Idade
Descobri que nunca posso comemorar os meios anos porque do lado oposto a Agosto fica Fevereiro, que não tem fim do mês. Por outro lado decidi adoptar a métrica da criançada. Quando perguntarem a idade digo-a em meses. Parto do princípio que assim, actualizando-a todos os meses, me vou habituando a esta fase de crescimento. Por agora tenho quatrocentos e trinta e muitos meses.
Se calhar adopto a escala da gravidez e converto isto em semanas. Não estou bem certo, mas rondam as 1900. Mas essas começam a contar desde a última menstruação. A sério que não me lembro. A menopausa já foi há tanto tempo.
E se veio aqui parar porque resolveu pesquisar "menopausa" no Google e lhe apareceu um link para esta página, eu só tenho que lhe pedir desculpas minha senhora.
quinta-feira, fevereiro 19, 2004
quarta-feira, fevereiro 18, 2004
A pesquisa
que fiz por imagens do Acácio Barreiros e pela UDP levou-me ao Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra. Digo-vos que há relíquias por lá. Lembrei-me de umas fotografias dos tios, sobre os murais de Lisboa. E de umas colecções de autocolantes também.
que fiz por imagens do Acácio Barreiros e pela UDP levou-me ao Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra. Digo-vos que há relíquias por lá. Lembrei-me de umas fotografias dos tios, sobre os murais de Lisboa. E de umas colecções de autocolantes também.
Acácio Barreiros
Morreu. Vítima de doença prolongada, um conceito tão lato, onde cabem tantas histórias. Nos últimos anos (alguns vinte e tal) foi deputado pelo Partido Socialista. Não é da bancada rosa que me vêm as memórias. Era ainda antes disso. Do tempo em quera um dos (se calhar o) deputado(s) da UDP. Era irreverente e nada compatível com os formalismos da nossa assembleia. Estava sempre a ser repreendido e por vezes era expulso do hemiciclo. Divertia-me assistir a essas sessões, como quem via futebol só pelos cartões amarelos e vermelhos, ou ainda pior, ver a F1 por causa dos acidentes.
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Morreu. Vítima de doença prolongada, um conceito tão lato, onde cabem tantas histórias. Nos últimos anos (alguns vinte e tal) foi deputado pelo Partido Socialista. Não é da bancada rosa que me vêm as memórias. Era ainda antes disso. Do tempo em quera um dos (se calhar o) deputado(s) da UDP. Era irreverente e nada compatível com os formalismos da nossa assembleia. Estava sempre a ser repreendido e por vezes era expulso do hemiciclo. Divertia-me assistir a essas sessões, como quem via futebol só pelos cartões amarelos e vermelhos, ou ainda pior, ver a F1 por causa dos acidentes.
segunda-feira, fevereiro 16, 2004
Aquele abraço
Esqueci o cigarro em cima do cinzeiro, acompanhava-me na contemplação. A música de Jobim, a luz cerrada que contrasta com o elevador de Santa Justa, a silhueta de Lisboa, de formas generosas. Tão sensual a minha cidade.
Nem tinha reparado nele, entregue ao jornal, com a idade e a cadência dos sábios. O rapaz aproximou-se dele quase a pedir licença, sem motivo e sem grandes forças, entregue à vida. Assim que o viu, levantou-se como uma mola, e abraçou-o com tanta força. O rapaz escondeu o rosto no ombro que o consolou. Nada disseram, parecia que não precisavam de dizer nada, tudo se falou no rosto abrigado e no abraço. Quando dois homens se abraçam assim, Deus anda com certeza por perto. Fui-me embora por não me dizer repeito.
Lembrei-me de um abraço antigo que vi há muitos muitos anos atrás por uma porta entreaberta. Era um pai a contar ao filho meu amigo, que a mãe, bem a mãe que estava doente, ... Nunca me vou esquecer desse abraço.
Esqueci o cigarro em cima do cinzeiro, acompanhava-me na contemplação. A música de Jobim, a luz cerrada que contrasta com o elevador de Santa Justa, a silhueta de Lisboa, de formas generosas. Tão sensual a minha cidade.
Nem tinha reparado nele, entregue ao jornal, com a idade e a cadência dos sábios. O rapaz aproximou-se dele quase a pedir licença, sem motivo e sem grandes forças, entregue à vida. Assim que o viu, levantou-se como uma mola, e abraçou-o com tanta força. O rapaz escondeu o rosto no ombro que o consolou. Nada disseram, parecia que não precisavam de dizer nada, tudo se falou no rosto abrigado e no abraço. Quando dois homens se abraçam assim, Deus anda com certeza por perto. Fui-me embora por não me dizer repeito.
Lembrei-me de um abraço antigo que vi há muitos muitos anos atrás por uma porta entreaberta. Era um pai a contar ao filho meu amigo, que a mãe, bem a mãe que estava doente, ... Nunca me vou esquecer desse abraço.
sexta-feira, fevereiro 13, 2004
Sexta 13
Se por obra do acaso, algo correu mal no dia de hoje, sempre pode descontrair um pouco com mais um episódio da saga do espacamento dos pinguins. Serve também como alternatitava para o dia de são Valentim.
Se o pinguim não ajudar os casais de namorados, e por amanhã ser também o Dia Europeu da Disfunção Sexual, a Sociedade Portuguesa de Andrologia disponibiliza uma Unidade Móvel de Apoio e Aconselhamento aos problemas sexuais que estará na Praça da Figueira, em Lisboa entre as 10h00 e as 20h00.
Divirtam-se.
Se por obra do acaso, algo correu mal no dia de hoje, sempre pode descontrair um pouco com mais um episódio da saga do espacamento dos pinguins. Serve também como alternatitava para o dia de são Valentim.
Se o pinguim não ajudar os casais de namorados, e por amanhã ser também o Dia Europeu da Disfunção Sexual, a Sociedade Portuguesa de Andrologia disponibiliza uma Unidade Móvel de Apoio e Aconselhamento aos problemas sexuais que estará na Praça da Figueira, em Lisboa entre as 10h00 e as 20h00.
Divirtam-se.
quinta-feira, fevereiro 12, 2004
Aprendi hoje
que para se decidir os desenhos da calçada lisboeta se procedeu a um estudo. Desse estudo conclui-se que na rua, homens e mulheres têm comportamentos diferentes. Os homens andam em linha recta e as mulheres andam aos círculos. Desse estudo decidiu-se que os motivos dos passeios seriam tendencialmente rectilíneos e os motivos das praças seriam tendecialmente curvos.
que para se decidir os desenhos da calçada lisboeta se procedeu a um estudo. Desse estudo conclui-se que na rua, homens e mulheres têm comportamentos diferentes. Os homens andam em linha recta e as mulheres andam aos círculos. Desse estudo decidiu-se que os motivos dos passeios seriam tendencialmente rectilíneos e os motivos das praças seriam tendecialmente curvos.
Atrasado
Saí até um pouco mais cedo do que costume, cheguei depois da hora pretendida. Normalmente isto irrita-me, resultado da contabilidade às meias horas não dormidas. Hoje foi um atraso muito saboroso. Estacionei no largo, longe do colégio dos príncipes, fomos à esplanada beber café e comer sanduiches de fiambre e manteiga aparadas. O preço nas esplanadas está pela hora da morte. Fomos até à escola pelo jardim das escadas e rampas e corremos a assustar os pombos. Quando chegámos à porta da escola berrámos muito alto que não queríamos ir à escola e todos nos ouviram.
Oásis de fim de semana criados por nós.
Saí até um pouco mais cedo do que costume, cheguei depois da hora pretendida. Normalmente isto irrita-me, resultado da contabilidade às meias horas não dormidas. Hoje foi um atraso muito saboroso. Estacionei no largo, longe do colégio dos príncipes, fomos à esplanada beber café e comer sanduiches de fiambre e manteiga aparadas. O preço nas esplanadas está pela hora da morte. Fomos até à escola pelo jardim das escadas e rampas e corremos a assustar os pombos. Quando chegámos à porta da escola berrámos muito alto que não queríamos ir à escola e todos nos ouviram.
Oásis de fim de semana criados por nós.
Vivaldi
Rapaz. Eu sei que a culpa não é tua, tanto mais que não és do tempo das chamadas em espera, mas a verdade é que metade das vezes que uma chamada fica em espera, sou brindado com a tua Primavera que se está a tornar insuportável.
Já tinham feito a mesma brincadeira com o genérico do boletim meteorológico, mas passou-lhes. A bem da verdade, o segundo lugar do top chamadas em espera, é ocupado pelos Madredeus. Já esses conheciam a realidade das chamadas em espera, e não se preocuparam nada com isso. Compuseram músicas capazes de levar qualquer um ao desespero após o primeiro minuto em espera.
Daqui vai o meu apelo para todos os compositores. Na altura da criação da obra, por tudo o que vos é sagradinho, pensem neste flagelo que são as chamasdas em espera. Obridadinha pá.
Rapaz. Eu sei que a culpa não é tua, tanto mais que não és do tempo das chamadas em espera, mas a verdade é que metade das vezes que uma chamada fica em espera, sou brindado com a tua Primavera que se está a tornar insuportável.
Já tinham feito a mesma brincadeira com o genérico do boletim meteorológico, mas passou-lhes. A bem da verdade, o segundo lugar do top chamadas em espera, é ocupado pelos Madredeus. Já esses conheciam a realidade das chamadas em espera, e não se preocuparam nada com isso. Compuseram músicas capazes de levar qualquer um ao desespero após o primeiro minuto em espera.
Daqui vai o meu apelo para todos os compositores. Na altura da criação da obra, por tudo o que vos é sagradinho, pensem neste flagelo que são as chamasdas em espera. Obridadinha pá.
quarta-feira, fevereiro 11, 2004
Escrevia
ontem sobre a luta pela guarda de uma criança e veio-me à memória a primeira peça de teatro para "crescidos" a que os meus pais me levaram. Tinha 7 anos quando fui ver o "Círculo de giz caucasiano" ao Teatro Aberto. Lembro-me da Irene Cruz e de dois meninos, um louro outro moreno que se repartiam na tarefa de representar todas as noites. Na noite em que fui, acho que era noite de menino louro. Fazia-me falta rever esta obra de Bertolt Brecht .
ontem sobre a luta pela guarda de uma criança e veio-me à memória a primeira peça de teatro para "crescidos" a que os meus pais me levaram. Tinha 7 anos quando fui ver o "Círculo de giz caucasiano" ao Teatro Aberto. Lembro-me da Irene Cruz e de dois meninos, um louro outro moreno que se repartiam na tarefa de representar todas as noites. Na noite em que fui, acho que era noite de menino louro. Fazia-me falta rever esta obra de Bertolt Brecht .
terça-feira, fevereiro 10, 2004
Caramba
que hoje apetece-me ouvir isto.
Caramba
Letra e música: Sérgio Godinho
Ó senhor da loja
já que a vida é curta
diga-me lá, se souber
quantos metros tem a dor
E já que ainda por cima
a vida é pesada
diga-me lá, se puder
quantos quilos tem o amor
E já que a paciência
tem os seus limites
diga-me lá quantos são
que é p'ra eu saber se espero ou não
quando for desesperar
Já que a vida é curta
e o futuro, diz que está aqui já
(sei lá)
já que o futuro vêm
em peças separadas p'ra montar
(ah! ah! ah! ah!)
antes que se esgote
reserve desde já o seu exemplar
Caramba
está-se p'raqui a dançar na corda bamba
sem se saber para que lado é que se cai
nem com que pé é que se samba
(Refrão)
Ó senhor da loja
já que a vida é bela
diga-me lá se souber
em que espelho a devo olhar
Mas se por outro lado
diz que a vida é dura
arranje-me aí, se tiver
um capacete p'ra eu marrar
E já que a vida é feita
de pequenos nadas
guarde-me aí quatro ou cinco
que é p'ra quando for domingo
eu os poder saborear
(Refrão)
Ó senhor da loja
já que a vida é breve
arranje-me aí os ponteiros
dum relógio que atrasar
E já que no fundo
vai tudo dar ao mesmo
diga-me se o mesmo é mesmo
tudo o que ainda vai mudar
E já que é preciso
deitar contas à vida
desconte-me aí os meses
em que apenas fiz às vezes
doutro que não era eu
(Refrão)
que hoje apetece-me ouvir isto.
Caramba
Letra e música: Sérgio Godinho
Ó senhor da loja
já que a vida é curta
diga-me lá, se souber
quantos metros tem a dor
E já que ainda por cima
a vida é pesada
diga-me lá, se puder
quantos quilos tem o amor
E já que a paciência
tem os seus limites
diga-me lá quantos são
que é p'ra eu saber se espero ou não
quando for desesperar
Já que a vida é curta
e o futuro, diz que está aqui já
(sei lá)
já que o futuro vêm
em peças separadas p'ra montar
(ah! ah! ah! ah!)
antes que se esgote
reserve desde já o seu exemplar
Caramba
está-se p'raqui a dançar na corda bamba
sem se saber para que lado é que se cai
nem com que pé é que se samba
(Refrão)
Ó senhor da loja
já que a vida é bela
diga-me lá se souber
em que espelho a devo olhar
Mas se por outro lado
diz que a vida é dura
arranje-me aí, se tiver
um capacete p'ra eu marrar
E já que a vida é feita
de pequenos nadas
guarde-me aí quatro ou cinco
que é p'ra quando for domingo
eu os poder saborear
(Refrão)
Ó senhor da loja
já que a vida é breve
arranje-me aí os ponteiros
dum relógio que atrasar
E já que no fundo
vai tudo dar ao mesmo
diga-me se o mesmo é mesmo
tudo o que ainda vai mudar
E já que é preciso
deitar contas à vida
desconte-me aí os meses
em que apenas fiz às vezes
doutro que não era eu
(Refrão)
segunda-feira, fevereiro 09, 2004
Sexómetro
Instigado pela Blogotinha, lá fui até ao Sexómetro.
