EURO 2004
"A China é o terceiro país a mandar um homem para o espaço, depois da ex-União Soviética e dos Estados Unidos (...) “
Com receio do insucesso, e para evitar uma depressão de dimensões nacionais, a emissão em directo foi diferida em 25 minutos.
Neste contexto, e seguindo o raciocínio que me parece por demais válido, proponho que os jogos da Selecção Nacional sejam transmitidos com um atraso de aproximadamente duas horas. Se a coisa der para o torto, e sob o pretexto de dificuldades técnicas, podem transmitir algumas prestações memoráveis de Portugal nos “Jogos sem Fronteiras” com apresentação de Fialho Gouveia ou Eládio Clímaco.
quarta-feira, outubro 15, 2003
Ilumina-te e ri
O novo estádio da Luz está quase pronto. Fabuloso, mas o exterior fica mesmo em betão. Tosco. Mal comparado, e em jeito de machismo primário, vem-me à ideia a Marisa Orth (Magda em Sai de Baixo). Um corpo invejável mas um rosto de estética discutível. Tomara que a Nova Luz seja palco de tanto divertimento como a série, com dirigentes tão honestos como o Caco Antibes. Para que não se torne necessário “tomar uma atitude gástrica” e “virar tudo de esperma para o ar”.
Nem de propósito, parece que o GNT vai cessar as transmissões dos “Normais”. Histórias hilariantes do Rui e da Vani. Logo agora que vou voltar a ter televisão por cabo. Quem vê, sabe do que falo, quando digo que me sinto como se me estivessem a amputar as Terças Feiras. A todos os que, durante estes meses de cativeiro, fizeram o favor de gravar os episódios dos Normais, os meus mais sinceros agradecimentos.
O novo estádio da Luz está quase pronto. Fabuloso, mas o exterior fica mesmo em betão. Tosco. Mal comparado, e em jeito de machismo primário, vem-me à ideia a Marisa Orth (Magda em Sai de Baixo). Um corpo invejável mas um rosto de estética discutível. Tomara que a Nova Luz seja palco de tanto divertimento como a série, com dirigentes tão honestos como o Caco Antibes. Para que não se torne necessário “tomar uma atitude gástrica” e “virar tudo de esperma para o ar”.
Nem de propósito, parece que o GNT vai cessar as transmissões dos “Normais”. Histórias hilariantes do Rui e da Vani. Logo agora que vou voltar a ter televisão por cabo. Quem vê, sabe do que falo, quando digo que me sinto como se me estivessem a amputar as Terças Feiras. A todos os que, durante estes meses de cativeiro, fizeram o favor de gravar os episódios dos Normais, os meus mais sinceros agradecimentos.
Ti Nó Ni
O dia de Sexta complicou-se para lá dos limites impostos. A lista de tarefas era longa e longe de estar fechada. De repente, uma daquelas coisas que baralham todas as prioridades. O príncipe menor tinha ido ao hospital para equilibrar o estômago e pulmões e ficou em observação até ao fim do dia. Levar um filho ao hospital envolve estar preparado para esperar, eventualmente para sofrer com as micro maldades inerentes a diagnósticos e curas. Em visitas de toca e foge, as esperas e as pequenas picadas na alma são toleráveis. Quando se sucedem as iterações nos gabinetes médicos e locais de exame e se adensam incógnitas, soltam-se uns fantasmas filhos da mãe capazes de nos tirar fomes e cansaços. Desarmam-nos por completo e ali ficamos por perto a aprender uma velocidade que não é a pretendida, mas a aconselhável. Por todo o lado paciência e ternura dos médicos e enfermeiros e uma espécie de cumplicidade com outros ali mesmo ao lado. Por fim começam sinais indicadores de acalmia, e conselhos sobre os cuidados a ter nos dias que se avizinham. Enfim. Advinha-se a guia de marcha para casa e a fome, o cansaço e boa disposição vêm à tona. “Com tantos fios e esse monitor pareces uma Play Station”. Piada cretina mas antecipa uma noite mais calma e um fim de semana dedicado à recuperação de todas as forças. Nossas e do príncipe que está magrinho que dá dó. “Ana. Se ele vomitar agora à saída tapa-lhe a boca, ou ainda o obrigam a passar cá o resto da noite.”
