segunda-feira, novembro 17, 2003

Olhar em volta
Entre a serra e o mar agitado, depois de Colares, ao virar para a praia que é grande, encontra-se a casa, o ribeiro e a velha ponte. Na casa, o início das escada, anuncia a chegada ao mundo da minha infância. É lá que a Graça Pinto Basto mostra os seus quadros, e a sala no fim das escadas, além das linhas e das cores, expõe as minhas memórias.
Até aos meus 6 anos, a Graça sempre foi para mim, a polícia sinaleira que ri. No quintal lá de casa ocupava o redondel e dirigia o trânsito por aquelas bandas. A minha irmã de bicicleta, e eu de carrinho de pedais. Nunca chocámos. Graças à perícia da polícia Graça (gosto do som desta frase).
Uns anos mais tarde, ia com os meus pais visitá-los a uma pequena casa em Campolide. É daí que vêm as memórias do estirador no fim do corredor, e de todas as tintas e pincéis ao dispor da nossa imaginação. Por uma noite eu e a Maria éramos pintores. A casa de Campolide era engraçada e tinha encanto. Tanto mais que um cavalo nas traseiras vinha comer à nossa mão. O jantar, muitas vezes era fondue e isso era genericamente considerado muito bom.
Na sala, lá estão as memórias. A polícia sinaleira que ri e os pincéis de Campolide. A polícia sinaleira recebe-nos e entrega-nos um guião feito postal. Palavras doces para reconcilio de traços e cores em telas. Palavras que “com as cores se confundem tal e qual o camaleão”. Muitas Dulcineias para um só D. Quixote. Revelam-nos segredos que imaginei contados, paixões, cenas criadas, cumplicidades com as cores. Revelam-nos livros. O que eu gosto do cheiro dos livros. Prendeu-se a Ana à senhora do romance. Tenho a impressão que a hei-de ver mais vezes. Eu ficava com o segredo e guardava-o para sempre.

sábado, novembro 15, 2003

Na TV
o Sérgio Godinho fala com uma cantora Carla Bruni. Francesa com ar de francesa, toca viola e canta em francês. Hei-de investigar.

sexta-feira, novembro 14, 2003

Retornos
O bom do blog trouxe-me, na volta do correio, a mensagem de uma velha amiga. Com ela veio a imagem da própria felicidade. Pequenos tesouros que a fazem feliz. A Maria Ana está adolescente, tem um cão a sério para brincar, e um jardim. A caixa agora já não é geral dos depósitos, antes de costura. Os amigos cirili e tóló têm sempre espaço por aqui.
Corte
Cortei-me a fazer a barba. Não é grande novidade dada a minha destreza manual. O pior é que esta marca quebra todo o conceito estético do meu rosto.
Sol
Hoje teima em não aparecer, como se adivinhasse que o dia não estava para grandes brincadeiras. Por mim também tinha ficado na cama. A aparente vantagem solar, é não acumular tarefas. Se hoje se balda, amanhã não tem necessariamente que iluminar e aquecer em dobro.

quinta-feira, novembro 13, 2003

A exemplar sabedoria Oriental
O Governo Japonês achou por bem suspender o envio dos seus militares para o Iraque, por considerar que, não existem actualmente condições para o fazer.
Mais do que qualquer cedência ao terrorismo, esta decisão demonstra sabedoria que tanta falta faz por estes lados.
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar
Chegou há dias um mail da Adriana. Esta mania de nos apegarmos uns aos outros só nos traz chatices. Tenho tantas saudades vossas. Nem me lembro bem da cara do Leo. O Rock-in-Rio vai ser em Lisboa. Apanhem boleia numa canção e venham até cá. O Euro 2004 também. Tenho bilhetes Follow My Team – Portugal para o Ivan.
O Benfica? É para o ano que vem, claro.
Os bey-blade ......
são peões nas mãos de crianças. Vêm desmontados e o primeiro desafio que nos colocam passa por juntar 6 a 8 peças até obter algo semelhante à figura. Vêm com uma corda dentada e um lançador. A maioria gira no sentido dos ponteiros do relógio, embora haja os que giram no sentido inverso. Neste último caso, o mecanismo que lhes dá vida é mais complexo. Distinguem-se ainda uns dos outros pela aparência, agressividade e capacidade de lidar com a agressividade alheia. Arrasam os rodapés das casas.


terça-feira, novembro 11, 2003

Choque

O meu quarto …. o
quarto .... o quarto está ....

Cores
Desconfio que a palete a que o canto do sofá se refere é sobre a minha casa nova. Não sei, é uma espécie de pressentimento. Há alguns dias que o tema das cores é abordado de forma muito subtil nas conversas de casal. Frases como:
- O João adorou ter o Gui cá em casa.
têm respostas como
- Gostou muito, têm muito espaço para brincar. O quarto está muito alegre e colorido. É pena, o nosso quarto e o escritório estarem tão sóbrios.
Parece-me ouvir entre dentes
- Um framboesa era capaz de ficar bem catita.
- Diz amor.
- Não disse nada, andas a ouvir coisas.
Quando se juntam as três, a coisa tende a piorar. Devem recordar as recepções na embaixada de Espanha. A sala verde, a sala azul, a sala amarela, a bebida, as batatas fritas, a bebida, o pata negra, a bebida e as caixas de chocolate. O sermão do Garimpo aos Peixes. A bebida.
Ora com casas mais modestas o melhor é fazer a sala verde, a sala azul e a sala amarela tudo na mesma sala. E quem diz verde, diz verde mar caraíbas, e o azul amaciador confort também é lindo, e o rosa José Castello Branco, o laranja cherne, o anil cabelo de professora primária. Temo chegar demasiado tarde. Hoje nem quis saber a que horas é que eu chego. O que vale é que, ao que parece, a vítima vai ser o escritório. Sempre fico com o refúgio do quarto, que está em branco marfim, imaculado e lindo.
Errar é divino.