Os procedimentos são simples, escreve-se o nome do casal e é apresentado o resultado numa escala de 0 a 100.
Os resultados foram dúbios:
1. Se se considerar apenas o primeiro nome da minha mulher o resultado é mediano:
49 pontos em 100, com o seguinte comentário
Your sex life is kind of average. May be you're satisfied with it, but remember that there is more.
2. Se considerar os dois nomes próprios da minha mulher:
99 pontos em 100, com o seguinte comentário
Ooh la la! You have a great sex life, but may be you do it just too often! Don't forget life offers more than just sex!
Perante este dilema, resolvi investigar outros casais fictícios:
Bárbara e Manuel Maria - 19 pontos.
Maria José e Jorge - 38 pontos.
Manuela e José Eduardo - 56 pontos.
Judite e Fernando - 76 pontos.
Isabel e Duarte - 57 pontos.
Confundiu-me, esta investigação. Desculpem não escrever mais nada mas tenho umas coisas a tratar em casa.
Instigado pela Blogotinha, lá fui até ao Sexómetro.
Os procedimentos são simples, escreve-se o nome do casal e é apresentado o resultado numa escala de 0 a 100.
Os resultados foram dúbios:
1. Se se considerar apenas o primeiro nome da minha mulher o resultado é mediano:
49 pontos em 100, com o seguinte comentário
Your sex life is kind of average. May be you're satisfied with it, but remember that there is more.
2. Se considerar os dois nomes próprios da minha mulher:
99 pontos em 100, com o seguinte comentário
Ooh la la! You have a great sex life, but may be you do it just too often! Don't forget life offers more than just sex!
Perante este dilema, resolvi investigar outros casais fictícios:
Bárbara e Manuel Maria - 19 pontos.
Maria José e Jorge - 38 pontos.
Manuela e José Eduardo - 56 pontos.
Judite e Fernando - 76 pontos.
Isabel e Duarte - 57 pontos.
Confundiu-me, esta investigação. Desculpem não escrever mais nada mas tenho umas coisas a tratar em casa.
domingo, fevereiro 08, 2004
Luísa
Uma coisa é garantida. As cores e os sons são os de quem vende e os de quem compra. As mulheres gordas e de avental atropelam as vozes para chegar primeiro aos ouvidos das freguesas. A fruta cheira a fruta, os legumes a legumes e o peixe, meu Deus, cheira tanto a peixe. Todos apregoados como os mais frescos das redondezas e baratos, que a vida está tão difícil para todos. A salsa e os coentros são por nossas conta, e se levar este restinho da caixa, até se faz um preço especial. Os trocos levam para as carteiras os cheiro e as escamas. As prateleiras não têm espelhos nem ordem e os produtos nunca viram códigos de barras. A Sr.ª Teresa dos legumes até já tem uma balança das modernas, mas não há balanço como o dos pratos e dos pesos gastos no tempo.
Tantas idas aos hipermercados fizeram-na esquecer aquele estranho aconchego. As gordas rosadas chamam-na de “menina” e de “amor” e de repente apeteceu-lhe comprar de tudo um pouco. E regatear. O que lhe apetecia regatear. Há muito que não se deixava banhar de tanta cor. Os dias cinzentos atrás das costas e as feridas abertas da última relação velaram-lhe a alma. Tudo lhe parecia em contraluz e era assim que tinha que ser. “Filho da puta. No que me tornei”. Agora, o arco íris naquele mercado de um acaso, esbofeteava-lhe, um por um, os sentidos. Deixou-se levar pelo ardor, porque o que arde geralmente, tende a curar. E a possibilidade da cura, era para ela, algo que não se podia dar ao luxo de desprezar.
Aproximou-se das bancas de peixe, palco de tantas as campanhas eleitorais. Deixaram autocolantes nas balanças e aventais e beijos mal amanhados às peixeiras. Comprou muito peixe, em concordância com uma mão cheia de recomendações colhidas por alturas da última visita à médica de família. De certeza que da próxima vez, a peixeira se lembraria dela. Essa é outra vantagem do mercado, para além do dinheiro, ficam-nos com o rosto na memória. As freguesas também as decoram, sempre podem pedir contas à frescura da mercadoria, caso a coisa dê para o torto.
Foi até aos legumes. Verificou que tudo o que queria estava naquelas caixas. Batatas, cebolas, brócolos e couve flor. Não encontrou a couve flor. Dirigiu-se à vendedora e perguntou-lhe por ela. A mulher chamou o filho e pediu-lhe a caixa da couve flor.
“Acabou-se-me a que aqui tinha, e ainda não fui buscar mais. O meu filho já a traz. Está no segundo ano de turismo. É muito bom rapaz e ainda melhor filho. Ao Sábado dá-me sempre uma mãozinha aqui na praça a atender as freguesas.”
De trás dos caixotes, um rapaz traz a caixa pretendida. O olhar dele intrigou-a. Muito fixo, sem desvios. Olhar enorme e traquino, paredes meias com um sedutor tosco e vulgar. Baixou os olhos, pegou nos legumes e pagou sem olhar. Virou costas e saiu quase apressada. O rapaz chamou-a.
“Minha flor, esqueceu-se da sua couve, senhora”.
“Desculpe ?”
“A senhora ... Esqueceu-se da sua couve flor.”
Estava capaz de jurar que não foi aquilo que ele disse. Ainda pensou atirar-lhe a couve flor aos cornos. Acabou por lhe agradecer, pegou no saco e fez-se confundir na multidão.
Uma coisa é garantida. As cores e os sons são os de quem vende e os de quem compra. As mulheres gordas e de avental atropelam as vozes para chegar primeiro aos ouvidos das freguesas. A fruta cheira a fruta, os legumes a legumes e o peixe, meu Deus, cheira tanto a peixe. Todos apregoados como os mais frescos das redondezas e baratos, que a vida está tão difícil para todos. A salsa e os coentros são por nossas conta, e se levar este restinho da caixa, até se faz um preço especial. Os trocos levam para as carteiras os cheiro e as escamas. As prateleiras não têm espelhos nem ordem e os produtos nunca viram códigos de barras. A Sr.ª Teresa dos legumes até já tem uma balança das modernas, mas não há balanço como o dos pratos e dos pesos gastos no tempo.
Tantas idas aos hipermercados fizeram-na esquecer aquele estranho aconchego. As gordas rosadas chamam-na de “menina” e de “amor” e de repente apeteceu-lhe comprar de tudo um pouco. E regatear. O que lhe apetecia regatear. Há muito que não se deixava banhar de tanta cor. Os dias cinzentos atrás das costas e as feridas abertas da última relação velaram-lhe a alma. Tudo lhe parecia em contraluz e era assim que tinha que ser. “Filho da puta. No que me tornei”. Agora, o arco íris naquele mercado de um acaso, esbofeteava-lhe, um por um, os sentidos. Deixou-se levar pelo ardor, porque o que arde geralmente, tende a curar. E a possibilidade da cura, era para ela, algo que não se podia dar ao luxo de desprezar.
Aproximou-se das bancas de peixe, palco de tantas as campanhas eleitorais. Deixaram autocolantes nas balanças e aventais e beijos mal amanhados às peixeiras. Comprou muito peixe, em concordância com uma mão cheia de recomendações colhidas por alturas da última visita à médica de família. De certeza que da próxima vez, a peixeira se lembraria dela. Essa é outra vantagem do mercado, para além do dinheiro, ficam-nos com o rosto na memória. As freguesas também as decoram, sempre podem pedir contas à frescura da mercadoria, caso a coisa dê para o torto.
Foi até aos legumes. Verificou que tudo o que queria estava naquelas caixas. Batatas, cebolas, brócolos e couve flor. Não encontrou a couve flor. Dirigiu-se à vendedora e perguntou-lhe por ela. A mulher chamou o filho e pediu-lhe a caixa da couve flor.
“Acabou-se-me a que aqui tinha, e ainda não fui buscar mais. O meu filho já a traz. Está no segundo ano de turismo. É muito bom rapaz e ainda melhor filho. Ao Sábado dá-me sempre uma mãozinha aqui na praça a atender as freguesas.”
De trás dos caixotes, um rapaz traz a caixa pretendida. O olhar dele intrigou-a. Muito fixo, sem desvios. Olhar enorme e traquino, paredes meias com um sedutor tosco e vulgar. Baixou os olhos, pegou nos legumes e pagou sem olhar. Virou costas e saiu quase apressada. O rapaz chamou-a.
“Minha flor, esqueceu-se da sua couve, senhora”.
“Desculpe ?”
“A senhora ... Esqueceu-se da sua couve flor.”
Estava capaz de jurar que não foi aquilo que ele disse. Ainda pensou atirar-lhe a couve flor aos cornos. Acabou por lhe agradecer, pegou no saco e fez-se confundir na multidão.
sexta-feira, fevereiro 06, 2004
quinta-feira, fevereiro 05, 2004
Querem-me
...lá ver. Que agora se nos der para largar um arroto nesta tasca, ainda temos que pedir licença. Aquilo vai para ali uma revolução. E está tudo assim para o rosinha. Não tarda muito, em vez do calendário com as miúdas, põem um contador com o número de dias que falta para o Euro, ou para o dia dos Namorados. :-)
...lá ver. Que agora se nos der para largar um arroto nesta tasca, ainda temos que pedir licença. Aquilo vai para ali uma revolução. E está tudo assim para o rosinha. Não tarda muito, em vez do calendário com as miúdas, põem um contador com o número de dias que falta para o Euro, ou para o dia dos Namorados. :-)
Pesquisas
Mais uma vez me surprrendo quando percorro a lista de palavras pesquisadas na internet e que originaram uma visita à Caixa de Costura. Desta vez, no meio de muitas Caixas e Costuras, encontrei:
1. Gravidez
2. Receitas para Bifanas
3. Trajecto Urbano do Metro do Porto.
Para não desiludir os potenciais visitantes aqui vai
Gravidez - normalmente dá nas mulheres para alívio de quase todos os homens. Há-de ser sempre um dos pontos fracos do homem, já que confere uma relação previligiada com o feto que se há-de tornar bébé. Dura mais coisa menos coisa 40 semanas e ficam lindas, enormes, hiper sensíveis (capazes de chorar a ver o TV Rural) e carregadinhas de hormonas.
Bifanas (receitas de) - é muito simples. Louro, colorau, alho, vinho branco e sal. Deixam-se marinar uma hora nestes temperos e fritam-se em banha de porco. Fritar bem para não correr o risco de apanhar uma bicha solitária.
Porto (Trajecto Urbano do Metro do) - não faço a menor ideia. Se eu mandasse, passava no Salão de Chá de Leça da Palmeira, no forte de Matosinhos, na Praia da Luz, na Casa de Serralves, na Ribeira, na Câmara Municipal, na Rua de Santa Catarina, no Marquês e na Praça Velasquez.
Mais uma vez me surprrendo quando percorro a lista de palavras pesquisadas na internet e que originaram uma visita à Caixa de Costura. Desta vez, no meio de muitas Caixas e Costuras, encontrei:
1. Gravidez
2. Receitas para Bifanas
3. Trajecto Urbano do Metro do Porto.
Para não desiludir os potenciais visitantes aqui vai
Gravidez - normalmente dá nas mulheres para alívio de quase todos os homens. Há-de ser sempre um dos pontos fracos do homem, já que confere uma relação previligiada com o feto que se há-de tornar bébé. Dura mais coisa menos coisa 40 semanas e ficam lindas, enormes, hiper sensíveis (capazes de chorar a ver o TV Rural) e carregadinhas de hormonas.
Bifanas (receitas de) - é muito simples. Louro, colorau, alho, vinho branco e sal. Deixam-se marinar uma hora nestes temperos e fritam-se em banha de porco. Fritar bem para não correr o risco de apanhar uma bicha solitária.
Porto (Trajecto Urbano do Metro do) - não faço a menor ideia. Se eu mandasse, passava no Salão de Chá de Leça da Palmeira, no forte de Matosinhos, na Praia da Luz, na Casa de Serralves, na Ribeira, na Câmara Municipal, na Rua de Santa Catarina, no Marquês e na Praça Velasquez.
quarta-feira, fevereiro 04, 2004
No post anterior
referi uma ida à Serra da Estrela há dois anos atrás, antes de terem renovado toda a estância de esqui, melhorando substancialmente as infraestruturas. Resolvi espreitar a webcam e decidi. Ainda não é este ano que lá vou.
referi uma ida à Serra da Estrela há dois anos atrás, antes de terem renovado toda a estância de esqui, melhorando substancialmente as infraestruturas. Resolvi espreitar a webcam e decidi. Ainda não é este ano que lá vou.
Olé
Eis que aos poucos se aproxima o Carnaval. A Gotinha que me perdoe mas o mês de Fevereiro lembra-me duas coisas. O Carnaval e uma ida à Serra da Estrela donde voltei deprimido, já que fui na clara disposição de esquiar, e mal consegui ver neve. Nunca me lembro do dia dos namorados que está, para mim, na mesma classe do “Dia Internacional da Uva Mijona” ou do “Dia Mundial do Canhoto”, com o devido respeito pelos namorados, pelos canhotos e pela incontinência do fruto.