O dia de Sexta complicou-se para lá dos limites impostos. A lista de tarefas era longa e longe de estar fechada. De repente, uma daquelas coisas que baralham todas as prioridades. O príncipe menor tinha ido ao hospital para equilibrar o estômago e pulmões e ficou em observação até ao fim do dia. Levar um filho ao hospital envolve estar preparado para esperar, eventualmente para sofrer com as micro maldades inerentes a diagnósticos e curas. Em visitas de toca e foge, as esperas e as pequenas picadas na alma são toleráveis. Quando se sucedem as iterações nos gabinetes médicos e locais de exame e se adensam incógnitas, soltam-se uns fantasmas filhos da mãe capazes de nos tirar fomes e cansaços. Desarmam-nos por completo e ali ficamos por perto a aprender uma velocidade que não é a pretendida, mas a aconselhável. Por todo o lado paciência e ternura dos médicos e enfermeiros e uma espécie de cumplicidade com outros ali mesmo ao lado. Por fim começam sinais indicadores de acalmia, e conselhos sobre os cuidados a ter nos dias que se avizinham. Enfim. Advinha-se a guia de marcha para casa e a fome, o cansaço e boa disposição vêm à tona. “Com tantos fios e esse monitor pareces uma Play Station”. Piada cretina mas antecipa uma noite mais calma e um fim de semana dedicado à recuperação de todas as forças. Nossas e do príncipe que está magrinho que dá dó. “Ana. Se ele vomitar agora à saída tapa-lhe a boca, ou ainda o obrigam a passar cá o resto da noite.”
segunda-feira, outubro 13, 2003
Chuva na areia
Consigo imaginar alguns sítios onde a areia se torna irritante. Vou mencionar três deles. Nos olhos, nas virilhas e nas cadelinhas (ou ameijoas). P.... das bichas tinham mais areia que o deserto. Tinham tanta, mas tanta areia que se podia organizar a próxima edição das construções n’ areia naquela frigideira. Da próxima vez faço algo mais simples. Carne de Porco à Alentejana.
Consigo imaginar alguns sítios onde a areia se torna irritante. Vou mencionar três deles. Nos olhos, nas virilhas e nas cadelinhas (ou ameijoas). P.... das bichas tinham mais areia que o deserto. Tinham tanta, mas tanta areia que se podia organizar a próxima edição das construções n’ areia naquela frigideira. Da próxima vez faço algo mais simples. Carne de Porco à Alentejana.
sexta-feira, outubro 10, 2003
quinta-feira, outubro 09, 2003
Carpaccio
Colocam-se as finas fatias de carne em toda a superfície do prato raso. Tempera-se com sal e pimenta. Cortam-se os cogumelos e o aipo em lâminas, distribuídas uniformemente sobre a carne. Numa taça, mistura-se duas medidas de azeite e uma de sumo de limão. Pincela-se a carne, cogumelos e aipo com o molho e por fim polvilha-se o prato com queijo às farripas. Serve-se frio.
“Importas-te de ir à vizinha de cima perguntar se ela tem um bocadinho de
- carne cortada na máquina do fiambre;
- aipo;
- cogumelos;
- limão;
- pimenta;
- queijo às farripas
que nos possa ceder ?”
Colocam-se as finas fatias de carne em toda a superfície do prato raso. Tempera-se com sal e pimenta. Cortam-se os cogumelos e o aipo em lâminas, distribuídas uniformemente sobre a carne. Numa taça, mistura-se duas medidas de azeite e uma de sumo de limão. Pincela-se a carne, cogumelos e aipo com o molho e por fim polvilha-se o prato com queijo às farripas. Serve-se frio.
“Importas-te de ir à vizinha de cima perguntar se ela tem um bocadinho de
- carne cortada na máquina do fiambre;
- aipo;
- cogumelos;
- limão;
- pimenta;
- queijo às farripas
que nos possa ceder ?”
Muda I
Pasta e escova de dentes, creme e máquina de barbear, desodorizante, creme de duche, shampô, roupa de dois dias, sapatos, leite, café, batatas fritas, biberões, cerelac, benuron e brufen, toalhetes, fraldas, margarina, sal, esparguete, ovos, fiambre, termómetro, detergente louça e roupa, roupa de cama, almofadas, pijamas. Não falta nada !
1. Toalhetes
“Dá-me o papel higiénico se faz favor, que me esqueci de o trazer para a casa de banho.”