(para o Ivan)
"Logo quem me julgava morta,
me esquecendo a qualquer custo,
vai morrer de medo e susto,
quando abrir a porta"

"Quando o espectáculo terminou, o público do Canecão, no Rio de Janeiro, ficou alguns segundos em silêncio profundo. Algumas pessoas enxugavam as lágrimas, outras pareciam aturdidas. Tinham acabado de viver uma experiência curiosa: durante o «show» de mais de duas horas, ficaram com a impressão de que, vinte anos depois da morte, a sua cantora preferida voltara ao palco da casa de espectáculos que a consagrara. Por obra da genética, a ilusão fora criada por Maria Rita Mariano, filha de Elis Regina. (...)"Texto de Iza de Salles Freaza no Expresso.

Ouvi o disco. Sobre ela, tenho a certeza. Deus percebeu que se tinha precipitado há 20 anos atrás, a Maria Rita é a divina forma de ocupar o tremendo vazio criado.
Regresso
... do Brasil. Como quem traça o Outono com uma semana de Verão, ao jeito de "Pedimos desculpa por esta interrupção, os dias de chuva e frio seguem dentro de momentos". Trouxe um pedaço de jet lag, um tom de pele desfasado, e uma felicidade sem enquadramento legal nos dias que correm. Na mala de viagem trouxe-me uma encomenda. O disco da Maria Rita. Vou ouvir, acho que hei-de escrever sobre ela.

segunda-feira, novembro 10, 2003

O seu médico ou farmacêutico podem ajudá-la a deixar de Blogar ???
Esta pergunta é para a autora do 100nada que anda descompensada com o problema da conciliação da vida pessoal e profissional com a vida de blogger. A menina já deu à luz e sabe que aquela centena e picos de dias são essenciais para a conciliação uma nova estrela com a vida. Ora a vida não é número primo, divisível apenas por si próprio e pela unidade. A vida é divisível por todas as estrelas. Bloggar não é um vicío como os cigarros, é um equilíbrio e mantém-nos tão mais atentos aos detalhes. Arranje uma cresce para o 100nada, entrego-o durante o dia aos cuidados dos avós, arranje-lhe uma ama, telefpone para a Segurança Social a pedir apoio, mas por tudo o que é sagradinho não o abandone à porta de uma qualquer instituição. Dê-lhe atenção, mas não lhe dê toda a atenção. Ponha-o de castigo de vez em quando mas mime-o. Mime-o menina. Arranje uma disciplina, escreva 100 palavras por dia, ou mil. Discipline-se. Mas à séria.
Um dia cheguei a casa dos meus pais e estava uma caixa de chocolates na última prateleira da estante dos livros. Mal escondida, quase a cair por ali a baixo. No chão, estava um escadote suficientemente alto para tornar acessível a tentação dos chocolates. Perguntei à minha mãe o que era aquilo. Respondeu-me, escondendo as pratas dos chocolates, que tinha resolvido pôr ali a caixa para resistir à tentação de os comer. Nem perguntei para que era o escadote. Menina do 100 nada, tire o escadote quando é para tirar e vá aos chocolates quando é para ir.
... Sábado e depois Domingo ...
com sabor de fim de semana, almoços tardios perto da praia, paredes meias com as dunas, com a família, com amigos. Saborear o tempo todo. Cozinhar sem pressas temperos e temperamentos saborosos, crianças sempre crianças, sobretudo felizes e cheias de risos cúmplices, adormecer de cansaço sem pensar em nada. Não saber se acordo com a chuva, se com um beijo de amor, se com um pedido para brincar. Apenas acordo e percorro o Domingo sem contar os minutos todos em sentido contrário ao da vontade. Trapézios do Jorge Palma na televisão, para agarrar seguro o balanço da semana. Duplo salto mortal com uma ou duas piruetas ou as que me der na real telha.

sexta-feira, novembro 07, 2003

Fim de Semana

Agitados os últimos dias, com tanta coisa a rodear-me. Nestes dias, mais do que sentir tudo à minha volta, senti-me na órbitra de todos os afazeres. Estou tonto e torto num espaço qualquer. Vou alinhar a direcção e apanhar uma boleia para a galáxia. Um destes dias falamos sobre o guia (galáctico do pendura pois então).
So long and thanks for all the fish.

Viver é melhor que sonhar ...
De repente, não mais que de repente, o almoço foi iluminado pela música dela. Transversal do tempo, perpendicular à alma, de quem acha que "o amor é ausência de engarrafamento". Fazias-me ficar por ali tanto tempo.

LUZ II
Inferno da Luz. Verdade absoluta. É relativamente fácil entrar, e quase impossível sair. O ambiente é escaldante, mas Dantesco.
Luz I
Ontem fui à Catedral. Devo ter ido confessar-me, porque ver uma equipa jogar daquela forma cheira a penitência. Parece que a quaresma está para durar.

quinta-feira, novembro 06, 2003

Blognited Colors of 100nada
Eis que o absolutamente vazio se trasnformou nisto.


Esquivo-me a comentar, mas conheço casas assim.