O Carnaval é como o festival da Canção, quando nasci era muito importante e foi perdendo prestígio, sendo que, de vez em quando recupera alguma importância. A propósito, parabéns à Sofia da Operação Triunfo sobretudo por ser assim. Aqui há uns poucos anos, quase já nem me lembrava do Carnaval, apareceram na minha vida umas festas de Carnaval muito animadas e ímpares.
Ímpares porque eram na residência dos embaixadores de Espanha, e porque nunca eram no Carnaval. Eram sempre umas três semanas depois para que todos os filhos dos embaixadores pudessem juntar-se em Lisboa. Isto atirava o Carnaval para a segunda metade da quaresma, animando-a definitivamente. Ainda hoje os vizinhos comentam aquelas saídas lá de casa, eventualmente no final de Março, de um grupo de mascarados para uma noite que prometia farra. A animação era garantida pela quantidade de bebida disponível na festa sem que a mesma fosse acompanhada de comida. Prevenido, no segundo ano, já levava os bolsos carregadinhos de batatas fritas e aperitivos, para serenar a taxa de álcool.
Não consigo contar muito mais dessas festas porque de facto, só me lembro da primeira meia hora, tudo o resto está naquela zona híbrida que não consigo destinguir se era verdade ou mentira. Uns cães muito feios, um senhor que veio ter comigo porque eu estava a desafinar o piano do salão nobre (ora eu nem sei tocar piano), um lago com peixinhos mal dispostos, uma cozinha com um Pata Negra mesmo a pedi-las (mas eu era incapaz de comer alguma coisa que me não tenha sido oferecida). Tudo isto deve ser fruto da minha fértil imaginação. Seguro que sim.
De qualquer forma retomei o gosto pelo Carnaval, o que me leva a ter alguma compreensão pelo João e Manuel Marias que ficaram doidos no Domingo com as máscaras que apareceram lá por casa.
Eis que aos poucos se aproxima o Carnaval. A Gotinha que me perdoe mas o mês de Fevereiro lembra-me duas coisas. O Carnaval e uma ida à Serra da Estrela donde voltei deprimido, já que fui na clara disposição de esquiar, e mal consegui ver neve. Nunca me lembro do dia dos namorados que está, para mim, na mesma classe do “Dia Internacional da Uva Mijona” ou do “Dia Mundial do Canhoto”, com o devido respeito pelos namorados, pelos canhotos e pela incontinência do fruto.
O Carnaval é como o festival da Canção, quando nasci era muito importante e foi perdendo prestígio, sendo que, de vez em quando recupera alguma importância. A propósito, parabéns à Sofia da Operação Triunfo sobretudo por ser assim. Aqui há uns poucos anos, quase já nem me lembrava do Carnaval, apareceram na minha vida umas festas de Carnaval muito animadas e ímpares.
Ímpares porque eram na residência dos embaixadores de Espanha, e porque nunca eram no Carnaval. Eram sempre umas três semanas depois para que todos os filhos dos embaixadores pudessem juntar-se em Lisboa. Isto atirava o Carnaval para a segunda metade da quaresma, animando-a definitivamente. Ainda hoje os vizinhos comentam aquelas saídas lá de casa, eventualmente no final de Março, de um grupo de mascarados para uma noite que prometia farra. A animação era garantida pela quantidade de bebida disponível na festa sem que a mesma fosse acompanhada de comida. Prevenido, no segundo ano, já levava os bolsos carregadinhos de batatas fritas e aperitivos, para serenar a taxa de álcool.
Não consigo contar muito mais dessas festas porque de facto, só me lembro da primeira meia hora, tudo o resto está naquela zona híbrida que não consigo destinguir se era verdade ou mentira. Uns cães muito feios, um senhor que veio ter comigo porque eu estava a desafinar o piano do salão nobre (ora eu nem sei tocar piano), um lago com peixinhos mal dispostos, uma cozinha com um Pata Negra mesmo a pedi-las (mas eu era incapaz de comer alguma coisa que me não tenha sido oferecida). Tudo isto deve ser fruto da minha fértil imaginação. Seguro que sim.
De qualquer forma retomei o gosto pelo Carnaval, o que me leva a ter alguma compreensão pelo João e Manuel Marias que ficaram doidos no Domingo com as máscaras que apareceram lá por casa.
terça-feira, fevereiro 03, 2004
Bibas
O Bernardo é meu sobrinho e faz hoje 13 anos. Tão próximo da data de aniversário da avó Céu que ainda me visita tantas vezes o sorriso. O Bibas está adolescente e é louco pelo Benfica. Se pudesse oferecer-te algo de imenso, oferecia-te tudo o que hoje de bonito se viveu no estádio da Luz. Parabéns.
O Bernardo é meu sobrinho e faz hoje 13 anos. Tão próximo da data de aniversário da avó Céu que ainda me visita tantas vezes o sorriso. O Bibas está adolescente e é louco pelo Benfica. Se pudesse oferecer-te algo de imenso, oferecia-te tudo o que hoje de bonito se viveu no estádio da Luz. Parabéns.
E os comentários
valham-me os anjinhos todos. Onde é que se enfiaram comentários? Isto foi obra da senhora do terceiro post a contar daqui como quem desce. Raios parta a velha. Bruxaaaaaaaaa. Ó minha senhora devolva-me lá os comentários que eu dou-lhe uma esmola generosa da próxima vez que a encontrar.
valham-me os anjinhos todos. Onde é que se enfiaram comentários? Isto foi obra da senhora do terceiro post a contar daqui como quem desce. Raios parta a velha. Bruxaaaaaaaaa. Ó minha senhora devolva-me lá os comentários que eu dou-lhe uma esmola generosa da próxima vez que a encontrar.
segunda-feira, fevereiro 02, 2004
Esmola
Passa por mim mais uma vez, como faz há tantos anos. Estende-me a mão e pede dinheiro. Para remédios ou para uma sopa ou para o que for, pouco me importa. Fico sempre com aquela dúvida cretina de que faz aquilo por hábito e que não precisa da caridade para nada. É isso que se diz nos cabeleireiros ali das redondezas.
Por vezes entrego-lhe uns cêntimos, solução fácil para o pequeno transtorno de ter à minha frente aquela figura de mão estendida, sobre quem nada sei. Preferia que vendesse pensos para lhe dizer que não preciso, ou para lhe perguntar se vendia soro fisiológico que isso sim é que eu precisava.
Faz parte da paisagem, como o carro das castanhas ou a banca dos jornais ou a loja de fast food, apenas é itinerante. Sei que há-de surgir, só não sei quando nem onde.
E se, às tantas, a moeda que lhe não dou, faz mesmo a diferença? Que raio de crápula que por vezes sou.
Passa por mim mais uma vez, como faz há tantos anos. Estende-me a mão e pede dinheiro. Para remédios ou para uma sopa ou para o que for, pouco me importa. Fico sempre com aquela dúvida cretina de que faz aquilo por hábito e que não precisa da caridade para nada. É isso que se diz nos cabeleireiros ali das redondezas.
Por vezes entrego-lhe uns cêntimos, solução fácil para o pequeno transtorno de ter à minha frente aquela figura de mão estendida, sobre quem nada sei. Preferia que vendesse pensos para lhe dizer que não preciso, ou para lhe perguntar se vendia soro fisiológico que isso sim é que eu precisava.
Faz parte da paisagem, como o carro das castanhas ou a banca dos jornais ou a loja de fast food, apenas é itinerante. Sei que há-de surgir, só não sei quando nem onde.
E se, às tantas, a moeda que lhe não dou, faz mesmo a diferença? Que raio de crápula que por vezes sou.
domingo, fevereiro 01, 2004
sexta-feira, janeiro 30, 2004
Porquê?
Choveu como nos filmes. A propósito, ontem fui ao cinema ver o "Portugal SA". Para quem se lembra da simpática série "Os jornalistas" eu diria que, mais actor menos actor, o elenco é o mesmo e a qualidade ronda os 40% da série televisiva. Não tenho a mania de que "O que é nacional é mau", mas desta vez anda lá perto.
Por falar em cinema descobri um bom blog sobre a 7ª arte. Aqui está ele , e a entrada para a coluna da direita está assegurada.
Retomando o início do post. Choveu como nos filmes. Ao que parece, a chuva volta amanhã em abundância. Está bastante frio. Posto isto, digam-me se faz favor,
A neve é simpática e está na moda e eu adoro ver nevar e as crianças de quase todas as idades também e acho merdoso que, dadas as condições, não se possa ter uma dúzia de cm's de neve para nos divertirmos.
Dúvida: Se nevasse, a descida das Amoreiras para o Marquês era uma pista azul, vermelha, ou preta? Se calhar era laranja.
Choveu como nos filmes. A propósito, ontem fui ao cinema ver o "Portugal SA". Para quem se lembra da simpática série "Os jornalistas" eu diria que, mais actor menos actor, o elenco é o mesmo e a qualidade ronda os 40% da série televisiva. Não tenho a mania de que "O que é nacional é mau", mas desta vez anda lá perto.
Por falar em cinema descobri um bom blog sobre a 7ª arte. Aqui está ele , e a entrada para a coluna da direita está assegurada.
Retomando o início do post. Choveu como nos filmes. Ao que parece, a chuva volta amanhã em abundância. Está bastante frio. Posto isto, digam-me se faz favor,
PORQUE É QUE NÃO NEVA ? PORQUÊ ?
.A neve é simpática e está na moda e eu adoro ver nevar e as crianças de quase todas as idades também e acho merdoso que, dadas as condições, não se possa ter uma dúzia de cm's de neve para nos divertirmos.
Dúvida: Se nevasse, a descida das Amoreiras para o Marquês era uma pista azul, vermelha, ou preta? Se calhar era laranja.
quinta-feira, janeiro 29, 2004
Que artista de jazz eu seria?

Voce seria John Coltrane (1926-1967). Apesar da
carreira (relativamente) curta, o saxofonista
John Coltrane impos-se entre as mais
importantes figuras do jazz, apoiado numa
militncia quase religiosa; desenvolveu o seu
estilo ao mesmo tempo que desbravou novos
caminhos para o jazz.
Que Artista de Jazz Seria Voce?
brought to you by Quizilla
Que honra caramba ....

Voce seria John Coltrane (1926-1967). Apesar da
carreira (relativamente) curta, o saxofonista
John Coltrane impos-se entre as mais
importantes figuras do jazz, apoiado numa
militncia quase religiosa; desenvolveu o seu
estilo ao mesmo tempo que desbravou novos
caminhos para o jazz.
Que Artista de Jazz Seria Voce?
brought to you by Quizilla
Que honra caramba ....
O Sol
antes de se esconder atrás das nuvens ainda deu um ar de sua graça.
- Pai. Olha, o Sol está a pôr-se.
- Não João, o Sol acordou ainda há pouco, e está a levantar-se.
- Mas está cor de laranja.
- É sempre assim. Depois de acordar e mesmo antes de se deitar o sol está cor de laranja, o resto do tempo é amarelo.
- O cor de laranja é o pijama do Sol, não é?
antes de se esconder atrás das nuvens ainda deu um ar de sua graça.
- Pai. Olha, o Sol está a pôr-se.
- Não João, o Sol acordou ainda há pouco, e está a levantar-se.
- Mas está cor de laranja.
- É sempre assim. Depois de acordar e mesmo antes de se deitar o sol está cor de laranja, o resto do tempo é amarelo.
- O cor de laranja é o pijama do Sol, não é?
quarta-feira, janeiro 28, 2004
Obrigadinho
1. À Tasca pela mesa reservada. Sai uma sandes de coirato e uma bejeca bem gelada
2. À ministra da justiça pelos serviços prestados para a reforma de todos nós.
3. Aos restantes 119999 que assinaram a petição pela realização de novo referendo sobre o aborto.
4. À Pensativa pela ideia do bolo. Desconfio que nesta casa e nos próximos dois meses, vai-se gastar mais dinheiro em massapão do que em fraldas e toalhetes. O resultado vai ser toda a colecção da Lancel, Longchamp e Louis Vuitton com recheios magníficos.
5. À S. do Pinheirinho por tudo o que fez e aturou ao Manel Maria que vai mudar de escola e destruir o equilibrio emocional a mais uma professora. Que Deus a proteja minha senhora, que o rapaz não é bom de assoar, mas é um dos mais lindos principes do mundo.
1. À Tasca pela mesa reservada. Sai uma sandes de coirato e uma bejeca bem gelada
2. À ministra da justiça pelos serviços prestados para a reforma de todos nós.
3. Aos restantes 119999 que assinaram a petição pela realização de novo referendo sobre o aborto.
4. À Pensativa pela ideia do bolo. Desconfio que nesta casa e nos próximos dois meses, vai-se gastar mais dinheiro em massapão do que em fraldas e toalhetes. O resultado vai ser toda a colecção da Lancel, Longchamp e Louis Vuitton com recheios magníficos.
5. À S. do Pinheirinho por tudo o que fez e aturou ao Manel Maria que vai mudar de escola e destruir o equilibrio emocional a mais uma professora. Que Deus a proteja minha senhora, que o rapaz não é bom de assoar, mas é um dos mais lindos principes do mundo.
terça-feira, janeiro 27, 2004
Unhas
Que todos nós descendemos da classe baixa de um outro planeta, parece não haver dúvidas. Há muitos anos atrás, as chefias um planeta prestes a ser destruído, resolveu transferir toda a população para um outro planeta.
