tenho a mesma dúvida. E ainda tenho pelo menos mais duas ou três "Será que o José Cid conseguiria fazer a carreira do Elton John, se tivesse nascido em Inglaterra. " "Qual seria a música dedicada à Lady Di? Como o macaco gosta de banana eu gosto de ti?".
Chinesices
Os chineses entraram no ano do macaco. Para assinalar a data o google está assim.

Os portugueses há quase dois anos, entraram no ano do cherne. Desde essa altura, que muitos portugueses assinalam este longo período assim:

Alegrem-se. Pior seria se a Manuela Ferreira Leite fosse ministra das finanças ou se o Paulo Portas fosse ministro da defesa, ou se a inflação fosse superior aos aumentos salariais, ....

O Calvin ...
é como eu ...

um escritor conciso. Por falar em conciso, aqui vai o meu recado para todos os estomatologistas:
"Eu sou uma pessoa com sisos e assim pretendo continuar. ENTENDERAM ??????!!!!!"

quarta-feira, janeiro 21, 2004

Com as 8 ...
... horas quase à vista e a acompanhar-me as primeiras e ensonadas actividades do dia, a TSF transmite pequenas reportagens. Nesta semana tenho-as apanhado a todas.
1. O Salgueiros ia edificar um novo estádio de futebol. Ficou-se pelas escavações. O enorme buraco deu lugar a um lago de condições de higiene duvidosas, onde, por obra do acaso e de alguns esgotos que por ali passam, existem milhares de peixes de aquário cheios de anticorpos que lhes conferem invulgar resistência. Ora, onde há peixe, há pescaria e ao que parece, bem no centro urbano, existe uma autêntica multidão a pescar peixes cor de laranja (conheço um peixe cor de laranja, mas é um Cherne, não se deve dar por ali). Má sorte para as lojas de animais do Porto.
2. O metro de Lisboa tem um WC em cada estação. Pelo sim pelo não, o melhor é tê-los fechados, para evitar a respectiva manutenção. Bem vistas as coisas, uma casa de banho precisa de limpeza e segurança. Ide urinar e defecar aos cafés que o metro é para transportar a malta.
3. As empresas de mediação de crédito mal parado estão em período favorável, tendência inversamente proporcional à saúde financeira familiar e empresarial. Cheios de dinheiro e de bens inúteis. Uma máquina de fabricar rolhas de cortiça era o exemplo. O pior de tudo, cheios de histórias que quase sempre acabam mal, quando as responsabilidades e a capacidade para as assumir, andam tão afastadas.

segunda-feira, janeiro 19, 2004

Já para não falar ...
do frio de rachar que fez durante todo o santo dia, capaz de congelar o cérebro de qualquer um. Ora eu, que tenho rasgos de ininteligência, resolvi que, para além do agasalho de rua, uma camisa era mais que suficiente. Lá trabalhei o dia todo só de camisinha. Vou contar os pelos do peito para ver se o organismo se ajustou às condições adversas. Aproveito para descongelar as axilas.
Arranquei-me
da cama, bastante mais cedo que queria. Começar a semana a horas, ganhar o dia logo nos primeiros minutos, ir à frente de todas as coisas, fazê-las acontecer. Segunda circular entupida. Os kilómetros feitos metros, os segundos em minutos, intermináveis. Tudo ao contrário, que merda. Chego atrasado outra vez, corro atrás das coisas que chamam por mim. O dia todo assim. Aterrei agora e não tarda deito-me. Amanhã tento outra vez e raios me partam se vou por aquela estrada. É inexplicável a tendência que tenho para escolher o trajecto mais filho da mãe. Amanhã dou cabo de ti Murphy. Engraçadinho.