“Não veio? Como não veio? E limpo-me a quê?”
2. Batatas Fritas
.o0O ( o escorredor não veio, mas com jeito consigo tirar a água do tacho do esparguete )
“Há batatas fritas? O esparguete desapareceu pelo cano do lava loiças.”
3. Arrrrrgggghhh !!!!
.o0O (café com leite, que boa maneira de começar o dia)
“Alguém sabe onde guardámos o açúcar?”
Pasta e escova de dentes, creme e máquina de barbear, desodorizante, creme de duche, shampô, roupa de dois dias, sapatos, leite, café, batatas fritas, biberões, cerelac, benuron e brufen, toalhetes, fraldas, margarina, sal, esparguete, ovos, fiambre, termómetro, detergente louça e roupa, roupa de cama, almofadas, pijamas. Não falta nada !
1. Toalhetes
“Dá-me o papel higiénico se faz favor, que me esqueci de o trazer para a casa de banho.”
“Não veio? Como não veio? E limpo-me a quê?”
2. Batatas Fritas
.o0O ( o escorredor não veio, mas com jeito consigo tirar a água do tacho do esparguete )
“Há batatas fritas? O esparguete desapareceu pelo cano do lava loiças.”
3. Arrrrrgggghhh !!!!
.o0O (café com leite, que boa maneira de começar o dia)
“Alguém sabe onde guardámos o açúcar?”
quarta-feira, outubro 08, 2003
Arnaldo o governador implacável
Capazes do melhor e do pior, os rapazes do lado de lá do atlântico, elegeram um mau actor para governar. Se a moda pega por cá, o conselho de ministros podia assemelhar-se ao elenco dos Malucos do Riso ou ao de qualquer novela da TVI. Boa dica seria inverter o processo de transformação e obter actores a partir de maus giovernantes, com a vantagem de alguns terem desenvolvido competências nesta área durante o exercício das suas funções. As televisões agradeceriam a receita para a guerra das audiências e finalmente poderíamos sorrir com a prestação de Manuela Ferreira Leite nos episódios da novela “Saber Poupar”, do Alberto João em “Jardim Proibido” ou do Paulo em “Portas de Vidro”. Já imagino comentários “Ai que bem que vai aquele rapaz. Faz tão bem os papeis dos gémeos: o de Paulo e o de Miguel.”
Capazes do melhor e do pior, os rapazes do lado de lá do atlântico, elegeram um mau actor para governar. Se a moda pega por cá, o conselho de ministros podia assemelhar-se ao elenco dos Malucos do Riso ou ao de qualquer novela da TVI. Boa dica seria inverter o processo de transformação e obter actores a partir de maus giovernantes, com a vantagem de alguns terem desenvolvido competências nesta área durante o exercício das suas funções. As televisões agradeceriam a receita para a guerra das audiências e finalmente poderíamos sorrir com a prestação de Manuela Ferreira Leite nos episódios da novela “Saber Poupar”, do Alberto João em “Jardim Proibido” ou do Paulo em “Portas de Vidro”. Já imagino comentários “Ai que bem que vai aquele rapaz. Faz tão bem os papeis dos gémeos: o de Paulo e o de Miguel.”
terça-feira, outubro 07, 2003
Aquilo não foi culpa dela.Aquela galinha deve ter morrido com uma crise de pânico. Não há outra explicação para ter ficado com os músculos naquele estado. Tensos e rijos que nem cornos. Nem com duas horas de cozedura o animal relaxou. Eu aposto que mesmo que fizessem hamburgers daquele bicho, iam ficar tão duros como os congelados. Ora a criatura vinha anunciada como sendo do campo, no estado em que a encontrei só se fosse do campo de concentração. Esquálida e escura. O colapso nervoso foi de tal forma que quando fez canja deu letras em vez de arroz.
Os galináceos que povoam as mesas urbanas vêm do aviário, têm uma vida estúpida e curta, e uma morte não anunciada e tranquila. Os do campo pelo contrário têm uma vida invejável, ar livre e comida diversificada. O pior é quando morrem. Uma mulher gorda envergando um enorme facalhão a correr na sua direcção. Qualquer criatura, mesmo desta espécie a quem não se reconhece grande inteligência, paralisava de medo perante o cenário. Foi isso que aconteceu. E quando assim é, não há panela de pressão que valha. O melhor mesmo é pintá-la às cores como fazem em Barcelos, e colocá-la na recém chegada mesinha do hall de entrada.