Para o efeito foram construídas várias naves, distribuidas pelas camadas sociais da respectiva população. Na base da pirâmide encontravam-se as manicures e os higienistas telefónicos (uns rapazes que andavam de cabine telefónica em cabine telefónica a limpar os auscultadores com um algodão ensopado em álcool). Ora duas dessas naves perderam-se das restantes e vieram aterrar num planeta desabitado que mais tarde se viria a chamar Terra (toda esta história é contada em promenor no Guia Galáctico do Pendura de Douglas Adams).
Sabendo isto, é com naturalidade que encaro os seguintes factos:
1. O ruído que mais odeio é o do corta unhas - isto explica muita coisa em mim.
2. O ruído que mais gosto é o dos frascos de verniz a bater nos anéis das manicures quando elas os rolam para aquecer ou misturar.
Que todos nós descendemos da classe baixa de um outro planeta, parece não haver dúvidas. Há muitos anos atrás, as chefias um planeta prestes a ser destruído, resolveu transferir toda a população para um outro planeta.
Para o efeito foram construídas várias naves, distribuidas pelas camadas sociais da respectiva população. Na base da pirâmide encontravam-se as manicures e os higienistas telefónicos (uns rapazes que andavam de cabine telefónica em cabine telefónica a limpar os auscultadores com um algodão ensopado em álcool). Ora duas dessas naves perderam-se das restantes e vieram aterrar num planeta desabitado que mais tarde se viria a chamar Terra (toda esta história é contada em promenor no Guia Galáctico do Pendura de Douglas Adams).
Sabendo isto, é com naturalidade que encaro os seguintes factos:
1. O ruído que mais odeio é o do corta unhas - isto explica muita coisa em mim.
2. O ruído que mais gosto é o dos frascos de verniz a bater nos anéis das manicures quando elas os rolam para aquecer ou misturar.
PEDAÇO DE MIM
(Chico Buarque)
Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Leva os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus
(Chico Buarque)
Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Leva os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus
segunda-feira, janeiro 26, 2004
Miklos Fehér
A morte é sempre difícil. Por vezes tão próxima de nós, que nos esmaga a alma. Outras, tão afastada, nem chega a beliscá-la. Chega disfarçada em números e estatísticas, e quase me esqueço que cada um daqueles dados é para alguém, a maior das perdas, a gigante dor.
Ontem a morte deu em directo, a vida a esgueirar-se no sorriso, no tombo, na chuva e no desespero dos outros. Suficiente próxima para nos perturbar, à distância segura para não fazer mossa. Como a um livre de meia distância, fiz-lhe uma barreira de um só homem. Ainda nem sei se foi golo.
A morte é sempre difícil. Por vezes tão próxima de nós, que nos esmaga a alma. Outras, tão afastada, nem chega a beliscá-la. Chega disfarçada em números e estatísticas, e quase me esqueço que cada um daqueles dados é para alguém, a maior das perdas, a gigante dor.
Ontem a morte deu em directo, a vida a esgueirar-se no sorriso, no tombo, na chuva e no desespero dos outros. Suficiente próxima para nos perturbar, à distância segura para não fazer mossa. Como a um livre de meia distância, fiz-lhe uma barreira de um só homem. Ainda nem sei se foi golo.
domingo, janeiro 25, 2004
sexta-feira, janeiro 23, 2004
Passaporte
Já aqui falei dos regressos a casa, quase sempre na companhia da TSF. Quando os afazeres o permitem e a vontade de casa o determina, aponto-o para as sete e mais uma fracção de hora. No primeiro cruzamento, dou boleia ao "Pessoal e... Transmissível". Sempre gostei de ouvir conversas no rádio. As conversas do CVM são, regra geral, um passaporte para a alma de quem com ele conversa. O meu post de 10 de Janeiro "A prenda mais desejada" não é mais que frases soltas da viagem à alma da Maria Rita. A par desta, lembro-me sempre da conversa com um Homem que mergulha no caos deixado pelos tremores de terra, e encontra sobreviventes. Fazedor de milagres, falou do triângulo da vida, da Cidade do México e do 11 de Setembro. Lembro-me também da conversa com Mário de Carvalho, guerras, medos e uma menina presa em lama, cinzas e lava de vulcão.
No 100nada descubro um passaporte para a casa do senhor das conversas de encantar. Hoje dou-lhe a boleia do costume, apanho-o logo no primeiro cruzamento no sentido de quem regressa aos seus.
Já aqui falei dos regressos a casa, quase sempre na companhia da TSF. Quando os afazeres o permitem e a vontade de casa o determina, aponto-o para as sete e mais uma fracção de hora. No primeiro cruzamento, dou boleia ao "Pessoal e... Transmissível". Sempre gostei de ouvir conversas no rádio. As conversas do CVM são, regra geral, um passaporte para a alma de quem com ele conversa. O meu post de 10 de Janeiro "A prenda mais desejada" não é mais que frases soltas da viagem à alma da Maria Rita. A par desta, lembro-me sempre da conversa com um Homem que mergulha no caos deixado pelos tremores de terra, e encontra sobreviventes. Fazedor de milagres, falou do triângulo da vida, da Cidade do México e do 11 de Setembro. Lembro-me também da conversa com Mário de Carvalho, guerras, medos e uma menina presa em lama, cinzas e lava de vulcão.
No 100nada descubro um passaporte para a casa do senhor das conversas de encantar. Hoje dou-lhe a boleia do costume, apanho-o logo no primeiro cruzamento no sentido de quem regressa aos seus.
quinta-feira, janeiro 22, 2004
O DNA
da Caixa de Costura é
.
A Blogotinha descobriu, e rodas não se reinventam. Obrigado.
Para descobrir o DNA de um qualquer site é favor seguir por aqui.
da Caixa de Costura é
A Blogotinha descobriu, e rodas não se reinventam. Obrigado.
Para descobrir o DNA de um qualquer site é favor seguir por aqui.
Apontamentos de outro mundo
1. NASA - (diário digital) "O site do Jet Propulsion Laboratory da NASA vai manter em aberto uma lista até 31 de Janeiro para que qualquer cibernauta possa incluir nela o seu nome que será gravado num CD que seguirá a bordo da sonda espacial «Deep Impact». A 4 de Julho de 2005, esta sonda vai lançar um projéctil de cobre, com cerca de 370 kg, contra a superfície do cometa «Temple 1», criando uma cratera do tamanho de um estádio de futebol. Quando o projéctil alcançar o cometa, a «Deep Impact» recolherá fotografias e dados que serão enviados para a Terra."
O CD ficará em bastante mau estado, mas tenho a certeza que, com alguma paciência, um qualquer extraterrestre o conseguirá recuperar. Eu vou por o meu nome nesse CD, e aproveito e espeto-lhe um link para a Caixa de Costura. Vão-se roer de inveja quando nos domínios dos visitantes aparecerem extensões do tipo ".mar" ou ".alfadecentaurus". O caminho para a conquista do espaço é por aqui
2. Folheei a Visão à hora de almoço e descobri uma frase muito semelhante a esta "Tenho dúvidas que se o Elton John tivesse nascido na Chamusca, conseguisse fazer uma carreira igual à minha em Portugal." O autor desta pérola é o grandioso José Cid. Curiosamente eu também tenho a mesma dúvida. E ainda tenho pelo menos mais duas ou três "Será que o José Cid conseguiria fazer a carreira do Elton John, se tivesse nascido em Inglaterra. " "Qual seria a música dedicada à Lady Di? Como o macaco gosta de banana eu gosto de ti?".
1. NASA - (diário digital) "O site do Jet Propulsion Laboratory da NASA vai manter em aberto uma lista até 31 de Janeiro para que qualquer cibernauta possa incluir nela o seu nome que será gravado num CD que seguirá a bordo da sonda espacial «Deep Impact». A 4 de Julho de 2005, esta sonda vai lançar um projéctil de cobre, com cerca de 370 kg, contra a superfície do cometa «Temple 1», criando uma cratera do tamanho de um estádio de futebol. Quando o projéctil alcançar o cometa, a «Deep Impact» recolherá fotografias e dados que serão enviados para a Terra."
O CD ficará em bastante mau estado, mas tenho a certeza que, com alguma paciência, um qualquer extraterrestre o conseguirá recuperar. Eu vou por o meu nome nesse CD, e aproveito e espeto-lhe um link para a Caixa de Costura. Vão-se roer de inveja quando nos domínios dos visitantes aparecerem extensões do tipo ".mar" ou ".alfadecentaurus". O caminho para a conquista do espaço é por aqui
2. Folheei a Visão à hora de almoço e descobri uma frase muito semelhante a esta "Tenho dúvidas que se o Elton John tivesse nascido na Chamusca, conseguisse fazer uma carreira igual à minha em Portugal." O autor desta pérola é o grandioso José Cid. Curiosamente eu também tenho a mesma dúvida. E ainda tenho pelo menos mais duas ou três "Será que o José Cid conseguiria fazer a carreira do Elton John, se tivesse nascido em Inglaterra. " "Qual seria a música dedicada à Lady Di? Como o macaco gosta de banana eu gosto de ti?".
Chinesices
Os chineses entraram no ano do macaco. Para assinalar a data o google está assim.
Os portugueses há quase dois anos, entraram no ano do cherne. Desde essa altura, que muitos portugueses assinalam este longo período assim:
Alegrem-se. Pior seria se a Manuela Ferreira Leite fosse ministra das finanças ou se o Paulo Portas fosse ministro da defesa, ou se a inflação fosse superior aos aumentos salariais, ....
Os chineses entraram no ano do macaco. Para assinalar a data o google está assim.
Os portugueses há quase dois anos, entraram no ano do cherne. Desde essa altura, que muitos portugueses assinalam este longo período assim:
Alegrem-se. Pior seria se a Manuela Ferreira Leite fosse ministra das finanças ou se o Paulo Portas fosse ministro da defesa, ou se a inflação fosse superior aos aumentos salariais, ....
quarta-feira, janeiro 21, 2004
Com as 8 ...
... horas quase à vista e a acompanhar-me as primeiras e ensonadas actividades do dia, a TSF transmite pequenas reportagens. Nesta semana tenho-as apanhado a todas.
1. O Salgueiros ia edificar um novo estádio de futebol. Ficou-se pelas escavações. O enorme buraco deu lugar a um lago de condições de higiene duvidosas, onde, por obra do acaso e de alguns esgotos que por ali passam, existem milhares de peixes de aquário cheios de anticorpos que lhes conferem invulgar resistência. Ora, onde há peixe, há pescaria e ao que parece, bem no centro urbano, existe uma autêntica multidão a pescar peixes cor de laranja (conheço um peixe cor de laranja, mas é um Cherne, não se deve dar por ali). Má sorte para as lojas de animais do Porto.
2. O metro de Lisboa tem um WC em cada estação. Pelo sim pelo não, o melhor é tê-los fechados, para evitar a respectiva manutenção. Bem vistas as coisas, uma casa de banho precisa de limpeza e segurança. Ide urinar e defecar aos cafés que o metro é para transportar a malta.
3. As empresas de mediação de crédito mal parado estão em período favorável, tendência inversamente proporcional à saúde financeira familiar e empresarial. Cheios de dinheiro e de bens inúteis. Uma máquina de fabricar rolhas de cortiça era o exemplo. O pior de tudo, cheios de histórias que quase sempre acabam mal, quando as responsabilidades e a capacidade para as assumir, andam tão afastadas.
... horas quase à vista e a acompanhar-me as primeiras e ensonadas actividades do dia, a TSF transmite pequenas reportagens. Nesta semana tenho-as apanhado a todas.
1. O Salgueiros ia edificar um novo estádio de futebol. Ficou-se pelas escavações. O enorme buraco deu lugar a um lago de condições de higiene duvidosas, onde, por obra do acaso e de alguns esgotos que por ali passam, existem milhares de peixes de aquário cheios de anticorpos que lhes conferem invulgar resistência. Ora, onde há peixe, há pescaria e ao que parece, bem no centro urbano, existe uma autêntica multidão a pescar peixes cor de laranja (conheço um peixe cor de laranja, mas é um Cherne, não se deve dar por ali). Má sorte para as lojas de animais do Porto.
2. O metro de Lisboa tem um WC em cada estação. Pelo sim pelo não, o melhor é tê-los fechados, para evitar a respectiva manutenção. Bem vistas as coisas, uma casa de banho precisa de limpeza e segurança. Ide urinar e defecar aos cafés que o metro é para transportar a malta.
3. As empresas de mediação de crédito mal parado estão em período favorável, tendência inversamente proporcional à saúde financeira familiar e empresarial. Cheios de dinheiro e de bens inúteis. Uma máquina de fabricar rolhas de cortiça era o exemplo. O pior de tudo, cheios de histórias que quase sempre acabam mal, quando as responsabilidades e a capacidade para as assumir, andam tão afastadas.
segunda-feira, janeiro 19, 2004
Já para não falar ...
do frio de rachar que fez durante todo o santo dia, capaz de congelar o cérebro de qualquer um. Ora eu, que tenho rasgos de ininteligência, resolvi que, para além do agasalho de rua, uma camisa era mais que suficiente. Lá trabalhei o dia todo só de camisinha. Vou contar os pelos do peito para ver se o organismo se ajustou às condições adversas. Aproveito para descongelar as axilas.
do frio de rachar que fez durante todo o santo dia, capaz de congelar o cérebro de qualquer um. Ora eu, que tenho rasgos de ininteligência, resolvi que, para além do agasalho de rua, uma camisa era mais que suficiente. Lá trabalhei o dia todo só de camisinha. Vou contar os pelos do peito para ver se o organismo se ajustou às condições adversas. Aproveito para descongelar as axilas.