domingo, janeiro 18, 2004

Quarentena
A minha irmã é uns anos (não muitos) mais velha do que eu. Só não é a minha irmã mais velha, porque é a única. Isso explica o facto de toda a gente saber de quem estou a falar, quando falo d"a minha irmã". O facto de só ter uma poupa-me o trabalho de dizer "a minha irmã mais velha". Para equilibrar tenho uma trabalheira sempre que me perguntam o nome completo.
Dizia eu, que a moça é um pouco mais velha que eu. Isso garantiu-me algumas vantagens ao longo da infância e adolescência. À medida que as coisas lhe iam acontecendo, podia, com algum grau de certeza, prever quando é que me iam acontecer a mim. Estou a falar de, por exemplo, ter direito a ter chaves de casa ou andar sózinho de autocarro. Depois havia algumas coisas pelas quais ela passou, mas que eu consegui antecipar, à conta da boleia dela. Ir acampar ou a festas à noite ou obter o financiamento para tirar a carta de condução são um exemplo deste último grupo. Depois havia outras de sinal contrário, que a mim não me aconteram ou que não me foram permitidas ou concedidas, como receber um livro de educação sexual por ocasião da primeira menstruação, que nunca cheguei a ter. A propósito, esse livro fazia um tremendo sucesso sempre que levava os meus amigos lá a casa. Esse e a enciclopédia da vida - capítulo da sexualidade - com aquele casal tão simpático que ilustrava pelo menos 18 posições diferentes do coito.
(interrompo para dizer que me parece estar a ouvir o "sobe sobe balão sobe da Manuela Bravo". Que saudades dessa diva de caracóis)
Ora acontece que agora a coisa está grave. A minha irmã completa hoje 40 anos (isto até me custa a escrever). QUARENTA. O que eu queria pedir aos meus pais era se me podiam, de alguma forma, impedir de fazer essa coisa. Protejam-me disso sff, que ainda estão em muito boa idade de me proteger. Isto não quer dizer que não quero viver muitos e bons anos. Lagarto, lagarto, lagarto. Só não quero é passar dos trinta e tais que me agradam sobremaneira. Façam lá qualquer coisita. E DEPRESSSSSSSAAAAAAAAAAAA. Se, por uma fatalidade, fizer essa quantidade imoral de anos, em vez de ficar um quarentão fico de quarentena.
Para ti Maria querida, beijos imensos de parabéns.

sexta-feira, janeiro 16, 2004

Acréscimos
à coluna da direita. ---> TODAS AS DIRECÇÕES
Só com som
Quebrar um pouco as regras. Vou aproveitar um mail recebido para contrariar o apagão cerebral. Este link tem graça. Surge uma boneca virtual e uns campos para preencher:
1. Escolhe-se a lingua e a personagem (para português só existe uma mulher)
2. Escreve-se uma frase
3. Clica-se e a boneca fala a frase escrita.
è um pouco mais elaborada que o costume porque consegue entoar, por exemplo, os pontos de interrogação.
Tudo isto aqui para quem tiver placa de som se divertir um pouco.
Sem assunto
o melhor é, tantas vezes, o silêncio. Como um curto circuito entre a cabeça do pescoço e a cabeça dos dedos. Os olhos mal vêm de tanta luz mas o calor do sol. Que conforto. Se entretanto não resover a ligação, shiuuuuuuuuuuu.
REBENTO

Rebento, substantivo abstrato,
o ato, a criação, o seu momento,
como uma estrela nova e seu barato
Que só Deus sabe lá, no firmamento.

Rebento, tudo que nasce é rebento,
Tudo que brota, que vinga, que medra,
Rebento raro como flor na pedra,
Rebento farto como trigo ao vento.

Outras vezes rebento simplesmente
No presente do indicativo,
Como a corrente de um cão furioso,
Como as mãos de um lavrador ativo.
Às vezes, mesmo perigosamente,
Como acidente em forno radioativo,
Às vezes, só porque fico nervoso,
Rebento,
Às vezes somente porque estou vivo.
Rebento, a reação imediata
A cada sensação de abatimento.
Rebento, o coração dizendo “bata”
A cada bofetão do sofrimento.
Rebento, esse trovão dentro da mata
E a imensidão do som desse momento.

Gilberto Gil






quinta-feira, janeiro 15, 2004

Inverno
Esta chuva não se adequa ao lufa-lufa da semana. Não condiz com correrias, pressas e aquela sensação de estar uma hora atrasado para tudo. Gosto de a sentir no conforto, nas lareiras, música e leituras. Seguir-lhe num olhar despreocupado os trajectos de cada pingo na vidraça de uma janela. Embaciá-la e desenhar com a ponta de um dedo, uma estrada sinuosa. Pousada de São Bento na Caniçada. Um jogo de xadrez sem nexo. Cheque ao rei. Cheque mate ao cansaço. Troco o peão pelo teu abraço.

quarta-feira, janeiro 14, 2004

Será
que existe uma linha dói-dói trim trim para a Play-Station 2. Está a rejeitar tudo o que é disco. Será que vai perder peso? Bem sei que é uma máquina, mas sou um lamechas e ganhei-lhe alguma afeição. E é lá que vejo alguns DVD's e ouço alguma música. Ai Jesus.
Este tasco
... tem de tudo. O dono metido a filósofo, empregadas ao despique, tis Manéis e Alentejanos. Tudo assim para o esverdeado (devem ter a concessão no Alvalade XXI). O linguajar é violento em forma e conteúdo. A ementa também não é pêra doce. É mais pastéis de bacalhau, pipis, pica-paus (valha-me Nossa Senhora), tremoços, orelha de porco, saladinha de polvo, vinagrete disto e daquilo, pregos e bifanas e (que Deus me perdoe) túbaros e punhetas de bacalhau.
Mau ambiente, mas para pesticar, parece não haver coisa melhor.