Os galináceos que povoam as mesas urbanas vêm do aviário, têm uma vida estúpida e curta, e uma morte não anunciada e tranquila. Os do campo pelo contrário têm uma vida invejável, ar livre e comida diversificada. O pior é quando morrem. Uma mulher gorda envergando um enorme facalhão a correr na sua direcção. Qualquer criatura, mesmo desta espécie a quem não se reconhece grande inteligência, paralisava de medo perante o cenário. Foi isso que aconteceu. E quando assim é, não há panela de pressão que valha. O melhor mesmo é pintá-la às cores como fazem em Barcelos, e colocá-la na recém chegada mesinha do hall de entrada.
segunda-feira, outubro 06, 2003
Deixa lá
Caixa, caixote, papelão, conteúdos, pó, prateleiras, choros, escadas, empoleirar, torneira, quente e frio, pó, portas, Portas, risos, estantes, papel, panos, arrasto, soalho, pó, brinquedos, luz e gás, canja, birra, gavetas, golos, sono, telefones, máquina, gente, galinha do campo, quadros, pó, aspira, caixilho, festa, lâmpada, bolos, sonhos, roupas, objectos perdidos, inúteis, pó, temperatura, interruptor, água, acende e apaga, abre e fecha, trabalho, fim, não, miragem, pó.
Caixa, caixote, papelão, conteúdos, pó, prateleiras, choros, escadas, empoleirar, torneira, quente e frio, pó, portas, Portas, risos, estantes, papel, panos, arrasto, soalho, pó, brinquedos, luz e gás, canja, birra, gavetas, golos, sono, telefones, máquina, gente, galinha do campo, quadros, pó, aspira, caixilho, festa, lâmpada, bolos, sonhos, roupas, objectos perdidos, inúteis, pó, temperatura, interruptor, água, acende e apaga, abre e fecha, trabalho, fim, não, miragem, pó.
sexta-feira, outubro 03, 2003
As saudades também se abatem (ou não)
Regresso tardio e cansado ao pequeno espaço, num carro a abarrotar de nós e de sono. Forço um desvio e faço o percurso coincidir com o caminho de chegada à antiga casa. Apercebeu-se das ruas e quis saber da razão das tangentes às memórias recentes.
“Vamos passar à porta da casa velha, para matar saudades.” Sempre tomei como axioma “Eu matar não gosto muito, mas saudades é diferente, é como matar pulgas, alivia a gente”. Inquestionável até à última curva de acesso à casa velha. Ouço o JM naquela voz equidistante entre o choro e o sono “Eu não quero matar as saudades da casa velha, eu gosto de ter saudades porque tinha um corredor. Quer dizer, tinha dois.”
Há saudades que se desaparecem, são sintoma de esquecimento e essas, segundo o JM, devem ser preservadas.
Regresso tardio e cansado ao pequeno espaço, num carro a abarrotar de nós e de sono. Forço um desvio e faço o percurso coincidir com o caminho de chegada à antiga casa. Apercebeu-se das ruas e quis saber da razão das tangentes às memórias recentes.
“Vamos passar à porta da casa velha, para matar saudades.” Sempre tomei como axioma “Eu matar não gosto muito, mas saudades é diferente, é como matar pulgas, alivia a gente”. Inquestionável até à última curva de acesso à casa velha. Ouço o JM naquela voz equidistante entre o choro e o sono “Eu não quero matar as saudades da casa velha, eu gosto de ter saudades porque tinha um corredor. Quer dizer, tinha dois.”
Há saudades que se desaparecem, são sintoma de esquecimento e essas, segundo o JM, devem ser preservadas.
quinta-feira, outubro 02, 2003
Governo admite imposto sobre poluição
A ideia é simples, quase infantil. Pagar a asneirada. Permite-se o deslize e algum descontrolo desde que devidamente recompensado. É urgente generalizar esta prática de comprar falta de virtude:
As televisões pagam pelo lixo que emitem.
Os árbitros pelos erros cometidos.
Os avançados do Benfica pela falta de pontaria.
A defesa do Benfica pelas ofertas aos adversários.
O Porto pela arrogância.
Os governos pela incompetência.
A justiça pela lentidão.
Muitos de nós pelo egoísmo...