Arranquei-me
da cama, bastante mais cedo que queria. Começar a semana a horas, ganhar o dia logo nos primeiros minutos, ir à frente de todas as coisas, fazê-las acontecer. Segunda circular entupida. Os kilómetros feitos metros, os segundos em minutos, intermináveis. Tudo ao contrário, que merda. Chego atrasado outra vez, corro atrás das coisas que chamam por mim. O dia todo assim. Aterrei agora e não tarda deito-me. Amanhã tento outra vez e raios me partam se vou por aquela estrada. É inexplicável a tendência que tenho para escolher o trajecto mais filho da mãe. Amanhã dou cabo de ti Murphy. Engraçadinho.
da cama, bastante mais cedo que queria. Começar a semana a horas, ganhar o dia logo nos primeiros minutos, ir à frente de todas as coisas, fazê-las acontecer. Segunda circular entupida. Os kilómetros feitos metros, os segundos em minutos, intermináveis. Tudo ao contrário, que merda. Chego atrasado outra vez, corro atrás das coisas que chamam por mim. O dia todo assim. Aterrei agora e não tarda deito-me. Amanhã tento outra vez e raios me partam se vou por aquela estrada. É inexplicável a tendência que tenho para escolher o trajecto mais filho da mãe. Amanhã dou cabo de ti Murphy. Engraçadinho.
domingo, janeiro 18, 2004
Quarentena
A minha irmã é uns anos (não muitos) mais velha do que eu. Só não é a minha irmã mais velha, porque é a única. Isso explica o facto de toda a gente saber de quem estou a falar, quando falo d"a minha irmã". O facto de só ter uma poupa-me o trabalho de dizer "a minha irmã mais velha". Para equilibrar tenho uma trabalheira sempre que me perguntam o nome completo.
Dizia eu, que a moça é um pouco mais velha que eu. Isso garantiu-me algumas vantagens ao longo da infância e adolescência. À medida que as coisas lhe iam acontecendo, podia, com algum grau de certeza, prever quando é que me iam acontecer a mim. Estou a falar de, por exemplo, ter direito a ter chaves de casa ou andar sózinho de autocarro. Depois havia algumas coisas pelas quais ela passou, mas que eu consegui antecipar, à conta da boleia dela. Ir acampar ou a festas à noite ou obter o financiamento para tirar a carta de condução são um exemplo deste último grupo. Depois havia outras de sinal contrário, que a mim não me aconteram ou que não me foram permitidas ou concedidas, como receber um livro de educação sexual por ocasião da primeira menstruação, que nunca cheguei a ter. A propósito, esse livro fazia um tremendo sucesso sempre que levava os meus amigos lá a casa. Esse e a enciclopédia da vida - capítulo da sexualidade - com aquele casal tão simpático que ilustrava pelo menos 18 posições diferentes do coito.
(interrompo para dizer que me parece estar a ouvir o "sobe sobe balão sobe da Manuela Bravo". Que saudades dessa diva de caracóis)
Ora acontece que agora a coisa está grave. A minha irmã completa hoje 40 anos (isto até me custa a escrever). QUARENTA. O que eu queria pedir aos meus pais era se me podiam, de alguma forma, impedir de fazer essa coisa. Protejam-me disso sff, que ainda estão em muito boa idade de me proteger. Isto não quer dizer que não quero viver muitos e bons anos. Lagarto, lagarto, lagarto. Só não quero é passar dos trinta e tais que me agradam sobremaneira. Façam lá qualquer coisita. E DEPRESSSSSSSAAAAAAAAAAAA. Se, por uma fatalidade, fizer essa quantidade imoral de anos, em vez de ficar um quarentão fico de quarentena.
Para ti Maria querida, beijos imensos de parabéns.
A minha irmã é uns anos (não muitos) mais velha do que eu. Só não é a minha irmã mais velha, porque é a única. Isso explica o facto de toda a gente saber de quem estou a falar, quando falo d"a minha irmã". O facto de só ter uma poupa-me o trabalho de dizer "a minha irmã mais velha". Para equilibrar tenho uma trabalheira sempre que me perguntam o nome completo.
Dizia eu, que a moça é um pouco mais velha que eu. Isso garantiu-me algumas vantagens ao longo da infância e adolescência. À medida que as coisas lhe iam acontecendo, podia, com algum grau de certeza, prever quando é que me iam acontecer a mim. Estou a falar de, por exemplo, ter direito a ter chaves de casa ou andar sózinho de autocarro. Depois havia algumas coisas pelas quais ela passou, mas que eu consegui antecipar, à conta da boleia dela. Ir acampar ou a festas à noite ou obter o financiamento para tirar a carta de condução são um exemplo deste último grupo. Depois havia outras de sinal contrário, que a mim não me aconteram ou que não me foram permitidas ou concedidas, como receber um livro de educação sexual por ocasião da primeira menstruação, que nunca cheguei a ter. A propósito, esse livro fazia um tremendo sucesso sempre que levava os meus amigos lá a casa. Esse e a enciclopédia da vida - capítulo da sexualidade - com aquele casal tão simpático que ilustrava pelo menos 18 posições diferentes do coito.
(interrompo para dizer que me parece estar a ouvir o "sobe sobe balão sobe da Manuela Bravo". Que saudades dessa diva de caracóis)
Ora acontece que agora a coisa está grave. A minha irmã completa hoje 40 anos (isto até me custa a escrever). QUARENTA. O que eu queria pedir aos meus pais era se me podiam, de alguma forma, impedir de fazer essa coisa. Protejam-me disso sff, que ainda estão em muito boa idade de me proteger. Isto não quer dizer que não quero viver muitos e bons anos. Lagarto, lagarto, lagarto. Só não quero é passar dos trinta e tais que me agradam sobremaneira. Façam lá qualquer coisita. E DEPRESSSSSSSAAAAAAAAAAAA. Se, por uma fatalidade, fizer essa quantidade imoral de anos, em vez de ficar um quarentão fico de quarentena.
Para ti Maria querida, beijos imensos de parabéns.
sexta-feira, janeiro 16, 2004
Só com som
Quebrar um pouco as regras. Vou aproveitar um mail recebido para contrariar o apagão cerebral. Este link tem graça. Surge uma boneca virtual e uns campos para preencher:
1. Escolhe-se a lingua e a personagem (para português só existe uma mulher)
2. Escreve-se uma frase
3. Clica-se e a boneca fala a frase escrita.
è um pouco mais elaborada que o costume porque consegue entoar, por exemplo, os pontos de interrogação.
Tudo isto aqui para quem tiver placa de som se divertir um pouco.
Quebrar um pouco as regras. Vou aproveitar um mail recebido para contrariar o apagão cerebral. Este link tem graça. Surge uma boneca virtual e uns campos para preencher:
1. Escolhe-se a lingua e a personagem (para português só existe uma mulher)
2. Escreve-se uma frase
3. Clica-se e a boneca fala a frase escrita.
è um pouco mais elaborada que o costume porque consegue entoar, por exemplo, os pontos de interrogação.
Tudo isto aqui para quem tiver placa de som se divertir um pouco.
REBENTO
Rebento, substantivo abstrato,
o ato, a criação, o seu momento,
como uma estrela nova e seu barato
Que só Deus sabe lá, no firmamento.
Rebento, tudo que nasce é rebento,
Tudo que brota, que vinga, que medra,
Rebento raro como flor na pedra,
Rebento farto como trigo ao vento.
Outras vezes rebento simplesmente
No presente do indicativo,
Como a corrente de um cão furioso,
Como as mãos de um lavrador ativo.
Às vezes, mesmo perigosamente,
Como acidente em forno radioativo,
Às vezes, só porque fico nervoso,
Rebento,
Às vezes somente porque estou vivo.
Rebento, a reação imediata
A cada sensação de abatimento.
Rebento, o coração dizendo “bata”
A cada bofetão do sofrimento.
Rebento, esse trovão dentro da mata
E a imensidão do som desse momento.
Gilberto Gil
Rebento, substantivo abstrato,
o ato, a criação, o seu momento,
como uma estrela nova e seu barato
Que só Deus sabe lá, no firmamento.
Rebento, tudo que nasce é rebento,
Tudo que brota, que vinga, que medra,
Rebento raro como flor na pedra,
Rebento farto como trigo ao vento.
Outras vezes rebento simplesmente
No presente do indicativo,
Como a corrente de um cão furioso,
Como as mãos de um lavrador ativo.
Às vezes, mesmo perigosamente,
Como acidente em forno radioativo,
Às vezes, só porque fico nervoso,
Rebento,
Às vezes somente porque estou vivo.
Rebento, a reação imediata
A cada sensação de abatimento.
Rebento, o coração dizendo “bata”
A cada bofetão do sofrimento.
Rebento, esse trovão dentro da mata
E a imensidão do som desse momento.
Gilberto Gil
quinta-feira, janeiro 15, 2004
Inverno
Esta chuva não se adequa ao lufa-lufa da semana. Não condiz com correrias, pressas e aquela sensação de estar uma hora atrasado para tudo. Gosto de a sentir no conforto, nas lareiras, música e leituras. Seguir-lhe num olhar despreocupado os trajectos de cada pingo na vidraça de uma janela. Embaciá-la e desenhar com a ponta de um dedo, uma estrada sinuosa. Pousada de São Bento na Caniçada. Um jogo de xadrez sem nexo. Cheque ao rei. Cheque mate ao cansaço. Troco o peão pelo teu abraço.
Esta chuva não se adequa ao lufa-lufa da semana. Não condiz com correrias, pressas e aquela sensação de estar uma hora atrasado para tudo. Gosto de a sentir no conforto, nas lareiras, música e leituras. Seguir-lhe num olhar despreocupado os trajectos de cada pingo na vidraça de uma janela. Embaciá-la e desenhar com a ponta de um dedo, uma estrada sinuosa. Pousada de São Bento na Caniçada. Um jogo de xadrez sem nexo. Cheque ao rei. Cheque mate ao cansaço. Troco o peão pelo teu abraço.
quarta-feira, janeiro 14, 2004
Este tasco
... tem de tudo. O dono metido a filósofo, empregadas ao despique, tis Manéis e Alentejanos. Tudo assim para o esverdeado (devem ter a concessão no Alvalade XXI). O linguajar é violento em forma e conteúdo. A ementa também não é pêra doce. É mais pastéis de bacalhau, pipis, pica-paus (valha-me Nossa Senhora), tremoços, orelha de porco, saladinha de polvo, vinagrete disto e daquilo, pregos e bifanas e (que Deus me perdoe) túbaros e punhetas de bacalhau.
Mau ambiente, mas para pesticar, parece não haver coisa melhor.
... tem de tudo. O dono metido a filósofo, empregadas ao despique, tis Manéis e Alentejanos. Tudo assim para o esverdeado (devem ter a concessão no Alvalade XXI). O linguajar é violento em forma e conteúdo. A ementa também não é pêra doce. É mais pastéis de bacalhau, pipis, pica-paus (valha-me Nossa Senhora), tremoços, orelha de porco, saladinha de polvo, vinagrete disto e daquilo, pregos e bifanas e (que Deus me perdoe) túbaros e punhetas de bacalhau.
Mau ambiente, mas para pesticar, parece não haver coisa melhor.
Gastronomia II
O problema de hoje continua a ser de solução desconhecida, ao jeito de enigma. Trata-se da confecção de chamuças. Não do recheio propriamente dito, do qual consigo aproximar-me se a vizinhança for generosa. Mas da massa. É que por muito que tente, não lhe consigo chegar perto. As minhas tentativas duraram seis meses e adiei o projecto.
Vencido pelo cansaço e pelo enjôo de comer uns triângulos manufacturados por mim, com uma massa que ora parecia tenra, ora parecia de rissol, ora parecia de pedreiro. Cheguei a dizer a um vendedor de flores que só as comprava se além das rosas, me vendesse um pacote que incluisse a receita da massa dos triângulos.
Retomo o assunto na forma de apelo. Dois impulsos para a retoma.
1. Hoje almocei com uma pessoa que veio da India. Toda a gente perguntava sobre o povo, os costumes, a arquitectura. Eu perguntava-lhe sobre o processo de fabrico da massa das chamuças.
2. No país dos matraquilhos, a Ana relatou o intercâmbio gastronómico promovido pelos pais, em tempos de viagem até à Índia. Pensei escrever-lhe a meter uma cunha mas não há como o fazer (referência ao movimento na net para que a Ana implemente a reciprocidade).
Haja neste mundo quem me ajude a descobrir o segredo do triângulo mais misterioso do mundo (logo seguido pelo das Bermudas).
O problema de hoje continua a ser de solução desconhecida, ao jeito de enigma. Trata-se da confecção de chamuças. Não do recheio propriamente dito, do qual consigo aproximar-me se a vizinhança for generosa. Mas da massa. É que por muito que tente, não lhe consigo chegar perto. As minhas tentativas duraram seis meses e adiei o projecto.
Vencido pelo cansaço e pelo enjôo de comer uns triângulos manufacturados por mim, com uma massa que ora parecia tenra, ora parecia de rissol, ora parecia de pedreiro. Cheguei a dizer a um vendedor de flores que só as comprava se além das rosas, me vendesse um pacote que incluisse a receita da massa dos triângulos.
Retomo o assunto na forma de apelo. Dois impulsos para a retoma.
1. Hoje almocei com uma pessoa que veio da India. Toda a gente perguntava sobre o povo, os costumes, a arquitectura. Eu perguntava-lhe sobre o processo de fabrico da massa das chamuças.
2. No país dos matraquilhos, a Ana relatou o intercâmbio gastronómico promovido pelos pais, em tempos de viagem até à Índia. Pensei escrever-lhe a meter uma cunha mas não há como o fazer (referência ao movimento na net para que a Ana implemente a reciprocidade).
Haja neste mundo quem me ajude a descobrir o segredo do triângulo mais misterioso do mundo (logo seguido pelo das Bermudas).
terça-feira, janeiro 13, 2004
PCP
Pode ser preconceito, mas achei curioso o PCP ter uma loja on-line.
Neste site propõe-se a aquisição de artigos com o mural da sede do Partido Comunista Português, pins, t-shirt's e várias edições discográficas que incluem versões da Internacional, do Avante Camarada e da Carvalhesa.
A oferta não parece muito diversificada, mas com um pouco de imaginação, acho que os camaradas poderiam torná-la bem mais interessante.
Não resisto a sugerir que pequenas réplicas da Odete Santos teriam, com certeza, muita saída.
Uma questão que me parece pertinente é a seguinte:
"Quiosque ? Mas porque raio se chama quiosque à loja on-line?" Quiosques há muitos por aí, replectos de jornais fascizóides. Banca on-line fica muito parecido com on-line banking. Vejamos .... Comité de vendas on-line. Isto sim parece-me um nome jeitoso.
Pode ser preconceito, mas achei curioso o PCP ter uma loja on-line.
Neste site propõe-se a aquisição de artigos com o mural da sede do Partido Comunista Português, pins, t-shirt's e várias edições discográficas que incluem versões da Internacional, do Avante Camarada e da Carvalhesa.
A oferta não parece muito diversificada, mas com um pouco de imaginação, acho que os camaradas poderiam torná-la bem mais interessante.
Não resisto a sugerir que pequenas réplicas da Odete Santos teriam, com certeza, muita saída.
Uma questão que me parece pertinente é a seguinte:
"Quiosque ? Mas porque raio se chama quiosque à loja on-line?" Quiosques há muitos por aí, replectos de jornais fascizóides. Banca on-line fica muito parecido com on-line banking. Vejamos .... Comité de vendas on-line. Isto sim parece-me um nome jeitoso.
Panados
1. Arrancam-se os pés aos cogumelos frescos e grandes.
2. Picam-se os pés dos cogumelos e refogam-se com cebola picada, bacon picado (cubos minusculos), sal e uma gota de molho picante. Deve-se obter um refogado consistente.
3. Recheiam-se os cogumelos (o pé, quando tirado deixa espaço para o recheio) com o refogado.
4. Passam-se por ovo batido e pão ralado e fritam-se em óleo.
Aldrabados - em caso falta de ovo, falta de pão ralado ou falta de pachorra para panar cogumelos.
Substituir o passo 4 por
4. Colocam-se num tabuleiro com o recheio voltado para cima e tapa-se o recheio com umas farripas ou um quadradinho de queijo. Levar ao forno (180 º) durante 20 minutos.
Já estou a aguar ...
1. Arrancam-se os pés aos cogumelos frescos e grandes.
2. Picam-se os pés dos cogumelos e refogam-se com cebola picada, bacon picado (cubos minusculos), sal e uma gota de molho picante. Deve-se obter um refogado consistente.
3. Recheiam-se os cogumelos (o pé, quando tirado deixa espaço para o recheio) com o refogado.
4. Passam-se por ovo batido e pão ralado e fritam-se em óleo.
Aldrabados - em caso falta de ovo, falta de pão ralado ou falta de pachorra para panar cogumelos.
Substituir o passo 4 por
4. Colocam-se num tabuleiro com o recheio voltado para cima e tapa-se o recheio com umas farripas ou um quadradinho de queijo. Levar ao forno (180 º) durante 20 minutos.
Já estou a aguar ...
TSF
O ticker da TSF informa:
AVEIRO - Tribunal prossegue julgamento sobre aborto ............................... ESTUDO - Lares de idosos sem condições .......................................................... FINANÇAS - David Justino esqueceu-se de declarar rendimentos ..................................................
Alguém me sabe dizer onde fica a fronteira do país civilizado a que pertencemos ?
O ticker da TSF informa:
AVEIRO - Tribunal prossegue julgamento sobre aborto ............................... ESTUDO - Lares de idosos sem condições .......................................................... FINANÇAS - David Justino esqueceu-se de declarar rendimentos ..................................................
Alguém me sabe dizer onde fica a fronteira do país civilizado a que pertencemos ?
segunda-feira, janeiro 12, 2004
Caro Sr Bush:
Apesar da perspicácia que todos lhe reconhecemos, sinto ser meu dever comunicar-lhe que Sadam Hussain continua em liberdade, escondido numa pequena ilha atlântica. Junto, publico foto para que os seus homens possam, uma vez mais com sucesso, devolver ao mundo a paz tão desejada.
Obrigadinho George (posso tratá-lo assim ?). Um grande abraço.
Apesar da perspicácia que todos lhe reconhecemos, sinto ser meu dever comunicar-lhe que Sadam Hussain continua em liberdade, escondido numa pequena ilha atlântica. Junto, publico foto para que os seus homens possam, uma vez mais com sucesso, devolver ao mundo a paz tão desejada.
Obrigadinho George (posso tratá-lo assim ?). Um grande abraço.
No cantinho do Sofá
já existe uma Madalena. No cantinho do nosso coração já está um espaço reservado para ela. No canto de um sorriso já existe o sal de um canto de olho de mãe, sinal de encantamento. Parabéns.
já existe uma Madalena. No cantinho do nosso coração já está um espaço reservado para ela. No canto de um sorriso já existe o sal de um canto de olho de mãe, sinal de encantamento. Parabéns.
domingo, janeiro 11, 2004
Beatriz
quando me questiono sobre as mais bonitas canções que conheço, salta-me invariavelmente do baú das canções amadas, daquelas que se redescobre sempre que se escuta, a "Beatriz"de Chico Buarque e Edu Lobo. A Sofia da Operação Triunfo cantou-a, e é tão difícil cantar bem esta canção. Deixo por aqui a letra:
Olha,
Será que ela é moça,
Será que ela é triste,
Será que é o contrário,
Será que é pintura o rosto da actriz?
Se ela dança no sétimo céu,
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel,
E se eu pudesse entrar na sua vida?
Olha,
Será que é de louça,
Será que é de éter,
Será que é loucura,
Será que é cenário A casa da actriz?
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz,
E se ela chora num quarto de hotel,
E se eu pudesse entrar na sua vida?
Sim,
Me leva para sempre Beatriz,
Me ensina a não andar com os pés no chão,
Para sempre é sempre por um triz.
Ai, diz quantos desastres tem na minha mão,
Diz se é perigoso a gente ser feliz,
Olha,
Será que é uma estrela,
Será que é mentira,
Será que é comédia,
Será que é divina A vida da actriz?
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis,
E se um arcanjo passar o chapéu,
E se eu pudesse entrar na sua vida...
quando me questiono sobre as mais bonitas canções que conheço, salta-me invariavelmente do baú das canções amadas, daquelas que se redescobre sempre que se escuta, a "Beatriz"de Chico Buarque e Edu Lobo. A Sofia da Operação Triunfo cantou-a, e é tão difícil cantar bem esta canção. Deixo por aqui a letra:
Olha,
Será que ela é moça,
Será que ela é triste,
Será que é o contrário,
Será que é pintura o rosto da actriz?
Se ela dança no sétimo céu,
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel,
E se eu pudesse entrar na sua vida?
Olha,
Será que é de louça,
Será que é de éter,
Será que é loucura,
Será que é cenário A casa da actriz?
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz,
E se ela chora num quarto de hotel,
E se eu pudesse entrar na sua vida?
Sim,
Me leva para sempre Beatriz,
Me ensina a não andar com os pés no chão,
Para sempre é sempre por um triz.
Ai, diz quantos desastres tem na minha mão,
Diz se é perigoso a gente ser feliz,
Olha,
Será que é uma estrela,
Será que é mentira,
Será que é comédia,
Será que é divina A vida da actriz?
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis,
E se um arcanjo passar o chapéu,
E se eu pudesse entrar na sua vida...
A Madalena...
estás prestes a chegar ao mundo. A Titas do Canto do Sofá vai completar o trio tão desejado. O pai prometeu-lhe que no ano que nascesse, o Benfica ia ser campeão, e a menos que atrasem o parto umas dezenas (ou centenas de semanas) não me parece que vá conseguir cumprir a promessa. Não te preocupes homem, afinal o ano do centenário vai no décimo segundo dia e a nossa sala de troféus já conta com uma derrota, um empate e uma crise directiva. Isto é animador porque a maior parte das pessoas que completam 100 primaveras não consegue distinguir uma bola de futebol de uma arrastadeira.
Voltando à Madalena, tudo indica que vem via cesariana, tal qual os meus dois príncipes. Felizmente a direcção do hospital não autoriza que os pais assistam ao momento, por necessitar de prestar mais cuidados de enfermagem aos pais do que às mães das criancinhas e às próprias criancinhas. Portanto rapaz, ficas descansado na sala de espera à espera que os especialistas tratem do assunto.
Eu confesso que assisti às respectivas cesarianas e que também tenho um empate e uma derrota nesse capítulo. Vou deixar os detalhes para um post posterior.
Que corra tudo bem Titas e Madalena, que a malta está toda aqui à tua espera, ansiosa para te conhecer. Os rapazes já estão com as hormonas aos saltos pela chegada da primeira menina das redondezas.
estás prestes a chegar ao mundo. A Titas do Canto do Sofá vai completar o trio tão desejado. O pai prometeu-lhe que no ano que nascesse, o Benfica ia ser campeão, e a menos que atrasem o parto umas dezenas (ou centenas de semanas) não me parece que vá conseguir cumprir a promessa. Não te preocupes homem, afinal o ano do centenário vai no décimo segundo dia e a nossa sala de troféus já conta com uma derrota, um empate e uma crise directiva. Isto é animador porque a maior parte das pessoas que completam 100 primaveras não consegue distinguir uma bola de futebol de uma arrastadeira.
Voltando à Madalena, tudo indica que vem via cesariana, tal qual os meus dois príncipes. Felizmente a direcção do hospital não autoriza que os pais assistam ao momento, por necessitar de prestar mais cuidados de enfermagem aos pais do que às mães das criancinhas e às próprias criancinhas. Portanto rapaz, ficas descansado na sala de espera à espera que os especialistas tratem do assunto.
Eu confesso que assisti às respectivas cesarianas e que também tenho um empate e uma derrota nesse capítulo. Vou deixar os detalhes para um post posterior.
Que corra tudo bem Titas e Madalena, que a malta está toda aqui à tua espera, ansiosa para te conhecer. Os rapazes já estão com as hormonas aos saltos pela chegada da primeira menina das redondezas.
sexta-feira, janeiro 09, 2004
A Titas ...
está quase a dar de si e anda descaradamente a comentar os meus posts.
Ora já se sabe que já está na altura da Panças estar com contrações de 2 em 2 minutos e com, pelo menos, uma mão cheia de dedos de dilatação aos berros pela mãe, pelo pai, pelo marido e por um político conhecido da nossa praça (é preciso explicar que só a vi chamar aos berros por 2 homens. O marido por estar desatento aos filhos. E o político por solidariedade.)
Em vez de estar a fazer estas figuras para expelir a menina princesa, anda por aqui alegremente a comentar os meus posts. Est'agora !!!
Para a frente Panças, que a coisa faz-se.
está quase a dar de si e anda descaradamente a comentar os meus posts.
Ora já se sabe que já está na altura da Panças estar com contrações de 2 em 2 minutos e com, pelo menos, uma mão cheia de dedos de dilatação aos berros pela mãe, pelo pai, pelo marido e por um político conhecido da nossa praça (é preciso explicar que só a vi chamar aos berros por 2 homens. O marido por estar desatento aos filhos. E o político por solidariedade.)
Em vez de estar a fazer estas figuras para expelir a menina princesa, anda por aqui alegremente a comentar os meus posts. Est'agora !!!
Para a frente Panças, que a coisa faz-se.
A prenda mais desejada.
Tarde, muito mais tarde que a maioria. Pressão, resistências e dúvidas. A cidade que nunca dorme. A enorme maçã. Serena no olho do furacão. Tudo tão depressa. O local mais tranquilo é bem ao centro da confusão. Genética, fascinação e os tesouros. Entrega total. Identidade. Eu existo e sou assim. Trabalho, trabalho e trabalho. Consegue-se viver sem cantar? Mãe e mito. Menina da lua, “Vá escovar seus dentes Maria Rita.” Comparações e canções. Memórias poucas e só dela. “Prefiro não falar”. Muita sorte em tanto azar. Morre cedo demais, vive e vive e vive. Pai e mãe e muito eu. Risada fácil. Óculos que atrapalham, mais o suor e a maquilhagem. Respeito e cumplicidade. Simbiose. Olhos menina. Olhos nos olhos. Olhos de água. Os sapatos saltam fora, a voz que salta imensa. Nem toda a feiticeira é corcunda. Filho de peixe sabe é voar. Hoje no coliseu.