Criem-se produtos pré pagos pelas asneiradas a cometer. Os sete pecados mortais não deviam ser filme, ou variedades de Magnum, deviam ser cartões recarregáveis de 25 euros a consumir no futuro. “O seu saldo de gula é inferior a 1 euro”. Vou ter que passar no MB antes do almoço.
A ideia é simples, quase infantil. Pagar a asneirada. Permite-se o deslize e algum descontrolo desde que devidamente recompensado. É urgente generalizar esta prática de comprar falta de virtude:
As televisões pagam pelo lixo que emitem.
Os árbitros pelos erros cometidos.
Os avançados do Benfica pela falta de pontaria.
A defesa do Benfica pelas ofertas aos adversários.
O Porto pela arrogância.
Os governos pela incompetência.
A justiça pela lentidão.
Muitos de nós pelo egoísmo...
Criem-se produtos pré pagos pelas asneiradas a cometer. Os sete pecados mortais não deviam ser filme, ou variedades de Magnum, deviam ser cartões recarregáveis de 25 euros a consumir no futuro. “O seu saldo de gula é inferior a 1 euro”. Vou ter que passar no MB antes do almoço.
quarta-feira, outubro 01, 2003
Internet Mail - Filme
A menina fez-se igual ao irmão, recém chegado da quimioterapia. Abraçou-o e ofereceu-lhe uma madeixa de cabelo acabado de cortar de forma tosca.
Este filme chegou assim camuflado no meio do muito lixo electrónico. Nó na garganta. Que safanão. O que faríamos à realidade sem as vacinas da ficção ?
A menina fez-se igual ao irmão, recém chegado da quimioterapia. Abraçou-o e ofereceu-lhe uma madeixa de cabelo acabado de cortar de forma tosca.
Este filme chegou assim camuflado no meio do muito lixo electrónico. Nó na garganta. Que safanão. O que faríamos à realidade sem as vacinas da ficção ?
terça-feira, setembro 30, 2003
Inicio de época
Lá sincronizei. Durante o fim de semana pois claro, apesar de alguma agitação. Os príncipe retomaram a natação após os meses de verão. Quase que me esquecia da animação que é uma ida à natação com a criançada. Tudo começa sexta à noite com a promessa de que só se vai à natação se eles acordarem suficientemente cedo. Que todos tivemos uma semana complicada e que não vale a pena forçarmos a madrugada se o instinto nos manda dormir mais umas horas no Sábado. Pura demagogia, o instinto manda-nos dormir e a choradeira manda-nos acordar. Acordam mesmo naquela hora em que não é suficientemente tarde para nos baldarmos à piscina, nem suficientemente cedo para nos arranjarmos sem pressas, correrias e tropeções.
Os três quartos de hora que se seguem são indiscritíveis. Fraldas, toucas, fatos de banho, chinelos, cartões de acesso. Encontrar cada um destes items envolve sempre uma expedição organizada, e um relatório de averiguação sobre as causas do desaparecimento. Encontram-se os culpados que, à semelhança da realidade nacional, escapam sempre impunes. Dez minutos antes do início da aula, saímos de casa e entramos no elevador. O mais novo começa a fazer uma cara muito esforçada, ganha cores vermelhas e agarra-se aos joelhos. Um cheiro nauseabundo invade os dois metros cúbicos do elevador. Tudo para cima outra vez. Troca de fralda e de roupa, que a matéria ultrapassou os limites impostos por uma fralda mal colocada. Inquérito para apurar o responsável pela má colocação. Culpado encontrado. Culpa que morre solteira. Paz à sua alma.