Tarde, muito mais tarde que a maioria. Pressão, resistências e dúvidas. A cidade que nunca dorme. A enorme maçã. Serena no olho do furacão. Tudo tão depressa. O local mais tranquilo é bem ao centro da confusão. Genética, fascinação e os tesouros. Entrega total. Identidade. Eu existo e sou assim. Trabalho, trabalho e trabalho. Consegue-se viver sem cantar? Mãe e mito. Menina da lua, “Vá escovar seus dentes Maria Rita.” Comparações e canções. Memórias poucas e só dela. “Prefiro não falar”. Muita sorte em tanto azar. Morre cedo demais, vive e vive e vive. Pai e mãe e muito eu. Risada fácil. Óculos que atrapalham, mais o suor e a maquilhagem. Respeito e cumplicidade. Simbiose. Olhos menina. Olhos nos olhos. Olhos de água. Os sapatos saltam fora, a voz que salta imensa. Nem toda a feiticeira é corcunda. Filho de peixe sabe é voar. Hoje no coliseu.
quinta-feira, janeiro 08, 2004
Molha tolos
... chamam à chuva que tem caído hoje por aqui. O café onde tomei a italiana tinha um cartaz que dizia “Vende-se este estabelecimento”. Os donos tinham o ar desgastado de quem quer definitivamente vender o estabelecimento. Paguei com uma nota de cinco euros e estou convencido que podia escolher entre receber o troco ou ficar com o trespasse comercial. Precisava de moedas para o parquímetro e por ora os parquímetros não aceitam estabelecimentos nem porta moedas electrónicos como pagamento.
Saí com as minhas moedas. O parquímetro estava fora de serviço.
Fui até às finanças pagar uma dívida das antigas. Dos tempos em que, por engano, o sujeito passivo B da declaração do IRS era o meu filho mais velho. Foi um trabalhão convence-los que era casado com a minha mulher e não com o João Maria. Se isto chega aos ouvidos de alguém ainda tenho problemas com a justiça.
Voltei para o carro. Encharcado. Raios parta esta chuva.
... chamam à chuva que tem caído hoje por aqui. O café onde tomei a italiana tinha um cartaz que dizia “Vende-se este estabelecimento”. Os donos tinham o ar desgastado de quem quer definitivamente vender o estabelecimento. Paguei com uma nota de cinco euros e estou convencido que podia escolher entre receber o troco ou ficar com o trespasse comercial. Precisava de moedas para o parquímetro e por ora os parquímetros não aceitam estabelecimentos nem porta moedas electrónicos como pagamento.
Saí com as minhas moedas. O parquímetro estava fora de serviço.
Fui até às finanças pagar uma dívida das antigas. Dos tempos em que, por engano, o sujeito passivo B da declaração do IRS era o meu filho mais velho. Foi um trabalhão convence-los que era casado com a minha mulher e não com o João Maria. Se isto chega aos ouvidos de alguém ainda tenho problemas com a justiça.
Voltei para o carro. Encharcado. Raios parta esta chuva.
quarta-feira, janeiro 07, 2004
Televisão
Numa entrevista ao director de programas da dois, e à pergunta "O que é a televisão?", disse-se "É uma fogueira electrónica. Para uns é uma companhia, para outros uma necessidade."
Lembrei-me de outras fogueiras e acrescentava "Para uns uma tortura. Para outros uma condenação."
Não deve ser possível assar linguiça ou morcela na televisão. A coisa mais parecida com uma televisão em que é possível cozinhar algo é o micro-ondas. E já se sabe que não é, nem de longe nem de perto, um bom aparelho para esse fim.
Numa entrevista ao director de programas da dois, e à pergunta "O que é a televisão?", disse-se "É uma fogueira electrónica. Para uns é uma companhia, para outros uma necessidade."
Lembrei-me de outras fogueiras e acrescentava "Para uns uma tortura. Para outros uma condenação."
Não deve ser possível assar linguiça ou morcela na televisão. A coisa mais parecida com uma televisão em que é possível cozinhar algo é o micro-ondas. E já se sabe que não é, nem de longe nem de perto, um bom aparelho para esse fim.
terça-feira, janeiro 06, 2004
Pendentes
Antes que o Ano comece a sério, alguns recados atrasados.
Bom Ano Adriana, Ivan, João e Leo.
A panças fez anos e já na altura eXtra Large e gostámos muito. Parabéns e muito muito obrigado.
O almoço de primos lá por casa foi muito bom. Gostei muito da história da pronunchia do norte. Pochas, carachas e chicha penico. Gostei ainda da história da avó a pedir café ao Eduardo no único dia em que a máquina não estava operacional e a avó estava. Há dias assim.
Já em 2k4 jantar de tios e primos. Animado e saboreado. Comida e companhia.
Antes que o Ano comece a sério, alguns recados atrasados.
Bom Ano Adriana, Ivan, João e Leo.
A panças fez anos e já na altura eXtra Large e gostámos muito. Parabéns e muito muito obrigado.
O almoço de primos lá por casa foi muito bom. Gostei muito da história da pronunchia do norte. Pochas, carachas e chicha penico. Gostei ainda da história da avó a pedir café ao Eduardo no único dia em que a máquina não estava operacional e a avó estava. Há dias assim.
Já em 2k4 jantar de tios e primos. Animado e saboreado. Comida e companhia.
A dois
fazem-se tantas coisas e geralmente fazem-se com muito gosto. Ontem, e ao que parece com algum gosto, fizeram da RTP2 a Dois. Sete palmos de terra para começo de conversa ("sete que pena, chorai-as"). Abram alas par o Noddy e também Peanuts - Charlie Brown e Cª. Gosto de Charlie Brown e da voz da professora primária. Mais detalhes por aqui e a dois.
fazem-se tantas coisas e geralmente fazem-se com muito gosto. Ontem, e ao que parece com algum gosto, fizeram da RTP2 a Dois. Sete palmos de terra para começo de conversa ("sete que pena, chorai-as"). Abram alas par o Noddy e também Peanuts - Charlie Brown e Cª. Gosto de Charlie Brown e da voz da professora primária. Mais detalhes por aqui e a dois.
segunda-feira, janeiro 05, 2004
2004
Bom Ano a todos.
Ouvi hoje na rádio que a forma como passamos os doze primeiro minutos do ano indiciam o que se vai passar nos doze meses do ano que então se inicia.
Isso seria interessante se o primeiro minuto do ano não tivesse sido passado na total ignorância sobre o facto do ano já ter começado. No segundo segundo minuto apoderou-se de mim a desconfiança que algo importante estava a acontecer e que a barulheira na rua e o fogo de artifício no céu não correspondiam à precipitação dos restantes 9999988 portugueses. O terceiro minuto passei-o a percorrer que nem um louco tudo o que era canal de televisão para confirmar segundos, minutos, horas, dia, mês e ano. Os festejos ficaram algures entre o terceiro e o quarto minuto.
Segundo a teoria, o primeiro trimestre do ano vai ser inesquecível. Vivido entre a ignorância, a desconfiança e a loucura de zapping. Vou já comprar pilhas para o comando à distância.
Bom Ano a todos.
Ouvi hoje na rádio que a forma como passamos os doze primeiro minutos do ano indiciam o que se vai passar nos doze meses do ano que então se inicia.
Isso seria interessante se o primeiro minuto do ano não tivesse sido passado na total ignorância sobre o facto do ano já ter começado. No segundo segundo minuto apoderou-se de mim a desconfiança que algo importante estava a acontecer e que a barulheira na rua e o fogo de artifício no céu não correspondiam à precipitação dos restantes 9999988 portugueses. O terceiro minuto passei-o a percorrer que nem um louco tudo o que era canal de televisão para confirmar segundos, minutos, horas, dia, mês e ano. Os festejos ficaram algures entre o terceiro e o quarto minuto.
Segundo a teoria, o primeiro trimestre do ano vai ser inesquecível. Vivido entre a ignorância, a desconfiança e a loucura de zapping. Vou já comprar pilhas para o comando à distância.
quarta-feira, dezembro 31, 2003
2003
Agora que eu começava a ganhar alguma simpatia pelo rapaz, ele resolve sair de cena. Tempo de balanços. Escuso-me que balançar enjoa. Aposto que o próximo é par, e bisexto e cheio de peneiras. Só falta estar convencido que é o ano da retoma, já que os antecessores foram mais do "toma que é para aprenderes" (parece texto de revista popular). Tenho tantos desejos para este, e não vou dizê-los agora. Alguns, à medida que forem acontecendo ou esmurecendo, vou deixando aqui pela Caixa. Bom Ano Novo.
Agora que eu começava a ganhar alguma simpatia pelo rapaz, ele resolve sair de cena. Tempo de balanços. Escuso-me que balançar enjoa. Aposto que o próximo é par, e bisexto e cheio de peneiras. Só falta estar convencido que é o ano da retoma, já que os antecessores foram mais do "toma que é para aprenderes" (parece texto de revista popular). Tenho tantos desejos para este, e não vou dizê-los agora. Alguns, à medida que forem acontecendo ou esmurecendo, vou deixando aqui pela Caixa. Bom Ano Novo.
sexta-feira, dezembro 26, 2003
A PSP
... parte para o iraque já em Janeiro. Começo a desconfiar que preparamos a transferência de Portugal para aquelas bandas. Os Israelitas fizeram algo semelhante e a coisa não parece ser nada fácil. Mais a mais acabei de mudar de casa e não tenciono repetir a graça na próxima década. A como está o metro quadrado numa zona classe média em Bagdad?
... parte para o iraque já em Janeiro. Começo a desconfiar que preparamos a transferência de Portugal para aquelas bandas. Os Israelitas fizeram algo semelhante e a coisa não parece ser nada fácil. Mais a mais acabei de mudar de casa e não tenciono repetir a graça na próxima década. A como está o metro quadrado numa zona classe média em Bagdad?
terça-feira, dezembro 23, 2003
segunda-feira, dezembro 22, 2003
Protestos estudantis
... na Alemanha, a propósito dos cortes orçamentais para a educação.
Trazidos pela "Semana em Imagens" na página da SIC com o seguinte comentário:
"De recordar que por cá a política educativa também é contestada..."
Não tenho nada a acrescentar sobre o assunto...
Bem, talvez acrescente.
E se a moda pega, e o governo resolver cortar nos gastos da RTP.
A propósito. O preço certo em euros da RTP 1 é apresentado por quem?
Ai meu Deus que horror. Acho que vou apagar este post.
... na Alemanha, a propósito dos cortes orçamentais para a educação.
Trazidos pela "Semana em Imagens" na página da SIC com o seguinte comentário:
"De recordar que por cá a política educativa também é contestada..."
Não tenho nada a acrescentar sobre o assunto...
Bem, talvez acrescente.
E se a moda pega, e o governo resolver cortar nos gastos da RTP.
A propósito. O preço certo em euros da RTP 1 é apresentado por quem?
Ai meu Deus que horror. Acho que vou apagar este post.
domingo, dezembro 21, 2003
O fim do mundo ...
... deve estar mesmo para breve. À saída de um intervalo da operação triunfo, passei pela SIC e deparei-me com o José Cid aos berros no meio de uma pista de circo montado num cavalo branco. Agora não sei se hei-de voltar para a OT, ou em alternativa, ficar na expectativa de ver o Joel Branco a na jaula dos leões a cantar-lhes "O mundo é uma bola de algodão, que está na nossa mão ...." ou o Vitor Espadinha no trapézio "Sim eu sei... que tudo são recordações" ou ainda a Mara Abrantes a rodopiar suspença pela trança "Diga em que dia em que mês voçê nasceu, para ver se o seu signo combina com o meu e o meu coração será seu".
... deve estar mesmo para breve. À saída de um intervalo da operação triunfo, passei pela SIC e deparei-me com o José Cid aos berros no meio de uma pista de circo montado num cavalo branco. Agora não sei se hei-de voltar para a OT, ou em alternativa, ficar na expectativa de ver o Joel Branco a na jaula dos leões a cantar-lhes "O mundo é uma bola de algodão, que está na nossa mão ...." ou o Vitor Espadinha no trapézio "Sim eu sei... que tudo são recordações" ou ainda a Mara Abrantes a rodopiar suspença pela trança "Diga em que dia em que mês voçê nasceu, para ver se o seu signo combina com o meu e o meu coração será seu".
sexta-feira, dezembro 19, 2003
Lisboa
A cidade voltou a velar-se em névoa, disfarçam-se os cansaços. Vizinha de fim de semana e deixa-se confundir nas nuvens e no rio. Por dentro, traçam-se contornos de luz geométricos, paralelos nos carris dos eléctricos e nas janelas feitas molduras. Os reflexos. Garante de formosura ao reflectido. Maluda também nos disse. Diz-lhe espelho meu, que não existe cidade mais bonita. Quando não se lhe vê a imensidão, torna-se mais aldeia. Quase aposto, que ainda há uma vizinha a emprestar um raminho de salsa à mais descuidada. E roupa pendurada junto às ruas.
A cidade voltou a velar-se em névoa, disfarçam-se os cansaços. Vizinha de fim de semana e deixa-se confundir nas nuvens e no rio. Por dentro, traçam-se contornos de luz geométricos, paralelos nos carris dos eléctricos e nas janelas feitas molduras. Os reflexos. Garante de formosura ao reflectido. Maluda também nos disse. Diz-lhe espelho meu, que não existe cidade mais bonita. Quando não se lhe vê a imensidão, torna-se mais aldeia. Quase aposto, que ainda há uma vizinha a emprestar um raminho de salsa à mais descuidada. E roupa pendurada junto às ruas.
terça-feira, dezembro 16, 2003
Medicina do Trabalho
Dez e meia da manhã. Hora marcada para mais uma sessão de medicina do trabalho. Para que o processo seja mais expedito, a empresa resolveu improvisar duas salas de consultório em salas de reuniões. Assim que bato à porta recebo de uma técnica de saúde, uma caixinha com um frasquinho de plástico lá dentro:
“Vamos recolher um bocadinho de urina, sim ?”. A frase pareceu-me estranha. Vamos recolher não significa uma actividade a dois em que ela recolhesse a minha urina, nem duas actividades a um em que cada um de nós ia com o seu frasquinho recolher a própria urina. “Vamos recolher um bocadinho de urina, sim ?” significa “Eu fico aqui sentada à espera e tu vais recolher o teu bocadinho de urina”.