O carro pega à primeira e lá vamos todos até à piscina.. Um vai com o mais novo para dentro de água, o mais velho já vai sozinho. Eu tenho a depilação sempre feita, nunca estou menstruado pelo que faz todo o sentido que seja eu a ir para a água. As aulas são seguidas para não criar demasiadas facilidades e o mais velho é o último a entrar em cena. Lá me preparo. Fato de banho, touca ridícula e chinelos. Recebo o mais novo embrulhado num robe e ostentando uma touca que tem o dobro do tamanho da cabeça. No caminho entre o balneário e a piscina descubro que me esqueci de cortar as unhas dos pés e começo a achar que todos estão a reparar nisso. Para dentro de água finalmente. A água faz o efeito de lupa e as unhas dos pés parecem rebarbadoras de relva. Ai meu Deus que vergonha. Meia hora com um selvagem ao colo que está convencido que as braçadeiras que usou no verão ainda estão nos braços. Deixo-o cair para lhe fazer ver que não há razão para se libertar dos meus braços. Lá regressa à superfície de olhos esbugalhados. De vez em quando o que ele faz coincide com o que professora manda fazer. Ela tenta exemplificar um exercício e tira-mo do colo. Ele tenta espancá-la e ela devolve-o com um sorriso amarelo e a dizer “Não está muito bem disposto o nosso Manuel”. Para já não é nosso e depois chama-o sempre de Manuel em vez de Manel. Não vou perder tempo a dizer-lhe que prefiro a versão mais curta do nome. Assim como assim, é só meia hora por semana. Para embirrar o corrector ortográfico sublinha a vermelho o Manel e deixa passar o Manuel. Aposto que a professora de natação está por trás disto.
Final da aula do Manel. Regresso ao balneário e troca de criançada. Levo o mais velho para a piscina enquanto a mãe tenta dar duche ao Manel. O raio do miúdo escorrega horrores quando se passa gel pelo o corpo. Estar vestido a dar duche a um bébé escorregadio é uma aventura. Sempre se pode poisá-lo mas ele costuma fugir.
O mais velho fica sozinho na aula e regresso calmamente para o balneário. Estou sozinho e com algum tempo para tomar um duche há muito esperado. A meio do meu duche chegam uns pais agitadíssimos com algo que só me apercebo depois. Um miúdo qualquer resolveu vomitar ou fazer cocó na piscina. Raios, logo no meio do duche. Tenho que ir a correr buscar o maior. Faço figas para que a culpa da azáfama não seja dele. Com a pressa nem reparo que além das unhas compridas, tenho o cabelo cheio de shampô. Paciência. O que interessa é que não foi o João Maria. Regresso aos balneários e começam as perguntas recursivas. Porque é que a aula acabou? E porque é que o menino fez cocó na piscina? E porque é que o pai tem a pilinha à mostra? Merda. Além das unhas e do shampô esqueci-me vestir os calções para o ir buscar. O melhor é anular a matrícula deles porque nesta piscina não volto a pôr os pés. Parece haver um segurança que quer falar comigo sobre o tema “Desrespeito à moral”. Explico o sucedido o melhor que posso. Finalmente lá consigo sair das instalações. Tomar o pequeno almoço no bar da piscina está completamente fora de questão.
Os príncipes não dão qualquer sinal de cansaço e parecem dispostos a actividade intensa durante longas horas. Eu quero chorar e desaparecer durante longos anos. A minha mulher propõe-se a gastar o saldo do telemóvel contando o sucedido a toda a gente.
Lá sincronizei. Durante o fim de semana pois claro, apesar de alguma agitação. Os príncipe retomaram a natação após os meses de verão. Quase que me esquecia da animação que é uma ida à natação com a criançada. Tudo começa sexta à noite com a promessa de que só se vai à natação se eles acordarem suficientemente cedo. Que todos tivemos uma semana complicada e que não vale a pena forçarmos a madrugada se o instinto nos manda dormir mais umas horas no Sábado. Pura demagogia, o instinto manda-nos dormir e a choradeira manda-nos acordar. Acordam mesmo naquela hora em que não é suficientemente tarde para nos baldarmos à piscina, nem suficientemente cedo para nos arranjarmos sem pressas, correrias e tropeções.
Os três quartos de hora que se seguem são indiscritíveis. Fraldas, toucas, fatos de banho, chinelos, cartões de acesso. Encontrar cada um destes items envolve sempre uma expedição organizada, e um relatório de averiguação sobre as causas do desaparecimento. Encontram-se os culpados que, à semelhança da realidade nacional, escapam sempre impunes. Dez minutos antes do início da aula, saímos de casa e entramos no elevador. O mais novo começa a fazer uma cara muito esforçada, ganha cores vermelhas e agarra-se aos joelhos. Um cheiro nauseabundo invade os dois metros cúbicos do elevador. Tudo para cima outra vez. Troca de fralda e de roupa, que a matéria ultrapassou os limites impostos por uma fralda mal colocada. Inquérito para apurar o responsável pela má colocação. Culpado encontrado. Culpa que morre solteira. Paz à sua alma.
O carro pega à primeira e lá vamos todos até à piscina.. Um vai com o mais novo para dentro de água, o mais velho já vai sozinho. Eu tenho a depilação sempre feita, nunca estou menstruado pelo que faz todo o sentido que seja eu a ir para a água. As aulas são seguidas para não criar demasiadas facilidades e o mais velho é o último a entrar em cena. Lá me preparo. Fato de banho, touca ridícula e chinelos. Recebo o mais novo embrulhado num robe e ostentando uma touca que tem o dobro do tamanho da cabeça. No caminho entre o balneário e a piscina descubro que me esqueci de cortar as unhas dos pés e começo a achar que todos estão a reparar nisso. Para dentro de água finalmente. A água faz o efeito de lupa e as unhas dos pés parecem rebarbadoras de relva. Ai meu Deus que vergonha. Meia hora com um selvagem ao colo que está convencido que as braçadeiras que usou no verão ainda estão nos braços. Deixo-o cair para lhe fazer ver que não há razão para se libertar dos meus braços. Lá regressa à superfície de olhos esbugalhados. De vez em quando o que ele faz coincide com o que professora manda fazer. Ela tenta exemplificar um exercício e tira-mo do colo. Ele tenta espancá-la e ela devolve-o com um sorriso amarelo e a dizer “Não está muito bem disposto o nosso Manuel”. Para já não é nosso e depois chama-o sempre de Manuel em vez de Manel. Não vou perder tempo a dizer-lhe que prefiro a versão mais curta do nome. Assim como assim, é só meia hora por semana. Para embirrar o corrector ortográfico sublinha a vermelho o Manel e deixa passar o Manuel. Aposto que a professora de natação está por trás disto.
Final da aula do Manel. Regresso ao balneário e troca de criançada. Levo o mais velho para a piscina enquanto a mãe tenta dar duche ao Manel. O raio do miúdo escorrega horrores quando se passa gel pelo o corpo. Estar vestido a dar duche a um bébé escorregadio é uma aventura. Sempre se pode poisá-lo mas ele costuma fugir.
O mais velho fica sozinho na aula e regresso calmamente para o balneário. Estou sozinho e com algum tempo para tomar um duche há muito esperado. A meio do meu duche chegam uns pais agitadíssimos com algo que só me apercebo depois. Um miúdo qualquer resolveu vomitar ou fazer cocó na piscina. Raios, logo no meio do duche. Tenho que ir a correr buscar o maior. Faço figas para que a culpa da azáfama não seja dele. Com a pressa nem reparo que além das unhas compridas, tenho o cabelo cheio de shampô. Paciência. O que interessa é que não foi o João Maria. Regresso aos balneários e começam as perguntas recursivas. Porque é que a aula acabou? E porque é que o menino fez cocó na piscina? E porque é que o pai tem a pilinha à mostra? Merda. Além das unhas e do shampô esqueci-me vestir os calções para o ir buscar. O melhor é anular a matrícula deles porque nesta piscina não volto a pôr os pés. Parece haver um segurança que quer falar comigo sobre o tema “Desrespeito à moral”. Explico o sucedido o melhor que posso. Finalmente lá consigo sair das instalações. Tomar o pequeno almoço no bar da piscina está completamente fora de questão.
Os príncipes não dão qualquer sinal de cansaço e parecem dispostos a actividade intensa durante longas horas. Eu quero chorar e desaparecer durante longos anos. A minha mulher propõe-se a gastar o saldo do telemóvel contando o sucedido a toda a gente.
sexta-feira, setembro 26, 2003
Tenho feito trapalhadas com o tempo. Peguei num bom pedaço do dia seguinte e acrescentei-o ao anterior. Fi-lo com a ajuda de quatro ou cinco cúmplices. Estes truques já não são tão fáceis, e agora ninguém se entende. Até logo ou amanhã à tarde ou ontem têm significados diferentes entre nós o que torna impossível marcar encontros nestes termos. Também me ausentei por aqui depois de alguns desabafos sobre a join venture entre a tabaqueira e uma qualquer agência funerária. A cabeça não tem acompanhado o corpo e raramente se encontram no mesmo lugar. Assim que acordo vejo-a afastar-se, e só regressa quando adormeço. Vou aproveitar o fim de semana para garantir algum sincronismo.
quarta-feira, setembro 24, 2003
Subscrever:
Mensagens (Atom)