Até aí tudo bem, pareceu-me a hipótese mais sensata. O problema foi que eu tinha antecipado a necessidade da dita recolha, e portanto desde as 7:30 que não dava alívio à bexiga. Devia precisar de uns 37 frasquinhos daqueles para o que ia na bexiga. Como a senhora não me pareceu muito interessada em dar-me 37 frasquinhos, lá fui eu com a minha dúvida existencial. Que tinha que praticar o urinar interrompido, não havia dúvidas, a questão prendia-se do timing da interrupção. Logo ao início para despachar a questão, lá para o meio para aliviar a pressão incial mas tendo que interromper duas vezes, ou tentar acertar só no fim porque é mais fácil mas correndo o risco de já não ter nada para despejar no frasco. No meio é que está a virtude e vai disto. Interrupção aos 5 segundos de jogo. “Ai Jesus que isto é muito pior do que parece”. Lá consegui. Agora muito devagarinho para dentro do frasco. Isso. Nova interrupção. Não fui feito para isto. E já me estou a contorcer todo. Pousar o frasco no autoclismo, acabar o processo muito mais descansado. Puxar o autoclismo e fechar o frasco.
A alavanca do autoclismo estava mal colocada, e acabo por pregar uma estalada no frasco que caiu aberto no chão. Porra e agora? O chão está uma vergonha, a mulher está lá fora à minha espera e eu não tenho nada para lhe entregar. E não estamos a falar de recolha de esperma em que é suficiente uma desculpa do tipo, “Olhe não consegui nada, paciência, fica para a próxima”. Limpo o chão com as tolhas de papel das mãos e ainda pensei expreme-las para o frasco, mas ainda acusava a presença de detergente ou algo semelhante.
Entra um colega do marketing da empresa. Olha que se lixe, não há-de ser nada:
“Desculpa lá, estou aqui numa embrulhada. Não me emprestas um bocado da tua urina?” A reacção foi mais natural do que eu podia pensar, e a cultura de empresa é um conceito muito mais lato do que eu esperava.
O exame à urina acusou um valor elevadíssimo de ácido úrico e parece que o colega do marketing deve evitar o marisco e a cerveja entre outras dezenas de alimentos. Não sei se lhe dê as boas novas.
Dez e meia da manhã. Hora marcada para mais uma sessão de medicina do trabalho. Para que o processo seja mais expedito, a empresa resolveu improvisar duas salas de consultório em salas de reuniões. Assim que bato à porta recebo de uma técnica de saúde, uma caixinha com um frasquinho de plástico lá dentro:
“Vamos recolher um bocadinho de urina, sim ?”. A frase pareceu-me estranha. Vamos recolher não significa uma actividade a dois em que ela recolhesse a minha urina, nem duas actividades a um em que cada um de nós ia com o seu frasquinho recolher a própria urina. “Vamos recolher um bocadinho de urina, sim ?” significa “Eu fico aqui sentada à espera e tu vais recolher o teu bocadinho de urina”.
Até aí tudo bem, pareceu-me a hipótese mais sensata. O problema foi que eu tinha antecipado a necessidade da dita recolha, e portanto desde as 7:30 que não dava alívio à bexiga. Devia precisar de uns 37 frasquinhos daqueles para o que ia na bexiga. Como a senhora não me pareceu muito interessada em dar-me 37 frasquinhos, lá fui eu com a minha dúvida existencial. Que tinha que praticar o urinar interrompido, não havia dúvidas, a questão prendia-se do timing da interrupção. Logo ao início para despachar a questão, lá para o meio para aliviar a pressão incial mas tendo que interromper duas vezes, ou tentar acertar só no fim porque é mais fácil mas correndo o risco de já não ter nada para despejar no frasco. No meio é que está a virtude e vai disto. Interrupção aos 5 segundos de jogo. “Ai Jesus que isto é muito pior do que parece”. Lá consegui. Agora muito devagarinho para dentro do frasco. Isso. Nova interrupção. Não fui feito para isto. E já me estou a contorcer todo. Pousar o frasco no autoclismo, acabar o processo muito mais descansado. Puxar o autoclismo e fechar o frasco.
A alavanca do autoclismo estava mal colocada, e acabo por pregar uma estalada no frasco que caiu aberto no chão. Porra e agora? O chão está uma vergonha, a mulher está lá fora à minha espera e eu não tenho nada para lhe entregar. E não estamos a falar de recolha de esperma em que é suficiente uma desculpa do tipo, “Olhe não consegui nada, paciência, fica para a próxima”. Limpo o chão com as tolhas de papel das mãos e ainda pensei expreme-las para o frasco, mas ainda acusava a presença de detergente ou algo semelhante.
Entra um colega do marketing da empresa. Olha que se lixe, não há-de ser nada:
“Desculpa lá, estou aqui numa embrulhada. Não me emprestas um bocado da tua urina?” A reacção foi mais natural do que eu podia pensar, e a cultura de empresa é um conceito muito mais lato do que eu esperava.
O exame à urina acusou um valor elevadíssimo de ácido úrico e parece que o colega do marketing deve evitar o marisco e a cerveja entre outras dezenas de alimentos. Não sei se lhe dê as boas novas.
TSF
Idas e vindas para o local dos afazeres. Tantas vezes a mesma companhia. Telefonia sem fios. Telefonia sem fim. Tempo sem fim. Na partida e no regresso, a mesma sabedoria, ora em sinais, ora em entrevistas. Os sinais de ontem falaram sobre o Sadam. As barbas que escondiam o gasto ditador, tão longe do simbolismo que as barbas têm. O respeito, a sabedoria, um ancião cheio de saber de vida. Nada disto nas barbas de um ás de espadas fora do baralho. Pensei nos baralhos, que por vezes têm Jokers. A ser verdade, neste baralho, há dois. Bush e Blair.
No regresso a entrevista com Adriana Lisboa. Escritora carioca. Prémio José Saramago. No percurso musical, a flauta transversal atravessou-se no emaranhado das letras e palavras que ela trasnforma com simplicidade.
Idas e vindas para o local dos afazeres. Tantas vezes a mesma companhia. Telefonia sem fios. Telefonia sem fim. Tempo sem fim. Na partida e no regresso, a mesma sabedoria, ora em sinais, ora em entrevistas. Os sinais de ontem falaram sobre o Sadam. As barbas que escondiam o gasto ditador, tão longe do simbolismo que as barbas têm. O respeito, a sabedoria, um ancião cheio de saber de vida. Nada disto nas barbas de um ás de espadas fora do baralho. Pensei nos baralhos, que por vezes têm Jokers. A ser verdade, neste baralho, há dois. Bush e Blair.
No regresso a entrevista com Adriana Lisboa. Escritora carioca. Prémio José Saramago. No percurso musical, a flauta transversal atravessou-se no emaranhado das letras e palavras que ela trasnforma com simplicidade.
segunda-feira, dezembro 15, 2003
Natal
Ouve-se tantas vezes "Natal é quando um homem quiser, como diz o Poeta". Para sabermos do que falamaos aqui está. O Poeta é o José Carlos Ary dos Santos, e o poema é este:
Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitros de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e combóios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
Ouve-se tantas vezes "Natal é quando um homem quiser, como diz o Poeta". Para sabermos do que falamaos aqui está. O Poeta é o José Carlos Ary dos Santos, e o poema é este:
Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitros de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e combóios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
domingo, dezembro 14, 2003
Por vezes
... tudo pára numa canção. É invulgar dar-se o corpo a desvaneios e a alma ao infinito. A canção toma-nos os sentidos e faz-nos dela como se não soubessemos em que escala vamos parar. Cantá-la e ouvi-la é tudo o mesmo e se eu pudesse tocá-la, era assim mesmo transbordante. E quando se ouve de novo, não é só a cadência, as notas que se refaz em nós. Tudo o que ela fez sentir, nem que duma ténue sensação, vem da pauta à voz, do refrão ao suspiro do ultimo verso. Há algumas assim. Felizmente.
... tudo pára numa canção. É invulgar dar-se o corpo a desvaneios e a alma ao infinito. A canção toma-nos os sentidos e faz-nos dela como se não soubessemos em que escala vamos parar. Cantá-la e ouvi-la é tudo o mesmo e se eu pudesse tocá-la, era assim mesmo transbordante. E quando se ouve de novo, não é só a cadência, as notas que se refaz em nós. Tudo o que ela fez sentir, nem que duma ténue sensação, vem da pauta à voz, do refrão ao suspiro do ultimo verso. Há algumas assim. Felizmente.
sexta-feira, dezembro 12, 2003
Fora de Horas
Ao princípio nem a via. Lisboa estava envolta em nevoeiro. Deixo-os para trás. Já o sol ia pelo menos um palmo acima da linha do horizonte, ainda a lua se passeava descarada no céu.
Esta miúda anda a fazer uns horários pouco próprios. A que horas é que ela pensa iluminar os amores nos outros lados do mundo?
Ao princípio nem a via. Lisboa estava envolta em nevoeiro. Deixo-os para trás. Já o sol ia pelo menos um palmo acima da linha do horizonte, ainda a lua se passeava descarada no céu.
Esta miúda anda a fazer uns horários pouco próprios. A que horas é que ela pensa iluminar os amores nos outros lados do mundo?
quinta-feira, dezembro 11, 2003
Shot Televisivo
Pasme-se o que aconteceu ontem entre as 11 e a meia noite. Podia ficar uma semana a ver televisão e dificilmente conseguia ver tantas coisas boas e invulgares. Fiquei zonzo, bêbado de emoções, zap zap zap zap.
O Jorge Palma canta sóbrio no primeiro, e envia uma mensagem de Natal (estaria mesmo sóbrio ?). Até penteado o homem estava. Essa miúda é um exagero, prende-se à mente e põe-se a falar ...
Na SIC mulher o Nuno Markl fala sobre a sua vida, e confessa a sua admiração pelo Guia Galáctico do Pendura. Acho que é dos poucos que duvida que o relógio digital foi uma boa invenção.
No GNT, Ana Carolina canta ao som de isqueiros e fala com o Jô Soares. Aquele gordo sabe entrevistar, não tem o péssimo hábito de interromper os convidados, deixa-os fluir. Ana Carolina canta grosso mas bem. Com o Chico Buarque tiram o par ou impar das letras de palavras e frases. Par é ímpar e ímpar também. Par e ímpar é par.
Pasme-se o que aconteceu ontem entre as 11 e a meia noite. Podia ficar uma semana a ver televisão e dificilmente conseguia ver tantas coisas boas e invulgares. Fiquei zonzo, bêbado de emoções, zap zap zap zap.
O Jorge Palma canta sóbrio no primeiro, e envia uma mensagem de Natal (estaria mesmo sóbrio ?). Até penteado o homem estava. Essa miúda é um exagero, prende-se à mente e põe-se a falar ...
Na SIC mulher o Nuno Markl fala sobre a sua vida, e confessa a sua admiração pelo Guia Galáctico do Pendura. Acho que é dos poucos que duvida que o relógio digital foi uma boa invenção.
No GNT, Ana Carolina canta ao som de isqueiros e fala com o Jô Soares. Aquele gordo sabe entrevistar, não tem o péssimo hábito de interromper os convidados, deixa-os fluir. Ana Carolina canta grosso mas bem. Com o Chico Buarque tiram o par ou impar das letras de palavras e frases. Par é ímpar e ímpar também. Par e ímpar é par.
quarta-feira, dezembro 10, 2003
Volta...
não volta, vêm parar aqui à caixa pessoas desorientadas que ao pesquisarem as palavras Bey Blade são direccionadas para este site. Ora uma das coisas mais irritantes nos motores de busca é enviarem-nos para páginas que nada têm a ver com o que procuramos. Um dia, à procura de golfinhos do Sado, fui parar a sites de sadomasoquismo. Ainda há quem não acredite nesta versão.
1. Se alguém vier aqui parar à procura de bey blade siga viagem para BEY BLADE
2. Se veio aqui parar, por pesquisar o termo sadomasoquismo. Fez muito bem. É aqui mesmo. Aguarde só um momento que eu já chamo uma das nossas assistentes dominadoras para o atender.
3. Se veio para aqui propositadamente. Pegue na linha e agulha e ajude-me aqui nas baínhas.
4. Se nenhuma das anteriores, olhe também lhe digo que não é o pior dos sítios para ir parar. Podia ser bem pior. Volte sempre.
não volta, vêm parar aqui à caixa pessoas desorientadas que ao pesquisarem as palavras Bey Blade são direccionadas para este site. Ora uma das coisas mais irritantes nos motores de busca é enviarem-nos para páginas que nada têm a ver com o que procuramos. Um dia, à procura de golfinhos do Sado, fui parar a sites de sadomasoquismo. Ainda há quem não acredite nesta versão.
1. Se alguém vier aqui parar à procura de bey blade siga viagem para BEY BLADE
2. Se veio aqui parar, por pesquisar o termo sadomasoquismo. Fez muito bem. É aqui mesmo. Aguarde só um momento que eu já chamo uma das nossas assistentes dominadoras para o atender.
3. Se veio para aqui propositadamente. Pegue na linha e agulha e ajude-me aqui nas baínhas.
4. Se nenhuma das anteriores, olhe também lhe digo que não é o pior dos sítios para ir parar. Podia ser bem pior. Volte sempre.
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foram nomeados para o Nobel da Paz. O que terás tu, minha velha amiga, a dizer sobre isto?